www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017 IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983 *ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2017.14.1.6 Sertão/Açudes no Imaginário *ocial e *s Políticas de Desenvolvimento *e*ente no No*de*te Out**ck/Dams in the S**ial Imagina*y and Recent *evel*p*ent Polic*es in the Nort**ast M*rcos Viní*ius *ereir* O*iveira *outorando em Sociol*gi* pela Universid*** Federal d* Ceará Mestre em *ntropolo*ia e Arqueol*gia pela Univers*da*e Federal do Pia*í E-mail: ma*ki*_the@hotm**l.com Ro*em*ry Negreiro* d* *raújo Do*torado em Geogra*i* pela Univ*rsidade Fed*ral do Ceará Mestr* em E*ucação pela U*ive*si*ade C*tólica de *ra*í*ia Profes*ora *a Universidad* Federal do Tocantins E-mail: ros*araujo@uft.edu.b* L*a *a*va*ho Ro*rig**s Pós-Doutorado p*l* Cent*o de Invest*gacione* * E*túdios em Antropolog Do*tora e* C*ências So**a*s pe*a Univer*idade Esta**al de Cam*inas Pr*fessora d* Univ*rsidade F*deral do *eará E-*ail: leauf*@*mail.com J*sé Levi Furtad* Sam*a*o Pós-Doutorado em Ge*g*afia pe*a Unive**idade *ederal da Bahia Douto* em Geo**afia Humana pela Univers*dade de S*o Paulo Professor da Univ*rsida*e *ederal do *eará Emai*: lev*u*c@gm*il.com Endere*o: Marcos Vinícius Per*ira Olive*ra E*d*reço: R*a Tiradentes, 641, Rod*lfo Teófil*, CE*: *0430-56*, Forta*eza/CE.. *n*ereç*: Rosemary Negreir*s de *raújo Endereço: *epartamento de S*r**ço *ocial, Cam*us de Mirace*a/TO, *venida Dona *ourdes S/N, S*tor Editor Científico: Tonny *er*ey *e Alencar Rodrigues Artigo r*cebid* em 1*/10/2016. Última versão rece*ida em 06/11/*016. *provado e* 07/11/2016.
Universitário, 7765*-000 Mirac**a/TO. Avaliado pelo sistema Tri*l* *ev*ew: Desk R**iew *) En*e**ço: Léa Car*alho R*drigues *elo Editor-C*e*e; e b) Dou*le Blind Review Endereço: *e*t*o de Humanid*des / Departamen*o ** (a*a**ação cega por *ois avaliadores d* ár*a). Ciê*cias Soc*ais, Área d* Antrop*logia. Av. da Universidade, 2995 - Benfica, **020181 - Fortale*a/CE. Revisão: Gramatical, N*r*ativa e d* Formataç*o *n*ereço: José Levi Furtado Sampa*o Endere*o: *niversidade Federa* do Cear*, C*ntro de Ciências, Departa*ent* de Geograf*a, C*mpus do Pic* - Bloco 911, 6*455-760 - *o*ta**za, C* - B*a**l.
M. V. P. Ol*vei*a, *. *. Ara*jo, L. *. R*drig*es, J. L. *. Sampaio 13* R**UMO O pr*sente *rabalh* *r*ta do imagi*ário de sertão construíd* historicamente pela relação sert*o/açudes no Nordeste, no âmbi*o das políticas públicas realiza*as pel* Departamento Nacion*l de Obras *ont*a as Se*a* - DNOC*, as chamadas "políticas ** açu*agem", além d* outros senti*os e representações. Sentidos estes pr**uzidos e comparti*hados sobre açudes n* senti*o geo-simbólico de *ma territorialidade constru*da hist*ric*mente na relação seca/á*ua/açud*s/sertão. Tr*ta-se de uma *náli*e doc*menta*/bibliográfica de inte*pretação dos senti*os *roduzidos so*re açudes, esta forte *vidência ma*erial da paisa*em nordestina. * categoria sertão é **tendida como *epresentaçã* simbólica, não se rest*i*gindo * u* espaço geográfico, em*ora tendo * região semi-árida *ord*s**na como referên*ia. Ass*m, no âmbit* de um pr*jeto desenvolvimenti*ta *e*ent*, o conceit* dedes-reterrito*ia*izaç*o apresenta-*e c*mo es*encial p*ra *ntendimento do **ocesso, n* *mago de um ideá*i* moderno, no *ual *çu**s e barragens se i*s*rem no contexto de confli*os e tensões. *alavras-chav*: Polític*s de Açudag*m. I*agi*ário. S*rtão. Des-rete*ritor*alização. Nordeste. *BSTR*CT *his *ork deals wi*h the im*gina*y *f the outbac* h*st*r*call* construc*ed by the r*lation *etween ou*back/dams in the Northe*st, within t*e scope o* the public policies ca**ied out by th* Nationa* Department of Works Againts Drough*-DNOCS, the s* - calle* "*am* policies", besi*es othe* **nses a*d repres*ntations. These se*ses a*e *roduce* a*d s*are* over *e*ervoirs in the geo-symbolic sens* of a territori**ity built histor*cally in the *ela*ion be**e*n drought / w*ter / dams / o*tback. It is a doc*me*tary / bibliographic analy*is o* t he int*rpretation *f the sense* *roduce* on dams, t*is str*ng material evidence of the Nor*heast **ndscape. The *utbac* c***g*r* is un*e*stood *s a symbolic *epr*se**ation, not r*stricted to a geographical are*, al*ho*gh the semi-arid region of the *ortheast is * reference. Thus, in the *o*te*t of * recent dev*lo*men*a* *roject, the con*e*t of de-reterritoria*ization is essentia* fo* u*dersta*din* the proce**, at *h* heart of mo*e*n ideology, in whic* dam* *** *eirs ar* a inserted in the conte*t of conflicts and tensions. Keywords: D**s policies. **a*inary. O*tback. De-*et*rri*o**aliza*i*n. North**st. Rev. FSA, T*resina, v. 14, n. 1, art. 6, p. 12*-148, jan./fev. **17 *w*4.fs*net.com.br/revista *ertão/Açu*es no *maginário S**ial e as Polí*icas de Dese*volviment* Rec*nt* n* No*deste 131 1. INTR**U*ÃO Este artigo *b**da o tem* das p*lít*cas púb*icas ** a*udagem no N**deste **e marca com grande po*er de in*er*elação o i*aginário de ser*ão pela rel*ção seca/águ*/a*ud*s, al*m da disc*ssão *eórica sobre **o**ssos de *es-reterritorial*zação (*AES*AERT COSTA, *995) em *e*po* *ecen*es no Nordeste. A prese*ça d* açudes na vida *e *ord*stin** não é algo f*rtuit*. *s açu**s como ev*d*nc*a *aterial fazem parte *a paisagem norde**i*a e re*ra*am a *on*ição sertan*ja *e e*casse* e ab***ância. A p*isagem da r*giã* é fortemente marcada por essa presença, seja no *lano *aterial, como no plano da repr*sentação como um dos s*gnos do sertão. Inúmer*s açudes *oram construídos *el* *stado b*a*ileir*, desde 1*09 na pau*a d* p*l*tica* pública* vol*a*as ao *ombate as secas q*e atingiam a re*ião s**iári** n*rde**ina. Ten*o * Depart*mento Nacional d* Ob*as C*nt*a as S*ca* - DNOCS sido o órgão instituciona* res**n*ável pela const*u*ão de inúm**os açudes que hoj* encontram-s* espalhados pel* *ertão d* No*d*ste.E* tempos *ec*n*es a con*trução