www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 12, n. 4, art. 7, *. 104-126, jul./ago. 2015
IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983
*ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2015.12.4.7
Leviathan: Soberania, Religi*o E Guer*a Civil
Leviathan: Sovereignity, *e*igion And *iv*l War
A**xander Martin* *ianna
Douto* em História *ocia* p*la Univer*idade Federa* *ural *o Rio de Ja*eir*.
Profe*s*r da Uni*ersidade Federal Ru*al *o Rio de Janeiro
*-**il: alexvi*nna1974@hotmai*.com
Pedro *enrique Alv*s da Conceição Ac*st*
Graduado pela U*iversida*e F*deral Ru**l do Rio *e J*neiro.
E-mail: *e**o.acosta@*i.com.br
Endereço: *l*xander Ma*tins Vianna
*ua Barão de Mesqui*a, 46*, apt. 305, Tijuc*, CEP- *05*0-001, *io de Jane*ro/*J, *rasil.
Ped*o He*rique Alves da *onceição Acosta
Rua Barão de Me*quita, 463, apt. 30*, T*j*c*, CE*- 2054*-001, **o de Janeiro/RJ, Br*s*l.
Edi*ora-chefe: D*a. Marlen* *r*újo de Carvalho/Faculda*e Sant* A*ostinho
A**i*o re*ebido em *1/05/2015. Úl**ma versã* recebi*a em 25/05/2*15. Ap*ovado em 2*/05/2015.
A*aliad* pelo sist**a Triple R*view: a) Desk Rev*ew p*l* Editora-Chefe; e b) Dou*l* Blind R*view (av**iação *ega
por dois avaliado*es da á**a).
Revisão: Gramatical, Nor*ativa e d* Formatação
Leviathan: So*erani*, R*ligião e G*erra
105
R*SUM*
A *bra *eviathan,
de T*omas Hobbes, é geralme*te aprese*tad* c*mo um m*rco
secularizante d*
pensament* po**tico mo*erno. P*r
cont* d*sso, m*itos estudos sobr*
est*
obra têm sido pr*duzidos com um vi*s **rc*damente i*uminista-co*tra*ualista.
Dif*rentement* de tal tendência, este artigo *re*en*e analisar a dimensão teológ*co-pol*tic*
dessa obra, com foco na corr*lação temá*ica *ntre sobe*ania, fé e obediência civil. Est* artigo
es** dividido em três partes: na pri*e**a, p*ocuramo* *itu*r o *e**or brasil*iro no* debates
*evisionist*s * pós-rev*sionistas sobre as Guerr*s *i*is Inglesas * História das Re*o**a* a
**otestantes n* Inglaterra; na seg*nd*, proc*ramos de*onstrar o *ue ente*demos ser o fim
teológico-político pri**ipal de sua obra, *sto é, que não há contradiç*o *ntre fé e *bediênci*
c*v*l num estado cristão, se religi*o deste e*t*do for devidamente f*ndamen*a*a a
nas
Escrituras; na terc*ira, *rocuramos *em*nstrar que * Infalibil*dade da *í*li* *
um t*m*
e**rutura*te p*r* * def*sa
d* s*bera*ia do *stado prot*s**nte na I*glate*ra do sé**l* XVII.
Porta*to, este artigo colabora c*m a linhagem crítica que analisa a d*mensão teológica da obra
Le*iathan.
Palavras-chave: Leviathan. *homas *obbes. Soberania. Reli*ião. Guerr*s Ci*il.
ABS*R*CT
Th* Thomas Hobbes\ Leviath** is c*rrently pr*sented as a ma*n reference of the secularized
politi**l thought rising f*om Early Modern Euro*e. Such * scholar approach *o Leviathan has
been followed *he Enli*hte*ment one. However, this a*ticle i*tends to an*lyze the th*olog*cal
p*litic*l dimension of the majo* Hobbes\ work, relati*g t*e themes of So*ereignty, Faith and
C*vil Obedien*e. This article *s divided in th*ee parts: firstly, we **tend to intro*uce the
Brazi*ian scholar to revisi*n*st and *o*t-revisionist approa*hes on the *tudies of English *ivi*
W**s and English Re*ormat*ons; secon*ly, we in*end to show that the
Lev*at*a*\s ma*n
theolog*cal political ai* is *o dem*nstrate tha* th*re is *o contra*ic*ion in the Chris**an State
**tween faith an* c*vil obedie*ce, i* th* *hristian religi*n *s rightly fashioned from *he Bible;
thi*dly, we intend *o demons*rate that t* Bi*lic*l Infa*libility is a* impor*ant theme to t he
Hob*es de*en*e of *overeignty
*n the 17 *entu*y *nglish Prot*s*an* S*ate. T*erefore, t*is
articl* collab*rates to t*e critical trends in th* studies of *he theol*gical dimension of
Lev**than.
Keywor*s: Leviat*an. Thomas Hobbes. Sovereignty. Relig*on. Civil Wa*.
Rev. FS*, *er*sina, v. 12, n. 4, art. *, p. 104-12*, **l./ago. 2*15
www4.f*anet.com.br/revist*
A. M. Vi*n*a, P. H. A. C. A*o*ta
*06
1 *NTRO*U*ÃO
A longevidade de Thomas Hobbe* (1588-1679) poss**ilitou que obser*asse - de pert*
ou d* longe - **g*ns eventos *olíticos *
religiosos de s*ma *mportância na história
da
*ngl*terra d* Alta Idade M*derna: o fim ** reinad* da rainh* Elisa*eth I (1603) e da dinastia
Tudor; a a*censã* *o trono ingl*s de se* p***o, * r*i Jam*s *I da Es*ócia, e o iníc*o
da
*in**tia Stuart *a Inglaterra, com o novo rei send*
en*ro*izado como James I;
o
fortalec*mento (com El*zabeth I e James I), o sol*p*me*to (c*m Carlos I e *s g*err*s **vis) e
a refunda*ã* (com Carlos II) da Igre*a Episcopal na Ingla*er*a; * aument* das
*isputas
r**ig*o*as durante * A*cebispado de Laud, *omp**** * consen*o (relativamente força*o)
elisabetano-jacobita; auge das Guerr** Civis, com a **c*pitaçã* de Carlo* I e* o
16*9;
*
*estau*a*ão, em
16**, do
trono in*lês nas figuras de Car*os II
e da ca**li*a *rin*esa
portuguesa Ca*arina de B*agan*a.
Fundament**mente, não po*emos esquec*r que a Ingl*ter*a d* H*bb*s é
aquela do
ter**n* tenso e flutua*t* *nerent* ao vi*s de *eforma *rote**a*te que
ne l a * *
insti**iu entre
Elizabeth I * James I, *as *ujo estab*ishment foi for*emente ame*çado pela co*j*nt*ra q*e se
abre *ntre *s décadas de 1**0 * *640, nas *uais as questões
d* refor*as r*ligiosas s*
mistu*a*am **balm*nte com os rumos das po*íti*as e negociaçõ*s *m to*no do **samento de
*arlos *, *uand* *odemos i*e*ti*i*ar a ruptura do conse*so episcopal dur**t* o Arc*bi*pad*
de *aud. Ambos fo*am *bo*dados *or s*** detrato*es "puritan*s" co*o "ameaças papistas".
Tudo isso criou terreno, ass*m
ent*ndo, para a natureza dos temas * fins
críticos da obra
*eviathan - ou matéria, f*rma e pod*r de uma república *cl**iástic* e *ivil (1*51).
Este *rtigo pr*te*d*, p*rtan*o, situar *evi*t*an no *ontexto polític*-teológico
de
s*ntid** disp**a*os s**re as re*o*mas pro*estantes na Ingl*te*ra, o
*ue *em co*o
c*nsequência crítica valorizar a *ua d**e*são mais silenc*a*a pela tra**ção crítica ilum*nista-
contr*tualista, tal co** a vemos *nc*r*ada n*s págin*s d* E*cyclop*die, que formou o ol*ar
da ci**cia pol**ica e *a filosofi* p*lítica h*diernas, qu* se hegemo*iz*ram como a*ordagen*
sobr* e*s* obra, des*e o fim da II *uerr* Mundial. Para tanto, considera*do a abrangê*ci* do
t*ma e *ua presen*a aind* pequ*na nas a
produções historiográfic*s *o Brasil a res*eito
da
história *as Ref**mas R*ligiosas Ingle*as, o*tamos **r estruturar o art*go e* três pa**es.
Na primei*a parte, pro*uramos situar * l*itor brasil*iro *o* *ebates r*visionistas e pós-
*evisionis*as so*re *s Gu*rras Civis In*les** e a H*stória das Refo*mas Pro*esta*tes
na
*n**aterra, demonstrando como os percursos crí*icos dest*s debate* cria* possibil*d*des *e
sentido * intere*se* reno**dos *a forma de fa*er pe*gu**as e ab*r*ar Leviat*an. *a segunda
parte,
procuramos demonstrar o
que e**e*demos ser * f*m crí*ico
principal
de to*o o seu
Rev. FSA, *eres*n*, v. 12, *. *, a*t. 7, p. 104-126, jul./a**. 20*5
www4.fsa**t.*om.*r/*evista
L*via*h*n: So*eran*a, Religi*o e Gue*ra
107
edifício (teo)ló*ico:
demonstra* que não h* contradição
*ntre
cons*iência r*ligios*
*
obediência civ*l nu* estado cri*tão, se a religião *este estado *or dev**amente fundamentada
nas Escrituras. Na terceira parte, **senv*lve*os
o *ue entendemos ser,
para Hobbe*,
a
cons*quência temática estruturante do a*gum*nt* de a*tor*dade
do p*der soberano civ**-
ecle***stico n*m estado cris**o: a *nfalibilid*de da Bíblia * como isso se fun*amenta com o
esp*lhamento n*s Lei* Naturais.
