Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 6, art. 12, p. 209-224, *o*./de*. 2018 ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.12 As Fronteiras da Verdade em "O N*v*o Negreir*" Th* Borde** of the Truth in "**e Slaver Shi*" Amós Coêlho *a Sil*a *outor em L*ngua e Litera**ra La*ina Unive*sid*de do E*t*do de Ri* de Janeiro Professo* As*ociado do Insti***o de Letra* -Universidade d* Estado do *io de Janeir* E-mail: amoscoelh*@uo*.com.br Endereço: *mós Coêlh* da *ila Edit**-Chefe: D*. To*ny Kerley de *l**car Rua R*miro Magalhães, 3*2 *ngenho de *entro - CEP Ro*rigues 20730-460 - R*o de *aneiro -RJ. Bra*il. A*ti*o rec*bido em 19/*6/2*1*. Última ve*são *ecebida em 05/0*/2018. Aprovado em 06/07/2018. Aval*ado pelo sistem* T*i*l* Re*iew: D*sk R**iew a) pelo Editor-*h*fe; e b) *ouble Blin* Review (a**l*ação cega por dois avali*dores *a *rea). Revis**: G*ama*ical, Nor*ativa e de F**matação *. C. Silva *10 RESUMO * "verd*de" entre a* lembran*as que *correria* *stá para a *oesia, assim co*o a d*c*mentação do que ocor*e* está pa*a a Hist**ia. Ent*etanto, em ambas há fen*as no d**curso sobre seu objeto, ai*da que na "*erdade" se cunhe um fundam*nto fi*o*ófico no p*imeiro ca*o e, n* s*gun*o, que se asseg*re com documentação q*e ocorreu * seu* o *espec*ivos valores cientí*icos. Focal*za**mos com* o olha* poéti*o, *casi*nalmente, discern* as f*ssuras que abal*m a consistente c*n**gu*ação cien*ífica da his*óri*a, com o levan*amento de u* a nova exegese, em perspectiv* co*pa*ada do poema "Tragédia no Mar (O *avio N*gre*ro) " para se debater o que é um* verdade hi*tór*ca em cote*o com a verdade literária, atra*és de aval**ção interdisciplinar entre L*t**at*ra e fato* *ist*ri*o*. * elemento *nemôn*co adequ*ndo-se ao rea*. A *inguag*m mítica como uma verdade *n *l*o tempore. A v*rdade poética é *a** e*e**da do que a da H*stória? A poética d* Ca*tro A*ves atra*és de disp*sitivo* estilísticos e de formulações intert**tuais em defesa *e uma nova verdade sobre a *a*deira br*sileira. P*l*v*as-chave: Poesia. História. Mime*e. Enunci*ç*o. ABSTRACT The "truth" *mong th* m*mories that would occur i* for *oetry, just *s t*e document*tion of wha* has occ*r*ed ** for *i*t**y. Howev*r, in *o** the*e ar* s*its i* the d*scourse on *t* *bject, a*thoug* in the "t**t*" a philosop*ical foundation is coine* in the first case, and in the second, t* ensure with documentation, *hat happened and their respectiv* scien*ific values. We will ob*erve on ho* the *oetic *a*e occ*sionally discerns the **ssu*es that und*rmine the con*istent scientific configuration of h**tory, with the emer*ence of a new exegesi*, in a co*parative perspec*ive, from the poem "Tragedy the S*a (The Sl*ver *hip)" to discuss at what i* a histo*ical truth *n comparis*n wit* lite*ary tr*th, through an interdis*iplinary evaluati*n b*tween Litera*ure and historical f*cts. The mnem*nic element is *itting to the r*al. The mythical lan**age as a truth *n illo tempor*. Is the poetic truth hi*h*r than *h*t of History? The poetr* of Castro *lves through styl*sti* d**ices and intert*xtual *ormulati*ns in de*ense of a new truth abou* th* B*azi*ian flag. K*ywords: Poetry. Hi*to*y. Mim*sis. Enuncia*io*. Rev. F*A, Teresi*a, v. *5, n. 6, art. 12, p. 209-2**, nov./dez. 2**8 www4.fsanet.c*m.*r/revista A* Fro*te**as da Verdade em "O *a*io Negreiro" 211 1 INTRODU*ÃO Este ensa*o abordará o q*e há de ve*dade na His*ór*a e P*esia, e* relação ao po*ma "Tra*édia no Mar (O Navio N*grei*o) ". O *ue h* muito se deb*te sobr* o que * u* a verdade, em *m*os *s *ados *o nosso pl*neta, o Ori*ntal e o *cidental, *eio pelo viés, no primei*o caso, de po*tos de vi*ta ligados à religiosi**de e, no segun*o, se orig*na principalmente da contestação a* mito de fil*sofos **eg*s, que é por onde *rilhar***s dora*ante. Cha*emos de "teoria con*ensu*l" * fato de *o*er *xis*ir a c*n*iliação entre o "real" e um juízo, um* inferência ou **ação. Há entre os g*egos duas li*has *e refl**ã* de onde pod*mos parti* e que formam doi* si*temas coerentes. O primeir* sis*ema tom* como fundam*nto o movim**to dos o*jetos di*nte da *ossa percepção, na expressão he*aclit**na (Heráclit*: IV - V a.C.) \*a*** r*i\, *udo f*u*, é a pos*ibilidade d* "vir * se*", *u antes, ter *dentidade, ser, a propriedade do \*óg*s\; o \*ógos\ helênico é o que podemos *dmitir como "*ontato possível com o *e*l"... U* out*o pensador, * Pa*mên*d** (544 - 450 a.C.), se op*e * esta concepção e a de*omina de "aparência", a*ri*u*ndo aos *oss*s sentido* *qu*l* que nossos *r*ãos nos fazem crer *est* "****o dos ob*etos" ou devir, separand*-o da existência de um ser, imóvel, eterno: * *eal consti**i*ão do un*verso. É d*ss* seg*n** refle*ã* filosó**ca que surg* a adequação platônic* (Platão: 427 - **7 a.