Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.fsanet.com.*r/revista
Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 3, art. 2, p. 26-50, mai./*u*. 20*8
ISSN Impresso: *806-6356 I*SN Ele*rônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/20*8.15.3.2
M*dança na Cultura do Exército Bra*i*eiro: um Es*ud* de Cas* *o Comando Mili**r
do Nordest*
Change in th* Cult*r* of the Bra*ilian Army: a C**e Stu*y in the No*the*st Mil*t*ry
Comm*nd
Gerson Ireno de Go*ve*a Filho
Mestre e* **stão Empr*sarial pela Fac*ldade Boa *iagem
Mestr* em Operações Mil*ta*es pela Escola d* Aperfeiç*am*nto de Of**iais
Gr*du*ção em Admin*s**ação pel* Universidade Ca*ó*ica de Per*ambuco
E-mai*: mpge@fbv.edu.br
Mar*a Au*iliadora Din*z de *á
D*utor* em Psicol*gi* d* Trabalho * das *rganizações p*la Université de Rouen
Profess*ra Titular da Fa*u*d*d* Bo* Viag*m
E-m**l: maria.sa@fbv.edu.*r
*nder*ço: Gerson I*eno de Go**e*a Filho
Faculdade Boa Vi*gem - R. J*a* Emile Fav**, 4*2 -
Ed*tor-Chef*:
Dr.
Tonny
Ke**ey
de
Ale*car
Ips*p, Recife - P*, 5120*-060. Brasi*.
Rodrigu*s
Ende*eço: Maria **xiliador* Diniz de Sá:
Art*go r*c*bido em 21/02/2018. Últ*m* versão
*aculda** Boa Vi*gem - R. Jean Emile Favre, *22 -
rec**ida em 14/03/2018. Aprovado *m 15/03/20*8.
Ipsep, Recife - PE, 51200-06*. Brasi*.
A*aliado pe*o sistema *rip*e *evi*w: Desk Review *)
pelo Editor-Chefe; e b) D*uble Blin* Rev*e*
(avali*ção cega por dois ava*iadores da *re*).
*evisão: *ramat*cal, No*m*tiva * de Formatação
Mud*nça *a Cultura do Exé*cito Brasileiro: *m **tu*o de Caso n* Comando Mil*tar *o Nordeste
2*
RESUMO
No m*ndo de hoje,
onde as transform*çõ*s
e*onômicas, sociais e tecnológ*cas sã* mui*o
frequentes, as organizaç*es têm nece*sid*de de
que s*us integrantes estejam
di s po* t os
a
acom**nhar estas mudanças, com o intu*t* *e a*ingir os **us o*je*i**s. A evoluç*o da
so*iedade s*gere a evolu*ã* da rela*ão indivíduo/organizaçã*. E*t* estudo teve *omo
objetivo ge*a* *n*e**igar de que ma*eira oficiais int*gr*ntes *o Comand* Militar d* Nordes*e
(CMNE) têm percebido a mudança na cultu** do Exército Bra*ileiro (EB). A metodologia
e*c*lhida
pa*a o desenv*l*i*ento da
pesquisa foi a abordag*m qualit*t*va, exploratória,
des*ritiva * e*tudo de caso. Os dados fora* col*tados por i*te*médio de en*revistas p*r pauta,
*b*er**çõe* d*r**as não p*rti*i**nte* e do*u*ento*. Para * análise do* d**os util*zou-se
*
anális* *e *onteúdo (BA*DIN, 2011). Pode-se concluir *ue a maioria
dos entrevistados
rec*nhece a mudança na cultura d* EB, sobretudo no que diz respeito à *omoss*xualidade, à
discipli*a e tradiç*o, be* como f*m*nili*ade. Quanto aos signifi**dos *
da mudança, *ns
a
entendem *omo desafiadora; outros a
veem como
pro**essiva. No que se re*ere às
resistências, *las es*ão concentradas, s*bretudo contra homossexuali*ade e a f*min*lidade. a
Quanto às opor*unidad*s percebid*s, elas fora* cara*teri*adas c*mo progressista e frus*rante.
Palavras-cha*e: C*ltura Organi*acional. Mudança Org*nizacional. *xército. Brasi*.
ABSTRACT
In to*ay's world, where eco**mic, social an* technologic*l transformations ar* v*ry fre*u*nt,
organizations nee* their mem*ers to be willing t* fol*o* *hese changes in *rder t* achieve
t*eir goa*s. The
evolution of soci*ty *u*ges*s the evol*tion of the indiv*du*l / org*nization
re*at*onsh*p. This st*dy
*ad as general ob**ctive to **vestigate how *f*icial offi*ers *f t**
Military Comman* o* the Northeast have perce*ved the chan*e in the cultu*e of the B*azilian
Ar*y (B*). The *ethod*logy chosen f*r the d*velopment of the re*earc* wa* the *ualitative,
*xplora*ory, d*s*riptive and *a*e s*u*y. The *ata were c*llected t*rough i*terviews *y staff,
non-participat*ng direct
o*servati*ns and documents. For th* *nalysis of t*e data wa* used
content analysis (BARDIN, 2011). I* can be conc*uded t**t m*st interviewe*s recog***e the
c*ange in B* culture, especial*y reg*r*ing hom*s*xu*lit*, disc*p*ine and tradition, as well as
femi*inity. As to the **anings of change, *ne understa*ds i* as cha**e*ging; other* see it as
p*ogressive. As fo* re*istances, they are concent*ate*, especi*lly against
*omosexual**y and
fe*ininity. *s for p*rceived opportunities, they we*e char**terized as p*ogres*i** *n*
f*ustr*t*ng.
Key *ords: Organi*ati*na* *ulture. Org*nizational Change. Army. Brazil.
*ev. *SA, *eresina PI, v. 15, n. 3, art. 2, p. 26-50, m*i./jun. 2018
ww*4.fsanet.com.br/revist*
G. *. Go*vei* Filho, M. A. D. S*
28
* INT*O**ÇÃO
As mudança* q*e vêm ocorrendo no mu*do, nas últimas
décad*s, t*m *ausado
*odi*icações n** or*a*izações, de *a*eira geral, implic*ndo ** ***eraçõe* não somente
no
âmbito f*nanceiro, estrutural, mas também na sua **ltura. Dura**e *s 33 ano* que o pre*en*e
pe*q**sador
*e*viu ao E**rcito Bras*leiro, ocorreram dive*sas situaç**s q*e *vid*nciaram
a
necessi*ade de mud*nça n* cultura da F**ça Terrestr* (FT), principa*mente a par*ir d*
se*u*da *etade da década ** 1*90.
Uma situaçã* p**uliar o*orre* dur*nte uma *olen**a*e militar, e* *ue um g**eral
comandante de u*a Grand* Un*dade (GU), ao *e deslocar para * andar supe*ior de
um
det*r*in*do Q*artel, en*ontr*u uma tenente **r**a no iní*io da escada de ace*so,
que
*amb*m deveria s*bir a
e*s*
me**o loc*l. Entretanto, sem leva* em c*nsideração a c*l*ura
*ierá**uica dessa *nstit**ção M**itar, ele *o*ce*e*-lhe a prioridade par* subir na sua fren**.
N*quel* mo*ent*, to*os que
prese*ci*ra* ocorr*do f***ram surp*esos e intr*gad*s com o
a
atitude daquele comandante, tendo em vi*ta qu*, o Regulamento de Continênci*, Honra,
Sinais de Respe*to e Cerimonial das Fo*ças Arma*as (R Cont.), em vigor n* ép**a,
estab*l*cia qu* o mais a*tigo dev*ri* s*g*ir à f*ente do m*is m*d*rno. E*tretanto, o gener*l
ignorou as no*mas r**ulam**t*res * *omport*u-*e como u* cidadão, agindo d* ac*rdo *om
*s reg*as *a educação e boas maneiras, ou sej*, dan** a *rioridade a uma *a*a.
Situaçõ** idênticas a esta *
outras tota*mente inusitad** aconte*er*m *pós a *nclusã*
da *u*her no E*ército Brasileir*, em 1992, **m a form**ão da *rimeira tu*m* de ofici*is do
segme*to femini*o. E*se aconte*imento m*rcan*e *s*abelece* um conflit* entr* a cultura
tradicionalista, qu* acreditava *m u*a na*ura* desigual*ade en*re ho*ens e mulheres e a nova
situação vig*n*e: o fato de ter *e conviver com el*s, em um **bien*e de trabalho ma*his*a.
Outr** fatos mais recent*s
vê* aconte**ndo que evid*nciam situ*ções de confli*o,
*rincipalme*te c*m **lação às *udanças ocorrida* com o surgi*ento *e n*vos
*rocessos
adm*nis**ati*os
e a evolução t*cnológ*ca. O
d*senvo*v**ento e aquisição de modernos
materiais
bél*cos estão *ausando *odif*cação nos *i*tem*s de comun*cações, *o s*stem* *
log*stico e na es*raté*ia ** empre*o *as Forças *rm*das, principalmente na Força Terrestre,
traze**o, *omo conse*u*ncia, * mudança na cultura *a organizaçã*.
