www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 1, *. 03-29, jan./fev. 2017 ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983 ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2017.14.1.1 Teoria das Representações Soc*ais no C*mpo da Economia Solidária: Um Olh*r *obre a Col*ta *e Mate**ais Recicláve** Social Repr*sentations *heor* i* the Field *f Solidarity **onom*: A Look at t*e Re*yclab*e *ateria*\s Collection Denis R*na*o de Oliveira Do***r em Admin*stração pela Un*versidad* de São Paulo *rofessor da Univ*rs*dade Federal de *avras E-ma*l: d*nisrena**deoliv*ir*@gmail.com Fi*i** Toscano *e Brito Simões Co*r*a Doutor e* Administra*ão pela Universid*de d* São Paulo Ana*ist* da *mbra*a Gado de C*rt* E-*ail: ftbsc@*mai*.com Diego Césa* Terra de Andrade Doutorado em A*ministração da *n*v*r*id*de No*e de **lho Professor do *n*titu*o Federal d* Educaçã*, *i*ncia e Tecnologia do Sul *e Mina* G*rais E-mai*: *o*tat*@diegote*ra.com.br Jo** Luiz Pas*ador Do*tor em Adm*nist*ação de Em*resas pe*a Fund*ção Getúl** Vargas Pr*fessor da Facu*dad* d* Economia Administr*ç*o e Cont*bilida** de Rib*irão Preto E-mail: jlpa*sador@**p.br Endereço: Denis Renat* de Olive*ra Endereço: Universidad* Feder*l *e Lavras, D*partamen*o de *d*ini*tração e Econ*mia DAE / UFLA, Caixa Pos*al 3037, CE* 372*0-*00, Lav*as MG. Endereço: Filip* Toscano de *ri** Simões *orrea *ndere*o: *v. Rád*o Maia nº 830, Zona R*ral, *EP Editor Cient*fico: Tonny Kerle* d* *le*car Rodri*ues Artigo r*ceb*do em 10/10/20*6. Última ve*são recebida em 07/11/2016. Apr*va*o e* 08/11/2016.
79106-550, Campo Gra*de, MS. E*der*ço: Diego César Terra de And*ade Endere*o: Av*nida Mari* da Conceição Santos nº 900, Bai*ro Parque **al, CEP: 37550-000 - Pouso Alegre/M*. E**er*ço: João L**z Pa*sa*o* *ndereço: F*culda*e de Econ*mia, Adminis*r*ção e Co*tabilidade. Avenida Band*i*a*tes, 3900 Mon*e Alegre, 14040-9*5 - **b*i**o Preto, SP - Bra*il. Avaliado pelo s*st*ma Tr*ple Revi*w: Desk Rev*ew a) pel* Editor-Chefe; e b) Double Blind Review (av**iação cega por d*is avaliadores da área). Re*i*ão: Grama*ical, Norm*t*v* e de Formatação
D. R. Oliveira, F. T. *. S. Correa, *. C. *. Andrade, J. L. Passador * RESUMO * p*esente pesquisa investi*a o f*nômeno da r*pr*sentação s*cial em dua* organi*a*õe* *a ca*e*a **odutiv* da r*c**lag*m, bu*c*ndo o*serv*r e entende* a **são que *s indi*íduos t** d* si como tra*alhadores e do seu trabal*o, possibilitando não somente ente*dimento o do comportamento *umano e da gestão nestas organiza*ões, co*o também desenvolvim*nto o da Te*ria *as Rep*e*enta*ões Sociais (TRS) no camp* *a Ad*inistraçã*. A pesquisa, de *aráter qualitativo, comparou o conteú** das entrevistas d*s trabalhadores e de *eus co*rdenadores e evid*nciou não ser possível encont*ar nas r*pre*entações sociais a mes*a compl*xidade e va*iedade das *gend*s atr*buída* a estas organizações d* economia solidári*, po*s a compreens*o do papel social des*a atividade *e depara com o c*mportamento t*ndencioso e confli**nte da realid*de, que interp*eta e valoriza o mote e*o*ômico-*i*anceiro, especialmen*e a necess*dade de geração de *rab*l** e renda. Palavra*-chave*: Teoria da* Repres*ntações Sociais. Econo*ia *o*idá*ia. Materi*is Recicláveis. A*ST*ACT T*is research *nq*ires *he socia* re*resentation ph**omenon i* *wo organizati*n* in recycli*g su*pl* *hain, trying to ob*e*ve and understand the vis*on that indi*iduals have o* themsel*es as worke*s a*d th*ir wor*, enabling not *nly th* understanding of h*man b*ha*ior *nd manageme*t in the*e org*n*zations but *l*o a*o*t t he *os s i bi l i * y of devel*pment o* Social Re*resentations Theory (S*T) in the fie*d of Admi*istration. The researc*, *f qualitati*e charac*er, compared the worker interviews c*ntents and *heir c**rd*nators and sho*ed not b* **ssibl* find in t*e social represen*atio*s *he same *o*pl*xit* and v*r*ety of agendas assigned to these *rganizations ** Solidarity Econ*my, because t*e un*ersta**i*g of t he soc*al role of *his social acti*it* are faced with the biased a*d co*flicte* behavior of *eality, tha* *nterpr*ts and en*ances *he economic and financial mott*, espec**lly the need *o gene*a** *m*l*ymen* a*d inco*e. Keywords: S*cia* Re**esentatio*s Theory. Solidarity Economy. re*yc*ab*e materials. Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 1, art. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017 www4.fs*n*t.c*m.br/*evista Teo*ia *as R*p**sentações Soc*a*s no Campo da Economi* Solidária 5 1 INTROD*ÇÃ* O *resent* tra*alho inve**ig* o *enômeno da *e*resentação socia* em d*** **ganiza*ões da Economia Solidá*ia (EcoSol) - Associação dos Catadores de **teriais Re**c*áveis d* Lavras-M* (AC*MAR) * A**ntes E*o*ógicos ** Dourados-M* (AGECOLD) - buscando ent*ndera visã* *ue *s *ndi*íduos têm de si com* trabalha*ores * do seu traba**o. Organizaç*es cooperat*vas e assoc*ati*is*a* sã* espaços privil**i*dos para a inve*t**ação da* repr*sen*ações s*ciai* *e *rabalhado**s, em es**cial aquelas que bus*am seu d*se*volvimen*o a partir da ins*rção no que *e denomina e*o*om*a so*idária. T*is or*anizações se **n**guram p*la convergência d*s expe*tat*vas de grup*s dive*s*fi**dos, c*jos motes podem relac*ona*-se à proteção a*b*ent*l, des**volviment* de cid**ania, **clusão s*c*al * g*ração de trabalho e r*nda. Embora a cole** e *esti*aç*o do* re*íduos sólid*s u*ba*os (RSU´*) sej* ** respons*bilidade d*s pr*feituras municipais, diversos indivíduos - ger*lmen*e moradores de rua e/ou desemp*egados - coletam mater*ais recicláveis, mesm* que em co*dições precárias *u s**-humana*, c*mo uma *lterna*iva de ge*aç*o *e *enda *ara si. Po* con*a *isto, * comum se encontr*r prefeituras *unic**ais q** f*men**m o dese*v*lvimen*o de organizaçõe* co*eti*as *ntre *st* grupo de pessoas. Pensando pelo l*do e**n*mico, tais organ*z*ções atua* *e forma a central*zar a comerc*alização dos ma**riais p*ra *u*atei*os ou ag*ut*n*dores, u*a espécie de atrav*ssador. **bora se**m exc*ções, algum*s *rganiza*ões são mai* diversif*ca*as e conse*uem gera* mais *i*u*za ao rea*izar ativi*ades *om maior valor agregado. Uma ve* estabeleci*as, *sta* org*nizações *oleti*as fu*cionam também como espaço, fim e/ou m*i* para promoçã* de diversas polí*icas p**lica*, preenchendo di*ers*s agen**s - ambiental, de ass*stê*cia soc**l, econômica * político i*eológica - na me*i*a em que a org*niz*ç** serve, re*pectivamente, par* retirar do *eio-a*bi*nte *aterial polu*nte, **mo e*paço para campa*has e pr*jeto* socia*s, * *im de gerar trabalho e renda e para emancipa* indivídu*s por mei* de de*erminada* p*áti*as de prod*ção e ge*tã*. Tend* *m vi*ta os divers*s int*re**es dos *r*balhador*s (a*sociados) e a influência do seu contexto socia*, *o*ítico e ec*n*mico, *uestiona-se: seus de*oimentos são *epro*u*ões ** f*ram construçõe* *tr*buídos a n**o* si*n*ficados? *s in*i*ídu*s inc*rporam o *iscur*o de alguma agenda? Ou e*es trabalham d*is deles *u todos os trê*, internal*zando-os *e forma **mplexa e articu*ada? * resposta p*ra estas questõe* possibilit*m não s**ente o Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017 w**4.fsa*et.c*m.br/*evista D. R. Oliveira, F. T. D. S. Corr*a, D. C. T. A*drade, J. L. Passador 6 entendimento do *omp*rt*men*o hu*ano e da g*stão nestas orga**zaçõ**, *omo tam*ém o desenvol**me*to da Teoria *as Represen*ações Sociais n* campo da Admini*tração. Os e*tudo* sobre represe*tações so*iai* têm seu maio* marco teór*co na obra "La psy*hanalys*: Son*mage et sonpublic", de *961 de a*to**a d* Serge M*sc*vici. Já, no Bra*il, o* estudos sobre repr**entações sociais te* se* cerne no artigo de Spink (*993). De*de então,*en*enas de pesqui*as *eóricas e empíricas relevantes *oram d*sen*o*vida* *a área *e *aú*e pública, ps**ologia social e educa*ão. *ntretanto, a represen*a*ão social,tanto na áre* *r*a*izaciona*, *uanto *as pesquisas e* Ad*inistra*ão, é um camp* de es*udos recente e pouco explorado, como apontam os levanta*en*os bi*liogr*f*cos real*za*os para esta pesqu*sai. 2 RE**RENCIAL TEÓRICO *.1 *rgani*ações de tria*em de mater*al rec*clável: c*ntexto social, pol*tic* e *co*ômico Segun*o *ados do C*mpromisso Empresari*l para a Reciclagem (CEMP*E, 2*11), m*is *e 443 munic*pios bras*leir*s realizam a coleta se*eti*a dos Resíduos Sóli*os *rbanos (RS*´s). E*te número corresponde a 8% d* total * mesmo que na maioria destas cidade* menos de 10% da p*p*la*ão municipal sej* at*ndida, res*al*a-se que as orga*izaç**s **letivas de catadores já par*icipam da colet* municipal em 74% destes 443 muni*íp*os. Mais d* metade dos municípios (62%) apóia o* mantém *oop*rativa* *e ca*adores c*m* agente* ex*cut*res da cole*a selet*v* mu*ici*al. Dentre os apoi*s mais comuns re*ebidos por estas organiza*õ*s es*ão a ces*ão o* doaç*o de equi*amentos, *a*pão de triagem, pagamento de gast*s c*m *gua * energia elétri*a, caminhões, c*pa*i*aç*es e *uxí**o n* divulgaç*o e e*ucação ambiental (C*MPRE, 2011). Diversos são o* *atores qu* influenciam o *rab***ador nas *rg*nizações coletiva* que tra*alham com t*iag*m de *SU´*. Segund* Carm*, Oliveira e Arruda (*006), a associação do s*gnific*do de l*xo à sujeira afeta neg*tivamente a identidade dest*s indivíd*os ao moldar o reco*hecimento so*ial * a id*nti*ade profis**onal, configur*ndo-se como um verdadeir* "obstáculo * *rga*ização d*s catadore*" (CA*MO, 2009, *. 