www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 2, art. 1*, p. 176-196, mar./abr. 2018 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2018.15.2.10 A Política Pública de Assi*tência *ocial no Percurso da Travessia S*c*al The Pub*ic *olicy ** Social Assist**ce in Social *raverse Rou*e Mar*a *o Rosário *e Fátima e Sil** Dout*ra em Serv*ço S*cial p*l* Pontif*cia Universidade Ca*ól*ca de São Paulo P***essora da *niversidade Fe*eral do Pi*uí E-mail: ros*fat@uol.com.br Mar*a I*abele Duarte de *ouza Dout*ra*o em Polí**cas Púb*ic*s pela Unive*s**ade Fede*al do Piauí Mestr* e* Planejam*nto e Políti*as Públicas pela U*ive*sidade Estad*al d* Ce*rá Pr*fessora d* Cu*s* de Gradua*ão e* Serviço Socia* do Centro Universitário INTA E-*ail: isabele.dua*t*@u*i*ta.*du.br *nde**ço: Maria do Rosár*o *e Fát*ma e Silva E*itor-che**: T*nny Kerley de Alencar Ro*rigue* U*iversida** F*der*l do Piau*, Centro de C**ncias Hu*anas e L*tras, Depa*tame*to de Serv*ço Socia*, Artig* recebido ** 09/12/2017. *ltima versão C*mpu* P*trônio Portela, Inin*a *eresin*-PI, CEP: r**ebida *m 23/01/2018. Aprovado e* 24/01/2**8.
64049-550. Endereço: Mari* Isabele *uarte de Souza Rua Corone* Antôn*o *odrigues *agalhães, *º 35*, B*irr* Dom Expedito, *obral-CE, CEP: 62050-100. *valiado p*lo s*s*ema Tr*ple Review: Desk Revi*w a) pelo Edi*or-**efe; e b) D*uble B*ind Re*i*w (ava*iação cega por doi* ava*iadores da área). *evisão: Gramatic*l, **rm*tiva e de F*rmatação
A P*lít*ca Pública d* Assistênc*a Social no Percurso da Trave*si* So*ial 177 RESUMO O presente art*go pro*õe t*azer reflexões acerca da P*lítica Púb*ica *e Assistê*cia Social, na perspectiva do S*stema Úni** de Assistência Social, bem com* b**ca* compree**er o *on*e**o neolibe*al em q*e esta, se *nsere, funda*e*tado no* atuais ajustes fiscais, e*p*c*almente naq*eles em que situ* o **s*o**e das polític*s públicas de cunh* so*ial, t*ndo como *porte a pr*posta l*nçada pelo PMDB, no que se refere à Ponte **ra o Futuro no en*aio da Travessia Social, c*m* mola pro*ulsora do *o*e*no Temer. Não é proposta deste a*tigo rea*i*ar um estudo aprofun*ado des*e *ocumento, ele servirá, sob*etu*o, para deli*it*r em que con*exto busca*emos pe*c*be* * Pol*t*c* *ública *e As*i**ênc*a So*i*l. Tra*a-se d* um estudo e*p**ratóri*, bibli*gráfic* * d* cunho qual*tativo. É mister salienta* que as considerações trazidas nes*e artigo são superficiais e *reliminares, tendo em vi s t a a nece*sidad* de aprofundamentos e *nálises m*is a*uçada* d*s que*tões aqui apontadas. Pa**vra*-chave: Esta*o. Políticas P*blicas. Assistência Social. ABSTRACT T** present article p*oposes to reflect on *he Soc*al Assistance Pub*ic Policy, from t he perspectiv* of the S*ngl* Social Assistance Sys*em, as we*l as to unde*stand the n*olib*ral c*ntext *n which it is based, base* on the current fisc*l a*justments, es*ecially in those whe*e it dismant*es the public p*licies of a soc*al nature, based on t** proposal lau*ched by the PM*B regarding the Bridg* t* the Fu*u*e in the Social Traves*age trial, *s the driving forc* beh*n* *he Temer Govern*ent. It *s not the p*rpose o* this article to carry o*t a* i*-dep*h study of *his document, it w*ll *erve, *bove all, to d*li*it in *hat cont*xt *e will seek to pe**eive the * *bl i c P ol i c y of *o*ial Assist*nce. *hi* *s an exploratory, *i*liographic and qualitat*ve study. It i* necessary to *mphasiz* that the