Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.Unifsanet.*om.br/revista
Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, *u*. 20*6
ISSN Impresso: *806-6356 I*SN Ele*rônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/20*6.23.7.3
M*os no Leme, Olhos no Mar: Como a Face *o *onselho R*fl*te a Es**atégia Fiscal **
Empresa?
Han*s on the Helm, *yes o* t*e Sea: How D*es the Face of **e Boa*d Reflect *he
C*mpany'* F*scal St*ategy?
Luise Vitoria *at*i
Graduanda em C***cias Cont*beis pela (UTFPR)
*-mail: luis*matei@gmail.*om
Nicole Fioren*in
*raduanda em Ciê*cias Cont*be*s pela (UT**R)
Email: *ic*lefiorenti*@a**nos.utfp*.edu.br
Ana Flavia *e*so Arendt
*acharel em D*reito pela (FADEP)
B*cha*el em Ciência* Con*áb*is (UT*PR)
E-mail: f*av*a.*enso@hotm*il.c*m
Luciane Dago*tini
Doutora em Contabilidade *ela (UFPR)
Profes*o*a *d*un*a do M*gis**rio Superior da U*i*ersi*ade Tecnol*gica Fed**a* do Paraná
E-mail: lu.dagos*ini20*0@*mail.com
E**e*eço: *uise Vit*ria Matei
V** do Conhe*imento, */n - KM 01 - Fra*on, 85*03-390.
Edi*or-Chefe:
*r.
Tonn*
Kerley
de
**encar
(46) 3*20-2511. Pato Br*nco - *a*aná - Brasil.
Rodrigue*
E*dereço: *icole F**renti*
Universidade Federa* de Mat* *rosso (UFMT). Avenida
Artig* recebid* em 26/05/2026. Última versã*
Ferna*d*
Corrêa da
*osta, nº
2.3*7,
Cu*a*á,
Ma*o
recebida em *0/06/2026. Aprovado em 1*/06/2026.
Gr*sso, *r*sil - CE* 78060-900.
Endereço: A*a Flavia Pe*so **endt
Av*liado *elo si*t*ma Tr*ple Review: Desk Re*iew *)
Universidade F*deral de Mato Gro*s* (*FM*). Avenida
p*lo Editor-Ch*fe; e *) Double Blin* Review
Fer*ando
Corrêa da
Costa, nº
2.367,
C*ia*á,
M*to
(avaliação cega por dois av*liado*es d* área).
Grosso, Brasil - CEP 780*0-900.
Ender*ço: L*ciane Dag*stini
Revisão: Gramatical, Nor*ativa e de **rmataçã
Via do Conhecimento, s/* - K* *1 - F*aron, 855**-390.
(*6) 3*2*-*511. Pato B*anco - P*raná - Bra*il.
Mãos no Le*e, *lhos no *ar: Como a Face do Conselho *e*l*te a Estraté*ia Fiscal da Emp*e**?
5*
R**UMO
A pesquis* tem como objetivo
*er*l ide*tificar * perfil do *onselh* de administração
das
empresas brasil**ras listadas qu* realizaram transações c*m *artes re*acionada*, l*c*lizadas
em países considerad*s paraís*s *iscais. A abordagem m*todoló*i*a foi descritiva,
documen*al e *uantitati*a, e*volvendo 3* empresas b*asilei*a* li**ada* n* B* *ue real*zar*m
**ans*çõe* c*m par*es re*acionadas *m **íses cl*ssifi*ados co** p*raísos fis*ais, entre 2022 e
2024. Quan*o às características conselho de a*ministração, foram conside*ados o
tamanho,
independência, exp*rtise *inanceira, dualidade, *ênero e id*de. E*idenc*o*-se qu* os maiores
volumes de t**nsa*ões com par*es relaciona*as concentram-se nos segmentos de NM e N*.
*uanto
ao perfil de *omposição do consel*o de ad*inistração
das em*resas analisadas,
apurou-se
qu* atende*, em s*a maioria, às orientaçõ*s do IBG* em
relação *o
tamanho,
i*depe*dênc*a, expe*tise financeira e dual*dade. Já a presença d* mu*heres, ainda é *iscreta.
Quanto à ida*e média dos m*mbros, oscilou *ntre 54 e 60 ano*. Os achados apontam **ra um
cenário *ujas prática* de planejamento trib*t*rio in*e*nacional estão prese*tes entre *mpresas
brasilei*as d* c**ital aberto, ind*pende*temente d* nível d* GC
em que estão alocada*. A
s*f*sti*ação
dess*s estruturas sua *er*istê*cia ao longo *o p*ríod* sugerem *ue *las são e
parte i**egrante ** estratégia co*p*rativa, sup*rvi*io**das pelos consel*o* de administração, e
não re*ultado de la*unas de contr*le. Isso é
*m convite à *ef*exã* sobre *s limites e as
*ossib*lidades da GC como m*cani*mo *e mo*eração do pl*nejame*to tr*b*tário agres*i*o n*
c*ntex*o brasile*ro, em linh* com as p*eocupaçõ*s expressas
pela OCDE (2*13) quanto
à
*rosão da *ase tributária global.
**lavras-chav*: Paraíso* fiscais. Conselho de Administração. *overnança *orpor**iv*. Profit
shifti*g. Trans***es com *artes re*acionadas. Planej*ment* t*ibutár*o.
*BS*RAC*
The o*e*all
objective of this research i* to
identify th* *rofile of the boa*d of directo*s of
*isted **a*ilian comp*nies that *ave conducted t*an*actions with related part*es l*cated i*
countries c*nsidered t** havens. *he metho*ologi*al approach was descriptive, do*ument**y,
and quanti*ative, *n***v*n* 30 Br*z*lian c*mpanies lis*ed o* th* *3 that cond*cted
transactions with relate* pa*ti*s in countries classified as *ax havens be*ween 2022 and 2024.
Reg*r*in* the *haracteri*ti*s of *h* *oard of direct*r*, size, independence, f*nancial expertise,
d*al*t*, gender, *nd a*e were con**de*e*. It was
evid*n* that the largest v*lum**
**
*ransac*ions with related part*es are concentrated in the NM and N2 seg**nts. Regard**g *he
comp*sition p*of*le o* t**
board *f *irecto** of the anal*zed companies, it was f*und that
mo** me*t *he I*GC guidelines reg*rding siz*, inde*endence, fin**cial expert*se, and duali*y.
However, t*e pr*se*c* of *omen is still di**r*et. The average *g* *f the me*bers *ang*d
betwe*n 54 a** 6* years. The f**dings **int to a scenario in w*ich int*rn*tional ta* planning
pract*ces
are pre*ent among pu*l*cl* tra*ed Brazi*ian c*mpanies, rega**l**s of the *evel of
corporate *overn*nce (*G) in which t*ey are *l*oc**ed. Th* sophistication of th*se s*ructures
and t*e*r pe*sist**ce over the *eriod **gges* *hat
they *r* an
*n*egral part of corpor*te
strategy, over**e* by bo*rd*
of
d*re*tors, and not *he *es*lt of
c*ntr** *aps. This *nvites
ref*ect*on on the limits and possibilities of CG as a mec*anis* for moderating aggressive t*x
planning in the Braz*lian context, in line w*th the co*cerns expressed b* th* *ECD (201*)
r*gardi*g the er*sion of t*e g*o*a* tax b*se.
Keywo*ds: T*x *aven*. Board of Directo*s. Corporate go*erna**e. Pro**t *hif**ng. Rela*e*-
party t*ansactions. Tax p*an*ing.
*ev. *SA, Te*es*na PI, v. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, jul. 2026 ww*4.Un**s*net.com.br/revis*a
*. V. Matei, N. F**rentin, A. F. P. Arend*, L. Dagostini
*2
1 INTRODUÇÃO
O **ntexto *ri*u*ário *e um det*rm*n*do país *ode ser decisivo p*ra que u** empres*
*ecid* estabelec*r-*e nele pa*a realizar *uas ativi*ad*s, seja est* sob a for*a de i*c*n*ivos
fis*ais conced*dos p*lo governo, seja pela diferenç* de alíquota* de *rib*tos *ncidente* sobre
*ua op*ração (BARRIOS et
al., 2012),
uma vez
que * c*rga tributár*a incidente sobr*
as
emp**sas p*de representar
*m do* seus m**ores desembolsos *nua*s, se
com**rada aos
dem*is custos d*correntes
da s *a
*tividade op*rac*o**l (COOPER; *GUYEN, 2020). Por
ess* motivo as e*pres*s f*zem *eu planejame*to t**but*rio, buscando po* incent*vos f*scais
*u **r locais com tributação reduzida (BARRIOS e* al., 2012).
Ne*se senti*o, a In*trução No*m*tiv* da Receit* Federa* do *rasi* (*FB) n.*
1.037/2010 es*abel*ce **ais pa*s*s são cons*de*ados paraísos fiscais, sendo eles locais que
n** c*bram impo*t*
sobr* renda ou tributam c*m a
uma alíquo*a inf*r*or a **% (d*zessete
por cen**). Ta*bém se inc**e* aq*e*es em que *nfo*m*çõe* como * composi*ão soc*etária da
empresa, a id*ntificação do* sócios o* acionistas e * revelaçã* do benef*ciário **nal dos
rendime*tos *ão mantida* em sigilo (BRASIL, *010).
Na sequê*cia, a L** n.º 12.973, de 13 de maio de 2014, trouxe importantes avanço* *o
com*ate *vas*o fiscal à
internacional. Ess* lei es*abelece
normas para padronizar ope*açõ*s
r*lac*ona*as a preç*s de transferênc** e a tr***tação d*s lucros
obti**s p*r empresas
b*asileiras e* transações rea*izadas no exter*or. A referi*a lei *isa reduzir as *ráticas d*
man*pulação de l*cros em tra*sações com part*s relaci*nad*s (TPR) localizadas em *araíso*
fi**ai* (SILVA e* al., *025).
