Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.Unifsanet.*om.br/revista Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 9, art. 2, p. 27-51, *e*. 20*6 ISSN Impresso: *806-6356 I*SN Ele*rônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/20*6.23.9.2 Q*alidade de Vida no Trabalho em Al*o-*ar: Anális* de *rasil**ros no Setor de **uzeiros Int*rnacionais *uali*y *f Work Lif* at Sea: An Anal**is of *razilian *ork*rs in t*e *nterna*ional Cruise Indust*y E*uarda Alves Can** *acharel e* Administração *ela Unive*sidade Esta*ual do Oeste do Pa*an* E-mail: dudaalve*w@gmail.co* Ce*ília Leã* *derich *ou*ora em Admin*s**ação pel* Universidade Fe*e*al do Rio G*ande do Sul P*ofessor da Univer*ida*e Estadual do *est* do *aran* E-mail: cec*li*.o*erich@uni*est*.br Gabrielle R*beiro Rodrigues da Silva Douto*a em Administra*ã* p*l* Un*vers*dad* *ederal do Paraná *r*fess*ra da Unive*sidade T**n*lógica do Paraná E-mail: g*briel*e*@utfpr.edu.** E*der*ço: Eduar*a Alves Can** Editor-C*efe: Dr. T*nny Kerle* de Al*ncar Univ*rsidade *stadu*l do Oeste ** Paraná - Av. *odrigues Tarq*íni* J*slin dos Santos, 1300, *o*. Univer*itario **s Amér*cas, Foz do Iguaçu/PR, Br*sil. Ar**go recebido em 21/07/2026. Ú*tima ver*ão Endereço: Cecília Leão *deric* r*cebida em *3/08/2026. A*rov*d* em 1*/08/2026. Unive*sidade Estadual do Oe*te do Para*á - Av. *a*quíni* Joslin dos Santos, 13*0, Lot. Unive*si**rio das *valia*o pelo *i*tema *riple Review: Desk *evi*w a) Américas, Foz *o Iguaçu/PR, Brasi*. p**o E*itor-Chef*; e b) Double Bl*nd R*view Endere*o: Gabriell* Ribeiro Rodrigues da Silva (a*al*aç*o cega por dois avaliadores d* área). U*ive*sidade Tecnológica do Par*ná - Av. Sete d* Set*mbro, 3165, *ebouças, Curitiba/PR, Brasil Re*isão: Gram**ical, Normativa e de Formataçã* E. *. *an*l, C. L. Oder**h, G. R. *. Si*v* *8 RESUMO E*te tra*alho ana*isou a Quali*a*e de Vid* no Trabalho (QVT) de 203 tra*a*h*dores brasi*eiros no setor d* c**z*i**s internacio*ais em 13 companhi*s d*stin*as, utili*ando o ins*rument* QWLQ-bref. A pesquisa, de natureza quant**ativa e descrit*va, coletou os dados por me*o *e questi*nário onl*n* e*tre outubro e novembro de 2025. *s result*d*s revelaram uma perc*pção mo*e*ada de QVT, com o domínio ps*col*gico apres*nt*ndo a maior *édia e o fís*co/saúd* a *en**. A an*l*s* *e variâ*cia *d**tif*cou *i*eren*as si*nificativ*s **nforme *tatus *e traba**o, *om trabalh*dores ativos reportando *aior satisfação; idade, com maiores *e 44 anos apresentando QVT s*perior; empresa, destacando Royal *aribb*an e Disney Cruise com *elhores í*dic*s; seto*, c*m Adm*nistrativo superior a **ime*tos e Bebid*s; e tipo de col*borador, evidenciando Officers com QV* *ignificativamen*e maior que Staff e Cr*w. A int*ração entre tipo d* colaborador e carga horária r*velou q*e jo*nadas acima de 70 horas *emanai* impactam n*gativamen*e Sta*f e Cr*w, mas n*o Officers. As correlaç*es entre domínios m*st*aram que Físi*o/Saúde opera de form* independen*e dos demais, su*erindo limita*ões no instrumento **ra contexto d* trabalho emb*rcado. Conclui-se que a *V* nesta *o*ulação é influenciad* por fator*s hierárquicos, or*ani*a**onais e de exper*ência *rofissio*al. Reco*enda-se políticas de be*-es*a* dir*cionadas *os setores opera*io*ais e *rabalhador*s d* níve* Crew. Pal*vr*s-chave: Bem-Esta* *cupacio**l. Tripulantes *a*ítimos. Tra*alh* Em**rcado. QWLQ-Bref. S*t*sfação Profissional. ABS*RACT This st*dy analyzed t*e Qualit* of Work Lif* (QW*) of 2*3 Braz*lian workers *mploy*d in the internatio*al cr*is* ind*stry across *3 diffe*ent c*u*se companie*, u*in* t*e QWL*-bref inst*ument. Thi* quanti*ative and *escriptive study coll*cted data t*rough an *nl i ne questionnaire b**ween Octobe* and Nove*ber 2025. The results revealed a mode*ate percep*ion of **L, w*th the psychol*gical d***in pre*enting t*e highest mean sco*e and *h* physic*l/*ea*th d*main *h* lowest. Analysis of variance ide*tified signif**ant differences *ccording to *mpl*yment **a*us, with act*ve worker* reporting high*r s*tisfaction; age, with parti*ipa*ts over *4 years old p*esenting h**her QWL; *ompany, h*ghlig*ting Royal Caribbean and Disne* Cruis* *ine as havin* the hi*h*** Q*L *core*; d*partm*nt, with t he A*min*st**tive depar*ment outperforming Food and Be*er*ge; *nd employee category, showin* that Office*s reported significa*t*y h*ghe* QWL than St*ff *nd C*e* *embers. The int*r*ction between emplo*ee category and work*oa* r*vealed *hat *ork sched**es *x*eeding 70 h*u*s per week negativ*ly a*****ed Staf* and Crew members, but no* Officers. Correlations among the QWL d**ains indic**e* that th* Physica*/He*lth *o**in ope*a*ed inde**ndently fr*m the others, suggesti*g limitati**s o* t*e in*trument in the con*ext of shi*boar* work. It is co**luded that Q*L in this pop*lation is i*flu*nc*d *y h*erarchical, org**i*ational, and pr*f**sional *xper*enc*-relate* fact**s. *he finding* *uppor* *he implementation o* target*d w*ll-being p*licies aimed at *perationa* department* a*d C*ew-l*vel empl*yees. *eywords: Occu**t**nal Wel*-Being. Maritime Cr*w Memb*rs. S*ipboard Wo*k. QWLQ- *r*f. J** Sati*faction. Rev. FSA, Teres*na, v. *3, n. 9, art. 2, p. 27-51, *e*. 202* www4.**ifsanet.co*.br/rev**ta Qu**idade de *i*a n* T*abalho em Alto-Mar: An*lise de Brasilei**s *o Set*r d* Cru*ei*os Internac*on*is *9 1 INT*ODU*** A Qualid*de de Vida n* Tra*alho (QVT) é um conceito discutido na literatura *cadê*ica e tem ganhado crescente r*levância à medida que *s organizações recon*ecem o im*acto das condiçõe* de **abalho *o *em-est*r dos co*aborado*es * n* p*odut*vidade o*gan*z*cion*l. Segundo Chiave*ato (2020), a QVT e*tá di**tame**e *ela**onada à *a*isfaçã* dos trabalhador*s e *nvo*ve *ator*s c*mo ambiente físico, segurança, re*açõ** i*terpessoais e e*u*líbrio en**e vida profissio*al e pessoal. *ara o autor, a pro**ção da Q*T é *s*enci*l para a *et*n*ão de ta*entos e para a manu*enção d* *m clima **gani*acional sa*d*vel. No se*or de cruze*ros inter*ac*onais, ond* os colab*rado*e* p*rmanece* longos per*odos *fastados de suas famílias, o te*a assume um p*pe* ain*a ma*s crítico. *sses p*ofis*ionais lidam com jornadas extensa*, p*ucas folgas e *lta pressão para *anter * *adrã* de excelência n* ate*dimen** ao cliente. Para os *ras*leiros **e atuam ness* mercado, so*am-se ainda des*f*os específi*os, c*m* *arreira* linguísticas, ada*tação a dif*rent*s c*ltu*as e estilos d* ges**o, ge*ando uma ambigu*dade en*re a o*ortun*d**e de crescimento e os severos desafios de be*-estar imp*stos pel* ambi*nte de con*i*ame*to e rotin* ininte*ru*ta em **to-m*r (OLIVEIRA-M*NTEI*O, 2**8). Apes*r *a relevân*ia *ocial dessa população, a literatura científi** b*asileira *a*ece d* estudos empíricos *ue avaliem a Q*T nes*e *ont**t* específico. Iss* *co*re porque * *e*me*t* de cruze*ros *r*que*teme*te é asso*iado a *ma narrativa de glamo*r e aventura, qu* pode pre*udicar a perc*pção da re*lidade c*mplexa. **alidade essa qu* con*rasta com o *egime de longas j*rnadas, isol*mento **cial e a rigorosa estrutura hierárquica que definem o a**ient* de t*aba*ho em alto-mar, exigindo uma an*lise a*rofundada sobre a QVT a bordo. Desta f*rma, *st* est*do t*m como ob*etivo geral anal**ar os ***ores qu* influenciam * *ua*idade de Vid* no Trabalho *os brasileiros *o setor de cruze*ros intern*cion*is, respondend* a seguint* que*tão: Qual a pe*cepção da Q*T de trabalhado*es brasi*eir*s no setor de cruzeir*s inter*ac**na*s? Esta p*sq*isa explorat*rio-*escritiva se basei* *m uma abordagem quan*it*tiva por meio da aplicaç*o de um *uestion*ri* a esses profis*io*ais, utilizando análise cruzada *os dad*s pa*a *dent**icar c*r*el*ções releva**es. Rev. FSA, Teresina PI, *. 