Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.Unifsanet.*om.br/revista Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-1*0, *et. *026 ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/*026.23.9.* Entre Afetos e Mitos em a Casa Inv*n*ada, de Lya *uf* Betwe** Affections an* *yths in the I*vented Hous*, by Ly* L*ft Gabrie*le da Hora Car**lho G*aduanda e* Let*as Por*u*uês-Esp*nhol pela Universid*de *stadual de Sant* **uz E-mail: g*bihc90@gmail.co* Evelyn Sa*tos Almeida *outora em Letras *el* Universidade F*deral do E*pí*ito Sant** Superv*so*a Pedagógic* n* *scola Mu*icipal Themísto*l*s Andrade *-mail: esalme*da26@gmail.com End*reç*: Gabrielle da *ora *ar*alho *ditor-Che*e: D*. T*nny Kerle* de A*encar Univers*dade Estadual de Santa Cruz - Rod*via Jorge Rodri*u*s *m*do, *m 16, B*irr* *alobrinho, CEP 45.*6*-900. I*héus-Bahia. *rasil. Ar**g* recebido em 07/08/2026. Úl*ima ve*s*o Endereç*: *v*lyn *antos Al*eida receb**a em 20/08/*026. Apr*vado em 21/*8/202*. Escola Mu*icipal T*emíst*cles Andr**e - Rua Sant* Luzia, SN, Teotô*io V*l*la, CEP: 45.657-100. Ilhé*s-*A. Avali*do pelo **stema *riple Review: Desk Rev*ew a) Br**il. pelo Editor-Chefe; e b) Do*ble Blin* Review (avaliação cega po* dois a*a*iadores d* área). Revi*ão: G*a*ati*al, Normativa * de Formatação G. H. Carv*lho, E. S. Alm*ida *2* RESUM* A obra A casa inventa*a (2017), de Ly* Lu**, aprese*ta uma *arrat*v* cent*ada na busca por id*nti*ade e afetos pel* protagonista, au*i**ad* por sua am*ga fiel Pand*ra e *or sua famíl*a. Nesse con*exto, os mitos gregos são util*za*os *ara compor a trama e explorar *s rela*ões *ntre os personagens, desta*ando a impo*tân*ia do afet* na construção de um lar. O prese*te artigo **m como objetivo analisar essa *b** so* a perspe**iva *os *i**s gregos, v*rific*ndo como *s relações a*e*ivas sã* solidificadas e qual a im*o*t*ncia desse a*icerce para a co*s**u*ã* *e um lar. O apor*e teórico baseia-s* no* estu*os de Bra*dão (2009), D*mith (20*2), Menezes (2007), Nietzsche (1978), Codo e Ga**otti (1999), entre *utros. Com essa análise, es*e*a-se cont*ibuir par* a *o*preensão da importância do af*to na con*t*ução do conceito de l*r, assim *o*o da relevância dos mitos *reg*s na edific*çã* das relaçõ*s afetivas. *lém dis*o, *re**nde-*e *e**acar o v*lor *a **ter*tur* c*mo me*o de r*flexão e co*p**ensão d*sses t*mas. Pal**r*s-chave: Lya *uft. Afeto. Literatura fem*nina. Literatura Brasileira Conte*porânea. ABSTRACT The work T*e Invented House (2017), by Lya Luft, p*esent* a narrative centered *n the prot*gon*st's se*r*h for *dentity and affection, **ded *y her faith*ul friend Pan*ora and her family. In this context, Gree* *yths are used to co*pose the plot and exp*ore th* relationships be*ween characters, highlightin* the imp*rta*ce of affection in buil*ing a ho*e. This arti*le aims to a*alyz* this *ork fr*m the perspective of Gr*ek myths, examining *ow *ffective rel*tionships are solid*fied and the *mportance of t*is foundation *or constructing a h**e. The theoret*cal framewor* is based on studies by *r*ndão (2*0*), Dumith (2012), Menezes (2*07), Nietzs*he (1978), Codo and Ga*zot*i (**99), among others. *hroug* this anal*sis, we h*pe to contribute to und*rs*a*din* the impor*ance of affectio* in *he co*struction o* th* conc*pt of hom*, as *ell as the relev**ce of Gre** myths in the fo*m*tion of aff*cti*e r**ationships. Furt*e*more, we intend to highlig*t the value o* literature a* a means o* reflectio* an* und*rstan*ing of these t*emes. K*ywords: Lya Luft. Aff*ctio*. Wo*en's *iterature. C*ntempo*ary B*a*ilian Liter*t*re. *e*. FSA, T*resina, v. 2*, n. 9, art. 7, p. 1*1-140, se*. 2026 www4.*nifsanet.com.br/revist* Entre Afet*s e Mitos *m a Casa Inventada, de Ly* *uft 123 1 INT*ODUÇÃO L*a Felt Luft nasceu em 1948, na cidade d* Santa Cruz *o Sul, n* *io *rande do Sul. Fa*eceu ao* ** anos, e* setembr* de 2021. Foi escrit*ra, ro*a*cista, e*s*ís*a, cr*nist*, p*eta e tradutora. Iniciou sua carr*ira literária **timulada pelo ma*ido, o lingui*ta C*lso Lu** (1*21- 1995). Em 1*62, foi pre*iada no Concurs* Es*adual de Poesias do Instit*to E*tadual *o Livro (IEL) c*m os poemas **nções d* Limiar, p*blica*os apenas em 1964. Seu primeiro r*mance, ** Parceiras, f*i publ*c*** e* 1*80, e d*s*e entã* a autora pro*uzi* um* *xtensa obr*1. Em A casa inventada, Lya Luft no* pr*se*teia com uma reflexão sobre a *onstrução d* afeto, mostrando como *s*e s*nti*ento é edif*ca*o e s*l**ificado por me*o *e metáforas relacio*adas à arquitetura. C*da *ô*odo lev*nta*o represe**a u*a *elação afe*i*a e a relação de cad* ser *****o consi*o mesmo. Podemos dizer q*e o livro é uma mistura de poema, ensaio e **cção sobre * *i*a. Cada c*pítulo é *om*ado *o** um côm*d* da casa, **nalizando *omo o afeto é construí*o na vida da **rs*n*gem. *ijolo a tijolo, com* entendem*s a di*isão dos cap**ulos, os cômo*os de uma cas* ganham vid*: a po*ta *e *sp*ar, a sala da famí**a, * porão das afli*õ**, o pátio *otid*ano. *ada lug*r exp** s*as insegur**ças e s**s mistérios, revelan*o "clarõ*s d* ternura e *iso" nos desvãos *a memória. À *edida que a p*r*on*gem *entral, o *u, con*ebe sua casa, e** s**idific* o afeto pela famíl*a, pela *ida * por si mesm*, atrav*s *e u** narr*tiva que mescla autob*ogr*fia e ficção. A a*t*ra c*nseg** abordar os *ois gê**ros e* *ua obra d* f*rm* a *evar o leitor a senti* o afeto que preen**e *s pág*na*. 2 RE*ER*NCIAL TEÓRI*O 2.