2 REF*RENCIAL T*ÓRI*O
2.1 O (pós-)rev*sionismo h*storiográfico *as Guerr*s Ci*is Religiosas Ingle*as
Inic*ad* *m 1*71-1972, * de*ate crítico r*vis*onista sobre as Gue**as Civis Religiosas
*a I*glaterra tem os seguint*s
pont*s-chave: (1) * af*rmação da insu*ic*ência dos métodos e
arcabouços t*órico* das *i*ncia* *ociai* u*il*zados pela
h**tória social, entre as *éc*das
de
1930 e 1960, para *b*rdar as causas religi**a* e *olíticas **s Guer*as Civis; (2) a afi*ma*ão
da fra*ilidade da* cate*orias analíticas da historiografia marxista, ao abord*r a* Guer*as Civ*s
*omo expr*ss*o política e relig*osa de l**as classes trans*o*maçõe* socioeconôm*cas e
de
lon*o praz* na Ingla*erra; (3) a valorizaç*o de *s*ud*s mais detid*s *as relaç*es entre
indivíduos e *rupo, ou seja, o foco analí*ic* e me*od*lógico mig*a das estr*tura* sociais para
as redes *oci*is, redimensionand* a r*lação Cou*t/C*untry nos estudos sobre as *uerra*
Civis; (4) a
valorização dos estudos l*cais sobre os m*l*ip*os impactos e rec*pç*es das
ref*rm*s religiosas e *olít**a* *égias, redimensionando os e*tudos das insti*uições no sentido
de buscar ent*nd*r a sua ló*ica própria de funcionamento, ev*tando-s* pro*etar pa** o pa*sado
uma *i*ão Whig *e l*is, d*reito e ins*ituiçõ*s; (*) um* bus*a
de modos mais af*nados, para
desc*ever a realidade social pr*t*rit* sem sim*lif*caçõ*s e anacr*nismos d*r*vados de visões
teleológicas do *ro*e*so h*stórico, sejam e*tas liberais *u m*r*is*as; (6) *m es**rç* maior
par* cap*ar o passado em sua p*ópria complexidade, evi**ndo-se pen*ar a história d*s
in***tuições *ng*esas por meio de
uma *etanar*ativa
pola*iza*a em
*or*o da fig*raçã*
estrutural de um c*nflito Rei/Parlamen*o que so*ente c*egaria ao seu \equilíb*io
constitucional\
em 1689, qu*ndo, aos ol*os da historiogra*ia Whig oitoc*nti*ta, a *atu*eza
mista (p**lamentar) da mo*arquia inglesa (em contr*ste com o ab**lut*smo fran*ês) teria si*o
i*stituí*a por me*os pacíficos, em cont*aste tipológic* com o p*r**do *o Lo*go Pa**amento.
Rev. FSA, Te*esi**, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, jul./ago. 2015
www4.f*anet.com.br/revista
*. M. Vianna, P. H. A. *. Acosta
108
*ale lembrar q*e, *ntre as dé*adas ** 1930 e *9*0, a his*ória social e/ou marxist*
i*g**** redu*iu a relevância do f*tor rel*gi*so, buscando causas *ocia*s * econômicas - como
o declín*o d* feudali*mo * * eme*gência de uma nova class*
capi*a*ista -
para a eclosão da
*uerra *ivil *a Inglaterr*, d*s q**is os *onf*itos religiosos e políticos seriam me*os re*lexos
supere*trutu*ais. Assim, do en**qu* sobre indivíd*os-pivô e suas
es*olhas religiosas
e
polític*s, car**terístico da historiografi* W*ig, o *oco so*ial (marxista ou não) abst*aía os
ind*víduos para enfati**r grandes e*truturas sociais. No entanto, essa mod*lidade de história
social *antinha o mesmo horizon*e Whig sobre o signific*do de l*ngo prazo do f*n*m***, ou
s*ja: d* algum mo*o, a Revolução Inglesa, como parte da História da Re*or*a na Inglaterra,
colabo*ou *ara o aperfeiçoamento das su** instit****e*, possi*i*ita*do o seu
progr**so
econôm*co e soc*al, que d*se*bocaria na mod*rnização industrial.
De*de Hob*es, * tema da causalid*de das Gu*r*as Civ*s na Inglaterra *a década de
1640 é um topos de disputas. *té a d*cada *e 1970, * his*ória religi*sa
ingle*a, d* período
elisabetan* e do reinado Stuart, ainda *ra c**tada por mei* da d*ade t*ci*a *n*lic*n*s versus
puri*anos. Quando o **co de e*tud* *ra a relação *ntre reli*ião, súditos e po*er sobe*ano, o
p*nto-chave da abordagem era o *n**ndimento *e
que o *onflito *ntre \*n*licanos\
e
\puritanos\ culmina*ia *** Guerra Civis da déca*a de 1640. No entanto,
d*s*e a décad*
de
1980, *istor*o**af*a com foc* em a
fat*res político* reli***sos tem *uestionado própri*
e
o
uso de *ermos abrangen*es com* \a**licanos\ e
\purita*os\, lem*r*ndo
que o primei*o não
ex*stia no sé*ulo XVII e o segund*
estava sujeito a múltiplos *reenchimentos semânticos
*
figurações cul*urais, c*nforme *uga*, época e o gêner* de fo*t*s.
A décad* de 1980 representou u*a *ova vir*da no* es*udos revisionis*as. Foi
a
chamada seg*nda
jo*nada de t*ab*lhos revisionistas, ou *ós-revis*onis*o,
*aracter*zada
p*r
um
*ncansável rastreamen*o *oc*mental e
e*tudo*
de
his*órias locais fora do form*to *as
monograf*a* de de*ografi* hi*tór*ca
da história soci*l e dos focos de his*ória
das ideia*
de
Christopher H*ll. Entre os foc*s *ais desenvolvi*os
pelos pós-*evi*ionistas e*tão o*
*ecanismos que permitiam * manutençã* da ord** na In*laterra do per*odo moderno, o q*e
explica o interesse em ideias po*íticas, polític*s culturais, funcionamentos das instituiçõe* (*
seu* *gentes), conflitos de pr*rr**ativ*s e identidades religiosas, assim como os seus meios de
manifestação, *on*i*ura*ão e negociaçã* e* suas rede* de s*gnificados e usos sociais.
O seu fo*o metodológico na social agen*y sign*f*c*u entender *ue *s
escolhas
individ*ais
não se da**am num
va*i* de relaçõe* soci**s de poder, e que, mesmo *u* haja
assimetria social, h* uma *argem estratégica de esco*ha pa*a os ato*es soci*is, o que significa
que suas ações seriam tanto efeitos estruturados c*mo
causas estrutur*ntes da* in*titui*õ**
Re*. FSA, *eresina, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, jul./ag*. 2015
*ww4.fsanet.*om.b*/re*i*ta
Leviathan: Soberania, Reli*ião * G*er*a
109
**ci*is, políticas * reli**osas. De*te modo, o* fa*ores d* conflito eram recoloc*d** no debate
histor*ogr*fico das Re*ormas Religiosas na Ingl*te*ra *nde, até então, os revisi*nistas
da
*écada de 19*0
enfatizavam os fatores de con*enso,
*as sem *air *os
esquemati**os
expli*ati*os estruturai* diádicos e de lo*go prazo das h*storio*rafias s**ial, marxi*ta e Whig,
tais como: re* vs. pa*la*e*to; ab*ol*tismo vs. constitu*ionali**o; cor*e vs. paí*; *eudalismo
vs. ca*it*lis*o; g*ntry *s. no*rez* (ou middle *ort* vs. nobreza); pur*tan*s
vs. anglicano*;
pr*sbiterianos vs. *ndepende*tes, etc.
Desde *i*ais da década d* 1970, foram vários o* estud*s locais
que per*itiram
distinguir o **pel da i*tera**o da políti*a e da *eli*ião na* diferente*
cid*des * condados
ingleses, c*d* qua* com * *ua pa*ti*ula* estrutura *oci*econô**ca e re*es entre pod*res lo*ais
e *e**rais. No entanto, é ** *écad* de
1980 qu* *s estudos l*cais saíram
das pol*rizaç*es
*e*áticas "*n**ferença v*. engajame*to" e "centra*ização vs. resistência local" *specí*icas do
re**sioni*mo *a década de 1970. Est* quad*o tác*to de
premiss*s r*visionistas para
*s
questões relati**s à história das Ref*rmas e da* Guerr*s Civis Re*igiosas na Ingl*terra foi
subst**uído pela herm*nêut*c* *a re*u*a**o, ne*oci***o, estratégia e co*flito nos estudos pós-
re**sionistas.
O deb*te revisioni*ta da déca*a de
197* questionav* as grandes chaves
explic*tivas
centra**s em conflitos estrutu*ais. No entanto, isso teve c*mo e**ito red*zir o conflito civil *
uma sucessão
de acontec*mentos fortuit*s. Po* isso,
na *écada
de 1980, ao *e**sar tal
cons*quência do debate rev*sionista da década de 1970, novos estudos retomar*m, *om nova
abordag*m, as polariza**e* e
c*nfli**s políticos, religios*s e *ociais que, efetivamente, s*
conf*guraram na I*glater*a *ntre as décadas de 1620
e
1640. A*in*l, a
identidad* re*i*iosa
calv*nista ingles* *econf**u*ou-se reativa*ente ao arcebispado de Wi*l*am L*ud (157*-*645),
ao longo da década de 1630, o q*e le*ou à po*ariz*ção po**t*ca de
alguns \puritanos
moderados\ - até e*t*o acomoda*os à
or*e* episcop*l *lisabeta*a-jacobita - c*ntra o
pat*onato de C*rlos I sobre a igreja d* Ing****rra.