de açudes e *arrage**, assim c**o out*as obras de *n*ra-estru*urainsere*-se na polí*ic* relacion*da ao pro*esso *e *n*egração *a economia *orde*tina, à nacional (ARAÚJO, 1997; ME*DES, 2003), a pa*ti* do q*al o *ordeste p*ssa a s*r ins*rido na lógica nacional de produçã*. E*sa política d* desenvolviment* tem im**icad* conflitos tens*es n* regiã* *m meio processos d* des- * a reter**torializaç*o. Nessa dir*ção, faz-se nece*s*rio compree*der *s **ntidos p*esentes no imagin*rio da rela*ão se*tã*/sec*; água/açudes n* Nor**ste, *lém dos process*s de des- *eter*itori*l**ação na região que implica uma série de cons*quências * uma dive*sida*e de grupo* e*vol*os a estes *mpreen*im*ntos **ver*amentais. Ne*te tr*ba**o, esta *o*sibilida*e g*nha corpo com interesse dos autores, estudios** d*ssas temá*i*as. Tr*ta-se de uma análise *extual de nat*reza *u*lit**i*a (GOLDENBERG, 20**), um *rabalho d* *a*e d*c*mental e *ibl*o*ráf*ca pa*a interp*etar o* sentidos das prática* e discursos, so*re açude* e barragens n* Nordeste. * grande o *úmero d* *rabalhos que tr*tam *a problemá*ica da seca e das p*líticas púb*icas r**lizadas pelo DNOCS, focalizando temas como desenvolvi**nto r*gio*al, q*estão agrária, dentre outros. *o enta*to, esta proposta é inovadora por tra*ar a *em*tic* pel* prisma d*s imagens, prátic** e dis***sos sob*e açudes pres**te* no imaginár*o, em sua rela*ão com sertão, se*a no que tange às *olíticas d* açud*gem realizada* pelo DNOC*, sej* a outras exp*riências m*is recentes, e si*nificad*s. Re*. FSA, Teresina PI, v. 14, n. *, art. 6, p. 1*9-1**, ja*./fev. 201* ww*4.fsanet.com.b*/rev*sta M. V. P. Oliveira, R. N. **aújo, L. C. Rodrigues, J. L. *. Sa*paio 132 2. REFERENCIAL T*ÓRICO *.1 Açude/s*rt*o e a construçã* de *m imaginário Historicamente, de*tre as *acr*r*egiõ** geogr*f*ca* do país, o sem**rido do Nordeste bras*le*ro, constitui-se como o *u* possui mais fortes co**r*s*es sociai*, *conôm*cos, culturais * ec*lógicos. *s contradi*ões e *ragilidades que marcam a vida neste território têm na e*ti*gem u* dos pr*n*ipais fe*ôm*nos da natureza qu* acentu** os problemas soc*a*s da re*ião, levando-a * apresenta* os mai* elevado* índices de pobrez* (BUR*T*; AG*IAR, 2011). Nes*a *ireção, o *emiárido foi classif*cado e delimitado dentr* de *ma d*vi*ão geoespa*ial do Ins*itut* Brasileiro de Geogra*ia e *statística - IBGE, as*oc*ado a sub- r*gi*o denominada sertão. Entre*anto, p*demos afirmar de início, nos parcos *imites deste t*a*al*o que "sertão" como *le*ento geoe*pa*ial atribuído * regi** N**deste do Brasil está direta*ente ligada a um *iscurso estratégico que é cons*ru*do histo*icamente privilegiando o discu*so da se*a e s*us desd**ram*ntos com* u* fator n*tu*al. A*sim, esse di*curso a*s*me *m se*tido ideológico *ue avança e se tr*nsforma em verdadeira ide*l*gia. * seca de*xa d* ser u* fenômen* essenci*l*ente climático e passa a ser um pr*ce*s* de c*nstrução socio*ultural cuja* fr*n*ei*as p*lít**as * naturais *ão d*terminadas por for*as políticas que constr**m geograf*camente seus e*paç** *e poder (S*MP*IO, 1999). O Sertão é co*struíd* no imaginá*io s*cia* no *mbito d*sses *iscursos. E é pelo d*scurso essencialme*te clim*tico q*e ele é apresentado. Em *al problemática, da seca, se in*erem as po*íticas de constru*ão de açudes n* Nor*est* que *arcam com g**nde poder de in*erpelação, o imaginário *a relação s**a/ág*a/açudes/*arragens. É *es*a persp*ctiva q*e açude se torna um el*mento axial par* se pen*a* *im*oli*amen** sertão. Os açudes* con**ituem uma forte evidência materiais *aracterística da p*isagem físi*a e imagina*iva do nordes*e *rasileir*, retr**a a con*i*ão ser*aneja de estiagem e sang*i* e ****ntra-*e espalhado pela re*ião sem*-ár*da do Nordeste. Algu*s são *e *xtrema importância para * pr*dução e r*nt**ili*ade na agricultura, pecu*ria, p*s*icultura, etc. Outros 1 *onstr*ção d* terra, pedra, *i*en** etc, d*sti*ada a represar águas, a fim de que sejam u*adas, *a geração de
f*rça, na *gricultura ou ** ab*stecimento; ba*ragem, represa; l*go que se forma por represam*nto. E**mologicamente, próprio nome *ç*de d*riva d* verbo árabe ár-sadd (fech*r) (HOUAISS, *001). Civilizações c**o a egípcia * a mesopotâmica, dentre outras, já util*zavam técnicas de barrame*tos, cuja engenharia deu-*e na França, em meados do *éculo *IX (BEZERRA et *l, *0**). *ev. F*A, Te*esina, v. 1*, n. 1, art. 6, p. 129-148, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/rev*st*
Sertão/Açudes no Imagi*ár*o Social e as Políticas de Des**volvim**** R*cente *o *ord*ste 133 contr**uem de for*a diret* na rela*ão *e homens e mulh*res com seu meio, seja na d*mensã* es*ética, embelezan*o a paisa*e*, seja c*mo única fonte d* água para usos diversos. Pode-se dizer *ue os *çude* ajuda* a co*por a paisag*m dessa r*gi*o, o que nos leva a afir*ar que no plano da represe*taç**, está presen*e na *iter*tu*a (*o*ret*d* a que tematiz* a seca), na poes** popul*r, na **sica dita re*ional, com* a música de Luiz *onzaga, *o cine*a, enfim, no imaginário socia* (C**TORIADIS, *986; LE*ROS et al., *007) c*m* um dos signos do sertão norde*ti**. *.2 Açude como territó*io: um lugar de águas d* s*rtão Se a *olític* de açu*a**m n* Nordest* vincul*-se intimamen*e ao f***meno na*ural das secas, os pr*mórdios *os barramentos *êm do i*í**o da colonização *rasil*i*a pelos portugu*ses, sen*o históri* do açude no Nordes*e tão antiga como de sua colo*ização a a pelos portuguese* (MOLLE, 1994). A col*nizaçã* dos ser*ões *rasileiros, em *spec*a*, do que se *onhece como sertão no*d*stino, i*icia-*e n* século XVII (PRAD* JR., 1945; D´ALMEIDA, 19*2; ABRE*, 1982; AND*AD*, 1986, 1999; RIBEIRO, 1998), *om a ativ*dade *g*ícola se*do con*emp*rânea do desbravament* d* in*erior e co* uma a*ricul*ura à sombra dos currais. O *or*este brasil*i*o é hi*torica*en*e ap*esentado por uma te*ritorialidade de*inida em grand*s sub-regiões: Zon* da Mata, Agrest* e *ertão (RIBEIRO, 1*98). Entretan*o, um *os aspecto* fund**entais da territorialid*de humana é *ua mul**plic*dade de expres*ões que redund*m em amplos tipos de territórios2, *ada um com suas p*rticularidades socioculturais ou "cosmogra**as" c**o afirma Paul Little (20*2). 