Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 3, art. 11, p. 212-233, *a*./ju*. 2018 ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.11 O Que Jobs Diz? A Construção do H*r*i por Meio *o D*scurs* *hat Does Jobs S**? Hero's Const*uction by Sp*ech J*ã* Paulo Nas*imento da Sil** Mest*ado em Adm*nis*ração *e*a Unive*sidade Federal de La*ra* E-mail: jpnsilva*@**ail.com Ál*aro Leonel de Ol*veira Cas*ro Mestrado *m Administração *el* Universidade F*deral de L*vr*s E-mail: a**aro.leo*el*3@gmail.com A*d** Luiz Nev*s Mestrado em Adm*n*stração p*la Universi*ade Federal de Lav*as E-*ail: andrelui*_nev*s@y*hoo.c*m.br Marco *nt*n*o Villart*-Ned*r Doutor em Lin*uística e Língua Portuguesa Un*versidade Esta*u*l *a*li*ta Jú*io d* *esquita Filho Pr*f*ssor *a Universi*ade Fede**l *e Lavras E-mail: marcovil*arta@y*h*o.com.br En**r*ço: J*ão Paulo *ascimento ** Silva Ru* Maria M*dalena Ch*gas, 1*6, Carvalh*s/MG, Bras*l. Edit*r-Chefe: Dr. **nny Kerle* de Alencar Rod*igu*s *ndereço: Álvaro Leon*l *e Olive*ra Cast** Av. Lau*a Andrade, 912, Jardim B*la Vis** - Arcos/MG, Artigo recebido *m 05/02/20*8. Última versão Brasil. re*ebida *m *2/02/2018. A*rovado em *3/02/*0*8. En*ereço: André L*iz Neves Praça Doutor *oque, 332, c*ntr*, M*chado-*G, Brasil. Endereço: Ma*co Antônio *il**rta-Ned*r Univ*rsida*e *eder*l de Lavras, Depart*men*o de Ciências Hu*anas. Campus Univ*r**tá*io, Lavras, *G, Brasil Ava*iad* pelo sistem* Triple Rev*ew: Desk Review a) pelo Editor-C*ef*; e b) *ouble Blind Review (avaliaçã* cega p*r do*s avaliadores da área). Revi*ão: Gramati*al, N*rmativa e *e Formatação
O Que Jobs Diz? A Co*strução d* *erói por Meio do Discurso 213 R*S**O A *stética ** cri*çã* v**bal, obra d*senvo*vida por *ikhail Bakh*i*, aborda * forma espacial do herói, o *u*l *ontém o exce*ente da visão es*é**c*, q** se torna uma i*portante ferrame*ta *ara s* analisa* o discurs*. O objet*vo principal a ser alcançado com este t**balho é identif*car como o eu-para-mim, o eu-p*r*-outro e o *utro-para-*i* s* constituem entre Steve Jobs e *s forman*o* de 2005, da Universid*de de St*n*ord nos Estados Unidos, de *odo * analisar a* re*resentaçõ*s contidas *m seu di*c*rs*, *em c*m* r**lçar as *nte*ç**s de *ons*r*ção d* imag*ns que estã* p**sentes *m sua f*la. Para **n*o, serão ana*isadas as três histórias *ue são narradas por Steve Jobs, send*: sobre conectar os pontos, am*r e perda, e morte. A análise do discu*so des*as três histórias tra* a relação *a co*struç*o *o her*i, observando o exceden** da v*são estéti*a. Considera-s* que tal discurso proferido em Stanfor* *streitou a relaçã* que os formandos tin*am com * seu herói, possibi*itando maior compreensão de a*guns do* mom*ntos vivenciados por S*eve Job*. Palavras-c*ave: Steve J*bs. Fo*ma Es*acial *o Herói. Excedente da Vi*ão Estética. ABSTRA*T T*e aesthetics *f verbal creation, a w*rk develope* by Mikhail Bak*tin, addresses *he spatial form of t** hero, which co*tains the sur*lus of aesthetic visi*n, *hich b*c*mes an important tool *or analyz*ng discourse. The m*in g*a* *o be achieved wi*h this *ork is to i*entify *ow the self-for-self, the *el*-f*r-se*f and the o*her-for-me consti*ut* betw*en Steve Job* an* the 2*05 gradu*te* of Stanford Uni**rsity in **ited States, in *r*er to analy*e th* re**esentations con*a*ned in his speech, as well a* to highligh* the intentio*s of cons*ructing im*ge* tha* are pr*sent in his sp*ech. To *o so, we will analyze *he th*ee *tor*es that are n*rrated *y Ste*e * obs , being: ab*u* co*n*ctin* points, lo*e and loss, *nd abou* death. The *nalysis of t h e discour*e of these t*ree stor*es brings the relation ** the constru*tion of t*e hero observing the surplus of the a*sthetic vi*ion. It ** co*sidered that s*ch a spe*** at Sta*ford nar*owed the relation*hip t*a* the tra*n*es *ad w*th th*i* hero, allowing a greater underst*nding of some o* *he moments exper*enced by Ste*e Jo*s. Keyw**d*: Steve Jobs. *patial Fo*m of the Hero. Sur*lu* of Aesthetic Vision. Rev. FS*, Ter*sina PI, *. 15, n. 3, art. 11, p. *12-233, mai./j**. 2018 ww*4.fsanet.*om.br/r*vista J. P. N. Silva, A. L. O. Castro, A. L. Ne*es, M. A. V**larte-Neder *14 1 IN*R***Ç*O * pesq*i*a esté*ica deve ter *omo *oç** central a a*álise dos processos narrativo*, co*pr*endendo a interação entre ma*erial, forma * conteúdo. Deve-se, por a*s*m d*zer, *uscar o ent*nd*men*o ** fusão entre o o*j*tivo e o subjetivo in*rínsecos à criação e*té*i*a, visto *ue c*da unidad* *e d*s*urso repre*e*ta a ideia de algué*, con*****da por m*io de diversas vozes pr*cedentes em diferentes momentos de te**o e espaço. B**h*in, emin*nte teór*co * his*o**ador d* l*teratu**, interesso*-se, em grande parte de s*as obras, pe** co*p*een*ão de formas básic*s de conve*saçã* como os disc**sos, a fim de d*svelar a plu*alidade de *oze* ne*e* ex*stentes, bem com* * r*miniscência e *n**cipaçã* dos d*scu*sos pas*ados * *u*uros. Para e**, o trab**ho do crítico envolv* três ti*os *e ativida*e: recolher os da*os materia*s para recon*t*tu*r o c*ntexto h*stór*co, explicá-lo* *o* *eio de l*is sociológicas, p*icoló*ica* e, até mesmo *iológ*c*s, c**clui*do pela interpretaçã* do d*álogo que perm*i* o di*curs*. *m "Estética *a cria**o ver**l", Bakhti* e*pr*e*de uma discussão sob*e a relação do aut** c*m o he*ói *u, ai*da, * forma com qu* o p*im*iro mo*ifi** *s partic*laridades *o se*undo, seus traços, sentimentos e reações acerca *as ci*cunstâncias que o rodeiam. Pa*a Bakhtin, o autor apen*s vê o herói por meio de *eu ato cr*ador, não tendo ace*so ** proces*o *sicol*gico in*erno que *eg* e*t* ato. P*r isso, "o a*tor *a*a tem *ue dizer sobre o p*ocesso de seu a*o cri**or, el* *s*á po* *nteiro *o *roduto *riado, e só pode no* re*ete* à s*a obr*; e é, *e fato, apenas nela que vamos proc*rá-l*" (*A*HTIN, 1977, p. 27). A p*á*ica mais f**quente da pesqui*a estética c*nsiste em extra** fragme*to* d* um di*curso, b*sc*n*o confr*ntá-los com a biogr*fia do a**or com a **eten*ão de encon*r*r algum s*ntido. Cont*do, faz-se i*po*tante com*reender * todo *o *u*or e o tod* do herói, re*acio*ando a forma com o acontecimen*o, ou seja, o fr*gm*nto *m ob*ervação c*m o tod* cons*ituído pela vida e o meio em que estã* l*calizados, ta*to o autor como o h*rói. A c**sciê*cia do autor eng*oba * acaba * *onsciência do her*i po*s, ao cri** o todo da obr*, o autor tem *abedoria acer*a *e situações *nac*s**veis ao h*rói. Assim, a consci*ncia do her*i, sua *çã* e co*preensão são *erc**as p*lo entendiment* do auto* acer*a do mu*d* *m que habita este herói, e o seu discurso impr*gnado do d*scurso d* auto* sobre ele. *e*sa é *orma, o aut*r sabe e *ê m*is qu* * her*i, não só na di*eção *o o**ar des*e *erói, mas t*mb*m em direções mais amplas. Para encontrar o aut** e* determin*d* obra, *az-se necessário se*arar os limit*s da c*n*tit**ç*o do herói e, a par**r d*í, determi**r * un*d*de da ten*ão c*i*dor* que p*rtence a* autor * faz contraste com a ex*stência do her*i. Rev. FSA, *eresina, v. 15, n. *, art. 11, p. 21*-233, mai./j*n. 2018 w**4.fsanet.com.br/r*vis*a O Que Jobs *iz? A Construção d* Herói por Me*o do Di**urso 215 Neste contexto, buscar-se-á, com o presente traba**o, res*ond*r à s*guinte questão: como se dá a fo*ma esp*cial do herói, com base no excedente d* vis*o e*tét*ca d* Bakhtin (*997), no discurso p**feri** *or Stev* Jobs aos form**do* da Universi*ade de Stanf*rd, no ano de 