Avaliação de Rótulos de Formulações Cosméticas Voltadas Para o Público Infantil: Excipientes Controversos à Saúde Humana / Evaluation of Labels for Cosmetic Formulations Targeted at Children: Excipients of Concern for Human Health
Resumo
O público infantil é vulnerável pela maior exploração do ambiente e organismo imaturo. O uso crescente de cosméticos entre 0 e 12 anos no Brasil, terceiro maior consumidor de cosméticos do mundo, aumenta a preocupação da vigilância acerca da segurança e qualidade desses insumos. O trabalho visa discutir sobre o consumo de Excipientes Controversos à Saúde Humana (ECSH) em cosméticos de uso infantil, sua prevalência e seus riscos. Foi feita uma pesquisa de campo observacional, descritiva em 5 supermercados de Salvador-Ba e analisados os rótulos de 4 classes cosméticas infantis disponíveis, tendo como embasamento trabalhos indexados na SciElo, LILACS, Google acadêmico, consulta à sites de órgãos públicos vigentes e livros. Foram avaliados no total 116 rótulos, 41 de xampus, 33 de condicionadores,16 de sabonetes líquido e 26 de lenços umedecidos, contendo respectivamente: 39,60%; 49,21%; 36,25%; 98,15% fenoxietanol; 70,73%; 36,25%; 8,92% Lauril sulfato de Sódio; 25,73%; 35,15%; 14,5%; 49,07% parabenos; 5,65%;45,69%; 7,25% e zero de petrolatos; 31,12%; 10,54%; 36,25% e zero de Dimetilol Dimetil Hidantoína;79,21%;12%; 94,25%; 84,76% de propilenoglicol ou polietilenoglicol; 56,58%; 31,63%; 15,50% e zero de corantes sintéticos; 4,46% de Cloreto de Benzalcônio, apenas em lenços umedecidos. Triclosan estava ausente em todos os rótulos avaliados. Os ECSH observados, expõem crianças desde a irritações e alergias cutâneas, à quadros inflamatórios generalizados, distúrbios neurológicos e cânceres. Paralelo a isso, a cosmetovigilância carece de avanço, pois todas as formulações continham pelo menos um ECSH, outrossim informações inverídicas nos rótulos, incompatíveis com os ECSH, em sua maioria combinados, no produto.
Palavras-chave: Cosméticos. Excipientes. Doenças. Crianças. Cosmetovigilância.
ABSTRACTChildren are a vulnerable population due to their greater environmental exposure and immature physiological systems. The growing use of cosmetics among children aged 0 to 12 in Brazil—the world's third-largest consumer of cosmetics—has heightened regulatory concerns regarding the safety and quality of these products. This study aims to discuss the presence of excipients considered controversial to human health (ECSH) in cosmetics intended for children, as well as their prevalence and associated risks. An observational, descriptive field study was conducted across five supermarkets in Salvador, Bahia, analyzing the labels of four categories of children's cosmetic products. The analysis was supported by research indexed in SciELO, LILACS, and Google Scholar, as well as consultations with official government agency websites and relevant literature. A total of 116 labels were evaluated—comprising 41 shampoos, 33 conditioners, 16 liquid soaps, and 26 wet wipes—revealing the following prevalence rates: phenoxyethanol (39.60%, 49.21%, 36.25%, and 98.15%, respectively); sodium lauryl sulfate (70.73%, 36.25%, and 8.92%); parabens (25.73%, 35.15%, 14.5%, and 49.07%); petrolatum (5.65%, 45.69%, 7.25%, and 0%); dimethylol dimethyl hydantoin (31.12%, 10.54%, 36.25%, and 0%); propylene glycol or polyethylene glycol (79.21%, 12%, 94.25%, and 84.76%); synthetic dyes (56.58%, 31.63%, 15.50%, and 0%); and benzalkonium chloride (4.46%, found only in wet wipes). Triclosan was absent from all evaluated labels. The observed ECSHs expose children to conditions ranging from skin irritation and allergies to generalized inflammatory responses, neurological disorders, and cancer. Concurrently, progress in cosmetovigilance is lacking; all formulations contained at least one ECSH, and labels bore misleading information inconsistent with the ECSHs present—which were, in most cases, found in combination within the products.
Keywords: Cosmetics. Excipients. Diseases. Children. Cosmetovigilance.
Palavras-chave
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DOI: http://dx.doi.org/10.12819/rsf.2026.13.1.6
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Revista Saúde em Foco N° 1/2014