2 **rrit*rio é um termo polissêmico e porquanto não pode ser visto apenas na pe*sp*c*iva *e um domínio ju*í*ico-polít*co e*truturado, mas também como apropr*ação de uma dimensão simbólic* de car*a *f*tiva e iden*it*ria. No sentido ecol*gico, refere * *rea ocup*d* por um anim*l ou p** grupo de animais, a qu*l * defendida contra invasã* de o*tros indivíduos da mesma o* de ou*ra espé*ie. No ca*po da ciência geográfica, um arsenal de categorias para referir ter*itório, em conjunto *om outr*s c*tegor*a* *fi*s co*o espaço vital, paisagem, região, es*aço f*ncional, es*aço *oc*a*, dentre outros que são instru*ent*s *nt*lect**is *esta ciência. (*ORAE*, *000). Ali*s, "(...) geógra*os, *ecent*mente, também filósofo* e**ão estabelecend* um c*ntraste en*re as noções de espaço e de *ug*r. E*paço aponta para um mei* (medium) ho*ogêneo, vaz*o, infinito, no qual corpos se mov*ment*m inte*age* e no sentido e**abeleci*o pe*a física newto*iana. Essa noção *e espaço está *ambém s*bjacent* *o planeja*ento que trata a base *ater*al *a *ida s*ci*l como umasuperfí*ie desp**vida*e carac**rísticas perma*en*es, e *ue *ode s*r ap*gad* (com trato*es) e *efeita a parti* de u* plano concebi*o e* pranchetas. Já a *oção de lu*ar, à qual a idé*a *e território é *fim, aponta para uma *oção s*gundo a qual o mu*do é finito, heterogê**o, e form*do po* *anchas car*egad*s de *ifere*ças imprim*das *ela* pessoas. Assim, há lug*r*s sa*rad**, luga*es *a in*ância, luga*es d* memór** nacio*al, lugares q*e cons*ruím*s, * *ue não são substi***veis. *s geógraf** contribuí*am para a reabilita*ão do e*fo*u* de luga* e **rritório * com a crít*ca ao plane*amento espacial. Essa contri*uição *e incorpo** hoje n* so*iologia e na antrop*logi*, e tam*ém sofreu por *ua *ez a influência de *ociólogos (como Le**bvre) e filósofos (co*o Gaston *achel*rd e Merle*u-Ponty)" (MORAES, 2*00, p. 146. Itálico* *o original). Rev. *SA, Te*e**na P*, v. *4, *. *, art. *, p. 12*-**8, jan./fev. 2017 www*.fsanet.com.br/revista M. V. *. *liveira, R. N. Araú*o, L. C. Rodrigue*, J. L. F. Sampa*o 134 Co*mografia in*lui o regime de proprieda*e dos grupos, o* *ínculos afetivos quee*tes mantêm com seu territ*rio **pecífi*o, "a hi s t ór i a da s u a oc*pação guardada na memór*a coletiva" (LITT*E, 20*2, p. 3). Ass*m, cosmografia a*o**a para memór*a coletiva (HALBWACHS, *990) do grupo, ou seja, uma territorialidade constr*í*a no plano simbó*ico, pela memó**a *oc*al, si**ada historicamente, o* nã*. Dessa forma, a memória de aç*des c*mo lugares d* água po*s*bilita apreender a construçã* po*ifônica de se*ti*o* de territ*rios. Nesta di**ção, te**i*orialidades *odem ser vistas como cons*r*ída* no pla** material e simbólico, através d* que *albwa*hs (19*0) deno**n* memória coletiva. Para o autor, memória* i*dividuai* imbri*a*-se com a c*n*trução so*ial do grupo. *embrança* do passad* são construídas na me*óri* ***etiva. Já *onnerton (199*) des*ac* a memória-hábito como *endo a **pacidade que cada pessoa tem *ara reproduzir determin**a ação s*m a nece**i*a*e de recordar *omo e qua*do adq*i*iu *a* saber, ou **ja, ela é constru*da *a prátic*, sendo ela individual ou cole*iva, * que di*l*ga *om os conceitos d* h*bitus (BOUR*IEU, 1994) e de e**eriênc*a (THOMPS**, *981). A noção de *a**tus **pri*e, sobretudo, "a rec*sa * toda uma sér*e de alternati*as nas quais a ciência soci** se ence*r*u da *on*ciência (ou do sujeito) e do inc*nsciente, do a a finalismo e do mec*n*cismo" (BOU*DIEU, 2000, p. *0). Tal noção per*ite romper c** o paradigma est*uturalista, sem c*ir *a fil*sofia do sujeito ou da consciê*c*a. O habitus é um conhecimento adquirid*, uma di*posição incor*o**da, mas de um age*te *m ação, **i* é uma prát*ca cumul*tiva de tod* o conju**o do* s*beres e do sab*r-fa*er *cumulados em todos ** atos do conhecime*to, no passado e no *resente (BOUR*IEU, 200*). Po*tanto, o habi * us co*figura-se como ma*ri* de percepção e apreensão que *e dá por *eio da prática social. Ele é estruturante e est*ut*ra*o, pois da mesma forma que direciona escolha* e injeta có*igos si**ólicos nos indivíduos, tam*ém * modificado na *r*tica *oc*al pela aç*o dos ag*ntes. Assim, a c*n*trução de **udes *omo um luga* de águas do *e*tão é a*enc*ada por meio dess* prática so*ial de um hab*tus *ue é estruturante e estruturado. Nesse di*log*, experiência refere-se a "experiência humana", *a qual hom*n* e mulher*s *etornam *esta experiê*cia, também **nstruíd* n* prát*ca social, "não *omo sujeitos *utônomo*, "indivíduos livres", mas como *ndivíduos que exp*rim*nt*m situações e estabe*ecem re*aç*es *ro*utivas determinadas como ne*e*si*ades e in*eresses, e como antagon*smo*, e em *e*uida "tratam" e*sa *xperiên*ia em su* *onsciên*i* e sua cultur*" (THOMPSON, 1981, p. 182). As**m, podemos ta*bém aprender s*bre aç*des/*ertão, pois esse imaginári* s*cial d*s aç*des no sertão r*vel* essa prática *ocial **nst*u*** hist*ric*m*nte e *genciada pelo Est*do atr*vés das políticas públicas de açudagem; além *e Rev. *SA, *eresina, v. 14, n. 1, a*t. 6, p. 129-*48, jan./f*v. 20*7 w*w4.fsanet.com.br/revi*ta Ser*ão/Açudes no Imaginário Social e as Polí*icas de Desenvolvimento Recen*e no N**deste 135 uma diversidade de di*cursos atribuídos a esse território, ou seja, uma con*trução histór*ca e in*enç*o sim**li*a fo**ulada ta*bém por in*electuais que criaram imagens e construíram esse Sertão *o plano simbó**co e c*nceitual a par*ir de suas obras. Percursos e inter*retaç**s que esse t*rrit*rio re**beu e *ecebe. Desenhos pro*etados e imag*nados de diferentes formas. 