www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 1, *. 03-29, jan./fev. 2017
ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983
ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2017.14.1.1
Teoria das Representações Soc*ais no C*mpo da Economia Solidária: Um Olh*r *obre a Col*ta
*e Mate**ais Recicláve**
Social Repr*sentations *heor* i* the Field *f Solidarity **onom*: A Look at t*e Re*yclab*e
*ateria*\s Collection
Denis R*na*o de Oliveira
Do***r em Admin*stração pela Un*versidad* de São Paulo
*rofessor da Univ*rs*dade Federal de *avras
E-ma*l: d*nisrena**deoliv*ir*@gmail.com
Fi*i** Toscano *e Brito Simões Co*r*a
Doutor e* Administra*ão pela Universid*de d* São Paulo
Ana*ist* da *mbra*a Gado de C*rt*
E-*ail: ftbsc@*mai*.com
Diego Césa* Terra de Andrade
Doutorado em A*ministração da *n*v*r*id*de No*e de **lho
Professor do *n*titu*o Federal d* Educaçã*, *i*ncia e Tecnologia do Sul *e Mina* G*rais
E-mai*: *o*tat*@diegote*ra.com.br
Jo** Luiz Pas*ador
Do*tor em Adm*nist*ação de Em*resas pe*a Fund*ção Getúl** Vargas
Pr*fessor da Facu*dad* d* Economia Administr*ç*o e Cont*bilida** de Rib*irão Preto
E-mail: jlpa*sador@**p.br
Endereço: Denis Renat* de Olive*ra
Endereço: Universidad* Feder*l *e Lavras, D*partamen*o
de *d*ini*tração e Econ*mia
DAE / UFLA, Caixa Pos*al 3037, CE* 372*0-*00,
Lav*as MG.
Endereço: Filip* Toscano de *ri** Simões *orrea
*ndere*o: *v. Rád*o Maia nº 830, Zona R*ral, *EP
Editor Cient*fico: Tonny Kerle* d* *le*car Rodri*ues
Artigo r*ceb*do em 10/10/20*6. Última ve*são
recebida em 07/11/2016. Apr*va*o e* 08/11/2016.
79106-550, Campo Gra*de, MS.
E*der*ço: Diego César Terra de And*ade
Endere*o: Av*nida Mari* da Conceição Santos nº 900,
Bai*ro Parque **al, CEP: 37550-000 - Pouso
Alegre/M*.
E**er*ço: João L**z Pa*sa*o*
*ndereço: F*culda*e de Econ*mia, Adminis*r*ção
e Co*tabilidade. Avenida Band*i*a*tes, 3900
Mon*e Alegre, 14040-9*5 - **b*i**o Preto, SP - Bra*il.
Avaliado pelo s*st*ma Tr*ple Revi*w: Desk Rev*ew a)
pel* Editor-Chefe; e b) Double Blind Review
(av**iação cega por d*is avaliadores da área).
Re*i*ão: Grama*ical, Norm*t*v* e de Formatação
D. R. Oliveira, F. T. *. S. Correa, *. C. *. Andrade, J. L. Passador
*
RESUMO
* p*esente pesquisa investi*a o f*nômeno
da r*pr*sentação s*cial em dua* organi*a*õe*
*a
ca*e*a **odutiv* da r*c**lag*m, bu*c*ndo o*serv*r e entende* a **são que *s indi*íduos t**
d* si como tra*alhadores e do seu trabal*o,
possibilitando não somente ente*dimento o
do
comportamento *umano e da gestão nestas organiza*ões, co*o também desenvolvim*nto o
da Te*ria *as Rep*e*enta*ões Sociais (TRS) no camp* *a Ad*inistraçã*. A pesquisa,
de
*aráter qualitativo, comparou o conteú**
das entrevistas d*s trabalhadores e de *eus
co*rdenadores e evid*nciou não
ser possível encont*ar nas r*pre*entações sociais a mes*a
compl*xidade e va*iedade das *gend*s atr*buída* a estas organizações d* economia solidári*,
po*s a compreens*o do papel social des*a atividade *e depara com o c*mportamento
t*ndencioso e confli**nte da realid*de, que interp*eta e valoriza o mote e*o*ômico-*i*anceiro,
especialmen*e a necess*dade de geração de *rab*l** e renda.
Palavra*-chave*: Teoria da* Repres*ntações Sociais. Econo*ia *o*idá*ia. Materi*is
Recicláveis.
A*ST*ACT
T*is research *nq*ires *he socia* re*resentation ph**omenon i* *wo organizati*n* in
recycli*g su*pl* *hain, trying to ob*e*ve and understand the vis*on that indi*iduals have
o*
themsel*es as worke*s a*d th*ir wor*, enabling not *nly th* understanding of h*man b*ha*ior
*nd manageme*t in the*e org*n*zations but *l*o a*o*t
t he *os s i bi l i * y of
devel*pment
o*
Social Re*resentations Theory (S*T) in the fie*d of Admi*istration. The researc*,
*f
qualitati*e charac*er,
compared the worker interviews c*ntents
and *heir c**rd*nators and
sho*ed not b* **ssibl* find in t*e social represen*atio*s *he same *o*pl*xit* and v*r*ety of
agendas assigned to these *rganizations ** Solidarity Econ*my, because t*e un*ersta**i*g of
t he
soc*al role of *his social acti*it* are faced with the biased
a*d co*flicte* behavior
of
*eality, tha* *nterpr*ts and en*ances *he economic and financial mott*, espec**lly the need *o
gene*a** *m*l*ymen* a*d inco*e.
Keywords: S*cia* Re**esentatio*s Theory. Solidarity Economy. re*yc*ab*e materials.
Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 1, art. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017
www4.fs*n*t.c*m.br/*evista
Teo*ia *as R*p**sentações Soc*a*s no Campo da Economi* Solidária
5
1
INTROD*ÇÃ*
O *resent* tra*alho inve**ig* o *enômeno da *e*resentação socia* em d***
**ganiza*ões da Economia Solidá*ia (EcoSol) - Associação dos Catadores de **teriais
Re**c*áveis d* Lavras-M* (AC*MAR) * A**ntes E*o*ógicos ** Dourados-M* (AGECOLD)
- buscando ent*ndera visã* *ue *s *ndi*íduos têm de si com* trabalha*ores * do seu traba**o.
Organizaç*es cooperat*vas e assoc*ati*is*a* sã* espaços privil**i*dos para
a
inve*t**ação da* repr*sen*ações s*ciai* *e *rabalhado**s, em es**cial aquelas que bus*am seu
d*se*volvimen*o a partir da ins*rção no que *e denomina e*o*om*a so*idária. T*is
or*anizações se **n**guram p*la convergência d*s expe*tat*vas de grup*s dive*s*fi**dos,
c*jos motes podem relac*ona*-se à proteção a*b*ent*l, des**volviment* de cid**ania,
**clusão s*c*al * g*ração de trabalho e r*nda.
Embora a cole** e *esti*aç*o do* re*íduos sólid*s u*ba*os (RSU´*) sej*
**
respons*bilidade d*s pr*feituras municipais, diversos indivíduos -
ger*lmen*e moradores
de
rua e/ou desemp*egados
- coletam mater*ais recicláveis, mesm* que em co*dições precárias
*u s**-humana*, c*mo uma *lterna*iva de ge*aç*o *e *enda *ara si. Po* con*a *isto, * comum
se encontr*r prefeituras *unic**ais q** f*men**m o dese*v*lvimen*o de organizaçõe*
co*eti*as *ntre *st* grupo de pessoas. Pensando pelo l*do e**n*mico, tais organ*z*ções atua*
*e forma a central*zar a comerc*alização dos ma**riais p*ra *u*atei*os ou ag*ut*n*dores, u*a
espécie de atrav*ssador. **bora se**m
exc*ções, algum*s *rganiza*ões são mai*
diversif*ca*as e conse*uem gera* mais *i*u*za ao rea*izar ativi*ades *om maior valor
agregado.
Uma ve* estabeleci*as, *sta* org*nizações *oleti*as fu*cionam também como
espaço, fim e/ou m*i* para promoçã*
de diversas polí*icas p**lica*, preenchendo
di*ers*s
agen**s - ambiental, de ass*stê*cia soc**l, econômica * político i*eológica - na me*i*a em
que a
org*niz*ç** serve, re*pectivamente, par* retirar do *eio-a*bi*nte *aterial polu*nte,
**mo e*paço
para campa*has e pr*jeto* socia*s, * *im de gerar trabalho e renda e para
emancipa* indivídu*s por mei* de de*erminada* p*áti*as de prod*ção e ge*tã*.
Tend* *m vi*ta os divers*s int*re**es dos *r*balhador*s (a*sociados) e a influência
do seu contexto socia*, *o*ítico e ec*n*mico, *uestiona-se: seus de*oimentos são *epro*u*ões
** f*ram construçõe* *tr*buídos a n**o* si*n*ficados? *s in*i*ídu*s inc*rporam o *iscur*o
de alguma agenda? Ou e*es trabalham d*is deles *u todos os trê*, internal*zando-os *e forma
**mplexa e articu*ada? * resposta
p*ra estas questõe* possibilit*m não s**ente
o
Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017
w**4.fsa*et.c*m.br/*evista
D. R. Oliveira, F. T. D. S. Corr*a, D. C. T. A*drade, J. L. Passador
6
entendimento do *omp*rt*men*o hu*ano e da g*stão nestas orga**zaçõ**, *omo tam*ém
o
desenvol**me*to da Teoria *as Represen*ações Sociais n* campo da Admini*tração.
Os e*tudo* sobre represe*tações so*iai* têm seu maio* marco teór*co
na obra "La
psy*hanalys*: Son*mage et sonpublic", de *961 de a*to**a d* Serge M*sc*vici. Já, no Bra*il,
o* estudos sobre repr**entações sociais te* se* cerne no artigo de Spink (*993). De*de
então,*en*enas de pesqui*as *eóricas e empíricas relevantes *oram d*sen*o*vida* *a área
*e
*aú*e pública, ps**ologia social e educa*ão. *ntretanto, a represen*a*ão social,tanto
na áre*
*r*a*izaciona*, *uanto *as pesquisas e* Ad*inistra*ão, é um camp* de es*udos recente
e
pouco explorado, como apontam
os levanta*en*os bi*liogr*f*cos real*za*os
para esta
pesqu*sai.
2 RE**RENCIAL TEÓRICO
*.1 *rgani*ações de tria*em de mater*al rec*clável: c*ntexto social, pol*tic* e *co*ômico
Segun*o *ados do C*mpromisso Empresari*l para a Reciclagem (CEMP*E, 2*11),
m*is *e
443 munic*pios bras*leir*s realizam a coleta se*eti*a dos Resíduos Sóli*os *rbanos
(RS*´s). E*te número corresponde a 8% d* total * mesmo que na maioria destas cidade*
menos de 10% da p*p*la*ão municipal sej* at*ndida, res*al*a-se que as orga*izaç**s
**letivas de catadores já par*icipam da colet* municipal em 74% destes 443 muni*íp*os.
Mais d* metade dos municípios (62%) apóia o* mantém *oop*rativa* *e ca*adores
c*m* agente* ex*cut*res da cole*a selet*v* mu*ici*al. Dentre os apoi*s
mais comuns
re*ebidos por estas organiza*õ*s es*ão a ces*ão o* doaç*o de equi*amentos, *a*pão
de
triagem, pagamento de gast*s c*m *gua * energia elétri*a, caminhões, c*pa*i*aç*es e *uxí**o
n* divulgaç*o e e*ucação ambiental (C*MPRE, 2011).
