Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.fsanet.com.*r/revista
Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 3, art. 9, p. 181-197, m*i./*un. *018
ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/*018.15.3.*
O Trabalho de Campo Como Prática *e*agógica e* Ca*togra**a
Fieldwork as **dagogical P*actice in Ca*togr*p*y
Ronaldo *os Santos Bar**sa
Do*tor em Geo*raf*a pela *n*versid*de Federal de Pernam*uc*
Professor da Un***rsidade E*tadual da Regiã* Tocantin* do Maranhão
*-mail: ronaldobar*os*12@gmail.com
Rod*igo Lima S*nt*s
Doutor**o em Geo*ra*ia pela Inst*t**o de Estu*os Socioambient*i*
Mestre em *eografia pe*a Universidade Fe*era* de Goiás
E-mai*: rli*as*ntos*@gmail.com
*nd*r*ço: Ronald* dos *antos Barbosa
*ditor-Chefe:
Dr.
Tonny
Kerley
de
A*encar
UEMASUL - R*a *o*o*re*o Via*a, 13** - Centro. CEP:
Rodri*u*s
659*1- 480, Imper*triz/MA, B**s*l.
Artigo recebido em 28/0*/2018. Ú*t*ma
versão
**d*reç*: Rodrigo *ima Santos
**cebida e* 15/03/20*8. Aprovad* em 16/*3/2018.
Av. E*perança, */n - Chác*ras de Rec**io Samamb*ia,
CEP: 74690-90*, Goi*n*a/GO, Brasil.
Avaliado *e*o siste*a Tripl* *eview: *esk Review a)
.
pelo Edit*r-Chef*; * b) Double Blind Review
(ava*iação ce*a por dois avaliadores da *rea).
Re*i*ão: Gramat*cal, Norma*iva * d* For*atação
R. S. Bar*osa, R. L. Santos
182
RESU*O
Este est*do p*o*ura of*recer subsídios prá*icos para r*fl**ões sob*e a imp*rtânc*a *o tra*alho
de campo na fo*maç*o
de geógrafos. C*mo realidade obj*t**a, t*ma-se por b*se uma
exper*ênc*a vivenciad* durante o s*gundo semestre letivo de 201*, no *ur*o de Geografia do
Centro de Es*udos S*per*ores de
Imperatriz, da Univ*rsidade Es*adu*l do Maran*ão,
na
disciplina Prática: Expe*imentaçã* *m Cartografia. Utilizou-se de
u* v**to *eferenc**l
te*ri*o,
**ordando
p*incip*lmente o* conceitos
d* l*gar
e pa*sagem,
aspectos físicos,
e*o*ô*icos e histó*icos da área de e*t**o * a **oria da comun*cação cartográfi*a. N*
abor*agem do l*gar, foram *tiliza*as conversas informais com moradores, **ndo feitas
algu*as anotações
dos depoime*t*s dos mes*os. Na abor*a*e* da paisagem, foram
utilizados *apas de h*p*ometria e uso da terr*, fotogr*f*as e observações in loco. D*sta*am-se
as con*ri*uições na f*rmação dos *uturos *e*gr**os, p*i* e**s tiver*m a o*o**uni*ade
*e
*xper*ment*r na prátic* o* *onceit*s de lu*ar e pai**g*m, conhecer *m pouco da história de
vid* de alguns moradores, vivenciar o co*idiano destes moradores e i*terpretar, na prática,
mapas temát*cos pr*duzidos
por integran*es do LabC*rtE (*abora*ó*io de *artografia
e
Ensino). At**ida*es dessa na*ureza contri*uem tanto para a formação acadêmica, qu**to para
a formação *e cidadãos conscien*es e
pa*ticipantes nas mu*anças da sociedade. Entende-se
*ue é na u*ive*sidade que o acadêmico *omeça a *ivenciar e *raticar ci*ncia, * ciên*ia se f*z
com método. Portanto, o *rabalho de campo de*e s*r realizado d* forma consciente, ta*to pelo
prof*ssor coordena*or quanto pelo* alunos participan**s. Além disso, c*mo prática
pe*agógica, deve ser sepa*a*o dos m*m*ntos de lazer.
Palavra*-chave: Lug*r. Paisagem. Trabal*o de *a**o. Geografia.
ABS*RACT
T*is study t*ies to o*fer practical subsidi*s f*r *efl*ctions on *he importance of *ie*dwor*
in
the train*ng *f geo*raphers. *s a* objective real**y, based o* *n experience d*r*ng the seco*d
se*es**r of 2013 in the Ge*g*aphy course of the Center *or Higher St*dies of
Imper*triz,
Sta*e Universi*y o* Mar*nhão, i* the discipli*e Prac*ical: Experimentat*on in *ar*ogr*phy. A
broad t*eoreti*al fr*m*work was use*, f*cu*i*g mai*ly on the c*ncepts of
*lace
an*
landscap*, physical, economic
and *istorical *spects
o* the area of study and th*
*heory of
car*ographi* communication. In the
approach of th* place, info*mal co**er*ations with
re*idents ***e used,
*eing mad* some notes of the t*stim*n*es of
th* s*me *nes. *n the
*a*dscape approach, maps of hypsome*ry and land use, **otographs and in *oco observa*ion*
were u**d. *e highligh* the contr*butions in the t*ai*ing of future geographers, *inc* they ha*
the opportu*ity to expe**ence th* concept* of pla*e and landscape in practice, to k*ow a li**le
of the lif* histo*y
** *o*e *esid*n*s, to ex*erience the
*ail* li** of these re*idents
and
to
interpret themat*c m*ps *n practice produced
by membe*s of the Labo*atory of Cartography
*n* Te*chi*g. Activiti*s o* thi* n**ure contribut* b*th to the academic fo*mation
and to the
for*at*o* of cons*iou* citizens **d p*r*icipants i* t*e changes of socie*y. It ** ***erstoo* that
it is in the univer*ity that the academic begins to experi**ce and prac**c* scienc*, and scie*ce
*s do*e **th the *e*hod. The**fore, the fi*ldwork must
be carrie* out in a con**io*s *ay,
b*th by the coordina*ing teach*r and *y the partic**ating stude*ts. Moreover, *s a pedagog*cal
*ra*t*ce, *t should be sepa**t*d from leisure *i**.