Isso post*, tor*a-se necessário con**ituar o que são TPR. De *co*do
com
o
Pronunciamento *écnic* CPC 05 (R1), *s T*R corresponde* à t*ansferência de recursos,
serviç*s
ou ob*iga*õ*s
ent** entid*d*s o* pessoas rel**ionadas, independend* de *ma
contraprestação. E*s*s operações podem est** a*r*ladas às e**ratég*as tributária* de *ealocaç*o
dos lucro* trib*táveis para os paraísos fiscais, reduzindo o pagamento *e t*ibut*s sobr*
o
*ucro e ma*im*zando resultado g*obal do *
*rupo, sendo conhe*i*o como
*rofit shifti*g
(RATHKE, 20*1).
Esse *rocesso *corre por meio de d*fer*n*es *ecanismos c*m* a manipu*ação dos
preços de tra*sferência
em transaçõe*, tr*nsf*rê*cias de roy*lties e se*viço* entre partes
relacio*ada*,
além da alocação es*ra*égica
de a*iv*s intangíveis para os para*sos
fi*cais
(RATHKE, 2021; COOPER; NGUYEN; BEE*; LOEPRICK, 2015). *o *nt*nto, destaca-se
qu* o p* of i t
shif*in*,
em si, não uma es*raté**a **egal, sendo considerado um m*todo de é
Rev. FSA, *eresina, v. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, jul. 20*6
w*w4.Unifs*net.com.br/revista
Mãos no Leme, Ol*os no Ma*: Com* a Face d* *ons*lho Refl*t* a Estra*ég*a Fi*cal da Empr*sa?
53
pl*n*ja*ent* tributário que p*de ser utilizad* pelas empresas em transaç*e* rea*izadas *m
gr*po ou *om parte* relacio*a*as (JACOB, 2018; RATHKE, 2021).
De acor*o c*m *ørs*øv et al., (2018), cer*a de
40% dos luc*os *a* em*res*s
mu**in*cionais s*o tr*nsferidos para par*ísos fiscais por meio de **áticas
qu* remetem ao
pro*it s***ting. Dia*te *isso, torna-se neces*ário in*estigar
qu*is
f*tor*s i*ternos
*s
org*nizações influen*iam a adoção
dessas p*áticas. *esse c*nário, com um ambiente
*egulatório e econômico
cada *ez mais de*afiador, a governa*ça corporati*a (GC) *e to*na
f*ndamental **ra
as empresas, *endo a responsável pela *ua direção (**ANG, *022).
O
con*elho de adm*ni*tração (*Adm) des*mpenha um papel deci*ivo na gestão de *onfli*o* *e
i*ter*sses, **ém de supervisio*ar e **laborar na tomada de decisões estrat*gicas (MARTINS,
2005; *IANG, 2022).
Es*udos no con*exto interna*i*nal demon*tram **e as ca*a*terís*icas do CAdm como:
tamanh*, g*n***, *xper*ise, dualidade e ind*pendên*ia *êm ligação direta c*m as p*á*icas de
profit shifting (S*RI, *020; DELI* et **., 202*; ARMSTRONG et al., 2015), con*omit*n*e a
isso, o CAdm, princip*l órgã* da GC, *xerce influ*n*ia **gnif*cat*va na tomada de decisões
estratégicas * fisc*is das empres*s (IBGC, *023).
No entanto, * *mb*ente regulató*io e econômico e* que foram realizados estes
*stud** não se compara com o cenário b*a*ile*ro (MIN*ICK; NOGA, 2010; ARMSTRONG
*t
al., 2015), a*rindo precedentes **ra pesquis*s nesta área. Há, portanto, uma lacuna
si*nificativa em estudos que *ntegrem a GC e explorem o *enômeno do profit shif*ing em
*iferentes se*o*e*, **pos *e em*resas e j*risdições (RATHKE, 2021).
Diante disso, surge a quest*o c*ntral deste estudo: Qua*
o
p*rfil do conselho
de
administ**ção das ****e*as bra*i*eir*s listadas qu* *ealizara* transa*ões com *ar*es
relacionad*s localizadas em
países *onsid*ra*os paraísos fisc*is? Conco*i*ante a *ste,
o
objetivo g*ral da
pesquisa consiste
em identifi*ar o p*rfil *o cons*lho
*e administr*ção
das
e*pr*sas brasileiras lis*adas que realizaram tran*açõ**
com
partes r*lac*onad*s, l*c*l*zad*s
*m países cons*derados para**os fis*ais.
* *esquisa jus*ifica-se p*r três razões pr*ncipai*. Prime*ro, supre lacunas identific*d**
na litera*ura br*sileira, *nde p*s*uisas sobre profit shifting *ão ***ipientes e
estudos q*e
integrem GC e práti*a* de profi* shifti*g são q*a** in*xistent*s (RATHK*, 2021). Segundo, *
Bras** *ossui u*a das maiores carga* tributá*ias do mundo (JAC*B, 2018), * q** intensifica
o in*entiv* d*s empresas para
*dotar e*tratégia* de planejamento t*ibutário internacional,
to*nando o tema relevante tant* academicament* quanto *ara a es*era *egulatória e f*scal *o
*aís,
um a
v*z que essa transferên*i* dos
luc*os pa*a o* paraísos
fiscai* reduz a
arrecadaçã*
Rev. FS*, Teresin* PI, *. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, jul. 202*
www4.Uni*sane*.c*m.br/revi*ta
L. V. M*tei, *. Fiorentin, A. F. P. Arendt, L. *a*os*ini
54
por *arte *a Uniã*,
comprometendo o investi*en*o em serviço* p*blic*s
essen*ia*s e o
*esenvolvimento do *aís (JOHANNESEN et *l., 2020; RATHKE, 2*21). Terceiro: exam*na,
sob diversa* ó*icas, como o perf*l de composi*ão d* CAdm pode
a*etar ** decisões
estratégicas d*s empresas *ue pos**em TP* localizadas e*
paraísos fisc*is, contribuindo
para uma visão in*egrada de um fen*meno ainda pouco explorado no contexto brasi**iro
(**NNICK, NOGA, 2010; ARMSTR*NG ** al., 20*5; RATHKE, 2021).
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 O uso de paraísos fiscais como *st*a*égi* tributária
Co*o *arte da bu*ca p*la maximização do lucro global, em*resas multinacionais
(EMNs) fr*quent*m*n*e adotam es*ra*égias de
planejame*to tributár** que tran*c*ndem
front*iras **cionais (BEUSELINCK; *I*RK, 2022). Dentre essas prát*cas, *estaca-se o profit
shiftin*, que c*nsiste *a trans*erência de lucros tributáveis de jurisdições com alta carga fiscal
p*ra países com alíqu*tas red*zi*as ou n*l**, ev*tan*o ou reduzindo o pagamento de trib*tos
s*bre o lucro (*ARC*A-B*R*ARDO; JANSKÝ, 2024; RATHKE, 2021; *HAR*A*AL*,
2023).
**es*r dessa práti*a ser **alizad* de manei*a l*gal, ac*rreta impactos econôm*c**
e
sociais consid*ráv*is, como a di*inuição das
bases tribut*ri*s e, *onsequentemente,
a
red*ção nas re*eitas para * governo (KASPEROWICZ et al., 2023; *ARCI*-BERNA*DO;
J*NSKÝ, 2024;). Ent**tanto, o g*ver*o faz uma análi*e estratégica d* situação, poi* valori*a
sim a re**ita aufer*da com os tributos, ma* tamb*m s* i*tere*sa *ela quantidade de *MNs
ins**lada* em seu p**s
por conta
dos b*ne*íci*s
g*rado*, tai* com* a
criação *e em*regos,
salário* mai* elevados, reto*no *ndireto de trib*tação sob*e a renda e con*u*o, prestígio
po*ítico, reeleição, en*re out*os (MONGRAIN et a*., 2023).
Frente a isso, Ga**ia-Bern*rdo e **nský (2024) a*urar*m qu* no ano *e 2016, cerc* de
u* tri*hão de
dólares em luc*o* for*m
tr**sfer*do* por *MNs para pa*ses *onsid**ados
p*raísos fisc*is, res*ltan*o ** uma perda de rece*** trib*tária par* *s países de *rigem entre
duzent*s e tre*en*o* bilhõe* d* *ólares em *odo o mund*, ratifican*o os achados de Tørsløv
et al., (2*18), que
*stimaram **e cerc* de *0%
dos lucros obtido* pela* EMNs *ram
transfer*do* para paraísos fis*ais por meio de prá**cas de profit shift*ng.
Adema*s, a prá*ica do pro*it shifting cri* um cenário de co**orrência desl*al e c*d*
*ez m*i* c**pet*tiv*, **neficiando gran*es empresas em detrimen** das pequenas e m*dias,
Rev. FSA, T*resina, v. 2*, n. 7, art. 3, *. 50-75, jul. 202* www4.Unifsanet.com.br/rev*sta
Mãos no Le**, Olhos no Mar: Como a Face *o Conselho Reflete a Estr*tég** Fiscal *a Empresa?
55
por
não t*rem capacidade ou acess* às mesmas condi*ões *ue as em*resas multinac*o**is
(CLAUSING, *020; RATHKE, 2021). Ainda, * maioria das empresas realiza o profit shifting
e*
p*íses popularme*te chamados d* "*a*aí*os fi**ais", visto que são econ*mi*s ainda
pequenas, frequent*ment* ex-colônias *ritâni*a*, como Ilhas Cayman, Bermudas, Il*as
*irgens Britâ*ic*s, *ersey, car*cterizadas p** siste**s *urídicos est*veis, baixos índices de
co*r*pçã* e fort* *strutura de GC, o que aumenta sua *tra*ivida*e par* capit**s *nternacionais
(DHARMAPALA, 2023; HARTF*E*D, LIU; SHEI*H, 2024).
