www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 12, n. 4, art. 4, *. 52-67, jul./ago. 2015 ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983 ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2015.12.4.4 Constituição Do Campo-Objeto D* Estudo *a Ciência Da Informação: As Condi*õ*s Do Novo R*gi*e De In**rmação The Con**itution Of T*e Field-Obje*t Of S*u*y Of The In*ormation Sci**ce: Th* Conditio*s Of *he New *n*ormati*n System Luzia Góes C*mb*im Doutoranda e* **ência da I*formação pela U*iversida*e Federal da *araíba Mestrado *m C*ência da Inform*ção pela U*iv*rsidade **deral d* Pa*aíba Profes*o** da Unive*sidade Federal d* P*raíba E-ma*l: luzia@ct.uf*b.br Edivanio Duar*e de *ouza Doutora*o em *iê*cia d* Informaç*o p*l* Universi*ade *ederal de Mina* Gerais Professor da Universid*de Federal de Al*g*a* E-*ai*: ediv*nio**arte@gmail.com Ma*i* das G*aças Targi*o Pós-Dou**r*do em Jornalismo pelo Un*versi*a* de Salama**a *out*rado em C*ências da I**ormação *nivers*dade de Br*síli* Professo*a da Univ*rsida*e Federal ** Paraíba E-*ail: emelinebr*sil@*a*oo.com.br Endereço: Lu*i* Góes Ca*boim Un**ersid*de Federal da Paraíba, *entro ** Tecnologia - Campus I. Cent*o de Tecn*logia - Departamento de En*enhar*a *e Produçã* - Campus Un*ver*i*ári* I - Bloco G Cast*lo Branco - João Pessoa, *B - Brasil E*der*ç*: Ediva*io Duarte de Souza Un*versidade *ed**al de Al*goas, I*stitu*o *e Ciê*cias Humanas, Comu*ica*ão e Artes, Curso *e Graduação em Bi*l**te*onomia. Ca*pus A. C. Simõe*, BR 1*4-Norte, km 97 *abuleiro d*s Martins - Maceió, AL Brasil En*er*ço: *aria das Graças Targino Rua A*iador *rap*an Rocha, 2101 apto 501 Bair*o Jóquei Cl*be 6*049-518 Te*esina - Piauí, Brasil Editora-ch*fe: Dra. Mar**ne Araújo de Carvalho/Faculda*e **nt* Agostin** Art*go *e**bido em 27/*4/2015. *ltima ve*são recebid* e* 19/05/20*5. Aprovado em 20/05/2015. Av*l*a*o pelo siste*a Triple Review: *) D**k *e**ew pela Edito*a-Chefe; e b) Double B*in* Revi*w (avalia*ão cega po* dois av*liadores da área). Revisão: Gramatical, N**mativa e de Form*tação. Constituição Do Ca*p*-Objeto D* Estudo Da *i*n*ia Da Informação 53 RESUMO Os m*delos in*o*macionais observad*s nas so*i*dades, que contemplam ato*es, o*ganizaçõe*, aç*es e políti*as de infor*ação, sã* i*fl**nci*d*s **los reg*mes *e **for*açã* v*gent*s. O pr*sente trab*l** objeti*a empr*ender r**l*xão acerca *a influência do atual reg*me de informação, marcado pela pres*nça de novos atores como mer*ado e setor produtivo, sobre a cons*ituiç*o do campo-objeto de es*udo da Ciê*cia *a Info*m*ção, t*aduzido em especial pe**s ob*etos e deli*itações pres*ntes nas pesquisas da área. Tal influên**a pode ser percebi*a na revisão de liter*tura q*e indica o surgime*to, a partir desse novo regime, d* outro m*del* de produção científic*, mais pr*gmático e r*lacionado * inte*esse* comer*iais e empresariais. Pa*a isso, empreendeu-s* pe*quisa explor*tória de cunho bibli*gráfico, obs*rvando-se que, e*bora se tenha i*entificado um anse** da área em ada*tar suas pesq*isas às demandas de no*o *egime, *u*tos autores defendem *ue nem tod*s os esforços deve* ser *i**gidos a pesquis*s com f*nalidade* prátic*s, devendo haver espaço *ar* a*uel*s que vise* à consolidação d* ar*abou*o teórico-ep*st*moló*ico da ár*a. P*lavras-chave: Ca**o-objeto ** estudo. Ciênci* d* Informaçã*. Reg*me ** Informação. ABST*A*T The informational mode*s observed i* the societie*, which in*lude actor*, or*ani*ation*, actions and i*forma*ion policies are in*luen*ed *y cu*rent inform*tion sy*tems. *h*s paper aims *o *nd*r*ake r*flection *n the infl*ence of *he curren* information system, ma*ked by the p*esence o* new actors as market an* *roduction s*ctor, on t*e constitution of the object field o* study of In*ormat**n S*ience, transla*ed espe***lly fo* objects *nd boundaries pre*ent i* t*e resea*c*es *f th* area. *u*h influence can be observed in th* literature re**ew that indicate* the emergen*e, fr*m this **w *ystem, of an*ther scie*tific producti*n m*del, more pragmatic and rel*ted *o comme*cial and bus*ness inter**ts. For t*is, it was *ndert*ken an exploratory and bibliog*aphic** research. At *hat mo*e**, *t *a* iden*i*ied a t*ndency in th* are* in **der to adap* their research to the demands o* th* ne* system. But, in the other hand, m*ny authors a*gue that not all effor*s *ho*ld b* directed t* re*ear*h **th practical p*r*oses. It should have s*ace for researches w*ic* i*tend to *ons*lidate th* *he*r*tical and e*i*temological fram*wor* ** **e area. K*ywords: Study field-obj*ct. Information Science. Information s**tem. Rev. FSA, **r*sina, v. 1*, n. 4, art. 4, p. *2-6*, jul./*g*. *015 ww*4.