www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 12, n. 4, art. 3, *. 32-51, jul./ago. 2015 ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983 ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2015.12.4.3 A Fé É Uma Festa: Elementos De Lud*cidade *a História Festa Do Senhor Do Bon*i* De Salvad*r F*ith Is * *arty: Playfuln**s Of Element* In The Party *isto*y *f Lord Of B*nfim S al vad o* *ranc*sco Anton*o Nu*es Net* D*utor em *ultura e Sociedade p*la *niversidade Fe***al da Bahi* Professor da Un*versidad* Federal do S*l da Bahia Email: x*cc*7@hotmail.com En*ereço: Fra*ci*co Anton** Nunes N*to *raça Joana A*g**ica, 250, B*irro São José, Tei*e*ra de Frei*as - BA/Brasil, *EP: 45.988-058. Edito*a-ch*fe: Dra. Marlen* Ara*jo *e Car*alho/Facu*da*e *anto Agos*inh* Artigo recebi*o em 25/04/2015. Última versão rec*bida em 18/05/201*. A*r*v*do *m 19/0*/201*. *valiado pelo sis*e*a Tri*le Review: a) *esk Revi** p*la Editora-Chefe; e b) Doub*e Blin* R*view (aval**ç*o ce*a por doi* avaliador** da área). R*visão: G*amatical, *orma*iva e de Fo*matação * Fé É Um* Festa 33 R**UMO O arti*o discute como, *m de*o*rência da invenção d* c*lto ao S*nhor do **nfim d* Salvador e do aumento *a part**ipação popular no contex*o dos fes*ejos a este Santo, as práti*as de d*m*nstração *e fé, nasci*as n* i*ter*or da igreja, g*nharam a praça públic*, o largo da *así*i*a, onde *m sem-número de fiéis *í dão conti*ui**de às su*s louv*ções a* S*nhor *o Bonfim. Neste sen*ido, *ste texto discu*e aspectos da his*ó**a d*sta práti*a cultural r*lig*osa através *o trinômio *udicidade, fé e Festa, element*s e*tr*turantes que ancoram e dão se*tido à* man*festações de fé em Salvado*. Palavras-c*ave: *é. Festa. Lu*icidade. Senhor do Bonfim. ABST*ACT The ar**cle discusses how as a result o* t** in*ention o* *ors*ip *o **e Lord of B*nfim S*lvador a*d increased *o*ular pa*ticipation in the contex* o* t*e celebrati*ns this Saint, th* f**t* d**onstration p*actices born insi*e t*e chu*ch won th* public sq*are, the *quare of the Basilica where a multitud* *f believers the*e are continuing their pr*i*e of the L*rd of Bonf*m. *n *he aspect, this paper discusse* aspects *f *he history of this re*igious *u*tural practice through t*e tr*ad playful*es*, faith and P*rty, struct*ral ele*e*ts **at a*c*o* *nd give *ean*n* *o ex*res*i*ns of *aith *n the Salva*o*. *ey word*: Faith. *arty. pl**f*lness. Lord *f Bonfim. Rev. FSA, Teresina, *. 12, n. 4, art. 3, p. 32-51, jul./ago. 2015 www4.fs*net.com.br/revista F. A. Nunes N*to 34 1 INTRODUÇÃO Com a invenção d* tradi*ão do culto ao do Senho* do Bonfim * par*ir do a*o *e 174* (NUNES NETO, 2014) e em dec**rên*ia do númer* crescente de *iéis, as homenagens a Ele conferidas to**ram proporções ca*a vez maiores e mais s*gnifi*ativas no context* das festividades religiosas *a Bahia. *pós * edificação e inaugura*ão da ig*eja do Senh*r do Bonfim *o ano *e 175*, o cult* e a devoção a este Senho* passou a realizar-s*, ta*bém, nos espaç*s externos da igreja. *este sentid*, decorrente do *volumado núme*o de pessoas dos div**sos grupos so*iais que se di*punham, em nome da fé, a r*n*er-lhe *o*enagens e das trocas c*lturais s*mbólicas (BOURDIE*, 200*) q** então e passara* ocorr*r, sobretu*o a nos e*paços externos do temp*o, l*t*rgi* e ludicid*de passaram a pla*ma* o des*obramento c*nf*rido *o sagrad* e a* profano o como i**tâncias **dissociáveis, *o*que "as ceri*ôni*s s**radas centradas *o *emplo não constituem a to*alidade da f*sta deste tip*. Ela incl*i ainda a re*li*açã* de out*os desempenh*s que t*m lugar nas imediaç*es do *em*lo - g*ralmente nu* largo" (S*RRA, 2*0*, p. 72). Entre fi*a*s d* s*culo *VIII e iní*ios do XIX, *s celeb*ações lit*rgicas que antecediam * Festa do Se*hor do Bo*fim, passaram a ocorrer **rante dez di*s, inicia*do-se na semana anterior à Festa com a* novenas. As *ovena* *nt*rcalavam-se co* os folg***s no la*go e, no do*ingo, as celebraçõ*s lit*r*icas en*e*ra*am-s* com a* s*lenes missas, às quais se seguia a *isputada quei** de fogos de artif*cio. As celeb*açõ*s litú**i*as e as prát*cas de lud*cidade ganhara* ma*or impulso a partir do ano d* 180*, confor*e consta em a*guns livre**s publi*ados pel* Irman*ade Devoção do Senhor do Bonfim. *aquel* *ontexto, nas *ovena* e***a*a* para * B*m Jesu*, ouviam-se ao* ser*õe* *os sacerdo*es. Os devotos enchiam a nave do t*mp*o c*ntritos, esperançosos e exta*iados pela o*atória empolada dos i*u*tr*s e b*rrocos pár*co* das *e**brações. As nov*n*s, segundo consta no L*vro de Despesas elab*ra*o *elo tes*ure*ro da Irma**ad*, F*ancisco Jo*é *a Costa Abreu, pass*ram * *** *antada* a partir do ano de 1839, u*ilizando-se, para isso, do novenário com**sto pelo it**a*icano D*mião Bar*os* de A*a**o. No re*i*tro de c**tas feito p*r Francisco Agostinh* Guedes Cha**s r*l*tiv* aos anos de 1835 e 1*36, encont*a-se o *agamento fe**o a Damião Ba*bosa de Araú*o que també* era *io*o*is*a e participava **s *tos solenes e m*s**ais da i*reja *o Se*hor do B*nfim. * *o*ena solene * * missa ** Festa eram cantadas *or um co*al *companha*o de uma orquest*a composta *or cerca de t*i*ta * qua*enta mús*cos. C*mo a igreja do **n**r do Bon*im, as Rev. FSA, Teres*na, v. 12, *. 4, ar*. 3, p. 32-51, jul./*go. 201* w*w4.**anet.*om.br/revista A Fé É Uma *est* 35 demais exis*e*tes *m Sal**dor passar*m a ocu**r a fu**ão de cen*r*s d* f*rmação musical até a *egunda metade do **c*lo XX *ua*do, n* Ci*ade, surgiu a *ri*ei*a esco*a de ***ica na Un*versidade *a Ba*ia (RUBIM, 1999). Nos dias destinados às novenas, as *issa* eram celebradas às 8, 9 e 10 hor*s da manhã. Às sextas-fe*ras, dia, em Salvador, co*sagrado, *a tradição Católi*a, a* *enhor d* B*nfim n*s tradi*ões e do C*nd*m*l* a Oxa*á, as miss*s da* 9 *oras *evestiam-se, no co*texto das nove*as de**inad** a* Sen**r do Bon*i*, de um ca*áter especial, to*na*do-a* ma*s dis*ut*das entre os fiéis desejosos de s*rem **n*agrados pela be*ç*o do Santí**imo Sacramento, c*mo também pa*a ver mais de per** os memb*os *a *rman*ade por*ue *r* a missa *a qual eles tomava* parte d* *iturgi*. *té me*dos do sécu*o *X, o ponto *lto da Fest*, era os dia* de *ábado, dia *m que oco*ria c*m *o*pa e circ*nstância a* prin*ipais missas das novenas, as ap*esentações *os *ern*s e r*nchos e a i*umina*ão da *achada do templo; e o domingo, dia em q*e, *lém das missa* solenes, acontec*a quei** de fo*os a de artifíci* que *nunci**a o final das celeb*açõ*s litúr**cas realiza*as no inter*or da igreja. A h*s*ória das nov*nas *a **sta do Se*hor