*s*o posto, a *t*lização d* paraísos fi*cais está *ntrinsec*mente ligada a transa*ões
****e partes *elacionadas *e um *es*o grupo econômico, ope*adas m**iante a manipulação
de preço* de transferência, realoc**ão de at*vos int**g*v*is e transfer*ncia de v*ndas e*t*e
j*r*sdições (**NSECA et al., 2024; *LM*TAIRI et *l., 2023). Também, empresas com al*a
in*ensid*d*
te*nológica e em con*t*nte expans*o de subsidiá**as tend*m a estab***cer filiais
n*s**s ce**ros *ffshore para cap*ta*izar
oportu*idades de meno* tributação (VINEETH;
NIDHE**H, 2021; M*K*I
et
*l., 2*20; RATHKE, 2021; DHARMAPALA, 20*3;
HARTFIELD, LIU; SHEIKH, 2024).
Aind*, B*uselinck * Pierk (2022) *videnciaram q*e as empresa* *nvestem em
plan*jamento tributá*io *omés*ico quando as práticas de prof*t *hifting são onerosas ou
difíceis. Garc*a-Bern*rdo e Jansky (20*4) **antificaram a *ag*itude * * d*stribuiç*o
geográ*ica da tran*ferênc** de l*c*os para paraí*os f*sc*is, evidenciando co** essa prática
impa*ta a arrecadação *e nações de di*erente* ní*eis de renda * refo*çando a necessid*de *e
equidade em reformas tribu*árias i*ternacionais.
Diante desse contexto, Fuest et *l., (2*13) *nalisaram as táticas de planejamento
trib*tário agre*sivo, fu**amentadas em
propriedade *nt*lectual (PI) e pr*p*sera* so*uções
reg*latóri*s coordenada* p*ra conter * *rosã* da base fis*al provoca*a*
pelas *MNs.
*oncluíram em def*sa da ampli*ção coorden*da d* retenção na fonte, como via técnica mais
e*ica* para inibir o desvio de lucros via PI. Corrobo*am Mediat* e* al., (2025) q*e *e faz
nec*ssário coope*ação inter**cional e *e*orma* globais para *itigar a elis*o transf*onteiriça,
potencializada *ela erosão de base* tri*ut*rias em países com al*as alíq*ot*s s*br* o lucro.
No Brasil, a Instrução *o*ma*iva (IN) da *eceita Federal do Bras*l (RF*) nº 1.*3*,
publicada no *iá*io Ofici*l da Uni**, no ano de *0*0, lista os 61 *aíses ou dependência* *ue
possuem t*ibutação favo*ecida * aqu*les que adotam regimes fis*a*s
priv*leg*ados
(comument* den*minados para*sos fi**ais). *a ***ela s*o ap*e*enta*os os países e suas *
alíqu*tas tributárias incidentes sobre o lucro.
Re*. FSA, T*re*ina PI, v. 23, n. 7, art. *, p. 50-75, j*l. 2026 w*w4.U*if*anet.com.br/revista
L. *. Matei, *. Fiorentin, A. F. P. Arendt, L. Dagostini
56
Tab*la 1 - Relação de Paraísos Fiscai* e sua* *líquotas sobre o lucro
País
Tri*utação
País
Tributação
Andorra
10%
Ilhas Marshall
0%
*nguilla
0%
Ilha* Maurí*io
3% * 15%
An**gu* e Ba**uda
25%
Il*as Montse*rat
0%
Aruba
25%
Ilhas Solomon
30%
Bahamas
0%
Ilhas Turks e Caic*s
0%
Bahrein
0%
I**as Vi*gens American*s
2 3 ,1 0 %
Barbados
1% a 5,5%
Ilhas Virgen* Britâ**cas
0%
Beliz*
1 ,7 5 %
I*landa
* * ,5 0 %
Br*nei
1 8 ,5 0 %
Kiribati
3*%
Campione D' It*lia
0%
Lebuan
3%
Chipre
1 2 ,5 0 %
Líba**
*7%
Curaçao
0%
L**éria
25%
Djibouti
25%
Liecht*n*tein
1 * ,5 0 %
Domin*ca
*5%
Macau
12%
Emirados Árab*s Unidos
15%
Maldivas
15%
Federação *e São Cris*óvão * *evis
0%
Mônaco
0%
G*braltar
10%
Nauru
0%
Granada
30%
Pan*má
0% a 25%
Hon* Kong
8 ,2 5 % a 1 6 ,5 %
Polin*sia Francesa
0%
I*ha ** Man
0%
Samoa Ame*icana
34%
Ilha de São Pe*ro e Mi*uelã*
0%
Samo* Ocidental
27%
Ilha Niue
0%
*a*ta Lúcia
30%
Ilha Norfo*k
0%
São Martinho
3 4 ,5 0 %
Ilha Pitc*ir*
0%
São Vicent* e Grana*inas
0%
Ilha Queshm
0%
S*yc**lles
15%
Il*as *scensão
0%
S*azilâ*dia
2 7 ,5 0 %
Ilhas Bermudas
0%
S*l*an*to de O*ã
1*%
Ilhas Cayma*
0%
Tonga
25%
Ilhas Co**
0%
Tr*s*ão da Cunha
*%
Ilh*s de Santa He*ena
0%
Vanuatu
0%
Ilhas d* Can*l (Alderney, Gu*rnsey, *e*sey e Sark)
0% a 10%
Fonte: A*apt*do da IN RFB n. 1.037 (2010) e PWC (htt*s://tax*um*aries.pw*.com/quick-ch*rts/corporate-
*nc*me-t*x-cit-rates).
*ão *l*ssif*cados como paraísos fiscais, *ar* a IN *.037/2*1* em seu a*tigo primei*o,
os paíse* ou depen*ê*cias que nã* *ributam a rend* ou que tributam à al*quota infe*ior *
*
17% (dezessete por cento), ou *ue haja r**trição
de *c*ss* às info*m*çõe* relacionadas
à
*essoa jurídica, como beneficiários nã* res*dentes, identificação * **mpo*ição *uadro
societár*o. *at* este que
torna mais complexa a atuação do Esta*o *iante do sigilo
e
opacidade *ue são carac*erís*ica* destas jurisdições, o que *ificu*ta a i*entific*ção e c*ntrole
das *per**ões r*alizad*s *el*s (*ATHKE, *021). N* cená*io brasileiro, Rathke (2**1)
cons*a*ou que as empr*sas bras*leiras apre*entam um ní*el elevado de TPR localiza*as em
pa*ses *om baixa *ribut*çã*, principa*mente em paraís*s fiscais.
Rev. FSA, Tere*ina, v. *3, n. 7, art. *, p. 50-75, jul. 2026 w*w4.Unifsanet.com.br/revis*a
Mãos n* *eme, O*hos *o Mar: Como a Face d* *onselho Reflete a Estratégia F*scal d* E*presa?
57
Nesse contexto, * *resença de um* boa estrutura de GC incentiva que os contri*uintes
dec**rem corretame*te **us tributos (MURS*ED, SAADAT, 2018). *m *on*ra**rt*da, ta*to
a *lis*o quant* a eva**o fiscal d*c*rr*m de uma combin*çã* de f*agilidades n* GC
(HOSSAIN et al., 2024), uma v*z que CAdm
vo*tados *m complianc* t*ndem a s*r mais
conservado*e* tributariamente (AR*S*RONG et *l., 2015).
2.2 O *apel do Co*selh* *e Ad*in*str*ç** nas Estratégias e* Paraísos Fiscais
*o Brasil, o for*alecim*nto da GC oc**reu com a criação do Código *as Me*hore*
Práti*as de *C, publicado pelo In*t*tuto Brasile**o de Govern*nç* Corporativa (*BGC, *9*9).
Is** se deu *elo estabelecimento de normas q*e orientam as *mpres*s *u*nto à organizaç*o
da **tr*tura de GC, a fim de que se tenham bo*s práticas de GC p*rante as partes **teres*adas,
result*nd* em mais transp*rênc*a nas in*ormações divulg*da* (ALMEIDA et al., 2*20).
Ne**e co*texto, Ji*ng (2022) po*icio** o CA*m como o cérebro *a empresa, enqu**to
a GC func*ona como um fluxo
vital que
per*assa t*da * orga*ização. O CA*m é
o
*esponsável *or estabele*er diretrizes par* serem se*uidas, *st**elecendo estrat*gi** para
*lcançar metas * *bjetivos, fic*ndo responsável pela *iscal*zação da *estão execu*iva, atuan*o
como ins*rumento de m*nito*am*nto e *aranti*do q** as d*c*sõ*s estejam *e ac*rdo com os
int*resses dos acionistas (IBGC, 2023).
Ademais,
* IBGC (*023) orienta quanto à composiç*o
da ***rutura da GC d*s
empresas, quais os mecanismos e como estes devem ser compos*os. Primeira*ente, *á
a
As*e*bl*ia Geral, que co*siste na in*tânci* *áxima, *nde
os *ssoc*ados votam e
definem
diret*izes. *a sequên**a, encontra-se CAdm, que * comp*sto por mem*ro* eleitos, o
com
mandato* unificados e *eno*ávei*, avaliados anualm*n*e. Ainda se tem a direto*ia (Bo*rd), os
Comitê* e Auditorias *, *or fim, os Princípios Norte**ore* (IBGC, 2023). A*ém d*sso, este
*ecomenda q*e o CAdm seja co*p*sto por *in*o a nove membro*, de d*fe*e*te* formações,
*brangend* ár*as c*mo adm*ni*t*ação,
contabilidade,
economia, direit*
e
e**eci*l*zações
técnicas *elaciona*as
ao se*or de atuação da empresa. Também orienta que a *aioria dos
membros *eve ser independe*te, sem dual*d*de d* p*esidência e
que **ja d*ve*sid*de de
gênero e* sua *omposi**o (IBGC, 2**3).
*m relação à importância do CAdm, Andrade et al., (2009) evi**nciaram qu*
a
com*osição *o conselho imp*cta mais
o *al*r de **rcado qu*
o lucro, c** eficácia
dependente do port* e
alavancagem
da f*rma. Ainda, Edwards et *l., (20*3) *oncluír*m que
Rev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 7, **t. *, p. 50-75, *ul. 20**
www4.Unif*anet.*om.br/revista
L. V. ***ei, *. Fioren*in, *. F. P. Are*dt, L. Dagostini
*8
qua**o mais ro*usta a estrutu*a de **, men*s *spa*o existe para escolhas contábeis
*isc*ic*on*rias vo**a**s * manipular resul*ados.
