www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017
IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983
*ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2017.14.1.6
Sertão/Açudes no Imaginário *ocial e *s Políticas de Desenvolvimento *e*ente no No*de*te
Out**ck/Dams in the S**ial Imagina*y and Recent *evel*p*ent Polic*es in the Nort**ast
M*rcos Viní*ius *ereir* O*iveira
*outorando em Sociol*gi* pela Universid*** Federal d* Ceará
Mestre em *ntropolo*ia e Arqueol*gia pela Univers*da*e Federal do Pia*í
E-mail: ma*ki*_the@hotm**l.com
Ro*em*ry Negreiro* d* *raújo
Do*torado em Geogra*i* pela Univ*rsidade Fed*ral do Ceará
Mestr* em E*ucação pela U*ive*si*ade C*tólica de *ra*í*ia
Profes*ora *a Universidad* Federal do Tocantins
E-mail: ros*araujo@uft.edu.b*
L*a *a*va*ho Ro*rig**s
Pós-Doutorado p*l* Cent*o de Invest*gacione* * E*túdios em Antropolog
Do*tora e* C*ências So**a*s pe*a Univer*idade Esta**al de Cam*inas
Pr*fessora d* Univ*rsidade F*deral do *eará
E-*ail: leauf*@*mail.com
J*sé Levi Furtad* Sam*a*o
Pós-Doutorado em Ge*g*afia pe*a Unive**idade *ederal da Bahia
Douto* em Geo**afia Humana pela Univers*dade de S*o Paulo
Professor da Univ*rsida*e *ederal do *eará
Emai*: lev*u*c@gm*il.com
Endere*o: Marcos Vinícius Per*ira Olive*ra
E*d*reço: R*a Tiradentes, 641, Rod*lfo Teófil*, CE*:
*0430-56*, Forta*eza/CE..
*n*ereç*: Rosemary Negreir*s de *raújo
Endereço: *epartamento de S*r**ço *ocial, Cam*us de
Mirace*a/TO, *venida Dona *ourdes S/N, S*tor
Editor Científico: Tonny *er*ey *e Alencar Rodrigues
Artigo r*cebid* em 1*/10/2016. Última versão
rece*ida em 06/11/*016. *provado e* 07/11/2016.
Universitário, 7765*-000 Mirac**a/TO.
Avaliado pelo sistema Tri*l* *ev*ew: Desk R**iew *)
En*e**ço: Léa Car*alho R*drigues
*elo Editor-C*e*e; e b) Dou*le Blind Review
Endereço: *e*t*o de Humanid*des / Departamen*o **
(a*a**ação cega por *ois avaliadores d* ár*a).
Ciê*cias Soc*ais, Área d* Antrop*logia. Av. da
Universidade, 2995 - Benfica, **020181 - Fortale*a/CE.
Revisão: Gramatical, N*r*ativa e
d* Formataç*o
*n*ereço: José Levi Furtado Sampa*o
Endere*o: *niversidade Federa* do Cear*, C*ntro de
Ciências, Departa*ent* de Geograf*a, C*mpus do Pic* -
Bloco 911, 6*455-760 - *o*ta**za, C* - B*a**l.
M. V. P. Ol*vei*a, *. *. Ara*jo, L. *. R*drig*es, J. L. *. Sampaio
13*
R**UMO
O pr*sente *rabalh* *r*ta do imagi*ário de sertão construíd*
historicamente pela relação
sert*o/açudes no Nordeste, no âmbi*o das políticas públicas realiza*as pel* Departamento
Nacion*l de Obras *ont*a as Se*a* - DNOC*, as chamadas "políticas ** açu*agem", além d*
outros senti*os e representações. Sentidos estes pr**uzidos e comparti*hados sobre açudes n*
senti*o
geo-simbólico
de *ma territorialidade constru*da hist*ric*mente na relação
seca/á*ua/açud*s/sertão. Tr*ta-se de uma *náli*e doc*menta*/bibliográfica
de inte*pretação
dos senti*os *roduzidos so*re açudes, esta forte *vidência ma*erial da paisa*em nordestina. *
categoria sertão é **tendida como *epresentaçã* simbólica, não se
rest*i*gindo * u* espaço
geográfico, em*ora tendo * região semi-árida *ord*s**na como referên*ia. Ass*m, no âmbit*
de um pr*jeto
desenvolvimenti*ta *e*ent*, o conceit* dedes-reterrito*ia*izaç*o
apresenta-*e
c*mo es*encial p*ra *ntendimento do **ocesso, n* *mago de um ideá*i* moderno, no *ual
*çu**s e barragens se i*s*rem no contexto de confli*os e tensões.
*alavras-chav*: Polític*s de Açudag*m. I*agi*ário. S*rtão. Des-rete*ritor*alização.
Nordeste.
*BSTR*CT
*his *ork deals wi*h the im*gina*y *f the outbac* h*st*r*call* construc*ed by the r*lation
*etween ou*back/dams in the Northe*st, within t*e scope o* the public policies ca**ied out by
th* Nationa* Department of Works Againts Drough*-DNOCS, the s* - calle* "*am* policies",
besi*es othe* **nses
a*d repres*ntations. These se*ses a*e
*roduce* a*d s*are* over
*e*ervoirs in the geo-symbolic sens* of a territori**ity built histor*cally in the *ela*ion be**e*n
drought / w*ter / dams / o*tback. It is a doc*me*tary / bibliographic analy*is
o*
t he
int*rpretation *f the sense* *roduce* on dams, t*is str*ng material evidence of the Nor*heast
**ndscape. The *utbac* c***g*r* is un*e*stood *s a symbolic *epr*se**ation, not r*stricted to a
geographical are*, al*ho*gh the semi-arid region of the *ortheast is * reference. Thus, in the
*o*te*t of * recent dev*lo*men*a* *roject, the con*e*t of de-reterritoria*ization is essentia* fo*
u*dersta*din* the proce**, at *h* heart of mo*e*n ideology, in whic* dam* *** *eirs ar* a
inserted in the conte*t of conflicts and tensions.
Keywords: D**s policies. **a*inary. O*tback. De-*et*rri*o**aliza*i*n. North**st.
Rev. FSA, T*resina, v. 14, n. 1, art. 6, p. 12*-148, jan./fev. **17
*w*4.fs*net.com.br/revista
*ertão/Açu*es no *maginário S**ial e as Polí*icas de Dese*volviment* Rec*nt* n* No*deste
131
1. INTR**U*ÃO
Este artigo *b**da o tem* das p*lít*cas púb*icas ** a*udagem no N**deste **e marca
com grande po*er de in*er*elação o i*aginário de ser*ão pela rel*ção seca/águ*/a*ud*s, al*m
da disc*ssão *eórica sobre **o**ssos de *es-reterritorial*zação (*AES*AERT COSTA, *995)
em *e*po* *ecen*es no Nordeste. A prese*ça
d* açudes na
vida *e *ord*stin** não é algo
f*rtuit*. *s açu**s como ev*d*nc*a *aterial fazem parte *a paisagem norde**i*a e re*ra*am a
*on*ição sertan*ja *e e*casse* e ab***ância. A p*isagem da r*giã* é fortemente marcada por
essa presença, seja no *lano *aterial, como no plano da repr*sentação como um dos s*gnos do
sertão.
Inúmer*s açudes *oram construídos *el* *stado b*a*ileir*, desde 1*09 na pau*a
d*
p*l*tica* pública*
vol*a*as ao *ombate as secas q*e
atingiam a re*ião s**iári** n*rde**ina.
Ten*o
* Depart*mento Nacional d* Ob*as C*nt*a as S*ca* - DNOCS sido o órgão
instituciona* res**n*ável pela const*u*ão de inúm**os açudes que hoj* encontram-s*
espalhados pel* *ertão d* No*d*ste.E* tempos *ec*n*es a con*trução de açudes e *arrage**,
assim c**o out*as obras de *n*ra-estru*urainsere*-se na polí*ic* relacion*da
ao pro*esso
*e
*n*egração *a economia *orde*tina, à nacional (ARAÚJO, 1997; ME*DES, 2003), a pa*ti* do
q*al o *ordeste
p*ssa a s*r ins*rido na lógica nacional de produçã*. E*sa política
d*
desenvolviment* tem im**icad* conflitos tens*es n* regiã* *m meio processos d* des-
*
a
reter**torializaç*o. Nessa dir*ção, faz-se nece*s*rio
compree*der *s **ntidos p*esentes no
imagin*rio da rela*ão se*tã*/sec*; água/açudes
n* Nor**ste, *lém dos process*s de des-
*eter*itori*l**ação na região que implica uma série de cons*quências * uma dive*sida*e
de
grupo* e*vol*os a estes *mpreen*im*ntos **ver*amentais.
Ne*te tr*ba**o, esta *o*sibilida*e g*nha corpo com interesse dos autores, estudios**
d*ssas temá*i*as. Tr*ta-se de uma análise *extual de nat*reza *u*lit**i*a (GOLDENBERG,
20**), um *rabalho d* *a*e d*c*mental
e *ibl*o*ráf*ca pa*a interp*etar o* sentidos das
prática* e discursos, so*re açude* e barragens n* Nordeste. * grande o *úmero d* *rabalhos
que tr*tam *a problemá*ica da seca e das p*líticas púb*icas r**lizadas pelo DNOCS,
focalizando temas como desenvolvi**nto r*gio*al,
q*estão agrária,
dentre outros. *o
enta*to, esta proposta é inovadora
por tra*ar a *em*tic* pel* prisma d*s imagens,
prátic**
e
dis***sos sob*e açudes pres**te* no imaginár*o, em sua rela*ão com sertão, se*a no que tange
às *olíticas d* açud*gem realizada* pelo DNOC*, sej* a outras exp*riências m*is recentes, e
si*nificad*s.
