Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.Unifsanet.*om.br/revista Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 6, art. 8, p. 162-1*8, *un. *026 ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/*026.23.6.* Desenvolvimento em Questão: Epi*t*mologias *o S*l e Cam**hos do Bem Vive* *evelopment *n Question: E*iste*o*ogies of t*e South and Pa**s to G*od Living *na K*rolin* d* Araújo *outora em Sociologi* pe*a Universidade ***eral da Pa*aíba Professor* da Univer*idade Estad*al do Tocantins / C*mp*s Paraíso E-mail: *na.ka@unit*ns.*r . Carlos **uardo P*no*so Doutor em *e**nvolvim*nto, Sociedade e C*o*eração In*ernacional *ela UnB Professor *o In*tituto Feder*l do *oc*ntin* / Campus Pa*ma* E*ail: panos*o@if*o.edu.br Endere*o: Ana Karolina de Araújo Editor-*hefe: Dr. Tonny Ke*l*y *e *le*car Q*adr* *06 Sul, Alameda 1, L*t* 7, Edi*ício Rodri*ues Itac**ú*as, Plano Diretor Sul, CEP: *0.020-0*4, *almas/TO, B**s*l. Ar*igo rece*ido em 29/04/**26. Últim* versão
*ndereço: C*rlos *duardo Pa*osso ARS* 14, ala*eda 01, lot* *0A, aparta*ento 203A, rece*ida *m *3/05/2026. Aprovado em *4/*5/2026.
R*sidenc**l Cali*órnia, Plano Diretor S*l, CEP 7*.*20- 142, Palmas/TO, Brasil. Av*liado pe*o sistema Triple Review: D*sk Rev*e* a) pelo Edi*or-Chefe; e *) Dou*l* Bli*d Review (aval*ação cega por dois ava*iadores d* áre*). R*visão: *ramatical, Normativ* e de Format*çã*
*esenvo*vimen*o em Qu*s*ão: Ep*stemologias do Su* e Ca*inhos do Bem Viv*r 163 RESUMO Este *r**go *nalisa os *imites do pa*adi*ma do desenv*lvimento m*derno e discute alternativa* qu* em*rgem tanto da crítica acadêm*ca ao d*sen*olvimentismo quanto das c*smovisões *ndí*enas lati*o-americanas. A partir das cont*ibuições ** autores como Serge Latouche, P*u* *ri*s e Alber** Aco*ta, *e* *omo de ref*renci*is antro*ológicos co*o *ierre C*astres, e das reflexões de *e*s*dores indíg*nas como André B*n**a, *i**on Krenak e Ka*á Werá, são explora*as *s noç*es de dec*esciment*, simpli*idade voluntária e Bem Viver (Sumak Kaw**y, Buen Vivir, Tek* Porã) como chaves para pen*a* outros m*ndos poss*v*i*. Sustenta-se que, diante da emer*ência cl*m*tica, torna-se urgent* revisi*a* o imaginário do progress* e ab*ir espaço p*ra *pistemolo*ias plurai* que con*e*em * *ida *m *a**onia co* a na*u**za e* col*t*vida*e, rom*endo com os *i**s funda*ores d* e cresc**e*to econômi*o ilimitado. Palavras-cha*e: Bem Viver. Decrescimento. Simplic*dade voluntária. Cosmovisõ*s indígenas. Desenvolvimento loc*l. ABST*ACT This article anal*zes the li*its *f the m*d*rn de*elopment paradigm and **scu*ses altern*tives that em*rge both from academic critiques of de**lopmentalism and *rom Latin American i*digen*us worldviews. Dra*ing on the contributions of au*hors su*h as *erge Latouche, Paul Ari*s, and Al*erto Acost*, as well as a*thro*olog*cal re*erences such as Pierre *lastres, and the ref*ec*ions of indig*nous thinkers such a* André Baniw*, Ailton Krenak, *nd Kaká Werá, th* notions of degrowt*, *oluntary sim*licity, and Go*d Living (Sumak Kawsay, *u*n Vivi*, T*ko Porã) are explored a* keys to th*nking about other *oss*b** worlds. It argue* that, i* the face o* the cli*ate emergency, it is urg*nt *o *evi*it the ima*inary of progres* an* open *pace for plu*al *pist*mologie* th*t conceive of li** in harmo** with nature an* i* collectiv*ty, b*ea**ng with the found*n* myths of unlimited econo*ic growth. Ke*words: Good Li*ing. Degr*wth. Volunt*ry *imp*icity. *ndigenous wo*ldvie*s. Local developmen*. Rev. F*A, T*res*na PI, v. 23, n. 6, a*t. 8, p. 162-*78, ju*. 2*26 www4.Unif*a*et.*o*.br/re*ista A. K. Ar*újo, C. E. Pan*sso 164 * INTRODUÇ*O O debate sobre os rumo* do desenvo*vimento *ntensificou-se nas últ**as décadas e* razão da* sucessivas crises ambientais, soci*is e civili*atóri** qu* desafiam o mod*lo hege***ico de *rescime*to contínuo. A narr*tiva *o *rogres*o, *ri*ida *omo m*t* fundador das sociedades ociden*ais modernas, t** sustentado uma l*gica econôm*ca q*e natu**l*za a explor*ção ilimi*ada dos recurso* da *erra, ao mesmo tempo em que a*rof*nda des*gualdades s*ciais e cri**s ecoló*icas. Nes*e cont*xto, emergem reflexões crítica* que qu**tionam os fu*damen*o* ** d*s*nvol*i*entis*o. Autores co*o Se*ge **touche (200*) e Paul Ariès (2013) apresentam pr*po*ta* como o decrescimento e a simp*icidade vol*ntária, respectivame*t*, qu* def*ndem a nece*si*ade *e **mper com o cons*m*smo e de reorganizar * vida social em bases *ol*d*rias, ec*lóg*cas comun**ár*a*. Paralelam*n*e, intelectuais la*ino-*****canos, c*mo e Alberto Acosta (201*), resgatam a cosmovisão indígena do Sum** Kawsay ou B**n *ivir, pr*pondo-a c*mo *lte*n**iva on*o*ógica e **lítica ao m*delo de modernidade o*idental. Es** ar*i*o bu*ca compreender e a*ticular e*sas p*rspectivas ** diálogo, que *onformam um *odelo cont*ári* ao *a*ad*gma hegemônico ** d*senvolviment*s**, ou seja, *os s o *bje*ivo é ar*icul** e*ses debate*, *artin** da hipótese de que se*s princ*pi*s cosmoló*icos sociais po*em configu*ar moviment*s *e r*sis*ência e o*erec*r elementos e **r* *ensar n*vas políticas púb*icas e *orm*s de organi*ação s*c*al. * *EFER*NCIAL TEÓRICO 2.1 O mit* do d*senvolviment* e * crí*ica a* *rogresso A *deia d* *esen**lviment* c*ns*l*dou-se no século XX co*o ideal civiliza**r*o glo*al. * des*nv*lvimentism* na* ci*ncias *oci*** foi cons*ruído a par*ir d* diferentes matrizes teóricas que buscaram ex*lica* e orientar os processos de tr*nsformação econômic* e social. Walt Whitman *ostow (19*4) formulou a teori* do* *stágio* d* cresc*mento e*onômico, *ef*n*e*do qu* as socie*ade* p*rcor*em um caminho lin*ar rumo à moder*izaç** capi**l*sta. **lcott P*r*ons (195*), a partir do parad*gm* fun*io*alis*a, c*ntribuiu para a teoria da modern*zaç** a* compreender o d*s*nvolvime**o como um process* de diferenc*ação estrutura* * adapta*ão *n*titu*ional d*s s*c*edades *radicionais às fo*mas mod**nas. No c**text* latino-ame*i*ano, Raúl *rebisch (20*0) destaco* a R*v. FSA, Tere*ina, v. 23, n. *, art. 8, *. 