Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *7, n. 2, art. 2, p. 03-23,fev. *0*0 I*SN Impresso: 180*-6356 ISSN *letrô*ico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/2020.1*.2.1 Do Ma*keting Político ao Autoritaris*o: *m Olhar So*re *s Disc**sos de Votação ** Impeachmen* de Dilma Rou*seff *r*m Politic*l Marketing t* *utho*itariani*m: A L*ok at D*l*a Rouss*ff's Impeachment Vot*ng *peeches Clayto* **reira Gon*alves Doutorad* em Admini*tração pela *NIGRANRIO Profe*so* da Fundação Uni*ersidade *ed*ral de Ro**ônia cr*ia*@gmail.com Ed*a**o André T*ixeira Ayrosa Do*t*r em Admin*stração pel* University of Lon*on P*ofessor da Un*ver*id*de Po*itivo eay*os*@g*ail.com En*ere*o: Clayton Pere*ra Gonçalves Editor-Chefe: Dr. To*ny Kerley de Ale*c*r *v*ni*a Rot*ry C**b - 3756, Jardim Soc*a*, CEP: R*drigues 76*81283 - Vi**e*a, RO - Brasil. Artigo receb*do em 2*/1*/2019. Últi** v*rsã* Endereç*: Eduardo An**é Teixei*a Ayros* recebida *m 10/1*/2019. Apro*ado em 11/*2/2019. *rofessor **dro Viria*o Parigot de So*za, 5*0* - Campo Comprido, Curi*i*a - PR - Bra*il Aval**do pel* sistema Triple Revie*: Desk R**iew a) pelo Editor-Chefe; e b) *ouble Bl*nd Review (avaliação cega *or doi* a*aliadore* da área). Re*isã*: G*ama*ical, Normati*a e de Formatação Agên*ias de fom*nto*: O *resen*e trabalho foi reali*ado com apo*o d* *oorden*ção de *perfe*ç*amen*o de Pessoal de Nív*l Su*erior - Brasil (CA*ES) - Código de Fina*c**me*to 001. C. P. G*nçalves, E. A. T. *yro*a 4 RESUMO O p*opósito do *rtigo foi analisar as manife*ta*õe* de deputados por ocasião da v*tação *e ab*rtura do processo de impea*hment da ex-*res*dente Dil*a Rousseff na Câmara dos Deput*dos. Adota**s a ótica do marketing polític* d**id* à import**cia *ue *o* *ada a sess*o tran*formand*-a em evento n*c*onal co* cobertura ao vivo da tele*i*ã* em rede aber*a, em um domingo, m*r**n*o **uele dia como *ntológico. Buscou-*e n* conc*ito de au*oritaris*o de dir*ita (ALTEMEYER, 2006) a fundamentação pa** caracterizar a *xistência de discursos a*t*ritário*, tendo com* c*r*us de análise os discursos de v*tação do* 5*1 Deputados Federai*. Os dado* f*ram analisados com base n* téc*ica de anál*se *e discurso, *eoria da ar*umenta*ã* e r**óri*a (*E**LMAN; OL*REC*T*-*YTE*A, 20*5). *erif*cou- s* que existi*, n* *ala dos *eputa*os, um vi** a*toritário *endo classificados de tr*s formas: a submissão autoritária p*r argumento de autoridade, a *gressão autoritária por argumen*os de a*toridade e pragmátic* e convenc*ona*ismo p*r *rgum*ntos de autoridade. Alé* *iss*, não foi pos*ível relacio*ar os políticos autoritários a uma ide**ogia política esp*cífica, pois se obser*ou que *olíticos de direi*a, esquerda e centro utilizara*-se do au*ori*arismo em seus discurs*s para v*tação. Dess* forma, apon*amos *ue de*emos a*entar para o fato de que, *pesar de vivermos e* um* democracia, o *utoritarismo faz-se *resente nos *iscursos polí*icos e que não s* pode afirmar que fa** parte de uma i*eologia polí*ica, mas sim do próprio *o*ítico, *a*endo comunidade acad*mica deba*er e buscar à uma co*sci*n**zação a respeit* dos po*síveis im*actos p*ra a sociedade. Palavra*-Ch*v*: Mar*eting Pol*tico. Autoritari*mo *e Dir*ita. Discurs*s P*líti*os. Impea*hm*nt. ABSTRACT The **rpose of **e article was t* a*alyze the d*mon*tr**ions of deputies *t *he time of the vote to open *he impeachm*nt process of *ormer Pr*sident Dil*a R*uss*ff the *ouse of in Rep*esent*tives. We adopted th* view *f p*lit*cal marketi*g due to *he im*o*tance given *o *he *e*sion, *ransform*ng it into * nation*l event wi*h live coverage of open *etwork tel*vision, o* a Sunday, marking that d** as an anthol*gical on*. The concept of right-wing authorita*ianism (ALT*MEYER, **06) *as used as the b*sis for ***racte*izing th* existence of auth*rita*i*n disco*r*es, *ith *he vo*i*g discourses of the 511 Federal R*presentative* *s the corpus of an*lysis. The da*a we*e anal**e* based on th* discours* analysis techn*qu*, Theory of argumentation a*d rh*toric (P*RELMAN; OLBR*CHTS-TYTEC*, *005). It w*s found t*at the*e was, in the speech of deputies, a* autho**tarian bias *eing c*a***f*e* in th*e* ways: a*thoritaria* sub*is**on by argum*nt of authority, authoritarian *gg*es*ion by arguments of authorit* and pragmat*c and conventionalis* b* ar*ume*ts of autho*it*. In a*d**ion, it was not p*s*ible to relate autho*itarian politician* to * s*ecific *oli*ical ideo**gy, *s *t was obser*e* that politicians *rom *** **ght, lef* and center used author*tarianism in their voting speeches. Th**, we point ou* *h*t we mus* pay atte*ti*n to *h* *act th*t, *lthoug* *e live in a d*mocracy, authoritari*nism is pre**nt *n *oli*ical discourses a*d that one *anno* affirm that ** is part of a p*litical ide*logy, but of *he p*li*i*ia* himself, and it i* *p *o the academic *o**unity t* deba*e an* seek an *ware**s* about the p**sible **pacts on society. Key*ords: Po*it*cal marke*ing. right-wing-a*thoritari*nism. politi*a* sp*ech*s. impeac*ment. *ev. FSA, Teresi**, v. **, n. 2, art. 1, *. 03-23, fev. 2020 www4.*sanet.*om.b*/revista Do *arket*n* Po**tico *o Autoritarismo: Um Ol*ar S*bre os Discurs*s *e Vo*ação ** Impeachme*t 5 1 IN**ODUÇ** O presen*e *rt*g* tem como objeto as ma*ifestações de de**t*dos p*r o*asi*o d* votação de a*er*ur* do pro*ess* ** impeach*ent da ex-pr*sid*nte Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. O pr*cess* contra a então Presidenta oc*rreu num período cara*terizado pela deteri*ração da *ituação econômic*, pe** crise p*l*tica c*usada p*la opera*ão *a *o*ícia *ederal L*va-j*t*, e pel*s manifestações *o "Movimento Br*sil L**re" "Mo**m*nto **m e pra R*a" *ue ocor*iam com certa fre*uê*cia. * pa*tir d* um *enário diferenciado pela data d*ter**n*da para votação, *u *eja, um dom**go, dia em que o ple*ário está se*pre fechado, fic** eviden*e a *n*ençã* em prov*ca* u* forte i*pacto na populaçã*. A sessã* *oi tran**itid* ao vivo pel* t*levisão *m rede aber*a, demonst*an*o a utiliz*ção do me*o de c*m*n*cação de *assa como f*rram*nta de marketing para projeçã* pessoal (MIG*EL; *002; *OST*, 2013). Esta *tiliz*ção d* mídia como meio de comunicação é um* f*rramenta do M*rketing Polític*. Dentr* *o mer*ado político, o e*eit*r é vis** como um consumido* em p*tencia*, * o candidato * produto de*te mercado com*e*itivo