2.3 ***des, como pol**ica de Estado Como dito, os a*u*es, ger*lmente e* re*iões de secas, são conceb*dos como lugares de abundância de *guas. Esta *vidê**ia pode ser iden*ificada na memória social, pois s*o tidos com* lugares de águas do *ertão, o que remo*ta * *empos antigos. * como parte do process* de com*reen*ão da s*mbologia dos açudes, val* l*mbrar que a política d* construção de açudes no Norde*te, * qual se cons*ituiu n* centro das iniciati*as **opugnada* pe*a chamada "s*lução *idráulica", institui um per*o*o, n* histó*ia *o Brasil, da p*lítica de combate **s ef*i*os da seca, q*e ma*cara com gra*de poder de interpela*ão, o *maginário (CA*TORIA*I*, 1986; LEGROS, 2007) de se*tão, *ela relação seca/água/açudes. R*ssal*e-s* que a ênf*se desta pol*tica era dada à* ob*as d* engenhari*, vi*a*do à a*umulação de água (DOMINGOS, 19*3). A*esa* de oc*r*erem se*as no Nordes*e desde o d*scobrim*n*o, seu imens* *erritório con*rastava com a baixa *ensidade p*pul**ional do sertão, nos sécul*s, XVI e XV** não despe*t*nd* por par*e *a me*rópole maiores *reocupações (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 198*). Alé* de a área ser pouco povo***, e as *omun*cações muito le*t*s (A*DRADE, 1986). No império, a seca de 1877-1879 marca * i*ício da política das águas e *e cogita pel* prim*ira *ez, em adotar medidas defi*itiva* para *ombater *s efei*os das esti*gen* (*ARNE*RO, 2000)*. C*m N*l* Peçan*a (190*-1910), *á na república, é criada * *nspet*r*a de Obras Con*ra as Sec*s - IOCS, órgão *e atividad* permanente4. Assim, a polít*ca de co*bat* às secas *assou *e e*ergencia* para uma ativid*de ininterrupta (MEDE*ROS F*LHO; SOU*A, 1984). Contudo, o* recursos para executar o* planos **cava* aqu*m das 3 Para Aldo d* *. Rebouças o início da açudagem n* Norde*t* semiárido iniciara um p**co antes já co* as secas
de 1825, 1827 e 1830 (REBOUÇAS, 1997). 4 E*te órgão fo* *irigido inici*lm**te pelo engenhei*o Miguel Arroj*d* Ri*ei** Li*boa q*e tr*uxe *ários e*peci**istas da L*l*nd *tanford Junio* Un*ver*ity, Califórn*a, e liderou uma grande equ*pe de técnic*s que p*rcorreram o* s*rtões d* Nordeste para est*d*r a flora e descobrir *o*ueirõe* e gargant*s de serra *nde a **pla*ta*ão d* a**des e barragens re*resaria as águas c*ídas nos bons *nverno* (FILHO e SOU**, 1984). Rev. FSA, Teresina PI, v. 1*, n. 1, ar*. 6, p. 12*-148, ja*./fev. 2*17 www4.fsanet.com.b*/r*vista
M. V. P. Oli**ira, R. N. Araú*o, L. *. Rodrigues, J. L. *. Sam*a*o 13* *ecess*dades, na situação de estrutura d* poder nacion*l com h*g*m*nia política do *ent**- Su* (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 1984).5 Na Re*ública Velha, com * nordestino Epi**cio Pe*soa, a IOCS co*to* com grandes re*urso* e passo* a chamar-se Inspe*or*a Federal de Ob*as Co**ra a* Secas (IF*CS) em 1919 (*EDEI**S FI*HO; SOUZA, 1984). No *esmo ano, a Lei n. *.*65 regulam*ntou a construção de obras par* irrig*çã*, medi*nte um caix* esp*cial. O novo p*ano visava a *onstrução mais ou *enos sim*ltâne* de **ze grandes açude* de **vena*ia ciclópica e ** vinte açudes *e pequeno porte (MEDEI*OS FIL*O; SOUZA, 1*84)6. Na décad* de 1940, a I*OCS trans*orma-se no De*arta*en*o nac*onal de *bra* *ont*a *s S*cas- DNOCS *or d*creto em 1945 (*EDEIROS FILHO; SOUZA, 1984). Nos anos 1950, no*as se*as: em 1951, 1953 e 1958. Nesta, o No*des** *á possuía 6,7 m*lhões de metros cúbicos de água reunidos em mais de 200 açude* barragens p*blic*s. e Ma*, r*pe*iram-se tragéd*as anterio*es: fom*, *iséri*, morte *e reb*nhos, emigração em massa, et*, o que *uscitou * *uestionamento da pol*tica *e combate a* se*as implantada pelo IF*CS, atual DNOC* (MED*IROS *ILHO; SOUZA, 1984). Va*e *embrar que desde a cri*ção d* IFOCS, até 19*8, os açudes pú**icos eram construídos pre**min*ntemente d*ntr* de fazen*a dos coron*is7. A água acum*l*da aten*ia *m primeiro lug*r ao* se*s *nt*resses e só *osterior*en*e po* um ato *e "b*n*volência" ou favor, ficava ao alcance d*s p**ula*õ*s camponesas nec*ssitadas (*EDEIRO* FILHO; SOUZA, 1984; MARTINS, et al, 2003). Ao mesmo t*mpo, a política de aç*dagem, responsáve* pela const*u*ão d* v*rios açudes esp**had*s p*lo s*rtão nordest*no, r*aliza, t**bém, a co**t*ução de pequenos açudes em cooperação com governos e**aduais, mun*cipa*s e part*culares (MEDEI*OS FILHO; S*UZ*, 198*; *ARTINS, e* al, 2003). A **nstrução destas obras era ma*cada também por co*dições de trabalho b*sta*t* sofrida* e penosas. É enfatizado o traba**o *anual *as ch**adas fren*es de *erviço onde 5 Me*** as*im, com a *ec* de 191*, foi iniciada a *onst**ção dos a*udes: Anajás, Ri*cho ** san*u*, Pat*s,
Parazinho, Velame, Caio Prado, Gua*uba, *aú, *ár*ea da vo**a, **l*ngu, Arapuá, 25 de M*rço, Pessoa, Saco, B*d***n*ó, *ajazei*as e Ser*a dos Cavalos, na reg*ão semi-árida *o N*rdeste. 6 Para execução do plano f*i preciso importar m*quinas e matéri* p*im*, pois nessa ép*ca, o Brasil não fab*icava ainda *iment*. Foram fir**dos contratos *o* empr*sas *nglesas e n**t*-americanas *ue trabalh*ram *o* aç*des Acara**, Quixer*mobim, Po*o d*s Paus e Orós n* Ceará; no *io G*and* do Norte, *rabalharam nos açudes Ga*galheiras * Parelhas; e na *ar*íba, fic*ram com a incum*ência *e cons*ru*r o* açude* São Gonç**o, Pilões * Piranhas (FI*HO e SOUZA, 1984). 7 Coronel * a m*is alta p*tente *a hier*rqu*a militar. *a cu*tura polít*ca n*rdes*i*a é u* p**so*agem *í**co d* complexa **tr*tura de poder da époc*, t*ndo como **racte*es o ma**onismo local e o cont*ole privad* dos serviç*s públicos no pe*íod* *a primeira república (LEAL, 1980). Como *em**a João Medeiros *ilho e *tamar de *ouza o DNOCS *oi uma instituição aprop**a*a e contro*ada, no âmbito *o pacto federa*ivo br*sileiro - pelas class*s patri*o*ial*stas, sobretudo, latifun*iár*os ce*renses q*e ass*m so*avam * controle da água *o da terra (FILH* e SOU*A, 1984). Rev. FSA, *e*esi*a, v. 14, n. 1, art. 6, p. *29-*48, jan./fev. 2017 w*w4.fsa**t.**m.br/revista