Diversos são o* *atores qu* influenciam o *rab***ador nas *rg*nizações coletiva* que
tra*alham com t*iag*m de *SU´*. Segund* Carm*, Oliveira e Arruda (*006), a associação do
s*gnific*do de l*xo à sujeira afeta neg*tivamente a identidade dest*s indivíd*os ao moldar
o
reco*hecimento so*ial * a id*nti*ade profis**onal, configur*ndo-se como um verdadeir*
"obstáculo * *rga*ização d*s catadore*" (CA*MO, 2009, *. 591).A as*ociação dos RSU´s à
su*eira já foi maio*, mas ai*d* "*er*ane*e um d**afio
não totalme*te s**erado" (CARMO,
2009, p.591). Por outro lado, s*mântica positiva d* termo lixo a
- *om signifi*ado de
recicl*g*m - embora t*aga u* *ument* d* parce*a de pessoas e empresas i*t*r****das e*
separar os materia*s, dimin*i a *roporção daqueles *ue pr*f*rem doar a vender este mat*ri*l.
Rev. FSA, *er**ina, *. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2*17 ww*4.*sanet.com.br/revista
T*oria d*s Rep*esentações *o*ia** no Ca*po d* Economia Solidária
7
Isso "não ajuda mu*to a m*lhorar condi*ões so*iais e econômi**s d*stes
trabalha*ores,
poi s
aumen*am a competição no mercado" (C*RMO, 2**9, 591).
Os
esforços do poder
púb*i*o em *poiar * trabalho dos catadores, *egundo Ca*mo
(2009), teriam se or**inado dura*te a Conferência das Nações Unidas pa*a o Meio Ambiente e
o Desenv*lvimento, a Eco-92, ocorri*a no Rio de Janeiro-RJ. Co*tudo, o* catadores
br*s*l***os t*rna*am-se obj*to de pesquisas científicas e políticas pública* "pe*o viés social de
geraçã* de *enda a partir dos resíduos e n**, necess****m*nte, pe*o* asp*ctos ambient**s que
as pe*meiam" (C*RMO, 200*, p. 5*2).
Apesar do cre*cimento
dos movimentos *mbien*ai* pelo mundo a part*r dos ano*
1*70, no B*asil, as razões p*ra o apoio às organizações de classif*caçã* de RS*´s reci*láv*is,
aparente*ente, são *ut*as. Estas razões seri*m derivadas do
perfil his*óri** do trabalha*or
q*e vi v* do
*i*o *, tal*e*, também, por
co*ta das \formas\ **e esta* org**izações mui*as
vezes t*mam, e por se trat*r de uma *tivid*de intensiva em
uso de mão-de-*b**. Estes trê*
fator*s a torna* espe*i*lmente interessantes
para p*lí***as públicas, sejam es*as
efetivas ou
demag*g*cas. O boo* da reci*lagem *o **as*l parece *er ocor*ido quando a c*leta ** *atas de
*lumínio de bebidas *ornou-se *omum entre mora*ores d*s **as das grandes ci*ades
b*a*ileiras e nas ci*ades qu* são invad*das por turistas d*rante o verão. Como o Brasil a*ingiu
altos índices de reci*lagem de alumín*o no iní*io da dé*ada *e 2000 -cerca de *0% das *a*as
de alu*ínio produzidas no pa*s *assara* a ser *ec*cladas - estima-se, *qui, que, entre
este
p*ríodo * os anos r*ce*tes, quando o aquecimen*o global *omou *o*ta de not*ciári*s, pa*sou-
se a olhar e tratar a*
o*ga*izações c*leti*as de t*iagem de RSU´s reciclávei*, ob*etivando
ex*l*cita*ente fi*s a*bie*tais. Porém, maioria *os estudos que fiz*ram este diagn*stico a
não apres*ntaram dados i*u*trativos total*ente confiá*eis.
*o transcor*er de**es anos, concomitantemen*e à expansã* da rec**lage* no Brasil,
um te*mo que se class*fica como uma forma alternativa d* produção, gestã* e coordenação de
relações econômicas produt**as f** cunhado e expandiu-se p*lo **asil. *rata-se da Economia
Solidária (EcoSol), que, segundo Moura (2002), abrange *an*o *ma n*va política so*i*l,
quanto
u* nov* paradigma econômico, sendo que é
p*ssível encontrar suporte par* os
doi *
s*n*idos do ter*o n* literatura. Tal sit*ação, invari**elmente, *o*tribui
par* a dif**uldade
daquele que
e*t* conhecendo este fenômen*. Com* nova política social, Mour* (2002)
*nxerga *a EcoSo* uma proposta mais social, que
prioriza a inclusão,
os pequenos
empreen*imentos e os setore* à marge* do* grand*s **te*ess*s econômicos. Dessa forma,
surge a i*ters*ção com a ec*nom*a p*p*lar e a
conjunção
dos termos n*utr* d*no*inaç**
ta*bém bastante *ivul**da, "Econ*mia Popu*ar * Solid*ria".
Rev. FSA, Teresina PI, *. 1*, *. 1, art. 1, p. 03-29, jan./f*v. 20*7 www4.fsan*t.com.br/revista
D. R. Olivei*a, F. *. D. S. *orrea, D. C. T. Andrade, J. L. Pa*sador
8
Em *utro senti*o, o termo EcoSolabrange prátic*s eco*ômica* e fo*mas
organiza**onais al*ern*tivas. Apesar d* os contornos nã* serem claros, *ode-se i*cluir ne**e
segundo *entido, as organizaç*es au*og*s*ioná*ia*, algumas organiza*ões col**ivas
(*oopera**vas e associaçõ*s), d*ter*in*dos A*L´s, r*des *olidária* de
t*ocas e, mais
rec*nte*ente, comércio *us*o. A leitura é que * possível *e formar uma c*d*ia produtiva
s*lidária desde a pro*ução, p*ssando pela dis*ribuição, até atingi* *
consum* (RAZE**,
1998 apud M*URA, 2*02; G*MES et *l. s.d.).
O fenôm*no a*ali*ado neste estudo pod* e*qua*rar-** em am*os *s se*tidos ou
ap*nas *o prim**ro con*eito de EcoS*l post* por M*u** (2002). Na medida em *** resp*nde
a
polí**cas econôm*cas passadas exclu*entes, *ba*c*
um seto* c** pouco val*r agregad*
e
moviment*ção financeira e oportuniza *rabal*o e
renda a **svali*os, *esempregados e/ou
t*abal*ador*s precários. A* or*anizações em anál*se neste estudo ce**amente classifica*-se
como u*a form* de políti*a social.
Tendo e* vista o exposto **é o momento, not*-se qu* a* *rga*i*a**es i*ves***adas
neste estud* são organizações ambie**ais da EcoSol. A s*guir,
expõem-s* as razões *elas
qu*is estas org*nizações também são
cons*deradas como **ganizações político-i*eológicas
dotadas de cap*cid**e de tra*sformação, via emanc*pação, de seus trabalhad*res e
da
socieda*e.
Ao *nalisa*em as políticas *ú**icas relaci*nadas à EcoSol que com*õe o programa
"Economia Solidária em Desenvolvim*n*o" (ESD),
da Secreta*ia Nacional d*
*c*no*ia
So**dária (SENAES), vincula*a a* Ministério do Trabalho e E*preg* (MTE) do Gover*o
Feder*l, *albino, Barreto e Diniz (2011) de*cr*veram que
coe*is*e*
duas dife*entes visões
**ntro d**t* mesmo Progra*a. A EcoSol é posta tanto co*o *ma a*terna**va para geração de
trabalho e re*da, q*anto c*mo
um* propo**a *mancipatória do sistema atual
de prod*ç*o.
Dentre e*tas, a p*i*eira per*p*ctiva é id*ntificada c*mo prepon*erante.
Já * possibilidade de ema*cip****
do traba*hador é
posta *m ch*qu*, por
ser
proposta via p*lític* *ública estatal: "assim posto, a *conomia Solidária está v**tada pa*a os
pró**i*s *nteresses do *stado e d* capit*l * nã* p*ra os obj**ivos que a funda*en*am"
(CALBI*O; BARRETO; DINIZ, 2011, p. 141). Tra*a-se *e um
an*a*on*smo a proposta
de
*m*ncipar ind*víduos traba**adores *ia inter***ção estatal, p*i*, *onf**me p*oposto
nas
polít*ca* do ESD
anali*adas, estas se c*racterizam mais como polí**ca "de"
Ec*n*mia
*ol*dária do que "para" Economia So*idária (CALBINO; BARRETO; DINIZ, 20*1, *. 141).
Dessa *orma, como u*a política pod*
intervir
na **oSol e suas orga*izações e
propor-*e
c*ntra *istema o
atual de produção, sen*o *ue fomenta
principalmente trabalho e *enda
R*v. FSA, Teresina, *. 1*, *. 1, art. 1, p. 03-29, ja*./fe*. 2017
w**4.*sanet.com.*r/revist*
Teoria das *eprese**açõ*s *ociais no Cam*o da *co*omia Solidária
9
li**tada ao escopo do M*E, passando
dista*te do que pare*e minim*me*te
necessár*o par*
promover a emanc*pa*ão de indivíduos?
Verifica-se *ue, os au*ores não esgotaram os questionamentos possí*ei* a r*speito da
vinculação da EcoSol à emancipaç*o política *os trab**hadores. Pode-se ir mais lon*e
c*m
tais indagaç*e*, se ho*ve* a inclusã* na disc*ssão das cara*t*rísticas **trut*rais desta
*ecretaria. *a*s espe*ifi*amente, pode-se le*antar elem*ntos tais co*o: (a) a
*inculação
histórica com o pensamento de *squ*rda do partido político no governo do País, de*de antes
d* s*rgiment* d* SENAES a*é os dias de ho*e; (b) à formaç** dos quad*o* dire*ivos desta
Se*retaria e o co*teúdo do* discursos proferidos pelo* seus altos gestor*s; (c) o* ma*eriais de
cursos min*strado* no *mb*to *e seus projetos disponíveis *m; * (d) a *rodução *cadêmica do
principal *est*r (e p*n*ador) da SENAE*, Pa*l Singer.
* título ** um dos tr*b*lhos de Paul *inger parece ser embl**ático neste *entido.
Ele pro*eriu u*a co*ferência, ainda em 1998,
int*t*lada "A*tog*stão e sociali*mo: o*to
hipóteses *obre a
**pla*t***o do s*cia*i*mo vi* autogestão" que fo* publi*ada em Oliveira
(2001).
