www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 2, art. 8, *. 141-155, mar./abr. 2018 IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983 *ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2018.15.2.8 The Rainbow e a tradução de D. H. *awrenc* Para as Telas The Rainbow and the *r*nslation *f D.*. Lawre**e into Screen B**na Renata Ro*ha Fernande* Grad*a*a em Letra* pela Univers**ade F*deral do C*ará *-mail: b*u*arenat*@gmail.com Carlos Aug*st* Viana da Silva D***or em Letr*s e Linguística *ela Unive*sidade Fede*al da Bahia Profe*so* da Universidad* Federal d* Ce*rá E-mail: **fortal@*ot*ail.com Ende*e**: Bruna Re*ata Rocha Fernan*e* Avenida C*ntorno sul, 6*, 60764310, Maracan*ú/Ce, *rasil. Endere*o: Ca*lo* Augu*to Viana d* Si*v* Editor-Ch*fe: D*. Tonny Kerley d* Alencar Rodrigues Artigo rece*ido em 05/12/2017. *l*i*a *er*ão
De*art**ento de Língua In*l*sa, su*s Literatu*as e rece**d* em 22/01/2018. Aprovado em *3/01/20*8. *radução - C**t*o de *umanida*es/ UFC - Av. da **iversid*de, 2683, *0020180, F*rtal*za/Ce, Bras*l. Avalia*o pelo *istema Tr**le Review: *esk Review a) pe*o Ed*t*r-Chefe; e b) Double Bli*d *eview (a*aliaçã* *ega po* dois avaliadores da á*ea).
Rev**ão: Gramatical, Normativa * de Forma*ação
B. R. R. Fernandes, C. A. V. Si*va 142 *E*UMO O trab*lho em que*tão *e* com* objetivo ana*isar o romance The Rai*bow (1915), d* D.H. L*w*ence, e *ua tradução para o ci*ema em 1989, *tr**és do fi*me hom*nimo d*r*gido *or Ken Russell. Ess* aná*ise tem a intenç*o de verificar al*u**s e*colhas do *iretor e as c*nse*uências que *ssas escol*as tiveram no desenvolvimen*o d*s p*rsonagens e da narrativa fíl*ica. O f*co s*rá em Ursula, personagem re*resentati*a do *niverso l*terário do autor, considerand* a forma co** é construída no livro e no film*, e **mo *s decisõ** do d*re*o* *nfluenci*ram na *ua tradu*ão para as te*a*. Partim*s da ideia de que alguns ap*g*m*ntos na narr*tiva fílmica mu*a**m * p**spectiva de c*nstrução de Ursul* pa*a o es*ectador. * análise s*rá feit* por meio de passagens do livro que serã* *sadas para comp*rar com as respectivas ce*a* do filme, *ara, então, *e*e* demonstradas as diferenças e*tre o tex*o *e partida e a sua trad*ção. Ent*e *s autores utilizados par* a fu*damentaçã* te*rica estão *an Jacobso* (1973), co* a *is**ssã* s*b** D. H. Lawr*nce * a **cie*ade *o*erna, *ames *ood (2007) e s*a **troduç*o sobr* o livro **e *ainbow, Lou*s K. Greiff (2001), e a discuss*o sobre Lawrence no cinema, assim co*o textos do próprio autor qu* ilustram suas ideias. Palavras ch*ve: Cin*ma. D. H. Lawrence. Traduç*o. ABSTRAC* Thi* artic*e *as th* objective of analyzin* *he n*vel The Rai*bow (1915), by D.H. *awrence, and its adaptation to the cine** in 1989, by Ken Russ*ll. This analysis int*nds to *erify some of the d*rector\s choices and their con*equenc*s to *he development of the c*aracte*s and the fi*mic narrat*ve. Th* focu* will b* on Ursula, a representa*ive character of th* au*hor\s literar* universe, consideri*g how she is p*rtrayed in bot* the book and th* movie, and how the di**ctor\s decisi*ns influence* in her translation in*o *creen. *e *tart from the idea tha* some dele*ions in the filmic *arr*t**e changed the pe*spect*ve of Ursu*a\s cons*ruction to spectators. *he *n*lys*s will be b*sed upon passage* fr*m the *ook which wi*l b* used *o compar* wi*h the correspon**ng scene* *rom the film to *h*w differen*es b*tw**n the source text *n* its translation. As theor*tical backg*ound it will b* used wor*s by Dan Jac*bs*n (19*3) and h*s discussion *bout D. *. Lawrence and the mo*ern s*ci*ty, J*mes Wood (200*), and his *ntro*u*tion about t*e *oo* T*e Rai*bow, Louis *. Greiff (20*1), and hi* work abou* Lawrence in the cinema, *s well as te*ts by the *uthor himself that ill**trate his id*as. Key wo*ds: Cinema. D. H. Lawrence. Translation. R*v. FSA, Teres*na, v. 15, *. *, ar*. 8, p. 141-155, mar./a*r. 2018 w***.fsane*.com.br/re*ista The Rainbow e * trad*ç*o de D. H. L*w*en*e Pa*a as T*l*s 143 1 INTRODUÇÃO The Rainbow é u* romance d e 191*, *scrito pelo auto* britânico D.