www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 2, art. 1*, p. 197-222, mar./abr. 2018 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2018.15.2.11 O Estado Brasileiro e a Teo*ia Libe*tária: uma Nova Abordagem The Bra*i*ian State *nd *he Lib**tarian Theory: * *ew Approach *umberto San*os Pe*e*ra Doutor *m Ciências So**ais p*la Univer*ida*e Fede*a* da Bahi* E-mail: humbertperei*a@y*hoo.com.br Ender***: Humberto *antos Pereira E*itor-Chef*: Dr. Tonny Ker*ey de Alencar Uni*er*idade Federal d* Bahia, Ond*na, *alvador - **drigue* BA, *0170-115. Art*g* *ecebido *m 06/12/2017. Últim* v*rsão rece*ida em 25/01/2*18. Aprovado em 26/0*/201*. Avaliado pel* sis*em* Trip*e Review: D*sk *e*iew a) pelo *dit*r-Chefe; e b) Doub*e Blind Review (avaliação cega p*r dois avaliado*e* d* á*ea). *evis*o: Gr**atical, Normativ* e *e For*atação H. S. P*reira 19* *E*UMO Este texto propõe um* nova a*o*dagem da t**r*a li*ertária, *ara entend** o que é o E*tado, su*s caracte*ísti*as, proble*as e poss*veis s*luções pa** os mesmos. *artindo dos pr*ncí*i*s de autopropriedad* e *propri*ção ori**nal, é a*alisado o processo de *ormaç** do território brasileir*. Como não * possível verificar quem *eria a *r*meira pes*oa a utili*ar e*s*s te*ras, a única so*ução possível para en*ontrar os *egí*i*os don*s do Brasil é através *a solução r*pu**icana d* sufrá*io uni*e*sal. E*ta interpretação *ria * possibilidade *e entender o Esta*o **as*leiro com* uma agência *e ge*tão legítim* que perten*e ao povo brasileiro. Dessa fo*ma, *tu*lmente, os problemas do Estad* brasi*eir* não são mais o Estado em si, c*mo propõe R*thb*rd, mas a fo*ma como o mesmo é organizado. Pa*avras-cha**: Estado. Teoria Libertária. Bra*i*. *bs*ract: Thi* *ext *ro*o**s a new app*oach t* the libe*tarian theo*y *o under*tand what is the State, its *h*r*cteristics, *roblems and pos*i**e *o**tions to thes* problems. Startin* fr*m the *rincipl*s of self-o*nershi* and first-use-first-own, it is analyzed t** formation proc*ss of the brazilian terri*o*y. As it is *ot possib*e *h*ck who would be the first perso* to use th*s* to lands, the only pos*ible so*u*ion to find the legitimat* own*rs of Brazi* is *hrough the *niversal s*ffrage *e*ub**can *o*u**on. This *nte*p**tat*on c*e*tes t*e pos*ibility to *n**rstand *he bra*ilian S**t* as a legiti*ate agency of management *hat belongs to the Brazilian peopl*. Thus, nowadays, the problems *f the Brazilian State are no longe* the st*te itself, as proposes *othbard, b*t ho* it is o*g*nize*. Key words: State. Libert**ian *heory. Braz*l. Rev. FSA, Tere*ina, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./abr. 2018 ww**.fsanet.com.br/revi*ta O Estado Brasilei*o e a Te*ria Libertária: um* Nova Abordagem 199 1 INTRODUÇ*O 1.1 O pr*ble*a da legitimidade da pr*prieda*e da terra n* Brasil Seg*ndo a *eori* Liber*ária (ROTHBARD, 2010), há a*enas duas formas de *e t*rnar o dono le*ítimo de um territór*o: apropriaç*o original ou c*mpra pacífica. * apropriação origi**l ocorre quan*o um indivídu* mistura seu trabalho * t*rra qu* n*nca tenha sido de outr* pessoa (LO*KE, 2005). A compra pa*ífi*a **orre quando aqu*le que *e apropri*u origi*almente de uma terra de*id* t*oca-*a por algo *ue valorize mais *em *ue se*a ameaço ou a*re*ido p*ra isso. S*nd* assim, é correto **irmar qu* * território br*s*leiro pert*nce * do**s legítimos de ac*r*o com essa teoria? Para res*onder a esta *ergunta, seri* necessá*io, num prim*ir* mom*nto, de*cobrir quem s* aprop*iou originalmente *e cad* pe*aço *e terra do Br*sil. Num *egun*o *omento, seri* p*ec*s* veri*icar se os *tuais pro*rietár*os destas *erras são os descenden*es daquele* que se ap*opriaram originalmen** das mesmas o* se as con*eguiram através de trocas voluntár*as e pacífi*as com ** or*ginais propri*tários. ** *ouver * constat*ção da obediência * esta* c*ndiçõe*, p*ss*vel *izer *u* o Brasil é cumpre o requisito ele*entar, embora n** o único, para ser c*nsiderado u*a so*iedad* *i*ertária; do *ontrário, *eremos a situaç*o d* ilegitimidade, na qual os v*rda*eiros d*nos estaria* sendo usur**dos. No p*ríodo pr*-colon*zação portuguesa, diversas tri*os hab**avam o terri*ório q*e ***e *h*mamo* B*asil (F*NARI; NOELLI, *002; *RO**, 2006). Entre*anto, tais tribos viviam em guer*as *on*tantes umas com as outras (FER*ANDES, 2006; R*BEIRO, 2015; FAUSTO, 201*), o *ue *orn* impossíve* af*rma* c** exatidão se os *e*cendentes destas tr*bos são realmente os *er*e*ros dos *rop*ietários **gí*i*os ou se des*e*dem de indivíduos *ue t*****m a terr* dos outros, usando a vio*ência. Em alguns casos, os proprietário* *riginais c**s*guiram *esistir; *m o*tro*, n**. Esta s*t*ação, qu* * um process* que se estendeu ao lon*o de milhar** de *n*s, cr*a o problema de que *ão existe* meio* satisfatór**s para verif*car a legiti*idade da pr*pri*da*e *ob*e estes territó**o*. Com a chegada d*s **rtugue*es e o *dve*to da co*oniz**ã* (HOLLANDA, 1**5; FREY**, 2013; PRADO JR, 1970), é p*ssível *iz*r que as te*ras que os lusit*nos e todos *s outros mig*a*te* tom*ram dos n*tivo* através da vi**ê**ia esta*am obrigatoriame*te em u*a si*uação de il*gitim*d*de. **enas *s terras apropriadas *rig*nalmente, ou aq*e*as q*e for** conseguid*s atra**s de t**cas pací*i*as *o* seus legítimos dono* seriam propried**e* legí*im*s. En*re*anto, também *ão *em*s como *abe* **m exatid*o quais ter*as f*ram Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./*br. 20*8 www4.fsanet.com.br/revista H. *. Pereira 200 tomadas a*ravés da violência e q*ais fora* conseguidas atra*és ** meios p*c*ficos, *ois tai* eventos *co*t*c*ram h* centena* de a*o* e ist* não permite uma v*rificação rig*rosa ** cada **s*. Alé* *isso, me*m* que os p*rtugueses ou qua*sq*er o*tr*s que *po*taram no Brasil tenham consegui*o al**m* terra pacifica*e*te, nada ga**nte que os nativo* que as vende*am não tenham to**do tais *ro*r*edad*s de out*os *a*ivos qu* foram subjugados. *inda qu* * rei de P**tuga* reivindic*s*e a titul*ridade de t*do o terri*ór*o brasile*ro neste *erío*o, *l* só poder*a ser consi*erad* dono das terras que foram comp*adas de legí*im*s pr*pri*tários ou *propr*adas *riginalmente por seus funcionári*s - * isto se for co*siderado que aqu*les qu* *stav*m sob as ordens d* rei, *o se ap**priarem de terras *unc* transf**madas, estav*m transfer*ndo a titulari*a*e destas ter*as a*t**aticame*te para seu empreg*dor como pa*te de *m c*ntr*to de prestaç*o de **rvi*os. Neste contex*o, não se*ia po*sível *e**ficar a legitimidade da titularidade de pr*ticament* nenhuma *erra *o Brasil. Q*a*squ*r territó*ios, tan*o d*s nat**os q*anto dos col*niza*or**, podem *e* sido adqu*ri*os de forma ilegítima. Entretanto, a instituiç** d* Repúblic* n* Bras*l em 1889 (FIGUEIRED*, 2011) altera s*gnif*c*tiv**e*te esta situaçã*. *ro*onho que, d* *m *on*o *e vista l*ber*á*io, o *ue a R*pública *ez foi *onferir uma fração un*tária da total*dade do t*tulo de propr*edade de t*do o terr*tório b**sileiro para to*os o* que poderi*m ser donos legít*mos de terra* no Bra**l. Na verdade, é provável que o mais correto seja afirmar q** apen*s co* a Co*stituição de 88 (BRASIL, 1988) e*ta con*iguração da distribuição da titula*ida*e d* ter*a no *rasil fo* alcançada em fun**o do s***ágio un*versal (PORTO, **02) *ue reconhec*u que todos o* brasileiros po*eriam votar e de*idir sobre * gest*o de seu territ*rio, fican*o im*edido de vot*r apenas os *ue ainda não alc*nçaram a *dad* de 16 anos e os milita*es cons*ri**s d*rante a *re*tação do serv*ço m*litar obrigatório. **tendo que a consequê*ci* deste arranjo é que o Bra*il pos*ui atual*en*e pouco mais de *00 *ilhões de donos, cada um com sua re*pecti*a pa*t* dos 2** milhõ*s *e "p*daços" do tít**o de propriedade de to*o o *erritório brasileir*, s*ndo que cada uma dessa* *r*ç*es possui * *esma i*portância que *s