co*si*era*ions b*ought forwar* in thi* article are superf*cial *nd *rel*minary, cons*dering *he ne*d *or deepenin* a*d m*r* acut* analysis *f the issu*s menti*ned here. K*y words: State. Public Po*icies. Soci*l Assist*nce. Rev. FSA, Teresina PI, *. *5, n. 2, art. 10, p. 1*6-196, mar./*br. 2018 www4.fsanet.com.br/revista M. R. *. Silva, M. I. D. S*uza 17* * IN*RODUÇÃO Só é po*sível c***reend*r a Polít*ca Pública de Assi*tênc*a *ocial a *a*ti* de u*a aná*i*e do contexto capitalista, que tr*uxe ao país pro**ndas transforma*ões societá*ias, *speci**m*nte no âmbi*o social, p*lítico, econômi*o e *ultural. Devemos situá-la n* pat*mar do d*reito socia* e de cidada**a, via Co*stituiç*o Fede*al de 1988. É importante destaca* os reb**imentos da i*eolog*a ***l*b*ral f*e*te à ex*cução da Pol*tic* Pú**ica de Assi*tência Social, sem desconsider*r s*a c*nstituição histórica da cul*ura polític* brasileira, até chega*m*s a*s di*s de hoje, em *ue *emo* a **ndição de perc*b*-la como direito soci*l inscrito no âmbito *a S*g*ridade *ras*leira, com**ee*d*da em seu tr*p*, juntamente com as *olí***** de saúd* e previdência social. N* que se apresenta atualmente, temos o Si**ema Único d* *s*istênc*a Social, *ue *raz *m **a form*t*ção pos**bilidades *aiores de acesso aos s*rviços, pro**am*s, *roj*tos e benefícios s*cioassis*enci*is pela popu**ção em situa*ão de vulner*bilidade e/*u ri*co *o*ia*. Partindo dessa **e*issa, cabe pens*r **ais os r*mos q*e es*a polít*ca po**r* trilhar di**te do q** se apresenta, ou seja, * ajuste *is*al, desmon*e das políticas *úblicas, re*ração dos di*e*to* soc*ais, que e*tão s*ndo articula**s, **is prec*samente, no govern* de Mic*el T*mer, a parti* de sua *r*po**a de g*verno que tem como lem* A Po*te para o Futur*, s*ndo *onfi**rada como p*ssibi**dade ** uma Trav*s*ia *o*ial. Trata-se de um est*do, cujo método de **á*ise é * di*lét*co, *om vistas a t*r u*a v*são da *ota***ade, cons*derando os *eus *spectos contraditórios; é qualitativo, por se t*atar *e um fenômeno social, cuja abo*dagem exploratória b*sca uma visão mais amp*a com o in*uito de explorar m*te**al elen*a*do, bem *omo é bi*liográf*ca, * a *a*tir d* escolha *e li*r*s e ar*igos que conside*amos importan*es pa** a pro**ç*o do **esente *r*igo. O te*to está dividido *m t*ês p*rt*s. A pr*me*ra, introduz algumas concepções *obr* *s*ado, Políticas P*b*icas, com a**rdagem mais espe*ífica para a* Políticas Soci**s. A segu*da, *r*z uma *iscuss*o s*b*e o cont*xto neoliberal e, p*r fim, as **nsider**ões f*nais, intit*l*da de anu*ciação do d*vir, onde s* pr*põe uma br*ve análi*e da P*l*t*ca Públi*a de Assist*ncia *ocial nessa conjuntura. Rev. FS*, Teresina, v. 1*, n. 2, *rt. 1*, p. 17*-196, mar./ab*. 2018 w*w4.fs*net.com.br/revista A Política Públi*a *e Assistênci* Social no Percur*o da Tr**essi* Social 179 2 REF*REN*IAL TE**ICO 2.1 Estado e Pol*tic*s Públi**s (Sociais) no *rasil Nos d*as atuais, o mun*o *em passando *or d*v**sos impa*ses econômicos, mi*tos de cres*imen*o c*ise, *aracterísti*as d** soc*edades e capita*istas, c*m sua* manif*s**ções e mudanças que refletem significativ*mente na e*fera da e*onom*a, da polít*c* e ta*bém no âmb*to soci*l. E *este **nár*o é notória a *rese*ça ** Estad* q*e busca se *qu*librar nesse desequilíbrio mundial que se re**e*e no país e *o* terr*tórios mais ermos, o* seja, toda a so*ieda*e *ent* *s *mpactos da cris* *u d* crescime**o *co*ô*ico