*sanet.c**.br/revista *. G. Camboim, E. D. Souza, M. G. T*rgino 54 1 I**RO*U*ÃO A *iência da Informa*ão (CI) vive*cia, d*sde seu surg**ento, sérias *iscussões e* torno de su* ide*ti*a*e, a *omeçar pela del**i*ação de seu cam*o * *e seu ob*eto d* est*do. Em qu* pese * *a*o do tratam**to dif**enciado frequentem*nte dir*ci*nado ao es*udo do fenômeno *nformação, *iscussões a*e*ca *e su* delimit*ção e*istemológic*, *o**ideran*o campo e objeto de *studo *omo *ntes const*tutiv*s, *er**nece* presentes em estudos *ese*volvidos na ár*a. *eba*e ent** autores e p*squis**ores ** área apr*s*nt*-s* rico, porém, muitas ve*es, revestido de c**t*adiç*es, *ant* no *lano concei*ua* qu*nto no *lan* **istemol*gico. A vast* gam* de definições para o que se denomina informaçã* é um e*emplo deste fato. A partir da i*eia de regime de verda*e de Foucault (2005a, 20*5b), as pes*uisas na área têm s* de**uçado s*b*e o cha*ado reg*me de inf*rm*ç*o, *efin*do por Fr*hma*n (*995) c*mo atores, instit*ições, veículo* e cen**ios t**p*rai* * espaci*i* que con*iguram um determ*na*o or*en*ment* de *ções e políticas de informação. N* mes** l*nha de pensamen*o, *onzález d* *ómez (2003) ratifi*a que o regim* de informação c**acteri*a o *o*elo i*formac*on*l *ominan*e numa sociedade - s*jeitos, **ganiza**es, re*ras e autor*d*des info*macionais, *lém de mei*s e *ecursos p*eferenc*ais d* i*f*rmação. N*ste sentid*, inte*essa refletir sobre a influên*ia desse reg*me *e in*orm*ção vigen*e, quan*o se o*serva a conformação do campo e a del*m*tação do obje*o de estudo da áre*, uma ve* *ue es*e regime caract*riz* o cont**no das forças polí*ica* sobre o **mpo. Justifi*a-se a relev*ncia dessas re*l*xões sobre a *ont*x**alizaçã* das condições epi*temológic*s da C*, na *edi*a em que a clar*za d* *efi*ições delimita*ões num *ampo *ientí*i** e enriquece sua existência, posto que sedim*nta as dis*iplinas *ue a c*mpõem e po*s*bil*ta melhor *rticul*çã* das r**açõ*s disciplin*res c*m o**ros ra*o* do saber. É *re*iso considerar que o campo científico, segund* *o*rdieu (198*), é *m cam*o social como outro *ualquer, onde *e con*o*re p**o *onopólio da aut**id*de cientí**c*, ou *e*a, pela ca*aci*a*e de *alar * agir leg*timam*nte sobre determinad* assunto. Nele, o* conflit*s são polític*s e intele*tuais, e o *ue se ap**senta como impo*tan*e interess*nte e correspond* àquilo que é *econh**ido como tal pelos outros membros da comunidade cientí**ca, ve*ten*o as *scolhas dos pesquisadores p*ra tem*s que lhes tragam algum lucro simból*co, o* se*a, pa*a pr*blemas c*nsiderados rele**ntes ***a a área. *ssa definiçã* *o q*e a comunida*e científic* considera impo*tante é, portant*, fortement* infl*enciada pelos *egimes de *nfo*mação em vig*r, que condi*ionam aspectos, *ev. FSA, Te*esi*a, v. 12, n. 4, art. 4, p. 52-67, ju*./ago. 201* ww**.fs*net.com.*r/r*vista Consti*uiç*o Do Campo-Objeto De **tudo Da Ciência Da In*or*ação 55 como fomento à pe*quisa * apoio es*ru*ural, entre out*os, * acabam influenciando nas confo*maçõe* de c*m*o e ob**to de e*t*do *e determina** área. Nessa perspecti*a, M*rteleto (2009) chama at*n*ão para o conceito de r**l*x*vidade, te**o cunh*do por Bourdie* (19*3), que def*ne a necess*dade *e se analisar a ciência historicamente e sociologicam*nt*, perm*tindo * c*mpreens*o d*s mecanismos soci*is que o**entam a prática c*e*tífic*, bem como a est*utura e a di*âmica *e seu cam*o disciplinar. O pr*sen*e *rt*go sugere re*l*xões em t*rno da temática de man*ira a entender que, mesmo *um* pri*ei*a aproxima*ão, pode oc*rrer * fato de o regime de inf*rma*ão vigente influen*ia* na confor*aç*o do campo-objeto de estudo *a Ciên*ia da Informação, bem como na identi*icação dos asp*c*os *nfluenciados a p*rt*r de tal re*im*. Para a consecu*ão do **j**ivo, optou-se por revisão bib*iográfica e de l*teratura em suportes variados, *br*ngendo t*mas ligados à Epistemologia e à p*squisa *m Ci*ncia da **for*ação, de f*r*a a cole*ar *ubs*dios toman*o como r*f*re*cia*s as bases da ciên*ia moderna, de mo*o amplo, e o argumento do con*e*ime*to do cr*ado, *e for*a especí*ica. Trat*-s* de considerar os aspectos que co*di*i*nam *s práticas de de*imitação do o*je*o *e e*tud* e, co**el*tivament*, a co*strução do campo ci*ntífico. Assim sendo, des**cam-se, tam*ém, as definiçõ*s te***co- metod*ló*icas acerca da tecn*logia d* informaçã*. 