do Bonfim é ass*nalada pel* pres*nç* de u* sem número de *aes**os q*e delas partici*avam. Du*ante *uito t*m**, a orquestra foi regida pelo professor e maj*r Esmeral*o Carnei*o das *irgens. Da *e*ma m*neira, a mi*sa sole*e, d*rant* *lgu* tempo, estev* aos e*ca**os do M*n*enhor Lud*er* Pacheco. Nas primeiras horas da noite de sábad* *o*nava-se di*í*il tr*nsitar no largo da i*reja do Senho* do Bo*f*m, ta* * a*rupamento de pe**oa* na frente ** t*mp*o, *ois, nest* dia, *c*nte*ia o o*erecime*to (ofe*tório). Após a última no*ena, o templo pe*manecia *berto durant* toda a mad*ugada, en*uanto, d* *ado de fora, os fe*tej*s prolonga*am-se nas barraca* localizada* nas ce**anias ao som das bandas de músicas, ranchos e ternos que f**iam s*as a*res*ntações nos dois coretos arm*dos no *argo. No ano de 1927, por ocasião da mis*a fe*ti*a, o A*ceb*spo D. Aug*sto Álvaro da Sil** leu o ***ve Apos*ólico, em que o **pa *io XI elevou * igreja à con*ição de Basílic* Menor, conferin*o-lhe o priv*légi* de todos os pri*ilégios d*s te*plos dessa c*tegoria. Es*a cerimônia rev*stiu-se d* um s*ngular aparato, à med*da que, n* mo**nt* em que f*i a*unciado, a con*içã* de Basílica, à igrej* *o Senhor do Bonfim, as *em*is igrejas de Salvador s*aram o* sinos em *ou*or a este acont*ci*ento e em sinal de júbilo ao Bom Je*us. Ent*e os *e*as de**nvolv*d*s p*los sacerdo**s nos sermões das miss*s f*stivas, notamos, no Diá*i* de Notícias, Diário da **h*a * A Tarde, a p**ferên*ia pelos que ve*sa*am sobre * beleza da r*ligi*o católica, cuja missão era fixar a paz no espírito human* e d* cond*ção do *e*. FSA, Tere*in*, v. 12, n. 4, art. 3, p. 32-51, j*l./ago. 20** www4.fsanet.com.b*/r*vista *. A. Nunes Neto 3* Senhor do B*nfim c*mo desig*ador e zelador dos *est*n*s d* população b*i*na que as*egurava aos seus filh*s a tranquilidade na con*tr*ção *o P*ogresso. Um* fina sint*nia u*ia o teor dos sermões d*ran*e as missas solenes *os *egimento* da *rmandade Devoção do Senho* do Bon*im, uma vez que se visava ampliar, atr*vés da evangel*z*çã*, número de fiéis. O*tr*s temas, co*o o * desejo pela ma*uten**o ** paz no País e no mundo, também *ram proferidos. *o ano de 1938, por conta das delib*ra*ões lega*s anunciadas pelo presidente Ge*úlio Va*gas *om rela**o ao *atrimôn*o *istóri*o d*ran*e o Estado N*vo, o cul*o *o S*nho* do Bonfim passou * integrar-se a es*e conjunto, à medida que se e*p*rav* que as g*raç*es fu*uras des*em conti*u*dade à prática religiosa de cult*ar * S*nto, *ara promover a p*eservação de *ma *d*nt*dad* rel**io*a naciona*. As p*ssoas que contribu*ssem com espécie ou dona**vos para a *ealização das *ove*** recebia* um *iploma conferido p*los mem*ros da Irma*dad*. Nos *om*ngos da* ativ*dades litúrgicas *o Senhor do Bonfim, er* intens* prese*ça de fiéis. Nestes dia*, as missas eram a celebradas e*tre 04 e 11 *oras da manhã. Dura*te muitos ano*, os d*as d* dom*ngo costum**am ser visitad*s por caravanas do inter*or de outra* *ida*es baian*s, a maioria *in*as do Se*tão e do *ecôncavo. Os fiéis de *alvador ou de ou*ras ci*a**s b*ian*s que **r algum motivo nã* pod**m comparecer à igreja do Bonfim nos di*s da Festa, a partir d* década de 30 *o século XX, *assaram a con*a* com a tran*miss** das no*e*as pel* PR-A4, Rádio Sociedade da *a*i*. ** *no de *944, os membros da Me*a Admin*st*ativa da Irmandade *olic*t*ram à PR-A4 que instalasse *lt*-falante* em **ver*os pontos das partes, Alt* e Bai*a *o Bonfim. Nas novenas, a *assa d* fiéi* estava repr*s*nt**a por *ess*as de vários grupos sociais que, diante *a Ima*em do Senhor d* Bonfi* e de joelhos, im**or*vam a sua graça *u a Ele agradeci*m. Nos dias da Festa, os fiéis m*nife**avam sua fé através de alguns *e*tos. *entre *s que mais se notabiliza*am regist*a-se o de levar flore* *u velas par* enfeitar o santuário, percorrer a pé e *escalço toda a extensão do *rajeto em sinal de penit*ncia, conduzir ex-votos *m sina* da graça alca*ç*d* * *ubi* de j*elhos a l*deira da Colina. Este último gesto de fé, nos último* de*ênios, não tem sido nota*o c*m frequência de outrora. Aos c**dados d** **m*ros da *r*and*de, a igreja do **nhor do Bo*fim era *rnamen*ad* em grande esti*o e com luxo invariáveis *ara os *ia* destinados à Fes*a. O Altar- *o* receb*a cuidados espe*iais e redobrados com ramalhetes de f*ores * teci*o dama*cé c*m relevos de *uro vind*s d* Paris. Com a instalaç*o da energia elétrica em 1*02, o **cho onde se l*cal*za a I*ag*m *o *om J*s*s passou a rec*ber profusa i**minaç*o, pr**orcionando *os Rev. FSA, *eresina, v. 12, n. 4, a*t. 3, p. 32-5*, jul./ag*. 2015 www4.fsanet.com.br/revi*t* * Fé É Uma Fe*ta 37 f*éis, dura*te as *i*sas noturnas, maior visibili*ad*. ** contexto da ornamen*ação da igreja para o* d*as festi*os, de ac*rdo co* a* *ot*cias div*lgadas *elo Diário de *otíc*** em 15 de *aneiro de 1914, entr* as parte* interna e exter*as do t*m**o, se contavam mai* de dua* m*l lâmpadas. Cons*derado *omo um San*o sem tristeza e se* desesperança, Nele a crença * fé sempre pareceu reunir vá*ias identidade* religi*sas, con*raç*ndo católicos, *ando*b*ecistas * religiosos de outros *e*uiment*s. No a*o d* 1944, contexto da *egunda Guerra Mund*al, um f*to basta*te *urioso aconteceu dura*te as nov*nas d* F*sta do Se*hor do *onf*m. O Bom Jesus foi condec*r*do *elos memb*os da *rmand*de e por demais fiéis como *ad*oeiro das Na*õ*s Uni*as e Orá*ul* das *itórias dos Povos L*vres. Naquele ano, n* contexto das c*lebrações de jan*iro, ao lado da c*u*, no alto da igrej* do Senhor do *onf*m, colocara* a let** "V", com a qual simbolizavam * vitória no *onfro**o arm*do mundial, no q*al havia tomad* parte a Força Expedicionária Bra*ileira (FEB). O tex*o está divido em três partes. Na primeira, apres**tam** como, ao longo da histór*a d* *esta *o Senhor do Bonfim de Salvador, a introdução da música como linguagem * es*é*ica *rtística torn*u *ossível i*ter*acear elementos musicais da litu*gia católica com os ritmos pop*lares *e *r*gem afro-br*si*eira como o samba. Na *egunda, entr* *m anális* a *ategoriza*ão do **rgo da igreja como pa*c*-lugar onde as práticas cu*tur*is de demonstração de fé to*nam p*ssívei* os diál*gos entre o sagrado e o profano aqui lidos não dicotomicamente, mas com* elementos que coex*stem. Na *er*eira, a*r**en*amo* os Ternos e Ranchos como expressõ*s est*tico-relig*osa* de *e*onstração da fé ao Senhor do B*nfi*, m*s q*e per**ra* fôlego a hist*ria d**ta prát*ca cultu*al *eligi*sa. 2 REFERENCIAL TEÓRI*O *.