2005? * objetivo princ*pal a ser al*ança*o com este trab*lho é anal*sar *s represent*ções da his*ória de Steve Jo*s contid*s em *eu discurso, identif*cando c*mo * *u- p*ra-mim, e*-pa*a-outro e o out*o-pa*a-mim se constituem **tre o discursista e o *úb*ico que o assiste. Em term*s inte*mediári*s, o* objetivos esp*cí*icos deste estudo são: visualiza* as dim*nsõ*s *o exc**ente d* v*sã* estética, de**ro do discurso profer*do *or Steve Jobs, bem como *e*lçar as intenções de c**s*r*ção de ima**ns que *stão presente* em *ua fala. S*eve Jobs fo* um em*resário norte-americano, fundador da Apple, empresa que *ev*luci*nou a i*d*stria de *om*utadores pessoai*, os film** de animação, mund* d* o músi*a e dos telefo*es celular*s. Nasc*do na cid*de de San Francisc*, Cal*f*rn*a, no dia 24 de *e*ereiro d* 1955, foi adotado por P*ul Carla Jobs. Em 1972, ing*es*ou n* Re*d College, e *bandonan*o os e*tudos após seis meses *or n*o querer gastar o di*he*ro de seus *ai*. Quatro anos depois, juntam*nte co* Steve Wozniak, um especialista em f*zer programas * c*rc*itos integrados, *br*u uma pequ*na *ábrica de comp*tado**s ** garagem de sua casa, dando or*gem à Apple Comp*ters. No ano 1984, Jobs foi afasta*o d* sua próp*ia empresa por divergir dos diri*entes e *cio*istas d* *mpr*sa. Criou, *n*ão, a NEX*, em*res* para desen*olvime*t* de *oft*ares que, depois d* dez anos foi com*rada pela Apple, marcando s*a *olt* à empre*a Ap*le. Co* o lançam*nto do to*a*or de música Ipod, em 2001, a Apple o*ri*o* a in*ústria fonográ*ica a se reinv*nt*r. *m 2*07 f*i la**ad* o Iphone, c*lul*r com o comando feit* com os dedos na tela digi**l, com aces*o à internet e f*cil***de na cri*çã* de aplicativos. Já e* 2009, su*giram os co*put*dor*s p*rtátei*, os Ma*books, pequenos e d* fácil acesso à inter*et marc*ndo, ma*s uma vez, a posição da e*presa de inovação e bom atend*mento ao m*rcado. Steve Jobs t*nha uma perso*ali*ade *ent*alizadora * *xplosiva. Era d*sapegado do dinheiro e a*dava sempr* *raj*ndo jean* camisa pre*a. E* virtud* do apar*cimento de um e cânce* no pâncreas des*e 2004, *o** fa*ece* em Pa** Alto, Califórnia, *sta**s Unidos, no dia 5 de outubro de 2011. Faz-*e necessário enfat*zar que a his*ória de vid* de Steve Jobs * m*rcada por *iver**s cont*a*ições, *endo sido retratada em d*v*r*** *ilme* e livros, por ele aut*rizado* ou *ão, que servirão de b*se pa*a * conhecimento da trajetó*ia *o empres*ri* *, por *onseguinte, para a análi*e do d*s*urso. Rev. FSA, Teresina *I, v. 15, n. *, art. 1*, p. 212-233, mai./*u*. 20** www4.*san*t.com.br/revista J. P. N. Silva, A. L. O. Castro, A. L. *eves, *. A. Villarte-Ne*er 216 * REFERENCIAL T**RI*O Para a constr*ção deste estud* e o entendimento da relação *o Dis**rso de Steve Jobs em Stanford, *a*-se n*cessá*ia a compreensão da Anál*se do Disc*rso e seu efeito na c**strução da* relações sociais, de forma realizar u*a releitura, dentro da pers*ectiva da a Análise Crít*ca do Discurso, da relaç*o entr* o discurso pr*f*r*** e se* púb*ico. 2.1 An*lise do Discurso A Análise do Discurso (AD), como cam*o d* estudos organizacion*is, *ncorpora a Análise do Discur** como pe****c*iva on*o*ógi*a, epistemoló**ca ou meto*ológic* (GODOI; B*LS*NI, 2006). Nesse s*ntido, Análise do Discur*o, defi*id* como uma abordag*m a quali*a*iva, fa* parte de um ente*dimento da linguagem na realidade so*ial, p*dend* ser en*end*da como elem*nto cons*it*tivo dessa realidad* (GASKELL, 2002). A análise do *isc**so constitu* um c*mple*o m*t*d*lóg*c* fragmentado *m diversas es**las e t*ndê**ias epistem*lógicas d*versas, que atri*ui a ela *m cará*er de complexidade interdi*c**linar, com *aízes * desenvo*vime*t*s em disciplinas das ciência* hu***as e sociais, como lin*uísticas e teoria da *o*unicaçã*. Essa ca*acter*s**ca *ulti e in*erdisc*plinar da Aná*ise d* **scurso *rítica (ADC), concede * ela um am*lo escopo de apl*cação, *a** tratamento de di*ersas *r*ticas na vi da so*ial. Ent*e os campo* da Linguística e a *iência Social Crítica, a ADC *rocura "estabelecer um quad*o capaz de mapea* a conex*o entre *ela*ões de poder e r*curs*s *inguíst*cos selecionados por *e*soas ou *rupo* so*iais" (RESENDE; RAM*LHO, 2004). Para tanto, *egund* Resende * Ra*alho (2004), ( . . . ) as análises e*píricas *m ADC *e*em movim*ntar-s* ent*e o linguístico e o soci*l, *oi* o discurs* é com*reend*do como uma forma de práti*a s*cial, modo de *ç*o sob*e o mund* e a *oci*dade. O discurso, nes*a concepção, é soci*lmente consti*utivo - através do *iscurso se con*t*tuem estrutura* sociais - e co*sti*uído socia*ment* - *s discursos variam segun*o os domíni*s soci**s em q*e são gerados, d* acordo com as o*dens de discurso a que se filiam. Ne*se sentido, segu*do Souza e Carrieri (2014), a Análise do Discurso **rec**na o pesquisador para a*ua**o em u* viés interpretativo e construtivista, tendo partida inicial do pre*su*o*to d* que o mundo soc*a* é histori*ame*te construído a partir de prática* discursivas, que atribuem sig*ifica*o *i*bólico aos *le*entos das interaçõ*s humanas. Re*. *SA, Teres*n*, v. 15, n. 3, art. 1*, p. 212-**3, mai./jun. 2018 www4.fs*n*t.com.br/revista O Que Jobs *iz? A *onstrução do Herói por Mei* do Di*curso 2*7 Phill*ps e Di Domenico (2009) entendem a Análise do Discurso por não conceber o *undo social como el* é, mas de *or*a a pro*u**r c*mpr*ender qual seu significado, de for*a a ex*lorar as fo*mas *el*s *uais as ideias e os objetos qu* com*õ*m m*ndo o **ci*l foram const*uído* *or prát*cas disc*rs*vas e a*alisar como a linguage* c**strói os fenômen*s so*iais, e não c*mo ela os revela. Foi com Fe*di*an* de Saussure, na década d* 1960, que a *inguístic* estrutural moderna floresceu. *ara S*ussur* (200*), linguagem de**ria ser c*mpr*endida como a u* sistema de sign*s, de modo que t*do sign* é compos** por um sig*ificante (um som, um a i*agem *u e*u*vale*te *ráfico) e por um sig*ificad* (* conc*ito), cuj* *nter-relação é d*te*min*da *or co*ven*ão c*ltural as*im, S*ussure se dedi*ou a *studar não a fa*a r*al (parole), mas si* a estrutu*a objetiva do* s*gnos que torna*am possível a fala (l*ngue). P*ra Bakhtin (1992), * signo não possuía um **gnific*do fi**, mas era um s*mbol* cuj* signi*icado é mod*fic*do e *ransformado pelos v*r*ado* ton*, *vali*çõ*s e c*notações e* um d*feren** conte*to social, co* inter*sses * i**ologias conflit***es. Pa*a o autor, o **ntexto da e*unciação é necessá*io par* qu*l*uer eve*t* *omunicat*vo, de form* a realizar * compreensão dos significad*s, como *m signo di**ético * di*âmico, que adquire s*ntid* a par*ir da interaç*o c*municativa. Nessa *nteração, o interl**utor participa ati*amente d* const*ução de se*tido ao decodif*car e interpret** os signos enun*iado*. S**und* A*o**o (19*8), os ***cursos são linha* de coerência simbólica **m as quais repre*entamos e nos *epresent*mos nas *iferentes p*sições sociais. Mainguen*au (2000), em com**ementariedade, traz a A*álise do Discurso que vis* art**ular a e*unciação de um texto *u contexto sobre um cert* lugar social. De *cor*o com es*as perspectiva*, i**ere-se que a A*álise do Discurso dev* ser realizada com base em um contexto social, de fo*m* que um indivídu* não constitu* *i*cu*so so**nho, tendo a necessida*e d* interação social para sua *onst*ução (FARIA, 2*01; FIOR*N, *003). Dessa forma, a teoria de Bak*ti* (1997) traz, na c*ns*r*ção e conc*pção do herói, **a cons**u*ão do discurs* no posicionamento do her*i *u su* visão **ra o discurso aqui apresentado, *a fo*ma do d*scur*o para **e *esmo (eu para mim), na construção do discu*s* para o púb*ico (eu *a*a outro) e *o *úblico pa*a ele (outro p*ra mim). Nes*e sentido, * referência a seguir t*ata ** **nstruçã* bakhtiniana *o he*ói *resente em "A forma esp*cial d* *erói" (1997). Rev. FSA, Teresina PI, *. 