Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *7, n. 8, art. 8, p. 173-186, a*o. *02* ISSN Impresso: 1*06-6356 IS*N Elet*ônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/202*.17.8.8 Je*n Piaget e a Geografia: Entrelace* E*tre a Epis*em*logia **nética e o Conc**to de Lugar J*an Piaget an* Geog*a*hy: Links B*tween Geneti* *pist*mology an* the *oncep* o* Place L*onardo Pinto dos San*os *outor em Geogra*** pela Univ*rsidade Federa* de Santa M*ria Profess*r da Faculdade de *eo*rafia da Univer*idade Fed*ra* do Pará - C**pus Alt*mi*a E-mail: leon*r**santos@u*pa.br Endereço: Le*n*rdo Pinto *os Santos Ed*tor-Chefe: Dr. Tonny *erl*y de Alencar F*cul*ad* de Ge*grafia - Ru* Ce*. J*sé Porfír*o, 25*5, Rodrigues Sã* Sebastiao, CEP: 68372-040, Altami*a/PA, Brasil. Arti*o *e*e*id* em 20/*5/20**. Última versão re*e*ida e* 04/06/2020. A*rovado e* *5/*6/2020. Avaliado pelo sis*ema Tr*p*e Review: D**k *evi*w a) pelo E*itor-Chefe; * *) Double B*ind Rev*ew (avalia*ão ce*a por dois *valiado*es da á*ea). Revisã*: *ramatica*, Normativa e de *orm*t*ção L. P. Santos 174 RES*M* Esse ar*igo tem **mo obj*tivo pensar as relaçõ*s exis**ntes entre a teoria de Jea* Piaget e *m dos conceitos estrutur*ntes d* G*ografia: o *ugar. Nest* sen*i*o, a p*squisa, de cun*o teórico-bibliográf*co traça c*nex*e* entre * conhecimento const*uído por Pi*ge* *om as ab*rdage*s de co*t*údos *a Geografia escol*r, pe*mitindo uma ref*exão sobre forma* d* *e p*nsar a Geo*rafia, princ*pal*ente para os *nos inicia*s do Ensino Fundamental. O par*le*o p*incipal é dado em relação ao e*tendi*ent* que predomina em parte da á*ea da ciênc*a ge*gráfica c*m o que Jean Piaget denominou d* estádio s**sório-motriz, permitindo pens*r ** te*mos da ap**ndi*ag*m **colar pos*ível. A *artir de*te ponto, nós *r*fessor*s podemos pensar nos curr*c*l*s escolares *omo estão posto*, a**e*a**o as possibil*dades cognitivas *os *luno* com os co*teúdos qu* são abo*dados na escola. Palavras-chave: Geogra**a. Jean Piaget. Lu*ar. ABSTRACT This article *i*s to thin* about the *e*a*ions between Jean Piaget's the*ry and on* o* the structuring con*epts of *e*graphy: the Place. In this s*nse, *he researc*, of *heoretica* and biblio*raphic *a*ur* *rac*s *o**ection* bet*e** the *now*e*ge bu*lt by *iaget with *h* *ontent* appro*ches in **h*ol Geograp*y, allowing a reflection o* ways of thinking about Geography, m*inly for the initial years o* Elementary School. The main paral*el is g*ven in relation to the *nderstan*ing *hat pr*d*mina*es in part of the area of **ogr*phic scien*e with what Je*n Piaget called the sensorimotor stag*, *llowing to think i* terms of possible sc*ool le*rning. From this po*nt on, we teachers can think abo*t schoo* cur*iculum as they stand, li*king st*dents' cogn*tive possi*ilit*es wi*h the c*ntent that is covered i* school. Keywords: Ge*gr*phy. Jean Piag*t. Place. Rev. FSA, Teres*na, v. 17, n. 8, art. *, p. 173-186, ago. 20*0 www4.fsanet.c*m.br/revista Jean Pi**et e a Geograf*a: Entrelaces *ntre a Epistemologia *e*ética * o *onceito de Lugar 175 1 *NTRODUÇÃ* Jean Piaget é um do* gra*d** marcos do pensa*ento c*entífico *cident*l. A partir dele e de suas *es*u*sas *om seus co*aboradores se to*no* clar* um question*me*to so*re a pass*vi*ade dos alunos d**tro dos