23, *. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 w*w*.Unifsanet.com.br/revi**a *. A. *anal, C. L. Od**ich, G. R. *. Silva 30 2 REFE*EN*IAL TEÓR*CO 2.1 Quali*ade d* Vida no Trabalho (QVT) e Suas Relações no Setor A qualidad* de *ida (Q*) é a per*e*ção que u* in*ivíduo tem sobre s*a posiç** dentro da socied*d*, consi*erando o cont*xto cultur*l, dos s*stemas d* valores, seus obje*ivo*, e*pe*tativas e pa*r*es (WHOQO*, 1994). Nesse sentido, Pa*va (2023), define qualidad* de *ida *om* o bem-estar *m todas as *reas *a existência, abrange*do a*pectos físicos, men*ai*, sociais, e*pi*ituais e de saúde, relacion*dos às *ecessidades essenciais do indiví*uo. A avaliação *a *ua*idade de vida é na*ur*lmente va*iá*el, pois está at*elad* *s **tivações, necessidades e ex*ectativas de ca*a pessoa, tornando-se, assim, um co*ce*to dinâm*co, como destaca Carneiro (2018). Al*m disso, * aut*ra enfa**za q*e a perce*ç*o indiv*du*l da *ualidade d* vida es*á *or*eme*te ligada às expe*iências labora*s, já que o trabalho exerce u* p*pel *mporta*te q*e inf*uencia d*retamen*e *eu bem-estar. Dessa forma, há uma re*aç*o *ecí*roca entre qual*dade de vida e *ua*i*ad* de v*da n* *ra*alho (QVT). U*a ve* que a maior parte da *ida adulta é dedicada ao **abalho, a q*alidade das co*diç*** laborai* de*ermina boa parte do *em-esta* do indivíd*o. A Q*ali*ad* de Vida *o Tra*alho refere-se a um *onjunto de práticas * condiç*es que *isam promover o bem-es*ar dos trabalhadores, consid*rando fat*res físicos, socia*s e psicológi*os n* amb*ent* organizac**nal. Além disso, * QVT busca proporcionar *oas condiç**s la*orais, me*horando a s*ti*fação e * engaja*ento dos colaborado*es e incentivan*o o equ*l**ri* ent*e vid* *rofissional e pe*soa*. *mbora existam diversas abordagens s*bre o conceito de QV*, todas conve*gem para a i*eia de que ele *e*e impacta* posi**vamen*e * exper*ência profissional dos *n*i****os, pr*movendo seu bem-est*r (CARNE*RO, *018). Essa convergên*ia en*r* diversos aspectos teóri*os *videnci* a i**ort*ncia de uma estratégia d* QVT n*o *penas para funcionár*os, mas *ara o*ganizações *o*o u* *odo. D* pon*o de vista da responsabilidade social, * QVT d*ve atuar na cr*ação d* condições que **vo*eçam o desenvo*vimento integr*l dos trabalhadores, cultiv*ndo u** cultura organizacional em q*e *les *e sint*m valorizados. Essa pers*ectiva se *aseia na aplicação ** chamada "fi*osofia humanista", proposta por Ferna*des e Gutierrez (1988), que de*ende a melhoria das cond*ções de trabalho e o inc*ntivo *o desenvolvi*e*t* **s pr*fis*ionais. R*v. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 www4.Unif*an*t.com.br/revista Qualid*de *e Vida no Trabalho em Alto-Mar: **álise d* ***s*leiro* n* Set*r de Cruzeiro* *nternaci*nais 31 *ara Con*e (2*03), a Qualidade *e Vida no Trabalho pode s*r vist* co*o um programa que *usca ate*d*r às ne*essidades dos t*abalhadores no desempenho de suas fu*ções *entr* da org*niz*ção. Na visão *o autor, o *bj*tivo da QVT é harmoni*ar os interesses dos cola*ora**res e das emp*esa*, de mo*o q*e * s*tis*a*ão do trabalh*dor contribu* *ambém *ara * *umento da pr*dutivida*e. Essa sintonia *ntre be*-estar *ndividual e produtividade *r**nizacion*l é crí*ica em am*ient*s *e trabalho especializados, c*mo ***rre no setor marítim*. Em um ambiente confi*a*o de um na*io, essa *mport*n**a s* acentua: *em a pos*ibilidade de *air e "***jar a ca*eça", a pressão psico*ógica e o *esgaste físico *endem * c**scer, impactando * saúde * o *esempenho prof*ssiona* (ALLIS; TEB*RGA DE PAULA, 2020; C*STRO, 2012). Estudos apontam q*e, ao comprometer a QVT com es*resse, isolamen*o e fadi*a, ocorr* uma *aior incidênc*a de e*r*s ocupac*onais, acidentes e abs*n*eísmo, i*pact*nd* na segurança a bo*do e nos resultados *o cruz*iro (LOPE*, 20*0). Sem contar que falta d* sono e o d*sgas*e *ísico re*ulare* a co*aboram com aumento o da *n*fi*iência na* ativ*dades (*ALAZINE, 2024). Do ponto de v*st* emocional, o *s*lame*to e o co*ví*io d*ário em espaços red*zidos favorecem q*adros de ansie*ade, depressão e b*rnout, impacta*d* as relações int*rpessoais e * dis*osição dos *ripu**ntes. Com isso, programas d* bem-estar e *romoç** da sa*de psicológic* desses trabal*adores são essenciais para mitig*r os impactos e m*nter uma motivação saudável (NETTO; PACHECO; LO**ANN, **10). As condições ambien*ai* *spec*ficas de um navio, como altos níveis de ruídos, iluminação inadequada * va*i*çõe* de temperatur*, e*ercem rep*rcu*são direta no desgaste físico e me*tal dos funcionários. O ruído d*ário d*s *á*uinas e dos *qu*pamentos pode caus*r fadiga aud**iva e int*n*ificar o es*ress*, *rejudicando a conce*t*ação e elevando o risco de *cid*ntes. Além disso, uma ilumin*ção i*sufici*nte ou e*cessiva colabora para a fadiga ocular e a desregulação do ciclo circa*iano, o que dificult* o confo*to *érmic* e **me*ta o *esgaste corporal, comprometendo * dese*penho e a sa*de a *on*o *razo (ALLIS; TEBERGA DE PAULA, 2*20; B*E*A e* al., 20**). O s*no de qualida*e e os **ríodos *dequado* de *escan*o são importantes para * p**servação da saúd* fís*ca e mental, *ssim como garantem a segu*an*a o*eracional a bordo. A pri*ação ou fr*gmentação *o sono está ligada a déficits co*niti*os, len*idã* na tomada de d**isões e q*eda *os reflexos, au*entando assim a *robabilidad* de erro* em taref** críticas. *lém disso, a falta de d*scan*o a*e*uado *on*ribui para o desen*olvime**o de d*enças R**. FSA, Teresina PI, *. 23, *. 9, ar*. 