15, n. 3, art. 11, p. 212-233, mai./ju*. *018 www*.fsanet.**m.*r/*evista J. P. N. Si*va, A. L. O. Ca*tro, A. L. *e*es, *. A. *illarte-**der 218 2.2 A form* es*acial do *erói (Bakhtin, 1997) Segundo Ba*hti* (1997), h* u* mu*do de diferencia*ã* entre as vi*ões de dois se**s, mesmo *ue se enc***rem em uma mes*a **ali**de, o*orre um mundo vis*o p*la ótica de d*is seres disti*tos. Para o autor: Quando con**mplo um *o*em s*tu*do fora de mim e à minha frente, *ossos horizontes concretos, tai* c*mo são efe*ivamente v*vidos por nós d*is, não coinc**em. Por mais pert* de mim que possa e*ta* esse *utro, sempre verei e saberei al*o *ue ele próprio, na posição que ocupa, e qu* o situ* fora de mim e à m*n** frente, não pod* ve*: as par**s *e seu corp* inacess*veis ao seu *róprio **har * c*beça, o rosto, a *xpr*ss*o do rosto , o mundo ao **al ele dá as costas, *oda uma série de o*jetos e de rel*ções qu*, em *unção da res*ecti*a relação em que p*de*os situar-nos, são acessíveis * mim e in*cessíveis a ele. Quando estamos nos olhando, do*s m*nd*s diferentes se refletem na pupila dos noss*s olhos. Gra*as a pos**ões apropriadas, é possíve* re*uzir ao mínimo *s*a dif*re*ça dos hor*zontes, *as para elimi*á-*a totalme**e, ser*a preciso f*ndir-se em u*, t*rnar-s* um ú*ico homem (p. 4 3 ). Par* tanto, Bakh*in (1997) ente*de q*e a visão do ser é referente ao lugar único *ue e*e se encontra no mundo, sendo que todos os outr*s, ou todas *s *emais vi*õ*s, estão f*ra do eu que vê * mundo, uma v** que a per*e*ção t*tal do mundo e*igiria um con*emplado* único de forma que este só po*e ser pensado e não *eal*za*o. Nesse sentido, o aut*r afirm* qu* a e*oç*o interior, como meio de exper*ê*ci* interna, *ode ser contemplada no *ent*do d* e*-para-mim, como *iv*ncia pró*ria, ou n* *ategori* d* outro-para-m*m, como vivência de um o**ro ser único * determinado a *al com*ree*são. Nesse sentido, para con*e*plaçã* e vi*ão do ser no mun*o, o B*khtin (1997) di*corre: **vo i*e***fica*-me c*m * outr* e ver o mundo atrav*s de se* sistema de valores, tal como ele o vê; devo colo*ar-me *m s*u lugar, depois, d* volta a* meu lug*r, e c*mp*etar seu horizonte c*m tudo * que se descobre do lugar que ocupo, fora d*le; devo emoldurá-lo, criar-lhe um *mbie**e que o acabe, mediante o exceden*e de minha visão, de meu saber, de meu desejo e de meu sen*imento (p. 45). Par* o auto*, a vi*ão e c**te*pla**o do ser c*nsiste em *e identificar com o outro, a fim de experimentar, ver e conhe*er, bem como se **loca* no lugar do out*o e coincidir com ele, assumindo se* horiz**te para, em s*a con*empla**o ver * que o outro vê e vive. * contemplaçã* do mundo é, portanto, uma face do ***do vista pel* *u, e ainda, em sua colocação n* l*gar do *utro, vis*a p*lo outro, mas nunca vendo * mundo, os dois, da mesma forma, mas si* por seus d*fere**es pontos em sua* internalidades de contemplado*. Rev. FSA, Ter*sina, v. 15, n. 3, art. 11, p. 2*2-233, mai./jun. 201* ww**.fsanet.com.br/r*vista O Que Jobs Diz? A C*nstru*ão do *erói p*r Meio do Discurso 219 Na *o*ição do outro para mim, *uanto Bakhtin (1997) se identif*ca *om o outro, el* se colo*a na posição de viven*ia* * sentimen*o e * dor do outr*, como u*a condição necessária par* a *de*tific*çã* e de um conhe*imento produtivo, **a fo*m* de consciê*cia *o herói e de s*u mundo, e que se prende* a um *cabamento ef*tuado *e *ora, a partir da consci*nci* que o outro terá dele - o autor-co*temp*ad*r. Em uma i*terposição *a visão discur*iv* de B*khtin (1997), *le *e*ata a *ransposição de um sonho para * pl*no d* disc*r*o, em que * personagem *rincipal * levado a* p*ano dos out**s personagens, *e forma que todos os *ntegrante* do s**ho serão percebidos pelo *uvinte c**o estando *o *es*o plano, *e *orm* que o personage* principal seria o eu, enquanto para o ou*int* todo os personagens sã* * *utr*. Para * autor, essa é a me*m* vi*ão que leva o leitor de um romance ou ouvinte de *i*tória a um devaneio, de acomp*nhar a persp*ctiv* da h*stória do herói, assim com* todos *s per*onagens *a figu*a do outro, p*rém ** a his*ória di*e*io*a*a e det*rmin*da pe*o romance que o leva a se **entif*c*r como o prota*onista. P*ra tanto, o au*or entende *omo a possibilidade de ext*rnaliz*ção *a própri* image*, a f*m de conte*plar a percepçã* de fora, de forma a tran*por a *inguag*m interna de per*epção própria para a ling*agem ex**rna, e*qua*to homem entre ou**os homens, enquanto herói entre *utros *e*óis. No entendimento do a**or: É fácil sub*tituir essa tarefa por uma tarefa especula*iva: não há n**a mais simples *ar* *eu pensamento do *ue me situar no *e*mo *la** qu* os ou*ros, *ois *m meu pe*same**o abstrai*-m* do *ugar que eu úni*o h*mem *odê-lo ocupo n* a existência e abstraio-m* também da un*cidad* visível-con*r*ta do mu*do (p. 51). Portanto, Ba*h*in (1997) entende que, n* q*alidad* de protag*nista de p*ópri* *ida *ea* ou i*a**nária é possível v*venciar-se num pla*o diferente d*quele e* que se situ** as outras personagens da v*da da *ual s* faz pa*te e d* próprio devaneio. C*m *sta visão, Bak**in (1997) com*ar* a visão dele m*smo *i*nte ** espel*o, em que ele permanece nele mesmo * se vê no refle*o que n*o * u* componente da v*vên**a n* mundo, de modo que ele próprio vê s*u reflexo físico, *as não se vê por c**pleto, *ois o aspect* fí*ico não contem*la o s*r por in*eiro. Para o autor, *a f*ente de um espe*ho, qu**e se*pre posa*os, adotan*o est* *u aq*ela expressão q*e nos parece es**ncial e des*jável. (...). Nunca é nossa alma, singu*ar e ún*ca, *ue se *ncontra ex*res*a no acontec*mento-conte*plação: sempre se i*troduz u* segun*o p**ticipante o outr* fi**ício, * autor não fund**entado e não a*torizado; não estou so*inho q*ando me o*ho no espelh*, estou sob * domínio d* outra alma (p. *3). Rev. *SA, *eres*na PI, v. 1*, n. 3, a**. 11, p. *1*-23*, mai./jun. 20*8 ww*4.fsanet.com.b*/revista J. P. N. Silva, A. L. O. Castro, A. L. Neves, M. A. V*llar*e-Neder 220 Bakhtin (1997) disco*re s***e a vivência d* aspecto físico do ser, que só é possível na figura do outro, não *a figura pró*ria, s*ndo p*r* is*o visto como um *lemento do *undo e**erior. *m cont*apon*o, Bakhtin (1997) declara que * home* não pode **ntar a si mesmo num tod* exte*ior, de form* qu* vive a vida na categor*a do próprio e*. Ass*m, par* ele: Enquanto a rep*e*entação que tenho do o*tro c*rresponde à *isão total qu* *enho efetivamente dele, a r**res*ntação que *enh* de mim é u*a construç*o da mente e não *o*respon*e a *enhuma percep*ão e*et*v*. O e*sencial da*uilo que c*ns*itu* a vivê*ci* r*al de mim mesmo permanece além da minh* vi**o ex*e*ior (p. 56). A constru*ão propos*a por Ba*htin (1997) da visão própria do eu faz menção um* a construção menta* do próprio ser, sen*o que uma vi*ã* tot*l *o eu só é possíve* *e co*te*pla*ão através do *utr*. Nesse s**tido, a f**m* concreta da vivência real do homem emana de uma corre**ção entre a* repr*sentaç*es do eu e do out*o, sendo qu* na *enç** ao autor, "*ivencio * *u do outro de um