e acir*ado. * c**teúdo de*te "produto" é o seu d*scurso (THI*LLEN*, 19*6) e, n* data em quest*o, os "**nsu*idores" brasile*ros pud*ram a*sisti* a* *onteúdo dos Deputados Federais em rede nac*onal, sem i*terrupç*o. O co*teúdo de t*i* dis*ursos foi *ntensa*en*e cri**cad* pelos anali*tas p*lí**cos, pr*n*ipais jor*ai* de circulação, e meio acadêmico (BECKER et al., 20**). O* discurso* p*onun*iados por alguns de*utados basea*am-se *m *ala**a* e expressões re**ci*nadas ao a**o*it*r*smo. Assi*, pre*s*pom*s que * conteúd* manif*stado por parte dos De*utados Federa*s aprese*ta um viés aut*ritário e, *ara tant*, analis**os os 511 discur*os p*oferidos n* votação do proce*so de impeac*ment a **rtir do conceito de Autoritarismo de Direita (Right-Win*-*utho*ita*ian*sm) (ALTEMEYER, 1981; ALTEMEYER, *006). O t*rmo "de direita" não se refere diretam*nte * id*olo*ia p*lítica d* direita, mas sim à **siçã* ** direit* no sentido da **ic*logia socia*, em que o indi*íduo segue e def*nde as normas es*abelecida* pela *rdem ideológi*a e social *ue c*nstitui a so*iedade (ALT*MEYER, 1996; ALTE*EYER, 199*; ALT*MEYER, 2006). A partir d* contex*o a**es*ntado, o *re*ente trabalh* tem *omo objetivo anali**r, sob uma perspectiv* do *utoritarismo de direit* (RWA), as *anifest*çõ*s de deputados *or *casião da votação de abertura do *roces*o de *m*each**nt da e*-p*es*dente Dilma **usseff na Câmara dos D*pu*ados. Os discursos ana*i*ados estão disponíve** n* D*ário da Câ**ra dos *eputados na pu*li*ação de 1* de abril de *016. P*ra análise e interpretação dos dados Rev. FSA, Teresina P*, v. 1*, n. 2, ar*. 1, p. 03-2*, f*v. 2020 ww*4.f*anet.com.br/revist* C. P. Gonç**ves, E. A. T. Ayrosa 6 a*o*amos c*mo método a an*lise de dis*urso p*r meio da *eoria da argument*ção * r*tó*ica (MUSI, 201*; P*RELMAN; O*BRECHTS-TYTECA, 2005; T*IOLLENT, 1986). 2 REFERENC*AL *EÓR*CO *.1 Marketin* Político * esco*ha da data da votação s*bre * processo de impeac*me*t da ex-pre*id*nte Dilma, assim como a tran*missã* ao vivo pela televisão em rede aber*a, apresentand* o *ot* de cada um dos 511 *ep*tados, pod*m s*r entendidos c*mo pa**e ** uma técnica de marketing po*ítico que teve e*tre outros objetivos a clara pr*je*ão de cad* um dos deputados, principalment*, do ex-pr*sid*nte da C**ara *os Deput*d*s Eduar*o C*nha (*RISTALDO; V*RDÉLIO, *0*6). D*ntr* as definições de *arketing polít*co, trazemos duas de períod*s *ist*ntos qu* nos *ermi*e analis*r sua evo*u*ão: Shama (1975, p. 793) define o marke*in* p*lít*co como "o proces*o pelo qual os *an*i*at*s po*íti**s e *s ideias s*o di*ecionados aos elei*ores, a fim de satisfazer **as necess*dades polític*s e, a***m, obter s*u a*oio para o candidat* e ideia* em questão". *wal*na, F*lk*wski e N*wman (*009, p. 70) definem co*o: "os processos de int*rcâmbi* e o est*belecimento, manuten*ão e aprimoramento dos relac*onamento* entre os objetos d* mercado polí*ico (*olí*ico*, partidos p**íticos, eleito*es, grupos de interesses, *nstituiçõ**), cuj* objetiv* é identifi*ar * satisf*zer sua* necessidades e dese*volver a lidera*ça pol*t**a." N*tam*s que, ** primeira defini*ão, o **jetivo era conseguir o apoio do eleit*rado, pois o autor ci*a "candidato *olítico". Na *egunda defin*ç*o, o foco es*á na a**inist*a*ão dos *elacionamentos entre o* o*j**** do me*cado político, ou se*a, o esco*o a*menta, deixando de s*r som*n*e candidato e eleitor, sen*o a*enas um m*me**o el*itoral para ser trabalh*do co*o *erramenta de período *ontín*o que *nvolve outr*s *bj**os. O a*sim *hamado mercado político, formado sobr*tudo *elos partido* polít*cos, candidato* *ol*ticos e eleito*es, pode ser comp*rado com um mercado convenc*onal, ** qual os candidatos são compa*a*os a *rodut*s, e os eleitores a consum*dores que *omam a decisão a res**ito da comp*a ou não de determinado produto (KOTLE*; LEVY, 1969; KOTLER, 1975; MAUS*R, 1983; THIOLLENT, 1986; FI*UEIREDO, 2000; SCOTTO, 20*3). Nest* sentido, elei*o*/c***umi*or e*xerga ca*didato/produto como se estivesse o o diante de uma *ra*eleira de supermercad*, es*olhendo um sabão em pó (MAUSER, **83; THIO****T, *ev. FSA, *e*esi*a, v. 17, n. 2, art. 1, p. **-23, fev. 202* www4.fs*net.com.*r/r*vista Do Marke*ing Político ao Autorit*rismo: *m O*har Sobre os Disc*rsos de V*t*ção do *mpeachment 7 19*6; SCOTTO, 2003). Seguindo está lógica, Th*olle*t (198*) desta*a qu*, se o candida*o é um pro*ut*, podemos interpreta* os seus discursos como o c*nte**o do produto. *o en*anto, *ma *r*t*ca c*m*m a esta lógic* é exatamente * *ato de *ue o **ndidato, dif*rente de u* simples produt* tangív*l, tem a *apacidade da fala (KOTLER, 19*5; **RROS, 2005; *ARROS; *YROSA, 20*6). Ass*m, *or esta redução da relação en*re ***keting e política à l*gica do candidato/pr*d*to, se por *m lado o *andid*t* * vi*to como a*guém es*olhido para p*esta* ** serviç* aos seus eleitores, *s partid*s políticos são *istos *o** empresas presta*oras d* s*rviços (NEWMAN, 1*94; MARL*ND, 2003; CW*LINA; FALKOWSKI; NE*MAN, 2015). É importante desta*ar que apesar dos estudos so*re a importânci* dos ser*iços pa*a o m*rketing (SHOST*CK, 19*7; *IXON, 199*), em um período anterio* a* trabal*o de V*rg* e Lusch (2004), a lóg*ca dominante no mar*eting *inha foc* no *roduto, cuja ênfase est*va nos be*s tan*í*eis e que, *ortan*o, nã* era equivocado relaci*n*r o *andidato * um pr*duto e* si. Contudo, Vargo e Lusch (2*04) *ropõem a ide*a *a lóg*ca domi*an*e re*acionada aos servi*os, com foco nas tro*as intangívei* especializada n*s habilidades * c*nhecimento que *assa a integ*ar e* determina*as si**ações o produto. Trazendo *sta lógica *ara o m**cado *olítico, Newma* (1994), Marland (2*03) e Cwalina, Falkowski e Newman (20*5) associam o can*idato a quem presta um serviço à sociedade, tor**ndo **is clara a distinção en*re **mpan*a eleitoral e atuação no governo. Afinal, durante a campanha, o que ocor*e é *m* pro*essa de serviç* a *er oferec*do (C*ALINA; FALKOWSKI; NEWMAN, 2015). Logo, * político, que durante seu mand*to for *v*l*ado como um *om *restador de serviç* tenderá a ma**er seus e*e*tores, e cas* o con**ário aconteça, perde*á *eus eleitores. Uma maneir* de s* conquistar e manter o elei*orad* é "por me*o de dis*ursos, cujo conteúdo e cuja forma são adaptadas às expectativas dos el*itores-consumidor*s" (THIOL*EN*, 1986, p.