www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 1*, p. 198-219, jan./fev. 2017
I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298*
http://dx.do*.org/10.*2819/2017.14.1.10
Conhecimentos e Práticas *e Reduç*o de Danos de Profissionais do Nú*l*o de Apoio * Sa*de da
F**ília
Knowledg*\* and Practic*s of Harm Red*ctio* o* Professi*nals of the Ce**er of *upport fo*
Fam*ly Hea*t*
Cristi*ne Nascimento de Agu*ar *odrigues
Mestr*** em Saúde d* Família pela Un*versidad* Federal do C*ará
Graduação em *nf*rmagem pela Uni*ersidade *ed*ral do Ce**á
E-mail: *ri*-igor@hotmai*.c**
Aluísio *erreira de Lima
D*u*or em Psic*logia pela P*ntifícia Univers*dad* Católica de S*o Pa*lo
*rofe*sor em Psi*ol*g*a da Unive*sid*de Federal do C*ará
E-mail: aluisiolima@hotmail.*om
Emanuel Mess*a* A*u*ar *e Cas*ro
M**trado em Psicolo*i* pela *niversida*e Federa* *o *eará
Graduação em Psico*ogia p*l* Universi**d* Est*dual do C*ará
E-mail: e**nuel_mes*ias.adc@*ormail.co*
Beat*iz Olivei*a Santos
*radua*ão em Psic**ogia pela *niversidade F*der*l *o Ceará
E-mail: psico_b*a@*otmail.*om
Paul* *esar A*meida
Doutor em Saúde *úblic* *ela Universidade de São P*ulo
Prof*ssor da Universidade Fed*ral do *e*rá
E-mail: p*2015alme*da@g*a*l.co*
Endereço: Cri*tiane Nascimento de A*uiar Rodr*gue*
E*dereç*: Av. da Universidade, 2*62, Área II, C*,
De**rtamen*o de Ps*colog*a. *EP: 60*20.180. Fortaleza.
C*ará.
*ndereço: Aluísi* Ferreira de Lima
*n**re*o: Av. da Uni*ersidade, 27*2, Ár*a II, CH,
Depar*amento de P*icologia. CEP: 60020.180. Forta*ez*.
Ce*rá.
Editor Científico: Tonny K*rley d* Ale*car Rodrigues
Artigo rece*ido em 11/10/*016. *ltima ver*ão
recebida em 07/11/2016. Aprov*do em 08/11/**16.
Endereço: Emanuel Messias A*u**r d* Castro
A**lia*o p*l* *istema Tr*ple Re*iew: Desk *eview a)
Ende*e*o: Av. da U*iversidade, 2762, Área II, C*,
p*l* Editor-Chef*; e b)
Double Blind *e**e*
D**artamento de *sicologia. CEP: 600*0.1*0. For*aleza.
Ce*rá.
Endere*o: Beatr*z Oliveira Santos
Endereço: Av. da Unive**idade, 2762, Área *I, CH,
Departamento de Psic*l*gia. CEP: 6*020.180. Fo*t*l*za.
Ceará.
Endereço: Paulo Cesar *lmeida
E*d*reço: Av. da Universid*de, 2762, *r*a II, CH,
Departamento de Ps*col*gia. CEP: 600*0.1*0. Fortalez*.
Ceará.
(aval*ação ce*a *or **is a*a*i**ores da *rea).
*e**são: *ram*t*cal, N*rmat*va e de Form*t**ão
Apoi* e fina*ciamen**: C*Pq, Conselh* Nacional de Desenvolvim*nto Científico e Tecnológico.
Conh*cimentos e práticas de Redu*ão de Danos de profissionais do Nú*leo de *poio à Saúde da Famíli*
199
RESUM*
A pr*blemá*i*a do u*o de drogas se contextu**iza *a vida dos i*divíduos atr*vés de múltiplos
fatores que necessit** ser identificado*, fim de que uma terapê*tica m*is adequada seja a
*plicada. Diante desta
questão, * Reduçã* de D*nos desponta como uma
e*tratég*a que
defen*e o protago*ismo *a pes*oa no c*idado, dando-lhe autono*ia para alcançar me*ho*es
níveis de s*úde. Esse estudo tem p*r objetivo a*resentar os co*hecimentos as *ráticas e
de
Reduçã*
*e
Danos acerc* da problemát*ca
do uso do álcool, cra*k * outra* d*ogas
desenvolvidas p*r profiss*onais do Núcleo
de *poi* S**de da Família no *unicí*io à
de
For*aleza-C*. Para alcançar tal obje*iv*, r*ali*ou-se uma p*squisa explorat*ri* e des*ritiva,
com u*a a*orda*em quant*ta*iva, por meio de
e**revista **miestruturad* c*m 19
profis*ion*is **e exercem
suas at*v*dades em Núcleos de Apoio * Saúde da Fam*lia. Os
result*dos perm*tiram comp*ee*der *ue, emb*ra predomine* profi*sionais concordan*es co*
a p*opo*ta de Reduçã* de Dano* nos N*c*eos de Apoio * S*úd* d* Famí*ia no Muni*ípio de
Fo*taleza, * conhecim*nto destes ainda é rest*ito, sendo q*e a forma*ões na área ainda
se
apr**enta
consid*ravelme*te limitada, o que compromete a atuaç*o desses pr*fissi**ai*
no
que se refer* ao aten***ento a
*essoas q*e fazem uso proble*átic* d* substâ*c*as
*sic*ativ*s.
*alavras-chaves: Redução de danos. *tenção
Primár** à Saúde. Práticas *rofissiona*s.
Su*stânc**s *sicoativa*.
ABSTRACT
*t is understood *ha* the problem
of drug use is c*nte*tualiz*d in the live* of individ**ls
thro*gh multi*le fac*ors that need to be identified, s* that a **re appropri*te tre*t***t
*s
*ppli*d. *aced w*th this ques*ion, *he **rm Reducti*n emerging as a strategy that de*en*s t*e
role of the person in care, gi*ing you the a*tonomy to achieve bet*e* he*lth *evels. This *tu*y
ai*s **scribe the kno*l*dge and Harm Reducti*n practices about th* to
*r*blemat*c us* of
alcoho*, *ra*k *nd other dr*g* developed by prof*ssi***** from th* Center for Support to
H*alth
in the city of Fortaleza-CE. To achi**e this goal, **e*e was an *xplorat*ry *nd
d*s**iptiv* s*udy wit* * quantitat*ve approach through s*mi-structu**d
i*t*rvi*ws with
19
profess*onals
who *xerc*se their act**ities in Cen*ers of Suppo*t for Famil* Hea*th. *s
*
re*ult, it was revea**d *hat although c*n**rdant p*ofes*ion*ls pred*mina** w*th the prop**ed
har* *eduction,
knowledge *s still *im*ted, the fo*mations in the a*ea still
ha*e considera*l*
li*ita*ions, whi*h
com*romises the
p**f**mance o* these profession*ls reg*rdi*g service
p*ople w*o *re **oble*atic substance use.
Ke*wor*s: Harm Reducti*n. *rim*ry He**th Care. Pro*essio**l Pra**ices. Psy*h*ac*i*e
Substances.
Rev. FSA, *eresina PI, v. 14, n. 1, **t. *0, p. 19*-21*, jan./*ev. *017
www4.fsa*et.*om.*r/revi*ta
C. *. *. *odrigue*, A. F. Lima, E. M. A. *ast*o, B. O. Santos, P. C. Almeida
200
1 INTRODUÇÃO
O debate *obre * uso e abuso de substâncias ps*coativas é um tema com*lexo no
campo da saúde * produz s*gnificativas div*rg**cias en*r* os pro*ission*is quant* às
*s*r*tégi*s e práti*as q*e *evem *er usadas para ab*rdar o tema no c*tidi**o dos **r*iço* *e
atenç*o. * fenôme*o do uso dessas su*st*nci*s e*tá re*ac*onado a uma miríade de fatores qu*
vão **s*e aspectos pess*a*s e singul**es de cada indiví*uo, dimensão *conômica e soci**, até
o es*im*l* de us*,
como no *as* d* álcool, *ela grande indúst*ia
cult**al
e pel**
comp*exidades v*v*das no mu*do real (LIM*; GONÇALVE* NE*O; LIMA, 201*).
Paiva, Co*ta e R*n*a*i (2012) as*inalam que * lite*atura recente,
produzida sobr*
o
tema, tem ap*nt*do q*e na* regiões e* que o c*ntex*o de vida das famílias é acentuadam*n*e
marcado
pel* falta
de condiçõ*s míni**s de q*alidade de vida, *omo
*aneam**to básico,
espaços *ecr*ativos,
**ém da violên*ia, o uso e ab*so
de substânc*a* psicoativa* ten*e * *er
acent*ado fazendo parte *o cotidian* dess*s r*giõ*s.