modo totalmen*e diferente daque*e como vivencio meu p*ópr*o *u" (p. 57). Par* compreensão deste princípio, * *u, * tido c*mo ún**o sujeito, *orta*to só o eu pode se ***ac*onar co* re*to do m*ndo (o o outro), te*do o m**do em si c*mo objeto de co*hec**ent*, s*nti*ento, vontade e emoção compartilh*dos. *es*e s*ntido, é **s**v*l compreender qu* Bakhtin (1997) tra* o **-*a*a-*im no at* da minh* visão do ser, da próp*ia sensação, d* pr*prio pensamento, e não no objeto v*sto ou sentido, onde o *utro é ligado ao *u*do, *nde "só ao outr* eu posso cobrir co* minha ativi*ade, só *ele posso **lorar os lábio* c*m meu* láb*os, só dele p**s* abraçar o co*po inteiro * a al*a *lo*ada nele" (p. **), onde is*o não é po*sí*el viver no to*ante do p*ópr*o se*, o eu, é lig*do à atividade interior, f*ra do mundo. *m Bakhtin (199*), o c*nhecim*nto introduz u*a corr*lação *o e*, co*o únic* ser, dete**inado no *spaço, tempo * destino, enquanto em opo*iç*o a todos *s outr*s home*s, se *ransform* em o*jeto e não e* suj*ito d* c*nhe*i**nt*. Para * a**or, n* visão da c**pr*ensão e da externali*a*e do mund*, *nde el* intro**z a internalidade e e*ternalida*e dos seres, "*eu corpo é, basic*men**, um corpo interior, o corpo do outro é, b*si**mente, um corpo e*terio*" (p. 65), e ain*a no tocante *a internalização e exter**l*zação dos *entimentos, d* forma que "Há um* difer*nça qualitativa ent*e meus s*f*ime*tos, meus temores, minhas *leg*ias e *s sofrim*ntos, *s te*ores * as alegrias que s*nto pelo outro" (*. 66). Ne*se sentido, pa*a *akh*in (1997), o heró* po*sui uma vivênci* do pró**i* *orpo, como ser inter*or, que se envolve c*m o mu*do ex*erior, o outro, o autor, "à q*al co*responde a dupla orien*ação ativa do aut*r * do contemp*ado*" (p. 78). Ne*sa v*são, para * autor, "o Re*. FSA, Teresina, v. 15, n. *, art. 11, p. 212-233, mai./jun. 20*8 www*.fsanet.com.br/rev*sta O Que Jobs Diz? A Co*strução do H*r*i por Me*o do D*scurso 2*1 valo* estético se r*aliza q*ando o co*templador se aloj* dent*o do ob*eto contemplado, *uando vivenci* * vida do objeto de s*u interior e quando, no l*mite, *ont*mplante e contemplado coincidem" (p. 80). Nessa visão, Bakhtin (1997) apo*ta para * oposiçã* e*tre o eu e o outro, para rea*iz*ção int*gral do *alor e*t*tico, de **rma que seja p*ssível se*t*r a compa*xão pela tragé*ia do herói, sentir a sup**io*id*de pelo herói c**ico, sentir a pr*pria in*ign*ficânc*a ou sua superioridade mo*al (d*ante *o *ubli*e). *od*s esses sentime*tos supõem uma oposição v**or*tiva entr* o eu (co*tem*lante) e o outro (*ontem*lado). Pa*a Ba*htin (*997), em relaç*o a* eu e o outr*, o t*do no mun*o, onde nã* é poss*vel *ompreender * emo*ão do *o*imento de massa, pois seria nece*sária a compreensão p*ofu*da individual *e todos os seres. Este seria *m c*njunto complexo, pois *ada personagem ocu*a uma posição únic* n* decorrer dos *co*tecimentos, d* fo*ma que o autor *e *xp*ess*: "P** ma*s que eu *iven*ie cada uma delas (a posição de t*do* os outros), *ão *ompreenderei melh** * t**o do a*o*tecime*to *ue imp*ica u* ponto de vist* *xo*óp**o a *ada uma das pe*sona*en* em par*icular e ao conjunto *ue consti*uem" (p. 82). Nesse s*ntimento, para viv*nciar o t*do d* mun*o, é preciso vivenciar o autor, só assim s* alcança o todo da obra, onde "cada u*a das *e*sonagens ex*ressa a *i mesm*, o tod* da obra exp**ssa o autor" (p. 82). Na visã* bakhtiniana, V*venciar * autor, na própria me*ida em que este se expressou a*ravés de *m* o*ra, não é par*ici*ar de *ua vida inte*ior (suas a*e*rias, seus sofrime*tos, seus dese*os, sua* aspirações) no s*ntido *m q*e *iv*nci**o* * herói, mas é part*cipar do escopo *ue orie*ta sua at*v**ade com relação ao objeto *xpresso, ou seja, é co-cria* (Bakht*n, 1*97, p. 82). Nesse confronto da visão entre o eu e o outro, é import*n*e relacio*ar a *rie*tação *a*a a *orma, pa*a expressar o mundo inte*ior (* do he**i? O do autor?), *ssa f*rma *ue e*ana do objeto, c*mo expressão do obj*t*, uma autodeterminação do ob*eto que, para *akhtin (1*9*), * como u*a imp*ssibilidade de se e*plic** a forma i***rior para a c*mpr*ensão total *o herói. Assim, Bakht*n (1997) trata do problema e* relação ao herói e o *u*or-espectador, onde o a que*tão do autor-esp*ctad*r co*siste e* viver o herói. Pa*a Bakhtin (1997): O ator prati** a*o *e *riação esté*ica q***do, de *ora, cria * dá form* à imag*m do h*rói e* q*em, d*poi* disso, vai encarnar-se, quando cria e**e herói como um todo que nã* * considerado isoladamente, mas que se insere, como elemento, *o *odo *a obra; em outras palavras, quan*o é autor, ou, m*is ex*tamen*e, c*-*utor ao *esmo Rev. *SA, T*res*na PI, v. 15, n. 3, *rt. *1, p. 212-233, mai./j**. 2018 www4.fsane*.com.br/revista J. P. N. Silva, A. L. O. Cast*o, A. L. Neves, *. A. Villarte-Neder 222 te*po qu* d***tor e espectador at*vo (e pode*os, com a e*ceção de c*rt*s aspect*s téc*icos, pôr um sina* de igualdade entre esta* funçõ*s: autor = *ir*to* = espec*ador = *tor) do *erói que ele repr*sentará e d* p*ça em seu todo, porqu* * ator, como o autor e o diretor, cria o her** iso*adamente, e* fu**ão do todo da p*ça, que n** é, por sua vez, senão um eleme*t* *o todo que * herói con*titui. É nes*e *entimento entre herói, autor e especta*or que é possível compree*der a *ireção d* **nsam*nto Bahktiniano de eu-para-mi*, eu-par*-o outro, e o outro-para-mim, no tocante d* posição do eu e do outr* em relaç** ao mundo. Onde não é po*sível vive*ca* isoladamente o sentimento do herói, ma* o* *tos do he*ói, de fo*m* *ue o* percebo ne*essá*ios à medida que me identific*, ao viven*ia* *eu* sofri*entos, seu ódio, etc. De acordo c*m Bakhtin (1**7), n*m entend*mento de como s* relac*on* com as pos*ç*es do eu e d* o*t*o no mundo, A *rte possibilita-me viv** vár*as vidas em vez de uma só, e *om *sso enriqu**e* min** e*peri*nci* pesso*l, *ossibilita-me partici*ar interna*ent* d* outra vid*, em no*e mesmo dess* outra vid*, em nome do si*ni*icado que ela comporta (de se* "signifi**do humano" segu*d* Lipps e Volkelt). Na repr*sentaçã* *a arte, Bakhtin (1*97) concebe a compreensão da vida do *er e do out*o, sua v**ão de den*ro do ou*ro e d* d**tro do mundo, e sua *imit*ção *o qu* o eu pode ver, *r*s* dentro de sua inter*alida**. N*sta visão, a forma expressa a atividade do autor a res*eito do out*o, do *erói, é o resulta*o *a in**ra*ã* entre * herói e o autor. De outra for*a, não traria vantagem a fusão en*re o eu * o outro, um* v** q*e o *u*r* só verá e saberá o que o eu ** e sa*e; logo, *ue é pref*rível que o *utro pe*maneç* externo, pois, c*nforme Bakhtin (1997), "é a pa*tir da su* posiç*o que pode ver e sab*r o que, a parti* da min*a *osiçã*, não ***so nem ver nem s*ber, sendo as*im que ele p*derá enriquecer o ac*ntecime*to da min*a vida" (p. 102). Quanto *o acontecimento estéti*o, el* ocorre a part*r do e*contro de *ua* co*sc*ências, o eu e o outro, onde o he*ói é viv*nciado int*irament* em seu corpo *oncebido co*o fronteira estética, d* forma encarnad*. Entã*, para Bakht*n (1997), "é justa*ente e*se en*ontro de do** movim*ntos opera*do-se na s*pe**ície do *omem que *á consist*ncia aos valore* *e suas fronteiras, ac**de a centelha do valor estético" (p. *06). Na *isão de *akhtin (1*97): O cor*o e**erior *o homem, suas f*o*te*ra* *xteriores e seu mundo *ão *ma coisa *ada, nece*sária e in*lienável *o dado existencial. (...). Na medida em que o artis*a lida co* * existência do hom*m e *om seu mund*, lida tam*ém com o* seus *ados Rev. FSA, Ter*sin*, *. 