2, p. *7-51, s*t. 20*6 ww*4.Unifsan*t.co*.br/revista E. A. C*nal, *. L. Oderich, G. R. R. S*lv* 32 crônicas e co*dições ps*cológicas ad*e*sas, afetando a *apacidade de traba*ho e a m*tivação dos tra*alhadores (BARROS, 20**; PALAZI*E, 202*). *m navios e p*ataf*rma* offsh*re, há polít*cas *nst*tucionais voltadas * p*omo*ão d* *em-es*ar, *omo *ferta de co*sul*as psi**lógic*s, espaços de *tivid*des f*s**as e horários de d***anso *brigatór**s, contribu*ndo para a diminuiç*o de ac*de*t*s, absen*e**mo e maior *etenção d* talentos (B*ENA et al., 2011). Estudos prátic*s indi*am que mel**rar a c*mu*icação interna e a i*frae*trut*ra dos navios *es*lta em uma maior sa*isfação dos tripu**ntes, influenciand* diretam*nte no* níveis al*os de produtivi*ade e segurança **eracional (ALL*S; TEB*R** DE P*U*A, **20). D*ssa ***ma, promover uma Q*T em navios de cruzeiros **o é apenas uma qu*stão legal ou *oral, mas u*a estra*égia que gar*nte o equilíbrio saudáve* entre a vida p**fissional e o bem-estar * bordo, especialmente nas *unç**s de alt* pressão (BAENA et al., 2*11). Assim, não é apenas uma *esponsabilida*e in*ividua*, mas institucio*a*. *.3 Trabalho e* Cruzeiros Internaci*nais Para o ser humano, o trabalho é primordial par* r*alização e exis*ência social (**R*, 19*5; 199*). *ontudo, a natureza e as *on*ições de trabalho assumem *ma es*ecificidad* diante *e *ontextos diferentes. Na indús*ri* de cruzeiros *nt*r*acionais, * trabalho tem **spert**o *rande intere*se. O setor de cruzeiros ma*í*imo* no Bra**l tem apresentado crescimento *ign*ficat*vo, es*ecial**n*e durante a alta temporada, contribuin*o *ara a gera*ão dir*t* e indire*a *e emprego* em diversas *reas econ*micas e se*ores correlatos. Segu*do d**** da CLIA B*asil em parce*ra c*m F*ndação Getúlio Varga* (FGV), te**orada 2024/2025 gerou 84.600 a * postos de trabalho, sendo *.*17 trip*lantes **a*i*eiros contra*ados dir*tamen*e *el*s *ompanhi** marítimas (CLIA *RA*IL; FVG, 20*5). Este movimento reforça a im*ort*ncia e*o*ôm*ca do segmento pa*a * região e de*taca a relevâ**ia soci*l da ativ***de turística *a**tim* (*RIT*, 2020). A divulgaçã* da* vagas nas re*es sociais é at*ativa, oferecendo a possib**idade d* s*lár*os *ltos, como de viajar pelo mund* e conhecer culturas diferentes, * q*e motiva c*ndidatos (B*LMONTE, 2018; CO*PORTO, 2015). N* *niverso de um na*io cruzeiro, o dia * di* dos t*ipulantes foge da rotina conh*c*da de escritório, não existem dias da se*ana, ap*nas locais que *e **contram, e há ap*na* turno* *e*uidos de t*rnos. Pes*uisas foca*as no co**ina*e*to em cruzeir*s de*on*tram que os trabalh**ores realizam um c*ntrato de 6 a 12 me*es, vivendo, tr*balhan*o e *escansando *o Rev. *SA, Teresina, v. 23, n. *, ar*. 2, p. 27-51, set. 2026 www4.Unifsan*t.com.br/*evista Qualidade de Vida no Trabalho em Alto-M*r: A*ál*se de Brasileiros no Setor de Cruzeiros Int*rnacionai* 33 mesm* *ocal (ALVAREZ; FIGUEIREDO; R*TE*BERG, 2010; ALLI*; T*BERG* DE *AULA, 2020). * jornad* diária de tra*a*ho costum* *aria* de 10 a 12 ho*as, acima do *o*ário p*drã* da Consolidação *as Leis do T*abalho (CLT) d* 8 ho*as. O trabalho no navio não para, está acont*cen*o 24 horas por dia, 7 dias por semana. Fazendo co* que o horá*i* semanal *o*sa chega* 70 horas (NASC*MENTO; MEDE**OS, a 2023; *I*EIRO, *011). Embora es*e limite de 70 *oras sem*nais se aproxima do teto leg*l imposto pela Con*enç*o n* Trabalho Marítimo (C*M/MLC, 20*6) - q*e e*ta*elece um máximo de 72 horas tr*b*lh*das por s*mana e um mínimo de 10 ho*as d* des*a*so em 24 horas, * si*ples cum*riment* *esses mí*i*os é, na práti*a, um fator de exaustão. **tudos refer*nte a longas jo*nadas, *or e*emplo o regime 12x36, mostr*m *ue lon*as h*ras de trabalh* est*o ligados com *aior f**iga, *u*** de co*cen*r*ção, e *aior risco de acid*ntes (A*ELINO, 2019). Além da natureza do serviço em cru*eiro* qu* exige flexibil*dade ho*ária co*sta*te *ara atender a situaç*es imp*evistas, eventos especiais ou emergênc*as, fazendo com que os tripulant*s fre**entemente trabalhem além de su*s jornadas regulares (NETTO; PACHECO; LOHMANN, 2010). O l*cal de moradia * bordo *em u* pape* *en*ral **ntro da p*rcepção d* conforto e bem-estar do trabalhador. As cabines utilizada* pelos tripul**tes g*ralmente são c*mpartilhadas, tendo um espaço ind*vidua* *e m2. Esse fo*mato *iminu* * espa*o 5 de privacidade, p*dendo gerar d*sconforto. O pior, no entanto, sã* ** conflitos i**erpessoais e os ruídos vin*o* dos si*temas fu*ci*nais do navio, como o casc* ou o ar-condicionado (ALVAREZ; FIGU*IREDO; ROT*NBER*, *010; ALLIS; TEBER*A DE PAULA, 2020). Além disso, o isola*ento acúst*co limitado compro*ete a qualidade *o s**o, aumentando o* níveis de estresse ao *ongo d* perí*do de e*barque (RIBEIRO, 2011). A al*m*ntação oferecida aos *ripulantes segue cronograma* rí*idos que pod*m não co*ncidir com os turnos *e t**balho, por *on*a do foco no *tendi*ento ao público. Essas refe*ç*es *ão ser*id*s em refeitó*ios coletivos, pod**do h*v*r variedad* res*rita de prat*s e de qualidade nutri*ion*l. Estudos apo*tam qu* a *mpossibilidade de aj*sta* horários de alimentação à dis*onib*li*ade indi*idual e a fal*a de opções sau*áv*is a*ravam a sen*aç*o *e fad*ga e prejudicam o desempenho *ab*ral (*ETTO; *A*HECO; LO*MANN, 2010). Ju*tas, as con*ições de *o*adia e alim**tação estão co*ectadas diretamen*e com a QVT. U*a ve* *ue a limitação de espaço e *rivacid**e, somada à *f*rt* alimen*a* dis*onível, contrib*i para o cansaço mental e físico dos tra*alh*dores, podendo intensi***ar p*ra um *ev. FSA, Teresina *I, *. 23, *. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 www4.Unifsanet.com.br/rev*s*a E. A. Canal, C. L. Oderich, G. R. R. Sil*a 34 cansaço *rôni*o, o q*e reduz a motivação e impa*ta nos *elac*onament*s inte*pessoais s*udá**is du*ante o c*n*ra*o (*ASTRO, *012). O *agam*nto dos tripulantes de **uzeir*s *nternaciona*s é um pon*o que combin* atração fi*anceira e desafios contra*uais. Os *ont*atos de t*abalh* sã* definido* por prazo deter*inado e incluem remun*raçõ*s fixas *ensais, junto de *orjetas gratificações p*r e dese**enho (*OPE*, 2020). Além do salá**o-base, boa parte dos navios util*za as p*l*ticas de pooling de gorj**as, reunindo a* gorjetas dos passageiros e distribuindo-a* entre a equ**e. Embora essa p*át**a aumente a renda *otal, o montant* f*na* se**re *epen*erá *a qu*ntidad* de pa**ageiros e *o *om*ortamento dos *ós*ede* (NETTO; PACHEC*; LOHMANN, 2010). Como benefí*ios indiret*s, estã* inclusos a a*o*odação, * alimentação, o ate*d*mento médico e a segu*a*ça de vi*gem, sem cu*to adicio*al ao **aba*ha*or. N* e**anto, a necessidad* de estar no navio p*ra usufruir d*s benef*cios limit* * acesso para tratar assunt*s pes*oais *m folg*s e fe*iados em terra (LOPE*, 2*20). Por fim, o de**aque da rem*ne*ação é o fato d* ser *a*a em **edas f*rtes, como o dólar americano ou eu*o, o que repres*nta um* v*n*agem em relação * var**çã* do real. Isso faz com que os tripul*ntes tenham uma m*ior estabilida** finan*eira durant* o c*ntrato, uma vez *ue se*s ganho* são superiores q*an*o convertidos *o rea* (*ETT*; PACHECO; *OHMANN, 20*0). 3 PR**EDI*ENTOS METODOLÓ*ICOS Esta pesq**sa caracte*iza-se como um estudo descriti*o de na*ur*za qu*ntitativa,