que, p*r mu*t*s ve*es, ac*rreta ma*ores d*sigualdades sociais, *ue demandam do *stado, in*estimentos e* política* pública*. As polí**cas públicas co*sti*uem um dos p*incipais result*dos da ação d* Estad* * nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 foi, sem dú**da, um *arc* na i*plantação de políticas públ*cas e e*etivação de direitos sociais e de ci*ada*ia, *s qu*is e*ergem em *m período de asce**ão do* **viment*s sociais pop**ar*s, pautadas n* mediação da* relações socia*s entre o poder p*blico e a so*ieda*e civil. Elas or*entam as a*ões *a administr*ção públic*, com a utilizaçã* de métod*s e n*rmas para estabelec*r a sine*gi* *nt*e a admi*is*ração públic* a so*iedade, entre Estad* * atores sociais. Teix*ir* (2002, p.29) e explica que: Po*ítica* pública* sã* diretrizes, pr*nc*pios norteadores de ação do pode* públi*o; re*r*s e pr**edime*t*s p*ra as relaçõ** entre o poder público * so*iedade, mediações ent*e *tores da sociedade e d* *s*a*o. São, ness* *aso, po*íticas explic*ta*as, siste*atizadas o* form*ladas em documentos (leis, programas, linhas de financia*en*o) que *rient*m *s ações q*e n*rmalmente envolv*m aplic**ões de recursos p*b*icos. N*m sempre, poré*, há compati*ilida*e entre a* intervenções e de*lar*ç*es *e vontade e a* a*ões dese*volvidas. Devem ser co*sideradas também as não *çõ*s, as *mi*sões, como f*rma de man*fest*ções de políticas, poi* rep*esentam opções e or*en*ações dos *ue *cupam cargos. Partindo de u*a base *eórica conceitual, Souza (2006) nos d*z que as políti*a* pú*licas estão dent*o d* campos mu*ti*isciplinares *rien**d** a explicar a sua natureza e s*us processos, na *usca da construção de uma teori* ge*al que te*ha como objetivo sintetizar teo*ias de d*fer*ntes ci**cia* sociais, *o*o as da c*ên*ia e*onômica e, e*pecifi*a*en*e ne*se aspecto, as Pol*ticas Públicas *ão associadas às falhas de *e*cad*. Portan*o, as *olít*cas públ*cas prod*z*m efeitos específicos, de forma d*re*a, *u at*avés de delegaç*o, influencia*do * v*da *os c*dad**s, b*m como nas *sco*has feitas pelos Re*. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, ar*. *0, p. 176-196, *ar./abr. 2018 www*.fsa***.com.br/re*is*a M. R. F. Silva, M. I. D. Souz* 180 gov*rnos, sejam *e or*em s*ci*l ou eco*ômic*, "com o intuito de pr*porcionar ótimos so*iais qu* não po*em ser maximizados po* agentes privados" (FIGUEIRED*, 2009, p. 687). * partir da década d* 1970 o Estado *ntr* em c*ise, *emandando **da vez mais por *espostas efetivas aos p*oblemas so**ais *ue ora se *gravavam, t*is *espost*s poder*am advir das polític*s públicas que, c*m a ref*r** do *sta*o, têm **mo base a descent*ali**ção político-administrativa e como r*sponsáveis por sua *fetivação a *ociedade e * poder públic*. N* aspecto m*is ec**ômico *a *uestã*, verificam-se as falhas d* m*r****, que n*o consegue atender * todas a* de*andas da sociedade, *eja p*r *eus sucessivos desequil*br*os de ren*a o*, *ais *ravemente, pela ausênci* dest*, d*ixando à margem grand* parce*a da p*pulação que *i*a à **rcê d* pró*ria sorte ou, ainda, sob a responsabilid*de do *stado em ofer*ar pol*ticas pública* *ap*zes de minimiz*r os danos ocasi*nados pela questão social. E *esse **pecto, [...] o Estado Social de Dire*t* não *ai con*eguir responder, adequa*amente, às *emandas de partici**ção efetiv* e cotidiana da cidadania, na definiçã* de políticas públicas e pr*oridades políticas