Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.fsanet.com.*r/revista
Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 3, art. 10, p. 198-211, *a*./ju*. 2018
ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.10
Riobaldo e Diadorim Sob uma Ve*t*nte Homoe*ót*ca
Rio**ldo and Diador** Under a Homo*rotic Persp*ctiv*
E*anoel Ces*r Pires de Ass**
Dout*r em Liter*tur* pela U*i*ersida*e Federal de Santa Ca*ar*na
Professor da ***versidad* Estadual do Mar*nhão
E-mai*: emanoel.uem*@gmail.com
Irisle*e e *ilva Coutinho
G*aduanda e* Li*enciatu** em Letr*s/U*iversidade *s**dual do M*ranhão
irislene_*o*tinho@hot*ail.com
Keur* Carolaine Pereir* da S*lva
Graduand* em L*ce*ciat*ra em Letr*s/U*i*ersidade *sta*ual do Maranhã*
E-mail: keurycarolaine@outlook.*om
Endereço: Ema*o*l *e*ar *ires *e As**s
Universidade E*t*dual *o Maranhão - *EMA. Praç*
*d*tor-Chefe:
Dr.
Tonny
Kerle*
de
Ale*c*r
Duque de **x*as, s/*. Morro do *lecrim. CEP: **600-
Rodr*gues
00*, Caxias-MA, *rasi*.
Artigo re*ebido em *4/02/20*8. Última
v**são
Ender*ço: Irislene e S*lva *o*tinho
recebida em 22/*2/*018. Apr*vado em **/02/201*.
Universidade Estadu*l do Ma**nhão - UEMA. Praça
Duque de C*xias, s/n. M*rro do Alecrim. CEP: 65600-
0*0, Caxi*s-*A, Brasil.
E*dereço: Ke*ry C*r*lai*e Pereira da S*lva
Universidade Est*dual do Ma*anh*o - *EMA. Pr*ça
Duque de Caxias, s/n. *orro do Ale*ri*. *EP: 6560*-
000, Ca*ias-MA, *r*sil.
A*aliado pelo siste*a Tr*ple Review: Desk *eview a)
pelo Edit*r-**ef*; e b) Double *lind Review
(*val*ação cega po* dois avali*dores da área).
Revisão: Gramat*ca*, No*mativa e de Formatação
Rioba*do e Di*dor*m Sob uma Vertente Homoeró*ica
199
RES*MO
O *bjetivo d*ste artigo é analisar em Grand* Sertão: Ve**das, de João Guimarães Rosa,
a
re*a**o h*moafeti** pre*en*e ** texto, mai* preci*amente o *ínculo afet*v* existe*te entre as
personagens R*o*a*do e Diadori*, paixão essa ine*p**c*v** e impossível *utrida no Grande
S*rt*o cri*do por Ro*a. E, dessa f*rma, com*reender como o autor representa essa t**ática
em seu rom*nce tentando, assim, desve*d*r de que m*neira o am*r *o*oerótico é inserido na
tessit*ra da nar*a*iva.
Palavras-chave: G*ande Se*t*o. Veredas. Homoafetivida*e. Am*r.
Abstract:*he *urpose of t*is article *s to ana*y*e t** hom*a*f**tive re*ati*n **ese*t in *h*
text, *ore p*ecisely th* a**ective *ond ex*sting b**w*en the char*cters Riobaldo and
Diado*im, a passion that is inexplicable a*d impossible to nourish in G*ande Sertão: Veredas,
by the writer *oão Gu*marães Rosa. And, in thi* way, to und*rst*nd how *h* auth*r represents
this them* *n hi* novel, tryi*g, thus, to disc*ver how homoerotic love is inserted in **e texture
of the na*rative.
Keywords: Gra*de Ser*ão. Veredas. Homoaf*ective. Love.
Rev. FSA, Teresina P*, v. 15, n. 3, a*t. 10, *. 198-211, mai./jun. 2018
www*.fsanet.*om.br/revis*a
E. C. P. Assis, *. S. Cou*inho, *. C. P. Sil*a
200
1 INTRODUÇÃO
João *uimarães Rosa foi u* br*lhante escri*or da literatura
bra*ileira. Tinh*
um
grande apre*o por línguas; p*r causa disso, assom**-lhe o interes*e em
estudar d*versos
idiomas estra*g*iros, s*m*ndo-se mais de 5 língua* em que era *luente. Por isso, li*ava *o*
*aestria em rela*ão aos *iferente* tipos d* "linguagens"
que desenv*lv*a *m se*s
exempla*es. Sua obra foi im*ns*ment* inovadora, o*ig*nal e *articul*r, m*rcada pelo
regi**alismo q** o autor conseg*i* universal*zar * pa**ir de sua linguag*m *rópria, repleta de
neolog*smos. Guimar*es fez parte
d* terceir* geração do *od*rni*mo, tam*ém conhecida
*omo Ge*ação de 45, contrapo*do-se * es*ola *iterária an*erior
q*e con*i*tia em estab*l*ce*
u*a lit*ratura na*ional for*ificad* por meio d* diferentes manifesta*ões artíst*cas. A ger*ção
de 45 rompeu com os p**rões estabe*ecidos m*nifestando, deste modo, grandiosas i*ovações
na *esqui** es*ética, ao empre*ar o dis***so dir*to e o dis*urso indireto liv*e nas *x*ressõe*
l*te*ári*s.