o*tras. Ess* arranjo ga*ante *ue qualquer um que reclame qualquer pedaço de terra no B*as*l ten*a gara*t*do a titu*ar*dade desta terra, e*bora nã* *e torne o único do*o *a mesm*. A República t*m a desvant*gem de *onferir *ítulos de proprie*ade* à*ue*es que podem *ã* ser legí*imos donos desta ou da*uela terra, mas tem a ines*im*vel *an*agem de gar*ntir que o* dono* legítimos tenham pel* men*s uma parte do que é s*u p*r direito; * fa*o de não se tornarem os únic*s dono* de suas propriedades é compensado *om a parcela de *r*pr*edade que recebe* de *odas as ou*ra* propriedades *ue nã* *h** pertenceriam. Rev. FSA, Teres*na, v. 15, n. 2, art. 11, p. *97-222, mar./abr. 2018 www4.fsanet.c*m.b*/revista * Estado Brasileiro e a Teoria Lib*rtária: *ma N*va Abor**gem *01 A form* c*rreta d* de*erm*nar quem se*ia o leg*t*mo *ono *e cada porção de t*rra no Brasil é i*possível de ser empregada, *o*s nã* temos c*mo d*term*nar com e*atidão q*e* se apropriou originalmente de c*da *x*ens*o de terra no Bra*il. Para evita* ca*r *m u*a si*uaç** de *terna ind*fin*ção da legitimidad* sobre a terra, a única sol**ão viável * conferir uma f*tia ** *esma imp*rt*ncia da totalidade *o títul* da terra pa*a to*os o* se*s possí*eis d*nos e é isto que a in*tituição da Repúbli*a de suf*ágio u*iversal consegue rea*izar. Por este motivo, respond*ndo à perg*nta colocada acim*, acredito que * pos*íve* diz*r que o Bras** pós 1988 obede*e ao critério mais eleme*tar para se* *ons*derado u* territóri* li*ertári*, no qual *s direitos de propri*dade são respei*ados d* a**rd* com * que e**á definido pela t*ori* *ibertária. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 F*oresta Amazônica e *utros terri*órios desa*itados no Bra*i* Se a propr*edad* *ó surg* a*ravés *e um processo de apropri*ç*o (****E, 200*), uma coisa que nunca *enha pa*sa*o por este processo *ão pe*t*nce a ninguém. O mesmo se ap*ic* para ter*it**ios *ue nunca foram apropria*os: se *u*ca uma pessoa misturo* seu tr*balh*, ou seja, algo *e*, a d**ermi*ado *edaço de terra, significa que este terr*tóri* não possui do*o e pod* ser apropriad* *el* primeiro que a*arecer e mistur*r seu trabalho a esta terra. N*o é po**ível reivindicar um territó*i* ape*as por *orça das palavras, é o que *othbard (2*10) chama de complex* *e Colombo: a*uele que aporta em uma praia não pode s* dizer dono de um continent*, é preciso transformar e*se território, para que * propr*edade surja d* p*o***so d* apr*priação, *u comprar estas terras daqueles que se apropriar*m o*iginalmente delas. Alé* di*so, não adianta cercar este te**itório * ***e* que o q*e *stá *entro da cerc* * seu, se o qu* foi tra*sforma*o f*i apenas o terr*tório da cerca e não o que *stava *m s*u interior. Desta *orma, pod*r-*e-ia en*ender que o povo *rasileiro, no atual arranjo republic*no, nã* seri* dono d*s va*tos territó*ios dent*o d* Brasil que o governo *rasileiro deliberadame*te d**ide manter i*toc*do pa*a p*e*e*vá-l*, o* simplesment* não o habita p** outro *oti** qualquer, co*o certas á*eas na Floresta *mazôni*a (VERÍ*SIMO et al., 2011). Isso permiti*i* *ue, qualqu*r um qu* consegu*sse a*r*vessar as fronteiras do Bras*l s** *er percebido, poderi* se instalar em um ter*i*ório na F*oresta *mazôn*c* *e p*eservaç*o Rev. FS*, Teresina PI, v. *5, n. 2, a**. *1, p. 197-2*2, mar./abr. 2018 www4.f*anet.com.*r/revista H. S. Per*ira 20* a**iental, ou qualqu*r outr* t*rritório atual*ente in*bitado no *rasil e, uma vez mis*urando tal terra com seu tra*alho, estaria apto para reiv*ndicar tal terr*tório c*mo seu. O *rob*ema com tal rac*ocín*o * que ele p*rte da premissa de que *a*s terri*ório* nu*ca passaram pelo *rocesso de apropri*ção, ou *ue estão *ag*s. A verdade é que não tem*s como sa*er se *a*s territ*rios n*nca *oram apropriados por a*g*ém. *uando pen*amos *m todo * tempo da trajetória dos s*re* humanos na T*r*a, é di*ícil af*rm*r qu* possa haver um terr*tório dentro do qu* chamamos hoje *e Brasil que nunc* foi apropriad* p*r alguém. Mesmo n*o havendo re*ist*os visívei* de qu* *m indivíduo tenha se apro*riado de um *eterm**ado t*rritório da Fl*resta Amazôni*a, é preciso reconhecer que a flore*ta muda com o tem*o, e é praticamente impossível ver os traços de **rop**ação numa floresta den*a a**s mil*ares de anos. Isto se aplica a todos os territórios inabitados no Bras*l: n*o *á co*o sabermos se e*e* foram apr*pri*dos, ou não, nem qual território foi, *u não, apropriado. A verdade é qu* todas *s *e*ras do Bras*l j* podem ter passado p*lo processo ** apropri*ç*o original *m alg** passado distante. Re*t*, então, o argumento de que t*is t*rritórios estariam vagos * qual*uer pes*oa pode*ia se apropriar deles. O problema da vacância na teoria libertária (ROT*BARD, 2010) aponta qu*, se algo *er*ence o* j* *er*enc*u a alguém, mas não há ninguém para r*ivin*icá- lo, tal c*isa *st* v*ga e o primeiro que se apropri*r de*a *as*a a se* * se* dono legítim*. Se um **divídu* encontr* um *elógi* no chão e ninguém apare*e **ra reclamá-lo, est* rel*gio passa a *er seu. Sendo assim, territ*ri*s c*mo áreas desabitadas d* Floresta *mazônica p*deriam ser considerados vagos, *e não *xisti*se q*em os reclama**e; mas não * est* o caso. Há diver*os grupos indíg*nas que reivi*dicam a *ropried**e de diver*os territórios no Br*sil (N*VA*S, *011; L*CI*NO, 2006) e o povo bra*ileiro ** reco*hece do** de todo o territ*ri* bra*il*iro (B*ASI*, 198*). Assim, não * pos*ível dizer que * Flo*esta Amazônic* nu*ca passou pelo p*ocesso de *propriação o*i*inal, nem que se *ncontra vaga. E mesm* o proc*sso se aplica a t*das as terras inabit**as no Br*sil. N** há como sab*r se t*is t*rritó*ios foram o* não *pro*riados por alguém no *a*sad*, e ta** terr*tó*ios *ão estão va*os p*rque h* *quele* que reclama* sua pr*prie*a**. Seus reclamante* **o sof*em do comp**xo de Colom*o, pois as proprieda*es que *le* r*ivindi*a* *odem, sim, t*r passado *elo proces*o de apropriação original, e e*es pod*m ser os se** legít*mo* herdeiros. A forma i*eal d* reso*ver este prob*em* é identificar se t*is territórios já **ram apropriados ou *ão e desc*brir s* existem d*scendentes viv*s dos seus aprop**adores origin*is. Co*o **so é *m*o**íve* de s** *eito, resta apena* tratar todos os territó**os no Brasil com* já apropriad*s e aplica* a soluç*o republica*a de sufrágio universal, c*nferindo um R**. FSA, Teresina, v. 15, n. 2, art. *1, p. 197-222, mar./abr. 2018 www*.fsa**t.com.br/*evista O Estado Bras*leiro e a Teoria Libertá*ia: uma Nova Abor*age* 203 ped*ço de título de p*o**iedade para *odos os brasileiros; a*gumas pessoas receberão um título que não lhes é d*v*do, mas os possív*is donos serã* *g*ac*ados **m um pedaço da s ua prop*ie*ade devida e terão um pedaç* de to*as as outras *roprie*a*es para compensar o fato de não *er*m mais os únic* do*o* de seus te*ritórios. Sen** assim, **r*dito ser poss*vel afirmar que os brasil*i*os s*o dono* *e todas as terras do território *ham*do Bra*il em *oda a s** e*tensão, e não apenas nos territórios ha*i*ados na at*alida*e. *.2 Propri*d*de dentro *e outra prop*iedade Um* vez que um* pessoa se apropria or*gin****nte de um *edaço de terr*, ou c*ns*gue tal terra através *e troc** pacíficas com quem fez essa a*ropriação original, ela s* *orna do*a de seu **r*i*ório em um sen*ido abso*uto, po*e*do *e*erminar **ais regras deve* se* obedeci*as em sua propriedade. Para a t*ori* liber*á*ia, *uando surge a pro*r*edade, seu p*oprietário p**sa a ter, *om relaç** *sta, algo próx*m* *o qu*, *a li*eratura das Ciên*ia* a Sociais é c*amado de sober*nia (HOBBES, 2003; MAQUIAVEL, **01; BODI*, 2*11; R*US*EAU, 1999), pois proprietário p*de fazer com sua propriedade tud* o *ue o ele qu*ser, contan*o que não agrid* a proprieda** de outras pesso*s. Isto quer dizer *ue, *e uma *essoa transforma um espaço de *0 *etros quadrados, que