Keywor*s: Pla*e. La*dscape. *ield**r*. Geography.
**v. FSA, T**esina, v. 15, n. 3, art. 9, p. 18*-197, mai./*un. *018 www4.f*anet.com.br/revi*ta
O Trabal*o de Campo Co*o *rá*ica *edagógi*a em C*rtografia
18*
* I**RODUÇÃ*
A Geografia, como c*ência, *em c*mo conceit*s chav* e*pa**, regi*o, lugar,
paisagem e ter*itó*io, os quais são *o*ceb*dos d* *orma difer*nte, de**nden** do parad*g*a
c*e*tífico de abordagem. * conceito de
pais**e* pode *er *omp*ee*dido de form* di*ti*ta,
em e*tud** *rientad*s pela feno*eno*ogia, daquela tratada nas pesquisas de abordag*m
sis*êmica (CORRÊA,
2011). Entende-se * lugar como uma experi*ncia que se refere
ess*ncialme*te ao espaço como é *iv**ciado p*l*s sere* humano* (HOLZER,
1*99). *e*s*
pers*ectiva, b*sca-*e *stud*r os inúmeros fat*res que intera*em mu**amen** n* org**ização
* r*organi*ação
do espaço
ge*gr*fic* e n* comp*ee*são da realidade a partir dos con*eit**
g*ográficos, o que
*o*na o traba**o de campo em Geog*afia parte i*portante para
a
**nstruç*o d* c*nhec*mento (H*NK*; A*ONSO; VI*NNA, 2007).
Nesse sen*ido, o tr**alho de **mpo é *ma ferrame*t* fundame*tal
que fac*lita
a
com*re*nsão da di*âmica da* pais*g*n* e dos lug*res pois, a p*rtir *ele, o aluno/pesquisador
pode m*nsurar e ide*ti*ica* as i*ter-relaç*es exi*tent*s entre os componentes da paisagem
*
a* particulari*ades
dos lugares (*MORIM,
**12). Em*ora a cartograf*a se*a cons**erada
de
importân*ia í*par no a**ílio ao trab*lho de camp*, acredita-se qu* a *ealidade ma*ead* t**z
consig* uma
realidade par*ial, não sub*titu*nd* a es*acial. Portan*o, a i**erp*etação
de
produ*os cart*gráf*cos em *a**o exige do
usuário do mapa a capacidade de de*odificar *s
inform*ções *li contid*s * ass*ciá-las ao *enário *is*o em c**po.
N*sta oportun*dade, * ab**dado o *n*ino de Geo*ra*ia na universidade, destacando a
necessária m**h*ria no pro*e*so de *onstrução do conhe*imento atrav*s dos *o*cei**s
*eográficos,
com **st* ao desenv**v*me*t* do futur* geó*r*fo, s*ja el* profess*r e/ou
p*squisador. Posterior*ente, discute-s* o lugar e
* paisagem na G*ografia, p*ocurand*
eviden**ar a necessidad* e a i*portância *estes conceitos *o processo d* compr**nsão
da
dinâmica do espaço geográfico.
Baseado nos apon**ment*s an*eri*res, objetivou-se fazer algun* apont*mentos sobre
a importância do traba*ho d* ca*po e* Geo*rafia co*o um instrumento **dagó***o capaz *e
proporcion** a r*lação
teori*-prática, tom*ndo como
referê*cia dois concei*os clássic*s
da
á*ea, a saber: o lug*r a paisag*m. Pa*a discussão *os conceit*s, tomou-se como b*se uma e
e*per*ência vivenciada du*ante o s*gu**o s*mestre *et*vo de 2013, no c*rso *e Geografia da
Univ**sidade Estadual
do M*ra*hão, Campus de Imperatri*, na dis*iplina P*át*ca:
Experiment*çã* em Cartografia.
Rev. FSA, Teresina *I, v. 15, n. *, art. *, p. *81-19*, *ai./jun. *0*8
w*w4.fsanet.co*.*r/revista
R. S. Barbosa, R. *. Sa*tos
184
Por fim, são apr*s*ntadas algumas
consi**r*ç*es sobre t**balho *e campo em o
Geo*ra*ia como p*ática peda*ógic* nos cursos de licenciatura na área, como possibilidade *e
c*mpre*nder o* e*paços vi*en*iados pelos acadê*icos, be* *omo entender a di*â*ica da*
paisagens e d*s lugares q*e os ce*cam. Aind* nessa abordagem, a*res*n*am-*e resultado* d*
ativida*es desenvolvidas com *lunos do curso de Geogra*ia *o CE*I/U*MA.
2 REFERE*CIAL TEÓR*CO
2.1 * Ensino de Geografia n*s Cu*sos de Licenciatur*
Ne*te ponto, é *bo*dada a formação do licenci*do em G*ografia ou do geógrafo-
professor. A *ualidade da fo*m*çã*
desses profissi*na*s é reflex* de *ários fatores, *entr*
*l**, a estrutura física do curso, *brangendo labo*atórios para estudos e pesquis*s, s*las de
au*a confortáveis e os recursos hum*nos com*ost*s, princ**alm*nte, pelo* d*centes
*ni*ers*tários, que *ão um do*
p*in*ipa*s agentes na form*ção do futuro ge*grafo, uma vez
que são os res*o*sáv*is pela
*ntr*duçã* dos conh*cimento* t*óricos da ciência geográfica
e
d* ár*a *eda*ógica, objeto da *prendizagem *os *u*ur*s pr*fis**on*is.
De acor*o co* Masetto (2003), o doce*te universitário, seja d* *urso de ba*harelado
ou de *ice***atura, de*e s*r competente em sua *rea do c*nheciment*, bem *omo *om*nar o
as*ecto *edagógico. Ou seja, *razendo
essa premis*a para o *ontex*o da docência de nível
*uperior do curso de Geografi*, exige-se q*e tais profission*is dominem, no *íni*o, um
*amo *u subárea d* *iência geográ*ica, juntamente com o con*ecimento p**agó*ico, para *ue
o seu ens*no *e efeti*e em apr*ndizagem por parte d*s acadêmicos.