Também Alme*d* ** a*., (2*20) dest*cam com* as informações pro*uzidas pela
c*nt*bilidade fundamentam as escolh*s dos gestores,
sendo * ferramenta que *r*ns*orma as
regra* de GC em informaçõ*s concretas * confi*veis para * *ercado. Dessa f*r*a, é ev*den*e
que a orga**z*ção e estrut*ra do CAdm i*flu*n*ia *iretamen** na qual*dade da G*
da*
instituiçõe*, afetand* não *ome*te fator*s como transparência, éti*a e alcance *e objetivos,
m*s t*mbém es*ratégias fisc*is e gr*u de
en*ol*im*nto
da* empresa* *as práti*as de
planej*mento tributário (ARMST*ON* et al., 201*).
A infl*ência *o CA*m no plane*ame*to fiscal i*ter*acio*a* res*d* *a s*a cap*c**ade
*e atuar co** me*anismo de controle o* i*dução de **ressi*idade **ibutária (PAVLOU et a*.,
2025). Nesse *entido, o CA*m se relaciona c*m o u** de paraísos fiscais principalment* po*
*eio de seu papel *a gove*nança e n* apetite por *stratégias fiscais agre**i*as. CAdms m*is
independe*tes e atuantes *endem * restringir prática* abusiv*s *e pl*nejamento tributário
(R*CHA*DSON *t al., 2013).
*inda, *a pr*senç* de estruturas de *C sólidas, há um* tend*ncia de alinh*m*nto
*ntre adoção d* po*tura fiscal da e*presa **m ** diretrizes globai*, tais como o projet* BEPS
* as re*omendações da OCDE, den*tand* que o perfil dos consel*eiros define se a *C *tuará
como *arr*ira ou *m in*entivo à* práticas *e profit
shifting (*RMSTRONG et al., 2015;
PAVL*U et a*., 2025). Além disso, a *iversidade de gêner*, formações a*a*êmicas *aria*as
e expe*iênci* internacion*l no CAd* estão as*ociadas a maiores *ívei* de tra*sparência a
e
ao u*o moderado
de
p**aísos fiscais, dis*inguindo o planejamen*o
líc*to d* práticas evasivas
(PAVLOU et al., 2025).
Richardson et al., (2013) demonst*aram qu* a indepe*d*ncia
do CAdm,
aliada
a
con*ro*es inte*nos rob*stos e *u*itoria* *e alta qualid*de,
atuam c*m* um mecan*smo
inibidor d* agressividade fiscal. ** Ve*lo * Martinez (2014), **idenciaram qu* o plane*ame*to
trib*tário eficiente reduz o r*sco *e mer*a*o das *m*re*as na B3, desde qu* amparado
por
práticas ro**st*s de gover*ança q*e as*egurem a legit*midad* das est*até*ias a*otadas.
Ahme* et *l., (2022) apu*ar*m que tan*o a conce*traçã* de a*ões quanto a *res*nça f*m*nina
no
CAdm reduzem o
uso de par*ísos fiscais. Indican*o qu* estruturas de *ontrole fortes
e
CAdms com *ul*eres tendem a ser mais *autelosos, o que que*tiona a ideia de qu*
o
*lanejamento *ri*utário é apen*s u*a busca por ot*m*za*ão f*n**ce*ra.
Enfi*, evid*ncia-se que a prática de
profit *hi*ting vai a*ém
*e uma questão
puram***e **onôm*c*, está li*ad* a deci*ões e*tratégicas d*
*dm*ni**ra*ão, ao perfil d*s
Rev. *SA, *eresi*a, v. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, ju*. 2026
www4.*nifsanet.com.b*/revista
Mãos no Le*e, Olhos n* Mar: *omo * Face do Conselho Reflete a Estratégia *iscal da Empresa?
59
conselhos e à *ostu*a *tica das org*nizaçõ*s dian*e das *egras fisc**s. A relação entre o CAd*
e os paraísos f*scais é
i*direta, mas intensa, *endo o CAdm, por meio da estrut*ra de GC,
c*l*u*a de risco e *upe*visã* de controle* e auditor*a*, é quem, na prática, a*toriza, limit* ou
rep*ova o uso de para*sos fi*ca*s *as *str**é**as tributárias *a companhia (ARM*TRONG e*
al., 2015; A*M** et al., 2022; PAVLOU et al., 202*). Ainda, CAdms mais indepe*dente* e
c*m presença feminina tendem a adotar uma postura mais cons*r*adora e de *omp*ian*e,
redu*i*do * uso de p*raísos fiscais (RICHARD*ON e* al., 20**; AHMED et al., *022).
3 *ERC*RSO *ETODOLÓGICO
O *bjetivo geral dest* p*squisa consiste em identif*car o perfil *o CAdm da* e**resas
*rasi*eiras listadas que *eali**ram TPR l***lizadas em p*íse* considerad*s paraísos fiscais.
*ara isso, utilizou-se uma a*ordagem metodológ*c* descritiva, quanto ao obj*tivo; quanto ao
p*oced*men*o, como d*cumental e, em re*ação à natureza, caracteri**-s* c*m* quantitati*a.
A se***ão da *opulaçã* compre*ndeu a* 434 e*pres*s *ist*das *a B3 - Brasil, Bolsa,
Balcão. A
definiçã* *a amostra se deu em fevere**o de 2023, por meio de análise das notas
explicativas de toda* a* emp*esas listadas na B3. Foram cons*deradas na a*ostr* as emp*es**
que ate*deram ao* cri*éri*s estabele*id*s para a seleçã*, *endo: (a) existênc*a de TPR no
exterior; (b) existência
*e saldos n*s TPR no exterior; (c) exis*ênci* d* **R sediadas em
paíse* listado* como par*ísos fisc*is, *e acordo *om a I* RFB nº 1.037/2010. *o entanto, o
período de an*lise c*mpreen*eu * pe*íodo d* 2022 * 2024. P*r fim, a amostra fi*al resulto*
e* 30 empresas, confor** apresentado nas Tabelas 2 e 3.
Tabela 2 - **pre*as que comp*em * *mostra
Segme*to de Li**agem
População
Amostra
NM
*9*
*2
N2
21
6
N1
*4
6
MB
10
0
M*
13
1
M2
3
1
DR*
4
*
DR1
5
0
TRAD
161
2
Total
434
30
Legenda: (NM) *ovo Mercado; (N2) Nível 2 de G*vern*nça Corp***tiva; (*1) Nível 1 de Governança
Corpo*ativa; (*B) Balcão Organizado Tradicional; (MA) *ovespa Mais; (M2) Bovesp* Mais - Nív** 2; (DR3)
BDR Nível 3; (DR1) B*R Nível 1; Tr*di*ional (TRAD).
Fonte: Elaborado pelos auto*e* (*026)
Rev. F*A, Teres*n* *I, v. 2*, n. 7, art. 3, p. 50-*5, jul. *026 www4.Unifsanet.com.br/rev*sta
L. V. Ma*ei, *. *io*entin, *. F. P. Arendt, L. Dagostini
60
Tabe*a 3 - Empresa* *ue *ompõem a *mostra
Empres*
Segme*to *e listage*
E*presa
Seg*e*t* de listage*
Empresa
Segmento de li**age*
ABC BRASIL
N2
EUROFARMA
*2
L*PATECH
NM
A**E* S/A
T**D
*XITO
*R3
M*NGELS *N*L
TRAD
AMBIPAR
NM
GERDA*
N1
MARCOPO*O
N2
*Z*L
N2
GERDA* MET
N*
MARFRIG
NM
B*NCO BMG
N1
*OL
N2
PETROB*AS
*2
BIOMM
MA
GP INVEST
DR3
SMAR* FIT
NM
BR**ESCO
N1
IMC S/A
N*
T*URUS ARMAS
N2
BRF SA
NM
I*FRACOMM
**
ULTRAPAR
NM
CCR *A
NM
ITAU UNIBANCO
N1
VALID
NM
EMBRA*R
NM
ITAUS*
N1
WDC **TWORKS
N*
Legend*:
(NM) No*o **rcado; (N2) Nível 2 d* Gove*nan*a Co*porativa; (N1) *í*e* 1 de Governança
Cor*orati**; (M*) Bovespa Mais; (M2) Bovespa Mais - Nível 2; (DR3) BDR Nível 3; T*adicional (*RAD).
*onte: Elaborado *e*os a**or*s (*026)
A d*finição da amostra tomou c*mo base o ano de 2023, sendo os dad*s cole*ados no
pe*í**o *e 2*2* a *024. O levantamento dos v**ore* das TP* foi real*zado por me*o das no*as
exp*icativas divu*gadas pelas empresas no w*bsite da *3, segu*ndo a metodologia *e Rathke
(2021). *onsid*r*ndo ap*nas ** *aldos das tran*ações reali*adas com pa*tes relacionadas,
lo*alizada* em paíse* considerados par*ísos fiscais de acordo c*m a I* RFB nº 1.037/20*0.
Qua*to às
cara*te*ís*ic*s relacionadas ao perfil do
*Adm, for*m consider*dos para *sta
pesquis* o tamanho, in*ependência, expertise *inanceira, dual*dade, *ênero e ida*e. Tendo
esses *ados c*leta*os do formu**rio de *eferência (*tem - Item */7.3 - **mposiç*o
e
exper*ência pro*issional
da adm**istração e do consel** fiscal), o tamanho correspondeu a*
núme*o de mem*ros que c*mpõem o *Ad* (*RMSTR*NG et al., 2015); a *n*ep*nd**cia
representa o núme*o d* membros *ndepend*ntes em re*ação ao to*al de membros do CAdm
(RICHARDSON et al; 2013, *RMSTRON* *t al., 2015); a experti*e f*nanceira c*nsidera-*e
o núme*o de m*mbros
com conhe*ime**o em
a*dit*ri* e fin**ças em relação total d*
*embros do CAdm (ARMSTRO*G et al., 201*); a dua**dade *os memb**s é u*a variável
dummy, em que o Pr**idente do CAdm nã* é o P*esi*ent* da Empresa atribui 1, se não
0
(IBGC, 202*); o gênero é a **oporção méd*a de mu**er*s e* **lação tota* de m*mbros
no
CAdm (AHMED *t *l., 2022) e a idade (RAO; TI**, 201*).