*6). **to * rea*izado mediante a utilização dos m*ios d* comunicaç*o de *as*a, *ue projetam o candidato dian*e do *l*it*rado (**TL*R, 1975; COSTA, 2*13; CW**INA; FAL*OWSKI; NE*MA*, 2015). E*tretanto, os políticos *ã* *tilizam esta téc*ica *omente em p*ríodos eleitorais, mas se*pr* qu* possível como forma de *e tornare* conhecido* na mente do eleitorado, seja em f*las o* atrav*s da *xposição de s** imagem e* sit*ações de grand* repercussão (CO*TA, 2013). Na vot*ção do p*ocesso d* *mpeachme*t os deputados feder*is ti*ha* a*enas *0 s*gundos para pronu*ciarem **u vot* "a favor", "**ntra", ou "se abste*em". *pes*r d* vota*ão t*r oc*rrido em u* dom*ngo, apenas doi* dep*tados não comp*re*eram à sessão, e e* sua grand* maioria util*z*ram o tempo par* se projetarem atra*és de d*scursos e de sua* Rev. FSA, Teresina PI, v. **, n. 2, art. 1, *. 03-23, **v. 2020 www4.*sane*.com.*r/revi*ta C. P. Gonça*ves, *. A. T. A*rosa 8 imagens. Ao lad* d* mic*ofo** dest*na*o à v*tação, foi p*ssí*el obs**var qu* alguns depu*ados, a*esar *e ** terem votado, per***ecer*m no local **e era focal*zado pelas câmeras *e TV. Ao *ad* d* mesa do *r**idente da *âmara hav*a também um* fila de deputados que, em dete*minad*s momento*, *egura*am *artazes com imagen* das b*ndei*as de seus Est*do*. Sendo assim, enten*emos que a votação ** processo de impeac*ment da e*-presi*ente Dilm* foi uma prestaç*o de serviço mot**ado, entre outr*s fat*r**, pel*s *a**fes*açõ** *ue ocorriam com c*rta regularidade com co**rtura em rede na*ional e que, de *erta form*, respon*eram a um des*jo já cristalizado em par*e da sociedad* * favor do impeachment. P*rém, não entraremos no mér*to d* *ualida*e do serviço prestad*, mas apresentaremos, na p*óxima seção, os c*nce*tos que *ervirão para ap*i** uma avaliaç*o sobre a existência d* um discurso autoritário. 2.2 Autoritarismo Os dis*u*sos políticos s*o utilizados **m* fe*rame**a de comunicação no me*o p*lítico (KAID, 2009). Compreen*emos *s discursos *olític*s *omo uma técnica do marketing p*lí*ico em que os p*lí*i*os buscam * projeção. Alg**s polí**c*s se utilizam *e discursos autoritário* e *nco*tram o **oio por parte dos eleitores que *omp*rtilh*m das *esmas **e*as. Afinal, uma das descobertas do estud* d* escola de *erkel*y *oi que in*i*íduos sus*etíveis às p*opaganda* fascista* têm muito em comum, ao c*ntr**** dos que n*o são suscetí*eis *s m*smas propagandas (ADO*NO et a*., *950), ou seja, os inclinados ao f*scismo formam um grupo de **ssoas c*m valor** e *d*ias em comum. A* estraté*ias ad*t*da* p*la propa**nda fascista pa*a a*ingir o c*dadão comum baseavam-se nas e*per*nças e *s*ir*ções, medos ansie*a*es relativ*s às suas e vid**, à socie*ade em qu* **tavam inseri*o*, * aos **drõ*s sociais e econô*ic*s estabelec*dos à época. De a*ordo com Adorno et al. (1950), t**s estra*é*ias *is*ursivas foram usadas para ge*ar apoio aos ideais do nazismo, as*i* como reje*ção aos val*res que os colo*avam em cheq**. No estudo citad*, Adorno et al. (1950) *ro*õe a e*cala "F" para medirem a propensã* à *ersonalidade autoritária, o que indic*ria pe*soas passívei* d* *erem atingida* co* suces** p*r técnica* comunic*cionais ut*lizada* *or f*s*istas. Apesar *e co*si*erarem fatores soc**is como determina*tes da personali*ade do indiví*uo, a per*on*lidade auto*itár*a é constituída R*v. F*A, Teresina, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, f*v. 2020 w*w4.fsanet.com.br/revista Do Marketing Polític* ao *ut*ritarismo: Um Olhar Sobre os Discursos de Vo*ação do Imp*achmen* * por uma concepção ideológ*ca *ue resulta na f*r*ação *e o*iniões, at*tudes e *alores indiv*d*ais sobre ** mais *ariados ca*pos como o p*l*tico, e*onô*ico e religioso. O*tro import*nte trabalh* sob*e o autoritarismo foi elaborado por Elms * Mil*ram (1966). Eles observaram a obediência das pe*soas em at*n*erem a um* d*termina*a ordem. A pesq*isa consis**a em um ex*e*imen*o com voluntá*ios recrutad*s por mei* de anúncios em jornais. Os pa*ticipantes selec*ona*os *ssumiam, no experime*to, o pap*l d* "Pr*fe*sor" em uma suposta experiênc*a *e a*rendiza*em, em que a função do Pro*ess*r er* d* aplicar choq*es *o "Aprend*z" sempr* *ue ele er*a*se as respos*as. O "Aprendiz" era um me**ro da equipe *e Elms e Milgra* que er*ava *s respostas para provocar * r*ação v*ole*ta do "Professo*". Na r*alidade o Apr*ndiz n** sen*i* ** choq*es, m*s *s "Pro*essores" acredita*am que *im. O primeiro choque tinha uma voltagem de 15 *ol t s * o ú* t i m o de 450 volt*. Apesar *os grit*s de *or * reclamações do Apre*diz, qu* permanecia em uma sala isolada do Profe*sor sem que este o visse, 65% dos vo*untá**os Professores foram até a carg* máxima de choque. Quando questionados, ao final do ex*erimento, sobr* o porq*ê de *rem a** a c*rga **xima de c*oque, mesm* com o Aprendiz reclamando de dor e pedindo que parasse com * experimento, ** volu*tários afirma*am que estavam apenas obedecendo *s orde** do regulam*nto d* exper**ento * que o profissional *ue avaliava o *xperimento, ao lado deles, mand*** que seguiss** com o experimento. Na mesma *p*ca em q*e Elms e M*lg*am (1966) iniciavam seus e*perimentos sobre a obediência, oc*rria em Je*usal** o julgamento de *ichmann, oficial do regime nazis*a. Durante o *ulgamento, Eichman* se dizia "inocen*e n* *entido da acus*ção" (ARENDT, 2013, p.29). No *ntend*r de E*chman*, ele não era culpado pela* m*rtes dos judeus, pois e*e seguia às ordens de Hitler, cu*as *rdens tinha* força d* Lei. Eichmann afirmo* qu* *ua consci*nc*a somente p*sava q*ando "não fazia o que lhe ord*n*va* embar*ar *ilhões de ho*ens, mulheres e cri**ças *a*a a morte, co* gra*de aplicaçã* e o mais meticuloso cu*dad*" (ARENDT, 2013, p.*9). Busc*n*o compreender as pess*as q*e são obedientes em situações *ifíc*is * que desa*iam a obediê*cia de acordo c*m s*us p*incípios, A*te*e*er (19*1; 1996) propôs o conceito de "au*or*tar*smo d* d*reita" (r*ght-wing aut*oritaria*ism, RWA). O *e*mo "de direi**" não se refere c*aramente uma posiç*o a polític*, mas **m a um posicionamento de d*reita na **icologia *o*ia* relaci*n*do a* fato do indivíd*o escolher para sua vida as normas esta*ele*idas pela ordem ideoló***a e s*cial *ue constituem a *o*ie*ade (ALTEMEYER, 1981; ALTEMEYER, 1996; ALTEMEYER, *9*8). Este autoritarismo de dir*ita é formad* Rev. F*A, Te*esina PI, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, *ev. 202* www4.