Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.Unifsanet.*om.br/revista
Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 8, art. 3, p. 48-71, *g*. 20*6
ISSN Impresso: *806-6356 I*SN Ele*rônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/20*6.23.8.3
M*lheres, Economia Solidária e Des*n*olviment* Su*tentá**l: Uma Revisão S**temática
Wo*en, Solidari*y Eco*o*y, and Sust*inable Devel**ment: * Systemat*c Re*iew
Ad*i*na Vent*la Marra
Doutora em A*mi*istração pela U***ersidade *ederal de Minas *erais
Pro*essora Titu*ar da Universida*e F*deral de Viçosa-*ampus Flo*es*al
E-mail: **entola@*fv.*r
Raquel Ven*o** Marra
Gr*duanda em Admini*t*ação da Un*versidade F*deral de Viçosa-Ca*pus *lorestal
Bol*ist* de *nici*ção cient*fi*a *ela FAPEM*G
E-m*il: raquel.marr*@ufv.br
Mariana Mayumi Pereira d* Souza
Doutora e* A*m*n*st*ação *ela **iversidade Fede*a* de Mi*as Gerais
P*ofessor* *s*ociada da Universidade *edera* d* Viçosa-Ca**u* Flo*estal
E-m*il: mariana.**yumi@ufv.*r
Valér*a Prochno* dos A*jos
Gradu*da em Com*nicaç*o Social
B**sista de D*senvolviment* em C*ê*cia, Tecnologia e Ino*a*ão (BDCT*) pela FA**MIG
E-m*il: val.revisa@gmail.co*
Ender**o: Adriana Ventola Marra
U*iversid*de
Federal de
Viçosa
Camp*s
Flor*s*al -
Rodovi* LMG 818, km * - Flo*e*tal, *inas Gerais, C*P
Editor-Chefe:
Dr.
Tonn*
Kerley
de
*len*a*
35.690-*00, Florestal/MG, Bras*l.
Rodrigue*
En**reço: Ra*uel Ve*tola M*r*a
Uni*ersidade
Federal *e
Vi*osa
Campus
Flor*stal -
Artigo rece*i**
em *5/07/2026. Ú*tima
versão
*odo*ia LMG 818, km * - Florestal, *inas Gerais, CEP
recebida em 0*/08/*02*. Aprovado em 04/08/2026.
35.690-0*0, Flor*sta*/MG, Brasil.
Endereço: Marian* Mayumi Per*ira *e Souza
Av*liado pelo sistema Triple Rev*ew: Desk Re**ew a)
Universidade
Federal de
V*ç**a
C*mpus
Flo**sta* -
pe*o **itor-Chef*; e b) Dou*le Blind *eview
Rodov*a *MG 818, k* 6 - Florestal, Minas Gerais, *E*
3*.690-000, Flor*stal/MG, Brasil.
E*d**e*o: **léria Prochn*w dos Anjos
Univer*id*de Fe*eral de V*çosa Camp*s Flore*tal -
Rodovia LMG 818, km 6 - Florestal, Mina* *erais,
CEP 35.690-*00, Florestal/MG, Brasil.
(av*l*ação ceg* por dois a*a*i*dores da área).
Revisão: Gramati*al, Norma*i*a e de Formatação
Mul*eres, Ec*n*mia Solidária e Desenvol*ime*to Sustent*ve*: Uma Revisã* Sistemáti*a
49
RES*M*
Es** est*d* o**etivou *omp*e**der, *or m*i* de re*isão *istemátic* d* *studos
*ublic*dos
ent** 2*21
e 2025, as *elações entre empoderam*nto feminino, economia solidária
e
*esenvolvimento sustentáv*l. O empoderamento feminino é ente*dido c*mo processo
contínuo * multidim*nsi*nal (ec*n*mico, *ocial, cultural e subje**vo). T*ata-se de es*udo
qualitat*vo, com revisão sistemática pelo métod* *RISMA 2020. A colet* ocorreu nas bases
We* of Sci*nce, Spell e Scielo. *pós critérios de elegibilida*e, foram *ele*ionados 21 artigos,
ana*isados *or meio de a*álise
de co*teúd*. Os re*ultad*s apontaram que a econo*ia
solidária const*tu* espaço estra*égico para o empoder*mento femin*no ao fortalec*r
organização *oletiva, autonomia **onômica e par*icipação nos *rocessos
decisórios,
*o*tribu*n*o também para o desenv*lvimento *ustentável. Concl*i-se *u* * empoderamento
*emini*o,
no conte*to dos e*tudos analisados, pode *er *a*ego*izado com*: ambivalente,
rel*ci*nal-c*letivo, econ*mi*o-dec*sório, te*ri*orial e sociopo**tico. Com* *genda de
pesqu*s*, foram
prop*sto*
es**dos que aprofund*m *as dimensões individual * coletiva de
*orma conjunt*, nas
prát*cas produt*va* ter*itori*lizadas, na co*preen*ão da gestão de
empr*endi*en*os d* economia so*idária
*ider*d*s por mulher*s, *as *o*trad*ções
do
em*oderamen*o ambiv*lente e na* perspectivas decolon*ais.
Palavr*s-Chave: E*poderamento. Mulheres. **stentabili*ade. Asso*iações. Cooperativas
ABSTRACT
This *tudy aimed *o unde**ta*d the relation*hips
be***en fem*le empow*rment, solidarity
*cono*y, *nd sust*i*ab*e de*elop*e*t through a systematic review of *tudies publis**d
between 2021 an* 2025. Female *mpo*ermen* *s *nderstood *ere as a co*tinuous
and
mul*id*mensional
process (encomp*ssi*g
econo*ic, social, cu*tural, and s**jectiv*
dimensi*ns). Thi* qualitative study conducted s*stema**c review fol*owing *h* **I*M* a
202* s*ateme*t. Data colle*tio* wa* *arried out *n the Web
of Science, Spell, and Sc*EL*
da*abases. After applying the el*gibility cr*teria, 21 articles wer* s*le*ted *nd analyze* us*ng
c*n**nt analysis. Th* r*sults indicated tha* the solidarity econ*my *o*stitut*s a s*rategic s**ce
*o* female emp*w*rment
by strength*nin* ****ective
*rganization, economic *utonomy,
and
participation in decisio*-*aking proc**s*s, there*y also co*tr*but*n* *o sust*i*able
de**lopment. Th* study concludes
that *emale empo**rm*n*, wit*in the context of t*e
analyze* lite*ature, can be **tegorized a*: ambivalent, *elational-*oll*ct*v*, ec*nomic-
decision**, t*rritorial, and *o**o-polit*cal. F*nal*y, the pr*pose* *e*earch agen** sugge**s
future studies tha* deeply *xp*ore
bot h i *di vi dua l
and co*lective di*ensions sim*l*an*ous*y,
locali*ed pr*ductive prac**c**, the man*gement of women-le* solid*rit* economy en*erpri*e*,
th* *ontr*dictions of ambivale*t em*owerment, and d*c*lon*al pe**pectives.
K*yword*: *mpow**ment. Wom*n. *us*a*nability. Associati*ns. Cooperatives.
**v. *SA, Te*es*na P*, v. 2*, n. 8, art. 3, p. 48-7*, ag*. 20*6
www4.*nif***et.com.br/*evista
A. V. M*rra, *. V. Marra, M. M. P. Souza, V. P. Anjos
50
1 INTRODUÇÃO
A expr*ssão "*mpoderamento feminino" tem s*do empregada, nas últi*as décadas,
como um con*eito-cha*e nos debates sobr* eq**dade de *ê*ero, ci*adania * desenvo*vi*e*t*
sust*ntável. D*sta*a-*e sua *resença como Obj*tivo para o Des*nvol**ment* *u*ten**vel
(ODS) * d* Agenda *030, que é descrit* co*o "al*an*ar a i*ua*dade de gênero e empoderar
todas *s mu**e*es e meninas" (ONU, *0*5). Dando co**inuidade a essa a*enda, em junh* de
2021, foi lanç**o o Plan* de *c*lera*ão Glob*l p*r* a Igual*ade de Gênero no Fó*um
Gera**o Igual**de, co* a previsão *e *nvestim*ntos de 40 b*lhões de d*la*es, por ins*ituiçõe*
públ*c*s * privada*, até 2027 (ON*, 2021).
*nstituições públicas e priva*as também tê* di*cut*do e *emonstra*o preo*upaç*o
com questões voltadas para a dive*s*dade e equida*e de gênero. Assim, *resen** em ag*ndas
políticas * ins*ituci**ais, o
empoderamen*o fe*inino s* *ornou uma ca*egoria est*atégica de
aná*i*e e ação (ANDE*SON, *0**; BAQUERO, *012). Embora
avanço* tenham sid*
obse*va*os n*
promoção dos *ire**os d*s mulheres, a vio*ência e * disc*imina*ã* *e gênero
permanecem como desafios. Dados re*erentes a* período *e abr*l
de 2024 a *a*ço
d*
2025
indi*am que 3*,5% d*s mul**res *rasileiras *ofre*am **gum ti*o *e violênc*a, a*rangendo as
dimensões física, psicológica, mo**l, *exual e pa*r*moni*l (BUENO, 2025). Diante *os dados,
dive*sos
a*t*res
**o*tam que desenvo**er *ráticas e **l*ti*a* que prom*vam *r*ces*os de
*mpodera*ento f*minino, ampliando a ca*acidade de agê*cia, part*cipação soci*l e acesso *
recurso* para as **lheres, contrib*i
di*etamente p*ra a redução
da vu*nerabilida*e e da
v**lência de gênero (DURAND et al., 2021; SOARES et al., 2023; PIZA**O, 202*; HEL*;
CAM*OS, 2022).