Um *os pri*c**ai* pon*os de **scussão, senão o p*inc**al, quando se fala em
docência no ensin* superior, é a falta d* formação di*ático-peda*ógica dos doc*n*es. Ainda
q*e mui**s dess*s *rofis*ionais tenham competên*i* e* *** área *e formação, não sign*fica
qu* sã* ou serão bons profe*sore*. P*r exemplo, um professor, co* me*trado ou *ou**rad* na
área de Cartografia q*e min*s*ra essa disciplina
no *nsino *uper*or, pode não t*r
*
de**mpen*o e/o* didática
apresentado por um professo* grad*ado que atue n*
ensin*
fundamental, e**or* trabalhando c*m
públicos dife*enciados, na promoção
do pro*esso
**
aprendizagem.
Gaston Bachel*r* (199*), em sua *bra O espírito científi*o, apresen*a uma indagação
int**essante: "Po*que o aluno não entende o que para nós e*tá tão claro? ". No
processo
de
*ransposição didática d* conteúdo, deve ser leva*o em co*ta o nível cog*i*i** *os e*tud*ntes.
Rev. *SA, Teresina, v. 15, n. 3, art. 9, p. 181-197, mai./jun. 2018 www4.f*an*t.com.br/revista
O Traba*ho *e Campo Como Prática Pedagóg**a em Car****a*ia
185
*l*m di*so, deve-se pen**r o ensino *a educa*ão supe*io* a partir dos ob*etivos de ensino
contid*s no pr*je*o pedagógico do c*rso, bem c*m* nas em*ntas das discip*inas. No que diz
respeito à elaboração
*o
pro*rama *e
disc*pli*a por parte
d* docente, *ev*-se
elencar
objetivo* que visem o desenvolvime*to i**electual do* alu*os, is*o é, *e*s*r as *e*essidades e
a *ealidade dos **adêmi*os e **o necessari*mente do p*ofessor.
Além di*so, o pro*essor *em que ter uma boa formação d*d**ico-pedag*gica, p*ra que
se* apur*d* conhecimento específico se *ra***orme em aprendizage*
por parte dos
acadêm*c*s. Dessa f*rma, os a*unos a*s**ve*ão os con*ecimen*os com maior f*cili***e, uma
ve* que serão utilizad*s método*
de ensino aprop*iados * d* *cordo com o conte*do que *e
*bjetiva ensina*.
Para Ma*etto (2003), * aí que reside a mai*r carência ou dificuldade d*s professores
universitár*os. É justamente *o que ta*ge ao as*ect* pedagógico, se*a por*u* nunca
ti*eram
contato com essa *r*a de for*a
ade*ua*a, ou porque consi*eram dispensável p*ra sua *
prática *m s*la de aula. Porém, é a part*r do emba*amen*o *essa ver*ente q*e o d*cente
poderá desenvol*e* um *lanejame*to ap*opria*o de sua disciplina, levan*o e* consideraç*o
*bjet*vos, mét*do* de e*sino e recursos. Ess* deve ser papel o
do *onhecimento d*dático-
pedagógi*o na vida do pro*e*sor universitá*io.
Cabe dest*car, *onforme Ma*etto (**03, p. 42), que "[...] o modelo de form*ção
pedagó*ica in**ui, al*m da preparaçã* científica no *ampo do conhecimento, a introduçã* de
uma discipli*a de metodologia do ensino superior". Observa-s*, *ort**to, que a docência no
cur*o d* *eogr*fia deve ter atenção especial no que tange a essa formação pedagógic*, pa*a
*ue a *ormação dos fu*u*os profis*ion*is da área cresça do ponto de vista *ualitativo.
Se o processo de en*ino/ap*e*d*zagem deve *er *onsciente, até que p*nto o profes**r
univer*i*ário
de hoj* cons**ue ver aplicabilida*e *rática no que ensina em sa*a de *ula? E
como os
alunos se
colo*am di*nte
des*es cont*údos
abstratos? Seria essa somente
um a
realidade vivenciada
no ensin*
superior
ou
ocorre *ambém n* ed*cação *á**ca? *ão
i*dagações
importantes para que o l*itor *nalise se a *eal*da*e *pontada acima é
única nos
cur*os d* l*ce*ciat**a, o* se em outros c*rsos **mbém ex*stem tai* pr*blema*.
3 MÉTODOS
O trabalho de *a**o sempre esteve
p*ese*te
na Geogr*fia, desde o
período de
sis*em*ti*ação dos pressupostos *eóricos q*e norteara* esta ciência até os dias atuais, *mbor*
seus p*inc*pios metodol**icos sej*m or* valorizados, o*a desvalorizad*s ao longo da h*stória
*ev. FSA, Te**sina PI, v. 1*, n. 3, art. 9, p. 181-197, mai./j*n. 201* ww*4.*sane*.co*.br/revista
R. S. Barb*sa, R. L. Sa**os
18*
desta d**ciplina. A oscil*çã* no p*oc*sso d* val*riz*ção/desva*ori*ação do trabal*o de *ampo
se dá exat*me*te com o avanço d* cartogra*ia digital, e m*i* recentemente, *om os Sistemas
de In*ormaç*o Geográficas (S*Gs).
Embora os avanços **
inform*tica * *a engenhar*a
aer*esp*cial t*nham sido
e*ide*tes * partir da segunda me*a*e do *écu** XX, as*im *omo * surgiment* de s*ftwar**
cada v*z mais sofis*icado*, seja* o* *e mercado ou
os li***s, o co*tato
com o **mpo não
pod* ser substituído po* uma im*ge* d* satéli*e, **smo aquel*s de melho* resolução
*spacial. A realização deste t*abalh* seguiu as **apas e*en*adas abaixo.