1*2-*78, jun. 20*6 www4.Unif*anet.*om.br/revista Desenvolviment* em Questão: E*is*emo*ogi*s do Sul e C*minho* do Be* Viver 165 importância da industri*l*zação por sub*tituição de impo*taçõe* * da at*ação do Estado c*mo e*traté**a para enfrentar a *epe*dência **trutural da* economias *eriféricas. Am*r*ya Sen (2010) a*pli*u * *ebate ao *ropor uma concepç*o de desenv*lvim*nt* cen*rada na expan*ão d** lib*rdades humanas, *rticul*ndo c*escim*n** econômico, justiça social e capacidades in*ividuais. *ntretan*o, com* apontam C*l*o Fu*tado (1974) * Giovan*i A*righ* (*997), *rata-se de um* cate*or** histo*i*amente ma*ca*a por relações de dependência e de reprodução ** d*sigualda*e* entr* centro e periferia, *ue reforçou e*trut*r*s co**n*ais, submetendo **vo* e territó**o* a u*a *ógica de *xpl*r*ção *nten*iva. A crí*ica ao *esenvolvimentismo f*rmulada por es*es autor*s questiona a *oção de qu* o desenv*lvimen** capitalista po*sa s*r universa*izado como um per*urso linear * homog**eo. Furtado critica as teorias da modernização e do cres**ment* eco*ômi*o por tratarem o subdesenvol*iment* como uma etapa transitória, argumen*and* qu* ele *ons*itui uma *ondição históri** e est***ural, re*ultante da in**rç*o dependent* das economi*s periféricas n* sistema capita*ista inter*acio*al. Para o autor, * simples c*esc*mento econô*ico não eli*ina desigualda*es, poden*o, ao *ontrário, aprofunda* a conce*tr**ão *e renda * as *ssimetrias r*gio*ais, além de um colap** ambiental. Para ele: O *ue *contecerá se o desenvol*iment* econômi*o, p*ra o qual estão *en*o mobilizados todos os povos da t*rra, ch*ga e*e*ivam**te a co*c*et*zar-se, isto é, ** as atuais formas de vi*a d*s povos ricos chegam e*e*ivamente a universal**a*-s*? A respost* * essa p*rgunta é clara, *em *mbiguid*des: se tal a*onte*esse, a pressão sobre os recursos não-renováveis e a polu*çã* do me*o ambi*n*e seriam *e t*l ordem (ou alterna*ivamen**, o custo do contro*e *a polu*ção seria tão *levado) que * siste*a econôm*co mundial entrar*a ne*e*sa*iamente em c*l*pso (FURT*DO, 1974, p.17). Arrighi, po* outro lado, a partir da an*li*e do* si*temas-mund*, critica o *esen*olvimentismo por ign*rar * lógica hierárquic* do *apitalis*o g*obal, no qual o avanço de alg*ns paí*es ocorre simultaneamente à margi*alização de ou*r*s. A*righi demonstra *s l*mites est*ut*rais das estra*égia* *a**onais de desenvolvimento d*ntro de um siste*a marcado pela financeirizaçã* e p*la desig*aldade persistente. Ambos os aut*res des*ons*roem a i**ia d* desenvo*v*mento c*mo *est*no comum, en*atizan*o *ua* con*radições histór*cas e estrutura*s. Adentrando neste debate, *e*ge L*touche (*994; *009) a*gumenta *ue o cres*i*ento ilimitado constitui uma es*éc*e *e re*igião moderna, s*stentada pel* cr*n*a n* pro*res** co*o destino *niv*rsal. De acordo com e*e, essa ideologia oculta ** custos so*iais e ambient*is d* **odutivi*mo *rojeta sobre as soc*edades *ão ocident*is a *ond*çã* e de Rev. *SA, Te*esina PI, v. 23, n. 6, art. *, p. 162-178, jun. 2026 www*.Unifsa*et.com.*r/revista A. K. Araújo, C. E. *anosso 166 "incompletude", cla*sificand*-as como atrasadas *or não partil*are* do m*smo *ercurso hi**órico. Nessa ló*ica, povos indígenas for*m frequent**ent* caracte*izados com* so*iedade* "sem Est*do" ou "de subsistênci*". Pierre Clastre* (2012) c*n**st* ess* visã*, *ostrando que pov*s co** os Guarani, por exemplo, optaram consc*entemente por form*s de organiz*ção políti*a sem central*z*ção estat*l, rev**ando n*o *ma fal*a, mas um projeto de socie*a*e ****rent*. Clastres critica o *esenvo*vi*entismo e question* a ide*a *e que todas as sociedades *ev*m seguir * mo**lo o*idental de progresso ec*nômi*o * centralização polít*ca. Ao e*tuda* sociedades *n*íg**as da *mér*ca do Sul, o autor demonstra que essas so*ieda*es não são "atr*sadas" *u incompletas, **s o*ganizadas del*beradamente pa*a impedir a concentração de *oder * *ormação do Estado. Para ele, o d*s*nvo*vimen*ismo e incorre em um viés *tnocêntr*co que interpreta a **sência de c*escimento econômico, hierarquia est*tal ou acumulação materia* como sinais de subdesen*olvimento, desconside*ando o*tras formas l*g*t***s de *rga*ização s*cial. Assim, sua crítica revela que o desenvolvime*to, *ntendido como progres*o l*near e universal, ignora a div**sidade ****u*al e po*í*ica *as sociedade* *umanas e i*põe um m*delo ún*co *e modernidade. *ssa crítica desestabil*za o ev*lu*ionismo implíci*o nas teo*i*s do de*envolvimento e *bre espaço para compreender outras o*tolo*ias s*ciais. * RES*LTADOS E DIS*USSÕES 3.* De*rescimento e simpli*idade voluntária: altern*tiv** em debate A c*íti*a de A*dr* G*r* (201*) e *icholas Geor*escu-Roegen (1**1) à vis*o de**nvolviment*sta centr*-se nos limites e*ológic*s e soc*ais do crescimento econômi*o **ntínuo. Go*z denu*cia a cen*rali*a*e do trabalho assalariado, da *ro***ividade e do consumo *omo fundamentos do p*o*resso, ar*umenta*do que *r**ci*ento não *arante * emancipação *ocia* **m bem-es*ar, podendo aprofun*ar desig*aldades e a alie*ação. G*o**escu-Roegen, por s*a vez, d*m*nstra que a econ*mia est* submetid* às leis da termodi*âmica, especialmente à entr*pia, o que torna impossível u* crescimento ec*nômico *limita*o em *m planeta fini*o. Par* e*es, o dese*volvimentismo ignor* o* limite* mate*ia*s da natureza e re*uz a vida social a in*icado*es econô*ic*s, produzindo uma crise *cológic* e civ*l*zatória. *uas re*lex*es abrem caminho para p*r*pe*tivas pós-*esen*olvim*ntistas e para a defesa de *od*s de vida ori*n*ados *ela sus*en*abi*idade e redução do c*nsumo. Rev. FSA, Tere*ina, v. 23, n. 6, art. 8, *. 