* Af*to e mi*os g***os O afet* incorpora-*e no *lemento básico da afetividade humana. De acord* com C*do e Gazzotti, trata-se de um "co*junto de fenômenos ps*quicos que se manifes*am sob a f*rma 1 Flauta doce (1*72), **téria d* c*tidia*o (1978), A *sa esque*da *o *n*o (198*), Reunião *e fa*í*ia (19*2), O quarto fechad* (1984), Mulher no *alco (**84), Ex**i* (198*), * lado fa*a* (1989), A s*ntinela (1994), O ri* do *eio (*99*), Secr*ta *irada (1997), O ponto cego (1999), Hist*ria* *o *empo (2000), Mar de *e*tro (2000), P**das e ganhos (2003), *istórias de *ruxa boa (2004), Pe**ar é tra*sg*e*ir (20*4), Para n*o d*z*r adeus (*005), Em outras pala*ras (200*), * volta d* *ruxa *oa (2007), O si*ê*cio dos a*antes (2008), *riança pe*sa (*009), Múlti*la escol*a (201*), A *i*ueza do m*ndo (2011), O t*gre n* sombra (2012), O tempo é um rio que *orre (2013), Pa*sa*em b*asi*eira (2015), * casa i*vent*da (2017), As coisas humanas (2020). Rev. F*A, *eresina PI, v. 2*, n. 9, art. 7, p. 121-140, s*t. 2026 **w4.Un*fsanet.com.br/re*ist* G. H. Car**lho, E. S. Almeida 124 *e em*ções, se**imentos e pa*xões, acomp*nhados sempre *e *mpressão de *or o* p**zer, de sa*isfação ou insati*fação, de ag*ado o* de*agr*do, de alegria *u de **ist*za" (CODO; GAZZOTT*, 1999, p. 4*-59). Ou *eja, o a*e** é parte importante das emoções humanas e é i*erente a t*dos os se*es hu*anos. Dess* f*rma, *a obra de L*ft, a per*on*gem c**tra* nos mostra c*mo oc*rr* * const*u*ão desse s*nt*mento tão essencial para a existência das rel**õ*s afetiva*, n* coti*iano de sua vida com * família, com o* amig*s * con**g* mesma. Em seu art**o, P*ra pensar * *f*to (*0*7), Aluísi* Per*i*a de *enez*s aponta *ensad*res que abordam a ques*ão do afeto. Vár*os pensa*ores ao longo *a moderni*ade busc*ram ref**tir acerca das e*oçõ*s do ser hum*no e sobre os modo* de pensar a v*da. Um d**ses pensadores foi Kant, que buscou construir um pensam**to qu* loc*liz* a razão e suas condições no pr*cesso *e formação do ser humano, colocando e* xeq*e a *ues*ão d* como raz*o está presa à sen**bili***e e a ao s*ntido num mun** ha*itado por pa*xões e afeto* (MENEZES, 2007, p. 2*9). No mesmo artig* supracita*o, Men*zes aponta a de*inição do *fet* concebida p*lo pensado* Immanuel Kant: O* afetos s*o es*ecificamente disti*tos das *ai**es (*eidens*ha*ten). Os primei*os s* relacionam simple**ente ao sentimento; o* se*undos pertencem à facul*ade de *esejar e *ão *nclinações qu* to*nam difícil ou impossível qualq*er det*rmi*a*ilid**e do li*r*-ar*ítrio por pr**cípios. Esses são temp*st*osos e irrefletidos; a*u*les, duráveis e reflet**o*: a*sim a indi**ação c*mo cólera é um a*et*; mas o ódi* (sede de vin*ança) * uma paixão. Essa jamais pode e sob nenhuma relação ser di*a s*blim*; pois, s* n* afeto a l*be*dade de espírito (G*müt) est* *erdadeiramente *n*ravad*, na paixão ela *stá suprim*da (KAN* apud MEN*ZES, 2007, p. 239). Em vi*ta d*s*o, d* acordo com o *p*esentad* por Menezes (2007, p. 239), "* forma como Kant pensa o a*et* o le*a a *olocar a ex*eriência *feti*a num caráter quase pa*ado*al em que o sensível * o q*e aponta p*ra *quilo que o excede não são d*scont*nuos". Na obra de Luft, é possível perc*ber a paixão na* p*la*ras e a construçã* do *feto no mo*o c*mo a personage* desc**v* *s relações com a família e co* Pandora, que pod*mos descrever como seu alter eg*, co*o a própr*a personagem evidencia nos capí*ulos in*cia*s da obr*, *s qu*is serão *b*rdados *o l*ngo *este artig*. Outra q*e*tã* per*eptível na obra é *ua relação com o* mitos gregos. Notamos como * e*cri*a do liv*o é i*flue*ciada pe*os mitos, *o*s em cada capítulo algum mito é ab*rd*d*, Rev. *SA, Teresina, v. 23, *. 9, art. 7, p. 121-14*, se*. 2*26 *ww4.*nif**ne*.com.br/rev*sta *ntre Afetos e Mitos *m a Casa Inventada, de Lya **ft 125 col*borando para o *spe*** fantasi*so *a narrativa. A mitol*gia gre*a é formada *or u* con*un*o de mit*s e na*rativas, criados e *dotados pelos antig*s povos *regos *omo sua religião e cre*ça. Embora exista até hoje no c*tidiano e *as histórias ocid*ntais, já não é *ais *onc*bid* como relig**o ou dogma, mas s*m como alegorias (BULFIN*H, 2006). As hi**óri*s sobre a *itologia g*eg* foram p*ssadas *e geração em geração *través de narra*ivas o*a**, um* vez *ue nã* *xistia nenhum li*ro q** as descrevia. Os poetas ajudaram a pro*over a mitologia ao *ontarem sob*e os mitos e* forma de poes*a. *obre a mit*logi* *rega, S*l*a e Cas*ro discorrem: Embora mit*l*g** **ega s*ja compreendida at*alment* co*o a simples alegori*s e co*t*s, em épocas remotas, tais m*to* eram usa*os **ra e*plicar vários fenômeno*, como, *o* exemplo, a origem do mu*do, de t*dos o* seres e de to*a* as **isas, *lém *e explicar a ordem dos acontecimentos *o mun*o e até mesmo a *rigem *o povo grego. Er* *id* realmente com* uma religião, a t*l ponto que existiam templo* dedi**dos aos deuses e divindades g*e*as, a*sim co*o é possível saber que os *regos ant*gos faziam oferend** e seguiam r*tuais em nome de seus deuses, o que dá a d*mensão de que, para eles, as h*stórias que eram contad*s e passadas de pais par* filho* serviam para *u*a* **as a*ões * suas vid*s, dando um significado para tudo que era conhecid* e t*mbém desconhecido ou i*ex*licável, já que o que o mito exp**cava na****e *eríod* t*rna*a-se algo lógi** ser a segu*do inco*porado *o c*tidiano e (SILV*; CASTRO, 2015, p. 81). Para mui*os est*di*sos, o mito tem sid* compree*d*do com* um gênero que ju*tifica o homem e sua relação com o mund* e com * vida. *ários *esq*isadores de*tacam a i*po*tância e a presença d* mito em todas as culturas *uma**s, na forma de *arr*tiva* qu* p*o*ura* e*plicar o mund*. Nas sociedad** arcai*as, i**lusive a gre*a, os mitos *stavam ligados * uma dim*nsão r*ligiosa, sendo, segundo Bran*ã*, "* relato de *m acon*eciment* ocor*i*o no tempo primordial, median*e i***rvenção de entes sob*enaturais" (BRANDÃO, a *9*7, p. 35). Sob*e o mito *rego, o *s**di*so Jean-P*erre Ve*nant diz: O que * um mi** *rego? Um *elato, claro. Ainda a*sim, é é pr*ciso saber como *sses r*l**os se construíra*, se est*b*leceram, se tran*mitira* e se conse*varam. Ora, no caso d* grego eles só chegaram até n*s no fim do percurso, sob a for*a de textos escr*tos. Os m*is anti*os d*sses textos pe*tenc*m * obras li*erárias de todos os ti*o* - epopei*, poes*a, t*agédia, história, * mesmo filosofia -, na* quais, *ev. FSA, Te*es*na PI, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-14*, set. 2026 *ww4.U*i*sanet.co*.br/rev*sta *. H. Carvalho, E. S. Almeida 1*6 *xc*tuando-se * Ilía*a, a Odi*seia, e a Teogonia, de Hesío*o, q*ase sempre f*g*ram d*sperso*, de *odo *ragmentário, por ve*es alusivo. Foi num* época tardia - s* no início de noss* era - que os erud*t*s reuniram essa* tradições m*lti*las, mais ou *enos **vergentes, para apresent*-las unific*das nu* *esmo *orpo, e guardad*s, umas após as o*tras, como nas prateleiras de uma B*blioteca, para r*tomar o título que, justamente, Apolodoro deu a **u re**rtório, transformado n*m d** gran*es clássicos do gênero. Assim se construiu o que se convencionou cham*r d* m*tol*gia grega (VERN*N*, 1999, p. 10 -1*). Ou s*ja, precisamos saber a origem do mi*o, a forma como ele se conservou *uando *ã* e*istia um li*ro *ue registrava as hi*tórias, além ** entende*m*s como ele c*ntin** se propagando pelo m*n*o. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕ*S 3.1 * percepção do afeto relaci*nado *os mito* gregos *ogo na epígrafe, a personagem principal deixa claro que o livro não é um* obra autobiográfi*a com pe*sa*entos *m **rc*ira *essoa, mas sim uma ficção ora escri*a pel* personage* cen*ra*, o*a escrita por sua parceira mi*ter*o*a q*e hab**a o *spelho e conv*rsa c** ela dia*iamente: *qu* não fa*o autobiografia, nem fa*o ** em terceira pess*a: le*branças, in*ertezas, coisas que flutu*m c*mo *estroços num mar revol*ido pelas *orrentes d* ficção. Ora escrevo como eu, ora c*mo um* criat*ra q*e me espia nos **pelhos, e *ue a*ui chamarei Pa*dora. Mais tarde *irei como ela *e chama. *s vezes e* *ou ela, out*as vezes ela sou eu. Ao *eito*, nã* i*port*: o b*m da vida são os des*fios, o n** ente*dido, e p** favor como já es*re*i há *ui*os an*s nã* que*ram me pre*der *o alfinete da i*ter*retação. Em ger*l, p*lavras são só... pa*avras. Nem *uem as escolh*u *abe tudo o que s*gnificam. Palavras *êm fra*jas além dos con*ornos: por isso são tã* *edutor*s. "A vi** seria muit* mais *ive*tida s* dois mais d*is p*des*e não ser quatro", eu di*s* ain*a cr**nça a* bo*dos* professor *e ma*emáti** que an*s a fio tento* me ens*nar a*g**a coisa. Mas eu não ***ria n*da exato: q**ria vagar s*nhando, desaparece* nos li*ro*, b*incar n*s **pelhos (LU*T, 2017, p. 2). R*v. FSA, Teres*na, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-140, set. 202* www4.U*ifsanet.c**.br/rev*st* Entre Afetos e Mito* em a C*sa In*entada, de Lya *uf* 127 Isto é, notamos *ue a criatividade * *maginação da perso*agem pod*m ser e*tendidas *omo uma forma de *feto. Na concepç** de Ferreira, o a*o de i*a**nar *i*t* *omo: * "con***uir ou conceber n* imaginação; fantasiar, i**ar, inventar; é o i*usório; o fant*stico. Ima*inação: * a faculdade *ue tem o espírito de repre*entar imagen*. *maginário: é o que só exi*te na imaginação" (FERREIR*, 197*, *. 918). Des*a forma, a imaginação *a personagem é o que prop*rciona a constr*ção *o seu af*to. Na epígrafe, j* s**os apresent*dos à Pandora, persona*em que é o reflexo enxergado no espelho e que apare*e*á durante toda a *arrativa. No â**i*o d* mito**gia grega, Pandora é co*he*ida por causa do mito de sua *aixa. *o entendime*to de Pe*e*ra: Segundo se conta, Pandora fo* a p*imeira mulhe* hu*a*a, criada p*r Hefesto man** de Zeu*, *o*o parte de um p*ano a para se vingar da hum*n*dad*, uma ve* *ue o titã Prometeu havia presen*ead* os hom*ns co* o fogo, **n*rariando a ordem de Zeus para que não o f*z*sse. Pando*a foi, e*t*o, enviad* p*ra a Terra, * fim de casar-*e com Epim*teu, irmão *e Prometeu, e com ela Ze*s ma**** uma caix* fechada, com r*com*nd*ções veementes para q*e ela n**ca fosse aberta. No entanto, Pa*dora não conteve sua curi**idade e, *m certo **a, *b*iu a caixa, o qu* fez esca*ar tod*s *s m*l*s que, até **tão, os homens ai*da *ão conhe*iam: as doenças, as guerras, a me*tir*, o ódio, * c*úm*... Ela conseguiu fe*h*r a caixa a t*mpo de segura* *penas a *speranç* (**REIRA, 2017, p. 2*). N* *apí**lo d* abertura, intitu*ad* "A porta de es*iar" todos os cô*odos de uma casa são aprese**ados de *o*ma s*ci*ta, e temos acesso aos sentime*tos que compõem o afeto, como se a c*s* pronta si*bolizasse *odos os sentim*ntos da pers**agem pela manei*a como ela descre*e a *onst*ução da casa: Uma casa se projet* c*m ciência e fantasia; e se constrói sobr* um fun*amento que dev* s** firme. Uma boa c*sa, *ue dur**s* anos ou et*rnidade*. Que perdur*sse na m**óri* a*é depois de de*aba*. At* se fechar a pálpebr* *a vida e tudo ficar *ranquilo. Os alic*rces vêm de nó*: constr*ím*s com nossa c*rne p*nsamento e cotid*an*. Êxtases ou tragédias são tij*los frá*eis, cuidado. Pois essa é a casa da vida: sangue, lá*ri*as, *isadas, esperanças, punhais enterrados no p*ito, tiros n*s costa*, *arícias maternas ou sensu*is, "*ucidez sem per*e* a ale*ri*", me dizia a*guém. Se*á possível co*s*ruir uma c**a, a ca*a da vida, es*olando joe*h*s, rebe*tan*o as mãos, desmont*ndo e remon*ando cabeça * cor*ção e não sucumbir? (LUFT, 2017, p. 12). Rev. FSA, Te*esi*a PI, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-140, set. 2026 www4.Unifsan*t.com.br/re*i*ta G. H. Car*a*ho, E. S. Alm*ida 128 Enten*emos que se **ata do am*r-*rópr*o, pelo fato de * casa represe*tar a per*onagem. Isso significa que o* alicerces da casa *ão a* em*ções da personagem. A*ém do me*o d*mo*st*ado em não sucumbir durante p*o*es*o de edif*cação da casa, pois o ser * hum*no e*t* condicionad* a f*lhas, ang*stias, a**rtos e er*o* no decorrer *o seu processo de cres**mento e amad*recimento. Nes*e capí*ulo, * personagem nos mostra com* e*xerga *and*ra: "Espelhos se*pre *e seduziram: e*es têm **a vi*a ***pria *eit* d* vida *e todos os que um di* ali se *efletiram. Lá me aguarda Pandora, a que me viu e *e cha*a, c*m olhos sem cor e *abelei*a feito *m lo*go *apim perfumado" (LUFT, *017, p. 1*). O segundo capítulo é dedicado a Pandora, *ntitulado "O espelho de Pandora". * pers**agem revela como construiu o af*to por Pandora, ou seja, por ela mesma, já que as duas são *artes de uma me*ma pes*oa, m*s com **gu*as p**ticular*dades: A mi*ha Pandora, esse