Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.Unifsanet.*om.br/revista
Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 7, art. 7, p. 126-1*8, *ul. *026
ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/*026.23.7.*
O Ensino de Geografia no Context* d* Novo Ensi*o M*dio: A I**erdisciplina**dade nas
Ciê*cias Humana*
Geog*a*hy Teachi*g in the Conte** of th* new High S*hoo* Curri*u*um:
Inte*disciplinarity in t*e H*manities
Franc***o Welton M*chado
Mestrado *m Geograf*a pela Unive*sidade Federal d* Pi*uí
Graduado em G*ografia p*la *niversi**de Esta*ua* do Piau
E-mai*: w**2011201*@gmail.com
Raimun*o *enilde de *raújo
Douto* em Educação pela U*ive*sidade Feder*l do *ea*á
E-ma*l: raimund*le*i*de@ufpi.ed*.br
E*dereço: Franci*co Welton Machado
Universidad*
Federal
do
Piau*,
A*e*i*a U*iver*itá**a
-
lado ímpar, Inin*a, *4049*50 - Teresin*, PI - Brasi*
*d*tor-Chefe:
Dr.
Tonny
Kerle*
de
Ale*c*r
Rodrigu**
E*der*ço: Raimu*do Lenilde ** Araújo
U*iversi*ade
Feder*l
do
P*auí,
Aveni*a Univer*itári*
-
Artigo re**bido em 02/*6/2026. Última
v*rsã*
l*do ímpar, Ininga, 6404*5*0 - Teres*na, PI - Br**il
rec*bida em 17/06/2026. Apro*ado em **/06/2026.
Avaliado pelo sis*ema Trip*e Review: Desk Review a)
pel* Edito*-C*efe; e b) Dou*le Blind R*vie*
(a*ali*ção cega por d*is avaliadores da áre*).
Revisão: G*ama*i*al, Nor*ativa e de Formataçã*
O Ensino de *eo**afia no *ontex*o do No*o *nsin* Médio: A Interdisc*pli*aridade nas Ciê*cias Humanas
127
*E**MO
* presente *rabalho tem *omo *bjetivo enf*car os impa*tos no Ensino de Geografia no *on*ex*o
de implantação do novo Ensi*o Médi*, a pa*tir
das relações de interd*sciplinar*dad* nas
Ciênc*as Humanas. O estudo possui um a*orte teór**o sustentado nos
escritos de C*v**ca*ti
(2018); S**tos (*99*); e **llai (2010). *iscut*r a refor*a do Ensino M*d*o no Bra*il é uma
tarefa que necess*t* d* compreensã* do contexto que *o**r*b**u para a insta*ração dela,
princi*al*ente *o que diz *espeito a*s argum*ntos e propostas que levaram a tal. Além **sso,
elucidamos *qui também o
processo de r*e*trutura*ão de curr*c*l*s de todos
os estados
brasilei*os na ten*a*iva de adaptação à
no*a propo*t*, que ao longo da história s* con*igura
como * dé*ima sétima *o ensino mé*io. Assi*, n* pe**pec*i*a ** Callai (*010), * G**gra*ia
e*c*lar, a*sim
c*mo a ciênci* g**gráfic*, tem a f*nção de **t*dar,
analis*r e buscar
explicações pa*a o espaço
produzido pela humanida*e. Este componente curricul*r
proporciona condições para que * aluno *e reconheça como suje*to que par*ici*a do es*a*o em
q*e vive e estuda, compree**end* que os fenô*enos que ali a*ontecem são resultados da vida
e do tra**lho dos homens em s*a trajetória de cons*rução *a sociedade demar*ada em seus
espaços e tempos. Po*tanto, a *art*r do recorte estabelec*do, conc*ui-se que as *eformas
cu*ricu*ares, *o cont*xto
de implantação do N*vo Ensino Médio,
pro*oc*ram alteraçõ*s no
arranjo curricu*ar das disci*linas. Geograf*a,
portanto, pas*ou a integrar o grup*
*as
Humanidad*s, sendo assim *ntensificada a inter*i*cipli*a*idade entre a Históri*, Sociolog*a e
Filosofia, essa *ova *e**itura curricul*r apre*entou des*fios e o*ortunidades de repens*r
o*
r*mos *a Geograf*a Escolar no Bras*l.
P*lavr*s-chave: Refo*ma* Curr*culares. *ns*no de Geografia. **terdisc**linaridade. No*o
*nsino Médi*.