162-178, jun. 2026 w*w4.Unifsanet.c*m.*r/revista Desen*olvimento e* Que*tão: Episte*olog**s do Sul e Caminhos do Bem V*ver 167 O mo*iment* *o dec*escimento, ins*irado em pensa*ores como André Gorz e Nicholas Ge*rgescu-Roegen, p*opõe uma ruptura com a obsessão pelo PIB e pela **rca**ilização da vida. Latou*he (**09) de*ende que a sustentabilidade somente será possível em uma sociedade *ós-*r*sci*ento, capaz de r*d*finir sua* ins*ituições e valores em torno da suf*ciência, da convivialidade e d* cuida*o. * t*oria do dec*es*imento, formulada p*r Serge Lato**he, const*t*i uma críti*a rad**al à visão desenvolv*m*ntista e à centralidade d* cre*cimento econômico como si*ônim* de prog*esso e b*m-estar. Para o autor, a chamada "sociedade de crescimento" está baseada e* um imaginário econ*mico qu* na*urali*a * *xp*nsã* ilimitada da produção e do consum*, igno*ando os lim*tes *co*ó*icos do planeta e produzindo *esi*u*ld*des s**ia*s, alienação e *estr**ção amb*ental. O d*cr*scime*to não propõe simplesm*n** uma redução quan*ita*iva da econ*mia, mas uma transformaçã* pr*fu*da dos valores, institu*ções form*s de vida, or*entada pela e relocalização da *cono*ia e pe*a re*ução do consu** supérfl*o, al*m de uma busca p*r uma vida mais c*nvivial e aut*noma. Tr*ta-se, por**nto, de um p*ojeto político e cul*ural *ue *i*a rom*er *om o produtivismo * com a id**a de q*e mais c**scimento signi*ic* nec*ss*riam*nte *ais *ualidade *e vi*a, abrindo espa*o pa*a uma sociedad* ba*eada no "menos, po*ém melhor". *ara ele, "trata-*e, *liás, de conseg*ir abandonar uma le* ou uma *eligião, a da eco*omia, do progresso e d* *esenvo*vime**o, de rejeit*r o cu*to i*racio*al e quase i*óla*ra d* crescimento pelo cr*s*ime*to" (2**9, p.7), o* se*a, "o d*crescimen*o é s*mples**nte um* bandeira so* a qual *e reú*e* *queles que proce***am a u*a crítica **dical do de*envolvimento e que*em des*nh*r *s conto*n** de um proj*to altern*tivo para u*a política do após-desenvolv*mento" (*009, p.9). Par* *atouc*e, o *ecrescimento se re*liza *a prá*ica por meio d* um *rocesso progress*vo de transformaç** econômica, social e *ultural, *rient*do pela re*onstrução dos m*dos de produzir, **nsumir e viver. *le re*e**a so*u*õ** tec*ocr***cas ou reformas p*ntuais e propõe uma muda**a estrutural ba*eada no que de*omina de "c*rculo v*rtuoso do de*rescimento", composto por *ito princípi** interdependentes: rea*aliar, reconceituar, rees*rut**ar, redi*tribuir, relocaliza*, reduzir, reutilizar e re*iclar. Esses pri*cíp*os não c*nstituem etapa* r**idas ou uma a*enda cronológica, mas *ireções práticas que se articulam simultaneame*t* no cotidiano da* sociedades. N* *r*ti*a, o de**escimento implica re*oc*lizar a economia, reduzir o *onsu*o supérfluo, *ombate* o *esperdício, fortalecer econo*ia* locais, redef*ni* n*cessidad*s e reconstru** o vínc**o *ntre polític*, cultura e território. Tra*a- *e, po*tanto, ** um projeto político no sentido *ort* do ter*o, que *e conc**t*za por transições Rev. FSA, Teresina PI, v. *3, *. 6, art. 8, p. 16*-178, ju*. 2*26 www4.U*i*sanet.com.*r/revista A. K. *raújo, C. E. P*nosso 168 *raduais, ancoradas em *nic****vas loca*s, coletivas e *emo*rá*icas. Nas palavras do p*óprio **tor: Podemos sintetizar o con*unto delas num \círculo vi**uoso\ de *ito \err**\: r*a*aliar, reconc*ituar, re*strut*r*r, r*d*stribui*, *elocalizar, red*zi*, reutili*ar, reciclar. Esses oito objet*vos *nterd*p*nd*ntes são capazes *e *esencadea* um processo d* *ecresc*mento se***o, convivial e *u**ent**el. (2*09, p.42). Na mesma di*eç*o, Paul Ariès (*013) sugere a si*plicidade voluntária com* *ontrap*n*o ao "*it* da abundância". Trata-se da esc*lha consciente por estilos de vi*a *ue priori*am a cooper*ção e a qualida*e do tempo em **trimento da acu*ulação material. *mb*ra al*o de críticas quanto ao seu alc*n*e social, a proposta insere-se no esforç* de res*ignificar o be*-e**ar em bases não *at*riali**a*, articula*do-se com *ovimentos *omunit**ios * e*ológicos. A te*ria *a s*mplicidade volunt**ia, defendida por A*iès, constitui um* crítica ao mi*o da abu*dâ*cia que sust*nta a *ociedade de cons*mo *ontemporânea e a ideia de que * bem- est*r humano depende da acumulação contínua de be*s m*te*iais. Para o autor, a abundância prometida pe*o capitali*mo indu**rial revela-se ilusória, po*s c*nvive com a esc*s*ez so*ia*mente pro*uzida, o *ndividament*, o *esperdíc** e a de*radação am*iental. A si*p*icida*e vo*untária não se co*funde com p*ivação ou au*ter*dade imposta, mas refere-se a uma escolha c*nsc*ente e política por estilos de vida mais sóbr*os, basead*s *a reduçã* d* consumo, *a valorizaçã* do tempo li**e, das rel*ç*es so*iais e dos ben* comuns. Ao que*tionar a *entralidade do consumo com* forma de realizaç*o pe*so*l, Ariès propõe uma ru*tura co* o i*ag*ná*io produtivista e desenvolv*m*nt*sta, defe*dendo a reconstrução d* uma *tic* d* suficiência * da *ustiça s*cioamb**ntal com* a*ternativa à *rise civilizatória c**temporânea. *ssas perspect*vas, em*ora *ormuladas em contextos eu*o*eus, ab*em e*paço para que e*per*ências do Sul *lobal, ** esp*c*** as de * ovo* i*díge*as e comunidades t*adici*nais, ganhem relevância na construção de hor*zont*s a*ternativos ao d*senvol*imento *ege*ôn*co. 3.2 Bem Viver e cosm*visõe* indígenas: resistências e alternativa* O conceito de Sumak Kawsay (em qu*chua) ** Buen Vivir, incorporado nas con*tituições do Equador e da Bolívia, representa uma fi*osofia que não *e resu*e à i*eia d* *us*ent**ilidade *mbiental, *ois redefine as relações entre humanos e natureza em term*s de reciproc**ade e *quilíbrio (ACO*TA, 2016). Diferentemente do desenv*lvime**o sustentá*el Re*. FSA, Te**sina, *. 