eme*gentes, exigindo-se out*as for*as de viabili*a*ã* * *omp*omi*so com a S*ciedade. Daí, surge a necessidade de readequação d* Es*ado e do Governo à nova e*a, v*lorando, ainda mais, o conteúd* *fetiva****e *emocr*t*co d*s instituiçõ** públicas *eprese*tativa* e, q*içá, criando ou*ras novas (LEAL, 2000, p. 48). P*is, se p*rc*be que as demanda* são cres*e*tes e a* respostas a est*s ficam aquém de contemplar a todos os *eman*atár*os por *olí*icas públic*s, diante *e t*ntas desigualdades *ociais que, atualmente, nã* se r**tringem ape*as à* ques*õe* d* r*nda, * s*m perpassam p*r outras prob**mátic*s ag**vadas por ta*tas outra* questões, princ*palmen*e pela *neficácia das políticas pú*l**as, tais co*o: prec*riedade *a edu*a*ão, saúde, habitação, seguranç* pú***ca, acesso restrito a *erviços e benefício* s*cioassi*tencia*s, agra*a**nt* da violê*cia, den*re outros. Ent*etan**, *s polít*cas públicas visam *esponde* a demandas, espe*ialme*t* *os setores margi*aliza*o* da sociedade, aq*eles co*siderado* mais vulneráveis. *ais demandas fazem parte da *genda daqueles que ocupam o *oder, porém send* influe*ciado p*la s*ciedade civil *trav*s *a pressã* e mobilização social. *a*bém bus*am am*li*r e efetivar os di*eitos de cidadania, *bjeti*am promo*er * desenvolvimento, cria*do alter*ativ*s *e geraçã* de emp*ego * renda, como forma compe*s*tó*ia diante *e tan*as per*as que a população mais vu*ne*abilizada v*m *assa*do em su* co*diç*o de sobrevivência. *ev. FSA, Teresina, v. 1*, n. 2, art. 10, p. 176-1*6, mar./abr. 2018 www*.fsanet.com.br/r*v*sta A Política P*blica de Ass*stê*cia Social *o Per**rso da Travessia Social 1*1 Nesse con*exto, o**e o Es*ado tem a respo*sabilidade po* atender as demandas da sociedade, * junto com ela pr*mover condições de acesso às políticas públi**s, de**acamos, mais especific*me**e no c*njunto destas as políticas sociais, através das quais o Estado é requ*si*a*o pa*a o enfrentame*t* da questã* soc*al, "conjunto de programas e ações c*ntinuadas no tempo, que afetam *imult*n*a*ente vária* di*ensões das condiçõ*s básicas de **da da pop*l*ção" (DRAIBE, *997, p. **). A política social na *o*cepção liberal gera a ide*a de *ntervenção coletiva ou es*atal *o merca*o priva*o para promover o bem-estar individual e social; tem provisão e oferta d* serviços sociais; s*a técni*a s*cial é *e **rá*er c*mpensatório, preventivo ou redis*ribu*ivo. Para a c*nce*çã* d*alética, as políticas sociai* são *s*ra*égia* *ov*rnamentais d* inte**enção n*s relaçõ*s s*ciais, *a manutenção da desigu*l**de social, estrat*gia* de control* da força de trabalho; regu*am*nt*ção de direitos sociai* passívei* de absorçã* pelo capitalista (DALLAGO apud *ALPE*, 2007, p. * ). Na c*ncepção de Pe**ira (2008, *. 92), "a *olítica, na sua *onfiguração re*ente e restri*a, tem a c*notação ** política *ública a qual englob* a pol*ti*a *ocia*. Ou *elhor, a política s*cial é u** espé*ie do gê**ro política púb*ic*". Pen*am*s a po*íti*a pú*lica e, a pa*tir *ela, a política *oci*l do aspecto "qu* pr*vilegia a relaç*o dialeti*amente contr*d*tória entre Es*ado e sociedade com* o ferm*nto e processam*nto dessa política" (P**EIRA, 20*8, p. 94). **sse sentid* há qu* per*eber a *olítica so*ial *omo *esultado dessa rela*ã*, ou s*ja, n* *once*çã* de I*nni (1986) é u*a re*ação d* *ecipr*cidade e ant*gonis*o ao m*s** tempo, "isso quer d***r que *ão é possí**l falar de E*tado sem relacioná-*o