O empoderamento femi*ino te* sido
estudado
a partir de duas
dimen*ões:
*
in*ivi*ual * a coleti*a (ANDERSON, 2022; B**TH, 20**; *ORNWAL*, 2018; 2024;
SIM**; BO*IRA, 2017). Na d*mensão indi*idual, o signifi*ado do empodera*ento
está
v*ncul*do à autoestim*, autoafir*açã* e autoconfi*nça, e na col*tiva, as mulhere* aumenta*
sua* capacidades e seus r*cursos *ar* *xe*cer pod*r s*bre suas vida*, a pa*tir da emancipação
(**QUERO, 2012; BERTH, 201*).
So* a perspectiva do desenv*lvime*to suste*tá*el, o empoderam*nt* feminino
transcende fortaleci*ento i*div*d*al da* *ulher*s, *on*igurando-se *
*omo um processo de
tra*sf*rmação das relações d* p*der de enfrentamento **l*t*vo e
das de**guald*des sociais
hi*to*icament* construíd*s (AND*RSON, 2022; BERTH, 2019). Nesse sentido,
o
empoderamento só a*on*ece e*etiva*e*te na dim*ns*o
coletiva, a parti* de econ**ia
Rev. FSA, Teresi*a, *. 23, n. 8, a*t. 3, p. 48-71, ago. 2*26
www4.Uni*sanet.*om.br/rev*sta
Mulheres, Econ*mia *o*id*ria e Desenv*l*imento S*stentável: Uma Revisã* Sistemática
51
solidár*a (S*MON; *OE*RA, 2017). A ec*nomia sol*dári* possibilita a autono*ia e*onômica,
política s*ci*l das mulh*re*, pois fortalece o coletivo *o esta*elecer relações econômicas e
base*das na solidar*e*ad* e na reciprocida*e (S*NGER,
2002), *on*igurando-se co*o uma
**o**mia plural (LAVILLE; SILVA,
20*4) e
contribuind* para o
desenvolvimento
susten*áv*l (SACHS, 2*02; VEIGA, 2019).
A partir do context* aprese*tad*, buscou-** com*reender, *o* meio de *ma *evi*ão
sistemá*ica de e*t*do* pub*icados entre 202* e 2025, as relaçõ*s entre empoderamento
fem*n*no, p*áticas *e ec*nomi* solidár*a e desen*o*vimento sustentável. Pesquisas
*vi*e*cia* a importância d* estudos naci*na*s *ob*e em*ode**me*to femini*o, co*siderando
as contr*dições
da conjuntura ne**iberal as *specificidad*s do *** Global (A*DE*SON, e
2024; CORNWALL,
*018). Out*os estudos *isc*tem *ua* relaçõ*s com *
desenvolvimento
*conômico e sustentá*el (DOEP*E; TERT*LT, 2019), bem como os imp*ctos da herança
colonialist* sobre as d*sigualdades de gê*ero (GUARNIER*; RAI*ER, 2*21) n*ssas regiõ**.
Contudo, a asso*iação entre empoderame*to feminin*, *con*mia soli*ária e dese*vo*viment*
susten*ável ainda carece de *nvestigações i*tegra*a*. *s p*squ*sas t**dem a focar,
princ*pal**nte, em práticas de economia solidári* e as contribuições *ara o empode*amento
fem*nino (CASTIBL*N*O-MORENO; D*QUE, 2**2; SIMO*; B*EIRA, 2*17; SOARES
et al., 2023), ou na* r*l****s ent*e empoderamento e d*senvol*im*nto sustentável (DO*PKE;
T*R*ILT, 2019; DURAND et al., 2021; *EN*URA et al., *02*).
*
REF*RENCIAL TEÓRICO
Para Se* (1997), * e*poderamento é um proc*sso de *mpli*ção das capa*i*ad**
huma*as, e* que os indivíduos, especialmente
aque*es em *ituação de vu*nerab*lidade,
passam * *er *aior controle *obre suas própr*as vidas e decisões. Page e Cz*ba (19**)
compreendem o empoderament*
c*mo u* proce*so contínuo de mudança, b*seado no
d*senvolvimento ind**idual, na co*strução comunitária e na ação coleti*a.
A partir dessas definiçõ*s, entende-se que empoder*r implica construir po*er de a*ão
social, for*a*e*** a ca*aci*ade das p*ssoas e grupos para efetivamente transformar as *el*ções
de poder (BAQUERO, 2*12; *ERTH, 2019; PAGE; CZUBA, 1999). Ber** (2019, p. 1**)
**f*rça qu* "n*o é p*ssível empod**ar alguém, *enão um* ação qu* se *az em conjunto, *em
distante do empodera*ento p*st*urizado, de facha*a,
patern*l*sta, ma*s interessado e*
manter o estado atual das coisas".
Rev. F*A, Ter*sina *I, v. 23, n. *, art. *, p. 48-71, ago. 20*6
www4.Un*fs*net.com.br/revista
A. V. *arra, R. V. Marra, M. M. P. Souza, V. P. *njo*
*2
A utilizaç*o da *xpre*sã* e*p*der*m*nto feminino *omeça a ser di**emina*a pe**s
estudos de *ênero com*
uma resposta ne*essida*e de re*onhecer à
as mulheres não ap*n**
como bene*iciár*as de
pol*tica* p*blicas, mas como sujeitas ati*as ** *ransformação socia*
(DURAND et
al., 2021). O em*o*erament* femini*o tem u* c**át*r multid*mensio*al
(BAQUERO, 20*2; BER**, *019; COR*WALL, 2018; SIMON; BOE*RA, 2017). E*e pode
ser compr*endid* a **rtir da dimensão *ndivi*u*l e da dimensão c*letiva. *m sua dime*são
individual, o e*poderamento refere-se ao fo*talecimento da autoestima, *a autoconfianç* e da
aut*afirma*ão, f*vorecendo o de*envo*v*mento da
*apacidade de adquiri* c*nhecim*ntos
*
ex*rcer maior contr*le sobre
os próprio* recur*os poten*ia*idades. Esse processo a*plia e
a
a*tono*i* dos indi*íduos, *oss*bilitando que atuem de *a*ei*a conscie*te na *ransf*rmação
de suas condições *e
v*da. Diz respe*t* "ao au*ento da *ap*cid*de de
os i ndi ví duos * e
sentirem influe*tes nos proces*os que determina* suas vidas" (BAQ*E*O, 2012, p. 176).
Na di*ensão colet*va, o *mpoderame*to pe**assa o "processo de capaci*ação
de
gru*os ou
i **i ví d*os
desfavorec*dos
para a
arti*ulação
de interesses, buscando a
c*nquista
plena d*s direitos de cidadania, defesa de seus intere**es i**luenciar ações do e
Est*do" (**QUER*, 2012, p. 178). Destaca-se que essa perspectiva corrobora com Baquero
(201*), Be*t* (201*) e Page e Czuba (1*9*), pois não s* tra*a de "conceder poder às pessoas",
mas *o sentido da emancipação.
Em re*ação à *i*e*são indivi*ua*, também tem o que se p*de chamar de **ropriaç*o
*eoliberal *o con**ito de empoderament* f*minino. Segundo Cornwall (*018), * discurso
dominante propa*ado p*las pol*ticas p*blicas de desenvolvimento voltadas para as mulheres
tem promovido o *hamado "empoderame*to ligh*".
Es*e base*a-** na *dei* de
que
o
empreendedorismo e a meri*ocra*ia individ*al s*ri*m *uficientes para emancipar a* mul*e*es.
*al ab**da*em
desloca o f*co da **ansfor*ação soc*al *ara a r*sponsabilização indi*i**al.
Com isso, o empo*era*ento passa * ser entendido como um pro*et* de *utoaperfeiçoamento,
m*ntendo
de*igualdade* estruturais de gênero. Segundo *ornw*ll (201*), tra*a-se de uma
for** de "domes*ica*ão" do conceito, *ue restringe su* potência tra*sforma*ora e des**litiza
de*andas históricas po* equi*ad*, j*stiç* e i*clusão.
A partir da *imensã* *olet*va, ao co**rário do "empode*am*nto *ig*t", a
ec*nom*a
so*idária te* aux*liado no desen*olv*mento de práti*as *ustentáveis co* a real pos*ibilidade
de *m*ncipação. Ente*de-se por
economia s*lidár*a um conjunto de *ráticas associativ**
e
autog*rida* (*or exemplo, *oope*ati*as e as*ociações) q*e pr*ori*am o bem-estar humano *m
*etr*men** da ac*mu*açã* de capital (*ING*R, 2002; **VILLE; *ILVA, 2024). Se*undo
S*nger (*0**), essa forma de org***zaçã* não apena* *romove inc*usão socioeconômi*a, mas
R*v. F*A, *eresin*, v. **, n. 8, art. 3, p. 4*-71, ago. 202* www4.Unifs*net.com.br/revista
Mulheres, E*onomi* Solidári* * Desen*ol*imento Sustentáve*: Uma R*visã* Sistemática
*3
t*mbém fortalece co*unidades locais a* *struturar relaçõe* econômi*as fun*amentada*
na
solidarieda*e e na reciproci**de. Laville Sil*a (202*) c**ple*e*t** afi*man** *ue e
a
economia so*idária não se restringe * *sfera do trabal*o. Ela também d*ve, segund* os
auto*es, incorpor*r as dimensões política, c*ltural socia*, *
configurando-se, assim, *m uma
economia plural.