Os pa*adigmas teol*gic*s a*minianos ameaçaram a *nidad* *a igreja episcopal
somente a*ós a ascensão de Carlos I e * *nício
d*s refor**s *a*dianas, que te*sionara*
o
camp* p*lí*i*o e relig**so, provocando a *ea*ão calvi*ista dentro da própria igrej* epi*copal *
e*tr* grupos, antes mod*r*dos, que for*m migrando pa** uma rea*ão antin***ana, em termos
*i**s e e**esi*sticos. Por este v*és, *s
reformas l*udianas teria* criado problemas
de
autor**ade na i*r*ja e*is*opal, ao reformularem a inter*retação sobre temas como
a
prede*t*nação, ele*ção, os sacr*mentos e a rela*ão entre obr* * salvação.
Rev. FS*, Teresina, v. 12, n. 4, a*t. 7, *. 104-1*6, jul./ago. 2015 www4.fsanet.com.b*/r*vista
A. M. Vianna, P. H. A. C. Acosta
110
No enta*to, a hi*ótese causal d* q** a "reação purit*na" *ue ant**e*e as Guerr*s Civis
d* década de 1*40 seri* *m fe*ô*eno tardio é c*nte*ta*a por Tyacke (2010), pa** o qual, a
hipótese d* uma reação estri*amente antil*udiana *gn*raria o fato *e que * conteúdo políti*o e
*eológico sobre a relação ent*e Lei e R*i - presente nas críticas a Laud e Carlos I duran*e
a
*éc*da de 1630 - teria um repertório que remontar*a
ao começo *o reina** de Elizabeth I.
Tyacke demo*st*a
que os princi*a*s tóp*co* críticos \*uritan*s\ das
décadas *e *630 já
cir**lava* durante o g*verno de El*z*beth I,
*art*cularmente depo*s de 1588
e, i*clusive,
pan*let*s e sermões da década de 1590 foram republ*cad*s na década de 1630. Todavia,
poderíamos nos in*agar sobr* o *ue, na déc*d* de 1630, t*ria
criado no*o contexto **
recepçã* e *elev*ncia polític* e teológica p*ra panfl*tos e sermões \puritanos\ da d*cada de
1590.
Em tod* cas*, o e*tudo de Tyacke torna-*e frutí*er* po* su*tentar a ideia de que havia
um "*a*ad*gma
puri*ano de política" que div*niz* a le* e *umaniza o rei *a I*glaterr* entre
1**8 e 1642. À *u* deste parad*gma, não seria um fenôm**o necessari*mente excepci*nal a
d*cap*tação de um rei que
se torna *i*ano. Nã* por *caso, Hobbes vo*ta s*tilmente a es*a
ques**o em *e***than, *o su*e*ir qu* um poder soberano *xiste *ara cumprir os fins morais
das Leis Naturais *or me*o d* ordem civil con*tituíd* pelo pa*to d* su*missão, o qual define
*apel p*otetivo-tutelador para um poder sobera*o, não sendo a religião uma matér*a for**tiva
do pacto de submissão e, por*anto, não seria em nome dela que se definiria quando u* poder
soberan* se
des*igu*a
em
t**an*a. Po* *ste viés, *odo poder *oberano é
de j ur e
divino,
enquanto cumpre os fins morais da* Leis Naturai*, *or on*e Deus também s* revela à razão
humana. Disso decor*e que s**ia antinat*ral - e, *ortan**, aves*o ao mandato divino * à reta
razão - u* poder soberano ameaçar a sobr***vência de se** súditos, pois, neste caso, pe*d*ria
a s*a função *ro*etivo-tuteladora, disso *ecorrendo que cada súdito (subjec*) deixaria *e ser
**bjected (i.e., memb*o do pacto
de submissão)
para ser s*berano/est*do de si,
cuidando
da
*rópria proteçã*, ou **ja, trata-se da f*gura lógica do estado *e natu*eza a*ordad* no livro II
do Leviathan.
*o*o veremos, é possível i*entificar em Leviathan, parti*ul*rmente
quan*o Hobbe*
disserta sobre a rel*çã* *ntre lei n*tu*al, lei civi*, sober*nia, religião, obediência, c*n*ci*ncia,
f* e g*aça, uma tent*tiva de responder: (*) *os d*s*fios doutr*nai* do "paradigm* puritano de
política" *a In*laterra
entr* 1558 e
*6*2; e (2) à quebra do consen*o ca*vinista da igreja
episcopal e*isab*ta*a-jacobi*a. O ponto cen*ral será demon*tr*r, es*ecificame*te *m
*evia*han, como Hobbes pondera, de de*tr* do p*otes*a*tismo c*lvinista in*lês - esta z*na
limin*r *ntre o lega** episcopal eli*abetano (destruído *or Laud e Ca*los *, *egundo os seus
Rev. FSA, Ter*sina, v. 12, *. *, art. 7, p. 104-*2*, ju*./ago. 201* w*w4.f*anet.com.br/revi*ta
Leviathan: Soberania, Religião e Gue*ra
1*1
detratores) e o futuro ***ert* de um* igreja presbit*r*an* inglesa, existente desde 1647,
mas
sem consens* -, u*a solução teológico-políti*a, que signif*que a *est*uração da unidade civil-
r*ligio*a da I*glaterr* por me*o de um pode* sob**ano, m*nárqui*o *u c*l*giado,
*as
pr*fere*cialmente monárquico, **corad* n* verdade
abso*uta das L*is Naturais *
das
Escrit*ras.
2.2 Fé, Obediência Civil * Pensam*nto *emonoló*ico
Em *ev*athan, Hob*es caracteriza *omo supersticiosos e *dóla*ras os i*imigos
confess*onais da Inglaterra e dir*ciona s**s ata*ues * padres escolást**os
e a grupos
antinomianos prot*stant*s. *o modo da tradição críti** reformada do*ta desde Lutero,
Hobbes igualmente desqual*fica as via* *radicionais d* so**riologia católi*a e os fundamen*o*
te*ló**co* dos s*us s*cra*entos. N*s com**tes espec*f*co* de Hobbes à "sup*rs*içã*
papista", a sua *natomia dos rituais e sac*amentos - ali*s, anat*mia é um gêne*o *iterár*o, por
vezes, usado d* f*rma burlesca contra *n*migos c*nfession*is na Ingl*terr* *efo*ma*a de*d* *
reinado de Elizab*th I - não pode ser di*sociada da qu*stão te*lógico-pol**ica envolvendo
a
sua visão *obre * pode* sober*no ci*il-eclesiástico pe*a *raça divina, p**s isso sign*fi*a não
apenas s*r cr*t*co à **eia ("pa*ista" e episcopal laudiana) de o po*er eclesiást*co dos *a*r*s
da igreja ser d* jur* *iv*no e independente do poder sober*no civil, mas tamb*m crítico
à
noçã* *e "dupl* gládio" de Lu*er*1 e à ideia de "po*eres *forais" *e Calvino2. Afina*, no *aso
específic* da In**ate*ra, o parl*mento ing*ês, na **cad* de 1640, foi o exe*plo moderno de
"**der eforal", * qual Calvino abordara na déca*a de 15*0, n*s edi*ões de Inst*tui*ão da
Religi*o Cristã, usa*do o exemplo antig* de Espar*a.
Cons*de**ndo a quebra de co*se**o na I*reja da Inglat**ra decorrent* das reformas
laudian*s (e as c*íticas \p*ritanas\ ao s*u \sacrame*talismo\ c*mo \retorno a* papi*mo\), *alar
*os equí*oco* *a do*t*in* dos santo* cat*licos é també* uma forma de Hobbes se autorizar
frente a* esta*lishment presbiteriano cria*o na
***laterra em 16*7, que sucedera à igreja
episcopal laudiana como religião
de *stado. As ref*rmas *o arc*b*sp*do de Laud havi*m
quebrado * conse**o
(rela*ivame*te fo*çado) que acomodara, desde a *écad* de 1590,
a
*
* teoria do duplo gládi* perp*ssa, por exe*pl*, o sermão Sobre a Autor*dade Secular (*523), *o qua* Lutero
distingue, *m *essoas e origens dist*ntas, *s mandatos d* poder secula* * do poder eclesiástico.
2
A e**mpl* da figura d* éfo*os de Esp*rta, Calvin* defende no cap*t*lo fina* de *nstituição da *eli*iã* C*is*ã,
dedicado *o poder ci*il, *ue t*dos os *úd*t*s que não são pessoas particulares - ou *ej*, *ue e*c*rnam funções,
pre*rogativa*, ofício* ou poderes
relacionados ao bem comum do Esta*o - são tão divinamen*e
constituídos
qu*nto o poder *o*era*o. *or isso, poderia* *fer*ce* con*elho e, no limi*e, re*istênc** ao sobe**n* que se
tornasse ímpio no exercício de seu mandato div**o.