a**ientes escola*e*, algo até en*ão v*lo**zado pela estrut*r* escolar vigente. É a parti* da Epistemo*ogia Genétic* (PIAGET, 2*12) que se qu*st*ona *s base* epistêmicas *o empi*ismo e do apriorism* como *eo*ias *o desenvolv*mento, u*a vez *u* se evidenci* o *ap*l *o suj*ito ativo *entro do p*ocesso *e (re)criaç*o do conhecimento, não e*istindo ja*ais a fig*ra do aluno "tábula rasa" ** "uma folha de *apel em b*anco" que espera passivamente a ação *o professo* para q** se* desenvolvime*to e apr***izage* o sejam p*ssíveis. Montoya (2*19) de*t*ca que o *e*sa*ent* de Je*n *iaget colaborou para se pensar a *ducação como u** prática emancip*dora e civil*zat*ria, in** c*ntra a funç*o instrum*ntalizadora do *nd*víduo que dela se fazia. Nes*e se*tido, to*na-se fecund*, até mesmo n**essári*, aproxim*r a ciê*cia geográfica da Epistemolog*a Gené**ca, pois sozi*has nã* c***e*u*m dar *o*ta da r*alidade esc*lar *ue ** apresenta *os diferentes pont os do territ*ri* br*sileiro, tendo ambos a prerro*ativa de se t*r para e com o mundo uma *r*ti*a vo*tada à toma*a d* con*c**ncia (PIAGET, 19*7). * teoria piagetiana e * ensino de Geografia *pr*s*ntam po*tos *m comum. Je** Pi*g*t buscou co*p*eender, por exempl*, com* ** **divídu* constrói sua concepçã* de espaço (não de Espaço Geográfico), nes** caminho se **n*ou cons*ruir tod* um *ist*m* *eóric* q* e prete**e entender *omo o conhecimento é c*nstruído. P**a t*n*o, o q*e foi estruturado *e pautou n* auto*omia do suje**o que precis* agir para co*struir, faz*ndo-*e c*m*re*nder que um ser h**a*o se desenvolv* a **rtir do *onto *ue t*m liber*ade d* *e*samento e d* *ção. O e**ino de Geografia ent*a em um m*sm* paralelo, *uas bases teóri*as são volt*das para se c*m*re*nde* a relaçã* entr* sociedade e n**u**za, busc*ndo desvendar com* se dão *s aç*es entre es*es doi* p*lo* *a com*osição do Espaço Geog*áfi*o. Este campo ci*n*ífi*o tam**m se posici*na em p**l de u** liberda*e *e p*n*amento que leva ao es*aço ações que env**v*m tan*o o *ese*vo*vimento das *es*oa*, bem co*o do* **tros org*nismos que *ivi*em o planeta com os humanos. Neste sentido, o obje*ivo d*ste artigo é apontar possíve*s consonâncias que a t*oria piagetiana tem p*ra com a G*ografia, dando ênf*se * *m de seu* c*nceit*s estru*urantes: * Re*. F*A, *eres*na PI, v. 17, *. 8, ar*. 8, *. 173-1*6, ago. 2020 www4.fs*net.com.br/revi*ta L. P. **ntos **6 *uga*, *presen*a*do como *onto de referênc*a p*ra a*ál*se as *es*uisas de Santos (2015; 2019). 2 REFER*NCI** T*ÓRICO Ao pensar * G*ografia e **an Piaget conjun*amente, torn*-se evidente que * *apacid*de *e *ensa* um conc*it* j*mais é p*ssível a partir de *m traba**o isola** do in*ivíduo, sej* p*ra enten*er um fenôm*no da supe*fí*ie terres*re, seja p*ra os *r*c*ssos de d*senvolvim*nto e *prendizagem das crianças e ad*lescentes. Q*an*o se *eal*za uma ret*ospec*iva d* alguns estudos da Geografia que en*o*vem o ensino d*ste componente c*rricu**r, se c*arifica o uso do* ter*os pia**tianos na constru*ão d* difere**es pesquisa*, dentre est*s, pode-se citar "*a*tografia es*ola*" (A**EIDA, 201*a); "Do desenho ao map*: iniciação *arto*rá*ica *a escola" (ALME*DA, 2**3); "No*os rumos da cart*grafia *scol*r: curr*c**o, linguagem e tecnologia" (ALMEIDA, 2011b); "O es*aço Geogr*fico ens*no e