Essa é a real*dad* *e um* parcela signif*cativa *as fa*ílias *u* *ão atendidas no
contexto da Atenção Primár*a pelas eq*ipes da E*trat*gia Saúde *a *amí*ia (ESF). Em g*ral,
o fo*o d*
atua**o de*tas equipes *stá s*tu**o
em ár*a* de risco e *ul*erabilidade, onde os
territórios alvos são
fo**e*ente marc*d*s tan*o pelo consumo, quan*o pelo tráfic*
dest*s
*ubs**n*ias. Assim, diant* *es*e context*, *v*de*c*ou-se a ne*ess*d*de d* cons*ante dis*ussão
*obre o tema, a fim de que *ejam elaborad*s e execu*adas ações de *aúde que l*vem em co*ta
a com**exidade do tema * sua* causas mul*ifatoriais.
Uma d*s estratégi*s que
v** sendo instituídas em muitos
espaços de atenção é
a
Redu**o
de D*nos (*D). El* defende a ideia da participa*ão mai* ativa
do público usuário
dos serviç*s ju*to * equ*pe m*ltidisc*plinar de saúde, p**s tem ***o press*posto fundam**ta*
a
valorizaç*o da autonom*a dos sujeitos e* traçar os
camin*os mais ade*uado* para
qu e s e
pos*a produzi* uma *erapêutica *propriada *iante das espec*ficidad*s de *ada usuário.
Realiza* Reduçã* de **no*, como ap*nt*m Vinadé, Cruz * Bar*eito (2014), é utiliza*
*eios mais interessa*te* para que se encontrem po*sívei* formas a*tô*omas de uso
de
d*og*s. Esta estratégia não descarta a *iminu*ção *o *so ou * *bstin*n*ia,
*as busca
for**lecer práticas de mai*r a*tonomia, conforme o es*i*o de vida e a situação d* *a*a *essoa.
Nes** senti*o, a Redução de D*no* não tem c*mo finalid*de úl*ima a abstinência, e sim evitar
consequências prejudic*ai* ao in*ivídu*, c*mo danos *ís*cos, mortes e seque*as por c**sas
externas com* v*olênc*a e acidentes (*RASIL, 2013*).
Rev. FS*, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-2*9, ja*./f*v. 2*17 www4.fsan*t.*om.br/rev*sta
Conhecimentos e p*áticas de Redução de Dan*s d* pro*is*ionais do N*cleo de Ap*io à S*úde da Família
201
Por *er a *D uma estratégia qu* ex*rapola a e*pe*ificidade das diversas pr*fissõ*s da
saúde, surgiu o interesse em pes*uisar como os p*o*is*ionais do Núcleo *e A*oio à Saúd* da
*amília, um grup* rela**v**ente
novo,
com início em 2009, *ue
atua em meio à*
ações
promovidas pelas equipe* da *SF, como p*econizam os Cadernos de Atenção *ásica
(B*ASI*, 2014). Co* *sso, *uscou-se *p*eender *s c*nhe*imento
e
pr*ticas f*e*te
*
pro*lemática do uso d* álcool, crack e
o*tras drogas desenvolvida* p*r pr*fissio*ais
*o
Núc*eo de Apo*o à Saúde *a *amília no Município de Fortalez*-CE. *s *ado* apresentados e
*iscutido no t*xt* f*ze* par*e da **ss*rtação de
*est*ado intitulada "par* garantir
o
anonimato e a**liação às *egas, incluire*os o ***ulo da di*se*tação, caso o presen*e artig* seja
aprov*do".
A*red*ta-*e que co* as in*ormações trazida* no artigo será possí*el obte* uma
co*preensão mais ampla s*bre a relação entre os profis*ionais de *aúde da atenção pr*mária e
as prá*ica* de R* poi*, a partir da* *nálises dos da*os foi possível identif*car as post**as d*s
profis*ionais do N*SF *rente à* pessoa* que fazem uso de álco*l,
crack outras d*ogas n* e
**nt*xto *a Ate**ão Primária; Desc*eve* *lgumas
das ações de Saúde Mental
dos
p*ofissionais do NAS*, relacionan*o-as à Estra*égia da Reduç*o *e Danos. Pa*a, com **so,
apr*s*ntar a*gumas conclusões sobre * r*l**** entr* NASF e RD em Fortale*a.
2 REFE*EN*IAL TEÓRICO
No Bras*l col*n*al, com a chegada dos portu*ue*es, desco*ri*-*e um *ostume antigo
realizad* pelo* í*dios que era produção *e a
uma *ebid* fermentada * p*rt** da ma*dio*a,
denominada por
eles como "cauim", utili*ada e*
rituais fest*vos co*uns à cultura l**al.
*empos depois a*renderam a faze* a cachaça, uma vez, que para pr*duzi* * açúcar através da
cana-de-açú*a*, pro*uzia-s* também um melaço proven*ente do pr*cesso de fermentaç**,
sendo este
*elaço depois destilado em alambique *e barro e posteriormente, e* de cobre.
(ANDRADE; ESPINH*IRA, 2014).
Compreender o* aspec*os histórico-*u*t***is, n* que *e refere * relação com as
diversas
comunidades e sociedade* po*sibilita ter um posici*na*ento mais crítico e amplo
rel**ivamen** ** u*o de dr*g*s e a *onstruir pro**stas sing*lares c*m vista* à d*minuição de
pr*blemas físicos, mentais * socia*s.
Q*ando o assunto é
p*r meio da *ó*ica do *iálogo,
na convi*ência e participação
a
partir do cont*xto d* vida *as pes*oas, * possível su*citar pe*sa*entos críticos naqu*les que
lidam com a proble*áti** em seu dia a d*a de *raba*ho * q*e, *uit*s *ezes, não cons*guem
Rev. FSA, T**esina *I, v. 1*, *. 1, art. 10, p. 198-*19, jan./fev. *017 www4.fsanet.*om.br/re*ista
C. *. A. Rodrigues, A. F. Lima, E. M. A. Cast*o, *. *. Santos, P. C. *lmeid*
202
ter u*a pos*u*a consciente e adequada
porq*e s* **ndamentam em precei*os teóricos sem
cons*d*rar as hi*tórias *e vida *o* *nd*víduos c*m os qua*s estão lidan*o. Daí * **portân*ia
de conhecer a vid* em comun*dade, estabelec*r vínc*l* *om as famílias e s*r real*s*a sobre as
neces*idades *articula*es, até porque atit*des que visam apenas à proib*ção não têm
contribuído com *espostas efeti*as até o* dias at*ais.
*e acordo com Ga*duro* e* al., (2005), I* levantamento Domici*i*r sobre * uso d* o
d*ogas no Brasil as*inala que 22,8% da pop*lação *esquisa*a e* 2005, valor correspond*nte
a 1 0 .7 * 6 .9 9 1 * e
*essoas, j* fizer*m us* na vida de algum tipo de *r*ga, *om exceçã* de
ta*aco e á*cool. O uso de álcool em 200* fo* de 12,3%. A maco*h* fico* em prim*ir* lug*r
entre as drogas il*citas, correspond*ndo a 8,8% dos ent*evistados, segui*a pelos solven*e*
com 6,1%. Em relaçã* à cocaína, 2,9% *ecl*raram tere* feit* *so. A cocaína, utilizada so* a
forma de c*ack, fo* *enci*nado por 0,7% dos *studantes no B*asil. O uso de
benzodiazepínicos f*i estimado em 5,6%
*a amostra, sendo as mulheres mais consumidora*
*o qu* *s homens.
Em relação ao á*co**, por s*r uma droga livremente comercializada, seu
consumo
torna-se provave*me*t* mai* elevado que da* d*mais, cont*ibu*ndo, assim, para o aumento
nos risco* e danos à saúde de
quem faz de fo*ma abu*i*a, *á que també* po*e
causar
dependênc*a, embora gra**e parte d*s *onsumidor*s não **eite ou acreditem ne*t*
possibilidade. Os transt*rno* de comportamento causado* pelo *so abus*vo de ál*ool, além de
causar diversos problemas sociais são um dos maiores resp*nsáveis por mortes *m assoc*aç*o
ao us* d*
*ro*as. E*tão também relacionadas com morb*dade* por
causas *xte*na* e *om
agravos de caráter somáti*o.