nunca tenha sido a*ropri*do por outra pe*s**, este propriet*ri* passa * *e* aquele qu*, legitim*mente, pode *ecidir **bre *u*o o que aconte*e em *ua *ropriedade. O limit* *ara esta legitimi*ade de decisão do *roprietário *ai até a *ro*riedade de o*tras *essoas. Por exemp*o, o *ono de uma terra pode permiti* que uma *essoa entre em sua propriedade, mas não pode im*ed*r q*e este visitante saia da mesma. Isto se dá em f*nção do axi*ma da au**propriedade (HOPPE, 2013) qu* di* que cada ser hu*a*o é do*o d* si mesmo e *al prop*iedade é inal*e*ável, não p**endo *er entregu* ou vendida *a*a outr* pes*oa. O proprietári* de uma terr* não será nun*a do*o das pessoas que estão dentro de seu terr*tór*o. É verdade que, no caso acima, existe a possibi*idade de p*o*rietári* d* terra re*er o alguém em *ua proprie**de em cer*o* caso*; por exemplo, s* o visitante t*ver infr*ngido regra pré estabeleci*a para a qual o visi*ant* ha*ia concordado como c*ndição *ar* te* a p*rmissão de adentrar a propri*d*de *o anfitr*ão. Se neste contrato es*ive*se e*t*belecido que * de*cumprim*nto de d**erminad* r*gra seria pu*ido com a retenção do i**rator em alg*m tipo de prisã* por um *ert* período, o proprietário da *e*ra est*ria *mparado pela t*ori* libertária, p*is não **tar*a ***resp*ita*d* o pri*cípio da propried*de pri*ada: su a ação seria apenas a aplicação da puni*ão le*ít*ma para uma infr*ção. Ent*etanto, *m ne*hu* momento, o Rev. FSA, Ter*sina P*, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./abr. 2018 www4.fs*net.com.br/revista H. S. Pereira 20* prop**etário passaria a ser dono do vi*itante que entrou por sua própria vontade na terra d* outra pessoa c*ncord*u se*uir s**s r*gra*. *e propri*tário des*umprisse o e o acordo e, em vez de seguir o que estava estabel*cido, tentass* *unir * visitante inf*ator com a morte, neste caso, o visit*nte te**a a legitim*dade *ara us** a for*a e se defender cont*a seu anfitri*o. Isso faz com que, ao aceitar en***r com sua pro**iedade na propriedade de o*t*a pess*a, o visit*nt* precisa decidir por sua *rópria vontade obedecer às regra* do anfitr*ão. O v**itante continu* sendo proprietário de si e de tud* que é seu em *entido pleno mas, se * decidir desobe*ec** às regras do an*itrião, se decidir faz*r algo *ue es*eja em *esacordo com o que aceit*u *umprir ao ter permiss*o de entrar na propriedade de o*tr* pessoa, esta*á dando *ermissão para seu an*it**ão puni-lo. *or *xemplo, ao e*trar c*m seu carro na propriedade *e *ut*a pess*a e *he ser infor*ado que não pode us** som *o *olume alto, *e de*idir fazê-lo, *ois o carro é seu e com e*e fa* o que quiser, o *isita*t* estará dando legitim*dad* para que seu anfitrião o expul*e. 3 RE*UL*ADOS E DI*CUSSÕES 3.1 A *ermissão de us* da *err* Como já apo*te*, o *rran*o republicano de sufrágio un*ve*sal *rans*o*mou a to*alidade dos *ndivíduo* chamada *e *ovo brasil**ro em propriet*rio de todas as terr*s no Brasil, * acr**ito que isto esteja de aco*do com a t**ria liber*á*ia. *endo as*i*, tod*s as pessoas que *e dizem donas de terras dentro do terri*óri* brasileiro não são pro***etá*ias n* sentido libert*r*o. P*ra se tornar dona legítima de um pedaço de terr*, u*a pessoa precisa se apropri*r originalm*nte d*sta *erra ou comprá-la pacific*mente *o seu *ropriet*rio or*ginário. Me*mo o* *azen*eiros q*e *ec*b*ram su*s ter*as at*avés da herança e cujas **mília* s* encontravam *orando n* mesmo lugar *á séculos, n*o podem afirmar, com inques*ionáve* cer*eza, qu e s*us ant*pa*sados for*m aqueles que fi*eram a apropriação or*gina* das pro*riedades que re*vindicam, pois não temos c*ndição ** chec*r es*a informação com **atidão, por se tratar um evento q*e pode *e* acontecido num passado **ito distante. *s atuais supostos proprietários podem ser *erdeiros d* *surpadores qu* co**eguiram suas faz*ndas através d* v*ol*nc**, ou *odem *er c*mpr*do suas *erra* *as mãos de *s*rp*dores. Poderia *er *leg*do que as terr*s estavam vazias, mas a vac*ncia só pode *er dec*arada quand* n*o há que* reivindique a pro*r*edade de algo - o que nã* é * caso, po*s temos di*ersos gru*os qu* *eiv*nd*cam *a** pedaço de terra no *rasil. Rev. FSA, Tere*ina, v. 15, n. 2, art. *1, p. 197-2*2, mar./abr. 20** www4.fsanet.com.br/revista * Esta*o Bra*ileir* e a Te*ria Libertária: uma *o*a Abordagem 2** O propriet*ri*, no sentido li*ert*r*o do **rmo, é a*uele que pode fazer o que quiser c*m a sua terra, s*ria o s*b*r*no na sua propri*dad*. *en*um dono de terra no Brasil possui * soberania sobre * sua propriedad*, *ão don*s de algo que *od*ria ser chamad* de t í * ul o de p*rmissão de uso, qu* pe*mite fazer com * terr* *pen*s aquilo *ue é deter*inad* *or s*u real propriet*rio. Todo o merc**o de compra * venda de terras no Brasil não p*ssa de *m m*rcad* de compra e *end* de títulos d* permissão d* uso, e aqueles que e*tão oper*ndo ne*te **rcado sabem diss*; em **nhum *omento acredi**m que se torna*iam donos absolutos d* terra* nas quai* poderiam fa*er o que qu*sessem co* elas. Sabem, m*ito b*m, q*e dev*m segui* as l**s br*s*le*ras, e isto *ão p*rece ser um pr*blema. Uma vez que todos os títulos de prop*ieda*e de terras que não pertençam a* pov* **asileiro den*ro do Brasil são, na verdade, títulos de permissão de uso, estar*a correto af*rmar *ue o p*v*, at*avés do Estado, *ossui legi*imida** para e*pulsa* toda* as pessoas que estão em sua *ropr*edade? Di** de outro modo, se todos *s faz*ndeiros nã* sã* donos de suas terras n* Brasil, o povo *ode *omar *s terras desses fa*e*deiros? Acredito que n*o, poi*, ainda que nã* sejam donos d**ses territórios no sentid* *ibe*tário, essa* pes*oas poss*em títulos *e permissão de *s*, que são *ec*nhecidos e nor*ati*ad*s *el* lei brasil*ira. Se o po*o, a *ota*idade *os *r*prietários, tentasse usar a violênci* pa** tom*r *e volta essas pro*riedades, *staria *ncorrendo em quebra de contrato. Além disso, s* o povo brasileiro d*cidisse expulsá- l*s destes te*r*tór*o*, esta atitude se**a ma* vi*ta p*los seus cons*mid*res, pod**do acar**t*r perdas e sanções financeiras que desestimulariam **l ação, pois *la se*ia vist* como uma bruta*idade ter*ív*l. É p**ciso lem*rar, tamb**, que estes fazendeiros estão *ntre os proprietá*ios do Brasil e que po*eri*m *nfluenc*ar legitimamente as decisões ** m*ioria, *ara e**tar que si*uaçõ*s como essas pud***em *nvalid*r t*dos os *ítulos de uso e* vigê**ia. Prova*elmente, o únic* exe**lo d* p*opr*edade sobre terra que não pertenc* ao p*vo *ra*ileiro **n**o *o Brasil são as ch*madas embaixada* d* **í*e* estran*eiros. A* embaixadas são rec*nhecidas com* te*ritórios de seus países de orige*. Se a vontade do povo b*asileiro não se *s*en*e às embaixad*s, tais território* não pertenc*m a est* povo no se**ido libertári* d* term*. Uma *peração de **m*ra venda de u*a terra no s*nti*o *ib*rtário se**a o que e *contece* co* o Acre, quando * Brasil o *omp*ou d* Bolívia *m 1903 no Tratado de Petró*olis por 2 m*lhões de libr*s (A*DRADE; L*MOEIRO, 2003). Ne*ta oca*ião, sa*ia-*e q*e a pro*riedade, * *cre, esta*a trocando d* dono em sentido absolut*; a B*lívia nã* teria *ais ne*hum* legitimi*ade *ara decidi* sob*e nad* q*e ac*n**ce*ia ne*t* *err*tório apó* * ve*da. Rev. FSA, Teresina P*, v. *5, n. 2, art. 1*, *. 