meu reflexo ou duplo, não carrega ânfora al*uma: é ela mesm* *ma ca*xinha de surpr*sa, de loucuras, de contradições, de*ejos, e**orias, aleg*ia e s*mbra t**bém. T*az consigo tudo o qu* eu sinto, sofr* e curto. Talvez ela seja o meu ex***ro. Ou minha l**erdade. Que medo, esse, de ras*a* o peit* e espiar *á d*ntro, como se fosse uma ca*a amaldiçoada, perigosa: sabe lá o q*e vou enco*trar, * *ue de verdade qu*ro, amo, odeio, engano, que traições *erfídias g*staria e de cometer *u cometi? Perigo*o d**ais abrir essa *ampa. E se ali de dentro *altar *ssa v*ntade *e ser feliz? É mesmo permi*i*a, ou uma culpa ancestr*l e louca nos refreia, onde se vi*, ca*tar e dançar *ozinha *s quatro da tarde qua*do ** tantas ta*ef*s a cumprir? (*UFT, 20*7, p. 20). Nesse trecho, podemos *e* um* ideia *e q*al seria o mo*ivo da personagem **mea* o *eu reflexo *e Pa*dora, pois é n*tido o medo que ela tem *e co*hecer fundo a *ssa ou*r* pessoa do espelho, com* se e*sa parte "presa" carregasse seu *ado s*mb*io, seu la*o triste, mes*o que não demon*tr* e me*mo que most*e u*a *elic*dade que a outra, que vive fora *o e*pel*o, não *e*. Então, e*as são a mesm* pessoa, ma* ao mesmo *e*po são dife**ntes na forma d* pensar e de agir. Nie*zsche nos t*az u** provocação acerca da nos*a constr**ão afetiv*, q*e s* encaix* n*ssa *dealização da e*istência de Pandora: Esta secreta viol*ção *e si mesmo, esta cruelda** *e ar*ista, *ste prazer de da*-s* a s* mesmo uma forma como seria feito com Rev. FSA, Te*e*ina, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-140, set. 2*26 www4.Unif*anet.*om.b*/revista Entre Afetos e Mi*os em a *asa I*ventada, *e Lya L*ft 129 uma m*tér** difí*il, reca*c*tr*n*e, sofr*dora *or ma*car-se pelo ferro de uma **ntade, *e *ma crítica, de *ma contr*dição, de um d*sprezo, de u* não, este trabalho inquiet*nte e ap*vor*ntement* volup*uo*o de uma al*a voluntariame*te em desacordo consi*o pró*ria, que *e faz sofrer por *razer de fazer- se sofrer, t*da esta "** cons*iên*ia" ativa, verdade**a matriz de fenômenos ideais e i*aginá*i*s, acabou por produzir em **eno dia uma pr*fusão de afirmações e de belezas novas e est*anhas e tal**z, pela primeir* ve*, * beleza ela mesma (*IETZSCHE, 1978, *. 1*). Es*a p**sa*em no* obr*ga a *ermos e* ment* * afeto no i*t*ri*r da nossa expe*iê*cia * nosso poder d* realização, pois temos qu* enfrentar o* conce*tos sem que o* t*rmos es*ejam colocados de *a*eira explícita. Nota*o* o afeto *rticulad* e constru*do de **rma *en*a a u*a **ática que dá valor * experiência de cr*ação. Desse mo*o, a pers*nagem util**a seu próprio afeto para im*gina* Pand*ra, aqu*la qu* viria a ser uma gran*e *miga e confid**te de suas e*oç*es e angústia*. Pan*o*a ac**panha * personagem desde a sua infância * não desapare*e na ma*u*i*ade. Ou seja, a per*ona**m s*nte um afeto pelo seu reflexo de f*rma que não o deix* ir, como geralme**e as cr*anças fazem *om *eus amigos ima*inár*os. Mas s*bemos que Pandor* nã* é apenas uma am*ga; é m**s do *ue isso: r*presenta *eus a**eio* e angústias dep*sitados em out** pessoa. Com* se, sem ela, a personagem não con*eguis*e v*ver, p*is é comple*ame*te controla*a por ela, mes*o que Pandora seja *penas um* proje*ão ** espelho, como dei*a c**ro no *recho: Então ch**o neste corre*or onde me espera a Pan*ora qu* invadiu * minha menin*ce, agora m*lher como *u me tornei. N* extr*mo *o cor*edor, in*tal* *um g*s*o b*eve, num tr*ço ú*ico, um espelh* de alto a baixo, como em todas as casas onde *oro: a*sim me sinto acompanhada, mas p*ra o* **tros comento *ue dá sensação de mais espaço. Não preciso de nenhum esforço p*ra que ela ap*reça, *nigm*t*ca * imperiosa des*e quando ér*mos me**nas. Aq*ele é s*u rei*o. Pandora me domina, me coma*da, eu *ão me reb**o ou muito raramente (L*FT, 20*7, p. 20). Na epí*ra*e, a personagem diz que *hama o reflex* de P*ndor*, mas não revela com* a *utra a chama. Agora, no s*gund* capítulo, el* nos mostra co** é chamada por sua projeção, **mo v*remos no di*log* delas so*re a escolh* do nome: Rev. FSA, *e*esina P*, v. 2*, n. 9, art. 7, p. 121-14*, set. *02* w*w4.*nifsanet.c*m.br/revis*a G. *. Car*alho, E. *. Al*e*da 130 Ela me perguntou há muito tempo: *or **e vo*ê *e chama de Pandor*? Porque vo*ê é uma c*ixinha de surpresas. Nem todas ruins acresce*to rindo, não sei se e*a tem ideia do mito *rego. Tente* e*pli*a* um dia, isso eu le**ro, m*s e*a nã* se interesso*. E vo*ê sabe c**o eu te c**m*? Adivinha que nome te dei? ela pergunta. Eu, surpresa, nun** imaginei q*e ela *e desse *m nome especia*: Não! Qual é? *la *esi** um pouco, *á sua ris**a de sininhos, e responde: Pené*ope. Penélope? Ué, po* quê? Porque você pens* que *o*strói um* casa de viver, mas na verdade te** s*a vida. *ece t**o dia, sem s*ber q*e a vida é tecer a ***pr*a morta*ha. *í, quan*o acorda, desfe* tudo ** sono, e re*omeça. Acordar * rec**eça* e*se t*abalho: o trabalho de viver (LUFT, 20*7, p. 2*-29). *an*ora diz **e * *h*ma de Penélope, e a*ui percebemos um* r***r*n*ia a out*o mito g*ego presente na Odi*seia, de Homer*: De*lagrada a Guerra de Tróia, Odisse* finge-se de louco ao s*r procurado por *e*el*u, que lhe cobr* o cumprimento da p*omessa ante*ior. Nã* decorre d* *ovardia a tent*t*va do *rín*ipe de Ítac* *m *e omitir; ape*as deseja p*rma*e*er *o lado da e**osa e do *ilho rec*m-n*scido. Desmas*arado, pa*te p*ra Í*ion. Em co*sequência, Anticleia, sua *ãe, morre de *audades, e Lae*te*, o pai, re*ira-se para o ca*po. A Pe*élope *es*a, e*tão, ad*inistra* *s bens do *sposo. Finda * guerra, contudo, Odisseu *ão *etorna. A*redit*ndo qu* o he*ói perece*a, su*gem candid*tos *o lei*o *a so*e**na, *erfa*e**o 10* (número ca**lí*tico que remete à per*e*ção) no to**l. Acom*dam-se ** palácio e, de banquet* em banquet*, dilapidam *s bens do rei. Qua*e es**tada a esperança do nostos (retorno), e *o o**etivo de poster*ar uma *scolha i*desejada, as*uciosamente, a rainha ale** s*ntir-se na *brigação de t*cer uma mortal*a para * sogro e diz que, uma ve* conclu*d*, tom*ria sua decisão. À noite, p*rém, *empr* destece * peda*o co*fecc*onado durante di*. Com o estratag*ma, ad*a o por três an*s * cob*ança da palav*a e*penhada, ocasiã* em que **o**e a denúncia de uma e*crava, passando en*ão a s*frer *ma pressão insuportáv*l por *arte dos pretendentes (*UMITH, 2012, p. 29). Pa*d*ra compara * pro*agoni*ta c*m Penélo*e pelo fat* de elas tecerem su*s mortalhas, mas desmanc*arem *odo dia. Ou seja, no*sa protagonista est* apenas exis*i*do, na Re*. FSA, T*resina, v. *3, n. 9, ar*. 