Para * *nális*, utiliz*u-*e o suporte de tabelas para a **res*ntação e organização dos
dados obt**os, *eg*ido da *iscu*s*o d** resultad*s d*vid*mente *st*uturada
n*s *eguin*es
et*pas: (i) compreen** as caract*rísticas d*s empresas *nalisadas no *ue tang* ao montante de
*pe*açõ*s
com países classific*dos como par**sos fiscais; (ii) ***esenta-se o perfil d*
Rev. FSA, T*resina, v. 23, n. 7, a**. 3, p. 50-75, ju*. 2*2*
w*w4.Unif*a*et.com.b*/r*vista
*ãos n* Leme, Olhos no Mar: C*mo a **ce do C*nselho Refle*e a Estratégia Fiscal da Empre*a?
61
composição dos CAdm* da* empresas analisada*, conside**ndo o **manho, indepe*dência,
ex*ert*se fina*ceira, divers*dad* de gê**r*, dualida*e de *unçõ*s e faixa etári*; e (iii) a
relação entre o perfil *o CA*m e as *PR das e*presas listada* na B3.
4 ANÁ*ISE E D*SCUSSÃO DO* DADOS
4.1 Tr**sa*õ*s com *artes Rel*c*ona*as em *araísos *i*cais
A *rim*ira parte da análise co*templa a* características d*s empresa* a*alisadas
no
que t**ge a* mon*ante de ope*açõ*s com
p*rtes relacionad*s localizadas em países
classi*icados como paraí*os fiscais, durante o período de análise.
Tabela 4 - T*ansa*ões com *artes relaci*na*as localizadas em P*raíso* fiscais (valores
em mil**es de *eais)
Seg
2022
on*ante T 2023
PR 2*2*
Quant 2*22
idade Pa Fiscai* 202*
raísos 2024
Paraí*os fisc*is reportados no período
NM
1 5 .6 4 1 ,0 *
4 9 .1 7 0 ,3 2
4 8 .5 8 * ,* *
10
10
10
Ba*bad*s, Curaçao, Em*rados Árabes Unidos, *l** Jersey, *lhas C**man, Ilha* Maurício, *lhas **rge*s Britâni*as, **landa, Panamá, Sultana*o de O*ã
N2
3 0 .1 6 7 ,6 4
2 8 .7 0 3 ,1 9
3 * .7 9 4 ,6 4
4
4
*
Emirad*s Ár*bes Unidos, Ilhas Cay**n, I*has Virgens Britânicas, Panamá
N1
2 3 6 ,7 9
1 9 9 ,2 8
8 5 ,9 1
2
2
2
Ilhas Caym*n, Ilhas Virgen* Britânicas
MA
2 4 8 ,7 4
2 3 * ,5 5
2 1 5 ,7 7
1
1
*
Ilhas Virgens B*itâ*ic*s
M2
2 5 ,3 7
1 1 ,7 *
1 2 ,9
2
2
2
Belize, Panamá
DR3
-
-
-
3
3
3
Bahamas, Ilhas Cay*an, Panamá
TRAD
8 7 ,2 4
7 9 ,2 8
1 4 0 ,9 2
2
2
2
I**as Virgens Bri**nic**, Pa*amá
Le*enda: (NM) Novo Merc*do; (*2) Nív** 2 d* Governanç* Corpora**va; (N1) *íve* 1 *e *ove*na*ça
Cor*or*t*va; (MB) B*lcão Organizado Tradicional; (MA) B*vespa Mais; (M*) Bovesp* Mais - Nível 2; (*R3)
BDR Nív*l 3; (DR1) BDR Nível 1; Tradiciona* (TR*D).
Fonte: Dados d* pes*uis* (2*26)
** dados ap*es*ntados na *abela 4 *evelam q*e os maiores v*lumes de *PR
local*z*dos em paraís*s fiscais estão *oncen**ados em emp*esas no* melhores níveis de GC,
send* e*e* NM e N2. C*nforme de*tacado por Rathke
(2**1), e*presa* co* e*se perfil
tendem * re*orrer * *rran*os *m juris*ições de bai*a tr**utação como parte *as suas
Rev. FS*, Tere*ina **, v. 23, n. 7, art. 3, p. *0-75, jul. 2*2*
ww*4.Unifsa*et.*o*.br/revi*ta
L. V. Mat*i, N. Fior*nti*, A. F. P. Are*dt, L. Dagostini
62
estratégias de p*ane*amento tri*utár*o i*t*rnacio*a*, e n*o com* práti*as pontuais ou isoladas
dentro de suas operações.
O segmento *o *M, que r*úne 12 da* 30 empresas *nalisad*s, foi o que apresentou o
maior v**ume de T*R em par*ísos fisca**. *m *022, o va*or foi de R$ 1,5* bilhõ*s de reais,
aume*tando con*ideravelmente para R$ *,92 bilhõe* d* reais
em 2023 e mantendo-s*
próximo de*se pa*amar em 2024, com R$ 4,86 bilh*es de *eai*. Es*e crescimento mostra uma
expansão releva*te dessa* *pe*ações. Além disso, *s empr*sas deste s*gment* r*alizaram
transaçõ*s em d*ferente* juri*diç*es considerad** com* pa*aís*s fisc*is no *er*odo *e aná*ise,
tais como Ilhas Ca**an, Ilhas Virgens Brit*nicas * Irla*da. Locais c**hecidos *ela *a**a ou
i*existent* t*i**tação, * que o* *orn* atr*tivos para estra*égias de
p*anejam*n*o tribu*ári*
(PWC, 2025). *o*as essas jur**dições fi*u*am *a li*ta da IN RFB n.º 1.037/2010 e são
a*p*am*nt* citad*s na lite*atu*a
como destinos
p*eferenc*ais de pr*fit shifting (*ARCI*-
BE*NARDO; JANSKÝ, 202*; TØRSLØV et al., 2018).
* *2, co* 6 empresas na amostra, regis*ro* * segu*do maior volume acumulad* em
t**nsações, superand* R$ 2,8 bilhões de re*is em todos os t*ês anos, com *eve cr*scime**o de
R$ 2,87 b*lhões de reais e* 202* para R$ 3,08 *ilh**s de **ais em 2024. Difere*tement* do
N*, o N2 adot*u estr*t*gia geo****icamente mais *oncentr*da, op*r*ndo com **enas q*atro
jur*sdições consideradas como paraísos fisc*is, send* os E*ir**o* Árabes Unidos, Ilha*
C*yman, IVB Panamá. Essa seletividade sugere estruturas offshore mais co*soli*a*a* e
e
poss**e*mente pe*ma*en*e*, c*nforme car*cterizadas por Huizinga et al., (2008) ao descrever
o *so de dí*i*a intragrupo como mecan*smo recorren*e de **s*ocamento d*
bas* tributável
e**re ju*i*dições.
O N1, també* *o*p*sto p*r 6 empresas, apres*ntou c*mportamento
*pos*o ao das
e*presas *o NM, cujos m*ntante* foram me*ores e seguiram trajetória de *ueda, *assando de
R$ 2*,7 **lhões *e reais em 2022 pa*a R$ 8,6 milhões *e reais em 2024, sendo uma r*duç*o
de aproximadam*nte *4% n*s três an*s
analisados. Ta*bém, as tra*sa*ões *e concent*ar*m
e* duas jurisdições cons*der*das c*mo para*s*s
fiscais, sendo elas,
Ilhas *ayman e I*B,
i*dica*d* que,
embora as es*ruturas e*istam,
seu uso p*rece *star sendo progress*vamente
reduz*do.
O segment* DR3
apr*sentou montante *ero de v*lore* de trans*çõ*s nos *rês anos
anal***dos, apesar d*
as not*s expli*ativas men*ionarem haver trans*ções
*m paí**s como
Bah*mas, I*has Cayman e Panamá. Esse
*ado *ugere que *s *mpres*s ma*t*m e*trutu*as
societárias n*s*as jurisdições se* que ha*a
saldos
ativos registr*dos *as transa*ões do
*eríodo. * que pode in*icar part*cipações *ocietárias
s*m movimentação financeira *ecente
R*v. F*A, Teresina, v. 2*, n. 7, art. 3, p. 50-75, j*l. 2026
www4.Unifsanet.com.br/revista
Mãos no Leme, *lhos no Mar: Como a Face do Co*selho Reflete a Estratég*a Fiscal da Empresa?
63
ou e*entual limita*ã* na captação *e **formações via notas e*plicati*as. Uma restrição
*n*orm**ional co*sis*ente com * que observa Rathke (*021), ao aponta* qu* emp**sas
*r*s*l***as não divulg** diret*m*nte os preços
p*aticad*s em t*ansações i*t*af**m* com
paraí*os fiscai*, o *u* repr*sent* um* limit*ção ao m*peam**to d* mecanismos de pro**t
*hi**ing a partir *e b*ses ** da**s contábeis.
Os d*mais segment*s, *A, M* e TRA*, re*ist*aram volumes pr*porc*onalm*n*e
*ed*zidos. O segm*nto TRAD exibiu crescimento *roe*inente em
2024, *om o m*ntante
praticamente dobrando e* relaç*o a 2023, r*fl*tindo ampliação das op*ra*ões em IVB
e
Panamá. Na *equência, é ap*esentado o perfil
de co*posiçã*
d* CAdm das empresas
an*lisadas.