197-22*, mar./ab*. *018 www4.fsanet.com.b*/revista H. S. *ereira 206 *.2 O Estado Se os i*div**uos que compõem o que é chamado de pov* br**ileiro são os le*ítimo* proprie*ários de tod*s as terras no Brasil no se**i*o libertá*io, isto quer d*zer que eles po*suem a *egitimidade para, en*re muit*s *ois*s, estabelecer normas pa*a os *ue vi*em em seu* terr*tór*os, co*rar taxas daquel*s que habitam s*as te*ras, e criar um* a*ênc*a privada par* ge*ir suas proprie*ades. O **m* *ue este tipo de agên*ia privada de gest*o de t*rrit*rios recebeu frequent*ment* ao longo dos últimos sé*ulos foi Estado. A *é*ebre defin*ção *e Max W*ber *ara Esta*o é que o "Es*ado é aquela comun*dade humana que, dentro d* dete*minado territór*o (...) reclama para si (com *xito) o monop*l*o da coa*ão fí*ica legí*ima" (WE*ER, 1999, p. 525). A*nda seg*ndo Webe*, os fundamentos da *egit*midad* deste monopólio *eriam de três t**os: o costume, domin*ção tradicional, no qua* as pe*soa* se submetem a determinado grupo por força do hábito; o carisma, domi*ação ca*ismátic*, n* qual as pessoas acredit*m q*e um ind*víduo s*ja cap*z *e atos e**raordinário*; e a legali*a*e, domina*ão racional, na *ual as pessoas se subme**m p*r a*reditarem na e**ciência, racio*alidad* e ob*etivid*de dos estatutos legais (i*ide*, p. 526). *n*endo *u*, à l*z da teoria libe*tária, esta conceituação ** We*er estari* incor*eta *m certos aspec*os. O ún*co crit*rio *ue co*feriria leg*ti*idade a qu*m q*er que se*a para de*idir s*bre *ualquer coi*a em *eter*i*ado território é se esta pessoa, *u grupo, é seu legítimo *rop*ietário, ou sej*, se se apropriou originalm*nt* desta terra ou a conse*uiu, através de troc*s pacíficas com qu*m *e apropriou o*ig*nalmente da m*sm*. O que Weber ch*m* de *ono*ó**o l*gítimo *a vio*ência derivaria, unicamente, d* fa*o de algué* se* proprietário de um ***r**ório. *e *m indiv*du* ou gru*o con*egue o monopó**o d* vi**ên*ia, apenas pel* fato *e q*e as ou*ras pessoas neste te*ritório s* submetem eles, *ão importa o motiv*, seja a do*ina*ão l*gal, carismática ou tradicional, se não *ão os legítimos proprietários d* terr*t*rio em quest*o, não po*e have* legi*imidade no **nopólio que exercem. T*dos os que se en*ontram n*sta situação seria *surpadores, que estariam agi*do como s* f*s*em os donos *e um* terr*, sem que o sej*m na verda*e. * proprietário da t*rra pode admi*istra* sua propriedad* diret*me*t* ou *tra**s ** outros. Quando u*a propriedade é *equena, * razoáve* q** o proprietário esteja pr*sente para decidir sobr* o que a*on*ece em sua terra. Quando se trata de uma propriedade muito g*a*de, o propr*etá*io p*ovave*m*nt* contra*ará outras pessoas para * aux*liar** na adminis*raçã*. Qua*do u*a propriedade *equena pertence a m*i* de uma pessoa, se todos são do*os na Rev. FSA, *eresina, *. 1*, *. 2, art. 1*, p. 197-*22, mar./abr. 2018 www4.*sane*.*om.br/rev***a O Estado Br*sil*iro e a Teori* Libertária: uma Nov* Abordagem 207 mesma prop*rção, provavelment* t*rão que votar entre si par* decidirem o que *eve s*r fe*to. Quan*o uma proprieda*e é muito grande e pertence * *u*t*s *essoas, cert*ment* **verã* votar pa*a escol*erem u* func*onár*o *ue r*pre*ente a vontade da maioria. O Brasil a**al é um território de mais ** 8 milhões de metros quadrados que pertence a mais de 200 mil*õ*s de *essoas. Cada uma delas é dona de *ma unidade d* tota* da tit*la**dade so*re estas *err*s. Pa*a decidir e *gi* sobre qualque* *oisa com relaçã* à sua propriedade, estes milhões *e proprie*ários deveriam votar, m*s ist* s***a extremamente ine*iciente * caro. Por *sso, é razo*ve* que cont*atem *uncionários pa*a essas tarefas. O conjun*o dest*s funci*ná*io* forma * que é *hamad* de Estado brasil*iro, mas o Es*a*o não é, em nenhum mom**to, o proprietário da terra e, por isso, n** pos*ui o monopó*io **gítimo da coa*ão físi** no Brasil; este monopólio p*r**nce aos pr*prietári*s que o exer*e* através do Estado. O Estado não é dono de *ada a menos que se afirme q*e a to*alidade *** indi*íduos que o compõe é também pr*priet*ria plena do território que adminis*ram. Weber está corret* quando a**rma que o Estado mode*no é uma emp*es* (betrieb) da mesma forma que uma fábrica (*E**R, 1997). Se*undo o a*t**, ass*m como a mod*rna e*presa capitalista, o Estado m*derno ta*bé* *os*ui um c*rpo burocrático que busca ex*cutar tare**s c*m base no *álculo racion*l. Entr*ta*to, o fato d* q*e Weber en*e*d*u que o Esta*o seria uma organizaçã* *ue r*clamaria para si legiti*am*nte o monop**i* da v**l*ncia *m de*ermin*d* território dá ao Estad* um element* que *r*a diferen*as el*mentares en*re o Estad* moderno e a m*de*na empresa capitalista. Enq*anto o do** da moderna emp*e*a capitalista não pode *sar da vi**ência para que s*us produtos sejam consumidos, na vi*ão weberi*na, o Es**do moder*o, por te* o mon*p**io legítimo da vi*lênc*a, po*eri* forçar as pe*s*a* a agir segundo sua v*ntade, **a*do a coação física em determinado território. Inter*reto que, à l*z da *eoria libertár*a, *ant* * Es*a*o mode*no quanto a moderna empres* capitalista são a mesma coisa o*ganiz*da de form* d**e*en*e. * E*tado moderno seria apen** uma *mpres* criada p*los propri*tários *e dete*minado territ*rio para gerir este terri*ório da m*sma fo*ma que o dono de uma *ábrica organ*za um c*r*o de fu*cio***ios para gerir *ua fábrica. O *onopólio l*gítimo da violência * sempre a*go que de*iva da legitimida*e da propriedade sobre u* det*rminado peda*o de t*rra. Se os b*ro*ra*as *ue trabalham em determinad* Estado *ão também o* únicos l*gítimos pro*rietários d* terra que administram, *ntão é correto a*irma* que existe *m monopólio l*gítim* da vi*lência por **rte do *stado como *ntende W*be*, *penas p*rque os p*oprietár*os da terra são t**bém os componentes d* *stado. Qualquer pessoa que seja o *egít*mo prop*ietário *e uma te*ra, **alque* que seja o tam*n*o d*la, **mbém terá o monopólio *a v*olência *m seu ter*itório, e s*mpre terá * Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, ma*./abr. 2018 **w4.fsanet.com.br/re*is*a H. S. Pereir* 208 mono*ólio da *ecis*o sobre o que lhe *ert**ce en*uan*o s*a von**de respeitar o princí**o da propriedade priva*a. Se o dono *a fáb**ca é d*no das i**tal*ções e das máquinas e os ope**rios não, isto só é *egí*imo *e o d*no da fábrica conseguiu sua proprie*ade atravé* *a apropriaç*o orig**al *u c***ra pacífic*. Se o* burocratas contro*a* os meios de coação co** as a*mas e ** solda*os não, i*t* só pode ser legítimo se os bu**cra*as forem eles mesmos, os legítimos p**pr*et*rios d*ssas *r*as, ** se agirem *m n*me d*quele* qu * consegui*a* estas *rmas, *e forma legíti** pois, qual*uer autori*ade, seja el* administrat*va, lega* ou material, de*iv* da p*opriedade, na teoria li*ertária. O Es**do moderno e a m***rna empresa capita*ista são * mesma coisa: em**esas que p*r*e*c*m a um in*i*íduo ou *r*po de i*diví*uos. Por isso, propo*ho q** ambas *ejam entendi*as como empresas privadas. Ela* podem diferir na forma c*mo *ão organizadas, naqu*lo que pr**uzem, **s objetivos q*e seus don*s es*abelec*m para as mesm*s et*. O que **b*r chama d* mod*rna e*presa capital*sta seria um tipo, um modelo, de *mpr*sa pr*vada vo*tada para a sati*fação dos *ropri*tários enq*anto indiv**uo* i*olad*s e com int*r*sse* part*culares; *n*retan*o, o q*e chama de Estado moder*o seria u* tipo de empresa pri*ada volta*a *ara a satisfação **s in*ere*ses coleti*os d* um gru*o que habita um te*ritório. Sendo assim, a moderna e*presa capitalist* seria uma empresa privada do tipo individualist*, e o Es*ado mod*rno seria uma *mp*esa privada do tipo *oleti*ista. Além disso, se o t i p* *a emp*esa depende da f*rma como seus p*o*rietár*os a organizam, ent*o, se *s proprietários m*darem s*a concepção de como a empresa deve s*r organizada, *** empresa p*iva*a do tipo col*tivista pode se torn*r **a empre*a priv**a do tipo *ndividua*ista * *ice-*ersa. 3.3 O q*e o **tado pode fazer Um dos *rros *e Rothbard (2012) foi ve* o Estado *empre c*mo o*ganização criminos* *ue *eivindica para si de forma ilegítima o controle de determinado t*rritório. Isso * verdade quando um grup* de pessoas *sa da violência *ara *mp*r sua vontad* em um território, sem que seja seu legítimo prop*ietário. Por exemplo, foi o que acont**eu na União Sov**tic* (*91*-1992) on*e o Partido Bolch*vi*ue (SE**IC*, 2015; PIPES, *013) cont**lava *m va*t* t*rri*ór*o e usa*a d* v*olênc*a para impor sua vontade, independ*ntemente do *ue quer*am os legíti*os donos d*stes territórios. Se for legí*im* dizer que o don* de u*a te*r* te**a contro*e l*gítimo so*re tudo * que acon*ece em seu ter*itório, é *orreto a*i*mar que este p*oprietário pod* deleg** a outros o c*ntrole *e suas terras. O Estado bras*l*i*o, tendo *ido const*tuído pelos propri**ár*os do R*v. F*A, *eresina, v. 15, n. 2, ar*. 