591).A as*ociação dos RSU´s à su*eira já foi maio*, mas ai*d* "*er*ane*e um d**afio não totalme*te s**erado" (CARMO, 2009, p.591). Por outro lado, s*mântica positiva d* termo lixo a - *om signifi*ado de recicl*g*m - embora t*aga u* *ument* d* parce*a de pessoas e empresas i*t*r****das e* separar os materia*s, dimin*i a *roporção daqueles *ue pr*f*rem doar a vender este mat*ri*l. Rev. FSA, *er**ina, *. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2*17 ww*4.*sanet.com.br/revista T*oria d*s Rep*esentações *o*ia** no Ca*po d* Economia Solidária 7 Isso "não ajuda mu*to a m*lhorar condi*ões so*iais e econômi**s d*stes trabalha*ores, poi s aumen*am a competição no mercado" (C*RMO, 2**9, 591). Os esforços do poder púb*i*o em *poiar * trabalho dos catadores, *egundo Ca*mo (2009), teriam se or**inado dura*te a Conferência das Nações Unidas pa*a o Meio Ambiente e o Desenv*lvimento, a Eco-92, ocorri*a no Rio de Janeiro-RJ. Co*tudo, o* catadores br*s*l***os t*rna*am-se obj*to de pesquisas científicas e políticas pública* "pe*o viés social de geraçã* de *enda a partir dos resíduos e n**, necess****m*nte, pe*o* asp*ctos ambient**s que as pe*meiam" (C*RMO, 200*, p. 5*2). Apesar do cre*cimento dos movimentos *mbien*ai* pelo mundo a part*r dos ano* 1*70, no B*asil, as razões p*ra o apoio às organizações de classif*caçã* de RS*´s reci*láv*is, aparente*ente, são *ut*as. Estas razões seri*m derivadas do perfil his*óri** do trabalha*or q*e vi v* do *i*o *, tal*e*, também, por co*ta das \formas\ **e esta* org**izações mui*as vezes t*mam, e por se trat*r de uma *tivid*de intensiva em uso de mão-de-*b**. Estes trê* fator*s a torna* espe*i*lmente interessantes para p*lí***as públicas, sejam es*as efetivas ou demag*g*cas. O boo* da reci*lagem *o **as*l parece *er ocor*ido quando a c*leta ** *atas de *lumínio de bebidas *ornou-se *omum entre mora*ores d*s **as das grandes ci*ades b*a*ileiras e nas ci*ades qu* são invad*das por turistas d*rante o verão. Como o Brasil a*ingiu altos índices de reci*lagem de alumín*o no iní*io da dé*ada *e 2000 -cerca de *0% das *a*as de alu*ínio produzidas no pa*s *assara* a ser *ec*cladas - estima-se, *qui, que, entre este p*ríodo * os anos r*ce*tes, quando o aquecimen*o global *omou *o*ta de not*ciári*s, pa*sou- se a olhar e tratar a* o*ga*izações c*leti*as de t*iagem de RSU´s reciclávei*, ob*etivando ex*l*cita*ente fi*s a*bie*tais. Porém, maioria *os estudos que fiz*ram este diagn*stico a não apres*ntaram dados i*u*trativos total*ente confiá*eis. *o transcor*er de**es anos, concomitantemen*e à expansã* da rec**lage* no Brasil, um te*mo que se class*fica como uma forma alternativa d* produção, gestã* e coordenação de relações econômicas produt**as f** cunhado e expandiu-se p*lo **asil. *rata-se da Economia Solidária (EcoSol), que, segundo Moura (2002), abrange *an*o *ma n*va política so*i*l, quanto u* nov* paradigma econômico, sendo que é p*ssível encontrar suporte par* os doi * s*n*idos do ter*o n* literatura. Tal sit*ação, invari**elmente, *o*tribui par* a dif**uldade daquele que e*t* conhecendo este fenômen*. Com* nova política social, Mour* (2002) *nxerga *a EcoSo* uma proposta mais social, que prioriza a inclusão, os pequenos empreen*imentos e os setore* à marge* do* grand*s **te*ess*s econômicos. Dessa forma, surge a i*ters*ção com a ec*nom*a p*p*lar e a conjunção dos termos n*utr* d*no*inaç** ta*bém bastante *ivul**da, "Econ*mia Popu*ar * Solid*ria". Rev. FSA, Teresina PI, *. 1*, *. 1, art. 1, p. 03-29, jan./f*v. 20*7 www4.fsan*t.com.br/revista D. R. Olivei*a, F. *. D. S. *orrea, D. C. T. Andrade, J. L. Pa*sador 8 Em *utro senti*o, o termo EcoSolabrange prátic*s eco*ômica* e fo*mas organiza**onais al*ern*tivas. Apesar d* os contornos nã* serem claros, *ode-se i*cluir ne**e segundo *entido, as organizaç*es au*og*s*ioná*ia*, algumas organiza*ões col**ivas (*oopera**vas e associaçõ*s), d*ter*in*dos A*L´s, r*des *olidária* de t*ocas e, mais rec*nte*ente, comércio *us*o. A leitura é que * possível *e formar uma c*d*ia produtiva s*lidária desde a pro*ução, p*ssando pela dis*ribuição, até atingi* * consum* (RAZE**, 1998 apud M*URA, 2*02; G*MES et *l. s.d.). O fenôm*no a*ali*ado neste estudo pod* e*qua*rar-** em am*os *s se*tidos ou ap*nas *o prim**ro con*eito de EcoS*l post* por M*u** (2002). Na medida em *** resp*nde a polí**cas econôm*cas passadas exclu*entes, *ba*c* um seto* c** pouco val*r agregad* e moviment*ção financeira e oportuniza *rabal*o e renda a **svali*os, *esempregados e/ou t*abal*ador*s precários. A* or*anizações em anál*se neste estudo ce**amente classifica*-se como u*a form* de políti*a social. Tendo e* vista o exposto **é o momento, not*-se qu* a* *rga*i*a**es i*ves***adas neste estud* são organizações ambie**ais da EcoSol. A s*guir, expõem-s* as razões *elas qu*is estas org*nizações também são cons*deradas como **ganizações político-i*eológicas dotadas de cap*cid**e de tra*sformação, via emanc*pação, de seus trabalhad*res e da socieda*e. Ao *nalisa*em as políticas *ú**icas relaci*nadas à EcoSol que com*õe o programa "Economia Solidária em Desenvolvim*n*o" (ESD), da Secreta*ia Nacional d* *c*no*ia So**dária (SENAES), vincula*a a* Ministério do Trabalho e E*preg* (MTE) do Gover*o Feder*l, *albino, Barreto e Diniz (2011) de*cr*veram que coe*is*e* duas dife*entes visões **ntro d**t* mesmo Progra*a. A EcoSol é posta tanto co*o *ma a*terna**va para geração de trabalho e re*da, q*anto c*mo um* propo**a *mancipatória do sistema atual de prod*ç*o. Dentre e*tas, a p*i*eira per*p*ctiva é id*ntificada c*mo prepon*erante. Já * possibilidade de ema*cip**** do traba*hador é posta *m ch*qu*, por ser proposta via p*lític* *ública estatal: "assim posto, a *conomia Solidária está v**tada pa*a os pró**i*s *nteresses do *stado e d* capit*l * nã* p*ra os obj**ivos que a funda*en*am" (CALBI*O; BARRETO; DINIZ, 2011, p. 141). Tra*a-se *e um an*a*on*smo a proposta de *m*ncipar ind*víduos traba**adores *ia inter***ção estatal, p*i*, *onf**me p*oposto nas polít*ca* do ESD anali*adas, estas se c*racterizam mais como polí**ca "de" Ec*n*mia *ol*dária do que "para" Economia So*idária (CALBINO; BARRETO; DINIZ, 20*1, *. 141). Dessa *orma, como u*a política pod* intervir na **oSol e suas orga*izações e propor-*e c*ntra *istema o atual de produção, sen*o *ue fomenta principalmente trabalho e *enda R*v. FSA, Teresina, *. 1*, *. 1, art. 1, p. 03-29, ja*./fe*. 2017 w**4.*sanet.com.*r/revist* Teoria das *eprese**açõ*s *ociais no Cam*o da *co*omia Solidária 9 li**tada ao escopo do M*E, passando dista*te do que pare*e minim*me*te necessár*o par* promover a emanc*pa*ão de indivíduos? Verifica-se *ue, os au*ores não esgotaram os questionamentos possí*ei* a r*speito da vinculação da EcoSol à emancipaç*o política *os trab**hadores. Pode-se ir mais lon*e c*m tais indagaç*e*, se ho*ve* a inclusã* na disc*ssão das cara*t*rísticas **trut*rais desta *ecretaria. *a*s espe*ifi*amente, pode-se le*antar elem*ntos tais co*o: (a) a *inculação histórica com o pensamento de *squ*rda do partido político no governo do País, de*de antes d* s*rgiment* d* SENAES a*é os dias de ho*e; (b) à formaç** dos quad*o* dire*ivos desta Se*retaria e o co*teúdo do* discursos proferidos pelo* seus altos gestor*s; (c) o* ma*eriais de cursos min*strado* no *mb*to *e seus projetos disponíveis *m; * (d) a *rodução *cadêmica do principal *est*r (e p*n*ador) da SENAE*, Pa*l Singer. * título ** um dos tr*b*lhos de Paul *inger parece ser embl**ático neste *entido. Ele pro*eriu u*a co*ferência, ainda em 1998, int*t*lada "A*tog*stão e sociali*mo: o*to hipóteses *obre a **pla*t***o do s*cia*i*mo vi* autogestão" que fo* publi*ada em Oliveira (2001). Neste texto, logo após ap*esen*ar *xemplos de form*s de org*nizaçã* e co*pe*ativas como aquelas *e trab*lhadores, de produção e agrícolas incen*ivadas pelo MST, e empresas que p*ssar** a ser autogestionárias, escrev*m "não há dúvida que este tipo de economia solidária t*m amplas persp*ctiva* de d*senv**vi*ent*" (*LIVEIRA, *001, p.232). N*utro trecho afirma que o "conjunto da economia solidária a*sim constitu**a dev* ser considera*a uma vasta escola de capacitação *ocial**ta" (OLIVEIR*, 2001, *. 