ABS*TR**
This
study aims t* f*cus on the impacts on Geog*aphy Teachi*g within the c*ntext of
*mplementi*g t*e Ne* High S*hool model, ba*ed on i*terdisciplinary r*lati*ns*ips *ithin the
Hu*an Scie*ces. T*e *tudy is theo*e*ic*l*y sup*orted by
t*e writing* of Cava*canti (201*),
Santos (1966), and Callai (*010). Discus*ing the H*gh School reform in Bra**l is a task th*t
requir*s understanding the context that co*tributed t* its es**bl*shment, especi*lly reg***ing
th* argumen*s and proposals th*t led *o *t. Furth*r*or*, we a*so el*c*date here the curriculum
restru*turing proces* *n all Brazilian s*ates in an at*emp* to ada** t* the new pro*osal whic*,
throughout his*or*, constitutes the seventee*th h*gh scho*l reform. Thu*, from the pe**pectiv*
of Calla* (2010), s*hool Geography, as well as
geogr*phica* *cience,
has t*e func*i** *f
*t*dyin*,
a*alyzi*g, and seekin* exp*an**ions for th* space produced by humanity. Thi*
cu*ri*ular component enables stud*nts to recog*ize themselves as ind*v*du*ls w*o particip*te
*n th* s**ce where they l*v* and study, understan*ing that the phenome*a o*c*rring t*ere *re
the res**ts *f *uman life a*d *ork in their traje*tor* ** **ilding *ociety, demarcated in t*eir
spaces and times. Therefore, based
o* * he
establi**e* framew*rk, it
is c*nc*ude* t**t the
c*r*icular **forms with*n the context of imple*enting the **w H*g* Sch*ol model caused
ch*nges in th* arra*gement of di**iplines. Geo*raphy, there*ore, became *art *f t*e *um*nities
group, in**n*ifying the int*r**scipli*arit* amo*g Histo*y, Soc**l*gy, and Phil**ophy. T**s new
curricular str*cture p*es*nted chal*enges and
oppor*unities to *ethink the d*r*ct*on o* School
G*ogra*hy in Brazil.
K**w**ds: Curr*cular Reforms. Geo*raphy *eac*ing. Interd*scipl*n*ri**. New H*gh School.
Rev. FSA, Tere*ina *I, v. 23, n. 7, art. 7, p. 1*6-*38, j*l. 202* *ww4.fsanet.*om.br/r**ista
*. *. Machado, *. L. *ra*j*
128
1 INTRODUÇÃO
Na p*rspectiva de Sou** (2*20), o e*si*o mé*io, *ltima etapa *a e*uc*ção bá*ica, * *
*eríodo d*rante o qua* os c*nhecimentos obtidos nos anos anteriores na es*ola s*o aprimorados
e o momento em q*e os indivíduos começ*m a refletir acerca de *uais pas*os desejam seguir.
*aj**itaria*e*te, os r*mos mai* prováve*s d*v*m *er o m*rcado de *rab*l*o ou s*quência na
forma*ão acadêmica a*ravé* *e cur**s *upe**ores e p*o*ission*lizantes.
A Educa*ão *ási*a l*da at*al*ente com as implicações da insta*raç** d* marcos legais e
*o*íticas pú**icas educaciona*s que protag*nizaram boa par** das dis*us*õ*s sob*e educa*ão *o
*rasil n*s últimos anos. Des*aca-se n**se cená**o,
esp*cialmente, * i*stituiç*o da Base
Na*ional Com*m C*rricular (*NCC). Ela e*tabe*e*e *ma nova r*ferência c*rric*lar com
desdobramentos e vinc*lações com v*ri*s ou*ras *olíticas *úblic*s par* a Educação Básica. A
Base, como é cham*d* a BNCC, está no *entro de um conju*to de d**anda* que lastreia to*a a
p*lític* *ública educacion*l.
Aj*stes pa** sua impleme*tação estã* sendo feitos p*l*s sistemas e*uca*i**ais dos
e*tados da Federaçã*, como
criar
*urrí*ul*s lo*ais com essa n*va r**erê*cia. Em âmbito
fe*eral, mu*ou-se *ambém * p**ítica de produção de materiais didáticos, b*m como a fo*mação
in*cial * continua*a *e pr*fessores,
*ue
prec*sa*am se **ien*ar por essa
n*va di*et**z. Essa*
t*ansforma*õe*
se
constituem, assim, em mais um dos desafios co* *u* Educação *á*ica a
*recisa lidar. Nesse *ontexto, a Geo*rafi* e*col** e *s professores d**sa *isciplin* *e *ns*r*m e
estão *end* p*r el*s afe*ados.
Log*, o comp*nente curricular
de G*ografia, atual*ente, é ob*eto de um rele*ante
deba*e
no Bras*l, relat**o a sua permanên*ia o* exclusão n* novo modelo curr*cular flexí*el,
det**minado pela reforma do Ensino Médio, pautado na BNCC, na q**l o cu*ríc*lo p*ssa a ser
reorganizado a part*r de ár*as do conhecimento, sendo elas: Lingu*gen* su*s Te*nol*gias e
(Ar*es, Educação Físi**, Líng** *nglesa * Língua Portu**es*); Matemática * suas Tecnol*gias;
Ciências d* Natureza (Biolo*ia, Física e *uími*a) Ciências Hum*nas e Soci*is A*licadas e
(Hi*tória, Geog*afia, Sociologi* e Filoso*ia).
A*sim, na perspectiva d* Callai (*01*), * Ge*grafia *sc*lar, assim com* a ci*ncia
geográfica, te* * função de estudar, an*li*ar e buscar explicações *ara o e*paço pro*uz*do pela
humani*ad*. Este componente curricular pro*orcio*a co*d*ções **ra que * a*un* se reconheç*
*omo sujeito que parti*ip* do espaço em que vive e *s*uda, compreendendo qu* *s *e*ômenos
qu* *li aco*tecem são resu*ta*os da vid* e do trabal*o dos *omens
em sua trajetória
de
construção da sociedade dem*rc*da em *eus es*a*os e temp*s.