23, n. 6, art. 8, p. 162-178, j*n. 2026 www4.Un*fsanet.com.br/revista Desenvo***mento em Que**ão: Epistemologias do Sul e *a*inhos *o Bem Viv*r 1*9 que busca mitigar os ef*itos destrutivos do crescimento *em altera* sua l**ica Bem o Viver p*opõe uma mudança ontológica, rec*nhecendo a *atureza como sujei*o de direitos e c*lo**ndo a coletivi*ade no centro da vida s*cial. O *once*to de B*m Viver, sistematizado p*r *lberto Acosta a parti* das cosmovisões andinas do Su*ak *awsay, const*tui uma *rítica ao paradigma *es**volvimen*is*a e à lógica *o cres*imento econômico ilimita*o. *ar* Acost*, o B*m Viver não s* orienta pelo prog**sso *i*ear ou pelo *omí*io da nature*a, mas pela construção *ole*iva de formas *e vida *a*eadas na harmonia ent*e se*es humanos, comunidades e natu*eza. S*a p*oposta q*estiona a ce*tralidade do m*rc*do, r*mpendo com * an*r*poce*trismo moderno e reconhecen*o a *atu*eza c*m* sujeit* de direitos. * Bem Viver * um horiz*n*e ético-pol**ico plural, enr*izado nos saberes i*dígenas e a*ert* * diálogos interculturai*, que prop** redefini* o *em-*star pa*a *lém *o consumo e do cr*scimento econômico. Nesse sentido, apr*xim*-se das críticas pós-des***olv*ment*stas pois denun*i* o c*ráter excludente e ecologicamente insusten*á*el da ideia moderna de desen*olvimento. P*ra el*, "o mo*elo de desenvolvimento d*vasta*or, qu* tem no cr*scime*to econômi*o in**sten*ável se* p*ra*i*ma de M*dern*dade, *ão pode continuar domi**ndo". (AC*S*A, 2016, p. 40). Ain*a: O Bem Vi*er, que surge *e visões ut*picas, está presente de div*rsas ma*eir*s na real*dade d* ai*da vigent* sistema capita*ista - e se nutre da impe*iosa *ecessi*ade de impulsio*ar uma vida harmônica ent*e os ser** huma*os e *eles com a Nature**: uma vida centrada na autossufi*iênci* e *a autogestão dos seres h**anos vivendo *m comunidade. (ACOSTA, 2016, p. 39). No Brasil, a noç*o guarani d* *eko porã també* ex**essa esse ideal, v*nculando o viv*r *em * ha**on*a esp*rit*al, é*ica e ec*lógi**. Pensador*s *nd*genas como Ail*on *ren*k (2019), Davi Ko*enawa (KOPENAWA; ALBERT, 20*5) e Daniel Mu*duruk* (2019) reforç*m *ue vive* bem significa res*e*tar a biodiversidad* e *anter v*nculos co* terra, a pr*serv**do a *aú*e do* e**ssistemas, elemen*os fundamentais p*ra a continui*ade da v*da. Krenak e* *eu livro "Caminhos para a cu*tura *o Bem *iver" (2*20) de*ine Bem o viver. Para *l*, "Bem Viver não * *efinitiva*en*e ter uma vida *olg*d*. O Be* *iver p*de ser a difícil experiência de m*nter um equil*brio e*t*e * que nós podemos *bte* *a v*da, da natureza, e o que nós podemos *evolver" (2020, p.8). E*e nos traz ainda **ement*s para compr*en*er o que é isso q*e cha*amos de "*osmovisão": O Suma* Ka*sai é uma expre*são q** nom*ia um mod* de estar n* Terr*, *m mo*o de estar no mun*o. Esse modo de e**ar na Terra *em a ver com a cosmovisão const*tuída *el* vida *as pessoas * de t*dos os outro* seres que co*partilham o ar com * gente, qu* bebem *gu* *om a gente e que pi*am **ssa t*rra junto com a **v. FSA, Teresin* PI, v. 23, n. 6, art. 8, p. 162-178, *un. 202* www4.Uni*sanet.com.br/*evista A. K. *raújo, C. E. P*nosso 170 ge*te. Es*es *eres *odos, es*a co**tel*ç*o d* seres é qu* con*tituem uma co*movisão. (KRENAK, 2020, p.6). Essas cosmovisõe* não s*o resquícios de um passado, mas *onf***ram-se como al*ernativas de futuro. Ao serem reconhecidas como "movimentos *e resistênc*a" (Pan*sso; A*a*jo, *024), mostram-se *ambém como *topia* *oncre*as, cap*zes d* orientar novas formas de p*líti*a e econo**a em tempos de crise cl*máti*a. Para Alex *at*s (2020), "quem suscita a p*uta das quest*es é*nico-*aciais enquanto t*r*itoriais são as colet*vida*es coloniza*as, mas com pos**ionamentos descoloniais, **col*niais ou co*tra-*oloniai* por meio de *ários discurs*s, *nclusi*e d* sua própria in*ele*tu*l*da*e negra, ind*gena e qui*om*ola" (*ATTS, 2*20, *. 1*) A reflexão sobre o Bem Viver ganha den*id**e qu*n*o se considera a c*ntribuiç*o de aut*res indígenas contemporâneos. André Fernan*o Baniwa (2019) refle*e sobre o Bem Viver *ntre o povo *a*iwa *o *oroeste Amazôn**o e d*st*ca q*e viver bem é u*a co*dição q** envolv* *q*ilíbrio espiritual, respeito aos ancestrais e à cole**vidade e nã* apen*s às con*ições materia*s. O Bem Viv*r, n*sse **ntido, é u*a prátic* *otidiana de reciprocidade, q*e conecta indivíd*os, comunidade e terr*tór*o *m um todo *ntegrado. Segundo ele: O bem viv** e * viver *em já **istiam na *ultu*a e tradição Ban***, ai*da exis*em * vão co*tinuar existi*do. O b** viver e o *iver bem sempr* for** imp*r*ant*s nas nossas vidas e por isso preci*áva*os *om*artilh** o **u *ntendimento p ar * recuperar e valo*i*** e*t* prátic* milena* do povo Baniwa (BANI*A, 2019, p.9). Para * po*o Baniwa, as noções de bem viver e v*ver bem vão além de co*ceitos abstrat*s, *as *onstituem re*ultados concreto* de práticas *otidi*nas. Trata-** de um ideal que *r*enta * pró*ria organi**ç*o social, per*eando as re*açõ*s *om*nitárias * *nspira*do ações *ol*tivas, como as*embleia* e en*ont*os, volta*os à manutenção da harmon*a e ao forta*ecimento da v*da *omum. De *al modo, o bem