O Exé*c*to é **a *nstituição que **m u*a cultura **ó*ri* e *ingular, *m qu*
a*
tra*içõe* são pres*rvada* e influenciam o compo*tamento
de seu* integra*tes. Os valore*
militare* "rígidos" * a crenç* *essa cultura co*eça* a ser adqui*idos nas Escolas *ilitares,
Re*. FSA, Te**sina, v. 15, n. 3, art. 2, p. 26-50, mai./jun. 2018 www4.fsanet.com.br/rev**ta
Mu*anç* na C*ltura do Exército Brasileir*: um Est*do de Caso no Comando Militar do Nord*ste
*9
c*nti*uam * ser prec*ituados nas norm** e reg***mentos, *endo consoli**do* na rotina di*ria
e nas exp*riências da cas*rna.
Diante dess* quadro de t*ansf*rmações e muda*ças,
o Exér*ito *rasileiro
v*m
tentando *daptar-se a esse* desafio*, sup*rando as dificuldad*s e, prin*ip**me*te, adeq*an*o
a sua cultur* org*nizacional para ev**ar conflitos. Até 202*, o p*ocesso de transformaçã* do
Exé*cito dev*rá *hegar a uma dou*ri*a com o emprego de produtos de def*sa
tec*olo*i*amen** avanç*d*s, c*m profissio**is capacitados e moti*ad*s, para que o Exército
e*f*ente, com os meios adeq**d*s, *s desafio* *o sécu*o XXI, respalda*do *s decisõ*s
soberana* do Br*sil no cenário internacional.
Esta pesquisa buscou ent*nd*r com*, em ter*o* prático*, os *ficiais integran*es
do
Co**ndo Militar do No*d*ste tê* percebido a m*dança na cu*tura d* Exércit* Brasileiro.
2 REFE*ENC*A* TE*RICO
2.1 Muda*ç* organiz*cional
Sabe-se que as m*danças são um dos princi*ai* des*fi*s das organ*zações,
pr*ncip*lmente no contexto at*al e* que diversos fator*s, c*mo inovaç*es *ecnológicas,
globalizaçã* da soc*edade e o aperfeiçoamento dos sist*mas de comunic*ç*o, e*iminaram as
fron*ei*as entre a* na*ões. Elas jamai* deix**ã* *e existir, mesmo em organiza*ões
conservado*as, como é o caso do Exército Bras*le*ro, pois f*zem parte
da sobrevivência
das
o*ganiza*ões.
*uando s* *ens* em mudan*a, *ecessa*ia*ent* deve-se pen*ar no qu* e*a p*de
p*ovocar à
cultura *rganizacional, *u seja, à maneira costumeir*
o* tra*iciona* de p*nsar
*
fazer as *oisas, co*p*rtilhada por todos os membros da *rg*n*zaç*o e que os novos m*mbros
devem a*re*d*r e *cei*ar p**a s*rem aceit*s (JA*UES, 1952).
Para Wood J*. (1995), a mudança organiza**onal é qua*quer transfor*açã* ** naturez*
es*rutural, estratégi*a, cultu*al, tecnoló*ica, *uma*a o* de qual*uer o*tro componente, ca*az
de gerar impacto e* partes *u no co*junto da organização. * mesmo autor afirma, ainda, que
*entro das
*rganizações, a mud*nça é uma resp*sta * nec*ssi*ade consta**e de adaptação,
*endo incontestável sua *mportânci* *ara * sobrevi*ência e des*nv*lvimen*o das em*resas.
(WOOD JR., 2000).
Ca*das (2002) alerta *ue os e*e**os *rga*izac**nais
causados pe*as m**anças podem
ser as transformações no *mbiente do
trabalh*, na
eficiênc*a interna, n* eficácia
org*n*zacional * nas r**ações *e *rabal*o. Segundo o autor, as cons*q*ê****s no a*biente de
Rev. FSA, Te*esina P*, v. 1*, n. 3, art. 2, p. 26-50, mai./ju*. 2018 *w*4.fsanet.com.br/revista
G. I. *ou*eia Filh*, M. A. *. *á
30
*rabalho estão relacion*das à *o*sibilidade de deteri*ração *o cli*a organizac*o*al, **ment*
do n*vel de conflito e de estresse.
De acordo *om Si*va e Vergara (2*02), a mu*ança organiza**on*l, mesmo quando
*ntencional, não *ode ser entendida somente s*b a ót**a de estratégias, processos
o*
t*cno*ogias, *inda que, em alguns casos, *té mesmo a *radição funcional**ta que tem
d*minado os textos sobre gestão de muda*ças reconheça a dimensão s*cial como uma
variável d*terminante das possib*lidad*s de sucesso d*s *r***iza*ões.
*mportan*e é destacar que, para nortear esta pesquisa foram *ti*izados os tipos de
atri*ut*s e significados da mudança, d* *cordo c** * *o*elo de *i*va e *ergara (2002),
a**esentado *o quadr* abaixo:
*ua*ro 1 - Tipos de at*ibutos e significados d* mudan*a
T*po de atributo
Si*nificad*
A *udanç* redentora
Perd*a as falhas ou as fraquezas do passado; *á aos *ndiv*duos o*ort*nidades de r*constru*re* sua imagem e sua auto*stima profissional, de re*ons**tuírem o val*r pe*dido, *ob*e*u*o qu*n*o percebem qu* a organizaçã* *u sua c*teg**ia profissi*nal vinha *endo alvo de con*inuada* críti*as da opinião pública.
A muda*ç* *erversa o* impie*osa
Faz s*frer; *m*aça; afasta os colegas querid*s; n* **ra de demissões em gr*nde escala, trata os i*d*víduos c*mo obje*os des*a**áv*is.
A muda*ça reno*adora
Faz com *ue o i***víduo d*scubra potenciali*ades ant*s não explorada* e, em al*u** casos, ajuda até m*smo a r*c*perar parte da j*ventud* perdida o* uma expectativa d* carreira que se pensava não *ais existir.
A mudança progr*ssiva
Faz com qu* a organ*zação a*anc* e, com ela, també* os in*i*íduos, so*retudo porque se perc*b*m os res*ltad*s p*sitivos (ainda qu* modestos) que ocorr*m como *onsequê*ci*s das mudanças.
A mudanç* desafia*ora
M*b*liza; est*mula a *usc* pela autotransformaç*o; *ra* os desafi*s do c*ntext* para a realidade do dia a d*a; i*stiga e mexe *o* os br*os prof*ss*ona*s e com a imagem da pr*pria organização *iante do mundo.
* mudança desesta*ilizadora
Ger* i*segurança e des*onforto; che*a pa*a revoluci*nar t**o, gerando o sentimento de *ue "nada jam*is ser* *omo a*tes".
A mudança v*lúvel
Faz acre*itar que hoje tudo parece estar me*hor, mas deixa se*pre no ar a expectativa de que amanhã tudo pode **r di**rente, de que outras ame*ça* *irão.
* mudança implacável
Não permite reações; não deixa outra escolha sen*o m*d*r ou *udar.
A mudança *r*strante
N*o cu*pre tudo o que promete de bom; faz co* que os indivíduos abram mão de *ua seg*r*n*a e empenhe* o m*lhor de seus esforç*s em troca de ** retorno *o*al, finance*ro ou **ofissional pouco co*p*nsador.
A mudança irrever*nte
*arece brincar com os indiv*duos; *arece l*es dize* o tempo todo: "não adianta reclamar, pois continuarei aqui".
A mudança dis*imulada
Manipula; e*conde-s* po* trás d* u* *is*urs* de melhoria, para conseguir o que q*er da* pessoas.
A m*dan*a j*s*iceira
Compensa as injustiç*s so*r*da* no pa**ad*; dá a oportuni*ade d* *s indiv*duos pod*re* virar *m jogo que lhes era desf*v**ável; por vezes pe*mit* dizer: "tinh*m me feito sofrer, mas eu so*re*iv* e eles talvez não".
A muda*ça revela*ora
Traz co*sigo uma nova ordem, uma nova vis*o de m*ndo.
A m*dan*a cruelmente **anca
Faz *er a*uilo que não se *uer ver.
Fonte: Si*va e Vergara, 2*02, p. 18.
R*v. FSA, Ter**ina, v. 15, n. 3, *rt. 2, p. 26-50, mai./jun. 201*
www4.*sa*e*.com.b*/re*ista
Mudança na Cu*tura do **érci*o Brasi**iro: um Estudo de *as* no C*ma*do Mi*ita* do N*rdeste
31
*egu*do Ghoshal e Ba*ros (*004), para se efe*ua* mudanças radic*is, é impor*ante ter
em me*t* que as alteraç*es de valores são um* quest*o importante, um* vez que,
necessariam**te, ning*ém mu** ninguém de*tro d* uma *rgani*ação, num pa*se d* mág*ca,
em razão de uma det*r*ina*ão o* *roce*im*nto. * liderança *ode *riar u* *ontex*o
favorável, *as pre*isa l*v** em conta as crenç**.