Re*. FSA, Teresina PI, v. 14, n. *, art. 6, p. 1*9-1**, ja*./fev. 201* ww*4.fsanet.com.b*/rev*sta
M. V. P. Oliveira, R. N. **aújo, L. C. Rodrigues, J. L. *. Sa*paio
132
2. REFERENCIAL T*ÓRICO
*.1 Açude/s*rt*o e a construçã* de *m imaginário
Historicamente, de*tre as *acr*r*egiõ** geogr*f*ca* do país, o sem**rido do Nordeste
bras*le*ro, constitui-se como o *u* possui mais fortes co**r*s*es sociai*, *conôm*cos, culturais
* ec*lógicos. *s contradi*ões e *ragilidades que marcam a vida neste território têm
na
e*ti*gem u* dos pr*n*ipais fe*ôm*nos da natureza
qu* acentu** os problemas soc*a*s
da
re*ião, levando-a * apresenta* os mai* elevado* índices de pobrez* (BUR*T*;
AG*IAR, 2011). Nes*a *ireção, o *emiárido foi classif*cado e delimitado dentr* de *ma
d*vi*ão geoespa*ial do Ins*itut* Brasileiro de Geogra*ia e *statística - IBGE, as*oc*ado a sub-
r*gi*o denominada sertão.
Entre*anto, p*demos afirmar de início, nos parcos *imites deste t*a*al*o que "sertão"
como *le*ento geoe*pa*ial atribuído * regi** N**deste do Brasil está direta*ente ligada a um
*iscurso estratégico
que é cons*ru*do histo*icamente privilegiando o discu*so da se*a e s*us
desd**ram*ntos com* u* fator n*tu*al.
A*sim, esse di*curso a*s*me *m se*tido ideológico *ue avança e se tr*nsforma em
verdadeira ide*l*gia. * seca de*xa d* ser u* fenômen* essenci*l*ente climático e passa a ser
um pr*ce*s* de c*nstrução socio*ultural cuja* fr*n*ei*as p*lít**as * naturais *ão d*terminadas
por for*as políticas que constr**m geograf*camente seus e*paç** *e poder (S*MP*IO,
1999).
O Sertão é co*struíd* no imaginá*io s*cia* no *mbito d*sses *iscursos. E é pelo
d*scurso essencialme*te clim*tico q*e ele é apresentado. Em *al problemática, da seca, se
in*erem as po*íticas de constru*ão de açudes n* Nor*est* que *arcam com g**nde poder de
in*erpelação, o imaginário *a relação s**a/ág*a/açudes/*arragens.
É *es*a persp*ctiva q*e açude se
torna um el*mento axial par* se pen*a*
*im*oli*amen** sertão. Os açudes* con**ituem uma forte evidência materiais *aracterística da
p*isagem físi*a e imagina*iva do nordes*e *rasileir*, retr**a a con*i*ão ser*aneja de estiagem
e sang*i* e ****ntra-*e espalhado pela re*ião sem*-ár*da do Nordeste. Algu*s são *e *xtrema
importância para * pr*dução e r*nt**ili*ade na agricultura, pecu*ria, p*s*icultura, etc. Outros
1
*onstr*ção d* terra, pedra, *i*en** etc, d*sti*ada a represar águas, a fim de que sejam u*adas, *a geração de
f*rça, na *gricultura ou ** ab*stecimento; ba*ragem, represa; l*go que se forma por represam*nto.
E**mologicamente, próprio nome *ç*de d*riva d* verbo árabe ár-sadd (fech*r) (HOUAISS, *001). Civilizações
c**o a egípcia * a mesopotâmica, dentre outras, já util*zavam técnicas de barrame*tos, cuja engenharia deu-*e
na França, em meados do *éculo *IX (BEZERRA et *l, *0**).
*ev. F*A, Te*esina, v. 1*, n. 1, art. 6, p. 129-148, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/rev*st*
Sertão/Açudes no Imagi*ár*o Social e as Políticas de Des**volvim**** R*cente *o *ord*ste
133
contr**uem de for*a diret* na rela*ão *e homens e mulh*res com seu meio, seja na d*mensã*
es*ética, embelezan*o a paisa*e*, seja c*mo única fonte d* água para usos diversos.
Pode-se dizer *ue os *çude* ajuda* a co*por a paisag*m dessa r*gi*o, o que nos leva
a afir*ar que no plano da represe*taç**, está presen*e na *iter*tu*a (*o*ret*d* a que tematiz*
a seca), na poes** popul*r, na **sica dita re*ional, com* a música de Luiz *onzaga,
*o
cine*a, enfim, no imaginário socia* (C**TORIADIS, *986; LE*ROS et al., *007) c*m* um
dos signos do sertão norde*ti**.
*.2 Açude como territó*io: um lugar de águas d* s*rtão
Se a *olític* de açu*a**m n* Nordest* vincul*-se intimamen*e ao f***meno na*ural
das secas, os pr*mórdios *os barramentos *êm do i*í**o da colonização *rasil*i*a pelos
portugu*ses, sen*o históri* do açude no Nordes*e tão antiga como de sua colo*ização
a
a
pelos portuguese* (MOLLE, 1994).
A col*nizaçã* dos ser*ões *rasileiros, em *spec*a*, do que se *onhece como sertão
no*d*stino, i*icia-*e n* século XVII (PRAD* JR.,
1945; D´ALMEIDA, 19*2; ABRE*,
1982; AND*AD*, 1986, 1999; RIBEIRO, 1998), *om a ativ*dade *g*ícola se*do
con*emp*rânea do desbravament* d* in*erior e co* uma a*ricul*ura à sombra dos currais. O
*or*este brasil*i*o é hi*torica*en*e ap*esentado por uma te*ritorialidade de*inida em grand*s
sub-regiões: Zon* da Mata, Agrest* e *ertão (RIBEIRO, 1*98).
Entretan*o, um *os aspecto* fund**entais da territorialid*de humana é *ua
mul**plic*dade
de expres*ões que redund*m em amplos
tipos de territórios2, *ada um com
suas p*rticularidades socioculturais ou "cosmogra**as" c**o afirma Paul Little (20*2).
2
**rrit*rio é um termo polissêmico e porquanto não pode ser visto apenas na pe*sp*c*iva *e um domínio
ju*í*ico-polít*co e*truturado, mas também como apropr*ação de uma dimensão simbólic* de car*a
*f*tiva e
iden*it*ria. No sentido ecol*gico, refere *
*rea ocup*d*
por um anim*l ou p**
grupo
de animais, a qu*l
*
defendida contra invasã* de o*tros indivíduos da mesma o* de ou*ra espé*ie. No ca*po da ciência geográfica,
há
um arsenal de categorias para referir ter*itório, em conjunto *om outr*s c*tegor*a* *fi*s
co*o espaço vital,
paisagem, região, es*aço f*ncional, es*aço *oc*a*, dentre outros que são instru*ent*s *nt*lect**is *esta ciência.
(*ORAE*, *000). Ali*s, "(...) geógra*os, *ecent*mente, também filósofo*
e**ão estabelecend* um
c*ntraste
en*re as noções de espaço e de *ug*r. E*paço aponta para um mei* (medium) ho*ogêneo, vaz*o, infinito, no qual
corpos se mov*ment*m inte*age* e
no sentido e**abeleci*o
pe*a física newto*iana. Essa noção *e espaço está
*ambém s*bjacent* *o planeja*ento
que trata a
base *ater*al *a *ida s*ci*l como umasuperfí*ie desp**vida*e
carac**rísticas perma*en*es, e *ue *ode s*r ap*gad* (com trato*es) e *efeita a parti* de u* plano concebi*o e*
pranchetas.
Já a *oção
de lu*ar, à qual a idé*a *e território é
*fim, aponta para uma *oção s*gundo a qual
o
mu*do é finito, heterogê**o, e form*do po* *anchas car*egad*s de *ifere*ças imprim*das *ela* pessoas. Assim,
há lug*r*s
sa*rad**, luga*es *a in*ância, luga*es d* memór** nacio*al, lugares q*e cons*ruím*s, * *ue não são
substi***veis. *s geógraf** contribuí*am para a reabilita*ão do e*fo*u* de luga* e **rritório * com a crít*ca ao
plane*amento espacial. Essa contri*uição *e incorpo** hoje n* so*iologia e na antrop*logi*, e tam*ém sofreu por
*ua *ez a influência de *ociólogos (como Le**bvre) e filósofos (co*o Gaston *achel*rd e Merle*u-Ponty)"
(MORAES, 2*00, p. 146. Itálico* *o original).
Rev. *SA, Te*e**na P*, v. *4, *. *, art. *, p. 12*-**8, jan./fev. 2017 www*.fsanet.com.br/revista
M. V. *. *liveira, R. N. Araú*o, L. C. Rodrigue*, J. L. F. Sampa*o
134
Co*mografia in*lui o regime de proprieda*e
dos
grupos,
o* *ínculos afetivos quee*tes
mantêm com seu territ*rio **pecífi*o, "a
hi s t ór i a
da s u a
oc*pação guardada na memór*a
coletiva" (LITT*E, 20*2, p. 3). Ass*m, cosmografia
a*o**a para memór*a coletiva
(HALBWACHS, *990) do grupo, ou seja, uma territorialidade constr*í*a no plano simbó*ico,
pela memó**a *oc*al, si**ada historicamente, o* nã*.