*.), q*e re*oncilia a herança *ocrática *om a d*cotomia de P**mênides. O se* debate se fo*mula pela e*eva*ão *a *lm* dialeticament*, * p*opósito, seria * i**erlocu*ão en*re a* aparên*ias s**s*veis e o mun** verda**iro: a essência. Há, por*anto, um* ve*dade esse*cial: dela só tem*s reminisc*ncias vagas, *u* em *oss* ativida*es at*almente reco**t**ímos co* "imitações" precár*as, com* é o e*emplo plat*nico d* "c*ma"; **nde v*rdades precárias e de *egu*do grau; há aind* a "*mit*ção" d**tas última* que na**e par**r do que a *p*na* s* percebe que são as aç*es do pintor, escu**o*, poet*s, c*m su*s i*itações, ver*ad*s a*nda ma*s pr***rias, poi* se pautam e* rem*niscências ou aparências, que existem na natur*za e q*e ocorrem em pinturas, em escu*turas, em teatro, respe*tivamente. Rev. FSA, Ter*sina PI, v. *5, n. 6, art. 12, p. 209-224, *ov./**z. 2018 w*w*.fsane*.com.br/r*vista A. C. *il*a *1* 2 REF*RENCIAL *EÓR*C* 2.1 Po*sia e História É c*m Platão que su*ge o t**mo \mí**s*s\ pa** coment*r*o liter*rio (MOISÉS, 1974: M*ME*E); co*eç* no Li*ro *II, da República, mas, de fato, é no IX * X qu* *l* parte de "um mode*o *o céu" (592 b), **dicando o real co*o ideal. Cons*dera, então, três **aus da r*al*d*de / ve*dade: a) u*a, c*i*da por d*vindade, b) uma segu*da, a do a**ífice e *) * do ar*esão (595 e s*.). C*m o exemp*o do "marcen*iro" como "a*tí*ice da cam*", um segun*o gra* d* v*rdade, po*s detém ves*ígio* em sua memória daquilo que div*ndade, de fat*, cr*ou. A*sim, *xiste a aq*ele qu* crio* e o artífice, ou o marceneiro que, de s*a *eminiscênci*, a fabricou num se*undo p**no. Um *intor ou um poet* trá*ico é u* *mitador da aparên*ia, o* de um se**ndo grau; don*e sua verda*e pictórica ou *r*gica forma a *e te*c**ro grau. É *echaçado Platão, q*anto a essa *mita*ão *m fo*mas artístic*s, po* *eu d*scípulo Aristó*eles (38* - 322 a.*.), e a rec*n**dera na Poética, 1447 a, levantando por quais *aneiras s* imita um *nunc*ado, se se q*e* con*truí-lo co*o a mais *el* poes**. No c*pítulo IV, so*re a o*ig** da poe*i*, Aristóte*es *tribui a duas causas (imitação e conhecimento): * *e*dência pa*a * imit*ção é instintiva no *omem, desde a i*fânc*a. *est* *o*to distingue-se ** to*os os outr** s*re*, p*r sua apt*dão *u*to d*senv*lvida pa*a a imi*ação. Pela imitação ad*uire seus prim*iros con*ecimentos, po* ela todos *xperime*tam pra**r. (...) A causa é que a a*uis*ção de um co*hecimento arreb*ta não só o fi*ósofo, **s todos os seres humanos, mesmo que não saboreiem durant* *uito *emp* ess* satisfação. (...) Como nos é natura* a tend*ncia à imitação, bem como o gosto da ha*mon*a e *o ri*mo (p*is é evid*nte que os metros **o par*** do ritm*), na origem os h**en* mais aptos p*r natureza p*ra estes exercí*ios pouco a pouc* foram dand* orig*m à poesia por s*as improv*saç*es. (1448 b / CAR*ALHO, 1964: 2*6). Declara Arist*teles, no *apí*ulo VI, que a imitação *e uma aç*o é * *it* (fábula) (*de*: 271). Mais adia*te, n* IX, comparando o poe** com o historiador, ob*er*a que o historiador apon*a o que, *or exemp*o, A*cebíades faz / f*la (*ez/ falou), mas o poeta imita o que el* faria / *ala*i*, mas e* *entid* g*ra* (). Logo, o di**urso poético é um a met*fo*a, representa o veross*m*l, embora dê nomes part**u*a*es, como Al**bíade*. Assim, na coméd*a, o* autores *ão aos pers*nage*s nomes fantasiados e lhes creditam atos verossímeis, m*s, n* trag*dia, pr*v*lecem no*es *ue existiram. Se ti*éssemo* *e aproximar enun*i*ção / en*nciado teori*amente dos *ermos *ristoté*icos, poderíamos r*tom*r (*45* a) peripécia (*c*ntecime*to imprevisto) / Rev. FSA, *eresina, v. 15, n. 6, art. 12, p. 20*-22*, nov./*ez. *018 www4.fs*net.com.br/*evis*a As Fronteiras da Ver*ade *m "O Navio Negreiro" 2*3 r*conhecim*nt* (anagnórise). A mudança (µ) *e ação *m direção contrária por consequên*ia deve ser con*o*me *erossimilhança (**) ou necess*da*e (). Cita a Aris*ótel** É**po Rei, de Sófocles, quando o m*nsageiro chega *, pensando que ajudará Édipo a se *iv*ar do pes*delo em relação à mãe, revela entã* a morte *e Pó*ibo, rei ** Cor*nto mas, n*o *otando * me*sag*iro propri*mente s*a *xp*ess*o de alívio, já que, *ssim sendo, não s* cumprirá aquela profecia *e *le, É*ipo, mat*r se* próp*io pai, di* a ele, por *q*ívoco, que Pólibo não era seu pai l*gí*i*o, em*ora o chamasse d* filho, e mais a*nd*: o *az*a po*que **ng*agem afet*va, i*to é, o vocativo era a*enas carinhoso. Esta inf**mação pro*uziu efeito co*trá***, resulto* no *econhecimento, ou m*lhor, fe* Édipo pass*r da *gno*ân*ia ao co*heci*ento. Isso mudou o r*mo da ação dramática (*eripéc*a): agor* Édipo tem então mais c*rteza de sua culpa (\hamartía\). A *eripécia *ristotélica está *ara a enuncia*ão, d*vid* à su* ação de mud** o sentido das c*isas. Cícero (106- 43 a.C.) nos *arece, como **men*a Mioara *aragea: s.v. "H*st*ria", do E-*ICIONÁ*IO DE TERMOS LITERÁR*OS, bastante seg*ro qua*t* *o f*to d* a His**ria poder narrar *e fo**a absoluta a verdade: Nam quis nescit p*imam esse historia* legem, ne qui* falsi dice*e audeat? dein*e *e quid ver* non a**eat? (De *r*tore, X*) De fato, quem não sabe que * p*i****a lei *a história é não ous*r comen*ar *lgo de falso? a segun*a, de o*s*r comentar toda a verdade?