*essa *esma linh* *e raciocín*o, Daft (1999) também r*conhe*e a *n*luênci* d*
*udança or*anizacio*al sobre as *essoas e cultura, referindo-s* às mod*ficações **s valo*es,
*titudes, expectati*as, cr*nças, *ptidões e com*or*amentos; para tant*, é preciso estar at**to à
forma como se
pr*move ger*nciam*nto das pe*soas e como se ma*tém a motivação **s o
pessoas.
Par* Hofs*e** (199*), c*d* *ess*a ca***ga consigo padrõ*s de pensamento, de
senti**ntos e de ações,
q*e são resulta*tes da apr*ndizag*m contínua, d*sde a infância.
Depois que *sses padrões ** instalam na mente do in*ivíduo, torna-se necessár*o de**prende*,
antes de aprender al*o
diferente, o
que torna o *rocesso de muda* a cu*tura or*anizacional
mu*t* *ais complex* do que normalmente se *onsideram.
Corroborando com os autores acima cit*d*s, Crnkovic (2003) *econhece que, **r*
mu*ar um* *rganização, é preciso *lt*rar a sua cultura, isto é, os s*stem*s dentro dos *uais as
*e*soas vivem e trabalham. O probl*ma, *o entanto, não *es*d* na necess*dade ou não de
**dança*, *a* na forma e na m*neira como são implement*d*s, no* refle**s provocados por
elas nas pesso*s, na *rgani*ação, *os cli**t*s e na sociedade.
2.2 Cultura organizaci*n*l
O termo "c*ltura" *e* sido uti*i*ado, em mui*as situaçõe*, com signi*icados di*ersos,
constituindo-s* obj*** *e estudo* de diferente* áre*s d*s Ciências Sociais.
De *cordo **m Slater (2002), o conceito de cu*tura diz respeito aos val**es que s*rgem do
* *d* d* vi da de
um pov*, que lhes *onfer* s*li*a*iedade i**ntidade e que ju*ga* e
com
aut*ridade o que é bom ou mau, real o* fal*o, não s* n* ar*e, mas também na vi*a *otidiana.
S*our (1998, p. 174) **m o segu*nte ente***mento sobre
c*l**ra o**ani*acional "[...]
é
aprend*da, *ransmitida * partilhada. Nã* decorre de uma herança bio**gica ou *e*éti*a, p*rém
resulta
de
um a
aprendiza*em socialmente
condicionada. A
c*l*ura organ*zacional e*prime
então a i*entidade da **ganização".
Rev. F*A, Teresina PI, v. 15, *. 3, a*t. 2, p. 2*-50, mai./jun. 2018
www4.fsanet.com.*r/*evista
G. I. Gouveia Filho, M. A. D. Sá
32
A cult*ra org*nizacional é d*f**ida por Schein (*99*) como "o **n*unto de pr*missas
b*sicas, que f*ram est**ele*i*as e descober*as, n* pr*cesso de aprendiza**m de solução de
pro*lemas de adaptaç*o externa e in*egraçã*
in*erna. Por fun*iona*em suficienteme*te *em,
foram consideradas válid*s e ensi*adas aos outros membros da organização como a *an*ir*
certa de agir em relação a esses problemas".
E*se pensame*to tem c**o base a afirmativa de Kola*a (1*78) que enfatiz* q*e
a
cu*tu*a se refer* às cara*terísticas c*m*ns aos mem**os de *m grupo: o si*tema de val*r*s, as
cr*nça*, as expectativas * outros tip*s de comport*men*os.
É valido lembrar que Fleury (2002) apont* a cu*tura não apenas como instrumento de
poder, ma* também co*o
*m conjun*o *e repres*ntações soci*is
imaginá**as que se
*o*stro*m nas relaçõe* cotidianas d* organiz*ção, expressas em valores, no*mas, significados
* int*rp*etações, visando a um *entido *e d*re*ão * unidade, fazendo com que a org*n*za*ão
seja f*nte de identidade e de r*con*eci*e*to para seus m*mb*os.
Em seu*
estudo*, *chein (19*2) *ntende que a *ultura organizacion** existe em tr*s
níveis: artef*tos, va*ore* adotados e premissas bási*a*.
Os "art*fat*s" são o nível ma*s su*erficial, eng*oband* *odo* o* **nôme*os q*e *e vê,
o*ve e sente ao se dep*rar co* um novo grupo ou uma nova cultura. Inclui a org*niza*ão *o
ambiente físi*o, arqui*etura, l*ngu*ge*, tecnologia, produto*, criaç*es artísticas, modos de
vestir, formas de
*iscurso, maneiras de demonstra* emoç**s, cerimonial, mitos e estórias
s*bre a organização, padrões de comportamento visíve*s, processos or*aniza*ion*is,
de**re
*utr**.
O nível
d*s
"valores *dotados ou casados" abrange as regras,
estratégias, objeti*os
princípio*, *ilos*fia e normas qu* orientam as ações de
um
grupo. Este *ível j* *ão é tão
vis*vel, s*ndo ne**ssár*o entrevistar algu*s membros da o*ganização analisar e
documen***
formais par* *dentificá-lo (SCHEIN, 1992).
A *u*tura c*mo "premi*sa* ou pressupostos básico*" define o que as coisas significam,
*omo reagi* emoc**nalmente ao que *stá
acontecendo e que ações
toma* em vários t*pos de
situações. Um* vez que um grupo *es**volve um conju*to integrado de tais p*essup*stos, *s
pess*as ficarão mais confort*v*is
ao conviver com out*as do mesmo grupo e muito
desco*fo*táveis e vul*erávei* em grupos
onde
outro* pr**supostos *pe*am, pois ela* não
en*enderão
o que está acontec*n*o, o*
perce*er*o e entender*o as ações dos
outr**
err*n*amente.
Par* Sch*in (1992), esse *erceiro nível
é o mais *rof*ndo e o mais di*ícil
d*
i*entificar, pois é ness*
nív*l que reside a essência da cult*ra or*an*zaciona*. Nele estão
R*v. FSA, Teresina, *. 15, *. 3, ar*. 2, p. 26-50, mai./*un. *0*8
www*.fsanet.com.br/revista
Mudanç* na *ult*ra do *x*rcito B*asileiro: um *studo de C*so no Com*n*o Militar d* *ordeste
33
inc*uídas percepções, p*nsamentos, *ent**entos arraigados e inque*tionáve**, certezas
*n*on*ciente* e *ndi*cutíveis sobre * natureza da verdade e da realidade, da n*tur*za humana,
das relações ** *ome*, do te*po e do espaço.
Os *e*mo* "crenças" e "pressupostos" vêm sendo utilizados *o*o sinônimos em
estudos cult*rais com a fi*alid*de d* expressar o que se tem com* a verd*de na *rganiza*ão
(SCH*IN, 2007).
Na r*ali**de, a c*ltura o*g*ni*a*ional * um fa*or de *econhecido impacto no
**ncion*m*nto das organ*zações c*mo um todo. El* interfere *as diversas dimensões das
*mpresa* ou i*stituiç*es, exe*ce*do uma imp*rtante influên*ia sobre os processos
*rgan*zacion*is e o sobre o com*ortamento dos seus integ*antes.
2.* * Exér*ito *rasileiro e sua c**tura
O Exército Brasileiro é um* insti*u*ção que é regida pelos pr**cípios básic*s da
organização militar, sendo definido pe*o artigo
14*
*a Constituiçã* Fe**ral de 1988 como
u*a instituição *e*ma*en** e r*gula*, org*niz*da com b*se na **erarquia * n* di*ciplina, sob
a a*to*ida*e suprema do P*esidente da República e d*stina-se, ass*m como *s demais For*a*
Armada*,
à
defesa da Pátria * g*rantia dos à
poderes *o*stituc*onais, da l*i e da orde*
(BRAS**, 199*).
Co*ren*e **m essa definição, L*irner (1997), afirma *ue o Exército *e basei* nos
princí**os da disciplina, da hierar*uia, d* auto*idade, *a
ord*m e na existência de *m
*erimonial pr**rio. A disci*li*a se preserva *a ob*d*ênc** que o s*bordinado deve prestar ao
super*or, ou na integ*al obs*r*â*cia dos regulam*nto* *il*tares. Com relação ao princípio d*
disciplina, esse *esmo autor cons**era qu* ela se torno* o f*m a que se desti*ava a *nstitu*ção
Militar, por m*io *a observância *ígid* * hie*arquia.
N* organiza*ão mi**tar, * disciplina enq*adra os indiví**os nas expe*tativas de
comportamento des*jávei* pe*a ins*ituição. Ta*
dis*iplina tamb*m garante a i*tegração e
o
espír*to de cor*o, no se*ti** de que
ela é maior *nt**ve pa*a a o
contestaç**. (BORGES
FILHO, *994).