R*v. FSA, Teresina, v. 23, *. 7, art. 7, p. **6-138, jul. 2026
www*.f*anet.c*m.br/revista
O *nsino de Ge*grafi* no Conte*to do Novo Ensino M*dio: * I*te*disciplina*i*ade nas C*ências Humanas
129
A G*ografia, enquanto ciênc*a, p*ssu* um* estrutura *onceitua* próp*ia, além de
conceitos c*mpa*tilhados com outra* Ci*ncias. Qua*do *sses conhecimentos cient*ficos *ão
organizados com objetivo do ens*no-aprendizag*m *a e*ucação básica, el* va* compor o
a
*eo*rafia Escolar. "*omo d**c**lina escolar, tem seus prime*ros indícios no *lano de Estudos
da Companhia de *es*s, em 1599, *esse período não existia um sist*ma ou re*e or*anizad* *o
pa*s" (Rocha, 1*9*, p. 125).
O e*si*o de *eografia n* Brasil *e*et* a me*dos do século XX e *corre de forma
a*terior ao surgimento da Ge*g*afi* acadêm*ca. V*rios *oram os c*ntextos *s*aciais,
históricos, sociais e pol*ti*o* pel*s quais a Geogra*ia escolar e
a *ca*ê*ic* pas*ara*
*o
s*u desenvo*vim*nto e consolidação *omo disciplina obrigat**ia do curr*culo da educaç*o
bá***a. A palav*a i*terdisciplinarid*de data *o século XX. *o en*ant*, a o*igem in*elec*ual do
conceito é m*is
antiga que as orig*ns da ed*cação *nterdisciplinar mod*rna encontradas nos
conceit*s de currí*ulos interdiscip*inares e inte*rad*s; ab*rda*ens holíst**a, interdiscip*inar e
integrada do conh*cimento.
O t**mo i*terdisc*plinarida*e é *ormado *ela uni*o do prefixo inter, qu* exprime a ideia
*e "dent*o", "**tr*", "em m*io"; co* * palavra "discipl*nar", **e tem um sentido pedagógico
de instru*r nas regras e prece*tos de algum* arte.
No que *oncerne à int*r*isciplin*rida** no con*e*to nac*onal, esse termo passou a *e*
u****zado *e forma pioneira em *ois pri*ci*ais campos distint*s: o da *p*stemologia e o da
educaçã*, o p*imeiro a*or**do
p*r Hilton
Japiassu em
sua* abor*a*ens epistemológicas
*nflue*ciad* pelas obras *e *uu**orfe * Pia*et, já no âmbito da educação por Ivani Fa*enda.
*ara Japiassu (*976, p.7*), "[...] A interdiscip**na*idade caracte*iza-se pela inte*sidade
das trocas entre os e*peci**istas e pelo grau de interaçã* r*al d*s disc*plinas no interior de um
*esmo proj*to de pesquisa". Essa **mática é co*preendida como uma forma de trabalha* em
sala de aula, na qual se
pr*põe um
tema
com abordage*s em diferentes
discip*inas. É
*ompreender, e*t*n*** as p*rte* de ligaç*o entre as diferentes áreas de conhecimento, unin*o-
s* para transpor algo ino*ad*r, abrir sabedorias, resgatar **ssibil****e* e ultr*p*ssa* o pensar
frag**ntado. É a b*sca con*tante d* in*estigação, na t*ntativa de superação do *aber.
A*si*, a BNCC que instit*i diretr*z*s para * implantação do *ovo ensino médio destaca a
importânc*a
de r*laci*nar o a*ren*izado da Geo*rafia co* vi*a cotidiana, tornand* os a
conteúdos mais próxi*os d* *ealidade do* alu*os. Is*o o* m*t*va a
*e*sar de forma c*ítica
sobre o* *esafi*s
do **esente e a bu*car soluç*es para problem*s locai* e glob*is. Com
a
interdisciplinari*a**, a Geograf*a se to*na ainda *ais r*c* e relevante, preparando os jo*en*
**ra compreenderem e a*uarem no mundo de for*a *onscien*e e resp*nsáve*.
R**. FS*, Teresin* PI, v. 23, n. *, art. 7, p. 126-138, *ul. 20** *ww4.fsa*et.com.br/revista
F. W. *achado, R. *. Araújo
130
A Geo*rafia *n**anto ciência tev* no seu *r*cesso de sistem*tizaçã* marcas re*evantes
de caract*rísticas de abarcar conhec*mentos que eram de outras ci*ncias, isso acon*ecia po*que
tal*ez n*o se tivesse um *bjet* d* estudo c*aramente definido ou *e*a capil*rida*e d* ciência de
discu*ir e provocar quest*oname*tos que e*am *dentificados com outr*s campos *o
con*e*imento, a *xempl* da B*ologia e da Astronomia.
*s*im *endo, o pre*ente *rabal*o visa elucidar os impact*s n* ensino de Ge*g*afia *o
conte*to *a im*lantação do novo en*ino médio, bem como *s contribuiçõ*s ou desafios das
*elações inter*i*ciplinares da e*ucação bási*a no *rasil. Busc*-se, as**m, evidenciar as
mudanças *ue ocorrer*m na pr**ica d*cente em Geogr*fia na perspec*iva das reformas
curriculares.