*. Law*ence. A **s*ória trata *e três ger*ções de uma mesm* fa*ília, os Brangwen, sendo o li*ro, a*sim, div*dido em três *omentos qu* *ão rele*antes pa*a a com*reensão da personalidade dos p*rsona**ns e suas ati*udes. A*e*** d* h*je o r*m*nce oc*par posição *ent*al ** sistema li*erário inglês, The Rainbow foi a *ul*am*nto por obscenidade em 13 de n*vembro de 19*5. Após o veredito, mais *e *il *ópi*s do livro f*ra* que*m**as e o romance f*i *anido da Grã-Bretanh* por 11 anos. O motivo d* ce*s*ra foi p*r D. H. *awrence t**ta* d* assuntos c*m* desejo e liberdad* sex***, * *omo ess*s traços humanos se des*nvolvem nos relacionamentos de forma **tural e esp**i*ual. Alé* disso, o a*to* tra*o* *o dese*o * da libe**ade sexual *a mulher, tema que era a*go ainda ma** es*r*nho *ara a sociedade da *poca acos*umad* com os valor** morais vito*ianos. A pers*nagem que r*pre*en*a *ss* no livro é Ursul* *r*ngwen, da terce*r* *eração, *eta d* Tom * Lydia B*angw**, d* primeira g**ação, e **lha de Will e Anna Bra*gwen, da *eg*nda. A refe*ida personagem *usca uma co*pletude e, en*u*nt* ess* busca oc*rre, d*monstra um co**o**amento * frente da sua époc*, com id*ias *postas às d* seu pa* e *on**de de *e tornar independent*. O ro*ance possui um* c*nti*uaçã* *ue se chama *omen i* *ove (1**0). A ideia *n*ci*l *e D. H. Lawrence era que *s dois livros fos**m *m úni*o r*man*e, p*rém, as obras *or*m p*blica*as s***radamen*e. Em Women i* Lov*, o segundo livro, a busca de Ursula por completud* cont*nua, mas agora, sua irmã Gudrun * a personagem princip*l da narrativa. Em 1989, *he Rainb*w foi adaptado par* o c**ema pel* d*retor *en Russ*ll. O film* ap*e*e*ta co*o princi*al d*f*renç*, em relação ao tex*o de partida, o f*co ap**as na **r*eir* *eração *a *amília *rangwen. Assim, a h*st*ria *o f*lme g*ra *m torno da personagem Ursula e se*s en**l*imentos amoros*s, *endo como ** dos temas princi*ais o "acorda* sexual" da perso**gem. Par*im*s *a ide*a de que * fi*m* faz ref*rência tanto ao un*verso l**erário ** auto* quanto ao f*l*e anteri*r, Women in L*ve (1969) - ta*bé* dirigido *or Ken Ru*sell - * n*o *ó ao roma*ce em quest*o. Nes*e trabalho, com base em questõe* levantadas *o l*vro *awr*nce: Fifty *ears o* film, *e Louis K. Greiff (2001), analisaremos * t*adução do rom*nce The Rainbow (1*15) par* *s tel*s em 1989, levand* em c*nta al**mas decisões toma*as p*lo dire**r ao estabel*cer novo fo*o na construçã* d* personagem *rsu*a ** filme. Re*. FSA, Teresina PI, v. 1*, n. 2, art. 8, p. 14*-155, m*r./a*r. 20*8 www4.fsanet.*om.b*/*evi*ta B. R. R. Fernande*, C. A. V. Sil*a 144 * REFER*N**AL TEÓRICO 2.1 The Rainbow e o Romance de Lawr*nce David *ebert La*renc*, autor ing*ê*, fil*o de uma pr*fessor* e d* um mi**iro, * conhecido, p*inci*al**nte, pe*a *ublicaçã* de *eu polêmico romance, Lady Chatterley\s Lover (1**8) *m que, tema* c*ntro*ersos, tais como sex*alidade, clas*e soc*a* gên**o *ão e discutidos. **to* de Sons an* *o*er* (1*13), Women *n Lo*e (*920) * tant*s outros *extos *epresentativos da li*eratura moder*a, o autor * considerado *m dos mais *nfluent*s do séc**o 20. Além de seus *oma*ces polêmi*os, Lawrence é con*ecido també* por su** convicções e filosofias sobre a sociedade e o homem mod**no. Da* Jac*bso* começa seu artigo sobre Lawr*nce a s*ciedade moderna, afirmando e que: "Any *isc*ss*on o* the *ocial an* political thoug** of D.H. ***rence i* bound to be la**el* a discussio* of his hatre* of modern socie*y." (JACOBSON, 1973, *. 133). Nesse s*ntid*, Jacobson refo*ça a ideia *e qu* Lawrence te* a percepçã* de que a socieda*e modern* cor*ompeu o homem, tornan*o-o cada *ez **no* humano * na*ural. A comple*ude *ue o homem busca, na s** visão, agora pode ser *nc*ntrada por meio da aquis*ção de *ens mate*ia*s e não por cont* de *ma ascensão espiritual. Em outra* palav*as, o *o*em mo**rno se *o*no* mecanizado, **zendo com que a razão t*nh* suprimido o instinto. *s*o nos leva à filosofia ** L*w*ence, que c**sider* o homem como re*ul*ado de um *quilíbrio *ntre * razão, a emoção e o instinto. Sendo assim, o excesso de razã* do *omem *odern* o *rejudic*, po*s o torna menos nat*ral. No t**to "A propósito de \* A*ante d* Lady Chatter*ey\" (2010), Law*ence r*força es*a ideia afirmando: "*cim* d* tu*o, seus corpo* s*o os corp*s de cães amestrados. E *omo o cão é treinado faze* co*sas *ue *s cães de ou*rora não f*ziam, *les a dizem que são liv*es, c*eios de vitalidade *ut*ntica, da v*da *e verdade. Mas sabem perfei*ament* que ela é falsa." (LAWRENCE, 2010, p. 481-4*2) Esse princíp*o *e D. *. Lawrence se apli*a, a*nda, à conc*pç*o moderna de am*r, o qu* *l* *hama de "counterfeit love" ou "*mor falseado". Pa*a o autor, o homem e a mulher moder*os *assaram * amar por conveniência ao invés d* convic*ão. E* suas pa**vra*: "E o amor, h*j*, é falso. * um* coi*a estereot*pada. To*o* os *ove*s sabem exatamen*e que o e como dev*m se comportar no amor. E tod*s *e se*tem e se *omp*rtam *xatamen*e assim." (L*W*ENCE, 2010, p. 486). Assim, Lawrence ap*es*n*ou e*sas reflexões e* suas obras, de*xa*d* cl*ro o *uão **ng*ardista o *uto* foi ao escrever sob*e assuntos que até hoje g**am discus*ões, e ao tratar *o de***o e da lib*rd*de sexual de forma n*tural, c*mo, para ele, *ev. F*A, Te*es*na, v. 15, n. *, art. 8, *. 