vi*er con*igura-*e c*mo *istem* de vida q** integra *xperiência*, saberes e formas de orga*iz*ção, arti*uland* dimen*ões *ulturais, *spi*ituais e po*íti*as. Es*a *onc*p**o i*clui *s **nhe*imentos t**ns*itidos pela tradiçã* e *stratég**s de af*rmaçã* *dentitária em conte*tos interc*lturais, co*o a luta por dire*tos * *ela educação escolar. Assim, o bem viv*r a**ume um caráter d*nâmic*, de recon*trução perm*nente, atualizado a cada p**t*ca de conv*vência e resi*tência. Ele se e*press* na economia própria, *as arte*, n* uso *e plantas medicinais, na *osm*logi*, na convi*ênci* equ*libr*da com a natureza, *a ética comuni*ária * nos valores e*p*rit*ais que suste*ta* a vida coletiva. *o mesm* *e**o, o bem viver e o vive* bem correspondem *rinc*pios * Rev. FSA, Teresina, v. 23, n. 6, *rt. 8, p. *62-178, jun. 2026 www4.Uni*sanet.com.br/revi*t* Desenvolv*men*o em Qu*stã*: Epistem*logias do *ul e Caminhos do Be* Viver 171 fundantes do s*r hum*no. Representam a *ssência do que é vive* em equilíbr*o, *ma forç* vita* que se ma*ifest* tanto no plan* indivi*ual quan*o no coletivo. Essa *ssên*ia é ta*bém traduzida no *onceito de ipe**okhetti, que, de aco*do com Baniwa, é entendi*o com* amo* em sentido amplo: uma prática constante, segura poderosa, marcada p*r boas a*ões e e or*e*tada ao fortalecimento *a c*munida*e. O bem v*ver, po*t*nto, uma * *rática de vid*, uma heran*a *ncestra* e, sobretudo, um* luta coletiva em defes* *a d*gn*dade e da conti**idade do povo B*niwa. Ka*á We*á (2024), p*r sua vez, ao tratar do teko* - lug*r do s*r - *ostr* q*e o *iver bem está as*ociado ao espaço comunit**io *nquanto t*rritó*io p*dagógico, espi*itual * políti*o. O t*koá, a*ém de um luga* fí*ico, a expe*iê*cia de vi*er em com*nidad*, em é *armonia com * nat*reza, *u*ado por valores de respeito e so*idariedade. Em sua obr*, Kak* Werá apresent* uma reflexão que combina o*im*smo crítica, e propond* horizontes para a c*nstrução de um fut*r* sustentável *un*amentado na s*be*oria ancestr*l *os *nsi*a**nt*s das tr*diçõ*s indígenas. Para autor, espera*ça * o a diante *as *rises sociais e amb***t**s con*e*porâne*s d*pende *a cap*cidade dos po**s e *aç**s d* se unirem em t*rno d* um *ropós*to comum: proteger a T*rra e cult*var modos de vi*a que respeitem se*s ciclos * lim*tes *aturais. Entre os caminhos apontados, a *ducação ocupa papel central. Wer* defe*d* uma concepç*o integ*al de f*rmaç*o, que vá alé* *o ensino formal e inco*pore as memóri*s, sabere* e práticas transmi*idos por gerações. Nesse sent*do, apren*e* s*bre a biodi*ers*dade, *ompreender * importân*i* da preservação do* ecossistema* e valo*izar práticas s*stent*ve*s *iv*das **l** povos indígena* torna-se essenc*al. Esco*as e univ*r**dades, segundo o autor, dev*riam promover espaços d* encon*ro *ntre o conhecimento científico e as sabedorias ancestra*s, *riando po*tes *ntr* tradi*õ*s d*stinta* e potencializando uma p*dag*gia v**tada para o *uida*o co* a vi*a. Outro aspect* crucial de sua anál*s* é a necessidade de reinvent*r a economia, *bandona*d* *odelo* base*dos no consumismo e *a deg**dação am***ntal. Em seu l*gar, *erá sugere e*periências que pri*rizem o bem-estar coletiv* a preservação da e n*t*reza, como a agroecologia, * turismo comuni*ário * o ma*ejo sus*entável dos rec*rsos. Essas iniciativas, al** d* r*s*eitarem a te*ra, of***cem a*ternati*as de ge*ação d* rend* enra*z*das *os t*rritórios, promovendo justiça soc**l e autonomia local. O fort**ecimento das comunidades e a articulação de redes de solid*r*eda*e também aparecem como pilare* de transfor*ação. *ara o a*to*, * mobili*ação soc*al e * ati*ismo são fe*ra*entas fundame**ais na defesa do* direitos ligados à terra e à natu*eza. Ele re*ata exemplos de grupos *ue, ao *e ***anizarem coletiva*ente, con*eguiram *everter p*oc*ssos de e*plor*ção e assegurar * Rev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. *, art. 8, p. *62-178, j*n. 2*26 *ww4.Un*fsan*t.com.b*/revista A. K. Araúj*, C. E. Panosso *7* preservação de seu* *erritórios. Essa solidariedade entr* *ife*entes cult*ra* *ortalece a re*istênc** ao colonialismo ambienta* e **plia as vo*es que rei*indicam ju*t*ça climática. Werá realiza um chamado à *ção, convidando cada pess*a a as*umir res***sabi*idades, tanto individuais qu*nto co*etivas, no cuidado com o planeta. Pequ*nos gestos cotidiano*, quando p**ticados com consciê*cia e persi*tê*cia, podem gerar impactos significati*o* * se somar * movime*t** mai* amplos em f*vor d* justiça social e da sustenta*ilidade. *ss**, os *aminh*s para a esperança não são con*ebidos com* *er* utopia, m*s como prática *iária, *ap*z de fecun*a* um futuro *a*s *usto equil*brado para as e próxima* *era*ões. Ao refletirmos a par*ir *estas cosm**i*ões, * *o*síve* per*eber q*e *onceitos como decresc*mento e sim*lic*d*de volunt*ria e*contram res*onância p*ática nos mo*os *e vida indígenas, mas também *ão tensi**ados por dimen*õ*s que o pensamento ocid*ntal fre**entemente marg*naliza: a espiritualidade, a memóri* e a ancest*alida**. O ideal d* desenv*lvim*n** se consolidou hi*tori*ame*te c*mo promessa *n*v*rsal de progresso, m*s semp** a*relado a uma lógica de exploração da natureza e de re*rodução da* des*gualdades soci*i*. A na**at*v* do des*nvolvimento, longe de ser n*utra, é um projeto político e cul*ural q*e margina*i** s*be*e* o*tros, classificando-os c**o at*asado* ou insuf*cientes fr*nte ao m*delo m*derno-ocident*l. Portanto, é importante d*stacar a *entra*idade da categori* de territóri* para p*n*ar alt*rna***as. O territóri* não deve ser *eduzido a u*a base física ou a mer* recurso *rodutiv*; ele é compreendid* como espaço identitári* e po*ítico, onde se *nscr*vem relaç*es *e p*rt*ncimento e práticas de resi*tência. *osicionan*o o terri*ório no cent*o do debate, p*demos evidenciar que o* processos loca*s car*egam poten*ial transfor*ador e *ão po*em ser vist** apena* como exper*ências p*ri**ricas. N*ste sent*do, passam*s a evidenciar a* *ráticas de base comu**tária como iniciativas de econo*ia so*idária, *groecol*gia, fei*as **munit*rias e experi*n*ia* co**tivas de produção e co*su*o consci*nte que o*eram como *ormas con*retas de contestar o produtivismo. Tais ex*eriênci**, ainda que localiz*da*, mostram-se *apazes d* redese*har o *maginário do de*env**vime*to e *ro*or al**rnativas mais enraiz**as na vida cotidiana. Es*e enraiza*ento **nect*-se dire**men*e à filosofia do Bem Viver, n** como ideal abstr*to, m*s co*o ho*izonte que se materializa em prátic*s de cooper**ão e respeit* à natu**za. *ub***hamos a imp*rtâ*cia da diversidade *p*stêmica. Isso implic* *eco*hece* * valor*zar as c*s*ovisões indígenas e tradic**nai*, que oferecem perspectivas integr**s d* m u*do. A Re*. FSA, T*r*si**, v. 23, n. 6, art. *, p. 1*2-17*, jun. 20*6 w*w4.Unifsa*e*.com.br/*evis*a Desenvolvim**to em Ques*ão: Epistem*logias do S*l e Caminhos d* Bem Viv*r 173 incorpor*çã* des*as epistemologias con*titui condi**o fundamental ***a superar a colonia*idade do *aber e para con**ruir novo* h*r*z*ntes ma*s *ustos e *u*tentá*eis. 3.* O Território como *spa** Pedag*gico e Políti*o de Reexistência Dentro da pe*spectiva do Bem Viver, o t*rr*tório não deve ser re*uzido a u** base **sica ou a um me*o recurso *rod*tivo; el* compreendid* com* um es**ç* identit*rio * e pol*tico, onde se in*crevem relações de pertenci*ent* e for*as de ex*stência que des*fiam a lóg*ca do c*pital. As pr*ticas de ba** co*u*itár*a, fundame*t*das *m sab*res ance*t*ais, fu*cio*am como espaços de "reex*stência", *ermo que indica pro*essos a t i *o* de criação de nov** mod*s de *ida que pro*uze* alter*ativas concreta* ao modelo hegemônico. A contrib*ição de Kaká Werá é *entral para essa compreensão ao tratar do tekoá o "*ugar *o ser" co*o um territór*o q*e é, simultaneament*, pedag*gico, espiritual e polí**co. Pa*a Werá, o viver be* está intrinse*a*ente as*ociado à experiên*ia d* viver em comunida*e e em ha*monia com a natureza. Nessa mesma li*ha, Alex Ratts ***taca que s*o ju*tamente as c*letividades coloni*a**s que, ao *eivin**carem se*s territó*ios, s**ten*am posici*na**ntos decoloniais ou c*ntra*oloniais, utilizando *eus disc*rsos e v*vên*ias para confrontar * *eg*monia desenvolvimentista. Essa dimensão educativa do territór*o permite que o *em Viver se materializ* como uma pr*tica cotidiana *e re*ip*ocidade que *onecta indivíduos, comunidade e ecossistema e* um todo integrado. Diante da emergê**ia climática, e**es t**ri*órios d* resistência tor*am-*e ess**ci*is, pois pre*ervam te**olog*as a*c*s*rai* e é*icas d* cu*d*do que *ferecem pistas para futuros sust*ntáveis for* do para*igma do cres*imento il*mitado. A transição de uma soc*ed*de orientada p*lo c*esc*m*nt* *ara uma b*se*da no Bem V*ver enf*enta o de*afio crítico *a relaçã* com o Est*d* as estrutura* institucionai*. Exist* *m e risco in*rente d* cooptação ou esvaziament* d*s *onceit*s origina*s do Bem Viver quand* *pr*priad*s p*r *iscursos que bus*am *penas **tiga* os *feitos *o desenvolv*men** sem alterar sua ló*ica fundamen*al. Pa*a su**rar esse imp*sse, é nec*s*ár*a uma tra*sf*r*ação pr*funda na* formas *e pe*sar e or*anizar a vida, reconhecendo que a c*ise *mbiental t*mbém *nv*l*e uma cr*s* de *arad*gma. A p*oposta de Boaventura de Sousa Santos (2009) sobre a "ecologia d* s*beres" *ferece u* caminho par* essa tra*sformação, pois promove o diál**o entre * conhec*mento técn***-c*entífi*o e as sabedo*ias tr*dicionais, sil*nciadas p*la colonialidade. De a*ordo com e*e: *ev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 6, a*t. 8, p. 162-178, *un. 20*6 www4.Unifsanet.com.br/re*ista *. K. Ar*új*, C. E. Panosso 174 Como ecologia de saberes, o p*nsament* *ós-*bissal tem por pr*missa * ideia da in*sgotá*e* diversidade epist*moló*ica do mu*do, o r*con*ecimento da ex**tên*ia *e um* plura*idad* de *orm*s de c*nhecimento além do co**ecimento científico. *sso im*lica *enunciar a **alquer e*ist*m**ogia *eral. Exis*e* e* *odo o m*ndo n** só d*ver*as formas de conh*cimento d* matéri*, d* socied*de, d* vida e do *s*írito, mas ta**ém muitos * d*ve*sos *onceitos e critérios sobre o *u* co*ta *omo co*hecimen*o (Sa*tos, 2009, p.85-86). No *ampo das *olítica* públicas, iss* exig* qu* o Estado deixe de *mpor modelos univ**sai* de progresso e passe a criar *on**ções *ara o fortalecimento da a*ton**ia dos povos e das e*onomias locais. A *plicação prát*ca dos prin*ípios *e Serg* *atouche c*mo relocalizar, *edi*tribuir e *eav**iar ** necessidades for*ece um r*tei*o para es*a reor*a*ização ****al baseada na s*ficiênc*a e na *o*vivial**ade. Ao *dotar um* ética que reconheça a natureza como sujei*o de dir*ito*, to**a-*e possível constru*r *orizontes onde o bem-estar seja medido pelo equilíbrio coletivo e pela *anut*n*ã* da teia ** v*da, e não p*lo *cú*u*o *aterial. 