Neste texto, logo após ap*esen*ar *xemplos de form*s de org*nizaçã* e co*pe*ativas
como
aquelas *e trab*lhadores, de produção e agrícolas incen*ivadas pelo MST, e empresas
que p*ssar** a ser autogestionárias, escrev*m "não há dúvida que este
tipo de economia
solidária t*m
amplas persp*ctiva* de d*senv**vi*ent*" (*LIVEIRA, *001, p.232). N*utro
trecho afirma que o "conjunto da economia solidária
a*sim constitu**a dev* ser considera*a
uma vasta escola de capacitação *ocial**ta" (OLIVEIR*, 2001, *. 235); em **guid* expõe de
forma clar* a relação que *az
entre economia solidária e ***ologia polí**ca "O
desenvolvimento duma *c*nomia *olidári* vi*orosa, extensa e multifo*me é um pré-requisito
para que a rev*lução soc*al so**alista possa te*
sucesso" (OLIVEIRA,
2 001, p.
236), pois
"*ão acredit* no socialismo que c*meça com uma
con*ui**a de poder por m*didas de força
políti*a, tent*ndo i*por ao* trabalhadores e aos cid*d*os uma
nova forma de se *elacionar"
(p.236). Assim forma, es*a v*rada precis* aconte*er, via acúmulo de exp*ri**cias prod*ti*as,
mesmo ai*da ins*ridas na sociedade capita*i*ta. *or con*a d* atuação da S*NAES baseada
nest** con*e*tos é que pa*te d* confusão co* a terminologia e os se*tid*s da EcoSol no *rasil
*o*em ser atribuídos à SE*AES * a Paul Singer.
Rev. FSA, Teresina *I, v. 14, *. 1, a*t. 1, p. 03-29, *an./fev. 2017
w*w4.fsanet.com.b*/re*ist*
D. R. Oliveir*, F. T. *. S. *orre*, D. C. T. Andrade, J. L. Passador
10
2.2 * Te*ria *as Re*r*sentaç*es Sociais
A *eoria das *epresen*a*ões sociai* *oi originada n* Europa no final dos *nos 50,
e
tem *omo **rco teórico a obra "La psyc*analyse: **nimage et *o*pu*lic", esc*i*a po* Serge
Moscovic*, publicada em 1961. Esta obra tornou-se r*fer*ncia pela integração d** *enô*enos
*e percepção ind*v*du*is e coletivos diferindo, assim, das formas psi*o*ógicas sociais que são
atua*mente predo*inan*es
n*s Estados Unidos (FARR, 200*). No Bra*il,
o e*tudo
das
*epres*ntações so*iai* *em oc*rrido h* m*no* d* 20 ano*, tend* como *arco o
artigo
"O
Conceit* *e Repr*s*ntação Socia* na Abord*gem Psicoss*cial" (SPINK, *993).
Como Farr (2000) explica, * teoria *as r*present*ções s*ci*is possui *uas correntes
t*óricas
representada* por F. *. Allpor* e
por Serge Mosc*vici. Allport recebeu
inf*uência
**rte-a*eri*ana e, devido a sua **colha por Comte, adota uma filos*fia po*i*ivista da ciência
e se ut**iza do modelo *ndividual para explicar os fenômenos no âm*ito coleti**. Já os estudos
r*al**ados por Moscovi*i originaram-s* n* Eu*op* * tê* suas *ase* na P*icolog*a Soc**l.
Resgata *m *ur*heim o conceit* de *epr*sentação col*tiva e, com isso, posiciona-*e de forma
op*sta a A*lport, perfa*e*do uma r*lação
entre o pass*d* e o presente (FARR, 200*). P*ra
Mosc*vici (1995), *s represe*taçõ** soc*ai* têm *m **ráter interdisci*linar, cuja origem *stá
vinculad* à psico*ogia, socio**gia e antropologia, sendo q*e a te*ria d*s repr*sent*ções
sociais condu* u* modo de olhar * *sicologia *oc*al
que exige a *anu*e*ção ** um laç*
estreito entre as ciências psic*lógicas e as c*ência* s*c*ais.
A origem das *epr**en*ações sociais remonta à Sociolo*ia, na medida em
qu*
Durkheim é, prov**elmen*e, o primeiro * de*tacar que o soc*al se *obrepõ* ao individual.
Pa*a e*te autor, as rep*esen**çõe* coletiv*s sobrepu*am as **pre*entações de cun*o individual.
O **r humano, co*o ser dual em sua natureza, "na me*ida em *ue *arti*ipa da soci*dad*, (...)
ultrapassa * si mesmo, tan*o quando pensa com* quando a*e" (DURK*EI*, *978, p.217).
Por outr* la**, a
ant*opologia - que s* *onsagrou com*
uma ciência interpre*ativa *e uma
dad* realidade c*ltural, po* meio do mé*odo etnográ*ico - c*am*u par* si a inc*mbê**ia d*
d*sc*brir o que *xis*e nas
vivênci*s cotidianas dos indivíduos. Mais recent*ment*,
a
psicologia social transfor*ou o ***ceito em teor*a e passou a julgar-se como mais habilitada
a dar conta desse c*mpo temátic* (CAVE*ON; PI*E*,20*4).
As ideias de D*rkheim sob*e repr**entaç*es
soc*ais, a*esar de antigas,
ainda são
c*mpar*ilhadas **r uma série de estudio*os (MI*AYO, 2000). Se*un*o Minayo (2000, p.
90), para *urkheim as re*res*ntaç*es coletivas são f*t*s sociais e tais quais *s ins*ituições e
e*truturas são **ssíveis de ser estudadas. D* *m la*o, as repres*nta*ões "cons*rvam sempr* a
Rev. FSA, Teres*n*, v. 14, n. 1, a*t. 1, *. 03-29, jan./fev. 20*7 ww*4.f*a*et.*om.br/revis*a
Teoria d*s R*pre*entaç*es *o*iais no Campo da Economia Solidária
1*
ma**a da *e*lidade social on*e nascem, m*s també* possuem vida independente,
reproduzem-se e m*sturam-se, tendo com* causas
outras rep*esentaçõe* e *ão a*e*as
a
estrutura s**ial" (*IN*YO, 2*00, p. 90). Durkhe*m af*rma que "** repres**t*ções coletivas
traduzem a maneira como o grupo se pen** nas suas re*açõe* com os o*jetos que o
afe*am"
(1978, p. 7* ap*d MI**YO, 2000, p. *0).
Seguin** a concepção Moscoviciana, Re*resentação Socia* pode ser definida co*o
um *o*junto de *enômenos perceptivos: opiniõ**, c*enças, *titu**, que podem *er es*elhadas
por mei* ** gr*po ao qu*l o *ndivi*uo pertence, de*endo **r estuda*as a partir das *str**ura*
e *omp*rtamento sociais. A representaçã* é co*o u*a i*agem me**a* *a *ealidade, ou como
*xpressa Minayo (2*0*), **o *m*gens co*struíd*s sobre o real.
As rep*esentações s*ci*is surgem na re-construção da rel*ção do sujeito com o
m*ndo, ou, falando d* o*tr* forma, na re-co*strução da realid*de. Segundo d*staca
*ovchelov**ch (2000, p. 78), "o su*e*to nã* est* subtraído ** r*alidade soc*al, nem mera*ent*
c*nd*nado a rep**duzi-la. *ua taref* é e*aborar a perm*nente te*são *ntr* um mundo *ue já
se encontra constit*ído e seus p*óprios esfor*os *ara ser *m sujeito".
Nest* proce*so, as r*la*õe* entre *undos de **rspecti*as diferent*s são mediadas
pela
comu*ic*ção; as re*ações *ntre n*ces*idades hu*ana* e a naturez* são *edia*a* pel*
t**ba*ho e a* r**açõ*s entre a a**er*dade de um mundo freq*e*temente **steri*so e o m**do
da intersubjetiv*dade human* são mediad*s pelos ritos, mi*os e
**mbolos
humanos
(JOVCHELOVITCH,
2000, *. 81). **tas mediações s*ciais,
*m suas ma*s variadas f*rmas,
geram as representa**e* sociais. N*sse sentido, a* representaçõ*s são "[...] u*a estratégia
desenv*lvida p*r *tor*s sociais para enfrenta* a di*ersi*ade e a mo*ilid*de d* um mo*o que,
embora
pert*nça a todos, tra*scen*e cada um indi*i*ual*ente [...]"(JOVCHEL*VI*CH,
2000, p. 81).
Tal c*ncepç** é **mpartilhada por Sá (*995), para quem um
no*o tip* de se*so
comum surge na moder*idad*. Caracterizada
por nov*s saberes sociai* p*pulares
e
c*nhe*iment*s de *egunda m*o "cuja ope*ação básica consi*te na contínua apropria*ão \da*
imagens, das noçõ*s e das linguagens qu* a ciência
nã* c*ssa de i*vent*r\ [Moscov*ci
e
He*stone (1984)] (p. 5*3)" (SÁ, 199*. p. 29-30). De*sa forma, Represen*açõe* Socia*s
referem-se a "um c*njunto
de conc**tos, explicações e *firmações que se origi*am
na *i da
*iária no curso de comunicações interindividuais. (...) poder-se-ia dize* que são * versão
c*n*emporânea do senso comu*" (MO*COVICI, *981, p. 18*).
Numa d*t*rminad* *oletividade, * represen*a*ão socia* tem como papel
*onferir
racionalidad* * cr*nç* coletiva e sua **gnificação, po*tanto, a*s sa*eres po*ulares e ao senso
Rev. FSA, T*res*na PI, *. 1*, n. 1, ar*. 1, *. 03-*9, jan./fev. 2017 ww*4.fsanet.com.br/revista
D. R. **iv*ira, F. T. D. S. C*rrea, D. *. T. An*rade, J. L. Passad*r
12
co*um. Send* que *las s*o racionais, *ão *or serem s*ci*is, mas po*que elas *ão col*tiv*s
(MOSCOVICI, *995).
*osco*i*i (1978) relata que as representa*ões sociais apresent*m-se"[...] *omo uma
forma d* guiar comportamento, e tam*ém *omo tentativa de reco*stituir o
os elemen*os
do
meio ambient* e* que o comport*me*to está inser*do". *inayo (2000, p. 1*0) *es*aca *u* *s
r*presen*açõe*
sociais "se manifestam em pala*ra*, sentimen*os * condutas e
se
insti***i**aliz*m, *ssim,
po*em * devem *er an*lisadas a par**r d* co**re*nsão das
estr*tura* e d*s comp*rtamentos sociais". P*rém, seu in*ermédio privi*egiado é
a
linguag*m,pois el* ref*ete *s formas de conhecimento e as formas da* interações sociais.
Como explic* Fior*n (*988, p.42-43) "[...] o d*scurso *imula *er in*ividual pa** ocultar que é
social... o *ndivíduo não p*nsa e não *ala o que quer, mas o q*e a realidade impõe que ele
pe*se e fale".
*s *e*resentaçõ*s so*iais *ão teorias d* senso com*m *nternalizadas pe*o indivíduo
p*ra a or*anização da sua *ealid*de. *e*se *ent**o, * *epresentação s*cial tem como ob*etivo
t*rnar fam*l**r o estranho e explicar os *enômenos do ambiente co*etivo *ue * circunda. Não
se trata de meras opiniões e atitudes.