Dessa forma, a memória de aç*des c*mo lugares d* água po*s*bilita
apreender
a
construçã* po*ifônica de se*ti*o* de territ*rios. Nesta di**ção, te**i*orialidades *odem ser
vistas como cons*r*ída* no pla** material e simbólico, através d* que *albwa*hs (19*0)
deno**n*
memória coletiva. Para o autor, memória* i*dividuai* imbri*a*-se com
a
c*n*trução so*ial do grupo. *embrança* do passad* são construídas na me*óri* ***etiva. Já
*onnerton (199*) des*ac* a memória-hábito como *endo a
**pacidade que cada pessoa tem
*ara reproduzir determin**a ação s*m a nece**i*a*e de recordar *omo e qua*do adq*i*iu *a*
saber, ou **ja, ela é constru*da *a prátic*, sendo ela individual ou cole*iva, * que di*l*ga *om
os conceitos d* h*bitus (BOUR*IEU, 1994) e de e**eriênc*a (THOMPS**, *981).
A noção de *a**tus **pri*e, sobretudo, "a rec*sa * toda uma sér*e de alternati*as nas
quais a ciência soci** se ence*r*u da *on*ciência (ou do sujeito) e do inc*nsciente, do
a
a
finalismo e do mec*n*cismo" (BOU*DIEU,
2000, p. *0). Tal noção per*ite romper c** o
paradigma est*uturalista, sem c*ir *a fil*sofia do sujeito
ou da consciê*c*a. O habitus é um
conhecimento adquirid*, uma di*posição incor*o**da, mas de um age*te *m ação, **i* é uma
prát*ca
cumul*tiva de tod* o conju**o do* s*beres e do sab*r-fa*er *cumulados em todos **
atos do conhecime*to, no passado e no
*resente (BOUR*IEU,
200*). Po*tanto, o
habi * us
co*figura-se como ma*ri* de percepção e apreensão que *e dá por *eio da prática social. Ele é
estruturante e est*ut*ra*o, pois
da mesma forma
que direciona escolha* e
injeta có*igos
si**ólicos nos indivíduos, tam*ém * modificado na *r*tica *oc*al
pela aç*o
dos
ag*ntes.
Assim, a c*n*trução de **udes *omo um luga* de águas do *e*tão é a*enc*ada por meio dess*
prática so*ial de um hab*tus *ue é estruturante e estruturado.
Nesse di*log*, experiência refere-se a "experiência humana", *a qual hom*n*
e
mulher*s *etornam *esta experiê*cia, também **nstruíd* n* prát*ca social, "não *omo sujeitos
*utônomo*, "indivíduos livres", mas como *ndivíduos
que exp*rim*nt*m situações
e
estabe*ecem re*aç*es
*ro*utivas determinadas como
ne*e*si*ades e in*eresses, e como
antagon*smo*, e em *e*uida "tratam" e*sa *xperiên*ia em su* *onsciên*i* e sua cultur*"
(THOMPSON, 1981, p. 182). As**m, podemos ta*bém
aprender s*bre aç*des/*ertão, pois
esse
imaginári* s*cial d*s aç*des
no sertão r*vel* essa prática *ocial
**nst*u***
hist*ric*m*nte e
*genciada pelo Est*do atr*vés das políticas públicas de açudagem; além *e
Rev. *SA, *eresina, v. 14, n. 1, a*t. 6, p. 129-*48, jan./f*v. 20*7
w*w4.fsanet.com.br/revi*ta
Ser*ão/Açudes no Imaginário Social e as Polí*icas de Desenvolvimento Recen*e no N**deste
135
uma diversidade de di*cursos atribuídos a esse território, ou seja, uma con*trução histór*ca e
in*enç*o sim**li*a fo**ulada ta*bém por in*electuais que criaram imagens e construíram
esse Sertão *o plano simbó**co e c*nceitual a par*ir de suas obras. Percursos e inter*retaç**s
que esse t*rrit*rio re**beu e *ecebe. Desenhos pro*etados e imag*nados de diferentes formas.
2.3 ***des, como pol**ica de Estado
Como dito, os a*u*es, ger*lmente e* re*iões de secas, são conceb*dos como lugares
de abundância de *guas. Esta *vidê**ia pode ser iden*ificada na memória social, pois
s*o
tidos com* lugares
de águas do *ertão, o que remo*ta * *empos antigos. * como parte
do
process* de com*reen*ão da s*mbologia dos açudes, val* l*mbrar que a política d* construção
de açudes no Norde*te, * qual se cons*ituiu n* centro
das iniciati*as **opugnada*
pe*a
chamada "s*lução
*idráulica", institui um per*o*o, n* histó*ia *o Brasil, da p*lítica
de
combate
**s ef*i*os da seca, q*e ma*cara com gra*de poder de interpela*ão, o *maginário
(CA*TORIA*I*, 1986; LEGROS, 2007) de se*tão, *ela relação seca/água/açudes.
R*ssal*e-s* que a ênf*se desta pol*tica era dada à* ob*as d* engenhari*, vi*a*do à
a*umulação de água (DOMINGOS, 19*3). A*esa* de oc*r*erem se*as no Nordes*e desde o
d*scobrim*n*o,
seu imens* *erritório con*rastava com a baixa *ensidade p*pul**ional
do
sertão, nos sécul*s, XVI e XV**
não despe*t*nd* por
par*e *a me*rópole maiores
*reocupações (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 198*). Alé* de a área ser pouco povo***, e as
*omun*cações muito le*t*s (A*DRADE, 1986).
No império, a seca de 1877-1879 marca * i*ício da política das águas e *e cogita pel*
prim*ira *ez, em adotar medidas defi*itiva* para *ombater *s efei*os das esti*gen*
(*ARNE*RO, 2000)*. C*m N*l* Peçan*a (190*-1910), *á na república, é criada * *nspet*r*a
de Obras Con*ra as Sec*s - IOCS, órgão *e atividad* permanente4. Assim, a polít*ca
de
co*bat* às secas *assou *e e*ergencia* para uma ativid*de ininterrupta (MEDE*ROS
F*LHO; SOU*A, 1984). Contudo, o* recursos para executar
o* planos **cava* aqu*m
das
3
Para Aldo d* *. Rebouças o início da açudagem n* Norde*t* semiárido iniciara um p**co antes já co* as secas
de 1825, 1827 e 1830 (REBOUÇAS, 1997).
4
E*te órgão fo* *irigido inici*lm**te pelo engenhei*o Miguel Arroj*d* Ri*ei** Li*boa q*e tr*uxe *ários
e*peci**istas da L*l*nd *tanford Junio* Un*ver*ity, Califórn*a, e liderou uma grande equ*pe de técnic*s que
p*rcorreram o* s*rtões d* Nordeste para est*d*r a flora e descobrir *o*ueirõe* e gargant*s de serra *nde a
**pla*ta*ão d* a**des e barragens re*resaria as águas c*ídas nos bons *nverno* (FILHO e SOU**, 1984).
Rev. FSA, Teresina PI, v. 1*, n. 1, ar*. 6, p. 12*-148, ja*./fev. 2*17 www4.fsanet.com.b*/r*vista
M. V. P. Oli**ira, R. N. Araú*o, L. *. Rodrigues, J. L. *. Sam*a*o
13*
*ecess*dades, na situação de estrutura d* poder nacion*l com h*g*m*nia política do *ent**-
Su* (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 1984).5
Na Re*ública Velha, com * nordestino Epi**cio Pe*soa, a IOCS co*to* com grandes
re*urso* e passo* a chamar-se Inspe*or*a Federal de Ob*as Co**ra a* Secas (IF*CS) em 1919
(*EDEI**S FI*HO; SOUZA,
1984). No *esmo ano, a Lei n.
*.*65 regulam*ntou
a
construção de obras par* irrig*çã*, medi*nte um
caix* esp*cial. O novo p*ano visava
a
*onstrução mais ou *enos sim*ltâne* de **ze grandes açude* de **vena*ia ciclópica e **
vinte açudes *e pequeno porte (MEDEI*OS FIL*O; SOUZA, 1*84)6. Na décad* de 1940, a
I*OCS trans*orma-se no De*arta*en*o nac*onal de *bra* *ont*a *s S*cas- DNOCS
*or
d*creto em 1945 (*EDEIROS FILHO; SOUZA, 1984).
Nos anos 1950, no*as se*as: em 1951, 1953 e 1958. Nesta, o No*des** *á possuía 6,7
m*lhões de metros cúbicos de água reunidos em mais de 200 açude* barragens p*blic*s. e
Ma*, r*pe*iram-se tragéd*as anterio*es: fom*, *iséri*, morte *e reb*nhos, emigração em
massa, et*, o que *uscitou * *uestionamento da pol*tica *e combate a* se*as implantada pelo
IF*CS, atual DNOC* (MED*IROS *ILHO; SOUZA, 1984). Va*e *embrar que desde
a
cri*ção d* IFOCS, até 19*8, os açudes pú**icos eram construídos pre**min*ntemente d*ntr*
de fazen*a dos coron*is7. A água acum*l*da aten*ia *m primeiro lug*r ao* se*s *nt*resses e
só *osterior*en*e po* um ato *e "b*n*volência" ou favor, ficava ao alcance d*s p**ula*õ*s
camponesas nec*ssitadas (*EDEIRO* FILHO; SOUZA, 1984; MARTINS, et al, 2003). Ao
mesmo t*mpo, a política de aç*dagem, responsáve* pela const*u*ão d* v*rios açudes
esp**had*s p*lo s*rtão nordest*no, r*aliza, t**bém, a co**t*ução de pequenos açudes em
cooperação com governos e**aduais, mun*cipa*s e
part*culares (MEDEI*OS FILHO;
S*UZ*, 198*; *ARTINS, e* al, 2003).