11, *. 197-22*, *ar./ab*. 20*8 www4.f*anet.com.br/r*vis** O Estado Brasilei*o e a Teoria Li*ertá*ia: u** Nova Aborda*em 209 Br*s*l e *gindo de *co*d* a vonta*e destes, *ossui l*git*midade *ara fazer aquilo que seus donos de*eja*. Mas, a parti* de qu*l p*n*o o Esta*o *ra*ilei*o deix*ria de ser uma empresa privada legítima, agindo a serviço de s*u* donos, *assaria * ser um grupo *e crimin*sos e oprimindo inocentes? Int**preto s*r perfe*tamente le***i*o que os *roprietári*s do Br*sil usem o Esta*o para cob*ar taxas (impostos) daq*eles que e*t*o no Brasil; os que não conc*rdam com es*as ta*as podem, simplesmente, de*xar e*te t*rr*tório, ou não entrar nele. Da mesma forma, é le*ítimo qu* *s p*oprietários do B*asil u*ilizem o Es*ado pa*a *onstruírem estrad*s, esc*las, serv*ços d* jus*iça, segurança **c. in*ep*nde*te de e*ta se* ou *ão a *elho* forma de alcançar seu* *bjetivos. Os propriet*rios d* um te*ritório ta**ém podem *scr*v** norm*s que deve* s*r **edeci*as po* *odo* os q*e estão dentro de *uas terra*, podem u*a* repres*nta*tes para *o*feccionar t**s normas (l*i*), e p*dem *sar a agência privada que con*t*tu*ra* para i*por tais *eis *m suas terras. Rot*bard (201*) entende *ue todos os se*viço* e p*odutos operaria* em um sistema de li**e co*corrência em uma sociedade *ib**tári*. Por exemplo, serviços de j*sti** sempre seriam ofe*ecidos por diver*as agências pr*vadas em co*corrê*cia en**e si. Entre*anto, esta é apen*s um* possibil*dad* *ntr* *uitas. A decisão ac*rca do m*del* de siste*a de ju*t*ça que i** **erar em determ*nado ter*itór*o *epende ** vonta*e do seu l*gítimo proprietário. Existe sim, a possibi*idade d* o do*o d* *m *edaço de terra perm*t*r que qualquer pessoa entre em sua propriedade e ofereça serviços de se*uran*a * j*stiça, d* *e*ma forma *ue, *am*é*, d* acordo com * teoria libertária, o dono da terra decida que apen*s ele ir* o*erecer tais serviços em *ua proprieda*e. En**n*o que, se est*ver *e acordo com a **ntad* d* legítimo propri**á*i*, um mo*opólio de serviço* como e*ucação, estra*as, s*gurança, *egisla*ão e justiç* está pe*feitame*te de acordo com os princípios *o lib*rtarianismo. *u** não es*iver de acordo co* tais prática* pode, simplesmente, decid*r nã* ter relações com *ais *er*itórios * seus proprietá*ios. Entre*an*o, os *roprietá*io* de *erras estão sempre em c*mpe*ição *ntre si *a*a atrair consumidores e in*estimen*os. *á um m*r*ado entre terri*órios, e os *onsumidores e*tão s*mpre buscando o melh*r lugar para mo*arem. O fato d* que den*ro de um territór*o exist* um mo*opólio d* se*viço* de segurança * **stiça por pa*te do d*no da te*ra não quer *izer que estes servi*os de*xem d* *er privad*s, tam*ouco quer dizer que eles *ão e*tão num co*t*xto de *omp*t*çã* num me*cado de livre par*i*ipação. A única coi*a que m*da é que este mercado eng*oba *s territó*ios en*re si e o *ue estes co*seguem of*recer aos *eus consumid*res como um todo. Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 1*, n. 2, *rt. 11, p. 197-222, *ar./abr. 2018 www*.fsanet.com.br/revista H. S. Pereira 210 De todas as n*rmas que foram produzidas *elos representantes dos *roprietários do Brasil, o *oder legislat*v*, talvez uma d*s **ucas que poderia ser v*sta como *ma afronta aos pr*n*ípi** libertá*ios *eja o ser*iço militar obriga*ório. Isto se d*, po*s o s**viç* m*l*t** *brigatório s* *undam*n*a na ideia de qu* uma pes*oa qu* tenha nasc*d* no **a*il seja ob*igada a tr*b*l*ar pa*a um d*te*minad* empreg*dor, o **tad* brasileiro, ao com**e*ar ** anos. Como a t*or*a li**rt**ia aponta, os ind*víduos são do*o* do* seus *es*ect*vos corpos e não *odem *er obr*g*d*s a *azer algo qu* não queiram. O serviço milita* obr*gatório poder*a ser *isto como algo análogo à escravi*ão. Se a *otalida*e d*s proprietários do Bra*il *eseja contratar pes*oas para trab*lhar em serviços de seg*rança, d*v* fazê-lo oferecendo s*lários e cond*ç*es de *rabalho que at*aiam pe**oas p*r l*vre e espo*tâ*ea vo*t*de. S* há *oucos interess*d*s, d**e-se aume**ar o **lário ou melho*ar as con*iç**s de tra*alho. E* nenhu*a hipótese alguém deve ser forçado a trabalhar para outra pe*so*. Ent***anto, a*guém poderia argum*n**r que * s*r*iço mil*tar *brigató*io é uma norma pré-estabel*c*d* pe*o propriet*rio da terra, e aqueles **e en*r*m ou h*bita* este te*ritór*o estariam consentindo co* e*ta dete*mina*ão, ou seja, e*tar*am a*sin*ndo um contra*o q*e co*dicionar*a a sua e*tr*da ou permanên*ia nesta terra a* cumprimento **ste acordo. Po* exemplo, imaginemos que uma pessoa é dona de um pedaç* *e terra de 100 metros quadra*os e q*e e*a permita *ue alguém entre *m sua terra a*enas se essa p*ssoa aceitar trabalhar um di* em sua la*oura. *eria isso um trabalho f*rçado? Se, em vez ** trabalha* na l**oura, o prop**etário da terra per*itisse a ent*ada d* visi*ante* apenas se est*s *c*ita*sem *rabalhar na se*uranç* de seus ben* por uma seman*, seria i*so errado do pon*o de vi**a libertário? Ou seria tal c**di*ão uma n*rm* contr*tual que o visitante c*nsentiu para adentrar a *err* do an*itrião? * Brasil possui o serviço m*li*a* o*rigatório, mas ninguém é obrigado a v*ver n* B*asil. Os i*diví*uos podem viver até o* 17 a nos *o Brasil e podem deixá-*o *nt** de compl*tar 18 anos. Se *abem que a norma d* *egítimo propriet**i* condiciona que t odos os que possuem 18 *nos em suas *erras partici*em de suas força* mi*itares com* condiçã* para p*rmanênc*a ** seu *erritório, aquele* que *ecidem complet** 18 anos nestas terras não e*tão ***itand*, d* livre e espontânea *ontad*, as nor*as do proprietário? Talvez o serviço militar obrigatório não seja uma a**onta aos princípi*s *ibertário*, pode ser que sej* ap*nas *ma *egra inconv*niente im*osta legi*imamente p*lo pr*prietário da te*ra. Se as pessoas entenderem que tal regra é a*us*va, p*dem deixar este te*rit**io e *s proprietári*s do B*asil seriam for*ados a *udar suas regras da mesm* *orma *ue aco*tece com t*dos o* empres*rios: teriam prejuízos q** os obr*gariam a mudar suas a*itudes. *ev. FS*, Teresi*a, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./abr. 2018 *ww4.fsanet.com.br/revis*a O E*tado *rasileiro * a Teor*a Libertária: uma Nova *bordagem 211 Sen** ass**, * totalidade dos proprietários do Bra*il, o chamado po*o brasilei*o, pos*ui legitimidade pa*a consti*uir uma emp*e*a pr*vada, * Estado brasileir*, vo*tada à *dministração de seu t*rritór*o. Enqu*nt* respe*tarem a proprie*a*e de ca*a um, não h* nada n*s leis ou práti*as do Est**o em *onflito com os princí*ios libertários. *té mesmo o **rviç* milita* *bri*ató*io pode ser **tendid* como alg* *egíti*o, a dep**der da int*rpretação qu* lhe for da*a. 3.4 E**ado e corrup*ã* O *stad*, enq*anto a agência priv*da de administraç*o de um territór*o, precisa sempre cumprir as ordens que lhe sã* d*das pelos seus proprie*á*ios. Entretanto, como isso é possível, q*ando *a**mos *e *m *on*ex*o, c*mo o do Brasil, que poss*i *ai* de 20* milhões de proprietários? Por se trata* de *onos que possuem a mesma proporção *om relaç** à titularida** deste terr*t*rio, sig*ifica que o *sta*o brasileir* precisa *evar ** conta o que *oda es*a multid*o des*ja *o agi*. Pode*-se-ia afirm*r que, se a**nas um *os propriet*rios d* B*asil, entre os mais de *00 *ilhões, *ivess* sua vontade d*s*bedecida, isto se**a o *u*icient* pa*a *ornar to*as as ações do Estado b*asileiro invál**a*, mas **t* ser*a uma i*terpre**ção que não condiz