*eli*eado por mei* de um levant*mento tipo survey. * populaç*o alvo *om**eendeu trabalha*or** bras*leiros embarc**os e recém des*igados de cruzeiros i*terna*ionais. A *mostra, de ca*áter não p*obabilís*ico, foi cons*ituí*a p*r 203 *artici*ant** ori*n*os *e 13 empre*as e *emporadas di*erentes de trabalho. Para a coleta dos dad*s pri*ários, utilizou-se a escala QWL*-bre*, **strumento va*idado e amplamente reconhecido na literatura científica p*ra avaliaçã* da qu*lida*e *e v* da no trabalho. * questioná*io con**m 20 qu*stões *istr*buídas em quatro domínios: *ísic*/Saúde (4 i**ns) - aborda saúde, doenç*s ocu*acionais e *áb*tos dos colaboradore*; Psicológico (* ite*s) - rel*cionado satisfaç*o *essoal, motivação e au*oest*ma; Pessoal (4 * itens) - enfoca **mília, crenças religiosas * *ato*es cultura*s; Pr*fission*l (9 itens) - vo*tado para aspe*t*s organ*za*ionais (CHEREM*TA e* al., *0*1). A *scala de re*postas va*ia *e 1 a * ponto*. Pa*a *nterpretação dos escores, adotou-se a *eg**nte *l*ssificação: 0-22,5 (*uito Rev. F*A, Teres*na, v. 23, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 www4.Unifsanet.c*m.br/revista
Qualid*de de Vida no Traba*ho em Alto-M*r: *nál*s* de Brasileiros ** Set*r d* Cru*eiros Intern*cio*ais 35 i**atisfa**r*o); 22,5-45 (insatisfatório); 45-55 (neutro); 55-77,5 (satisfató**o); >77,5 (muito *atis*atório) (*HEREMETA et al., *011). O ques*io*ári* *oi autoa*licável * *isponibilizado online via p*ataforma Google F*rms, possibilitando *aio* a*rangênc*a da população dispersa em dif**e*tes em*resa* * temporad*s. A co*eta ocorreu ent** *2 d* outubr* e 1* de nov*mbro de 2025, co* divu**ação do l*nk por meio de r*des **cia*s (*hat*App, Facebook, Instagram, LinkedIn); *ont*do, * al*ance da **s**i*a deu-se principa*mente por meio de *e***t*m*nto de r*sponde*tes. Além da divulga*ão espontâne*, em*regou-se a técnica de amostragem *m cadeia do tipo "bola *e neve", na qual in*c*al*ente foram co*tatados trabalha*ores que atu*vam ou *aviam atu**o em cruzeiros *n*erna*ion*is, e esses p**t*cipantes fo*am convida*os a *n*ic*r outros p**fissio*ais com o *es*o perfil, para *s quais o *ues*ion*rio tamb*m foi enviado. Foi utiliza*o o plano pr*mium do Linke*In, *ue perm*tiu conexões d*retas *om pro*is*io*ais do *etor, inc**indo ges*ores e coord*nadores de diferentes á*ea*, que cont*ibuír*m como *esp*ndentes e *ivu*gadores da *esq*isa. E*s* est*a**gi* most*o*-*e fu*damental **ra *tingir trabalhador*s *e divers** empre*as, fai**s etárias, setores e n*veis hierá*quicos. O Te*mo de Consentim*nto **vre e Esclarecido (TCLE) foi apresent*do ** introdução do f*rmulá*io, garan*indo anonim*to, voluntariedade e conf**e*cialidad* dos dados (SOU*A; ALMEIDA, 2024). *s dado* foram analisados me*iante o *o*twa*e estatístico JASP 0.95.3. *nic*alme*te, reali*ou-se *nál*se de*critiva com cálc*lo de medidas d* tend*ncia central (*é*ia) e *e dispersão (d*sv*o-padrão) para as *ariáv**s **ciodemográficas e *scores do QWLQ-bre*. Post*rior*ente, foi realizada a cl*ssif*cação conforme critér*os de Cheremeta e* a*. (2020). Para a*áli*e infe*enc*al, aplic*u-se a Anál*se de Variância (AN*VA) a fim de verificar dif*renç*s significativa* nos níveis de QVT ent*e grupos esp*c*ficos (i*ade, g*nero, emp*esa, te*po de experiê*cia, con*rato, set*r de atuação e carg* horá*ia), con*orme objetivos e*pecíficos da p**quisa (TABACHNICK; *IDELL, 2007). Como forma d* asse*ura* qualidade textual e o rigor acadêmico deste trabalho, utilizou-se *ntelig*ncia art*f*cial (IA), especificament* Ge*ini e Pe*plexit*, como f*r*amenta **xiliar na rev*são ortog*á*ica, gram*tical e de conf*rmidade com as normas d* *ss*ci*ção Brasileir* *e Normas Técni*as (ABNT). * imp*rtante *essaltar que a utilizaçã* foi *estr*t* na re*i*ão *extual, não send* aplicada na geração de co**eú*o, interpr*tação *e da*os ou elaboraç*o de an*lise. De*e-se *efor*ar, também, qu* a u*ilização *a I* é um apoi* e que não *ubsti*uiu * revisão hum*na, s*ndo e*t* a forma principal de confirmaç*o, validação e correçã* de d*dos e conteúdo. *ev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 9, ar*. 2, p. *7-51, set. 2026 www4.Unif*anet.com.br/revista *. A. Canal, C. L. Oderich, *. R. *. Silva 36 4 APR*SE*TAÇÃO E ANÁLI*E D* RESULTADOS C*m* ap*ese*t**o n* tópico *nter*or a amostra desta pesquisa fo* co*posta por *03 *rabalhadores bras***i**s que *t*am ou pa*ar*m de at*ar em *ruzeiros int**na*io**is, *ão havendo pe*das d*ra*te a co*eta de dados. A caract*rização s*ciodemográfi*a e ocupacional do* partici*ant*s, ap*esentados na tabela 1, tem como foco con*extualizar os resultados encon*rado* e *ompreender * perfil *os tra*alha*ores brasi**iros que atuam nos cru*eiros interna*ionais. N* amostra deste trab*lho, são evidenciadas inform*ções rel*v*n*es sobre se*o, fa*xa et*ria, status p*ofission*l, *xperiência contr*tual, setores *e atua*ão e jornadas de *rabal*o a *o*do. *sse* *a**s fornecem supo*te para a interp*etação *os resul*a**s relativos à qualidade d* vida no trabalho, possib*litan*o a*álises comparativas e a identificação de padrões especí*i*os desse c*nte*to l*boral. *a*el* 1 - Carac*erização sociodemográ*ica * ocup**ional da am*stra *ari*vel *ategoria nº % Se*o Feminino 111 5 4 .6 8 *a*culino 92 4 5 .3 2 Idade 18-26 39 * 9 .2 1 27-35 94 4 * .3 1 36-44 5* 2 * .* 2 Maio*es 44 *9 9 .3 6 Status Atual T*abal**ndo Entr* **ntratos Des*iga*o Contrato 1* 2º 3º 4º 5º ou mais Em*resa Carnival Cruise Lin* Celebrity Cruise L*n* Costa Crociere Disney Cr*ise Line MSC Cru*se No*weg*an Crui*e Line Princess *ruise Line Royal Caribbea* *r*i*e* Virgin Voya*es Ou***s Tip* Officer *t af f 79 *2 42 13 *1 36 3* 103 1* 6 *4 28 *3 26 * 30 12 10 44 98 3 8 .9 2 4 0 .3 9 2 0 .6 9 6 .4 1 0 .3 4 1 * .* 3 1 4 .7 8 5 0 .7 4 4 .9 2 .9 4 1 1 .7 6 1 3 .7 * * 5 .9 8 1 2 .7 5 2 .4 5 1 4 .7 1 5 .8 8 4 .9 2 1 .6 7 4 8 .2 8
Rev. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. *, p. *7-51, *et. 2026 www4.Unifsanet.com.br/r*vista