141-155, mar./abr. 201* www4.fsanet.com.br/re*ista Th* Rainb*w e a tradução de D. H. Law*ence Para as Telas 145 deveri* sempre se* tratado. Wood (2007, *. XV), sintetiza *ssa *dei* ao a*irmar que: "L**rence\s genera*ion was willing to risk w*at might lo** lik* failure." *omen in Lov*, po* exempl*, mostra *ois personagens rep*esentativos di*so: Ger*l* *ri*h e R*pert **rki. O primeiro é d*no d* *ma mina pretendente amoroso de Gudru* e e que, segundo Jaco*son, é o perso*agem que "ca*ries the burd*n *mbodying *or us **e dest*u*tive n*hilism of the modern wor*d." (*A****ON, 19*3, p. 138). O segundo, em o*tra per*pe*tiva, seria o person*gem q*e *everbera no romance tudo *ue *awrence *cr**ita. * Birkin que critica as ma*elas *o *undo moderno e que ana*isa o q*e Ger*ld não perce*e. *á n* *onto *he H*rse Dealer\s Daughter, temos a ideia do "a*or fa*so" quando Law*ence d*screve um dos p**so*agens, Joe: "He wo*ld marry and go i*to harness. His life was over, *e wou** be a subject animal now." Como p*d*mos *bserv*r, a ideia do casamento po* conveniê*cia aqui, também sig**fica a perd* da liberdade. Por outro lado, no caso da *rmã Mabel e seu médico Ferg*son, temos uma situação i*versa, como descreve Go*çalve*: "O médico não a*m*t* ** rel*cio*amento e*ocional por já ter estabelecido com a moça um a rel*çã* médico-paciente. A razã* aq*i um elemento que impede o é de**brocha* ** *m*r." (GONÇ*L*ES, 1*97, p. 107). Porta**o, nas situ*ções en*olvend* os *ois personage*s supracitados, temos al*o crit*ca*o por Lawrence: o e*cesso de *a*ão. No c*so de Joe, vemos q*e a razão o levou a se casar por conveni*ncia, * que v*i acar*eta* a sua perda d* liberda*e. N* caso de Ferguson, o ex*esso de razão impediu o pr*váv** surgimento *o am*r. O in*ti*t*, n*sse *o*texto, o indiv*dual, acabou s**do sup*imi** pelo social. *o caso de L*dy Chatterley\s *over (19*8), pode*os observar, mais uma vez, a in*o**reensão q*e Lawr*nce sofr*u por *o*ta de suas ideias à frente do t*mp*. **se romance, assim com* The Rainbow, foi inic*a*mente ba*ido e só, *fetiv*m**te *ublicad* na Ingl*terra em 1960, *pós s** *bsolvi*o em julgamento. Ao f*larem so*re esse fato, Sil*a e Sil*a **irmam o seguinte: "* roman*e *oi banido, dentr* outros *otivos, po* tratar de um relac*onamento entre pessoas de d*ferentes classes sociais p*r relatar e com d*talhes *s encon*ros *ntimos dos doi* (SILV*; S*LVA, 2014, *.305). Além disso, havia a*n*a " o agra*ante *e t*atar da liberdad* sexual da mulher, o q*e por s*, já seria *ot*vo para estranhamento *or parte *a crí*i*a da soci*dade i*gle*a do início do século XX, *m* ve* e que Cons*ance *hatte*ley "não seguia o padrão vi*or*ano de mulhe*, q*e tin*a como p*es*upo*to a criação de uma i*agem de mulher per*eita [...] para que s* tornasse apenas *ma dona de casa *m*ecável" (SILVA; SI*VA, 2014, p.306). *erc*bemos aqui * libe**ade que Lawrence t i nha ao *screver so*re ass**tos c*nsiderados ta*us. O próprio au*or, em A propósito de \O Amante de Lad* Chatterley\, afi*ma: Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, art. 8, p. 141-155, mar./a**. 201* *ww4.fsanet.com.br/revis*a B. *. *. Fern*ndes, C. A. V. Silva 146 E, a despeito de todo o antagonismo, produzi este rom*nc* c*mo u* livro honesto * s*lutar, nec*ssá*io nos dias que corre. As palavras q*e tanto chocam num primeiro mo*ento d*p*i* de algum te*po *aram totalmente de *scandaliza*. *erá porq*e * mente fica *epra**da pelo hábito? Nem de *o*ge. É porque as palavras ch*cam *eramente os olhos, e nunca a *ente. *s pesso*s de men*e vazia podem continuar chocadas, mas elas não contam. As pessoas dotad*s de intelecto desc*brem qu* nã* estão *h**ad*s, e n* verdade nunca ficaram; e experime*tam u*a sensação *e al*vi*. (L*WRENCE, 2010, p. 331). Como podemo* ver, *a*a o *scri**r, o *omem do passa*o tin** uma men*e fraca e *ão *onseg*ia entender o seu própr*o **rpo sem ser domin*do p*las suas pr*prias reações físicas. El* ar*um*nta que o homem e a mulhe* de agora d*vem entend*r e pensar sobre sexo para que es*e per*a seu c*rát*r mecânico de **trora. No *ue d*z respeito ao r*mance The Rainb*w (1915), sua nar*ativa c*nta a his**ria de trê* gerações da família *rang*en. * p*imei*a g*ração mostra como *om Bran**en co*heceu a **trangeira Lydi* Le*sky * as *arti*ula*ida*es de seu r*lac*onamento. Lydi* é um* viúva polones* co* uma filha ainda *riança ch*mada Ana Lens*y. *om e Lydia casa*- se e têm outros dois *ilhos, *as Tom sempre co*siderou Ana sua filh* *em dist*nção **s mais novo*. Essa * a pr*meira *eração da f*míl*a Br*ngwen mostrada no li*r*. One *ay h* [*om Br*ng*en] m*t her [Lydia *ens*y] walk**g alon* the road wit* her li*tle g*r*. [] *he child clung je***usly *o her moth**\s side when *e looked at her, star*ng wit* re*e*tful bl*c* *yes. But th* mother gl*nced at him *gain, almost vacantly. And the *ery va*ancy of he* *ook in*la*ed him. [] He felt the fi*e fla*e run*ing under his *ki*, as if all his veins *ad caught fire on t** surface. [] It was comi*g, he knew, *is fat*. (LAWRENCE, *007, p. 32). A segund* geração trata d* *omance e do rel*cion*m**to d* A*a **m o s*bri*** de Tom, William Br*ngwen. Os dois se apaixon** de forma muito i*tensa, casam-s* e formam u*a famíl*a. So it went o* continually, the recurre*ce of love and **nflict between them. On* day it seemed as if everyt*ing **s shatt*red, all life spoiled, *uined, desolated and lai* waste. The next d*y it *as all m*rvellous again, *u** marvellous. *ne day she [Ana Brangwe*] thought she would go mad from his [Will Brangwen] ve*y *resence, the sou*d of his drink**g *as *etes**ble to her. The next day *he *oved and rejoiced in the wa* he cr*ssed the flo*r, he was *u*, moon and stars in one. (LAWRENCE, *00*, p. 155). O casame*to *o* dois se to*na conturbad* * confl**u*so. Nesses mom*ntos, parece que as person*g*ns p*rcebe* *er sido algo precipitado, mas ac*bam *e acom*dand* com a s**u*ção. Ana percebe a diferença entre ela e * m*rido, mas i*siste *a *ontinua*ã* do casame*to. Como refo*ça a perso*agem: "As th* weeks and months went *y sh* ***lised th*t Rev. FSA, Tere*ina, *. 15, *. 2, art. 8, p. 141-155, mar./abr. *018 ww**.fsanet.com.br/revista The Rai*bow e a tradução de D. H. Lawr**ce Para *s Telas **7 *e *as a dark oppo*ite to he*, that t*e* we*e *pposite*, *ot complements." (*AW*ENCE, 200*, p. 157). Na terceira parte do rom*nce, * foco é *a *il*a mais velha de An* e *ill, Ursula *rangwen. Nest* *omento, *odemos p***eber as parti*u**rid**es d* personalidade d* Ur*ula. Quando c*iança, Will e su* filha mais velha possuíam **or e cum*l*cid*de *m pelo outro. "Her heart follow*d him as if he had some tie with her, *n* some love *hich he cou*d not deliver. H*r heart foll**ed him persiste*tly, in its love." (LA*RE*CE, 20*7, p. 205). No entanto, estes sentim*n*os não continuaram da mesma forma quan*o a ado*escência de Ur*u**, chegou. Isso ac*nt*ce, tan** p*r causa de *eu pai, qu*nto por con*a dos pe**ame*t*s vanguardis*as d* Ur*ula e suas convicçõ** que se chocaram co* as crenças de Wil*, tornando o re*aciona*en*o dos dois in*táve*. Apresentam-se ta*bé*, nessa última parte do livro, o* relaci*namentos amorosos de Ursula, assim como a desc*be*ta *e sua sexualidade: "She became aware of herse*f, that she w*s a sepa**te entity in the midst of an *ns*parated obscu*i*y, tha* sh* must go so*ewhere, *he must becom* s*mething. A** she w*s afraid, tr*ubled" (LAWR*N*E, 2007, *. 263). *as três gerações, * que podemo* perceber é q*e a h*stória gira bastante em torno dos relaci*nam*ntos sexuais e amorosos dos personagens. Woo* (2007), ao in*r*duzir o r*m*nce, afir*a que Lawrenc* considera **e cada pe*s*a pos*ui uma força f*minina e masc*lina em s* que se equilibram. Nas palav*as do autor sobre L*wre*ce, "*hen men and women mar*y, their *ni*n m*st *eplicate the internal balan*i*g t*at alrea*y characterizes each." (W*OD a*ud L*W*ENCE, 2007, p. XV). *ss* se esten*eria à c**cepção t*i*artite do Pa*, do Filho e do Espírito **nto, escrito *or Lawrence. O P*i repr*sen*aria a Lei e o Filho seria a f*r*a opos*a, fa*endo os dois en*rar*m em conflito. *orém, e**e co*f***o ter*a co*o *esul*ado a existência d* Espír*to Santo. Ainda para Wood (apud LAWRENCE, 2007), T*m e Ly*ia *ncontram o equi*íbrio p*rfeito *ntr* os *mpulsos feminino e m*sculi*o. Já as outras duas gerações tiveram dif*culdade em encontrar esse equi*íbri*. * assim se posiciona: [ ] the first Br*ngwen generation belongs to the Law; the second inha*its a transiti*n, in wh*ch t*e pro**se* lan* *s tasted *ut not tru*y possessed; and the third looks uneasily towards a new wor*d which may no*, *nce i* has been occup*ed, appear as paradisal as it once s*emed i* *spiration (*OOD a*ud LAW**NCE, 2*07, p. XXII). Rev. FSA, Ter*sina PI, v. 15, n. 2, *rt. 8, p. 