7, p. 121-140, set. *026 www*.Unifsan*t.com.br/revista En*re Af*tos e M*tos em a Casa Inve*tada, de Lya Luf* *31 concepção de Pa*dora, e não vivendo plen*ment* com* seria esperado por alguém que não está presa num reflexo do espelh*. Penélo*e desman*h* sua mortalha na esperan*a d* volta d* seu ama*o Odis*e*, enquan** nossa protag*nista ain*a *ão sabe o *otivo de desfa*er sua mortalha diaria**nt*. Ne*te capítulo ap**ece o mito das M*iras, qu* são *istas n* mitologia grega como um t*io d* irmã* f*ande*r*s q*e determinavam *s destinos dos homens, det**mi*ação à qua* até os *eus*s se submetiam. * pesqu*sador B*and*o tra* uma definiç*o s*bre as Moi*as: *s Moiras *ão a pers*nific*ção *o destino in*ivi*ual, d* "p*rcela" que toca a cada um neste mu*do. Originariamente, c*da s*r humano tinha *ua Moira, a saber, "sua parte, s*u a *uinhão", de vida, de feli*idade, de desgraça. P*rsonificada, Moir* s* tornou uma di*in*ade muito sem*lh*nte às Queres, *e*, no *nta*t*, *ar*icipar *o car*ter violento, demoníaco e sang*in*rio que es*as *ossuíam. Impessoal * **f**xíve*, a *oira é a *ro*eção d* um a l * i que nem mesm* *s d*us** po*em transgred*r, sem *ol*car em *erigo a ordem univer*al. É a Moir*, por exemplo, qu* impede um deus de p*estar so*orr* a um *erói no campo de batalha ou de tentar sa*vá-lo, quando chegou sua hora de mo*rer. [...] A *o*co e pouco se *esenvo*veu a i*eia d* uma Moira u**versal, senhora incon*este do destin* de todos *s homens. Essa Moira, *obretudo após as epopeias ho*éricas, s* p*o*etou em trê* Moi*as: Cl*to, Láquesis * Átropos, t*n*o cada uma função e*pecífica (BRA*DÃO, 20*9, p. 242-243, grifo* do aut*r). "C*o*o t*ce e* *u* *oca o fio da exis*ência, cujo comp*imento * determi*a** por Láquesis com o auxíli* de sua varinha. Com sua te*oura, Á*ro*os corta este fio" (JULIEN, 2005, 149). Quando Pandora fala de te*e* a própria *ort*lha, *la cha*a *te*ção par* as p. Moiras, como se, ao inv*s de *ecer * *rópria mor*alha, * pro*ago*ista deixasse *ssa tarefa para as M*i*as, pois são elas que decidem * destino de c*da ser hu*a**. O surg*ment* de Pandora auxilia * pers**agem a de***volver seus *aço* afetuosos c*m a família, como not*mos no decorrer da narrat*va, principalmente *o *apítulo intitulado "A sal* da família (biom*o do s*lên*io)". A per*onagem designa *ala a como um ambiente fami**a*, p*i* é neste espa*o, ger***ente, *ue as fam*lias in*erage*, conv*rsam, *r*nca* e se *onhecem: Onde mais nos sentimos abr**ados ou julgados. Onde mai* *e cometem amores e injustiças. Onde os cuidados estendem br*ç*s am*rosos, e o ciúme espreita sob pá*pebras aper*adas. *nde so*os **is acom*anhados, * mai* soz*nhos. Salvo* ou *ondenados, euf**ia ou danação: fa*ília. Rev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 9, ar*. 7, p. 121-140, *et. 2026 www4.Unifsanet.*om.br/*e***ta G. H. Carvalho, E. S. Al*eida 132 * a sala da *amília é o *po*ento que, *omo u* arquiteto que m*stra seu projeto, eu dese*rolo a*ora: cen*ri* de *apel c*m mui*os des*nhos, móveis, quad*os, tapetes, *e*soas. A mesa de janta*. *a frente dela mais um grande espelho, q** est*anhamente *em ** vago tom rosa *ntigo (L**T, 2017, p. 34). Não obstante, o am*i**te famili*r pode ser *nterpreta*o *inda como um lugar de crítica, julgamen*os e mesmo cinismo, confor*e apo*ta Pando** *m sua *nterlocução com a protagoni*ta: " Com *amília a gente só tem dois caminhos, a*iga: cinismo ou ingenu*dade. Voc* *oi criada para acred*tar em tudo. * co*eçou a desfiar, contando nos dedos: Papa* N**l, Coelho *a Pásco*, C**onh*" (LUFT, 2017, p. *6). É co* a família que construímos no*sa prime*ra **la*ão de a*eto, pois é neste ambiente que *prendemos **br* o mundo, s*bre nós mesmos. * em alg*ns *omentos p*e*isamos se* c*n*cos para nã* sofrermos por conta da* *obr*nças, das perguntas indi*cr*tas feitas **l*s cr**n*as ou *or t*as mai* i*trometidas. Conforme o *empo passa, *s af*t*s constru*dos p*la personag*m vão se in*ensificand* ou *endo passageiros, de acordo *om as pes**as que entram e* s*a vida. A personagem tin*a uma rel**ão intensa e pro*lemática com a mãe: A mãe nem batia na *orta, abri* num ím**to: Está e*tudand*, faze*d* *ema de casa, ou se o*hand* no e*pel*o e sonhando? * s*m*re culpada, eu, a ré, me *ncolh**. E* escolhia ser assim, pois minha mãe era uma boa mãe, ené*gica e prát*ca, e* geral alegre. Ca*t*va s**in*a, *om uma *oz doce. A censura, não impor*a em que forma ou frase, corre jun*o de no*sos calca*h**e* e r*i * c*ração. Mas a gente tenta, e**ia, e*preit*, corre va*ando ondas, *istânc*as e pe*fídias. Ningué* sabe o que vamos encontra* a cada di*. (Esque*i de dizer que na ca*xa de Pandora *icou a*e*as a qu* foi ***mada: a pálida e*perança.) (LUF*, 2017, p. 19). A p*rsonagem recebia se*pre o olh*r crític* da mãe ou uma repre*nsão por algo que havia o* não *avia feito. Ti*ha se*pre essa t*ns*o n* re*ação das duas, como notamos n* citaçã* supracita*a, mas nem *or isso o afe*o ou amor pel* mãe diminuiu. A persona*em apenas tinha *sper*nça de que r*lação entre e*as mel*oras*e a em algum **mento. *o que parec*, isso não *co**eu, e ela *uardou e*sa espera*ça na caixa de Pa**ora. Rev. FSA, Teresina, *. *3, n. 9, art. 7, p. 121-140, set. 2026 www4.Un*fsan*t.com.br/*evista E*tre Afe*os * *itos e* a Casa Invent*d*, de *ya **ft 133 Até o momento, a c*sa *stá ergu*da; já pas*amos pela *orta de en*rada, quarto das crianças e da sala. Dessa fo*ma, a fund**ão principal da ca*a e*tá