Sertão/*çudes no Imaginár*o Soc*al e a* Políticas de Desenvol*imen*o Recente no Nordeste 1*7 flagelados das *e*as eram ali*tad*s pelo *sta*o nos tem*os de esti*gens. Os trabalhad*res braçais desse tempo *ram c*amados de "cassac*s". Segundo Lara de Cas*ro, cassacos *r*m traba*hado*es das fr*ntes d* serviço cont*atados *os perío*os de estiagens pe*o DNO*S. O Est*do alistava-os e c*ntratava-os pa** afazeres como rec*peração de estradas vi*inai*, con*trução de barreiros, açudes, de modo a socorrê-los de forma paliativ*. Na meta*e do sécu*o *X, esses trabalhadores j* er*m apeli*ados as*im, com *s*e nome d**o a um animal f*io e fedor*n*o no Nord*ste, uma espéci* de gambá (Didelphisalb**en*ri*) (CASTRO, 2011). As **entes de servi*os eram *ma f*rma de c*ntrole social em tempos d* sec* (CAST*O, *011; M*D*IR*S FILHO; SOUZA, 19*4). Uma forma de controle da **ns*o entre af*igido* pel*s estiagens. As*im, o go*erno or*ani*ava e*sas frentes, *pr*veitando *ão *e obra a d*sponíve*. Toda e*ta d*scrição, com *lem*ntos *i*tóricos relacionados à açudag*m, não revela os pequen*s aç*des construíd*s em sítios e fazendas, sert*o a*ora, irrigando vidas, t*ajetórias8 e imagi*ários. Neste conte*t*, identidades *ão *cionadas nas *el*ções que medi*m *al*res, *í**ol*s e sent*dos d* cultura dos lugares que se hab*ta, *a interaç*o e*tre o eu e a sociedad*, **m* "*eleb*a*ão móve*" (HA*L, 1998), *orma*a e transform**a c*nt**ua*ente pelas re*açõe* e r*prese*tações nos sistemas *ulturais. *ão marcadores *dentitários prod*zidos hi*tor*cam*nte: "à medida que os sistemas de signifi*ação e representação cultural s* mult*p*icam, somos c*nfront*dos po* uma m*ltiplicid**e desconcertante e ca*biante de iden*idades p*ssíveis, com cada um* das quais poderíamos nos ide*tificar - *o *e*os tempora*iam*nte" (H*LL, 1998, pp. 14). *ssim, a rel*ç*o das populações c*m os açudes, le*a a pen*ar em identidad*s cult*ra*s *m c*nte**o* *ociais específ*cos que determi*am posi*ão dos su*e**os e orientam suas a repre*entações e escolhas, sem *ma sup*st* essência pela qual se estaria condenado a um não- devir. A id*n*idade se c*nst*ói r*const*ó* no *nterio* das relações sociais nu* pro*esso * *inâmico (CU*HE, 20*2) e é *ess* processo que a *ategoria açude int*r*ela (WOODWARD, 2000) populaçõ*s sertaneja* de forma *ú**ipla, d*vers*ficada e que pode se* narr**ivament* **nstruída, pr*ces*o através do *ual "(...) a unidade do suj*ito (...) deriva mais das crenç*s sociais" (MENDES, 20*2, *p. 520). Nesse sentido, pode-s* questionar o qu* sign*fic* sentir-*e como sujeitos *ociais em um modo de vida no **a* a *r*sença de açu*es al***nta o *orpo e a a*ma? Uma v*z que, o * A pro*ósit*, v*r Mo*aes (*003) quando aborda o tema narrativa* *e mulheres camponesas no* *errados do
sudoeste piauiense, e refere, na história de vida *e *ma n*rradora, em Uruçuí, no Piauí,a im*ortância de *m açu*e em se* tr**alho de *onstruç*o da *emó*ia, como o lu*ar *nde iniciara o **moro com o seu, en*ão, marido. Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, *. 1, art. 6, p. 12*-148, jan./fev. 2017 www4.fs*net.c*m.**/*evista
M. V. P. Oliveir*, R. N. Araúj*, L. C. Rodri*ues, J. L. F. Sa*pa*o 138 açu*e com* uma representa*ão simbólica está profu*damen*e atrel*do * su* inser*ão na *ida ma*erial de sertane*o/as. 2.4 Sert*o *omo espaço simbóli** E como conceber sertão? Não é incomum q** fal*r em sertão *em**a à divisão ge*espaci** com base no Instituto Bras*l**ro de Geog*afia e Est*tística- IB*E, *omo sendo, esta, uma sub-região do Nordes*e brasileiro caracteriz*da pe*a ausênc** *e chu*as e a presença de graves prob*emas s*ciais. Contudo, não se pode resumir se*tão a esta demarcação. *ertão é g**graficamente mais a*plo e, simbo*ic*mente, mais complexo, seja como categor*a **ial na co*struçã* d* *aci*nalidade b*asil*ira por oposição a litoral (SO*ZA, 1997; G*IL**N, 2*02), sej* como um elemento simbólico c*ntral que d**ig*a a regiã* Nordeste. De ca*egori* us*da, em Port*g*l, desde o s*c*l* XII para no*ear terras interioran** e as *olônias, o termo migra pa*a o *o Brasil, de**e * per**d* colo*ial, *om sen*i*o semelhante que se vai *ransforma*do n* a*ena socio*ultu*al (MORAES, 20*7). Permane*e vivo na rea*id*de nacional (GUILLEN, 2002) e r*gional. C**o diz. Janaina A*a*o, a categoria sertão é c*ucial pa** nordestino/as c*mo um referencial simbólico (AMADO *pud GUILL*N, 2002). **nvém lem*rar que *té pr*m**ras décadas do sé*ulo X*, ser*ão n*o referia es*e*i*icamente a Nordest*, mas to** "i*terior" do Brasil, incluindo o centro-sul e Amazônia, e*c. Também nã* exi*tia Nordeste, o q*a* som**te *a* prime*ras décadas do século XX é i*ventado, através de um moviment* sutil *ue se apro*r** d* ca*e*o*ia sertão e o inclui ao mo**men*o regi*nalista (*LBUQUERQU* JÚNIOR, *999). Ob*erva-se, aí, um mo*imento do imaginário nac*onal e re*ional*sta na atribuição *e símbolos e s*gnos a *m *eterm*nad* **paço do territ*rio naciona*. Secas e açu*es são categorias ax*ais nest* constru*ão, seja no discurs* das elites econômicas e *olí*icas, seja no d*s int*lectuais, *as *es*oa* comuns e da cultura de massa. *pós as d*cadas de 19*0 e 1930, o *ovimento re*ionalista s* consolidou e a históri*a relação litor*l/ser*ão present* no pensament* socia* bras*leiro (SOUZ*, *997) po*e ser vista *a nova op*si**o geogr*fica, eco*ômica, pol*tica e simbólic* *ordeste/sudeste - ain** hoje, comumente referida como no*te/su* - o que oc*sionou p*ofunda* in**exões *o processo de *o*st*uç** da identidade nacion*l e *a percep*ão do pov* brasilei*o. A polari*ade da Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, *an./fev. 20** www4.fsanet.com.br/*ev*sta Sertão/*çudes no *maginá*io So*ial e as Polític*s de **senv*lvi*en*o Rec**te no Nordeste 139 ide**idade nacional não se c*nstituía *ais e* *orno *as cate**ria* sertão e do litoral, como no **ício do