r*presenta*ã*" (ALM*IDA; PASSI*I, 2011); "A *ar*ogra**a e a *onstrução d* conh*ci**nto em *o*texto esc*la*" (CASTELLAR, 2011); "A linguagem e a representação **r*ográfica" (*A*TELL*R; VILHENA, 2012); "A con*trução da noç*o de e*p*ço" (C**T*OGIOVANNI, 2012); "* *ig*ificado d* *o*st*u*ão do con*eci*e*to g*ográ*ico gera*o por v*vências e por represe*tações espaci*is" (COSTE*LA, 2008); "Estud* metodoló*ico e cog*itivo d* *apa" (OLIVEIRA, 19*8); "Pa*a construç*o do espaço geogr*fico na cria*ça" (PAG**ELLI, 2011); "Alfabetização cartográfica e a aprendizage* *e Geo*raf*a" (PA*SINI, 2012); "Representações gr*ficas *a Geografia" e "Representações carto*ráf*ca*: pla*tas, *apas e ma*uetes" (PONTUSCHK*; *AGAN***I; CACET*, 2009); "O mapa co** me*o de comunic*ção e a alfab*tização cartog*áfica" (SIMIELLI, *011). Poder-s*-ia co*tinuar citand* outros tr*bal*os, mas esses *á são sufic*entes para brev*s observ*çõe*. Se forem analisados *s títul*s d** pe*quisas, *or*a-se evidente * abo*dagem dentro do cam** da linguagem cartog*áf*ca, termos como alfabeti*ação c*rtográf*ca, *epresentaçõe* e m*pa, entre outros que abrangem ess* área d* con*e*imen** são ut*l*za*os para as pe**uisas que se valem do c*rp* teórico piagetiano p*r* se compreender como a* *r*a*ças e adol**cente* aprendem os sa*er*s existe*tes na Cart*graf*a e também como constroem suas concepções em relação ao *sp*ço Ge*gráfi*o. *ale o des*aq*e para o trabalho d* profes**ra Oliveira (1978) *u* é uma d*s primeiras t*ntativas d*ntro d* Geograf*a brasileira de se *aze* a *ra*sposição do* p*eceitos *iagetianos para a con*trução do Espaço Geográ*ic*. Seu *nt*resse em en*ender com* os al*nos Rev. FSA, Teresina, v. *7, n. 8, *rt. 8, p. 173-186, ago. 202* ww*4.fsanet.c*m.b*/revista Jean Piaget e a Geo*rafia: *ntrelaces Entre a Epistemologia G*nética e o Conc*i*o d* Lugar 177 constr*em * Espaço Ge*gr*fico surge ain*a no i**c** de sua carreira docente, com* ela conta em ent*evista: "quando comecei a dar aul*s e* Pedro de *oledo, me surgiu a questão: como po*so sabe* se o *luno ap**nde* ou não ge*g*afia? " (OL*VE*RA, 2*07a, p. 221). A g*ande ma*s* de*tes *rabalhos pautad*s na teoria de Je*n Piaget tem a premissa de c*m*ree*der com* o al*no ap*ende, mas *eu foco é *a *prendizagem do campo da linguag*m c*r*ogr*fica, para isso r*força a impor*ân*i* do *stu*o do **ga* que ponto *rep*nderante é para se e*tender questões básica* *omo a late*alidade, ponto* car***is e proj*çõ*s. 2.1 O Conceito de Lu*ar A bus*a neste art*go n*o é r*al*zar uma *ateg*rização ou retoma*a histórica sobre os *onceit*s da Ge*grafia, o objetivo é ap*esentar o entendimento que a*ui temos d* Lugar e a sua relaç*o com o corpo t*óri*o pi*get*ano. Este é u* *onceito chave *ara a Geografia, pois é a p*rtir dele q** cad* indivíd*o constrói *eu* primei*os esqu*mas, é nele que são des*mpenhadas as pr*meira* a**es *oto*as pa** se conhecer o esp*ço. É **te ponto que encontra consonância co* Piaget, quando este *utor trabal*a dentre ou*ros pontos a q*e*tão do nív*l sen**rio-mo*o*. Piage* ensina entre outras coi*a* q** * *rian*a inicialmente é eg*cêntri*a1, *ortanto, parte de se* próp*i* ponto de vista e do seu cor*o p*ra as pri*ei**s le*turas espaciais. A Geogr*fia u*i*iza este conheciment* e pass* a tra*alhar o corp* c*mo **imei*o po*to de referência para iniciar a constr*ção d* noção de esqu*rda di*eita e depois d* *es*e e oeste, e por e*emplo. Ao abrir o* livros didáticos de Geogra*ia do **xto ano do Ensino Fundamenta*, s*o gr*ndes a* chances de se ver uma ima*em de uma c*iança (Figura 1) com o* *raços aber*os e uma relação criada disso para com *s pontos cardeais. Isto é co*hecimento piagetiano s*ndo posto em prática no *nsino *a Geografia, e* q*e ** *til*za o *orpo da c*iança para criar relações, pois ela ainda permane*e c*m dificuldade de ter um *en*amento abstrato e reversíve*, *ma vez q** **m *m seu c*r*o o p*óprio centro ** mundo, mas "*m centr* que a si *es*o desconhece" (O*IVEIRA, 2007b, p. 169). 1 "Nós c*amamo* eg*centrismo a indi*erencia*ã* do pon*o de vista própr*o e dos outros, ou da atividade própria
* das t*ansf*rmaçõ*s do *bjeto. Adota*os esse t*rm* por analogia com ant*opocentrismo, mas o antro*oce**rismo da cri*nça *ó est* ce*t*a*o ai*d* em sua ativid*de individua*, *m opos*ção * *o homem em ge*al" (PIAGET, *993, p. 58). Rev. FSA, T*resina *I, v. 17, n. *, art. 8, p. 173-186, ago. 2020 www4.f*a**t.com.br/re*ista
L. *. Santos 1*8 Fig*r* 1 - Menina estendendo o braço p*ra * **do em que o Sol nasce (l*ste) Fonte: Sampaio (20*5, *. 29). O que s* aprend* com Pi*g** é q*e o sujei*o prime*ro estrutura *eus e***emas em *m nível sensório-mo*or para d*pois (de forma gr*dual) r*e**ruturar este mes*o esqu*m* em um nível agor* repres*ntativo, q*e permitirá ao suj*ito entender a linguagem si*bólica presente, entre outr*s coisas, nos pro*utos ca*tográf*cos. * RESULTADOS E D*SCUS*Õ*S O nível *ensório-motor se refe*e * uma int*ligê*ci* prática, "antes de* lenguaje, el niño po*ee una *ntelige*ci* llamada sensorio-motr*z. Se trat* de un* i*teligen*ia prá*tic*, y que comprende conduc*a* in*trumenta*es" (PI*GET, 19*6, p. 52). Este ponto é fundame*ta* para se comp*e*nder *lguns a*pe*tos *o currículo da Geog*afia. Explica, dent*e outras coisa*, por que questões *ásicas como fr*n*e/trás e esquerd*/direita pre*isa* ser trabal*adas ** nos anos iniciais pelas p*dagogas, po*s este * * pata*ar da atividad* no concreto qu* parte do próprio corpo do aluno pa*a se concretiza* a aprendizagem. Somente após interações nest* *íve* *rático é que o professo* de **ogra*ia deveria trabalhar com abstrações no plano das representações. Se * cr*a*ça n*o tiver tido op*r*unidades *os A*os Iniciais de ter utilizado o seu *orpo como ponto de partida par* sua at*v*d*de motora n* aq*isição de conhecim*ntos, já se te** um atras* n* desenvolv*ment* *este indivíduo que p*e*isa ser pensado pelo prof*sso* para Rev. FSA, Teresina, v. 17, n. *, art. 8, *. 173-186, *go. 2020 *ww4.fsanet.com.br/revista Jean Piaget e a Geografia: Entrelaces Entre a *pistemologia Gené*ica e o C*nc*ito de *u**r 1*9 tr*balhar com o nível simbólico. Se in*isti*mos em ensi*ar u* ma*a, *or exemplo, a essa criança, ela *ão o *o*pr*ende**, po*s não apresen*a os e**uemas f*rmados p*ra *anto. F*eitag (1984, p. 58) reafirm* e**e ponto ao coment*r qu* os esquema* elementares formados ai*da *o n*vel sensório-motor são * base para *s construí*os posteriormente. O estágio se*sóri*-motor * aqu*le em que a cri**ça procu*a co*rdenar e integ*ar as informaçõ*s que recebe a*ravés d*s seus se**idos. Os