Sã* i*úm*ras a* *it*ações em
que a* pess**s procu*am, por de*an*a espo*tânea, as
unidades bási*a* *e saúde com quadr* de i*toxicação *guda ou com problemas lig*do* ao *so
nocivo de álcool. Des*a forma, to*na-se indis*ensável que a equipe saiba reco*hece* esse
m*men*o como uma opo**unidade *e in*ciar o acompan*amento, a fim de m*nimizar os da*os
deco*rentes d* *onsumo ex*essivo de álcool. Rib*iro (2*10) *p*nta q*e a *ociedade assume
u* a
postu** hipó*rita em **lação ao álcool *oi*, mes*o
m*dian*e à c*nfi*mação dos *ano*
provocados po* est* droga, dita líc*ta, *eu uso continua *mplament* divulgado e p*r*itido.
Os
atrat*vos impostos pela m*dia, em *issonância
com *s campanhas educati**s
limít*ofes, **ntribuem p*ra ge*ar c*nduta* pouco refl*xiv*s so*re o tema, deixando-o e*
s*gun*o pl**o, apa*en*eme*te sem impo*tân*ia e se* *ssoci*ção com outr*s prob*emas *o**
acidentes de trâ***to, ef*itos prej**iciais a di*ersas partes do cor*o, risc*s n* g*stação *o *
*ecém-nasc*do, dentre *utros.
Rev. F*A, Teresina, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-2*9, jan./f*v. 2017 www*.*sanet.*om.*r/revista
Conhecim*ntos * prát*cas de Reduçã* de *anos de profissio*ais do Núcleo de Ap**o à Saúde da Família
*03
Sobre * uso do *lcool, a
li*eratura aponta *inda que, depend**do das caracte*ísti*a*
*ess*a*s ** usu*rio * ** nível de álcool c*nsumido, pode não haver c**dições de se rea*izar
uma aval*ação mais *riteri*sa. Alguns pa*ientes podem se tornar ma*s violentos e *
*quipe
deverão evitar c*nfrontos que possam leva* à qu**ra de ví*culo, daí a importânc*a da ajuda de
amigos e fam*liares nestes c*sos (*RASIL, 2*13).
Acerca das de*a** drogas, conf*rme dados da segunda e*ição da Pesquisa Nacional
de Saúde do Escolar (PEN*E)
*o Instituto Bra*ileiro
de Geo**a*ia * Esta**stica (IBGE),
realizada *o a*o de 2012, a partir de um conv*nio e*tre o
IBGE e o *inisté*i* da Saúde,
drogas consideradas *lí*itas,
como a ma*on*a, *ocaína, cr*ck,
cola, loló,
l**ça per**m* ou
ecstasy, já *oram usadas por escolare* (7,*%). Qua*to aos **olescentes, 21,8% relataram já
te* sof*ido al*um ep*sódio ** e*briaguez na vida (IBGE, 2013).
O melhor mod* d* enfrenta*ento d*s *roblema* r*lacionad*s ao uso de dr*gas, assim,
* partir do *onhecimento objetiv*, aba****ando o se*so comum e os m*dos *ue *mpedem
uma ação focad* no cui**do e bem-estar dos sujeitos. Co*forme aponta Michelli et **. (2014),
de*e- se evi**r *m*osições ou co*frontos, * fim de *s*ab*l*cer uma r**ação de empatia *om
*isposiç*o para uma escuta reflexiva e *omp*eensi*a *ce*ca dos problemas *n*rentados p*la
pessoa, inc**sive so*re a difi***dade que ela t*m ** mud** sua *onduta.
Antes do r*al*nhamento da *olítica sobre *rogas, as ações voltadas pa** as pess*a*
que *az*am uso
de drogas eram planeja*as e construídas através de uma p*r*pectiva
r*pressiva, c*m discursos am*drontadore*, *ue não surtiam o *feito esperado. O *ro*rama *e
Redução
de Danos, como inicia*m*nte foi chamado, já ocorria na Europa de*de mea*os
de
1920, cuja *i**ória relata qu* em *olles**n, *m condado *o interi*r da Inglat*rra, hav**a um
*s*aço que funci*nav* co*o um centro de saúde.
** profissionais de *aúde, ao percorre*em o caminho a*é este c*nt*o, passavam
p*r
um g*upo de pessoas qu* fa*iam uso de álcool e drogas inj*táveis, *ais precisamente
a
heroína. Tendo em vista a in*ui*ta*ão que este fato provocava nestes técnicos (*édicos,
enf*rmeiro*) * a dificuldade que enfrent*va* em poder ajuda* e*tas p*ss*as, surgiu * ideia d*
distribuir t*i* drogas no **ntro *e saúde em q*e trabalha*a*. Desta *orm*, o usuário, ao
busc*r a droga no *entro de saú*e, ga*hava a oportunidade de receber vários ti*os
d*
cuidados, além de conversar com os profissio*ais que lá *s*avam, se a*s*m fosse d* vontade
dos m*smos. Os res**tados de*t* ação *oram tão posi*ivos que Roll*ston tor*ou-se
mundialmente conheci*o como o berço da Re*uçã* de *anos (SIQUEIRA, 2013).
N*s Estad*s U*id*s (E*A), durante o governo Reagan, co* o *bj*tivo de r*duzir
a
oferta o consum* de e
*rog*s *lícitas, esta*el*ceu-se um *iscurs* *epresso* e* meio
à
Rev. FS*, Teresina PI, v. 14, n. 1, art. **, p. 198-219, jan./*ev. 2017
www4.fs*net.co*.br/r*vista
C. N. A. Rodrigues, A. F. Lim*, E. *. A. Cast*o, B. O. *antos, P. C. Almei*a
20*
população cu*o perí**o fi*o* **nhec*do c*m* "Guer*a às Drogas", sendo c*nside*ada,
inclusive, como uma
estratégia política. *o ent*nt*, logo se percebe* que est* políti*a nã*
es*ava contribuindo ef*cazme*te para a
vida dos usuários, já que estes e*am considerados
igualmente em *eus p**rões de consumo, evidenciando, d*sta forma, diversas contradições
(VINADÉ; CRUZ; BARBE*TO, 2014).
Em 1984, *m Amst*rdã, *a Hol**da, *urg** um progr*ma experi*ental de troca de
seringas para Usuários de Drogas injetá*eis (UDI). Em 198*, *o mun*cípio de Santo*, em São
Paulo, iniciou-se
um ensaio a*erca d* *mplantaçã* do
pr*grama ** RD, qu* não
prosseguiu
dev*do a uma ação j*dicial proibindo o fornecime*** de seringas. **ta ação buscava evitar a
co*t*minaç*o e a diss*mi*ação do vírus HIV. De 1993 * 1998, ocorreram vários avanços no
*ontexto d* RD su**indo, em 1995, em S*lvador, na Bahia, o primeiro progr*ma de RD do
B*asil (NIEL; DA SILVEI*A, 2008).
No Brasil, *e u* *odo geral, a Red*ção de Danos surgiu vi*culad* à epi*emia d*
AIDS e, inicialmente, tev* a*pectos sanitaristas. *m relação
às abordagens sobre *lc*ol
e
outras d*ogas, er*m mais relacionadas *os **pectos da *us*iça que da s*úde (RE*S; SILVA;
ANDRADE, 2010). Final*e*te, *m 2003, *D t*rnou-se uma E*tratégia a
da Polí**ca d*
A*enção Inte*ral * Usuários de *lcool e outras Drogas (*INA*É; CRUZ; BARBEI*O,
2014).
*e*tre as diversas insti*uiç*es no país que buscam o fortale*imen*o d*
Polític* de
Redução d* Danos como pol*ti*a pú*lica, tem-se * As*o*iaçã* Brasileira de Redutoras
e
Re*ut*res *e Dan*s (*BORDA). A *BORDA foi cr*ada em 199* e está pr*s*nte em vári**
estados do Bra*il, contando com o en*olvimento *e pe**oas
que participam tanto *e
progra**s do gover*o, *om* de Orga*i*açõ*s não govername*tais (ONGs), defendendo
melhores condiç*es d* vida e de trabalho para ** *edu*ores *e danos, assim co*o * di*eito à
participação cidadã e demais direitos *á*icos das pessoas que seguem *sando droga*
(ABOR*A, 20*6).
Nesse sentido, a Estraté*ia da R*duçã* de Danos *onsti*ui-se em um c*nju**o de
p*lítica* e *rá*i*as, cuj* obje*ivo é *eduzir os danos associ**os ao u*o *e drogas psic*ativas
e* pessoas que *ão têm cond*ções de parar de usar droga* ou não q*ere* deixar d* usá-la*.