com a r*alidade do fu*ci*namento de qualquer empre*a privada *ue *ossua mais d* um *ono. *o caso d* uma em*resa grande com muito* don*s, é n*rmal qu* os pr*prietário* tenh** poder *e decis*o prop*rcio*a* à quantid*de *e títul*s da emp*esa em questão. O funcionamento de um* e*pr**a *rivad* vai dep*nder de os *eus proprietários entrarem em acordo s*bre como ser* t*m*da a *ecisão na *esma. Ao a**uirir um pedaço de uma empresa, a*uele que e*tá *omprando *ssa participação *ev* e*ta* ciente de co*o e** s*rá gerida e qual *erá o seu p*der de man*o a partir desta par*i*ipação q** foi *omprad*. O Esta*o b*a**leir* é uma empresa na qual cada ** de s*us donos é proprietá*i* de *ma única u*idade do to*a* da titularidade desta. O q*e é cham*do de princípio democrático, que di* que a v*ntade da maioria deve se* o*ede*ida, não é algo qu* está em desacordo *om a teori* libert**ia quando o a*sunt* é u*a padaria, uma fá*rica ou até mesmo um *s*ado le*ítimo. Se um indivíduo ad*uire uma açã* de uma grande emp*e*a *ua vonta** nunca e é obe*ecida em função de ser *ono de apenas *% des*a ele po*e simple*mente ven*er s*as a*õ*s e desi*ti* de ter rel*ções com esta *mpr*sa. A alterna*iv* é conven*e* os *utros prop*ietários d* q*e eles devem obedecer a es*e únic* ind*vídu*, apesar de ele ser dono a**n*s de uma fração extre*a*en*e p*quena de uma proprie*ade *artilhada. Rev. FSA, Teresi*a *I, v. 15, n. 2, art. 11, p. 1*7-*22, mar./*br. 2018 www4.fsanet.com.br/revista H. S. P*reira 2*2 Um* vez que os donos concor**m **m a* normas, através das qua** sua pr*prie*ade par*ilha*a ser* geri*a, também n*o está em desac*rdo com a teoria libertári* q*e estes donos decid*m tomar decisões atr*vés de r*prese*tant*s, c*mo geren*es, *e*eadores et*., ou *u* criem nor*a* q*e não possam ser alteradas fac*lment*, *omo a Con*tituição (BRASIL, 1**8). *ntretant*, *s*o n*o quer dizer que o arran*o d*moc*ático não ten*a **u* problemas. O **ior del*s *, provavelmente, com re*ação à representativ*da*e (B*BBIO, 198*; MI*UEL, *003). Um* v*z que u m g*upo d* proprietários es*olha um r*pr*sentante e es*e d*legue a *oder (auto*idade, l*gitimi*ade *ara gerir a propriedade *m nome dos *onos), qual a g*rantia de que est* repres*n**nte não *rá utilizar e*** po*er *m benefício pr*pri* e t*mar esta propriedade *ara si? A história das *emocracias es*á e*cessivame*te marcada po* eventos, nos q*ai* políticos uti*iz*ram a au**r*dade que lhes foi conf*rida par* enr*q**cerem e se perpetuarem no coma*do d*s t*rras que nã* lhes pertenciam. O c*so mais grave talve* seja o que ocorreu na It*lia, de 1922 a 1945, com Mu*so*ini * o Partido Fascista, e na Alem*nha, de 1933 a 1945, com Hitler e * Partido Nazista. **bos alcançaram * **der pelas vias democráticas e acabar*m instituindo um governo totalitário (*RENDT, 2012). Em ter*os libertár*os, *uss*lini e Hitler *oram eleitos como "ge*entes gerais" d* *eus te*r**órios e utili**r*m e**a autoridade para *omar as proprieda*e* de s*us l*g*timo* donos e escravizá-lo*. É *reci*o q*e se *erceba qu* tal problem* não é em nad* diferente com o que *con*ece em qual*uer emp*esa privada d* tipo *n*ividualista. To*as as *essoas que são donas de algu*a *oisa e que precisa* conferir poder (au*oridad* de coman** **br* sua pr**ried*de) a out*as pessoas p*derão passar pe*a m*s*a situ*ção. C*m* impedi* que um f*n*ionári* roube se* em*rega*or? *omo evit*r que o g*rente de uma *oja se torne * *r*prie*ário de fato da *es*a? *anto *a empr**a privada d* t i po col*ti*ista (Estado), q*a*to *m *ualque* empr*sa *rivada do *ipo individu**i***, o níve* de corru*ç** *erá proporcio*al à quantidade *e autoridade d*lega*a e ao n*vel de f*scalizaç*o *o* pro*r*etár**s. Quanto *ais *utoridade del**ada, mais c*rrupção; quanto menos fiscalizaçã*, mais corrupção. O problema é que, *o*parado com empresas pri*ad** do tipo indiv*d*alista, o nível de poder delegado ao Estado é quase absoluto e * fiscalizaç*o * quase nula. P**a que se *erce*a * *ível do absurdo co* relaçã* às práticas *o*uns *ue envol*em * Estado e seus pro*rie*á**o*, ima****mos que uma faz*n*a seja gerida da m*sma forma que o Es*ad* brasi*e*ro. Em função da ex*ensão da terr*, o f**endeiro (o povo), con*rataria um gr*po de pessoas * decidiria que e*te grupo iria ger*r seu territó*io, cu*d*r da se*urança e Re*. FSA, Teresina, v. 15, n. *, art. 11, p. 197-222, **r./a*r. 201* www4.fsanet.com.b*/revista O Estado Brasi**iro e a Te*ria Lib*rtária: *ma Nova Abordagem 213 prod*zir as norm*s a *er obedecidas. Nã* sati*feito com a quantidade de p*d*r d***gado, o p*opri*tário (o povo), entreg*ri* também uma p*o*uração ao seu gerente (pres*dente), per*it**do *u* este tivesse to*a* co*t*ole de sua conta bancária. As normas c*iadas pelo* funcion**ios deveria* ser *bedec*das pe*o dono da terra e apenas o gr*po de ge*tã* andaria armado den*ro deste territó*io. Se proprietário não es*ivesse satisfeito com algo, d*v*ria o reclamar com a* m*sm*s pess*as que contratou. A única f*rma de se livrar de p*s*ívei* f*ncionários de*onestos *eria at*avés d* e*eições de quat*o e* q*atro *nos, ou de proces*os a*ministrati*os julg*d*s pelos *ró*ri*s funcioná*i*s. Será *u* e*iste *lgum* possi*ilid*de de que, neste c*so, os *ono* não perc*m to*almen*e o co*tro** sobre sua p*o*riedade? Em uma empresa p*ivada do tipo **dividual*sta, os dono* qu*lquer consumi*o* e pos*uem *otal controle *obre seu di*h*iro. Os *rop**etá*ios possuem poder de revog** qualquer *o*ma *m suas terra* e também pod*m d*m**ir qua*quer *uncionário a q*alquer momento. Em caso de os *uncioná*ios resolverem tomar a proprieda*e us*ndo a violência, aq*eles q** est** sendo roubados podem se defen*er el*s mesmos, usando armas o* c*ntratando *utra* pe*soas par* f*zerem sua s*gu*ança * expu*s** os lad**es. Dessa forma, a corr*pçã* no Estado pode s*r combatida com alta f*scalização e baixa *elegação d* pode*. Est* é uma *onclusã* que já *oi h* mui*o percebida. C*mo ex**plo, H*nry *horeau (19*7) af**mava que o melhor gover*o era o que g*ver*ava me*os. Q*a*to *enos poder f*r delegado *os ger*ntes d* empresas privadas in*ivi*ualistas ou coletivista*, me*hor p*ra *s propr*etári*s. 3.5 * ci**dania é um título de propri*dade S* a *ó*io-tecnolog*a (ELIAS, 1997, p.162) da *epública *onseguiu r*solve* *a melh*r for*a possív*l o *roblema *a titu*ar***de da te*ra, a in*tituição re*ublicana criou diver*os pro*lemas. Talve* o maior dele* seja como funcionam os título* de p*opriedade sobre * territóri* do Brasil. E*iste uma idei* que consegue e*pres*ar muito *em o que seria o título *e pr*priedad* de uma empresa privada do tipo coleti*ista sob um arranjo re**bl*ca*o de s*frágio universal: a cidadania. Há *oda uma *o*ga bibliog*afia que debate o que seria * c*dadania (BARBALET, 1989; DALLARI, 1*98; C*VRE, *998) mas, *este traba*ho, inte*pret* * cidadania como a l*gitimi*ade para v*tar, para d*c*di* *obre a g**ên*ia da *idade, de *m território ou país at*a*és de re*resentantes ou dir*tamente. Se apenas os cidadãos p*de* votar, isto significa que a cid*dania é um títu*o de proprie*ad* sobre * território em questão pois, *e aco*do c*m a R*v. FSA, Teresi*a PI, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./abr. 20*8 www4.*sanet.