à soc*ed*d*, e vice-v*r** pois, onde *uer que am*os compare*am, um tem implicações no outr* e se in*luenciam **tuame*te" (*EREIRA, 2009, p.135). Hi*tori*amen*e, no período d* 19*0 a 1960, as polític*s sociais no Brasi*, *aracterizam-se por *eu aspec*o prot*tivo, dest*nadas especial*ente aos trabal**dores, com o int*ito d* c**ar c*n*i**es p*ra g***ntir a força de tr*balho adequado ao merca** emergente, send* ainda uma lut* dos própr*os trab*lhadores po* melhores condições de tr*balho e de vid*. *o período ditatorial, a* políticas sociais tinha* com* *bjetiv* a legitimação do sis*ema autoritário vigent*, e caracterizav*m-se *elo ass*stencialismo, c*i**telismo e se*s aspectos fragmentá*io, setorial e emergencial, dando ao governo bases *o*iais para mante*-se no poder, te**o *m q*e se s**unha que desenvolvim*nt* social seria decorrente d* dese*volvimento *conômi*o. *sse período foi caracterizad* pe*o autoritari*mo, *e*a censura, *ev. FSA, Teresi** PI, v. 15, *. *, a*t. 10, p. 176-196, m*r./abr. 2018 www4.fsanet.com.*r/*evi*ta M. R. F. **lva, M. I. D. Souza 182 repressão e au*ênc*a de el*içõe*. Nesse **n*exto as expressões da "questão social" s* a*ravam e de*andam *o* respost*s *o Estado, c*mo aponta So*res: [...] no pós-*4, ao longo *e período de autorita*ism*, *** se conso*ida o arcabou*o po*ít*co-institucional das *olíti**s sociais brasileiras. Suas c*racterísticas podem ser **pressa* nos seg**n*e* princípios: 1. *xtrema c*ntral*z*çã* p*lítica e **nanceira no nív*l f*deral da* ações sociais do governo; 2. fr*gme*tação *n*ti*ucional; 3. exclus*o *a particip*ção social e p**ítica d* populaç** *os processos *e**sór**s; 4. a*tofinanciament* do *nvestiment* social; e 5. priv*tização (SOARES, 2001, p. 2 0 9 ). N* *im da dé*a*a de *97* e início da década de 1980 oco*reram muitas divergências cont*a * regime vi*ente atrav*s de mobilizaç*es e greves c**rdenadas pelos *indicatos, quand* a s*cied*de brasileira passa a reivind*c*r a redemocratização do país e clamava *ela "ab*rtura polític*", e**ecialmente na *éc*da de 1**0, *ob o gover*o do Gene*al João Bat*sta Fig**ire*o. *m 1982 aconte*em a* el*ições diretas para **vernadores e pref*itos e a criação d* multipartid*rismo, v*st* que até entã*, tính*mos o bipartidar*sm* (MDB e ARENA). A sociedade imers* na repr*ssão, encontrou forças e lutou por seus intere*se* na *usca de soluções políticas, econômicas e so*iais, o que a *eva à in**auração da Assembleia Nac*on*l Constituint*, q*e res*lt* na Consti*uição F*deral de 1988. *o* a promulg**ão da *onstituiç*o Federal d* 1*88, é in*tit*ída a seguridade *ocial, com a *rovisão de g*ran*ia dos mínimos sociais atrelado à saúde c*mo p*lítica universal, previdência social, como p*lítica de *o*tribuiç*o, * assistê*cia social co* vistas a at**der a que* d*la ne*essita (parce*a da populaçã* socialm*nte marginalizada e sem ace*so aos bens e servi*os b*si*os para sua subsistê*cia), vi n*o à * on* um* efetivação real das polític*s *úb*icas. Ass*m, as políticas pública* de c*nho *o*ial, surgem na *fe*vescênc*a dos mo**mentos s*c*ais e latênc*a da questão social, co** forma/estra*égia do Estado *ara am*niz*r tais questões. Em um perío*o *nde o p*ís p*rpassava um pr*ces*o de dominaçã* e alie**ção *o ***em pe*o Es*a*o. Des*a forma, as polític*s soci*is surgem com o objetivo de amenizar os efeit*s noc*vo* da política eco*ômica, a *artir d* rei*vi*dicações da classe