se*tidos constituem, po*s, as p*im*i*as fo*te* de informação e dã* origem **s pri*eiros e**uemas cognitiv*s m*is e*em*ntar*s (su*ar, p*gar, ouvir, *er, l*comover-se) sob*e os *uais depois sã* co*struídos todos *s demais. C*mo o Lugar par* a *eografia é com*reendido como o esp*ço que * sujeito vive e e*perencia, se torna im**rtante *ensa* *ele para ta*bém c*mpr*ender *s espaços q*e se *nco*tram distantes do in*i*ídu*. Ist* *ecor*e d* sim*les razão d* que *s esqu**as e es*ruturas for*adas n* níve* s**sório-motor são a ***e par* os esquem** e estrutur*s que permitem uma l*itura *ip*t*tico-de*u**va do espa*o, desta fo*ma o concei*o de Lugar dentro da Geografi* ganha *mportânc**, uma ve* qu* ele será a base para * comp*eens*o de conceito* co*o Paisagem e Espaç* Geográfico. Ao con**ito de Lugar se inse*em duas q*estõe* latentes *a teoria piaget*ana. Primeiro, é o **quema do objet* perm*n**te, e*s*n**al p*ra q** * pensamento da cr*ança adquira uma outra c**acidade de leit*ra dos objeto* do mundo. E*te esqu*ma vai progr*ssivamente se tornando m*is complexo e **tará presente de forma *arcante no pensamento fo*mal ** indiví*uo. A segunda questão, *eria o ponto do Lugar com* força motriz pa*a a e*trutur*ção dos esquema*, u** vez que para *iaget (2014) a afetivid*de é ponto preponderante para as construções men*a*s, dentro da Geog*afia o concei** e* qu* essa **eia é mais intrínseca * a p*ópria categoria de Lugar q*e apr*senta em sua *ssênci* a *oncepção de pertencimento. A a*et*vidade repre*en*a * fator de e*ergia das con**tas, en**a*to a estrutur* define as funções cognit*v*s (o q*e não s**nifica que a afetividade seja d*ter*inada *elo i*telec**, [...] n*m o inverso, mas que o intelecto e a afeti*i*ade estão *ndiss*l*velment* u*idos no fu*cionamento *a pessoa) (I*HELDER; PI*GET, 1976, p. 258). As prime*ras ****idades p*áticas que o p*ofe*so* de sexto ano deve real*zar ne**ssitam, portanto, partir do Lu*ar do aluno, inicialmente **ra dar s*ntido à**i*o *ue se está est*dando e s*gundo *a*a s* t*abalhar **m as relações es*ac*ais que P*aget denominou de topológic*s, "fu*dadas *o*re *s noções de proxi*i*ade, de cont*nuidade e de l**ite" (PIA*ET, 1970, p. **). *ev. FSA, Teresi*a **, v. 17, *. *, art. *, p. 173-186, ago. 2020 *ww*.fsanet.com.b*/revista L. P. San*os 180 Piaget; Inhelder (199*) *eixam c*a*o qu* a e*istência se constrói efetiv*mente a partir de um espaço sensó*i*-motor que *e pauta na m*tricidade e na *ercepção, de**ro disso, se cons*roem as primeira* re*açõe* espaciais chamadas então de t*p*lógicas (proximidade ou vizinhança, se*araçã*, ordem, envolvi*e**o e continuida*e) q*e dão s**t*do ao espa*o e obvia*ente se des*nvolve* *nte* m*smo da escola*iza*ão. *s relações espacia** mais elementares *ão as de vizinhan*a (proximidad*) e de sep*ra*ão, a primeir* conc*de as ideias de pr*xi*idade entre os objetos e a seg*nda per*ite uma certa distinção entre estes objetos. P*r e*em*lo, existe uma estante e nela há uma variedad* de livros q*e são pe**ebidos em um mesmo plano, pr*xi*os um do outro (r*l*ção d* vi*inhança), s*ndo que * separação pe*m*tirá ao in**vídu* perceber q*e estes liv*o* são ob*eto* diferentes e não *stão unido*, são, por fim, i*dep*ndentes. No mesmo esteio se desenvolvem a* rel*ções de ordem (sucessão), em que se dá agora uma s*quência a *s*es objet*s *ue já pod*m ser diferen*iados, post**iorment* s* esqu*matiza a rela*ão espacial d* envolvi*ento que é o momento em que ca*a objeto pensado c*m é a*gu*a relação com os dema*s. Por fi*, ap*es*nt*m-se as relações espaciais de *o*ti*uidade "c*mportando um conjunto *spa*ial *o*tínuo" (OLIVEI*A, 2*07b, p. 181). *sse con**nto de re*a*ões espacia*s topológicas ainda n** permitem um* localização e*ata, ma* o su*eito já concebe uma locali*a*ão rel*tiv* tendo como pon*o de *eferência o s*u próp**o co*p*, * *ue já *az c*m *ue a c*iança apresente u* certo *omínio espacial a partir de sua ação. Pensand* no ex*mp*o da estante, ser*a o pont* em que s* pod* ca*egorizar os livros p*r algu*a ordem como tamanho ou tema e elencar es*a organização, entendendo o que *stá n* *ado do que e dentro de cada limit* concebido a partir das categorias criadas por aque*e que organizo* a esta*te. N*ste p**to, * suj**to compr*ende quai* as categorias que vêm antes e depois uma das outras, e perce*e esse conjun** de li*ros como parte *a estante que pode ter outros obje*os org**izados. Den*ro da *eogra**a esc*lar, pode-se pensar n* exemplo de um *apa-múndi em determinada esca** * projeção. Qu**do a criança tem desenvolv*d*s as re*ações es*ac*ais topológicas, ela já c*nsegue de forma ainda incipiente *er uma noç*o da o**anização dos co*tinentes, compreendendo-os como *artes de um *odo que ao mesmo tem*o são diferente*, ma* *antêm uma rela*ão entre si. Ela pode at* compr*ende* essa o*ganização, mas apresent* d*ficuldade de ela mesm* realizar uma reorganização d*s e*ementos apr*sentad*s. Desta forma, as rela*õe* *opológic*s m*ntêm uma re*ação í*tima com o conceito de Luga* d* Ge*grafi*, po*s elas são co*struídas na vivên**a de*t*s crianças, *m se*s espaços co*idianos a partir de su*s aç*es com o meio. O *ugar é * b*se para se compreende* o Es*aço Rev. FSA, Teresina, v. 17, n. 8, art. *, p. 173-*86, *go. 2020 w*w4.fsanet.co*.br/revista Jea* Pi*get * a Geografi*: En*r*lace* Entre a Epistemologia Genét*ca * o Co*ceit* d* Lugar 1*1 Geográfic*, demonstr*ndo que o *u* Piaget con**atou é verdade*ro, o desenvolvimen*o não se dá j*mai* *e forma brusca, mas a parti* de uma di**renciaçã* l*nt* e labor*o*a qu* conduz a passag*m da ação ao pensamento. Assim sendo, o Lu*ar t*ma o papel principal no ***env*lvim*nto construtiv*, o *eu *studo que traça relações com o próprio corpo, c*m * bairro e município ganha to*s vívidos pa*a est*dos *e outros espaços mais lon*ínquo*. Em um *ivro com *ítulo *ugestivo "P*r am** aos l*gares", H*e*ba*r* (2017) d*stac* todo* que na sua vida fizeram **feren*a, *olocando com* incluso* nos agradec*mentos os L*gares que de alguma forma o *onstit*íra*. O lugar é *riado* de *onexões, a*etividades, ide*tidades, em suma, difer*nças. * como se, *uito mais do que *ontrolarmos concretame*te um es**ço, pr*mei*o, em plena intera**o conosco, o próprio espaço nos c*nvoca*s* a habitá-lo, convidando- n** a realizar no*sa vida pelo aprofundamento dos elos afeti*os vividos, **ansformando-s* o e**aço, para nós, efet*vamente, num lu*a*. E a *ar**r d*í se d*sdo*ram *iferen*es pr**essos que, *u* ne*logismo, podem*s d*nom*nar de "lugari*ação". Na combinação com o t*rritório, al*uns lu*ares são mai* o* menos t*rritorializados, *a*s ou menos capazes de *o* "empode*ar" (HAESBA*RT, 2017, p. 1*). Souz* (*015, *. 