* Ta* convicç*o c**ero*iana, como configuração *arad*g*ática de verdade na Hi*tória, *reva*ecerá até o s*c*lo **X. A Hi*tór*a e a Literatura conviveram por muitos *écul*s "como ramos d* mesma *rvore do saber" (**TC*EON, 1991: 141) O c*rte epistemoló*ico entre estas disciplina* ocor** no século XX mas, por suas cara*t*rís*icas n*rrativas, ambas se carac*erizam pe*a verossimilhança: "**nsidera-se *ue as duas obtêm suas forças a partir d* verossimilhança, mais do q*e a partir de qualquer ve*dade objetiva: as duas s*o iden*ificadas em s*a* f***as n*rra*ivas, e na*a transparentes em termos de linguagem ou de estr*tu*a: e parecem ser igualme*te *ntertextuais, desenvolvend* *s texto* ** *a*sado c*m *ua p*ópria textua**dade comp*exa." (Ide*, 141). É in*er*ssante nota qu* o poema Tragédia no Mar (O *avio N*gr*iro), e este é o títu*o que lem*s *m seu m*nuscrito, cabe e* poucas páginas de papel A4, mas o traba*ho de *cdót*ca de A*tôn*o José Chedi*k discor*e s*bre suas edições em 6*5 páginas, num trabalho de *xeg**e e hermenêu*ica *ue le*an*a *s *alh*s *ditadas, em co*fronto com o m**uscri*o do **eta dos Escr*vos. Ainda *m vida do Poeta i*so mesm* ocorr*u; imagine-se posteriorment*, 1 **adução no*sa. Rev. *SA, Teres*na PI, *. 1*, n. 6, art. 12, p. 209-224, nov./dez. 2018 *ww*.**anet.com.br/revista A. *. Silva 214 o que houve *e *ersões f*xadas e* docum*n**çã* de múlti*las edi*ões em relaçã* ao ma***crito q*e se encontra no Ins*ituto Ge*gráfico e Histó*ico da *a**a que chegou às mã*s do fi*ó*ogo Chediak. Cit*mos, enf*m, apenas a *uestão da multipl*cidade do título. Muito comu*ente, se lê "Navio Negreiro", ou *om artigo, "O Navi* Negrei*o" e, aind*, "O Na*io Negreiro: Tr*gédi* n* Mar" etc. A* primeiras recitaçõe*, e* vida ai*da do *oe*a, se intitularam "* Tragédia no Mar" e, de*ois de * express*o "n*vio negreiro" ser trans*ormado e* "Águi* d* oceano" p*r algu*s ed*tores, Pedro Calmon iro*i*ou "* velho Chi*frim *udado *m Águia" (grifo original), te*mi*ou entre par*n*eses *omo no t*tu*o ac*ma se lê, e o pesquisa*or Chediak dando r*zão ao histori*dor Calmon sobre * nódoa históri*a *o sintagma "navi* negreiro", si*tag*a que resis*iu mn**onicamente, justo por cau*a da amarga *or dos **crav*s sobrevivent*s ainda e concl*indo: "Daí os aplausos que recebia a* recitar o poema." (*.45) 2.2 A Criatividade Enunciativa A expressão **kht**iana, "auditório social", *n M**xism* e filosofia da linguagem, constrói uma interlocução social, no senti*o d* u* dra*a, no rigor de su* e*imologia: *ção *e uma pessoa em relação a outrem e e*te, como alteridade, pode ser no *lural *u *i*gular. Com o "*or*zonte social", Bakht*n recorta do **ndo os ob*e*os, fechand* um "te**", mas integrando a sit*a*ão social daquele moment* viv*do pelo "auditório social"; s*ndo a*sim não * na noçã* abstrata da langue suassuriana que subsume o indivíduo, mas a linguag*m da "parole" com apen*s algun* el*mento* l**gu*sti*os de que se apropriam os interloc*tore* parceiros, *ue B. *al*n*wski batizou com a expressão "*omu*h*o f*tica" (**ud *enveniste, Ap*relh* *ormal d* Enuncia*ão: *8) Leia*os as considerações de *e**eniste (2006: 83), qu* sep*ra da "langu*" do seu estado "in absentia", *om*nd* apenas alguns dados li*guístico*, apropriad*s pelos interlocutores atravé* da "pa*ole": O a*o in*ividual pelo **al se uti*iza * língua introd*z em primeiro lu*ar o locutor c*mo parâ*etro nas **ndições n*cessárias da enunci*ção. A*te* d* enun*ia*ão, a língua não é se*ão poss**ilid*de da lí**ua. Depois da enu*ci*ção, * lí*gua é *fet*ada *m uma inst*nci* de discurso, qu* ema*a de um locutor, *or*a sonora que ati*ge um ouvi*te e que susci*a *ma outra enunc*ação de retorno. . Rev. *SA, Ter*sina, v. 15, n. 6, art. 1*, p. 209-224, nov./dez. 2018 **w4.fsan*t.com.**/revista As *ront*ira* da Ver*ade em "O Nav*o Ne*rei*o" 215 Charles Sander* P*irc* (183* - *914) h*vi* den*minado Sem*óti*a o pro**to que *aussure cha*ou de S*miol*g**. Não se conhecera*, **s for*m coetâne**. Peirce con*ebeu um sistema de s*gnifi*aç*o *omo uma *o**rina dos s*gnos, por e*emplo, a mai*ria das palavras são SÍMBOLO*, mas al*umas são Í**ICES, c*mo *s dêiticos (pronome*, advé*bios *tc). Não há, na su* in*erpretação, a preo*upação com a funçã*. *as há esta mesma pre*cupação *m Saus*ure, porqu* há no seu projet* Semiologia o qu* * uma "comunhão s*cial" *o **gno: * v*d* *os s*gno* ** seio da vida soci*l. Enumera como sistemas **miológicos os r*tos e os costu*es. No enta*to, colo*a a linguíst*ca como ramo da semiologi*, o que Roland B**thes inverte: a semiolo*ia é que é um ramo da linguí*tic* *orque, p*r analogia, com os ele*entos do código linguís*ico, há os outros *ódi*os, como *ódigo semafóri*o, * *o vestuário *tc., e eles assimilam aq*elas propriedades significativas peculiares l*n*uisticamente: "T*do sistema se**o*óg*co se **pregna de linguagem. " (a*ud *UBOIS et al, 1978: SEMIOLOGI*) Na li*guagem estr*tament* v*rbal, quanto à parte das formas *au*surianas (ist* é: l*n*ua é forma, *ão substânci*), *ortan**, e* relação aos e*ementos paradigmáticos, * a *ani*estaç** da estrutura formal e funciona* se d*rá, no e*foqu* de Ben**n*ste, pela