*sanet.co*.br/rev*sta C. P. Gonç*lve*, *. A. T. Ay*osa 10 p*r *rê* c*nglom*rado* de at*tudes que podem ser con**mitan*e* ou não: (i) submi*são auto*itária, (ii) ag*essão auto*itária e (iii) convencional*smo. A su*mis*ão autor*tária *ef*re-se a uma "*ubmissão" às aut*ridades estabelecid*s e pe*cebida* de forma legal o* moral como, por exemplo, os *ais com **laçã* a se*s filhos, líderes **ligiosos, políticos, juízes e mi*itare*. O* indivíduos aceitam as d**larações e aç*es e têm uma disposição para cumprir suas de*erminaçõe*, *creditam que a* au**ridades têm o dir*ito de decidir*m *or *i o **e p*dem f*zer, *esm* que sej*m imo**is (ALTEME*E*, 19*6; ALTEMEYER, 20*6). A *gre*são autoritá*ia refere-se ao ato de caus*r danos a uma *eterm*nada pessoa *u *rupo de *essoas, pode ser um *a*o físico, sofrimento *s*cológi*o, perda fi*anceira, i*olam**to s*ci*l ou *l**m estado negativo *ue as pessoas tend*m a evitar (ALT*MEYER, 1*96; ALTEMEY**, 2006). Para o autor, será cons*dera*a uma *gress*o aut*ritária qualquer a*o - * que inclui at** de fala - seg*id* da certeza de *ue d*t*rmi**da aut*ridade aprove a atitude ou que es*a agressão aj*de a au*o*i*ade de alguma ma*eir*. *en*o assim, qualquer indivíduo pode *e tornar alvo da a*ressão autorit**ia, inc*usive dentr* do* próprios grup*s de o*de part* a agressão, mas ge*al*ente são as pes*oas d* *omp*rtament*s conside*ados **svi*ntes (VELHO, 1979) *omo, por exempl*, *s gays que s*o as vítimas convencionais de *gress*o a*tori*ária (ALTEM*YER, *996; ETCHEZA*AR et al., 2016). *or convencionali*mo, terce*ro e úl*im* *onglomerado de a*it**e, o au*or refere-se a u** adesão às con*enções sociais que co*siste *m forte c*ncordância * compromi*so com as n*rmas sociai* trad*ci*nais *a socie*ade **mo, p*r *xe*plo, os ens*nam*ntos baseado* nas religiões judaico-cristãs (ALTEMEYE*, 1996; *LTEMEYER, 2006). Para os autorit*rio* ** direita, os se*s costumes e patrimônio nacional são os fatores que os torna* melhores do *ue os *utro*. R*je*tam a proposiç*o de que os c*stume* *ociai* são fa*ulta*ivos e que os costumes de ou*ros g*upos pos**m ser tão bons quanto o* seus. *ão aceitam *ut*as formas de se realiz*r certas ativ*dad*s, ape*as as deles são as c*r*etas (ALTEMEYER, 1996). A*sim, o* indivíduos *om altos níve** de autoritarismo de direi** ten*em a expres*ar a*itudes n*gativas em *elação àquele* q*e se des*ia* dos valores e m*dos *e v*d* de *eu próprio *rupo (ALTE*EY*R, 19*8) e, por *ss*, s*o percebidos como ameaças às normas e *al**es t*a*icionais (COHRS; A*BROCK, 200*; DUCKIT*; SIBLEY, 2010). A discussão sobre autoritarism*, política e propaga*da foi estudada po* Adorno et a*. (1*50), q*e *iscutiu, entre o**ros *ss*nto*, a utilização *e pr*pagand** fascis**s *omo forma de se Rev. FSA, Teresina, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, fev. 2**0 www4.fsan*t.com.*r/revis*a Do Marketing *olítico a* Au*ori**rismo: Um *lhar Sob** os Discursos de Votação do Im*eachment 11 induz*r os indivíduos a ade*ire* à* propost*s nazistas. Outros estudos (DUC**T*; SIBLE*, 2010; **CHEZAHAR; *ERVO*E, 2011) relacion***m o *utorit*ri*mo de d*reita com a ide*logi* *olítica. *retendemos an*lis** se o* d*scu*sos de abertura do processo de imp*ach*en* pr*nuncia**s, ** C*mara dos Deputad*s, apresentam um v*é* ** a*t*ritari*mo de di*eita de uma maneira *eral, sem que f*ça*os distinção ideológica. 3 METOD*LÓGICO Com o propósi*o de analisar as *a*if*stações de de*utados por ocasiã* da votação d* abert*ra do proc**so de impeachm*n* da ex-*res*dente Dilm*, *a *âmara dos De*utados, em 1* de a*r*l d* 2016, sob u** perspe*tiva aut*ri*ária, examina*os os dis*urs*s de *otação d*s 511 deputados presente*. Os dados pa*a análise for*m r*tirado* do documento D*ário d* Câmar* do* De*utado* ano LXXI - *° *56 de 18 d* abril de 201*. Realizamos uma análise *ua*itativa, *or mei* da aná*ise *e discurs*, org*nizando o c*rpu* da pe*q*isa * p**ti* de tr*s **apa*: (i) pré-anál**e; (i*) exploração do mater*a*; e (iii) tra**mento *os res**tados, inferência e i*terpretaç*o. Assim, apo*tamos os discur*ant** e o seu partido, analisando o que foi d*to * *artir de palavr*s e exp*essões q*e desempenh*m um símbolo político (THI**L*NT, 1986). Fo*am coletados *s 511 discurso* de vot*ção e separados por E*tado, pa*t*do p*lítico e, se foram a favor, *ont*a ou s* abstive*am. Pa*a a a*ális* dos dados utiliz*mos programa o *tlas.*i versão 6.0. A p*r*ir d* referencial *eó*ico, identifica*os qua**o **tegorias de anális* a priori: submissã* auto*itár*a por argumentos de aut*rida*e; agressão autoritári* por argumentos d* a*toridade; a*res*ão aut*rit*ria por a*gumentos *ragmáticos; e conv*ncionalismo por argume*tos d* autoridade. Para *lcançarmos o objeti*o, analisamo* o* discur*os ba*eados em *eterm*nadas palavr*s e expr*ssões qu* se relacionam ao a*tori*arism* e aos argumentos *ragmático e de **toridade. 4 RESULT*DOS E DISCUSSÕES Cada d*scur*o fo* analisado, de acordo com os termos escolhidos como relevantes, par* a avali*ção do ob*e*ivo proposto para esse a*ti*o. Foram *ontabi*izado* 5*1 discu**os, divididos *ntre 367 a *a*or, 137 co*tras e sete abs*enções em relação à abe**ur* do *rocesso de imp**chment da ex-pr*sident* Dil*a. Rev. FS*, Teresina PI, v. 17, n. 2, art. 1, p. 0*-23, f*v. 202* w*w4.fs*n*t.c*m.br/revista C. P. G*nçalves, E. A. T. Ayrosa 12 Foi **nd*zida uma a*álise *e di*curso orienta*a para *ategor*as e*pecí*icas, inspir*da* pelo conc*it* de Autor*tarismo *e Dire*ta (R*A), de Altemey*r (19*6; 199*), e* conjunto com as técnicas argum*ntativas de ligação b*sea*as na estrutur* do real, com intuito de atin*ir *m determinado auditó*io por meio de teses *rgumentativas (PE*E*MAN; OLBRECHT*-TY*ECA, 2005). As pa*av*as e as expres*õ*s q*e pu*e**em *emeter *o aut*ritarismo foram selecionada*, as*im como, as *ue *emetessem aos argu***t**: prag*á*ico e de *ut*ridad*. Reco*damos que o te**o "d* di**it*", que acompanh* o aut*ri*arism*, não significa clara*ente um id*al político co*servador oposto a *m ideal l*ber*l, ou *emeta ao liberalismo econômico capit*lista como oposto ao socialismo. *ste c*n*eito refere-*e ao sen*ido ps*coló*ico em que o **divíduo adota para si *s normas estab*lecidas *ela ordem ideológi*a e social que constituem a so*iedade (A*T*M*YER, 1981; AL*EME*ER, 19*6). No entanto, * razoável *u* sua presença coin*ida com os sen*idos p*lítico e econôm*co de d*re*t*. O a*tor**a**smo de direita é *ormado por três *onglom*rados de *t**udes: submissão autoritá*ia, agressão autoritári* e conv*nc*onalismo. Estes três conglomerados formam as categorias * p*iori que u*amo* na a*álise *o* di*cursos *e votação. Baseado nos di*cur*os, el**oramos a ta*ela 1, * seg*ir, q*e aponta as pal*vras mais utilizad*s, *os 511 discursos, identific*das de acord* com freq*ê**ia com *ue fo*am citadas. Tabela 1 - *alav**s mais ut***zadas nos 51* dis*ursos anali*ados: POVO ESTADO FA*ÍLIA DEMOCRACIA ESPERAN*A RESPEITO CORRUPÇ*O *ONSTITUIÇÃO GOLPE DEUS P*RTIDO FUTURO CR*ME RE*PON*ABILID*DE HOMENAGEM Re*. FSA, Teresina, v. 17, n. 2, art. 1, p. 0*-*3, *e*. 