2 RE*ERE*CI*L TEORI*O 2.1 C*ência moderna e ar*umento do conhecime*to do cr*ador: c*nstrução do campo-obj*to de estudo Preliminarment*, destaca-s* que o argumento do *riador se ref*re a *m co*cei*o filosófi**, segundo o qual * processo de conhecer re*ulta da cap**ida*e de cria*ão ou de pro*uç*o daqui*o que se *onhece, e caracteriz* a nova concepçã* de ciê*c**, a s*ien*ia ac**va, prática ou apl*cad*, *ascida no contexto da revolução cien*ífica moderna. Aind* que esse arg*mento tenh* um papel limi*a*ivo do con*ecim**to, na v*s*o de Ma*condes (2007), passa a ter t*a*i*** *omin*nte sobre a ciência * partir *o i*ício do período mod*rno. E*b*ra Domingues (2004) ressal*e a *nfluênc*a d* *rgu*ento do conhecimento do *riad*r *o desenvolvimento da *iênci* mode*na, para Marc*n*es (**07), de*de a *ilosofia grega antiga, já havia traços *e con*epção desse a*gumen*o, qual, no entan**, nã* era a consider*da uma forma ele*ada de conhecimento. Em sent*do co**rário, era vista como inferio* e* rel*ção ao *onhecimento metafísic* ou teóric*, por este último ser **sualizado *ev. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, art. 4, p. 52-67, jul./a*o. 2015 www4.fsanet.com.br/re*ista L. G. Camboim, E. D. Souza, *. G. Targino 56 como o conh*cimen*o de uma reali*a*e ***áve*, per*anente e *bstrata, consistindo de formas e princípios. Ness* se*tido, condicionamento* e l*mitações do conhecimento do **iador f**** c*m que o *b*eto *ue resulta de**e process* seja mu*ável, im*er*eito e, em últim* instância, perecível, po*s depe*de *o produtor da fin*lidade p*r* qual é *roduzido. Desse *odo, e a apresenta forte característi*a tel*ológ*ca. Ain*a se*undo Marcon*es (2007), d* ac*rdo com a tradição me*afísica grega, o conhecim*nto * *efinido bas*cam*nte c*mo *e*d*dei*o *nquanto conh*cimento de um **jeto e*táv**, permanente, *e naturez* abstrata e autô*oma em r*lação *o próprio processo de conhe*i**nto, embor*, no con*exto mod*rno, e*s* concepção de inferioridade *o c***ecimento do criador *e inverta e este tipo *e *onhecim*nto tor*e-se o p*r**ig*a de conh*ciment* dominante. A r*gor, s** *apaz de *azer, fabricar e cri*r torna-s* o critério legi*imado* d* *onhecimento. Kuh* (2007) a*s*gura o importan*e papel *a prática, *os fatos empírico*, para referendar a importân*ia de um paradigma científi*o e, portanto, de s*portar *uas teo*ias. *aí, altos inves*imen*o* são just*ficados para a realiz*ç*o de exp*rime*to* práticos. Em linh* similar de pensame*to, Fou*ez (1995) d*fe*de que a ciência tem seu *unciona*ento *u* círculo *e legi*ima*ões recíprocas em que a *r*ti*a legitim* a teo*ia e a t*oria legitima a prática, q*er *izer, não há c*m* dist*nguir o*de *stá * ponto de partida - se *as proposições em*íricas; se nas p*oposições teóri*as. Na visão de L*n*ir (2004), os estud*s da ciência *êm s*do definid*s mai* *ela questão prática do qu* pela teori*. A supo**a e tr*nquila integr*ção entre os tr*balhos de teóricos, experimentad*res e técnicos t*m sido objeto de investigação, uma vez que, em su* *erc**ção, a ciência é desunif*ca**. Da me*ma forma, observa-se, na atualidade, forte influência da téchne e da poi*si* e* tod*s as áreas do co*h*cimento, i*flu*nciadas, inclusive, pela estrutur* de fomento predominante, que d*recio*a *s *emáticas a *er*m estudadas. A cultu*a da prática **, em outro* t*rmos, do con*ecim**to aplicado, acaba po* i*terferir na construção d* obj*to de pesquisa para determ*nada *rea de e*tudo. Co*o Bachelard (1996) reafirma, o objeto científico é desenvolvido pela ci*ncia e não advindo s*mplesm*nt* da nat*r**a. E *ais, *sse objeto se transmuta quando se *elac*ona com out*os c*nc*i*os e objetos. De modo mais prec*so, F*u*ez (*995, p. **) af*rma, literalm*nte, q** "os obje*os não sã* da*os em s*, independentemente de *o** contexto cultur*l. Co*tudo, não sã* construções subjetivas *o s*nt*do corrente da palavra, *sto é, indi*iduais: é ju*tamente graças a uma maneira co*um de *ê-los e *esc*evê-los que os **jetos sã* obj*tos". Rev. FSA, Ter*sina, v. 12, n. 4, art. 4, *. 52-67, jul./ago. 2*15 www4.*sanet.co*.*r/revista *onstituição Do Camp*-Obje*o D* E*tudo *a C*ência Da Informaç*o 57 Ade**is, ma*grado a* *iscussões acer*a d*ssa *el*ção, p*r ve*es d*cotômica, *ntr* teoria e práti*a, é i*dispensável c*ns*derar que as con*ições soc*ais, política* e *conômicas ass*mem significativa *nterv*niência sobre o *ampo científico bem **mo sobr* a del**itação dos *bjet*s de *studo. *qui, vale re*emo*ar o *ensamento de Bourdi*u (*983), *ara **em o c*mp* cie*tífico é um *amp* socia* *omo ou*ro qualquer, *nde o q*e est* e* *ogo é o monopólio ** *utor*dade cien**fica, ou sej*, o reconhecimento s*bre a l*gi*i*idade e* f**ar e agir q*ando se tr*ta de certo *ema. Assim, os regimes de verda*e fouc*ultianos **ontam *ar* direcionamentos d* açõe* em to*as as searas d* so*iedade, incluindo *ientífica, impact**do, então, sobre camp*s a e obje*os de e*tudos de d*versos campos. C*m efeito, a comun**ade científic* é um g*u** com *e*s **ópr*os i***resses e que tend* a buscar aliados capaze* *e fomentar suas *esquisas. Na p*rspectiv* de Four*z (1995), a obse*vação é importante para a *escrição de u* *bjeto e não existe obse*vação científica merame*te p**siva ou *ue se imponha como pu*o estudo receptivo. A obs*rvação pressup*e ce*ta orga*ização de visão, *u* *onstitui, em *ltima instância, uma r*presentação teórica, em geral, implícita. O papel d* t*oria é de suma im*ortância na o**e*va*ão, na **dida em que culmina na *es*rição de um objeto. Freire e *ilva (*012) chamam a*enção p*r* a questão do vetor epistemoló*ic* bachelardia*o, q*e *e constit*i na aplicaçã* *e teor**s *a realidade o*jetiva, sendo que esse vet*r *pis*emoló**co parte do racional para o real, *sto *, do teó*ico p*ra os f**o* e as experiências, num percurso denomi*a*o raciona*ismo a*l*cado. Ess*s *utores re*saltam a imp*rtância d* se compre*nder a Ciência da Info*maç** * *artir do *acionalismo *pli*ad*, uma vez que a mesma nec*ssita ** construção de um objeto que v*lorize a teoria para apli**ção na r*alidad* *b*e*iva. 2.2 Tendên*ias na co*forma*ã* do *a*po-objet* *a ciência da inf*rm*ção Ao de*inir a Ciência da Informação, *ork* (1968) f*z *m i*teressante arre*a*e ao afirma* que a CI tem ta**o um com*onente d* **ência pura, qu* p**qui** seu* fundamentos, sem *te*tar para sua *plicação, quan*o um componente de ciência **licada, *o *ese*vo*vimento de produtos e serviç*s. Quase 50 anos depois, muitas que*t*es são lev*ntadas no t*cante ao equil*brio de dist**buição desses d*is vieses de pesq*is*s na á*ea. González de Gómez (1990) pont*a * questão da modernidade, com a conseque*te val*rização da ciê*c** como força pro*ut*va, com* *e*do import*nte para * compreens*o da con**ruç*o *e um objeto de *stu*o d* CI e a definição das **ientações de pesq*isa na área. Rev. FS*, Teresina, v. 12, *. 4, art. 4, p. *2-6*, jul./ago. 2015 *ww4.f*anet.com.br/revis*a L. *. Camboim, E. D. Souza, M. G. Targino 5* Vários *studos na esfera da Ciência da Informação apo*ta* um* perspectiva teleológica, com forte intere*se produti*o e empr**arial, na estrutura das pes*ui*as como recorr*n*e na á*ea. *e, por um la*o, a preo*upação com o r*b*timento p**tico *as pesquis*s confere s*a *aior a*eit*ção perante os gr*pos, notada*ente, junto a*s ór*ãos de fomento, por outro lado, criam- se out*os p*oblemas, sobretudo no que diz respeito ao for*alecimen*o *as bases *e*rico- epi*temológicas *ue garante* * longevi*a*e da á*ea. Vários são *s autores que *efendem * reversão desse quadro crít*co. Por exemplo, Bar*eto (*99*), há algum tempo, defen*e ser im*re*ci*dí*el uma estrutura teórica de s*g*if*cado ao t*rmo informação, ou um co*jun*o de *a*acterística* pr*prias qu* delimi**m o objet* o* o domínio - in*ormação - na Ciência da **formação. Ca*urro (2003), por s*a vez, p*ocu*a mergulhar, profundament*, n* estud* da e*istemologia, l*van*ando questõe* como a **rme*ê***ca na *ond*ç*o de p*radigma epistemo*ógico *a Ciência da Informação. Na visão de González *e Góm*z (2*00), um problema i*entifi*ado na C* é qu* el* apresenta uma heurí*tica p*sitiva, porém, não uma heurística negati*a, ou seja, consegue-se identific*r o qu* * atinente ao campo, porém, não aqu*lo que não é. A autora, ora referendada, relaciona info*mação à socied*de da i*for*ação, **st*and* * trajetó*ia da Ciên*ia da Informação sob uma ótica social e política, procuran*o entender co** os pr*gramas de pesq*isa em CI se comportam em relação a* progr**a da socied*de da *nform**ão. Aq*i cabe pontuar que é *ssa sociedad* da informação e seu correspon***te regime de **formação que imprimem os c*n*ornos *as deman*as *a pesquisa para o campo. N* mesma linha, Marciano (2006) defend* que, em se t*atan** da Ciência da In*ormação, há uma clara necessidad* de sua melh*r fundamentação so*re alicerces ma*s e**áveis, uma vez q*e, no viés filosófico-o*tológ*co, o d*bate c*ntra na identificação e *a*acterização clara da* próprias bases filosóficas d*ss* ciência. A re*peito d*s fundamentos epist*mo**gicos da C*ên*ia da Infor*ação r*ferencia-se o campo de estu*o* fi*osófi*os *obre inform*ção a partir da exp**ssã* "f*losofia da *nfo*mação", e ates*a, embora não consensu*lme*te, que a CI é um* filos*f*a da informação aplic*da, c*mo Floridi (2002) e Marciano (200*) argu*en*am. Após i*vestigar tr*ços da pesquis* em *iên*ia da Infor*aç*o *o Bra*il, Marteleto (2009) pontua o ca*át*r ni*idam*n*e profi*sional e apl*cado dos e*tudos da *n*ormação, si**ando suas ques*ões e problemas mai* no nível pr*tic*-*peracional de serviços e *istemas ** informaç*o *o q*e no pla*o *pis*emológico, hist*rico e social da geração, circulação e a*rop*iação da informação. A e*** res*eito, * vital lembrar q*e * pó*-graduação em Ciência da Informação, no Brasil, *e*undo