Sua *s*rita era considerada por alguns *omo sendo de di**cil compreensão, *ois se
trata*a de *m esti** p*rticular, d*ferente d*
usado, corrique*ra*ente, pelos escritores
que
*
ant*cedera*. Em suas obra*, ele extern**a sua pe*quisa li*guíst*ca e atingia grandiosos
efeito* com a s**oridade de s*as fra*e*. **a *e*iali*a*e requ*ntada e bem e*abo*ad* *ez com
que o *niverso
particular e cultural,
*ue * o s*rtão, se unisse com a própria u*iversalida*e.
Rosa criou seu regio*a*is*o at*avés das di*er*as v*a**ns que fez ao in*e*ior do Brasil,
por
con*eguinte, conviveu co* pe*q*isador*s pa*ticulare*. * ex*m*lo disso, te*o* os jagunços,
vaque*ros, *****éis, peõ*s, prostitutas e beatas, *ue ele viu,
conversou e
estudou. Apoiado
**sso, Candid* *i* que:
A ex*eriênci* do*ume*t**ia de G*i*arães R**a, a observa*ão da vida sertaneja,
a
*aixão
pela **is* e *elo *ome
da coisa, a capa*idade de e*trar *a
psicologi* *o
rústico, - tu*o se transfo*mou em sign*fic*do *n*ve*sal graças à inv**ç*o, que
subtrai l*v** à matri* regi*nal *ara faz*-lo ex**i*ir os grand** lugar** comuns, o
sem os quais * arte nã* so*revive: do*, júbilo, ódio, amo*, morte, - para *uja órbita
n*s *rr*sta * cada ins*ante, *ostrando que * *i**resco é *cessório e que na v*rdade *
Ser*ão é o Mundo (*ANDID*, 1*78, *. *22).
O r*mance escrito por Joã* Gui*arães Rosa enc*n*ra-s*, segu**o Candido (1*78), na
s **
perf**ta reali*a*ão, *o*o um produto forte e b*lo. Nascido na van**a*da da *ar*ati*a
c*ntemporâne*, Gr*nd* Sertã*: Ver***s foi que*tionado e
c*nso*idado internacionalmente.
Isso fez com que a ob*a fic*ional de Rosa fosse traduzid* para diversos idioma*. Devido ao
Rev. FSA, Tere*ina, v. 15, n. *, art. 10, p. 198-211, mai./*un. **18 www4.*s*net.co*.br/revi*ta
Rioba*do * D*a*orim *ob uma Ve*ten*e *omoe*ótica
201
sucess* literário do e*crit**, o seu **m* foi **dicado *a*a o Prêm*o Nobel de Litera*ur*
(196*). Al*m do p*êm*o da Academia Brasileira de Letr*s co**e*ido a Magma, Guim*r*es
Rosa re**beu o prêmio Feli*e d\Oliveira *elo livro Sagar**a (1946). G*an*e *ertã*: Vereda*
(GS*) r*cebeu o *rêmio Machado de A*sis (196*), *o Insti**to Na*ional do Li*r*, e o prêmi*
Carmen Dol*res Barbo*a (1*56), e ainda *
prêmio P*ula B*i*o (*957). Prim*iras estór*as
re*ebeu o prêmio do PEN clube do Br*sil (1963).
Est* ar*igo *em c*mo objeti*o anal*sar a *elação homoafetiva presente no te*t*, mais
precisa*ente o vínculo af*tivo e**sten*e entre as perso*age*s Riob**do e Diadorim. Em GS*
exi*te uma c**figuração d* falas que i*duz a temática *o *omoerotism*, des*e ** anseios *o
campo da amizade *té o desejo *ropr*am*nte *moroso expre*so n* *agu*ço Riobaldo, amb*s
os per*onag*ns rev*l** comportamentos alheios ao universo em que *ivem, sert*o, lugar d*
brut*lidade e a*i*ude* menos sen*imenta*s.
2 *EFER**CIA* TEÓRICO
2.1 O *omoe*ot**mo e a O*r* Literári*
A l*teratura de temática homoafetiva é ainda con**d*rada uma p*o*ução *as minorias,
com um h*stórico de pe*quis*s * sis**m*tização de para**gm*s que vem s* *o*ta*e*endo,
no
c*mpo *a *rít*ca e t*oria, a pa*tir do* esforços articulado* pelos pesquis*dores do* Estudos
Cult*rais. Essa *emática *em ganh**do, assim, um aspe*to d*
invisibil*dade perante
os
c*íticos, pois * homos**xualidade, por muito tempo, foi comumente considerada u* *rime, *u
at* mes*o uma doença, pensamento, infe*izmen*e, ainda presente nos dias hodiernos.
*m vi*ta *ist*, é im*ortante *xaminar a coloca**o Bar***los (200*) que acredita **r
p*eferível ut*lizar o conc*ito homoerotis*o à homossexual*dade; o prim*iro a*arca
as
difere*tes relaç*es e*tre indivíd*os do mesmo *exo, enquanto o s*gundo qu*lif*ca
a
inclinação da se*ualida*e d* *m s*jeito.