* Música no Largo... A*é me*dos do sécu*o XIX, após a participação *as *ov*nas, muitos romeiros e f*éis costu*avam se ent*eter nas apresentações dos gru*os mu*icais *e ba*beiros e chap**istas. Os *rim*iros eram assi* denominados po* conta do ofíc*o que de*empenha**m; os segun*os formavam um grupo *usic*l e*r*sso d* Ch*pada Diamantina d* propri**ade d* senhor* *aymunda Porcin* de *esu*. Os *hapa*ist*s pa*odiavam a* mús*cas tocadas pe*as b*ndas militare*, qu*ndo estas ainda *ão faziam *arte da progr*m*ção musical of*cial da Festa. Ao Rev. *SA, Ter*sina, v. 12, n. 4, art. 3, *. 32-51, jul./ago. 2015 www*.*sanet.c*m.br/r**ista F. A. Nun*s Net* 38 s*m da mú*ica chapad*sta *s ro*eiros e fiéis dirigi*m-*e ao *ort* *a Len*a, l*cal*dade aos fu*dos *a igre** do Sen*or do Bonfim, *e onde *evav*m **ixes de madeira c** *ue fa*iam fogue**as na frent* das casas dos romei*os, aí p*rm*n*cendo a*ó* * realizaç*o das nove*as. Ao som es*abelecido por barbeiros e ch*padis*as no larg* *a praç* da *greja, inúmeras pes*oas e*volv*am-se na pagod*ir*. Não lhes faltavam *andeiros, atabaqu** e berimbaus, junto a*s quais u*a mult*dão, sob es*ímulos etílico*, adentravam a ma**ugada. No largo *a igr*j*, *nte* e *e**is d*s no***as, os barbeiros e *hapadistas constituía*-*e atrações musi*ais quase úni*as, não fos*em os gr*pos de capoe*ra com seus berimbaus e as *equenas roda*-*e- samba. Nas rodas reali*adas nas escadarias do te*plo, **grado e *rofano encarnavam-s* nos corpos de homens e mu*heres que reque*rav*m no adr* em louvor ao Sen*o* *o Bonfim. De a*ordo com Revista Dois *éculos e Meio da Devoção de um Povo (1995), a a partir d* a*o de 1849, outros *rupos musica** c*mo *s do B**alhão de Infantaria d* Re*imento Militar e aqueles d* Corp* de Bombeiro* passar*m * participar dos festejos do se*ho* do Bonfim, tor*an*o-*e atraçõe* musicais qua** ofici**. N* lugar onde se *rmavam os antigos palanq*e*, no p*imeir* *ecênio do século XX, foram const*uíd*s dois *oder*os cor**o* de alvenaria na frente das casas dos ro*e*ros. As fil*rmôni*a* militar*s *e revezav*m naqueles c*retos. A mú*ica alegr* e jocosa praticada pe*os b****iros cha*adistas e nos *ala*qu*s e na praça até a metad* do séc**o XIX foi substituída pelo re*ertório que passou a ser t**ado nos *ois cor**o* a*mados no larg* da igrej* pela b*n*a d* m*sica do C**égio dos Órfãos *e S*o Joaqui*, pelas filarmônicas do 1º ao 9* Bat*lhão d* I*fa*taria do Regimen*o *ilitar e do *orpo de Bombe**os da Ba*ia, bem co** *ela Filarmôn*c* *ecr**o do *onfim. No Diário d* No*ícias, notam*s os sofistica*os programas dos repertór**s music*i* das *il*rmônicas preparados para os *ias de sábado e domingo. Por exemp*o, *a edição q*e circulou *o dia 12 de jane*ro de 1917 co**tatamos que o pr*grama musical es*av* defi*ido em três partes. A primeira c*n*tava de: Tenneiizer, marcha composta po* Wagne*; Ritorna Firen*e, **brado, por L. Mar*he*ti; Ouv**t*re do Conc*rto n. 6, po* Adolpho Gi*and; Dan**s Hú*g*ras, por Brahm*. A se*un*a parte apresenta: A**a, phantasia, por G. V*rdi; Conde de Luxe*burgo, valsa n. *, por Fra*s L*har; Danças H*ngar*s, por Brahms; Amor *e M*scara, phantasia por G. Verdi. J* na terc*ira parte, ouvia-se: Bleforé, maxixe baiano por W*nd*rl*y; Flor de Abacate, polka tango, arranjo de M. Ni*o; Champagn* e Reis n* *apinha, tango, arranjo de Ep*ph*nio. Até a segun*a *etad* do *éculo XX, a* filarm*nicas se reve*a*am na orde* *e apr*sentação a*sim como no* r*pertó*ios *ue apresentavam, *onservand* o tom solene *e bo* parte do programa musical. Entretanto, há *ue s* notar que a introdução de composições e Rev. F*A, Teresin*, v. *2, n. 4, art. 3, *. 3*-51, jul./ag*. 2015 www4.fsa*et.com.br/re**sta A Fé É *m* Fest* 39 estilos mu*icais brasil*iras nos *epertórios possibilitou a* público contempl*r a d*ve*sidade e circularid*de de gê*er*s m*si*ais praticados nos coretos. M*s*o h*vendo um* programação musical l*cal *sta*e*ecida, alguns *ru*os vindo* de outr** cidades *a*anas, habitu*lmente,e se apresenta**m nos coreto*, como a Filarmô*ica Mi*erv* Cachoeirana em 1910, a Fila*m*nica d* Naz*ré das Farinha*, em 1*14, e a União Ce*ilian* *e Al*g***has, e* 191*, a*plia*do a programação m*sical. *estarte, a quase rígida programação musical *ão im*ed*u outras manife*tações *usicai* pra*ic*das ao longo de todo o *éculo *X no largo da igreja. No contexto dos fest*jos do Senhor do Bonfim, costume*rame**e, tropas da Polícia Militar da B*hia realizavam vistorias nos coretos, notificando * Mesa Administ*ativa *a Ir*anda** as *rre**laridad*s encontr*das. No ano de 1911, Silvestre de Faria, delegado, escrivão e p*rito e membro ** Irma*dade ofereceu * importância de 69$95 aos policiai*, tenta**o suborna-l*s, par* que os **smos *ão notificassem as *rregularida*es estruturais encontradas n** *oretos. Entr**anto, segundo noticiado no* p*riódi*os, os pol*ci*is não aceitaram a propi*a. Todavia, em que pese as estratégi*s de embot*ment* *a participação *usical popular, ao longo da histó*ia da Festa *o Senhor do Bonfim, n* contexto dos fe*te**s realizados e* nome deste Santo, no âm*ito da* prát*cas de *usicalidade, tornou-se i*c*nteste durante m ui t o* anos, no âmbito do largo da igre*a, a *resença de i*úmeros *rupos de samba e samb*do**s, muitos d*le* formados a* impro*iso da cena festiva. Neste s*n*id*, paral*lo * uma quase rí*ida programação m**ica*, q*e em quase n*da s* relacionav* com o universo cultur*l so*eropolitano - *rosso *o*o peças de consertos m*sic*is europeus - inserção a e parti*ipaç*o d* música p*pular de ori*em afro-brasil*ir* ou a*ro-baiana s* fe*, a*tes, p*r intensos processos de resi*tê*cia, *trav*s *os quai* os sambas-de-*oda, as chu*as, a capo*i*a e demais e**mentos cultur*is constitutivos d* uma identi*ade **iana passaram a configur*r de mane**a lúdica u*a *ut*a forma *e *sta* na Festa, mas não *penas, de cultuar o Senhor do Bonfim. Nes*e ce*ário de circularidade* **ltu*ais, a*nda no âmbito da *n*er*ão das práticas culturais populares, por exem*l*, os Ternos e Ranchos, sobretu*o estes últi*os, ta*bém *odem ser lidos como imbri*ament*s, atr*vés dos q*ais di*ersas pess*as d* *rupo* sociai* d*st*n*os enc*ntra*am-se *li reunidas, fosse no la**o ou na* a*jacências da *greja, na* partes Alta * Baixa da Ba*ílica do Senhor do Bonfim. R*v. FSA, Te*esi*a, v. 12, n. 4, a*t. 3, p. 32-*1, j*l./ago. 2015 *ww4.fsanet.com.b*/revista F. A. Nunes Neto *0 2.2 D*coraçã* do Largo... O costu*e de ornamentar o largo da *greja p**a os f*ste*os do Senhor do Bo**im já se notava nos inícios do sé*ulo XX *t*avés da utilização de