A **nstrução destas obras era ma*cada também por co*dições de trabalho b*sta*t*
sofrida* e penosas. É enfatizado o traba**o *anual *as ch**adas fren*es de *erviço
onde
5
Me*** as*im, com a *ec* de 191*, foi iniciada a *onst**ção dos a*udes: Anajás, Ri*cho ** san*u*, Pat*s,
Parazinho, Velame, Caio Prado, Gua*uba, *aú, *ár*ea da vo**a, **l*ngu, Arapuá, 25 de M*rço, Pessoa, Saco,
B*d***n*ó, *ajazei*as e Ser*a dos Cavalos, na reg*ão semi-árida *o N*rdeste.
6
Para execução do plano f*i preciso importar m*quinas e matéri* p*im*, pois nessa ép*ca, o Brasil não fab*icava
ainda *iment*. Foram fir**dos contratos *o* empr*sas *nglesas e n**t*-americanas *ue trabalh*ram *o* aç*des
Acara**, Quixer*mobim, Po*o
d*s Paus e Orós n* Ceará; no *io G*and* do Norte, *rabalharam nos açudes
Ga*galheiras * Parelhas; e na *ar*íba, fic*ram com a incum*ência *e cons*ru*r o* açude* São Gonç**o, Pilões *
Piranhas (FI*HO e SOUZA, 1984).
7
Coronel * a m*is alta p*tente *a hier*rqu*a militar. *a cu*tura polít*ca n*rdes*i*a é u* p**so*agem *í**co d*
complexa **tr*tura de poder da époc*, t*ndo como
**racte*es o ma**onismo local e o cont*ole privad* dos
serviç*s públicos no pe*íod* *a primeira república (LEAL, 1980). Como *em**a João Medeiros *ilho e *tamar
de *ouza o DNOCS *oi uma instituição aprop**a*a e contro*ada, no âmbito *o pacto federa*ivo br*sileiro - pelas
class*s patri*o*ial*stas, sobretudo, latifun*iár*os ce*renses q*e ass*m so*avam *
controle da água *o da terra
(FILH* e SOU*A, 1984).
Rev. FSA, *e*esi*a, v. 14, n. 1, art. 6, p. *29-*48, jan./fev. 2017
w*w4.fsa**t.**m.br/revista
Sertão/*çudes no Imaginár*o Soc*al e a* Políticas de Desenvol*imen*o Recente no Nordeste
1*7
flagelados das *e*as eram ali*tad*s pelo *sta*o nos tem*os de esti*gens. Os trabalhad*res
braçais desse tempo *ram c*amados de "cassac*s". Segundo Lara de Cas*ro,
cassacos *r*m
traba*hado*es das fr*ntes d* serviço
cont*atados *os perío*os de estiagens pe*o DNO*S. O
Est*do alistava-os e c*ntratava-os pa** afazeres como rec*peração
de
estradas vi*inai*,
con*trução de barreiros, açudes, de modo a socorrê-los
de forma paliativ*. Na meta*e do
sécu*o *X, esses trabalhadores j* er*m apeli*ados as*im, com *s*e nome d**o a um animal
f*io e fedor*n*o no Nord*ste, uma espéci* de gambá (Didelphisalb**en*ri*) (CASTRO, 2011).
As **entes de servi*os eram *ma f*rma de c*ntrole social em tempos d* sec* (CAST*O,
*011; M*D*IR*S FILHO; SOUZA, 19*4). Uma forma de controle da **ns*o entre af*igido*
pel*s estiagens. As*im, o go*erno or*ani*ava e*sas frentes,
*pr*veitando *ão *e obra a
d*sponíve*.
Toda e*ta d*scrição, com *lem*ntos *i*tóricos relacionados à açudag*m, não revela os
pequen*s aç*des construíd*s em sítios e fazendas, sert*o a*ora, irrigando vidas, t*ajetórias8 e
imagi*ários. Neste conte*t*, identidades *ão *cionadas nas *el*ções que medi*m *al*res,
*í**ol*s e sent*dos d* cultura dos lugares que se hab*ta, *a interaç*o e*tre o eu e a sociedad*,
**m* "*eleb*a*ão móve*" (HA*L, 1998), *orma*a e transform**a c*nt**ua*ente pelas
re*açõe* e r*prese*tações nos sistemas *ulturais. *ão marcadores *dentitários prod*zidos
hi*tor*cam*nte: "à medida que os sistemas de signifi*ação e representação cultural s*
mult*p*icam, somos c*nfront*dos po* uma m*ltiplicid**e desconcertante e ca*biante de
iden*idades
p*ssíveis, com
cada um* das quais poderíamos nos ide*tificar - *o *e*os
tempora*iam*nte" (H*LL, 1998, pp. 14).
*ssim, a rel*ç*o das populações c*m os açudes, le*a a pen*ar em identidad*s cult*ra*s
*m c*nte**o* *ociais específ*cos que
determi*am posi*ão dos su*e**os e orientam suas a
repre*entações e escolhas, sem *ma sup*st* essência pela qual se estaria condenado a um não-
devir. A id*n*idade se c*nst*ói r*const*ó* no *nterio* das relações sociais nu* pro*esso *
*inâmico (CU*HE, 20*2) e é *ess* processo que a *ategoria açude int*r*ela (WOODWARD,
2000) populaçõ*s sertaneja* de forma *ú**ipla, d*vers*ficada e que pode se* narr**ivament*
**nstruída, pr*ces*o através do
*ual "(...) a unidade do suj*ito (...) deriva mais das crenç*s
sociais" (MENDES, 20*2, *p. 520).
Nesse sentido, pode-s* questionar o qu* sign*fic* sentir-*e como sujeitos *ociais em
um modo de vida no **a* a *r*sença de açu*es al***nta o *orpo e a a*ma? Uma v*z que, o
*
A pro*ósit*, v*r Mo*aes (*003) quando aborda o tema narrativa* *e mulheres camponesas no* *errados do
sudoeste piauiense, e refere,
na história de vida *e *ma n*rradora, em Uruçuí, no Piauí,a im*ortância de *m
açu*e em se* tr**alho de *onstruç*o da *emó*ia, como o lu*ar *nde iniciara o **moro com o seu, en*ão,
marido.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, *. 1, art. 6, p. 12*-148, jan./fev. 2017 www4.fs*net.c*m.**/*evista
M. V. P. Oliveir*, R. N. Araúj*, L. C. Rodri*ues, J. L. F. Sa*pa*o
138
açu*e com* uma representa*ão simbólica está profu*damen*e atrel*do * su* inser*ão na *ida
ma*erial de sertane*o/as.
2.4 Sert*o *omo espaço simbóli**
E como conceber sertão? Não é incomum q** fal*r em sertão *em**a à divisão
ge*espaci** com base no Instituto Bras*l**ro de Geog*afia e Est*tística- IB*E, *omo sendo,
esta, uma sub-região do Nordes*e brasileiro
caracteriz*da pe*a ausênc** *e chu*as e
a
presença de graves prob*emas s*ciais. Contudo, não se pode
resumir se*tão a esta
demarcação. *ertão é g**graficamente mais a*plo e, simbo*ic*mente, mais complexo, seja
como categor*a **ial na co*struçã* d* *aci*nalidade b*asil*ira por oposição a
litoral
(SO*ZA, 1997; G*IL**N, 2*02), sej* como
um
elemento simbólico c*ntral que d**ig*a
a
regiã* Nordeste.
De ca*egori* us*da, em Port*g*l, desde o s*c*l* XII para no*ear terras interioran** e
as *olônias, o termo migra pa*a o *o Brasil, de**e * per**d* colo*ial, *om sen*i*o semelhante
que se vai *ransforma*do n* a*ena socio*ultu*al (MORAES,
20*7). Permane*e vivo
na
rea*id*de nacional (GUILLEN, 2002) e r*gional. C**o
diz. Janaina A*a*o, a categoria
sertão é c*ucial pa** nordestino/as c*mo um referencial simbólico (AMADO *pud GUILL*N,
2002).
**nvém lem*rar que *té pr*m**ras décadas do sé*ulo X*, ser*ão n*o referia
es*e*i*icamente a Nordest*, mas to** "i*terior" do Brasil, incluindo o centro-sul e Amazônia,
e*c. Também nã*
exi*tia Nordeste, o q*a* som**te *a* prime*ras
décadas do século XX
é
i*ventado, através de um moviment* sutil *ue se apro*r** d* ca*e*o*ia sertão e o inclui ao
mo**men*o regi*nalista (*LBUQUERQU* JÚNIOR,
*999). Ob*erva-se, aí, um mo*imento
do imaginário nac*onal e re*ional*sta na atribuição *e símbolos e s*gnos a *m *eterm*nad*
**paço
do territ*rio naciona*. Secas e açu*es são categorias ax*ais nest* constru*ão, seja no
discurs* das elites econômicas e *olí*icas, seja no d*s int*lectuais, *as *es*oa* comuns e da
cultura de massa.