enunciação, mas se contiver ca*a*terístic*s da pa*o*e saussu*i*na. Dito de *utro modo: é n* enunciaç*o que se co*figura uma dada situa*ão s****tiva. No s*ntagma const*uíd* pe*a enunciação, há em cad* unida** linguística, seja um fonema, q*e, conforme uma dada teori* *inguís*ica, per**n*e * segunda arti*ulação; s* for um* d*si*ê*cia ou se**ntema, pertence*te * primeir* articulação, haverá de ocorr*r um* conve*s*o e* signo dêitico, pa*a *ue surja um "*entido". Assim, ** na ling*agem não ***bal a elevaçã* d* *emp**atu*a do corpo, um índi*e p*ra Peirce, ma* poderá ser tra*sformado em um "signo dêiti**" (um elog*o * bel*za *e uma jovem e respectiva reaç*o dela pelo rubor da face), e, porém, s*r* simplesm*nte índice, *u sintoma na li*guagem médi**, de uma iminênci* de enfermidade (a *eb*e é eq*ivalente ao índice em sua rela*ã* de contiguidade com a realidade exter*or, con*orme Peirce). Is*o **smo se dará no n*ss* poema **r*us com o de*taque de *m elemento *e segun** art*c*lação que, por *atu*ez*, é dotado de uma não p**cepção imediata d* significação se*ântica, seu pa*el é ape*as *iferença pa*adig*ática entre expr*ss*es: bala X vala ("b" se opondo a "v", is*o é, cria*do uma diferença). Assim, na articulação da ling*ag*m v*rbal de "Que a brisa do Brasil beija e balança", *ncontramo* um fone** /b/, como o oclusivo, bilabial, *on*ro, um outro é o /s/, *o*stri*iv*, fricativ*, alveol*r surdo, passa*á * formar no* *erso* de Castro A*ves não ape*a* a cond*ção *stilística de um* aliteraçã*, como Rev. FSA, *ere*ina PI, v. 15, n. 6, art. 12, p. 209-224, nov./dez. 2018 ww*4.fs*net.com.br/revista A. C. Silva 216 se o sopro da pr*lação con*r*tizasse *m *cfrase d* efeito do ven*o em nossos **bios. Mas * m*scar*r uma intençã* do sentido do *oeta, com* se dá em Tragédia no Mar (O Nav*o Negreiro): "Aurive*de p*nd*o da minha terra, / Que a *risa do *ra*il *ei*a e balança". Nos fonemas descr*t*s a*ima, pass*-se além da aliteração a *m se*und* p*ano estético, *m q*e há uma p*ssível **sociaçã* d* nossa bande*ra com o sublime. Mas, a e**nciação ain*a não se realiz*u, pois *rec*samos ler mais adiante, e, aí, * "a*river*e" en*ontrará sua si*nif*cação (daí, "sen*ido" sa**sur*a**), *u sej*, fic*r* enxo*alhado, dado o cont*xto ve*bal, pelo uso em situação espúria, que é esta at*al de *ua *ondição de uso a *avor de *ma escr*vid*o. É *este espaço enuncia*ivo da *armonia imitativa que reside uma dentr* múltiplas possibilidades de C*stro **ves fundar / aprofundar / relacio*ar o "real" no mundo poético / verossímil. Cada signo do e*unciado tem um *esmo v*lor *e ref**ên*ia n**a comuni*ade. É, cont*do, não no enunciado, cujo valor é de quilate semântico, mas n* enunciação, c**o val*r é semiótico o* semiológico, e é onde estará depos*tada a **eia do que é * funç*o reno**da de *m signo. Assim, eleme*tos linguíst*cos de segunda articulação se ***narão signo*, *ada a apropriação e a manuf*t*ra do P*eta, sign*s d*iticos; e esta habilidad* artística não pode oferecer uma f*rmula exe*plar * *aradigmática. E*a é a única atualização da comuni*ação inter*ubjetiva (BENVENIS*E, 2006, p.63). É na en*nc**ção que se pode *riar "sentido", que é dif*rente *e sig*ifica*o, pertencente semantic*m*nte ao plano paradigm*tico, aquela noção apreendida *a L*ngue, ou até m*smo no d*cionário; por isso, nã* é p**o alinham*nt* semântico *os ele*entos linguísticos ou das *a*av*as, mas *im, *uando a inte*ção se contextual**a ou *e *ealiza em i*ter*ção social c*m outrem, a contrapart*, a co*petência ou o *omíni* d* sistema linguístico, *emp*e que ocorrer apropriação de u* dos e*em*ntos do s*stema lingu*stico como pro*es*o de *omunicaçã*. Pa*a *enve*iste, um a enunciação se pel* pr*ces*o de a*r*priaçã* de elemento* linguíst*cos, conv*r*endo-os pel* *ubjetivação: A*ui a questão - muito d*fícil e pou*o es**dada ainda - é ver como o "sen*ido" se fo**a em "palav*a*", em *ue medi*a *e po*e distinguir en*re as duas noções e em que termos descre*er s*a interação. (BENVENIST*, **06, p.*3) A pr*ocupação com a f*n*ão *o signo é desde cedo saussuriana, como se comen*a* "sentido" Jean Dubois et alii (*978: SENTIDO): *ara F. *e Sa*ssure, o sentido de um sign* lingu*stic* é consti*uído p*la represe*taç** suge*ida de u* s*gn* q*ando d* sua e*unci*ção. (Grifo nosso). Citam a**da os l*n*uistas franc*ses enfo*ues múltipl*s para este *roblema (de Saussure, como): o *entido *par*cia como *esult*do *e uma segm*ntação, como um v*lor que emanava do sis*ema, c*mo um fe*ômeno associat*vo. Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 6, *rt. 12, p. 2**-224, n*v./de*. 2018 www4.fsanet.**m.br/revista As Fronteiras da Ve*dade e* "O *avio Negreiro" 217 A pont**ção empregad* pelo Poeta, como na invocação "Senhor Deus do* desgraçad**!" é seguida de pe*gu**as como "Quem são e*tes desgraçad*s (...)?", "*ue* sã*?". *os *ecur*os d* uso *os dêit*cos, q**r dizer, pr*n*me*, advérbios etc., *as *epe*ições e nas re*postas, cujos valores são *e historici*ade, en*ontramos "Ho*e*s simpl*s, fortes, bravos...", co*o *ram outrora, "hoje mís*r*s escra*os" (...). São, poi*, o artefat* de dê**ico*, de *ont*a**o e das oportunas r*petições fontes d* processamen*o da enu*ciação. 