A teori* d*s represe*taç*es
s*ciais *e*el*-se útil *a busca de
uma melhor
com*ree*são d** práticas c*leti*as. P*r me*o
do conhecime*to de uma represent*ç*o social
torna-se possível u* entendimen*o mais ad*q**do dos *roce*sos de
constituiçã* simb**ica
enco***ados na soci*dad*, onde indiví*uos se engajam para *ar sentido ao mundo e nele
*onstruir sua ident*d*de social.
O indivíduo rep*esenta algo que *he é
f*mil*ar, que c*mpõe o seu meio, m*s não
é
sua produção de prim**r* o*d*m. Algo com o q*al el* **m con*ato, está *nvolto *u perp*ssa
s*u mun*o. * rep*ese*tação social refere-se ao "posicion**ento da consciência subj**iva nos
espaços sociais, com o intuito de
construir percepç*e* por *arte dos indivíduos"
(MOSCOVIC*, 1978).
2.3 Conv*rsaç*o: TRS e *s o**anizaç*es colet*vas
* pes*uisa cient*fi*a apontou, nos ú**imos anos,
para a *ecessidade de reciclagem,
trata*ento de re*íduos sólidos urbanos, *imin*i*** na emissão de gases *oluente*, como
o
me*ano e o dió*id* de carbo*o (enc*ntrados na deco*posição do lixo), comérci* de cré*itos
de *ar*on*, tecno*ogia* mais l*mpas de produção * toda sorte
*e
*ções fomentadoras ** um
Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, j**./fev. *017
www4.fs*ne*.*om.br/revista
*eoria d** Representações Sociais n* C**po da Econ*mia Solid*ria
13
dese*v*lvimento mais sustentável. Isto
envol*e os RSU e reciclagem de ma*eria*s, o que a
i***ui a c*deia produtiva e as organiza*ões qu* neste artigo se investiga nesta age*da.
Por outro lado, muda*ças econ**icas neoliberais im*lantadas p*r g*vernos no
Brasil desde 1990, ao menos po* 1* *nos, e mud*nças te*n**ógi*as implant*das p*r empresas
desde a década de 1*80 gerar*m e**lu*dos do *ercado de trabalho formal, o q*e acarreto* *
ne*essidad* de ações públi*as de f*me*to ao empr*g*, trabalho * r*n*a (BARBOSA, 2*07).
Porém, nos últimos an**, est*s políticas passaram po* um* mudança im**r*ant*. *o*ve um*
mud*nça de *o*o de "políticas de
empre*o
para polí*ica* d*
geração d* trab*lho e renda",
e*pecialme*te numa conc*pç*o sustentável-solidária (FR*NÇA FILH*,
*006). Nesta nova
*o*figuração as organiza*ões cole**vas, principalm*nte as intensivas em mão-de-obra, tal *ual
as ana*isada* *este art*go, são d*stac*d** nesta agenda.
Alé* dest*s du*s ag*ndas pode-se *e*t*car uma terceira, ex*licit**e*te ideológica,
vinculada à
formação de pensamentos * práticas e*onô*icas de produçã* e *ist**bu*ç*o
vinc*ladas
ao socialismo e a mov*mentos
de esquerda. Encontrada* princ*palmente *m
**o*ra*a* e *rojetos desenvolvimen**s, po* gover*os de par*idos histo*icamen*e asso*iados a
estas i*eologias e por organizaç*es do
ter*eiro s*tor (muitas vezes f*nanciadas po* recur*o*
públi*os), e*** agenda inclui *s organizaç*es investi*adas nesta pesquisa, *or conta
*e s ua
org*nização espontân*a ou possibilidade de fo*ent* pelos govern*s loc*is. Porém, n*st*
co*te*to, estas organizações cost*mam ser *enominada* de organ*zações da
ec*nomia
solid*ria ou empreendimento* econômicos sol*dári*s.
3. PROCEDI*ENTO METODOL*GICOS
*dota-*e um
estudo
** carát*r
qualitat*vo com na*ur**a explo*atória. P*ra Martin*
(2006), este tipo d* *valiação é caracter**ado pela descrição, compreensão * inte*pretaç*o de
fato*. Neste s*nt**o, Sell*iz et al. (1965)
c*m*nt*
qu* * principal acentuaçã* re*ere-se
à
d*scobert* de
ideias
* intuiçõe*, por isso, seu planejamento precisa ser suf*cientem**te
flexível, de mod* pe*mitir a con*ideraçã* de dife*ente* aspectos acerc* de u* *esmo *
fen*me*o.
Est* *esquisa se realiza a p**tir do estudo de dois ca*os. A prefe*ênci* *elo u*o do
est**o de
*aso deve ser
dada em situaç**s onde é possível *aze* obs*rva*ões diretas
e
entrevistas sistemát*cas. O estud* *e caracteri*a pela **pa*id*** de lidar co* uma *ompleta
variedade *e *vidências - document**, art*fato*, *ntrev*stas e o*s*rvações (YIN, 2005).
Rev. FSA, Ter**ina *I, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017 www4.**an*t.c*m.br/re*ista
*. R. *li**ira, F. T. D. S. C*rr*a, D. C. *. Andra*e, J. *. Passador
*4
*egund* Wood*ide (2003), a real**ação de vá*ios estudo* de casos em *ma pesquisa
é *ossíve* quando se quer *st*mar * tamanho de um efeito (a f*rça desse fe**meno), mais do
qu* **neralizar seus res*ltados p*ra a população. * *ecisão so*r* o *ú*ero de c*s*s irá
de*e*der, en*ão, do *rau de certeza que *e qu** ter so*re os resulta*os da pesquisa (YIN,
2005). Optou-s*,
portanto, por organizaç*es *cessíveis que estiv*ssem pró**mas
d* *ocal
de
resid*ncia dos p*squ*sadore*.
Os dados fora* col*tado* *a *GECOLD (A*soc*ação *os Agentes Eco*ógicos
de
Dourados), estado do *ato *ross* do Sul, n* mês
de dezembro *e 2007 e na *CAMAR
(*ssociação *os Catador** de *a*eria*s Reciclá*e*s do *unic*pio de La*r*s), esta*o
de
*inas Gerais, em julho de *011, por m*io de entrevistas s*mi-estrut*r*das.
A população c**sid*rad* para a pesq*isa *oram o* associados das o*ganizações e
seus funcionário*. A AGECOLD apresen*a 11 associados
em sua totalidade mas, devido às
au*ênci*s, reali*aram-se apena* 7 e*trevistas. Já a ACAM*R apre*enta
32 associados, dos
**ais o*to foram entrev*stados. Neste c*s*, deve-se *essaltar a
pequen* dis*onibilidade
dos
a*sociad*s em participar da pesquisa, devido * política de r***neração b*sea*a no número d*
horas trabalhadas. A*é* *isso, en*revis**u-se coor*enador ge*al (fu**ion*rio) respo*sá**l o
pela ACAMAR. Adotou-*e uma *mostragem não probab*lística *or aces*ibi*idade, pois
os
pesqui**do*es conheciam as duas
associações. As entrevistas foram realizad*s
por doi s
pesq*isadores diferentes,
u* em cada ass*ciação, com grav*ção *e á*dio
devidam*nte
autorizada apenas na AGECOLD, sendo
necess*rio fazer as anotações cabíveis no **so
da
ACAMAR. A
d**açã* *éd*a
das en*revistas
na AGEC*LD *oi de ** mi*utos, sendo *ue a
entr**ista *ais *u*t* dur*u 1* minut*s e * m*is lon*a 43 minutos. No caso da ACAMAR, as
en*revistas du*aram ap*oximadamen*e 27 minut*s, sendo a
mais curta 20 minuto* a m*is e
longa 32 mi*uto*.
O pr*c*ss* *e conduç*o d* entrevis*a foi in*ividual, *espondente a *esponde*te.
Antes *o *nício de cada *ntrevista fora* passa**s algumas o*ientaç*es para os entrevistados,
c*m *s *uais se *xplicou o *bjetivo da
pesquis* * o t*atame*to *i*iloso dos dados
p*sq*isado*. *s ent*ev*stas fo*am transcri*as e **alisadas pelos au*ores a partir *as ca*ego**as
analític*s (agenda*)d*fi*idas no r*fe*e*cial te*rico.
A in*erpret*ção *os depo*mentos se deu pelo processo de aná*ise *e conteúdo. *reit*s
e *a*issek (2*0*) af*rmam
*ue téc*ica a
de análise de
conteúdo permite o aprofundamento
dos si*n*ficad*s das açõ*s e relações *umanas, p*rmite ir além do que se tem como **sultad*
claro e *anifesto, l***,
p*de-se ob*er, por infer*ncia, a*é mesmo aquilo *ue o entre*istado
deixou subent*ndido.
Rev. *S*, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-2*, jan./fev. 201*
www4.*sanet.com.br/revista
Teor*a das *epr*se*tações Sociais no Campo da Economia Solid*ria
15
4. R**UL*ADOS E DISCUSSÕE*
4.1 A AG*COLD
Forma*a atua*m*nte por onze membro*,a COO*ERCAT, co*o era *onh*cida, foi
funda**
em 2*00 *or i*centi*o da S*cr*tar*a Mun*cipal de Assistência **cial e Economia
Solid*ria (SE*ASES), *rgão da Pre**itura Mu*ici*a* *e Dou*ados - MS. O o*j*t**o inic*al
de**a co*per*tiva era organiz*r os catad*res,
ant*s *xcluíd*s da *ociedad* e *istantes da*
*olíticas *ú*li*as d* assistência social, permiti*d* a
g*ra*ão de e*prego, re*da e *ambém
a
inclusão *ocial de *rabalha*ores de rua. Ap*s a mu*an*a do seu formato j*rídico, que também
**u or*gem ao novo nome,passou a atu*r c** uma q*antidade menor de membro* - no i**cio
somavam 70 pes*oas - porém ainda a*ua no mesmo loc*l e com o apo*o
muni*ipal e* *ua
gestão * operação.
Na AGE*OLD, * faturame*to é **ati**mente igual ao luc*o, já que *
res*onsabil*dade d* p*efeitu** **car com alguns *ustos fi*os da *s*ociaçã*, *lém de
*eder
o
te*reno de sua propriedade e ainda investir
t*cnolog*cam*nt* *m *aquinário (prensas,
*i*otadeira de papel, etc.), doando-as à associação.
4 .1 .1
Representações Socia*s do T*a*a*hador d* *G*COLD
A pa*ti* da* e*t*evistas re*lizadas com os associados da AGECOLD, foi
possíve*
perceb*r *ue a maioria dos trabalh*dores são ind*víd**s *ue têm baix* esc*laridade (ens**o
fun*a*ental incomplet*), *o* f*ixa e*ária entre 20 e 50 a*os, nat*rais de outro* est*dos que,
e* sua mai*ria, relata* sofrim*ntos fam*liares e financeiros.