pronta. N*tamos qu* os afet*s pri*ários, que são os *ent**ento* pel* fa*ília * *or si mesma, estão cons**idados. Agora entrarem*s num cômo*o opc**nal, q*e não ex**te e* toda casa: o porão, que nos fi**es de terror são m*str*dos *omo *m lugar escuro, pavoroso e sombrio, qu* provoca me** nas pessoas *ue ent**m n*ss* **modo. Para a *rot*gonista, o porão rep*e*enta o lugar dos segr**os e *os se**iment*s que nã* q*eremos que venham à tona. É o l**ar p*ra se guardar as lembranças e situa**es *ui*s, seja* elas *e*is ** imaginár*as: * des*onhec*do *ora nos po*õ*s, e nós * pers*guimos, cheios ** curiosid*de e medo, na*ueles sonh*s de que não le*bramos *em ao acordar. E * ge*te d*z: não quero encontrar, n*o quero ver, n** quero saber. [...] Se ***armos para ouvir, qu*m sabe va*os perceber a d** pelo temp* d*s*e*diçado *e*tindo r*i*a, inve*a, sen*o intolerantes, di*ama**o, ment*ndo, critican*o com azedume, passando por cim* do outro, esquecendo que* no* ama de verdade, humil*ando par* *os se**irmos superi*res, sendo *rué*s, quand* podíamos est*r cu*tind* *o*entos pr*cio*os. A i*justiça comet*da, a perfídia treinada e exec*tad*, a fal*a de com*reensão, o ranco*, o não perd*o, a inv*nção de cri*es que ning**m c*m*teu m*s apontam*s * ded* acus*dor, ah, co*o *cusam*s. No* porões fervem segredo* de traiç*o, segredos de ódio, s*gredos de *a*ernidade resseq**da, n*m to*o mundo que* ou d*ve ter *ilho. A mãe de vári*s filhos me revelou que não gost* das crianças, pref*ria cachorrinhos (LUFT, 2017, p. 63-64). Nesta casa inve*tada, * porão r*presenta os s*nt*mentos ruins, a inju*tiça, o *ofrimento, a depressão. * *m mis*o de sensações r*ins que habita* a*uele lu*ar. E é neste espaço *ue e*a destina as memór*as sobr* as doenças e as mortes dos seus fami*iares. Aos pou***, nesse por*o fi*am as lembra*ças da doença de sua m*e, **zheime*, que po**mos supo* no modo co*o ela **scr*ve: A doenç* se **nifestou sutil: um esq*ecim*nto aqui, uma confusão *li. Uma at*tude es*ran*a aqui, outra ali, inte**al*das por fases de aparente normalidade. A sociabilidade muda, os bo*s modos parece* esquecidos, o controle *o dinheiro *e torna caótico, * é di*ic*limo interf*rir. Demorei, como quase todos, a aceitar a realid*de. Para mim, minha mãe sofria episód**s naturais de e**uec**en*o. Só cho*ue de um dia a o enc*nt*ar Re*. *SA, *eresina PI, *. 23, n. 9, art. *, *. 121-1*0, se*. 2*2* www*.Un*fsane*.co*.b*/revis*a G. H. Carvalho, E. S. Almeida 134 com um* pintura biz*rra no r*sto, ela tão r*catada, me *ez entender (LUFT, 2017, p. 71). A im*ge* que ela lembra*a da *ãe "a*t*s a**gre, desp*ch*da, prátic*, bonita, *rítica d* que chamava m*us \drama*\" (LUFT, 201*, p. *1) ficou para t*ás, pois no porão *icou a **agem da mãe *nferma, *ue não se lembrava da filha. *u*n*o sua mã* morreu, el* ficou reflexiva, po** vi* como u* si*a* de bondade da deu*a d* justi**, Nême*is, *ue se co*padeceu da f*rma **mo sua mãe estava "v*vendo" nos últ*mos t*mpo*. *urante a con*trução d* p*ti*, no capít*lo *e*s, vemos *ma Pando*a inqui*ta, a*itada; a*guma coisa não está certa para ela, *ois *ente as afl*ções * te*o*es de su* i*ag*m do o*tro la*o do espelho: Pandora, cúmplice de tantas horas, se recusa a cum*r*r comi*o esta pa*te da invasã*, ou inven*ão, da minha casa. Cotidiano? Pát** meio de*erto? Nã* é pra mim. Nã* ** i*teress*. Vou sumir. Ma*, Pando*a, as coisas do d*a a dia têm *mportância. A vida tam*ém é isso, o *e*l, o concreto. Fica comigo. N*o quero nem *aber. *la está inquieta. Apesar d*sso, e*a fi*a c*migo, meio hesitante. Pandora nunca hesita*a (LUFT, 20**, p. 7*). Percebemos que a *asa es*á edificad*, que os *f*tos foram construí*os de *orma sól*da co* as o*tras pessoas, m** que, *om *la m*sma, ai*da fa*ta*a re*olve*. Pois é nítido nesse di**ogo que o pátio repres*nta o v*zio, a *audade, a vi** cotidia*a qu* n** comb*na com Pan*o*a. **lvez n*ssa p**tag*nis*a tenha entrado e* depressã* e comec* a *ensar e* out*a vida, ou *e*a, a pós-vida, q** poderia v*v*r d* for*a diferente, ou poderia fugir *a*a o *ei*o imag*nado por *anu*l Bandeira, no poe*a Vou-me e*bora pra *asárgada, pub*icad* no *ivro Libertinag*m (1930): Pasárgada p**ia s*r um bom lugar, onde se acredi*a e* *uita* coisas. Onde existe o bem, s*ja l* * que isso signific*. Onde a vida é colo *e mãe boa. Onde... e*fim, a lista * longa * tão fo** de esquad*o que me dá vonta*e de *ugir. De ri*? Na m**ha n**a vida eu tentaria *ão escr*ver *ais sobr* o que n*s*a aqui t** ** angustiado, ou *meaça tr*nsfo*m*r-se num **istís*imo tédi*: sempre os mesmos assuntos? Mandaria só fra*es sobr* que *az * * v*da valer a pena: as co*s*s humanas, vida e amores, e o mistério de tudo até dor (mas que seja uma dor de*ente) (*U*T, *017, p. 79). **v. *SA, Teres*na, *. 23, *. 9, *r*. 7, p. 121-140, s*t. 2026 www4.Unifsanet.com.br/revista Entre Afetos * Mitos e* a *asa Inventada, de Lya Luf* 135 A persona*em t**t* fugir das s*as q*estões afeti**s que *ã* com ela e com a for** q*e *nxer*a o mundo, mas perce*e que n*o adiantará, p*is, a*nde quer *ue vá, se*s problema*, suas qu*stões vã* consigo e não dá para fugir de s* mesm*, porque Pando*a **ntou, m*s não conseguiu. P*r isso, contin*a seguindo sua projeção f*ra d* espelho para tod*s os *ug*res, até q*e sua casa estej* realment* te*min*da. No últi*o c*pí*ulo, última parte da cas* é a c*nstr*ída: o ja*d*m. Agora a casa está pronta; a*ora a pro*ag*nist* p*de seguir em fre*te sem sua *iel Pandora: En*ão eu *uero ainda ser isso. N*o quero ser uma *enélope cuj*s dias s* resumem a tecer a *rópria *orta*ha. Não qu*ro *ermi*ar neste jard** *e adeuses, ne* subir *scadin*a fatal nem *er o fio cortado. Não s*u Pan*ora, n** o rosto de*a que *ruxuleia no espelho é de *erd*de o meu. Eu * i*vente* par* n*o m* senti* sozinha? Para ser *m*rtal? Espelhos não *erão m*is tão importantes, mas a *ida *m si, a carn*, a pele, * voz fir*e, o mar, o ama*hecer ver*elho, até m*smo um pedaço *e solidão e lágrimas, isso eu *uero ser, * po* que