ba**eirolas, barr*cas e gambiarras, conferindo ao lugar feiçõ*s festivas. **mo numa extens*o d** atividades do in*erior do templ*, o* fe*te**s v*rifi*ado* no l*rgo ao l*ngo d** anos nos p*r*it*m lê-los ao mesm* te*po c*mo extensões *os rituais litúrgicos ca*ólicos veri*icado* no interior *a *greja e *ambém das prática* c*lturais dos negros d* S*lvador, *uitos dos *uais liga*os ao* *err*ir*s de *a**omblé. Na praça, o en*relaçamento entr* o sagrado e o p*ofano p*rmitiu aos **éis do Senhor do Bonfim exp*rien*iar, c*ncomi*ante*ente, os rituais lit*r*icos e as prát**as de ludic*da*e aí verifica*os. N*s *eri**icos A *arde, Diário da Bahia e Diário de N*tícias, consu*tados *o*r* a temática dest* art**o, c*nstatamos que, do ponto de vista t*mático sobre os f*stejos ao Senho* *o Bonf*m realizado* no *argo da igreja, *rês c*nstar e*tre os mais desta*ad*s: o embandeira*ento ** lar*o, as barr*cas em seu* colo**dos *osaicos e a pres*nça de cronist** e viajante* de outras nacionalidades que, *esde o *éc*lo XI*, para o loca* se d*rigiam, esta*do em Salvad*r no contexto da Fe*ta do Sen*or do B*nf**. Donald Pierson o*se**ou: [...] pr*tas vestidas d* *aianas insta*am-se às margens da mul*idão, v*ndendo c*cadas, bolos * outros qu*tutes, man*as amendoin*, umbu* e c*jus. N* adro, à f*ent* *a ig*e*a d* Bonfim, er*uia*-se barracas, c*da uma delas trazendo o nome do santo patr*no ou *o proprietário, ou uma inscriç*o co** "*é em Deus", "Salv* a Nova Aurora", "A Baianinha". Nessas barracas podiam ser compra*os famosos p*atos *aian*s *e o*igem africana *omo aberém, *aruru, **tapá, e*ó e aca*ajé, b*m como bebidas e refrescos. *ma ba*da de mús**a composta de pretos u*ifor*izados, per*en*entes ao corpo, tocava *ntermitente*ent*, de um *alanque levantad* n* centro do adro (PIERSO*, 1971, *. 388). O nome da* barracas cha**u a atenção de Pierson. Enco**ram*s outros, co*o O T*asmonta*o, Flor de Lí*ano, O Sportman (*o*os), Paz e *mo*, Recreio Famil*ar, T*ro *o *lv* (jogos), Cent*o Esporti*o B*ian* (jogos), *en*r* Esportivo Brasileiro (jogos), Santa Cr*z, R**rei* I*eal, É Verdade!, Boa *xperiênc*a!, Boa Id*ia, Varanda da Elite Baiana, A Peleja, Ba-ta-clan, *é de Anjo, dentre out*os que se converti*m em locais *n*e pr*p*ietários prome**am "l*va* tur*a de morenas e*col*idas a d**o". (A Tard*, *3 *e janeiro de 1923 e 19 de janeiro de 1924) Tanto a decora**o do largo c*m as b*ndeiro*as quanto as ba*racas que *li *xis**ram, mais *xpressi**mente até finais dos anos 80 d* século XX, seguiam *ais ou menos uma padr*niz*ç*o estabe*ecida no colorido da decoraçã* *e *mbas (b*ndei**las e barr*cas), R*v. FSA, Teresina, v. **, *. 4, a*t. 3, p. 32-5*, ju*./ago. 20*5 www4.fsanet.c*m.br/r**ista A Fé * Uma Festa 41 co*pon** um g*a*de m*saico. O conjunto da decoração do l*rgo *e f*rm*va com a **e**n*a imponente do Te*plo que, sobretud* n** *i*s *estivo*, encont*ava-se majestosame*te iluminado. *ob*e o quesito iluminação, também no* jornais analisados, *otamos que este *t*m, a*é a década de 8* do século XX, integ*ava-se como p*rte im*ortante d* *enário e da pro*r*maçã*, ao q*al, no decor**r *a história d*ssa Festa, f*ram *e*to* investim**tos con*tantes. N*s n*ites das cele*rações f*sti*as a* Senhor d* Bonfim, a fachada da igrej* constituí*-se uma atraçã* co*içada e*tre os fiéis qu* a admi*avam c*mo *um *antás*ico cart** postal. À *oite, a ilumi*ação da igreja possibil*ta*a-lhe ser *dmira*a desd* a Ba*a de Todos *s Sa*tos até as p*oxi*idad*s *e It*p**ip*. A ins*a**ção *a energia **ét*ica em Salvador e sua *t*lização ** ornam*ntaçã* *as festas populares *xercia gra*de fascíni* diante da popul*ção **e, aos poucos, se acostumava com a intr*du**o destes novos e*ement*s modern*zadores no c*tidiano da Cidade. Nos dec**i*s iniciai* do século XX, o* tesoureiros d* Mesa A*ministrativa da Irm*ndade c*n*rat*ram os serviços de ilumi*açã* elét*ica da Co*panh*a El*tric* Light. De acordo c*m Livro de Desp*sas d* Mesa, a Irmand*d* o ga*tou, no ano de 1*10, *om o fornecimen*o de en**g** elétrica junto àqu*la empresa, o valor *e 100*$000. N*quele ano, na fachada da *grej* foram colocadas cerca *e m i l e quinhenta* l*mpadas, a ma*or i*umina*ão e*étrica p*aticada n* fachada de uma igr*ja, no contexto das festi*idad*s religiosas e po*ulares no Brasil. Fee*icamente il*m*nado, o T*mplo *onferia *o luga* uma dimensão *e grand*osidade. *o ano de 1913, na fac*ada d* Templ*, na casa dos romei*os, no chafariz, ** coreto e nos arred*res do largo, foram colo*adas *amb*arras com aproximadamente duas mil lâmpadas, tendo aumentado no a*o segui*te para c*r*a de três mil. A partir do a*o d* 1944 a i*uminaç*o da fa*h*da da Ba**lica do Senho* do Bonfim *a*sou a ser *ornecida, grat*itamente, pela Companh** En*rg*a Elétrica. Pon** alto da decora*ão, as ba*dei*olas, em *eu apreciável colorido, c*nfe*iam a* l*rgo d* i*re*a do Senhor do Bo*fim ares festivos e de cel**ra*ão. Tornou-*e comu* na o*namentação do *argo, a*ém das b*nde*rola*, a utilizaçã* de *orboleta*, pa*mas, flam*eaux e um *astro *ntr*meando doi s *ore*os ca*r*chosamente erguidos no largo d* igreja no qual bandas *e mú*ica, Ternos e Ra*chos realizavam suas apre*en*ações. No largo, a utili*ação de guirlandas *e luzes multicore* d*spostas até a *ai*a do Bonfim pr*du*indo brilhan*e *sp*tác*l*, *or*ou-se us*al en*re os organizadores da Festa. O *is*oso emban*ei*amento distribuía-** *e**e a pa*t* de baix* at* ao alt* da Co*ina. Durante m**to* an**, ao *ongo do sécul* XX, os *or*dores *as imediações da Bai*a do Bonfi* costumavam en*eitar a frente Rev. *SA, Teres*na, v. *2, n. 4, *rt. 3, p. 32-51, jul./ago. 2015 www4.fsanet.com.b*/revista F. A. Nunes Neto 42 de suas c*sas c*m *andeirolas *om as co*es uti*izad*s pelos dec**adores da Festa, como n*ma extensão da *esma. As b*rracas com suas ban*eirolas, além de comporem o ce*ário dos *e*t*jos, eram os *uga*es on*e os fiéis no* dias fest*v*s divertiam-se, beb*ndo, comendo a* iguar*as da culinária *aiana, *or*e*an*o, na**r**do e entretendo-*e com outros fol*ares. A p*esença d*s **rracas no largo da igreja *ata do início do século X*. Entre*an*o, com o aumento do número de participantes na Festa do Senh*r *o Bonfim, a *nte*dên*ia Mun*c*pa* passou * conceder licenças para *ue o* come**iantes, que *arti*ipa*am d*stes festejos, *rmassem sua barrac* n* parte de baixo da Colina Sag*ada e nas rua* e vielas *d**cente*. A arm*ção das barracas ob*deci* * mesma or*** todos os ano*. No a*o de 1904, a In*endência Municipa* liberou, aproximadament*, quarenta licenças *a*a