3 RE**LTADOS E DISCUSSÕES 3.1 O Cr*vel e* Cast*o Alve* Uma l*itura do enunciado *o*e não se preoc**ar com a enu*ci*ção e, por isso, *ban*o*ar a **nstru*ão da subjetivação poética, pres*nte no uso de d*itico* e *o* "signos dêitico*", com* *en*minam alguns manuais: no poema um* formulação típi*a "signos dêitic**", é o que *e pode prefe*ir * denominação d* "simb*lismo d*s palavras", e pode *e d*r através da et*molo**a. Or*, a leitur* apenas do *nunc**do s*ria um procedim*nto semântico **e pode esva*iar a linguagem simbólica do d*scurs* li*erár*o ou poétic*, ou m*lhor, pratic*- se o alinham*nto semântico das *alavras * de cer*o m**o uma visão imane*te, **chad* no texto. Por ex**plo, em relaçã* à leitura do tema do po*ma se p*utar ape*as com o comé*cio de esc*avos afri*anos ser pos*erio* e a*ulad* pela le* com**cia* c*nt*a o tráfic* de n*gros no Atlân*ico e, por essa razão, ser esvaziado de "sent*do", e, p*rtanto, um poema sem valor esté*ico * **tístico. Ness* direção, a observação de Eugênio Gomes, in Castro Alves: Poesi*, é totalment* pert*nent*. E*e d*scorre sobre a *legação cr*tica d* *xisti*em em a*guns *omentários sobre a possib*lida*e de a ext**ção do tráfico negrei*o pel* força da le* de *usébio de Queirós: mas, * as consequên*ias *efas*as que persistira*? Q*em pode garantir a não *xist*ncia, às ocul*as e criminos**ente, de comportamento ins**ord*nado à lei d* Eus*bio de Qu*irós? Os pró*rios livros de *i*tória a*on*am a tensão e in*ere*se* n* co*tinuidade *scravagi*ta. * nos*o esco*o s*r* realçar que, antes de ler o texto de Tra*éd** no M*r (* Navio Negreiro), o *eitor ou o*vinte d* declamação poética detém múltiplos conhec*mentos da já formaç*o de descrições ar*uivadas na *i*lio*e*a da História, da **ogr*fi*, da N*vegação, sobr* o so*ial mar**imo e hi**ó*ico de cada povo, além de detalhes quanto distância, à à **ração de um* viag*m, ao aba*tecimento dos *avios, às r*ta* de c**a percur*o com ou s** tempestade, orientação dos c*minhos pelos astr*s etc. Mas, mesmo com ta*ta i*f*rmação, s* Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 6, art. 1*, *. 2*9-224, n*v./dez. **18 www4.fs*net.c*m.br/revista A. C. S***a 2*8 envol*e c*m a más*ara poética do *utor*, *u seja, o f*ndador de "sent*dos", **vid* à *ons*rução de sua enunciação. Iniciemo*, pel* to*ad* iterat**a: **s*ro Alves nos inse*e em "pleno mar" e de*l*** o "*l*no mar" c*mo um lo*al aprazível, onde s* pode "Sentir d*st* painel a imensidade!..." Recria e con*ensa um ambiente de l*berdade como "do*e *ar*onia", "música s*ave", "canto ardente". *ixa-se um "sen*ido", um* verdade. P** enquanto não s* t*m not*cia *o que há den**o *e um "veleiro *rigue" que s*rgi*á *ur*reendent**ente no *ar e que h* de *nstigar a cur*osidade *o Po*ta: U*a função *e semelhança acima da dif*rença, (...) é um s*gundo grau da *el*ção sim*ólica de semel*ança. (...) a "*erdad*" se*ia *m disc*rso que s* *ssemelh*ria ao real; "v*rossimil", sem ser verdad*ir*, seria o d*scurs* que se * ass*melha ao d*scu*so que se as*eme*ha ao *e*l. " (Kr*s**va, *.48). De*i** o Po*ta para ou**a d*reção "Homens do mar! "; e*b*ra não im**rte o b*rço "do **uta", há um interesse d* Poeta, conf*rme o seu pe*ido de auxílio à "*gui* *o oceano", o Albatroz, símbolo do "Condo*ei**smo" do "Poeta dos *scrav*s". Assim: U* discurso é s*ntaticamente verossími* *e *ouver pos*ibilidade de *azer derivar c*da uma *e suas sequências da *otalid*d* est*uturada que é esse discu*so. O *eros*ímil dep*nde, p*is, d* uma e*trutura com norm*s de articulaç*es pa*ticulares, de *m *ist*ma \retórico\ p*ec*so: sintaxe a ver*ssími* *e ** texto é o que o torna *onforme às leis da *stru*ura d*scursiva dada (às leis d* retó*ica). (KRISTEVA 1972: 51, gr*fo da Autora). De mo*o *ue a Autora *ria * termo *ero*símil si*tático, eq*ivalente de um ver*ssímil retórico: o veros*ímil *xiste numa estru*ura fechada e para um *iscurso de o*g*nizaçã* retó*ica (Idem: *2). Cada *exto formari* uma ver*ssimilh*nça semântica por *orne*er e, o e*eito de assemelh*r-se, resultará ** um processo sintá*ico uma verossimilhan*a sem*nti*a, obtida no artesanato linguístico da enunciação do Poeta. Neste s*ntido, p*deríamo* a*irmar que Aristóteles, c*nf*rme cap*tulo 25 (*460b), p*d*ria ter **to que \a arte é * imitação *a *ida como *la deveria ser\ *uando apresentou a seg**nt* ma*ifestação: Sob** os pontos cont*overso* e so*re as so*uções, sobre seu número e d*fer*ntes *s*écie*, a*gu*a luz derramarã* as considerações seguin**s: s*ndo o poet* um imi*ado*, como é pintor o* qualq*er outr* cri*dor d* figuras, o pe*an*e as coisa* se*á induzi*o a assum*r uma d*s tr*s maneiras d* as i*itar: *) c*mo elas eram ou são, 2) como os outr*s dizem que são 3) ou com* p ar *ce serem, ou com* deveriam ser. (Idem: 216, a num*ra*ão introduzida é noss*). 2 "Autor" provém do la*im auctor,- oris: 'o qu* p*oduz, o que ger*, fu*dador, invent*r' (H*uaiss Eletr.)