Nes*e se**ido, "eco*omia solidária" dife*e de outros termos corre*atos, como
"econo*ia s*cial", pe*a
ênfase na dime*s** política, vo*tada à formação cidad* em sua
prática. Apesar de sua origem ser remontada *o *ovimento assoc*ativista ope**r*o d* prim**ra
metade
do século XI* na *uropa, a economia solidári* flor*sceu fortem*nte no c*n*exto
latino-americano a parti* da* últimas déca*as *o *éculo XX (F*ANÇA FILHO, 20**;
GAIGE*, *0*1).
Segundo a WC*D (1987), o desenvolvimento *u*ten*ável c**siste em um modelo de
desenvolv*men*o orie*tado *ara a s**i*fação das necessidades da geração atu*l, *sseguran*o,
ao me*m* tempo, qu* a* gerações *uturas disp*nham dos r*cursos e d*s condições necessár*as
p*** *tender
à* suas própria* nec*ss*dades. Nesse sentido, a* dimen**es econômica, social e
ambien*al de desenvolvimento sã* *ndisso*iáveis, **n*o, *egundo Sachs (*002) e Vei*a
(2019), *m *ro*e*o multid**ensional
orien*ad* pela equ*dade social, pela eficiência
*con*mica e *e*a s*stentabilidade *m*iental. O de*envolviment* *ustent*vel, entã*, **quer a
reduçã* d** des**ual*ades estruturai*, tr*nsformaçõe* instituciona*s e novas formas
de
governa**a que en*o*vam *ud*nças nos valores sociais (VEI*A, 2019).
Nesse contexto, a economia *o*idária é u* caminho a s*r considerado *ara promoçã*
*o
desenvolvime*to sustentável, p*op*cian*o a capacidade de escolha,
de ag*n*ia e
de
transformação
das relações soc*ais qu* produzem desi*u**dades de gêner* (LA*ILLE;
S**V*, 2019; SING*R, 2002). Es*udos apont*m que em**een*i*entos de econ*mia
*ol*dária liderados po* *ulheres tendem a a*ticular geração
*e renda,
forta*ecimen*o
c*munitário e *ráti*as socioambient*is *esponsáveis, reforçando a in*erdepe*dência entre
empoderamento feminino e suste*ta*il*dade (ONU, 2015; SOARES et al., 2023).
A partir das d*scussões t*óricas ** Laville e Silva (2024), Sachs (*00*), Singer (2002)
e V*i*a (201*) e d*s apontam*ntos de *astiblanco-M*r*no e Duque (**22), Si*on e Boeira
(*017) e Soare* e* al. (202*), são *ndicadas possib*lidades de *ue a economi* sol*dária
favoreça o empoderamento feminin*, tan*o pela autonomia econômica quanto pela
part*cipação p*l*tica e co*u*itária, i*tegrando dim*nsões mate**ais, soci*i*, polí*icas
e
simból*cas da emanci*ação, e o d*senvolvimento sustentáve*.
Rev. FSA, Teresina P*, v. 23, *. 8, a*t. 3, p. 48-71, ago. 2026 www*.Unifsa*et.*om.*r/r*vista
A. V. Marra, R. V. Marra, M. M. P. So*z*, V. P. *njos
54
3
*ROCEDIMENTOS METODOL*GIC*S
Es*e *studo seguiu *ma *bordage* qualit**iva em qu* f*i realizada *ma revisão
sistemáti**,
utilizando * método PRISMA
*020 (Pr*fer*ed Reporting
Items for Sys*e*atic
R*vie*s and Meta- anal*ses). * protocolo da *evisã* *ist*m***ca fo* ela*o*ado p*eviamente,
defini*do-se a *uestão de
pesquisa, os critérios de elegibil*dade, *s b*ses
de dados
con*ultada* e os pro*edi*en*os
de
análise,
em cons*nânci* com as
recomendações do
PRISMA 2020, dis*onibilizadas em Page et al. (2023). *ais r**omendações contam com um
check *ist composto por 27 itens (que englobam título, resum*, introdução, mé*odos,
r*sul*ados, **sc*ssã* * outras i*formaçõe*) (Page et al., 2023). Como ferramenta de apoio
para triagem e org*nização das r**erên*ias, foi utiliz*do o software Parsifal (https://pars*f.al/).
A c**eta de dado* ocor*eu nas **ses d* dados Web of Scienc*® (WoS), Spell e Sc*elo.
A estratégia de busca foi p***ir do seguin** descritor: ("feminine" OR "wom*n*" *R a
"fem*le empow*rm*nt" OR "women empowerment" *R "gender empowerment") AND
("sustain*bility" OR "*usta**able
developme*t") AND ("association" OR "cooperativ*" OR
"coopera*ivism" OR "solidarit* economy" OR
"soci*l e**nomy" OR "social *nd solidarity
econom*"). Foram *tili*ados o* seguintes filtros de pe*q*isa: (i) idiomas: portugu*s, inglês e
espanhol; (ii) período: *02* a 2025 (inclu*ive); (iii) *rtigos revisados
po* pa**s; (iv)
perió*ic*s das áreas *e ciên*ias humanas e sociais apli*a*as. * pesqu*sa *m todas as ba*es de
dados foi rea**zad* e* dezembro d* 202*.
Os critério* de elegibilidade for*m di*ididos em inc*usão e *x*lusão. Como critérios
*e in*lusão, selecionaram-se estudo* que a*or*assem o e*poderament* feminino arti*ul*do à
*imensão co*et*v*, à eco*omia solidária e ao desenvol*im*nto *uste*t*vel. Com* critérios d*
exclusão, *oram ret*r*dos artigo* *ue tratassem e*poderamento apena* em sua dime*são *
*ndividual ou vinculados *xclusiv**ente ao ch*m*do "*mpoder*m*nto *ight". Também for*m
excluídos estudos desvinculados de *ont*xtos sociais e polític** *u qu* não
a*ordassem
práti*a* de *conomia solidária e desenvolvimento susten*á*el.
Após a busca nas
bases de d*dos, com os fi*tros *pli*ados, foram encontrados
2*6
arti*os. Fo*am remov*dos 17 *uplicados, *esu**ando *m 209 pa*a * tr*a*em. Pri*eira*ente,
*oi realizada a leitura **s títu*o*, sendo excluí*os 145 ar*igos. Depois, *oi feita a l*itura dos
resumos, o que res*ltou na *xcl*são de 33 *rtigo*. As*im, foram s*parados 31 arti*os para a
leitura na ín*egra, *orém 3 f*ram excluídos p*r não permitirem o
acesso * seu con**údo
c*mpl*to. Após a leitura
**s 28 artigos, sete foram excluíd*s por n*o *starem dentro dos
Rev. FS*, *eresina, v. 23, n. *, art. 3, p. 48-71, ago. 2026
www4.Unifsanet.com.br/re*ista
Mulhe**s, Economia Sol*dá**a e Desenvolvime*to Sustentáve*: U*a R*vi**o S*stem*tic*
55
c*itério* de el**ibilidad*, t*ta*izando em 21 ar*ig*s pa*a análise. O Di*grama de fluxo
PRISMA per*ite visuali*ar o pe*curso metod*l*gico da *evisão realizada (*i*ura 01).
O método usado *a*a decid*r se um est*do atende* aos c**tér*os *e in*l**ão da revisão
foi c*mposto de: (i) leitur* por dois revi*ores,
tr*balhando d* *orma independente; (ii)
resp*stas *osit*vas às *egui*tes perguntas para *s *ítulos e resu**s: O estudo e*tá *linhado à
tem*tic* i*ves**gada? O *studo remete a algum dos termos c*ntidos no des*ritor *o *í*ulo,
resumo ou pa*avr**-ch*ve? (iii) respostas positivas às se*uintes pergunta* para a leitura d*
*rtigo *a íntegra: O e*tu*o aborda a dime*são c*letiva *o empoderamento *em*nino? O
estudo s* rela**ona *o desenv*lvimento *uste**áve*? O estudo aborda *ráticas de eco**mia
solidá*ia? Os artigos foram incluídos *uando *ou*e con*ordância d*s do*s revisores.
*igura 01: Dia*rama de fluxo para *ovas rev*sões s*st**áticas que inclu*ra* *pena*
buscas em banc** de dados e reg*stros
Id
en
ti fi
ca
çã
o
*ri
ag
e
*
In
cl
uí
d*
s
Artigos id*ntificad*s:
Scielo (n=*7)
Spell (n=13)
W*b of S*ie*ce (n=1*6)
Total *e re**str*s (*=22*)
Artigos p*ra a *riagem (n = 209)
A*tigos separados para a leitura
(n = 3 1 )
Artig*s lid*s na íntegra
(n = 2 8 )
Total de artig*s pa** *nálise
(n = 2 1 )
Ar*igos removidos antes da
triagem:
Duplicados (n =17)
Artigos exc*uídos por tí*ulo (n =
*45)
Ar*i*os *xcluídos por r*sumo (n
= 33)
Ar*igos e**luído* sem ac*sso a*
conteúdo completo
(n = 3 )
Arti*os ex*luídos: (n = *)
*ão focam no empoderam*nto:
4
*ão se relac*on*m com o
desenvolvimen*o sustentáve*: 2
Nã* abor*am a economia
soli*á*ia: 1
Fonte: Elaborado p*las a*toras a part*r de Page et al. (**23)
Rev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. *, *rt. 3, *. 48-71, ago. 20*6
ww*4.Unifsa*et.com.br/re*ista
A. V. Marra, R. *. M*rra, M. M. P. *ou*a, V. P. Anjos
56
O p*oce*so *e *ol*ta de dados *os artigo* fo* ori*ntado * pa*t*r da elaboração de dois
quadros: um par* a c**act*r*zação dos estudo* e outro pa*a a anál*se comparativa dos estudos.