A*nd* que se possa a*ega* que a adopção de "hom**rotismo" no lugar
de
"h*mo*sexualidade" possa repr*senta* algum ti*o d* perda polític*, po*s estaríamos
nos descartando de *m term* mar*a*o por **a fort* c*rg* estigmatiz**te e, por isso
mesmo, mai* ap*o a formas de resistên*i*, através da reapropri**ã* e *o
reinves**mento *emântico, pare*e-n*s que, em t*rmos de crí*ica l*terária, a abertura
dada pelo conceito de homoerotismo * im*resc*ndíve* p*ra qualq*er *rabalho que
não se *tenha e**lusivamente a um* f*rma es*ecífica e bem *elineada d* relaç*o ou
iden*idade homoerótic*, com* a *ed*rastia greg*, a *odomia m*dieval ou as
identida*es gays contemporâneas (*AR*ELL*S, 2*06, p. 20).
Rev. F*A, Teresin* PI, v. 1*, n. 3, art. 10, p. 198-211, mai./j*n. 20*8 www4.fsanet.com.br/*ev*sta
E. C. P. As*is, *. S. Coutinho, K. C. P. Silva
202
De*sa for*a, o desejo homoerótico é privilegi*do na configur*ç*o d* Literatura
Homo*ró*ica, e, assi*, es*a produção é vi*ta co** a**e universal, pois não é uma cr*ação
velada, fei*a apenas por gays e/ou para gays.
P*r e*ta razão, *az-se necessário reservar uma at*nção es*eci*l às que**ões *ais
rece*t*s que en*ol*em a *rítica Lit*rária, a* s*pa*ar l*teratura canôni*a de literatura *ão-
canônica. Essa situação
* v*sta *as cria*ões *omoe*óticas p*r se conf*n*irem, muitas vezes,
com as produçõ*s d* c*nho *ultural. Portan*o, é necessári* es*a* at*nto *o en**re*ar por ess*s
ca*inhos, para que não h*ja uma postura ingênua d**nte das re*ações: Literat*ra
e
***oerotis*o; e *ão se propague a lóg*ca do lu*ro e, de igua* imp*rtâ*ci*,
percep*ões
h*mofóbicas nas esp*cificidades do estu*o.
E vemo-*os sem*re diante de dualismo* teóricos que
parecem difíce*s
de serem
*iluídos. Assim, de u* lado, os estud*s li*erá*ios, *, de outro, os **tudos cultura*s; a
arte dividida entre a *oa, alta ou v**dad*ira e a ru*m, menor ou f*ls*, quando *ão
nos d*paramos com a dualid*de arte versus n*o arte; *i**ra*ura *ão é o **smo que
literatu*a de **ssa; obra de arte não é o mesmo que produ*o cultural. O que nos *eva
a outros *ualismos, c*mo, por exempl*, a *iscussão *m tor** da exi*t*ncia d* uma
literatura gay em co*t*a****ção a *ma literatura homo*rótica; *ma *olítica, outra
isen*a de p*l*ticidade, já que centrada *o d*sejo e nã* no **jei*o (SOUZA, 2010, p.
5 6 ).
O trecho *cima *e*ela a perspectiva do h*moero*ismo *a literatur*, q*e s* *ista*cia
*as pretensões
sociais e políticas e re*ela o *azer literár*o, na pe*spectiva da es**ti*a e
da
composiç*o artística do t*xto. Os movimentos gays cont*mpor**eos têm contribuído para
uma *i*ual*zação *a presença homoerótica *a literat*ra.
Em GSV, percebemo* *ssa config*ração do desejo homoerótico concebi*o pelas
personagens Rioba*do e Diadorim, no que tang* à expressão mais sutil,
*ecida *or Rosa,
ao
não *r*t** * tem*tic* de forma *otal, e sim parcial pois, na verdade, Diadorim é uma m*lh*r
travestida de homem, m*sm* assim, o autor deixa notório o **atus ho****ó*ico no *r*tam*nto
de seus in**rpretes f*cciona*s.
3 ANÁL*SE* E DISCUSSÕES
3.* O Desejo Homoerótico: Ri*baldo * Di*dorim
Do ponto de *ista int*r*retat*vo, a relação
ami*tosa entre Riobaldo e
Reinaldo/Diado*im fo* afet*osa de*de
o *rimeiro enc*ntro,
daí *á n*s era perceptível
o
R*v. FSA, Teresina, v. 15, n. 3, art. 1*, p. 19*-*11, mai./jun. 20*8
ww*4.fsa*et.*o*.b*/rev*s*a
Riobaldo e D*adorim Sob um* *erten*e Ho**erótica
203
*entiment* cultivado ao lo*go da na*rativ*. A essência dessa união foi d*s**ita em GSV
*e
form* doce e be*a. A es*r*nheza se dá pela forma como Ri*ba*** se refere ao amigo em *ua
narração, ele traz * t*na
uma me*ória de *eu ant*g* *ar*eiro de j*gunçag*m, que
é
relemb*ado d* **rma ter*a:
Assim, uns momento*, a menos e* guardava a lice*ça de p*a** para me descansa*.
Confo*m* pensei em Diado*im só pe*sava era n*le. Um joão-de-barro *antou. Eu
queria morrer pens*ndo em meu amigo Diadorim, ma*o-oh-mão, que esta*a na
Ser*a do Pau *\Arc*, quase na divis* baia*a, *om nossa *utra metade dos sô-
can*e*ários...C*m meu *mi*o Diadorim me abr*çava, sentimento me* iavoa*a reto
pa*a e*e (ROSA, 2006, p. 21).