Os valores que mai* se des*acam na i*stituição s*o:
Patriot*smo, que é a*or à Pátria, s*blim*nd* a det*rminaç*o de **fen*e* se*s interes*es o
*itais com o sa*rifício da própria vida;
Rev. FSA, Teresina *I, v. 15, *. 3, art. 2, p. 26-50, mai./jun. 2018
www4.f*ane*.**m.br/revista
G. *. Gouveia Filho, M. A. D. Sá
34
Dever, que é o cumprimento da legislaç*o e a regulam*ntaç*o, a qu* e*ti*er submetido, c*m
autorida*e, dete**inaçã*, digni*ade e *edicação, assumindo a
resp*nsab*lidade p** suas
decisões;
Lealda*e, que * cultuar a v*rd*de, sinceridade e sadi* camaradagem, *ant*ndo-s* fiel
aos
compromi*s*s assumidos;
Probidad*, que p*utar a vida, é
*omo soldado e **dadão, pela honradez, hones**dad* pelo e
sens* de j*stiça e, f*nalmente,
C*ragem, que é ter * c*pacida*e d* decidir a inic*ati*a d* i*pl*mentar a de*isão, mesm* e
c*m o r*sco de *id* o* de interesses
pessoais, no intuito de *um**ir o *e*er, assumindo
a
re*ponsabil*dade po* sua atitude (EXÉRCITO BRASILEIRO, 2014).
O Exér*ito Brasileiro é co*stituído pelos Gr*ndes Coman*o*, Div*s*es de Exército,
B**gad*s, U*ida*es e Subunida*es d* combat*
* de apoi* *o *ombate. Atualmente,
o
território nacional está divid**o em 08 (oito) *oman*os Mili*ares de Área.
3 M*TODOLOGI*
Ne*ta s**ão, apres*nta-se a m**odologia
adequada para se al*ançar os objetivo*
propostos para esta *esq*i*a, a saber: *ua natureza, locus (Comando Mil**a* do Nor*este),
**jeitos, co*eta d*s dados, técnica ** *ná*ise de d*do*, limit*s e limitações *a pes**isa.
3.1 Ob*etivos, nature*a e l**us
O *b*eti*o geral consiste em investigar de *ue m*ne*ra *ficiai* *n**g*antes do
Comando *ilitar do Nordes*e *** p*r*ebido a *udança *a cultura do Exérci*o Brasileiro.
*s o*jetivos específicos da pesquis* são, inicialmente, (1) a *dentificação d*s *an*festações
de *udança na cultura *o Exército B*asile*ro, segund* * percepção dos *f*ciai* int*grantes do
**m*ndo Militar *o Nordeste; *ost*r*or*ente, (2) a id**tifica*ão de sen*im*ntos e
signif*cados da *uda*ça n* cultura *o EB.
Uma vez identificado*
as manifes*ações, os sent*me*tos e si*nificados de m*dança,
*sta pe*qu*sa *isou (3) *pontar p**síveis r*sistências * mudança e, por último, (4) ve*if*car
opor*unida*es pes*oai*
percebid*s pe*os oficiai* int*gran*e* do C*N*, *m d*corr*n**a da
*udança na **lt*ra do EB.
A pesquisa fo* d* naturez* *xplor*tória * *escritiva, caracter*zando-se pe*a abordage*
qualitativa, po* mei* *o método de estudo de caso.
Rev. FSA, Ter*si**, v. 15, n. 3, art. 2, p. 26-5*, mai./ju*. 2018 www*.fsanet.com.b*/revista
Mudança na Cultu** d* Exército *rasileiro: um *studo de Caso n* Coman*o Militar do Nordest*
35
Real*z*u-se *o ambiente do Comando Mi*ita* do No*deste (CM*E), ond* for*m
ent*evistados ofici*is integrante* daqu*la Organizaç*o *ili*ar (OM). O CMNE é u* Gr*nde
Comando de Á*ea que **m **b sua responsabili*ade toda a região d* nord*ste d* Brasil.
Como toda organ*zaçã* militar integrante do *xército Brasile*r*, o CMNE tem m*ita
*radiç*o e u*a longa h*stória de *utas e guerras, poi* sua sede fica localizad*
na ci*ade do
Recife-PE, l*cal da primeira bata*ha de tropas
*r*sileir*s con*ra um inv*sor es*rangeiro:
a
Ba*alha do* Guarara*es, ocorrida 1648, o*de ho*ve a ex*ulsão dos holand*ses
do Nordest*
*o Brasil.
3.2 Sujeit*s e instrumentos de col*ta do* dad*s
Foram entrevistados 33 oficiais integrantes do CMNE, no período *e 20 de n*vembro
d* 2*14 a 26 de fevereiro de 20*5, s*mpre no* horári*s de ex*e*iente e **s turnos da ta*de.
A colet* d*s dados f*i realizada me*iante três tipos de ins**um*nt*s: pesquisa
doc**ental, observa*ão sist*mát*ca e não *articipante; e entrevist*s pr*senc*a*s por *a*ta*
com
utilização *e questionário, incluind* *er*untas que *borda*am c*da um dos objet*vos
es*ecífic*s.
3.3 *náli*e dos dados
P*ra *ste tópic*, ut*lizou-se * Análise *e cont*údo (*ARDIN, 2011),
q*e te*e por
*i*alidade descrever e interpret*r as declarações dos e*tre*istados, busca*do compreender os
seus sig*if*cados. A seguir, os dado* estão apresentado*, segundo as catego*i*s identifica*as *
os próprios o*je*ivos da pesqu*s*.
4 R*SUL*A**S E *ISCUSS*ES
4.1 *anifestações da mudança na cu*tu*a do Exérc*to *rasileiro
Por meio ** *n**ise d*s *ados, bu*co*-se inv*stig*r de que manei** of*ci**s
i*tegrantes do *oman*o M*litar *o Nordeste têm perce*ido a muda*ça na cultura d* Exército
Brasile*ro. Para t*nto, *sta *nálise está pautada
nos
objetivos esp*cíficos, além da
caracterização *os en*r*vistados.
Re*. FSA, Ter*sina P*, v. 15, n. *, art. 2, p. 26-50, **i./jun. 2018
www4.fsanet.*om.br/revista
G. *. Gouveia *ilho, M. A. D. Sá
36
O prim*iro objetivo específico
pro*urou ide*t*f*car as mani*est*ções *e mudança na
*ultura do *x*rcito Brasileiro, *egundo a perc*pção d* integrantes do *omand* Mi*i*ar *o
No**e**e. O resultado ob*ido foi o seguin*e: dos 33 *ntrevis*a**s, 28 reconhecem que
está
o*orrendo mudança na cult*ra do E* e 5 *ficiais percebem as mudanças, embora estejam de
acordo qu* e*as não têm *lte*ado * sua cu*t*ra.
*entre a* mudanças percebidas su*gir*m as s**uintes man*fest*çõe* sob*e
determinado*
aspectos identifi*a*os pelos entrevistados, que *odem altera* a cultur* d*
*xérci*o Bra*ileiro, são eles:
man*fest**ões
sobr* **mossexuali*ade; *anifestaçõ*s sobre
feminilida*e; manifestações sobre di*ciplina e tradição; *a*ifestações sobre tecnol*gia
e
armamento; * mani*est*ções so*re a relação com * sociedade. A ordem da análi** d*s*a*
manifestaç*es a s***ir, es*á em funç*o do que, *ara
es*es
of*ciai* e*tre*ist*dos, parece ser
mais significativo, ** termos de quantidade de d**oimentos.
4.1.1 Manifestações sobre homossexualidade
Fora* o*ser*adas nos depoimentos diversa* manifestaç*es so*re a en*ra** dos
hom*ssexuai* no E*érc*to Brasile*ro. *ntretanto, est** opiniões estão *ivididas entre os que
concordam * os que não *oncordam com a inclusã*:
[...] a ent*a** *o homossexual no Ex*rcito só *ou aceit*r se for or*em.
[...] *ai ser mu*to co*plicado aceita* um comandante homossex*al.
Opo*tuno ob*er*ar *ue ent*e os q*e conc*rdam com ingress* deles, a con*o*dância
está direta**nte relacionada com questões jurídi**s, de *cordo
com o* se**intes
depoim*ntos:
[...] co* *elação à homossexualidad* d**emos segu*r as leis.
[...] a *omossexua*i*ade será aceita na Força por questões l*gais.
Os depoimentos que s*o con*ra entra** *os ho*ossexuais na Força Terrestr*, estão
*aseados
no Código Penal Militar, de
2* de outubro
de 1969, que *roíbe os **mbros das
Forças Arm*das de prat*ca* ou permitir a prática de ato libidinos*, h**ossexua* ou não, e*
l**ar s*jeito à adm*nist*ação militar.