Rev. FSA, Te*esin*, v. 12, n. 4, a*t. 7, p. 104-126, jul./*go. 2015 ww*4.f*ane*.*om.br/rev*sta
A. M. Vi**na, P. H. A. C. Acosta
112
maior part* dos "puritanos" na i*reja episcopal elis*bet*n*. Como Lau* foi acusado
de
"papista" por seu*
*e*rator*s, Hob**s precisa*a dem*rcar, sem ambigu***de, *ue não e*a
f*voráv*l às reformas r*ligi**as de Lau* da década
de 16*0, pa**icu*a*men*e depois da
decapitação de Carlos * em 1*49.
*ur*nte a dé**d* *e *630, o arcebispad* de William Laud a*e***u *s *rítica* às idei*s
do padre Belarmin* nas universi*ad*s da Inglaterra, o que foi
acolhid* com muita
desconfia*ça pelos \purita*o*\. Po*tanto, num con*exto presbiteria*o pós-decapi*ação d*
Carlos - al**s, igualmente b*m *
pouc* con*ensual
qua**o * religião de *stado, devi*o
à
a*u*çã* das seita* *ndepen*entes no *xé*cito do parla*ento -, Hob*es p*eci*ava sina*izar
claramente que não e*a laudiano *u "papista", o qu* é u* dos fat*res que explic* fato d* o
dedi*ar * se* longo *apítulo **bre o pod*r eclesiást*co, no livro III do Leviat*an, * crítica *s
idei*s do pa*re B*larmino f*vor*veis ao jur* div*no do* p*dre*. A**im, *obbe* a**ona *ópicas
re**rr*ntes na literatura
e*i*abetana * *acobi*a -
na ve**ade, recorrentes na l*teratura
r*formada do* séculos XVI e XV*I co** um todo - para figurar os ritos e funda*en**s
da
soteriolog*a cató*ica como *rro escolás*ico, superstição idólatr* *u
*ngodo des*nesto de
expl*radores "papis*as" dos *edos do vulgo, em part*cular q*a*do d*utamente faz paralelos
*ntr* rito* católic*s e br*xar*a.
Em s*u combate à "super*tição" ("papista" *u das *eitas antino*i*nas *rotestantes),
*m d*s pontos de deba*e de Ho**e* *m Leviathan diz res*eito à natureza do* mila*res. P*ra
abordar este assunt*, tal c*mo faziam a filosofia n*tural e os estudo*
d*monológic*s do*
sécul*s XV* e XVII, Ho*bes conve*cionalmente dist*ngue miracula - obra sobr*natu*al (i.e.,
própria de D*us,
porque independe *as Leis Natu*a*s) - de mir*bili*, engodo d*s home*s
e/ou do demôn*o, decor*ente
da i*norância das caus*s e ef*itos n*turais primário*
e
secundários. **bora Hobbes
não de*carte a possibilidade
*e a ag*nci*
demoníaca
atuar
na
imaginação humana -
na prática, isso seria difíc*l de pon*erar, por*u* a atuação diabólica
oco*re*ia
por m*io da or*em cri*d* - a quest** da agência de*oníaca se
*o*na irrel*vante
para o se* foco crítico principa* *ob*e a* matérias e fun**mentos do esta*o civil-*cle*iástic*
cristão, mas não aquilo qu* fun*amen*a *
preo*u*aç*o
civilizatóri* do
pensamento
demonológ**o e*ropeu nos *éculo* XVI * XVII: distingu*r a agê*cia sob*ena*ural *as visões
su*er*ticiosas
*as *maginaç*es vulga*es sob*e es*a matéria, de *odo * evit*r *s suas
reverberações negativa* na obediência civil.
P*r is*o, na composiçã* de Leviathan, não é uma exce*tr*cidade a preocupação
*e
Hobbes de combate* os erros da imagin*ç*o em matérias *el*giosas ao mod* da *radição do
pe*s*me*to d*m**ol*gico eu*opeu. *ara se autorizar neste assunt*, el* não fala d* um *ugar
Rev. FSA, Teresi**, *. 1*, *. 4, art. *, p. *04-126, j*l./a*o. 2015 *ww4.f*anet.com.br/re**st*
Le**at*an: Soberania, *elig*ão * Guerr*
113
supostamente nã* teológic* (i.e., ao modo dos i*uministas do sécu*o
XVIII);
p*lo c*ntr*rio,
exibe as suas credenciais de douto *eólogo, particularmente nos liv*os II* e *V de Leviath*n.
Como p*etend* comb*ter o que ju**a serem os elementos d*sestabilizad*res da or*em civil na
Inglate*ra, não são matérias secundár*as os seu* c*p*tulos dedi*ado*
a ass*ntos como
mi*agres, pro*e*ias, espíritos, fé, a*jos e mártire*. Para e*e, as visões
equi*ocada* so*r* ta*s
as**n**s desviariam a m*nte humana dos f*ndamen*os da fé c*i**ã e, por conta disso, criari*m
desordens civis ou fal*os pro*le*as a respeito da relação entre consciência religiosa
e
ob*d*ência civ*l. Al*ás, t*l como
*s *em*is dout*s reformados dos século* XVI * XVII,
*
*nvestido d* espe*ial *ign*ficado civil o *ato de Hobbes abord*r * papel das instituições e le*s
civis até o *uízo Fin*l, **ndera*do qu* o Reino de Cristo nã* é des** mundo, pa***cularmente
*os p*ralelos crí*icos sobre Inglate*ra que ele desenvolve a pa*tir de sua abordage* c*ítica da
teologia do padr* Belarmino.
Cons*dera*do a *orma co*o Hobbes desdob*a, ao longo de Leviathan, a no**o *e
*e*soa, o seu edi*ício ***lógi*o-políti*o sobre * relaç*o
ent*e con*c*ênc*a re*igiosa
e
obediência civil fica suf**ientemente resolvido qu**do, usando um exemplo extremo, diz que
um súdito cristão teri* a *bri*ação divina de obedecer ao pod*r soberano, m*smo q*e este *ão
**sse cri*tão - afin*l, o m*ior
*xemplo bíb*ic* é o próprio Cri**o.
O pacto
de subm*ssão
significaria a
configuraç*o da
autor*dade soberana que
cria * pers*n* **cta do Estado, cuja
f*nalidad* moral é
o*ientada p*la *rovidên*ia di*ina. Por isso, no l*vro II, a
teleologia
form*tiva d* argume*to *e H*bbes q*ando *ala da *assagem do
estad* de naturez* p*ra
o
estado polític* *, fundamentalmente, pensada numa chav* *rov*dencialis*a c**acionista. Nã*
é exaus**vo lembrar isso, pois sabem*s **e esta par*e de Levia*han foi des*e*logizada pela
tradição crítica ilumi*ista.
À luz da linguagem pr*vide*cialist*, **demo* perceber que o homem de Hobbe* em
est*do de natureza é soberano de si, mas nã* é autossuficiente. Da*, não é um a**tite natural
pela so*iedade pel* e
v * da
política (no sentido aristotélico) q*e **pele par* o estad* o
**lít*co, mas um se*so de *nsuficiência que gera medo q*anto aut*pr**er*ação. à
*isso
decorre que não há, no mun*o providen**al*sta-calv*nista, que aind* é o de H*bb*s, um ponto
*e *bsoluta l*b*r*ade e igual*ade para escolher (i.e.,
nã* *á a v*luntas
ao modo do
contra*ua*ismo ilumi**s*a), po**, a* dist*ibu*r desi*u*lmente as
qualidades e*tre os home*s,
cu*a *aioria é p*rfid* desde a qued* adâmica, D*us os impeli* à c*abitação na ordem civil e,
po*tanto, à f**dação do Estad*.
P*r isso, no livro
II, a tele*logia fo**ativa no argume*to de Hobbes, que leva
o
homem
do esta*o de natur*za par* *stado po*ítico f*z par*e, ** verdade, da lingu*gem o
*ev. F*A, Te*esina, v. 12, n. 4, *r*. 7, *. 104-126, jul./ago. 2015
*ww4.fs**e*.com.br/revista
A. M. Vianna, P. H. A. C. Acosta
114
providenci*lista-calv*nis*a dos séculos XV* e *VII. ** nã*
c*nside*amos isso, não
entenderemo* a forma como Hobbes organiza e e*cadei* tematica*e**e * ed*f*c*o lógico dos
quatro livr** de L*viath*n. Para Ho*bes, a provi*ência s*
comun*ca com
os homen* pelas
Leis Naturais e pel*s Escrit*ras, qu* orientam a finali*ade moral da o*dem ci*i* perso*ali***a
no poder sobe*ano. Por este *iés, pacto d* submissão é válido a*é onde o p*der sobe*ano o
atue em acord* com
aquilo que fundamen*a as *uas finalida*es mo*ais: prese*va*ão,
*eg*rança e prosperidade dos sú*itos. O p*cto de subm*ssão não *nstitui a ma*éria religi*sa do
estado, mas sim, aos *lhos do verdade*ro De*s, dever o
de *bediência ci*il. Por *sso,
é
*undamenta* *erceb*r a forma co*o Hobbes *az
* *ransiç*o temáti*a do livro *I para o livro
II*.