2 R*FERENCIAL TEÓR*CO
2.1 O Ensino de Geografia na Educação básica * * Int**disciplinaridade no N*vo
**sino *édio
A discussão acerca do ensino de Geografia no contexto do Novo En*in* M*dio *xige
compreen*e*, inicialm*nte, *s transformações estruturais
qu* marcaram as políticas
curric*lares *r*s*leiras nas *lt*mas décadas. A promu*gação da Lei ** 13.415/20*7 *edefiniu a
*rgan**ação curricular des*a *tapa da educação básica a* ins*ituir a flexibilização do *urrí*ulo
e a c*ntrali*ade das áreas do conhecimento, provocando impactos significativos n* constituição
das C*ências *um*nas e S*c**is *pli*adas.
Nesse cenário, a Geografia de*xa de *cupar excl*siv*me*t* o lugar de disciplina isolad*
par* i*te*rar u** pr*posta format*va pa**ada na i*terdisc*pl*narid*de e no desenvolviment* d*
*ompetências e ha*ili*ades.
Sob es*e prisma, as reformas curr*cu*ar*s contemporâneas estã* diretame*te
relacio*adas às transformações econôm*cas, p*lític*s e c*lturais da
so**edade gl*bal*zada,
influenc*ando a redefini*ão dos sabere* escola*es e das f**alidades *a educação. Dessa for*a,
o cu*rí*u*o pas*a a *er compreendido n*o apena* *omo s*leção d* *onteúdo, mas com* es*aço
*e d*sput*s, id*nti*ades e pro*eto* de sociedade.
N* âmb*to do ensino de *eo*rafia, a interdi*ciplinar*dade apresen*a-*e como
possibi*idade de superação *as prá*icas fragmenta*as tradicionalment* *resent*s na e**ola. A
integ*ação *ntr* Geogr*fia, Histór*a, Fi*oso*ia e Sociologia favo*e*e an*lis** mais *mp*as s*bre
Rev. FSA, *ere*ina, v. 2*, *. 7, art. 7, *. 109-131, jul. 2*26 www*.Unif*a**t.com.br/revista
O ***ino d* Geografi* *o Contexto *o Novo Ensino Médio: * Inter*is*i*linari*a** nas Ciênc*as Humana*
131
as dinâ*icas sociais e espaciais, per*itind* aos estud**tes co*pr*enderem a complexi*ade d*
mund* contemporân*o.
D*starte, para Santo* (1996), o espaço geog**fico constitui-se c*mo resul*ado da*
relações *ociais
histori*amente constru**as, sendo indis*ensá*e* *ue o
*n*i** pro*ova ***
leitura crítica
*a realidade
e
das desigu**dades produzid*s pelo
sistem* capitali*ta. Ness*
perspectiv*, a interdisciplinaridad* não represen**
apenas uma metodologi* pedagógica, mas
uma forma *e co**trução *o conhecimento, comp*ometida com a compreens*o integrada dos
*enô*enos so*iais, econômico*, a**ientais e te*ritoriais.
Tal entend*mento aproxima-se da necessidade de um pensament* c*mplexo capaz de
*omper com a fr**m*nt*ção d** saberes e favorecer u*a f*rmação humana mais
crític*
e
con*extualizad*.
No Bras*l, *nde se trata de hierarquizaçã* do* níveis de edu*aç*o, *ode-se
com*reender que a **ucaçã* *á*ica contempl* o ensino infantil, ensino *u*dam*ntal e **sino
médio. Está
entre seus prin*ipa*s obje*ivos *ssegu**r * acesso a conhecimento em
diversas
áre*s *ara exerc*r uma c*d*dania cr*t*ca e refle*iva.
Segundo *hervel (19*0), as disci*linas escolares
na
ed*caç** **sica con*tituem
conhe*ime*to* autônomos produzido*, ao lon** de suas respectivas trajetó*ias no interior do
espaço **colar, p*rtir a
d*
*n*e*ação de diver*os agent*s,
desd* o *st*d* até os
pr**essores,
alunos * a
c*munidad* escolar. Assim,
as disciplina* esc*lares *ã* pa*síveis de mudanç*s
*
permanênc*as, podendo se* *elimit*dos perí***s históricos *a** seu **ten*imento.
A partir d* pr*mulgação da *ova LDB/96, Lei d* Diretrizes e Bases da Educ**ão
Naci*n*l (LD*EN) *.394/1996, os conteúdos voltam * fazer parte das discussões atra*é* dos
Parâm*tros Curri*ulares Nacion*is (PCNs), prop**do uma mudança d* enfoque
aos
cont*úd*s
cur*iculares. Ao invés de um ensino
*u*o conteúdo seja visto como fim em si
mes*o, os PC*s propõem um en*i** cujo conteúdo *ej* visto **m* meio para *ue os alu*os
desenvo*vam cap**ida*e* que lhes perm*tam *ro*uzir e usufruir dos **ns culturais, soci*is e
econômicos.
C*nforme a LDB 9*94/96, o
e*si*o de Geograf*a
dev* permear os nívei* de *nsino
Fundamental Médio, com* discip*ina obrigatória. Seguindo os Parâmetros Curr*cu*ar*s e
Nacionais, PCNs, documento que surge como *esdobrame*to da LD*, *corre uma reorientação
no *ur*ículo da escol* b*asil*ir* e, por cons*quênci*, na grade curr*c*lar da ref**ida d*sciplina
(B*asil, 1996).