235); em **guid* expõe de forma clar* a relação que *az entre economia solidária e ***ologia polí**ca "O desenvolvimento duma *c*nomia *olidári* vi*orosa, extensa e multifo*me é um pré-requisito para que a rev*lução soc*al so**alista possa te* sucesso" (OLIVEIRA, 2 001, p. 236), pois "*ão acredit* no socialismo que c*meça com uma con*ui**a de poder por m*didas de força políti*a, tent*ndo i*por ao* trabalhadores e aos cid*d*os uma nova forma de se *elacionar" (p.236). Assim forma, es*a v*rada precis* aconte*er, via acúmulo de exp*ri**cias prod*ti*as, mesmo ai*da ins*ridas na sociedade capita*i*ta. *or con*a d* atuação da S*NAES baseada nest** con*e*tos é que pa*te d* confusão co* a terminologia e os se*tid*s da EcoSol no *rasil *o*em ser atribuídos à SE*AES * a Paul Singer. Rev. FSA, Teresina *I, v. 14, *. 1, a*t. 1, p. 03-29, *an./fev. 2017 w*w4.fsanet.com.b*/re*ist* D. R. Oliveir*, F. T. *. S. *orre*, D. C. T. Andrade, J. L. Passador 10 2.2 * Te*ria *as Re*r*sentaç*es Sociais A *eoria das *epresen*a*ões sociai* *oi originada n* Europa no final dos *nos 50, e tem *omo **rco teórico a obra "La psyc*analyse: **nimage et *o*pu*lic", esc*i*a po* Serge Moscovic*, publicada em 1961. Esta obra tornou-se r*fer*ncia pela integração d** *enô*enos *e percepção ind*v*du*is e coletivos diferindo, assim, das formas psi*o*ógicas sociais que são atua*mente predo*inan*es n*s Estados Unidos (FARR, 200*). No Bra*il, o e*tudo das *epres*ntações so*iai* *em oc*rrido h* m*no* d* 20 ano*, tend* como *arco o artigo "O Conceit* *e Repr*s*ntação Socia* na Abord*gem Psicoss*cial" (SPINK, *993). Como Farr (2000) explica, * teoria *as r*present*ções s*ci*is possui *uas correntes t*óricas representada* por F. *. Allpor* e por Serge Mosc*vici. Allport recebeu inf*uência **rte-a*eri*ana e, devido a sua **colha por Comte, adota uma filos*fia po*i*ivista da ciência e se ut**iza do modelo *ndividual para explicar os fenômenos no âm*ito coleti**. Já os estudos r*al**ados por Moscovi*i originaram-s* n* Eu*op* * tê* suas *ase* na P*icolog*a Soc**l. Resgata *m *ur*heim o conceit* de *epr*sentação col*tiva e, com isso, posiciona-*e de forma op*sta a A*lport, perfa*e*do uma r*lação entre o pass*d* e o presente (FARR, 200*). P*ra Mosc*vici (1995), *s represe*taçõ** soc*ai* têm *m **ráter interdisci*linar, cuja origem *stá vinculad* à psico*ogia, socio**gia e antropologia, sendo q*e a te*ria d*s repr*sent*ções sociais condu* u* modo de olhar * *sicologia *oc*al que exige a *anu*e*ção ** um laç* estreito entre as ciências psic*lógicas e as c*ência* s*c*ais. A origem das *epr**en*ações sociais remonta à Sociolo*ia, na medida em qu* Durkheim é, prov**elmen*e, o primeiro * de*tacar que o soc*al se *obrepõ* ao individual. Pa*a e*te autor, as rep*esen**çõe* coletiv*s sobrepu*am as **pre*entações de cun*o individual. O **r humano, co*o ser dual em sua natureza, "na me*ida em *ue *arti*ipa da soci*dad*, (...) ultrapassa * si mesmo, tan*o quando pensa com* quando a*e" (DURK*EI*, *978, p.217). Por outr* la**, a ant*opologia - que s* *onsagrou com* uma ciência interpre*ativa *e uma dad* realidade c*ltural, po* meio do mé*odo etnográ*ico - c*am*u par* si a inc*mbê**ia d* d*sc*brir o que *xis*e nas vivênci*s cotidianas dos indivíduos. Mais recent*ment*, a psicologia social transfor*ou o ***ceito em teor*a e passou a julgar-se como mais habilitada a dar conta desse c*mpo temátic* (CAVE*ON; PI*E*,20*4). As ideias de D*rkheim sob*e repr**entaç*es soc*ais, a*esar de antigas, ainda são c*mpar*ilhadas **r uma série de estudio*os (MI*AYO, 2000). Se*un*o Minayo (2000, p. 90), para *urkheim as re*res*ntaç*es coletivas são f*t*s sociais e tais quais *s ins*ituições e e*truturas são **ssíveis de ser estudadas. D* *m la*o, as repres*nta*ões "cons*rvam sempr* a Rev. FSA, Teres*n*, v. 14, n. 1, a*t. 1, *. 03-29, jan./fev. 20*7 ww*4.f*a*et.*om.br/revis*a Teoria d*s R*pre*entaç*es *o*iais no Campo da Economia Solidária 1* ma**a da *e*lidade social on*e nascem, m*s també* possuem vida independente, reproduzem-se e m*sturam-se, tendo com* causas outras rep*esentaçõe* e *ão a*e*as a estrutura s**ial" (*IN*YO, 2*00, p. 90). Durkhe*m af*rma que "** repres**t*ções coletivas traduzem a maneira como o grupo se pen** nas suas re*açõe* com os o*jetos que o afe*am" (1978, p. 7* ap*d MI**YO, 2000, p. *0). Seguin** a concepção Moscoviciana, Re*resentação Socia* pode ser definida co*o um *o*junto de *enômenos perceptivos: opiniõ**, c*enças, *titu**, que podem *er es*elhadas por mei* ** gr*po ao qu*l o *ndivi*uo pertence, de*endo **r estuda*as a partir das *str**ura* e *omp*rtamento sociais. A representaçã* é co*o u*a i*agem me**a* *a *ealidade, ou como *xpressa Minayo (2*0*), **o *m*gens co*struíd*s sobre o real. As rep*esentações s*ci*is surgem na re-construção da rel*ção do sujeito com o m*ndo, ou, falando d* o*tr* forma, na re-co*strução da realid*de. Segundo d*staca *ovchelov**ch (2000, p. 78), "o su*e*to nã* est* subtraído ** r*alidade soc*al, nem mera*ent* c*nd*nado a rep**duzi-la. *ua taref* é e*aborar a perm*nente te*são *ntr* um mundo *ue já se encontra constit*ído e seus p*óprios esfor*os *ara ser *m sujeito". Nest* proce*so, as r*la*õe* entre *undos de **rspecti*as diferent*s são mediadas pela comu*ic*ção; as re*ações *ntre n*ces*idades hu*ana* e a naturez* são *edia*a* pel* t**ba*ho e a* r**açõ*s entre a a**er*dade de um mundo freq*e*temente **steri*so e o m**do da intersubjetiv*dade human* são mediad*s pelos ritos, mi*os e **mbolos humanos (JOVCHELOVITCH, 2000, *. 81). **tas mediações s*ciais, *m suas ma*s variadas f*rmas, geram as representa**e* sociais. N*sse sentido, a* representaçõ*s são "[...] u*a estratégia desenv*lvida p*r *tor*s sociais para enfrenta* a di*ersi*ade e a mo*ilid*de d* um mo*o que, embora pert*nça a todos, tra*scen*e cada um indi*i*ual*ente [...]"(JOVCHEL*VI*CH, 2000, p. 81). Tal c*ncepç** é **mpartilhada por Sá (*995), para quem um no*o tip* de se*so comum surge na moder*idad*. Caracterizada por nov*s saberes sociai* p*pulares e c*nhe*iment*s de *egunda m*o "cuja ope*ação básica consi*te na contínua apropria*ão \da* imagens, das noçõ*s e das linguagens qu* a ciência nã* c*ssa de i*vent*r\ [Moscov*ci e He*stone (1984)] (p. 5*3)" (SÁ, 199*. p. 29-30). De*sa forma, Represen*açõe* Socia*s referem-se a "um c*njunto de conc**tos, explicações e *firmações que se origi*am na *i da *iária no curso de comunicações interindividuais. (...) poder-se-ia dize* que são * versão c*n*emporânea do senso comu*" (MO*COVICI, *981, p. 18*). Numa d*t*rminad* *oletividade, * represen*a*ão socia* tem como papel *onferir racionalidad* * cr*nç* coletiva e sua **gnificação, po*tanto, a*s sa*eres po*ulares e ao senso Rev. FSA, T*res*na PI, *. 1*, n. 1, ar*. 1, *. 03-*9, jan./fev. 2017 ww*4.fsanet.com.br/revista D. R. **iv*ira, F. T. D. S. C*rrea, D. *. T. An*rade, J. L. Passad*r 12 co*um. Send* que *las s*o racionais, *ão *or serem s*ci*is, mas po*que elas *ão col*tiv*s (MOSCOVICI, *995). *osco*i*i (1978) relata que as representa*ões sociais apresent*m-se"[...] *omo uma forma d* guiar comportamento, e tam*ém *omo tentativa de reco*stituir o os elemen*os do meio ambient* e* que o comport*me*to está inser*do". *inayo (2000, p. 1*0) *es*aca *u* *s r*presen*açõe* sociais "se manifestam em pala*ra*, sentimen*os * condutas e se insti***i**aliz*m, *ssim, po*em * devem *er an*lisadas a par**r d* co**re*nsão das estr*tura* e d*s comp*rtamentos sociais". P*rém, seu in*ermédio privi*egiado é a linguag*m,pois el* ref*ete *s formas de conhecimento e as formas da* interações sociais. Como explic* Fior*n (*988, p.42-43) "[...] o d*scurso *imula *er in*ividual pa** ocultar que é social... o *ndivíduo não p*nsa e não *ala o que quer, mas o q*e a realidade impõe que ele pe*se e fale". *s *e*resentaçõ*s so*iais *ão teorias d* senso com*m *nternalizadas pe*o indivíduo p*ra a or*anização da sua *ealid*de. *e*se *ent**o, * *epresentação s*cial tem como ob*etivo t*rnar fam*l**r o estranho e explicar os *enômenos do ambiente co*etivo *ue * circunda. Não se trata de meras opiniões e atitudes. A teori* d*s represe*taç*es s*ciais *e*el*-se útil *a busca de uma melhor com*ree*são d** práticas c*leti*as. P*r me*o do conhecime*to de uma represent*ç*o social torna-se possível u* entendimen*o mais ad*q**do dos *roce*sos de constituiçã* simb**ica enco***ados na soci*dad*, onde indiví*uos se engajam para *ar sentido ao mundo e nele *onstruir sua ident*d*de social. O indivíduo rep*esenta algo que *he é f*mil*ar, que c*mpõe o seu meio, m*s não é sua produção de prim**r* o*d*m. Algo com o q*al el* **m con*ato, está *nvolto *u perp*ssa s*u mun*o. * rep*ese*tação social refere-se ao "posicion**ento da consciência subj**iva nos espaços sociais, com o intuito de construir percepç*e* por *arte dos indivíduos" (MOSCOVIC*, 1978). 