Ao ingre*sar n* associação, a*r**és de o*ganizações de ap*io como a SEMA*ES ou
indicação de famili*res, *les sentiram que *ode*ia *aver um f*turo
um pouco me*hor, e que
e*se *rab*lho poder*a d*r
u*a melhor sustentação f*nan*eira *ara sua* f*mílias. Apesar de
trabalha*em com pr*du*os re*i*ados do lixo, gra*de parte d*s entrevistad*s se d*zem felizes e
até rea*izados com ess* condição:
[...] Eu *osto da*ui [...] todo mundo é un*do, se um *á com *m proble*a t*do
mu*do também tá [...] t***ra que não ac*ba (sic!), *uero fi*ar aqui até *icar ¨sem
dente¨. (a-E4)
Re*. FSA, T*resi** PI, v. 14, n. 1, a*t. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017
www4.fsan*t.co*.br/revist*
D. *. Olive*ra, F. *. D. *. Co*rea, D. C. *. Andrade, J. L. Passa*o*
16
Quando pergunt*dos, ao* trabalhadores da AGECO*D se *ostavam d* que fa*iam,
diz*a que sim, qu* gostava m*ito, mesmo *azendo um tra*alho que exige esforço, empe*ho,
dispo*iç*o física e for*a, pois eles car*egam, buscam, separam e prensam material. Apesar
d*sta insalubridade, o traba*ho
realizado parece ser u* avanço aos membros da ass*ciação,
princi*a*mente àquel*s **e já foram catadores d*
rua pois, *omo tal, sofriam c*m
*
tra**mento qu* alg*mas
pess*as lhes davam, supos*ção de que fos*em *end**os, o *u* o*
f***am sentir-se m**ginal*z*dos:
[...] Na rua você *nfrent* muit*s pessoas q*e *al** c*isas;às ve*es você va* a*r*r um
s*co de *ix* e ele e*tá rasg*do, e a **na d* casa vê e começa a f**a* qu*
*ocê
é
culpad* [...] As *ess**s m* *iam como mendig*, uma pessoa de*v*li*a que *ão
*ive*se ninguém (sic!), e*a iss* que eu *e*t*a. (a-*2)
Mas também *e pôde perceber que ainda há t*aba*hador que não s* sent* à vontade
com o seu trabalho em se* meio s*cial par*ic*lar (família e amigos), co*st*angendo-se
perante o* amigos:
[...] Os ami*os brincam um pouco [...] ele* acham q*e * lixeiro mesmo, falam *ue
eu mexo com *i*o, que * muito nojento [...] *s menin** fala* qu* meu traba*ho *ão
te* f*tur*, qu* não tem estabil*d*de (*-*3)
Este di**urs* *rocura
relata* a consci*nc** do entr*vista*o
sobr* a dificuldade de
colocação profissional e falta
de opção de *mp*ego, ***s o mes*o fazia outras ativ*d**es
co*p*e*entare*, com* panflet*gem, ou ajudava nos ofício* d* p*nt*ra. Por meio *as
entrevistas foi pe**ebi*o *ue mu*tos d*s pesqu*sados *udaram a visão em relação a* s*u
traba*ho; co*eçaram a pe*ceb*r qu* a so*iedade també* pr*cis* deste tip* de serv*ço * que
sua ativid*de é extremamen*e importante **ra a comunida*e. Ambos estão, catadores
e
sociedade,claramente dei**ndo
no passado o preconceit* que e*is*ia, por tra*alharem
com
¨lix*¨:
[...] Antes as pes*oas não enten*iam, não tinham conhecimento, *ntão a ge*te fi*ava
isolado, antes as pe*soas achavam q** a gente es*ava ** lixão mesm*, * a gente se
sentia lá *mbaixo[...] porq*e lix* aqui*o que *ão aproveita *a*s, *u le*bro *
que
uma amiga m* falou
*ue isso (rec*clagem) dar vi*a aquil* que não tem vida. (*- é
E2 )
O p**samento de que a essência d* *ua *tivida*e é *rabal*ar com reciclagem fez *om
que houvesse uma sign*fic*tiva *elhora *a autoestima. Muitos não s* se*t*m *ais como
catadores e sim como agente* ecol*g*cos - term* que n*ste grupo advém do pr*prio no*e da
Associação. Este
n*v* mo** de pensa* foi adquirid* aos poucos, pois m**tos dos
entrevist**o* relataram que nem sabiam direito o que *ra recicla*em, e que quando *iveram a
Rev. FSA, *er*sina, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-2*, jan./fe*. 2017 www*.f**net.*om.br/revista
Teor*a da* Representaçõe* *ociais no Campo da Economi* Sol***ria
17
*p*rtunidade de apren*er, fiz*ram qu*stão de explicar para as pessoas o que eles fazem,
diminuindo o preconce**o.
Como agentes eco*ó*icos separ*dores de lixo (te*mo *til*za*o pelos próp*ios
traba*hadores) v*m se tornan*o don*s de novas habil*dades
e conhecimentos e, assim,
conhecedore* de *m
no*o ofício pois, como *red** a fu*ção, precisam s*para* por tipo
de
mate*ial (pl*sticos, papéis e papelõe*), * que a*s olho* do leigo n*o
par*ce sign*ficativo ou
não se faz ne**ssári*.
Essa conscientizaç*o repre*enta * marco i*icial de adesão e criação de valor*s, pois a
maioria dos ent*evi*tado* - especialm*nte os *ais antigos - não acha o *eu trabalho apen**
imp***ante pela questão salarial e complem*ntação da rend* familiar, m*s se s*nte confortável
em *alar sob*e sua relaç*o *om o *eio a*biente:
[...] Tem muitas *es*oas jo*am seu lixo pro lixão, m*itas co*sas qu* re*prove*ta, se
tantas pes*o*s trou*erem seu *ixo pr* cá, e a gente rea*roveita **se l*xo, acho que a
natureza *ai ficar mais lim*a [...] então eu **ho as*im que s**ia b*m pr*
todo
mundo. (*-*4)
A comp*ixão se c**ocou c*mo ele**nto princ*pal, quando qu*stionado* sobr*
*
inclusão so*i*l *e cat*dor*s de rua na AGECOLD, e*pecialmente pelo *ato de muitos te*em
vivenciado, num
passado não tão distante a*s*m, essa realidade da "vid* n* rua", termo
comumente usado por eles.No *ntan*o, **de-s* o*s*rv*r c*rt* temor, dados os freque*t*s
p*oble*as de alcoolismo, drogas e desajustame*to* sociais diversos que estas
pessoa*
possuem. **to ainda tem r**ação com su*s *xperiê*cias passa*as:
[...] O* catadores s*o bem
pro*lemá**cos, são pes*oas qu* não cons*guem *ai*
serv*ço qu* não tem nad*, alguns b**em out*os usam drog*s, ning*é* vai dar
emprego pra e*sa* pessoa* [...] então * difícil porq*e *aí se eles têm ess**
pr*b*emas, as*im *l*s vai tra*er (sic!) esses problema* aqui, para um gru** q*e es**
c*meç*ndo a o*ganiza*, *orque a maioria tem prob*ema, e é uma vid* mu*to sofrida.
(a-E6)
Mesmo saben*o de todos *s p*oblemas, ele* go*tar*am que o* catad*res de rua
fossem ajud*dos,
*orq*e acred*tam q*e, por meio d* trat**ento m*dico e p*icoló*ico p*r*
alguns ca*os, *eria po*sível s*u reenquadramento social. De fato, to*n*-se **t*rio
o
s*ntimen*o de frate*nidade, especialmente dos membros mais *ntigos da AG*C*L*, qua*do
se lemb*am, indiv**ualmente, da oportunidade que t*veram na v*da:
[...] *u acho que *ra eles se tornare* da *s*oc*ação precis*ri* *e *m tempo, deveria
*er um trab*lho pra es*e pessoal, pra eles i*e* organiz**do, e*trando *o
ritm* da
*e**e, par* que mais tarde eles virem **soc*ados [...] Tem que ser bem d*v*ga*inho
pra e*es se engaj*r, *or que com certeza eles tê* tudo pr* mudar de vida. (a-E2)
Rev. FSA, Teresina P*, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-29, jan./fev. 2017 ww*4.*san*t.com.br/revista
*. R. Oliveira, F. T. D. S. Co*rea, D. C. T. An*rade, J. L. **ssador
18
Po*co te*po *ntes da coleta d* dados, a organizaçã* e*tava c*m apenas seis
membros as*ociados
que *esde então, receb*a*
p*la divis**
do lucro da v*nda do material.
Após a *ncorporação *e
ma*s cinco *essoas, i*iciou-se u*a sé*ie d* c*nflito* in*ernos, poi*
estes membro*, que *ecebiam bol*as *alário d* p*ef*itura deix*ram de rece*e* este auxílio e
não compus*ram o q*adr* de as*ociados que recebem pe** q*antidade produzida *e*o g*up*.
Os membros da AGECOL* são *esde ex catadores de lixo, *e*soas que viviam *e
*tivid*des de renda complementar, até donas d* casa. Ap*nas *entre os seis membros m**s
**ti*os existem ex catadore* *e lixo *e rua.
*mbora j* tenh*m oco*rido *iversas m*danças na estr*tura gerencial da AGECOLD,
*e*entemente, a prefei*ura de Dourados nome*u uma co*rdena*ora q*e, p*rtir de e*tã* a
*umpre expe*ie*t* no local d* a*s*ciação para assessorá-los em q*ase to**s os ques*tos
administrati**s * operacio**i*:
[...] An*es da supervisora
entr*r t*ve m*ito
problema, *a**o* salário, as v**es um
co*v*rsa mais, e outro já fal*, e outro quer mandar ma*s, v*ra *m tormen*o. U*as
d*as sem*n*s atrás a *oord*nadora fez uma reu*ião e as c*is*s deu (sic!) uma
m*lh*rada, po*que ela co*ra muit*, ela diz * hor* que a gente tem que conve*sar [...]