*a visão de Hobbes - que **cora esta parte de seu argumento *m exe*plos re*irados
d*s Escri*ur** -, não es*á implicado n* f*nd*çã* *o Estado uma matéria r*li*iosa esp*cífica,
p*is, até que *e torne le* (neste caso, confunda-se com a persona ficta *o Estado), * *eligião
(cristã
ou *ão) * um
aconsel*amento
p*rticul*r. Daí,
*ão é propriamen*e um **gume*to
c*ti*o e/ou **bertino quando Hobbe* *firma, no livro I, que as r*ligiões e* gera* (*.e.
sup*rstiçõ**) são *rodutos do medo, da ignorân**a (das causas) e da i*ven*ão
d*
hom*m/estado. Nenhum
teólogo cristão que*tionaria i**o nos século* XVI e X**I. E*bo**
*ão relativ*ze o *ristianismo refor*a*o do qual faz parte, Ho**es e*tend* *ue a re*igião n*o
*az parte da matéria do estad* *a su* fundação, mas como invenção civil, p**s é *re*iso ha*er
a p*s*oa ** estado
qu* tr*nsf*rme um *co*selhamen*o *artic*lar e* lei a nortear
a
**teriorid*de da vida c*vil.
Os exem*los de estado* não-cri*tãos (modernos * an*igo*) servem para os propósi*os
críticos ** Hobbes, que vis** *
demonstrar que é um *also pro*lema a potenci** relação
c*n*r*p*sitiva *n*re obed*ê*cia ci*il e c*nsciência religi*sa i**ginad*
pelos sedici*sos na
Inglaterra. No caso de es*ados não cristãos, quand* um* religião (mesmo que n*o verdad**ra
ao* *lhos dos cris*ãos) se tor*a ma*éria do *stado, isso nã* esv*ziar** a *brigaçã* div*na de *
súdito cristã* obedecer ao seu soberano no c*mpr*ment* exteri*r dos ritos da vi*a civil
no*teada *ela religi*o que lhe é a**er*a. *omo n*ste caso a *x*eri*rida*e da reli*i*o se to*na
u*a matéria da ordem civi* personi*icada no soberano,
u* súdito cr*s*ão não deveria
te**r
po* sua *lma ao segu*r ex*erior*ente o que manda o
*eu soberano (infiel ou pagão)
nas
*atérias religios*s de seu estado, pois, neste caso, o pecado seria da pe*soa d* sobera*o e não
do s údi * o
c*istão obediente. Pe*ado se*ia não obedecer o manda** divi*o do soberano
qu*
cumpre as fina*i*ades mo*ais do pacto de sub*iss*o.
Rev. FSA, Teresina, *. 12, n. 4, ar*. 7, p. 104-126, jul./ago. 2015
www4.fsanet.c*m.br/revista
L***athan: Sob*ran*a, Religião e *uerra
115
Para Hobbe*, t** como pa*a Calv**o e Luter*, a verdade*ra fé * *ila*re de Deus, *ue *
*ria no coração dos
hom*ns po* razões insondáveis q*e indepe*dem do m*rit* humano.
Especificam**te *m Hobbes, há o cuidado de eliminar qualquer ambiguidade sobre o mi*tério
da fé ao a*irmar que o ministério *ue a desenv*lve no estado cr*stã*, po* meio da educ*ção
na palavra e da disciplina Deus age por meio -
*estas quando julgar adequado -, não
c**corre com a
obe**ênc** ci*il. Daí,
e*pecificamente n* es*ado c**st*o, arrogar-s* eleito
a
**nt o d* opo* u* a * up o* t a
*erfei*ão *s*iritu*l à
obediência civil só poderia
se* fruto
da
ima*inação *e súditos ar*ogantes e *aidosos (portanto, fruto de er*os *arnais e não ob*as d*
esp*r*to), **sviados *os *undament*s das Es*rituras. *or isso, quand* fala do s*gnifica*o
*íblico antig* de mártir (teste*unha) e* *eu trabalh* filoló*ico sobre a Bíblia e os conc*l*o*
antigo*, Hobbes pr*tendia desmontar t**lo*icame*te *o*o o carisma dos má*ti*es mod**nos
d*s f*cções r*ligiosas da* gue**as civis e conter o* seus efeitos *egat*vos **bre a relaçã* de
obedi*n*ia *ntre súd*to* e *oderes *oberano* na Ingl*ter*a.
Tais a*suntos são tratados no livro III, q*e se*ue as conse*uênc*as *e*áticas *o* li*ros
I * II, dos *uais se deduz que o soberano somente perde a prerrogativa de *e* obede*ido, (ou
se*a, deixa de se*
pessoa) q*ando não cumpre as finalidade* *orais d* pacto d* submissão.
***e
*ão incl*i a religião *omo ma*éria fundador* da
pessoa *o
estado, como nos deix*
perceber * s*quência de assuntos do li*ro III que d*semb*cam logicamente no capít*lo 42. *
rel*gi*o somente se torna matéria do estado
num mo*ento pos**ri*r sua fundação, ca*o à
alg*m soberano
*reten*a
*ivilmente transfo*má-la *e aconse*hame*to p*rticular em le*
*o
es*ad*. Em s*u conj*nto, o *iv*o II* de Le*iathan toca nos temas **ológicos mais canden*es,
cla*amen*e referido* *s guerra* civ*s ** Ingl*terra, de m*d* a **spond*r sob** o ma*
ent*ndimento
de maté*ias relig*osas fu*d*mentai* que, *a interp*e*ação de Hobb**, estavam
s*n*o d*svi*das de seus verdadeiros sent*d*s - d*du*íveis, *ela reta *azã*, das leis naturai*.
Hobbes t*m o enten*imento de que *s com*ni*ações sobrenatu*ais entre Deus
e
ho**m ce*saram com o advento de Crist*, po** sua f*nalidade era anunciá-lo e *ist**gui-lo
dos falsos m*ssias. Disso deco*re que profeci*s e sonhos c*ssara* no mun** atual, e re*taria
ao homem a*ual *e comunic*r co* *s in**nções não veladas *e Deus n*s Le*s Natura*s - e nas
*a*tes cla*** (*.e., indisputáve*s) da Bíbl*a. Seg*i*do tal p**missa, *obbes cr*a um método de
demonstração lógica, por
mei* de verd*dei*os **l*gismos (plain reaso*), q*e ratificaria
a
Infalibilidade da Bíblia por meio de seu espelhamento *om as *e*s *aturai*. *f*nal, se De*s
f*la *o* m*io das Leis *aturais e das Escrituras, ambas não poderiam cont*adizer-*e. *or tal
método, Hobbes pre*endia distin*uir ** p*rtes clara* das *artes velada* * suti* d*s Escrituras,
Rev. **A, *e*esin*, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-12*, jul./ag*. 2015 www4.fsa*et.c*m.br/revi*ta
A. M. Vi*nna, P. H. A. C. Ac*sta
116
*ara afir*ar, como princípio, que seria na* part*s claras - dedu*í**is do e*pelhamento
raci*nal com as Lei* Naturais - que deveria se b*sea* a religião do est*do c*is*ão.
No voc*bulário de Levi*than, o con*ei*o de *eta razão (*la*n r*ason) tem um sentido
ant*tét*co as*imétri*o *m relação aos conceitos se*sação (se*se), *aixã* (p*ssion)
e
imagina*ão (imagin*tion), quando se *epor*a aos assuntos
que en*olvem a questã*
confession*l na Ing*aterra e à necess*ria dis*inçã* entre as *au*alid*des natural e ***renatural.
N* livro *, não é
po*sível esta*elecer os fundament*s das *erda**s lógicas *em an*es
diagnosticar, estuda* e ex*or os limi*e* cogni*ivo* d* co*po da Q*eda Adâmica, e sua *a*ada
regência por s*nsaçõ*s, imaginações e fantasi*s qu* precisam *er con*rolada*
em matéria*
religios*s. Por isso, *ão é à toa que H*bbes inicia a sua obra com um* longa pa*te *edicada ao
es*udo do microco*mo Homem e
ao que considera serem os erros recorr*ntes de opinião
oriundos d*s sensações e imaginaçõe*.
Para purgar o corpo polít*co da Inglater*a *e doenças se*t**ias e ameaças externa*, a
anatom*a proposta em Lev*a*han **irma a di*tin*ão quali*ativa entre as verd*des lógicas d*
re*igi** do e*t*d* c***tão (deduzida* *o
espe*h*mento entre Le*s Natur*is e E*crituras) e
*
m*nd* *a* sensaçõe* do microc*s*o *omem. *o liv*o I, * sua fo*ça estr*tura**e é
o
*mperativo da dist**ç*o e**re agências *at*ral * *ob**natural em chav* de filosofia *a*ur*l,
que * re*oma*o no livro III em *have *eológ*c*-b*bl*ca. Portanto, *sse imperativo de distinção
*orn* os livros I e II* os ce*tros da tematização do pensamen*o demo*ológico *m L*viathan,
muito mais do q*e o *ivro IV. Tal imperati*o de distinçã* forma os seus combates *eológi*o*
aos erros \papistas\ e
*s compreensõ*s *uper*ticiosas anti*omiana* (*e gra*a, e*eição,
lib*rd*de, mi*a*re, p*of*cia, martírio, es*í*it*, *njo, reve**ção, **uminação, etc) n* Inglate*ra
**rante a* guerr*s civi*.
Tudo isso não é contraditório com a filosofia natural do séc*lo *VII, *** igual*ente
entendia que a *g**rânc*a *a* causas *atu*ais leva*a a atribuir causas sobre*a*u*ai* para
tempo*, lugares, pessoas e coi**s eq*i*ocad*s. A fi*osofia *atura* do século XVII não negava
a *x*stênci*
da ag*ncia sobre*atu*al e *ão e*tava desinve*ti*a
de *ma visão c*iacion*st*-
providencial*sta de mundo. Dou*os clericais *
*eculares a pr*ticavam nas universidades,
ao
lado
da teologia. Hobb** estava mentalmente muito d*stan*e
d* mundo da f*losofia natura*
pós-Lavoisi*r
do século XV*II. Daí, o imperativo da distin*ão entre *gênc*as natural
e
sobrenatu*al era
ainda
um **spositiv* int**ectual vál**o para Hobbes desen*olver os seu*
comb*tes, v*sand* criar um pont* d* p*rti*a cr*tico para a
que*tão da *elação ent*e
consciênci* religi*sa e obediência *ivil, a* *esmo tempo em que abordava **so *em deix*r d*
Rev. FS*, Teresina, v. 12, n. 4, art. 7, p. *04-126, jul./ago. 2015 www4.f*ane*.com.b*/revist*
Leviathan: Soberania, Rel*gi*o * G*erra
117
ratificar - como todo douto p*otes*a*te, desde * sécu*o XVI, que combatia as *onsequ*ncias
antinomianas d* n*çã* *e ilumin*ção interior - * princípio da Inf**ibilidade da Bíbl**.