A dubied*de de Rio*aldo * e*pressa e* Rioba*do-n*rrador e em Riobaldo-
pe*s*na*em, a parti* dess* const*ução é possível enxergar * ob*a ficcional *a *orma *omo o
na*ra*or c*nsidera apropriad* expor, e sentir a cr*se do personag*m em questão. Dess* forma,
a relaçã* d* amizade entre o*
doi s
passa a *er a*vo de suspe*tas. O **mportamento
de
Riobaldo *o lembrar s*udosa**nte d* amigo é revela*or da sua paixã*. Em Riobaldo-
personagem há resist*ncia e em Riobal*o-narrador existe consciência em relatar os f**os, e **
mesmo tempo, ele ocupa o *ug** de um *ujeito denunciador de sua própria condição.
Diadorim e eu, nós dois. A g*nt* d*va p*sseios. Com ass*m, * gente se d*fer*nciava
dos outros - porque jagunço *ão é muito de conversa continu*da nem *e *m*zades
estr*it*s: a bem eles se mistu*am e desmist**am, de aca*o, *as cada um é *eito **
por si. De nós dois jun*o*, ninguém nada não falava. T*nha* a boa prudência.
Dissesse u*, caço*sse, dig* - podia m*rrer. Se acostumavam de ver a gente
parmente. Que nem mais maldavam (ROSA, *006, p. 28).
Assim, temos *aria De*do*ina da *é **tt*nco*rt Marins, Reinaldo
ou Diadorim. O
p*imei*o,
nome de ba*ism*, em *e*uida o nome conhecido
pelo ba*do, e * t*rc*iro é * *ue
*ovoa a mente e * cora**o do Jag*nço Riob*ld*,
nome r*velado somente a ele, co*o **
segredo. Ainda ne*se c*ntexto, Cla*ice Estés atenta que "O mot*vo *el* qual o nome
verdadeiro *, muitas ve*es, mantido *m segredo está na proteção do se* dono, *ara qu* ele *u
ela possa cr**cer e ocu*ar o *otencial do no*e e na proteção d* próprio nome, *e modo q*e
ningué* *vilte ou p*ejudique" (1994, p. 156).
N*ssa p*rs*e*tiva, *ia*orim se ocupa em op*ar por u** dual*dade no**nal,
o
primeiro, R*in*ldo, *ar* se re*eri* ao s*u papel ma*cul*no, exercido po* cau*a de seu pai, e a
p*rs*nalidade que el* queria qu* ela represen*a*se, de homem for*e e pronto para a lut*.
Enqua*to o segundo, Dia*orim, representa o se* *emíneo, *ado e**antador e s*nsív*l.
Re*. FSA, Te*esina PI, v. 1*, n. 3, a*t. 10, *. 198-211, mai./jun. 2018 w*w*.fsa*et.c**.br/re*is*a
E. C. *. Assis, I. S. Co*tin*o, K. C. P. S**va
204
"*ois então: o m*u nome, *erda*e**o, é Diadorim... Guar** *ste m*u segredo.
**mpre, quand* sozinhos a gente es*iver, é *e D*a*orim qu* v**ê deve de m*
chamar, di*o e peço, Rio*aldo..." (...) - logo eu disse: - "Diadorim... D*adori*!" -
com uma fo**a de af*iç*o. Ele sério sorriu. E *u
gos*ava d*le,
gostava, go*ta*a
(ROSA, 2006, p. 156, gr*fo do autor).
Há ness* *remissa a expressã* do amor d* jagun*o pela don*ela travestida *e homem
e, ao mesm* *empo, a justifi*ação *e**e de*e*o **e, me*mo i***retamente, não é p*la figura
feminina e sim **la representaç*o dela como am*go e compa*heiro d* jagunçagem.
*esse contexto, é interess*nte perceber **mo as veredas do grande *ertão se abrem, e
vê-se aí a
i*age* *e Reina*do que, aos poucos, é su*stituída pela principa* alegação de
Rio*ald*, a de que *einaldo/Diador*m * *a verdade um* mulher, portanto, há a n*gação de
um sentimento homoerótico.
Todavia, é nec*s*ário ter em ment* que a composi**o *es*e des**o vai além de
qualquer *ec*aração que o relatar da his*ória *ossa exteri*rizar, p*i* este transparece em
Riobaldo-*er*onagem, mesmo *ua*d* ele, na fig*ra de narrado*, *enta m**c*rar.
A diferen*a entre
os sexos tem, feliz*e*te, u* senti** muito profundo. As roupas
são me*os s*mbolo* de
al*uma co**a *rofundamente oculta (...) Embora diferent*s,
*s sexos se *onfun*e*. Em cada s*r *umano oco*re uma vacil*ção entre *m sexo e
ou*ro e, às vezes, só as roup*s co****vam a apa*ência mascul*na o* fe*inina,
quando interio*mente, * *exo está em completa oposiçã* ao
que se encontrava
à
vis**. Cada um *abe por **p*r*ência as conf*sões e co*plica*õ*s q*e *isso res**tam
(...) (WOOLF, 2008, p. *24-*).