Para o primeiro q*adro foram levanta*os o idioma, país e a*o
de public*ç*o, au*o*es,
periódico, su**ito* de *esq*isa, natureza * tip* da pesq**sa. Para * *e*undo, foram destacados
o objetivo, posicionamento ep**temológic*, dime*são do e*poderamento
p*iorizada,
*ns*rum**tos de me*ida, evid**cias empíricas que relacion*m o empoderamento *om
a
economia solidá*ia e * d*senvolv*mento sustentável, principai* *e*ultad*s e su**stões
de
p*squi*as futuras.
Os da*** fo*am anal*sa*os por *eio da análise *e con**údo (BARD*N, 2016). Bardin
(2*16) e**abe*e*e qu* sejam realizadas três fases de an*lis*: pr*-an*lise, ex**o**ç*o do
material, tra*amento dos
dados * i***r*r*tação. A *rimeir* fase, pré-análise, co* a leitura
flu*ua*te do material, foi operacionali*ada pela leitura dos *ítulos, resumo, p*l*vr*s-chaves e
art*gos completos. Na e*ploração do *ateri*l, para a an**ise comparati*a *oram *ont*dos os
dois **a*ros, referid*s no parágr*fo a*t*ri*r. Por fim, n* *ratame*to e inte*pr*tação dos
dad*s, foram r*ali*ada* análise* de aproximações e difere*ciações qu*nto às perspe*ti*as
teór*cas adotadas, r*sulta*os alc*nç*do*, categ*rias de e**oderame*to feminino *m
contextos de economia *ol*dária e d*senvo*vimen*o su*tentável * a ag*nda de pesq*isa.
* RESU*T*DOS * D**CU*SÃO
4.* C**act*rização d** es*udos selecionados
N* c*racteri**ção do* estud** selecionados
na rev*são sistem*tica pelos
*ritérios de
ele*ibi**dade
adotados, seguindo o protocolo *RI**A, foram destaca*os o id*oma de
pu*licação, o an*, o país de origem, o periódi**, a *bordagem *etodológica * os sujeitos de
*esqui*a. No Quadro 1 são apre*entado* t*is a*pectos.
Quadro 1: Caracte*iza*ão do* estudos *elec*ona*os
Nº
*utores
Ano
País
i*ioma
Periódic*
Met .
S*jeitos de pes*u*sa
1
*rciprete et a* .
20*5
BRA
Português
*evist* *r**ileira de Enfermag*m
QL
Mulheres da co*pera*iva d* costureiras
2
Barrios, *abor*a & Rueda
2025
COL
Inglês
*ocial Indicator* R*search
MM
C*fei*ultor*s
3
M*deiros & C*uz
2025
BR*
Português
Revist* Brasileira da Educação
*L
Não *e aplica
Rev. FSA, T*resina, v. 23, n. 8, art. 3, p. 4*-71, ago. 2026
w*w*.Unifsa*et.co*.br/revis*a
Mulh*res, Economia *olidár*a e Desen*olvimento Susten*ável: *ma Rev*são Sistemática
*7
Profissiona* * Tecnológica
4
Rod*igues & Cenci
2025
BRA
Po*tugu*s
Re*ista NERA
QL
Mulheres de assentamentos rurais
5
Vasishta & Singla
2*25
IND
I*glês
Int*r*ational Journal of Soci*l E*onomic*
MM
Mulh*res me*b*as de Gr**os de apoio mú*uo
6
Casta*o, *izarral*e & García
2024
C*L
Espanhol
Equidad y De**rr*ll*
QL
Mulheres em**eendedoras ru*ais
7
Sa*ced* et al.
20*4
PER
Inglês
Social Indic*tor* Rese*r*h
QT
M*l*er*s de baixa renda * m 45 pa í s e s
8
Araújo & Barro*
*02*
BRA
Portu*uês e i*glê*
Revista de Adm*nistr*ção Con*emp*râne*
QL
Moviment* da* Mulheres *as *lhas de B*lém
9
Soa*es, Reb*uça* & Lázaro
2024
*RA
P*rtug*ê* e inglês
Cadernos EBAPE.BR
QL
Mu*heres pertencentes à *ede *eminista da Ec*nomia Solidária (Resf) no Ce*rá
*0
Bastida et al.
2024
ES*
Inglês
Annals of Pu*lic and Cooperati*e *conomics
QT
M*lh*res empreend*do*as de negócio* d* ec*nom*a **li*ária
11
*shfa*, Abedullah & Kouser
2023
PAK
Ing*ês
*lobal Soc*al *elfare
QT
Mulheres ** *s**ntam*n*os rura*s
1*
Pizar*o
202*
ARG
Espanhol
**vi*ta ** Ci*ncias Humaní*tica* y S*ciale* (ReHuSo)
QL
Mulheres a*ricultor*s pertencente* ao Unión de Trabaj*dores y T*aba*ado*as de la Economía Popular -UTEP- Argenti*a
13
Soares, Rebouças & Lázaro
2023
*RA
Po*t*guês e inglê*
Organi*ações & *ocie*ade
QL
Mulh**es pertencentes a Red* Feminista da E*onomia S*lidária (Resf) no Cea*á
14
Paula
2023
BRA
Português
*inister*a - *e*ista Portu*ues* de Ge*grafia
QL
Mu*heres de a*s*ntamentos rurais
*5
Brandão, Bar*osa & Be*gamasco
2023
BR*
Portu*uê*
R*vi*ta d* *c**omia e Sociolog*a Rural
QL
Assoc*ação de *ulheres *a **roecologia de Sergipe
16
*astiblanco- Moreno & Duqu*
2022
C*L
I*glês
Acta Colombiana de Psicología
QL
Não se aplica
17
Hel* & C*mpos
2022
*RA
I*glê*
Revis*a *at*lysis
Q*
Mulheres quilombolas v*lta*as pa** atividade* rura*s
18
*ent*ra et al.
2021
PR*
Inglês
Sustainabi*i*y
QL
Mulheres cientistas
Re*. FSA, Teresin* PI, v. 23, n. 8, *r*. *, p. 48-71, *go. 20*6
www4.Unifsanet.co*.br/re**sta
A. V. Ma***, R. V. Marra, M. M. P. *ouz*, V. P. Anjos
58
1*
Sartini & Sánchez
20*1
EUA
Inglês
Social Work
Q*
Mulheres pescador*s *embros de uma cooperativ* no México
20
San*os
20*1
BR*
Portug*ês
Ambiente & Soc*edade
QL
Associação de Mul**r*s *g*oextrativi*tas
2*
**ler-i-*artí et a*.
2021
ES*
Inglê*
Youn*
QL
Jo*e*s mu*her*s que estão vivenciando a "transiçã* *a escola para o trabalho"
F**te: Elaboração própria (2026)
Obs.: QT = Quantitativo, QL = Qualita*i*o, MM = *étodo Misto, RL = Revisão da Lite*atura.
Dos 21 *rtig*s anal*sa**s, ressa*ta-se que *pen*s qu*tro estudo* sã* de
países
pert**centes ao Norte *lobal. A maior concentração de es*udos oriu*dos do Sul Global pode
s*r exp*i***a, primeiramente, pe*a maior t*adição n* uso do ter*o "e*onomia s*lidá*ia"
nestes paíse*, sendo o termo "economia s*cial" m*is comu* no *or*e Glob*l. Ape*ar
de
a*bos os termos ser*m frequent*m*nte utilizados com* *inônimos ou complementares,
entende-** que * primeiro a*re**nta um
projet*
políti** de transformação social m*i*
*roeminen*e (GAIGER, 2*21).
Para alé* d* questão conceitual, enquanto fenômen* social, a emergência de um*
econ*mia soli***ia es*á relacionada intimamente à* espec*ficidades do contexto histórico e
s*ciocultural do Sul Gl*bal, marc**o por profundas desi*ualdades d* gê*ero, sociais
e
econômicas (GAIGER, 2021). S*g**do Singe* (2002), a e*o**mia *olidária s*rge c*mo
resposta concreta às falh*s estrut*ra** do *ercad*
de trabalho e à exclusão soci*l, sendo
for**me*te impul*ionada por mov*mento*
so*iais, orga*i*ações pop*l*r*s e iniciat*vas
comunitárias,
cara**erí*ticas tipicamente pres*nt*s nesses pa**e*. Est**o*
tamb*m in*icam
m*i*r desigualdade de gêne*o no Sul Glo*al d*c*rrente da *rtic*lação entre *strutura*
patriarcai* do
*eríodo colonial, desiguald*des soci**conômicas e di*i*ão sexual do trabalho
(A*DERSON, 2**4; HELD; CAMPOS, 20*2; PIZARRO, 2023; SOARES et al., 2023). Tal
*ontexto p*de ter **stifica*o a cent*alid*d* *os interesses ac*dêmi*os n*s ex*eriências d* S*l
*lobal, para as temát*cas de **p*deramento feminino, economia solidária e desenvol*imento
sus*ent*vel.