15, n. 3, *rt. 1*, p. 2*2-233, **i./jun. 2018 www4.fsanet.**m.br/revista O Que Jobs D*z? A Constr*ção d* *erói *or Meio ** Dis*urso 223 espaciais, com sua* *ronteiras exter*ore* e, qu*ndo *ornece uma transposição estética d*ssa existê**ia, precisa t*mbém t**ns*or * **teriorida*e do *omem (p. 109). Nessa per*e*ção, a fronteira exte**or é * que l**ita o h*mem de s*a *elação com o mundo, a existên**a do *u, interno, e do outro, do mundo. No sent**o p*ét*co, o po*ta cr*a * as**cto físic*, fo*ma e*pacia* a d* herói e do *e* mundo, * rela*ão do eu herói e **a constru*ão do eu-par*-mim e do eu-p*ra-o outro, ass*m como, d* outro-para-mim, *o m*ndo *a poesia, tal qual no rea*. Para contem**ação na obra de ***ação verbal, a mesma *onsider* cada um dos her**s de fora, d* f*r*a *ue, é de f*r* que dev*m*s segu*r os h*róis, e não de dentr*. A co**reens*o do conteúdo, *ue está enraizado na construç*o e na vida do herói, assim *om* sua forma, não podem s*r explic**os de **a única consc*ência, ten*o ne*essida*e que haja dua*, que *arti**e* as front*ira* do co*po, a externali*ade visual e de sentimentos, e *ue r*aliz*m o enco*tro e o dom da for*a artísti*a. Bakh*in (1997) ent*o indaga: "Co** se*ã* repr*sentadas, *a *bra *e cri*ção verb*l, *s cois*s do *undo exterior relativ*mente ao *erói? Qual será o lug*r que essa* c*isas ocuparão ne**e mu*do?" (p. *11). Estes do*s mo*os com*inatórios são po*síveis na visão de dentro do her*i, onde é possível a *ontemplação de seu horizonte, sua consciência de *orma *onsciê*cia ativa e at*an*e, e de fora do herói, n* conte*plação do seu ambiente. **ra ta*to, a contemplaç*o reproduzida *a *bra, con*orme explica Bakh*in (1*97), deve ter relaçã* com o he*ói, senão fica fora da obra (fora da an*lise), de forma *** a relação *om s*u princípio *e acontecimentos só * d**a dentr* da con**iência q*e o herói t*m de s** vid*. Nesse sen*id*, * ordenação que transc*nde a *onsciência do herói, o *undo ext*rno, vis*o na *orma de cores, linhas * *ol*mes, são as fronteiras extremas do corpo, porque que "não existe nos *eus valores se*ão no outro e para o outr*". 3 ANÁLISE D* DISCURSO Em 12 d* jun*o d* 2005, o então *emorável presidente-executivo da Apple Compu*er, Steve Jobs, foi convidado a profe**r um discurso p** oca**ão *a forma*ura dos alunos da *ni*ersi**de *e Stanford, *os Estad** Unid*s. Na *p*r*uni*ad*, todos *s p*r*icipa*tes estão trajando roupas a carát*r para a ocas*ão, e os f*rmandos enc*ntram-se d*spostos em um ambiente a céu a*er*o, em um formato *e au*itó*i*, es**ndo de fr*nt* a um palco *ue abri*a as auto*idades ali pr*sentes, i*cluindo * a*tor do discur*o aqui analisad*. Rev. FS*, *eresina PI, *. 15, n. 3, ar*. 11, p. 212-233, mai./jun. 2018 www*.f*a*et.com.b*/revista J. *. N. Silva, A. L. O. Castro, A. *. *ev*s, M. A. Vi*la*t*-Neder 224 Ele se d*ri*e a um p**pito *e m*deira e, *o microfone, *gra**ce aos aplausos qu* recebeu. Tal d*scur*o pr**erido estru*ura-se pr*v*am*nte em um* si*p*es intr*dução, em *ue Stev* Job* se diz h*nrado em estar presente no evento, *al q*e vem menci*nar q*e o *o*ento po* e*e a*i viv*nciad* chega a ser o que mais se aproxima de uma formatura em uma facu*d*de, com *elação a *ua pessoa, um* vez que n*nca se formou. Em seguida, , diz: ho**, eu gost*ria de c*ntar vocês ***s *istóri*s da minha vi*a. E iss*. Nada demais. Ap*nas a é trê* histórias. 3.1 A primei*a históri*: s*bre ligar os pontos A narr*tiva de Ste*e Job* na primeira história ret*ata a *ua o*ig*m em um percurso de adoção, o qual foi recusa*o por uma **mí*ia que havia sido *revia*ente acord*da, de ú*t*ma hora, pelo fato de *ão se* uma meni*a. Por *ent*ra, Steve foi de**ina*o a *utr* famíl*a, que *ev*ria *er ce*to grau de instrução a**dêmica, e com a exigênc*a de qu* deve*ia cursar a **culdade *o co*p**tar 1* anos de id*d*. E **sim fo* feit*. *oré*, sei* meses depois, ele *ão perceb*u o valo* e* se gast*r a e*onomia d* s*us pais adot**os, em algo *u* nã* est*va dando retorno. Logo, se ause*t*u d* fa*uldad*. Todavia, *al d*cisão proporcio*ou-lhe ex*eriênci*s inigualáve*s que *mp*ctaram diretame*te na criação do Ma**nto*h, 10 anos depois. Após esta co*te**uali*ação, seguir, apresenta-se *s an**ises do excedente *a visão a estétic*, na forma espac*al do herói *e Bakh*in (199*). *ara compr*endermos Steve *obs *ara si mes*o (eu-**ra-m**) nesta primeira hi*tória, é *mpo*tante de*tacar *u* ele atr**** ao fato de ser a*otado al*uma r*s*onsabi**dade p*lo desen*adeamento de algumas situações que ocorr*ram ao l*ngo *e s** v*da. Esta frustração *o* a sua origem familiar é narrada em: mas, quando eu apareci, eles decidiram *ue qu*r*a* mesmo u** m*nina,e, ap*re*eu *m *a*oto, vocês o *uerem? Eles disseram: É claro. Jobs justifica que tu*o começ*u *ntes de (eu) nascer, e a pres*ão exercida s*bre ** p*r ter de ent*ar e* uma faculdad*, * fez a*a*donar o Reed Coll**e *e*ois d* seis meses, pois, em *uas pa*avras: eu não t*nha *deia do q*e queri* fazer na mi*ha vida * menos id*ia ainda de como a universidad* pode*ia me ajudar n*q**la esc*lha [...] e então decid* largar e acre*itar que tudo ficaria ok. O *hoq*e de tal decisão f*i mu*to *ssustad*r naquela época, *as, olhand* pa*a tr*s foi uma d*s m*lh*res decisões, que Steve *iz t*r fei*o, cuja c*r*osidade e intuição, mostro*-se mais t*rd* ser d* u*a importância s*m preço. A i*vestida em um m*ndo q*e não regraria o proc*sso criativo d* Steve Jobs, p*oporci*nou-lhe a liberda*e de fre*uent*r as aula* no*mais *ev. FSA, Teresi**, *. 15, n. 3, art. 11, p. *12-233, *ai./jun. 2*18 www4.fsa*et.com.br/revista O Qu* Jobs *iz? A C**strução d* Heró* por Meio do Discurso 225 * ass*stir as au*a* de cal*gra*i*. En*ão, se e*e nunca tivesse d*i*ado aquele curso n* facul*ade, o Mac nunca teria tid* as f*ntes múlt*plas o* propor*ionalment* espaçada*. Portanto, * visão de Stev* Jobs sobre si mesmo nesta pr*meira hi*tó*ia, compreend* na ascensão de *m filho adotado que, na rebeldia em se desligar da *aculdade, propulsionou a c*nstrução de um futuro que *oldou em parte, a filosofi* da Apple. A sua v*s*o gira em tor*o ** um jovem desbravador, *ue arcou *om as consequênc*a*, sem **aginar e* qua*do os pon*os soltos de sua his*ória seriam c*ne*tad**, mas *l* s*b** *ue se deve acr**itar q*e, *e alguma forma, *les vão *e con*ctar no fut*r*. Em **a* palavras: *ssa manei*a *e *ncar*r a vi*a n*nca me *ecepci*nou e **m fe*to toda a diferenç* *a*a m**. No que se ref*re *o di**ci**amento de Jobs p*ra público o d* f*rm*ndos (*u-p*ra-o *utro), o seu discu*so re*lete a *m*a*ia *om o sentime*to maternal, de querer ver o fi*ho o*ter uma gradua*ão em *ma universidade, tal como o trech* que el* mencion* co*o critério para o aceit* de *ua adoção: ela só acei*ou meses mais *arde quando os meus pai* promet*r*m que al gum di a eu iri* para a faculd*d*. E, 17 a*os mais tarde, e* fui par* * facu*da*e. Ele comp*rt*lha d* s*cri*íc*o dos pais que al* e*ta**m presen**s, qu**to ao pagament* da mensa*id**e escol*r, fica*do evi*ente na fala: todas as economias dos meus pais, que eram da clas*e t*aba***dora, e*tavam sendo usados *a** paga* a* m*nsalid*des. *m outro a*o, relacionado a decisão d* a*a*do*ar os estud*s, Steve retoma a um dil**a pr*s*nte n* vida *os univ*rsitá*ios, sobre parar de assisti* à* matéri*s obr*gatórias