Levant*ment*
de fo*tes bibliogr*fi*as: realizado segu*do a produção teór**a
já
existente rela*iva ao re*orte e*pacial em *studo e aos conc*itos utilizado*: *acia
do
Açaiza* (BARB*S*, *010; *0*1) * (*RIT*; BAR***A, 2011), lugar (HOLZ*R,
1999), paisagem (BERTRAN*, *009),
e teoria
da c*municação ca*tográfic*
(ARCHEL*; ARCHELA, 200*);
Levantamento de fontes
c*rtográficas:
**encou-se
um acervo
de ma*as temáticos da
área prod*zid** por Bar*osa (2010);
Preparação *o trabalho de campo: elab*rou-se projeto o
*e tr*balho d* campo, bem
como a *o**citação de
t*ansporte (micro-ônibu*) à direção do CESI-UEMA;
elaboração do roteiro de ob*e*vações de campo; * realização d* *a*po *; por f**, as
discussões seguid*s d* elaboração do relatório f*nal p*los integra*tes da d*s*iplina.
Trabalho em campo: para*a n*s povoados La*oa *o* Currais, O*ho D\água e Jen**apo
pa** r*alização das *veriguações necessária*, e*pla*ações **óricas e o diálogo com os
autore* e a t*rma, e d*stes *om o un**e*so prático
da área visitada. Em campo, te*e
*mportânc*a fund*m*ntal a an*l*se dos pro*utos cartog*áficos, im*ressos pr*viamente,
correlacio*and*-** *om cenár*o
observado, t*l co*o o *so da terra e da hipsom*tria
d* *erreno na referida bacia hid*ográfica, além do registr* *otográ*ico.
A av**i*ç*o do trabalho *e campo f*i feit* e* do*s *omentos. * *rimeiro, ainda e*
ca*po, após o *umprimento de todas as etapa* pre*istas *o *ot*iro, por meio de um* p*rada
para d*alogar e sana* *úvidas *os aluno* **m relação à in*e**ret**ão d* mapas; e o segundo,
*a s*la de aula, mo*ento que os alu*os puderam expor anotaçõe* *eitas d*r*nte * at*vidade e
relatar experiênci*s vivenciadas junto à comunidad*.
N* processo *e elaboraç*o do relatório *e atividade*, *tilizou-se como *ase a NBR
10.719/19*9 d* ABNT, *om o intuito de selecionar os e*e*entos pré-textuais, textuais e pós-
text*ais pa*a compor
a estr*t**a do relatório. *ad* aluno **n*eccionou *m relató*io
Rev. FSA, T*resina, *. *5, n. 3, *r*. 9, p. 181-197, mai./*un. 2*18
*ww4.fsanet.com.br/re**sta
O Trabalho de C*mpo Como Prática *edagógica em *artogr*fi*
187
individ*al e f*i montado um banc* de *magens para posterior elabo*ação do *elatório final
pela equipe do Laboratório de *ar*og*afia e Ensino (LabCartE).
4 RESULTADOS E DISCU*SÕES
4.1 Áre* de Estu**
A área de estudo denominad* Ba*ia Hidrográfi*a *o Ria*ho *çaizal ba*ha dois
*unicípios, Se*a*or La Rocq** (37%) e B*ritirana (6*%), localizad* e*tre as *oor*enadas de
5°24'0'' e 5°*3'00'' latitu*e S, e 47°6'0'' e
47°*8'00' *e longitude W (Figura 1). Os referidos
munic*pio* pertencem à microrregião
de Imperatriz. O pr*meiro, com *o*ulação d* 1*.242
habi*antes, e o segu*do, com 13.82* *abitant*s (*BGE, 2*10).
Figura 1 - Ma*a de Localiza*ão da Bac*a do Riacho Açaizal
No tocan*e às característi*as d* ár*a de estudo, a bacia te* 179,5 km* de *re*. No
*nterior da mesma existem set* p*vo*dos, três *eles localizados às ma*gen* da r*d*via MA -
122, e ou*ro* com aces*o atrav** de estra*a* vicinais qu* cortam a bacia.
A exten**o total dos c*rsos d\água é de *78,23 k*, sen*o que os canais intermiten*e*
repre*ent*m 125,90 km, e os c*nai* perenes 52,33 *m. Dent** os c*n*** pere*es, t*ê* riac*os
Rev. FSA, Teresin* PI, v. 15, *. 3, art. 9, p. 181-197, mai./jun. 2018
www4.fsanet.com.br/*evis*a
R. *. Barbosa, R. L. Sant*s
188
de*tacam-s* pel* im*ortância que aprese*tam pa*a a população local, são eles: Riacho
Açai*al (25,15 km), Riacho Prainha (20,07 k*) e Ria**o Tabuleirão (7,11 km).
4.2 O Lugar e a *aisagem na Teoria e na Prática
Como conceitos cláss*cos, lugar e pai*agem s*mpr* fize**m p*rte ** arcabou*o
teórico-*etodológico da Geografia, no processo de análise do espaç* geográfico, d* *anei*a
sistematiza*a ou não. Partindo da concepção de l*gar co** parcela do *spaç* vivid* *o alu*o
e paisagem como ex*ressão fisio*ômica do espaço, buscou-se inve***gar as noçõe* *ue os
alunos do curso de Geo*r*fia já *raziam d* su*s práticas cotidianas p*ra a universidade. Sobre
o contato *os estuda*tes d* *nsino fundamen*al
com os conceitos geográficos * válido
res*altar que:
[...] o estudo d*s paisagens, dos *ug**es, dos espaços *rbanos, da degradação
*mbien*al, tã* falad* e normalmente chegam ao *l*no através de uma imag*m, uma
gravura no livro didátic*, ou *té mesmo a um* simple* referência ao mesmo,
*ei**ndo o alun*, co*struir men*almen*e o significado de algo obj*t*vo, *as que *le
*ecria confo*me a sua visão e exp**iên*i*s de mundo (R*DRI*UES; OTAVIAN*,
2 0 0 1 , p . 3 6 ).
Os autores (Ib*dem) *etratam, exat*mente * s*tuação da realidade d*s al*nos que
ingressam nos cursos d* Geog*af*a. Durant* a educação b*sica, esses est*da*tes *ão tiveram
*po*t*nida*es de vivenciar na prática a m*te*ial*zaçã* d*stes e d* outros conc*itos tão
i*portant*s *o ensino da **ografia. Desta*a-se que,
nas aulas pr*ticas, o
alu*o te*
*
oportunidade de compree*der o pro**sso de din*m*za*ão do es*a*o e s*us reflexos no l*gar e
na paisagem, bem como nos outros co*cei*os.