não? (E assi* acho que traí P*ndora.) (LUFT, 2017, p. 95). A personagem se sente traind* Pandora pelo fato de quere* viver no mundo real, pelo f*to de não ficar com o refle*o do espelho, qu* a *colheu por t*n** tempo, mas que precisa *artir. Ou *eja, permanecer n* e*pel** para que * pro*agonist* possa dar continui*ade à sua vida. * pe*son**em o*s*r*a *** talvez Pando** "fique *m *odas as casas i*ventad*s des*a vida: mora*o*a e**r*a de si mes*a, junto co* o *e*lexo *e tod*s o* que al* se espe*ham s** de l*nge imaginar que n**c* ma** sairão, porq*e a *emó**a r**ém a vida" (LUFT, 20*7, p. 93). Dessa fo*m*, Pa*dora *iv*rá p*ra sempre com el*, pois * seu af*t* p*rm*necerá em qu*lquer casa que ela esteja. Out*o as*ecto que nos ch*ma at*nção em A casa inventada é a quest*o do te*po, a sua p*ss*gem e como ele foi aprov*it*do, como a própria per*onagem apont* no capítulo final: Mas, a*tes dis*o, *gora, agora, será que a*nda tenho tem*o? *sse t*mpo que certa v*z escre** não e*is*e? Tempo de *es*stir, *e*po d* vi*er, tempo de tece* m*is ** pouco do **no d**ta vida de que a*inal eu t*nt* *osto, po* mais q*e me la*ente, por mais que faça poemas, por mais que curta alguma melan*ol*a? Re*. **A, Tere*ina PI, v. 23, n. 9, art. 7, p. 1*1-**0, set. *0*6 *ww4.Uni*san*t.com.br/r*vista G. H. Carvalho, E. S. Alme*d* 1*6 S*mpre há tem*o diz Pandora, claro qu* *la f*l* assi*. Temp* para pa*ar de s* encolher, se desenrolar de*s* concha * sair *ara a vida! (L*FT, 2*17, p. *2). Is*o é, na concepç*o d* Pan*ora, sempr* há temp* pa*a tudo, diferen*e do que a person*gem narrador* *ensa, pois par* ela seu tempo já passou; ela já fez tudo o que tinha von**de: Mas vou sem dramas. Meu tem*o se c*mp*iu, fiz o qu* sabia, amei como *ude, a casa fo* erguida com s*nho e sangue e carne e almas. Às *ezes tra*alhe* com as tripas de fora, ou*ras como uma cr**nça feliz. *ão p**e fazer mel**r que isso. Não exist* milagre (LUF*, 2017, *. 92). Ne*ta pa*sagem, entra e* c*n* o mi*o de *ronos, que é um t*tã con*ecido como * "personifica*ão do te*po" ou "senhor do t*mpo". O C**nos da mitologia grega tam**m e*a assoc*ad*, na mit*logia romana, a Saturn*, sendo nesta também conh*cid* como *enhor d* tempo (BULFINCH, 2012, p. 19). A*er*a *o *ito de Cronos, Silva discorre: Cronos *u Chr*n*s era o no*e atr*buído ao "tempo dos ho*ens", ou s*ja, o tempo físico, cron*l*gi**, que segu* uma ordem com *nício e fim. Atual**nte, cronos utiliz**o *ara é definição do tempo cronológico e *ísico dent*o de um limite, o* seja, refere-se a *ia*, meses, anos, *egundos, *inuto*, horas, ca*e**ári*, rotina etc. (SILVA, 2*15, p. *). Percebemos que ** obra de Luft a questão do te*po e*** sempr* p*esente, pois acompa*hamos * const*ução do afeto durante todo o tempo de vida da personagem. Podemos inferi* *ue, no capítulo "O ja*d*m dos deuse*", essa passagem d* te*po f*ca *ítida nos tr*chos supr*citados. 4 *ONSIDERAÇ*ES FI*AIS Ao longo da n*rrativa de A casa inventada, Lya Luft constr*i u*a re*lexão profunda so*re a **ssi*ilidade de edi*icar * afeto por meio d* inter*ção com os mitos gregos, e**abel*cendo *m lar imag*nári* no qual *ada parte da casa repres**ta um s*ntimento ou emoção c*nstitu*nte d* ser hum*no. A trajetória da personagem e de *ua companheira Pandor* con*igur*-se como uma *emons*ração ao leitor de que *s sentimentos e e**çõe* **o Rev. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. 7, p. 121-140, *et. 2026 www4.Un*fsanet.com.*r/rev*sta Entre Afetos e M*tos em a C*sa Inventa*a, *e Ly* Luft *37 construídos ao *on*o da ex*stência e nem sempre s* aprese*tam de *or*a posi*iva, podendo hav*r *obran*as famil*ares, p*rdas de entes q*eridos e **nfl*tos internos que marc*m indelevelment* a subjeti**dade. * obra ev**enc*a qu* a casa, enqu**to metá*ora da ex**tênci*, não se **mita a um e*paço físico, m*s se confi*ura c**o uma constr*ç*o *imbó*ica * afetiva que abriga *emórias, desejos, m*dos e esperança*. Cada cômodo, da porta de espiar ao jardim dos d*u*es, corresponde a uma di*e*são da experiência humana, revelando *ue a f*r**ção *o *a* in*er*or *e dá de maneira gradua*, c*mp*exa e, *uitas vezes, contraditória. Os mitos gr*go*, nesse contexto, não funcionam apen*s como re**rências cult**ais orname*t*is, mas c*mo estrutu*as i*terpretati*as que pe*mite* *ersonagem (* ao lei*or) compr*ende* e à *omea* vivê*cias que, de *utra for**, perma*eceriam ind*stint*s. * interação entre ens*io, *omance, *oesia * mitos presen*e* na obra permite q** a p*r*onagem *ri*c*pal cons*rua, juntamente com o l*itor, sua própri* *i*tór**, e*vol*endo-o *a criaç** de um lar por meio do afet*, das emoções d*s v*vências dos personagens q*e e habita* a c*sa. Essa escr*ta *íbr*da, que b*rra as *ronteiras entre os gê*ero* lit*rários, *prox*ma-se da aut*ficç** refor*a o cará*er fra*ment*r*o da ident*da*e conte*porâne*. A e autora não apenas narra uma traje*ó*ia **d*vidua*, mas con*ida o leit*r a refletir sobre sua própria existênc*a, sobre os la*o* q*e co*struiu e s*bre as ca**s interiores que habitou ao lon*o da vida. N*ss* perspect*va, pode-se entende* qu* a *br* é uma homena*em * *i*a, às relações af*tivas, à ma*uridade e, *rincipalmente, à in*â*cia, vist* *ue é *essa fa*e que a *er*o**gem c*ncebe Pandora, mostrando **e su* imaginação é uma for*a *e a*eto, o qual * a fundação *e * ua casa. A figura de Pandor*, enquan*o duplo imaginário, representa não *penas *m a companheira, mas uma e*t*nsã* da própria prot*gonista, aquilo qu* ela proje*a para s* *esma para co*segu*r l*dar com as angús*ias, as incertezas e *s *ontra*ições da existência. A re*ação entre a* duas revela a com*l*x*dade do p**cesso de aut*conhecimento e a difi*uldade de se c*nfr*ntar co* os própr*os limite* e de*ejo*. A *resenç* do* mitos gre*os Pandora, Pe*élo*e, as Moiras, C*on*s e Nêmes*s, *on*ere narrat*va uma à dim*n*ão alegórica que amplia s*u alca*ce r*flex*vo. Cada mito opera como **a *have interpretativ* q*e i*um*na aspectos específ*cos *a experiência humana: a cu*i*sidade e a esper*n*a (Pand*ra), a espera e a repetição (Penélope), o de*tino e a *ini*ude (as Moiras), o tempo e a **s**ge* (Cronos), a justiça e a com**ixão (N*mesi*). Tal art*cula*ão en*re mi*o e existê*cia permite qu* a obra transcenda o plano i*d*vidual e dialogue c*m questões universa*s que at*avess*m cul*ur*s e época*. Re*. F*A, Teresina *I, v. *3, *. 