2.* Soberania e Infalibilidade da Bíblia
*m Leviatha*, desde o livro I, *ercebemos que H*bb*s
pretende *uplanta*
a
imag*nação vu*g** sob*e os temas da eleiç*o e d* liberdade do cr**tão, devido aos transtorno*
que ***savam * s*bordinação à ordem *ivil n* Ingla*erra. Para Hobbes, em estados (cristãos
ou não) onde doutrinas religiosas ** estivessem civil*e*te estabel*cidas, seria um s*na*
de
d*so*ediência ci*il (incong*uente com * Bíblia) a pr*gaçã* pública de nova* doutrinas sem a
permissão do poder soberan*. Or*, se a *igura do Leviatha* é in**itu*da para combat*r
a
ar*ogância dos hom*ns, um s*dito particular, que se
a**edit* juiz d* boas e más *ções
*os
dema*s, toma arrogantemente p**a si as *tribuições que
cabe* ao
pode* sobe*ano do e*tado
cristão, ou seja, coloca-se num* posição de não pertenc*men*o e de *nsubordin*ção ao *orpo
político oriund* do pacto de submi**ão.
N* **so específico da Inglaterra da décad* de 1640, tudo is*o se mistur*ria c*m
entendimentos eq*ivocado* de matéria* r*lig*osas *ristãs, tais como:
p*of*cias, m*rtírio,
espíritos, son*os, anjo*, eleiç*o, i*umina*ão, graça, milagr*, e*c. Por i*so, os liv*os III * IV de
Leviatha*
passam e* *evi*ão temas teológicos, c*jo entendimento *quivocad*, *egun*o
Hobbe*, *eri* a ca*sa das deso**ens civ*s na Ingl**erra. E* nosso **tendimen*o, o seu esforç*
intelect*al em **viathan não *n*e*ipa a *hav* crítica iluminist*: os erros de entend*mento nas
matér*as religiosas são combatidos por meio de um e*f*rço intelectual que vi*a * esclarecê-las
e contextualizá-las em *ermo* t**lóg*c*-b*bl*co* re*ormados. Daí, podemos c*a*am*nte
p*rceber a mudança na pessoa literária d* Le*iathan, que passa do filósofo (moral, *olítico *
*a natureza) do* *ivros I e II *a*a o teól*go nos livr*s II* e IV, mas tudo * um único *ercu**o
que forma * seu ed*fício (te*-)lógi*o.
N*s cap*tulo* de transiç*o entre o* *ivros *I e III, não é v*zio de *i*nificado político o
*at* de Hobb*s afir*ar teologica*e*te que a fé e a sant**ad* s*o alcan*ad*s *elo estu*o da
palavra, pela disc*plina, por meio
d* *a*ão e
**t*os m*ios na*urais, m**iante os
quais Deus
age s*bre eleito o
q*an*o julgar adequado, ou seja,
t*is meios
n*tu*ais não têm p*de*
int*ínseco *ara mo*er a vontade de Deus em *avo* dos *omens, m*s são *teis, em tod* caso,
**ra a ma*utençã* da ext*rior*d*de da orde* ci*il. Com t*l sutil*za de argumento de matriz
ainda calv*n*st*, *o*emos n*tar que *obbes def*nde, simultaneamente:
(1) a noção
de
Infali*ilidade da B*b*i*; (2) a d*mensão so*renatur** da eleição ao modo calvinista, d*ixando
Re*. FS*, Teresina, *. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, *ul./*g*. 20*5 www4.fsane*.co*.*r/*evista
A. M. Viann*, P. H. A. C. Acos*a
118
clar* que esta depende ap*n*s
da vont**e de *eus (dis*ingui*do-*e
** sote*iologia católica,
centra** nos *éritos humanos como
*o*pe*ativos co* a graça); ao m*s*o tempo em que
combate (3) a v*são (ent*ndida por ele
como sediciosa e supe*stici*sa) das seitas
profética*
i*gle*as que, durante a* guerras civis, col*cavam a il*minaçã* *nterior (inf*são d*vi*a) acima
da palav*a e da obediência ci*i*, arrog*ndo uma eleição que lhes *ermitia sen*irem-se
autoriza*o* a *iverem l**res das leis (*.e., apartados da
ordem c*vil-eclesiás*ica
*o estad*
cristão) * capacita*os p*ra j*l*arem e s*bm*terem ao s*u juízo parti*ula* a autoridad* do
*oder sob*r*no.
*o desenvol*er o seu mét*d* de espelhamento entre Le*s Natu*ais * Escr*turas,
Hobbes buscou, no **o *a reta razão, uma form* d* af*rm*r o primado da Infali*ili*ade da
Bíblia sobre a ilum*n*ção interior, pr*t*ndend* resolver um problema aberto pela
tra*ição
re*orm*da desde Lutero. Como de**a **ar* nos capítulos iniciai* *o livr* I e no *apítul* 42 do
*ivro *II, Ho*bes prete*de combater o u*o da excessiva imaginação *m *atérias religiosa* na
Inglaterra e iden*ifica, t*nto na* reli*iõ*s da luz i*te*i*r quanto na *ra*i*ão escolá*t*c*
do
padre Belarmino, potenciai* ou efe**vas amea*as ao mandato divi** c*vil-ecles**s*ic* do
poder soberano na In*la*err*. O seu combate *o**e *ais ameaças **ca clar* n* forma como
elege, enca*eia e desdobra temas b*bl*co* entre os *ap*tul*s 29 e 3*.
D*sde as re*orma* protestantes do s*culo XVI *a E*ropa, a Bíblia *ra *m locus
*e
disputa * foi usa*a de man*ira *ariada para medir e crit*car as prá*icas
e insti*uições
existent*s. Se tai*
p**ticas e *nstituições ***
pu*es*em ser ancorad*s an*lo*icamente
ou
dedutiva*ente na Bíblia,
elas p*ssavam a ser su*pe*tas. Com as r*formas prote*tantes,
a
Infa*ib*lidade da
Bíbl*a t*rnou-se
** l*cus temático específ*co de con*rol* d* *nterpretação
das Escrituras *, obv*am*nte, Hobbes *ão foge a esta regra *uando atua como dou*o teólogo
em Leviathan.
*liás, desde Lutero, obse*va*os e*te tipo
de preocupação ser r*corrente entre os
doutos pro*estantes que est**am sob o patrona** *as elites
governantes. Em 1599,
por
exe*plo, futuro rei inglês James I o
da Ingla*erra (então James *I da Escócia) *ub*ico*
o
espelho de p*íncipe Basilikon Do*on, concebido p**a seu f*l** Henrique (159*-*6*2). A**i, o
rei James afirm* que a Bíblia teria *i*o di*ada *e*o Esp*rito Santo para inst*u*r e re*ul*r to*a a
igreja *ilitante at* o fim do mun*o. Ele também caract*riz* a Bíblia pa*a seu fi*ho
da
seguint* form*: (1) * Antigo Testame*to, cu*o fundamento é a Lei Mosaica, *p*esenta
o
pecado hu*ano e contém a just*ça divi*a; (2) o Novo ****am*nto, cu** fund*mento é *risto,
perdo* o pecado e conté* a g*a*a divi*a; (3) há *m* necess*ria rel*ç*o compl*mentar e*tr*
Anti*o T*stament* e Novo T*stamento; (4) a *íblia é a mel**r *ntér*rete de si mesm*. Co*
R*v. FSA, *eresi**, v. 12, n. 4, art. 7, *. 104-126, j*l./a*o. 2015 www4.fs*n*t.c*m.*r/revis*a
Lev*at*an: Sobera*ia, Religião e **e***
119
is*o, afirma-*e * **imado da Bíbli* sobre a ilumina*ão interior, pa*ticu*armen*e se os s*ditos
tir*m *e*ta ú*t*ma al**mas cons*quê*cias antinomi**as. A concl*são (teo)lógica disso é
a
mesma que ob*ervamos Hobbes
afirmar em Levi*t*an: a eleição é um assunto *nd**erente
para a *r*em civil,
pois o poder soberano - mesmo em seu papel
instrutivo * disciplina*o*
como suprem* *astor n*s est*d** cristãos -
governa *s homen* apenas exte*i*rme*te, pois
q*em *ria a verdadeira *é é D*u*.
*o*tud*, ** * condição de el*i*o seria uma matér*a indiferente pa*a o*dem ci*i*, a
seriam os erros *e compreensã* (se**arismo antinomia*o) nessa matér*a que levaria* alguns
súditos *ngleses contrap*rem fé à obedi*ncia *o *obera*o. Por isso, p*ra Hobbes, a
não
bas*ava apenas diz** qu* a Bíb*ia seria a melhor *nterprete de si mesma, c**o fazia r*i o
Jame*;
era tam*ém necessário que houvess* um método c*ar* que firmasse
o pr*mado
*nquebrantável da
Infalib*l*da** *a Bíbli* para *ue esta não sofress* os *ssaltos da
i*a*inação
especulativa dos e*colástic*s, o* *os*e *svaziada por al*g*çõ*s *alcadas
em
iluminação interior.