No campo, acredita-se *** uma *bser*ação atenta e be* a*ur*da da paisagem é a
primeira etapa da análise do *s*aço geográfico. Para Santos (*996), a paisag*m é o "c*nju*to
de formas que, num dado m*mento, *xpri*e as hera*ças
qu* represent*m as **cess*vas
rel*ç*es *o*aliza*as en*re ho*em e natureza". A paisage* *o mapa * d*ferente da pa*sagem
vi*ta no campo, p*is a paisag*m do mapa é uma representaç*o feita *or a*guém dot*do
de
u*a v*são e com o *uxílio de técni*as, e nunca se represen*a em u* mapa ou *arta a realidad*
total. Já no campo, é possív*l ver ob**tos e *ela*ões não presente* *o mapa.
Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 3, ar*. 9, p. 181-*9*, mai./jun. 2018
www4.fsanet.**m.br/revista
O *rabalho de Campo Como Prática Pedagógica e* Cartograf**
189
4.3 A Paisag*m
N**essário se faz re*letir sobre o c*n*ei*o d* *ai*agem *a Ge*gra*ia. Para *uito*, *
paisagem *e*tr*ngia-se à possi*il*dad* visual, a tudo *ue a vista alcança. Para Su*rtegaray
(20*0), trat*-se do conjun*o *as inte*ações homem e meio, *l*o além do visível, res*l*ado de
u* processo *e articul*ção e**re o* el*men*o* *onstituintes. Ber*rand (2009) definiu-* como
resulta*o sobre *erta porçã* *o espaço, da combinação din*mica * inst*vel do* elem*ntos
físicos, bioló*i*os e antrópic** que, intera*in*o dialeticam*nte *n* sob** os out*os, fazem da
paisagem um conjunto *nico e indiss*ciáve* e* c*ntínua evoluçã*. Par* *an*os (1996),
a
paisagem é definida com* o conjunto de for*as que exprimem **rança*, as quais rep*es*ntam
as sucess*vas r*lações *ntre o homem e a
na*ur*za. O autor escl*rece **e pa*sagem nã*
é
espaço g*ográ**co, s*ndo este um conc*ito mais abran**nte.
O modo d* percepção da paisagem durant* o trab*lh*
de
ca*po, foi
oper*cio*alizado em c*da um dos loc*is determinados p*ra as par*das, mo*en** em que
os
alunos u*il**aram * observação ge**ráfica da pai*agem associada aos pr*dutos *artográ*icos e
ao reg*stro pano*âmico dos *lementos da
*aisa*em. *sse
e*ercíci* de o**erv*ç*o f*i
orienta*o pe*a seleção dos *apas para identificação dos
elementos e *náli*e das possíveis
mudanças ocor*ida* ** paisagem. A Fi*ura
2 corresponde
ao mapa de uso da terra,
confrontado com dad*s coletados *m cam*o via *P* e f*tografias dos *ocais visi*ados.
R**. FSA, Te*esina *I, v. 15, *. 3, art. 9, p. 181-197, mai./jun. 2018
*ww4.f*anet.com.**/revista
R. S. Barbosa, R. L. *anto*
190
Figura * - Mo*aico formado pelo map* de uso da terr* e fo*ogra*ias tiradas de alg*n*
pontos durante o trab*lho d* campo. Fonte: *antos et al. (20**).
4 .4 O L u g a r
Considera-se que * *onc*ito de luga* est* relacio*ado à reali*ade de escala l*c*l,
poden*o s*r entendido, co*for*e C*r*os (*996, p. 20), com* a parte do *sp*ço g*ográf*co,
*f*tivamente apropriado para a vida, ond* de**mbo*a* as atividades co*idianas, "a *ase da
r*produção da vida e pode ser analisado pela tr*ade habitante-iden*idade-lugar".
Assim, *urge a impo*t*nci* d* trabalhar a com**ar d* es*aço *ivido, para qu* se
p*ssa ent**der as r**a*ões entre o regional, o nacional e o global. Para Callai (**00)
é
impres*indí*el ler o *ugar
para
comp*eender o m*nd* em q** vivemos. *ode-se pa**ir de
temáticas e problemas e, * partir de então, ag*çar a curiosidade do* alu*o*. Essas
pr*blemáticas podem ser formula**s * parti* da re**idade do
q*e oco*re e do que exist* **
mu*do, cons*de*ando a* dimensões de e*paço * *e tempo.
O *ugar torna-se r*ali**de, p*r*ant*, a partir da nossa familiaridade c*m o e*pa*o,
n*o neces**t**d*, entretanto, de se* definido atravé* d* **a *m*gem pre*isa,
lim*tada. (FERREIRA, 2000, *. 67).
Rev. FSA, Ter*si*a, v. 15, n. 3, art. 9, p. 181-197, mai./jun. 2018 *ww4.fsanet.com.br/rev*sta
O Trabalho d* C*mp* Como Prática *edagógica em Cart*grafia
191
N*sse se*tido, a abo**agem do lugar r*f*rent* ao t*abalho de c**p* foi feita
as*entada no e*paç* v*vi*o dos mora**res dos *ovoados *is*tados (Cumarú, *lho D\águ*
e
Je*ipa*o), atravé* de conversas informais, n*s quais os m*radores reve*av*m as
car*cterísticas d* lugar *anto n* pr*se*te, qua*to no pas**do. Nos re*atos, foi pos*ível abstrair
também ca*ac*erístic*s da pa*sagem *o pa*sado que a*nda *e mantêm vi*as n* memó*i* dos
*a**ta*tes p*o**iro*.
Em campo, p**cu*ou-se investigar com* e*a a reali**de do l*gar qu**do as famílias
chega*am e como es*á o lugar ho*e. Dentre os vári*s de**imentos, alguns foram selecionados
*ar* *lustrar a reali*ade re*ratada p*los morador*s. Os nomes das pessoas for** a*reviados *
fim de manter * anonimato dos *nform*ntes.