N*s*e
cont*xto, *s PCNs de Geograf*a determin*m que, no Ensi*o Fu*damental, ela
"tem
por objetivo estudar as *ela*ões entre o processo histórico na formação d*s socieda*e*
Rev. FSA, T*r*sina PI, v. *3, n. 7, art. 7, p. 109-*31, jul. 2026
**w4.Unifs*n*t.com.*r/revista
F. W. M*chado, R. L. Araú*o
132
hum*nas e o funcionamento da nat*reza por meio da le*tur* do *ugar, do território, a *artir d*
su* pa*sa*em" (Brasil, 2017, p. 26).
Para se tra*a*ha* a interd*sciplinaridade na dis*ipl*na d* G*ografia, é pre*is* encontr*r
quais ** pontos d* t*ma
que
serão *bordados e o que se tem ** comum com ou*ras
disciplin*s. É pre*iso *azer
uma ponte entre as
áre*s *ue ser*o tr*balhadas, até p*rqu*
nem
sempre vã* estar **gad*s *** um me*mo p*n*o de v*sta.
Para tanto, é fu*damen*al que parta do docente essa habilidade de po*enci*li*ar os
temas que s*o const*utos da *eog*af*a escolar, com a exist*ncia
d* práticas inovadoras
capazes de possib*litar uma ampliação do ponto de *ista ** aluno, em um conhecimento de
for*a integral
Para o Ensino
Médio, o supracitado docume*to, por meio das *rient*çõe*
Curr**ul*res
**ra Ensin* Médio, esp*cifica que a Geografia o
tem por objetivo "compreender
a
di*âmica social * *spac*al, que produz, r*produz e transforma o espaço geog*áfico **s
diversas *scal*s (loca*, *egio*al, nacional e mundi*l)" (Brasil, 2017, *. 43).
A Geografia brasileira se i***ia
com sua di**nsão escolar, no Período Co*o*ial. a
T*ndo o sis*em* formal
de ensino organi*ado pelos Jesuítas, normatizado n* Ratio
Stu*ioru*, *ue consistia em *m plano de
organização pedagógi*a e adminis*rativa das
institu*ções jesuítica* em **do o mundo. Entr*tanto, nesse contexto, * Geogr*fia e*colar *ão
possuía autonomia, es*a*do muitas
vezes vincu*ada a outros campos. Rocha (2000, *. 56),
*bserva que:
O* sabere* geográficos eram mo*il**ados na pr*ti*a do erudit*, ou sej*,
subsidiavam a compreensã* d*s o*ras li*er*rias das dis*iplinas dominant**,
com* o *atim e o gre*o. Ad*mais, eram ab*rdados ensinamentos *obr* a
Terra, em con*xão co* o* conhecimentos da ast*ono*ia, da cosmografia,
da cartogra*ia e d* ge*metria.
A*sim sendo, em *elação ao ensi*o d* com*onente cur*ic*l*r Geo*rafia,
é
essencial
destacar
q*e e*se c*mpon*n*e está p*esente em to*as as etap*s
da
educ*ç*o básica, on**
a
existência d* temáticas
que
comp*em
o bojo da *eog**fia escolar torna-se de
ex*rema
rel**ância, sob*e*ud* na cont*i*uiç*o para que
o
alun* consiga de forma crítica e reflexiva
c*nhe*er a dinâmica socioesp***al e* que e*tá incluído par* q*e, a*ravés dos conhecimentos
estruturantes, poss* a*ir de forma consciente.
A Geo*rafia, como c*mpon*nte *urricular na escola bási*a, tem p*r obj*to de est*do o
es*aço geográ*ico, **ndo e*te o fru*o *a r*l*ção re*ípro*a ent*e sociedade e natureza. **sim, a
R*v. *SA, Teresina, v. *3, n. 7, art. 7, *. 109-131, jul. 2*26 www4.Uni*sanet.com.br/revista
O Ensi*o de Geo*raf*a no Cont*xto do *ov* Ensino Mé*io: A Interdisci*linaridade nas Ciênc*as Hu*anas
13*
Geografia Esco*ar tem por finalidade a co*struçã* * difu*ão d* saberes que poss**ilitem o
raciocínio geográfic* e a con*c*ência espacial (Moreira, **07).
Dessa form*, o ensino de Geografia deve partir da realid*de local do* *ujeitos para
a*ar**r a visão de mundo * assim abrange* g*ob*lm**te *s fen*men*s na*urais q*e com**em a
ciênc*a *eo*ráfica. Nesse s*nt*do, o *nsino deve pa*tir sempre da tomada do co*hecimento
p*évio d*s sujeitos p*r* promov*r uma discussão am*l* acerca dos fenômeno* q*e compõ*m
as ciênc*as natura*s.
Seg**do S*vi*ni (1*8*), * homem não
é
um ser p*ssivo, mas alguém q*e reage
peran*e o seu m*io
natural * *ultural, mostrando-se capa*
de ac*itar,
*ejeit*r ou t*ansformar
esse mei*. D*í que a formaç** de um cidad*o s*cialmente co*sci*n*e e p**ticip*tivo constitua
o objetivo prime*ro do empreen*iment* e*u*acional. Nesse s*nti**, a c*ntribuição da escola
se define n* perspectiva de p*ssibilitar ao e**cando *ondições de *es*nvolvimento
h*mano *ue o cap*citem a conhecer * co*preender a rea*idad* *m qu* vive, par* decisões *e
açã* *ess* meio.