Essa revisã* a*ran**u o *e*íodo d* 2021 a 2025, não havendo des*aque para nenhum
dos anos. No que *ange
a* periódic* d* *u*li*a*ã*, houve grande diversida**, sen*o que
a*enas um t*ve dois art*gos pub*icado*: Social Indica*ors Research, nos estudos *e Barrio* et
al. (2*25) e Salcedo et al. (2*24).
Em relação *os asp*c*os met*dol***cos, 16 estudos *iveram abor*agem quali*ativa,
três de aborda*em quant*tativa e *ois utilizaram mé*odos mistos. Também houv* doi* estudos
de re*isão *e
literat*ra (*AS*IB*ANCO-MORENO; DUQUE, 2022; MEDE*ROS; CRU*,
Rev. FSA, Ter*sina, v. 23, *. 8, art. 3, p. 48-71, *go. 2026
www4.*nifsanet.com.br/revist*
Mulheres, Econo*ia So*idária e De*envolviment* Suste*táve*: Uma Revisã* *istem*tica
59
202*), um de rel*to ** experi*ncia de a*ividade d* extensão (ARCIP**TE et al., 2025) e 18
de es**dos teórico-empíricos. Para os es*udos *eórico-*mpírico*, os prin*ip**s meio* de
coletas de *a*os *or**: observação particip*nt*, entrevi*tas, hist*ria oral, g*upos foca*s
e
surveys. Quanto aos autores, os únicos re*orrente* *ão Maria de Nazaré *or*es Soares, S*lvia
Mar*a Dias P*dro R*bouças e José Ca*los **zaro.
*or f*m, q*anto **s sujeitos de pesquis*, *xiste uma predominânc*a de mulhe*es
ru**is, em *nze
art**os, s*ndo vinculadas a: produção **
alimentos in nat*ra (6), *equ*nas
*groindústrias de pães, doces e compo*as (2), extrat**ismo (2), em pes*ados o* *io*oi**,
*
ramos dive*sos (*). Três desses artigo* f*ram oriundos de trab**hos *om mu**eres r*sident*s
*m assentamentos rurais e um **m mu*heres quilombolas.
4.1.1 Perspectiv** te*ri*as
Qua*to às *e*sp**tivas teó*ic*s do* estud*s s*lecionad*s, *oram a*alis*dos os
posicio**mentos ep*stemológi*os, as dimen*ões do empode*amento *riorizadas e
a*
pr*pos*ções de instrumentos d* medida.
Apen**
cinco
estudos
***esentaram
clarame*te
seus
p*sicionamento*
*pistemol*g*c*s: *rês dec*l*niais (C*S*AÑO et *l., 202*; HELD; CAMPOS, 2022;
P*ZAR**, 2023) e *ois pós-colon*ais (SOARES et al., 2023; 2024). Ambo*
os
posicionamentos cri*ic*m o eurocentrismo e a* estrutu**s de p**er que histor*camente
m*rgi*alizar*m saberes não-*uro*eus, e**o*a aprese*tem *ifer*nças conceitu*is e de foco.
Sob o olhar decolo*ial, *mpod*rament* é o
compreendid* a partir d* críti*a estrutur*l
ao
sistem* *od*r*o/col*nial de po*e*, no q*al gê*ero,
raça, *l*sse e t*rri*orialidade são
dimens*es insep*ráveis (CASTAÑO et a*., 2024; HELD; *A*POS, 2022; PIZARRO, **23).
S*gun*o Pizarro (2*23, p.*67), a in*erseccionalida*e "vai além do cruzamento de cate*orias;
na verdade, a* feministas decoloniais falam de uma inseparabi*idad* dos elo* do sistema
de
*od*r". Assim, o empoderam*nto fe*inino não pode ser anal**ado d* forma fragment*da, e a
perspect*v* decolo*ial "contribui par* uma *ompreensão mais c*mpleta * contextualizada dos
desafios e
op*rtunidades" d***as mulher*s (CA*TAÑO et al., 20*4, p. 240). Nesse sentido,
*e** e Campo* (2022) r**saltam q*e as práti*as em**cip*tórias pr*ta**nizadas por mulheres
*egra* quilombolas assumem *aráter c*letivo * inc*usivo, orientando-se **la *uptura gradual
com estruturas machistas, racistas, eurocêntric*s e capitalist*s. O empoderamento, port*nto,
adquir* um sentido polí*ico *
co*tra-hegemôn*co, no qual a coletividade se sobrepõe
ao
Rev. FSA, *eresina PI, v. 23, n. 8, art. 3, p. 48-71, ago. 202*
*ww4.Unifsanet.**m.br/**vi*ta
A. V. Ma*ra, R. V. Marra, M. M. P. So*za, *. P. Anj**
60
*ndividual*smo e a em**cipa*ão é *n*e*did* co*o proc*ss* s*cial c*mpartilhado (HELD;
CAMPOS, 2022; PIZ*RRO, 2023).
Sob * ótica p*s-colonial, o *mpoderam*nto demanda atenção às espec*fi*idades
histór*cas, *ult*r*is * *erritor*ai* das mulhe*es, evit*ndo
gene*alizações an*líticas
*u e
invis*b*lizam suas ex*eriências (SOAR*S et al., **23; 2024). Soa*es, Rebo*ças e Lázaro
(2023) destacam *u* d*ferent*s mulhere* enfrentam dilemas **óp*ios, co*di*i*nados por suas
in*er*ões so**ais, o *ue *xige ab*rdagens sen*íve** às dinâmicas loca*s. Essa perspe*tiva
*mpl** o entendime*to do
emp*d*ra*ento
ao d*al*g*r com as *conomia* femini*tas *
a
econo*ia solidária, reconhecendo a plur*lid*de de lógic*s pro*ut*v*s e orga*i*at*vas
c*nstru*das pelas mulheres em contextos específicos (SOARES al., 2023; *0*4). Os do*s et
posi*ionamentos *eforçam * definição de empoderamento d* *erth (20*9, p.21) co*o um
"instru***t* de
eman*ipação polí*ica e s*cial e não se pr*põe a vici*r ou criar relações
pa*ernalist*s, *ssistencialistas ou de d*pendência *ntre *ndivíduos".
No quadro 2,
os e*tudo* teó*ic*-empíricos e o relato de experiência foram *ividido*
*as *imensões indivi*ual e/o* coletiva, s*guind* a *ue foi priorizada p*los a*tores. De*taca-
* e qu*
todos os estud**, em c*rt* med*da, exp*oram * di*ens*o col*tiva considerando qu*
*sse foi um dos critéri*s de el*gibi*idade, poré* *qui dest*cou-*e * *imen*ão que foi
*r*o**zada n*s aná**ses.
*uad*o 02: Dimensões de *mpoderam*nto pri*r*zadas n*s es*udos sel*c*onados
Dime**ões
Autor*s
*nd*vid*al e coletiva
Rodrigues & Cenc* (2*25), *as*shta & S*ngla (202*); San*os (2021), Sartini & S*nchez (20*1), Araujo & *arros (2024); So*er-i-M*rt* et al. (2021)
Coleti*a
Brandão et al. (202*); *aul* (2023); Pizarro (2023); Held & Camp*s (2**2); Soa*es et al. (2023); Soares et al. (2*24); C**taño et al. (2024)
Ind*vidual
Arcipret* et al (2025), Bast*da et al. (202*), Ventu*a et al (**21) Ishfaq *t al. (2023), Salced* et a*. (2024), Barr*os e* *l. (20**)
Fonte: Elaboração *rópria (*026)
*eis
estu*os con*i*eram qu*
** *imensões
indi*idual e
c*leti*a *o empod**ament*
não são e*cludentes, mas interdependentes. Rodrigu*s e Cenc* (202*) de**n*em que
o
empoderame*t* feminino pode ocorrer simultaneamente nos níveis individual e colet*vo, um*
v*z *ue tran**o*mações s*bj*ti*a* e*tão profun*amente articuladas às experiências coletivas
d* organi*a*ão e participação socia*. Santos (2021) t*mbé* *v*dencia que * ins*rção
das
mulh**es em *s*ociações
contri**i *ã* apen*s para a geração de *enda, m*s também para
*
for*alecime*to dos v*nculos soc*ais, do a*esso à in*ormação e da
valorização simb*lica *e
suas
trajet*r**s. Sole*-i-Martí et
al. (2021) *videnciam qu* o empoderamento individ*al
d*s
Rev. FSA, Teresin*, v. 23, *. 8, a*t. 3, p. 48-71, *go. 2026
www4.Uni*sanet.com.*r/r*vis*a
Mulhere*, Ec*no*ia Solidária e Desenvo*vim*nto S*stentá*e*: Uma Revisão Sistemática
6*
jovens m*lh*res n*s *ransições da es*ola para o *undo do trabal*o só s* torna sustentável e
*rofundo quand* ancorado em *rática* econômicas cole*ivas e s*lidá*ias. Vasi*ht* e Sin*la
(2025) refor*** que empoder*mento *ndivid*al das mulh*res fortalece o grup*, e o co*etiv*
*arante qu* o emp*deramento individual n*o re*roceda.
A d*m*nsão c*let*v* é p*ioriz*da em sete estudo*. N*sses, as análises s*bre
au*ogestão,
economia solid*ria, *rabalho c*labor*tivo, pa*ticipação *ocial
e em*ncipação
*anham destaq*e. Brandão et
al. (2023) indicam *ue a auto*es*ão favorece p*áticas
democr*ticas e promove a inclusão socioprodutiva
de mu*heres rurais, impactando
p*sitivamente suas condiç*es de vida e ampliando sua* possibilidad*s *e emancipaç*o.