*om.br/re*i*ta H. S. *ereira 214 teori* lib**tár*a, um i*divíduo só p*ss*i le*itimidade para de*idir sobre um* pr*priedade se *or s*u do*o. Sendo assim, proponho q*e o tít*lo de pr*p*ie*ade do território do Brasi* que f*z *om q*e o* brasil*iros *enham poder de *ecisão sobre suas terras s**a exat**en*e aqui*o que é chamado de cidadania, ou cidadani* plena, *ma *ez que um i*divíduo não é *m cidadã* em sua pl*n*tu*e e*quanto não pude* votar. S* * brasileir* é don* *e toda a extensão *o *rasil, **de estaria reg*lamentado *ste *ítulo de *ropriedade? Estas normas estão *spalhadas de form* difu*a e in**re*a no o**en*mento jurídico *ue vigora no pa*s: por e*em*lo, se a Con**it*ição (B*A*IL, *988) *or consultada, não será encontrado nada re*acionado *o pode* que * brasi*ei*o possui sobr* sua terr* em razão de ser dono d*sta. O que *e encontr*rá e* seu prime*ro *rtigo é que o poder eman* do povo, mas não se trat* de *ualquer p*vo, está se falando espec*fica*ente d* povo **asileiro. A*nda assim, não são tod*s os br*sileiros que podem v*ta*. *m seu artig* 14, fica estab*lecido que os e**luídos d* votar são o* estrangeiros, os menores de 16 anos e o* milita*es conscritos dura*te o *erviço m*litar obrigatóri*. Estes *imites in*icam quem p*s*ui um tí*u*o de p**priedade do territó*i* brasileiro. H* dois problemas *ue e*v*lvem * funcionamen*o dos título* de pr*priedade sob*e a te*ra no Br*sil. Em primeiro lugar, os donos de um* e*p*esa priv*da do *i*o **div*dua**sta p*dem vende* *s suas particip*ções * qualquer mom*nto, mas os donos do terr*tório brasileiro nã* podem vend*r a fr*ção da titularidade que l*es *erte*c*. *m segun*o l**ar, *s frações do título de *ro*riedade do B*asil surgem quando alg*é* *e torna bras*lei*o, *u seja, quando alg*ém na*ce no te*ritório *rasileiro, é *escendente de b*a*i**iro *u *e nat*raliza, e sã* des*ruíd*s com a *orte, ou *u*ndo um *n*iv*duo a*re mão de naturalidade *rasileira. A co*sequênci* desta* norm*s de funcio*amento d*s f***ões de títu*os de *rop*i*dade do Bra*i* * que não existe *m me*cado para esses t*tulos. Quem está satisfeito com o fu*cionamen** *o B*asil não po*e comp*ar mais dessa pr**riedade, e *s que est*o i*satisfe*tos n*o p*d*m vend** que não o *uerem *a*s. Os insa*isf*itos podem ab*ir *ão dessa prop*i*d*de e podem até conseguir a propr*eda*e de *u*ras terras natura*izando-se em *utro paí*, mas não podem, j*m*i*, rec*ber *i*h*iro por se desfazerem d* propr**d*d* indes***da, o que *az com que acabe* *e tornando **át**o*, não mais se inter*ssam sob** o que é seu. I**o é demonstra*o no alto *úmero de votos brancos ou nu*o* no nos s o si*tema democr*tico (C*STA, 200*). A *usênc*a de um *ercad* de títulos de pr*prieda*e do Bras*l *m*ede que os **u* ges*o*e* *oss** contar com o sofis**cad* mecan*smo de preci*ic*ção (*IS**, 2010) para entende*em o que seus *onos c*nsumidores e desejam. Quando os g*verna**es do B*asi* Rev. FSA, Tere*in*, v. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./abr. *018 www4.fsanet.com.br/r*vist* O Es*ado B*asi*eiro e a Te*ria Libert*ria: uma Nova Ab*rd*gem 215 precisam saber o que o *ovo qu*r, e*es são obrigados a ut*lizar pesquisas de opini*o qu* são cara*, lentas e inef**ientes. Quando os resul**dos estã* pront*s, provav*lm*nte não re**etem mais desejo *os o d**os e dos consumidore*. Por outro lado, empr*sas privada* ** t i po individualis*a, *ue possuem *m mercado para o* seus t*tulos de prop*iedade, podem acom*an*ar a *provação ou r*provaç** de suas ações quase que em tempo real. Quand* fazem alg* de **m, o valor de suas açõe* sobe, quand* erram, * valo* desce. Haye* (1958) d*mons*rou que o mercado, é na verdade, u* sis*e*a de comu*icação, no qual os preços fun*ionam como ord*ns dos consum*dores. *ma vez q*e E***do o não precifica seus títulos, pois seus d*nos nã* pod*m vend*-los ne* comprá-los, o* gestores sempre estão navegando no esc*ro. Mas o p*oble*a é muito m*i**: empresas privadas d* tipo coleti*ista como o E*ta** nã* poss**m m*canis*os de lucros e *rejuízo* da mesma f*rma que *s empresas privadas *o tipo in*i*idualista. O *orm*l *e uma empresa é oferecer ** ser*iço ou produt*, co*t*bilizar o que foi gasto e o q*e foi g*nho e conferir se **i possível *anhar mai* dinh*iro do q*e foi investido, i*to é chamado de cálculo econômico (MISE*, *012), ou *álculo de lucr*s e prejuízos. Em **p*esas privadas do tipo individualist*, os do*os recebem dire*am*nt* um* parte do luc*o da empr*sa, * *ue faz com que o lucro ** em*r*sa se *ransforme também em lucro in*i*idua* dos pr*prietário*, mas, em e*pr*sas priva*as do tipo coletivista (E*tad*), não há esse mecanismo de lucro i*d*vidual e os proprie*ário* pod*m *pen*s receber benefícios in*ir*tos d* sua em*resa n* for*a d* gasto ** m*sma. *sto faz com que haj* uma *rande conf*são no *álcul* econômico: o lucro direto sempre se t*ansf*rma ** lucro i*direto, o inves*imento se *istu*a ao lucro indire*o e o *rejuízo se torn* *ndetectáve*. Se o dono *e uma empresa não pode saber o quanto **vestiu, o quanto lu*rou e rece*er uma parte desse luc*o o*, se não hou*e lucro, *ão re**ber nada, som*m todo* os incentivos *ar* q** a empr*sa t*nha um com*o**amento de ga***r o mínim* e produzi* o máximo. Proprietários de empresas privadas do *ipo coletivista (Estado) não pod** rec*be* diretamente *m seus bolsos uma parte do dinheiro que a em*resa lucrou, só podem recebe* benefícios indi*etos na forma de serviços e produtos com* saúde, ed*cação, *egurança, *l**e*tação, va*in*s etc. *or ess* motiv*, c*da b*asilei*o tentará aumentar ao m*ximo os ben*f*cios que poderá rec*ber *o Estado e, c*m isso, aum*ntará o* gastos d* Estado. Com* não se sa*e o *ue * i*ve*timento o* lucro, com* não é *o*sível d*fer*ncia* o dinheir* *asto par* produzir *erviços e produtos que serão ven*idos para ge*arem *ucro daq*ele dinheiro que será t*an**erido a*s pro*rietár*os como parte d* lucro na f*rma de gas*o da empresa, * Rev. FSA, Teresi*a P*, v. 15, n. 2, art. 11, *. 197-222, *ar./abr. 20** www*.fsanet.c*m.br/*evista H. S. Perei*a 2*6 te*dên*** é **e os dono* nã* se preocupem com o quant* es*a empresa i*á gastar, já que investim*nto e lucr* se confunde*. Hayek (2010) entendeu que a exist*n*i* d* *m Estado de qualquer tama*ho ten*eria a prod*zir um aumento *este E*tado, a*é qu* o mes*o se tornasse tot*litário e engolisse tudo e a todos; é o que ele chama de caminho para a *e*v*dão. Enten*o que a causa dess* proble*a * que *s donos do Es*ado não podem rec*ber sua devida part*ci**ç*o de *ucr* diret*mente, o que faz com que *empr* busquem aumentar seu* ganh*s in*iretos, fazendo, *ort*nt*, com que as pessoas sempre votem em po*í*icos que prometem *ai* gas*o es*atal. A soluç*o é cria* um sist*ma de lucr* dir**o q*e permit* os pro*r*et*rios rece**rem ** forma de dinheiro e* *eus bolsos o que a *m*resa lucrou. Se as pessoa* pudesse* r*ceber uma par** da dife*e*ça en*re * d*nheir* g*sto pelo Estado e o d*nheir* arreca**do por essa instit*ição, *s políticos *eriam obrigad*s a *as*arem o mínimo e * ganharem * máximo, para rep*ssa*em a m**or ***nti*ade *os*ível d* dinhei*o *os *e*s donos, da mes*a forma que acontece com as emp*esas pr*vada* do tipo indiv*dual*st*. Se*ia pre*i*o, ta**ém, que *s tít*los *e pr*pried*de do territ*rio brasileiro func*o*assem como func**nam as ações *e qualquer emp*e*a; os títulos seriam in*ividualizad*s, cada b*asileiro receberia a sua devid* fraçã* des*a tit*laridade que poder*a ser vendida ou compr*da, e seria extint* o estranho s*s*ema, *o qual ca*a pe*soa recebe *m título ao na*ce* ou se naturalizar brasileira e o p*rd* com a m**te ou a abdicação *a naturalida*e. Es*as mudanças *ermiti**am que o cálculo ec*nômico fosse feit* com *fi*ác**. *lém disso, emissão de novos títulos *e a pr*prie*ade pode*i* servir para qu* o Es*ado *onse*u*sse *r***adar dinhe*ro para n*vo* empreendimento*, c**o fazem emp*esas pri*ad*s do t i po individualista, *em que fosse preciso *umen*ar pr**os, reduz*r ga*tos ou criar *nd*vidamento; mas t*l proposta ***cisaria passar *ela aprova*ão dos pr**rie*ários, pois signi**cari* uma *i*uição *** *ítulos de propriedade já existente*. 3.6 Vota*do co* o* pés Por ma*s controversa qu* seja a f*rma como funcionam as empresas privadas d* t**o *oletivista (E*tado), ela* estã* *nserid*s em um *ontexto de merca**, de comp*t*ç*o por consu*idores e recurs*s. Sendo a*sim, o mai*r problema de*te ti*o d* empresa privada é * *bsur*o n*vel de tole*ância que seu* consu*idores poss*em para com suas práticas equivocadas. Rev. FSA, Tere**na, *. 