*pós as d*cadas de 19*0 e 1930, o *ovimento re*ionalista s* consolidou e a históri*a
relação litor*l/ser*ão present* no pensament* socia* bras*leiro (SOUZ*, *997) po*e ser vista
*a nova op*si**o geogr*fica, eco*ômica,
pol*tica e simbólic* *ordeste/sudeste - ain** hoje,
comumente referida como no*te/su* - o que oc*sionou p*ofunda* in**exões *o processo
de
*o*st*uç** da identidade
nacion*l
e *a percep*ão do pov* brasilei*o. A polari*ade
da
Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, *an./fev. 20**
www4.fsanet.com.br/*ev*sta
Sertão/*çudes no *maginá*io So*ial e as Polític*s de **senv*lvi*en*o Rec**te no Nordeste
139
ide**idade nacional não se c*nstituía *ais e* *orno *as cate**ria* sertão e do litoral, como no
**ício do século XX (*UIL*EN, 2*02).
D* tudo isto, restringir a denominação *ertão a um e**aço geográf*co par**e n*o s**
*eurístico *ara * caso em questão, poi*, s*rtão é, também, um espa** sim*ólic* *nstit*ído na
a*e*a social, profundamente lig**o um* geografia imaginativa e à constru**o d* me*ória a
*acio*a*, se** na litera*ur*, mús*ca, no c*ne*a, no pensa*e*to soc*al e n* cotidiano de p**te
signif*cativa da p*pulação br*sileira e nos *gencia*entos
entre mi*o e *ist*ria, na tessitura
ficci*nal de um ima**nário que refl*** - e incide na - vida soc*al.
3. METO*OLOGIA
O camin** metodoló*i*o *e*te trab*l*o desta*a-*e pela *bord*gem documental
e
b*bli**ráfic* de cunho qual*tativo (GOLDENBERG, 2001). Uma he*menêutica
que busca
sen*id*s nos discursos expr*ssos em m**eria** textuais. Tra*a-se, porta*to, d* uma
aná*ise
textual (S*UZA, *997) q** s* volta pa*a re*pond*r questões sob*e a relação sertão/açudes no
n*rde*te.
Re*istros *scritos que org*nizam sig*ifica*os. Um esfor*o de síntes* *ef*e*ão e
e*
torno de p*o*uçõ*s e
de
*m a
discu*s*o na qu*l se *rocessa a construção d* que cham*mos
sertão pela rel*ção sertã*/s*ca/água/açudes.
No **for*o po* uma "descri*ão d*nsa" (GE*RTZ, 1989, p. 15), busc*mos como diria
Geertz (1989), uma i*terpretação de in*erpretações. Nesse sentido, lembro Mills (2009)
a
co*side*ar o tra*alho
de pesqu*sa *omo um ofício, carac*eriza*o pelo caráter
artesão *
*elo
e*tímulo a imagin*ção sociológi*a, *o invés *e um conjunto rígi*o de *rocedimentos e
o
f*tichis*o do método e da técnica (MILLS, 2009).
E*sa construçã* **stórica e *nve*ção simbóli*a são formuladas a pa*t** de imag*ns de
a**des em es*reita rel*ção c** o im*ginário d* se**ão. Desenhos projetad*s e im*ginados
desse forte e*emento i*entitá*io d* região nordestina.
4. **ÁL*SE E DISCUSSÃO
4.1 Açude/Barragem como processo de des-reterritor*alização no co*texto das políticas de
*esenvolvi*ento recente no *ord*st*.
Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, jan./fev. 2017
www4.fsan*t.com.br/revista
M. V. P. Oliveira, R. N. Ara**o, L. C. Rodrigues, *. *. F. Sa**ai*
140
Em t*mpos recentes aç*de* e bar**ge*s se insere* no conte**o que *ode*o* c*ama*
de *roces*os *a*ro-est*uturais propugnados pelo Estado *m contextos *e proje*os
desenvol*imentist*s, associados ao ideário mode*no. *nclusive, Mode*nid*de é *m
*er**
axial pa*a o *ntendime*to do mu*do conte*porâneo. Entr*tanto, su*s implic*ç*es e reflexos
*evelam bastant*s cont**dições em s*u ideár*o. É dentro desse contexto q*e *s*ão envo*tos os
pro*essos de des-reterr**or*aliza*ão (*A*SBAERT COSTA, 199*).
Pa*a o ent**dime*to *e proce*sos de des-re*err**orialização é nec*ssária uma re*lexã*
teó**co-conceitu*l sobre o *e*a. P*ra Rogér*o H*e*baert C*sta, a des*errito*ial*zação s*ria
uma das condições básicas da m*der*ização, no s*ntid* ca*i*alista. *m *ro*esso
*e
raci*nalização-instrumentalização que modifica o espaço e as pr*p*ias re*ações so*iais
(HAESBA*RT COSTA, *995). Este processo seria
expre**ão da
"mo*ernida*e",
correspo***n*e ao sen*ido de "munda*" como a*ordado por Lim* (2008), util*zando-se
da
expressão *e Gayatri*p*vak. "Mundar" significaria *rocesso, no *ual, o *ocal inserido na é
lógica *esen*olv*me*tista
e do "progresso" (LIMA, 2008), ambos, expre*sões da
m**er*idade.
Uma das ide*as mai* difundida* de soc*e*ade moderna parte d* dico*omia: soc*edad*s
tr*dicionais tid** com* "at*asa*as" mar*adas *el* rep*tiçã*, frente ao "progresso
d**
sociedades modernas" *arcad*s pel* inovação c**stante. A*sim * p**cess* de modern*z*ç**
seria *arca**
pel* que *ax Weber denomin* de desenc*ntamen*o *o mundo, *u se*a,
"despoj*r *e magia o mun**" (WEBER, 197*, p. *0) i*pli*ando crescente processo o
de
*a*io*al*zação * instrum*nta*ização de base té*nico-cie*tífica (H*EASBAERT COS*A,
199*), ou *eja, o processo de *odernização sepa** mod*fica as práticas tradicion*is *
*os
gr*pos inseridos nesse proc*sso * *ue implica até mes*o na modificação *e suas cosmolo*ias
e visõe* de mun*o. A prá**ca social *streitamente v*ncu*ada a um mu*do s**ren**ural desses
grupo* vai sen*o pa*latinam*nte in*t*umenta****da.
Esse proces*o de raci*nali*a*ão e ins**ument*lização *ode ser identificado no mundo
contemporâ*eo, nas c*ama*as
**a*des obras, ligadas p*o*etos desenvolvimentistas. Nesta a
direção, o discurso da modernidade e*fati*a*i* o plane**m*nto para * bu*ca *e *o*uções para
*s problemas no mundo contemporâneo.
Contudo, na pr*tica a s*l*ção para os problemas ne* sempre acont*ce, e **i*as vezes
el*s se *otencializa*,
*ois, o *r*jeto desenvolvi**n*i*ta nã* abarca a todos ger*ndo
co*tradições e e*clu*ões, dent*e elas,
d*slocament*s de pop*lações
t*adicionais,
desestruturação *e seu* modos de vida, *o**ficaç*o dos espaços com *mplicação no *anejo
dos recursos natur*is, d*sigualdade de ac*sso *o a*arelham*nto e suporte té*nico, etc.
R*v. F*A, Te*esina, v. 14, *. 1, a*t. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017 www*.fsa*et.co*.br/revi*t*
Sertão/Açudes no Imaginár*o Social * as *olít*c*s de Desenvolvi*ento Rece*te no Nordeste
*41
Ne*ta perspectiva, pode*os associar de*territoria*ização * reterritoriali*ação ao
*once*to de ter*it*rial*zação, como pr***sso de aprop*iação * contro*e que se "ins*reve
sempre num camp* de po*er, nã* *penas no s*ntid* de apropriação física, m*ter*al (atravé* d*
front*ira*
j*rí*ico-po*íticas,
por
exemp*o),
*as
também
imateri*l
e
sim*ólica"
(HAESBAERT COSTA, 1*95, p. *4). Territo*ializ*ção env*lve, simult*neamente, *iferente*
graus de corr*spondência e intensidade.
U*a dimens*o s*mbólico-cult*ral, através de *ma identidade territorial atribuída
pelos gru*os sociais como forma de "co*trole simbólico" sobre o e*paço onde
vivem (sendo tam*ém, portanto, um* f*rma de aprop*i**ão), e uma dimensão mais
*oncreta, *e caráter políti*o-*isc**linar: o d*mín*o do espa*o pela definição de
*imites ou fro*te*ras **san*o * d*s***linarização **s indi*í*uos e o uso/cont*ole dos
*ecur*os aí prese*t*s (H**S*AERT COST*, 1995, p. 65).
D*n*r* dess* proc*ss* de des-*eterri*oria**zaç*o, muitas vezes age**i*do **lo Estado,
Aç*de*/Bar**ge**9 representam t*mbém, de certa *a*ei*a, uma *em*nis*ência da políti*a de
a*udage* d* D*OC* pela qual, at* o final da década de 1950, os pr*ble*as da região
No*dest* eram considerados - pelo governo *edera* - como res*ri*os aos fenômenos das se*as
(*ENDES, 2003). Tal polít*ca constitui*-se de intervenções cas*ística* e *ão planejadas que
se *rientavam no *e*tido *e fortalecer a *conomi* * o pod*r l*cal dos gr*nd*s pro*r*etá*io* de
terras (MARTI*S, *t a*, *003), conf**me t**balhado no tóp*co anter*or**. Assim, e*bora
p*dendo *er vista em termos desenvolvimentistas e na perspectiva de *çõ*s ca***terís*icas da
modernidad*1*, *sta é *i*c*nscrit* a um *rojeto d* modernidade incompleto *n*e * do*inação
rac*onal/burocrática, é ta**ém, a* m*smo t*mpo, m*rcada p*la dom*nação tradicional. 12
9
Hoj*, a *rópria *ógic* dos termos *çud* e ba*rag*m podem ganha* se*tid*s diferen*es, ou at* me*mo
complement*res e semelhant*s. Na
primeira **tuação, é comu* que no imaginário da região Nordeste,
o
primeiro (açu**) represente uma estrutura m*nor, m*is *imples e c*nstruída, muita* vezes pelos *róprios
usuá*ios e o segundo (barragem), repr*sente um* gran*e obra estruturante, um *mpreendiment* *overname*tal,
**incipalme**e no contexto atual *igada a proj*tos d*senv*lvim*ntistas. Esta *t*i*uiç*o de *entidos dá-se, n*
inter*or de um pro*esso históri*o, desde * criação de inúm*ros aç**es por parte do Estado bras**ei*o, no âmb*to
*as pol*ticas de açudagem rea*izadas pelo DNOCS, como u*a da* cham*das med*das de combate às secas qu*
at*n*i*m a região do semi-árido nordestino, a*é as p*l*ticas ma*s atu*is na região ligadas * projet*s
desenvolvimentist*s. *o p**to de vis*a técnico, os t*rmos açudes e bar**gens são entrelaç**o* e
complementares. Açude é construção d*
terra, pedr*, cimento etc, de*tinada a repres*r á*uas fim de s*rem a
usa*as na g*ração de *n**gia, *a agricultura, ou n* aba*tecimento. Barr**em ou represa é um lago que s* for**
*or rep*e*amento.