2.3 Conv*rsaç*o: TRS e *s o**anizaç*es colet*vas * pes*uisa cient*fi*a apontou, nos ú**imos anos, para a *ecessidade de reciclagem, trata*ento de re*íduos sólidos urbanos, *imin*i*** na emissão de gases *oluente*, como o me*ano e o dió*id* de carbo*o (enc*ntrados na deco*posição do lixo), comérci* de cré*itos de *ar*on*, tecno*ogia* mais l*mpas de produção * toda sorte *e *ções fomentadoras ** um Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, j**./fev. *017 www4.fs*ne*.*om.br/revista *eoria d** Representações Sociais n* C**po da Econ*mia Solid*ria 13 dese*v*lvimento mais sustentável. Isto envol*e os RSU e reciclagem de ma*eria*s, o que a i***ui a c*deia produtiva e as organiza*ões qu* neste artigo se investiga nesta age*da. Por outro lado, muda*ças econ**icas neoliberais im*lantadas p*r g*vernos no Brasil desde 1990, ao menos po* 1* *nos, e mud*nças te*n**ógi*as implant*das p*r empresas desde a década de 1*80 gerar*m e**lu*dos do *ercado de trabalho formal, o q*e acarreto* * ne*essidad* de ações públi*as de f*me*to ao empr*g*, trabalho * r*n*a (BARBOSA, 2*07). Porém, nos últimos an**, est*s políticas passaram po* um* mudança im**r*ant*. *o*ve um* mud*nça de *o*o de "políticas de empre*o para polí*ica* d* geração d* trab*lho e renda", e*pecialme*te numa conc*pç*o sustentável-solidária (FR*NÇA FILH*, *006). Nesta nova *o*figuração as organiza*ões cole**vas, principalm*nte as intensivas em mão-de-obra, tal *ual as ana*isada* *este art*go, são d*stac*d** nesta agenda. Alé* dest*s du*s ag*ndas pode-se *e*t*car uma terceira, ex*licit**e*te ideológica, vinculada à formação de pensamentos * práticas e*onô*icas de produçã* e *ist**bu*ç*o vinc*ladas ao socialismo e a mov*mentos de esquerda. Encontrada* princ*palmente *m **o*ra*a* e *rojetos desenvolvimen**s, po* gover*os de par*idos histo*icamen*e asso*iados a estas i*eologias e por organizaç*es do ter*eiro s*tor (muitas vezes f*nanciadas po* recur*o* públi*os), e*** agenda inclui *s organizaç*es investi*adas nesta pesquisa, *or conta *e s ua org*nização espontân*a ou possibilidade de fo*ent* pelos govern*s loc*is. Porém, n*st* co*te*to, estas organizações cost*mam ser *enominada* de organ*zações da ec*nomia solid*ria ou empreendimento* econômicos sol*dári*s. 3. PROCEDI*ENTO METODOL*GICOS *dota-*e um estudo ** carát*r qualitat*vo com na*ur**a explo*atória. P*ra Martin* (2006), este tipo d* *valiação é caracter**ado pela descrição, compreensão * inte*pretaç*o de fato*. Neste s*nt**o, Sell*iz et al. (1965) c*m*nt* qu* * principal acentuaçã* re*ere-se à d*scobert* de ideias * intuiçõe*, por isso, seu planejamento precisa ser suf*cientem**te flexível, de mod* pe*mitir a con*ideraçã* de dife*ente* aspectos acerc* de u* *esmo * fen*me*o. Est* *esquisa se realiza a p**tir do estudo de dois ca*os. A prefe*ênci* *elo u*o do est**o de *aso deve ser dada em situaç**s onde é possível *aze* obs*rva*ões diretas e entrevistas sistemát*cas. O estud* *e caracteri*a pela **pa*id*** de lidar co* uma *ompleta variedade *e *vidências - document**, art*fato*, *ntrev*stas e o*s*rvações (YIN, 2005). Rev. FSA, Ter**ina *I, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017 www4.**an*t.c*m.br/re*ista *. R. *li**ira, F. T. D. S. C*rr*a, D. C. *. Andra*e, J. *. Passador *4 *egund* Wood*ide (2003), a real**ação de vá*ios estudo* de casos em *ma pesquisa é *ossíve* quando se quer *st*mar * tamanho de um efeito (a f*rça desse fe**meno), mais do qu* **neralizar seus res*ltados p*ra a população. * *ecisão so*r* o *ú*ero de c*s*s irá de*e*der, en*ão, do *rau de certeza que *e qu** ter so*re os resulta*os da pesquisa (YIN, 2005). Optou-s*, portanto, por organizaç*es *cessíveis que estiv*ssem pró**mas d* *ocal de resid*ncia dos p*squ*sadore*. Os dados fora* col*tado* *a *GECOLD (A*soc*ação *os Agentes Eco*ógicos de Dourados), estado do *ato *ross* do Sul, n* mês de dezembro *e 2007 e na *CAMAR (*ssociação *os Catador** de *a*eria*s Reciclá*e*s do *unic*pio de La*r*s), esta*o de *inas Gerais, em julho de *011, por m*io de entrevistas s*mi-estrut*r*das. A população c**sid*rad* para a pesq*isa *oram o* associados das o*ganizações e seus funcionário*. A AGECOLD apresen*a 11 associados em sua totalidade mas, devido às au*ênci*s, reali*aram-se apena* 7 e*trevistas. Já a ACAM*R apre*enta 32 associados, dos **ais o*to foram entrev*stados. Neste c*s*, deve-se *essaltar a pequen* dis*onibilidade dos a*sociad*s em participar da pesquisa, devido * política de r***neração b*sea*a no número d* horas trabalhadas. A*é* *isso, en*revis**u-se coor*enador ge*al (fu**ion*rio) respo*sá**l o pela ACAMAR. Adotou-*e uma *mostragem não probab*lística *or aces*ibi*idade, pois os pesqui**do*es conheciam as duas associações. As entrevistas foram realizad*s por doi s pesq*isadores diferentes, u* em cada ass*ciação, com grav*ção *e á*dio devidam*nte autorizada apenas na AGECOLD, sendo necess*rio fazer as anotações cabíveis no **so da ACAMAR. A d**açã* *éd*a das en*revistas na AGEC*LD *oi de ** mi*utos, sendo *ue a entr**ista *ais *u*t* dur*u 1* minut*s e * m*is lon*a 43 minutos. No caso da ACAMAR, as en*revistas du*aram ap*oximadamen*e 27 minut*s, sendo a mais curta 20 minuto* a m*is e longa 32 mi*uto*. O pr*c*ss* *e conduç*o d* entrevis*a foi in*ividual, *espondente a *esponde*te. Antes *o *nício de cada *ntrevista fora* passa**s algumas o*ientaç*es para os entrevistados, c*m *s *uais se *xplicou o *bjetivo da pesquis* * o t*atame*to *i*iloso dos dados p*sq*isado*. *s ent*ev*stas fo*am transcri*as e **alisadas pelos au*ores a partir *as ca*ego**as analític*s (agenda*)d*fi*idas no r*fe*e*cial te*rico. A in*erpret*ção *os depo*mentos se deu pelo processo de aná*ise *e conteúdo. *reit*s e *a*issek (2*0*) af*rmam *ue téc*ica a de análise de conteúdo permite o aprofundamento dos si*n*ficad*s das açõ*s e relações *umanas, p*rmite ir além do que se tem como **sultad* claro e *anifesto, l***, p*de-se ob*er, por infer*ncia, a*é mesmo aquilo *ue o entre*istado deixou subent*ndido. Rev. *S*, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-2*, jan./fev. 201* www4.*sanet.com.br/revista Teor*a das *epr*se*tações Sociais no Campo da Economia Solid*ria 15 4. R**UL*ADOS E DISCUSSÕE* 4.1 A AG*COLD Forma*a atua*m*nte por onze membro*,a COO*ERCAT, co*o era *onh*cida, foi funda** em 2*00 *or i*centi*o da S*cr*tar*a Mun*cipal de Assistência **cial e Economia Solid*ria (SE*ASES), *rgão da Pre**itura Mu*ici*a* *e Dou*ados - MS. O o*j*t**o inic*al de**a co*per*tiva era organiz*r os catad*res, ant*s *xcluíd*s da *ociedad* e *istantes da* *olíticas *ú*li*as d* assistência social, permiti*d* a g*ra*ão de e*prego, re*da e *ambém a inclusão *ocial de *rabalha*ores de rua. Ap*s a mu*an*a do seu formato j*rídico, que também **u or*gem ao novo nome,passou a atu*r c** uma q*antidade menor de membro* - no i**cio somavam 70 pes*oas - porém ainda a*ua no mesmo loc*l e com o apo*o muni*ipal e* *ua gestão * operação. Na AGE*OLD, * faturame*to é **ati**mente igual ao luc*o, já que * res*onsabil*dade d* p*efeitu** **car com alguns *ustos fi*os da *s*ociaçã*, *lém de *eder o te*reno de sua propriedade e ainda investir t*cnolog*cam*nt* *m *aquinário (prensas, *i*otadeira de papel, etc.), doando-as à associação. 4 .1 .1 Representações Socia*s do T*a*a*hador d* *G*COLD A pa*ti* da* e*t*evistas re*lizadas com os associados da AGECOLD, foi possíve* perceb*r *ue a maioria dos trabalh*dores são ind*víd**s *ue têm baix* esc*laridade (ens**o fun*a*ental incomplet*), *o* f*ixa e*ária entre 20 e 50 a*os, nat*rais de outro* est*dos que, e* sua mai*ria, relata* sofrim*ntos fam*liares e financeiros. Ao ingre*sar n* associação, a*r**és de o*ganizações de ap*io como a SEMA*ES ou indicação de famili*res, *les sentiram que *ode*ia *aver um f*turo um pouco me*hor, e que e*se *rab*lho poder*a d*r u*a melhor sustentação f*nan*eira *ara sua* f*mílias. Apesar de trabalha*em com pr*du*os re*i*ados do lixo, gra*de parte d*s entrevistad*s se d*zem felizes e até rea*izados com ess* condição: [...] Eu *osto da*ui [...] todo mundo é un*do, se um *á com *m proble*a t*do mu*do também tá [...] t***ra que não ac*ba (sic!), *uero fi*ar aqui até *icar ¨sem dente¨. (a-E4) Re*. FSA, T*resi** PI, v. 14, n. 1, a*t. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017 www4.fsan*t.co*.br/revist* D. *. Olive*ra, F. *. D. *. Co*rea, D. C. *. Andrade, J. L. Passa*o* 16 Quando pergunt*dos, ao* trabalhadores da AGECO*D se *ostavam d* que fa*iam, diz*a que sim, qu* gostava m*ito, mesmo *azendo um tra*alho que exige esforço, empe*ho, dispo*iç*o física e for*a, pois eles car*egam, buscam, separam e prensam material. Apesar d*sta insalubridade, o traba*ho realizado parece ser u* avanço aos membros da ass*ciação, princi*a*mente àquel*s **e já foram catadores d* rua pois, *omo tal, sofriam c*m * tra**mento qu* alg*mas pess*as lhes davam, supos*ção de que fos*em *end**os, o *u* o* f***am sentir-se m**ginal*z*dos: [...] Na rua você *nfrent* muit*s pessoas q*e *al** c*isas;às ve*es você va* a*r*r um s*co de *ix* e ele e*tá rasg*do, e a **na d* casa vê e começa a f**a* qu* *ocê é culpad* [...] As *ess**s m* *iam como mendig*, uma pessoa de*v*li*a que *ão *ive*se ninguém (sic!), e*a iss* que eu *e*t*a. (a-*2) Mas também *e pôde perceber que ainda há t*aba*hador que não s* sent* à vontade com o seu trabalho em se* meio s*cial par*ic*lar (família e amigos), co*st*angendo-se perante o* amigos: [...] Os ami*os brincam um pouco [...] ele* acham q*e * lixeiro mesmo, falam *ue eu mexo com *i*o, que * muito nojento [...] *s menin** fala* qu* meu traba*ho *ão te* f*tur*, qu* não tem estabil*d*de (*-*3) Este di**urs* *rocura relata* a consci*nc** do entr*vista*o sobr* a dificuldade de colocação profissional e falta de opção de *mp*ego, ***s o mes*o fazia outras ativ*d**es co*p*e*entare*, com* panflet*gem, ou ajudava nos ofício* d* p*nt*ra. Por meio *as entrevistas foi pe**ebi*o *ue mu*tos d*s pesqu*sados *udaram a visão em relação a* s*u traba*ho; co*eçaram a pe*ceb*r qu* a so*iedade també* pr*cis* deste tip* de serv*ço * que sua ativid*de é extremamen*e importante **ra a comunida*e. Ambos estão, catadores e sociedade,claramente dei**ndo no passado o preconceit* que e*is*ia, por tra*alharem com ¨lix*¨: [...] Antes as pes*oas não enten*iam, não tinham conhecimento, *ntão a ge*te fi*ava isolado, antes as pe*soas achavam q** a gente es*ava ** lixão mesm*, * a gente se sentia lá *mbaixo[...] porq*e lix* aqui*o que *ão aproveita *a*s, *u le*bro * que uma amiga m* falou *ue isso (rec*clagem) dar vi*a aquil* que não tem vida. (*- é E2 ) O p**samento de que a essência d* *ua *tivida*e é *rabal*ar com reciclagem fez *om que houvesse uma sign*fic*tiva *elhora *a autoestima. Muitos não s* se*t*m *ais como catadores e sim como agente* ecol*g*cos - term* que n*ste grupo advém do pr*prio no*e da Associação. Este n*v* mo** de pensa* foi adquirid* aos poucos, pois m**tos dos entrevist**o* relataram que nem sabiam direito o que *ra recicla*em, e que quando *iveram a Rev. FSA, *er*sina, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-2*, jan./fe*. 2017 www*.f**net.*om.br/revista Teor*a da* Representaçõe* *ociais no Campo da Economi* Sol***ria 17 *p*rtunidade de apren*er, fiz*ram qu*stão de explicar para as pessoas o que eles fazem, diminuindo o preconce**o. Como agentes eco*ó*icos separ*dores de lixo (te*mo *til*za*o pelos próp*ios traba*hadores) v*m se tornan*o don*s de novas habil*dades e conhecimentos e, assim, conhecedore* de *m no*o ofício pois, como *red** a fu*ção, precisam s*para* por tipo de mate*ial (pl*sticos, papéis e papelõe*), * que a*s olho* do leigo n*o par*ce sign*ficativo ou não se faz ne**ssári*. Essa conscientizaç*o repre*enta * marco i*icial de adesão e criação de valor*s, pois a maioria dos ent*evi*tado* - especialm*nte os *ais antigos - não acha o *eu trabalho apen** imp***ante pela questão salarial e complem*ntação da rend* familiar, m*s se s*nte confortável em *alar sob*e sua relaç*o *om o *eio a*biente: [...] Tem muitas *es*oas jo*am seu lixo pro lixão, m*itas co*sas qu* re*prove*ta, se tantas pes*o*s trou*erem seu *ixo pr* cá, e a gente rea*roveita **se l*xo, acho que a natureza *ai ficar mais lim*a [...] então eu **ho as*im que s**ia b*m pr* todo mundo. (*-*4) A comp*ixão se c**ocou c*mo ele**nto princ*pal, quando qu*stionado* sobr* * inclusão so*i*l *e cat*dor*s de rua na AGECOLD, e*pecialmente pelo *ato de muitos te*em vivenciado, num passado não tão distante a*s*m, essa realidade da "vid* n* rua", termo comumente usado por eles.No *ntan*o, **de-s* o*s*rv*r c*rt* temor, dados os freque*t*s p*oble*as de alcoolismo, drogas e desajustame*to* sociais diversos que estas pessoa* possuem. **to ainda tem r**ação com su*s *xperiê*cias passa*as: [...] O* catadores s*o bem pro*lemá**cos, são pes*oas qu* não cons*guem *ai* serv*ço qu* não tem nad*, alguns b**em out*os usam drog*s, ning*é* vai dar emprego pra e*sa* pessoa* [...] então * difícil porq*e *aí se eles têm ess** pr*b*emas, as*im *l*s vai tra*er (sic!) esses problema* aqui, para um gru** q*e es** c*meç*ndo a o*ganiza*, *orque a maioria tem prob*ema, e é uma vid* mu*to sofrida. (a-E6) Mesmo saben*o de todos *s p*oblemas, ele* go*tar*am que o* catad*res de rua fossem ajud*dos, *orq*e acred*tam q*e, por meio d* trat**ento m*dico e p*icoló*ico p*r* alguns ca*os, *eria po*sível s*u reenquadramento social. De fato, to*n*-se **t*rio o s*ntimen*o de frate*nidade, especialmente dos membros mais *ntigos da AG*C*L*, qua*do se lemb*am, indiv**ualmente, da oportunidade que t*veram na v*da: [...] *u acho que *ra eles se tornare* da *s*oc*ação precis*ri* *e *m tempo, deveria *er um trab*lho pra es*e pessoal, pra eles i*e* organiz**do, e*trando *o ritm* da *e**e, par* que mais tarde eles virem **soc*ados [...] Tem que ser bem d*v*ga*inho pra e*es se engaj*r, *or que com certeza eles tê* tudo pr* mudar de vida. (a-E2) Rev. FSA, Teresina P*, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017 ww*4.*san*t.com.br/revista *. R. Oliveira, F. T. D. S. Co*rea, D. C. T. An*rade, J. L. **ssador 18 Po*co te*po *ntes da coleta d* dados, a organizaçã* e*tava c*m apenas seis membros as*ociados que *esde então, receb*a* p*la divis** do lucro da v*nda do material. Após a *ncorporação *e ma*s cinco *essoas, i*iciou-se u*a sé*ie d* c*nflito* in*ernos, poi* estes membro*, que *ecebiam bol*as *alário d* p*ef*itura deix*ram de rece*e* este auxílio e não compus*ram o q*adr* de as*ociados que recebem pe** q*antidade produzida *e*o g*up*. Os membros da AGECOL* são *esde ex catadores de lixo, *e*soas que viviam *e *tivid*des de renda complementar, até donas d* casa. Ap*nas *entre os seis membros m**s **ti*os existem ex catadore* *e lixo *e rua. *mbora j* tenh*m oco*rido *iversas m*danças na estr*tura gerencial da AGECOLD, *e*entemente, a prefei*ura de Dourados nome*u uma co*rdena*ora q*e, p*rtir de e*tã* a *umpre expe*ie*t* no local d* a*s*ciação para assessorá-los em q*ase to**s os ques*tos administrati**s * operacio**i*: [...] An*es da supervisora entr*r t*ve m*ito problema, *a**o* salário, as v**es um co*v*rsa mais, e outro já fal*, e outro quer mandar ma*s, v*ra *m tormen*o. U*as d*as sem*n*s atrás a *oord*nadora fez uma reu*ião e as c*is*s deu (sic!) uma m*lh*rada, po*que ela co*ra muit*, ela diz * hor* que a gente tem que conve*sar [...] Esses *essoal que t*abalha aqui cata*ores e a*e**es... é o se*uinte a gente ***ce*o e *riemo (sic!) no si*io m*io*ia, então a gente faz as *oisas pensando que e*ta a fazendo ce*to, *as não ta [...] a g*nte não tem no*ão de trabalh*r e* grupo, em firma, *or *sso a co**d*nadora ajuda bastant*. (a-E6) Dura*te a* e**revistas foi possível perceb*r as *ud*nças que oc*rreram na associaç*o após a nomeação da *oordenadora; e os assoc*ados, em sua grande maio*ia, *stã* satisfeitos por serem gere*ciados por um profissional: [...] D*pois que a coorde**dora entrou mel***ou muito, porque ela sabe conversar co* as pessoas [...] e ela fala mesmo, fala que pre*isa, então tem mui*a gente o aju*an*o ag*ra com doaçõe* de materiais [...]. Ela é um* mulher guerre**a, ela v*i* *esmo pra ajud**, t* aj**ando bastante. (a-E6) *utro associado af*r*a se*tir * f*lta d* uma "doutrina" para co* o* trab*lh*dor*s, ou seja, u*a política d* gestão com *egras claras e defi*ida*, horários d* trabal*o, cobranças e *uper*i*ão, assim como na *mpre*a privada em que já trabalho*. U* terceiro afirma: (...) q*ero continuar sem*re faze*do a mesm* ***sa , *empre ** minh* balanc*nha" (a-E4) Rev. F*A, Teresina, v. 14, n. *, ar*. 1, *. 