4.2 Pe*f*l do C*nselho de Admi*istraç**
Nest* pa*te da anál*se, *ão ap*e*ent*do* os dados relaci*n*do* *s caract**íst**as
relacionad*s ao perf*l d* *Adm. Par* isso, f*ram co*siderados o tamanho, a independência, a
expertise financeir*, a d*ali***e, o gên*ro e idade. Os dados a*r**enta*o* n* Tabela *
5
re*erem-se à *édia das característica* d* p*rf*l do CAdm da* empresas analisadas.
**bel* 5 *erfi* de co*posiçã* do CAd*
T
aman
ho
Inde
pendê
ncia
Ex*e*
tise Fi*
ance*ra
Gêne
ro F * m
in*no
D*a
li*
ade
I
dad
e
1
2
3
*
2
3
*
2
3
1
*
3
1
2
3
1
2
3
N*
7
7 ,7 5
7 ,5
* ,3 3
* ,1 6
4 ,0 8
5
5 ,3
5 ,1 6
1 ,* 5
1 ,3 3
1 ,2 5
N
N
N
56
5*
57
N2
8 ,6 6
8 ,5
9
6
* ,* 6
5 ,6 6
6
6
6 ,1 6
1
1 ,* 6
1 ,3 3
N
N
N
57
57
57
N1
9 ,3 3
8 ,8 3
8 ,8 3
3 ,8 3
3 ,8 3
3 ,6 6
6
6 ,6 6
6 ,8 3
1 ,6 6
* ,* 6
1 ,5
N
N
N
61
59
60
MA
13
17
16
1
4
3
*
10
12
*
2
2
*
N
N
59
56
56
*2
9
9
9
5
4
5
5
5
5
3
3
3
*
N
N
54
55
57
DR*
7
7
7
2 ,5
2 ,5
2 ,5
4
4
*
1
1
1
N
N
N
60
61
61
TRAD
9 ,5
10
10
2
2
*
4 ,5
4 ,5
5
2 ,5
* ,5
2 ,5
N
*
N
52
56
56
M O DA
9
9
5
3
4
3
5
5
*
1
1
1
-
-
-
54
55
62
MÍN
*
*
5
1
1
1
1
1
2
0
*
0
-
-
-
45
**
44
M ÁX
13
17
**
11
11
11
11
11
12
3
3
3
-
-
-
6*
65
65
Seg.
Leg*nda: (N*) Novo *erca*o; (N2) Nível
2 de *o*e*nan*a Co*porativa; (N1) Ní*el 1 de *overnança
*orporativa; (M*) Balcão *rganizado Trad*ciona*; (*A) Bovespa Mais; (M2) Bovespa M**s - N*vel 2; (DR*)
BD* Nível *; (DR1) BDR Nível 1; Tradic*onal (TRAD).
Os anos são apr*sen*ados *a segui*te forma: (1) 2022; (2) 2023 e; (3) 20*4.
F*n*e: *ados da pesquisa (2026)
Rev. FSA, Teresi*a PI, v. *3, *. 7, art. 3, p. 5*-75, ju*. 2026
www4.Unifsanet.*om.br/re*ista
L. V. Matei, N. Fioren*i*, A. F. *. *rendt, L. D*gostini
64
Em *elação ao tamanh* *os CAdms das empre**s *nalisadas, este apresentou variação
e* todos os se*mentos. O IBGC (2*23) recomenda qu* o C*dm seja com*osto por *inco a
*ove memb*o*, *end* evidenciado que a *aio*ia das empresas **alisadas apresentou
quan*ida** *e memb*o* conforme a orienta*ão do I*GC. O NM *egistrou média de sete
membros em 2022, com leve variação nos anos segui**es (7,75 em 2023 e 7,5 e* 2*24),
mantend*-se dentro do
int*rv*lo r*co*endado. O N2, o *1 e o M2 apr*sentaram *édias
lige*rame*te superiores, e*tre 8 e 9 membros, ainda compatíveis com as bo*s p*áti*as de
governança.
A *xce**o ma*s significati*a foi *bservada no seg*ento B*vespa Mais (MA), cujo
conse**o che*ou a 17 *embros em *023, s*ndo pra*icamente o
dobro do limi** super*or
recomendado pelo *BGC (202*). Ou se*a, CAdms *umerosos podem enfrentar dificu*dades de
coordenação e *oma*a de d*cisão efic*ente, q*e o
potencialmente di*ui a responsabil**ade
***ividual dos conselheiros sobre deci*ões estratégi*as, incluin*o aqu*las relacionadas a*
planeja*ento tribu*á*io i*tern*cional (LIPTON; LOR*CH, *992).
A i*dependência dos memb*os do CA*m é um d*s p*lares *a boa GC (IBGC, 202*),
p*is con*elheiro* sem ví*culos com os ac*onistas **ntr*ladores ou com a gestã* tendem
a
exercer
*upervisã* *ais r*gorosa **bre *s
es*ratégias e**resari*is (Fama e
**nsen, 1*83).
Den**e os segme*tos analisad*s, o N2 dest*cou-s* *om a
maior mé*i* d* memb*os
i*dependentes, aprox*madamente 6 em cad* ano do triênio. O *M apresentou médias em
torno de 4 membros ind*p*ndentes, com leve declí*i* ao longo do período (de 4,33 em 2022
para *,08 em *0**). Os s*g*e*to* TR*D e *R3 registraram os men*r*s í*dice*, com média
de 2 membros independentes n* pe*íodo analisado, o que limita a capac*dade de s**ervisão
autô**ma sobre de*i*ões est*atégicas (I*GC, 2*23).
Todavia, é *elevant* nota* *ue, apesar d* o N2 ap*esentar *aior *éd*a de m*mbro*
independe*tes no CA**, este s*gmento regi*trou o *e*undo maior volume de *PR
*m
paraí*os fis*ais ao longo d* p*ríodo analisado. **se *e*ultado *on*e*ge com Ar*strong et al.
(2015), para *uem a independê**i* é co**i*ão n*cessá*ia,
mas n** determinante, da
modera*ão fiscal. A ef*cá*ia da GC no controle do plan*jamento t*ib*tário
depen*e d* uma
*ombina*ão de f*tores como cultura de *omp*ian*e, quali*ade d*s controle* inte**os a
e
a*etite e*traté*ico d* e*presa por *is*o tribu*ário, e n*o apenas
da composição formal
do
CAd*.
J* a e**e*tise f*nancei*a dos cons*lheiros compreende o número de membros *om
formação *u *x*eri*ncia em au*itoria e **nanças, sendo relevante tanto p*ra a quali*ad*
da
superv*são contábil quan*o p*r* a c*mpreensão d* op**a*ões financeira* complexa*, como as
Re*. FSA, Teresina, v. 23, n. 7, *r*. 3, p. 50-75, j**. 202* www4.Un*fsane*.co*.b*/*evis*a
Mãos no Leme, Olhos no Mar: **mo a *ace do Conselho Refl*t* a E*tratégia *iscal da Em*r*sa?
65
transações interna*ionais *om partes relacionadas (DEFOND et a*., 2005). O *egmento MA
apresentou
o* m*ior*s valores absol*tos de expertise, c*egando à m*dia de 1* *onselheiro*
com e*se *erfil em 2024. Co*tudo, como se trata d* u*a empr*sa (BIOMM) com CAdm
atipic*mente amplo, * dado exige caute*a *n*erpreta**va em termos *elativos.
Entre os
dem*is segmentos, * N2 e *1 regis*raram mé*ias em tor*o de * mem*r*s
com ex*er*ise finan*eira, proporç*o ra*oável em rel*çã* ao total *o *Ad*. O NM aprese*tou
expert*s* média de 5 membros em um CA*m de 7 a * mem*ros, o *ue representa proporç**
e*evada e favorável à q*a*id*de *o monitoramento. Os s*gme*tos TRAD e DR3, com médias
m*n*res (4,5 e 4 membro*, r*spect*vamente), combinadas aos menores índi*es
de
in*epe*dência, podem apresent** l**it*ções na supervisão de o**raçõe* trib*tárias
*nter*acio*ais
d* maior com*lexidade, conf*rme discutido por Fich e Sh*v*asani (2006) ao
anali*arem o papel da exper*ise do C*dm na q*alid*de *a superv*sã* f*nanceira.
A *re*e*ça de mulh*r*s
*os CAdms das empresas analisa*as é no**velment* baixa,
mesmo com a o**e*tação do I**C (*01*), de que o CAdm tenha dive*si*ade
*e
gênero em
su* c**p*sição, prima**o pela
p*u*alidade de conhecime*tos experiências. Os r*su*ta*os e
apon*ar*m qu* a médi* m*is eleva*a foi
*e 3 conselheiras p*r empres*, ob*ervada em
emp*es*s dos se*mentos MA * M2. O NM, q*e conce*tra * maior volume de TPR em
pa*aísos fis*ais, registr*u média de apenas *,25 a 1,33 *u**eres po* CAdm ao longo
**
*er*od* analisado. A me*or
m*di* de participação
femi*ina no CAdm foi apura*a
no
segmento D*3, c*m apenas um* conselheira *or empresa. Ai*da, *videnciou-se q*e, n* ano
de 2**2, *lguns CAdms não conta*am com ne*hum* r**resentante feminina em sua
co*pos*çã*.
Ahmed et al., (*022) demonstraram e*piricamente que a p*esença feminina no CAd*
está
associada à menor *ti*iza*ão de paraísos fiscais, uma v*z que conselheiras tendem
a
a*otar postura mai* *autelosa e aves** *o risco em relação
ao planejamento tr*butário
agressivo. Nessa perspectiva, * escassez de cons*lheiras, esp*ci*lme*te no NM, segme*to que
concentra os m*iores volumes ** TPR, po*e **r interpreta**
c*mo **tor permissivo pa*a
estratégias tri*u*ári*s ma*s *gres*ivas.