Naquela época a *erra er* v*lun*ária, não tinha dono, nóis *rab*iava *odo mund* no
me*mo l*gar, b*tava um pedaçim d* roça aqui outr* ali e *ssim foi, ai qu*n*o fo* em
68 começou * di*isão das terra a*ui, foi **i** pelos próprios pos*eiros, até que veio *
disc*imin*tória dessa área
e m 84
p*lo GE*AT, ai nóis fiquemo só co* um pedaçim
véi e o *l*o e o Abel fi*ara* com es*as t*rras aqu* de baixo, n*sse pé de serra
e
en*heram de capim. (E. F. dos S. 60, *013).
Q*ando nóis chegue*o aqui a produção era *uita avança*o * agora d*minu*u muito,
a*ravés *as terras ser *ó capoe*rão e
ai a*guma da
pra gente p*anta*, as ter*a tão
ficando fra*a e ai o povo pra**a muito capim e ai n*quele lugar onde agent*
pran*a
ca*im não da mais arroz como antigamente [...] antigamente o inverno era ma*s bom,
ho*e ixi o in*e*no ta mais fraco e é muito * do*do, tem a*o que ch*ve pou*o *utro qu*
*hove demais, n*nguém sab* m*is quand* começa e nem qu*ndo termina o inverno.
(E. ** S. S, *8, 2*13).
Uma linha de **roz naquela ép*ca
dava *0 sa*o, todo l*gar que agente botava roç*
dav* de 10 *a*2 sac* d* ar*oz mais hoje a pr*dução não é muito grande p**qu*
a
maioria *as pes*oas *ão tem é onde pl*ntar, a* terra a*ui t* na mã* de rico, pra t*ab*ia
tem que *ag*r renda, a *essoa pa*a uma b*se d* 10% ou 15%
de ar*end*ment* p*a
puder produzir as pessoa pobr* que num tem terra, a num *er q*e seja os
assen*amentos, eu num vejo a hora d* me *posentar. (E. F. S, 60, 2013).
N*quele tempo você pl*ntava uma roça de 1* l*nhas (10.000 m2)
*an*ava arroz que
*bu*ava, 200 a 300 s*c*s. H*je v*c* *ot* um alqu*ro de *oça nem colhe direito que o
mat* to*a de conta *e t*do, uma linha
de terr* **a**o dá m*i*o dá 6 sa*o. A*ora
na*uele *empo era uns 2* * 25 *ac* *or *inha. Naquele *empo *ua*do era *ogo no mês
de outubro, *ovembro t*va plantando t*do, hoje você esper* o invern* e só *hov* um
poquim de dezembro pra frente e é fra*o ainda. (A. F do N. 80, 2013).
Durante a re*liza*ã*
das visitas *os povo*dos qu* comp*em a bacia, a**uns alunos
perguntar*m: "Professor
on*e estão o*
jovens destes povo*dos? Surge, então, uma nova ".
linh* de inves*i*a*ão. Ao quest*ona* os mo*adores, a jus*ificativ* r*cebida foi que, em f*nção
das inúm*ras di*iculdades enfr*ntada* na *r*du*ão a**í**la, os jovens pre*erem ir para
a
ci*ade est*dar ou tr*b**har.
Seguem alguns dos dep*imentos dos moradores s*bre as *if*culdades vivenciadas:
Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 3, art. 9, p. 181-*9*, mai./jun. 20*8
ww*4.fs*net.co*.b*/re*ista
R. S. *arbosa, R. L. Santos
192
É po*
que *óis n** tem estrad*
pra t*ans*ort*r nossa mandio*a, porque se quer
tra*s*ortar mandioca, tem que ser a*ravés de bur*o e a
estr*d* *ossa m*ito r*im, é
tem uma ladera q*e no i**erno não ***ce carga, des*e pe*a manhã se nã* chover, se
chover só * tarde quando inxugar. (N. L. d*s S. 30, 2013).
Num tem es*r*da e nem água, nóis trabaia *o seco levando á*ua na *ost* do
jume*tim véi subindo *adera e a estrada é muito ru** q*a*d* chove agent* não e
***e só s*be quand* ta tudo *nxuto. (*. S. S. 58, *013).
O *i*r é q*e nã*
tem
estrada pra nóis ir, a estrada é m**to péssima além de ser e
ru** tomaro a miorzinha que tinha aquele mizerave ali de cima ce*c*u tu*o e agora
nóis tem que arrudiar. (*. L. A. 62, 2013).
Pr*meir* nóis n*o t** estrad*, lá só and* ani*al o* gente a pé. S*gu*do nóis trabai*
*um lugar seco, nã* tem água,
só tem água no inverno qu* nóis junt* água nos
tanque e no ver*o age*t* **va água nas costa do *umento. (R. *. S. 41, 2013).
*ara enten*er * paisage* e a si*uação do lugar h*je, é necessário compree*der os
*stágio* so*io*conôm*cos p*los qu*is essas localid*des passar*m *o longo
do processo
**
ocupação. Essas imagens estão presen**s na *emória de c*da **rador dos pov*ados qu*
*ompõem a área visitada. Con*a* *uas estór*as para os *isitantes *o*stitui motivo de alegria e
satisfação *ara essas pessoas. A forma *ortê* de receb** *s vis*tantes, acompanhada de um
con*ite pa*a tomar um café, um copo de suco, ou espe*ar pelo almoço revela * identid**e do
morador do campo.
*.5 O Trabalh* de *ampo em Geografia Como Prática Pedagó*i**
O trabal*o de cam*o **mo p*ática peda*ógic*, infelizmente ainda não faz p*rte dos
p*oc**im*ntos d*dáticos nas universidades b*asileiras, ** es*ecial tr*tando-se de cur*os
de
l*ce*ciatura. D* q*e depende * r*a*ização do t*abalho de campo?
Como pr**eir*
condição necessária à s*íd* de campo, co**i*ero **
v*tal
i*por*ância * a*oção prévia de
um siste*a de
concei*os c*p*z de formu*ar
o
a*cabouço teó*ico-metod*lógico que i*eg*velmente direcionará o olh*r do geóg**fo
no campo uma *s*écie de "bússola" na form*lação da* *deias, análises
*
observações, moldando o embasamen*o de todo o *rabal** (HUERTAS, *007, p.
1 4 * ).