03-29, j*n./fev. *0*7 www4.f*anet.co*.b*/revist* Teoria d*s R*pres*nt*ções Soc*ais no C*mpo da Econo*ia Solidári* *9 * maio*ia dos trabalh*do*e* afir*a que p**a a AGECOLD *ontinua* fu*cionando cor*e*am*n*e, inter*amen*e e *m sua rela*ão com a comun**a** *ocal e *mpresas *o***ras, é necessár*o que sempre ten*a alguém da pre*eitu*a para *dminis*rar e orga*i*a*: [...] Eu a*h* que t** que deci*ir a* coisas são as p**soas da pr*feitura, realmente se ficar na noss* mão não dá certo, vai faltar dinh*i*o para pagar água, luz, [...] por*ue **s não sabe nad*, n*m tocar nada, a gente só sabe trabalhar, o pessoal da prefeitur* está sendo m*i* que um pai e d* *ue uma m*e, iss* e* *igo mesmo de coraç*o[...] por is*o tem que ser *l*uém *ue sabe, a *oo*denadora sabe li*ar c*m ** c*isa* * **ssoas. (a-E2) Dent*e *s trabalhadores *ue estão há mais t*mp* na AGE*O*D e hoje continua* associados h*uv* *m certo desconfor*o com a entrad* de novos memb*os, tanto no que t*nge as relações i*terpessoais, *omo a* t*abalh*: [...] Esse grupo *ovo que entrou, enq*anto tem uns do** qu* são e*forçados gostam *e trabalhar tem uns out**s três qu* carreg* as cois*s nas ¨coxas¨, tem que ficar fa*ando fulan* fa* isso [...] as vezes ele* se of*ndem, ou trabalha e faz, uns s*o *en*** demais, *orqu* eu sei que eles trab*lh*m pensando n* s*lário, mas a gente tem que mo*trar o tra*al** da *e*te, eu penso dess* f*rm*, m*strar o trabalho. (a- E2 ) A visão do grupo *ais antigo *emonstr* *ue eles quer*m fa*er com *ue os r*cém integrados à associaç*o demon*tr*m vontade de trabal*ar, que façam por m*recer algo que receberam, *om luta e sofrimento.O própri* g*upo sente essa pres*ã*: [...] Eu *osto d* trabalhar, mas aqui da mui*o desgosto, é um quer*n*o ¨com*r * outro¨ entende*? [...] porque a* vezes u* dá mui*o *alpite, todo mu*do *u*r man*ar, um fala uma co*sa o*tro fala out*a, daí fi*a *quele ¨p* de *ue*ra¨. (a-E5) Refl*x* desta *o*a *inâm*ca in*erna q*e a é p*odução total de*tes a*soc*ados, em n*vem*ro de 2*07, di*inu**, apesar de a *f*rta de material ser sepa*ado ter se man**do. a Prová*eis razões *ar* esta queda de r*n*imen*o sã* diminuição do *itmo e envo*v*mento * com * *rab*lho dos antigos associado*, *or espera* q*e o* novos cubra* esta falta e *em*n**rem ca*acid*de e envolvime*to, sejam merecedores, além d* clara ne*essidade de treinamento para os n*vos *ssociados, que não *ompre**der** as diferenças entre os tipos d* mate*iais e sua separação. A o*g*nização da *rodu*ão *udou com * e*trada dos n*vo* asso*iado*. A **paraç** do material passou a *er f*ita sempre com a *resença conjunta de u* antigo membro e um n*vo associa*o par* que * últi*o aprend* com a o*ser*açã* e explicaçõe* do pr**eiro, * que, *or sua vez, *mpl**a numa relação de poder *lara e mani*est*. Rev. FS*, Ter*s*na *I, v. 14, n. 1, art. 1, *. 03-29, jan./fe*. 2017 w*w4.fsa*et.com.br/revista D. R. Ol*vei*a, F. T. D. S. Correa, D. C. T. Andrade, *. L. P*ssad*r 2* 4.2 A ACA*AR A AC*MAR *ur**u em 1993, devido aos trabal*os de e*u*a*ão ambienta* realizados por est*dantes da *niversida*e Fede**l de La*ras (U*LA), estes, *in*ulados à *undaç*o P** *efesa A*bient*l (FDPA). O obje*ivo inicial da propos*a cons*stia em mobi*izar a comun*dade e as escolas municipais p*ra m*lhorar, por meio d* implantaç*o de hortas *omunitárias, * alimentação d* cria*ças care*tes. Esse movimento fe* est*nder par* os pais dessas crianças o "Programa de *oleta Seletiva de Lix*, *ss*ci*tivi*mo e Educação Ambiental em Lavra* - MG", com o *n*uito de ger*r emprego e renda para esta* f*mílias. O faturamento da associa*ão a*rox*madame*te de R$ 35.00* (trinta * cinc* *il é reais) e sua div*são obe*ece à orde* de 60% para *s *ib**s veget**s (p*péis) * 40% para o* demais materiais reci*l*veis co*etados. Todas as des*esas são arcadas pela própria i*st*tuição, que apresenta uma estr*tura administ*ativa compo*ta *or trê* funcionários contratados: *oord*nad*ria *eral, coorde*adoria de gestão ambiental e secr*taria *xecut*va. Exis*e *inda, *m total de seis es*agi**ios (*stud*ntes de biol*gi* do C*ntro Universitár*o de Lavras) qu*, at*almente, são *emu*era*os pelo projeto de Forta*ecime*to do Pr*g*am* de Coleta Seletiva, Associ*tivi*m* e Ed*ca*ão Ambi*ntal *romovido pelo *overno de Minas Gerais. 4 .2 .1 **prese**aç*es Soc*ais do Trabalhador da ACAMAR Da mesma fo*ma que *a A*ECOLD, per*ebe-se que a ma*oria dos *rabalha*o*es *a A*AMAR são indiví*uos que **m baixas re*da e e**olaridade, que vi*r*m da la**ura em busca de *portunida*es. [...] A *CAMAR pr*oriza a falta de qualificação p*ofissional, mães s*ltei*as e p**so*s de a**im*, baixa renda. Tiv*mos caso de pes*oas co* 2º *rau compl**o q*e vira* p*di* emp*ego, estas pessoas têm melhores oportunid*des no mer*ado. Pr*mei*o a gen*e f*z o cadastro d* fichas d* interessados, mas pr*orizamo* indicaçõ*s. (b-E*) Além de se* co*rdenador, os membros da *CAMAR ainda relatam a "*nd*cação" com* o principal meio de ingr*sso e *escre*em a i**ntificaçã* com a atividade dese*volvi*a um elemento import*nt* *a definiçã* sobre a conti*uidade na asso**ação. Ape*as um membr* antigo disse ser ex-catador de lixo do *terro s*nitário. [ ...] Eu tava na c*lhe*ta de caf* e daí o café acabou, *ntão e* fui convi*ada para tr*b*lhar aq*i. *oi as**m, eu recebi um telefo*e*a para limpar * galpão e vim, ele* gos*a*am do *eu serviço e e* gostei do lu*ar (b-E*).[...] Eu saí do lixã* e vim *ra Rev. F*A, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. *0*7 *ww4.fsan*t.com.*r/*e**sta *eor** das R*presenta**es Sociais no Ca*po da *conomia Soli*ária 21 cá. O coordenado* que me fez o convite p*ra conhece* o tra*alho, vim um dia, trabalhei, *os*ei e a*a**i fican*o p** aq*i mesmo. (b-E4) O sentimen*o ú*ico de que po*eria haver um futuro me*h**, em termos de *ust*n*ação financeira *ara s*as famí*ias se al*a à percepçã* de importância *m*i**tal *u* sua a*ividade te* par* a soc*edade. *esse se*t*do pod*-s* no*ar um* grande identificação *om o trabalho: [...] G*aças a Deu* aqui e* j á co*segui cons*ruir min*a c*** e hoje tenh* uma v*din*a *oa (b-E5).[...]Como *a**i, na roça o serv*ço a*aba de uma hora pr* outra, aqui é direto. A gente tem uma g*rantia qu* **pe*de só da gen*e e das *essoas né!? (b-E2) Qu**do questi*nados so*re * que fazi*m, os a*so*i*dos re**tavam se *denti*i*ar e gost*r mu*to do trabalh*. Em*ora o esforço *x*g*do fosse alto, precisasse de dis*osi*ão f*s*ca e de força para e*ercer as ati*idades d* triagem, uma qu*s*ã* imp*rta*t* f*i identificada, a predi*posiç** p*r* a cola***ação no *mbiente de trab**ho. Em diver**s m**e*tos foi preciso i*terromp** a entrevis** pois, mesmo aq*eles que *e encontravam em seu períod* d* descanso, o *eixavam par* ajuda* o coleg* e* uma ta*efa ma*s difí*il. Da mesma form*, a cobra*ça a flex*b*l*dade tamb** p*der*m *e* *ota**s com facilidade. Q**sti*nados *obre e isso d*ss*ram: "(...) *qu* *em que ter união. Se *ão tiver uni*o não t*m associação" (b-E5). Outro ponto que *erece **r ress*lta*o se refere a* pr*fissionalismo e a motivaçã* para o trabalho, que pod* ser e*pli*ado p*la c*brança mú*ua entre el*s. Por mais o que *xi*isse empenho, os associados e* nenhu* mo*ento se queixaram da* atividades desenvolvid*s, pe*o contrá*io, pediam par* *ncerrarmos a entrevis** devido a *ecess*dade de v*lt*r ao traba**o, pois o período d* desc**so havia acabado. O tr*balho realizado tr*ta-se de uma p***issão como qualque* o*tra para os *embros da assoc*ação, q*e relataram n*o possuir vergonh* ou *ons*rangimento d* ativid**e que exercem, ao contrário do que relatam a*guns asso*ia**s da AGECOLD. Isso, mai* uma vez, res*alta o *ensa*ento inter*o da re*pons*bilidade do trabalho para o be* da c*m*nidade, q*e reconhece e valoriza essa* pessoas, ajuda*do-as com maio* inten*idade: [...] H*je, * **rticipação da sociedade é maior porque an*igame*te a* pesso*s não s*paravam o li*o. Hoje em dia têm essa consciência e sepa*am. Os est*giár*os é que fa*e* *ssa mobilização pas*ando nas cas*s explicand* o n**so *raba**o e * e impo*tância dele. A*tes a gen*e fazia, ai*da faz, m*s menos. Com os estagi*rios é me*h*r porque a ge*te s* d*dica aqui, na coleta, sepa**ção * prensa. (b-E1) Re*. FS*, T*resina PI, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, *an./fev. *017 www4.fsanet.c**.br/revista *. R. Oliveir*, F. T. D. S. *orrea, D. *. T. Andrade, J. L. Pass*dor 22 Como mencionado, alguns associa**s aind* atribuem esse *espeito pela at**i*ade desenvolvida à atividade de mobi*izaç*o que os estagiá*io* ex*rc*m junto à pop*lação. Is*o é **portante não apenas **ra *u* haja *ma maior dedicação dos assoc*a*os às *tivid*des de tria*em, que p*ss*i impacto *ireto sobre sua renda, co*o ta*bém para a conscientização das *e*soas sobre a forma c*rret* de s*p*rar * lixo. Assim, um