11*) def*n* "* lugar como um espa*o percebido e vivi*o, dotado de si*nifica*o, e com base ** qual se desenvolvem e extr*em-se *s "sen*idos d* luga*" e as "imagens de luga*". E*te autor carr**a o conceit* co* uma grande pr*sen*a *e um* *imens*o cultural-simbólica, partindo d*ste ponto par* dar de*t*q*e às questões ta*gen**s a* Lugar, como a ideia de identidade, *ntersubjetivid*de e um local pro**cio pa*a as trocas s*mb*licas que pass*m a da* sentid* aos espaços perc*bi*os e vividos. No *esmo **és, é *mportan*e lembrar *s tra**lho* de Cavalcanti (2*09), Callai (2012; **14) e Haesba*rt (2014) que reafirmam o âmbito *as ide*ti*ades *ociais exi*ten*es nesta cat*goria, bem co*o a questão de pert*nciment* que se *un** ao mote da subjet*vi**de, qu* acaba por torn** o Lugar o maio* potencializador do f*tor id*ntitári*. Conceitos t*adiciona*s na lingu*gem geográf*ca, co*o p*isag*m e luga*, por **a ve*, a*ar*cem com re*ati*a frequência *inculados à dimensão simbólico-cultura*, ou se*a, acabam por centrar seu foco n*s re***ões sociedad*-espaço pelo viés da cultura ou de um campo mais subjetivo e/ou *imbólico, co*o o da* repr*s*nt*ções e das iden*idades soc*ais (HA**BAERT, *014, p. 1*0). Mil*on Santos (2012) já defendia *ue o L*gar é o ló**s ideal para que o soli*ário *conteça, se*do, *ortanto, uma categori* importante p*ra e*tend*r o processo socia*. C*mo este conceito apre*enta *ssa dimensã* cultural-sim**lica que leva à construção **s id*ntidades, o* ind*víduos p*ssam a se re*onhecer nos gr*p*s socia*s, a*mando-se para o* enf*en*a*en*os que por v*ntura pos*am *eri* suas e*is*ê*cias, bem como o desmantelamento Rev. F*A, T**esi*a *I, v. 17, n. 8, art. 8, p. 173-*86, ago. 202* www4.fs*net.com.br/revista L. P. Santos 182 de seus Lugar*s. "É nos lugares que a* pilhas da emoção s*o recarreg*d*s de *f*to, coragem, disp**içã* pa*a a c*nstrução do n*vo" (S*UZA, 201*, *. 225). Aqu* *e *oncorda com Tuan (2013, p. 13) quando este autor afirma qu* "*s ideias de "*spaç*" e "lugar" *ão podem ser de*inidas um* se* a ou**a", só é pos*ível pen**r o Espaço Geográfico a parti* do Lugar, pois é na v*vência que se ganha a* fer*a*entas pa*a ler o Espaço Geográfico, seja **c*l ou gl*balm**te. Como Pi*get e*sina, os esquema* **o p*atafor*as *ara no*as aprendizag*ns, no **so da Geo*rafia é o Lugar *ue s**ve c*m* bas* para uma nova compreensão do Espa*o Ge*gr*fi*o, pois é **l* *u* se dão as primeir*s ancoragens, ao m*s** *e*p* em que e*te apar*ce como espaço polí*ico de lutas. S*id (*007), em outro contexto, comenta qu* a falta de conhecime*to da vida real q*e *ec*rre em determ*nados locais acab* fabricando *ma Pai*agem árid* *ue abre os braç*s * uma p*lít*ca externa **e *efinha os va*ores de igu*lda*e * di*ersidade. * *eviand*de estar*ec*dora dos publ*cistas i*con*equ*ntes que *alam em nome da política e*terna e que *ão têm a menor *oç*o da vid* real nesses lu*ares (n*m nenh*m c*nh*cimen*o da líng** ou do que *s pessoas re*is efetivamente falam) f*br*cou uma p*isage* árida * esp*ra de que o *ode*io america*o ve*ha co*s*rui* u* *od*lo su*e**neo *e "democra**a" d* livre mercado, sem ne* s*quer a so**ra de u*a dúvi** de que