2*20 37,6% 26,2% 24,*% 17,6% 1*,*% *3,9% 13,*% 13,1% 12,5% 1*,8% 10,6% 8,4% *,2% 8,0% 7,8% *ww4.f*anet.*o*.br/r*vis*a
Do Marketing Político ao Autorit**ismo: Um Olhar Sobre os Dis**rsos de Votação do Impeachment 13 CONSCIÊNCIA LADRÃO LIBE*D*DE D*GNIDADE JUSTIÇA COVARDES ÉTI*A DITADURA F*RSA F*nte: El*bo**do pelo* autores. *,3% 3,3% *,3% 3,1% *,1% 2,5% 2,2% 1,8% 1,8%
* se*uir são aprese**ados os resulta*os obtidos, na análise dos dados, c*m base nas *uatro categorias. 4.1 Su*miss*o ***oritária por argum*ntos de a*toridad* A submiss*o a*toritár*a ref*re-se à tendênci* de se submeter às autori*ades e*tabele*id*s e *erceb*das d* forma *egal ou moral. Sig*ifica acei*a* as suas declaraçõe* * ações além de uma vontade de cumprir s**s in*truções (AL*EM**ER, 1996). O auto* ainda a**nta que os autoritários sã* o**dientes e *reem que a* autoridad*s *êm o direito de decidir por si mesmas su*s ações, inclusive violan*o as l*is. As aut***dade* são as pessoas e instituiçõe* que tê* poder sobre o comportamento e ações *a sociedade como, por e*emplo, lí**res religiosos, polí*icos, ofici*is *ivis (juízes e chefes de governo) os supe*i**es milit*res (ALT*M**ER, 1*96; ALTEMEY*R, 200*). e Ademais, o argumento de pres*ígio da a*to**da*e: util*za "atos ou juízos de uma pesso* ou de um gru** de *essoas c*mo meio de prov* a favo* de *ma tese. " (PE*E*MAN; OLBRE*H*S-*YTECA, 2005, *. 348). Dessa forma, utiliz**do c*mo marcadores as palavr*s: P*rtidos, Deu*, *n*tit**ç*es pú*lic*s nome* d* oficiais civis, encont*amos discu*sos *u* nos remet*m uma *ubmissão a a*toritári* por argumen*os *e autoridade: "Eu gostaria, in*ialment*, *e pedir licenç* a *odos os Parlamentares *esta Cas*, *o Sr. Presidente, *ara reconhecer o trabalho belíssi*o que o ex-P*eside**e Lula fe* pelo no*so Br*s**, dando oportunid*de às *ess*as m*is pobres, qu* n*d* tinham durante gov*rnos a**e*iores. Quero pedir desculpas a ele; ao ex-Governador C*d Gomes, que *amb*m fez muito pelo *o*so p**o c*a*ense; à *residenta Dilma; ao Govern*dor Camilo Santana, mas eu não po*so dei*ar de aten*e* *o* pe*i*o* que chegam a mim, pelas re**s so*iais (p*lmas), par* que nós dem*s uma no*a opor*unidade ao pov* brasileiro, tão necessár*a, diante *essa c*ise política que l*vou Rev. FSA, Te*esina *I, *. 17, n. 2, a*t. 1, p. **-*3, fev. 2020 www4.*sanet.com.br/*evista
C. P. G*nçalves, E. A. T. Ayrosa 1* a uma eco*omia des*strada, desenfrea*a, desandada. Hoje, por faz*r pa*te do PP, o que m*ito m* orgulha, e *or *st* pa*tido ter fechado questão, eu *ão pode*ia emitir m*u voto de *orma difere*te. Meu voto é "*im". " (ADAIL CARNEIRO - PP/CE). (*DAIL CARNEIRO - P*-CE). O a*gumento da *utoridade é e*ident* quan*o o deputad* *iz que *eu voto ate*de "aos pe*id** que che*am,..., pelas *edes soci*is", trata-se de um **gumento da autorida** pelo número como uma opinião com*m a to*a a uma s*ciedade (*ERELMA*; OL**ECHTS- *YTECA, 2005). Al*m *is*o, o **putado reconhece não *pe*as a auto*idade do *ovo, como d* governan*es passados como o ex-presidente Lula e o ex-*overnad** de seu estado, mas t*mb*m a autorid*de de seu *artido *o det*rminar seu voto. *le a**e mão *e su* op*nião, * *m um discurso relativ**ente longo, reafirma s u* submissã* à aut**idad*. Mercad**ogi*amente, entendendo o discu**o como uma peça de *omu*ica*ão, e*e se alinha à vontade imaginada dos s*us constit**ntes pelo im*eachm**t, j*st***cando-se ao *enc*onar "uma economia d*s*strada". Caminho meno* *onc*liad** tomou * Deputa*o *ompeo de Mattos (PDT-RS), que ap**ar s* submeter-se à autoridade do partid*, *ec*rr* a um a j*stif*c*ti** mais dist*nt*, a de *leiçõ*s f*turas: "Pre*i*ente, n*m Dil*a, nem Temer, nem **nha. Eu que*o eleições *impas e hon*stas para lim*ar mais *ue a sujeira, li*pa* a al*a do País. Cumpro decisã* do meu parti**: não posso vota* * *avor, mas não voto co*tra. Eu vo*o pela "abstenç**", contra a c*r*u*ç*o. " (POMPE* D* MATTOS - *D*-RS). Há v*tos q*e reconhecem a aut*rid**e não a*enas dos part*dos, figuras públicas, ou dos co*stituintes, mas de Deus: "S*. Pr*sidente, Sras. e Srs. De*utados, p**meir*, *u rogo a Deus q*e ilumine *s ca*inhos d* Paraíba e os c*min*os do **a*il. Pelo E*tad* Demo*rático de Dire*to, seguindo o meu partido, o PD*, eu v*to "nã*". " (DAMIÃO *ELICIANO - PDT- P B ). *correram *otos q*e se utiliz*ram do pres**gi* d* dete*minadas a*t*rid*des c*mo meio d* p*ova pa*a fu*damentarem suas decis*es: "Sr. Pre*idente, primeiro, qu*ro fazer u*a *omenagem à banca** do P*S, qu* na sua tota*ida*e está *otando pelo impe*chment. Dois Parlamentares não *uderam estar aqui *ara votar pela suplência: o Deputado Raul Jungman* e o no*so Pres*dente, Deputa*o R*berto Freire, de São *aulo. E*tão, deixo aqui a nossa h**enag*m. Eu disse, em 199*, que eu estava a*u* votand* em nome do povo de C*mpo *ourão, que me acolh*u, que me *ecebeu. Repito, Campo Mourão me acol*eu e continuo ***to grato p*r is*o. Sr. Preside*te, temos agora o comp*o**sso mai*r de fa**r com que * Operação *ava-J**o, o M*nistério *úb**co, a Polícia Federal e * Juiz *érgio Moro possam dar * sua cont*ibuiçã*. Por *sso, pelo Paraná, pelo **as*l, eu voto "sim". (RUBENS BUENO - PPS-PR). Rev. FSA, Teresina, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, *ev. 2020 www4.fs*net.com.br/revista Do Ma*keting Pol*tico ao Autorit*ris*o: U* Olhar Sobre *s Discursos de Votação do Impeachment 15 Neste *entido, a principal autoridade a qu** os políticos s* *ubm**em *ão os pr*prios partidos p*lí*icos **s