Se* maior obj*tivo é a prevenç*o
aos
danos, não a utili*ação
*m si, pri*rizando aquele*
continuam usando drogas (*ARBOSA ** al., 20*5).
A e*tratégia da Redu**o de Danos ainda gera polêmica, c*ntudo *e* apresentado
avanços no **idado ao busc*r alcançar vários "tipos" de usuários. Desta f*rma, amplia*-*e as
chances de *ed**ir problemas que *les não queria* o* nã* go**ar*am de *er, n*o
Re*. FSA, Ter*sina, *. *4, n. 1, art. 10, *. 1*8-2*9, jan./fev. 2017 w*w4.*san*t.com.br/revis*a
Conhecimentos e prátic*s de Redução *e Dano* de profissi*n*is do Nú*leo de Apoio à Saúd* d* Família
205
necessa*i*mente l*gados ao s*u desejo p*la dr**a. Os *en*fíc*o* *razidos por esta p*oposta são
coeren*es e compatív*is
com a* mais diver**s realidades,
um a
vez que ma*ter a *esma
*ondut* para *essoas com necessi*a*es diferente*, *ncorre em m*io*es possibili*ade* d* err*.
*esse m*do, a Redução de Danos, no campo das *rogas, é uma es*ratég*a *u* busca
reduzir a* con**qu*ncias indesejáveis do consumo d* drogas para a saú*e e para a vida so**al
das *essoas sem e*ig*r a abstinênci* de fo*ma indi*criminada para t*do*. Adota uma atit*de
ma** fle*ível dia*te da soci*dade, ** jus*iça,
assim como d*s políticas so**ais, tanto
n* que
diz respeito ao consumo, qu*nto ao *co*panh*mento dest*s pe*soas nos loc*is onde resi*em
e/ou consomem dr*gas.
Arti*ula-se * re** de cuidados, como * ES*, *PS e o* Consultórios ** Rua,
encoraja*do métodos voltados p*ra o us* mais pro*egido e o aut*cuidado. F*ca em estr*tégias
indi*idua*s, q*e pod*m inclu*r a r**uçã* d* us*, a substit*içã*
por substânc*as menos
prejudiciais ou até mesmo a abst*nênc*a, valorizando, antes de
t udo, a
a*ton***a
(VASCONCELO*, 2014).
Trazer à tona a realidade de um mundo com
drogas, sem mito* ou
tabus, mas *om
aç*es pr*p*si*ivas em confor*idade com a* vivên**as e ex*eriên*ias d*sta realidade, consiste
em *rtic*lar, do me**or modo possível, os en*ontr*s entre usu*ri*s, familiares e profis*ionais,
com a p*rti*ipaç*o efetiva de todos *a *rajetória da assistê*cia. P*is, a estraté*ia da Redução
** Danos "nos permite refleti* *obr* as relaçõe* afe*ivas que *stabelece*os ao longo de n*s*a
vida, i*cl*indo as relaçõ*s de *ut*n*mi*, autocontr*le e depen*ên*ia". (B*ASIL, 2*13*, p.
*9).
Sabe-se que, embora não traga um inedi*is** par* a *rática cotidian* dos profi*sionai*
de saúde, a utilização continuada desta estr*tégia possibilita*ia a ampliação das *ossibilid*d*s
de *i*logo, negociaçõ** gan*os *ren*e ao e
complex* dia * dia nos **lacion**e*tos
dos
envolvidos na prática do cuidado aos usuário* *e álcool,
cr*ck e
o*tras dr*gas. Visto
que
a
*D não é uma
*st*até**a isolad*, que inco**ora em suas ações de cotidian* do cuidado o
prota*onismo do usuário, cu*o se*v*ço deve a*uar como fortalecedor da auto**m*a e de n*vas
a**tudes da v*da, o v*nculo estabele***o e*tre pro*is*ional * usuário é extr*mame**e
import*nte (BRASIL, 201*).
Con**rme *s*ina*am Campos e Souza (2012) as práticas *o
qu* co*ce*ne à Red**ã*
*e *anos para serem d* fato eficientes, *e***s*t*m ter di*eciona*as com o objetivo de
*rovocar
uma m*da*ça
cultural e social acerca dos e*tigmas que as popula*ões vulnerávei*
c*rr*gam sendo, par* isso, necessário u* trabalho de *riaçã* de víncul*,
*onstruído
con*i*uame*te, e, *uitas veze*, *r*lhado com mu*tas dificu*dad*s, *an*o para o in**víduo e *ua
Rev. FS*, Te*esina PI, v. 14, n. *, art. 10, p. 1*8-21*, jan./*ev. 2017 w*w4.fsanet.com.br/revista
C. *. A. Rodrigue*, A. F. Lima, E. M. A. Ca*tr*, B. O. Sant*s, P. C. Almeida
20*
famíl*a, como *ar* os *rofis*ionais. E**retanto, *anter esta p*rsistência é acreditar *a
p*ssibili*ade de *esult*dos *ais satis*ató*ios e propo*cio*ar no*a* opo*t**id*des c*m
*
*art*cipação a**va *o indivíduo.
Essa cen*r*lidade n* *ujeit*, consi**rando seus desejos e *ossibilid*des, caract*riza
a redução d* dan** como uma abordagem em saúde menos no*ma**zadora
e
prescr*tiva, p*is se evi*a ditar ou im*or, a partir da autoridade **o*issional, *uais
seriam a* escolhas e ati*udes a*equadas ou não a sere* adotad*s. *ssi*, atuar em
uma perspectiv* de r*duçã* de danos *a Ate*ção *ásic* pressupõe a util*zação de
tecno*ogia* relacionais *e*tra*as no acolhim*nt* empático, no vín*ulo e n*
*o**iança como disposi*ivos favorecedor*s da a*esão *a pessoa (BRASIL, 2013b, p.
* 8 ).
Cri*r e manter o vínculo com * população em ger*l *, em especia*, com * popul*ção
*ue faz us* de drogas, *ode demandar temp* e exigirá dos profissio*ais r*siliência
e
cons*ância em suas ações, t*nto nas cons*l*as indi*idua*s, como no* atend*mentos em gru*os
real*zados no* diferentes equip*ment*s comu*itários. Questio*ar, refletir e i**var condutas já
tã* arraigadas, como atend*ment* tec*icista e uso de frases feitas sobre a necessidade o
de
mudanças no e*tilo
de *ida de um* p*ssoa torna-se necessári*,
pa*a que no*os cami*hos
po*s*veis su**am e sejam per*orridos p*l*s sujeit*s.
A Redução de D*nos considera, ainda,
qu*
*ár*as *essoas, em dive**os lugares
do
m*ndo, seg*em u*ando dr*gas, apesar dos esforços e* pre*enir * i*ício *u * co*tinuidade do
co*sumo delas (ABORDA, 2016). Di**te *isso, ela n*o suge*e re*ponder ou reso*ver
os
*roblem*s da* drog*s, mas favore*er * diálogo, t*nt*ndo, como *
próprio *ome di*,
min*mizar outra* sit*açõe*, q*e tendem a se agravar através da *itadura imposta pelo *ilê*cio.
Para Sique*ra (2013, p.89), "O olhar que a red*çã* de danos nos propõe é q*e o uso de
drogas não * só uma doença, não é *ó *m delito, não é *ó u* pecado, exist* um *uarto olhar,
é * o*ha* bas*a** no *osso co*ceit* de cidadania. A cidadania vê co*o u* direito."
C*mp*eender que o
usuári* **m **reit* d* usar dr*ga*, se ass*m o de*ejar, é uma
alt**na*iv* *ol*mica e ainda c*m res*ri*ões pe*a sociedade que acre*ita na abs*inência como
m*todo principal ou *nico. Des*e mo*o, a p*oposta de políticas mais integradas
e
*umanizadoras, coerentes ao para*igma *o* direitos hu*anos e q*e cons*dera* os indivíd**s
em sua totalidade, va*orizando seus *ireitos * deveres, tem permit*do abordagens mais
inovador*s quando * s*t*ação deman*a a a*uaçã* em contexto* de uso abu*i*o de drogas. Em
vez d* criminaliza*ão, tem-*e o acolhimento, *o luga* da *u*iç*o, a e**c**ão; no contrapon*o
da marginaliz*ção, o ac*sso aos b*n* *ocialmente produzidos; e* oposição ao preconceit* e à
dis*ri*inação, deve estar a cidadania (OLIVEIRA, 2014).