Evidenc*a-se no fragmento citado a nat*rez* dual d*s *er*s humanos, que pos*u*m em
si elem*ntos que os mi**uram em *uas inti***ades, e que rou*a * *apa* *e mo*ificar a
a
aparên*ia, *anto para qu*m a veste, como p*ra quem a enxerga, mas não a e**ência d* n*sso*
se*timentos. No caso de Diadorim, *le se mostrava como homem e para R*o*aldo era a*uele
homem * objeto de seus *esejos, apes** da demonstraçã* paradoxal de seu *ue*er.
O q*e compunha minha opinião era q*e *u, às loucas, gostasse de Diadorim,
e
tamb*m, rece*so dum modo, rai*a *
*ncerta, por pon*o d* não se* *o*sível del*
gostar c*mo queria, n* honrad* * no f*n*l. Ouvido
meu r*tor*ia * voz dele. Que
mesmo, n* *im de tanta exalta*ão, meu amor incho*, de empapar to*as as fo*ha*ens,
e eu ambi*iona*do de pegar
em Dia*or*m,
carregar Diadorim nos meus *raços,
b*ijar, as muitas demais vezes, sempre. E tinha noj* ma*or *aquela Ana Duzuza, que
vinha talvez separar * amizade da *ente (RO**, 2006, p. 19).
É interessante ob*er*ar a forma como * a*pect* cu*tural int*rfere d*retamente
na
*a*xão de Rio**ldo. O *ugar
a que p*rtence cul*i*a comp*rta*entos fundament*lmente
Rev. *SA, Teresina, *. 15, n. *, art. 10, p. 198-211, mai./jun. 2018
www4.fsanet.co*.br/r*vista
Riobaldo e Diadorim Sob uma Vertente H*moerótic*
2*5
mascul*n*s, princi*almente o ban*o de jagunç** que só to*e*am o "s*r homem" e sufo*am
comportam*ntos tra*sgressores. Nesse sentido, R*obaldo ameniza se* sen*im*nto ao mesmo
tempo em *ue o con*es*a.
O *pi*e da relação homoerótica ent*e *ia*orim e Ri*baldo ocorre quando é d*sco*ert*
a *orte e a verda*ei*a identi*ade de s** amado. Ao *o*statar o seg*edo que Diadorim
carr**ou até o fim d* se sua vida, Rio*aldo v*u na*cer em um sentimento de tra*ç*o por s*
par*e de sua paixão *ue o *ez desconhec*r a nat**eza *e**
*os fa*os a*é * últi*o momento,
mas ao me*mo tem*o sentiu-se estarrecido com a certificação d* que a*ou *ma mulher e não
a*guém do *esmo se*o, co*o t*nto temia.
E disse. Eu c*nheci! *omo em todo o tempo antes eu não contei ao *enhor - e mercê
peço: - mas para senh*r div**gar comigo, a par, justo o travo de *anto segredo, o
sabendo somente
no átimo em que eu tam*ém só soube... Que *iador*m er* o
cor** de *ulh**, moça per*eita... Esta*reci. A dôr não pode mais do que a surpresa.
A Côice d\arma, de co*anha (...) (ROSA, 200*, *. 599, n*grito nosso).
As*im, Riobaldo proclama uma batalha *ontra ** seus própr*os se*timen**s e pa*sa a
mergulhar em co*flitos
psico*ógicos. A partir disso, vive um t***ilhão de emo**es: tristeza,
amor e ódio, tud* p*r cont* da revel*çã* de que Diadorim era, na ve*dade, uma mulher
travestida de jag*nço e, por c*usa d**so, Riobaldo, tev* por muito tempo o amor e o desejo,
q*e nutria po* Diadorim, repelido* de seu íntimo, to*av**, não teria chan*es de voltar atrás.
Eu e*tendi *s mão* para t*car naquele corpo, e estr*m*ci, retirando
as mãos p*ra
trás, incendiável: abaixei m*us *lhos. E a Mulh*r esten*eu a toalha, recobrin*o a*
*artes. Mas *qu*les olhos e* beije*, e as faces, a
boca. Adivinhav* o* ca*elos.
C*be*os que corto* com tesoura de pra**... Cab*l*s
que, no só s*r, ha*iam de dar
pa*a baixo da cintura... E eu *ão s*bia por que no*e cham*r; *u exclamei me
doendo: - "M*u am*r!..." (ROSA, 2006, p. 599).
É importante r*alça* qu*, após a av*riguação da *erdade sobre D*ad*rim, * único
entr*ve *u* impe*ia Riobaldo de assumir o seu a*or *oi q*ebra*o * o perso*agem sentiu-*e
livre pa*a, finalm*n*e, poder exp** as
afeições qu* nutria pelo traves*ido, sentim*nto
**e
sofria constante negaç*o.
Rev. FSA, **resina PI, *. 1*, n. 3, *rt. 10, p. 1*8-*11, m*i./jun. 2018
www4.f*anet.com.br/revista
E. C. P. Assis, I. S. Coutin*o, K. C. *. Silva
206
3.2 As Veredas ***árt*cas d* Rosa
A visão ref*e*iv* que permeia todo Sertão de Guimarães é a o
de qu* o *esejo
homoerótico é na maio*ia das vezes *egad*. Nes*e contexto, o próprio prot*gonis*a acr*dita
que * seu se*timento é u*a es**cie
d* delito * d*ra*t* a narr*tiva *rocu*a justificar seus
anse**s.