associado *el*ta se* extre*ament* imp*rt*nte qu* * s*cie*ade tenha conheci*ent* e saiba faz*r corr*tamen*e a separação. Isso garante agilidad*, faze*do c** que haj* maior espaço p*ra coleta, *umen*e a renda da assoc*açã* e permita maior **mpeza urban*. [...] Quanto m*is a gente conscientiza as pessoas s**re a importância d* coleta se*etiva e da reciclagem *ão * que vai di*inuir a *uant**ade de mater*al ger*do, mas o materi*l v*r* *ais li*po, o *ue diminu* n**so trabalho * **menta o v*lor pago p*las empresas, podendo até aumentar nosso salári*. É bom também pela questão do esp**o, po*qu* aqui ainda é p*queno demais. (b-E7) Quando questionados sob*e o aumento da coleta e da pos*ibilidade de aum*nto da renda, relacionada ainda ao ingre*so de um m*ior nú*ero de ass*c**d*s, foram r*la*ados *ois gr*ndes p*o*lem*s ou dif*culdades da associaçã*: a falta de r*c*rsos para expansão * o ba*xo valor ou * oscilaçã* atribu*da aos ma*eriais col*tados pa*a r*ci*l*ge*. [...] As princi*ais dific*ldad*s *stão re*aci*nada* a captaçã* *e recurs*s finance*ros para expansão do programa. Pr*cisamos de u* espa*o maior e *ma maior quantidade de *am**hões, al*m da n*cessid*de de iniciar a *onstruçã* do novo ga*pão no terre*o que foi ganha*o n* Distrito In*ustria* (b-E8) [...] A gen** tem *ntenção *e co*seguir mais ass*ci*dos, *as p*** p**ço que a g*nt* ganha não. Queremos mais *or*ue temos mu*to material aqui e ainda *a cidade q*e não está se*do coletado. Poderíamos recolh*r *e* m**s material. (b-E1) Questiona*o sobr* as ações da *CAMAR para con*ornar *s prob*ema* rela*ionados à variaç*o dos preços praticados pelas empresas que compram os materiais r*c*c*áveis, o co*rdenador geral r*latou a *e*ess*dade de inte*sificação das aç*es de conscientiza*ão ** s*cie*ade *ara a s*paração correta de ma*eria*s e também, a atividade *e cot*ção * pesquisa de com*rad*re*: [...] Nós temos feito algumas cotações de *o*pradores para aum*nt*r as *oss*bilidades d* negoci*ção. Alé* disso, pre*isa**s m*bilizar *ais as *e*so*s para a qu**tão ** diminuição das mis**ras de materiais, * q*e diminui o nosso lucro. (b-*8) Um dos a*s*ciados fez um* *nálise *a*tant* in*e*essan*e * que se coloca como u*a poss*vel sol**ão para os problem*s de d*stribuição *a renda e aumen*o o* cr*scimento da at*vidade de *oleta. O associa*o, qu* poss** en***o fu*dam*nt*l inco*pleto e *u* pa*t*cipou Rev. FSA, *eresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./f*v. 2017 w*w4.fs*net.com.br/rev*sta T*or*a d*s Repr*s*nta**es Soc*ais n* Cam*o da *conom*a Solidária *3 recentemente do cu*s* promovido pela **TAFORT (Movi*ento Nacional *o* Catadores de Materia*s Reciclávei*), sugeri* a criação de dois turnos de trab*lho pa*a da* vazã* à quantidade de mat*riais acumulados no g*lpão e aumentar a* possibilid*d*s de *rescime*to e* renda e vol*me. [...] Na minha co*sc*ência eu vejo que tem que crescer n*?! Ma* preci** de espaço para is*o. Mas nós não p*eci*amos reclam*r, pois c**etamos 70 tonelad*s de materiais por *ês e *e p*ss***emos para 2 turnos poderíamos cons*guir *resc*r sem aum*n*ar o espaço daq*i. Ho*e pe*amos *o *erv*ç* ** sete e meia (*:30h) e par*mo* por volta das dua* (1**). Poderia or*anizar p*ra *m horário das quatro da ma*hã (4h) até as duas (14h) e *esse *orár** até as de* da n*ite (22h). (b-E3) A *as*agem abaixo rel*ta importâ***a da participaç*o dos a asso*iados no* *urs*s promovidos pel* *ATAF*RT, e *i*da des**** a questão da mobilização em "rede" com* altern*tiva *c*nômica pa*a o desenvolvime*to terr*torial. [...] O material da associação é vendido *a** a *OPAMIG e Para*buna, que *ão at**vessad*res. O c*rso do Movimento **cional *o* c*tadores de *atérias recicl*veis mos*rou que i*so atrapalha * gent* e q*e precisamos nos u**r. O in*ui*o do curso q*e participam*s é mob*lizar as ass*ciações do sul de minas para montar uma rede para ag**ga* valor ao produto e vend* direta *ara as indú*t*ias. (b-E7) O d*scurso de preoc*pa*ã* eco*ógica * da reciclagem co*o a*ter*ativa ambient*lmente correta é extr**amente fo*te entre o* associad**. No entanto, e*sa informa*ão é co*trastante à o*inião do coord*nador da associação pois, embo*a os tra**lhadores e*tejam eng*ja*os no discurso ambiental, possuem, *m si, um ma**r ap*lo fi*anceiro na opção *el* ativid*de. O q*e se relatar * uma apropr*ação convincente dessa t*mática, qu* pode explicar * *otivação par* os *rabalhos, sobretudo na conscientizaçã* da sociedade, como uma de s*as princ*pais *esponsabilidades no p*pel de con*ult*r ambiental. [...] *m um prim*iro l*g*r, toda campa*ha de conscient*zação tem um ape*o ***ial d* inclusão, de geração de empre*o e re*da, depo*s pensamo* na *uestão am*iental. Os própr*os associados não têm essa *espon*a*ilidade amb*e*tal, po*s el*s m*smos não faz*m a coleta selet*va em casa, não separ*m o m*terial. (b-E*) O trab*lho na *CAMAR distri*uído de fo*ma *gu*litá*ia entre * os as*ociados * o**dece a uma es*ala de trab*lho e ro*ízio previame*te estabelecidos pelo coo*denador geral, com *xceção dos motor*stas, exclusivos ** funç*o. Já o ingresso de novos associ*dos obe*ece a* reg*mento intern* da associação, *s*im como *odas *emais decisões admi*istr*tivas co*o des*igame*to e *ag*men*o, que se vin*ulam à *otação e aprovação em a*semb*ei*s gerais pro*ov**as uma v*z por mê*. *ev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, ar*. 1, p. 03-29, jan./fev. 2*17 www4.fsanet.com.br/rev*st* D. R. *liveir*, *. T. D. S. Correa, D. C. T. Andrade, J. L. Pass*dor *4 A ACAMAR funciona há 18 ano* e toda sua estr**ura f*i constituí** por do*ç*es. Embora sobreviva com rec**sos próprios, algumas contribuições **ram importantes *ara a formação da associ*ção. A contri**i*** da Prefeitura de Lavras, que con*ra*a e *em*nera a ass*ciação *elas *o*eladas de mater*al reciclado coletado n* cidade;da UFLA, que *o*u o terr*no ond* ** localiza o galpão e a se*e, re*olhe materia*s r*c*cláve*s e possibilita o e*prés*i*o de sua infr**strutura *ara *e*l*zaç*o de palestr*s e even*os; e das empresas que cont**bue* c*m a doa*ão de materia*s e também com * contrata*ão dos serviços de co*sultori* e ar*ori*a*ão. 4.3 A*ális* Comparativa *os Cas*s ACAMAR tem maior profiss*onalismo na sua gest*o e organização do tra*al**. Sua g*s*ão também é mais coletiva e particip*tiva, *pe*ar de mu*tos m*mbros t*rem sido, de um* fo**a ou outra, es**lhas do coordenador do projeto (não ass*ciad*). *sta talvez seja uma d*s c*usas de hoje existir menor saída *e assoc*ados que n* passa*o. *ota-se maior domínio dos fatores econômicos que i*fluenciam o negócio da **ci*lagem * m*ior cl*reza do papel que o t*aba*ho deles tem para si próprio par* a soc*edade. Nes** se*ti*o a fala d* um do* e associados é emb**mática do *uão bem e*e ela*o*a as re*resentaç*es *ue faz do próprio trabalho realizado e a visão que ele acredi*a que a sociedade tem do m*smo: [...] Quanto mais a gente c*nsc*e*t*za as p*ssoas sobre a impo*tância da cole*a se*eti*a e da reciclagem *ão é que vai di*in**r a quantidade *e material g*rado, *as o *ate*ia* v*rá ma*s lim*o, o que diminui nos*o tr*balho * aum**ta * valor pago pelas e*pre*as, pod*ndo até aumentar noss* s*lário. É bom t*mbé* pela ques*ão do espa*o, porq*e aqui ai*da é *equen* d*mais". (b-E7) Na ACAMAR e*iste rodízi* **tre a* funções desempenha**s, d*ssa forma * t*abalho do *sso*iado fica me*os rep*titivo e a*ie**nte. Na AGECO*D há uma es**cia**zação *aior do traba*h*. A mudanç* de funç*o não é com** nem e sistematizada. A separ*ç*o, prensa e enfa*dam*nto costumam **c*r a cargo d*s *esmas pessoas. Algumas pessoa*, especialmente as l*deranças, variam mais d* **n*ão. Esta diferença *ermite **s trabalhadores *a ACAMAR m*i*r sensib*lid**e *ara *ntend*r *s *egócios. Na ACAMAR not*u-se que os associad*s *epre*e*tam a si mesmo com maior autonom*a in*erna e capacidade d* c**struir se* próprio *uturo do que *a AG*C*LD. "* gente tem uma ga*anti* que depend* *ó da g*nte e das pes*oas (separarem o lix*)" disse uma as*oci*d* da ACAMAR, en*uanto a*sociados *a **ECOLD compa*tilham *ma v*sã* ma*s *ev. FSA, *e*esina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/*evista Teoria das Represe*tações Socia*s no Campo d* Economia Soli*ária 25 dep*nd*nte *o Es*ado e as*isten*ialista, a* reclamarem toda *orma q*e eles parecem conhecer de a**ílio estatal (bolsa, d*aç*o de equipame*to, *entre outros) e pri**ipalme*te ao ex*or-s* como **pendent* d* um coma*do externo * d* re*ras claras ("dout*ina") . De forma geral, Lavras pa*ec* d*r maior suporte a ACA*AR do que Dourados d* a AGECOLD. *alv*z pe*a *ua *rigem *a educação amb*ental, e *s *ons*ante* c*mp**has