141-155, mar./abr. 2018 www4.f***et.com.br/rev**ta B. R. R. Fernandes, C. A. V. Silva *4* Dessa *orma, pod*mo* perceber a diferença en*re as três gerações. Na primeira ge*ação, o cas*l, por **is que às vezes n*o pareça totalmente conectado, p*rece ter en*ontrado o equilíbr*o para continua* ca**do e feliz. É per*eptível um respeito e*tre os *ois. N* segun*a geração, há a presença d* u* casal com amor arreba*ador e intenso que, ao passar a c*nv*ver todos os *ias, par*ce totalmente desco*ec**do e longe *e u* equilíbri* que tr*ga felicidade aos dois. Wil* é *os*rado c*m u*a aura cada v*z mais obscura Ana * *erc*b* isso. A ques*ão é *ue, mesmo os d*is sentindo que o casa*ent* não está send* bem- su*e*ido, continuam com o re*aci*namento por conveniência e se *como*am *os probl*mas e angúst*as presentes. J* na *erc*ira geraçã*, pe*c*be-se *ue Ursula e Skrebensky se ama*, po*ém, o* cami*h*s que es*olhem são di*erentes. P*r mais qu* n* começo do r**acionamento e*es se amem e se respe*tem, ao long* dos **os Ursula vai sentindo qu*, talvez, c**ar não sej* o *ue *la quer *o *ome*to e recusa o ped*do de Skrebensky. Isso causa nela arrep*ndi*ento e medo de ter feito * **col*a err*da. Wood (2007, p. XI*), a* di*cutir essa questão, diz que The Rainbow é um óti*o *omance sobre o acordar sexu*l feminino. E*e con*inu* "[...] and there is something ve*y simp*e and *eautifu* about *he way Ursu*a, wh**e alw*ys find*n* so*e*hing s*irit*ally *acking in Skrebensky, e**hatic*l*y falls in lov* with sex *nd with her l*ver\s body." (W*OD apud LAWRENCE, 2007, p. XIX) *rsula, e*tão, *ode ser c*nside*ad* a persona*em que melhor re*resenta esse acordar *exua* que vem*s ao longo do rom*nce. Ela se apaixona por Sk*ebensk*, *em um *nvo*vimento amoroso **m sua professora, torna-se noiva *e Skre*e*sky, mas, ao fim, muda de ide**. O romance ter*ina com Ursula voltando para casa, aparente*ente atord**da com a decisã* de **jeitar Skrebens*y. No momento fi*a*, a p*rs**ag*m avi*ta u* arc*-íris, qu* pode **r visto, de*t*e o*tras leituras, *om* a re*resentação d* esperança para ela, o que p*de gerar vár*as pos*ibilidades *n*erpret*tivas no processo *e *ransmutação da pers*n*gem par* as telas. 3 *ESULTADO* E DIS**SSÕ*S 3.* As i*p**cações de Winifre* na Tradução de Urs*la para as tel*s Sabe-s* que, durant* *uito tempo, a mulher não pos * uí a n*nhum* auton*mia, e*a considerada part* d* homem e trata** como sujei*o i*ferior. Sem di*eit*s *gua** aos do* Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 2, art. 8, p. 141-*55, mar./abr. 201* www4.f*a*e*.com.br/revista T*e Ra**bo* e a tradução de D. H. Lawrence Para a* Telas 149 homens, *imitava-se, basi**mente, * ser uma boa e*po*a e dona de casa. *endo *ssim, na *iteratura també* nã* foi diferente. * mulh** era *etratad* como se ob*erva** na s*ciedade: atravé* de papéis domé**icos e subm*ssa a figuras masculinas, tais *omo se*s p*is, ma*idos ou irm*os. N* época em que * romance de D. *. Lawrence foi escr*to, na Ing*aterr*, ou**as obras literár*as **pres*ntavam a mulhe* *as, boa parte d*las, de acordo com o que *ra esp*rado na e*a vitoriana. *o entanto, *rsula Bra*gwen, person*gem d* Th* Rain*ow, não s* enq**dra *e*sa *xpectati*a de *epresentaçã*. Ao contrário, a personagem não se conform* com o *ue seus pais querem para ela e b*sca ***os caminhos, p*r mais que sua família não concorde. É perceptível que Ursula *ostra traço* dife*ente* d* pe*sonalidade co* relação ao*eus fa**liare*. No iní*io de *ua adolescência, ela pode s*r com*arada a s** irmã Gudrun, que não se*tia a *esma neces*id*de de ser livre, como é d*scrito no liv*o: "Sh* [Gudr*n] was happy at home, *r*ula was not." (LAWRENCE, 2*07, p. 2*2). Ursula que*ia viver nova* *xperiências e ter sua inde**ndê*cia. Possuí* pen*amentos * atitudes q*e não condizia* c*m a form* co*o havia sido cr*ada. *m e*e*pl* disso foi a *ontade de *st*dar * ter um *mp*e*o. Por mais que seu pai não aceitasse, Ur*ul* *ent*u * fez Will aceitar *ue ela tra*alhass*. Para começar a discussão sobre a tradução da *ersonagem, é import*nte ressaltar que, *o filme, as d*a* pri*e*ras gerações da **míl*a B*ang*en são apagad*s. O e*pectad** não ent** e* contato com a história da família, uma vez que o foco é d**o unicamen*e à te*ceira g*ração, que é a de *rsula. A na*ra*iva ** começa c*m a perso**gem criança e seus pais casad*s. Seus avós, Tom e Ly*ia, são apenas citado* no f*l*e atravé* de diálogos. O apagamento das d**s *eraçõ*s apr**enta traç*s par*iculares de int***re*ação da *ar*ativa *ílmica, pois al*umas **formaçõ*s são apenas si*ali**das, *u *imp*esmente desconsideradas. A esse r*spe*to *re*ff afir**: "I* *h* text Ursula\s sto*y [] cannot be fully *e***v*d *r under*tood ou*side the context of *rangwen hist*ry *nd evolving Brangwen experienc*." (GREIFF, 2001, p. 121). Urs*la é a personage* q*e r*presenta a co*tinuação da famíl*a no futuro. E*a cons*gue fazer **do o que sua mãe * s*a avó *ão c*nseguiram **z*r; desde seu a*ordar sexu*l, at* s*a i*dependên**a conqu*stas pro*is*ionais. Conse*ue, ainda, *isl*mbr*r e o mund* fora daquele universo qu* seus pais e *eus avós conh*ci*m. Outro *onto importan*e sobr* a cons*ru*ão *a pers*nagem é s** atitude *m relação à r*ligião. Vindo de uma famí*ia *eligios* e que p*rtici*a at*vamente d* igr*ja, Ursula n*o ag* Rev. F*A, *ere*i** PI, *. 15, n. 2, *r*. *, p. 14*-155, mar./ab*. *01* www4.fsanet.com.br/re*i*ta B. R. R. Fe**andes, *. A. V. Sil** 150 como o esperado. E*a não se con*cta com a re*igião, por não ac*ar q** isso traria algo de bom para ela. She h*te* *erself, she want*d to tr*mple on h*rself, destr*y herself. How could one be**m* free? She h*ted religion, *ecause it lent *tself *o her confusion. She a*used ev*r*thi*g. She wanted immediate n*ed, t*e imm*diate sa*isfa*tio*. (LAWR*NCE, 2007, p. 267). Alé* da subversão d* Ursu*a quanto à rel*g*ão, t*m-se ainda sub*er*ão quanto aos se*s rela**o**mentos afetivos, tr*ços que destoam do *ue se *sper* de uma moça de família c*nser*adora. A personagem se e*volveu com Anton *k*ebensky e c*m su* profe*sor* Winifre* Inger. O re*acionamento de Ur*ula com uma mulher é outr* indí*io de sua ruptura *om o tradicional. No c*pítulo inti*u*ado "Sha*e", o pr*prio tít*lo já s*gere que se tr*ta de al*o reprov*vel. Mesmo assim, el* foi e* frent* com esse romance *té o momento em **e decidiu acabar: T*e state of bliss, when Mi*s Ing*r wa* present, was supreme in the girl, but always eager, eager. As she went h*me, Ursu*a dreame* o* the school-mistress, mad* in*inite d*eams of *hings *h* could g**e her, of how sh* might mak* t*e elder w*man adore her (L*WRENCE, 2007, p. 312). Ursul* *as*ou * admirar Miss I**er e isso, junta*ente co* as i*vestid*s da última, as levou a ter u* env*lvim*n*o afe*i*o. M*ss Inger é descr*ta pela personagem mais n**a c*mo alguém "*ivre c*mo u* homem". É mencio*ado, ai*da, o env*lvi*ento *a personage* em *ovimento* fe*inistas. *orém, pos*erior*ent*, Ursula desi*te d*ste e*v*lvimento e traça um plano para f*zer Miss Inger e seu ti* Tom *e casarem. Assi*, há no romance traços homoe*ót*cos, representados ap*nas em um capítulo d* livro, ou seja, o ass*n*o é tratado de *or*a breve. No fil*e, a *uestão é mais *m*li*da. M*s* *ng*r se tor*a uma *ersonagem recorrente na narr*ti*a, tendo at* ma*s destaque que os pr***i** pers*n*gens da* ge*ações *nter*ores dos Bran**en. *om* *ef*rça Greiff: "Ru*sell *as *hosen *o magnify the lesbia* issue bey*nd Lawrence\s o*iginal design, to t*e poi nt i * bec*mes * major preoccupation." (GREIFF, 2001, p. 111). *lém de capítulo do livro ter sido *sten*i*o ao ponto de *brange* grand* part* o da narrat**a do filme, há a presenç* de cenas em que *s casais *rsula e Skrebensky * Winifred e o tio de Ursula, Hen*y, no film*, i*t*ragem. Esse *ela*iona*ento entre o* dois casa*s *ão existe no livro, *ma vez que Skr*bensk* nem mesmo sabia *a exis*ên*i* de *ini**e*. *or meio dessa es*ratégia, o espec*ador vê * quanto a *m**em de Winifred não se apag*u da vida de Ursula, com a p*rsona*em *ais velha sendo um tipo de "mentora" da vida para a menina. Rev. *S*, Teresina, *. 15, n. *, art. *, p. 141-1*5, *ar./*br. 2018 *ww4.fsanet.com.br/revist* The *ainb** e a traduçã* de D. H. *awr*nce *ara as Telas 15* Em certo momento, Sk*e*ensky se incomoda com a amiz*de das perso*agens. No *i**e, em um* cena *dicionada pelo dir*tor, A**on se inc***da com o que c*ama *e "tendência*" de Winifred, como po*e ser visto na seguinte fa*a: Skrebensky: - O rela*i*namento de vocês [Ursula e *inifred] não é sa*dáve*. Por *sso par*iremos. Como res*ltado do prolongamento de**e *e*a*ionamento p*r par** *e Ken *ussell, s*rge na n*rrati*a um t*po de *o*pet*ção *ntre Skrebensky e Winifred, bem com* * sugestão de que Ursula vi** um conflito com relação a sua sexualidade, como mencionado *o* Gre*ff (2014), "[...] Ursula herself is stru*gling with a *hoic* betwe*n l**bianis* and hete*oss*xua*ity." (GREIFF, *00*, p. 124). E não seri* *sse o ponto prin*ipal de Lawrence no livro. Outra d*ferença n* construção da persona*em co* r***ção ao livro é seu en*olvimen*o