tais projetos *ão existem *ora da Acad*mia de Lagado, de *wif* (*AID, 2007, p. 15). Sendo assim, se deve dest*ca* *ambém este cará*er pol*tico que *ngloba o Lug*r, sendo também foco de res**t*ncia cont*a visões hege*ônicas que bus*am min*mizar a diversidade *ue form*m *s na*ões. A professora Callai (*012) *firm* que nenh*m lug*r é n*utro, *omportando indi*íduos cada qua* com s*as histórias * v*vên*ias que sofre* in*luências de esp*ços vi**n**s e também distante*, fazendo com que o L*gar s* dest*que com suas singulari*ades *o mesmo tempo em que as r*des possibilita* t*ngenciar o* esp*ços mu*dia*s que o im*actam em d*ferentes escalas. *ompreender o lugar em qu* vive *ermite ao sujeit* conhecer sua histór*a e consegui* e*tender *s coi*as que al* acont*cem. Nenhum lu*ar é neu*ro, pelo c*ntrário, é repleto *e his*ória e *om pessoas histo*icamente situ**as em um tempo e em u* espaço, que pode ser o re*orte *e um *spaço maior, mas por hipótese alguma é isolado, independente (CALLA*, 2012, p. 7*). "Os lugar*s *arecem revelar todas as *on*radiçõ*s do mun*o" (SOUZ*, 2*06, p. 172), **vando à neces*idade lat*n*e de se pe*sar o Lugar qua*do se reflete os espaço* *is*an*es que se encon**am nos currícu*os esco*are* e que de *lguma forma não são viven*iad*s pel*s *luno*. Q*an*o se pensa nas co*tradições locais, estão s**do *riadas as *ossib*lid*des para apree*der as *ontrad*çõe* glob*is, fazendo c*m q*e essa cat*go*ia geogr*fica sej* essen*ial *ev. FSA, Teres*na, v. *7, n. 8, a*t. *, p. 173-186, ago. 2020 www4.fsanet.co*.br/revista Jean Piage* e a G*ografia: Entre*aces Entre a Epistemologi* Ge*ética e o Conceito de L*gar 183 para a apren*izagem do espaço e *a*a a formação d*s e*quemas menta*s q*e permitirão *e* a r*ali*a**. 4 C*NSIDER*ÇÕES *INAIS. Assim sendo, o Lugar é aqu* en*endido co*o u* conceito que permi** * i**ntif*c*ção e co*pr*ensão *a Geo*rafia de cada **, qu* fa* *om *ue os indivíd*os se *ec*nheça* e se sintam pertence*tes a um gr*po e ou espaço. C*mo conceito envol*e sentim*nto* de p*rtença e cria conexões, ele acaba por me*clar identidades, permitindo co*hece* o *spaço que se *abita m*smo qu* ali t*nham eleme**os globais que poderã* ser percebido* e compre*ndidos, sendo ponto *e partida para entender os es*aços mai* l*n*ínquos. É no *uga* que s* desfaz em gr*nde medid* o *gocentrismo que P*aget fala em s*us est*dos, permitindo *m outr* ti*o *e o*har * *e**imento para com * outro e com o mun*o. É apen*s a parti* d* *ma quebra de paradigma qu* compreender não apenas * é seu p*nt* de vista como o real e verdadeiro que uma outra sociedade é *o*sível. Se o *api*al a *udo de*o*a, é *o Lugar *ue surgem as maiores for*as d* resi**ência, é na v*vênc*a co*eti*a que emerge um *ensamento que não t*m* como ponto de partida o "ser", m*s sim, o "não se*" dos opri*i**s e dos *xclu*dos desta terra, com* ensi** o profes*** Andreola (20*7). RE*ERÊNCIAS AL*EIDA, R. D; PASSINI, E. Y. O *spaço geográfico: ensino * representação. 15. e*. 5. *eimp. São Paulo: Contexto, 2*11. ALMEIDA, R. D. (Or*.). Cart*gra*ia esco*ar. 2. ed. 2. reimp. Sã* Paulo: Contexto, 2011a. ______. Novo* *u*o* d* cartografi* esco***: curr*culo, lin*uagem e *ecnol*gia. S*o Pau*o: *ont*xto, *011b. ______. 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