de es*lar*cime*to e sensi*ilizaç*o *a população *ealizada *or acad*micos e a*gumas vez** com pa**icip*ção do* *ssociados, a *CAMA* parece ser do conheci*ento de parte releva*t* da socie*ade *e Lavras, pois como afirmou um entrevista** "as pessoas agradecem e recon*ecem seu trabalh*. El*s ajudam e **rgunta* o que **dem *azer por*ue *abem q*e * trabalho é impo*tante". Em Do*rados, o bair*o em qu* está *ediada a AGEC*L* pouco * *onhece segundo *s relatos. *a fa*a do* ass*ciados vê-se *penas a f**ura do **tado, *ia prefeitur* e SEMASE*, e**resas priva*as, e *a*s fortu*tame*te, a *n*vers*dade (pe*o *o*ume de material reco*hi*o de lá, não por pesquis*s e extensã*), nã* s*ndo m*ncionado espontaneamente * entor*o. As represen*ações d*s trab*lhadores da ACA*AR estão notad**ente mais *linhada a* propostas que c*m*õ** a a*enda ambiental e j*st**icam s*u pa*el para a **c*e*ade. Porém, nota-*e que eles p*óprios não são indivíduo* que faz*m escolhas pessoais mais ambientalmente corretas. Na *GECOL*, os trabalhad*res também n** s* mo*t*am p**ocupa*** com tais a*ões em sua vida pessoal, *orém, ent*e ** trabalhado**s *e*ta organ*z**ão, *ão há bem organiz*da uma per*p*c*iva única em sua* falas. *ambé*, nota-se que a *ostura extremamente dependen*e de o*tros ato*es implica *uma dificuld*de de representa* pap**s diferentes para s* mesm* na *ociedade s*não *e alguém depen**. A formação das duas associ*çõ*s *em atores dife*en**s, m*s exercem o mesmo pa*e* de fomentador e ar*iculador. Em *a*ras, a UF*A desempenhou este papel por meio de uma agenda *mbiental. Em D*urado*, a Pr*feitu*a Municipal, via Secret*r*a Mun**i*al de Assis*ênc*a Social e Economia Soli*ária (SEMASES), o fez por meio de uma polí*ica públic* de *nc*u*ã* soc*al e ger*çã* de trabal*o e *end*. No início em Dou*ados, a COOPERCAT foi formada por dive*sos membros drogadiço* que n*o pr*s*eguiram *a organ**ação, , neste *nício, progra*as para re*bilitação deste* indivíduos e u*a ar*ic*laçã* com o *entro de *e*er*ncia de Assist*nc*a S*ci*l (C***) do m*nicípio aco*te*ia*. Em lavras, a UF*A *eu inicio a AC*MAR *ia articulação de di*centes que geraram uma fundação que contrato* um coorde*ador, o qual selecionou os trabalhadores, sendo e*tes *ouc*s ex-catadores ** ruas *u d* aterro c**trolado d* muni*íp*o * Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-*9, j*n./f*v. 2*17 www4.fs**et.com.br/rev*sta D. R. Oli*eira, F. T. D. S. Corr*a, D. C. T. Andrade, J. L. Passador *6 *uit*s ex-trabalhadores *urais. Neste sentido pode-se q*estionar até que ponto a ACAMAR é inclusiva * um pro*e*o que se util*z* de todo seu potencial social. Em ambas as associações são *omuns casos d* a*sociado* que as de*x**am por não se a*equ*rem ao trabalho *ssociativis*a, n* qual a renda vai depe*d*r d* *esempenho e preços de mercado. N* AGECOLD j* hou*e ass**iado que *e r*fe*i* a mesma como "firma", num clar* **emplo *e uma visão d* empregado e não de associ**o. Este associado *ico* pouco tempo na a*soci*ção e ainda a p*o*essou. Em ambas, membros a*uais são *aute*osos qua*to à entra*a de novos membros na *ssociação: "a g*nte tem intenç*o de con*eguir mais ass*ciados, mas pe*o preço *ue a gente ganha não" d*sse uma associ*da d* ACAMAR. Um membro a*tigo da AGECOLD **vela: [...] Os ca*ad*res *ão bem problemáti*os, são pessoa* que não conseguem mais *e*vi*o que nã* tem nad*, al*uns bebem *utros usam dr*ga*, ninguém vai dar emprego **a essas pe**o** [...] então é difícil por*ue *aí se *les têm esse* p*oble**s, ass** eles vai tr*z*r (*i*!) e*ses probl**as aqui, p*ra u* *rupo que es** começa*do a organi*ar, porqu* a maio*ia tem pr*blema. (a-E9) Hoje, em a*bas as *rganizaç*es e***t*m membros com a clara visão *ue a ace*tação d* novos a*sociados só s*rá benéfica para eles se *gregarem em fat*rame*to, *enão a renda diminuirá. Não *e *onseg*iu ident*ficar na pes*u*sa *e *ampo se es** con*epção mudou com * p*ssador dos anos. A suposição * *e que, no *ní*io, a preocu*ação co* a inclusão do* ind*víduo* *ra uma *riorid*de inclusive entre se*s pares. Hoje a prior**a*e é na s*bre***ência da próp*ia o*ganiz*ç*o * na ampl*a*ão dos ganho* dos associ*dos. 5. CONS**ERA*ÕES *INAIS Not*-se que a **ande maioria d*s tr*balha*ores d* ambas organ*zaç*es são simp*es e não *presentam outras o*ções *e vida *as, ao contrá*io do qu* se *mag*na, se conside*am felizes em *eu ambien*e profissional. *lguns *at**ores vêem est*s organiza*ões com* sua própria casa e os associados com* uma família; **so re**ete *m* evolução no processo de formação destas asso*i*ções quanto iden*ificaç** e ao à gra* de aceitação desta ativida** como profissã*, e esta est* diretamente relacionada * dignida*e e reconhecime*to soci*l, e nã* apenas ao mo*e ec*nômic*-fina*ceiro. Os trabalhado*e* d*ixam de se associar à sujeira e *o lixo e i*corporam um discurso t**bém social e ambienta*. Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 1, art. *, p. 0*-29, *an./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/rev*st* T*oria das Repr*sentações S*c*ais no Campo *a Econ**ia Solid*ria 27 *e forma geral, o presente est*do debr*çou-se so*re as r*p**sentações s*ciais que o a*sociado d* AG*COLD e da ACAMAR faz d* mundo q*e envo*ve sua atuação e sua org**ização. Observam-s*, mais especifi*ame**e, as representações sociais que *s catadores faz*m de si própr*o do q*e do seu trabalho em *i. Esta l*mit*ção trata-se de uma questão da organização do tra**lho destes catadores e de gestão organizacion*l poi*, se* um en*e*d*mento dos elemento* que es*ruturam o *om*ortamento hu*a*o e dos mod*los geren*iais adotados, *ão se pode c*mpr*ende* o vínculo do indivídu* com * or*aniza**o. *as falas dos t**balhadore* associados procura-se ide*tificar *om que agenda as re*resentações soc*ais p*dem ser identifica*as e*t**didas. e Estas falas são reproduçõe* ou for** r*c*nstruíd*s, *tribuindo-se a *las novos sig*i**cados? Estes **div*duos incorporam o discurso de uma dest*s agend*s? Ou eles *rabalha* doi* deles ou todos os três, de forma a interna**z*-los de form* complexa e articulada? Estas são questões pertinentes q** se bu*c** responder c*m * pesquisa de campo. Emb*ra tenha sido feito um es*udo qualitativ* e exploratório, os dados não fora* suficientes para p*rmitir uma análise conclusiva a respe**o *o grau de incor*ora*ão de cada um dos d*scursos nas representaçõ*s cons*ruídas pelos *ndiví*u*s desta* organ*zaç*es. Assim, pode-se traçar apen*s os contornos das re*rese*tações s*ciais destes trabalh*do**s a q*e e ag*ndas e*es reproduzem pois, a **m*reens*o do *apel social *e*ta atividade apresentada p*los s*us d*scursos *e dep*ra com o c**port*mento ten*enc*os* e *onflitan*e da realidade, *ue interpreta e *aloriza o m*te ec*nômico-*i*anceiro, especialmente a nec*ssi*ade d* ge*ação de trabalho e renda. REF*RÊ**IAS BAR*OSA, R. N. C. * economia s*lidária *omo polít*ca pública: uma *endência de ger*ção de ren*a e *essignificação ** trabalho *o Brasil. São Paulo: C*r*e*, 2*07. CALB*NO, D; BARRETO, *; D*NIZ, A. P. P. Economia *olidária e Políti*as Pública*: uma aproximação po*s*vel, mas de*ej*ve*? Gestão Contempor*nea. Porto *legre, a*o 8, n.9, p. 12*-154, jan./jun. 2011. CARMO, M. S. F; OLIVEIRA, J. *. P; ARRUDA, R. *. L. O t*ab**ho co* r*síduos p*l*s *lass*ficado*es - o papel d* semântica do lixo no reconh**imento social e identidade profissiona*. In.:*****tro Anu*l da ANPAD (*XX : 2006 : Salvador). Anai*...Salva*or : *NPAD, 2006. R*v. FSA, Teresina PI, v. *4, n. 1, *r*. 1, p. *3-29, j*n./fev. *017 www*.fsan*t.c*m.br/revista D. R. Oliveira, F. T. D. S. *orr*a, D. C. T. An*r*de, J. L. Passa*or 28 CA*MO, *. A semântica do lix* e d*senvolvimento so*ioeconômi*o *o* o cat*dores *e reci*l*vei*consideraç*es sobre u* estudo de caso *úl*iplo em coo*erati*as n* c*dade *o Rio de Janeiro. Cad*rno* EBAPE. 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Como Refere*ciar este Artig*, conforme ABNT: OLIV*IRA, *. R; CO*REA, F. *. D. *; A*D*ADE, D. C. T; P**SADOR, J. L. Teor*a das Represen*ações Sociai* no Ca*po da Eco*omia Soli*ária: Um Olhar Sob*e * Coleta de Ma*eriais Re*icláveis. Re*. FSA, Tere*ina, v.14, n.1, art.*, p. 03-29, *an./fe*. 2017. C*ntribuiç*o d*s Autores D. R. *liveira F. *. D. S. *orrea *. *. T. Andrade J. L. P*ssador 1) con*epção e planejamento. X 2) análise e i*terpretação dos dados. X X X 3) elabo*ação do rasc*nho o* na revisão *ríti*a do conte*do. X X 4) p*rticipa*ão na ap*ovação da versão fina* do m*nuscrito. X X X Rev. F**, Tere*ina P*, v. 14, n. 1, art. *, p. 03-29, jan./f*v. 2017 w*w4.fsanet.c*m.br/*evista

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