Cavalcant* (2010) argument* *ue o ensino *e Geografia na educação básic* tem um*
gr*nde r*levância n* for*ação crític* dos alunos n*
sociedade e
por ta* importâ*cia fa*-se
**prescindível tr*lh** um ca*inho didático, **de os profess*res inovem os seus pla*os de a*la,
busca*do ensinar a *eografia *e acordo c*m a realidad* do al*no.
*orta*to, a imp*rtâ**ia
d* e*uc*ção
geogr*fic*,
como
a de qual*uer dimensão
curricular,
decorre fundam*ntal*ente da concepção de cidadão q*e um* **ciedade prop*e
como referencial de orientação
ao processo educativo esc*lar. No que co*cern* à edu*a*ão
*eográfica na e*ucação
bás*ca,
de f**ma pro*ícua, é *azoá*el entender que,
para a prát*ca
pe*agógica * * hábito professoral, é
*ssen*ial a
compr*en*ão de estratégias
de e*sino por
meio *e me*odol*gias que articule* c*ência
e realidade,
ela*oran*o a dimensão *ócio-
históri** dos conteúdos escolares.
A* *efl*xões sobre *
imp*rtância *o conteúdo *o processo
ens*n*-aprend*za*em têm
sido mot*vo d* di*c*ss*es sobre o m*do de como *e e*sin* e o que *e e*s*na. Essas discussões
ganham corpo com * te**ia p*d*gógica que se pro*õe trabal*ar o con*eúdo de maneira a
concreta e dinâmica, sendo o *luno
o centro do
pro*esso educativo, o s*jeito de su* p*ópr*a
*prendizagem, e o **ofe*so* atu*ndo seria o fa*ili*ador.
Al** de pesq**s*dor, o professor é considerado um profissional com in**eros saber*s.
Est* plural*dade de sabere* é adquiri*a n* con**xto de su* vivênci*, *a formação inicial,
adquirid* nos cursos de lice*ciatura e decorrer d* sua *a*reira do*ente. O processo de mediação
Re*. *S*, Teres*na PI, *. *3, n. 7, art. 7, p. *09-13*, jul. 2026 www4.Un***an*t.com.br/*ev*sta
F. W. *achado, R. L. Araú*o
134
**tá intri*secamente rel*cio**do à *d*nti*ade do professor,
por ser adquirid* no d*co*re*
da
vida.
**g**n*o o raciocínio de *ardif (2002), nota-s* q** *s *i*ersos s*beres d*centes,
associados * vivência e id*nt*dade do professor dão lugar ao se*tido de promover uma
*ducação transf*r*ad*ra. Esse proce*so ocorre porque o *rofessor es*á lida*do
automa**camente com os *r*blem*s so*iais que oc**r*m cotidiana*ente.
A supe*açã* d* um *nsino de G**grafia *a educaç*o b*sica nos mold*s tradic*ona*s,
ba*eado
em r*petições e dando ênfase a *ma condiçã* mnemônica, de*e s*r mobil*zado por
um con*unto d*
ações *ed*gó*icas d* profess** que vão d*sde o conhec*mento técnico
das
temát*ca* abordad*s pela *iênci* geo*ráfica at* uma *eflexão so*re s*a for*a *e ab*r**ge*
(didá*i**) den*ro da sala ** au*a, podemos colocar ta*b*m nesse m**e o uso *e meto**logias
ativas e dos r*cursos did*ticos não c*nvencionais.
Pa*a en**quecer esse debate, considerando as *ir**rizes Curricul*res Na*ionais (D*Ns)
(2008) na ed*cação básica, o professor ** G*ografia d*ve planejar a*las dinâmicas, *tiliz*ndo
recursos didáti*os que e*t*mul*m os alunos, como por exem*lo: a*las p*áticas, u*iliz*ção *e
maq*etes, fotografia* aéreas, imagen* de sa*élite, recurs*s *údi*os. Essas dire*ri*es enfatizam
ta*bém qu* *s **las tradicionais e *egularmente teór*cas n* Geog*afia atual não despert*m
mai* o interesse do aluno, ap*ntando a
utiliza*ã*
das metodo*ogi*s ativ*s co*o altern*tiva
meto*ológica.
O ensino d* Geografia na educação b*sica, *ortanto, demanda *o professor cada vez
*ais habilid*d*s, haja v*sta q*e em temp*s hodi*rnos estamos *ivenci*ndo inte*sas alterações
no *spaç* geogr*fico. Daí,
urge
a ne*essidade do us* *e tecnologias, des*nvolvimento
socioemo*iona*, did*tica de inclusão, dentre outros, como desafios com os quais o profes*or
se de*ara em su* v*vência profissional.
Co*fo*me Faze*da (1994), * inter*i*ciplin**idade teria s*do uma res*o*ta a tal
r*ivindicação, n* medida em que os grande* *ro*le*as da época não **deriam ser res*lvidos
*or u*a única *isciplina ou área do sabe*. Des*e mod*, n* fina*
d* dé*ada de 60,
a
inter*isciplinaridade
chegou * *og* exerceu i*fluên*ia n* elaboração da *DB, Nº 5.*92/71.
De*de e*tão, s*a presença n*
ce*ário educ*ci*nal bras*leiro te*
se
int*nsi*icado e,
rece*tem*nte, m*i* ainda, com a nova LDB Nº 9.394/96 e c*m os PCNs.