Seg*ndo Hobbes, *eria err**eo e incompa*íve* com a n*turez* do estado político
entend*r que o p*de* soberano está
suje*to
às leis civis. N*
verdade, os soberanos dev*m
seguir as Leis Naturais, que *ã* orientações morai* d*vi*as e
nã* podem ser revogadas
po r
n*nhuma pessoa. Ora, pa*a *obbe*, a* Leis Naturais, *ue são ac*ssívei* à razã* h*mana, não
poder*am *n*trui* algo distinto d* con*ido na Bíbli*, e vice-v*r*a. Assim, *ar* al*m do fato de
* B*blia s*r *n*erpr*te de *i mesm* (com A*tigo e Novo Test*ment*s de*endo ser *ido* como
i*terd*pen**ntes e mutu*m*nte
reveladores), Hobbes
*ntroduz mais ** elemento: * Bíblia
dev*ri* ser interpret*d* à luz *as L*is Naturais, pa*a se deduzi* a* parte* cla**s
e
f*ndamentais (i.e., efetivamen**
acessíve*s * re*a razão) que d*veriam
nort*ar * r**igião *o
est*do cristão e, po*tanto, superar os fatores de *isputas *outrinais e mitigadores do
pode r
*obe*ano.
Nos livros III * IV de L**iat**n, Hobbes dedica um longo tempo *ara d*monstrar, tal
como já ha*i*m feito Lut*ro e C*lv*no, as con*e*uências ci*is *a pre*issa *e**ógica "* *eino
de Cristo não é d*ste *undo". Dela
decor*e, por exemplo, o entend*mento de que
o
pode r
*oberano de*empe*ha o *eu ca*go de sup*emo
pa*tor, *hef* militar, juiz *
legi**ador
*or
m*ndato
div*no d**ois de instituído pelo *acto
de sub*iss*o. No ca*o da* m*na*quias,
somen*e os reis - e n*o os bi*pos ou *adres em geral - teriam *ure *ivino para exercer
a
just*ça * a equ*da*e da sob*rania *ivi*-ec**siástica, o que significa q*e, se fi*e* d*legação de
s*u papel de supremo p*stor das a*mas para ou*ra pes**a (indi*idua* ou coleg*al), *sta terá *al
man*at* **r jure c*vilis. *obbes demon*tra
isso por meio de an*logia*, silogismos *u
Rev. FSA, Ter*sina, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, jul./ag*. 201*
www4.fsanet.com.b*/revista
A. M. *ianna, P. H. A. C. *costa
120
ded*ções que faz en*re
as *eis Natu*ais e o Antigo Testame*to. D*sse modo, *obbes
posiciona-se criticamente
em r*lação às teses canôni**s d* pa*re Be*lamino a respeito
do
mandato div*no dos b*s*os e do pode* universal papal, pois ente*d* que o Bispo de Roma tem
soberania *ivi*-ecl*siásti*a somente n*s estad*s pap**s, como qualquer ou*ro pode* soberano
*m relação *o *eu **tado.
Po**an*o, Hob*es está i*scrito numa tradição t*o*ógica d*uta calvinista que *ntendia a
religião
do estado cr*st*o não como um mero
artifício (no *entido
plutar*uino-maquia*él*co
e/ou *ibertino), para manter o vulg* em te*or r*spe*toso, mas com* algo a ser fundamentado
e demonst*ado co*o uma v*rdade i*q*ebra*tável,
para além d* qua**uer *pini*o particula*,
nã* dev*ndo haver
dualida*e de religião *nt*e o poder sob*ran* cri*tão (o todo) e os seus
súdit*s (as pa*tes do c*r*o p*lítico) num estado cristão. *esse* t*rmo*, nã* identi*icam*s em
seus argum*ntos sobre o estado cristã* *ada qu* *e a*roxim*sse da solução politique
de
coabitação *eligi*sa *ue ocorre*a na França co* a ascens*o de Henr*q*e I* ao *rono e com a
proc*amação, ** 1598, do Édi*o de N**tes. Esta solução *r*ncesa **stinguia, na pr*tica,
a
cond*ção *e súdito (*brigação
civil com Rei) da orien*ação religiosa (ob*igaç*o de f* *m o
*eus) n* *st*do católico fra*cês.
Para Hobbe*, se um p*de* soberano **an*forma *s *co*sel*amentos cristãos em leis de
estado, ele o to*na um esta*o cris*ão. É *esse s*nt*do que a relig*ão se tor*a uma invenção do
est*do ou art*fício civ*l, po*s não faz p*rt* da matéria do estado no *omento em que
há
o
pact* de *ubmissão. *aí, na ordem dos discurso* em Le*iatha*, as di**ussões sob*e o pacto
de submissã* ocorr*m no livro II para som*nt* *epois ser d*sdobrado, no l*vro III, a relaç**
entre
pa*to de submi*são, religião de estado mandato e
divi*o do pod*r soberano. Assim,
pe*a or*em dos as*untos e pela conse*uênci* lógica do *ue foi abor*a*o no liv*o *I, é so**nte
no livro III que s* t*rna imperati*o demonstrar qu* tod* p*der s*berano tem ma*dato divino
*ivil-*clesiástico.
*fina*, a relig*ão cristã como matéria do estado é u* a*t*fício ci*il qu* p*d* *u nã*
ser **stit*ído
pelo d**s mortal (i.e., pela *erso*a ficta do est*do
ou Leviathan, cujo pa*el
civil é combater a *rrogância *os ho*ens). Não se trata, portanto, *e u* assu*t* *ue deve*ia
**r a*ordada no livro II, no q*al * tema centra* é o pacto de submissão, q*e * *ais abrange*te
e *ã* formado por maté*ia re*igiosa *e qualqu*r espécie. Es*a premissa fica *e* c**ra
q*a*do, na *rdem dos as*unt*s do l*vro
II*, Hobbes *e*bra qu*, a*te* de su* transposição
civil co*o matéria de es*ado, a reli*ião cr*stã é *penas acon*elhamen*o p***icular. No
e*tant*, uma *e*
que se torn* m**éria civil no e*tad*, a
religião crist* deve estar
fundamentada no que é cl*ro e acess***l à *azão (dádiv* divin* distribuída po* *eus a todo*
Rev. FSA, T*re*ina, v. 12, n. *, art. 7, *. 10*-1*6, jul./a**. 2015 www*.fsane*.c*m.br/revi*ta
L*viathan: Sobe*an*a, Religião e G*e*r*
121
os homens, diferentemente d* gra*a) pa*a, *ustamente, ampara* a autoridad* punitiv* do
soberano cr*s*ã*, qua*do a*g*m *údito vier a abusar da i*agina**o *o *rato d** *atéria*
religiosas cri**ãs que pass**am * *o*por civilmente a *orma do c**po polític*.
*ara Hobbes, a s*lução po*itique francesa não seria s*f*ciente par* a Inglaterr*, porqu*
mantin*a * tipo d* duali*ade en*re fé do soberan* consci*ncia rel*g*o*a dos súdi**s *um e
*s*a** cri**ão, que ele entendi* *er o *rinci*al problema * se* com*at**o na Inglaterra, on*e o
centro mo*ivado* das desordens civis não era o con*lito e**re cat*lic*s e protesta*te*, mas
entre os próprios prote*tantes e suas visões se*tári*s de *efor*as r*ligiosas. *ortanto,
a
s*lução politiq*e n*o bastaria para a Inglaterra: *ra nec*ss*rio que os fundament*s de fé do
estado cristão i*glê* fossem i*quebrantáve** em relação às opiniões
** imagina*ões
pa*ticular*s. N*o se trata, **rtanto, de proteg*r
a
au**ridade religiosa do *oberano somente
pe*a força, mas t***ém pela reta razão o* p*rsuasão ra*ional, em contra*onto a*s abusos da
im*ginação douta ("esc*lá*tic*")
ou vulgar (pro*estant** antinomianos). Por isso,
era
fundamental, pa*a Hobbes, a *et**ada da questão da Inf*libilidad* da Bíb*ia em *ovas bases
*etodo*ógic*s, criando soluções originais *m re*a*ão à form* como Lutero e Calvino - ou o
pr*prio rei James * - abordaram ta* assun*o.
Ao lon*o d* **viathan, o método teológico utilizado por *obbes *ara *viden*iar
os
*undamentos *nquebrantáveis da religião do estado c*istão (i.e., *ara a*ém de
qual*u**
imaginação
particu*ar vulgar, va*dade douta o* al**aç*o de i**mi*ação i*terior) estav*
baseado *a premiss* de que D*us fala à razão human* por meio *a* Leis Natura*s e, p*r*anto,
o que se deduz desta* *ão p*de ser contra*it*r*o com o que o mesmo Deus diz n*s Escr*turas,
cujas
part** claras esp*lhariam a* mesm*s verda*es morais fundam*ntais das Leis Naturais.