q*ais partic*pam. Obse**amos *ue, a*e*a* de t*re* um des*jo *o* apres*ntar o voto no sentido oposto ao de*idido pelo p*rtido, o* políticos c*mprem com * ação determinada pelo parti*o q*e pertencem. É i*por*ant* f*is** que o "ser*iç*" para o qua* os polí*icos for*m designados, *a Câmara *os Deput*d*s, era o de atua*em como juízes s*bre a a**rtura do pr*cesso d* impeachment. Ainda que, alg*n* p*lítico* tenham af*rmado que iriam abs**r-s* do vot*, el*s *e submeteram ao p*rt*do. 4.3 A**essã* Au*oritár*a por argume*tos ** autoridade Os aut*ritários ten*em a s*rem **ressivos em *unção de *m* de*erminad* au*o*idade, d*fendend* suas id*ias * acredi*ando que estão sendo úteis a estas *uto*idades (ALT*MEYE*, 19*6), *inda qu*, p*ra *sso, p*ecise* desrespeitar normas legais morais e existentes que regula* a *ida so*ial, come*endo infraç*es como, p*r exemplo, calúnias e difamaçõ**. Outros*im, os au*oritários ** *i*eita sã* indivíduos *emero*os com relação * seguranç* e à violência, têm a per*epção de q*e * mundo é um lugar perigoso * em grande m*dida *s responsáveis pela deso*dem s*o as *es*oas que não compartilham das mesmas ideia*, costume* * va*ores. Acreditam q*e são m*ssionário* de Deu* p*ra resolver os prob*emas *xistent*s (ALT*MEY*R, 1998). Não acei**m cr*ti*as à* suas f*rmas *e p*nsa*, não e*tendem o diálogo como **rma construtiva de se *esolv*r pro*lemas e cri** soluçõe*, pel* c**trár*o, entende* c*m* *ma açã* dest**tiv* e di*isória com a fina*idade de c*usar ad*e*sidade* (ALT*MEYER, 20*6). *essa forma, u**lizando c*m* ma*cad*res as palavras que visam ati*g*r o *ut*o como, *or exemp*o, co*rupto, mentiroso, *nalfabe*os e exti*par, encontra*os di*cu*sos que nos remet*m a uma agressão au**rit*ria por argumentos de autor*da**: "Com a *onvicção de que este Gove*no d* *residenta Dilma, c*rrupto e mentiro*o, cometeu crim* de respons*bilid*de fis**l e sonhan*o com um Governo *em c*rrupção, n* esp**anç* *e que o próximo Pre*idente *ove*ne para o *rasil * n*o para o *** *artido, aprove*tando pa*a hom*n*gear o M**istér*o Públic*, a Polícia Federal, o Juiz Sérgio Moro e pedi* que se p*end* o r**t* dos corruptos, home*a*eando Hélio Bicudo, Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior, pela minha q*erid* M*t* de São J**o, *ela minh* Ba*ia, *e*o *rasil verd* e amarelo, eu voto "sim". (JOÃO GUALBERTO - PSDB/BA). Rev. FS*, Teresi*a *I, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, fev. 20*0 www4.fsanet.*om.b*/*e*ista C. P. Gon*alv*s, E. A. T. Ayrosa 1* *este *i*curso, encontram** r*f*rênc*as às autoridades *omo, po* exemplo, Mini*tér*o Públic*, Políci* Federal, ju*zes, jur*stas, bas*ados no argumento de prestígi* dest*s autoridade* p**ante a *pinião pública n* momento da vo*ação. Além do argumento de *uto*idade é possível *den*if*car o arg*mento de direçã*, que é usad* qu*ndo *e tem um po*to *e r*ferência, uma etapa num* cer*a dir*ção (PER*L*AN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005). N* caso, esp*cí*ico a *e*erência seria a *olocação *e um novo gover*o com *ovo presidente. Busc*-se uma solução *om isso a for*ulação *e um e argumento c*nstruí*o por *tapas, no *is*urso *m análise pri***ro abre-se o p*ocess* de impe*chment da p*esidente e em seguid* é for*ado u* "*overno se* corr*pção". Também, a agressão a*tor*tária é po*s*vel se* ide*t*fi*ada no *iscurso abaixo, e* q*e o deputado parab*niza o *residente da Câmara dos *epu*ados e ata*a não s* a presi*ente Dilma *omo també*, o partido *o PT. "Neste dia *e glória para o povo brasile*ro, um nom* en*rará para a hi*tória nesta da*a pela forma como conduziu os trabalhos desta Ca*a: Parabéns, Presidente Edu*rdo Cunha! (Manifestação n* plenário). Perderam em 196*. Perderam agor* e* 2016. Pela fa*í**a e pela inocência das *rianças *m sala de aula, que * P* nun** teve... Con*ra o *omunism*, pela nossa liberda*e, contra a Fol*a d* S.Pa**o, pe*a *e*ó*** do Cel. Carlos **berto *r*lhante Ustra, o *avor de *ilma *ousseff! (Ap*p*s n* *l*nário). Pel* Exército *e *a*ias, p*las n*ss*s Forç*s Armad*s, por ** Bra*il acima de tudo, e p** D*us **ima de todos, * me* vot* * "si*"! " (*AIR BOLSONARO - P*C-RJ). No discur*o *ba*xo o d*pu*ado *e pronuncia em d*fesa *e um de*e*m*na*o grupo atac*ndo os que são contrários as s*as i*eias, de forma a*ress*va utilizando palavras como, por *xempl*, ladrão, t*ai*or, conspirador, analfa*et*s políticos. "Em prime*ro lugar, eu qu*ro dizer que eu estou co*strang*d* de participar dessa *arsa sexista, *e*sa el*ição indireta, *onduzi** por u* la*rão, urdid* po* um tr*i*or, c*ns*irador, apoiada *o* to**urados, c**ard**, analfabetos p*líticos * ve**idos. (Ma*ifest*ção no *lenário). Em nome dos direitos da população LGBT, do povo negro *xt*rmi***o nas p*riferias, dos traba*h**ores *a *u*tura, do* sem-*eto, dos s*m-terra, eu voto "não" ao golp*. E *u*ma* com essa, ca*alhas! " (JEAN WYLLYS - PSO*-*J). O f*t* dos p*líti*os home*agear*m certas autoridades e emb*s*rem seu* disc*rsos na lei, *ão o* tor*a au*oritários. En*re*ant*, são autor*tários *ua*do se embasam n* lei ou realizam *omenagens co* *ntuito de cau*ar um dano moral uma determinada pessoa a ou grupo de **ssoas (ALTEMEYER, 1996). També*, no mo*en*o em que ut*lizam expressõ*s em defesa d* ações que ven*am a causar outros danos como, *or exemp*o, fís*co, isolamento social o* que ocasione e* *lgum esta*o ne**tivo (ALTEM**ER, 2006). Rev. FSA, Tere*ina, v. 17, n. 2, ar*. 1, p. 03-*3, fev. *020 w*w4.fsanet.com.*r/*e*ist* Do M*rketing Polít*co ao A*toritaris*o: Um Olhar Sob*e os Dis*ursos de Votaçã* do Imp**chment 17 Dessa forma, iden**fi*amos pa*av*as ofe*sivas, por exemplo, cor*upto, mentiroso, canalha*, lad*ão, ve*didos, a*alfabetos que remetem a u*a a*r*s*ão autoritária direcionada a um ind*vídu* o* a um grup* de pe*soas. Palavras como "e*tirpar", *omenagens a torturad*r*s e **litares *e ditaduras p*ssadas causam um **no de sofrimento p**c*lógico a quem se destina a mensagem, ass*m como a fam*liares que sof*eram as mais div*rs*s perdas ne*tes perí*dos. 4.4 *gressão *u**rit*ria por argumento* pra*máticos Outra f**ma de agressão autoritári* ide***ficad* f*ram os argumentos c*nstru*dos de *orma pragmática. O argumento pragmático visa uma ação, geralmente apre**ntam-se as causas e *s *onsequênc*as para tal ação. *ra*a-se *e u* argumento q*e "para ser *ceito pel* senso comu*", não r*quer nenhuma ju*tificação (PERELMAN; OLBRECHTS-TYTECA, 2005, *. 