Dessa forma, a *nte*ção é situar qu* projeto de uma o
educação c*m b*se
úni c a
e
padronizad* no Brasil remete a d*ferentes momento*
h*stóricos, mar*ad*s por distint*s
s*tuações polí*i*as * soc*o**on*micas p*las q*ais já passou a sociedade bras*le*ra. As
Rev. F*A, T*resina, v. 23, n. 7, art. 7, p. ***-1**, jul. 2*2* www4.Un*fs*net.co*.br/re*ista
O Ensino ** Ge*gr**ia *o Contexto do *ovo E*si*o Médi*: A Interdisciplinar*dade nas C*ências Humana*
135
tendências pa*a a educa*ão b*asi*eira não estavam desconexas dos momen*os mais marcantes
da história ec*nômi*a *undial e nac*onal.
Ne*se con*exto, * importânc** da Geografia como dis*iplina curric*lar obri*atória nas
escolas *stá relacionada à necessida*e de dese*v*l*er o pensam*nto *eogr*fico nos alu*os.
Isso si*n*fica não apenas fo*necer inform*ções s*bre o mundo, mas t*mbém e*si*a* os *lun**
a **servarem, anali*arem e compreen*erem cr*ticamen*e ** fenômenos geográficos.
D*ante desse cenário, reaf*rma-se * im*ortância da Geografia escolar como componente
essencia* p*ra a forma*ão
c*dad* e
para * c*mp*eensão *rítica das transformaç*es
s*cioe**aciais
con*empo*âne*s. Co*forme argumen*a Gomes (2017), a educa*ã* deve
constituir-se como prá*ica liberta*ora, capa* d* *ossib*lita* aos sujeitos a leit*ra
cr**ica do
mu*** e a construç*o da *onsciência *ocial.
Assim, o ensin* de Geografia ultrapassa * simples transmiss*o *e conteúdos técnicos
ou d*scritivos, assu*indo *ape* fundam*ntal na
formaçã* de estudantes
consciente*
*a*
d*s*gualdades t*rrit***ais, d*s confli*os soci*ambie*tais * das m*l*ipl*s re*ações que estruturam
a sociedade c**temporânea. Nesse sentid*, *ensar a interdisciplinaridade nas Ciências
Humanas impl*c* rec*nhecer a necessidade de práti*as
pedagógi*as di*lógic*s, c**ticas e
*umaniza*as, q*e va*orizem os
d*fe*entes saberes **ntribuam para a *onstrução de uma e
educação comp*ometida c*m a emancipação humana * com a *r***formação social.
3 C*NSIDERA*ÕES FINA*S
As discu*sõ*s desenv*lvid*s ao
longo deste *studo permitiram compr*ender *ue
o
ens*no *e G*ograf*a, no
c*ntext* do Novo Ensino Mé*io, encontr*-s* inserido em um
cená**o de profundas transformações curri**lar*s, pedagógi*as * *nstituciona*s. A refo**a
educacional implementa*a **s últimos *nos provo*ou mudança* s*gnificativas na
organização do currí*ulo escolar, especialmen*e ao i*stituir
* **trut*ra por áreas do
conhecimento, *razen*o impactos diretos para a
constitui*ão
das Ciências Human*s
e
Socia** Aplicadas e, consequ*ntemente, p*ra * lugar
ocupado pela Geografia no proce*s*
*ormativ* dos est*d**tes.
*esse conte*to, to*na-se evidente que a interdis*iplinar*da** em*rge co*o um dos
principais fundamen*os da propo**a d* Novo Ens*no Médio. A inte*ração *nt*e os difer*n*es
compon*n*e* das Ciênci*s Humanas possibilita * *ons*rução
de
práticas pedag*gi*as mais
art**u*ada*,
*o*text*ali*adas
e *r*ximas das experiência* vividas pe*os e*t*dantes. A
G*ogra*ia, ao dialog*r com a His*ória, a Socio*og*a e a Filosofia, amplia suas p*ssibili**des
Rev. FSA, Ter*s*na PI, v. 23, n. 7, art. 7, p. 109-13*, jul. 2026 **w4.Unifsanet.co*.br/revista
F. W. Machado, R. L. Araújo
136
*e interpr*tação ** realida*e, favor*cend* a**lises mais compl*xas a*erc* das *inâmicas
so*i*i*, econômicas, políti*as, cul**r*is e ambientais que estruturam o espaço geográfico
*ontemporâ*eo.
E*tretanto, embor* o *isc**so *f*cial d* reforma apresente a
inter*isciplinaridade
como element* centr*l para a co*s**u*ão *e *m* educação mais signific**iva * inova*ora, a
rea*idade das e*colas e*idenc*a inúmeros des*fios para sua efetivação. *uitos pr*fesso*es
ainda enfrenta* dificuldade* relac*o*adas à *usê***a de tempo para *lanejament* coletivo, à
*arência de formação *ontinua*a especí*ica para o
trabalh* interdisciplinar
e
às l*mit*ções
estrutu*ais p*esentes n* co*id*an*
escolar. Soma-se a isso a inse*urança *rovocada p*las
muda*ças curricu*ares e pelas *ncertezas acerca da pe*manência e da va*oriz*ção de
dete*minados comp*nente* curr*culares de**ro da n*va organiz*ção do en*in*.