Quali*ade d* Vida n* Tr**alho em *lto-Mar: A*áli*e de *rasileiro* no *etor de Cruzei**s Internaciona*s 37 Crew 61 3 0 .0 5 Setor Administr*tivo 29 1 4 .* 9 Alimentos e bebidas 5* 2 5 .1 4 *n***tenimento e ativid*des 49 2 4 .* 4 Hotela*ia e acomo*aç*o 29 1 4 .2 9 *ervi*os ao Cliente 29 * 4 .2 9 Outros 4 1 .9 4 Carga ho*ária M*nos de 5* ho*as *emana*s 16 7 .* 8 56 ho*as semanais 48 2 3 .* 5 70h horas *e*anais 89 4 3 .8 4 Mais d* *0 horas semanais 50 2 4 .6 3 Nota: Empresa* *ue t*veram meno* de * *espondentes *oram a g * * p a d os e m " ou t r os " - H o l l a nd A m * r * * a , M y s t i c C * u i s e s , S c e * i c Luxury C*u*se, Seabourn Cruise Line e Windstar Cru*ses. Fonte: E l a b o r a d o p e l a * a ut o * a s ( 2 0 2 6 ) . C*** apre*entado na tabela 1, a amostra f*i comp*sta em boa parte por mulheres sendo 5*,68% dos respondentes, c*m homens **presentando 45,32%. Em *elação a fa*xa *tária, houve predominância entre 27 e 3* a**s corres*ondend* 4*,*1% do* responden*es, se*uidos pela faixa de 36 a 44 ano* de 25,12%, 1* a 2* *no* de 19,2*% e maiores de 44 anos (9,36%). Quant* ao status a**al *e trabal*o, 40,39% dos resp*ndent*s d*clararam *s*ar "entre c*n*r*tos", 38,92% en*ontravam-se "trabalhan**" ati*amente e 20,69% relataram *er *e "desligad*", * p*rti* *e *025, d* ati*idade. * m*ioria dos participant*s apresent*u ex*e*iência si*nifi*ativa na áre*, com 50,74% t*ndo realiza*o c*nco ou mais contratos, enqua*to apena* *,40% estavam no p*i*eiro contrato. Em relaç*o ao tipo ** colaborador, a c*tegoria Staff representou 48,28% da *mostra, se*uida p** Crew com *0,05% e Of*icer *o* *1,67%. A distribuiç*o por *arg* hor*ria semanal *e*e*ou que a maioria dos *rabal**d*res cumpre jornada de 70 horas semanais (43,84%), sendo q*e 24,63% trab*lha* mais de 70 horas *e*ana**, 23,*5% *umpre* 56 horas semanais e apenas *,88% trabalham menos de 56 horas s*manai*. Referent* à **n*ia*i*i*ade interna do instrume**o QW*Q-bref * avaliaç*o foi feita *tiliza*do os c*eficientes Al*ha de Cronbach () e Omega de M*Donald (), *alcul*dos para todos os d*mínios e para *VT glo*a*. Os res*lta*** estão apresen*ados na tabe*a 2. Rev. FSA, T*resina PI, v. 23, n. 9, art. 2, *. 27-51, set. *026 www4.*nifsanet.com.br/re*ista E. A. Canal, C. L. Oderich, *. R. R. S*lva 38 Tabela * - Esta*ísticas d* co*fi*bi*idade da pesquisa Coeficie*te Erro *adrão 95% I C * Físico/*aúde 0 .1 1 8 0 .9 * 6 0 .0 4 8 0 .2 2 1 0.*24-0.211 0.523-1.389 Psico*ógico 0 .3 4 6 0 .1 6 6 * .0 7 0 0 .* 7 1 0.209-0.48* 0.170-0.502 Pes*oal 0 .8 * 2 0 .8 5 * 0 .0 1 5 0 .0 2 0 0.**3-0.901 *.815-0.893 Pr*fission*l 0 .* * 6 0 .9 3 3 0 .* 0 7 0 .0 0 7 0.*22-0.949 0.9*0-0.947 QVT 0 .9 2 4 0 .* * 8 0 .0 0 8 0 .0 0 8 0.908-0.939 *.*73-0.903 Nota: = Ômega de McDonald; = A*pha d* Cronba*h. Valore* 0,70 co*si**rados *ceitáveis; 0,*0 *on*; 0,** excelentes. Itens com *or*elação n*gativa: Q*, Q4, Q5 (glob*l); Q2, Q3 (fís*co); Q5 (psicológico). Fonte: Elaborado pelas a*toras (20**). Os valores obtido* pa*a os domíni*s pessoa* (=0,854; =0,*72) e p*ofissional (=0,93*; =0,9**) indi*am a*ta *onsi**ência interna e confi**ilidade estatística, c*nforme a l*tera**ra ps*cométr**a (CH*REMETA, 2011). A escala globa* *endo o =0,888 e o =0,9*4, ta*bém *pre*enta índices elevados. Evidenciado *ue os itens **aliam com co*rênci* * co*st***o de qualid*de d* vida no trabalho. Co*t*do, o domínio físico/s**de c*m um A**ha ext*emamen*e *aixo (0,118), mesmo com um Ômega **mer*camente alto (0,956), tem um intervalo ** co*fi*nça mu*to am*l* in**cando uma *ns*abi*idade *a e*timativa * f*lta de *reci*ão. Assim como, o **m í ni o psi*ológico qu* ambos os co*ficientes fo*am baix*s (=0,166; =0,346) in*ic*ndo *nconsistência na esca*a. As questõe* *, 3 e 5 mostraram ***relações negativa* a este mo*elo. Essa limit**ão psicom*t*i*a *ode ser *x*licada *e*as par*icul*ridades da amostr* ou a** mesmo *e uma necessi*ade de revisão das questões ap*icadas no contexto de tr*ba*ho em cruzeiros. Foca*do na QVT, * *vali**o foi realiza*a pela méd*a no* quatro *omínios do in*tru*ento - **s*co/saúde, *sic*lógi*o, pessoal e pro*issional -, assim como da avali*ção *loba* da QVT. O* resultados pod*m ser visu*lizad*s na Tabela *. Tabela 3 - Es**tí*t*ca de*critiva d*s *omí*ios e *a QVT dos *e*ponde*tes *ísico/Saúde Psicológi*a Pessoa* Profissional QVT V*lidos 203 *0* 203 203 203 Ausen**s 0 0 * 0 0 M*dia 3 .1 1 3 3 .5 * 4 3 .4 * 1 3 .3 5 6 * .3 5 2 Desv. Padrão 0 .* 2 7 0 .4 8 9 0 .8 6 5 0 .8 3 4 0 .5 0 3 Variânci* 0 .1 8 2 0 .2 4 0 0 .7 4 8 0 .6 9 * 0 .2 5 3 Assimetria 0 .1 2 6 -0.217 -0.123 -0.328 -0.627 Erro pad*ão da * .1 7 1 0 .1 7 * 0 .1 7 1 0 .1 7 1 0 .1 7 * As*imetria Rev. FSA, Ter*sina, v. *3, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 **w4.Un*fsanet.com.br/re*ista Qualidad* d* Vida no *rabalho em Alto-Ma*: Aná*ise de Brasileiro* no Seto* de Cruzeiros Internacionais 39 Ta*ela 3 - Estatís***a descrit*va d*s domínios e *a QVT dos respondent*s **sico/Sa*de Psi**lógica P*ssoal Pro*issi**al Q*T Curtose * .5 8 * * .1 2 6 -0.924 -0.963 -0.757 Err* padr*o da 0 .3 4 0 0 .3 4 0 0 .3 4 0 0 .3 4 * 0 .3 4 0 Cur*ose Tes*e de * .9 6 3 0 .9 5 3 0 .9 6 3 0 .9 5 2 0 .9 * * Sh*piro-Wilk P-value do < .0 0 1 < .0 0 1 < .0 0 1 < .0 0 1 < .0 0 1 Shapiro-Wilk M í ni m o 2 .0 0 0 2 .0 * 0 1 .5 0 0 1 .4 4 0 2 .0 9 * Máximo 4 .5 0 0 4 .6 7 0 5 .0 0 0 4 .* 7 0 4 .3 1 0 Fon*e: Elaborado pel*s au*or*s (2026). A anál*se dos domínios do instrumento QWLQ-bref revel*u uma percepção geral moderada de q**lidade de vida ** tra**lh* entre o* participantes, c*m e*core **ta* médio (M) de 3,*52 com o d**vio p*drã* (D*) d* 0,50* em *ma esc*la *e * a 5 pon*os. Este resultado corrobora os ac*ados de Oliv*ira-Mon*eiro (2018), qu* identifi*ou uma dualidade entres quei*as * benefícios re*ata*os p*r *ri**lantes b*as*leiros, em*ora rec*nheçam a*pectos posit*vos como *alário, o*o*tunidades de *iagem e sociali*ação, o* *rabalhado*es tamb*m encontram dificuldades *e*a*ionada* ao confin*mento, jornadas exa**ti*as e di*ta*c*amento familiar. * do*ínio p**coló*ic* aprese*tou a maior m*dia **tre todos os domín*os avaliados *om M = 3,*34 e ** = 0,489, indica*do nívei* r*la*ivament* po*i*ivos de *em-estar *mocion*l, se*timent* de proposito e motivação entre os *ola*oradores. E*te re*ul*a*o contr*d*tó*io às *ondiç*es adversas pode ocorrer por estratégias de coping utiliza*a*. Rampe*otto e Ab*id (2011) iden*ificara* que profissionais em ambient** de alta *ressão * isolament* **i*izam de *áticas de Su*orte S*cial, Reavalia*ão Positi*a e Resolução de Probl*mas, que aj*d*m a reduzir o impacto de ev*ntos estre*sant*s, favorecendo o entendim*nto p*sit*vo *as experiências vivenciadas. Além disso, O*iveira-M**te*ro (2018), destaca q*e, os tr*balhadore* recon*e*em benefícios sign*fica*ivos com* salá*io c*mpetitivo, opo**uni*ad*s de *iagem * dese*vo*vim*nto d* carreira internacio**l, fatores que contrib*em par* sua s*tisfação p**cológic* e se*s* *e rea*ização pe*s*a*. *stes e*emen**s sã* fat*res potenciador*s de nívei* adequa*o* de bem-e*tar *sicológ*c*. Enquanto ao **mínio Fís*c*/Sa*de e*ibiu a menor média de 3,113 e de*v*o p*dr*o de 0,4*7, reflet*ndo *s desafios inere*tes do tr*balho ma*ítimo. Este re*ulta*o a*inha-se diretame*te com o estudo de L**man*, Netto e Pacheco (2010), que rep*rt**am qu* 93% dos Rev. FSA, Teresina PI, *. 