O aut*r, *o mascarar es*e sentim*nto, o faz na t*ssitura de
*ua personagem mais
repres*ntativ*, de m*neira qu* o homo*ro*ismo masc*lino foi durant* narrativa sendo a
sub*titu*do por u* desejo de um hom*m
para com uma mulher. Entr*tanto, a **nstr*ção
*sicológica de Ri**aldo desnuda sua ânsia homoeró*ica co*o *lgo consciente e verdad**ro
para o próp*io, por isso, ele é passível de culpa pela tran*gressão at**vés do "pecado".
A *on**ituosa história *e amor descrit* p*lo *ar**do* Riob*ldo, *a me*ida em q*e nos
* *presenta*a, *az *om que seja pos*ív*l pa*a nós, interlo*utores, a construção de po*tes em
meio a* sertã*. Uma ação mai* d*fícil e* sua forma literal, *o*avia, no sertão arqui*e*ado por
*osa, as fon*es de água*
para **rgu*ha*mos *m **ofundas reflexõe* são especialment*
possíveis. As *ontes p*r nós const**ídas nos levam a um novo ser*ão, a s*cura *odern*, que
i*duz aos nossos próp*i*s anseios que,
**
negarmos,
n*s a*roximamos da*uil*
q*e fo*
*dific*do por Guimarães e que ainda é dev*ras concreto.
*lguns *a*o*es são relevant*s pa** se *azer uma comparação entre o Sert*o de Rosa e o
Sertã* Moderno: poder o
**ercid* pelos jagun*os
*epresentavam *m obs*áculo c*nsiderável
para * co*cretização da *epre**ão d*s desejo* homoerót*cos d**cri*os na obra. Hoje t*mos as
formas d* *utoridade *ue configuram essa mesma espé*ie de c*ib*ção d*s desejos, r*vel*das,
dessa ve*, não pela for*a dos "capangas ser*anejos", m*s,
algu*as **zes, pela própria
*am**ia, pe*o governo e pel* *ociedade.
No e*tanto, podemos aponta* os jag*nços com* sendo um imp*dimento m*nimo,
apes*r da notabil*dade *o q*e foi *ara Rio*ald* *ão s* c*nv*ver com el*s, ma* em um certo
mo*ento liderá-los, nesse meio que é consider*do ma*hista e homofóbico. De maneira *ue,
n* **rtão Moderno, *inda prevalece o homossocial que não
permite ao homem perde* sua
"macheza" *ue é t*o acl*m*da *elos sertanej*s contempo*âneos.
* *uestã* relig*osa t*mbém é
um outro embaraço pa*a a re*lização
**s desejos
homoafetiv*s. Em t*da a trama n*rr*tiva, Riobaldo manife*ta uma espéci* de r*stri*ão
por
causa da rel*g*ão que exerce seu pode* mesm* de forma não *eclarada. Sua **itude é taxada
através de s** pró*rio julgam*nto, *omo uma p*ática peca*inosa que vai c*n*ra os pr*nc*pios
naturais *e De*s. N*s*a p*rspectiva, *icardo Th*mé *luc*da a qu*st*o *e como o indivíduo
Rev. FSA, Teresina, v. 1*, n. 3, **t. 10, *. 1*8-211, mai./jun. 2018 *ww4.fsane*.com.br/r*vista
Riobaldo e Diadorim Sob uma Vertente H*moerótica
207
homo*fetivo é visto pel* sociedade, *a* ref*e*ão nos acorda pa** a co*ce*ção *roblemática *o
he*erocen**ismo.
[...] o h**o*sexual é duplamente marginal. É marginal no sentido d* *star, como a
*ulhe*, à marge* do centro. Mas é *arginal, a*nd*, no s**tido con*tativo d* *ermo,
na acepção de fora-da-lei, *e pervertido, de im*ral,
de pecador (THOMÉ, *009, *.
2*-22).
Nos di*s de hoje ainda é comum a revela**o *e as Es*ritu**s influen*iare* ou
inibirem os c***or*amento* ho*oerót*cos e promover*m a cr**ça da nec*ssidade de "cur*"
par* * ind*v*duo
*omoeroticamente inclinado. As re*açõ*s e*tr* o homoe**t**m* e a prática
do sag*ado ainda incita *i***s*õ*s mais o*stinad*s que não cabem em no*so estudo, poi*
o
q*e pretendemos realçar é puramen*e o papel repressor q*e a religião ass*m* em
*ertos
moment*s.
O não saciar esse *esejo impli*a a ins*tisfação ** Riobaldo, a pre*s*o do m*io s*cial
em que **t* inserido só *ão é maior d* que *s *eu* próprios **nsamen*os e conf*it*s internos
qu* funcion*m co*o a p*incipal *arreira enfrentada por R*obaldo: a lu*a consigo mes*o.
R*obaldo *omo narrador c*nhece * desfe*ho *a h*stóri*, em que Di**orim é re*elado
como u*a mulher, e essa é a maior j*st*ficação *ara su* trans*res*ão; entret*nto, *omo
person*gem, *le so*r* inq*i**aç*es e a*g**tia* em virtud* *a p*ixão nutrida pelo am*g*. A
recons**ução d* todas **sas memórias, porém, t*rna-se mais *áceis e ele *onsegue alguma*
rep**tas, por possuir,
agora, um olhar madur* ao **sualizar seu pa*sado, e *sso gara*te ao
narrad*r uma compensação, como re**e*e no fragm*nto abaixo:
Ag*ra, que mais ido*o me ve*o, e quanto mais remot* aquilo *e*ide, * lembrança
demuda de val*r - se *rans*orma, se c*mpõe, *m um* espé*ie de decorrido f*rmoso.