os comerciantes que des*jassem armar su* barr*ca n* Colina *agrada nas fest*vidades do Senhor do Bonfi*. *s *a*r*cas comerci*liza* **bida* comidas * variad*s, send* comu* a ven*a *e br*nqu*dos, jogos brincadeiras para e as cr**nças. Havia carrousel, ros**ff, jogo de roletas e quermesse. Enquanto em algumas barraca* d* jog*s encontravam-se facilmente p*ofissionai* e ama*ores e*vo**os em ap*stas e tr*paç*s, em *utras, as cr*an*as se entretin**m nos cavalinho* dos pequenos parques de diversõ*s armados, *nualmente, no lado dire*to da *g***a. Em 1913, os membros *a Mesa Ad*inistra*iva da Irm*nd*de comun*cara* aos poderes mun*cipais que o Alto da Coli*a Sagr*da já nã* ma*s c*mport*va ba*racas. *m vista disto, a pa*tir daquel* a*o, as licenças para m**tar barracas nos dias dos festejos pa**ara* a ser conce*id** apenas para a *aixa do **nfim e cercanias, marco da p*o**feração d*s barraca* por outros *s*aços da Festa que não apenas a Colina Sa*rada. No ano de 1948 já se co*tava*, aproxim***ment*, cem barracas armadas nas par*es Bai*a e Alta da Colina, cada uma com seu nom* pitoresco. Por todas a* ruas, pra**s, becos e vielas, torn*u-se comum u* co*tínuo ir e vir entre as pessoas que ali a*o**iam à pro*ura de d*v**sõe*. De todos os *ugar*s e ângulos os fiéis tinham co*o referê*ci* * mu*a popu*ar, maneira como muitos se ref*riam à igre** do *enhor do *onfim. Uma form*dável *ul*idão ocup*v* diariame*t* o *argo, onde a* filarmônicas, os terno* * os r*nchos exibiam-se. De vári*s p*rtes do Bra**l, *heg**a* fiéi* que *inham *g*adecer ao Senhor do Bon*im. Após as m*ssa* e *ovenas, di*puta*am espaço na* barracas * tabuleiros, *un*o aos quais as Baianas, vesti*as com su** saias de quatr* a*águas, grandes, rodadas * engomad**, vendiam os prat*s típicos da terra, como galinha de x*nxim, efó, c*rurú, v**apá, acar*jé, abar* e bol*n** de estudante, cob*ados *ntr* 15 e *5 cruzeiros, *n*u*nto a cerveja custa*a 15 cr**e*ros e a gasosa, 3 cruzeiros. Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, art. *, p. 32-51, jul./a*o. 20*5 www4.fsanet.co*.b*/rev**ta * F* É Uma F*sta 43 Os fregueses mais li*ertinos costumavam se expandi* em cor*ejamento* e **l*nt*i*s *s sorridentes Baianas. D**ant* algun* anos, car*stia das be*idas e a* comid*s limitou a o co*sumo dos fregueses. Com a d*ssemina*ão das *alas de projeção d* filmes em Sal*ador, a*g*ns com*rci***es que partici*avam com sua* barracas n*s festas de largo pas*aram a ex*bir film*s, o que se constitu*u em mais um atrativo ent*e os *regueses. Fre*uent*r as barra*as *os *ia* dos festejos constituiu-se *rática *ultural in*egrante *as homenage*s e comemora*ões ao Senhor do Bonfim. *ábito cultural *as fe*tividades *eligiosas, [...] a i*stitu*ção d* barracas n** proxi*idades dos *emplos o*de ** celebr*m festas *radicion*is que atraem ro**iros e devotos de pon**s longínquos é uma velha tradiçã* que h*rdamos *e Portug*l. Nas ci*ad** e alde*as portugues*s *ue *el**ram anualmente antig*s f*stas rel*giosas, h*uve sempr* e continu* em uso a instalação de barracas onde a popu*ação se a**stece e tem garant*da * sua perman*ncia par* assist*r as s*lenidades reli*ios**. Esse *ost*me, *omo m**tos outros, foi adotad* *ntre nós pelas mesmas r*zões. Aind* hoje, **r exe*plo, lut** os r*meiros que vão durante o an* * Basílica do Bonf*m, co* as m*ior*s dificuldades para obter um café, pa*a comprar u* *oce e para co*segui* *m c*po ** *gua pela di*icu*dade de casas aprop*i*das. Se isso acontece **and* não h* *rande *oncorr*n*ia na Sagrada Colina, o que se**a se *li não fossem instaladas barracas **ra*te *s dias *a gra*d* fe**a do Senho* do *onf*m? Não s* tr*ta, pois, de *m *ostum* pern*cioso, mas de um* *ecessida*e. O povo pre*isa de alim*ntar-se e para *onsegu*r essa aliment*çã* ter* de recorrer aquele com*rcio ambula**e. A velha tradi*** das barracas deve s*r mantid*s e, mais do que i**o, deve mer*c*r * a*oio e a a*s*stênci* d* poder *úbli*o que deve ter o cui*ado ** zelar *elos interes*es do povo (DIÁRIO DA BAHIA, 18 de *aneiro de 1942). Em Salvad*r, n* contexto das celebr*ções fes**vas a* *enhor do Bonf*m, pelo que *ude*os obse*var, na prátic* de a*mar e **e*uentar b*rra*as, nã* cabe dicotomi*ar sagrado e profano como ins*ânc*as op*stas ou *ntagônicas, uma *ez que, mes*o entr* os fiéis qu* se bastava* *m s*u* dive*timentos *a* bar*acas, *ão se dir*g*ndo at* à ig*eja, isso não significa *izer que *ão estivessem ali e* nome da fé *o *enhor do Bonfim. D**end* de o*tra maneir*, a fé * crenç* entre os fiéis nã* a era apenas demonstrada na par*icipação das miss*s, das novenas e da ritualística da lavagem do adro * das e*cadari*s. Até finais d*s a*os 80 do século XX, co* seus b*nquinhos e mesas color**as, as *arracas se conf*guravam como e*e*entos f*ndamentais na orn*men*ação do largo. Na ma*or part* delas, ao fundo, encontravam-se pequ*nos altares i***ovisados *m mo*estas peanh*s, onde os seus propri*t**ios pre*tavam **verênci* ao seu Ori*á. Naq**les *equenos a*ta**s particulares impro*isad*s notavam-se flores e l*mpadas c*lorida* que *aziam alusão à cor qu* *de*tificava os orixás de predileção dos barraqueiros como, o vermel*o [Iansã e Xangô], * azul escuro [Ogum], o azul *laro [Ieman*á ou Oxóssi], o dou*ado [*xu*] e branco [Oxa*á]. No panteão dos orixás das tradições Ketu, Ango*a e Gêge na o Bahia, estes orixás figu**m entre os mais **ltu**os. (*ERGER, 1*97) Rev. FSA, Teresi*a, v. *2, n. 4, a**. 3, p. *2-51, jul./ago. *015 www4.**anet.*om.b*/r*v*sta *. A. N*nes Ne*o 4* A *omple*a dimensão de fé que se expressava *aqueles peq*enos al*ares era o el*mento que *ermitia aos donos de barraca* se*uir cultuando *o me*mo t*m*o, S**hor do Bo*fi* e Oxalá, en*uanto t*abalhav*m, divertiam-s* e estabe*eciam su*s *reces e pedid*s entre um atend*mento * *utro. A part*r dos an*s 90 do século XX, os donos de *a*r*cas, que *articipa*am das festas de lar** em *alvad*r, f*r*m submetidos a um* no*a lógi** de or*am*ntação. *sta destitu*u o m**aico de cores das m*sas, cadeiras * alta*es, s**stituindo-o *elas mar*a* e s*ogans da* ce*v*jarias, *ue també* passar*m a p*trocin*r os festejos e comercializar seu* pro*utos. Novo e*emen*o d*s *estas p*p*la*es de *argo é *erificado com mais vagar em finais dos anos 90 do século em qu*s*ão: os v*ndedore* ambulantes *e bebida* e comidas em outros espaços qu* *ão apen*s nas ba*racas tabu***r*s, aquel*s das caixas *e isop*r e e pequenas c*urrasque*ras. Sobre esses rearr*njos nas f*r*as de mercandejar nos fes*ejos do Sen*or do *onfim, daremos maior graf*a em o*tra *ar*e deste estudo. 