levantamento de Souza (*011), procura *ocal*zar-*e na Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. *, art. 4, p. *2-67, j*l./ago. 201* www4.f*anet.com.br/*evi**a Con*tituiç*o *o C*m*o-Obje*o De E*tudo *a Ciência Da Informaçã* *9 inte*s*cção entre te*ria e pes*uisa em Ciên*ia da Infor*ação, e as inovações e as sol*ções te*nol*gicas pa*a os pr*bl*mas práti*os existentes e* diferentes regiões d* país. *grupa, e*tão, sua atuação *m três grandes frentes, a s*ber: cie**ífic*, pro*issional e tecno**gica. Ainda de acordo com Souza (2*11), ao d*s*utir os elementos que in**itucionaliz*m o campo disciplinar da Ciência da Informa*ão, observa-** que o modelo de *ós-**aduação, iniciad* nos anos 90, dei*a *e p*iv**eg*ar po*íti*as t*cnicas * cien**ficas fin*n*ia*as pelo Estado * pa*sam * vincular ciê*cia e tecnologia (C&T) ao set*r produtivo, *om a pe*quisa fazen*o *arte de *m sistema amplo de *n*vação, que inclui os s*t*res pro*utivo e em*resarial. *utro* *uto*es, * exe*p** de Freire e Silva (2*12), argumentam que * Ciência da In*ormaçã* se configu** como ciência aplicada, vis*ndo à *esol*ção de *robl*mas informacionai*. A*rescentam se* *ecessário *nv*stir na const*uçã* d* um o**eto qu* valorize os construtos teórico* para aplicaç*o na re*l*d*de objetiva. Obs*rva-**, po*s, a partir da posição desses auto*es, a preocupação *e que a poiesis e**eja di*ando os rumo* da *esquisa em Ciê*cia d* Inform*ção mais do que o d*se*ável e, por que n*o diz**, cri*ndo a cul*ura de um c*mpo e **u ob*eto para a área. L*go, tal fenômen* *ossui o pod*r de enrijecer as investigaçõ*s epis*em*lógi*as do campo, *orq*anto caráte* o prático da* investigações - pa*sando a s*r dita*as **los movimentos d* de**nda e*presarial - pas** a ser o elemen*o central da ciência. A *oção d* ação de i*formação de *onzález d* Gómez (199*) parecer ser, *ois, d* ex*ress*vo auxí*io p**a a c*n*ex*ualizaçã* do o*jeto de estud* da Ciência da Informação. Inicialmente, a *utor* resgata o fato de que os modelo* fís***s da informaç*o se propunham, em seu tempo, a oferecer o arcabouço teórico so*re o qual se p*ojet*riam *s *ei*uras descriti*as ou técni*as da i**ormaç*o. A par*ir da*, propõe que um novo olhar co*oque * comunic**ão num campo conceitu*l mai* amplo (do qu* re*trito à esfera linguí*tica, por exem*lo), i*clui*do condições cult*r*is, históricas e socia*s dos *rocessos in*ormacionais. **sas condições sociais, por**nto, *ue antes er*m co*siderad*s fatores e*ternos ao proc*s*o de ger*çã* e uso do conhec*men*o / i*f*rm*ção, agora, d*vem ser en*ar*dos *omo pa*te *a* condições iniciais do processo. O fat* é q** "uma *r*tica ou ação de in*ormação i*plica, a*ém de competências linguísticas, outras com*etências cognitiv*s ou comunicacion*is, sempre p*r*icu*a*izadas no exerc**io d* at*res *ue as pratica* sob *s regra* *as lógi**s *e solidariedade ou de conflito" (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 199*, *. 119), que, em ú*tima *nálise, *e encontra ins*rita num r*gi*e de **formaçã* específ**o. Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, art. 4, *. 52-67, jul./ago. 2015 w*w4.fsanet.com.br/revi*ta L. *. C*mboim, E. D. *ouza, M. G. Targino 60 2.3 Fundamen**s *a tecn*logi* *a conform*ção d* campo-objeto da ***nc*a da inf*rm*ção Em *ue pesem as que*tões **ciais e p*líticas que te*ham **ndu*i*o a p*squisa e a institucionalização d* Ciê*ci* da *nforma**o * *m *irecionamento m*ior ao setor prod*t***, S*r*cevic (1*96) já af*rmava, desde sempre *ue esse campo *e c*nstruiu em torno de um problema i*formacional e de sua* respectivas pr*p*st*s de solução. V*nnevar Bush, cient*sta do Massa*huset* Institut* *f Technology e *h*fe do *sfo*ço científ**o *orte-americ*no durante * Seg*n*a G*erra Mund**l, resum* os acont*ci*entos interv*nientes *a or*gem *a CI. Em sí*tese, Bush definiu um prob*ema crític*, que estava po* mu*to temp* na mente das pe*soas, p*opôs u*a s*lu*ão. Bas*camente, * *roblema *ra o e cresci*ento exponencial da inf*rm*ção e de s*us reg*stros, *art*cularmen*e, em *&T. A solução, *or e*e pro*o*ta, p*e**a o *so da* e**ão i*cipiente* *ec*ologias de informaç*o *ara reso**er o re*erido **oblema. No Brasil, em e*pecial, a or*gem da Ciên*ia da Informaçã* é re**sitada por Oddone (2006), resgatando-s* os **forços empreen*idos p*r Lydia d* Queiroz Sam*aquy na criação do Instit**o *rasileir* de Bibliogra*ia e Documenta*ão (IBB*), transformado em 197*, no Inst*t*to B*asileiro de Informação *m Ci*ncia * Tecnolo*ia (IB*CT). C*mo em *utras partes do m*ndo, era o momen*o de e*frentar a exp*o*ão i*formacional *ed*ante a atualiza*ão de t**n**ogias, metodologia* e procedimentos r*laci*nado* com o tratamento e com a *rgan*zação da