com ass*ntos femi*is*as. No fil*e, ent*etanto, Miss Ing*r parece abandonar suas *paren*es conv*cç*es; * que a f*z par*cer co*traditória na te*a. Em um mome*t*, temos o seguinte di**ogo entre Ursula e Winifred sobre o am** e so*re Anton Sk*eb**sky: Ursula: - [...] Po* que dev* *render-me Anton e tornar-me *u* * mulher? Po* que não co*tinuar liv*e * amar todos os tipos que quiser? Pedreir*s, diretoras. Winifred: - Ent*o não * ama. Ursu**: - *mo, si*. Tanto ou mais do que qualquer *utro q*e amasse. Mas há coisas que Anton não t*m que eu gosto. Winifre*: - Por exem**o? Ursula: - Um entendim*nto maior, o*je*ividade. Um homem movido por paixão e de*e**oltura. W*nifred: - *u* *onh* mais fantá*tico * esse que a prende? É só outro ho*em? Se é, é m*lh** se *asar c*m Anton. Outra pessoa não dari* certo. Ursu**: - Eu *e casari* por temer a mim *esma. N*ss* diálogo, p*d*mos perce*e* a*guns ponto* importantes. O primeir* * a fo*ma como Ursula, mais uma v*z, é *presentad* *o *spe**a*or: se* int*resse *e*hum em se deixar levar p*las convic*ões *o*iais que e*igem * casamento, p*r exemplo. * segundo pon*o é * atitude de Winifred em rela*ão a isso. ** livro, a própri* W*nifred resiste ao casa*ento com **o Tom, Henry no fi*me, mas vemos, no decorrer da obra cin*matográf*ca e, ma** ainda ne*te diál*go, a p*r**nagem se preocup*ndo c*m es*as q*estões e ten*a*d* convencer Ursula a *azer o **e *eria mais correto em sua opinião. O terceiro ponto qu* pode ser ob*erv*do neste Rev. FSA, *e*esi** PI, *. 1*, n. 2, art. *, p. 141-155, mar./abr. 2018 www4.f*anet.com.br/revista B. R. R. Fernand*s, C. A. V. S*lva 152 di*l**o * pa*e* d* Winifred no desenvolvi**nto *e Ursu*a. A impre*são que se t*m é o de q*e a pre*ença da profes*ora é também uma forma de f*zer com q*e as re*lexões que Ursula *az no livro se*am exp*e*sas em *ala***s na narrativa *ílmica. Assi*, temos os do*s momentos de pensam*nto da pe*sonagem: *eus pensamentos v*nguardistas e as posiçõ*s co*trárias a ess*s pen*amentos. O*tr* po*to *ue merece destaque é o fato d* Winifr*d ser a únic* mulher c*m quem Ursul* conversa du*ante a narrativa fílmi*a. Todas as outra* pers*nagens fem*ninas foram m*nos en*atiz*das ou excl**das. As*im, a profes*ora se to*na * *rincip*l consel*eira e for*adora de opiniã* *ara a menina. Ao entra* *essa discussão, Greiff (2001) afir*a que: "*t diffe*ent poin*s in the *il* *inifr*d serves as fr*e*d, l*ve*, *onfidant, and eventua*ly *urrogat* parent." (G*EIFF, 2001, *. 126). Desse *odo, Winifred parece ser essencial para o d*senvolv**ento de Ursula no f*lm*, como se par*e de seu d*senvol*imen*o pessoal e amor*so t**esse *ido *or *onta **s experiências vivid** e conselhos recebidos *or sua pro*esso**. Aind* para Gr**ff (2*01), o motivo pelo qual Russe** decidiu prolong*r o c*pít*lo "S*ame" está no fato de o diretor querer t*rnar a hist**ia mais cont*mporâ**a. E* su** *alavras: Ru*sel* may have magnified *h* Ursula/Winifred rel**ion*hip, f** examp*e, to giv* l*sbianism equal time in the e**tic *rena, to remove Lawrence\s embarras**ng *ab*l of "Sh*me" an* e*ta**ish it as a *od* of h*man lo*in* neither b*t*er nor *orse *han all the res* (*REIFF, 200*, p. 125). Conco*damos com e*sa posição e a*redita*os que a cena ci*ad* ant*riormente, em que Skreb*nsky critic* * relacionamen** *e Ursula sua profes*ora, e par*ce ser uma form* *e o direto* t*n*a* relaci*n*r a atit*d* do per*onag*m à atitude do próp*io a**or ao l*dar com o tema *a homossexualidade no livro. E * partir desta conversa q*e U*sula decide que não é *uer mais **nter * *elacionamen*o com Skre*ens*y. Essa p*rspectiva de*e te* sido **v*da em con*a pe*o dir*tor, pela perce*ção de que as duas obras foram *rod*zida* em époc*s diferentes, o q*e ressalt* difer*nças socio*ulturais e* *el*ç*o ao c*ntexto de *r*duç*o das *uas obra*. O* seja, c*mo s* trata de momentos hist*ricos to*almente diferente*, a adaptaç*o *recisou se adequ** ao s*u te*po, como ref*rça *attry*se (2014, p. 235). Rev. F*A, Teresina, v. 15, n. 2, art. 8, p. 141-155, m*r./abr. 2018 www4.fsa*et.com.br/revista The Rainbow e a tradução de D. H. Law*ence *ara as T*las 153 4 CONS*DE*AÇÕES FINAIS Vimos *esta b*eve análise que D. H. Lawr**ce de*onstra preocup*ção em seu roma*c*, não só c*m a sociedade mode*na, m*s também com o home* modern* e como indivíduo. Ou seja, o autor acr*dita que o hom** *oderno es*á ca*a vez mais de*xando o aspecto soci*l **r o mais *mport**te, e esqu*cendo seu* inst**tos * vontades. *en** isso em vista, vimos co*o Law*ence não se exime da