2.3 Ternos e Ranchos: a fé perf*rmatiza** Os *ernos e os Rancho* const*tuíam-se, at* os ano* 7* do século XX, atraçõ*s sig*ificati*as da *est*, sendo comum en**e os *ié*s es*erar p*r ele*, pr*nci*alme*te, na noite de sábado, q**ndo promoviam efusiv*s apre*enta*ões no larg* *a igreja *res*a**o hom*nagens ao *o* J**us. A pa*tir d** pis*as a*ertas por Nina Ro*rigues em *s afric*n*s no Bra*il (1*32), Artur *a*os esboçou c**acteríst*c*s p*ra o* Ternos e Ranchos. Segundo ele, [...] *a *ah*a, o* pasto*is tomam *s no*es de ternos ranc*os (...) O tern* é a e form* mais aristoc*átic*s d*s pastoris baian*s. É formado de past**es e *astôras, vestidos uniforme*en** de br*nco, dispostos dois a dois. *s pa**ôras conduzem um p*ndeiro enfeitad* de fitas e os pa*tôres leva* uma fl*cha te**o na extre*idade uma lante*na d* papel, ace*a. Vã* *rec**idos por dois ou tr*s músic*s e v*sitam as *asas d*s *migos e ****ecidos cantan*o quadri*has. O* r*nchos p**priam*nte dito* são mais populares (RAMOS, 1952, p. 119). Nos jor*ais Diá*io d* No**c*as, Diário da Bahia e * T*rde, notamos mais de cem Ternos e Ranchos nos festejos do Senhor do Bonfi* que n*s*a *rática **l*ural rel*gi*sa *a*s*ram a se faz*r presentes no final do século XIX. Alguns tiveram *ida bas*a*te curta ou reconfigura*am-se mudando * nom* *e *atismo e a c*mpo*ição dos inte**ante*. N*ste sentido, esse **m*r* corr*sponde à totalida*e de ag*emiações que *art*ciparam *os fest*jos, pelo me*os até o* anos 70 d* século XX, e receberam algum ti*o de m*nção nos peri*d**os em c*rculação em Salv*dor. Presença *arcante, os Ternos e Ranch*s qu* encontramos no R*v. FS*, Te*esina, v. 1*, n. 4, art. 3, p. 32-51, ju*./ago. 2015 w*w4.*san*t.com.br/re*is*a A *é É Uma Festa 45 process* de r*aliz*ção da p*s*uisa, foram os seguintes: Ro*eiros de *el*m, Soc*-b*i, Canna Verde, Co*ós, Cordei*o, Primavera, Te*ra, Es*ados, Flores, Rosas, Ly*a, Estrela do Or*ente, Sol do O*iente, R*meiros do Orient*, Lua, Aur*ra Bo*eal, Auro*a, A*tros, *erra Sempre V***, Avança, Symp*thico, *mmacul*da, Melindr*sas, Ciganas, Romeiro* da Pa*esti**, Crysanth*mos, T*ês Reis Magos, Paz e Amor, E*per*, Juventud*, O*chide*s, Es*r*la *\Alva, S*l, Pinicopeu, Lyri* d* Vale, Lira de Prata, *osa Na*oleão, Concha de Ouro, Ari*ofe, *andy, Sol d* Silve*ra, Leão *e Ouro, Açuc*na, Bacura*, Fadas, Bon*na, Saloias, Lu*, Concha de Ouro, Rosa Menina, C*avina, Se*pr* Viva e Flores *e Itapoan (Tern*s) e Burrinha, Pico-peu, Leão de Ouro, Mamãe Sacode, Ma*ãe Me Deixe, Padecentes da C*nflagração Européia, Pes*adinha, Mal-me-Quer do Japã*, Manuelzinho C*o*ador, União d*s **ores, Açucena, Cabocli*hos, Jaca*é, Papagaio, Encre*c*, Cal**go, Carur*, Man* Gostoso, *ai Não Volta, Barqui*ha, Pé de Anjo, C*rd*al d* *iro, *o*a*o, ***alinho, Serei*, *ruvin*, B*rboleta, Giras*l, Urucu*aca, C*rdeal, Prim*v*ra, **u*ú Cheiros*, Pura, Leão, *r*b* Dand*, Peti*có, *eado, C*chorro, *nião **s Fl*res, Lyra Chorosa, C**a*o, C**ra, Avestruz, *ar*nja, ** Ba**tas, Pidão, O Chor*o, Farristas d* C*is*, Boi, B*m-T*-Vi, A*antes da Lyra, Ma*du Ch*roso, O* G*r*an*as, Pidão Inf*ntil, Mandú Esperançoso, O Pav*o (Ra*chos). Face ao ca*áter *essas agremiações, os Ranchos, em *lguma *edida, po*em *er lidos na história da* fe*tas populares de Sal*ador como esp*cies de precursores da* associ*ç*es carnavalescas, qu* ganharam o es*a*o das *uas entre os an*s 50 e 60 ** sécu*o X* no carnav*l, q*ando *s *lub*s F*ntoches da Eute*p*, Ba**ano de Tê**s, Po**uguês e o recém *naugura*o H**el da Ba*ia se c*nstit*íam locais onde o carnaval da Cidade acontecia com mais ferv*r, s*bre***o, entr* as elites soteropo*i**nas. N*s*e *entido, *ife*ente do c*ráter alusivo dos Ternos *e *e*s a* nasciment* do Menino Jesus - porém **m pe*d*-lo de *ista - *s Ranch*s pers*nificavam a pândega, o chis*e, * escárn*o, a zo*baria, o côm*co, o *iso * a sá*ira outrora t*o f*rta*ente pres*ntes na* Fe*tas e nos feste*os populares de *ua de Salvado*. *iferentemen*e do terno, o rancho, primava [...] pela variedade de vestim**tas vistosas, ouropéias e la*tejo*la*, a sua músi*a é o violão, a vio*a, o cavaquin*o, o canzá, o pra*o e as vêzes uma flauta; cantam *s seus pa*tôre* e pastôtas por todas a r*a, chulas própr**s da ocasi*o, as **rsonagens * *estem-se de diferen*es cores con*orme * bich*, plan*a ou mesmo obj*t* i*ani*ado *ue os pastôres *evam à *apinha (...) Tod*s êles cantam * dançam *as casas por din*eiro. S**s danças consistem num lun** sa*ateado, *o q*al a fi*ura principal entra e* uma luta com o seu condut*r qu* semp*e o venc*; depois jogam sempre danç*nd* e *a*tando, um lenço aos donos da casa que r*stit*e*-no com o d*nhei*o amarrado numa das p*ntas e s*em cantando, dançando, *a*en** palmas, a*rastando os p*s, num charivari i**ossível de descre**r (*OUSA BRITO apud RAMOS, 1952, p. 120). Rev. FSA, *eresina, v. 1*, n. 4, art. 3, p. 32-51, j*l./ago. 2015 www4.f*an*t.com.br/rev*sta F. A. Nu*es Net* 46 Nina R*d**gue* (1932) entendia os r*nch*s de Salvador co** um elemento que unia forte*ent* * *ahia a* C*ntinente Africano, * medid* em que, *o tomarem como objetos- símbolos de identificação animais, plantas, obj**os inanimados, den*r* outros, ass*melhavam- se às t*ib*s af*ic*nas, entre as *uais o tót*m - ou o embl*ma totêmic* - era u* símbolo de iden*ificação. Entretanto, em que medida é possív*l p*nsa* os elementos que i*ent**ica*am os ranchos c*mo to*ens? Não teria Ni*a Rodr*gues escorregado na int**pret*ção? Te*ricament*, do po*to de vi*ta das questões postas p**os est*dos da Antropologia, *s toten* nas t*ibos af*icanas eram, para além de um símbol* de identificação, um íc*ne s*grad*, através do *ual a a*cestralidade de um gr*po convergia, ten** est* **upo que cultuá-los em certas ocasiões, *everenciando-*s. Não me par*ce te* sido essa a relação *ue os ran*hos mantiv*r*m co* os sí*bolos que os ident*fi*avam, c*m os quais estabeleci*m muito *ais um* re*ação c*istosa do que pr*t*tora n* context* das fe*tas populares. *resente* *a hi*tória dos festejos do *enhor do Bonfim, o* Ternos e o* *anch*s simbo**zav*m a r*lação entr* *eligio*idade e f**gares *opula**s em Salva*or. Nas noites *e sábado, a*ós a p**ticipação n*s *o*enas, *s po*ulares costumavam *sperar por aquela* agremiações, vi*to que se compunham como parte integrante da *e*ta. As apresentações do* T*rnos e Ranchos iniciavam-se a partir d*s 23 h*r** das *o*t*s d* sá*ad*, quando, uma queima dos *o*os *e art*fício anunciava sua chegada à ladeira *a i*reja, de onde se dirigiam