15, n. 2, art. 11, p. 197-222, mar./*br. 2018 *ww4.fsanet.*o*.br/revist* O Estado Brasil*ir* e * Teo*ia Lib*rtária: uma Nova A*or*age* 217 As pessoas, *ificilmente, tolerar**m que empr*sas priva*as do tipo **dividualis*a tivessem * mesmo *ipo de compor*amento que emp*esas privadas do tipo coletiv*sta (Est**o). Um dos exe*plos mais *ot*veis é que dificilmente uma pesso* aceitar** rel*tar t*da a sua atividad* ec*nômica * entr*gar uma part* do seu ganh* a um a empresa privada do t*po indivi*ualista, mas is** acontece tod*s o* anos através do sistema de imposto de re*da: os moradores de um país *elatam t*do o q*e fazem ao Estado e acei*am entreg*r um *ercentual d*s seus ga*hos e* t*oca de servi*os como seguran*a, saúde etc.; exis*e *** rela*ão de consumo neste processo * as pe*soas ac*itam este *is*ema que é, n* mínimo, desresp*itoso. Mises (1944) aponta qu* exist* u* problema no *a*o de qu* os b*ro*ratas, os fun*ionários que co*põem o Estado são, ao *esm* tempo, don*s e con*umido*es do Estado. E*tendo que *st* nã* é um p*oblema r*al, po*s, nada im*e** que um indiv*duo seja ao *esmo te*po dono e consu*idor de uma empresa privad*, isto é algo perfei*amente comum par* empresas muito g**ndes *m setores como alimentação e t*cnolog*a com *çõe* em bolsa de va*ores. O problem* é *ue, por n*o hav*r um sistema de repas*e dir*to de luc*os ao* propr*etá*io*, os d*nos do Esta*o farã* com que os gastos com be*efíc*os *ndiretos se*pr* *ubam. Ma* isso é a**nas uma parte menor da disf*nção que acomet* o Estado porque o fato de *ma *mp*esa ser **ientada a gastar mais, não cria *ma q*antidade infinita de dinhe*ro disponível. * *ato d* que as pesso** conti*u*m entregando seu dinheiro a* *stado, mesmo que não estejam recebend* *ada em troca, é o ma*or de todos os problemas *om relação a **s* **po de empresa. Se as pessoas enxe*ga*se* o E*tado como *quilo q*e rea*m*nte é, um a empres* privada que possui dono*, e que oferece serv*ç*s e prod*tos em ***ca de dinheiro, elas pod*ria* ter uma relaç*o s*u*ável c*m esta empresa. Nes*e con*e*to, as pessoa* *stariam s*mpr* c*l*ula*do o quanto r*cebem, o *uanto gastam e se existem **tro* c*ncorr*ntes que ofer*cem serviços * produtos *elhores por um preço *enor. No c*so d* enc*n*rarem *ma of*rta melhor, el*s pode* fazer aquilo que Milton Fr*edman chamava de vot*r com os pés (FRIEDMAN; F*IE**AN, 19*0), *u seja, cortar relações com o Estado q*e ofe*ec* serviç*s e pr*dutos r*ins a preços c*ro*, * irem morar e* *erras cujo Estado oferece serviços e p*odut** melhores a preços ma*s a*rativos. O Estado não possui o lux* de pode* desconsi*erar t*t*lmente o que a população deseja. Impostos altos, se*viços ruins e práticas **re*sivas *f*genta* investimentos, mor*dor*s consumidores. A e partir de cer*o pon*o, as pesso** co*eç*rão a ir e*bora. *e nada for mudado, é **ssível qu* não rest* ning*é* para p*oduzir ri*ue*as no território. É por esse motivo que governos totalitário* e opressores precisam f*zer sua população de ref*m. Se *e*. F*A, Tere*ina PI, v. 15, n. 2, art. 11, *. 197-222, mar./abr. *018 *ww4.*sanet.com.br/revi*ta H. S. Pereira *18 * *lemanha Orien*al (SERVICE, 2*15) nã* tiv*sse *on*t*uído *m mur* e colocado guarda* par* imped*r os **gi*ivos, Berlim orien*al t*ria fi*ado vazia e os burocra*a* ficaram soz*nho* sem terem *uem oprim*r. O sis*ema de vo*ar c*m os pé* f*nciona e sempre foi *plicado pel** *esso*s, o problema é a alto n**el *e tolerân*i* que exist* par* com prática* equiv*cadas dos *st**os. Esta alta *olerânci* *aus**a pela *rença de que o *s*ado seja *lgo ess*ncialmen** bom é e pelo sentimento de na*i*nalismo (HOBSB*WM, 2*13; GUIMARÃES, **0*; ALMEIDA, 2*1*). As pessoas normalmente acred*tam que o Estado é a p*ópria sociedade que se ***a*iza para resolver *s seus p**blemas, algo próx*mo à conce*ç*o de Hobb*s de **m*m ar*ifici*l (*0*3). Isso faz com que elas *ejam a instituição *s*atal *o*o algo puro que só pode cometer u* err* se for desvirtuado *o* *essoas ma*éficas. P*r esse motiv*, o Es*a*o t*nde a ser amado e *s pol*ticos e bur**rata* odiados (GAR*CHAGEN, 2015), a popul*ção sempre e*tá d*s*osta a esper*r a próx*ma eleiçã* p**a que o novo g*rente r*sol*a o *ro*l*ma que * a*terior causou. O sen*imento de nacionalismo faz com q*e as pessoas se reconheçam *omo parte de u* todo que ev*tam deixar par* trás perma*ec*ndo, * máx*mo poss*vel, em *eus lugar*s de origem. Esses *ois fa*ores criam a alta tolerânci* *ue as pessoas possue* pa*a com o Estado, *az*ndo com que elas, no**alment*, votem c*m os *és, de**dam proc*r*r um lug*r melhor pa*a *or*r, apenas em caso* extremos. Se esse nível de to*er*n*ia baixasse, se as pes*oas migrassem semp*e que enco*tra*sem *m *ug*r melh*r para viver, os *stados *e*iam *brig*d*s a **dar suas *rát*cas c*m muito ma*s frequ*n*ia, ou se torn*riam empr*sas de g*stão de t*rritório* *esabi**dos. 4 *ONSID**AÇÕES FINAI* Exis*e uma longa tradição d* pensadores como Hob*e* (2003), Dur*hei* (1958, 2008, 2016) e, especialmente, Hegel (199*) *ue veem o Estado como uma cois* benéfica. Há tamb*m p*nsadores **mo Roth*ard (2**3), Sp*oner (186*) e O*penhe*m*r (1922) que veem o *stado como *lgo maléfic*. Enten*o que * Estado é apen*s *ma emp**sa privada do ti*o coletiv*sta *ue p*de s*r legítima o* ilegíti**. No cas* *o Bra*il, a partir do *rranjo r*p**licano de su*rág*o *nivers*l, o Es*ado *e *orno* uma emp*e*a *egítima, constituíd* pe*os seus donos para adm*nistrar se* te*r*tóri*. Entretanto, o Estado é uma em*resa q*e possui dive*sos pro*lemas: *orrupção, alta t*lerância dos c**sumidore* com práti*as abusivas e pr*b*e**s q*e derivam das norm*s q** Rev. FS*, Ter*sina, v. 15, *. *, a*t. *1, p. 197-222, mar./a*r. 2018 www4.*sanet.com.br/revista O Est*do Bras*leiro e a Teoria Libertária: uma Nova Abordagem 219 reg*lamen*am o título de *ropriedade ** t*rr*t*rio **asile*** como a ine*iciente comunicação e*tre cons*m**ores e gesto**s * a *endênci* p**a o *umento dos gasto* estatais. * s*l*ção para esses p*oblem*s são: *lta fiscali*ação e baixa delegação de poder , *ara r*duzir co*rupção; bai*a tolerância *ara com práticas *bus**as (votar com os pés), p*ra qu* os *stados pas*em a *ompetir mais p** consumidores; liberação d* co*p*a venda dos tít*lo* * de *ropriedade do Esta*o * formação de um din*mico mercad* d*sses tí*ulos, para que os consumidores e proprietários *ossam enviar *rdens *os g*store* do Estado com muito mai* e*iciê**i*; e a criação *e me*anismos que permitam ao* proprietários terem acesso direito *os lucros d* Es*ad*, p*r* aca*ar com a *on*usão entr* in*est*mento e lucro in*ireto, e permitir que os proprietário* passem a cobrar que o Es*ado p*odu*a * máximo e *aste o m**imo. Estas m*danças permi*iriam a co*reção dos proble*as do Estado e o *ran*fo*mari*m em u*a empres* p*iv*da do tipo indi*id*al*st*. RE***ÊNC*AS ALMEIDA, L. *. R. I*eo*ogia naciona* e *acionalismo. *ão P*ulo: EDUC, 2014. ANDRAD*, J. H. F.; LIMOEIRO, D. Rui Barbosa e a política extern* brasilei*a: considerações sobre Questão Acreana e o Trata*o de *etr*polis (1903). Rev. **as. po*ít. * int., Bras**ia, v.46, n.1, p.*4-117, *un*o *003. Disponível em: <http://ww*.scielo.*r/p*f/r*pi/*46n1/a05v**n1.pdf>. Acess* em 24 nov. 2*17. ARENDT, H. Ori*ens do totalitarismo. São *a*lo: C*mpanhia das Letras, *012. BARBALET, J. A cidadania. Li*boa: Editorial Estampa, 1989. BOBBIO, N. Democr*cia re*r*sentativa e *e*ocracia direta. In:_____. Estado, governo, sociedade; por uma teor*a geral da pol*t*ca. Rio de *aneiro: P*z * *erra, 1987. p.15*-155. *ODIN, J. Os seis li*ros da Repúbl*ca - *ivro primeiro. São Pa*l*: Íc**e Editora, 2011. BRASIL. Constitu*ção Feder*l de *988. P**mulgada *m 5 *e o*t*bro de 1988. 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