9, art. 7, p. 12*-1*0, *et. 2026 www4.Unifsanet.com.br/r*vista *. *. Carvalh*, E. S. Almeida 138 O pr**e*so de cons**u*ão *a casa, assim, configura-*e c*mo u*a metáfora do *r**e*so de indivi**ação, no *u*l a personagem precis* confrontar-se com sua* so*br*s, seus tr*um*s e s*as mem*r*as para c*nseg*ir edificar um lar *nterior *ól*do. O porão, que *br*ga os se*redos e os *entime*tos rec*lca*os, representa justamen*e essa dim*nsão obscur* da psique que pre*isa ser *e**nhecid* e integrada p*** qu* a c*sa (e o sujeito) s* com*le*e. A doença e a morte da m*e, narradas com sensi*ilidade e prof*nd*dade, ilust*am como as per*as e as ausênc*as *ambém fazem pa*te *a const**ç*o do afeto e da formaçã* do lar in*eri*r. ** desfecho, quando a personagem *eci*e s*guir em fre*te sem Pandora, há um *esto de libertação * de aceitação da própri* finitude. A narrativa s*ge*e qu*, em determinado momento da e*istência, é preciso deixar pa*a trás certos sup**tes imaginário* **ra conseguir viver de forma mais plen* e autêntica. A personagem reconhece qu* não quer ser uma P*nélope cujo* di*s se *esumem a tece* a própria mortalha, n*m uma Pandora p**sa ao r*f**xo do espelho. **a *ue* *iver a vida em sua c*ncretude, com toda * s*a be*eza * d*r, com *oda a sua incerteza e *i*téri*. As*im, A *asa inven*ada aborda a *mportânci* da construção do af*to n* formação d* um lar, o *ual entendem*s com* c*da indivíduo, po* meio *a complexidade dos sentime*t*s humanos, mostran*o que é possível en*ontrar *eleza at* ***mo *as emo**es ne*ativas, *través da im*ginação e do olh*r p*r* si. A li*erat*r*, nesse s*ntido, c*m*re um a f*nção ess*nc*al: de * pe*mitir qu* o leito* se reconheç* nas históri** q*e lê, q*e encontre nas *al*v*as do* outro* *m eco para s*as própr*as *xperiências * q*e, a*r*vés des*e pro*es*o, possa co*preender mel**r * ** mesmo * ao mundo *u* **bita. Portanto, *ercebemos que A *asa inventada *alor*za a in*rospec*ão, a memór*a * a *efl*x*o sob** a existê*cia. * obra de Lya Luf* *ialoga co* outras narrativas que exploram a c*sa como metáfora do sujeito, ao m*s*o tempo em que se destaca *or **a originalid*d* e profundidade. A autora consegue articular elementos auto*iográficos, *e*lexões filo**ficas e *efer*n**as mitológicas, cr*ando um * narrativa q*e *, ao m*smo temp*, ín*ima e universal, p*rti*u**r * col****a. Nesse sentid*, A *asa inventada nã* apenas conta uma *is*ória, m*s *ropõe uma experi*ncia de leitu*a q** convida à reflexã* e à transform*ção interior. *EFERÊNCIAS BRA*DÃO, J. S. Mitologia *rega. 21. ed. Pet*ópol*s: *ozes, 2*09. BULFINC*, T. O livro de ouro da *itologia: hist**ia* de de*ses e heróis. 34. ed. *io de Janeiro: Ediouro, 2**6. Rev. FSA, *eresin*, v. 23, n. 9, a*t. 7, p. 121-140, set. 2026 www4.Un*fsanet.com.*r/r*vista Entre Afet*s e Mi*os em a Casa Inventada, de Ly* L*ft *** BULFIN*H, T. O l*vro da mitologia. Sã* Pa*lo: Martin Cl*r*t, 2012. CODO, W; GAZZOTTI, A. A. Tr*balho e af*ti**da*e. *n: Educação, cari*h* e t*a*alho. Petrópolis: Vozes, 1999. DUMITH, D. *. O mito de Pe*élope e s** retomada na *ite*atura *rasil*ira: Clarice Lispector e Né*ida Piñ*n. T*se (Doutorado em Let*as) Instituto de L*tras, Universidade Feder*l do Rio Grande do Sul, Porto Al*g*e, 2012. 268 p. FERREIR*, A. *. H. N*vo dic*onário da língua portugu*sa. Rio de Janeiro: No*a *ront*i*a, 1975. JESUS, Es*er Z. O pos*ível en*relaç*r *o eterno mito f*mi*i*o: Eva * Lilith em Pando*a. Sã* Paulo. Revis*a Anagr*m*, ano 3, ed*çã* 2, 2*10. JULIEN, N. *i*ionár*o *i*eel d* mito*ogia. T*aduç*o de Denise Rado*ovic *iei*a. São Pau*o: Ri*eel, 20*5. LUF*, L. A c**a inventad*. R*o de Janeiro: Record, 2017. *ENEZES, A. P. Par* *ensar o af*to. Revista *at*no-americana d* P*icop*tol*gia Fundament*l, São Paulo, *. X, *. 2, p. 231-*54, 2**7. Di*ponível em: http://www.psicop**ologiafu*d*me*tal.org/pagi*a-volume-10-n*me*o-*-*unhod*-2007-*77. Acesso em: 01 *ul 2026. NIETZSCHE, F. Obras in*ompleta*. Tradução de Rubens Rodrigues Tor*es F*lho. São Paulo: Abri* Cultu**l, 19**. PEREIRA, I. S. C. Os objetos que gua*dam: a *aixa de Pandora, Urashi*a *arô e a bol s * amar*la. *n: Anais d* I *ENINHA Pes*ui*as em *iter*t**a Fant**tica e em Letras, 2017, *ber*ândia. Curitiba: *niversidade Federal *e Uberlândia, 2017. p. *4-31. SILVA, A*essa*dro *eona*do Rodri*ues. Cr*nos * Kai*ós em Paul Til*ich. R**ista *and*ra Brasil, *. 69, 2**5. Disponível em: http://re*istapando*abr*sil.co*/rev*s*a_p*ndora/krono*_kairos_69/a*essan*ro.pdf. *cesso em: 01 j ul 2026. SI*VA, L. *; CASTRO, P. F. A manifestação *o i*cons*ie*te na mi*ologi* gre*a e **a relação com o processo pr*jetiv*. R*v*sta Educaçã*, Guarulhos, v. 10, n. 1, 20*5. Disponí*el em: http://r*vista*.*ng.br/i*dex.p*p/educac*o/a*ticle/vi*w/2065. *ce*** em: 10 j u* 2026. V*RNANT, Jean-P*erre. O universo, os deu*es, os h*mens. Rio de J*neiro: Compa*hia das Letras, 2000. Rev. FSA, Ter*sin* PI, v. 23, n. 9, art. 7, p. 12*-140, set. 202* www4.Unifs*net.com.br/rev*sta G. H. Carvalh*, E. S. Al*eida 140 *omo Referenciar este *rti*o, confor*e ABNT: CARVALHO, G. H; ALMEIDA, E. S. Entre Af*tos e Mitos em a Casa In**nt*da, *e Lya *uft. Rev. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. 7, p. *21-140, s*t. *026. Contri*uição dos Autores G. H. Carva*h* E. S. Almeida 1) concepção e planeja*ent*. X X 2) *nálise * interpret*ção dos *ados. * * 3) elaboração do ra*cunho o* na revisã* crítica d* c*nt**do. X X 4) p**ti*ipaç*o na apro*ação da versão final do *a*uscrit*. X X Rev. FSA, Teresina, *. 23, n. 9, art. 7, p. 121-140, set. 2026 www4.*ni*sanet.com.br/revista

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