Esses *essoal que t*abalha aqui cata*ores e a*e**es... é o se*uinte a gente ***ce*o e
*riemo (sic!) no si*io m*io*ia, então a gente faz as *oisas pensando que e*ta a
fazendo ce*to, *as não ta [...] a g*nte não tem no*ão de trabalh*r e* grupo, em
firma, *or *sso a co**d*nadora ajuda bastant*. (a-E6)
Dura*te a* e**revistas foi possível perceb*r as *ud*nças que oc*rreram na
associaç*o após a nomeação da *oordenadora; e os assoc*ados, em sua grande maio*ia, *stã*
satisfeitos por serem gere*ciados por um profissional:
[...] D*pois que a coorde**dora entrou mel***ou muito, porque ela sabe conversar
co* as pessoas [...] e ela fala mesmo, fala que pre*isa, então tem mui*a gente o
aju*an*o ag*ra com doaçõe* de materiais [...]. Ela é um* mulher guerre**a, ela v*i*
*esmo pra ajud**, t* aj**ando bastante. (a-E6)
*utro associado af*r*a se*tir * f*lta d* uma "doutrina" para co* o* trab*lh*dor*s,
ou seja, u*a política d* gestão com *egras claras e defi*ida*, horários d* trabal*o, cobranças
e *uper*i*ão, assim como na *mpre*a privada em que já trabalho*. U* terceiro afirma:
(...) q*ero continuar sem*re faze*do a mesm* ***sa , *empre ** minh* balanc*nha"
(a-E4)
Rev. F*A, Teresina, v. 14, n. *, ar*. 1, *. 03-29, j*n./fev. *0*7
www4.f*anet.co*.b*/revist*
Teoria d*s R*pres*nt*ções Soc*ais no C*mpo da Econo*ia Solidári*
*9
* maio*ia dos trabalh*do*e* afir*a que p**a a AGECOLD *ontinua* fu*cionando
cor*e*am*n*e, inter*amen*e e *m sua rela*ão com a comun**a** *ocal e *mpresas *o***ras, é
necessár*o que sempre ten*a alguém da pre*eitu*a para *dminis*rar e orga*i*a*:
[...] Eu a*h* que t** que deci*ir a* coisas são as p**soas da pr*feitura, realmente se
ficar na noss* mão não dá certo, vai faltar dinh*i*o para pagar água, luz, [...] por*ue
**s não sabe nad*, n*m tocar nada, a gente só sabe trabalhar, o pessoal da prefeitur*
está sendo m*i* que um pai e d* *ue uma m*e, iss* e* *igo mesmo de coraç*o[...]
por is*o tem que ser *l*uém *ue sabe, a *oo*denadora sabe li*ar c*m ** c*isa*
*
**ssoas. (a-E2)
Dent*e *s trabalhadores *ue estão
há mais t*mp* na AGE*O*D e hoje continua*
associados h*uv* *m certo desconfor*o com a entrad* de novos memb*os, tanto no que t*nge
as relações i*terpessoais, *omo a* t*abalh*:
[...] Esse grupo *ovo que entrou, enq*anto tem uns do** qu* são e*forçados gostam
*e trabalhar tem uns out**s três qu* carreg* as cois*s nas ¨coxas¨, tem que ficar
fa*ando fulan* fa* isso [...] as vezes ele* se of*ndem, ou trabalha e faz, uns s*o
*en*** demais, *orqu*
eu sei que eles trab*lh*m pensando n* s*lário, mas a gente
tem que mo*trar o tra*al** da *e*te, eu penso dess* f*rm*, m*strar o trabalho. (a-
E2 )
A visão do grupo *ais antigo *emonstr* *ue eles quer*m fa*er com *ue os r*cém
integrados à associaç*o demon*tr*m vontade de trabal*ar, que façam por m*recer algo que
receberam, *om luta e sofrimento.O própri* g*upo sente essa pres*ã*:
[...] Eu *osto d* trabalhar, mas aqui da mui*o desgosto, é um quer*n*o ¨com*r
*
outro¨ entende*? [...] porque a* vezes u* dá mui*o *alpite,
todo mu*do *u*r
man*ar, um fala uma co*sa o*tro fala out*a, daí fi*a *quele ¨p* de *ue*ra¨. (a-E5)
Refl*x* desta *o*a
*inâm*ca
in*erna q*e a é
p*odução total de*tes a*soc*ados,
em
n*vem*ro de 2*07, di*inu**, apesar de a *f*rta de material ser sepa*ado ter se man**do. a
Prová*eis razões *ar*
esta queda de r*n*imen*o sã* diminuição do *itmo e envo*v*mento *
com * *rab*lho dos antigos
associado*, *or espera* q*e o* novos cubra* esta falta
e
*em*n**rem ca*acid*de e envolvime*to, sejam merecedores, além d* clara ne*essidade de
treinamento para os n*vos *ssociados, que não *ompre**der** as diferenças entre os tipos d*
mate*iais e sua separação.
A o*g*nização da *rodu*ão *udou com * e*trada dos n*vo* asso*iado*. A **paraç**
do material passou a *er f*ita sempre com a *resença conjunta de u* antigo membro e um
n*vo associa*o par* que * últi*o aprend* com a o*ser*açã* e explicaçõe* do pr**eiro, * que,
*or sua vez, *mpl**a numa relação de poder *lara e mani*est*.
Rev. FS*, Ter*s*na *I, v. 14, n. 1, art. 1, *. 03-29, jan./fe*. 2017 w*w4.fsa*et.com.br/revista
D. R. Ol*vei*a, F. T. D. S. Correa, D. C. T. Andrade, *. L. P*ssad*r
2*
4.2 A ACA*AR
A AC*MAR *ur**u em 1993, devido aos trabal*os de e*u*a*ão ambienta* realizados
por est*dantes da *niversida*e Fede**l de La*ras (U*LA), estes, *in*ulados à *undaç*o P**
*efesa A*bient*l (FDPA). O obje*ivo inicial da
propos*a cons*stia em mobi*izar
a
comun*dade e as escolas municipais p*ra m*lhorar,
por meio d*
implantaç*o de hortas
*omunitárias, * alimentação
d* cria*ças care*tes. Esse movimento fe* est*nder par* os pais
dessas crianças o "Programa de *oleta Seletiva de Lix*, *ss*ci*tivi*mo e Educação
Ambiental em Lavra* - MG", com o *n*uito de ger*r emprego e renda para esta* f*mílias.
O faturamento da associa*ão a*rox*madame*te de R$ 35.00* (trinta * cinc* *il é
reais) e sua div*são obe*ece à orde* de 60% para *s *ib**s veget**s (p*péis) * 40% para o*
demais materiais reci*l*veis co*etados. Todas as des*esas são arcadas pela própria i*st*tuição,
que apresenta uma estr*tura administ*ativa compo*ta *or trê* funcionários contratados:
*oord*nad*ria *eral, coorde*adoria de gestão ambiental e secr*taria *xecut*va. Exis*e *inda,
*m total de seis
es*agi**ios (*stud*ntes de biol*gi* do C*ntro Universitár*o de Lavras) qu*,
at*almente, são *emu*era*os pelo projeto de Forta*ecime*to do Pr*g*am* de Coleta Seletiva,
Associ*tivi*m* e Ed*ca*ão Ambi*ntal *romovido pelo *overno de Minas Gerais.
4 .2 .1
**prese**aç*es Soc*ais do Trabalhador da ACAMAR
Da mesma fo*ma que *a A*ECOLD, per*ebe-se que a ma*oria dos *rabalha*o*es *a
A*AMAR são indiví*uos que **m
baixas re*da e e**olaridade, que
vi*r*m da la**ura em
busca de *portunida*es.
[...] A *CAMAR pr*oriza a falta de qualificação p*ofissional, mães s*ltei*as e
p**so*s de a**im*, baixa renda. Tiv*mos caso de pes*oas co* 2º *rau compl**o q*e
vira* p*di* emp*ego, estas pessoas têm melhores oportunid*des no mer*ado.
Pr*mei*o a gen*e f*z o cadastro d* fichas d* interessados, mas pr*orizamo*
indicaçõ*s. (b-E*)
Além de se* co*rdenador, os membros da *CAMAR ainda relatam a "*nd*cação"
com* o principal meio de ingr*sso e *escre*em a i**ntificaçã* com a atividade dese*volvi*a
um elemento import*nt* *a definiçã* sobre a conti*uidade na asso**ação. Ape*as um membr*
antigo disse ser ex-catador de lixo do *terro s*nitário.
[ ...]
Eu tava na c*lhe*ta de caf* e daí o café acabou, *ntão e* fui convi*ada para
tr*b*lhar aq*i. *oi as**m, eu recebi um telefo*e*a para limpar * galpão e vim, ele*
gos*a*am do *eu serviço e e* gostei do lu*ar (b-E*).[...] Eu saí do lixã* e vim *ra
Rev. F*A, Teresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./fev. *0*7 *ww4.fsan*t.com.*r/*e**sta
*eor** das R*presenta**es Sociais no Ca*po da *conomia Soli*ária
21
cá. O coordenado* que me fez o convite p*ra conhece* o tra*alho,
vim um dia,
trabalhei, *os*ei e a*a**i fican*o p** aq*i mesmo. (b-E4)
O sentimen*o ú*ico de que po*eria haver um futuro me*h**, em
termos
de
*ust*n*ação financeira *ara s*as famí*ias se al*a à percepçã* de importância *m*i**tal *u* sua
a*ividade te* par* a soc*edade. *esse se*t*do pod*-s* no*ar um* grande identificação *om o
trabalho:
[...] G*aças a Deu* aqui
e* j á
co*segui cons*ruir min*a c*** e hoje tenh* uma
v*din*a *oa (b-E5).[...]Como
*a**i, na roça o serv*ço a*aba de uma hora pr* outra,
aqui é direto. A gente tem uma g*rantia qu* **pe*de só da gen*e e das *essoas né!?
(b-E2)
Qu**do questi*nados so*re * que fazi*m, os a*so*i*dos re**tavam se *denti*i*ar
e
gost*r mu*to do trabalh*. Em*ora o esforço *x*g*do fosse alto, precisasse de dis*osi*ão f*s*ca
e de força para e*ercer as ati*idades d* triagem, uma qu*s*ã* imp*rta*t* f*i
identificada,
a
predi*posiç** p*r* a cola***ação no *mbiente de trab**ho. Em diver**s m**e*tos foi preciso
i*terromp** a entrevis** pois, mesmo
aq*eles que *e encontravam em seu períod*
d*
descanso, o *eixavam par* ajuda* o coleg* e* uma ta*efa ma*s difí*il. Da mesma form*,
a
cobra*ça a flex*b*l*dade tamb** p*der*m *e* *ota**s com facilidade. Q**sti*nados *obre e
isso d*ss*ram:
"(...) *qu* *em que ter união. Se *ão tiver uni*o não t*m associação" (b-E5).
Outro ponto que *erece **r ress*lta*o se refere a* pr*fissionalismo e a motivaçã*
para o trabalho, que pod* ser e*pli*ado p*la c*brança mú*ua entre el*s. Por mais o
que
*xi*isse empenho, os associados e* nenhu* mo*ento se queixaram da* atividades
desenvolvid*s, pe*o contrá*io, pediam par* *ncerrarmos a entrevis** devido a *ecess*dade de
v*lt*r ao traba**o, pois o período d* desc**so havia acabado.
O tr*balho realizado tr*ta-se de uma p***issão como qualque* o*tra para os *embros
da assoc*ação, q*e relataram n*o possuir vergonh* ou
*ons*rangimento d* ativid**e que
exercem, ao contrário do que relatam a*guns asso*ia**s da AGECOLD. Isso, mai* uma vez,
res*alta o *ensa*ento inter*o da re*pons*bilidade do trabalho para o be* da c*m*nidade, q*e
reconhece e valoriza essa* pessoas, ajuda*do-as com maio* inten*idade:
[...] H*je, * **rticipação da sociedade é maior porque
an*igame*te a* pesso*s não
s*paravam o li*o. Hoje em dia têm essa consciência e sepa*am. Os est*giár*os é que
fa*e* *ssa mobilização pas*ando nas cas*s explicand* o n**so *raba**o e * e
impo*tância dele. A*tes
a
gen*e fazia, ai*da
faz, m*s menos. Com os estagi*rios é
me*h*r porque a ge*te s* d*dica aqui, na coleta, sepa**ção * prensa. (b-E1)
Re*. FS*, T*resina PI, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, *an./fev. *017 www4.fsanet.c**.br/revista
*. R. Oliveir*, F. T. D. S. *orrea, D. *. T. Andrade, J. L. Pass*dor
22
Como mencionado, alguns associa**s aind* atribuem esse *espeito pela at**i*ade
desenvolvida à atividade de mobi*izaç*o que os estagiá*io* ex*rc*m junto à pop*lação. Is*o é
**portante não apenas **ra *u* haja *ma maior dedicação
dos assoc*a*os às *tivid*des
de
tria*em, que p*ss*i impacto *ireto sobre sua renda, co*o ta*bém para a conscientização das
*e*soas sobre a forma c*rret* de s*p*rar * lixo. Assim, um associado *el*ta se* extre*ament*
imp*rt*nte qu* * s*cie*ade tenha conheci*ent* e saiba faz*r corr*tamen*e a separação. Isso
garante agilidad*, faze*do c** que haj* maior
espaço p*ra coleta, *umen*e a renda
da
assoc*açã* e permita maior **mpeza urban*.