século XX (*UIL*EN, 2*02). D* tudo isto, restringir a denominação *ertão a um e**aço geográf*co par**e n*o s** *eurístico *ara * caso em questão, poi*, s*rtão é, também, um espa** sim*ólic* *nstit*ído na a*e*a social, profundamente lig**o um* geografia imaginativa e à constru**o d* me*ória a *acio*a*, se** na litera*ur*, mús*ca, no c*ne*a, no pensa*e*to soc*al e n* cotidiano de p**te signif*cativa da p*pulação br*sileira e nos *gencia*entos entre mi*o e *ist*ria, na tessitura ficci*nal de um ima**nário que refl*** - e incide na - vida soc*al. 3. METO*OLOGIA O camin** metodoló*i*o *e*te trab*l*o desta*a-*e pela *bord*gem documental e b*bli**ráfic* de cunho qual*tativo (GOLDENBERG, 2001). Uma he*menêutica que busca sen*id*s nos discursos expr*ssos em m**eria** textuais. Tra*a-se, porta*to, d* uma aná*ise textual (S*UZA, *997) q** s* volta pa*a re*pond*r questões sob*e a relação sertão/açudes no n*rde*te. Re*istros *scritos que org*nizam sig*ifica*os. Um esfor*o de síntes* *ef*e*ão e e* torno de p*o*uçõ*s e de *m a discu*s*o na qu*l se *rocessa a construção d* que cham*mos sertão pela rel*ção sertã*/s*ca/água/açudes. No **for*o po* uma "descri*ão d*nsa" (GE*RTZ, 1989, p. 15), busc*mos como diria Geertz (1989), uma i*terpretação de in*erpretações. Nesse sentido, lembro Mills (2009) a co*side*ar o tra*alho de pesqu*sa *omo um ofício, carac*eriza*o pelo caráter artesão * *elo e*tímulo a imagin*ção sociológi*a, *o invés *e um conjunto rígi*o de *rocedimentos e o f*tichis*o do método e da técnica (MILLS, 2009). E*sa construçã* **stórica e *nve*ção simbóli*a são formuladas a pa*t** de imag*ns de a**des em es*reita rel*ção c** o im*ginário d* se**ão. Desenhos projetad*s e im*ginados desse forte e*emento i*entitá*io d* região nordestina. 4. **ÁL*SE E DISCUSSÃO 4.1 Açude/Barragem como processo de des-reterritor*alização no co*texto das políticas de *esenvolvi*ento recente no *ord*st*. Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, jan./fev. 2017 www4.fsan*t.com.br/revista M. V. P. Oliveira, R. N. Ara**o, L. C. Rodrigues, *. *. F. Sa**ai* 140 Em t*mpos recentes aç*de* e bar**ge*s se insere* no conte**o que *ode*o* c*ama* de *roces*os *a*ro-est*uturais propugnados pelo Estado *m contextos *e proje*os desenvol*imentist*s, associados ao ideário mode*no. *nclusive, Mode*nid*de é *m *er** axial pa*a o *ntendime*to do mu*do conte*porâneo. Entr*tanto, su*s implic*ç*es e reflexos *evelam bastant*s cont**dições em s*u ideár*o. É dentro desse contexto q*e *s*ão envo*tos os pro*essos de des-reterr**or*aliza*ão (*A*SBAERT COSTA, 199*). Pa*a o ent**dime*to *e proce*sos de des-re*err**orialização é nec*ssária uma re*lexã* teó**co-conceitu*l sobre o *e*a. P*ra Rogér*o H*e*baert C*sta, a des*errito*ial*zação s*ria uma das condições básicas da m*der*ização, no s*ntid* ca*i*alista. *m *ro*esso *e raci*nalização-instrumentalização que modifica o espaço e as pr*p*ias re*ações so*iais (HAESBA*RT COSTA, *995). Este processo seria expre**ão da "mo*ernida*e", correspo***n*e ao sen*ido de "munda*" como a*ordado por Lim* (2008), util*zando-se da expressão *e Gayatri*p*vak. "Mundar" significaria *rocesso, no *ual, o *ocal inserido na é lógica *esen*olv*me*tista e do "progresso" (LIMA, 2008), ambos, expre*sões da m**er*idade. Uma das ide*as mai* difundida* de soc*e*ade moderna parte d* dico*omia: soc*edad*s tr*dicionais tid** com* "at*asa*as" mar*adas *el* rep*tiçã*, frente ao "progresso d** sociedades modernas" *arcad*s pel* inovação c**stante. A*sim * p**cess* de modern*z*ç** seria *arca** pel* que *ax Weber denomin* de desenc*ntamen*o *o mundo, *u se*a, "despoj*r *e magia o mun**" (WEBER, 197*, p. *0) i*pli*ando crescente processo o de *a*io*al*zação * instrum*nta*ização de base té*nico-cie*tífica (H*EASBAERT COS*A, 199*), ou *eja, o processo de *odernização sepa** mod*fica as práticas tradicion*is * *os gr*pos inseridos nesse proc*sso * *ue implica até mes*o na modificação *e suas cosmolo*ias e visõe* de mun*o. A prá**ca social *streitamente v*ncu*ada a um mu*do s**ren**ural desses grupo* vai sen*o pa*latinam*nte in*t*umenta****da. Esse proces*o de raci*nali*a*ão e ins**ument*lização *ode ser identificado no mundo contemporâ*eo, nas c*ama*as **a*des obras, ligadas p*o*etos desenvolvimentistas. Nesta a direção, o discurso da modernidade e*fati*a*i* o plane**m*nto para * bu*ca *e *o*uções para *s problemas no mundo contemporâneo. Contudo, na pr*tica a s*l*ção para os problemas ne* sempre acont*ce, e **i*as vezes el*s se *otencializa*, *ois, o *r*jeto desenvolvi**n*i*ta nã* abarca a todos ger*ndo co*tradições e e*clu*ões, dent*e elas, d*slocament*s de pop*lações t*adicionais, desestruturação *e seu* modos de vida, *o**ficaç*o dos espaços com *mplicação no *anejo dos recursos natur*is, d*sigualdade de ac*sso *o a*arelham*nto e suporte té*nico, etc. R*v. F*A, Te*esina, v. 14, *. 1, a*t. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017 www*.fsa*et.co*.br/revi*t* Sertão/Açudes no Imaginár*o Social * as *olít*c*s de Desenvolvi*ento Rece*te no Nordeste *41 Ne*ta perspectiva, pode*os associar de*territoria*ização * reterritoriali*ação ao *once*to de ter*it*rial*zação, como pr***sso de aprop*iação * contro*e que se "ins*reve sempre num camp* de po*er, nã* *penas no s*ntid* de apropriação física, m*ter*al (atravé* d* front*ira* j*rí*ico-po*íticas, por exemp*o), *as também imateri*l e sim*ólica" (HAESBAERT COSTA, 1*95, p. *4). Territo*ializ*ção env*lve, simult*neamente, *iferente* graus de corr*spondência e intensidade. U*a dimens*o s*mbólico-cult*ral, através de *ma identidade territorial atribuída pelos gru*os sociais como forma de "co*trole simbólico" sobre o e*paço onde vivem (sendo tam*ém, portanto, um* f*rma de aprop*i**ão), e uma dimensão mais *oncreta, *e caráter políti*o-*isc**linar: o d*mín*o do espa*o pela definição de *imites ou fro*te*ras **san*o * d*s***linarização **s indi*í*uos e o uso/cont*ole dos *ecur*os aí prese*t*s (H**S*AERT COST*, 1995, p. 65). D*n*r* dess* proc*ss* de des-*eterri*oria**zaç*o, muitas vezes age**i*do **lo Estado, Aç*de*/Bar**ge**9 representam t*mbém, de certa *a*ei*a, uma *em*nis*ência da políti*a de a*udage* d* D*OC* pela qual, at* o final da década de 1950, os pr*ble*as da região No*dest* eram considerados - pelo governo *edera* - como res*ri*os aos fenômenos das se*as (*ENDES, 2003). Tal polít*ca constitui*-se de intervenções cas*ística* e *ão planejadas que se *rientavam no *e*tido *e fortalecer a *conomi* * o pod*r l*cal dos gr*nd*s pro*r*etá*io* de terras (MARTI*S, *t a*, *003), conf**me t**balhado no tóp*co anter*or**. Assim, e*bora p*dendo *er vista em termos desenvolvimentistas e na perspectiva de *çõ*s ca***terís*icas da modernidad*1*, *sta é *i*c*nscrit* a um *rojeto d* modernidade incompleto *n*e * do*inação rac*onal/burocrática, é ta**ém, a* m*smo t*mpo, m*rcada p*la dom*nação tradicional. 12 9 Hoj*, a *rópria *ógic* dos termos *çud* e ba*rag*m podem ganha* se*tid*s diferen*es, ou at* me*mo
complement*res e semelhant*s. Na primeira **tuação, é comu* que no imaginário da região Nordeste, o primeiro (açu**) represente uma estrutura m*nor, m*is *imples e c*nstruída, muita* vezes pelos *róprios usuá*ios e o segundo (barragem), repr*sente um* gran*e obra estruturante, um *mpreendiment* *overname*tal, **incipalme**e no contexto atual *igada a proj*tos d*senv*lvim*ntistas. Esta *t*i*uiç*o de *entidos dá-se, n* inter*or de um pro*esso históri*o, desde * criação de inúm*ros aç**es por parte do Estado bras**ei*o, no âmb*to *as pol*ticas de açudagem rea*izadas pelo DNOCS, como u*a da* cham*das med*das de combate às secas qu* at*n*i*m a região do semi-árido nordestino, a*é as p*l*ticas ma*s atu*is na região ligadas * projet*s desenvolvimentist*s. *o p**to de vis*a técnico, os t*rmos açudes e bar**gens são entrelaç**o* e complementares. Açude é construção d* terra, pedr*, cimento etc, de*tinada a repres*r á*uas fim de s*rem a usa*as na g*ração de *n**gia, *a agricultura, ou n* aba*tecimento. Barr**em ou represa é um lago que s* for** *or rep*e*amento. Em muitos ca*os os t*rmos a*udes e barragens se confundem no imaginário dos grupos e0nvoltos a est** políticas e são tr*t*dos também *omo termos equi*al*nte*. 1 A*ualmente as *olíticas *overname*tais e a pró*ria l*gica instituci*nal do DNOCS têm buscado desde o início da dé*ad* de 9* novas soluções no *mbi** da a*ticulação de a*ões e *olíticas de con*ivênc*a com o semiárido, em cont**posi*ão a no*ão de "comb*te a s*ca".Deve-*e respeitar a natureza e ** parti*ularidades do semiá*ido. Par* isso, * necess*rio que seja desconstruído o conc*ito negativo de semiár*do e *e con*trua um mai* adequ*do, p1riorizando a con*ivência. 1 Esse id**rio ***erno diretamente ligado as política* desenvolvime*tistas tem *ido o*jeto de estudo de di*ersas pe*quisas nas *l*ima* déca*as, principalment* qu*ndo se *rata da problemática *os desl*camen*os *e popu*ações envolvid*s *ireta * indiret*mente *or grandes pro*etos, o qu* *em o*asionado uma serie de *mplicações e Rev. *SA, Teresi** PI, v. 1*, n. 1, art. 6, *. *29-1*8, ja*./fev. 2017 ww**.fsanet.*om.br/rev**ta
M. V. P. *livei**, R. N. Araújo, *. C. Rodrigues, J. *. F. Sampaio *42 De **to, inúmeros *ç*d*s for*m co*struídos na pauta d* problemática da s*ca no Nordeste, e *os últimos anos grandes projetos ligados a p*l*tica de distribuição d* á*ua, desenvolvimento regional, além da *uest*o **erg*t*c* te* si*o r*sponsável pela const*u*ão *e inú*eras barragens neste espaço. O Estado s* ap*esenta, assim, como principal agent* desse pr**esso de terri**rializaçã*. E*tretan*o, territor*ali*ação não pod* ser pens*do co** uma via de m*o únic*. Apesar d* gere*ci*do ex*erna*ente pelo e*tado, ess* *roces*o também ref*rça id*n*idades étnicas indi*id*alizad*s (OLIV*IRA, 1999), inst*t*indo-se territor**li*a*es. Ness* se*t*do, terri*orialidades são defi*idas pelo confl**o *ren** a* apa*elho d* Estado-**ção13, pois apesar da ide*a de nação com* al*o homogêneo, e da sua consti*uição pol*ti*a e territor*al, *erm*necem o* confl*tos entre as fronteir*s do* sis*emas so*iais * culturais *ifer**tes. O E*tado-na*ão ao s* apro*i*ar do gran*e c*pital p*ocura h*mogeneizar comunidades tradicion*i* qu* *m *eação * ação do *stado e bu*cando manter seus modos de viver, constr*em "territor*a*i*ade* especifi*as" (ALMEI**, 2008). Inclusive, é nesse context* que Alfre*o W*gner de Al*eida afirma que te*ri*o*ia*idades espe*íf**a* são construída* frente ao *onflito p*r grupos que se veem *m*açados f**nte *ções ex*ernas. *es*e **ntid*, em inúmeros casos, a noção **rre*te ligada a "terra de c*m*m" é *cionada c*mo um forte *l*mento de identidade, indi*sociáv*l do território ocupado e de regras *e apro*riação bem específicas (*L*EID*, 2008). A noção de "t*rra de comum" está l*gada ao si*tema de **o comum da te*ra (AL*EI*A, 2008; LITTLE, 20*2). Sistemas fundado* h*stori*amente no processo de de*agregação e *ecadência das pl*n*a*ions alg**oeiras e de c*na-de-açúcar, situaçõe* onde os própr*os p*opriet*rios ent*egaram, do*ram *u ab*n*onaram *ua* terras em *ace da crise. A* for*as de uso com*m s*o contra*i*õe* do próprio *esenvolvi*e*to do capitalismo e são es*encia*s pa*a con*trução de identidades **p*cíficas e a formação *e *es*st*ncias perante ações *xte*nas (ALMEIDA, 2008). Os siste*a* de uso comum tor*a*am-se e*senciais para estreitar vínculos e f*rjar um* coe*ão capaz, de certo modo, d* *a**nt*r o livre acesso à terra **ente a *utro* grupos *ocia*s mai* pode*osos e cir*unstancialme*te afastados (ALMEIDA, 2008, *. 1 * 5 ). mudanças nos modo* de vida desses grupo*, inclus*ve com * cheg*da *e difere*te* a*ores nesse* te*r*tórios. A p*r*p*sito, as pesquisas em andament* dos au**res dest* trabalho tratam d**e*amente de**a *ue*tão.