R*v. *SA, *ere*i**, v. 1*, n. 6, art. 1*, p. 209-*24, nov./dez. 2018 www4.fsanet.com.*r/r*vista
As F*on*eiras da Verdade em "* **v** Negr*i*o" 219 Ca*tr* Alves *stá, c*m apropriaçõ** de *le**nt*s linguístic*s da l*ng*e de Sa*ssure, a fundar \valor*s\: Quand on *arle de la vale*r d\un mot, on pense g*néralem*nt e* ava*t tout à la propriété qu\il a de représen*er une idée, et c\est là en effet un d*s asp*c*s de la valeu* lingui*tique. *ais s\*l en est ain**, en quoi cette valeur d*ffèrent-elle d* ce qu\on a*pelle la significa*ion? Ces deux mots seraient-il* synonym*s? *o*s ne le crey*ns p*s, bie* que la confu*ion soit f*c*le, d\autant qu\elle *st provoqueé, *oins p*r l\analogie des *ermes *ue *a* la *éli**t**se de la distinc*ion qu\ils marqu*nt. (SAUS*URE 1962: *5*)*. O comentário de Jean Dubo*s et al, no verbete "SENTID*", nos aj*da * elucidar este passo: metáforas consagradas por F. de Sauss*r* ao sentid* per*ite*, assim, * s*gu*nte abo*dagem: o sentido provém d* uma *rtic**ação do pen*amen*o e d* mat*ria fônica no i*terior de um sistem* l*nguístico que determina ne*ativamente *s unidad*s. ** seja, o *oeta * um criador de "senti*os" e e**es "senti***" são simbóli*os, c*mo outrora n*s fundações de cida*es, como na Antiga Roma pel* áugure4. Basta que s* o*serve a intertextualida*e à documentaçã* hist*ric*, na part* II, onde há refer*ncias, às avessas, às ações h**o*c*s *, portanto, se*iam d***ific*ntes, exe*plares, *e pers*nali*ades *i*tór*cas *o Velho Mundo, como a ação "heroica" es**nhola, italiana, inglesa e **ancesa, sendo que na inglesa ainda se reforça, mencionando n*m*nal*ente: Nélson. Com efeito, cantam-*e os louros d* pass*do / E os *ou**iros do *orvir... Es*ala*do-s* até (O)s mari*he*ros Helenos. To**s eles sabem ach*r nas vagas / As melodias do céu... - tud* isso é o qu* não pertence à Históri*, no se*t*** tradicional ou par*digmati*amente, p*is os greg*s f*ram pred*dore*: incendiaram Tr*ia. Para um heleno, o estra*geiro *ra um bá*ba*o, s*m a men*r opo*tunid*de de relações so*iais e frat*r*as. Muito menos os co**nizadores da Idade Moderna - como os da **pan*a, da França * da **glaterra, ele* foram o* *riadores do Novo Mundo, con*u** não respe*taram a le* de hospita*i*ade, porque causaram a morte de Montezu*a e o massacre dos astecas, *epoi* de ser of***cida * hospitalidade, no caso espec*fico d* Hernán Cortez; sem falar do resultad* futuro da colonizaçã* holande** e inglesa na África d* Sul nos seu* as*ectos de apartheid. 3 Quando se fala sob*e * *alor de u*a palav*a, ** pen*a em geral, e *ntes *e tudo. Na propriedade que tem *e
repres*nt** um* ideia, * nisso está, certamente, um dos *spectos do **lo* linguís*ico. Mas se assi* for, em *ue *ifere o va*o* do que se c*a*a *ignificaç*o? Estes dois termos ser**m si*ônimos? Não o acreditamo*, em*ora a confu**o *eja **c*l, por*ue e*a é pro*o*ada pela analogia das e*pressões d* que *e*o detalhe *a dis*inção que ta*s termos m*rcam. 4 lat. au*ur,*ris 'áugure, adivinho' (Houais* Eletrôn.), **e é cognata de "a*c*or", tema indo-europeu *au*os-, que de**vará em augustu*, César Augusto, o imperador de Roma: (a*gustus) qu\*n le vo** apppliq*é à Octa*ie, av*c ** sens du grec *. Por*ant*, é um *ema religio*o, *e*astião significa o *levad*, * d*vino. (ERNOUT et MEILLET: AUGEO, -ES, AUXI, AUCTUM, AUGERE) R*v. FSA, Teres*na P*, v. 15, n. 6, art. 12, p. 20*-2*4, no*./*ez. *0*8 www4.*sanet.com.br/revista
A. C. Sil*a 220 No entanto, a condução dos f*tos co*struídos *o **s*ur*o *o*tico de Castro Alves - alé* *e en*atiza* uma opos*ção / antíte*e com a s*gunda *arte, que é enal*ecimento dos colonizado*es, prove*iente* do Velho Mundo, ou a*é mais radica*mente, *a*a a ênf*se: u* **radoxo em rela*ão à Parte VI, *m que o Bras*l é que é apresentado *omo nave*ador e co*onizador escrava*ista: E existe um povo que * ban*eira emprest* / Para *obrir tan*a i*fâ*ia * cobardia!... - quer dizer, discur*o poéti*o, então, com* um indic*tivo da hist*ricidade na *onstrução do verossím*l: nasce do \efeit*\ da se*elhança. (KR*STEVA, 1972: 51); *ontrá*io, po*tanto, à Par** II, dis*urso histó*ico paut*do ** normas * no bom se*so. A parte *II serve como es**gio para a derivação ** verossímil sintático, isto é, o Po*ta fi*a surpr*so com o q*e vê, abr*-se **s IV e V *m panorama qu* s* ca*ac**riza como uma ênfase à* se*uências *e hipérb*le que con*truirão a "*obardia brasileira". A apresentação da ter*eira par** dá-se in medias res, *s e*cravos já e*tão dent*o do "vel*iro b*igue", na parte IV, * o in**ante *m qu* se *orna**m prisioneiros e estã* *ob suplícios impostos *elo coman*ante ** navi*: Era um s**ho d*ntesco..., cena infame vil (...) - em a**ítese, ou antes, em *ara*oxo *om a *rimeira parte: agora é a cruel escrav*zação. Segu*-*e a parte V, on*e se na**a o *er***so feito pe*os n*gros africanos alg*m*dos a recordar, Ontem **ena *iber**de, (...)os g*erreir*s *usados o que se deu in illo te**ore (*aquele tempo), momentos em que se usu**ar*m s*us rit*ais d* p*ss**em, as prov*s i*ici*ticas, *om* as da adol*s*ência * home* guerreiro, cuj** signific*ção é de uma *ra primord*al, mas subtra*da pela *orça bruta. Cit*mo* a do* versos "Ontem a Serra Le*a, / a guerra, a c**a ao leão,5 / o son* **rmido à toa", em total *aradoxo *om a primeira p**te, que é lo*a* d* v*ntura í*p*r: Bem fe*i* quem a*i pod* nest'hora; mas, na V, o *ont**ste: as*im que se cheg* à invocação ao Senhor dos Desg*açados! / Dizei-me vós, Senh*r D*us! Se é loucura... se é ve*dade / Tan** horr** perante os cé*s... Segue-se * ins*stênci* do Poeta dian*e da "*ndif**e*ça"6 (note-*e a p*ntua*ão do Poeta, con*orme o manuscrito): "... Se a estrel* se c*la, Se * vaga à p*essa resvala Co*o um cúmpl*ce fug*z, 5 O profes*or Chediak **eg* a *omen*ar que as e*p*ess*es "II * guerra a *a*a, o leã*." e "II* A guerra a caça ao
leão." q*e foram e*itadas e obscurece*am a clare*a *o manuscrito", que **ans*rev*mos acima e *ue s*o, do po*to de vista mític*, provas iniciáticas de guerrei*os. 6 Como se leu ant*riormente havia um mar inspirador de felicidade. *gora, *este pa*so, é um mar "cúm*li*e fugaz". Registre-se *ambém * violência do escravag**ta: us*rpar o que uma mu*her tem de mais *a*rado: "o l*ite do pranto" de se* beb*. Esta enunciação e*alta po* demais a subjetivação. Rev. FSA, Tere*ina, v. 15, n. 6, art. **, *. 209-224, no*./dez. *018 www4.fsa*et.com.br/revista
As F*o**eiras d* Verda** em "O Navi* Negreiro" *21 Pe**nte * noite con*us*... *ize-o tu, severa musa! Mu*a lib*rrima, audaz" (...) São mulhe*es desgr*çadas... C*mo A*ar o foi também. Que se**nt*s, alquebradas De longe...bem longe vêm. Trazendo com líbios passos F*lhos e algemas *os braços, N\alma - lágrim*s e fel. Como *gar sofrendo ta*to Q*em *em o leite do *ranto Tem que dar para Ismael... Destaquemos mais *m exemplo interessante de ecdótic* * etimologia. No**-se q** se *ê em out*as edições "tíbio* pa*sos" (m** el*s eram da Lí*ia), mesmo * *espe*to d* s*g*ifi*ad* de "tíb*os", *u* detém * imagem de "titubear" e com a ideia de "*racos"7... o que *eria de*eras intere*sante na e*pressão poética pela figura*ão *e uma ecfrase. N* ent*nto, * P*et* *os Escra*os *uis ser o m*is fiel *ossível *uanto realid*de escra*ocrata, q*a*do a indicou a *rigem nacional *estes **cravos (o qu* é dever*s proveitoso na enunciaçã* p*l* fato de *e tratar e*imologicamente da **ci*nalid*de): * m*e África. 4 CONSID*RA*ÕES FI**IS Co*en*amos Ar*stóteles. Al*m di**o, é bem conhecida a *ecomendação *e se e*col**r, de preferê*cia, a ver*s*im*lhança a *ar*i* do impo*sível, po*ém, crív*l. Ca*tro Alv*s deslocou os fatos históricos e g*ogr*ficos e os c*nden*ou *u* novo pa*o*am*, proc*ssand* uma outra cosmovisão e se valendo de metáforas e metonímias, *á *ue o po*ta difer* do historia*or, porqu* este relata o que aconteceu, ma* * poeta n*s apres*nta o que po***i* ter aco*tecido. 7 Mor*is Sil*a (1813) registr*, como sent*do primeiro de tíbio. \T*pido, morn*\ e, *m sentido figurado, "Remis*o, froixo, se* ener*ia. " Por tíbios passos ente*der-s*-iam, *oi*, froixos ou frouxos passos, vale dizer, vaga*osos pas**s, o* mesmo froixos pa*sos. Po*tas românt*cos as*o*iaram escravos à Lí*ia e a *eserto, o*de os *uma*os de regra não **rre* ou *nda* apres*ados. (*HE*IAK: *61. Gr*fos do Autor) Rev. FSA, Te**sina PI, v. 15, n. 6, art. 12, p. 2*9-224, n*v./dez. *018 www4.fs**et.com.br/*evi*t* *. C. Sil*a 222 Como *e *e*, *omos e* evid**cia *s av*nços linguístic*s, mas em co*aboraç*o *útua da*uil* que uma c*r*ente comple**nta a uma o*t*a; d*sta*amos elementos compatíveis * e*te *sp*ço de a*ordagem *ob a *uz das mais recen*es pesqu*sas na Te*ria da Litera*ura e *a L*nguística. Escol*emos dados regist**dos *a História e desenvolvemos *qu* * anál*se dos dados mais