Rev. FSA, Teres*n*, v. 14, n. 1, art. *0, p. 1*8-21*, jan./fe*. 2*17 *ww4.fsa*et.com.br/revista
Conhec*men*os e p**ticas de Re*ução *e Da*os d* profissionai* do Núcleo de Apoio à *a*de da Família
207
A Redução d* Danos encon*ra-se con*e**ualme*te pr*ximo da promoção da *aúde,
**i s
vê o us***io
de álcool *omo *m cidadão, an*es de tudo. Os meios u*ilizados não estão
direc*onados para a abste*ç*o, mas para defender a vida, *omo objetivo de *onqu*sta*
a
auton*mia dos usuário* familiares através da con**r*ç*o *e redes de su*orte ***ial e
*
dissemi*ação da *nform*ção, e*ucaç*o * aco*sel*amento (MANGUEIRA et
al., 2015).
Aprese**a-se como uma possibilida** de escolha
em detrimento das alternativas sob
o
raciocíni* e*clu*ivo da abstinência, aumentand* as possibil*dade* do cui*ad* *m saúde *ara a
pop*laç*o de *suários de *ub*tâncias psico**ivas. Embora
não *e trate de uma alternativa
inédi*a, ainda se *ncontra limitada nos d*scur*o* * *ráticas profissio*ais que, m*itas vez*s, de
forma *nc*nscient* pers*stem na conduta *e impor mudanças nas rot*nas do* indiví*uo* e
f*milia*es so* seus c*idados, tornando-*s meros coa*j*vantes neste proce**o.
A literatura destaca a importância ** aná*ise de prob*em** como o tráfic* de drog** e
a violência, além das desi*u**dades soc*ais e as ci*cunstânci*s *m que se dão o
consumo.
Aborda questões d* desafio a ser enfrentado, * da in*dequaçã* ** igua*s propostas para tudo e
para t*dos. Af*nal, as diferenças e particularidad*s exigem de cada sujei*o estrat**ias
singulares que r*speitem
ca*a r*alidade. Daí a RD ser
considerada uma es*r**égia cap*z
de
ade*t**r di*erentes "cí*culo*" onde existem contextos de us* de droga* (VI**DÉ; *RUZ;
BA*BEITO, 2014).
Deduz-se, assim, o qu*nto se faz n**es*ária a le*tura, a vivênci* e a exp*ri*ncia com a
*e*ática da R*d*ç*o de Danos d* forma que ela ganhe mai* *spa*o na fala e na conduta dos
*ro*issionais
**e, *ire** o* indi*eta*ente, m*n*enham contato com usuá*ios de drog*s. A
i*p*rtância d*sta v*vência com o *ema da RD n* Atenção Pri*ár*a, pelos
profissionais
da
ES*, qualifi** a atenção ao us*á*io de drogas, possibili*ando o ac**panhamento e tr*tamento
dos casos, assim como evita *ncaminha*entos **snecess*rios.
Es*e sup*r** acontece também
*trav*s de *çõe* de apoio mat*i*i*l, e implica um
arran*o técn**o-*ssistencial utilizado pelos usuários da Saúde Men*al e da Saúd* da F*mília,
cuja visã* c*nsi**e n* a*pliaç*o da clínica das equipes da *SF, através do apoio das equipes
*e Saúd* Mental, qu* o**r*ce *u*o*te assistencial aos usu**ios * famil*ares,
alé* de apoio
té*nico-pe*agógi*o e educativo p*ra a equipe (CAMPOS; DOMITT*, 2007).
O ap*io mat*icial às equipes d* ESF pode se ef*tivar *e*os Núc*eos ** *poio à saúde
da *amília (NASF), *ssim como p*r outras equipes, dep*ndendo d* necessi*ade, gestão local
e *ecursos disponíveis (PA*ANI; *INOZZO; QUAGL*A, 201*). Outro ser*iç* es*ra*égico
de Saúde Mental e que t*mbém fo*nece apoio *atricia*, inclusive t*abalhando n* lógica
da
RD, são os Cent*os de Atenção Ps*coss*cial (CAPS). E*tes são de ext*ema im*ortâ*cia para a
R**. FSA, Te*esina PI, v. 1*, n. 1, art. 10, *. 19*-*19, jan./f*v. 2017 ww*4.fsanet.c*m.br/revista
C. N. A. **drigues, A. F. Lima, E. M. A. C**tro, B. O. Santos, P. C. Almeida
208
rede *ásic* e estão *rganiza*os em eq*ip** multi*isciplinare* e *om*le**ntares, buscando
aten*er *s difere*tes dema*das em saú*e mental (C*UZ; FERREIRA, 2014)
Existem diferentes tipo* de CAPS, d**tre estes destaca*-se * Centro de A*enção
Ps*cossoc*al-Ál*ool e Drogas (CAP* AD), c**a ass*stê*ci* está **ntrada na atenção
com**itária, com ênfase na re*bilitaçã*
psic**soci*l
dos
us**rio*, não
tendo, pelo menos
teori**mente, a abstinên*ia c*mo ú*ico *ratamento; logo, teria maior possibi*idade de at**gir
número m*is sig**fi*at*** de usuário* (VIN*DÉ; CRUZ; BARBEITO, 20*4).
* implantação dos CAP* *D pe*o Bra**l incl*i mais q*e * construção de um espaço
par* * CAP*, mas a construção de
um a
rede de aten**o a*s
u*uário* de ál*o*l e **tras
drog*s, c*pac*tando *ro*issionai*, c*m ênfa*e no c*idado multidi**iplinar,
p*omovendo
a
*rticulaçã* com os demais *rofiss*onais e setore* qu* par*icipam da rede (CRUZ;
FER*EIRA, 2014).
Co* *sso, ao conhece* * *efletir sobre a RD é *ossível *ue novos signi**cados e
re*u*t*d*s sejam *b*idos no *r*balho *os pr*fissionais que li*am c** as mai* diversas
com*lexidades impostas pelo uso d* drogas, já que ela pode se* ap*icada nas mais difer*ntes
cir**nstâ**ias, pautando-*e no diálo*o, pr*orizan*o o indivíduo * sua* pote**i*lidades.
* MET*DOLO*IA
Para apreen*ê-la os conhecimento e prátic*s fr*nte à
*roblem*tica do uso do ál*ool,
crack * outra* drogas des*nvolvidas **r p*o*issi*nais do Nú*l*o de *poio * Saúde da *a*ília
n* Mun*cípio de Fortaleza-CE, f*i aplica*o
um roteiro de entr*vista sem*e*truturado,
compo**o
po* 5
pa*tes: 1) Intro*uçã*, abord*gem o perfil
prof*ssional dos entrevistados; 2)
Co*cepções Morais; 3) C*nhecimentos sobre Drogas; 4) Redução de Danos e; 5) Pe*cepç*es
do en*revistador
a*er*a do conteúdo da ent*evist*. Os dados obtidos foram **atad*s
estatisticam*nte
por meio do *o*tware S*atistical Packag* for
*h e
Social Science* (SPSS)
ve*são 20.0 Licença nº 10101131007, dis*ribuídos atr***s de tabel*s re*lizadas por *eio de
análises univ*r**da e biv*riada.
* *oleta de *ados ocor*eu
du**nte
*s meses
de *un** a dezembro de 2015, nas
*nida*es de Atenção Primári* à Saúde d* Municí*io d* Fortaleza, as quais e**av*m inseridas
as equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), q*e contabiliza*am, durante
o
período da *esquisa, um *otal de 48
profi*sio*ai*. Foram exclu*dos os profissionais que se
encontravam de fér*as, licença ou em serviço/curso exte**o no período da **lic**ão *o
Rev. FS*, Teresina, v. 14, n. 1, a*t. 1*, p. 198-**9, j*n./fev. 2017 w*w4.fsane*.*om.br/*evi*t*
C*nhe*im*ntos e *rá*i*as de R*dução de Danos de profissionais d* Núcleo de Ap*io à Saú*e da Família
*09
questi*nário, o que reduziu a quantid*de *nicial para um *ota* de 3* p*of**sionais. *on*udo, ao
fin*l, apena* 19 profi*sionais conc*rdaram e* partici*a* da pesquisa.