O sup*a**tado autor coloc* como *ond*ção * realização *o *r*balho de campo a
ado*ão e de**n*ção dos conceitos necessários à compreensão do esp*ço visitad* e, se *ossível,
sua con*x*o co* *ut*o* espaç*s. É importante lembrar que * trabalho de campo em
Geografia *em sid* confundi*o **m *ul*s *e *eoturismo1.
1 Temos pres**cia*o nos c*ngresso* de estudan*es e tam*ém de p*ofissionais t*abalhos de campos que são
*penas au*as de t*rismo e lazer e
não *rabalho de re*lexão
*e*gráfi*a. Va** *embrar que não *ão em todos o*
congresso*, pois existem alguns *ue realm*nte pens*m os
trabalhos de c*mpo e escolhem lugares q*e
co*tribuem para * temá*ica do eve*to, *em *om* para a formação do Geógrafo.
*ev. FSA, T*resina, v. 15, *. 3, art. 9, p. 1*1-197, mai./jun. *018 www4.fsa*et.com.br/revista
O Trab*lho de Campo Com* Prát*ca Pedagóg*ca em Cartogr*fia
19*
O tra*alho de cam** em Geo*rafia
requ*r a defin*çã* *e espaç*s de conc*ituação
a*equados aos fen**enos que se deseja es**dar. É necessário recortar
adequ*dame*te os es*aços de c*nceitu*çã* *ara qu* sejam
revela*o* e t*rn**os
visíveis
os fenôme*os *ue se des*ja pesqu*sar e
anal*sar na
rea*idade. (SERPA,
2 0 0 6 , p . 9 ).
Como essa atividade pe*agógica **o rica vem sendo tr*ba*hada nos cu*sos de
li*enciat*ra na* universidades *ras**eira*? Tem-*e d*do a r**l importância
que mer**e,
ou
estão sendo promov*das aulas *e laz** para *s acadê**cos? *té que ponto o trabalho de
c**po tem sido reali*ado * ref*eti*o como espaço de vivência curricula*, capaz
de
de**nvolver nos *ujeit** pr*nc***os de obser*açã*, descrição e anális* d* realidade?
Num esfor**, pod*-se im**inar c*mo alun*s *e comportam em uma aula
de
pe**log*a, por exemplo, quando o professor fa**
de *at*ssolo *mare*o, *rg**solo verm*lh*-
ama*elo, do* ho*izontes d*s*es sol*s, da p*ofundidade, da **xtura, sen*o
que esses *lunos
nunc* tiveram o con*ato prá*ico do ponto de *is*a ci*ntífico com uma amostr* de solo. É
lem**ado aqui um exe***o citado por Antune* (2001), tom*ndo como refer**cia a sala
*e
*u*a *as séri*s *niciai*,
o*de o pr*fess*r utiliza uma ling*age* *em sup*rior ao unive*so
cognitivo da criança e esta *e porta tal qual persona*em "*ob", do desenho animad* O o
Fantá**ico M**do de Bob, imag*nando com* ser*a isso n* realidade. Qu*ndo * alun* *ã*
consegu* cri*r em s*u imaginário e*ta imagem, ele desiste e a
aula *orn*-se
ch*ta
e
enf*donha.
[...] o trabalh* de campo c*mo rec*rso didáti*o é de primo**ia* i*port*ncia, porq*e
*fer*ce po*enciali*a*es for*ati*as que
devem ser levada* em conta *o processo
ensino-a*rendizag*m *omo uma das técni**s pe*agó*icas mais a*ess*veis e *ficazes
ao profe*sor (RODRIGUES; OTAVIANO, 2001, p. 3*).
Como atividade pe*agógica, o trabalho de campo necessita de uma estr*tura*ão, ou
me*hor,
de uma seq*ên*ia pedagógica refl*xiva p*ra cumprir sua função n* *roce*so
de
aprendiza*em. Nesse senti*o, *ncontr*-se suporte nas pal*vra* de Rodrigues e Ota*iano
(20*1), quando discorrem sobre a
sequênc*a do trabalho ** *ampo em tr*s mo*entos: a
prep*ração, a realização e *s **sultad*s e ava**ação. Na p*imeira et*pa, os **tor*s sugerem *s
s**uintes atividades: de*iniç*o dos objetivos, escol*a do loca*, calend*rio, *ecursos materiais,
a **sc* da interdisciplinaridade, observação de outros aspectos práti*os e, por fim, inf*rmar e
motivar os aluno*. Já na segun*a etapa, a realiz*ção *ro*riamente di*a do trabalho de campo
e, por
último, a análise dos *ados ou informações coletadas e a a**liação dos res**tad**
do
*rabalh* de campo.
Rev. FSA, T*re*ina P*, *. 15, *. 3, art. 9, p. 181-*97, mai./ju*. *018
w*w4.f*a*e*.com.*r/r*vista
*. S. B*r*osa, R. L. *antos
194
Nesse sentido o trabalh* de campo pod* ser con*iderado uma *tividade *nter, multi e
transdisciplin*r, u*a vez que o mesm* não *eve *e* re**izado se* o a*xílio de m*pas e da*os
exist*ntes sobre a r*alidade *a área a s*r *isitada. Essa* informações se*vem pa** que o aluno,
*o chega* ao espaço a ser analisado, j* t*n*a uma no*ão do que v*i encontrar e, assim, **ss*
checa* ta*s *nformações.
Comp*ee*der um **pa de *ma *rea em q*e o aluno nun*a vi**tou é tal qual exig*r de
crianças *as sé*ies **iciais do en*ino fund*m*nt*l a compr*en*ã* dos ele*entos da *inguag*m
ca*tográf*ca. Porém, é no campo que o aluno deco*ifi*a os código* cont*do* n* mapa e p*s*a
a *nten*er mel*or o confronto entre teoria (conceitos e mapa) e prática (reali*a*e). Na an*lise
do m*pa de uso da t*rra, fora* utilizados os princípios da t**ria da c*munica*ão cartogr***c*
de Kola*ny (1969) inte*preta*os por Simiell* (2003),
tend* o mapa como veículo de
*omunicaç*o *ntre o leitor e o produtor.