1 13 Sobre os tipos i*ea*s de *ominação ver *e**r (*972). Eric Wol* *az uma e*p*cie de "reconstrução" h*stórica desse proces*o d* su*gimento *a n*ção * exami*a *omo
a for*ação *e uma nação reúne p*pulaçõe* cu*turalmente d*ve*sas pla*mando pau*atinam*nte sua *nte*ração numa estrutura ma*or por mei* da prolifer*ção de padrões cu*turais *a** homogê*eos (WOLF, 2003). ***. FS*, Te*esina, v. 14, n. 1, ar*. 6, p. 1*9-1*8, jan./fev. 2017 www4.fsa*et.com.br/revista
Ser*ão/Açudes no Im*gi*ário Socia* e as Política* de Desenvolv*me*to Recente no N*rd*ste 143 * * d*ntro dessa lógica que *as últim*s dé*a**s no Brasil, inclusive no Norde*te, t*m s*rgido uma s*rie de denominaçõe* específicas atrel*das ao sistema de uso co*um: "terras de preto", "terr*s d* san*o", "terras de parentes", "terras *e ausente", "terras de irmandad*", "terras de heranç*", *tc (ALMEIDA, 2008), ***o reforço de uma identidade específi*a e instrumento de luta frente a desest*uturação de seus *odos de vida *m c*nse*uência de pol*ticas desenvolvime*tistas e das gr**des ob*a* *igadas a esse **o*es**. Nesse sentido, pod*mos citar os casos *e*ent*s de *o*ulaç*es locais atingidas *o* barr*ge*s em *azão de co*apsos e/ou co*strução de*ses empreendiment*s. De*sa forma, o m*smo pro*esso de deste*rito*i*lização que pro*oca a *esestruturação de modos de *i*a locais também te* ampliado o nível d* organi*ação pol****a d*sses g**pos c*m a part*cipação e en*ajamento deste* em *e*es, de d*fesa * v*loriza*ão do te*r*tório. U*a territ*ri*lida*e q*e se proc*ssa agr*gando novos *lementos no **n*ido d* uma organizaç*o p*l*tica * no sen**do de artic*lação em *ed* nas mobiliza*õ*s e* b*sca de d*reit*s. D*ssa forma, *o mesmo modo q** g***os dom*nantes, m*i*** vezes mediado* pelo Estado, for*ulam estratég*as de *ierar*uizaçã*, ou comple*e*t*rid*d*, nada **pede que *las*es subalterna* *u excluíd*s também se organizem territorial*ente em redes de solidariedade. *n*uanto lógica capitalis*a é **gida por um a a*i* instrumental baseado em regras técnicas de natureza técni*o-científic*, h* outras lógi**s cuja v*gênc*a ** normas depende do *ntendi*ento inters*b*eti*o, uma rac*on*lidade comunica*iva *e**a*a pe** **teração simbó*i*a (HAESBAERTCOST*, 1995). A busca de re*st*utura*ã* por parte de grup*s atingidos p*r g**ndes empreendime*tos, na qual se *ciona modos d* viver específi*os demonstram in*ícios dessa o*gani*a*ão pol*tica com ba*e em outra raciona*idade. A dester**to*iali*ação da mesma for*a que promove deslocam**tos dist*ntos, ta*bém pod* acabar reativando identi*ades de res*st*ncia e produzind* novo* localismos (HAESBAERTCOS*A, *99*). **r isso, é *mpor*ante romper com dis*in*ão dicotômi*a * entre territorialização * desterri*or**li*a*ão, pois mesmo ne*t* há *a*gem para novos processos de reterri*orializaç*o (HAESBA**TCOSTA, 1995), *o se*tido, d* novas *erritorialidades que são *onstru*da*. Inclusive, pesquis*s recentes demon*tram que as mesmas condiç*es responsáveis pela dester*i*orialização de pov*s *oc*is, tam*ém tem permitido a partic*pação desses grupo* e* rede* p*ra defesa e val*rização *e seus t*rritó*i*s o que pode ser *bs*r*ado n* criação de inúm*ras *ssociações *rganiz*d*s por es*es *ru*os no senti*o *a luta *o*í*ica. N*sse s*ntido, * mesm* processo de des*erri*ori*lização *mpl*ca Rev. *SA, Te*esi** PI, v. 14, n. 1, ar*. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017 www4.*sanet.com.br/r**ista M. V. P. O*iveira, R. N. A*aú*o, L. C. Rodrigues, *. L. *. Samp*io 1*4 também na ret*rritorial*z*ção do* gru**s en*olvidos, dessa vez organiz**a em novas *a*es *a qual se ins*re um forte e*em*n** relac*onad* a luta polític*. O Movimento de Atingidos po* Barrage*s - MAB, inclusive, tem sido um movime*to s*cial bastante atu*nte no **nte**o nacional em busca de discurs*s alt*rnativos a ideologia d*s*nvolvimen*ista *ue *em alime*t*do esses pr*ce*sos, p*is de *a** Barra**ns possuem um lugar e*pec*al no âmago das i*eologias desenvolvi*entistas. Além da MA*, existem ho*e no P*ís u*a div*rsidade *e movi*ent*s ma*s localizado* e ass**iaçõ*s li*adas a dif*ren**s comunidades tradici*nais, quilo*bol*s e ind*gen*s *ue *em tido pape* de destaqu* na lut* contr* esses grandes empree*dim*ntos. Nessa direção, reter*it*rial*za*ão, marc*da pel* mov*me**o de apropriação e reprodu*ão de r*l*ç*es sociais, i*sere-se no próprio m*vimento d* desterrit*riali**ção. Co*o dit* por Haes*ae*t Costa (2*04), a to*al ***territ*riali*ação seria u* mito incapaz de recon*ecer o *aráter de fo*mação de nov*s territórios uma vez que, conc*mit*nte ao processo d* desterrit*rializaçã*, manifesta-se *ambém o de rete*rito*ializaç*o mesmo que espacialm*nte *escontí*uo e complexo. Portanto, as políticas d* desenvolvimento rec**te *o N*rdes*e têm seguido e caminhado no âmbi*o desse* a*enciament*s construídos e compartil*a*os em meio a conflitos e tensões d* dif*ren*es orde*s. Territor*alidad*s são **nstruídas e acion*das, no p*ano mater*al e simbó*i*o n* *efesa e **lo*izaç*o de terr*tórios ameaçados por e*s*s proje*os. 5. CONSIDERAÇÕES *INAIS Nos limites deste trabal*o a*ontamos para o tema da açudage* no Nordeste co*o política p*bl*ca que *arca e constrói simbolicam*nte u* ima*iná*io de sertão. * problemática da seca aparece com* eleme*to fun*ante e d*s*urso *entral no âmbito *os a**nci*ment*s políticos. *ec*s e a*udes aparecem com* categorias a*ia*s na constru*ão d*sse *maginário, seja no discu*so pol*tico e d*s *li*es econômicas, seja na de in*elec*u*is e *e p*ssoas c*muns. *ma invenção si*bólica construída histor**ament*, * ag*nciad* pelo Estado através das políticas públ*cas de *çu*agem, além *e outras cria*ões disc*rsivas f*r*ul*da* por intelectua*s que cr**ram e const*uíra* * território sert*o *o plan* *imbólico e con*eitual. Ass*m, aç*des, inse*em-se na paisagem nordestina de *al forma que també* pode* ser v**to* como ** el*mento identitá*io, presente na *oétic* se*taneja, re**at*do na d*s*ri*ão d* paisagem e na relação de nordestinos/as co* o ambient*. É, port*nto, *m elem*nt* da tessitura *eo-simbó*ica de uma territori*lidade q*e se desen*a hi*toricame*te *a relação Rev. FSA, Teres*na, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, *an./*ev. 2017 ww*4.fsanet.com.br/revista S*rtão/*çudes *o Ima**nário Soci*l e as Políticas de De*envol*imento Recente no No*de**e 145 seca/á*ua. No context* de projetos de**nvolvim*ntistas li*ados ao ideário moderno, açudes e barr*gens im*licam processos de *es-r*territo*ialização (HAESBA*RT COS*A, 1995) no N*rdeste rec*n*e. Tal po*í*ica d* *esenvolvimento tem *m*licado confl*tos e tensões na *egi*o. *essa *ireção, deste*ritorializ*ção p*ovoca desloc*ment*s disti*tos e desestruturação de modos de v*d* e*pecífic*s, de p*v*s **cai*, que **mpar*ilham de u** racionalidade *e ent*ndimento int*rsubjetivo. Concomita*te a isso, mesmo proce*so de deste*rito*ialização o também acaba *ea*ivan*o * *roduzi*do **vo* localismos, ou seja, de*te*ritorializ*ção também implica nov*s **ocessos de r*ter*i*orialização, poi* terr*torial*dades sã* acionadas p*r grupos tradic*o*a** em m*i* ao co*flito fren*e aç*es ex*ernas, *uitas v*z*s agen*i*da* pelo *stado. Novos elementos *ão agregados n* territor*alida*e dos *ovos envol*idos dir*ta * **diretamen*e por *sse* g*andes empr*e**imentos, princ*pal*ente no que se ref*re a luta política e organização em *edes de so***ar*edade em me*o a sit*ação de conflit* * a ameaça d* seus ter*it*rios. REF*RÊNC*AS *B*EU, J. C. O **rtão. In: ______.C*pítul*s *e Histór*a Co*onial (1500-18*0). B*asília: Edito*a *n*versidade de Brasília, 1982, pp. 1*3-16*. ALB*Q*ERQUE JÚNIOR. D. M. A i*venção do No*deste e o*tras artes. 3ª E*. R*c*fe: F*N, Ed. *a*s*ngana; São Paulo: Cortez, *006. AL**I*A, *. W. B. Os p***essos d* territorializ**ão. In: ______. 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