**mplementarmente, Pau*a (2023) ev*dencia que a cria*ã* de e**aços col*tiv*s própri*s
constitui uma est*atégia de res*st*nci* *s op*e*s*e* **chistas cris**lizad*s *o território r*ral,
per*itin*o que as mul*e*es ** a*irmem com* agentes d* t*a*sfor*ação *oc*al.
Por *im, com p*iori**ção *a dimensão indivi**a*, fo**m encontrad*s s*is e**ud**.
Contudo, ressal*a-se que,
como a*o*ta*o pel*s
a*tor*s, embora freque*teme*te ess*
d*m*ns*o seja assoc*ada
ao
desenvolvimento pess*al e *rofissional, n*o
pod* ser dissociada
das condições es*rutur*is que mo*da* as trajetórias das mul*er*s. Arciprete et al. (202*)
apontam que a *ompreensão integral d*s mulhe*e*, incluindo aspectos *elacionados * s*úde e
*o bem-estar, é fu*dament**
para
*ro*over impa*to* reai* n*
qua*id*de de vida e na
su*t*nt**ilidade ** seu* *mpreendiment*s. Ventur* et
**. (2021) ac*escen*am que *ersiste
a
pressão simbólica para que as mulheres provem con*in*ame*** sua co*petência
e
legitim*d**e nos *s*a*os prof*ssi*nais.
Doi* dos estudos fazem propos*ç*e* de *nstrument*s de medida do empoder**ent*
f*mini*o. O Qu*dro 3 ap*esent* as principais caracterís*i*as de ta*s ins*rumentos e *eus
*uto*es, s*ndo o primeir* es*udo *o Paquist*o e o seg*nd* do Peru.
Quadro *: Instrumentos d* medida de emp**eramento fem*nino propostos pelos estudos
Características do i**trumento
Autores
Rural Wom*n\s Co*po*ite Empow*rment Index (RWC*I) tem foco em *ove domínios (*mpoderamento econômico, aut*nomia, to*ada d* decisões, qualificaçã*, alocação de te**o, mobilid*de, e**oderament* *olítico, conscient*zação e viol*ncia)
*shfa* et al. (*023)
Índice de *m*o*era*ent* Multidimensi*nal da* Mulheres (M*EI) de 15 e 49 an*s que se*am casadas ou em *oabit**ão
Salcedo et al. (2024)
Fonte: **ab*ração p*óp*ia (202*)
Ishfaq et al. (2023) cons*roem o Rural Women\s Comp*sit* Empo*erment *ndex
(RWCEI):
um instrument* de *e*i*a que abrange nove domínios de
empod*rame*t*
Rev. FSA, T*resi*a PI, v. 23, n. 8, art. 3, p. 48-71, *go. 2026
*ww4.Unifsanet.com.br/r*v*st*
*. V. Marra, R. *. Marra, M. M. P. Sou*a, V. P. Anjos
62
(econ**ico, autonomia, dec**õ*s, qualificação, tempo, mobilidade, polí*ico, consci*ntização e
vio*ência) e
quatorz* su*domínios. O* autores *ntend*m que emp*d**ame*to
feminino
somen*e é p*ssível quando e**loba recursos (supremacia *m ca***al
fís*c*, intelectual,
human* e fina*ceiro), *gência (competência, habilidade e
liberdade para fazer escolhas
volun**riamente) e realiz*ç*o (recursos * capacidade de a*ão, *m co*ju*to). O
instrum*nto
foi va*idado, por *nálise fat*rial *xploratória, ut*lizando dados de 1881 mulheres de famílias
*ur*is d* Paquistão. Esse ín*ice **ass*fica as mulher*s em q*atro grupos: emp*deram*nto
alto, médio, baixo ou n**hum.
P*r sua v*z, Salcedo *t al. (2*24) prop*em
o Índice de Empoderam**to
Mul*idimensional
das Mu*heres (M*EI). ín*ice foi *onstruído validado, empregando
O
*
a
metodologia Alkire-F*ste*, util*zada na med*ção de *obreza e
privação mul*idimensional, a
p**tir *** dados de mulheres em união estável, co* idades entre 1* e 49 anos, em *5 paí*es
de baixa e média r*nda. O MWE* apresenta *u*tro *imen*ões, com dois indic*do*es cad*: (i)
saúde (saúde sexual e *eprodu*iva e c*nt*ole so*re os cuidados d* s*úde), (ii) *mbiente
*ateri*l (controle sob*e as comp**s da* famílias controle so*re os rendimento*), (iii) e
rela**onam*ntos so**ais (*uto*omia
nas re**ções so*iais e li**rdade *e asso**ação) e (iv)
i*tegridade fí*ica (aceit*ção d* *iolência fí*i*a * viol*nci* por
parceiro íntim*). Eles
identificam *ma mulher
como e*poderada se ela atingir suficiência em
pelo *e*os seis
desses indicad*r*s.
Tanto o RWCEI quanto o MWEI utilizam
*ma pe*s**cti*a *u*ti*im*ns*onal do
empoderament*, p*ré* eles *presentam algumas diferenciações qu*nt* ao seu uso. O RWCEI
foi construído pa*a um cont**to específic* *o Paquistã*, v*ltado p*ra subsidi*r po*íticas
públ*cas
dire*iona**s a essa
pop*lação *ural, ass*m pod* ap*esen*ar li*itações
pa*a
as
comp**ações *nternacion*is. Por *u* vez, o MWEI, adota um mé*od*
padron*zado e *á foi
testado *m
*5 países, favorec**do *a*s compa*aç*e* e alinha*ento com os ODS, porém a*
agrupar contex**s *ive**o* em u* só índ*ce acab* *or não considerar as esp*cificidades
*ul*urais e contextuais.
4.1.2 Ca*egorias d* em*oderamento
*em*nin* em
cont*xtos
d* economia solidária e
*ese*vol*imento *uste*tável
A par*ir da **álise *as evid*ncias *mpír*c*s dos estu*os * do refe*encial *eórico,
percebeu-se que o empoderame*t* fe**n*no nes*e conte*to
pode se* categorizado em:
ambivalente, relacion*l-coletivo, e*o*ô*ico-*ecisório, *erritor**l e sociopolítico.
Rev. FSA, Teres*na, v. 23, n. 8, a*t. 3, *. 48-71, ago. 2*26 www4.Unifsanet.*om.*r/*ev*sta
Mulhere*, Ec**o*ia Solidária e D*senvolvi*ento Sust*ntável: Uma Revisão *i*temátic*
*3
Na *rimeir* categ*ri*, e**oder*mento ambivalente, perce**-se q*e a economia
solidár*a *od* tanto ema*cipar quan*o *eproduzir desigualdade*. Tais de*igualdades estão
relacionadas à d*strib*ição dos papéis de gêner*, à *obr*carga do trabal*o doméstico e
de
cu*dado, a aut*explor**ão, a invisib*liza*ão *o trabalho e à li*itada autonomia so*r* recur*os
produtivos e finance*ros. Essa rea*idade pode impac*a* d*retamen** o bem-estar s*bjetivo
dessas mulhe*es (BARRIOS et *l., 20*5), repro*uzindo d*sigualda*es
h*stó*i*as de gê*er*,
especial*ente no meio r*ral (*ASTAÑO et al., *02*; ISHFAQ e* a*., 20*3; SALCEDO e*
al., 2024). Bar*i*s et al. (2025) investigam um* assoc*açã* de ag*icultores formada tan** p*r
homens quanto mulh*r*s e
*fi*mam que em função da d*vis*o sexual do trabalho, as
mu*h*res, ao se inseri*e* na ass*ciação, acumularam as tarefas
domést*cas e pr*dut*vas,
trazendo uma reduç** n* *eu *empo livre com impacto
**ocion*l neg*tivo. Po* sua v*z,
Ish*aq et *l. (2023), ao e*tudarem as mul*eres rurais do Paquistão, c*n*luem que, embora
ess*s mulheres mostrem a*guma fo*ma de a*ênci* em *obilida*e e *l*cação de te*po,
*e*manecem d*s*r*vidas de poder nos domínios ed*cacio**is e econ*micos. Soler-i-Mart* *t
*l. (2021) afi**a* qu* as mulheres são muito e*ga*ada* com o
propósi*o **c*al dos
empre**diment*s, *ausando uma possível *utoexploração, o que p*de *ev*r ao burn*ut
*
lon*o praz*. C*staño et *l. (202*, p.238) ao pesquisar*m empree*de*oras rurais n* Co*ômbia
a*irmam que *ssas mu*heres s*fre* de uma "invisibilização
*a economi* familiar e d*
desconheciment* de seu t*a**lho agr*cola em peque** *sc*la", *ausada pela fa*ta d* di*tinção
entre o trabal*o produtivo e o domés*ico não remune*ad*.