O* dados tomados p*ra aná**se nesse es*udo faz*m parte do banco de dados le*a*t*do
pelo *rojeto Gu*rda-chuva intitula** "Co*cepçõ*s e
*ç*es
de profission*is *os Núc**os de
*po*o à Saúd* da Família (N*SF) d* *ortaleza-CE sobre *aúde Mental, D*ogas (*rac*,
*lcool e outr*s drogas) * R*du*ão de dan*s n* A*enção P*imária". O *rojeto *upr*citado *eve
como instituição proponente * Uni*ersidade F*dera* do *e*rá (UFC) e *o*o i*enti*icaçã* do
tema e linha temática tem-se a Saúde Mental - avaliação da Sa*d* Menta* na Rede d* Saúde
no con*exto da R*forma Psiquiátrica. Desse mod*, *ssa pes*uisa co*tou
com par***i*ação a
d*
19 profissi*nais d* NASF, atuantes *as 7 Regio*ais do Município de Fo*taleza-CE,
*u*ante os meses de julho a de*embro
de 20*5. Atu*lmente, o município é divi*ido e*
7
Se*re*arias Regionais (SR), que administram os set*res da Sa**e, E*ucação, Infraest*utura,
*eio Ambien*e e Ass*s*ência social.
Nesse *rtig*, apresen*arem*s, co*o recorte da di**ert*çã*,
trê*
tabel*s que
*os*ibi*itar*o tecer
análises e dis**ssões mais voltadas, r*spect*vame*te, para o nú**ro
de
pro*iss*o**is do
*ASF, segun*o * c**hecim*nto d**es a*erc* da proposta de Re*ução
de
Da*os, no qu* s* refere *o
us* de Álcoo*, C*ack e outras **ogas na ci*a*e d* For*aleza;
concepção desses prof*s*io*ai* sobre *rogas, co*sum*, estratégias de p*evenção, *ratamen*o e
dependênc*a fre*te * problemática da* drogas e, por fim, co** os p*ofissionais do NASF
assina*am **bre a* possibilidades de execu*ão d** diversas prática* de Redução de Dan*s.
Para a realiz*ção dessa p*squis*, foram **mados tod*s os cuidados ét*cos
*xigidos
p*ra a **ali**ção desse tipo de p*squisa, *onf*rme assi*alam a* n*rmas pr****tes
na
resoluç*o do Cons*lho N*c*onal de **úde - CN* 466/12, se*do o projeto aprovado pelo
Comitê de Ética *a Unive*sid*de **d*ral do Ceará, sob o Pa*e*er nº 492.539.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No que se refere aos resultados ob*idos *o* p*ofissi**a*s entrev*st*do*, a *a*oria se
enc*ntrava na faixa etária compreendida entre 30 a 39 *nos (42,1%). * c*tegoria profissional
e* que se obteve * mai** n*mero de pro*iss*onais foram o* *isio*e*apeutas (52,6%). Quan**
à* p*s-gra*uações,
as mais cit*das fo*am
aquelas es*ecí*icas de c*da prof*ssão (78,9%) em
*etrime*to de ape*as (21,1%) de
pós-graduações na áre* de Sa*de Coletiva e/*u **úde da
*amília. Demais da*os estão dist*ibuídos sob a forma de tab*las *om uma distribui*ão
s*mp*es de per*entual e frequê*cia.
Rev. FS*, Te*esi*a PI, v. 14, n. 1, *rt. *0, p. *98-219, jan./fev. 2017 www4.*san*t.com.*r/revis*a
*. N. A. Rodrigues, A. F. Lima, E. M. A. Ca*tro, B. O. Sa*to*, P. C. Al*e*da
210
Tabela 1 - D*stribuiç*o do número de p*ofis*ionais do NASF segun*o o conhecimen*o da
Propost* de Redu*ão de Danos na abo*dagem a* usuá*io de Álc*ol, *rack * outras droga*.
**rtaleza-CE, j*lho/de*embro d* 2015
Nunca *uviu falar da
Ouviu f*lar, m*s não
**nhece a pr*post*
proposta
sabe do que se t*ata
*ssistent* S*cial
-
-
3
*duc*d*r F*sico
1
-
-
*armacêutico
-
-
1
Fi*i*terapeuta
4
6
-
Nutr*cioni*ta
-
1
-
Psicólogo
-
-
3
Fonte: El*bor* pelos aut*res.
So*re o con*ecimento d*s profiss*onais ace*ca da Propost* da Redução de Danos,
foram ob*itas as s*gu*ntes respost*s: 26,3%, o
que corr*sponde a 5 profissionais, afirmaram
nunca ter ou*ido falar da proposta de RD; *6,8%, 7 deles, confirmaram já *er ouvido falar,
porém não *abem do que se t*a*a, do mesmo mo*o, **,8% responderam que con*eciam a
p*oposta da RD.
Rev. F*A, *ere**na, v. 14, n. 1, *rt. 1*, p. 198-219, *an./fev. 2017
www4.fsa*et.com.br/revi*ta
*onh**ime*t*s * p***icas de Reduç** de Dan*s *e profissiona*s do Núc*eo de *poio à Saúd* d* Fa**l*a
211
Tabe*a 2 - Distri*u*ç*o dos *rofi*si*nais a*erca da *once**ão s*bre drogas, consum*,
*s*ra**gias de prev*nç*o, tr**am**to e dependênci* frente à prob*e*át*ca da* dr*gas.
*ortaleza-CE, jul*o/dez*mbro d* 2*1*
Va*iáveis
N
%
Dan*s
Qualquer uso de drogas, seja *ega*
13
6 8 ,4 %
ou ilega* traz *anos aos usuários
É possível usa* droga* sem que h*ja
*5
2 6 ,3 %
danos físicos ou p*ic*lógicos ao
usuário
C*nsumo
O aumen*o no combate
05
2 6 ,3 %
ao tr*fico de *r*gas diminuirá o cons*mo
O aumento n* p*even*ão e tratament*
13
6 8 ,4 %
d**inui*á o *onsumo
Tr*ta*ento/*e*isõ*s
A* decisões sobre * t*at**ento dev**
06
3 * ,* %
ser tomadas pe*os estud*os**/profis*ionai*
Os usu*rios devem participar das decisões
13
6 8 ,4 %
e colaborar na con*tr*ção ** *rojet*s
Dependência
É pos*í**l usa* d*o*as sem t*rna*-se
06
3 1 ,6 %
*ependente
Qualquer drog* p*d* le*ar à depend*ncia
13
6 8 ,4 %
A dependên**a es*á *elac*onad* ao tipo
*9
4 7 ,4 %
d* substância
A dependência *s*á relac*onad* à pessoa
10
* 2 ,6 %
q*e fa* uso
*onte: Elabora*a p*los *utores.
* Um *artici*an*e não responde* aos 2 primeiros *tens da tabel*.
*obre a concep*ão que os profissionais do NASF possuem sobre droga*, *8,4% deles
consideraram que q*alqu*r t*po de drog*, seja ela legal o* ilegal, acar*etará proble*as para o
usuário, ao passo que *6,3% consi*erar*m que é possível fazer u*o de drogassem **e isto
tra*a pr**lemas físi**s e/ou psicológicos *o usuário.
No *ue se *efer* a hav*r um aumento n* c*m*ate *o tr*fico de drogas * distr*buição,
par* que haja uma d*minuiç*o do consumo, 26,3% *os ent**vistados concordaram com **ta
*sserti*a, e*quant* 68,4% afirmaram que dev* haver um aumento na prev*nçã* e tra*amento
*os usuários, para que haja *ma *i*i*uição do consumo.
Acerca das decisõe* a ser*m *omadas f*ente * problemática do uso *e droga*, 31,6%
dos entrevistado* c*ns**eraram q*e as decisões *obre a melhor for** de se trabalhar co*
*
u*uário
de drogas devem ser
tomadas pela* pessoas qu* trabalham na á*ea, já 68,4%
concor*ar*m que os usu*rios de d*ogas t*m um sabe* a**uir*do na prática sobr* os p*oblemas
que enf**ntam e devem colaborar na c*nst***ão dos *r*jetos e programas d* saúde.
*ev. FSA, *eresina PI, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-219, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/revista
C. *. *. Rodrigues, A. F. Lima, *. M. *. Castro, B. O. S*ntos, P. C. Almeida
*12
*o qu* di* respeito às *oncepçõe* dos profi*sionais em *elaç*o à dependência *o uso
de drogas,
31,6% deles consideraram que é *os*íve* fazer uso de droga* sem ** tor*ar
dependente *elas; *8,4% concordaram *ue qua*quer uso de drogas pode l**ar à d*pendê*cia;
47,4% af*rmar*m que a d*pendência está mais rel**ionad* à substância ingeri*a e 52,6%
r*laci*naram a *ependência à pessoa que usa a drog*.