importa*tes, ** perspectiva comp*rada, colhidos do *apeamento poé*ico de Cast*o Alve*, como n* *arte V: os a*ricanos foram o*rig*dos a aban*ona* *uas **ízes míticas de ri*uais de *ass*gens e qu*, num mo*e*to da na****iva em flashba*k, foram s*bjug*d*s; na Par** IV, sup*iciados *ediante chicote perante um indiferente c*u límpi*o so*re ** m*r tranquilo e azul; n* V*, ficou, desta IV parte, a mancha na nossa bandeira brasileira com o riso ir*nico *t*a*és de ma**i*ões satâ*ic*s d*s *a*obras do co*andante do navio. Assim, se refere a esta mancha o Po*ta na V: "Ó *a*! Porque não pagas / Co\ a esp*nja de tuas va*as / D* *e* manto este *orr*o?..." De modo que s**ente * e*unciação constr**d* p*lo Po*ta dos Escravos as*inala * condição de i*por*ância da *ubjeti*ação que pr*vém da l*itura se*iótica, ultrapassando a linha *emân*ica das palav*a*, *ubric*ndo a repetição, a *osição do ter*o no sintagma e pontuação *ráf*ca ou tom oral do "a*eus" *e "c*ianças l*ndas" que se torn*ram "moças *en*is", m*s com sonh*s s*la*ados como o da "virgem na *aba*a" a im*ginar s*b*e a "noite nos véus..." A "noite no* véus..." não * ap*nas a *e*lização de um ca*amento. É m*is que isso: é a f*lici*ade dos laços afetiv*s, que foi escoa*o no nada. REF*RÊNCIA* ARISTOTE. Poétiq*e. Texte *tabl* et tradu*t p*r J. Ha*dy. Paris: Les B***s Lettres. 19*2. ARIS*ÓTELES. *RTE RETÓRI*A E ARTE POÉTICA. Trdu*ão de *ntôn** P. Carvalh*. São P*ulo: Difusão Europeia, 19*4. BA*HTIN, M. Mar*i*mo e Fi*oso*i* da *ingua*em. Tradução de M. L*h*d e Yara F. Vieira. Sã* Paulo: *ucitec, 1986. de
BARTHES, R *t al. *iteratur* e Semi*logia. T*adução de C*lia Neves *ourado. Pe*rópolis: Voze*,1972. BENVENISTE, É. Problema* de Lingu*st*ca II. c. 5 O Apar*lho Formal da E*unciação. Tradução de Eduardo Guimarães et alii. *ampinas, SP: Pontes, 2006. Rev. *SA, Teresina, v. 15, n. 6, art. 12, p. *09-224, nov./dez. 2018 www4.fs*net.com.br/revi*t*
As Fronteir*s ** Verdade em "O Navio Neg*eiro" 223 *HEDIAK, A. J. Castro *l*es T**gédia no *ar (O *avio Neg*eiro): Cotejo do Manu*crito com 63 t*xt*s in**gra*s * c*n** *arciais, no to**l de 15*9* versos. Rio de J*neiro: C*leçã* Afrânio Pe*x*to ** A*ademia Br*sileira d* L*t*as, 20*0. CHE*AL*ER, J; GH*ERBRAN*, A. Dic**nár*o de Símbolos. Trad. **r* da **sta e Silva e* al*i. Ri* *e J**eiro, José Olymp*o,1994. CICÉRO*. D* l\o*ateu* (De *rat*re). Texte établi, *radu*t et an*o*é *ar *rançois Ric*ard. Paris : Ganier Frères, s/d. DU*OIS, * et al. Dicionár*o de L*nguística. Tradução de Frederic* P. de Br*os et ali*. Sã* Paulo: Cultrix, 1978. E-DI*IO*ÁRIO DE TERMOS LITER*RIOS (EDTL), coo*d. de Carlos Ceia. Consul*ado em 0* d* junho de 2018. ERNOUT, *. MEILLET, A. Dic*i*nnai*e étymologiqu* de la la**ue la*in* - histoire *es *ots. P*r*s: Kl*nc*sieck, 1985. GOME*, E. *as**o Alves: P**sia. **o de Janeiro: Ag*r, 1980. HU*CC**ON, L. Poé*ica do *ós-Mod*rnismo: história, teoria, ficção. Rio de Janeiro: Imago, 1991. KRI*TE*A, J. V. ***THES, R *t al. Concept of Inte*t**tual*t*. A*ailabl* fro*: https://ww*.researchgate.net/public*t*o*/27*771676_Tex*Texts_Julia_Kristeva'*_*onc*p*_of _In*erte*tualit* [acces*ed Oct 23 2018]. MALERBA. J. (Org.). *i*tória & N*rrat*va: a ciênci* e a a*te d* esc*ita históric*. Pe*róp*lis: Vozes, *016. MOI*ÉS, *. Dicionário de *ermos Literári*s. São Paulo, Cu**rix, 1974. ___ PAES, *. P. (Org.) Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira. **o Paulo: Cultrix, 1980. PLATÃO. * Repú*li*a. Introdu*ão, tradução e no*as de Maria H*lena da Rocha *ereira. Lisboa: Calouste Gulb*nkian, 19*9. SAU*SURE, F. Cours de Linguis*ique Générale. **blié par C*arl** Bally et Al**rt Sechehaye. Paris: *ayot, Cinquè*e édi*ion, 1*62. Co*o Referencia* e*t* Art*go, c*nforme ABNT: SI*VA, A. C. A* Fronteira* da Verdade em "* Navio N*greiro". Rev. FSA, T*resin*, *.15, n.6, art. 12, p. 209-224, nov./dez. **18. *ev. FSA, T*re*ina PI, *. 15, n. 6, art. 12, p. 209-224, no*./dez. 2018 www4.fsanet.com.*r/re*ista *. C. Silva *24 Contribuição dos Auto*es *. C. *i*va 1) concepção e planejamento. X 2) aná*ise e *n*erpreta*ão do* dados. X 3) elaboração *o rascu*ho ou na revisão críti*a *o c**teúdo. X 4) *articipação *a aprovação da ve**ão final do manusc**t*. X Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 6, art. 12, p. 209-224, *ov./dez. 2018 *ww4.fsanet.com.*r/revista

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