informação. Em*ora ainda não hou*e*se mudança *o re*ime de *nfo*mação à é*oca, na med*da em que o modelo e*tatal mantinha grande f*rça, v*rias experiênci*s mundiais de renova*ão de trabal*o* de bibl*ogra*ia docum*ntaçã* foram reconh*cidas e * estudad*s por Lydia Sambaq*y, par* lhes s*rvir de fonte de i*spiração. A tec**logia esteve, pois, *esde o início, impactan*o no c*mpo *isciplinar da Ciência da Informação. Se grandes avanços tecnológ*cos aco*teceram *a* últimas décadas - e cada v*z m*is pass*m a se to*nar in*i*pensáv**s à conformaç*o da vida, t*l *omo esta *em se estrutur*ndo a partir deles -, é ess**ci*l, p*ra a consolida**o da CI, desloca* seu obj*to d* estudo *e problemas informacion*is m*is im*d*atos *a*a o *atamar teórico *esejável e necessário. Di**nd* em outras *alavr*s e c*mo antes discu*ido, vá*ios aut*res *etec*am na pesqui*a e* Ciência d* In*ormação *m viés fo*temen*e te*eológico. Al*m di*so, ob*e*vando- se as características da *tual sociedade da inf*rma*ão, vê-se que, nes*as condições, o objeto mate*ia* da CI, o empírico, aquel* que dado, tende a abs*rver o objeto form*l *a área, é o teór*co, *quele que é co*st*uído. Não obst*n*e a *ssa *o**ta*ação, ta*bém K*bashi e Tálamo Rev. FSA, Teresin*, v. 1*, n. 4, art. 4, p. 5*-67, *ul./ago. 2015 www4.fsa***.c**.br/re*i*ta Cons*it*ição D* Camp*-Objeto De Est**o D* Ci**ci* Da Informaçã* 61 (20*3) a*vogam * favor da importânci* da elabor*ção conceitua* para a apreensão a*urada em *orn* do o*jeto de estudo da Ciência da Informaçã*. Para Marteleto (2009), registra-se *éria *r*nsição nas ú*timas d*cadas *e um r*gime de inf**mação fundamentado p*la ação do Esta*o para ou*ro, orientado para o *ercado, a partir do qual se per*ebe que a *u*s*ão da infor*açã* e do c*nhecimento *ove-se das *s*eras estatal, públ*ca, educacion*l e cie*tífica para o do*ínio e*pr*s*ri*l, pr**a**, econômico e tec*ológico. Neste c*so, obse*va-se que * t**ática do conhecimento e s*a gestão em diferentes a*bient*s o*ganizacionais adquirem especial relevância. Tal regime, *r*uido basi*ame*te p*lo set*r *ro*utivo e *mpresarial, estabelece *ma n*va or**m para as pe*quis*s. É i*por*ante não perde* de vista que o setor *r*dutivo, interessado nos gan*os de produt*vidade q*e * *ecnol*gia l*e pode proporciona*, aume**a drasti***ente o inter*sse *umo ao seu co*sumo. O aumento expr*ssivo do uso de computado*es nas empresas apó* a *egunda Guerra Mundial, se*uido do alastra*ento *o us* de uma m*ltiplicidade d* redes eletrônicas de info**a*ã* e *e comunicaç*o, ênf*** para * interne*, geram u*a dema*da es*rond*s* por *rod*tos tecnológicos e por conhecimen**s capazes de aperfeiçoá-l**. A força impulsionadora da tecnologia sobre a sociedade é a*p*ame*te discutida por Castells (200*), ao discorre* sobr* o novo *ar**igma te*nológic* bas*ado *a informaç*o. O *utor compara, e* *ermos de import*ncia, a atual revolução da tecnol*gia da inf*rmação à Revolução Ind*stri*l ** *éculo XVIII. O regis*ro histó*ico das r*voluções *ec*ológica* ates*a que todas se ca*acterizam por sua penet*abili*ade soc*al * o p*ocess* atua* de tra*sformação tecno*ógica - cujo *e*ne é a tecnologia de **formação - expande-se, exponencialmen**, num *undo que se *or**u digital. As t*cnolog**s da informação difundem-s* p**o globo co* a velocid*de da luz em *e*os de duas décadas, entre meados de 70 e 9*. Por volta dos anos 90, no Br*sil, s*gundo Ma***leto (*009), após a criação do Ministé*io da C*ência e Tecnologia (MCT), começa-se a pe*sar a ciência mais for*emente v**culada ao setor prod*tivo. A pesq*is* passa a ser vista como parte integrant* d* *m sistem* amplo d* i**vaç*o, incluind* os se*ores produtivo e empresaria*. O novo mo*o d* *ro*ução c*entífico caminha para um mod*lo mais pra**át*co, inter*isciplinar e c*rrela*io*ado com os *n*eresses c*m*r*iais e empr*sariais muito mais do q** ant*s. Corroborando com a ide*a d* círculo de **g*tim**õ*s rec*pro*as de F*u*ez (1995) para a ciência, n* visão de Ca*tel*s (*000), a atua* revo*ução tecnol*gica, base*da nas tecno*og*as de informação, está carac*erizada **o pela central*d*de da informação e / ou do *onhecim**to per se, mas, sim, *ela aplicação dessas informações * desses co*hecim**tos para * geraçã* de Re*. F**, Teresina, v. 12, n. 4, a*t. 4, p. 5*-67, j*l./ag*. 2015 www4.fs*n*t.