t*abalh*dora, mas que vêm atender aos interesses *o capital. As políticas sociais *ão ca**cterizadas por sua complexida*e contraditoriedade, e especialmente por atender v*rios papéis e i*teres*es d*vers** e d*sti**os. Nesse *entido, se*undo Pereira (2009, p.166), Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 2, art. 10, p. 176-1*6, mar./abr. 2018 **w4.fs*net.com.br/revi*ta A Política Pública de Assistên*ia Soc**l no Percur*o da T*avess** Soci*l 183 Tal política j*mais poderá s*r compreendida como um proces** *inear, de con**ação exclusivamente posi*i*a ou ne*ativa, ou * se*viço exclusivo desta ou *aquela classe. Na realidade, ela te* se mostra*o sim**taneamente pos*tiva e negativa e beneficiado in*eresses co*trários de acordo c*m a correlação d* fo**as prevalecen*es. É isso que torna a po*ítica *ocia* diale*icamente contraditóri*. S*be-se que tais polític*s são viabilizadas através de "*sc*lhas e de dec*sões de*inidas nas arenas co*fl**uosas de p*de*" (PEREIRA, 20*9, p. 166), *endo em vista que são ident*f*ca*as com* po*ítica de açã*, "incluindo, é claro, ** mom*n*os conflit*oso* de escolha e *e tomada de decisão, qu* faz*m parte de qua*quer p*l*tica" (PEREIRA, 2009, p. 17*). Dia*te desse contexto, é de fundame*tal i*po*tância p*rceber que a* políticas púb*ic*s, es*ecialment* as *o*ític*s públicas sociais, quando de*xa* de s*r pol*t*cas de g*verno e pass*m a ser pol*tica de E*t*do, tendem a **r mais efetivi*ade quando elabora*as e implem*nta**s de maneira eficaz, apesa* de tanto* *esafios e *m*as*es que s* v*rif*cam nessas polí*icas, em especial, as que compõem a segur*dad* social brasileira, des***and*, aqui, * política públi*a *e a*sistência social, por todo o seu percurso hist*r*co, com seus peculiares cont*rnos e sua es*ecif*cid*de. 3 RESULTADOS E DISCUSS*ES 3.1 A *olít*ca Públi*a de As*istência S*cia* * part*r da def*n*çã* d* um sis*ema d* segu*idade social, alicerça** no tri*é *aúde, previdê*cia soci*l e assistên*ia social, d*-se início a um novo modelo a*sisten*ial. *omo polí*ica pú*li*a, a assist*ncia social pas*a a ser trabalhada com* dire*to soci*l, com primazia n* universalização do aces*o e resp**sabi*iza*ão do Estado como **gão executor de tais políticas. *o enta*t*, a assistência social, em **rticular, car*ega marcas históricas de um assistenciali*mo baseado ** filantropia, t*oc* *e favores e no cli*ntelismo. Mesm* n*s d*as **ua*s, com *s av*nço* que sur*em a p**tir da sua *n*er*ão no tripé da s*gu*ida*e social e da c*nstrução de mecanismos q*e viabiliza* e norm*tizam a cons*r*ção dos *ireitos sociais, c*m* a Política Nacional *e *ssistê*cia Socia* - PNAS e o Si*tema **ico *e A*sis*ê**ia Social - SUAS, ain*a são imperativos * trabalho fil*ntrópi*o, voluntár** e solidário, reflexos dess* proc*sso h*stóri*o cul*ural. Segundo Sposa*i (*007, p. 444-445), R**. FSA, Teresi*a P*, v. 15, n. 2, art. 10, p. *76-1*6, *ar./a**. 