q*e nã* (me) i*ter*ssavam e (come*ei) * fre*uentar aq*elas qu* pa*eciam interes*antes. É possíve* inferir que e**e pensamento * comum a t odos os universitários, que gostariam de de**car o seu tempo, ao conteúdo c*m o qu*l r*almente g*stam. A experiên*ia de Steve c*m a caligrafi*, que não pertencia à sua grade *e estudo*, ele a *efiniu como bonito, his*órico e artist**amente su*il d* *ma maneira **e a ciência não pode *ntender. E eu *chei *quil* tudo *ascinante. No*a*e*te, c*nec*ando os pontos, *teve J*bs deixa cl*ro que era imp*ssível *onectar esses f*tos ol**ndo para frente quando (eu) e**av* na facu*da*e. Mas a*uilo ficou muito, muit* claro olhando para trás *0 an*s dep*is. Ente*de-se que, quanto à ótica de *te*e *o*s para o público presente, existe um a *dent*f*cação de*e com *s situações que os es*udante* passam durante a sua g*a*ua**o, entre o* quais, os dile*as em se formar e a**nder às expectati**s *amiliares, à vontade de abandonar disc*plinas que *s alunos não en*ergam como nece*sá*ias, e a desc*berta pe*o fasc*nio que o *o** (uma *isciplina fora da *rad* curricular) pod**ia exercer sobre a formaçã* dos ***nos, qu* p*de ou não, ser útil no *uturo *rofis*ional. Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 3, art. 11, p. 212-233, mai./jun. 2018 www4.fsanet.c**.br/revista J. P. N. Sil*a, *. L. O. Castro, A. *. Neves, M. A. Villar*e-N*der *26 * possível pe*ceber, med*ante a pla*eia e o disc*rso d* Steve Jobs (outr*-para-mim), que a relação se estabelece nas dec*sõ*s, as *uais, em muitas oca*iõe* *s fo*mandos já se qu*stio*aram vez ou outr* sobre * fato de se ter escolhido, **ocen*ement*, uma facul*ade q*e era qu*se tão cara quanto Stanf**d [...] gast*ndo todo o dinheiro q*e os seu* (meus) *ais tin*am juntado durante toda a vida. Tor*a-se identificável no d*scu*so de *teve, as dif*culda*es de quem se submete a *assar pela facul**de, d***indo no chão do quar t o de amigos, ou ain*a, juntar dinhe*ro, ou se des*ocar *or longas distânci*s, em busc* de uma boa r*f*içã*, tal c*mo Jobs e, no final d*s c*ntas, a*ar aquilo. Em um ponto d* alívio *ômico, *in*a nest* primeira histó*i*, infer*-se que os *orman*os corroboram *om Steve **bre * questão da caligrafi* do Mac, quando ele *enciona q**, cons*derand* *ue o *ind*ws simples**nte cop*ou o Mac, é **m prov*vel qu* *enhum com*utador as tiv*sse (tais f*ntes). **essupõe-se q*e * p*atei* pre*ente converge em se *entir refletida n* experiência de *obs, que em seu discurso, compartilha das difi*u*dades que os estudante* s*frem no sistema de ensino, e suas parti*ular*d**es d* e*f*rç* pa*a s* manter. Sobre ligar os *o*to*, o des*echo gira em torno da decisão de Steve J*bs *m deixar a faculdade, e assistir ape*as às aul** de seu intere**e. Dez anos d*p*is, as au*as de calig*afi* fizeram a di*erença n* elab**ação da tip*grafi* de fonte* do Ma* qu*, graç*s a s u* genialida*e e persi**ência *m sua filoso*ia, con*e*uiu implementar a su* vo*tade no *esenv*lvimento des*e *roduto da Apple. 3.* * se*u*da hist*ri*: a*or e perd* Em sua segunda histór*a, Steve Jobs rel**a * per**r*o de *edica*ão e com**ometimento com o trabal*o duro desde c*do, *ue resultou no cresciment* exponenc*al *a Apple. Cont*do, *eci*ões equ*vocad*s e divergências com o *ons*lho *estor, o*asio*ariam sua d*miss** no fut*ro. Este *eríod*, de mo*e*tos em que *ão *e sabia * que faz*r até desenvolver a capacidade de re*o*eç**, p*opici*u aguça* ainda mai* o seu processo criativo, que mais tarde, o *olocaria de *o*t* na c*ndução da *pple. Um r**édio horrível, que o fez descobr*r o seu amo* pe*o que faz. A *eguir, aplica-se ao *on*e*to *o presente d*sc**s*, a formulação te*rica de Ba*htin (1997), * excedente da visão *s*ética. C o* * pro*ósito d* ident*fi*a* * visã* de Steve Jobs para si (eu-pa**-mim), *esta segunda histór*a, * fu*damental *er como bas* d*as situações mencionada*: a sorte *m descobrir cedo o que ele gostaria *e faze*, e o trabalho árduo junto *e *tev* Wozniak desde o* tempos de garagem, *ue permit*ram a Ap**e se transfo*mar e* um* empresa de 2 bil*ões Rev. FSA, Teresin*, v. *5, n. 3, ar*. 11, p. 212-233, mai./jun. 2018 w*w4.fsanet.co*.br/revista O Que J*b* D*z? A Const**ção do Herói *or Meio do Discurso 22* de dólares e m*is d* 4 mil em*regados. * então, ele *oi d*mit*d*. E, segun*o o *eu discur*o: o foco de tod* a mi*ha vida adul*a t*nha ido e*b*ra * isso foi de*astador. Fi*u*i sem saber o que fazer por *lguns *ese*. Tama*ha culpa o fez pensar qu* *l* havia decepcionado * g*ra*ão *nterior de empreend*dor*s. Daí vem a volta por cima. S*e*e, lentamente, co*e*ou a se *ar conta de que (eu) ainda amava o que faz*a [...], e, ser d*mit*do da Apple foi melhor c**s* * qu* podia ter acontecido, e* *uas pa*avra*. Isso de*-lhe m*ior l*berd*de para co*eçar um dos per*odos mais criativos de sua *i*a. A única coisa que o *ermitiu seguir adia*te, foi o *mor pe*o que *az*a. Portan*o, a *m*gem que Job* te* p*ra si, nest* d*s*urso, é o seu poder de reerguer-s* frent* * adversi*ades que surgiram ** s*u caminho **n*ro *a Apple. A saída do impér*o p*r el* criado não fo* m**i*o para deses**bilizá-*o, *elo contrário, propic*ou aguçar a sua capaci*ad* cr*ativa qu*, ma*s ta*de, res*l*ariam na *difi*ação da NeXT e da Pi*ar. Não pe*de* o amor pela a s*a f*losofi* de vida, pe*mitiu c*m que el* seg*isse em frente. Na perspe*tiva de Jo*s para os for*andos (eu-para-o ou*ro), esta *e**nda his*ória insere-s* **m q*es*ionamento: com* é o p*ss*vel ser demitido da em*resa que você criou? A*ui, Steve provo*a u*a indagaçã* ao público pr*sente. Ele sol*ci*na esta proble*át*ca, cont**d* que com o tempo, nossas *isões de *utu*o **meçaram a divergir [...] e, o conselh* de d*re*ores ficou *o lado dele (do diret*r que o demitiu). Aqui, * sua intenção é provoca* no auditório, um sentim*nt* de r*volta e indignação, propond*: em que se justifica a Apple de*itir a brilhante **nte que origino* **da a organização? Outro ponto nesta ab*rdagem tange ao heroísmo de Steve para *om o público, devi*o a sua capac*da*e de *ecuperação n* mundo corporativo. I*to fica claro n** trech*s ** que ele afirm* *u* a P**ar é o estúdio de an*mação mais bem suc*d*do d* mun*o, * a ina*reditável guinada d* e*ento*, em *ue a *pple comp*ou a NeXT. E na* palavras d* Jobs: eu voltei para * emp*esa e a tecn*logia q*e desenvolve*os ne*a *stá no coração d* atua* renascimento da Apple. Até o *e* convívio familia* melhorou. A percep*ão dos f*rmandos ** **u a*o heró**o, sob*e a sua c*pacidade de *econstrução, fi*a e*i*encia*a no c*n*elho qu* Steve J*b* dá ao fi*al desta *eg*nda h*st*ria: às ve*es, a vid* bate com um t*jolo na sua c**e*a. Não *erca a fé. [...] Você t*m q*e *esco*rir o q** você ama. Is*o é verda*ei*o tanto para o *e* tr*b*lho qua*t o pa* a c*m as pesso*s que você ama. [...] * *n*** manei*a de a faz*r ** *xcelente trab*lho é amar o que v*cê faz. Na persp*ctiv* dos fo*mandos *obre Stev* J*b* (out*o-*ara-m**), a visão q*e fi*a explicitada, * *ma noção d* arrependimento inicial que passo* pela mente de Steve, com base no t*e*ho: tentei me desculpar p*r t** estragado tu*o *aquela maneira. Foi um fracasso Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 3, art. *1, p. 212-233, ma*./j*n. 2018 www4.f**net.com.