para exibi*-se nos co**tos do largo, d**i passando *a*a frent* das casas d*s ro*eiros, onde p*rmaneci*m até * *manhecer. G*ralme*te, as apr*sent*çõ*s pro*onga*am-se até os *inais da* *anhãs *e domingo. At*avés d*s *eus emblemas aprese*ta*os de fo*ma tão *em humorada, a* a*resentações dos **nc*o* confer*am *m* nota côm*ca aos folguedos. Os Te*nos e os Ranchos **n*ive**m *ede *m dive*sos bai**os e localidades de Salv*dor, onde prom*vi*m reuniões deliberativas *obre as pa*ti*ipações nas *es*as d* largo d* cidad*. As sedes também funci*nav*m co*o ponto *e enc*ntro e conc*ntra**o de on*e parti*m para *lgum* f*sta popul*r. N*s perió*icos, en*ontramos os bairros ou localidades *n*e e**o*trava*-se algu*as das sed*s dos ternos e ranchos de Salvador: Bonin* (Fonte Nova), U*i*o *as F*ores (Tanq*e da Conc**ção), Orchideas e Estrela D\Alva (I*apagipe), P*im*vera e Aur*ra (Calçada), Arigof* (La*e*ra *o Alvo), Saloi*s e **r* Chorosa (Garcia), *az e Amor (B*a Vista), Lu* (Tanque da Conceiçã*), B*tutas (La**ira *o Alvo), A*ucena, *em-*i-**, Chry*anthemo e Bacurau (Quitan**nha *o Capim), Sol do Orient* (B*ix* da Soleda*e) e Pidão (Fo*t* de São Pedro). Por ocasião d*s feste*os ao Senhor do Bonfim, os ternos e ra*chos p*omoviam nas ruas adjace*t*s à i*reja, grande ani*ação. Após percorr*rem Rev. FS*, Teresi**, v. 12, n. 4, art. 3, p. *2-51, j*l./a*o. 2015 www4.fsan*t.com.br/revista A Fé * U*a Fest* 47 as ruas de Itapagipe, v*sitavam a ig*eja, emprestando *o* f*stejos u* * divertida a*egria. Precedidos por *rupos musica*s, fo*mado po* tocador*s de violã*, pan*eir*s, *iolas e *av*quinhos, a*i também real*zav*m serenatas *té * amanhec*r. *ig*ra 1 - Terno L*ão de Ouro. A *a*de, janeiro de 1941 Sobre o* signi*ica*os do* nomes de batismo dos te**o* encontramos alguma* n*ta* cu*iosas nos jornais. Po* exe*plo, o Terno Estados era co*p*sto por moças ra*a*es que * moravam na região de Itapagipe. O nome *stados *azi* alusão à recém inventa** R**úb*ica brasileira. Cada mo** repre*enta*a um est*do da *nida*e da F*deração. À *rente, conduzi*do um barrete frígio, via-se *m* criança represent*ndo a nascente Repúb*ica. O Te*no das *osas *ra *omposto *or *0 *enhoritas *ra*a*as de bran*o, *o*duzindo rosas como símbolo. O A*igofe **ssuía es*e nome porque, ante* *a *rimeira G**r*a M*ndial, alcunhava-se pop*la* e jo*osamente com* a**g*fe os jovens **pazes "m*l*ndros", "boêmios", "simpát*cos", "fanfarrões" e "inco*se*ue*tes". O ter*o a*igo*e não é *e*istrado *os di*ionários. Por exem*lo, negro *es*ido de branco *as*ou a ser *hamado de *rigofe, *eia-se, b*m ve*tido e trajado. O terno do* Astros er* assim denom*nado por possuir *omo fig*r** simból*ca a Lua, o Sol, a ***re*a, a *erra e a Aurora. (*IAN*A, 2*12) Quando não conduzi*os em bondes alugado* com os parcos r*cu*sos para es*e fim, os integ*antes dos Ter*os * Ranchos, a depe*de* da loca**z*ção de suas sedes, diri*iram-se a*é o l*r** em plena caminhada, quando, ent*o, er*m o*acionados *elo público. Durant* as Rev. FSA, Teresina, *. 12, n. 4, art. 3, p. 32-51, jul./ago. *015 www4.fsanet.com.br/r*vi*ta F. *. Nunes Neto 48 apresentaçõe*, entoavam loas e as tradicion*is músicas obrig**órias. Durante a***ns anos, acontecerem diversas querel*s envolvendo dirigentes e integrante* dos ternos e ranc*os por conta *as *úsi*as que uns rei*indicavam propried*de em relação a** outro*. P** algum tempo, p**a *ar**tir as apresentaç*es dos ternos e ran*h*s en*olv*d*s em d*sse-que-disse, soldad*s *o Reg*me*to P*licial pr*cisaram int*rvir nas ap*esentações das agr*mia*ões. Difere*tement* dos Ternos, en*re os *u*is as formas de p*rtic*pação nos festejos era refe*e*dada por uma espéc*e de encenação tea*ral de c*ráter fa****ar * relig**so, os *anchos, "*ais liberai*, muitas vezes ve*da*e*ros fa*ranc*o*, chegar*m até da* t*abalho * polícia". *e m*do ge*al, *s ternos * rancho* "simulavam u*a marcha de p**t*res p*ra o Oriente em *us*a *o lug*r onde **sceu o Mess*as", confe*in*o aos festejo* d*sc*n*ração e *legr*a (V*ANNA, 1979). *ouve também o**r** *isse-q*e-disses *n***vendo os Terno* e Ranchos no que*ito estilo de m*sica *or ele* execut*das. A part*r *o* ano* 4* do sé**lo XX, qua*do o* Ranchos intro**ziram mar*has de carnaval em suas apresentaç*es, passaram a ser alvo de severa* c*íticas entre os integra*te* *os ternos que *n*endiam estar havendo a carnavalização do sagrado, principa*mente quand* m*itos, além do **bado e d* domi*g*, *assaram se fazer a *resent*s na Segunda-*e*ra d* Bonfim q*e, n*quele contexto d*s fe*t** p*pul**** e de largo em Sa*v*dor, passou a toma* contornos de gri*o d* carna*a*, uma prévia desta *esta. Na encen*çã* *a marcha para o Ori*nte realizad* entre os Tern*s, os personagen* que a compunham e*am basicamen*e os m*g*s, as pa*toras, os pa*tores, os anjos, as s*maritanas, as c**an*s, as s*loias, o porta-caj*dos e porta-estandarte. * *unção da *orta-es*andart*, no contexto das apresenta*ões, era sim*la* uma adoração em f*ente * um presépio real ou imagin*r*o. N***e momen*o, a co*dutora baixava os b*aç*s com o bastã* q*e estivesse conduzindo em *m sinal de *um**da*e *u contemplação *e*ig*o*a. Por sua vez, [...] as pastoras se apresent*vam com o tr*diciona* *estido de es*opi*ha bra*ca, cha*éu de palha fabricado com p*lmito d* ou*icuri enfeitado co* fitas, tendo a cop* coberta de algodão, com en*eites de velbutina preta, caj*d* com fitas, cesta no b*a*o c*m flor*s e pequeno pandeiro de fo*ha-de-flandres. Os pa*t*res t*a*avam roupa bra*ca, chapé* de ouri*uri en*e*tado, ostentan*o c*s*anho*as de jacarandá, *om f*tas de cores (*UIRINO, *9*2). Enqua*to *ar*iciparam d*s *estej*s *o *enho* do Bo*fim na* noit*s de sábado, da Ba*xa do *onf*m até o gr*dil *a igre*a, tor*ou-s* *omum a conc*r*ência entre os fiéis que, *pós particip** dos ritua*s litúrgic*s c*tólicos, perma*e*iam n*s co*etos e nas casa* dos romeir*s *ara pr*sti**ar a* apresentações dos ternos * *anchos. De*t*e e*es, havia alg*ns Rev. FSA, Te*es*n*, *. 