*o longo *o trabal*o, observo*-se também que um* *as maiores preocupa**es
em torno do Novo Ensino Médio r*fere-*e justa*ente ao p*ssível *nf**queci*ento
da
Geogr*f*a e*qu**to disciplina fundam*nt*l para a f*rmação c*ítica dos *studante*. Quando
os conteúdos geográficos passam a *er traba**ados apenas de for*a i*tegrada ou *iluída n*s
áreas *o con*ecimento, corre-*e o r**co
de *edu*ir * prof**didade das análises e**aciais
e
comprometer a *ompreens*o crí**ca da* relaçõ** ent*e sociedade e espaço. Tal si**ação
torna-se ain*a ma*s pr*ocu*ante em um
contexto marcado pelo ava*ço
das desi**aldades
soc*ais, da* *ri*es ***ientais, da* tra*sformações
territ*r*ais e das disputas po**tic*s que
**raves*am o mun*o *ontemporâneo.
Nesse
sentid*, *eaf*rma-se importância da Geografia es**la* co*o camp* do a
c*n*ec**ento esse*ci*l pa*a a for*aç*o cidadã. M*i* do que *rans*itir conteúdo*, * ensino
de *eografia p*ssui a capa*idade de esti*ular a l*itura crítica *a r*ali*ade, contribuindo para
*ue os estuda**es compreenda* ** processos de produ*ão do
esp*ço, as desigual**des
socio*s*a*i*is, os co*f*itos te*r*toria*s e
as
*iferentes
formas *e or**nizaç*o da sociedad*.
Trata-se de uma disciplina que *ossibilita ao aluno rec*nh*cer-se como sujeito
h*stórico
*
*spac**l, capaz de int*rpretar, q*est*onar e t*ansformar a r*ali*ade e* *u* vive.
Alé*
di s * o, a
in*erdisciplina*idade, quando construída de m*nei*a pla*ejada,
c*laborativa e
cr*tica, pode *ortal*cer signif*cativamen** en*i*o das *iências H*m*nas. *
Cont*do, é impo*t*nte de*tac*r que
o trabalho interd*sciplin*r não
deve signific*r
a
descar*c*erização
ou o apa**men*o da* especific*dad*s epis*emológicas
de ca*a área do
conhecimento. Pelo con*rário, o diálogo en*re as disciplinas precisa ocorrer de forma
Rev. FS*, Tere*ina, v. 23, *. 7, art. 7, p. 109-13*, ju*. 2026
www4.Unifsane*.com.br/*evista
O Ensino de Geog**fia n* Contexto do Nov* Ensino Médio: A *n*erdisc*plinaridade nas C*ênc*as Humanas
137
equ*librad*, respeitando os fundamentos teóri*os e metodoló***os que con*tit*em a
identid*de da Geografia enqu*n** ciênci* e comp**ente cur*icular.
Ou*ro as**cto *elevante *vi**nciado neste estudo d*z res*eito ao papel do profe*sor
dian*e das mu*anç*s propostas pelo Nov* *ns*no Médio. Os docentes assumem
protagonismo na
construção das prá*icas interdis*iplinares, sendo respo*sáveis por *ediar
conhecim*nto*,
pr*mover refle*ões críticas e aproximar os conteúdos da reali*ade social dos estudantes. No
entan**, para que isso o**rra ** ma*eira ef*tiva, torna-se ind*sp*nsáv** a v*lorização
*rofissi**al, a a*pli*ç*o *as p*lí*icas d* fo*m*ção co*tinuada e a garantia de condições
*dequadas de *rabalh* nas escolas *úblicas b*asileiras.
Dessa forma, compr*en*e-se que os desa*ios *mpo*t*s a* *nsino de *eo*rafia
no
N*vo Ensi*o Médio u*trapassam qu*stões me*amente c*r*iculares, env*lvendo também
d*mensõ** políticas, *ociais * pedagógicas. A construção *e *m* educaç*o verdade*ramente
crítica, de**cr*tica e *ma*c*padora exige não *pe*as mud**ças e*tr*turais *os document*s
of**iais, mas, sobretud*, investiment*s con*ret** na valoriza*ão da esc*l* pú*lica, na
a*to*o*ia doce*te e na ga*antia d* uma *ormaçã* humana integral para todos os est*dan*es.
Por fim, e*pera-*e q*e *sta pes*u*sa *ontr*bua pa*a ampliar as reflexões acerca do
ensino de Geografia
no cont*x*o das
a*uais ref*rmas educac*onais,
es*imulando novos
debates sobre **terdis*iplina*idade,
curr***l* e forma*ão docente. E*pera-s*, ainda, que
o
est*do possa c*laborar para a constr*ção de prá*i*as pedagógicas mais huma*izadas, crí*icas
* socialmente comprometi*as, re*fir*an*o a importância da Geografia na formação d*
sujeito* *on*cientes, partici*ativo* e capazes d* compr*e*der as múltiplas re*açõe* que
cons*itue* o es*aço geográfic* * a so*ie*ade *ontem*orân*a.
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Contribui*ão dos Au*ores
F. W. Machado
R. *. A*aúj*
*) concepç*o e p*anejame*to.
X
2) análise e inte*pretação dos *ad*s.
X
3) **abo*a*ã* d* **scunho ou na r**isão c*í*ica do conteúd*.
X
4) part*cipa*ão na aprov*ç*o d* *e*são final *o manuscr*t*.
X
*ev. FS*, Tere*in*, v. 23, n. 7, *rt. 7, p. 10*-131, j**. 202*
www4.Unifsanet.co*.*r/*ev**ta
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