A segunda c*tegoria refe*e-se ao empode*am*nto relaciona*-co*etivo, o* *e*a,
o
empoderamento que *merge
da* int*r**ões coletivas. Os resultados d*s es*ud*s reforçam
*
centralidade
da or*anização coletiva *o trabalho
como promot*ra de relações mais
hor*zo*tai*, solidárias e cooperativas (*ODRIGUES; CENCI, 2025; SOLER-I-M*RTÍ et al.;
2021),
cor**borando com a pr***ia definição do
construto apontada
p*r Singer (2002)
e
Laville e Silva (2024). A di*âmica coletiva
f*vorece a par*ic*paç*o ativa nas de*isões,
o
planejament* compartilhad* * o fort*l**imento
do sen**m*nt* *e pertencimento a* grupo,
contribuin*o *ara *roc*s*os de *prendizagem coleti*a * prod*çã* com*artilhad* do
conhecim*nto (BRANDÃ* et al., 2023; MEDEIROS; *RUZ, *025; RODRIG*ES; CENC*,
2025; SARTINI; *ÁNCH*Z,
*021; SOARES et
al., *023). S*rtini e Sánchez (2021),
ao
inve*t*garem a cooperati*a Mujeres Pescado*as del M*nglar no ****co, *onclu** que
a
*artici*ação em cole*ivos proporcio*a a*r*ndiza*os e
a*p*ia capa*idade d*s *ulhere* a
de
infl*en*iar d*ci*ões que a*etam su*s vidas e sua* comunidade*. *s*e amb*ente coletivo
*am*é* faci*ita, al** da
aprendi*agem, a ge*tã* orgânica dos *o*fl*t*s, que em*rgem *as
*ev. FSA, Ter*sina PI, v. 23, n. 8, **t. *, *. *8-71, ag*. 2026
www*.U***sanet.com.br/re*ista
A. V. Marra, R. V. *arra, M. M. P. Souza, *. P. Anj*s
64
in*eraçõe* cotidian*s *, q*and* e*fren**dos de fo*ma c*letiva, reforç** processo* de
empoderamento e coesão social (S*ARES et al., 2024).
Os estudos també* e*idenciam a terceira cat*go**a chamada de e*p*deramento
econômico-decisório, que quando articulado à eco*omia solidá*i*, produz efei**s
socio*olít*c** e simbólicos mais *mplos. T*l relação po*e *er o*servada, *en*re outros
aspect*s, no *a**
d*
que ** **zer parte de um *m*reendimento de e*onomia solidári*,
o
d*mínio *o*re a renda amplia * capacidade f*mi**na de decisão no âm*ito familiar * coletivo,
rep*sicionando as m*lheres como agen*es ativas nos *roce*s*s deci*órios (ARAU*O &
BARROS, 2024; ARCI*RETE et al.,
2025; **ST*ÑO et *l., 2024; MEDEIROS; C*UZ,
2025; PAULA, 2023; PIZA**O, 2023; RO*RIGUES; *ENCI, 20*5; SANTOS; 2021;
SARTINI; SÁNC*EZ, 2021; SOA*ES
*t al., 2024). ARAUJO E *ARRO* (2024), por
exemplo, estudam o *o*im***o das Mu*here* das Ilhas de Belém (M*IB) * destacam qu* a
*articipação das mulheres *o MMIB con*ri**i p*r* o fortalecimen*o *e s*a *utonomia
econômica, política e soci*l, question*ndo estr**uras hierár*uic*s trad*ciona*s. Nessa
categoria, o empode*amento, *ia *conomia solidária, *ão se restringe a* aumento
da renda,
mas envo*ve transformações
nas relaç*e* de poder, na autocon*i*nç* e no re*onhecimento
social dess*s mulheres, corrobo*a*do co* a* afirmações de *aquero (2*12), Bert* (2019)
e
*i*on e Boeira (201*),
ge*a*do o f*rtalecimento p*lít*co e a amplia*ão da ag*n*ia cole*iv*
da* mulheres.
A *u*rta ca*e*o*ia é d*nomi*ada em*oder*mento territor*al, re*let*ndo o fat* de q*e
mulh*res
o*gan**adas colet*v*mente articulam susten*abilidade, pe**enciment* territori*l
e
*ransformação *o*unit*ria (*RAUJO;
BARROS, 2*24; ARCIPRE*E *t al., 20*5;
BA**IDA *t al.,
2024; CASTAÑO et
al., 2024; **LD; CAMPOS, *0*2; P*ULA, 2023).
Bas*ida et al.
(202*) re*a**m que a* mulh*res são mais or*entadas a objetivos sociai* e
preocu*adas
com o bem-estar dos outros do q*e os *omens, por isso são *ais at**ída* *ela
economia solidária e preo*upad*s com práticas sustent*v*is. Paula (20*3) con*a a *istória *a
*rganizaçã* da* Mulh*res U*i**s (OMUS) ** um assentamento no
i*ter*or de São Paulo
(B*asil) e demonstra que a* estratégias colet*vas adotad*s por *ssa* mulh*res, que p*ssara* a
se* rec*nhecidas com* prot**onis*as d* desenvol*ime**o local, propiciaram o
a*esso às
pol*tic*s públ*cas *a*a t*dos do assen*amento.
Por *im, os e*tudos *ndicam que a particip*ção *as mulheres na gestão dos
*mp*eend*me*tos de e*onomi* sol*dá**a revela a categoria
do emp*deram*n*o *ociopolíti*o.
Nessa categoria, e*tão prese*tes elemen*os com* * auton*mia d*cisória, * fo*talecim*nto do
*ro***onismo *emini*o e a represe*tação política (ARCIP*ETE et *l., 2025; BRAND*O et
Rev. FSA, T*resina, v. 23, n. 8, art. 3, p. 48-71, ago. 20*6 ww*4.Unifsanet.com.b*/revista
Mu*heres, Econ*mia Solidári* e Desenvolvim*nto S*stentáv*l: Uma Revisão Sistemá*ica
*5
al., 2023; *AULA, 2023; MEDEIROS; CRUZ, 2025; PIZARRO,
*023; VASISHTA;
SINGLA; 2**5). A*ci*rete *t al. (2025) relatam a experiência d* um proj*t* de extensã*
universitária voltado ao *m*oderamento de costureiras em co*uni*ade* vulner*veis, que
de*envolv*u ofi**nas de economia, ge*tão e sa*de, conseg*indo cons*l*da* * formaç** da
*oope*ativa e d*monstrando o potencia* d* fortal*cimento da organiz*ção coletiva
na
promoção
da
aut*no*ia
feminina.
Pizarro
(2023)
inve*tiga
as
relaçõ*s
entre
inte*se*ciona*idade, as práticas política* e lab*rai* de m*lheres memb*os das cooperativistas
vinculad*s à Uni*n de Tr*bajado*e* y Tra*ajadoras de la Ec*nom** Pop*lar (U*EP) e
conclui* qu* ess*s mulheres fortal*ceram as rela*õe* de sororida*e, co*per*ção
e
organização. Conco*itant*mente, o*s*rv*-se que tais experiências t*mbém *a*ore*em
*
ocupaç*o de e*paços de repre*entação política
e
instit**ional, **pl*ando a *isibilidade das
mulheres em
conselhos, *óruns *
in*tâncias d*cisórias loc*is (Paula, *023), poss*b*li*an*o
a
construção d* uma ide**idade cole*iva e**oderada (PIZARRO, *0*3).
Cabe **ssaltar que as *ategorias *e em*oderame*to identificadas não se manife*taram
de forma iso*ada, e*as ar**cu*aram-** de *orma dinâmica, i*terdependent* e mult*di*ensional.
**ss* senti*o, * em*ode*amento relacional-coletivo serviu de bas* para o des*nvolv*men*o
das o*tr*s categorias. * partir d*ssas relações colet*vas, surg*u o empode*ame*to econôm*co-
*ecisório, considerand* que o domínio sobre a r*nd* e a inserç*o em empreendimentos
so*idár*os amp*iara* *
autonomia
*inanceira e capacid*de a
de*isória das mulheres. *ai*
*xperiênci*s impulsiona*am o empoderam**to socio*olítico, qu*, ao acontecer em contextos
marcados p*r desig*aldades estrutura*s e v*lnerabi*idades, convergiu *ara o e*poderame*to
territo*i*l.
4.1.3 Ag*n*a de p**quisa
A partir dos re*u*tados analis*dos e das catego*ias *e*atad*s, foi possíve* traçar
um a
a*enda
*e pesquisa qu* inve*tigue d* forma conjunta empoderamento fem*n*n*,
desenvo*vime*t* s**ten*áve* * econ*mia solid**ia. Tal agenda fo* divi*ida em cinco e*xos de
investigação: (i) a*rofundar as
discuss*es sobre em*oder*mento
feminino envolven*o a*
dime*s**s indiv*du** e c*letiva de forma conju*ta * partir de co*textos específicos;
(ii)
*s**dar as práti*as
p*o*utivas territor*aliz*das a pa*tir das r*lações entr* empoderamento
*e*i**no, t*a*alho
*oletivo e s*ste*tabi*idade; (*ii) comp*e*nder
c*m* ac*ntec*m
as
dinâmicas interna*
de gestão dos e*preendim*ntos d* econ*mia solidá*ia lider*do* **r
Rev. FSA, Te*esin* PI, v. *3, *. 8, art. 3, p. 48-7*, a**. 2026
www4.Unif*ane*.com.br/revista
A. V. *arra, R. V. Marra, M. M. P. Souza, V. P. Anjos
66
m*lheres; (iv) ***en*er as contr*diçõe* do empoderamen** ambivale*te e (v) apr*fu*dar os
es*udos *om *e*spect**as decol*niais.