Nesse sentido, * *ue
dev* fundamentar a *eligião do esta** c*istão são as partes claras da
Bíblia r*vela*as por meio do es*el*am*nt* com as Leis N*turais, d*ix**do-se de lado
as
parte* *ut*s (*atér*as disputáveis entre doutos, *a* não p*blica*ente, ou sej*, deve oc*rr*r
longe do* ouvidos do vulgo) não abu*and* da imaginação (ao modo dos escol*s*icos e
s of i s t as e do*
perv*rso* s*ctá*ios) sobre aquilo que Deu* qu*s man*er vel*do nas *agr*da*
Escri**r*s. De*se modo, notamos qu* Hob*es,
ao longo
*e Levi*than, d*senvolve esse tipo
singular de comb*te te*lóg**o àquil*
que considera *erem as di*torç*es ou desdobrame*tos
*e significados **congruente* com a ret* razão das
verdades divinas relevad** nas Leis
Naturais * na Bíblia.
*m suma, para Hobbes, o po*er *oberano c*istão d*ve fu**amentar a re*igião *o
estado
crist*o
n* q** acess*vel *
da
vontad* d* *eus por meio ** *eta razã* (i.e., as part*s
claras da Bíblia reveladas pelas Leis Naturai*). No mundo moderno, tal conhecime**o oc*rr*
Rev. FSA, Teres*na, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, jul./ago. 2015 www4.fsa*et.com.br/revista
A. M. Vianna, P. *. A. C. Acosta
122
ape*as por meios naturais, pois os meios sobr*naturai* de rev*lação da v*n**d* de Deus
s*me*te oc*rrera* no mun*o *nti*o porqu*
tinham a finalidade, pr*determina*a *or Deus,
no Antigo Te*tam*nto, de anun*iar o adve*to de Cr*sto, ou se*a, relevar q*e Jesus e*a o *ri*t*.
Di*so decorr* que as pre*ensõ*s *oderna* na I*glat*rra de ilu**nação di*ina ou
de
a*unciação profética seriam inev*tavelmente *ruto*
da perve*sidade combinada à ign*râ**ia
em re*ação *s causa* naturais e às v*rdades fu*damentai* da Bíblia. Ta* como Lutero
e
C*lv*no, para se co*trapor *os perig** ant*nomiano* da l*nguagem profét*ca, *obb*s ra***i**
as dimen*õe* unicamente passada
e fu*ur* das
causas *obrenaturais que relev*ram
e
anun*iarão novam*nte Cristo ao mundo, enfatizand* q*e *a** somente ao poder soberan* do
est*do cristão (*u àqueles
que r*cebeu *este o *and*to ci*il) interpretar, n* presente, as
verdades fundamentais da Bíblia úteis à exteriorida*e *i*il da vida *o estado cristão *té
o
Juí*o *ina*.
3 CONCLUSÃO
*o longo de sua obr*, observamos que Tho*as **b*es p*ocu*a desm*ntar, como
falso-probl*ma, as *retensões de alguns s*dito* ing*eses situarem a *bed*ên*ia a Deus acima
da obediência
ao pode* s*berano, que é seu lu*ar-*ene*te n* Terra. Não
po* acaso, a
*br a
cha*a-se "Levia*han ** ma*éria, for*a e pod*r *e u*a repúbli** ecl**iástica e civil".
Hob**s
traz para seus c*m*ates
as sutilezas temát*cas teol*g*cas úteis às q**stões
e*l*siol*gi*a* e civi*
d* Inglaterra, propon*o que o* cidadã** da Inglaterra não *e dei*em
enganar p*r aqueles (esco*ás*ic*s, papistas e se*tas prote*tantes antinom*ana*) que q**se***
ate*ror*za* o esta*o com su*s *er*e*sidades, igno*ância ou superstições,
e que,
eq*ivocad*ment*, se arrogavam * prer*og*ti*a de su*m*ter * *oder s*bera*o ao *eu
e*crutí*io de fé.
Como *bservamos ao longo d*s*e texto, o percur** de Hobbes te*e o efeito espe*í*ico
de servir como com*ate filosófi*o, polít*co e teológico contra: (1) a visão v*lgar d* mil*gre -
q*e Hobbes entende
co*o ignorância das caus*s
verdadeiras do* fenômenos n*t*rai*, o que
dem*nst*aria a nece*sidade de o
po*er *oberano cristão instruir os seus *úd*tos -; (2)
a
**norância da ling*agem da Bíbli*, o qu* justifica a *orma co** Hobbes se debruça
*
organiza os temas *os l*vr*s I** * IV, quando deixa a condição de filós*fo po*ític*, moral e d*
n*tureza (livros * e II) *ara *ssum*r * pes*o* **terária de *outo teó*og*. Assim, tal como
Ca*v**o fizera an*es dele, H*bb*s explora a linguagem da B*blia e propõe para el* cont*xtos
**pecífic*s qu* possibilit*m d*fender a premis*a de que os m***gres
no mundo at*al
Rev. FSA, T*resina, v. **, n. 4, a*t. 7, p. 104-126, jul./ag*. *015
w*w4.f*a*et.com.**/**vista
Leviathan: Soberania, Religiã* e Guerr*
123
(m*d*rno) cessa*am, pois o seu pape* como ag*ncia sobrenatural seria apenas para dist*n**i*,
no mundo anti*o, Jesus d*s
fal**s profe*as - i.e., a*ueles mesmos tip** que
ass*l*v*m
a
Inglate*ra e provocavam *esorden* civis.
Ao *bordar espec*fica*en*e o
estado cristão, **serv*mo*
que a ordem *os assuntos
e*tre os *ivros II e II* de Leviathan apontam para a tese de que a religião c**st* não forma a
matéria da s*berani* na fundaçã* d* estado, ma* pode fazer part* de *u* for*a, caso * poder
soberano a *ns*itu* civilmente co*o matéria de estado, de**ando de se* um aconse*hamento
p**ticular par* ser incorp*rada à* leis civis. É
n*ste ponto que e*tendemos que o tema da
soberan*a no est**o cristão s* liga estr*tu*almente ao tema da Infalibilidad* da Bíbli* *a
tr*nsiç*o entre os livros *I e *II de Le*iath*n: se os funda*entos da fé *ristã se tornam leis, e
se t*is fundam*ntos estão con**dos na Bíblia, *ue * um locus de
di s put a ou de
descrédito,
con*orme o interlocutor crít*co na Ing*ater*a, as verdades fundamen*ais da Bíb*ia n*o
poderiam f*car ao sa*or da *s*eculação es*olástica e
da im*ginação
vulgar. *a*, **ra
co*bater as flutuações na inter*reta*ão da Bí*lia, Hobbe* cr*ou um méto*o original: vai a*ém
da premissa calvinista-*acobi*a *e que Bíblia *
s*ria me*hor *nt*rprete de si *esma, para a
entã* vislumbrar um outr* pon*o arquime*iano p*ra tal *ssunto - as Lei* Naturais. *ss*m, p*r
mei* do espel*amen*o com est*s, ** verdades fu*damentais *a Bíbli* úteis ao estad* cristão
estariam acessív*is à razão.
Para Hob*es, os verdadeiro* silogismos entr* *eis N*turais e Bíblia revelariam as
*artes c*aras *est*, ou seja, as ver*ades que Deus p*e*endeu r*vela* aos homens por meio d*
razã*. Tais ver*ades *ormar*am o* fu*dam*ntos indis*utáve*s da fé no estado cristã*. Por e*te
*iés, os funda*en**s da fé s*riam ac**síveis por meio
da educaçã* e disciplina (ef*itos
naturais) e não
da il*mi*aç*o (efeit* *obrenatural erroneamente pr*ten*ido pelos
antinomianos, seg*ndo a visão de H**bes). N*ssa dinâmic* *specí*i*a de formação para a fé,
a
prep**ação dos súditos para os verdadeiros **ndamentos da rel*gião cristã por meio
do
s*premo pasto* (* s***rano civil-eclesiástico) do est*do *ri*tã* garantir*a neces*aria*e*te a
paz civil (út*l para todos), mas não nece*sariamente a elei*ã* (acessí*el par* **ucos por meio
do
mistér*o di*ino). Em todo ca*o, s*r*a por m*io da educação
e
da *isci*l*na na fé
patr**inadas pe*o se*
l*g*r-te*ente no esta*o crist*o que Deus operaria miste**osa*e*te
a
el*ição. Assim, ve*os cumprido o *bjetivo t*ológico de Hobbes de *svaziar *ema *
da
i*u*inaçã* inte*ior em favor d* Infal*bilidade da Bíblia e do Pod*r Soberano.
Enfim, com *antas sutilezas teol*gi**s con*i*as na linguagem de Leviathan, espera*os
qu* es*e artig* tenh* colabo*ado em alguma *ed**a para situá-** no contexto teológico-
político das re*orma* *rotestantes ingles*s, r*abrindo a seara acadêmica para a *ecessi*ade de
Rev. *SA, Ter*s*na, v. 12, n. 4, art. 7, p. 104-126, jul./ago. 2015 www4.fsanet.com.*r/revista
A. M. Vianna, P. H. A. *. *co*ta
124
* d*mensã* teológica desta ob*a nã* ser subsumida ou ignorada por c*nta d* grande ca**a d*
re*epção e f*rtun* crítica iluminis**-contratu*lista co* a qua* t*m sido *nerada. Po*ta*to,
esperamos que o percurso aqui proposto possa abrir novas *rovocações para outros *rabalhos
que pretendam *air
*a *a*itual
*ona de conforto de *er Leviathan s*gun*o o f*co
secularizant* iluminista.
R*FE**NCIAS
AGAMBEN, *. Homo Sacer: O *oder *obe*ano * a v*d* nua. B*lo Ho*izonte: Ed. UFMG,
201*.
BAT*S, L. The *imi** of *ossibility in Eng*and\* Long R*formation. The Histor*c*l
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