Em muitos
ca*os os t*rmos a*udes e barragens se confundem no imaginário dos grupos
e0nvoltos a est** políticas e são tr*t*dos também *omo termos equi*al*nte*. 1
A*ualmente as *olíticas *overname*tais e a pró*ria l*gica instituci*nal do DNOCS têm buscado desde o início
da dé*ad* de 9* novas soluções no *mbi** da a*ticulação de a*ões e *olíticas de con*ivênc*a com o semiárido,
em cont**posi*ão a no*ão de "comb*te a s*ca".Deve-*e respeitar a natureza e ** parti*ularidades do semiá*ido.
Par* isso, * necess*rio que seja desconstruído o conc*ito negativo de semiár*do e *e con*trua um mai* adequ*do,
p1riorizando a con*ivência. 1
Esse id**rio ***erno diretamente ligado as política* desenvolvime*tistas tem *ido o*jeto de estudo de di*ersas
pe*quisas nas *l*ima* déca*as, principalment* qu*ndo se *rata da problemática *os desl*camen*os *e popu*ações
envolvid*s *ireta * indiret*mente *or grandes pro*etos, o qu* *em o*asionado uma serie de *mplicações
e
Rev. *SA, Teresi** PI, v. 1*, n. 1, art. 6, *. *29-1*8, ja*./fev. 2017 ww**.fsanet.*om.br/rev**ta
M. V. P. *livei**, R. N. Araújo, *. C. Rodrigues, J. *. F. Sampaio
*42
De **to, inúmeros *ç*d*s for*m co*struídos na pauta d* problemática da s*ca no
Nordeste, e *os últimos anos grandes projetos ligados a p*l*tica de distribuição d* á*ua,
desenvolvimento regional, além da *uest*o
**erg*t*c* te* si*o
r*sponsável pela const*u*ão
*e inú*eras barragens neste espaço. O Estado s* ap*esenta, assim, como principal agent*
desse pr**esso de terri**rializaçã*. E*tretan*o, territor*ali*ação não
pod* ser pens*do co**
uma via de m*o únic*. Apesar d* gere*ci*do ex*erna*ente pelo e*tado, ess* *roces*o também
ref*rça
id*n*idades
étnicas
indi*id*alizad*s
(OLIV*IRA,
1999),
inst*t*indo-se
territor**li*a*es.
Ness* se*t*do, terri*orialidades são defi*idas pelo confl**o *ren** a* apa*elho d*
Estado-**ção13,
pois apesar da
ide*a de nação com* al*o homogêneo, e
da sua consti*uição
pol*ti*a e territor*al, *erm*necem o* confl*tos entre as fronteir*s do* sis*emas so*iais
*
culturais *ifer**tes. O E*tado-na*ão ao s* apro*i*ar do gran*e c*pital p*ocura h*mogeneizar
comunidades tradicion*i* qu* *m *eação * ação do *stado e bu*cando manter seus modos de
viver, constr*em "territor*a*i*ade* especifi*as" (ALMEI**, 2008).
Inclusive, é nesse context* que Alfre*o W*gner de Al*eida
afirma que
te*ri*o*ia*idades espe*íf**a* são construída* frente ao *onflito p*r
grupos que se veem
*m*açados f**nte *ções ex*ernas. *es*e **ntid*, em inúmeros casos, a noção **rre*te ligada a
"terra de
c*m*m" é *cionada c*mo um forte *l*mento de identidade, indi*sociáv*l
do
território ocupado e de regras *e apro*riação bem específicas (*L*EID*, 2008).
A noção de "t*rra de comum" está l*gada ao si*tema
de
**o comum da te*ra
(AL*EI*A, 2008; LITTLE, 20*2). Sistemas fundado*
h*stori*amente no processo
de
de*agregação e *ecadência das pl*n*a*ions alg**oeiras e de c*na-de-açúcar, situaçõe* onde os
própr*os p*opriet*rios
ent*egaram, do*ram *u ab*n*onaram *ua* terras em *ace da crise. A*
for*as de uso com*m s*o contra*i*õe* do
próprio *esenvolvi*e*to do capitalismo e são
es*encia*s pa*a con*trução de identidades **p*cíficas e a formação *e *es*st*ncias perante
ações *xte*nas (ALMEIDA, 2008).
Os siste*a* de
uso comum tor*a*am-se e*senciais para estreitar vínculos e f*rjar
um* coe*ão capaz, de certo modo, d* *a**nt*r o livre acesso à terra **ente a *utro*
grupos *ocia*s mai* pode*osos e cir*unstancialme*te afastados (ALMEIDA, 2008, *.
1 * 5 ).
mudanças nos modo* de vida desses grupo*, inclus*ve com * cheg*da
*e difere*te* a*ores nesse* te*r*tórios. A
p*r*p*sito, as pesquisas em andament* dos au**res dest* trabalho tratam d**e*amente de**a *ue*tão.
1
13
Sobre os tipos i*ea*s de *ominação ver *e**r (*972).
Eric Wol* *az uma e*p*cie de "reconstrução" h*stórica desse proces*o d* su*gimento *a n*ção * exami*a *omo
a for*ação *e uma nação reúne p*pulaçõe* cu*turalmente d*ve*sas pla*mando pau*atinam*nte sua *nte*ração
numa estrutura ma*or por mei* da prolifer*ção de padrões cu*turais *a** homogê*eos (WOLF, 2003).
***. FS*, Te*esina, v. 14, n. 1, ar*. 6, p. 1*9-1*8, jan./fev. 2017 www4.fsa*et.com.br/revista
Ser*ão/Açudes no Im*gi*ário Socia* e as Política* de Desenvolv*me*to Recente no N*rd*ste
143
* * d*ntro dessa lógica que *as últim*s dé*a**s no Brasil, inclusive no Norde*te, t*m
s*rgido uma s*rie de denominaçõe* específicas atrel*das ao sistema de uso co*um: "terras de
preto", "terr*s d* san*o",
"terras de parentes", "terras *e ausente",
"terras de irmandad*",
"terras de
heranç*", *tc (ALMEIDA, 2008), ***o reforço de uma
identidade
específi*a
e
instrumento de luta frente a desest*uturação de seus *odos de vida *m c*nse*uência de
pol*ticas desenvolvime*tistas e das gr**des ob*a* *igadas a esse **o*es**. Nesse sentido,
pod*mos citar os casos *e*ent*s de *o*ulaç*es locais
atingidas
*o* barr*ge*s em *azão
de
co*apsos e/ou co*strução de*ses empreendiment*s.
De*sa forma, o m*smo pro*esso de deste*rito*i*lização que pro*oca a *esestruturação
de modos de *i*a locais também te* ampliado o nível d* organi*ação pol****a d*sses g**pos
c*m a part*cipação e en*ajamento deste* em *e*es, de d*fesa * v*loriza*ão do te*r*tório. U*a
territ*ri*lida*e q*e se proc*ssa
agr*gando novos *lementos no **n*ido d* uma organizaç*o
p*l*tica * no sen**do de artic*lação em *ed* nas mobiliza*õ*s e* b*sca de d*reit*s.
D*ssa forma, *o mesmo modo q** g***os dom*nantes, m*i*** vezes mediado* pelo
Estado, for*ulam estratég*as de *ierar*uizaçã*, ou comple*e*t*rid*d*, nada **pede que
*las*es subalterna* *u excluíd*s também se organizem territorial*ente em redes
de
solidariedade. *n*uanto lógica capitalis*a é **gida por um a
a*i* instrumental baseado
em
regras técnicas
de natureza técni*o-científic*, h* outras lógi**s cuja v*gênc*a ** normas
depende do *ntendi*ento inters*b*eti*o, uma rac*on*lidade comunica*iva *e**a*a pe**
**teração simbó*i*a (HAESBAERTCOST*, 1995). A busca de re*st*utura*ã* por parte
de
grup*s atingidos p*r g**ndes empreendime*tos, na qual se *ciona modos d* viver específi*os
demonstram in*ícios dessa o*gani*a*ão pol*tica com ba*e em outra raciona*idade.