Além disso, a car*eira mil*ta* *ev*ste-se *e determinadas característ*cas, inclus**e e*
combate,
*ue pode não se
a*ustar *o c*mportame*t* de determ*n*d*s indivídu*s, tendo em
vista que, ao a**umi* uma função de comando, o m*li*ar deve ter **d*ões ** p*stur* que *ão
Rev. *S*, Teresina, v. 15, n. 3, art. 2, p. 2*-50, mai./jun. 2*18 w*w*.fsanet.co*.br/re*ista
Mudanç* na Cultur* do Exército *ra*ileiro: um Estudo de Caso no C*mando Mi**tar do Nordest*
3*
definidos por leis e re*ulament** e, se o militar nã* apresentar estes padrões, corre o r*sco de
ser *unido * *xonerad* do coma*do.
As *p**iões concordant*s são *ust*fic*das pela leg*l*d*de, pois a decisão do *uprem*
*r*bunal Federal (STF), em maio de 2011, reconhecendo a uni*o homoafet*va, t*ve papel
decisi*o *ara * *ní*i* de mud*nça de
comportamento da so*iedade e dos integrantes das
Fo*ças Ar*adas que, a *a**i* da*u*l* momento, tiveram que ace**ar a *ntrad* de
homos*exuais nos *uartéi* (PLANA*TO, 2015).
Na verd*de, ainda há uma discrimin*ção cont*a os ho*ossexuais na Forç* Terrestre,
po*s, segu*d* Numam (*003), ** *omossexuais s*o profundam*nte discri*inados e têm seus
dir*itos hum*nos viol*dos, em todos os set*res da sociedade.
4.1.2 Man*fes*ações sobre f*mini*idade
Nos *ep*im*nt*s sobre o ingresso do segmen*o femin*no nas file*ras do Ex*rcito,
ficou *arcante a gr*nde quantidade de cita*ões favor do a
ac*sso d* mulher na F*rça
Terrestr*.
Inici*lmen*e, observou-** que ho*ve uma reje*ção da pr*se**a de mul*eres
ofi*iais
nas O*ganizações Mil**ares por parte dos mi**tares mais conservadores, que ac*edit*vam num*
natural *esigua*da** entre *omens e mulhe*e* nu* am**ente de trabalho mach*st*, conform*
evidenc*ado nas en*revistas *baixo:
[ ...]
com relação ao segmento feminino há *ma resis**ncia para
aceitaç*o p*r parte do s*gmento m*sculin*.
[...] aind* existe preconc*ito **m rel*ção *s m*lher**.
Entretanto, com o pass** do tempo, as atitudes de *esistênc*as fo**m sen*o subst**uíd*s
por atitudes positivas d* *onfiança, respei*o e v*lor*zaç*o
do trabalho realizado por elas,
con*orme apres**tados nos de*oimen**s a*ai** *e oficiais *o CM*E:
[...] a entrada do segme*t* feminino não altero* * cul*ura.
[...] a **trada *o segme*t* feminino trouxe mudanças p**iti*as para o
EB.
4.1.3 Manifestações sobr* *is*ip*ina e t*adiç*o
*ma **rantia in*iv*dua* enume*ad* na Consti*u*ção
de *988 é * direito à
ampl*
*efesa,
ent*etanto, os
r*gulamento* militares ti*eram qu* ser reformula*os, *ara *tender aos
Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 15, n. 3, **t. 2, p. 26-50, mai./ju*. **18
www4.fsanet.com.b*/revista
*. I. Gouveia Filh*, *. A. D. Sá
38
pr*c*i*o* consti*u*ionais, *e*do em v*sta q*e, no processo da pu*içã* *iscip*inar, não havi*
nenhum meio legal que a ampara*se, ou seja, o direito de am*la *efesa praticamente
*ão
exist** na ap**ação das puni*ões disci*lin*res.
O no*o Regulament* Dis*ipli**r *o Exérci*o - RD* segu* a Constituiçã*, amparando
a ampla defesa e o c*ntr*ditó*io. Atua*mente, constata-*e que os pr*cedim*ntos que fa*iam
parte d* *m p*o*esso *ermético, *n*ern* aos q*artéis, s*j*m inun*ado* pelo preceito legal da
*mpla def*sa, dando ao subordi*ado, inclu*i*e, a possibilidad* *e re*orr*r à Justiça, *o ca*o
de se*tir-se lesado.
Ant*riormente, o militar que deseja*se interpor recur*o jurídico contra a Força deveria,
antes, esgotar a *sfer* admini*trativa, de ac*rd* com o Estatuto
dos M*litar*s. Essas
reformulações
** lei d*moraram cerca d* 15
anos para se*e* realiz*das, após a vigênci*
da
n*va Constituição (K*HLMANN, *015).
Nas entrevistas foram constat*das várias ci***ões conte*do m*nifestaçõe* sobre
aspectos disc*p**nares, a*ordan** as relaç*es dos sup*rior**
com *s subordi*ad**, podendo
ser justific*dos p*las mudanças dos regu*amentos
*cima ci*ado*, tendo em vista que al**ns
*ficiais mais antigos
apresentam moderada resistência para apl*car os
novos pr*cedimentos
disciplin*res.
[...] na área *isciplinar est* hav*nd* muitas just*ficativas.
[...] na parte jurídica ficou mais difíci* punir o subordinado.
Foram apresen**dos também alg**s de**im*ntos so*re
problemas dis*ip*inar**,
re*acionados *o aument* *o con*umo *e
*r*gas *or *arte d*s s*l*ados, u*ilização à
de
celulares durante o* serviços e a*s probl*mas salaria*s, que pode* ser justificados pelas
muda*ça* e transformaç*es q*e es*ã* ac**tecendo *o m*ndo, como p*r exemp*o: a facil*dade
de comun*cação e a*esso às d*o*as, as inovaçõ*s tecnológicas * as pol**icas econô*icas, qu*
alteram as crenças, hábito* e *n*eresse* sediment*dos de indivíduos e **up*s, alte*an*o *ções
e valores da *rg*nizaç**.
4.1.4 M*ni*estaçõ*s sobre tecn*log** e armamentos
No fi*al do século X*, a dou*rin* *o Exército B*asileir*
e*ta*a basead*
no
*n*rentam*nto de fo*ças num* gue*ra conv*ncional com armamentos e tecnolo*ia i*ealizados
*ara u* ca*p* de bata*h*. Ho*e por*m, surg*ram novas ameaças de natureza complexa, como
Rev. FSA, Teresin*, v. *5, n. 3, ar*. 2, p. 26-50, m*i./jun. 2018 ww*4.fsanet.*om.br/revista
Mudança na Cultu** do Exér*ito Bra*ileiro: um E***d* de Caso *o Comando Mi*itar d* Nordeste
39
a c*berguerr*, o ciberterrorismo e o* crimes di*i*ais, e fomentaram-se outro*, como as arm*s
de d*struição em massa, os agen*es qu*mic*s e *iológicos, narcotráfico e o terrorismo o
e*tremist*.
*ia*te dessas e de out*as
ame*ças parece *ecess*r*o que ocorra uma mud*nça n*
doutrin* de em*reg* das Forças Arm**as, b*m c*mo u*a evol*ção t*cn*lóg*ca no* materiais
bélicos e o **erfeiçoamento dos re*ursos *uman*s, para que s* *ossam en*ren*a* *ssas
*rganizaç*e* t** bem es*rutu**das.
* des*nvolvimento e aq*isição de *oderno* m*teriai* bél*cos estã* c*usando
a
mod**icação no* s*st*mas *e informática, sistemas de co*u*ic*çõ*s, sist*ma logís*ico
*
armamentos, alte*ando a es*ratégia *e emprego das *orça* Ar*adas, principalm*nte na Força
Terre**re, t*azendo como consequência, a *ud**ça na *ultura da organização (EX*RCI**
BRASILEIRO, 2014).
N*s depoimentos a s*guir, fica clar* a percepçã* dos of*ciais **tegrante* do CMNE
sobre a m*dan*a no aspec*o da **cno**gia, armamento e in*ormáti*a.
[...] mu*ança
nos *spect*s *ecnoló****s, com o surgime*to de nov*s
equ*p*mentos * *rmame*tos.
[...] na te*nologia, a modernização dos
equipamentos *udando
*
emp*eg*
*a* armas e muitos equi*a*entos de comunicação ficaram
obsoletos.
De acordo com o Comando da Forç* Terr*s*r*, até 202*, * p*ocesso d* tr*ns*o*m*ção
do Exér*ito chegará a uma nova doutrina, com o emprego
de pr*dutos d* d*fesa
tecnologicamente *vançados, pro*iss**n*is altamen*e ca*acitados e mo**vado*, p*ra que o
Exército **f*e*te, co* os meios adequado*, os des*fios do sécul* XXI, *espalda*do as
de*isões sobe*anas do *rasil no *enário internacional.
4.1.5 Man*fest*ções sobre a r*l**ão com * sociedade
Neste *ópico, alguns *os depoimentos citaram a *uda*ça do comportame*to d*s
i*tegrant*s do Exército Br*sileiro n* re*açã* com a soci*da*e, e *utros abordaram
a
preo*upa*ão at*al da Fo*ç* Terrestre com a assistênc*a à Famíl*a M*lita*.