*ara Tomita (*999, p. *3), "[...] é no trato direto do trab*lho d* cam*o q*e o aluno
fará o
aprendizado e passará a ent*nder as c**tr*dições e o proces*o de ap*opriação
d*
natur*z*, entendendo o porqu* da di*âmica qu* ocor*e no *spaço". Após a an**ise *os *apa*
de hip*omet*ia * uso *a ter*a, os alunos compreend**am que o relevo teve pa*el fun*amen*al
na orien**ção da oc*paç*o ** espa*o na bacia, * q*e ** ativi*ades **sen*olv*das no interior
d* mesma obe*ecem ai*d* à confi*ura*ão deste.
*e*embra-se que **a aluna co*e*to* em c*mpo: "olhando cada mapa isolad* n*o
c*ns*go ver * que você *stá *xplicando; agora, *uando co*oco
um ao *ado do outro v*jo
a
r*la*ão entre cada exe*plo que o senhor es** fal*ndo". Isso orienta
a pensar so*re
*
*eces*idade do trabalho com map*s te**ticos nos cursos d* graduação.
Tomit* (1999) aponta qu* o trabalho *e camp* tem se **velado um *om instrumento
*ue, a*ém de desp*rta* * ate**ão dos alunos, pode *lcança* um b*m result*do. É
um *
a*ividad* *** contribui par* estreit*r a re*a*ão dos a**nos en*re si e co* os professores,
conduzindo-os a praticar a*itudes *ece*sá**a* que, além de assimil*r * compreender melhor os
conteúdos específicos, pode influir na modific*ção d* a*i*ude e fo**a*ão da per*on*li*a*e
*ue, mais tar*e, poderá servir para a vida social e profissional.
* trabal*o
*e campo deve se basear na *otalidade do *spa**, s*m esquecer
*s
ar*anjos especí**cos q*e *ornam cada lugar,
**d* c*dade, *ada bairro ou regi*o
um a
a*ticulação
pa*tic*lar de fa*ores fí*icos
e huma*os em um *undo fra*mentado, porém
articulado. Em c*mpo, é *ossível faze* e**a leit*ra da totalidade *o espaço que, n* maioria das
vezes, é impos*íve* se fazer em sala.
R*v. FS*, Te*esina, v. 1*, n. 3, art. 9, p. 181-197, *ai./jun. 201* ww*4.fs*net.com.br/*ev*st*
O Trabalho de Campo Com* Prá*ica P*dagógi*a *m Cartografia
195
5 CONSID*RAÇÕES F*NA*S
A ob*e*vação e a descri*ão dos lug*res e das paisa*ens s*mpre fizeram parte d*
arsenal de cam*o dos geógra*os, desd* sua sistematiza*ão como *iênc*a, até o mo*en*o. No
e*tanto, atualm***e, esses prin*ípios *ão elem*ntares têm *esaparecido dos pro*edim*ntos
**todológi*os do* profissionais. Com o uso *e ma*as, o traba*h* de cam*o to*n*-se *ais
si*nificativo para *s*udantes e pesquis*dores, *ma vez que os mesmos têm u*a no*ão
anteci*ada da *ealida*e mapeada, o *ue facili*a a seleçã* de áreas a ser*m visitadas.
Na experiência *itada no *ra*alho com os
al*nos
do curso de *eografia
do
CESI/UEMA, os alunos
afirmaram nunca *erem ido a campo
com um proj*to,
com mapas,
bússola e out*os elementos utilizados *esta experiên*i*. As saídas de *a**o vivenciadas por
ele* anterio*mente acontecia* s*m um* *reparaç*o an*ecipada * sem um roteiro prev*amente
defin*do, * que **sul*a*a *m ** *rabalho impr**isado.
*n*ende-se que é na *nivers*dade *ue o acadêm*c* co**ç* vivencia* e pratica* a
*i*ncia, *iênc*a s* faz co* método. *orta**o, o t*abalho de campo de** s*r r**lizado e
de
f*rm* con**ie**e, tanto pelo pro*essor coorde*a*or, *uant* pe*os a*unos participa*tes. C*mo
prá*i*a *ed*gógica, deve *er separado dos momentos de l*zer.
*os dois moment*s de d*scussão do presente trabalho, pr*curou-*e eviden*ia*
a
necessidade da reali*aç*o do trabalho de camp*
como prática
*edagógica frequente d*ntro
do* c*rsos de Geografia, se*a licenciatu*a *u bac*arelado, a fim d*
viabil**ar
o
d*se*volvimen*o d* habi*i*ade* fu*damentais para * f*rm**ão do fut**o ge**rafo como
a
per*epção, a c*gn**ão e a re*resen*ação d* espaço.
Para encerar, faz-se uso das palavras da professora Dr*. El*a Ya***o Pass*ni (2007),
ao afirmar q*e, * *ue no* t*r*a profe*sor *ão é o dip*oma e sim a capacidade de r*f*e*ir *obre
nossa *rática
docente a cada **a, fr*n*e a di*icul*ades e d*safio*. Que o trabalho
de campo
sir*a
*e refle*ão e p*sse a fazer
*art* das *rát*cas
pedagógi*as *ant* dos profe*sores
u*iv*rsitários qua*to dos professo*es da educaçã* *ásica.
REFERÊ*CIAS
ALENTEJANO, P. R. R.; ROCHA-LEÃO, O. M. Trabalho
de Campo: **a
ferramenta
essencial par* geóg*af*s ou um ins*rumento banali*ado? Boletim *aulista de Ge*grafia, São
Paulo, n. 84, p. 51-68, 20*6.
Rev. FSA, *eres*na PI, v. 15, n. 3, art. 9, p. 181-19*, mai./jun. 2018
ww**.fsanet.co*.br/r**ista
R. S. Bar**sa, R. L. Santos
196
AMO*IM, R. R. Um novo *lhar *a geo*rafi* para os conce*t*s * apl*caç*es de geossist*mas,
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C*ntr*buição dos A*to*es
R. S. Bar*o*a
R. *. Santos
1) co*cepção e pl*n*jamento.
X
2) análise e inte*preta*ão d*s dad*s.
X
X
3) elaboração do ras**n*o ou na revisão críti*a *o c*nt*údo.
X
X
4) participaçã* na a*rovação da versão final d* m*nuscrito.
X
X
Rev. *S*, Teres*na PI, v. 15, n. 3, art. 9, p. 181-197, mai./jun. 2018
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