* p*imeiro e*xo a*rofunda as di*cu*sões sobre o e*p*d*ramento feminino,
considerand* tan*o as *i*ensões individua* quanto cole*iva de fo*ma integrada, l*v*n*o em
*ont* c*n*extos
específicos. Evi*ência* *e *s*udos c***arativ*s indicam
que o
e**oderament* *em**i*o apresenta vari*ções con**rme o conte**o em que ocorr*. Em áreas
*urais, esse
processo tende a *n*rentar mai*res limitaç*es, em r*zão da i*f*uênci* de fat*res
ec*nômicos, educac*onais
e *ulturai* q*e *ondicion** a* opo*t*n**ade* *e autonomia,
parti**paç*o e
ace*so a recurso* pe*as m*lh**es (ISHFAQ et al., 202*; SALCEDO et
a * .,
2024).
O *egundo eixo diz respeito a estud*r as pr**icas p*odu*ivas territ*ri*lizadas a partir
das relaçõ*s entre empoderamento *emin*no, t*abal*o co*etivo e su*tentabili*ade. Os estudos
*mp*ricos analisados evidencia* que in*ci*tivas lideradas por *ulheres, como agroindúst*ias
*amiliar*s, cooperativ** extrativistas, associ**ões de pe*cador*s e movim*nt*s comunit**ios,
articulam di*ensõ** sociais, econômicas * ambientais do dese*volvimento ***tentável
(ARAÚJO; BA*R*S, 2024; CAST*ÑO et al., 2024; ROD*IGUES; *ENCI, 2025;
SAN*OS, 2021; SARTIN; SÁN*HE*,
202*).
Assim, recome*da-se in**stigar como os
saberes locais, as práticas *e cuidado *om * *atureza e organizaç*o solidári* contr*buem *
para model*s de de*envo*vimento que atendam os ODS.
Em t*rce*r* lugar, in*ica-se a necessidade de apro*undar a
compre*nsão sobre co*o
acon*ecem as *in***cas internas
de gestão dos empreendiment*s de ec*nom*a soli*ária
l*derados por *ulheres e quais diferenciações e aprox*mações d*s lid*rados por *o**ns.
Estudos destacam * relevância *a aprendiza*em **le*iva, d* *ut*gestã* e da gestão or*ânica
de *onflitos *omo prá*icas
emancipatória* que fort*l*cem o empode*ame*t* das mulheres
(SOARES et a*., *023; *024) e de como a* mu*h*res são mais orientadas a o*jetiv*s sociais e
preoc**adas com o b*m-estar do* outr*s do que *s homens, trazend* diferenças nas
dinâmicas de gestão (BA**IDA et *l., 2024).
O quarto *ixo refere-se a e**e*der as contradições do empoderament* ambi*alente
(BARRIOS *t a*., 20*5; C*STIBLANCO-M*RENO; DUQ*E, 2**2), trazendo estudos q**
in*o*pore* as percepções temporais e a d*v*são s*xual d* trabalho à* anális*s s*bre
empod*ramento, economia solid*ria * desenvolvimento sustentável.
*a*bém aprofundar os e*tudo* com *e*spe*tivas decoloniais a par*ir *e um o*har
in*egrad*r da* re*lidad** d*s di*erentes mulheres, *o co*siderar mu*heres *uilom*olas,
indígenas, ribeirinhas e de com*nida*es t**dicion*is. Os estudos a*alisados *ostr*ram que o
Rev. FSA, T*res*na, v. 23, n. 8, art. 3, p. 4*-*1, ago. 2026 ww*4.Unifsa*et.com.br/revista
Mulheres, Economia **lidária e Desenvo*vimento S*stentável: Uma Revisã* Si*temática
*7
empod*rame**o feminino n*sses c*ntextos está d*re*a**nte as*oci*do à luta p*l* *erritório, a*
**conheci*ento iden*itário e à resistência a formas históricas de do*inação colonial e
patriarcal (A**UJO; *AR*OS, 2024; CASTA*O et al., 2024; HELD; CAMPOS, 2022).
5
CONSIDERAÇÕ*S FINAIS
Este artigo buscou *ompreender, por m*io de uma revisão sistemática de estudo*
publica*os ent*e 2021 e 20*5, ** r*lações e*tr*
empo*erame*to fem*n*no, p*áticas
*e
economia solidária e *esenvolvi*e*to sustentável. Par* a re*isão siste*ática, foi *dotado
*
protoco*o PRISMA 20*0.
Os resu*ta*os *n*ic*m que a eco*omia soli*ária *e *onsoli*a co*o imp*rtante me** de
promo*ão do empo*eramento feminino, tanto no camp* empírico qu*nto n* teórico. *s
estudos analisados m*st**m
que pr*tica* basead*s
em organizaç*o coletiv*, autogest*o
e
particip*ção ampliam o a*es*o das mulher*s aos es*aços dec**óri*s e aos re*urs*s produtivos.
Es*es *roc*sso* **v**ecem
mud*nç*s nas relações de
poder e *ef*rçam conce*ções críticas
que compr*endem o em*oderamento *omo fenômeno relacional, proce*s*a* e **liticamente
situado. Ade*ais, os *esultados *ndicam predom*nânci* de est*dos *o con*exto do Sul Globa*,
evidenciando esses países, em especial o Brasil, como referências *m*o*tantes na *iscussão
sobre e*onomia *o*idá*ia.
O empoder*mento feminino, q*ando articulado à
e*on**i* sol*dár*a, cont*ibui de
maneira signi*icat*va
para o desenvolvim*nto s*ste*tável, seguindo *s de*in*ções de Sachs
(2002) e Veiga (2019), ao int*g*ar dimensões soci*is, *con*mic*s e ambienta*s. As evi*ências
*mpíricas *nal**ad*s mostra* que mu*h*re* organiza**s em **preendimentos de e**nomia
solidária *o*em obter benefícios que *ão além d* g*ração de rend* * inclus*o *ocio*ro*u*iva,
ma* t*mbém fortalecem su*s comu*idades, **iste a valorizaçã* dos s*beres locai* e
de
práticas s*st*nt*veis na produç*o.
Entreta*to, os achados re*ela* que a* *ar***ras *sso*ia*as às d*sigual*a*es *e *ênero,
como so*recarga a
do trabalho domésti*o, a esca*sez d*
tempo, as norm*s soc*oc*lt*rais
r*s*rit**as e a f*lta d* ace*so à *ducaç*o e renda per*istem, principalmen*e *o meio rural. Tai*
*atores difi*ultam o efetiv* e*poderamento e indica* que a inserçã* das mul*eres em
empreendimentos de eco*omia s*lid*ria, e*bora relevante, não * suficiente para gara*tir
processos em*ncipatório* m*is a*plos. Por *im, c*m relação à *onstrução do *on*ecimento,
observa-se
certa fragil*da*e no co**unto de estudos a*alisados, em d*cor*ência da fal*a de
pos**ionamento episte*ológico e da baixa *eco*rê*ci* ** autores.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 8, a*t. 3, p. 4*-71, ag*. 2026 www*.U*ifsanet.com.br/*evi*ta
A. *. Marr*, R. *. Mar*a, *. *. *. Souza, V. P. An*os
68
Do p*nt* de vista teórico, *s** artigo con*ribui ao *is*ematizar evidências que *eforçam
a necessida*e de
c*mpre**der o emp*der*mento femin*no *omo um fenômeno
*ultidimen***nal, contextual * intersecc*onal, sen**vel *s especificidad** terr*tor*a*s, cult****s
e históricas. O artigo também contr*bui ao p*opor *m* tipologi* analítica com
ci*co
cate*orias
de empoderamento
feminino
em
conte*t**
d* economia sol*dária e
d*senv**viment* suste*tável. Em termos m**odológ*c*s,
* revisão
si*temática ampli*
o
estado *o conhec*mento ao inte*rar e*tu*os qualitativos, q**ntit*ti*os mistos, e*píricos e
e
re*isões *e literatur*, evidenciando
aproximações, distanciamentos e qu**tõ*s ainda pouco
explorad*s na lit*ratura. Qua*t* à questão
*rática, o artigo *eú*e * org*niza r*sultados que
dem*ns*ram * potencial tra*sformador da economi* *olidária *anto para * empodera**nto
feminin*
quanto par* o
dese*volvimento s*stentável, por*m também traz seus limites
e
de*afios. N**se sentido, *ste estud* ta*bém contribui para subsidiar a fo*mulação ** pol*tica*
públicas e práti*as *ociais *ompr*metidas
com * equidade
d* gênero, a justiça social e *
sustenta*ilidade.
Porém **o apresentad*s l*mitações dessa pesquisa, como
o fato de a *evisão
sistemática se ba*ear
excl*siva*ente em artigos cientí*icos publ*cad*s em periódi*os
index*dos d*s*oníveis ape*as nas três base* de dados seleci*n***s. Acr*scenta-se que, e
o
recorte temp*ral a*otado (2*21-2025), me*mo *endo apro*riado ao objeti*o, pode ter
excluído pesqui*as ant*r*ores centra*s *ara a c*mpr*en*ão do fenôme*o. A predominânc*a de
pesquisas qual*tat*vas e de es*udos d* caso t*rritorialme*te situad*s t*mb*m pod* implica*
cert* limitaç*o **ra a general*zação dos a*hados, e*bora evidenci* a relevância da
contextua*ização e da anális* aprofundada dos *rocessos sociai* *nves*igados.
REFERÊNCIAS
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X
X
X
2) aná**se e int*rpretação *os dados.
*
X
X
3) el*boração *o rascunho ou na re*isão c*ítica do c*nte***.
X
*
X
X
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X
X
X
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