H*je, a missão cons*ituciona*
do Exército é c*ntri*uir para a garantia d* soberania
nac*onal, dos pod*res con*titucionais, da l*i e da or*em, sa*vaguard*nd* os in*eresses
naci***is cooperan*o com o *esenvo*vimento na*ional e o e
bem-estar s*cial
(*XÉRC**O
BRASILE*RO, 20*4).
Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, *. 3, ar*. 2, p. 26-50, ma*./j*n. 2018
*ww4.*s*ne*.com.br/*evista
G. I. Gouvei* F*lho, M. A. D. Sá
40
Em con*equên*ia dessa missão é que o le*a di*undido at*almen*e pelo E*ército
Bra*ileiro é "O *raço fort* e a mão amiga", c*jo significado seria o Braç* Forte é o *pa*ato de
guerra, * Mão Amiga é o tr*balho da instituição em prol da sociedade em tem*o de paz. e
Atualmente, a Forç* Terrestre desenvolve di*ersas atividades para pr*mover
o
desenv*l*imento naci*n** e ajudar a sociedade, p*dendo at*ar nas calamidad*s *úbl**as, nos
gr*nde* eventos * proteger a populaç*o em situaçõe* de *rev* *os s*t*r*s ***icos.
Alguns d** depoi*e*tos abaixo cit*m esta m*danç* do comport*m*nt* *o* integran*es
do Exér*i*o *a rel*ção c*m a *ocied*de.
[...] o EB t*m ade**açã* ao nosso cliente q**
h*je * * sociedade
b*as*lei**. At**lmente, o objeti*o estratégic* d* Ex*rcit* é f*rta*ecer a
dimensão *uman* [...].
O Exér*i*o *am*ém tem se pre*cupado com
os seus recursos h*man*s,
proporciona*do um *om tratamento, investindo e proc*rando *ferecer *po*tunidades de
aperfeiç*am*nto, devido ao surgim*nto de novas
t*cnologias que exigem u*a melho*
p*eparação dos seus ef*tivos.
Além di*s*, a For*a Terrestre se *reocup* *om a a*si*tência à F*mí*lia M*l*tar,
*ri*ndo programas d* a*oi* * saúde, de **oio * *oradia e, princ*palment*, de **oio ao
p*ssoal
*a rese*va, tendo em vista que o militar, ao
ingressar na inatividade (p*ss*r pa**
*
reser*a), continua mantend* v**culo* c*m * respec*iva *orça Arm*da, ficando pronto para se*
c*n*oc*do. Essa obr*gação só desaparece c** a re*o*ma po* idad* ou por i*capac*dade física
(EXÉRCITO BRAS*L*IRO, 201*).
Algu*s dos
ofici*is e*tre*ist*dos citaram a*gu*as m*danças na* atitud*s
e *o
tratamento c*m o pessoal mili*ar.
[...] há uma preo**pação com o pe*soal da reserva,
criando
o
Programa de Preparação pa** Reserva [...].
[...] causando mais aten*ão co* a f*mília mil*tar, preservand* a parte
afet*va.
As mudança* trouxeram modificações na a*uação do *xérc*to no âmbito social. Hoj*,
a Força Terres**e está mai* bem **eparada, co* *eu efetivo mais esp*cializado e *endo *ma
pr*ocup*ção muito gra*d* c*m a d*men*ão humana, send* um dos *eus objeti*os
constituc*onais a *ooperação e o au*ílio s**iedade nos momentos à
de di**cu*dades, b*m
c*mo a as*istência à família mi*itar.
Rev. FSA, Teresina, v. 1*, n. 3, a*t. 2, p. 2*-50, mai./j*n. 2018
www4.fsanet.com.br/r*vi*t*
M*dança na Cultura do Exército Brasil*iro: u* E*tudo de C*so no *omando Militar do No*deste
4*
4.2 Sentimentos da mud*n*a n* *ultura d* Exército Bra*ileiro
Nesta seç**, identificoaram-s* *s *entimentos e significados percebido* pelos ofic*ais
integrant*s do Comando Mil*ta* do Nordest*, referen*es à mu*ança na c*l**ra d* Exército
Brasile*ro. I*icialmente, for** abordados os sentimentos *a mu***ça org*n*zacional e, para
iss*, foram *tiliz*dos
os tipos de atributos e significados da mudança de acordo com
o
mode** de Silva e Vergara (*0*2), citados a*teriormente.
Na *ea*ida*e, t*ês atributo* se destac*ram nos de*oimentos d*s ent*evistados,
refe*entes aos sentimentos que são percebidos c*m r*laç*o às mudanças na cu*tur* *o EB: *
mudança renov*dora, * mudança progre*siva e * mudança desestabiliza**ra. Pe*o que s*
observa d*s res*ostas d*das a seguir, a maioria do* *ficia*s entrevistados per*ebeu as
*udan*as de ma*eira positiva, dando depoimentos *epletos de confiança e *tim*smo.
4.* Mudança re*ovado*a
Silva e Vergara (2002) *efinem o signifi**do d* **dança renovadora como "a
mudança que f*z com que o indi*íduo descu*ra po*encialidades ante* não expl*radas [...]".
Ness* m*sma *inha *e pensamento, assi* se *xpres*am alguns desses resp*ndente*,
que en*en*em a ne*essidade de ada*t*ção ne*se momen*o:
[...] temo* que nos adapta* às mudan**s.
[...] as *udanças são necessár*as.
Estes depoime*tos vêm co**obor*r com af**maç*o de *ood Jr (2000) **e, dentr* a
das org**izaçõ*s, a mud**ça é uma re*posta à neces*idade con*tant* *e adaptação, *e*d*
inco*tes*ável sua importânc*a para a sobrevivê*cia e desenvolv*mento das empresas.
Podemos notar que nos dep*i*entos
acima transcrit*s, *eferentes à mudança renovadora, os
of*ciai* d**oen*e* d*mo*st*ar*m, também, os sentiment*s
*e
a*apta*ão e
evolução, ficando
nítida a aceitaç*o d*s benefícios que a mudança tem traz*do para a **stituição.
4.4 **dança prog*e*siva
Os *epoimento* enq*adrados com* mudança *rogr**siva també* apres*ntaram
s*ntim*nt*s fav*ráve*s e, segundo *s entrev**tados, *á duas corre*tes de *e*cepção:
a
Rev. FSA, Tere*in* PI, v. 15, n. *, art. 2, p. *6-50, mai./jun. 20*8 *ww4.fsanet.com.br/**vi*t*
G. I. Gouv*ia *i*ho, M. A. D. Sá
*2
primeira, referente *os aspectos est**t*gic** d* EB; e * segun*a, refer**te aos aspectos
sociais.
*sses primeir*s e*tendem a mudança em termos *e desenvo*vi*ento, evoluç*o e
*ons*rução, a* contr*rio do que parte da soc*eda*e ta*vez pos*a ima*inar, em vir*ude d*
*strut*ra rígi*a da Or*aniz*ç*o Militar.
* ne*essida*e de des*nvolvimento, evolução e construção *o*na-** i*perio*a com as
*udanças, c*usando as modificações necessárias, me*mo sendo o Ex*r*i*o um* institui*ão
que se **seia nos princípios da discipl*na, da
hier*rq*ia, da auto*idade, da ordem e na
*xi*t*nc*a de um cerim*ni** p*óprio. Vejamos a*aixo, algu*s desses d*poimentos:
As mudan*a* são bem-v**das * uma evo*ução [...].
É *m d*s**volv*mento. Sentimento de cons**uçã* [...].
Os dois depoimentos *b*ix*, represen*am a visão s*c*al da mudança progressiv*,
segund* a percepção de alguns dos oficiais *esqui*ados:
[...] sentimento que est* h*ven*o um respeito ma*or à pessoa humana.
*s mudança* contri**em socialme*te pa*a a *amília militar [...].
*a realidade, as muda*ç*s estã* trazendo uma maior preo*upação com a* relações
humana* e *o*iais, dan** uma atenção *special aos interess*s da família m*lit*r.
Novam*nte, pode*os verifi*ar q*e
gr*n*e parte *os *ficiais e*trevistados *onf*rmou
que as m*da*ças fora* p*si*ivas para o *B, tanto no a*p*cto estratégico, como no a*pecto
*oci*l, cau*ando desenvolvimento * *r*gresso para a instit*i*ão.
*.5 M*dança desestabiliz*dor*
Conforme Silva e Vergara (*0*2), a mudança pode *e*ar ins*gurança e desconforto.
Os depoimento* abaixo *ost*am a interpretação neg**i** so*re a mudança no EB, por pa**e
de al*uns d*s ofici*is en*revi*tado*:
[...] sinto tri*teza
por não po*er dar uma solução para alg*m*s
mudanças.
[...] frustra*ão, pois algumas muda*ças não *rouxe*am be*ef*cios com
*el*ç*o à discipl*na.
[...] *n*atisfaçã* c*m *s programas sociais.