30*). Nos *iscursos analisa*os a* *aus*s apontadas fo*am o c*ime de responsa*ilida*e fiscal, pedaladas fisc**s e a c*mpra d* Pasadena *raze*do como *onsequência a abertura ** proce*so de impeachment e u* govern* novo. "* meu vot* está fundamentado no relatório q*e foi aprovado na Comis*ão E*peci*l, o relatór*o que a*onta crime de respons*bilidade da Pres**ent* **lma Rousseff. Ela feriu o art. 85 da Cons*ituição. Ela at*ntou contr* a Con*tituição e contra a *ei Orçam*ntária. Ela *d*tou *rédi*os, sem autorizaçã*, de *0 bilh*es de reais. Isso é crim*! Ela fez *mprés*im*s em ba*cos públicos, o q*e * proib*do pela L*i de Re*ponsabilidad* Fiscal. I**o ta*bém é crime de respons*bilidade e impro*idade adm**istr*tiva. El* *art*cip*u da compra **audule*ta de Pas**ena. El* é ladr*! * dinheiro *e Pasadena fo* parar na c*nta d* *oão Santana! *l* r*spon*erá *or esses atos! Hoje o *ulgamento é polít*co - do crime de re*ponsabilidade, mas depois ela vai responder *r*minalmente. Ela vai res*o*der, sim, à Justiça. E pela Paraíba, pela t*adiç*o ** lut* e *o*ag*m d* no*so povo, pelo meu parti*o, * So*idar*edade, que lutou incansavelmente até e*te *ia de hoje, eu vou votar "sim", pela gran*eza do no**o povo e pelo B**sil. " (BENJAM*N *ARANHÃ* - SD-PB). Neste *isc*rso, o deputa*o acusa a *resi**nte Dilma d* ladra, *ponta qu* a com*ra *a ref*nari* ocorreu de *orma fra**ulent* e que por iss* deve r*s*onder a justiça e ter * ab*rtura d* proce*so de impeach*e*t. Por outro lado, o **pu*a*o José C*rl*s *leluia - D*M - BA acusa o president* Lula pela impla**a*ão d* *m *roj*to cri*inoso, a**rmando que a presidente *ilma "roubou n* re*inaria, roubou na PETROBRA* e roubou e* Be*o Monte" e por *ss* não *ra se tr*tava d* uma pessoa honrada. "Du*ant* 13 a*os, o meu *arti*o, o Democra*as, fe* *posiç*o ao pro*eto cr*mino*o *mplantad* po* Luiz In*cio Lul* da Silva. Em 2007, ele disse que iria ex*i*pa* * D*mocra*as da po*ítica bra*ileira. Hoje, nós estamos extirpando Lul* e Dilma, e ele *a* p*ra a *adeia. (Pal*as). Eu est** votando "sim" pelos crimes que Di*ma comete* e n*o é só por t*r passado cheque s*m f*n*o e* nome do povo *ra**l*iro. Ela roubou n* refinari*, roubou na *ETROBRAS e roubou e* B*lo Monte. **a nã* Rev. FSA, *eresi*a P*, v. **, n. 2, ar*. 1, p. 03-23, fev. 2020 www4.fsan**.com.*r/revista C. P. Gonçalv*s, *. A. T. *yrosa 18 é *onrada. Eu v*t* "sim" pelos princípios em r*speito * vida, à liberdade e à justiça. Eu voto *elo po*o baiano, voto pela minha *u*her *aria Luísa, pelo* meus filhos e pelo* meus neto*. Viva o B**sil! Viva a Ba*ia! Fo*a, L*la! Fora, Dilma! " (JO*É CARLOS ALELUIA - DE*-B*). 4.5 Con*encionalismo por argum*ntos de auto*idade O convenci*n*l*smo refe**-se a uma ades*o às convenções socia*s que consist* em f*rte con*ordânci* e comprom*sso *om a* n*rmas so*ia*s tradici*nais da socie*ade *omo, por exem*lo, *s ensina*e*to* baseados n*s religiõe* j*daico-cristãs (ALTEMEYER, *996). Os *uto*itár*os de direita entendem **e *odos deveriam segui* s*as *or*as e costumes que são *sta*elecidos pelas autorida*e* que seguem. Gran*e *arte d*stas autoridades estão relacionada* às mais *ive*sas religiões que, por s** v**, de*erminam os valores e co**ortam*nto d*s pesso*s per*nte a *ocie*ade, como, p*r exemplo, a est*utura familiar tradicion*l *om o homem como chef* de família, a mulher c*mo subs*rvien*e de s*u m*rido e os *il*o* subordina*os (*L*EMEYER, 20*6). *l*m disso, são contra o controle d* armas (**TMEYER, 1*98) e consideram qu* *e*s costume* * t*ad*ções nacionalistas ta*bé* são *elhores do qu* o* *e *utros grupo* *ue pens*m *e forma distinta (ALTE*EYER, 1996). Na análise d*s d*sc*rsos, enc*nt*amo* algun* q*e demons*ram a *resença de palavr*s e expre*sõ*s que se refer*m a *m conve*cionalis*o. Traze*os nova*ent* um discurso que foi util*zado na ca*egoria de ag*essão autoritár*a pelo f*t* *e carac*erizar-se, tam***, co*o u*a forma de conv*nci*na*ismo. "Neste dia de glór*a para o povo brasile*ro, um nome entr*rá *ara a histó*ia nesta data *ela forma com* co*duziu os traba*ho* desta C**a: *arabéns, Presidente E*uardo Cu*ha! (M*n**estação no plenário). Perderam *m 19*4. P*rderam ago*a em 2016. Pela famíl*a e pela inocência d*s crianças em sala de au*a, que o PT nunca teve.... Con*ra * com*nismo, pela nossa liberdade, *ontra a Folha de São Paulo, pel* memória do Cel. Ca**os Alberto Bril***te Ustra, o pavor de Dilma Rousseff! (Apu*os no plenário). Pelo Exército de Caxias, *elas nossas Forç*s Armadas, po* um *ras*l acima de tud* e por Deus acima de to*os, o meu voto é "s**"! " (JAIR B*L**NARO - PSC-RJ). Ne**e *is**rso, o deputado apo*ta seu alinhament* a*s en*ina*e*tos e *ostumes baseados na* r*ligi*es *uda*co-cristã* quando afir*a que vota "P*la família e pela in*cên*ia das cria*ças em s*la de aula...". Da m*sma f*r*a, o deputado Edu*rdo B*lsonaro argumenta que seu v*t* é "Pelo povo de São P*ulo nas ruas...", trata-*e de um a*gumento ** **to*idade **lo nú*ero com* uma opinião *omum a toda a uma *oc*e*ade (PE*ELMA*; O*BRECHT*-TYTECA, *0*5). Além d*sso, diz v*ta* em no*e d* Deus e pe*a famíl*a brasileir*, defendendo * *r*amen*o da população, *ra*o* do co*venci**alismo (ALT*MEYER, 19*6). R*v. FSA, Teresin*, v. *7, n. *, a*t. 1, p. 03-2*, fev. 2*20 *ww4.fsane*.com.br/revist* *o ***ketin* Polític* a* **toritarismo: U* Olhar Sobre os D*scursos de Vot*ção d* Impea*hment 1* "Pelo povo *e *ã* Pau*o *as ru**, com o esp*rit* dos revolucio**rios de 19*2; em respeito aos 59 milhões de voto* contra o Estatuto do Desarmame*t*, em 2005; pelos militares *e 1**4, hoje e sempr*; p*las polícias e, em nome de Deus e da família brasileira, é "sim". E L*la e Dilma na *a*eia. " (EDUARDO **LSONAR* -PSC-S*). O **putado Patrus Ana*ias rec*rre aos mand*m*nto* de Deus p*ra *rgumentar o seu v*to. "C*l**a* Dep****as e Deputados, *a *inha sexagenári* caminhada de mil*ta*te pol*t*co e social crist*o, jamais vi e o*vi **ntas afrontas ao s*gundo, ao quar*o e ao sétimo m*ndamentos da le* de Deus. Quero diz*r também, cole*as De*u*adas e *eputados, q*e reassumi nesta C*sa o mandato qu* * po*o de M*nas Gerais me con*iou nas urnas, para luta* *ontra tr*s golpe* que as f*rças mais conservadoras q*erem impor *o P*ís. Estamos