*r/rev*s** J. P. N. Silva, A. L. O. Cast*o, A. L. Nev*s, M. A. Villart*-N*der *28 públi*o e *u até mesmo pense* em d*i**r * Val* [** *ilício]. Todavi*, o *úblico também co*hece a outra face*a d* Jobs, q*a*do ele decide com*çar de novo. Ac*ed**a-se que os present*s no auditóri* a céu aberto, i*entificam-se co* a pressão que a so*iedade impõe *obre *s *uas fu*uras carre*ras profissionai*. Mas enquanto e **mo *ualq*er iniciante, ele* podem se sustentar na s**uinte fa*a: o peso *e ser be*-sucedido foi substituído *ela leveza *e s*r de novo um inici*nte, c*m menos certezas sobre tud*. O* fo***ndos se *espa*dam, sabendo que até *es*o Steve Jobs, *m *ia, começou, caiu, e se reergu*u no ambie*te **or*o*ativo. Outra ima*e* qu* f*ca consolidada para o público nesta *egunda his*ória, ref**e-se ao trech* em q*e Jobs *ecome*da aos formandos buscarem *ncansa*el*ente o que eles pret*ndem para a sua vi*a: se você ainda não encont*ou o que é, continue procurand*. N*o sossegue. Assim co*o *od*s os as*untos do coração, você sab*rá quando encontra*. A*ui, su*õ*-se que os forma*dos pode* ver a ga*ra, cor*g*m e determinaç*o q*e *teve, *eve de desenvol*er d*rante a cons*rução d* A*ple, os q*ai* el*s também de*e*ão seg*i*, p*ra co*segu*r atin*ir os *eus objetivos p*ssoa*s e p*ofissio*ais. *o desf*cho, a*ui, c**e o entendi*e*to de que Steve Jobs foi c*paz de conduz** a sua próp*ia reação, n*o s* entregando às *i*icul*ade* e obstáculos q*e aparecer*m *m seu c*min**. Tal *nsistência e perseveranç*, * colocou d* v*lt* à presidênc*a da Apple an*s m*i* *arde. P*ra os *ormandos, ele d*ixa o seu recado ao final des*a segund* história: então continue procura*do a*é você achar. Não so*segue. *.* A te**eira história: sobre a morte A m*rte a * narrativa que rege a te*c*ira histór*a no d*sc*rso de St*v* Jobs em Sta*fo*d. O qu*stio*a**nto im**ente sobre a morte su*giu *ara ele em uma fr*se, lida aos seus 17 ano* de idade: se você viv*r cada dia c*mo se *oss* o últ*mo, um dia *le rea*men*e se*á o último. Est* é o po**o de p*rti*a, para que *le d**onstre a irrelevância *o fracasso *ren*e a mor*e, e i*t*od*za o diagnós*ico de um câ*cer in*uráve*, encontrado em seu pân*rea*. Em outras palavras, prepa*e-s* para *or*er. Ines*erada*ent*, em **a nova biópsia, detectou-se *ue o tu*o* e*a uma forma r*ra, que poderia ser c*rado por u*a cirurgia * garan**r a sua *obre*ivência. *aí, *esenrol*-se uma *ef***ão sobr* à mort* como um agen*e de mudança, a limitaç*o do te*po e o que não *e deve fazer *nquanto vivo. Contextualizad* a na*rativa, abaixo an*lisa-se o ex*edente da v*são estética *e Bakhtin (1997). *a per*pectiva *e Steve Jobs para si (eu-*ara-*im), a mort* é iminente e, ao longo de 33 anos, ele se q*estionou: Se hoje foss* *eu *lt*mo o d*a, eu gostaria de fazer o que farei *ev. FSA, T*r*sina, v. 15, n. 3, *rt. 11, p. 212-233, mai./jun. 2018 w*w*.fsanet.com.br/revista O Que Jobs D*z? A C*nst*ução do *erói por Me*o do Dis*urso **9 hoje? Há um ano ant*s deste *iscurso, e*e havia si*o *ia**ostica** co* cânc*r incurá*el, e que eu não deveria e*p*rar viv*r mais de três a seis *emanas, tal que o médico aconsel*ou * ir para casa e arrumar as coisa* [...] significa diz*r adeus. Ele h*vi* sobre*ivido, até então. Em seu ponto *e vis*a, St*ve a*gumenta que *star morto em breve é a ferramenta *ais im*ortan*e que já *n*ontr*u para ajudar a to*ar g**nde* deci*ões, porque e*pe*tat*vas externas, orgu*ho, medo de pas*ar *ergonha ou f*lha*, cae* diante da morte, deixand* apena* o que é a*e*as *mportante. Em seu íntimo, el* via n* m*rte * ju*tifica*iva p*ra se, ao menos, t*ntar algo, independente do **sulta** ob*ido. Es*a experiência, por suas palavras: foi o ma*s pert* qu* eu estive *e encarar a mo*te e eu es*ero que s*j* o m*is *erto que vou fic*r pelas **óximas déc*das. T**s dizeres, anos ma*s *arde, n** se concretiza*am. Na ótica *e St*ve Jobs p*ra os formandos de Stanford (eu-p*ra-o outro), ele comp*rtil*a a su* *oç*o sob** a m*rte, como forma d* evitar a armad*lha de *en*ar que voc* *em *lgo a p*r*er. *ocê *á está nu. Não há razão para não seguir seu co*ação. Ele p*ofere *ue a *orte é *ui*o provavelme*te a prin*ipal invenção da vid*. É o agent* de mudanç* da v*da. Ela lim*a o *elho para abrir caminh* para o novo. Jobs situa *ue *s formand*s são os novos na atualid*de, e q*e, um di*, se to**arão velho* e abrirão espaço par* outro*. Neste ponto, ao concl*ir * *eu raciocí*io sobre a lóg*ca da morte e da **da, Steve *e posicion* para o público, como um amigo próximo q*e viven*iou a morte de perto. * com* um bom am*go, ele dá alguns co*selho* aos joven* que ali est*o *e forma*d*: O seu **mpo é limitado, então *ã* o gaste viven*o a vida de um out * o al*u*m. Não *ique preso pe*os dogmas, qu* é viv*r com os resul*ados *a vida d* outras pessoas. Não deixe que o baru*h* d* opinião *os ou*r*s **le a *ua p**pria *oz interi**. E o mais importa*te: te*ha coragem de *eguir o seu próprio cor*ção e a sua intuição. E*es, de algum* mane*ra, já sabem o que você real*en*e que* s* *ornar. T*do * *es*o é secundário. É prová*el *ue, na visão d*s formandos sobre Stev* J**s (outro-para-*im), h* u*a irreverente co*oção * respei*o, quanto * passagem qu* relata sobre a s*g*n** bió*s*a, ori*nda da bata*ha c*ntra * cânce* de pânc*e*s enfr*n*ad* por e*e: estava sedado, mas min*a mulher, que es*ava lá, con*ou que *uand* os médicos *iram as c*lu*** em um micro*cópi*, com*ç*ram a chora*. E** uma forma muit* rar* de câncer pancre*tico que podia ser curada com cirur*ia. Eu oper** * es*ou bem. Quan*o Stev* faz a seguinte n**rativa, fa*em-se not*ri* os aplau*os qu* os *o*mando* *irecion*m ao se* d*scursis*a. Ou*ro fato que, pr*va*elmente, foi a*s*m*lado pelo público, refere-se à no*ão d* mor*e, *ssim apresentada *or Jobs, a mor*e é o dest*no que todos nó* c*m*art*lha*o*. N*nguém nunca conseguiu *scapa*. *p*s *lguma* **lavras *obre "os novos qu* *ubstituem **v. F**, T*resina PI, v. 15, n. 3, a*t. 11, p. 212-**3, mai./jun. 20** www4.fsanet.c*m.br/revi*ta J. P. N. Silva, A. L. O. Castro, A. L. Ne*e*, M. A. Villart*-Neder 230 os *elhos", *á um cer*o *stran*ament*, que lo*o é concertado n* trecho *ue segue: *e*c*lpa ser tã* *r*mát*c*, m** iss* * a verdade. Nesse se**ido, *s form*ndos veem em *te*e um* pe**oa realista, que é c*nsciente do* fatos, *ondizente com a sua experiência *e quas* *orte. O *esf*cho proporc*on*do nesta terceira história *raz uma reflexão sobre * mort* e a i*sign*fic*ncia que o* problemas *o cotidiano tê* fr*nte a ela. Mesmo em uma situaçã* delic*da *e saúde, o exemplo de c*ragem e determinação dem*nst*ada por S*eve Jobs foi f**damental para a supera**o da doen*a da qu*l foi vít*ma. *s conselh** mencionados nes*a nar**tiva se fazem pertin*ntes à situação dos *ecém forman*** e a quem mais intere*s*r. 3.4 Encerr*ndo o discurso A*ós con*ar as três his*órias que foram pr*me*ida*, Steve Jobs fa* um resg**e do passado considerando os anos 60, antes *os comput*do**s e dos programas de p*ginação. En*ão tud* era f*ito com máq*inas d* escr*ver, tesouras câmeras Polaroi*. Em u* e *aralelo *ue ressalta um Google em for*a de livro, 35 an*s antes de o Go*gle ap*recer, e*e t*** o trabalho final das edições do Whole Eart* Catal*g, um* espéc*e de ca*álogo do mun*o, que foi lançado quando Steve possuía a *dade dos *orma*dos de Sta*f**d. Na contracapa havi* uma fotogra*ia de uma est*ad* *e i*teri** en*olara*a, daquele tip* onde voc* poderia s* achar p*dindo carona se foss* aventur*i*o. Abaixo, est*vam *s *alavras: "Continue com fo**, con*inue bobo." Foi *ue *s *ditores desejaram o para o* leito*es do último volu** do Whole Ea*th Catalo*. Stev* Jobs me*ciona que sempre *esejou i s t o par a si mesmo e agora, na opo**unida*e do discurso, d*seja o mesmo par* *s *ormandos: continuem com fome. Continu*m bob*s. Obrigado. 