23, n. *, *rt. 2, p. 27-51, set. 2026 *ww4.Unifsanet.co*.br/revista E. A. C*nal, C. L. Oder*ch, G. R. R. *ilva 4* *ripulant*s trabalham set* dia* por seman*, com **nga* *ornadas de trabal*o, frequ*nte*ente, ult*apass*n*o 70 hor** **manais. Na pres*nte pesq*isa, o*s*rvou-se **e 68,47% *os parti*ipantes trabalham 70 horas ou mais por sem*na, dire*ame*te **g*da com as queixas re*a*ionadas a cansaço físico, dificuldades de sono e aspectos relacionado* ao de*c*n*o inade**a*o. Olivei*a-M*nt*i*o (*018) também *dentificou que a falta de conforto é uma das queix*s mais p*e*alentes entre os trabal*adores, inclu*ndo * *e*conforto d*s ca*ines, a falta d* *riva*i*ade, os espaços ap**t*d*s e as *ificuldades ergo*ômica* durante o rep*uso. *sses fat*res são *tribuídos *ara a me*or avali*ção do domínio físico/saúde ob*erva*a nesse estud*. T**ela 4 - r *e Pearson Correl*ções r de Pear*on p Físico/Saúde - Psicoló*ico * .1 2 6 .0 7 3 Físico/Sa*de - P*ss*al 0 .0 4 7 .5 * 4 Físico/Saúde - P*ofission*l 0 .* 4 5 .5 * 6 Físico/S*úd* - QV* 0 .2 8 2 < .0 0 1 Psicológico - P*sso*l 0 .4 9 * < .0 0 1 Psi*o*ógico - Profissional 0 .5 2 3 < .0 * 1 Psicol*gi*o - QVT * .6 * 8 < .0 0 1 Pessoal - Pr*fissiona* 0 .8 4 6 < .0 0 1 Pesso*l - QVT * .9 1 1 < .0 0 1 Profissiona* - QVT 0 .9 1 4 < .0 0 1 Fo*te: Elaborad* pelas a*toras (2026). As cor*elaçõe* de Pe*rson ent*e o* domí*ios evidenci** *ma estrutur* fator*al comp*exa da QVT d* população. As correl*ções *orte**nte posit*vas e*tre Pessoal-QVT (r=0,911), Pr*fis*ional-QVT (*=0,*14) Psi*oló*i*o-Q*T (r=0,69*) confirmam que es*e* e três domínios sã* essen*iais na satisfação glob*l. A c*rrelação *otave*mente f*rte entre p*ssoal e pr*fissiona* (r=0,846), sugere *ue, para os tripulantes de cr*zeiros, o *qu*líbrio entre * vida pessoal e * profissional é importante para a percepção de b*m-estar. Além disso, se obser*a o padrão diferente do do*ínio Físico/Saúde, que apr*senta correla*õ*s fracas ou n*o **gnificantes com os de*ais dom í *i os , apenas com o Q*T *lob** (r=0,282) ap*ese*ta algo s*gnificativo, mesmo *ue fraco. Este *ad*ão d* *omí*i* f*s*** sugere que as**ctos d* s*úde e conforto *ísico n*o det*rminam nec*s*ar**m*nte a sati*fação com *s *e*ais a*pect*s d* QVT. Re*. FSA, Ter*sina, *. *3, n. 9, *rt. 2, p. 27-51, set. 2026 **w*.Un**sanet.com.br/*ev*sta **al**ade de Vida no Tr*balho em Alto-*a*: An*lise *e B*asi*eiros no Setor d* Cruz*iros I*t*r*ac*onais 41 Des*a forma, esses dados podem ind*car *ue o instrumen*o QWL*-bref pode não ser plenamente ade*uado p*ra captu*ar * aspecto físico do trab*lh* embarcado ou que os t*abalhadores *o setor desenvolvem es*ratégi*s *e coping focadas sob*etudo nos asp*c*os ps*cológicos, pes*oais e p**fiss*on*is, e não no *sp*cto f*s*co. E*te* resultados rel*c*on**-se com os **dos ** validação do i*strumen*o a**esenta*os de C*ereme*a (2011), onde as correlações do domínio profissional com o esc*re *lob** *oram p*sitivas e de magnit*d* *oder*d* a *orte, as*im c*mo os res*ltados de Mello (2022) da co*r*l*çã* do pessoal *om escore global que t**bém *o*am el*vado*, demost*ando q*e a satisfação pessoal est* a*tament* liga*a com quali*ade * de v*da n* trabalho. E fo*an*o na *aixa corr*lação d* do*ínio físico/sa*de com os demais, *bserva-se a re**ção com a suge*tão de Oliveira- Monteiro (2018), sobre a necessidade d* *nstrumentos de avaliação d* QVT e* am*ientes ex*remos, por ident*ficar a mesm* dissociação *ntre os aspectos físicos e ps*cossoci*is do* tripulantes. A compara*ão entre grupo* *ociodemo*ráf**os revelou **ferenças estatist*camente sig*ific*tiva* em mú*tiplas dimen*õ*s, *vid*nci*ndo que caract*rísti*as individ*ais e context*ais imp*ctam substanci*lment* * percepção de QVT entre tra**lh*dores b*as*leiro* em cruzeiros interna*ionais. Quando feito a an*lis* da va*iância *atorial foi observado qu* o s*x*, n* tabela 5, não influencia nos resulta*os da *V* (F(1,195) =0,6*5; p=0,4*6; ²=0,003), assim não é um *ator de*erminante de relevân*i* qu**idade de *ida no trabal*o a nesta populaç**. Este achado diver** e* partes de estudos em outras áreas, mas a*inha-se com * trabalho emba*cado, onde as con*iç*es afetam i*ualment* homen* e mulher*s. **bel* 5 - ANOVA do QVT de se*o e i*ade Sexo I d ad e N **dia DP Feminino 18-26 19 3 .2 0 * 0 .4 1 * **-35 53 3 .* 2 * 0 .5 1 3 36-44 31 3 .4 9 2 0 .5 * 3 >44 8 3 .* 5 3 0 .3 3 * Masculino 18-26 20 3 .2 1 7 0 .4 8 5 27-35 41 3 .3 9 6 0 .5 0 3 36-44 20 3 .0 4 1 0 .4 2 7 >44 11 3 .7 6 1 * .* 6 4 Nota: ANOVA fato*i*l. Post hoc G*mes-Howell indi*ou *ife*en*as signific*tivas par* idade: 18-2* vs >44 (p=0,001); *7-35 v* >44 (p=0,003); 36-44 vs >*4 (p=0,003). Fonte: Elaborado pelas autoras (2026). *ev. *SA, T*resina PI, v. 23, n. 9, ar*. 2, p. 2*-*1, se*. 2026 www4.Unif*anet.*om.br/revista E. A. *anal, C. *. Oderich, G. R. R. Silva 42 A id**e apr*sento* um efeito *igni*icativ* (F(3,195) = 4,966; p<0,002; ²=0,067), e**lican*o a variação de 6,7% na Q*T. O padr*o tam*ém dive*ge entre sexos, entre mulheres, hou*e um aumento linear da Q*T co* a ida*e, enquanto *om hom*ns ocorre uma redução *a faixa de 36-44 an** seg***a de um aumento acentuado após os 44 an*s. A interação s*xo*idade fo* sign*ficativa também (F(3,*95) = 3,510; p=*,016; ²= 0,048), s*g*rin*o que * crise de média ida*e a*inge o* sexos de formas difer*ntes. O r*sulta*o s* casa c*m os achados de O*i*eira-M*nteiro (2*18), que *dentificou as *ificuld**es d* adaptação entre jove*s adultos, assim, d*monstran** que a *xperiê**ia p*ofi*sional acu**lada se*ve como f**or pro*etor, e**ecialmen*e para trabal*adores ma*s vel**s. Na análise *o* c*rreç*o de *elch (houve heterog*neidade das variâ*cias F(2,188) = 6,833; *=0,001), mostrou uma diferença altamente signi*i*ativa entre status de t*a*alho (F_Welch(2,99,99)=14,08; p<0,001), explica*do a v*r**ção *e *3,*%. Ad*ci*na*mente, a interação ent*e *ta*us e n*mero de contatos foi significativa (F(8,*88)=*,870; p=0,067; ²=0,066), sugerindo que a exp*riência **ofissional i**acta a QVT d*f*rente d* status atu*l. Ta*ela 6 - ANOVA d* QVT de st*tus a**al Status N *édia D* Post Hoc > *ntre *on*rato* Trab*lhando 79 3 .* 6 9 0 .4 2 4 (p<*.*01) > Des*igado (p<0.001) *ntre c*n*ratos 82 3 .3 1 4 0 .4 4 2 > De*li*ado (p=0.0*7) Desl*gado 42 3 .0 7 9 0 .* 3 * Nota: ANOVA Welch **m c*r*eção de *et*r*cedasti*idade. Post hoc Games- H*well indicou di**r*nça* *i*nif*cativ*s. Impor**nte: dados de "Entre contr*tos" e "Desliga*o" r*ferem-se à avaliação retro*pectiva d* úl*imo contrat* de *rab*lho, não *ituaç*o hipotética. Fonte: El*bor*do p*las aut*ras (2*26). Trabalh*dore* *m ativ*dade re*ortar*m QVT *i*nificati*am*nte mai*r do que *emais grupos, diferença de 0,255 em re*a*ão **t*e cont*atos e 0,*90 aos des*igados, evidenciando que estabilidade *ontratual e * e*g*jam*nto ativo *ão prote**res da QVT. O grupo "entre contrat*s" apresen*a n*vel inter*ediário, refletin*o a *n*er*eza e a ansie*ad* *o*re futuros emba*ques com b*se na expe*iência do último co*t*ato, enqu**to o* deslig*dos mo*tr*m **ior i*satisfação, possivelmen** ass*ciada a experiência* n*ga*ivas ou di*iculdade d* r*integração ao mercado qu* motiva*am o desligamento permanente. Rev. F*A, Tere*ina, v. 23, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. *0*6 ww*4.Unifsanet.com.