[...] Quanto m*is a gente conscientiza as pessoas s**re a importância d*
coleta
se*etiva e da reciclagem *ão * que vai di*inuir a *uant**ade de mater*al ger*do, mas
o materi*l v*r* *ais li*po, o *ue diminu* n**so trabalho * **menta o v*lor pago
p*las empresas, podendo até aumentar nosso salári*. É bom também pela questão do
esp**o, po*qu* aqui ainda é p*queno demais. (b-E7)
Quando questionados sob*e o aumento da coleta e da pos*ibilidade de aum*nto da
renda, relacionada ainda ao ingre*so de um m*ior nú*ero de ass*c**d*s, foram r*la*ados *ois
gr*ndes p*o*lem*s ou dif*culdades da associaçã*: a falta de r*c*rsos para expansão * o ba*xo
valor ou * oscilaçã* atribu*da aos ma*eriais col*tados pa*a r*ci*l*ge*.
[...] As princi*ais dific*ldad*s *stão re*aci*nada* a captaçã* *e recurs*s finance*ros
para expansão do programa. Pr*cisamos de u* espa*o maior e *ma maior
quantidade de *am**hões, al*m da n*cessid*de
de iniciar a *onstruçã* do novo
ga*pão no terre*o que foi ganha*o n*
Distrito In*ustria* (b-E8) [...] A gen** tem
*ntenção *e co*seguir mais ass*ci*dos, *as p*** p**ço que a g*nt* ganha não.
Queremos mais *or*ue temos mu*to material aqui e ainda *a cidade q*e não está
se*do coletado. Poderíamos recolh*r *e* m**s material. (b-E1)
Questiona*o sobr* as ações da *CAMAR para con*ornar *s prob*ema* rela*ionados
à variaç*o dos preços
praticados pelas empresas que compram os materiais r*c*c*áveis,
o
co*rdenador geral r*latou a *e*ess*dade de inte*sificação das aç*es de
conscientiza*ão **
s*cie*ade *ara a s*paração correta de ma*eria*s e também, a atividade *e cot*ção * pesquisa
de com*rad*re*:
[...] Nós temos feito algumas cotações de *o*pradores para aum*nt*r as
*oss*bilidades d* negoci*ção. Alé*
disso, pre*isa**s m*bilizar *ais as *e*so*s
para a qu**tão ** diminuição das mis**ras de materiais, * q*e diminui o nosso lucro.
(b-*8)
Um dos a*s*ciados fez um* *nálise *a*tant* in*e*essan*e * que se coloca como u*a
poss*vel sol**ão para os problem*s de d*stribuição *a renda e aumen*o o* cr*scimento
da
at*vidade de *oleta. O associa*o, qu* poss** en***o fu*dam*nt*l inco*pleto e *u* pa*t*cipou
Rev. FSA, *eresina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 03-29, jan./f*v. 2017 w*w4.fs*net.com.br/rev*sta
T*or*a d*s Repr*s*nta**es Soc*ais n* Cam*o da *conom*a Solidária
*3
recentemente do cu*s* promovido pela **TAFORT (Movi*ento Nacional *o* Catadores de
Materia*s Reciclávei*), sugeri* a criação
de dois turnos de trab*lho pa*a da* vazã* à
quantidade de mat*riais acumulados no g*lpão e aumentar a* possibilid*d*s de *rescime*to
e* renda e vol*me.
[...] Na minha co*sc*ência eu vejo que tem que crescer n*?! Ma* preci** de espaço
para is*o. Mas nós
não p*eci*amos reclam*r, pois c**etamos 70 tonelad*s de
materiais por *ês e *e p*ss***emos para 2 turnos poderíamos cons*guir *resc*r sem
aum*n*ar o espaço daq*i. Ho*e pe*amos *o *erv*ç* ** sete e meia (*:30h) e par*mo*
por volta das dua* (1**). Poderia or*anizar p*ra *m horário das quatro da ma*hã
(4h) até as duas (14h) e *esse *orár** até as de* da n*ite (22h). (b-E3)
A *as*agem
abaixo rel*ta importâ***a da participaç*o dos a
asso*iados no* *urs*s
promovidos pel* *ATAF*RT, e *i*da des**** a questão da mobilização em "rede" com*
altern*tiva *c*nômica pa*a o desenvolvime*to terr*torial.
[...] O material da associação é
vendido *a** a *OPAMIG e Para*buna, que *ão
at**vessad*res. O c*rso do Movimento **cional *o* c*tadores de *atérias
recicl*veis mos*rou que i*so atrapalha * gent* e q*e precisamos nos u**r. O in*ui*o
do curso q*e
participam*s é mob*lizar as ass*ciações do sul de minas para montar
uma rede para ag**ga* valor ao produto e vend* direta *ara as indú*t*ias. (b-E7)
O d*scurso de preoc*pa*ã* eco*ógica * da reciclagem co*o a*ter*ativa
ambient*lmente correta é extr**amente fo*te entre o* associad**. No entanto,
e*sa
informa*ão é
co*trastante à o*inião do coord*nador da associação pois,
embo*a os
tra**lhadores e*tejam
eng*ja*os no discurso ambiental, possuem,
*m si, um ma**r ap*lo
fi*anceiro na opção *el* ativid*de. O q*e se relatar * uma apropr*ação convincente dessa
t*mática, qu* pode explicar * *otivação par* os *rabalhos,
sobretudo na conscientizaçã*
da
sociedade, como uma de s*as princ*pais *esponsabilidades no p*pel de con*ult*r ambiental.
[...] *m um prim*iro l*g*r, toda campa*ha de conscient*zação tem um ape*o ***ial
d* inclusão, de geração de empre*o e re*da, depo*s pensamo* na *uestão am*iental.
Os própr*os associados não têm essa *espon*a*ilidade amb*e*tal, po*s el*s m*smos
não faz*m a coleta selet*va em casa, não separ*m o m*terial. (b-E*)
O trab*lho na *CAMAR distri*uído de fo*ma *gu*litá*ia entre *
os as*ociados
*
o**dece a uma es*ala de trab*lho e ro*ízio previame*te estabelecidos pelo coo*denador geral,
com *xceção dos motor*stas, exclusivos ** funç*o. Já o ingresso de novos associ*dos obe*ece
a* reg*mento intern* da associação, *s*im como *odas *emais decisões admi*istr*tivas co*o
des*igame*to e *ag*men*o, que se vin*ulam à *otação e aprovação em a*semb*ei*s gerais
pro*ov**as uma v*z por mê*.
*ev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, ar*. 1, p. 03-29, jan./fev. 2*17 www4.fsanet.com.br/rev*st*
D. R. *liveir*, *. T. D. S. Correa, D. C. T. Andrade, J. L. Pass*dor
*4
A ACAMAR funciona há 18 ano* e toda sua
estr**ura f*i constituí** por do*ç*es.
Embora sobreviva com rec**sos
próprios, algumas contribuições **ram
importantes *ara
a
formação da associ*ção. A contri**i*** da Prefeitura de Lavras, que con*ra*a e *em*nera
a
ass*ciação *elas *o*eladas de mater*al reciclado coletado n* cidade;da UFLA, que *o*u
o
terr*no
ond* ** localiza o galpão e a se*e, re*olhe materia*s r*c*cláve*s e possibilita o
e*prés*i*o de sua infr**strutura *ara *e*l*zaç*o de palestr*s e even*os; e das empresas que
cont**bue* c*m
a doa*ão
de materia*s e também com * contrata*ão dos serviços de
co*sultori* e ar*ori*a*ão.
4.3 A*ális* Comparativa *os Cas*s
ACAMAR tem maior profiss*onalismo na sua gest*o e organização do tra*al**. Sua
g*s*ão também é mais coletiva e particip*tiva, *pe*ar de mu*tos m*mbros t*rem sido, de um*
fo**a ou outra, es**lhas do coordenador do projeto (não ass*ciad*). *sta talvez seja uma d*s
c*usas de hoje existir menor saída *e assoc*ados que n* passa*o. *ota-se maior domínio dos
fatores econômicos que i*fluenciam o negócio da **ci*lagem * m*ior cl*reza do papel que o
t*aba*ho deles tem para si próprio par* a soc*edade. Nes** se*ti*o a fala d* um do* e
associados é emb**mática do *uão bem e*e ela*o*a as re*resentaç*es *ue faz do próprio
trabalho realizado e a visão que ele acredi*a que a sociedade tem do m*smo:
[...] Quanto mais a gente c*nsc*e*t*za as p*ssoas sobre a impo*tância da cole*a
se*eti*a e da reciclagem *ão é que vai di*in**r a quantidade *e material g*rado, *as
o *ate*ia* v*rá ma*s lim*o, o que diminui nos*o tr*balho * aum**ta * valor pago
pelas e*pre*as, pod*ndo até aumentar noss* s*lário. É bom t*mbé* pela ques*ão do
espa*o, porq*e aqui ai*da é *equen* d*mais". (b-E7)
Na ACAMAR
e*iste rodízi* **tre a* funções desempenha**s, d*ssa forma
*
t*abalho do *sso*iado fica me*os rep*titivo e a*ie**nte. Na AGECO*D há uma es**cia**zação
*aior do traba*h*. A mudanç*
de funç*o
não é com** nem e
sistematizada. A separ*ç*o,
prensa e enfa*dam*nto costumam **c*r a
cargo d*s *esmas pessoas. Algumas pessoa*,
especialmente as l*deranças, variam mais d* **n*ão. Esta diferença *ermite **s trabalhadores
*a ACAMAR m*i*r sensib*lid**e *ara *ntend*r *s *egócios.
Na ACAMAR not*u-se que os associad*s *epre*e*tam a si mesmo com
maior
autonom*a in*erna e capacidade
d* c**struir se* próprio *uturo do que *a AG*C*LD. "*
gente tem uma ga*anti* que depend* *ó da g*nte e das pes*oas (separarem o lix*)" disse uma
as*oci*d* da ACAMAR,
en*uanto a*sociados *a **ECOLD compa*tilham *ma v*sã* ma*s
*ev. FSA, *e*esina, v. 14, n. 1, art. 1, p. 0*-29, jan./fev. 2017
www4.fsanet.com.br/*evista
Teoria das Represe*tações Socia*s no Campo d* Economia Soli*ária
25
dep*nd*nte *o Es*ado e as*isten*ialista, a* reclamarem toda *orma q*e eles parecem conhecer
de a**ílio estatal (bolsa, d*aç*o de equipame*to, *entre outros) e pri**ipalme*te ao ex*or-s*
como **pendent* d* um coma*do externo * d* re*ras claras ("dout*ina") .