A dualidade oco*r* quan*o o *res*dente do C*dm acumula t*mbém a funç*o de CEO,
situação qu* fra*iliza o con*role in*erno, pois a me*ma pe*s*a que toma decis*es ex*cutivas
também preside o ór*ã* que deveria super*isionar essas dec*sões (JE*SEN, 1993). * ***C
(2*23) rec**enda *xplici*amente a sep*ração
dessas fu*çõ*s *omo re*uisi*o
*ásico d*
presen*a *e boas p*áticas d* GC.
*ev. FS*, Te*esina PI, *. 23, n. 7, ar*. 3, p. 50-75, jul. 2*26
www4.Unif**n*t.com.*r/revista
L. V. Ma*ei, *. F*oren*in, A. F. P. **endt, L. Dago*tini
66
N* co*junto da amos*r*, ne*h*m dos se*ment*s a*resentou *ualidade em q**l***r
dos t*ês anos a*a***ados, resultad* consistenteme*te positivo. Es*e dad* indic* que as 3*
empresas *s*u*ada* p*eser**m ao meno* ess* dimensão de in**pendênci* estrutural,
alinhando-se às recome*dações de boas práticas de GC (IB*C, *023). Contudo, conforme
al*rt** Fama e Jensen (*9*3) e Jensen (1993), a separação formal entre presidência do CAdm
* gestão exec*t*va represen** condiç*o nec*s**ria, mas não sufici*nte, par* exercício o
*e
*upe*visão ef*ti*a. Seus efeitos so*re a* d**i*ões ****atégicas, incl*i*do as de planejam*nto
tributário, d*pe*dem, em *l*ima instância, de *omo o CAdm uti*iz* *ssa autonomia for*al.
A idade méd*a dos conselh*iros estabelec*u-se entre 52 e 61 a*os na maior pa*te do*
C*dm dos *egmentos a*alisados. Sendo qu* no N1 evidenci**-se *s con*elheiros mais ve*hos
(média de 61 anos em 2**2), em cont*aparti*a, o segm*nto TRAD apresentou os con*elheiros
m*is *ovens (52 anos em
2*22). Ao *ongo do período analisado, *o*ve *** variaç*o etá*ia
pequena e estáve* en*re a faixa et*r*a dos conselheiros, com mín*mo observ*do **nd* o
*3
anos e o máximo *7 *no*.
N*sse sentido, Rao e Tilt (2016) destacam *ue no proce*so de dec**ão é importa*te a
*inâmi*a dos g*stores mais novos,
mas tamb*m salut*r a *xperiência e conhe*imento é
dos
que p*ssuem maior faixa etária. *inda Hafsi e Turgut (2013) pont*a* que conselheiros c*m
*da*e mais *levada estão voltados ao *em-estar da socieda*e. *or ou*r* lado, a
homogen*idade et*ria pod* estar *s*ociada à menor *be*t*ra
pa*a abordagens ma*s
co*temporânea* de comp*i*nce
tri*ut*ri* e
sustenta*i*idade *i*c*l, esp*cial*ente d*ante
*e
um cenário int*rnac*ona* de cresc*nte* press*es re*ula**rias, como o *r*jeto BEPS da OCDE
(2013) e a* discussões e* *orno do im*osto mínim* gl*bal de 15% (TAX JU*T*CE
NE*WOR*, 2023).
4.3 Relaçã* entre perf*l *o Cons*lho ** Adm*nistração e as transações **m partes o
*e*ac*onadas das e*presas list*da* n* *3
Por f*m, a úl*ima parte da an*lise busca relacionar os mo*tantes d*s TPR do período
com o perfil de com*osi*ão do CAdm das empr*sas an**isa**s. Na Tabela 6 são apresentados
*s
dad*s relacionados ao perf*l *o CAdm e à mo*imen*aç*o com par*í*os fiscais *or
*egme*to de *i**agem.
R**. FSA, Teresina, v. 23, n. 7, a*t. 3, p. *0-75, jul. 2026
www*.Unifsanet.com.br/revi*ta
Mãos no Leme, Olho* no Mar: Como * Face *o Co*selh* Reflete * Estra*égi* Fis*al da Empresa?
*7
Tab**a 6 - Pe*fil *o CAdm e a m*vim**tação com paraísos fis*ais por seg*ent* de
lis*age* (v*lo*es em milhõe* de reais)
Se*
TPR Mé*ia ( 202* - 2024)
Nº Paraíso s Fisc*is
T*manho Médio (2022 - 2024)
Ind*pe*dênc* a M*dia (202* - 2024)
E*per*is* *édia (2022 - 2024)
Gênero Femi*ino ( 20*2 - *0*4)
Idade Médi* ( 2022 - 2024)
NM
3 .7 8 0 ,0 0
*0
7 ,4 2
4 ,1 9
5 ,* 5
1 ,2 8
56
N2
2 .* 8 8 ,8 5
4
* ,* 2
5 ,9 4
6 ,* 5
1 ,1 6
*7
N1
1 7 ,4 0
*
9
3 ,* 7
6 ,5
1 ,6
60
*A
2 3 ,2 4
*
1 5 ,* *
* ,6 6
1 0 ,3 3
* ,3 3
57
M*
1 ,6 7
2
9
4 ,6 6
5
3
*5
DR3
-
3
7
2 ,5
4
1
60
TRA D
1 0 ,* 5
2
9 ,8 3
*
4 ,6 6
2 ,5
54
Leg*nda: (NM) Novo M*rcado; (N2) Nível 2 de Governança *orp*rativa; (N1) Nível 1 *e Governan*a
Corporat*va; (MB) Balcão O*ganizado Trad*cion*l; (MA) Bove*pa Mais; (M2) Bovespa Mai* - Nív*l 2; (DR3)
BD* Nível 3; (DR1) BDR Nível 1; Tradicional (TR*D).
Fonte: Dados da pesqu**a (2*26)
*omo s* observa na Tabela 6, as empresas d* segmen*o *M apresent*ram a maior
quantidade de p*r*ísos fiscais utilizados e a maio* méd*a de *PR (3,7 bi*hões) em 10 p*íses
co*side**dos como paraísos *iscais: *arbados, C*raçao, Emi*a*os **abes Un**os, *lha J*rsey,
Ilh*s Cayman, Ilhas Mauríci*, I*has Vir*ens Britânicas, Irl*nda, Panamá, Sultanato de Omã.
O NM * o s*gmento de listagem da B3 com o m*is alto padrão *C. Desde sua c*ia*ão,
o No*o Mercado firmou-se como o se*ment* des*ina*o à negociaç*o de ações de empresas
que optam,
vo*untar*ament*, por prá*i*as de *C além daquelas j* exi**das *ela l*gislação
br*si*eir*. Sendo
que o
perfil (*édio) de compo*iç*o do CAdm des*as e*pre*as (NM) é de
7,42 membros, com *ais de */3 dos me*b*os *ndependentes (4,19) e com pos*uem e*p*rti*e
f*nancei*a (5,15), *ossuem uma par*icipação feminina modest* (*,28 mul**re*) e faix* etária
média de 56 anos. Sob a ótica de ori*ntaçã* do *BGC (2015; 2*23), apenas a
pa*ticipaç*o
femini*a *ão *te*de ao orientado, *as o IBG* (*015;2023) nã* orie**a quanto à quanti*a*e,
mas s** quanto à prese*ça. Nesse se*tid*, Ahmed et *l., (2022) pontuam que a participaç*o
feminina
no CAdm *eduz * uso d*
*ar*ísos **sc*is. Pavlou et al. (2*25) corroboram *sse
ar*um*nto ao evi**nc*arem q*e * ma*or r*presentação feminina nos CAdms está asso*iada à
men*r agre*siv*dade t*ib*tária.
Fica ev*dente qu* cada CAdm vai levar e* conside*ação as pr*mis*as que env*lv*m
risco e retorno frent* às operações por eles *ut*rizadas (J*ANG, 2022). Se a empresa pos*ui
um* boa es*rutu** de GC, que fo*neça suporte para a t*mada d* decisões que envolv*m
e**ratégias t*ibutárias, es*e limitará ou a**orizará *s transaçõ*s (DESAI; DHARMAPALA,
2006, ARMSTRONG et *l.,
2015; A*MED et al., 2022; PAVLO* et a*., 2025). Não
*ev. FSA, Teresina PI, *. 23, n. 7, a*t. 3, p. 50-75, j*l. 2026
www4.*n*fsanet.*o*.br/re**sta
L. V. Matei, N. Fioren*i*, A. F. P. Arendt, L. D*gostini
68
have*do,
a*s*m, um p*rfil único de *omposição d* CAdm *ue autorize o* não e*tratég*as
tributárias que envolvam opera*õ*s *om paraí*os fi*c*i*. *amb*m, em **laçã* à idade mé**a
dos membros do* CAdm*, entre 54 e 60 a*os, Rao e Tilt (2016) enfat*zam que a experiênci* e
o conheci*ento *dquiridos são relevante* no *roce*s*
*e decis*o, u** ve* que estes são
contraí*os *ela vivênci* de mercado, refletindo *s**m maturidad* fre*t* aos negócios
(HAF*I; TUR*UT,2013)
* N2,
na seq*ência do NM, a*resentou resul*a*o* *eme*h*ntes
*os obtidos *ela*
empr*sas do *M,
com TP* m*dio (2.9 *i*hõ*s),
que, *pesar de inferior, foi 1*1,78 vezes
maio* que o
regi*trado *o N1. Q*anto ao tam*nho, tant* o N* **anto N1 man*iver*m-se *
d*ntro das or*e**ações quanto à *omp*sição do IBGC (201*; 2023), assim como
na
independência d* seus memb*** e e*pertise fi*ancei*a.
O
evidenciado ** quesito g*nero no N*, N1 * N2 se rep*te no* de*a*s segm**tos
anal*sados. *e*otando p*uca *articipação *em*nina na compo*i*ã* do CAdm, apesar da
orientação de *ue s*ja d*d* acesso para que as *ulheres pos*am assum*r cargos de lid*r*n*a
na* emp*e*a*, podendo atuar diretam*nte no **o*e*so dec***rio (IBG* 2015; 2023) atuan**
de forma ma** co**e*vadora
frente
às
*ecisões **ibutárias **e envolvam ri*cos (AHME* et
al., 2022; PAVLOU et al., 2025).