[...] sou desfa*oráve* *s mudanç*s sociais.
Rev. FSA, T**e*ina, v. 15, n. 3, **t. *, p. 2*-50, mai./jun. 2018 www4.fsa*et.*om.b*/revista
Muda*ç* *a *ultura do Ex**cito Br*s*leiro: um Estudo de Cas* no Comando Militar do *or*es*e
43
No en*en*ime*to de C*l*as (2002) o* efei*os organizaciona*s causad*s p*las
mudanças *od*m traze* consequê*cias ne*ativas *o am*iente de trabalho, com a
p*ssibilid*de de deteri*ração do clima or*anizac*o**l, aumen*o
do nível de c***li*o e
*e
estresse.
Obs*rvo*-se *este atributo que, ape*ar da maioria dos ofi*iais entrevis*ad*s terem uma
*ompreensão p*sitiva quant* ao *rocesso de mud*nç* no EB, ou**a *arte, representando a
*inoria, a*res*n**u uma expectativa negativa, de*ons*ra*do insegur*nça, incerteza,
insa*isfação, frustraçã*, apreensão, preocupaçã*, indiferença e revolta.
*.6 S*gni*icados da mudança na cultur* do Exército Brasileiro
Aind* no segundo objet**o
específico, fo*** estudados os significados percebid*s
pelos oficiais integrantes do Coman*o Militar do Nord*ste, referen*es * mud*nça na cultur*
do Exército Brasile*ro.
Novamente, f**am uti*i**dos os tipos
d* *t*ib**os e significados *a mudança,
de
acord* c*m o m*del* d* Silv* e Vergara (2002), sendo *o*stat*do, *ais
*ma vez, que
*
maioria
dos *ntrevista*os a entendeu de man*ira
*ositiva: or*
de form* progressiva, *orqu*
f*z com que a organ*zaçã* avance com os indivíduos, co*f*rme as respostas a*aixo, dadas
pelos o*iciais *o CMNE:
As ****nç*s são u* *rogr*sso par* se adequar a *ociedade [...].
As mud*nç*s *ositi*as sã* u*a evolu*ão e são *e*éficas [...].
* ora de fo*ma *esaf*ad*ra, porqu* vai de e*contro aos c*nceitos já e**a*elec*dos, que
estão a*ra*g*dos n*s mili**res de uma m*neira ge*al.
* um desafio, po*s *s p*l*res da i*stit*iç*o podem se* abalados [...].
[...] se n** m***r vai f*car para *r**.
*icou constata*o que
nã o houve
n*nhum depoimen*o int*rpret*do como *egativo o*
p*s*imi*t*, que s* *nquadra*sem *as mudanças do* *ipos: perv*rsa ou impiedosa, implacável,
frust*ante, irreverente, dissimulada, *u*ticeira ou cruelmente f*an**.
4.7 Resistênc*a* à mudança
Neste
tópico, foram identificadas possíveis resi*tências à mu*a*ça
da
cultur* *o
Exérc*to Br*s**eiro. Os resultado* indica*am que uma
pa*c*la
d*s oficia*s
e*trevistados
Rev. *SA, T*r**i*a PI, *. **, *. 3, art. 2, p. 26-50, ma*./j*n. 2018
www4.fsane*.com.br/revista
G. I. *ou*eia Fi*h*, M. A. D. Sá
44
confirm*u algum tipo d* re**ição ou resistênc*a concentrad*, principalme*te nas
manifest*ções sobre homos*exualidade e *as ma*i*estaç*es sobre fe*inilidade, de acor*o
com os depoim**to* abai*o:
Vou reagir com i*dignação à entrada do h**ossexua* no EB, ma* vou
ace*tar se for ordem[...].
[...] considero * homossexu*li*ade nociva para a *isci*lina.
[...] há uma resistência pa*a *ce***ção do s*gmen*o feminino por part*
do *egmento mas*u*ino.
[...] ainda existe preconce*to com rel*çã* *s m*l*eres no EB.
Os
dep*i*en*o* referentes às resistências
contra * homossexu*lidade v** causando
mu*ta p*lêmic*, devid* ao preconceito existente *ontra e*te *rupo social. Na real*dade, esta
resist*ncia é um "tabu" criado pela *ultura tradicionalista mac*i*ta, que não aceita a n*v* e
s*tuaçã* vigente, onde estão estab*lecidos os direito* a*s hom*s*exuais. No enta*to,
para
D*al e Ken*edy (19*2), *s tabus são rit*ai* q*e atr*sam o desenvolv*men*o da organiz*ção.
Com *e*ação às *an*fe*tações sob*e * femin*l*d*de, po*emos *onsid*rar o* depoimentos
da*os ac*ma, c*mo casos *sol*dos, po*s a gr*nde **ioria dos e*t*evistados é favorável e *poia
a perman**cia delas *a institui*ão,
*endo
em vista q*e, *esde *992,
*s mulheres já f*zem
parte d* c*tidia*o do* *uar*éis e a presença delas na in**ituição é *u*to *ositiva.
No
p*nsamento de *er*a** (1997), a *isão *egativa
sobre * suposta resistência dos
in*ivíduos * reforçada pela noção de que ela re*res*nta uma espécie de *ecusa * *ode**idade
contida em cada mudança.
*.8 Opo*tunidades pessoais
Ne*t* seção foi
a*orda*o o *uarto e ú*t*mo objetiv* es*ecíf*co, id*n**fican** as
oportunidades pe*soa*s percebidas pe*os oficiais integran*es do Comando Milit*r do Nordes*e,
em d*cor*ênci* da mudan*a da cu*tur* do E*ército Brasi*eiro, ** acor*o co* o modelo d*
Sil** e Vergara (2002).
Da análi*e dos depoi*ent*s, foi v*rif*c*da * existência *e dois tipo* de atr*butos *a
mudança: a mudança pr*gre*sista, contendo a maioria *os *epoi*en*os, conf*rme ex*mpl*s
a**ixo:
[...] vejo oportunidades de *resci*e*t* e estou moti*ado.
Percebo possib*lidades d* capacitaç*o [...].
Rev. F**, Teres*na, v. 1*, n. 3, art. 2, p. *6-5*, mai./jun. 2*18 www*.fs***t.com.br/*evist*
Mudança na C*ltura do Exército Bra*ileir*: um Estudo de *aso no Coman*o Militar do Nordeste
45
[...] perce*o qu*bra dos paradigm*s,
pois o cap*tal intele*tual
está
sen*o valorizado.
E * muda*ça frust*ante, com pouquíssima* cit*ções ref*rentes a ela.
[...] não proporciona oportun*dades.
Percebo possib**id*de *e cre*cimento pessoal, mas profission*l não
[ ...] .
Es*e* depoiment*s acima, referentes às frus*a*ões, demonstram situações isola*as, e*
que *s milit*res não con*eguira* inic**r ou concluir algu*a espec*alização, *urso, está*i* ou
**pacita**o, m*itas *ezes por *starem insatisfeitos *o* as muda*ças.
No entendiment* de Silva e Vergara (2002), na mudan*a p*ogressista são criadas
oport*nidades pela o*ganização q*e
p*recem *ontribuir para que os
indiv*duos *oss*m te*
a
possibili*ade de atualizar conhecimentos e *omple*entar *ua form*ç*o pro*issional, tendo a
*han** de o*upar *ovos papéis, *e v*ver *ovos tipos de expe*iências.
Nest* úl*imo tópico, r*fer*nte *s oportunidades
pessoa*s perc*bidas p*l*s i*tegrantes
do CMNE,
em decor*ênci* d* mud*nç* da cult*ra
do *xército Brasi*eiro, ficou confirmado
que * *aiori* *os *ficia*s identificou que a mudança pode trazer *portu*id*des de
apr*ndizado indi*idual, be* como a po*s*bi*id*de de crescimen*o profi**ional e pes*oal, e*
*iversas áreas do *o*hecim**to. Tendo muito *eles citad* as o*ortunid*des de realização de
cursos e tr*inamentos especí*icos,
*lém d* *qu*siçã* *e
n*vos conhecimen*os e capacitaç*o
em ou*ra* áreas de a**aç*o.
5 CON*L*SÃ*
Est* estudo teve como objetivo geral, investig*r de que ma*eira o*ici*is int*gr*ntes do
Coman*o Milita* do Nordeste têm perc*bido a mu*ança na
cu*tur* do Exérci*o B*asileiro.
Para tanto, fo*am estabelecidos obj*ti*os especí*icos, os quais serviram d* orie*tação *ara o
**senvolvim*nto desta pesquisa. N*ste ca*ítulo, apresentarem*s a
**nclusão e
a*gumas
sugest*es sobre o tema **ra futur*s trabalho*.
Inicialmente, buscou-se identificar *s manif*stações de mudança *a cu*tura
do
E*ército Brasileir*, segun*o a percep*ão dos ofic*a*s integ*a*tes d* *omando Militar
do
No*d*ste.