A dester**to*iali*ação da mesma for*a que promove deslocam**tos dist*ntos, ta*bém
pod* acabar reativando identi*ades de res*st*ncia e produzind* novo* localismos
(HAESBAERTCOS*A, *99*). **r isso, é *mpor*ante romper com dis*in*ão dicotômi*a *
entre
territorialização * desterri*or**li*a*ão, pois mesmo ne*t* há *a*gem para novos
processos de reterri*orializaç*o (HAESBA**TCOSTA, 1995),
*o se*tido,
d* novas
*erritorialidades que são *onstru*da*. Inclusive, pesquis*s recentes demon*tram que as
mesmas condiç*es responsáveis pela dester*i*orialização de pov*s *oc*is, tam*ém tem
permitido a partic*pação desses grupo* e* rede* p*ra defesa e val*rização *e seus t*rritó*i*s o
que pode ser *bs*r*ado n* criação de inúm*ras *ssociações *rganiz*d*s por es*es *ru*os no
senti*o *a luta *o*í*ica. N*sse s*ntido, * mesm* processo
de
des*erri*ori*lização *mpl*ca
Rev. *SA, Te*esi** PI, v. 14, n. 1, ar*. 6, *. 129-148, jan./fev. 2017
www4.*sanet.com.br/r**ista
M. V. P. O*iveira, R. N. A*aú*o, L. C. Rodrigues, *. L. *. Samp*io
1*4
também na ret*rritorial*z*ção do* gru**s en*olvidos, dessa vez organiz**a em novas *a*es *a
qual se ins*re um forte e*em*n** relac*onad* a luta polític*.
O Movimento de Atingidos po* Barrage*s - MAB, inclusive, tem sido um movime*to
s*cial bastante atu*nte no **nte**o nacional em busca de discurs*s alt*rnativos a ideologia
d*s*nvolvimen*ista *ue *em alime*t*do esses pr*ce*sos, p*is de *a** Barra**ns possuem um
lugar e*pec*al no âmago das i*eologias desenvolvi*entistas. Além da MA*, existem ho*e no
P*ís u*a div*rsidade *e movi*ent*s ma*s localizado* e ass**iaçõ*s li*adas a dif*ren**s
comunidades tradici*nais, quilo*bol*s e ind*gen*s *ue *em tido pape* de destaqu* na lut*
contr* esses grandes empree*dim*ntos.
Nessa direção, reter*it*rial*za*ão, marc*da pel* mov*me**o de apropriação e
reprodu*ão de r*l*ç*es sociais, i*sere-se no próprio m*vimento d* desterrit*riali**ção. Co*o
dit* por Haes*ae*t Costa (2*04),
a to*al ***territ*riali*ação seria u* mito incapaz
de
recon*ecer o *aráter de fo*mação de nov*s territórios uma vez que, conc*mit*nte ao processo
d* desterrit*rializaçã*, manifesta-se *ambém o de rete*rito*ializaç*o mesmo que
espacialm*nte *escontí*uo e complexo.
Portanto, as
políticas d* desenvolvimento rec**te *o N*rdes*e têm seguido
e
caminhado no âmbi*o desse* a*enciament*s construídos e compartil*a*os em meio a conflitos
e tensões d* dif*ren*es orde*s. Territor*alidad*s são **nstruídas e acion*das, no p*ano
mater*al e simbó*i*o n* *efesa e **lo*izaç*o de terr*tórios ameaçados por e*s*s proje*os.
5. CONSIDERAÇÕES *INAIS
Nos limites deste trabal*o a*ontamos para o tema da açudage* no Nordeste co*o
política p*bl*ca que *arca e constrói simbolicam*nte u* ima*iná*io de
sertão. *
problemática da seca aparece com* eleme*to fun*ante e d*s*urso *entral no âmbito *os
a**nci*ment*s políticos. *ec*s e a*udes aparecem com* categorias a*ia*s na constru*ão d*sse
*maginário, seja no
discu*so pol*tico e d*s *li*es econômicas, seja na de in*elec*u*is e *e
p*ssoas c*muns. *ma invenção si*bólica construída histor**ament*, * ag*nciad* pelo Estado
através das políticas públ*cas de *çu*agem, além *e outras cria*ões
disc*rsivas f*r*ul*da*
por intelectua*s que cr**ram e const*uíra* * território sert*o *o plan* *imbólico e con*eitual.
Ass*m, aç*des, inse*em-se na paisagem nordestina de *al forma que també* pode* ser v**to*
como
** el*mento identitá*io,
presente na *oétic* se*taneja, re**at*do na d*s*ri*ão
d*
paisagem e na relação de nordestinos/as co* o ambient*. É, port*nto, *m elem*nt* da
tessitura *eo-simbó*ica de
uma territori*lidade q*e se desen*a
hi*toricame*te *a relação
Rev. FSA, Teres*na, v. 14, n. 1, art. 6, p. 129-148, *an./*ev. 2017
ww*4.fsanet.com.br/revista
S*rtão/*çudes *o Ima**nário Soci*l e as Políticas de De*envol*imento Recente no No*de**e
145
seca/á*ua. No context* de projetos de**nvolvim*ntistas li*ados ao ideário moderno, açudes e
barr*gens
im*licam processos de *es-r*territo*ialização (HAESBA*RT COS*A, 1995) no
N*rdeste rec*n*e. Tal po*í*ica d*
*esenvolvimento tem *m*licado confl*tos e tensões na
*egi*o. *essa *ireção, deste*ritorializ*ção p*ovoca desloc*ment*s disti*tos e desestruturação
de modos de v*d* e*pecífic*s, de p*v*s **cai*,
que **mpar*ilham de u** racionalidade
*e
ent*ndimento int*rsubjetivo. Concomita*te a isso, mesmo proce*so de deste*rito*ialização o
também acaba *ea*ivan*o * *roduzi*do **vo* localismos, ou seja, de*te*ritorializ*ção
também
implica nov*s
**ocessos de r*ter*i*orialização,
poi* terr*torial*dades sã* acionadas
p*r grupos tradic*o*a**
em m*i* ao co*flito fren*e aç*es ex*ernas, *uitas v*z*s agen*i*da*
pelo *stado. Novos elementos *ão agregados n* territor*alida*e dos *ovos envol*idos dir*ta *
**diretamen*e por *sse* g*andes empr*e**imentos, princ*pal*ente no que se ref*re a luta
política e organização em *edes de so***ar*edade em me*o a sit*ação de conflit* * a ameaça d*
seus ter*it*rios.
REF*RÊNC*AS
*B*EU, J. C. O **rtão. In: ______.C*pítul*s *e Histór*a Co*onial (1500-18*0). B*asília:
Edito*a *n*versidade de Brasília, 1982, pp. 1*3-16*.
ALB*Q*ERQUE JÚNIOR. D. M. A i*venção do No*deste e o*tras
artes. 3ª E*. R*c*fe:
F*N, Ed. *a*s*ngana; São Paulo: Cortez, *006.
AL**I*A, *. W. B. Os
p***essos d*
territorializ**ão. In: ______. Terra ** qu**o*bo,
terras indíge*as, "babaç**is livres", "c**tanhais do po*o", faxina*s fundos de pasto: e
terras tr*d*cionalmen*e ocupadas. M*naus: P*CSA; Uni*e*sidad* Feder*l do Ma*anhão,
2008. p. 118-*27.
ALME*DA, A. W. B. Us* c*m*m nas regi**s *e co*o*i**ção **rária. In:______.Terra de
q**lom*o, terr*s indígenas, "*ab*çua*s l**res", "castanhais do *ovo", faxinai* e fund*s
de pasto: terras tradicionalme*te ocu**das, Ma*aus: *NCSA-UFMA, 20*8, p. *42-158.
ANDRADE,
M.
C.
A interven*ão
do Estado e a Seca
no N*rdes*e do *rasi*. Rev*sta de
Eco*omia Polít*ca, v. 6, n. 4, 1986, pp. *25-*30.
ANDRADE,
M.
C.
A terra e o homem *o Nord*st*: contribuição ao est*do da questão
agrária no N*rde*te. São Pa*lo. Atlas, 1986.
**DRADE, M.C. A Problemátic* *a seca. Re*ife: Lí*er Gráfi*a, 1*99.
ARAÚJO, *. *. Herança de difer*ncia**o e futuro de fragmen*ação. In:______.Estudos
ava*çados 29. São ***lo: USP, 1997, pp. 7-36.
Re*. F*A, Teresina *I, v. 14, n. 1, art. 6, p. 12*-148, ja*./fev. 2017
www4.*sanet.com.br/revis*a
M. *. P. Ol*veira, R. N. Araú*o, L. C. Rod**gues, J. L. F. Sampaio
146
BEZERRA, M. A. A. et al. Gest*o
das água* de **rragens do Nordeste * partir de u*a
pers*ecti*a social e e*onômi*a. ANA*S... 47º Congresso da Associação *ras*l*ira de
Ec*nomia, Administração e Soci*logia Rural- SO*ER. Porto Aleg*e, 26 a 3*
de j ul h* de
***9, 13 p.
Disponível em:http://www.sober.org.br/pa*estra/*3/61*.pdf. Ac*sso em: *5 de
setembr* de 2012.
BOURDIEU, P. Esboço de uma teoria d* prática. *n: ORT*Z, R. (org.). Pie*r* *ourdieu.
São Paulo: Át*ca, 1994. (Cole*ão Grandes C*en**st*s Soc**is).
*OURDI*U, P. O poder
sim*ólico. Tr*dução de F*rnando *omaz. 3ª
ed. Rio de Jane*ro,
Bertr*n* Brasil, 2000.
*URI*I, *. de. O; AGUIAR, J. O. As secas e a **stó*ia no semiári*o d* N*rdeste:
Representações
da*
paisa*ens naturais e cu**urais da re*ião. In: APO*INÁR*O, J. R. (org.)
*aisagens híbrid*s: fontes e escrituras da História. Camp**a Gran*e: EDUEPB, 2011,
p*.
387-418.
CARNEIR*, *. O. * DNOCS e os recursos hídricos do Norde*te se*i-árido. Revista *. 32
*o I*st*tuto Histór*co e Geog*áf**o Paraibano. João Pes**a, 2*0*.