Consegu* o pen*ar direito: pe*s* com* um rio tanto a*da: *ue as árvores da*
beira**s **l nem vejo... Quem me en*ende? O que eu queir*. Os fa*os pa*sados
obedecem à gente; *s em v*r, também. Só o poder
do pr*sente é que é furi*v*l?
(ROSA, 1994, *. 485).
*iobal*o, ao *dvogar e* seu favor, *usca por parte do o*vinte uma compreensão p*is,
ao *escrever Diador*m, ele compõe uma imag*m de um ser ap*i*onante,
*uro, e *e
um a
bel*za sub*ime. Ou seja, qu*lquer u* seria fa*ilmente provocad* a amá-*o, de mo*o que "Ao
apaixona*-se por essa mul**r, sem
duvidar de se* disfarce, Riobaldo tor*a-se u*a pr*sa de
elucubrações sobre as ambiguidades entre a diferença e a sem*lhança". (*ALVÃO, 20*6, *.
145)
Rev. FSA, Teresina PI, v. *5, n. *, art. 10, p. *98-211, m*i./jun. 2*1* www4.fs**et.com.br/revi*ta
E. C. P. Ass*s, *. S. Coutin*o, K. C. P. Silva
208
*esse modo, o contexto fa* *om *ue *revaleça a fig**a de Riobaldo m*cho, por
*erc*ber a fe*inilidade em Diadorim me*mo a*tes d* r*vela*ã*, es*a seria a justif*cação para
a violação com**id*. Afinal, nã* foi e n*o é f*cil viver no mu*do dos *achos q*and* se es*á
na condiçã* do *eminino.
D*ad*rim
cami*hava cor*eto, co* aqu*le passo cur*o, qu* o del* e*a, e que a brio
pelejava por esper*ar. Assumi que ele esta*a ca*sado, sofrido t*mbém. Aí mesmo
assim, escass* no *orrir, ele não me negav* estima, nem o valor d* seus olhos. Por
um s*n*ir! às vezes eu *in*a a cisma de qu*, só *e calcar o pé e* t*rr*, alg*m* *oi*a
nele d*esse. *as, essa ideia, que me dava, era do *ar*nho meu. Ta*to *ue me vinha
a vontad*, ** p**esse, *e*sa cami*ha*a, eu ca*rega*a Diadorim, li**e d* tu**, na*
minhas costa* (ROSA, *00*, p. 285).
O *róprio Riobaldo não *onsegue l*dar com o seu se*timento, mesmo ao p*rceber e*
Dia*ori* uma fragilidade, ele permanece na tent*tiva
de se justificar perante o s*u
sen*i*ento, isso já *xpress* a verd*de e a *efinitiva **pressão homoerótica *ão o faria se nã*
notasse * condição do outro c*mo masculino. As duas faces de *iadorim, *r* r*de, ora meig*,
ocu*tava* ainda mais s*a identid*d* feminina; por isso * preocupação *om o se* amado se
aproxi*ar de o*tr*s *ul*ere* *o **ndo porque o que *obressaia em Di*dorim e*a
o
mascu*i** e não as delicadezas
femi*inas que estavam
distan*es do q*e e*a
próprio dele no
momento.
[...] Que Diadorim tinha ciúme de mim c*m *ualquer m*lhe*, eu j* sabia, *a*ia
*empo, at*. Quase desde o princípio. *, naq*eles **ses todos, a *ente *ive*do e*
par a par, por al*os e baixos, amargur*s * perigos, o roer daquilo ele n*o conseguia
*sconder, *e* *ue se e*forç*va. Vai, e vem, me intim*u a um **ato: que, e***anto a
gente *sti*esse em ofic*o de bando, que nenhu* de nós dois não botasse mã* em
nenhuma mulher.
A*i*nçado, falou: - "Promete que t*mos de cumprir i*so,
Ri*bal*o, feito *urado nos Santo*-Evangelhos! Severgonhice * *i*a*o *vêjo servem
*ó par* **rar d* gente o p*der da c*ragem... *ocê c*uza e *u*a?!" Ju*ei. S* nem toda
a vez cumpri, ressalvo é as p**sias do corpo, malandrage* [...] (*OSA, 1994, p.
2 6 5 ).
Então, o comportamento do personagem roseano *e *sse*elha ao do sujeito em crise,
hoj*. Riobaldo po*sui d*as más*ar**, de um a
i*divíduo *omo*rot*camente in*li*ado e a de
jagun**, essa ambiguida*e sugere a não aceitação de sua co*dição, apo*ada nas justificações
*erce*e*** que através da narr*ção ele s* auto rep*ime, defin*nd* bem a ide*tida*e de alguns
suje*tos da atualidade. Perte*cer ao *ertão i*pu*si*na uso *
de má*caras, *ara que assim
o
ho*em seja ace*t*.