*r/revista Qualida*e de Vida n* Trabal** em Alto-Mar: A*ális* de *rasileiros no S*tor de Cruzeiros In*e*nacio*ais 43 Tabela 7 - ANOVA do Q*T de nº de con*ratos e status (in*e*a*ão) Statu* *º de contrat*s N Média DP Desligado * contrato 6 2 .6 * 0 0 .1 * 6 2 cont*atos 10 3 .* 0 6 0 .4 2 5 3 c*ntr*tos *0 * .0 6 4 0 .6 7 * 4 c*ntratos 2 * .0 5 5 0 .0 7 8 5 ou m*is 1* 3 .1 3 4 0 .7 4 7 En*re *ontrato* 1 *on*rato 4 3 .6 8 0 * .1 5 0 2 contr*t*s 6 3 .1 9 0 0 .5 8 1 3 contratos 1* 3 .1 3 4 0 .* 3 0 4 *ontr*tos 14 3 .1 1 6 0 .3 2 2 5 ou mai* *0 * .4 1 9 0 .4 8 1 Trabalhand* 1 *on*ra*o 3 3 .4 7 3 0 .0 6 7 2 contra*os 5 * .4 7 2 0 .4 5 7 3 contratos 8 3 .1 0 * 0 .* 0 2 4 contratos 1* 3 .* 3 6 0 .5 3 * 5 ou mais 49 3 .6 2 1 0 .3 3 6 Nota: Interação S*ATUS×CO*TRA*O: F(8,188)=2,050; p=0,043; ²=0,07*. *m**rt*nte: para "Entre contrat**" e "Desl*gado", *úmero d* cont*atos *efer*-se ao hist*rico do último *ontrato de trabalho reali*a*o. Post hoc Games-How*ll indicou que traba*hadore* com 3 c*ntra*os *present*ra* Q*T signific*ti*a*ente infe*i*r *os com 5 ou mais contratos (p<0,00*). Fonte: **aborado *elas autoras (2026). **b*ra o númer* *e *on*ratos isoladamente nã* te*ha i*pactado sign*f**a*ivamente, a i**eração *o* status de atual foi re*evante (F(8,188)=1,870, p=0,0*7), m*st*ando que * ex*eri*ncia t*m *m impact* maio* de acordo com a sit*ação do t*ab*lho. Entre os c*nt*atos at*vos, a QVT t*nde a au*entar c*nfo*me a quantidade de contr*tos, suger*ndo uma adap*ação e maior sati*fação c*m * *ontinu*dade da profi***o. P*ra *s desligados, q*e ti*ha* só um contrato (M=2,680), r*lataram menor QVT, in*icando que a ex*er*ência inic*al pode ser um *eterminante *ar* desligamento, *nq*anto ao* *u* acumularam mais cont*atos, os v*lor*s **bem levemente. Nos entre contr*tos (*=3,6*0), ocorre um* maior variação, mas *uem tem muitos cont*atos mostra mais resil*ência. Esse padrão refo*ça *ue a *xperiência é protetora, mas *rincipalmente para aqueles *tivos no setor, co**orme encontrad* **s resultados de Allis e Terbega de Pau*a (2020). A análise também revelou difere*ças significati*as entre emp*es*s (F(1*,189)=3,562; p<0,00*; ²=0,0197), explicando 1*,7% da variação. O **ste de *e**ne indicou ho**c*da**icidade marginal (*(13,189)=1,688; p=0,066). R*v. *SA, T*res*n* PI, v. 2*, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. 202* w*w4.Un*fs*net.*om.br/revi*ta E. A. Canal, C. *. Oderich, G. R. *. Silva 44 Tabela 8 - AN*VA d* QVT de empr*sas Emp*esa N Média DP *SC Cr*i*e 53 3 .1 3 5 0 .4 8 8 Ro*al Ca*ibbean Cruises 30 3 .5 9 4 0 .4 2 8 *i*ney Cruise Line 28 * .5 7 6 0 .3 7 8 Norwegia* Cruise *ine 26 3 .3 * * * * .5 3 * Costa **ocie*e 24 3 .4 2 * 0 .4 7 8 Virgin *oyages 12 3 .4 5 3 0 .* 7 0 *a*nival *ruis* L*ne 9 3 .1 1 * 0 .6 1 1 Ce*e*rity Cr*ise Line * 2 .9 * 0 0 .4 4 * Pr*ncess Cr*ise Lin* 5 3 .4 4 0 0 .5 6 3 N*ta: Empresas **m *<5 omi*idas da anális*. Po*t *oc Ga*es-How**l indicou: D*sney>MSC (*=0,0*2); Royal Carib*e*n>M*C (*=0,002). Fo*te: El*bo*ado p e l a s * u t o r a s ( 2 0 26 ) . A **t***genei*ade entr* e***esas (²=0,197) sug*re que práticas *e gestão, cultu*a org*nizac*onal e i*vestimen*o *m *em-e*t*r var**m substa*cia*mente. Royal Ca**bbean (3,59*) e Disney (3,576), líderes de mercado, ob*iveram uma percepção de QVT sup*r*or, indicando melhores c*nd**ões. Enquanto, * M*C Cruise, maior empregadora da amostra (n=53), apresentou uma mé*ia menor ent*e *s grandes em**esas (M=3,*35), ev*d**ciando desafios d* pessoa* em grande es*a*a. Es*es resul*ad*s se alinham com a *nál*s* *e *ach***, *etto e Lohmann (*0*0), que descreve po*íticas de gestão *is*intas *n*re empresas de di*erentes port*s, c** consequências di*etas na satis*ação e nas con*ições de trabal*o da tripulação. O*servando os s*tore* f*i poss*vel identi*icar diferenças s*gnificativas **tr* eles (*_Welch(7,10,22)=7,619; *=0,002; ²= 0,135), explicando * *ariação *e 16,5% na *VT. O tes*e de Levene indicou hetero*eneidade d*s v*riâncias (F(7,195)=5,*26; p<0,*01). Tabela 9 - ANOVA do QVT de s*t*re* **tores N *édia *P Alimentos e bebid*s 5* 3 .1 2 0 0 .5 4 5 En*r*tenimento e atividades 49 * .3 7 7 0 .4 8 9 A*mi**st*a*ivo 29 3 .6 7 1 0 .3 3 2 *e*vi*o* ao cliente 29 3 .4 0 7 0 .4 0 4 Hotelaria e a*omodação 2* 3 .3 6 8 0 .5 3 * *omercial 12 * .3 1 1 * .1 9 7 No*a: Enge*haria (n=2) e Manutenção (n=2) om*tidas d* an*lise. Post hoc Games-*owell: Administr*tivo>Alimentos (p=0,001); Adm*nistrativo>Comercial (p=0,003); *l*mentos<Comercial, E*t*et*nimen*o, Hotelaria, Serviços (p<0,2*). Rev. FSA, Teresina, v. 2*, n. *, art. 2, *. 2*-51, set. 2026 www*.Unifsan*t.com.br/*evist* Q*alidade de Vid* no *r*balh* em Alto-Mar: Anál*se d* Brasileiro* no Seto* d* Cruzei*os *nt*rnacionai* 4* Tabel* 9 - *N*VA do *VT de *etore* Seto*es N Média DP Fon*e: Ela*ora*o pelas a*tor*s (2026). *s set*res **eracionai* (A*imentos e bebidas) apres*ntam menor QV*, *orrobora*do aos desa*io* relacionados * j*rnad*s ex*ustivas, condi*ões insalu*r*s e car*a fí**ca e*evada. O setor administrat**o (3,671) apr*s*nt*u QVT signif*cativament* su*e**or aos *emai* setores, evide*ciando vantagens de cargos *e escrit*rio a bordo. Estes achados alinham-*e co* a pesquisa de Oliv*ira-Mo**eir* (*018), onde identificou que seto*es op*racionais enfrentam j*r*adas mais e*tenu*nt*s, desvio *e *unção e mai*r e*posi*ão as *o**ições **versas, especialmen*e Al*mentos Bebidas, *aracterizados por gr*nde parte dos ambie*tes com alt* e dem*nda *ísic*. Quanto à *nális* de v*riâ*cia foi indic*da di**renç*s al*amente si*nif**ativas na QVT conforme * tipo de car*o (F(2,*91)=12,7*2; p<0,*0*; ²= 0,*06), assim com*, um efeito s*gnifi*ativo *e carga horária (F(3,191)=*,454; *=0,018; ²= 0,043). A interação en*re * tipo *e c*rgo e ca*ga hor*ria *oi **gnificativa (F(6,191)=2,450; p=0,*26; ²=0,0*1), *n*icando que o *mpacto da jornada s*bre QVT é v*riada conf*rme a h**rarqu*a ocu*acional. *ab*la 10 - ANO*A do QV* de ***o colab*rador * carga horár*a T ip o Carga horária N *édia D* Menos de 56h *fficer 2 4 .0 8 * 0 .0 9 2 semanais 56h semanais 6 3 .* 0 0 0 .* 9 8 70h semanais 2* 3 .6 8 9 0 .4 9 6 M*is de 70h se*anais 16 3 .7 4 8 * .2 1 5 Menos de 56* Staf* 12 3 .3 1 3 0 .* 1 2 semanais 56h seman*is 4* 3 .3 7 6 0 .4 8 * 70h semanais 42 3 .3 2 2 0 .4 4 4 Mais de 70h s*manais 4 2 .8 8 0 0 .5 0 8 Men** de *6h *rew 2 * .0 0 0 0 .0 0 0 semanais 56h semanais 2 * .4 6 5 0 .0 9 * 7*h semanais *7 3 .4 0 9 0 .4 4 2 Mais de 70h sema*a*s 30 2 .8 6 7 0 .4 5 8 Nota: ANOVA TIPO×HOR*RIO: *(6,19*)=2,454; p=0,*26; ²=0,061. Po*t hoc Ga*es-Ho**ll: Crew<Officer (p<0,*01);Crew<*taff (p=0,04*); >70h<70h (p=0,*2*). Fo**e: Elabo**do *elas *utoras (2*26). Rev. FSA, Teresina PI, v. *3, *. 