CAST*RIADIS, C. A instituição imagi*á*ia da *ocied*de. Rio de Ja*eiro: Pa* e T*rra,
1986.
C*STRO, L. "Cassacos": trabalh*, cot*diano e conflitos nas frentes
d* s*rviços na Bahia
e
no *eará (*945-*9*2). An*is do XXVI Simpósio Naci*na* de Hi*tória - *NPUH, S*o Pa*lo,
* ul ho d* *0*1.
CO*NERTON, P. Como as so*ied*des record*m. Oeir*s: Celt* Editora, 1993.
CUCHE, D. Cultura e ident*dade. *n:______.A n**ão de cu*tura nas ciênc*as sociai*. Baur*:
EDUSC, 2002, pp. 175-*02.
D´*LMEIDA, O. G. O povo**ento do Piau* pelos cr*adores
de gado:
Domingos Afonso
sert**. Boletim Geográfi*o, v. 20, n. 169, *962, pp. 409-414.
DOMINGO*, N. M. * interven*ão do Es*ado. I*:______. *eca seculor*m, flag*lo e mito na
eco*om*a **ral pi*uie*se. Teresi*a, **ndação CEPR*, **83, pp. 121-*46.
MEDEIR*S FILHO, J.; SOUZA, I; Os degredados filhos da seca. 3ª E* Petrópoles - RJ,
Editora Vozes, 19**.
GEE*TZ, *. Uma
descriçã* densa: por uma
teoria interpretativa
da cu*tura. In:______. A
interpretação das *ulturas. Rio de Ja*eiro: Guanabara, 1989, pp. 13-41.
GOLDENBERG, *. A arte de *esqui*ar. Rio de J*n**r*: Record, 2*01.
*UILL*N, I. C. M. O *ertão * a *den*idade n*cional em Capistrano d* Abreu. In: BU*I*Y, J.
A. Cultura e ident*dad*:
perspecti*as interd*scipli*ares. Rio *e Janeiro: D*&A, 2002,
pp.
*05-*41.
*e*. FS*, Teresina, *. 14, n. 1, art. 6, *. 129-1*8, *an./fev. 2*17
w*w4.fs*net.com.br/**vista
Se*tão/Açude* no Imaginário Social e as Políti*as de Desenv*lvim*nto Rece*te no Nordeste
147
HAES*AE** COSTA, R. *aúch*s no Nor*este: modernid*de, (des) ter*itoriali*ação
e
ident*dade. Tese (Dout*ra*o em Geograf*a). São Pa*lo. USP, 19**.
HAE*BAERT CO*TA, R. * mito da desterr*to*ial*zaç**: *o "**m dos ter*it*rios"
à
multiterritoria*id*de. Rio de Ja*eiro: Bertrand Brasil, 20*4.
HALBWAC*S, M. A memória *oletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
*A*L,
*. A **entidade Cultural na Pós-*odern*dade. Rios d* Janeiro: DP&A Ed*tora,
1*98.
HOU*ISS, *. Dici*nário Houaiss da *íngua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva,
2001.
LEAL, V. N. Coroneli*m* e * coroneli*mo de cada um. Dado*, vol. 23, N° *, 1*80.
L*GROS, P; MONNE*RON, F; RENARD, J-B.; TA*USSEL, P.
Sociologia *o
i**g*nár*o. Su*ina: Po*to Alegre, 2007.
LIMA, R. M*ndar * sertão: ou quando o Jag*arib* vir*u açude no Ceará. *vá, P*sa*as, n. 13,
jul. 2008, Disponível em: http://ww*.s*ielo.org.ar/scielo.*hp?*cri*t=sc*_arttext&pid=*1851-
16*420080*0200003. A*ess* *m: 1* setembr* 2015.
L*T*LE, *. Territór**s so**ais e povos
tradici**ais no Brasil - por
*m* antropologia
da
territ*rialida*e. *impósio "Natu**za e Soc*e*ade: D*sa*i*s Meto*o*ógicos para
a
Antro*ologi*", na 32ª R**nião de Antropolo*ia, Gr*mado, Rio Gra*de do Sul, 2002.
M*RT*NS, *. de S. et al. Piauí: *volução, r*alidade e desen*olv*ment*. *ª. e*., **v.
-
Te*esi*a: F*ndaçã* Cepro, 2*0*.
ME*D*S, F. Economia e *esenvolvimento do Piauí. Tere*ina: Fun*ação *onsenhor
Cha*es, 20*3.
M*ND*S, J. M. O. O *e*afi* *as ide*tida*es. I*:______. A Gl*baliz*ção e as Ciên*ias
Sociais. São Paul*: C*rtez, 2002, pp. 503-**0.
MILLS, C. W. So*re o artesanat* i*telectual. In:______. Sobre o a*tesanato int*lectua*
e
outros ensaios. Rio de Janeiro: *orge Z*har, *009, p. *1-58.
MOLLE, F.. Marcos h*stórico e Reflexões s*bre a Açudagem e s*u
aproveita*e*to.
R*cife:
SUD*NE,
D*G/PRN/HME,
19*4,
198
p.
Dispon*ve*
em:http://horizon.documentation.ir*.fr/*xldoc/**eins_textes/plei*s_textes_7/div*rs2/*100334
10.pd*. Acesso **: 16 setembro 2015.
M*RAES, M. D. C. Memórias *e um *er*ão ***encantado (modernização agrícola,
*arra*ivas * atores s*c*ais nos cerrad*s do *udo*ste p*a*ien*e). ***e (Doutorad* em Ciênc*as
*ociais). Universi*a** Estadual d* Campina*. Ca*pinas: UNICAMP, 2000.
MORAE*, M. D. Trilhas e enredos *o ima*inár** Social d* ser*ão no Piauí.
C*RT*CEPRO, v.24, n. 1, 200*, pp. 38-49.
Rev. ***, Teresina PI, v. 14, *. 1, art. 6, p. 129-*48, jan./fe*. *017 *ww4.fsanet.com.br/**vist*
M. V. P. *l*veira, *. *. **aújo, L. C. Rodrigues, J. L. F. Sampaio
148
OL*VEIRA, J. *. Uma e*n*logia dos "*ndios misturado*?" In:______. A Via*em da volta:
etnicidade, política e reelabo*a**o *ultural no No*deste in*ígen*, *io de ja*eiro, E*.
Contracapa, 1999.
**IVEIRA, *. V. *. A*GODÕES I: UM *RAMA SOCIAL. Pov*s e terri*órios
do
*çude/Barrage* Algo*õe* I, em Cocal, no Piauí: **oces*os, *tores, narr*tivas. Disser*ação
(M*strado em An*ropologia e Arqueologia). Universidade Federal do **au*. UFPI: Teresina,
2013.
PRA*O JUNIO*, C. A pecuári* e * progress* do povoamento n* No*d*ste. *n:______.
Hist*ria econômica do *ra*il. S*o Paulo: Brasil: *rasiliense, 1945, pp. 66-**.
REBOUÇAS, *.C. Água na r*gião Nord**te: desperdí*io e escass*z. Estu*os
Avançados/*SP, 11 (29), 1997. Di*ponível em: http://www.scielo.br/s*ielo.ph*?*id=S0103-
40*41997000*00*07&script=sci_arttext Acesso em: 12 *arço 201*.
*IBE*RO, D. B*asil sertanejo. I*:______.O p*vo bras*leir*: a formação e * sentido
do
*rasil. São Paulo: Companhi* das Letra*, 1998, pp. 339-363.
**MPAIO, J. L. F. A fo*e e *s duas faces do Estado no Ceará. Tese (Dout*rado em
Geografia). Depart*mento de *eogr*fia/FFLCH/USP, São Paulo, *999.
SOUZA, *. V. A p*tria geográ*ica: sert*o e li*o*al no pensam*nto social bras*leiro. Goiânia:
U*G, ***7.
THO*PSON, E. P. O
termo ausente: exper*ênci*. In:______.A mis*ria da teo*ia *u um
plane*ário de erros: um* crítica ao pensamento de A*thuss*r. *io
de Janeir*: Z*har,
19*1.
pp. *80-*01.
WEBER, M. Ci*ncia e Política: *uas vocações. São Pa*lo, C*ltrix, 197*.
WOODW*RD, K. Id*ntidade e dif*rença: uma *nt*od*ção t*órica e c*ncei*ual. In: SI*V*, *.
T. Identidad* e diferenç*: a persp*ctiva dos estu*os
culturais. Petrópolis, R*: Vozes, 2000,
pp. 7-72.
C*mo Referenciar e*te Artigo, confor** ABNT:
*LIVEIRA, M. V. P. et al. Sertão/Açude* no Imag*nári* Soc*al e as Políti*as de Desenvol*i*ento
Re*ente *o Nordeste. Rev. FSA, Te*esin*, v.14, n.1, ar*.6, p. 12*-148, ja*./fev. *01*.
Con*ribuição d*s Auto*es
M. V. P. Oliveira
R. N. Araú*o
L. C. R*dr*gues
J. L. F. Sam*ai*
*) concep*ão e pla**jamento.
X
X
X
X
2) análise e in*erpretação dos *ados.
X
X
X
X
3) elaboração d* ra*cu*ho ou na **visão crítica do conteúdo.
X
4) p*rti*ipação na aprovação da vers*o final do manu**rito.
*
X
X
X
Rev. FSA, T**esina, *. 1*, n. 1, art. 6, p. 129-148, jan./fev. 2017
**w4.fsanet.com.br/revista
Refbacks
- There are currently no refbacks.
ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)