Rev. FSA, Teresina, v. 1*, *. 3, art. 10, p. 198-211, mai./jun. 2018
www4.fsan**.com.*r/revista
R*ob**do e Diadorim *ob uma V**tente Homoerótica
209
[...] hom*m **ito homem *ue fui, e ho*em por mulh*r*s! - nunca tive inclinação
pra aos vícios *esencontrados. Repilo o q*e, sem * preceit*. **tão - o *enhor me
perguntará - o que era *quilo? *h, lei ladra, o poder da
vida. Direitinh* declaro o
que, durando *odo temp*, *empre mais, às vezes m*nos, comigo *e p*ssou. Aquela
mandante amizade. Eu não pe*s**a em adiç*o nenhu*a, ** pio* propósito. *as eu
*ostava dele, dia mais dia, mais *ostava. D*ga * *en*or: com* um feitiço? Isso.
Feito coisa-f*ita. Era ele **ta* perto de *im, e nada me fal*ava. Er* el* fechar a c*r*
e estar tr*s*o*ho, e eu perd*a meu sossego. Era ele es**r lo*ge, e eu só nele pensava.
E e* me*mo não
ente**i* ent** o *ue aq*ilo *ra? Sei *u* sim. Mas não. E eu
mesmo en*ender não q*eri*. A*ho que. Aqu*la me*guice, desig*al que ele *abia
escond*r o *ais de sempre. E em mim a vonta*e de cheg** todo próximo, q*a*e
uma ânsia de sentir o c*eiro do c**po dele,
dos braç*s, que às vezes adivinhei
insensata*ente - tent*ção de**a eu espa*recia, a* rijo *o**go renegava [...] (ROSA,
*994, p. *00).
A *ris* revelada pe*a *a*a de Riobaldo é comu* a quem **i*iza as máscaras perante a
sociedade e até ao próprio *ersonagem, *le d*sconhece sua ve*d*dei** id*n*idade * expressão,
pois: "Se não poss*vel ao homem desempenhar os pap*is que *he cabem n* t**t*o d* v*d* é
sem o uso de máscaras, é n**ess*rio co*hecê-las *elhor para *tilizá-*as de m*do adequado e
e*iciente, evitando os inde*ejáveis * sempr* danosos efeitos c*laterais" (CUS*HNIR;
M*R*EGAN J*., 200*, *. *4).
4 CONSIDERAÇ*ES FINAIS
Ne*te estudo, b*scamos analisar a re*ação hom*erótica *ntre as personage*s Riobaldo
e Diadorim pr*sen*e na obra Gran*e Ser*ão: Vereda*, de *oã* Gu*marães Rosa. Embora
a
litera*ura hom*erótica ai*da seja c*nsiderada u*a literatur* das minorias, é possíve* encontrar
obra* cons*gradas, de a*tores renoma*os que *esen*olveram es** tônic* em suas tes*ituras. A
*ar**r disso, * homoero*ismo tem s*do tratado com m**s maturidade nas pág**as das obras
ficcionais. Guimarã*s Ros*,
em seu r*mance Gr*nde
Ser*ão: **redas, *bre espaço pa*a
*
qu*st** da homoafetividade e *ut*as perce*ções crí*icas ao co*por, de for*a suave, parcial e
"mascarada", o vínculo sent*mental e**re as suas represe*ta*tes ficcio*ais.
Apes*r de o
au*or te* escrito apenas *m ún**o rom*nce, *le *onse**iu, através dele,
efeti**r a produção como um mar*o na liter*tura, **r ter *ido des**vol*ida de forma original
e com **estria. Assim, lan*ou u* nov* est*lo de escrita, repleto de um regional*smo
caract**ístico, e com * aprov**ta*en** *e palavras *ue a*tes já estavam em de*u*o, incluindo
diverso*
*eol*gism**.
R os a
a*ordou,
a*n*a
que
de
forma
velada,
o
assun**
hom*erótico/homoafetivo, sendo, assim, c**az *e t*azer à *ona o *e*at* * liberdad* de *
Rev. *SA, Ter*si*a PI, v. 15, n. 3, *r*. 10, p. 19*-211, m*i./jun. 2018 www4.**anet.com.b*/revista
E. C. *. Assis, I. S. Co*tinho, K. C. P. Sil*a
210
pe*samento, torna*do * Ser*ão um mundo que reflete *s condições ** existência e v***res que
vivenciamo* hoje, e no* demonstrando **e a sua pro*u*ã* n*nca se e*g*ta em su*s
*ossib*lida*es de interpretaç*o e d* *nsina*entos.
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Ho*o*r*tic*. Re*. FSA, Te*es*n*, v.15, n.3, *rt. 10, p. 198-211, mai./jun. 2018.
Rev. FSA, T*resina, v. 15, n. *, art. 10, p. *98-211, mai./ju*. 2018
www4.*sanet.com.br/revista
Riobald* e D*adorim Sob uma *ert*nte *o*oe**tica
211
*on*ribuição *os Auto*es
E. C. P. As*is
I. S. Coutinh*
K. C. P. Silv*
1) concep*ã* e planejamen*o.
X
X
X
2) análise e *nterp**tação dos d*dos.
X
X
X
*) elaboração do rascunho ou *a *e*isão cr*tica do co*teúdo.
X
X
X
4) partici**çã* na apr*va*ã* da versão final d* ma*uscri**.
X
X
X
R*v. F*A, Teres*na PI, v. 15, n. 3, a*t. 10, *. *98-211, mai./jun. 2018
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