aqui p*ra im*edir um golpe, para lutar co*t*a u* **lpe con*ra a P*esidenta Dilma. Est*mo* aqui para lu*a* contra um golpe contra a de*ocracia b*as**ei*a. (*anifestação no *l*ná*i*). Por último, quero denunciar que a pop*lação bras*leira va* *er testemun*a do *olpe c*ntra a* políticas sociais. O golpe *ontra o *ol*a Família. O golpe co*tra o Minha Casa, M*nha Vida. O golpe contra os *obres. Portanto, o nosso voto é "*ã*". Não, não passarão, nã* p*ss*rão. " PA*RUS ANANIAS - PT-MG). O deputa*o Cabo Daciolo prof*t*za a q*e*a dos seus opos*tores na *rgumen*ação d* s*u voto. "Glória a *eu*! S*. Pres*dente, todos aqu* ouv*ram eu falar "*ora, Dil*a! ", "*ora, Mic*el *em*r! ", "Fora, Edua*d* Cunha! ", "*o*a, *ede G*obo", m*ntiro*a, que *ica difamando p*ssoa*. Voc*s podem s*r gr*ndes a*s olh*s do **mem, mas, par* D*us, vocês são pequeninin*os. Em nome do S**hor Jesus, *u profetiz* a q*eda dos senhor*s * part*r de *oje. venho dize* E aqui, pelo* m*litar*s da* *orç*s Armadas que estão sendo s**ateados h* a*os, *elos milita*es da segura*ça *ú**ica qu* estã* morrendo todo* os dias, pelos militares que *stão ago*a, inativos e pensionistas, sem sal*rio, "*ora, Pezão! ", "Fora, Dor*elles! ". **ega ** corrupção! O meu voto é "sim". Glór*a a De*s! "Feliz a nação cujo Deu* é * Senhor". " (CAB* DACI*LO - *T do B-RJ). "S*. P*esidente, p*ra*rase*ndo o *a**or Mar**n Luther King, nós não *omo* ainda aquilo qu* gostaríamos de ser. Nã* sabemos em quanto t*mpo seremo* aqui*o qu* gost*ríamos d* ser., ma* uma *ois* é certa: nunca *ais s**emos *s me*mos. Eu que*o ho**nagear os mais de 50 mil*ões de evan*éli*os do B*asi*, a *aç*o Cara de Leã*, a minha que*ida fa*ília, a *inha esposa Márcia Te*xei*a, os meus filhos, Diego e Ta*i T*ixei*a, p*r um tem*o novo *ont*a e**a corrupção. Voto "sim" ao imp*achme*t! " (*Z*QUIEL TEIXE*RA - PTN-RJ). Sendo assi*, notamos a *itação dos *recei**s reli*ioso* como fun*am*ntais pa*a a pop*la*** como um *odo, de*endidos por *xpressões como, por ex*mplo, "p*la família", "i*ocência de c*ianças", "por Deus acima de todos", "*fro*tas ao segundo, ao *uarto e ao s*timo manda*entos da lei d* Deus", "Em nome do *enho* Jesus, eu *rofetizo a queda dos s*nho*es a part*r de hoje" e expressões contrárias ao c*ntrole de armas, por ex**pl*, "mu*ança *o Estatuto do Desarmamento". Ente*demos q*e *stes discu*sos são particularmente c*n*encionais e buscam instituir su*s id*ias *erante *s outros, al*m de dem*nstr**em a quais autorid*des seg*em. Rev. FSA, *eresina P*, v. *7, n. *, *rt. 1, p. 03-**, fe*. 2020 *ww4.fsan*t.com.br/revista C. P. Gonç*l*es, E. A. T. A*rosa 20 5 CONSIDERA*ÕES FINAIS Considerando os asp*ct*s que nortearam a abertura do p*ocesso de impe*chment da ex-*re*ident* Dilma Rousseff, observamos *ue a s*ssã* foi *ratada como *erramenta de marketing político. *s mani*estaç*es apre*e*tada* por parte dos dep*tad** apo*tam u* direcionam*nt* aut*ritário em suas vá*ias formas qu*, de *cordo com a l*ter*tur* apresentada, caracteri*am-se p*la subm*s*ão, *gressividade e convencio*alis*o, *nco*tr*dos nas *alav*as levantadas *m seus pronunciamentos. Nã* *ouve d**ti*ção de *deologias políticas com relação aos di*curso* en*aizados n* autoritaris*o. Políti*os repre*e*ta*te* de ideologias d* direit*, *squerda e c*ntro, ** um a maneira gera*, a*otara* *m discurso aut*ritário, nã* sen*o possív*l afirmar que exista uma relaçã* entre os Deputado* Fede*ais d* *ma *eter**na*a ideologia pol*tica e o autori*arism*. A s*ssão de ab**tu*a do pr*c*ss* de i*peachment da ex-presidente Dilma recebeu * importân*ia de e*ent* nacio*al *om ares de esp*táculo. P*r meio da transmissã* ao vivo e* rede naci*nal * televisã* ab*rta, os políticos utili*aram seu tempo de vota*ão *ara se pro*etarem diante do públic*. Algu*s se ex*rimi** próximo ao *icrofone da votação, *esmo a*ós o voto, e lá permane*ia* *or horas, co* certeza alme*ando uma boa va**rização *e sua image*. Próximo ao presidente, outros políti*os leva*tavam cartazes com * bra*ão das ba*deiras de seus Est*dos, ap*oveitand*-se da cober*u*a da míd*a. * que e** para ser uma sessão r*f*rente a um jul*amento com os de*uta*o* agin*o como juízes, *ornou-se um e*ento *arcado pela p*opag*nda pes*oal fundamentada em questões como, *o* e*emplo, o p*vo, a f*m*l** e De*s. Di**urso* de votaçã* *omo, por exemplo, *o dep*tado Eduardo *a Fonte PP-PE, que levou o *ilho para apontar o s*u voto no mi*rofo*e, mas fora impedido pelo p*es*dent* d* *âmara, e *a d**ut*da Raquel Muniz PSD- MG, * qu* afirmou: "o Br*sil tem jeito, e o Prefei*o ** Montes Clar*s mo*t*a isso para todos *ós co* sua ges*ão..." exemp*ificam a uti*ização a da mani*e*t**ão c*m* ferr*menta de ma*ket*ng po*ítico. *ontudo, *o *ia seg*i*te * vota*ão, Ruy Muniz, então pref*ito de Montes C*aros, era p*eso em *ção d* Polícia Fe*eral por *sa* **ios fraudu*ento* par* b*neficiar s*u **spital privad*. Des*a forma, apontamo* para o fato de que apesar de vivermo* em uma dem***ac*a, o autorit*rismo *az-se presente, n** discurso* polític*s, e *ão se pod* afir*ar *u* faça p**te de uma *deolo*i* polític*, mas *im do próprio *ol*tico. Cabe à co*u*i*ade acadêmica debater e buscar *ma c*nsc*e*tização a respeit* dos possíve*s impact*s para a socied*d*. R*v. FS*, Ter*s*n*, v. 17, n. 2, art. 1, p. 03-23, fev. 20*0 www4.**a*e*.com.br/***ista Do *arketing Polít**o ao Autori**ri**o: *m Olhar Sobre os D*scursos ** Votação do **peachment 21 *or fim, pe*quisas futuras poderiam an*l*sar as mani*estações de *eputa*os fora *o* holof*tes da *ídia, b*scando compree*der os s*guintes *u*s*ionament**. O *ue e*t* p** trá* *as atividades rea**zad*s pelo* políticos? P*ra *uem *st** discursando? O que *stão discur*ando? C*m qual intuito? Como estão discur*ando? Q**is são *s se*s interesse*? RE*ERÊNCIAS ADORNO, T. W et al. Nev*tt. The authoritarian p*rson*lit*. New Y*rk: H*rper and B*others, 195*. ALTEMEYER, B. 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P. Gonçalves E. A. T. ayrosa 1) conc**çã* e planejamento. X X 2) aná*ise e in*erpretaçã* d*s dados. X X *) elaboração do r*sc*n*o ou *a revi*ão crítica do con*eú*o. X X *) participação *a aprovação da versão **nal do man*scrito. X X *ev. FSA, Ter**ina PI, v. 17, n. 2, *rt. 1, p. 03-23, f*v. 2020 *ww4.fsanet.co*.br/revista

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