Tabela 3 - Distribuição *os p*ofis*ionais do N*SF sob*e as possibilidades d* execução das
div**sas ***ticas de Redução de Danos. Fortaleza-C*, julho/dezembr* de 2015
Prá*icas *e RD
N
%
Incentivar a d*minuiçã*
da frequên*i* e qu*ntid*de de uso
Aceitáve*/Ad*taria*
17
8 9 ,5 %
Aceitável/Não a*otaria*
03
1 0 ,5 %
*ão *ceitá*el
-
NS *
-
Definir ju*t* ao usu*rio loca*
Limpo * seguro para us*
Aceitáv**/Ado*ariam
06
3 1 ,6 %
Aceitáve*/Não adotariam
05
* 6 ,3 %
Não ace**ável
*7
3 6 ,8 %
NS
**
5 ,3 %
R*ali*ar trocas d* *achimb*s
usados **r novo*
Aceit**el/Adotar*am
04
2 1 ,1 %
Acei*ável/Não a*otar**m
06
3 1 ,6 %
Não a*e*t*vel
0*
4 7 ,4 %
*S
-
-
Substituir droga* ilegais por legai*
Aceitável/Adot*riam
03
1 5 ,8 %
Aceitável/Não adotariam
08
4 2 ,1 %
Nã* a*eitável
06
3 1 ,6 %
NS
02
1 0 ,6 %
*e*lizar Consultórios de Rua
Aceitável/*dota*i**
11
5 * ,9 %
*c*it*ve*/Nã* adotariam
06
3 1 ,6 %
Não a*e*tá*el
02
* 0 ,5 %
NS
-
-
Informar procedimentos que redu*am
*s riscos associados às drogas
Acei*ável/Ado**riam
16
8 4 ,2 %
Ac**tável/Não a*o*ariam
0*
1 5 ,8 %
Não ace*táv*l
-
-
NS
-
-
Orienta* sobre o u*o con**olado
e res*onsáv*l (em situ*ções *eg*ras)
d* drog*s
Aceitáve*/Adotari**
12
6 3 ,2 %
*ceitável/Nã* adota*i*m
03
1 5 ,8 %
Não aceitáve*
03
* 5 ,8 %
NS
01
* ,2 %
Font*: Elaborada pe*o* autores.
*Não soub**am *e*ponder.
*ev. *S*, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-219, j*n./fev. 2017
www4.f**n*t.co*.*r/*evi*ta
Con*ecimen**s e práticas de Redução d* Danos de prof*ss*onais do Núcleo de Apoio à S*úde da Fam*li*
213
Sobre o i*ce*tiv* à dimin*ição d* frequência e quantid*de d* uso, *9,5% dos
p*ofis*ionais con*ider**am
a pr*posta a*eitáv*l
e co* p*ssibilid*de *e adoçã* em seu
t*abalho; 10,5% consideraram aceitável, *o*ém **o *dotar*am.
Quan*o à ação de *stabelecer, junto
com o usuário, horário
*efinido, loc*l *e*uro
*
higieniz*do (limpo) **ra
o uso de drogas: 31,6% dos entrev*stados co*si*eraram ac*itável
e
com possi*il*d*de *e
adoção; 26,3% *on**d*raram aceitáve*, mas sem po*sibilida*e de
adoção no traba*h*; 36,8% não c**sid*raram e*ta açã* ac*i**vel e *,3% não souberam
responder.
**erc* da realização da tro*a *e c*chimbos
u*ados por ca*h*mbos novos: 21,1%
considera*am acei*ável e com possibilidade de adoção *m seu t*abalho; 31,6% considerara*
a*eit*vel, porém não ad*tariam e 47,4% não co*siderara* esta aç** como aceitá*el.
No *ue *oncerne ao ince*tivo à substituiçã* d* uso de *ubstâncias ilegais
por
*ubstâncias *egais: 15,8%
consid*r*r*m aceitá**l e
com possi*ilidade de adoção; 42,1%
*onsideraram *sta *ção ace*tável, po*ém não ado*ari*m; 31,*% n*o consi*er*ram aceit*vel e
10,6% não s*ube*am responde*.
So*re à real*z*çã* de consult*rios de rua, *e*ificou-se que 57,9% conside*aram
a*eit*vel e *dotariam esta prática ** s*u trabalho; 31,6% consi*e*ar*m a*eitável, porém não
ad*tar*am a referida prática e 10,*% n*o souberam resp*n*er.
No t*cante às informações sobre os proced*mentos *ue r*duzem os riscos e os dan**
a**oc*ados ao
us o:
84,2% conside**ram ac*itáv*l e poss*vel d* exec*tar e*ta ação, ao *asso
que 15,8% co*sideraram aceitável, poré* s*m possibilidade de *xecutar esta ação em
*eu
coti*iano d* trab*lh*.
Em relaç*o à *r*stação de o*ie*t*ções sobr* o *s* controlado e responsável da d*oga,
63,*% *onsider*ram esta
prática a**i*ável, e que **d*ri*m adotá-la
em seus cotid*an*s. As
*requências n*s **s*ostas para o*
*ue cons*d*raram aceitáveis, por*m
sem possibilidade d*
ad*çã* e aquele* qu* não *onsid*r*ram acei*ávei* foram as mesmas, 15,*%, de modo q*e o*
que não soube*am *espond*r represe*taram 5,*% da amos*ra.
E* uma análise mais atenta *cerca
do
p*rfil profis*ional
destes tra*alhado*e* *a
saúde, *dentificou-s* **e p*uc*s deles têm for*açã*/qu*lificação especific*s para as novas
estra*égias
de saúde *a f*mília. Este *ado pode ser u* forte indíci* da* dificuldades
*nc*ntrada* *o* esses profissionais *m maneja* as p*o**stas da Redução
de Danos na
Ate*ção *ri*ária à Saúd*.
Nas práticas propo*tas pela Redução de *anos, os profissionais *evem estar
capacitado* ao *ten*imento aos usuários de álco*l, crack e
outras drogas, consi*erando-os,
Rev. FSA, **resina PI, v. 14, n. 1, ***. 10, p. 198-219, jan./fev. 2017
www4.fsanet.co*.br/revista
C. N. A. Rodrigues, A. F. Lima, E. M. A. Ca*tro, B. O. Santos, P. C. A*meida
214
em *ua* sin*ularidades, s*nsíveis às história* de vida e aos co**ingen*e* *ociais que ma**a*
as **ajetórias destas *essoas. Assim, a div*r*ifi*açã* d*s
sab*res profissionais n* c*mpo d*
sa*de é *e extrema *mportância. *o entanto, a *ormação adequada p*ra e*ta modalid*de de
at*nção, dentro d*s pri*c*pios da reforma *siqu*átrica, ainda é deficitária *a* universidades da
*rande maioria des*es prof*ssionai* (***CO*CELOS, **14; CR*Z; FERRE*RA, 2014).
Conf*rme os dados obt*do* n*ssa pe*quis*, o*
conhec*mentos *o*re a RD s*o
limita*os. *mbor* es*a propos*a seja b*stante difu*dida, o estud* *e*liza*o por Reis, Silv* e
A*d*ade (2*10), rea**zado com pr*fission*is *a ESF, constat*u *ue *7,*% dos ent*evis*ad*s
desconh*ciam-na. O mesm* *s***o apon*ou que ma*s
** */3 dos particip*ntes não
procur*vam informaçõ*s sob*e a Red*ção de D*nos.
Atrav*s *a* aná*i*es, fo* *ossível *erc*ber que a maior **rte dos en*revistados
concordavam que as sub*tâncias psicoativas causam da*o* aos usuários, independe*te**nte
de serem l*c*tas ou não. A proposta de Redução de Danos, por outro lado,
busca * quebra
dest* p*radigma, res**itando * esco*h* *e usuários que des*jam, mui*as vezes, con*i*uar
*azendo
u*o d* drogas, sem consi*era* t** e*col** **a prática inco*p*tível com o cuida*o
oferecido pelo *er*iço (SO*Z*; CARVALHO,
2015). Is*o evidencia, p*r e**mplo,
a
valorizaçã* da
autonomia *o sujeito em c*nduzir seu trat*mento segundo te*apêuticas ma*s
ade*u*das ao *eu context* de vida. Mesmo com a *rescente difu**o d*s pro*ostas defendida*
pela RD, a partir dos dad** obtidos, *oi poss*vel obs*rvar que, de um modo geral,
os
*rofission*is *inda
nutrem pens*ment*s ambivalentes sobre as dr*g*s, u** *ez que a*
resp*stas tendem tanto a *om*lementar, qu*n*o divergir das propostas d* RD, a depen*er **
as*e*to questionado.