9, art. 2, p. *7-51, set. 2026 www4.Un*fsanet.com.br/revista E. A. Canal, C. *. Od*rich, G. R. R. Silva 46 A hierarquia *cupacional im*actou signi*ic*tivam*nte a QVT (²=0,106), com Officers *pres*nta*do a *aior satisf*ção independente da carga horári*, enqua*to Cre* mostra *a*or vu*nerabilidade às *orn**as e*aust*vas. O trabal*o m*is d* 70 horas semanais *esultou na pe*ce*ção de QVT si*nif*cat*vamente inferior (p=0,020), *ara St*ff a red*ç*o é *centuada com 0,496 pontos e *ara C*e* de 0,*42 *ontos. P*ra Of*icers a jornad* prolongada não reduz sati**ação, s**er*ndo me*hores condições laborais que funciona* como a*or*ecedores *s longas jorn*das. Esta *ercepçã* t*mb*m é *escrita por Oli*eira-Mo**eiro (2018), s*bre h**rarquia em cruze*r*s marí**mos, que aponta *ue hierarq*ia d*termina *ertos a privilégios da tripula*ão, dando melhores *ondi*ões d* *ra*alho **ra *fficers uma mai*r exposição de *ornad*s e*austivas **ra * o níve* o*er*cio*al. Com a presença de 68,47% dos participante* trabalha*do 70 o* mai* horas *em*nalmente ref*rça que e*sa é a realidade estr*tural do *rabalho e*bar*ado, parti*ul*rmente desafiadora pa*a trabalhadores de ní*el *peracion*l, assim corroborando pa*a as q*eixas *e sob**carga físi*a e problemas de saúd*s iden*ificadas por Olivei*a-M**teiro (2018). * CONSIDERAÇÕ*S FINAIS Este e**udo anal*sou a perce*ção da qualidade de vi da no trabalho (Q*T) de 203 *rasileiros no seto* de c*uzeiros *nternacionais, ut*lizan*o instrum*nto valida*o *WLQ- o br*f, *ompl**entado por análise e*t*tística desc*itiva e inferen*ial, *i*ando *dentificar o* fatores que *nflu*nciam o bem-es*ar de*sa popu*ação. Os resultados revelaram uma p*r*e*ção mode*ada d* Q*T (*=*,352; *P=0,5**), com o *omínio ps**ológico aprese*tado * maior satisf*ção (M=3,534) e o domínio fí*ico/saúde a menor (M=3,1*3), evidenci*ndo q*e, apesar dos desafios fís*co* e do c*n**nament*, os **ab*lhadores mantêm níve*s r*lativament* elevados de bem-estar e*o**onal. As corr*laç*e* positivas e sign*fica*ivas en*re os dom*nios psicol*gico, pessoal e p*o*i**ion*l *alid*m a multidi*ens*onal*dade d* constr*t* dessa *o*ul*ção. D*staque-se que o domínio *ísico/saúde ap*esentou c*rrela*ões f*acas com as *emais (r<0,*3; p>*,**), sugerindo *ue as*ect*s *ísicos ope*a* *e forma mais in*epe*dente neste cont*xto ocupacional. A pesquisa obteve *iferença* **gn*ficativas *obre s*atus de trabalh* (*=0,136), com t*abalhad*re* em ativi*ade (M=*,56*) a*resen**ndo QVT s*perio* a*s entre c*ntr*tos Rev. FSA, Te*es*na, v. 23, n. 9, art. 2, *. 2*-5*, set. 2026 www4.Unifsanet.com.br/r*vis*a Qu*l*dade de Vida no Tra*alho em Alto-*ar: Análi*e de Brasileir*s *o *eto* de C*u*e*ros Internacionais 47 (*=3,314) e ** j* d*sliga*** da ativ*dade (M=3,079). A ida** também se m**tr** r*levante (²=0,067), co* trabalh**ores maior** de 44 anos rep*rtando m*ior satisfação. A comparaçã* e*tre compan*ias (²=0,197) re*elou h*teroge*e*dade s*gnifi*ativa, *om Royal Caribb*an (M=3,13*) e Disney *r*i*e (M=3,576) ap**s*nta*d* m**hor** índices, enquanto * *SC C*uise (M=*,135) e Celebr*ty *rui*e (M=*,*50) mostraram médi*s inferiore*. Entre *etores (²=0,135), o Administrativo (M=*,671) de**acou-s* pos*tivamente, e*qu*nto Alimentos e Bebidas (M=3,1*0) apresentou a menor QV*. A aná*ise *a int*raç*o entre ti*o de colabo*ador e carga ho*ár*a (²=0,061) evidenciou que Offic*rs man*êm *VT elevada independ*ntemente da jornada (M3,6*-4,09), *nquanto *taff e Crew so**em redução acentuada q**ndo trab*lham m*is de 70 h*ra* semanais (**2,87-2,88). A presenç* de 68,**% dos participantes t*abalhando mais de 7* horas seman*** reforça que essa é a *e*lidade est*utural do traba*ho emb*rcado, partic*larmente desafia*or* par* trabalhador*s de nív** operacional. Referente às limitações do e*tudo, que d*ve* *er levadas em consid*ração na in*erpre*ação *os dados, de*taca-s* util*zação de amostragem não proba*ilí*t*ca, reali*ada a por meio de recrutamen*o, que, embora te*ha auxiliado *a aqui*ição de *es***dentes, limita a generalização dos result*dos pa*a po*ulaçã*-alvo. I*so é observa*o na predominância de a respondentes "en*re contr*tos" e "*rabalhan*o" **e representam uma pe*spectiva me*os crítica d* qu* *os "*esli**do*". Além d*sso, o QWLQ-bre* apresen*ou-se inad*quado p*ra capturar as espec*ficidad*s *o contexto e*bar*a*o, especialmente no domí**o Fí*ico/Saúde, que *xi*i* baixíssimos índices de co*fiabi*idade ( = 0,118) e corr**ações frac*s com dema*s dom*nios. O i*strumento não le*a em consideração impactos específic** da ati*idade como sep*ração familiar **n*a, qualidade de acomodações, exposiçã* a mov*mentos e ruídos *o n*vi* e a*aptação a fu*os horár*os. * *inda, a abordagem exc**si*a*ente *uantitativa não apresenta o *f*ito d*s narr*tivas, expe*iência* es*ecíficas * estratégias de coping n*ces*árias para compreensão total d*s *esultados. Dessa fo*ma, os *esu*t*dos *esta pesquisa abrem cam*nh*s pro*issor*s para *utu*as *nvest**a*ões *ue complementem e *pro*undem o con*ecime*to sob*e o QVT no setor marítimo. Realizar es*udos *ong**udinai* que acompanhe* os mesmos *raba*hadores ao longo *e se*s contratos per**tiriam iden*ificar c*mo QVT evolui a com experiência, a ada**ação em novas empr*sas ou set*res e progressão hier*rq*ica. Indo p*ra abor*agem ** integração *e méto*os, combinar um * an*l**e quan*ita*iva com en*r**istas abert** *iabiliz*ria a comp*eensão aprofundada de informações como as estr*tégias de coping e fatores de re**liê*ci*. Rev. FSA, Teres*na PI, v. 23, n. 9, art. 2, p. 27-51, set. 2026 www4.Unifsa*et.com.br/revista E. A. Canal, C. L. *derich, G. R. R. Silva *8 Com isso, recomenda-se a implantação de *rograma* de bem-*star físi*o * *u*orte psi*ol*gico *strut*rados *a* com*anhias, *evisão das práticas de *ierarquiz*ç*o baseadas em nacio*ali*ade, harmon*zação da l*gislaç*o trabal*ista no set*r, conduç*o d* es*u*os *ongitudi*ais e qual*tati*o* para co*pre*nder *elhor os m**anismos *e resiliê*cia dos trabalhadores, investig*r especific*ment* o domíni* físico/saúde, dada sua b*ix* *orrela*ão co* os dema*s domínios e ad*ptação do *nstrumen*o QWLQ-bref p*ra captação ad*qu*da das infor*ações d* percepç**. Esp*ra-se que *s re*ultados contri*ua* par* um m***o* *ntendim*nt* das condições laborais *es*e grupo, ofe*ecendo subsídios para q*e companh*as de cruzei*os e órgãos reguladores desenv*l*a* e**ratégias e políticas vol*adas à *elhoria do *em-estar e da sa*isfaç*o dess*s tr*balh*dores. REFERÊNCI*S ALLIS, T.; TEBERGA DE PAULA, A. Confinamento de trabalhadores de cruz*i*o* marítimo* em tempos de pand*mia: uma *n*lis* à luz das mob*lidades. 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X X 3) elabo*ação do rascunho ou na revisão crítica do co*teúdo. * X * 4) participa*ã* na aprovação da versão final do manuscrito. X X X Rev. FSA, Te*esina PI, v. 23, n. *, a*t. 2, p. 27-51, *et. 2026 w*w*.*nifsanet.com.*r/re*ista

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