O resulta*o obtido foi que * mai*r*a dos *ntrevistado* reconheceu * ocor*ência de
muda*ça, so*retudo *eferente às seguintes manifestaç*e*, h*mossexu*lida*e,
*e**nil*dad*,
*ev. FS*, Teresina **, v. 15, n. 3, art. 2, p. 26-5*, mai./j*n. 2018
www4.fs*net.com.br/revista
G. I. Go*veia Filho, M. A. D. Sá
46
d*sciplina e *radi*ão, tecnologia e armament*, be* como *o**e a rela*ão **m a *ociedade.
Apenas uma m*no*ia concordo* que as mudanças existe*,
e**ora não alte*em a *u*tura
da
Força Ter*estr*.
A segui*, buscou-s* identifica* sentimentos e s*g*i**cad*s *a mud*nça na cult*ra
d*
Exér*ito Br*sileir*, s*gundo *
p*rc*pção *os oficiais integrant*s
do Comando Mi*itar do
No*deste. *pós a *nálise dos *ados, pod*-se ***statar que * maio*ia d*s *ntrevista*o* *ente
que a muda*ça t*m sido renovador* progressiva, e
enquanto poucos a en*endem com*
**se*tabilizad*ra.
Qua*to aos signific**os da muda*ça na cul*ur* do Exérc*to Br*si*e*ro, a ma**ria dos
e*trevi*t*dos ente*de-a *e maneira pos*ti*a; sendo assim, *o*a* gerados dois grupos de
opinião *obr* a mu*a*ça: para uns ela é de*afiadora; pa*a outros, *ntretanto, ela * p*o*res*iva.
*ã* h*uve nenhum depoimento *nterp**t*d* como n***tivo ou *essimista.
O pró**mo passo fo* *er**i*ar, por intermédi* das entr**istas, se os **iciais do CMN*
concord*vam e aprovavam as mudanças *u* estavam oc*rrendo na cu*tura d* Exérci*o
*rasil*iro. Ap*nas 5 n*o concordam com * implem*ntação d*s *u*anças, emb**a *ons*d*r**
que **gumas delas são im**esc*ndíve*s para a Forç*. Qu*nto *o r**tante dos oficiai*, que era a
mai*ria, el*s acham que as mudanças devem oco*rer e s** neces*ári*s para a inst*tu*ção.
Adiante, o estudo tratou *e apontar possíveis re*istê*cia* à mud*nça *a cultura *o
Exército *rasileiro den*re *s oficiais integrantes do Co*ando M*li*ar do Nordeste. Foi
ve*ificado que 12 militares *onf*rmaram a*gum tipo
de re**ição ou resistência, e q** estas
re*istên*ias estã* co*centrada*, *obretudo, nas man*fest**ões sobre homossexu*lidade e nas
manife*tações sobr* **minilidade.
Na real*d*de, a grande *esistência ao i*gress* dos homossex*ais na instituiçã* to*na-s*
um caso polêm*co, devi** à existência de forte preconceito criado *ontra ess* gr**o social
pela cultur* tradicion*lista * mach*sta, e o que p*escre*e o Có*igo Penal Militar, o qual proíb*
os m*m*ros das F*rças Armadas de
praticar ou
*ermitir a prát*ca de ato libi*inoso,
*omosse*ua* ** não, em lugar sujeito à administração mili*ar. Alé* dis*o, A car*eira m*litar
reves*e-se
de determinadas características, q*e podem n*o se a*ustar ao c*m**rtamento de
determi*ados indiví*uos, pois o mi*it** de*e ter **dr*es de p*stura que são *efinido* por leis
e *egulam*ntos.
Entretanto, Exé*cito Bra*i*eiro é uma in*tit*i*ão legalista que se comp**ta d*ntro dos
limi*es *a *ei, e o que for decidido juri*icame*te, o Exército irá **atar.
Rev. FS*, Teresina, *. 15, n. 3, *rt. 2, p. 26-*0, mai./jun. 2018
www*.fsanet.com.br/revista
Mudança na Cultu** do Exé*cito Brasilei*o: um Estudo de Ca** n* Comando Militar do Nordeste
47
Por ou*ro la*o, os poucos depo*me*to* de *esistência * entrada *a m**her na Força são
caso* *so*a*os, te*do em vista que, atualmente, es*á *ompr*vada a *ficiência *o traba*ho *o
segment* feminino no Exército Br*sil*iro, consolidado em mais de 23 an*s *e atuação.
O estudo a*nda t*ato* d*
ver*ficar oportunidades pe*so*is pe*cebid*s por o*ici*is
*ntegr**t*s
do *omando Militar do *ord*ste, em deco*rênci* da mud*nça na cultura
do
Exército Brasilei*o. Apó* aná**se dos d*dos, foram iden*ificados *ois t*pos de mudança: a
a
*uda*ça progressist*, *o sentido de *romover *prendizado e
crescimento profissi**al
e
pessoal em div*rsas área* do conhecimento, e mud*nç* frustran*e, na med*da em **e a
é
percebi*a como *quela que não p*op*r**ona op*rtu*idade de c*e**imento e cau** *nsatisf*ção
e tris*eza ao indivíduo.
Ao final, pode-se concluir que a m*dança na cultura do Exército Br**ile*ro *stá sendo
per*ebida pela maioria dos
oficiais
integran*es do Comando Militar do Nor*este, tendo sido
c*nstatando-se, pelos depoimentos, a exist*ncia
de s*ntime*tos posit*v**, s*gnifica*os
*mpor*antes * vária*
o*ort*nidade* de crescimento
pessoa* e profissi*n*l. Mesmo com
a
consta*açã*
de algumas *esistênc*as, quan*idade de *epoimento* positiv*s e *ep*e*os *e a
confia*ça e otimi*mo fo* b*m mais s*gni*icat*va, confir**ndo que e*tas resis*ências não
deverão ser empecilh*s para a cons*lida*ão da mud*nça.
Entretanto, mesmo s*nd* *onstat*do, ne*ta pesq*isa, que a mudan*a na cultu*a do EB
est* sendo perce*ida pelos ofic*ai*
integrante*
do CMNE, *icou evi**nte *m alguns
*epo*mentos, nas cond*ta* dos *fic***s **trevist*do* e nas observações deste *es*uisador,
o
r*speito e a obediência à h*erarquia * à disciplin*. Além do comprometimento com os *a*o*e*
*a instituição: patriotis*o, civi*mo, probida*e, amor à profis*ão e es*írito *e co*po.
Du*ante as entrevis*as ficou bastante nítida a admiração, o entusiasmo e a vibração de
t*d*s *s oficiai* pelas tradições *a força, *e*do d*monstrado n*s atitudes e resp*stas sempre
firmes * co**c*ent*s.
Es*e estu*o reafirma o pensamen*o de q*e é fundamental a adap*ação *as o*ganizações
par* enf*en*ar as mudanças que estão ocorrendo n* m*ndo, mesmo que tenh*m q*e mo*ifi*ar
a sua cult*ra orga*izacio*al. Estas a*apt**õe* ou modif*caçõe*
n*o d*vem acont**er d*
*aneira rápida e bru**a, mas sim de manei*a *radual e
orientada, no in*uito
de c*i*r
possibilid**es de to*n*r as m*da*ç*s meno* t*aumáticas para os s*us int*grante*.
*e acordo com a conc*usão *btida neste *rabalho e nas l*cu*as *ão preenchida*
durante e*ta pesquisa, pro*õe-s* a rea**za*** de
n*vas *ro*uções
*ientíf*c*s, a*p*iando
a
inves*igação para outros Comandos M*litare* de Ár*a, outras Forç*s Arm*da* (Ma*inha
e
*e*. FSA, **resin* PI, v. 1*, n. 3, a*t. 2, p. *6-50, ma*./jun. 2018 www*.fsanet.com.br/revist*
G. *. Gouveia Filho, M. *. *. Sá
48
Aeroná*tica), para as Po*í*ias Militares
dos Est*dos e até mesm*, para as *rganizações que
tenham suas cu*turas *rga*izac*onais semelhantes *o Exército Brasileir*.
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VERDE
OLIVA.
Juramento.
Disponível
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Como Refe*e*ciar este Artigo, conforme ABN*:
GOUVEIA FILHO, G. I; SÁ, *. A. D. Mudança na Cultura d* **é*cito Brasileiro: u* Estudo **
Caso no Comando M*litar do N*r*este. Rev. *SA, T**e*ina, *.15, n.3, a*t. *, p. *6-50, mai./jun. 2018.
Contr*buição dos Autores
*. I. *ouve*a *ilho
M. A. D. Sá
1) concepção e planej*men*o.
X
X
2) análise e inte*p**tação dos *ados.
X
X
3) *laboração d* ras*u*ho *u na revisão crí*ica d* conteúdo.
X
*
*) part*cipação na a*rovação da versão f*nal do manus*rit*.
X
*
Rev. FSA, Tere*ina, v. 15, *. 3, art. 2, p. 26-*0, **i./jun. 2018
ww*4.fsane*.com.*r/r*vi*t*
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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)