*o*re * t*atamento e as decisões autônomas do *suário, por *xemplo,
6 * ,* %
concordara* que *s usuá*ios po*suem saber adquirido e dev*m parti*ip*r do tratamento. A
es*olha das ativida*es, assim como do tratamen*o, deve ser de comum acordo com * u*uário e
a família,
al*m *e t*da a eq*ipe profissional, de modo *ue o cuidado seja di*c*tido,
*i*ecionando sen*ido na vi*a do ind*víduo * s*as famílias.
Po* ou*r* lado, *uitas contradi*ões *ão evidenci*das. O mo*o *omo os p*of*ss*onais
perc*b*m a
ide*a
*e *epen*ênci* repre*enta *em tais contrad*ções, *ois *les conc*uem,
*m
sua m*iori*, que **alquer sub*t*ncia psicoativa pode le*ar o usuário
à
**pendênci*. Porém,
de ac*rd*
com as proposi*õ*s da R*, est* questão é tenc*onada a par*i* dos en*rel**es
m*ltifatoriais que precisa* *er levado* e* co*sideração, c*mo as relaçõ*s q*e ** indiv*duos
*stabelecem co* o consumo, e não apenas com os *spectos *ísico-químico
proporcionados
pe*as s*bstâncias (QUINDE*É, 2013).
**v. FS*, *eresina, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-219, j*n./fev. *017
www4.fsanet.com.br/r*v*sta
Conhec*ment*s e *ráticas *e *edução de D*no* de pr*fiss*o**is do N**leo de Apoio à Saúde d* Fam*lia
215
Outra co*tradição que
se ident*ficou, refere-se às
p*áticas de R*duçã* de D*nos
d*senvolv*das pe*os p*ofi*sionais. Veri*icam** que, m*smo
*om conhec*men**s restritos
sobre esta *stratégia, *s en*revis*ado* d*ze* desenvolve* práticas c*ncern*ntes c*m algumas
propostas d* RD. T*is propostas,
contudo, são,
*m s*a
mai*ri*, prátic*s volt*das *ar*
*
educação em saúde, como aqu*las co*s*d*radas mais p*óximas do convívio *om os usuá*ios,
cujos
e*emplo* *ão a tr*ca
de *achimbo* e/o* mudança *o tipo *e
d***a. Ao pas*o que
d*senvolver p*áticas que visem à sub*titui*ão do uso de d*ogas mais no*ivas por menos
nocivas (a relaç*o en*re crack e maconh*, por exempl*) são consid*radas inacei*áveis e/ou de
di*ícil *doção pe*os próprios profissi*nai*.
5 CONCLU*ÃO
Diante do que já foi exposto, essa pe*quisa buscou analisa* * co*he*imen*o e as
práticas de Redução de Dano* desenv*l*idas pelos *rofissionais do Núcleo de *p*io à Saúde
da Família no Municípi* de F*rta*eza-CE a*erca da pro*lemáti*a do u** do Álcool, Crack e
o*tras dr*gas. Obser*ou-se, na po*u*aç** estuda**, qu* os co*hecimen*os sobre a Estratégia
d* R*dução d* Danos ainda se enco*tram limítrofes, inferindo em p*si*ionamentos ambíguos
tanto no
*ue concerne à p*oblemática *as *rogas, *omo no conceito e nas possib*lida*es d*
ado*ão da Estrat*gia da RD. Logo, presume-se que estas *imita*ões re*trinja* i*icia*ivas
mais abrang*nte* * int*rven*ionistas de *ua*ida*e.
Ao caracterizar * perfil dos pr*fi*sionais do N*SF a*uan*es no município de Forta*eza
no *no de 20*5, *on*tatou-se uma restrita form*ção a*a*êmi*a d*stes pr*fiss*onais em áreas
*o conhecimento, que
os apro**me e fo**al*ça na p*rspectiva da integralidade do cuidado
*
artic*la*ões com as *ções de Saúde *ental, po* exemplo.
*e*ce*eu-*e que as postura* dos pro**ssionais d* NASF, **ante de pessoas q*e *azem
u** de álcool, crac* e outras dr*gas, *o contex*o da Atenção Primária, destacar*m-se, de um
modo gera*, por s*rem m**ca*os fo**em*nte por estigma* e preconceito*. As con*ep*ões, em
rel**ão *os dan*s * de*end*ncia de drogas, associaram-se, de forma sign*ficativa, * uma vi*ão
c*nserv*do*a e moralista, * um pensa*ento sem crítica e de*articul*do ao que s* pro*õe para
Re*uç*o de Danos.
A
discussão d* impacto dos dados par* a
a*uação dos
*rofissionais da Estrat*gia
d*
Saúde *a Fam**ia
no cuida*o às pessoas que faze* uso de *ubstâncias psicoat*va*
*os
territó*ios de atuaçã* resume a neces**dade de q*e mais estu*os sejam realizados sobre drogas
Rev. *SA, Tere*ina PI, v. 14, n. 1, art. 10, p. *98-2*9, jan./fev. *017 www4.fsanet.co*.br/rev*sta
C. N. A. Ro*rigues, A. F. L*m*, E. M. A. Cas*r*, B. O. Sa**os, P. C. Almeida
216
e Re*u*ão de Danos qu* promovam apoio *a at*a*ão da* equipes da ES*, NASF e demai*
disp*sitivos da At*nção *ásica.
A*redita-se, assim, que os objetivos de*s* p*squisa f*ram a*c*n**dos, * que **te
es*udo tem po**ncial para cont*ibui* com ações soc*ais e de saúde mais conc*etas, de forma a
fomen*ar a interd*scip*inaridade
profissional, *xp*ndir *s **nhecim*nt** e a *erspectiva
do
trabal*o s*b a lógica da
*edução de Danos, fortal*c**do a integra*ida*e *o cuidado aos
usu*rios *e álcoo*, crack e o*tras drogas *resentes nos ma*s *i**rso* t*rrit*rios.
REFER*NCI*S
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de sa*de e
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BRASI*, **nistér*o
da Saúde. Secre**ria de Aten**o S**d*. à
Departamento d* Ações
Pr**ramáticas
**tratégicas. S*úde Ment*l/Ministério
da
Saúde,
Secre*a*ia de Atenç*o à Saúde, Dep*rtame*to de Aç*e* Progr*mátic*s Estr*tégicas. Cadern*
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BRASIL. C**ern* Human*za SUS. Minis*ér*o da *aú**. Secretaria de Ate*ção à
Saúde.
D*parta*ento de Ações
Programáticas
Est*atégi**s. Saúd*
Men*al/Ministér*o
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Secretaria de Atençã* à Saúde, Departamento d* Açõe* Pro*ramá*ica* Estratég*cas. Brasíl*a:
Ministério d* Sa*de, 2015.
BRASIL. Cadernos de At*nção B*si*a, n. 39. Núcleo de Apoio * Saúde da Família.
Ministé*io d* Saúde. v. 1. *rasília: Mini**ério da Saúde, 2014.
BRAS**. Caminho* do cui*ado: cade*no *o tutor. Mi**stério da Saúde, S*cret**ia
de
Gestão do traba*ho e da Educação na S*úde; Fundaçã* **waldo Cruz, Institu*o
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Comunica*ão Informação T*cnoló*ica em Saúde, G*upo Hospitalar Co*ce*ção, *entro de e
Edu*ação Te**ológica e pesquisa em Saúde- Escola GHC. Bra*ília: Mini*té**o da saúde, 2013
a.
BRAS*L. Cadernos *e Aten*ão Bá*ica, n. 34. Min*stéri* da Sa*de. Secretaria de Atenção à
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217
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Conh*cimen*os e pr*ticas de Redu*ão de Dano* de *ro*issi*nais do N*cleo *e Apoio à *a**e da
Família. *ev. FSA, Tere*ina, v.14, *.1, art.10, p. 198-21*, jan./fev. 2017.
Rev. FSA, Teresi*a, v. 14, n. 1, art. 10, p. 198-*19, jan./fev. 2017
ww*4.fsanet.com.br/re**sta
C*nhecimentos e práticas de Red*ção de D*nos d* pro*issionais do *úcleo de Apoio * S*úde da F*míli*
219
Contribuição do* Auto*es
C. N. A. Ro*rigu*s
A. F. Li*a
E. M. *. Ca*tro
*. O. Santos
P. C. *lmeid*
1) concepção e planejam*nto.
X
*
2) a*álise e inte*pr**ação do* dados.
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X
3) elaboração do rascunh* ou na revisão cr*tica do conteúdo.
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4) p*rt*ci*ação na **rovação da versão final do man*scr*to.
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Rev. FSA, Teresina PI, *. 14, n. 1, art. 10, p. 19*-*19, ja*./fev. 2017
www*.*sanet.*o*.br/revista
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