De forma geral, Lavras pa*ec* d*r maior suporte a ACA*AR do que Dourados d* a
AGECOLD. *alv*z pe*a *ua *rigem *a educação amb*ental, e *s *ons*ante*
c*mp**has
de
es*lar*cime*to e sensi*ilizaç*o *a população *ealizada *or acad*micos e a*gumas vez** com
pa**icip*ção do* *ssociados, a *CAMA* parece ser do conheci*ento de
parte releva*t*
da
socie*ade *e Lavras,
pois como afirmou um entrevista** "as pessoas agradecem
e
recon*ecem seu trabalh*. El*s ajudam e **rgunta* o
que **dem *azer por*ue *abem q*e
*
trabalho é impo*tante". Em Do*rados, o bair*o
em qu*
está *ediada a AGEC*L* pouco
*
*onhece segundo *s relatos. *a fa*a
do* ass*ciados vê-se *penas a f**ura do **tado, *ia
prefeitur* e SEMASE*, e**resas priva*as, e *a*s fortu*tame*te, a *n*vers*dade (pe*o *o*ume
de
material reco*hi*o de lá, não por pesquis*s e extensã*), nã* s*ndo m*ncionado
espontaneamente * entor*o.
As represen*ações d*s trab*lhadores da ACA*AR estão notad**ente mais *linhada
a* propostas que c*m*õ** a a*enda ambiental e j*st**icam s*u pa*el
para a
**c*e*ade.
Porém, nota-*e que eles p*óprios não são indivíduo* que faz*m escolhas pessoais mais
ambientalmente corretas. Na *GECOL*, os trabalhad*res também n** s* mo*t*am
p**ocupa*** com tais
a*ões em sua vida pessoal, *orém, ent*e ** trabalhado**s *e*ta
organ*z**ão, *ão há bem organiz*da uma per*p*c*iva única em sua* falas. *ambé*, nota-se
que a *ostura extremamente dependen*e de o*tros ato*es implica *uma dificuld*de
de
representa* pap**s diferentes para s* mesm* na *ociedade s*não *e alguém depen**.
A formação das duas associ*çõ*s *em atores dife*en**s, m*s exercem o mesmo pa*e*
de fomentador e ar*iculador. Em *a*ras, a UF*A desempenhou este papel por meio de uma
agenda *mbiental. Em D*urado*, a Pr*feitu*a Municipal, via Secret*r*a Mun**i*al
de
Assis*ênc*a Social e Economia Soli*ária (SEMASES), o fez por meio de uma polí*ica públic*
de *nc*u*ã* soc*al e ger*çã* de trabal*o e *end*.
No início em Dou*ados, a COOPERCAT foi formada por dive*sos
membros
drogadiço* que n*o pr*s*eguiram *a organ**ação, , neste *nício, progra*as para re*bilitação
deste* indivíduos e u*a ar*ic*laçã* com
o *entro
de *e*er*ncia de Assist*nc*a S*ci*l
(C***) do m*nicípio aco*te*ia*. Em lavras, a UF*A *eu inicio a AC*MAR *ia articulação
de di*centes que geraram uma fundação que contrato* um coorde*ador, o qual selecionou os
trabalhadores, sendo e*tes *ouc*s ex-catadores ** ruas *u d* aterro c**trolado d* muni*íp*o *
Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, *rt. 1, p. 03-*9, j*n./f*v. 2*17 www4.fs**et.com.br/rev*sta
D. R. Oli*eira, F. T. D. S. Corr*a, D. C. T. Andrade, J. L. Passador
*6
*uit*s ex-trabalhadores *urais. Neste sentido pode-se q*estionar até que ponto a ACAMAR é
inclusiva * um pro*e*o que se util*z* de todo seu potencial social.
Em ambas as associações são *omuns casos d* a*sociado* que as de*x**am por não
se a*equ*rem ao trabalho *ssociativis*a, n* qual a renda vai depe*d*r d* *esempenho
e
preços de mercado. N* AGECOLD j* hou*e ass**iado que *e r*fe*i* a mesma como "firma",
num clar* **emplo *e uma visão d* empregado e não de associ**o. Este associado *ico*
pouco tempo na a*soci*ção e ainda a p*o*essou.
Em ambas, membros a*uais
são
*aute*osos qua*to à entra*a de novos membros na
*ssociação: "a g*nte tem intenç*o de con*eguir mais ass*ciados, mas pe*o preço *ue a gente
ganha não" d*sse uma associ*da d* ACAMAR. Um membro a*tigo da AGECOLD **vela:
[...] Os ca*ad*res *ão
bem problemáti*os, são pessoa* que não conseguem mais
*e*vi*o que nã* tem nad*, al*uns bebem *utros usam dr*ga*, ninguém vai dar
emprego **a essas pe**o** [...] então é difícil por*ue *aí se *les têm esse*
p*oble**s, ass** eles vai tr*z*r (*i*!) e*ses probl**as aqui, p*ra u* *rupo que es**
começa*do a organi*ar, porqu* a maio*ia tem pr*blema. (a-E9)
Hoje, em a*bas as *rganizaç*es e***t*m membros com a clara visão *ue a ace*tação
d*
novos a*sociados só s*rá benéfica para eles se *gregarem em fat*rame*to, *enão a renda
diminuirá. Não *e *onseg*iu ident*ficar na pes*u*sa *e *ampo se es** con*epção mudou com
* p*ssador dos anos. A suposição * *e que, no *ní*io, a preocu*ação co* a inclusão do*
ind*víduo* *ra uma *riorid*de inclusive entre se*s pares. Hoje a prior**a*e é na s*bre***ência
da próp*ia o*ganiz*ç*o * na ampl*a*ão dos ganho* dos associ*dos.
5. CONS**ERA*ÕES *INAIS
Not*-se que a **ande maioria d*s tr*balha*ores d* ambas organ*zaç*es são simp*es e
não *presentam outras o*ções *e vida *as, ao contrá*io do qu* se *mag*na, se conside*am
felizes em *eu ambien*e profissional.
*lguns *at**ores vêem est*s organiza*ões com* sua própria casa e os associados
com* uma família; **so re**ete *m* evolução no processo de formação destas asso*i*ções
quanto iden*ificaç** e ao à
gra* de aceitação desta ativida** como profissã*, e esta est*
diretamente relacionada * dignida*e e reconhecime*to soci*l, e nã* apenas ao mo*e
ec*nômic*-fina*ceiro. Os trabalhado*e* d*ixam de se associar
à sujeira e
*o lixo
e
i*corporam um discurso t**bém social e ambienta*.
Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 1, art. *, p. 0*-29, *an./fev. 2017
www4.fsanet.com.br/rev*st*
T*oria das Repr*sentações S*c*ais no Campo *a Econ**ia Solid*ria
27
*e forma geral, o presente est*do debr*çou-se so*re as r*p**sentações s*ciais que o
a*sociado d* AG*COLD e da ACAMAR faz d* mundo q*e envo*ve sua atuação e sua
org**ização. Observam-s*, mais especifi*ame**e, as representações sociais que *s catadores
faz*m de si própr*o do q*e do seu trabalho em *i.
Esta l*mit*ção trata-se de uma questão da organização do tra**lho destes catadores e
de
gestão organizacion*l poi*, se* um en*e*d*mento dos elemento* que
es*ruturam
o
*om*ortamento hu*a*o e dos mod*los geren*iais adotados, *ão se pode c*mpr*ende* o
vínculo do indivídu* com *
or*aniza**o. *as falas dos t**balhadore* associados procura-se
ide*tificar *om que agenda as
re*resentações soc*ais p*dem ser identifica*as e*t**didas. e
Estas falas são reproduçõe* ou for** r*c*nstruíd*s, *tribuindo-se a
*las novos sig*i**cados?
Estes **div*duos incorporam o discurso de uma dest*s agend*s? Ou eles *rabalha* doi* deles
ou todos os três, de forma a interna**z*-los de form* complexa e articulada? Estas são
questões pertinentes q** se bu*c** responder c*m * pesquisa de campo.
Emb*ra tenha sido feito um es*udo qualitativ* e exploratório, os dados não fora*
suficientes para p*rmitir uma
análise conclusiva a respe**o *o grau de incor*ora*ão
de cada
um dos d*scursos nas representaçõ*s cons*ruídas pelos *ndiví*u*s desta* organ*zaç*es. Assim,
pode-se traçar apen*s os contornos das re*rese*tações s*ciais destes trabalh*do**s a q*e e
ag*ndas e*es reproduzem pois, a **m*reens*o do *apel social *e*ta atividade apresentada
p*los s*us d*scursos *e dep*ra com o c**port*mento ten*enc*os* e *onflitan*e da realidade,
*ue interpreta e
*aloriza o m*te ec*nômico-*i*anceiro,
especialmente a nec*ssi*ade
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i
Fora* pesq*isados os anais do* eventos *a A*pad (E*AN*A*, 3Es, *nEO, Simpó*io, E*ADI, E*A,EnAPG,
*nGP*, *nEPQ). No proce*so de busc* encontrou-se *1 o*orrê*cia*, sendo 33 por "re*rese*tações socia*s"
e 8 por "repr*sentaç*o soci**" n*s ** eventos que acont*cera* no período. Constand* u* número me*or que
um arti*o por ev*nto. Ressa**a-se, *o en*an*o, que ** evento*da á**a contab***z*ram uma média de apr*vaç**
maior que um* cen**n*, ao passo que o Encontro a*ual da ANPAD s*m*u ma*s de um mil*ar de aprovações.
Noutra pesqui*a, se*uind* *s m*s*os critéri*s, encontrou-se *os peri*d*cos do D*rectoryof Open Access
Jo*r*als (*OAJ) ape*as 8* ar*igos cie*t*fi*os. Este periódico po*sui em sua* base* 607 periódicos
brasileiro* e 53 po*tugueses.
Como Refere*ciar este Artig*, conforme ABNT:
OLIV*IRA, *. R; CO*REA, F. *. D. *; A*D*ADE, D. C. T; P**SADOR, J. L. Teor*a das
Represen*ações Sociai* no Ca*po da Eco*omia Soli*ária: Um Olhar Sob*e * Coleta de Ma*eriais
Re*icláveis. Re*. FSA, Tere*ina, v.14, n.1, art.*, p. 03-29, *an./fe*. 2017.
C*ntribuiç*o d*s Autores
D. R. *liveira
F. *. D. S. *orrea
*. *. T. Andrade
J. L. P*ssador
1) con*epção e planejamento.
X
2) análise e i*terpretação dos dados.
X
X
X
3) elabo*ação do rasc*nho o* na revisão *ríti*a do conte*do.
X
X
4) p*rticipa*ão na ap*ovação da versão fina* do m*nuscrito.
X
X
X
Rev. F**, Tere*ina P*, v. 14, n. 1, art. *, p. 03-29, jan./f*v. 2017
w*w4.fsanet.c*m.br/*evista
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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)