*om.br/revista L. G. Cam*oim, E. D. **u*a, M. G. Targino 62 novos saberes e de dispositivos de pr*cessament* e co*unicação da inf*r*açã*, *um *i*lo de r*troalimentação cumulati*o entre inovação e uso. As tecnol*gias d* informaç*o **q*ir*m *a*el elevado na sociedade ** inf*rmaçã* por se im*scuírem, em *rande m*dida, n* modelagem cog*itiva das pessoas, produz*ndo, em úl*ima an*lise, novas condiç*es de produçã* e tran*f*rmaçã* da r***idade social. A* novas tecno*ogias da in*ormação e da comunic*ção já nã* são mero* instrumentos no s*ntido técnico tradicio*al, m*s feixes de pr*prie*ades ativ*s. [...] A* te*no*ogias tradicionais servia* como in*trumentos *ara aume*tar o alcanc* dos sentido* (braço, visão, movimento, *tc.), enquanto que *s [...] tec*ologias am*liam o potenc*al cog*itiv* do ser huma** (céreb*o / mente), pos*ibilita*do **xagens *ognitiv*s complex*s e cooperativa* (*SSMANN, 2000, p. 9). Basea** nessas constatações é que Kobas*i e Tá*amo (200*) afirmam *ue a tec*ol**ia che*a a ser elemen*o *on*ei**al constitutivo do co*pu* epistem*lógico d* Ciência d* Informaç*o, não sendo mais possível a pesquisa de pro*ediment** informacionais f*ra *essa persp*ctiva. Di*nte des*e qua*ro de condições *era** e esp*cíf*ca*, Souz* (*011) reitera haver, na l**eratura da área, um fren*si em rela*ão às **vas l*nguage** e te*nologias que, por vezes, tor**m opacas as bases *eór*cas *a co*stituição do campo disciplinar. 3 CO*SIDERAÇÕE* *INAIS O pres*nte tr**al*o e***eende refl*xão *cerca da influênci* d* novo regime de infor**ção, *arca** pela p*esença *e *ovos atores como mercado e s**or p*odutivo, com suas expressivas dema**as *ec*ológi*as, no *o*po **nstituti*o d* cam*o-obje*o d* estudo da *i*ncia d* Info*mação, que se ev**encia, esp*cialmente, *elos objet*s e delimitaç*es esco*hidas para as p*sq*isa* da área. O novo enquadra*ento da ques**o do conhecime*** e da informação, emb*lado pel* novo regime de **formação, *o*f*r*e argum*n*ação de *a*telet* (2009), *presenta novos at*res *, *or con*eguinte, traz *ovas questões e desafios para * pesquisa em Ciência da I*fo*mação em geral. Com ef*ito, um re**me de **formação é re*onhecido, *egu*do Gonz*lez de Gómez (2*02), p*r sua* *i*has de fo*ça d*mina*tes, definindo *uem são os sujeitos, as organi*açõ*s, as r*gras e a* autoridades in*ormacion*is, bem *omo quais s*o os meios e **cu*s*s pre*erenciai* d* inf*rmaç*o. Enfim, d*t*rmina *uai* são os padrões de excel*ncia e mo*elos de organizaçã* dentro de *a*iáveis espaciai* * tem*ora*s, de questõ*s cu*turai* e de relações de p*der. Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, art. 4, *. 52-67, jul./ago. 2015 w*w4.fsanet.com.br/revista Constituição Do Campo-Ob*eto D* Estudo *a Ciência Da I*fo*mação 63 Isto posto, * levan*o-se em consideração as **irma*ões de Bourdieu (*983) acerca do c*m*o cient*fico, quando o comp*ra a *m campo social qua*quer, re*ido por forças políticas, assegura-*e que, da mesma ***ma que um r*gim* de verdade d*reciona os interess*s ** pesqui*a em qu**quer áre*, os contor*os de ** reg*me de info*ma**o vão conduzir os inte*esse* de pesquisa em áreas q*e lidem c*m a info*maç*o, dentre as quais se d**ta*a a Ciência da Informação. Tal seguimento é entendido inclusive c*mo desejável p*los programas de pesqu*sa naciona*s em CI, tendo em v*sta *ue *olocam como *roposta, através do posicionamento de seu órgã* máximo - Associação Nacional de Pes**isa e Pós- Gradu**ão e* *iê*cia da I*formação (ANCIB) - p*r o*asiã* *o I* Programa N*cional d* *ós-Gr*dua*ã* (P*PG), u* po*to rel*ti*o *o seto* produtivo e à política industria* corroboran*o tal pr*tica. Mais e m*is, a Ciênc*a da Informação adere à propo*ta *a ciência mode*na - i*flu*n*ia** pelo arg*me*to filosó*ico do c*nhecime*to do criador - *e se alin*ar ao con*e*imento práti*o ou aplicado, da*do men** espaço ao t*órico-e*istemológico. Em se atesta*d* u*a mudan*a no regim* de informação, prin**pa*mente * pa*t*r dos anos 90, em qu* o f*co pas** do Es*ad* ao seto* privado, com *ntr**a de novos atores c*mo mercado e s*tor e*pre**rial, o conhe*imento a*l*ca*o passa a *er, *o*sequen*emente, o *ais des*jad* e, porta*to, o mais valorizado. A pujança da r*vol*ção da tecn*logi* da *n*ormaçã* c*m c*esci*ento e*ponencial irrefreável e alta penetrabilidade na sociedad* e*timul*m o inter*sse por pesq*isas em i*formação com viés tecnológic*, *etrain*o o espa*o daquelas *** s* ocupam *o corpus teó*ico tã* essencial à co*solidaçã* da área. Como González *e Gómez (19*0) *ssegura, um dos principai* problemas *m mat*ria de informação não est* na qu*stã* te*nológica, mas em normas, regras e obrigaçõe* recípro**s q*e orientam as prá*icas e *ções de inf*rmaçã*. C*rece-se, pois, de uma i*curs*o mais ap*ofun*ada *essa seara, uma **z qu* o o*jet* de est*do da *iê*cia *a Inf*rmação tem caracterí**ica interdisciplina* e, fren*e a ou*ras áreas j* *ais cons*lid*d**, aque*a está arr*s*a** a ter s*as co**uis*as d*sciplinares con*tantemen*e e / ou am*l*mente q*est*onadas. T*m*ndo como ref**ência o cí*c*lo *as l*gitimações recíprocas de Fo*r*z (1*95) * o ente*dimento *e Ma*teleto (2009) sobr* a import*ncia de u*ir teoria e pr*tica, *on*iderando que a vi*alidade de um camp* *e sa*er deve ser dimensionada pe*a q**lida*e e amplitude de sua produ*ão d* *onhecimentos, pel* seu desenvolvim*nto tecnológi*o e pela int*rativ*dade e**re pesqui*a, educação e amb*ent*s da práti*a, co**lui-** ser natural que qu*lquer á*ea d* Rev. FSA, T*resin*, v. *2, n. 4, art. *, *. **-67, jul./ago. 2015 *ww4.fsan*t.com.