U* a*hado impor*ante diz res*eito a* eviden*i*do no s*gment* MA, que *presentou
com T*R média *e 23,24 mi*h*e* sendo pra**c*da e* a*e**s 1 p**aíso fiscal, as Ilh** Vir*ens
Br*tânicas. Est* se*men*o, d**tre os demais anal*sados, é o que *ais se *istancia das práticas
indicada* pelo I**C (2023) *uan*o à quantida*e d* membros do CAdm (15,33),
aprese*tando uma
quantidade d* memb*os d* 70,33%
*cim*
do limite *ndicado (at*
9
membros). No en*an*o, apesar disto,
os membros con*idera*os *ndependentes repre*entam
apenas 17,35%, não ate*den*o à orien*ação de
que 2/3 **s membros fossem indep**dentes
(I*GC, 202*). Além dis*o, é
*ambém o 3° n**el com maior quan*idad* *e a
mulheres
present*s no conselho, colab*rando com o q**
*ontuam Pavlou et al. (*0*5), em que
a
pr*sença de mulher*s nos c*nselhos tend* à adoção de prátic*s t*ibu*árias mais mo*estas.
O **vel TRAD apresentou resultados semelhan*es aos do M*, qu**to à quantidade de
me*bros no CAd* e sua i*depe*dência. O TR*D teve *ma TP* média de 10,25 milhões e
utiliz*u ap*n*s paraís*s fiscais: Ilhas Virgens Bri*ânicas Panamá. *uanto ao tama*ho,
2
e
u*trapas*ou *,**%
acima do indicado pelo IBGC e, na independê*cia, fi*a co* a segu*da
men*r quantidad* de membros independentes, sendo indepe*dentes a*enas *0,35%. Perde*d*
*penas para o nível MA, *om 17,35%. Além
*isso, foi o te*ce**o n*vel q** me*os rea*izou
TPR, mas o *egundo c*m maior pr*sença d* mulheres no CAdm. Des*e modo, in*e*e-se que
Rev. F*A, Te*e*ina, v. 23, n. 7, art. 3, p. 50-75, jul. **26 w*w4.Unifsanet.*om.*r/*evista
Mãos no Leme, Olhos n* Mar: Co*o a Face do Consel** Reflete a E*tratégia *isca* da Empr*sa?
69
um CAdm com u*a quantidade expressiva de membros nã* * sinôn*mo de qualidad*, ou boas
prática* *a *C, e que o evidenciado por Pavlou et al. (2*25) e A*med et al., (2022) co*fi*ma-
*e e* todos os nív*is anali*ad**.
5. CONSIDERAÇÕES FIN**S
A *e*quis* tem como objetivo geral iden*i*icar * perfi* do CAdm das *mpresa*
br*sileiras *istadas que realizaram *PR l*calizadas em países considera*o*
paraísos fiscais.
F*i uti*iza*a *ma a*ordagem metodológica d*sc*itiv*, docum*ntal e *uan*it*tiva, e**o*ven*o
30 empresas bras*lei*as listada* na B3 q*e real*zaram TPR em países classificados c*mo
pa*aís**, no perí*do compreendi*o entre 20*2 e 20*4. Quanto às carac*erí*ticas relacion**as
ao perfil *o CAdm, fo*am considerados o tamanho, independ**cia, expertise fin*nceira,
du*lidade, gênero e idade.
*om *ase nos re*ultado*, pode-** estabelece* algum*s
observações *en*r**s que
d*alo*am com a li*e**tura. Primei**, *s maiore* volumes d* transações em paraísos fiscais se
concentram e*atamente nos segmentos com
cla**ifi*ad*s nos melhore* níveis de GC, NM
e
N2. Isso não significa que b*a governança incentiva o us* de paraísos fisc*is, mas indica que
essas empresas, com
est*uturas s*cietá*ias mais c*m**e*as e oper*çõ*s
int*rnaci*nais
m*i*
div*rsific*das, naturalmente dese*volvem arr*n*os tributários sof*sti*ados. A GC,
ne*ses
casos, *arece a*uar mais *omo mecani*mo de leg*ti*aç*o * co*trole de r*scos do qu* como
*a*reira a* pla*ejam*nto tribu**rio inte*nacional, *orroborando os achados de Desai
*
Dharmapala, (*006),A*mstrong *t al., (2015); Ahmed et al., (202*); Pa**ou et al., (*025).
S*gundo q*e a independên*ia formal *o CAdm não *e mostrou, po* si só,
um
fator
c*pa* de reduzir o *so de pa*aísos fi**ais. * N2, com a m*ior *édia
de conselh*ir*s
in*epe***n**s da amos*ra, *anteve volumes express*vo* de TPR ao lo*go do período
analisado. *sse resul*ado reforça * argumento de Armstrong et al. (20*5) *e *u* * eficácia da
GC no control* fisca* depende de *ma combinação *e fato*es, e nã* ape*as da *ndependência
fo*mal.
Terceiro, a baixa representação feminina em todos os segmento* d* a*ostra é um
*chado estrutura*mente r*l*van*e. Considera*do que Ahmed et al., (*022) demonstraram
a*so**a*ão e*tre *resen*a feminina no CAdm e me*or us* de paraísos fiscais, a *scas*ez
d*
conselheiras, e*pec*al*ente no NM, que concentra os maiores v*l*mes de TPR,
pode ser
*nt*rpr*tad* como fator p*rmissi*o das es*ratégias *rib**ár*as mais a*ressi*a* ob*ervadas.
R**. FSA, **resina PI, v. 23, n. 7, art. *, *. 50-75, jul. 2026 www*.U*ifsanet.com.br/revista
L. *. Matei, N. F*o*entin, A. F. P. Are**t, L. Dago*t*ni
70
*ua*t*, a ausê*c*a total de dualidad* em tod* a amost** representa um pon*o
con*istentemen*e positivo de b*as *rá*icas de GC. A sep*ração ent*e presidência d* CAd* e
ges**o e***uti*a na* 30 *mpres*s anali*a*as *r*serva uma das *ondições estruturais mais
bá*icas pa*a o ex*rcício de sup*rvis*o i*de*enden*e, *ind* *ue seu* efei*os s*bre
*
plane*amento trib*tário dependam da fo*m* como o conselho
**etivamente *tiliza essa
au*o*omia formal (FAMA; JENS*N, 1983).
Em conj*nto, os d*dos apontam para um cenário cuj*s prát*cas *e pla*ejamento
tributár*o internacional estã* presentes entre *mpresas bra*i*eir*s de capi*al a*erto,
indep*ndentemente *o n*vel de GC em que estão alocadas. A so*is*icaçã* *essas estrutura* e
sua persist*nci* ao longo do p*ríodo s**erem que elas
são p*rte integrante da *str*té*ia
***porativa, supervisionadas pelos C*dms, n*o res*ltado de *a*unas de contro*e. Es*e e
a*hado *o*vid* à ***lexão sobr* os limit*s e *s possibilidade* d* *C como meca*ismo de
m*de*ação do planejamento tri*utário agressivo no *onte*to br**ileiro, e* lin*a com as
preo*up*ções expressas
*ela OCDE (20**) *
pelo Tax
Justic* Network (20*3) quanto
*
*ros*o da base tributá**a glo*al.
Q*a*to à li****ção da pesquisa, destaca-se a delimit*ção da a*ostr* e*colhida, a *ual
se deu pelas
e*presas
*ue realizaram TPR em
paraísos fiscais no
a*o
** 2*23 e apenas em
*m pequen* perí**o (2022-2*24). Alé*
disso, outra limi**ção é qu* f*r*m consider*das
apenas as no*as expli*ativas d*s empresas an*lisa*as *ara verificar a ad**ão
de *rá*icas de
pro*it shifting, n*o send*
verificado* outros mecanismos
que também são utilizados para
*
*rá*ica de profit shifting, *omo alo*ação dos at*v*s intangí*eis ou até mesmo *s c*n*rat*s de
ro*alties.
Para pesq*is*s
fu*uras, recomend*-se que
os demais mecan**mos de pro*it shifti*g
sejam an**isados em
co*junto com o* que já *ão evidencia*os em
notas exp*icativas,
aumentando o escopo *a análi**. Ademais, re*omenda-se *na*isar os demais mecanismos que
com*õem estr**ura *e GC d*s empresas anali*ad*s, bem co*o o co*itê de a
audi*oria
e
cara*terísticas de remuneraç*o dos gest*res, que podem s** um
indicativ* de *ceitação ou
minimização
de riscos em op*rações que envolvem
estr*tégias t*ibut*rias internacionais.
A*ém disso, o *erí*do de anális* pode ser *sten*i*o, podendo ve*ificar se os dad*s são ou não
cons*a***s e ev*denciados nos demais anos se*uint*s.
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C*mo *eferencia* este A*tig*, c*nfor*e ABNT:
MATEI, L. V; FIOR*NTI*, N; ARENDT, A. F. P; DAGOSTINI, L. Mãos n* Leme, Olhos no Mar:
C*mo a Face do Conselho Reflete a Es*ratégia Fisc*l da Empr*sa?. Rev. FSA, Teresina, *. 23, n. 7,
art. 3, p. 50-75, jul. 20*6.
Contrib*i*ão dos *utores
L.V. Matei
N. F**rentin
A.F. P. Arendt
L. *agostini
*) con*epção e pl*nejamento.
X
X
X
*
2) análi** e i*terpretação dos dados.
X
X
X
X
3) ela*oração do rascunho o* na revisão crítica do c*nteú*o.
X
X
X
4) participação na aprovação da vers*o f*nal do manuscrito.
X
X
X
Rev. FSA, Ter*sina PI, v. 23, n. 7, art. 3, p. 5*-75, *u*. 2026
ww*4.Unif*an*t.com.*r/re*ista
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ISSN 1806-6356 (Impresso) e 2317-2983 (Eletrônico)