4 CON*ID*RA*ÕE* FINAIS A for*a espaci*l d* *erói no excedente da **sã* e*téti*a bakhtiniana, possibilita o *n*endi*ento d* uma posiçã* discur*iv* em três ca*pos de visão. O eu-para-mim *efl*te a imagem que o discursista te* d* si mesmo, o outro-par*-mim c*rre*p*nde *magem e à o efeito que o au*or *a fal* tem de *ua pla*eia, * o e*-para-o **t*o di* respeito à percep*ão q*e os ouvint*s têm s*bre a h*stória proferida do narrador. Tal ab*rdag*m po**ibilit* atingir o obje*ivo de ana*isar *s representaçõe* da h*stória de Steve **bs contidas *m seu dis*urso para os formandos de Stanford, v**ualizando as dime*sões do ex*edente da visão estét*ca * as intenç*es de co*stru**o de imagens *ue est*o presentes em *ua *a**. Rev. FS*, Ter*sina, v. 15, n. *, a**. 11, p. 212-233, m**./*un. 2018 w*w4.fsanet.*om.br/revista O Que Jobs Diz? A Construção do Herói *or Meio do Discurso 231 Na histó**a so*re *igar os ponto*, Steve assume uma visão de sua pessoa, que es*á carregada da vontade de de*bravar o mundo e e*tar disposto a arcar com as consequênci*s. E neste *ontex*o, sair da f*c**d*de e assi*ti* apen*s às au*as de s*u *nte*esse fi*eram a diferença anos m*is tarde, no *r*cesso de desenvolv*men*o do Macint*sh e da pró*ria App*e. No que t*nge à image* que ele p*ss* pa*a *s f*rmandos, p*rcebe-se q*e a ex*e*tativa *ami*iar, a *ecisão de **rsar ape*as as disc*plinas convenientes e a descobe*ta pelo fasc*nio d* novo, são *entimentos que estão e*pr**sos na m*nsag*m passa*a em seu discur*o. E na visã* da platei* sobre o disc*rsista há uma s*ne*gia sobre as *ificul*ades que ** est*dantes d* uma *raduação passa* du*ant* o se* **r**rso na fa*ul*ade. A segunda história t*az *ma reflexã* sobre o amor e a perda. Job* ressalta * poder de si m*smo para se reerguer e seguir em *r*n*e, **ós a demissão que o levou a *bando*ar o comand* da Apple. Todav*a, o seu *mor pe*o qu* fazi* não foi abalado, e *al situação o ajudou a desenvolver ainda mais a sua capacidade de c*i*ç*o, sobretu*o, na NeXT e Pixar. A *magem q*e * pas*ada para os f*rmandos corresp*nde ao heroísmo de s*a v**t* por *ima, *a situ*ção a qual vivenciou. N*sta n*rrativa, fica claro qu* amar * que *e faz, o apoio da f*míl*a e *ão perder a motivação, foram fundame*t*is para o desfecho *ue *esu*tou *a sua retoma*a do com*ndo da A*ple. Na per*epç** do* formand*s sobr* e*e, f*ca a mensa**m da **sca incessante em a**ngir os seus obje*i*os, mesmo que tal experiê*cia gere *l*uma situação ** arrepe*d*ment*, no *a*sado, p*e*ente ou futuro. A his*ória q*e encer** o discurso refere-*e ao p*der emblemá*ico que a possi*il*da*e da morte exer*e sobre as *essoas. Na ótica *e St*ve Jo** so*** si, o *ues*io*ament* consta*t* so*r* a eventualid*de de que todos os dias podem se* o últim* faz e*carar os desa*ios o *ot*di*nos co* m*ior **rilid*de, in*epe*den*e da di*otomia entr* o sucesso e o fracass*. A *magem que ele pa**a aos forman*os correspond* à *minência que a morte t*m de renovar o *iclo da *ida. Para que se possa introduzi* o novo, * vel*o dev* descansar. Portant*, alguns conselhos rel*cionados ao temp*, adversidad*s * det*rminaçã*, são *irecionad*s à plateia. E q*an*o a vitória sobre o câncer é ovacio*ad*, demon**ra-se a empatia qu* permeia a rel*ção *ntre públic* presen** e o discursista. A i*reverência e a imp*rtâ*ci* qu* **eve Jobs exerce sobre o contexto da *ecno*ogia, *obretud* n* que diz respei*o à b*sca *ela e*c*lên*i* * *novação de *rodutos, *az *om que a sua memór*a **ja preserv*da pela e*er*idade, colocando-o sempre *omo referência no ca*po te*noló**co. O disc*rso *or ele profe*id* em Stanford no a*o de 2005, ap***ce corriqueira*ente na míd*a como um **emp*o motivacional, o* *m con*ext*s *elaci****os à Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 3, art. 11, p. *12-233, m*i./jun. *0*8 www4.fsa*et.com.br/revista *. P. N. Silv*, A. L. O. Castro, A. L. Neves, M. A. Villarte-Neder 232 a*m**i*tração e ao em*reended*rism*. * sua his*ória d* vida e filosofia ** trabal*o *s*ará sempre *esguardada com* um dos ma*ores ino*adores no ram* da te*no*ogia. REFERÊNCIAS **ONSO, *. H. L* mirada cua*itativa em So*iolog*a. Madrid: Fun*amentos, 1998. BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. **ad*ção de Maria Emsantina *alvão G. *ereira. São *a*lo: Martin* Fontes, 1997. FAR*A, A. *. M. *nte*discu*so e intradiscur*o: d* teo*ia à metodolog*a. In: MENDES, E. A. M.; OLIVEI**, P. M.; BENN-IB*ER, V. (Org.). O n*vo milêni*: *nterfaces l*nguística* e lite*árias. Belo Ho*izonte: UFMG, 20*1. p. 31-37. FIORIN, J. L. Linguagem e i*eologi*. *ão Paulo: Át*ca, 2003. GA*KE*L, G. Entrevistas individuais e gru*ais. In: BA**R, M. W.; *ASKE*L, G. (Org.). Pesquisa q*al*tativa *om te*to, imagem e s*m: um manual *rático. Petrópolis: Vozes, *002. p. 64-89. *ODOI, C. K.; BALSIN*, *. P. V. A pesquisa *ua*itativa nos estudos organizacionais b*asileiros: uma análise bi*liométr*ca. In: *ODOI, C. K.; BANDEIRA-DE-MEL*O, R.; SILVA, A. *. (Org.). *esquisa qua*itativa *m est*d*s organizac*onais: paradigm*s, estratégias e *é***os. Sã* Paulo: Saraiva, 2006. p. 89-114. GO*OI. C. K. *erspec*ivas de an*li*e do discu*so nos estudos o*ganizacionais. In: GODOY, C. K.; *ANDEI*A-*E-MELLO, R.; SIL*A, *. B. (Orgs.). *esq*is* qualitativ* em estudos orga*izacionais: paradi*mas, *stratégi*s e mét*dos. 2 e*. São Paulo: Sar*iva, 2010. M*IN*UE*EAU, D. *ermos-ch*ve da *nálise d* d**curso. Belo H*rizonte: UF*G, 2000. P*ILLIPS, N.; DI DOM*NICO, M. Discourse analysis *n organizational *esearch: methods *nd debates. In: BUC**NAN, D.; *RYMAN, A. (Org.). The handbook of org*nizati*nal r*sea*ch methods. Lo*don: Sage, 2009. p. *4*-565. RES*NDE, V.*.; RAMALHO, V.C.V.S.Anális* de Di*curso Cr*tica, *o Mode*o Tr*di*ens*onal à Arti*ulaçã* entre Práticas: implic*ções *eó*ico-metodol*gi**s. Lingu*gem em (D**)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n.1, p. 1*5-207, jul./dez. 200* SAUSSURE, F. de. Curso de li*gu*st*ca gera*. *ão Paulo: Cultrix, 2006. SOUZA, M. M. *. de; C*RRIERI, A. de P. A análise do dis*urso em estudo* *rgan*zacionais. I*: *OUZA, E. *. d*. (Org.). Metodologias e analíti**s qualitativas em pesquisa organiza**onal: uma abordag*m teórico-conceitual. Vi*ória: EDUFES, *. *3- **. *014. Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 3, art. 1*, p. 2*2-2*3, m*i./jun. 2018 *ww4.fsa*et.co*.b*/revista O Que Jo*s Diz? A Construção do Her*i por Meio do Discu*s* 233 Com* Refer***iar este Artigo, confor*e AB*T: SILVA, J. P. N; O. C*ST*O, *. L; NEVE*, A. L; VILLARTE-NEDER, *. A. O Qu* J*bs Diz? A Cons**ução do He*ói p*r *e*o do *iscurso. Rev. *SA, Tere*ina, v.15, n.3, art. 11, p. 212-233, m**./jun. *0*8. Cont*ibuição dos A*tores J. P. N. Sil*a A. L. O. Cast*o A. L. Neves M. A. Villart*- Neder 1) c*nce*ção * p*aneja*ento. * X X 2) análise e *nterp*etação dos dados. X X X X 3) ela*oração do rascunho o* na revisão crítica do *on**údo. X * X *) participação na aprovação da versã* fina* do *anuscr*to. X X * X Rev. FS*, Teresina PI, v. *5, n. *, *rt. 11, p. 212-23*, *ai./jun. 2018 www4.fsanet.com.br/revista

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