*r/*evista *. *. Cambo*m, E. D. Souz*, M. G. Targino 64 conhecimento tente equilib*ar suas *onq*is**s *ntre teoria e práti*a *e forma a justificar sua importância científico-social. No entanto, em q*e pes* a *o*ça do no** r*gime de i*fo*ma*ã*, q*e por suas p*óprias características de atendimento às neces*idades *o *etor produtivo guiado p*la velocidad* das **d*nças decor*ent*s da estontea**e rev*l*ção da tecnologi* *a *n*orma*ão, à área cabe fort*lecer *s discussões *o pl*no epist*mológi*o, históric* e socia* das ques*ões da informação como forma d* gara*tir perenida*e **s conh*cimentos dela na*cidos e à sua t*oria fundante. Pois, como B*rre*o (1997) afirma, qua*do a *I e*fatiza e* suas análises a *ecnologi* da *nfo*mação, imp*de, *m c*rta medida, que seja pro*ovi*a a co*struçã* d* sua dimensão teórica. Logo, * papel da *NC*B é de *u*damental impor*ância, não *ó por apresent*r as p*opostas da área para *tualizações d* PNPG, como oc*rrido, c*nforme Martelet* (2009), po* ocas*ão da ela*or*ção d* IV PNPG mais r***ntemente, co* uma pr*posta d* área em se a*roximar mais das que*tões *robl**áticas pr*sent*s na sociedade brasilei*a, em *special n* s*tor pr*dut*v*, co*o tamb*m de levar propos*a* de fortaleciment* de out*o tipo de pesquisa. Neste *aso, *esquisas *ão nec*ssaria*ente vincu*adas a apl*cações pr*ticas na soci*dade ou no setor produtivo, m*s que aux*li*m o fortaleci*ento teórico-e*istemológico da área. Cabe às associações de pes*uisa dos diversos ramos do *aber, incluindo as da Ciên*ia da Informação, definir, *m conjunto com *s *gências de a*o** e fomento à pesquisa d* país, a sa*er, o Conselho Nac*o*al d* *esenvol*ime*to Cient*fico e Tecnológico (*NPq) e a Coorde*aç*o de **erf*i*o*m***o de Pessoal d* *ível S*p*rior (CAPES), as a*endas d* pesq*isa de cada *a*po. * *s*encial ar*umentar j*n*o *ssas *nsti*ui*ões so*re o mel*or a p**ici*namento das espec**l*za**es em suas re*pe*tiv** ta**las de áreas, uma *ez que parece *e* ma*s apr*pr*ado *ue a área - onde se *itua* aquel*s *u* se *edicam às te*áticas aos e problemas de pes*uis* - esclareça aos *rgão* reguladores sobre os posiciona*entos * context*s d* própria área, do que o co*tr*rio, como costuma oco*rer. Consider*ndo as consequências d* dupla h*u*ística da Ciência da *nformação, de*i*ida p*r González de G*mez (200*), * part*r d* fortalec*me*to do *o*pus *eó*ico disciplina*, é *os**vel esta**lec** condições ind*spensáv*is **ra autê*tica d*scuss*o interdisciplinar, uma vez que sua própria identidade não e*tr* em q***tão. Ad*mais, destaca-se que * d**eren*i*l, *o se est*dar * informa*ão, na Ciência da Informaç*o, *ã* es*á em fazê-lo *ocalizando algum asp**to e*p*cífi*o, com* em outr*s área*, mas em fazê-lo em seu ápice, q*e * na inte*ação *ntre infor*açã* e co*hec*mento, no limi*e d* cri*ção do con*ecimen*o, o *ue condiciona * uso ótimo, ideal *esse recurso. **ata-se de estu*ar a informação como fenômeno capaz de Rev. FSA, Teres**a, v. 12, n. 4, art. 4, p. 52-67, jul./ago. 20*5 www*.fs*net.com.br/*evista Constit*ição Do Camp*-Objeto De Est*do Da Ciência Da Informação 6* mudar os *stad*s de conhecimento, de fo*ma holística e ** sua essên*ia. E* *oda tessit**a de suas argumenta*ões sobre a i*form*ção, B*rret* (2002) defende *u* a *elh*r ex*licação sobre * condi*ão da infor*ação está naq*ilo que *elaciona infor*ação c** conhecimento. Um retorno a** fu*dament*s, c*mo adv*ga Brookes (1980), neces*ita ser valorizado em de*rim*nto d* avidez *m se atender às demandas p*át*c*s *mpostas pelo novo regime de informa*ão, de *a*eira que * área *ortaleça sempre mai*, dentro * fora de seus limites, o *t*tu* *ientífi*o que lhe é de d*reito. REFERÊNCI** ASSMANN, H. A metamo**o*e do aprender na sociedade da informaç*o. Ciência d* Informação, v. 2*, n. 2, 2000. Disponí*el *m: <http://revi*ta.ibict.*r/ciin*/index.ph*/c**nf/ a*ticle/view/247/170*>. Ace*so em: 14 maio 201*. *ACHELARD, G. A formação do es*íri** *ientí*i*o: contribuição par* uma ps*canál*se do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. BARRETO, A. A condiçã* *a informação. São P*u*o em Perspe*tiva, São Paulo, v. *6, n. *, p. 67-*4, 2*02. _________. 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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)