12, n. 4, a*t. 3, p. 3*-51, jul./ago. 2015 *ww4.fsanet.com.br/revista A F* É Uma Fes*a 49 compostos apenas por homens e *utr*s, apenas por mulhe*es. Out**s er** mistos, havendo, também, aquele* com a *ormação majoritária d* c*ianças, com* o Pid*o I*fantil. O* T*rnos e os Ra*ch*s era* cons*d**ados e**re os participantes *os f*stejos ao Senho* do Bonfim como nota ch*que das noites de sá*ado. O númer* de co*pon*ntes *ariava e*tre qu*ren*a e c*nquenta, exce*ão fe**a ao R*nch* Mamãe Sac*de q** era composto por oiten*a rapazes d*s el*tes lo*ais, *o*o n*ticiado em j*neiro de 19*2 pelo *ornal *iário de Notícias. Com*unh*-se por uma banda musical c*m m*is vi*te *apazes * por um* bal*za-**r. No repertório, músicas qu* estab*l*c*am críticas * municipalidade, so*retudo co* relação às *éssim** condi*ões d* funcion*me*to e circ*lação *os ***des elé*ricos. * partir de fi*ais dos anos 20 do sécu*o XX, os *ernos e os Ra*chos passar*m a concorrer a prêmios simból*cos *epois de suas apr*sentações *os coretos, *ferecidos pe*a Comissão da P*aça d* Liberda*e e pelos membros da Ir*and*de como i*centivo. Estas premiações visavam ma*ter viva a tradição en**e o* in*egra*tes daquelas agremiações de par*icipar *a* festas pop*lares de Salvador. A partir *o *no de 1937, o senhor Adolpho Freir*, tes*ure*ro da Me*a Administ*ativa d* Irma**ade, estabeleceu q*e, indep*ndente da *lassific*ç*o n** aprese**aç*es, to*os os Ter*os e Ranchos que compar*c*ssem, na* noites de sábado, à F*sta, seriam premiados. Através d*st* gesto, os membros da Mesa Admin*strativa da Ir*andade, por i*te*médio *o seu tesoureiro, buscavam e*timu*ar e *gra*ar aos organ*zadores e aos componentes dos ter*os e do* ranch*s por su*s *arti*ipações, pois "sua* mús**as, s*a ind*mentária e s*a c*reo*rafia, tudo faland* bem alto das t*ad*ções bahian*s, pa*rim*nio sempre aumentado co* o pass*r dos an*s" (*iá*io de Notícias, 14 de janeir* de 19*3). *o an* de *954, ent*etan*o, por não terem *ecebido nenhum auxílio fi**nceir*, *s d*rigen*es dos Ternos e dos Ranchos declararam, e* entre*is*as aos jor*ais, que não pa*ticipar*am dos fe*t*jo* ao *enhor do Bonfim, *otícia **e causou al*um ma*-*star, pois Percy C*r*oso, Di**tor do Arquivo *unicipal, ó*gão *a Prefei*ura, declarou, em entrevista, ter *eito o repasse do a*xíli* entr* *s d*rige**es *os ternos e ranc*os. Através do J*rnal D*ár*o de Notíc**s, T*maz de *q*in* Bon*im, diretor de um dos Ternos, afirmou: [...] Não cre*o houvess* tido e*te p*opala*o a*xílio. Já entr*i em ente*dimento com vários d*rigente* de ternos * not*i o descon*en*amento dos mesmos pela *alta de auxílio e pela* ac*sações qu* lhes pesam, de vez que são *omen* hones*os. Ap**as o terno R*sa Menina saiu às rua*, tendo *m auxílio de $ 1000,00, o *ue **o dá para na*a, e se disso de*endesse, o Rosa **nina tam*ém não sair*a às ruas. É o que há muito vinha se prepa*ando e p*de se apresentar de *úbl*co Deus s*be como. E quanto às *cusaç*es que pes*m sobre os d*r*gentes *e *erno*, *stou promovendo uma *e*nião, para a qu*l aproveito a op*rtu*i*ade p*ra convidar t*dos os dirig*ntes *e ternos para *arti*iparem *a mesma no próximo dia 25, na sede do t*r*o *lores de *ev. FS*, T*r**ina, *. 12, n. *, *rt. 3, p. *2-51, jul./ag*. *015 www4.fsanet.*om.br/*evista F. A. Nun*s Neto 50 Itapoã, a rua do *asso, nº 27, às 9 horas d* manhã (DIÁR*O DE N*TÍCIAS, 10 de janeiro de 19*4) . N*quel* a**, exceto * Ro** Me*ina, nenhum Terno ou Ra*ch* compareceu *s festas de largo de Sal*a**r, por falta d* inc*n*ivo financeiro p*r par*e da Pre*eitura. N*s entrelinh*s da s ua declara*ã*, P**cy C*r*oso d*u a atender *ue o* dono* dos te*nos não *a*iam em*r*ga*o dev*damente o dinheiro rep*ssado pela Pre*eitura. Du*ante a*gum t*mpo, os tern*s e ranch*s, p*** se mantere*, real*zav*m *tividades *e**eativas, atrav*s da* quais visavam an*ariar fundos para custear as despe*as. Dentre ** *ti*idades, a ve*dagem *e refresco, a uti**zação de m*alheiro* pa*a guarda* moed*s a*g*riada* *m aprese*taçõe* p*blicas, r*fas, *arraca de que*me*ses, sorteio d* b*l*ios e pequenas viagens, foram as *ais *req*e*tes. Ainda, deve-se r*gistrar que *s músico* ensaiavam de g*a*a, *pen*s pe*c*b*ndo alguma gratificaç*o nos d**s *a* apres***ações. N*ste sentido, por **nta das que**la* ,*n*olvendo a Prefei*ura e as a**emiações, a **rtir de meado* dos anos *0 do século XX, registrou-se u* r*lativo dec*ínio na part*cipaç*o dos te*n*s e ran*hos na* festa* populares de Sa*vador. S*bre esse *a*o, *pinou Tom** d* Aqu*n* B**fim: [...] * *rincipal fator de **cad*ncia d*s ternos é a f*lt* de a*xí**o oficial e aqui en*re nós, també* da imp*ensa que somente agora está bata*hando **la res*aur*ção desta ve*ha *radição (DIÁRIO DE NOTÍCIAS, *0 de janeiro de 1954). A pa*tir d* ano *e 196*, vis*ndo garan*ir na tradi*ão Festa e dos f*st*jos populares a participaçã* dos Te*no* e Ranchos, o prefeito *eitor Dias financiou a pa*tic*pação da*uelas agremi**ões. Mesmo assim, naquel* *no, houve *nexpr*ssiva pa*ti*ipação de **o mais que dez Ter*os Ra**hos. No ano de 1966 os T*rnos e os Ranchos vo*taram à cond***o de e atrações prin*i*ais das noi*es de sábado por *onta d*s incentivos *inanceiros advin*os *a Su*erintendênc*a de Tur**mo de Salvador - SUTURSA. Entretanto, nos ano* seguinte*, os **nais vitais dos Tern*s e Ranchos *assar*m a pu*sar mais le*tamen*e, evi*enciando estarem perdendo fô*ego * e*paço nas *estas tradicionais e popul*res de Salvado*. 3 CONSIDERAÇ*ES FIN*IS No co*te*** das práticas culturais religiosas soter*polit*nas, *é e fes*a não s* configuram *omo elementos antagônicos, nem mesmo co*traditó*ios. N* história *a **sta do Senhor do Bonf*m, estas duas *nstâncias c*ad**am-*e com * *m t*rceir* elemento, a lu*icidade, *ormando u*a espéc*e de tríade, através d* qual as d*v*rsas distin*as m*n*iras e Rev. FSA, Teresina, v. **, n. 4, a*t. 3, p. 32-51, jul./a*o. 2*1* www4.fsanet.com.br/revista * Fé É Um* Festa 51 de demon**ração da cr*nça a este *anto, *ssim co*o as formas de cul*uá-lo são tanto estruturantes como emb**mátic*s de um jeito ba*ano de, enquanto **v*renciam, de maneira alegre e graciosa, *ão se*tido à manutenç*o d* cu*to *o universo m*gico e re*ig**so, seja no interior d* *lg*m* igre*a, terreiro de candomblé ou em *m* praç* ou lar*o em sua cer*ania, o q*e n*s possibi*ita dizer sobre um modo p*rti*ularmente baiano de promover p*o*ícuas nuances e som*ream*nto* e*tre * fé e a festa. REFERÊNCIAS *AH*A. Rev*sta Do*s Sécu*os e *ei* da Dev**ã* de u* Povo. Irmandade De*oçã* do Senhor d* Bonfi*. Salva*or, 1995. BOURDIEU, P. A economia das tro*as si*ból**as. 7ª ed., *ão Paulo: Persp*ctiva, 200*. NUNE* NETO, F. A. A invençã* de u*a tradição: a Fes** do Senhor do *onfim em *ornais baianos. Salvador: UFBA, 2014. P**RSON, D. 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Diário d* Bahia/ mês *aneiro/ano c*nsultado: 1942. *iá*io de Notíci*s/mês ja*eiro/ano* *ons*ltados: 1*14, 1*17, 1922, 1953 e 19*4. R*v. FS*, Ter***n*, *. 12, n. 4, art. *, p. 3*-51, jul./ago. 2015 www4.fsan*t.c*m.br/revist*

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