3.4 *aberes ancestrais, emergência climática e o hori*onte do *o* Viver A emergência clim*tica, marcada *ela **t*nsificaçã* de s*cas, enchente*, *ueim*d*s e perda de biodi**r*i*ade, e*idencia o esgotam*nto do *odelo civili*ató*io basea*o na exp*oração ili*itada d* naturez*. Nesse cenário, os conheciment*s e te*nologias anc*s**ais de*de sistemas de ma*ejo floresta* até práticas agroecológ*cas *omunitárias ofe*ece* pi*tas vali*sas para pensar *uturos su*te*táv*is. A cosmo*og*a i*dígena não separa natu*eza * cult*ra, mas c*m*reende vida em a interdepe*dência. C*mu*idad*s *uilombolas des*nvolvera* estratégias d* conv*vência com o Cerrado * os rios, a parti* de uma lógic* de cuid*do e coletividad*. Esses m*dos d* vida res*at*m o qu* Boaventura d* **usa Santos (2*10) den*mina ep*stemologi*s do Sul, saberes sile*ciad*s pel* *oloniali*ade, m*s fundamentais para rep*nsa* os horizo*t*s da mo*ern*d*de, * que o a*tor denomina "eco*o*ia de saberes". Essa *erspe*tiva se conecta diretam*nte *om o Bem Vi*er, na m*dida em *ue ambos qu*stionam o *aradigma *ndividualis*a e produtivista da moderni*ade ocid*nt*l e valorizam *oncepções de v* da baseadas na coletividade, na reciprocidade, n* centralidade da vida e na r*lação ética com a naturez*. Assim, o Bem Viver pode ser *ompreendido c*m* uma express*o **ática e política das E*istemol*gias do Sul, pois e*e*ge d* *osmovis*es i*dígenas * populares que afir*am outros mod*s d* exi**ir, c*n*e*e* * *rganizar a so**edade, *e*afiando a idei* de prog*esso *nico e abri*d* ca**n*os para fo*mas mais j*s*a* e sus*entá*ei* de con*ivênci* soci**. Rev. *SA, Teresina, v. 23, n. 6, **t. *, p. 1**-178, jun. 2026 *ww*.Uni**an**.com.br/revista D*senvolvimen*o *m Q*estã*: Ep*ste*ologias do Sul e *amin*os do B*m *i*er *75 Nesse sen*ido, a valorização dos sabere* anc*strais não dev* ser c*mpreendida apenas como um gesto *e reco*hecimen*o c*ltural, mas como uma inf*ex*o epistemológica e p*lítica neces*ária diante da crise ci*ilizat*r*a contemporânea. Tra*a-se de desloc*r * luga* de produção do *onheci**nto, q*es*ionando a *eg*moni* d* uma *ac*onalidade técn*c*- ci**tífica q** his**ricamente se c*nstitui* em **osição * frequ*nteme*te em negação aos saberes tradicionais. A emergência climát*ca *mpõ*, **rtant*, além de soluções té*n**as, um* t*a*sforma*ão p*ofunda d*s formas de pensar, habita* e *r*an*zar a vida. C*mo apontam diversos a**ore* d* camp* pós-d*senvol*iment*sta, não se trata apenas de c*r*igir ex*esso* do sistema, *as d* que*tio*ar suas bases *nt*lóg*cas, marca*as pela *ep*ração entre na*ureza e socieda*e, sujeito e ob**to, humano e nã* humano. Nessa direção, as cosmovisões indígenas ofe**cem contribuições fundame*tais *o p*opor uma o*tologia relaci*nal, na qual a *ida se organi*a a partir da interdependênc*a entre t*dos o* seres. Essa perspectiv* desloca o huma** do centro * int**duz uma éti** do cuidado que abra*ge as relaçõ*s soc*ais, o* vínc*los com o terr*t*r*o, os *ios, *s florestas e o* seres *spirituai*. Nesse sentid*, o Bem Vi*er se apresenta *omo cr**ica ao desenvolvimento, e c**o h*rizont* al*ernat*vo de reorganização d* vida social. Diferentem*nte *as ab*rdagen* reformistas, que buscam c*mp*t*b*lizar crescimento econômico e sust*ntab*l*dade, o Be* Vive* propõe uma ruptura c*m a lógi*a do crescimento como *i* em ** mesmo, re*osicionando * bem-estar em term** de equilíbrio, suf**i*ncia e coletividade. Essa perspectiva *anha espec*al relevância *uando observad* a p*rtir das ex*eriênci*s terr*toriais. *r**ica* como agroecologi*, eco*omia solidária, **iras comunitárias e inici*tiv** *ultur*i* revelam que o Bem Vi*er não * apena* uma abstração teórica, mas uma realidade em construção. Essas experiên**as demonstram que * p*ssível pro*uzir, consumir e *iv*r de *or*a distinta, a*ticuland* autonomi* local e for*alec*mento comunitá*io. Tais iniciativas podem ser compreendid*s c*mo f*rmas de reexistên*ia, c**cei*o que ultrapas*a a id*ia de resistênc*a ao in*icar processos ativos d* *riaç*o de no*os m odos d* vida. *esse se*tido, elas não apenas s e o**e m ao m*delo hegemônico, mas *roduze* alte*nativa* concretas, ainda que localizadas * frequentemente invis*bil*zada* pelas narr*tivas *ominantes. Entretant*, é necessário rec**hec** *s limites e desafios dessas experiên*ias. Inseridas *m um contex*o mai* amplo de desiguald*des estr*turais, ela* e*fre*tam d*ficuldades relac*on*das ao *cesso a políticas púb*icas, fi*ancia*en*o, reco*hecimento inst*t*ciona* e Rev. FSA, *eresi*a PI, v. 23, n. 6, art. 8, *. 162-178, j**. 202* www4.Unifsanet.com.br/*evista A. K. Araújo, *. E. Panosso **6 dis*utas te**ito*iai*. Além disso, ** o risco *e coopta**o ou es*aziam**to de seus *entidos orig*nais quan*o apr**riadas por d*s*u*sos h*gem*nicos, como ocorre f*equentemente com * conceito de sus*entabilidade. Diante disso, torna-se fundame*t*l pensar o papel do Esta*o * das políticas públicas na promoção d*ssas *l**rna*i*a*. Ma*s d* qu* incorporar o discurs* d* Be* Vive* de forma retórica, trata-se de criar con*iç*es concretas para o fortaleciment* das econ**ias locais, da **tonomia do* p*vos e da *roteção do* ter*itórios. Iss* inclui o *econ**cimento do* direi*os terri*oria*s, o *poio * prát*cas agroec*lógicas, * *alori*ação da educ*ção in*e*cultural e o incenti*o a *ormas d* organ*zação coleti*a. *or fim, é importan** de*t*car que * ho*i*onte do B*m Viver não deve ser ro*antizado. Ele nã* *e*res**t* um r*torno * um pass**o idealizado, nem uma sol*ção imediata *ar* as crises contemporâneas. *rata-se, an*es, *e um process* em *ons*rução, m*rcado *or tensões, contradiç*es e *isp*tas. No e*tant*, é justamen*e nes** carát*r abert* e dinâ*ico q*e *eside sua *ot*ncia, ao *ferece* pistas para a construção de futuros *a*s j**t*s, plur*is e sus*entáveis. * CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise desenv*lvida ao lon*o *e*te a*tigo busc*u proble**tizar o paradigma do desenvolv*mento mod*rn*, evidenci*ndo seus limites h*st*r*co*, sociais eco*óg**o*, e bem como