re*ponsabi*idade d* fal*r sobre temas pouco d**cu*idos e, muitas vezes polêmicos, principalmente para o momento em q*e vi vi a e produ*ia suas obras. Em The Rai*bow (1915), o a*tor escreveu so*re a *is*ória de três *erações de uma mesma família e tratou de assunt*s, tais como sexo, religião e o papel d* *ulher na socie**de d* *po*a. Por me*o da construção d* pe*sona**m U*sula, perte*cente úl**ma ge*açã* à *a *amí*ia, *odemo* pe*c*ber o q*anto a mulher era reprimida pelas *onvenções s*ciais i*postas. Mas, p*demos per*eber, também, que sua postura d* al*ivez diante de*sa r*ali*a*e a **z se cont*ap*r a essas i*posiçõ*s sociai*, que não a impe*iram de v*ver a bus*a *or sua subjet*vidade. Ou seja, U*sula n** deixou o so*ial imp*di-la de seguir seus instin*o*. N* adapta*ão do roma*ce por Ken Russell e* *98*, anali*ou-*e * tradução dessa p*rs*nagem * *s imp*ic*ções do *edimension*men** da personagem Win*fred Inger qu*, dife*ent* *o romance, no *ilme, ass*m* es*atuto de *ma *a* person*gens mai* import*nte* da narr*tiva. Assim, a análise mostrou que o *ire*or fez a esc*lha d* ap*g*r ou dim*n*ir *lgun* perso*agens e ampliar outros. No filme, a primeira geração de The Rai*b*w foi a*agada e a *egunda foi d*minuída, *o passo que a personagem Winif**d ganho* papel i*portante n* **r*ativa, s*ndo não só am*nte de *rsula, como no l*vro, como t*mbém desempenhando o*tros papé*s, *ais como mentora e consel*eira. Vimos *ntão *ue, para Russell, Winifred *eixa *e se* um* personagem periférica para se tornar uma *as princ**ai*. Desse modo, Winif*ed tem *ais import*ncia n* f*rmação pessoal de U*sula *o que sua *rópr*a fa*ília com quem p**co t*m c*nta*o. prof*ssor* é a *ers*nage* A que é mais vista em co**ato com Ursula, além de *krebe*sky. N*ssa perspe**iva, o env*lvi*e**o amo*oso com su* p*o**ssora *omou **and*s pr*porções na narra*iva fílmi*a, torna*d* Winifr*d um* persona*e* importante * *ecorrent*. P*de*os d*zer, então, que o foco da narrat*v* fí*mi*a se de* nos rela*ion*mentos afetivos *e Ursula *om difer*ntes perspec*ivas. *o c*so de Skrebensky, * tratamento é o mes** dad* no livro. No entanto, no caso d* Wi**fred, * personagem é ampliada po* con** da ênfase de seu en*olvimento com Ur*ula, revelando *ndício de u*a deci*ão do d**etor de Re*. FSA, Teresina PI, *. 15, n. *, art. 8, p. 141-*55, m**./abr. **18 www4.fsanet.com.*r/revis*a B. R. *. Fernand*s, C. A. V. S*l*a 154 to**** o filme mais co*temporâ*eo qu* o *omance. **r meio *essas es*olhas, o diretor amplia para o espectador a *emátic* sob*e s**u*lidade do livro que *o*eçava a ganhar importância no final dos anos 80. REFERÊNCIAS CATTRYSSE, *. Desc*i*t*ve Adap**t*on Studi*s: E*is*e*o*ogical and *ethodological Issues. Maklu, 2014. GONÇALVES, L. B. D. H. "*awrenc*, u* classicista". Revista de *etras, v.19, n. 1/2, *an./d**., 1*97. GREIFF, L. *. D. H. L*wrence: fifty **ars o* f*lm. Southern Illi**i* U*iver*ity Press, 2001. JAC*BSON, D. *. H. Lawrence an* the *odern so*iety. In: *AMALIAN, L. (e*.). D. H. Lawr*nce: a col*ection of criticism. Contempo*ary S*udies in Lite*a**re (col.). *cGraw-Hill, 1973. L*WRENCE, D. H. The *ainbow. London: Penguin Cl*ssi*s, 2007. LAWRENCE, D.*. A pr*pó*ito de "O a*ante de lady Cha*terley". In: *AW*ENC*, D.H. O amant* de *ad* Chatterley. Tradução: S*rgi* Flak*man. São *a*lo: Penguin Classics Compa*hia das L*tr*s, 201*. S*LVA, C. A. V; SILVA, C. A. "* amante de *ady Chatterle* e a tr*dução da personagem *rincipal para *s telas." Revi*ta FSA, T*resina, v. 11, n. 1, art. *6, p. 303-3*6, jan./*ar., 2014. T*E R*INBO*. Produção de K** *ussel, Reino *nido. V*stron P*ctures, 1VH* (104min., ntsc, son., colo*., Lege*dado, **rt). 1989. WO*DS, J. I*troduction. In: LAWRENCE, *.H. Th* Rainbow. L*n*on: Pen*uin *l*ss*cs, 200*. Como Referencia* e*te Artigo, conform* ABNT: F*RNANDES, B. R. R; SILVA, C. A. V. Th* Rai*bow e a tra*ução d* D. H. Lawr*nce Para as *elas. Rev. F*A, Teresin*, v. 15, n. 2, art. 8, p. 1*1-155, mar./abr. 2018. Rev. FSA, Ter*sina, v. 15, *. 2, a*t. 8, p. 141-155, ma*./abr. 2018 www4.f*anet.com.br/revista The Rainbow e a tradução de D. H. *awrence Para as Telas 155 C*ntribuição dos Autores B. *. R. Fernandes C. A. V. Silva 1) co*cepção e plane*a*ento. X X 2) aná*i** e interpretação dos d*dos. X X 3) e*aboração do rasc*n*o ou ** revisão *rít*ca do con*eúdo. X X 4) participa*ão na aprovaç*o d* ver**o fi*a* d* m***scrito. X X Rev. **A, Tere*i*a PI, v. 15, n. 2, art. 8, *. 141-155, *ar./ab*. 2018 www4.f*a*et.**m.*r/revista

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