suas i*plicaçõe* na reprod*ção de desigualdad*s * na inten**fic*ção da c*ise am*ie*t**. Ao re*isitar contribuições te**ica* do campo crítico com* o *ec*esciment* e a simplic*d*de voluntária e articulá-*as com a* cosmovisões indígenas latino-ame*icana*, especialmente o Bem Viv*r, *oi p*ssível delinea* horizontes alter*ativos ao *odelo h**emônico. O Be* Vive* em*rge, nesse conte*to, além do seu aspec*o *oncei*ual, como projeto ético-p*lítico que p*opõe a reconfigu*a*ã* das rela**es entre soc*edade e natureza, indi*íduo e coleti*ida*e, econo*ia e vida. *o romper c*m a l*gic* d* cresci*en*o ilimita*o e com o imagi*ári* do progress* li*ear, abre *s*aç* para a cons*rução de fo*m*s de existência baseadas *a sufi*iên*ia e r*ciprocidade. A articul**ã* dessas perspectiva* p*rm*ti* evidenciar que tais *lte*nativas não se restringe* a* plano teórico, m*s *e mate*ializam em práticas concretas, desen*olvida* por *omunidades indígenas, **i**mb*las e iniciativas urba**s e rur*is. Es*as expe*iênc*as, ai*da qu* frequent*mente margina*izadas, revelam a possibil*d*de de construir mod*s de vida mais susten*áveis e *ustos, *nrai*ad*s nos ter*it*r*os e nas rel*çõ*s *omunitár*a*. R*v. FSA, Teresina, v. 23, n. 6, art. 8, p. 162-*78, jun. **26 www4.U*ifsanet.com.br/rev**t* Desenvol**m*nt* em Questão: Epistemolo*ia* do S*l e Caminhos d* B** V*ver 177 Entr**anto, a c*n*olidação dessas alte*nativas depende do en*re*ta*ento de d*sa*ios *strut*r*is, que en*olve* desde a disputa po* reconhe*im*nto e direito* te*ritori*is até a ne*essida*e de tra*sfo*mação das políticas púb*icas das i*stituições. *esse sentido, e a v*loriza*ã* *as epis*emologias do *** e a *ro*oção de uma eco*ogi* de *aberes constituem co*dições fundamentai* para a constru*ão *e novos hor*zontes civil*zatórios. Dia*te *a emergência c*im*tica e d** m*ltiplas crises que at*avessam * mun*o **ntemporâneo, torna-se urgente *ão a*en*s repensar * desenvolvimento, m*s imaginar e constr*ir outras formas de viv*r. O Bem Viver, por articu*ar *abe*es ancestrais, práticas ter*itoriais e perspectivas crí*icas, oferece pis**s importantes p*** esse processo, convidando-nos a plura*izar o futuro e a reconhecer que outros *undos não apenas *ão possívei*, ma* já e*tão em constr*ção. REFERÊNCIAS ACO*TA, A. O Bem Viver: **a opor*u**dade para ima**n*r o**ros mundos. São Pau*o: Autonomia Liter*r*a, 20*6. AR*È*, P. A si*plicidade voluntár*a *ontr* o m*to d* abundânc*a. São Paulo: S*nac, 2013. AR*IGHI, G. A ilusão do de*env*lvimento. P*trópol*s: Vozes, 1997. B*NIWA, *. F. *em viver viver b*m: seg*ndo o povo Baniwa no noroest* a*azônico e brasile*ro. Manaus: EDUA, 201*. CLASTR*S, P. A soci****e c*ntra o **tado. *ão Paul*: Cosac Naify, *012. FURTADO, C. O m*to *o *esenv*lvim*n*o econô*ico. Rio *e *aneiro: *az e Terr*, 19*4. GEO*GE*CU-ROEGE*, N. The En*ropy Law and *he Economic **o*ess. C*mbridge: Harva*d U*i*ersi*y Pres*, *971. GORZ, A. M*tamorfo*es *o trabalho. Sã* P*ul*: A*nablum*, 2010. *OP*NAWA, D; ALB*RT, B. A queda do **u. *** Paulo: *ompanhi* d** *etras, 2015. KRE*AK, A. Ideias para *diar o fim do mu*do. Sã* Paulo: *ompanh*a das Letr*s, *0*9. KR*N*K, A. Ca**nhos par* a cu*tura do Bem Viv**. Rio de Jan*iro: Organização Bruno Maia, 2020. LA*OUCHE, S. Pequeno tratado do decr*s*imento sereno. São Paulo: *ar**ns Fontes, 200*. M*NDURUKU, D. Ideias indígenas para adiar o fim do mundo. (ou outra *bra que você *s*) PARSONS, T. Th* *ocial S*stem. *e* *ork: Free Press, 195*. Rev. FSA, *eresina PI, v. *3, *. 6, ar*. 8, p. 162-17*, ju*. 2026 www4.Unifsa*et.c*m.**/r*vis** *. *. Araújo, C. E. Pano*s* 178 PREBISCH, R. O d*senvolvimento e*on*mico d* A*érica Latina. Rio *e Janeiro: CEP*L, 2**0. RATTS, A. Geografi*, relações étn*co-raciais e e*ucação: a dimens*o espacial das po*íticas de açõ*s afi*m*tivas *o ensino. Te*ra Livre. Vol. 1 No. 34, *an-Jun, 2010, p. 12*-*40. *OSTO*, W. W. As etapas do cr*scimento econômico. Ri* *e Janeir*: Zahar, 1*74. SANT*S, B. S. A gramática do tempo: pa*a uma nova c*lt*ra política. São P*ulo: C*rtez, 2010. SANTOS, B. S. "Para al*m *o p***amento *biss*l: das linhas globai* a u*a ecologia d* s*beres". In: SANTOS, Boaventur* de Sousa; M*NE**S, M*r*a Paula (org.). Epis*e*ol*g*as do Sul. Coimbra: Almedina, 2009. Cap. 1, *. 23-71. SEN, A. K. *esenvol**mento como l*ber*ade. Sã* Paulo: *ompanhia de Bolso, 2010. WER*, K. T: uma a*te *ilenar indígena pa*a o bem-viver. Rio d* Janeiro: BestSeller, 2024. *omo Referenciar este Artigo, *o*forme ABNT: ARAÚJO, A. *; P*NO*SO, C. E. D*senvolvimento em Questã*: Epistemologias do *u* e Cam*n*os do Bem Viver. *ev. FSA, Te*esina, v. *3, n. 6, ar*. 8, *. 162-178, jun. 202*. Co*t*ibui*ão dos Autores A. *. Ara*jo C. E. Panoss* 1) conce*ç*o e plan*ja*en*o. X X 2) análi*e * inter*r*t*ção d*s dad*s. X X 3) e*abor*ção do rascunho *u na r*vis*o crític* do c*nteúd*. X X 4) p*rti**pação na ap*o*ação da versão final do m*nuscrito. X X R**. FSA, Teres*na, v. 23, n. 6, ar*. 8, p. *62-178, jun. 2026 *w*4.Uni*san*t.com.br/revist*

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Ficheiro:Cc-by-nc-nd icon.svg

Atribuição (BY): Os licenciados têm o direito de copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, conquanto que deem créditos devidos ao autor ou licenciador, na maneira especificada por estes.
Não Comercial (NC): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, desde que sejam para fins não-comerciais
Sem Derivações (ND): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar apenas cópias exatas da obra, não podendo criar derivações da mesma.

 


ISSN 1806-6356 (Impresso) e 2317-2983 (Eletrônico)