2018 w*w4.fsanet.com.br/revista M. R. F. Silv*, M. I. D. Souza 184 * assis*ê*c*a social sempre *oi m**to *ais aceita e entendida no senso c*mum como prática *a sociedade sem **e exig*r, como compo*en*e, qualidade de *raba*ho a téc*ico profissiona* co* suporte cient*fico- **tod*lógico p*ra garant*r res**tad*s em suas ações, s*rviços, ativid**es e progra*as. Ela foi sendo caracterizad* como a*ão *olun*ária de aju*a ma*erial presi*ida mais pel* atitude do que pel* conheci*ento e *el* *azão. É ainda soci*lm**te de*odificada pel* *ue tem sido tr*dicionalmente, isto é, *ma prá*ica que p*rtence ao ca*po da ajud*, da carida*e, da benemer*ncia, *a f*ater*idade, d* fil**tro*i*, da *olidarie*ade, *u pertencent* ao campo do gesto, onde a colaboração do vo*unta*iado social perante o mais fra*o se ***taca face ao c*mpromisso de Estado com a proteção social pública a riscos e *ulnerabili*ades *esso*i* e s*ciais. A gestão *e uma polít*ca de E**ado ex*ge mai* do qu* o gesto, pois depende de efe*ivas *ondiçõe* *ermanentes na gestão *úbli*a. Na concep*ão *e Yazbek (2009), até os an*s 1980, a assis*ênc*a soc*al configurou-se c*m* uma ação paliativa, po*tual, *ragmentada, *ecundária; ne* *esmo merecia estatuto o de **lít*ca social. E*am a*ões prec*rias para a*uela parcela d* p*pulaçã* a q*em a sociedade *api*al*s*a n*ga os direi*os mais el*me*tar*s à sob*ev*v*ncia. Yazbek faz um alerta para as dist*rç**s ne*t* área que, quase se*pre apare*e como, A*oio, muitas vezes, na matriz do favor, do apadri*hamento, do cliente*ismo e do mando, for*as enraiza*a* na c*l*ura política do **ís, s*br*tud* no trato com a* cla*ses sub**ternas (...); **a *inculação histórica com o trabalho filantrópico, vo**ntário e so*idár*o dos ho*ens em sua vida *m socieda*e (...); s*a co**ormação *urocrat**ada e inoperante, determinad* pelo lugar que ocu*a o social na polític* púb*i*a e pela e*cassez de recursos para a área (**Z*EK, 200*, p. 51). A**sar desse *rrai*ado processo hi***ri*o por qu* a a*sistê*cia social pas*ou e q** marcou m*rca profundam*nte **a ef*t*vid*de enquanto política pública, Yaz*ek (2*08, *. e 7*) afirma **e "* *o*preensão da Assi*tência Social co*o ***a *e *olític* de Esta*o coloca o desafio d* concebê-la co*o o *onjunto das políticas sociais e *om as característic*s do Estado Soci*l *ue *s opera", desta*ando o papel funda*ental do Est*do no p*ocesso de **plantação, imp*e*enta*ão e *fetivação **s*a política s*cial. Sabem*s qu*, a *ar*ir da Cons**tuição *ederal d* 19*8 e da Lei Orgâ*ica da As*ist*nci* Social (L*i n.º 8.742, de 7 de dezembro d* 1993, alter*da pela Lei 12.*35, *e 6 de ju*ho de 2011), a ass*stênc*a soci*l g*nh* statu* de polít**a de Esta*o, uma políti*a estratégica no combat* à p*breza, na *usca d* cidad*nia *as classe* sub*lternas. Ta* pol*tica *ú*lic*, a **em*lo de *u**as, d*ve ter sua **st*o efetivada por um si*t*ma desce**raliz*do e pa**icipativo, cabendo a*s municípi*s signific*tiva responsab*lid**e na sua formulação e execução. Aldaí*a S**sati (2007, p. 445), e*tende *ue, Rev. FS*, Teresina, v. 1*, n. 2, art. 10, p. 176-196, mar./abr. 2**8 *ww4.fsane*.com.br/revist* A Política Púb*ica de *ssistência Social n* Percur*o *a Tr*vessia Social 185 Na ges*ão p*blic* brasile*ra, a C*-88 e * LOAS *eterminaram, par* todo o territó*io na*ional, uma nov* d*leg*ção político-*ro*ramática no âmb*to das **l**icas sociais públi*as denominadas "as*istê*cia s*cial". a consolidação de*ses d*spostos legais exige t*r estrategicame*t* claro o âmb*to d*s nece*sid*des soci*is da popu*ação brasileira q*e deverão ser problemat*zada*, gestadas e provi*as por essa política *omo sua part*c*larida*e den*re as dem*is. Tra*a-se, portanto, *e um par*digma fu*dado no conhecime*to da *ealid*de social brasil*ira com alcanc* *e leitura para alé* do genérico, das médias, *as ap*oxi*ações grosseiras. A construção do conhecimento da realidade soci*l brasi*eira par* s*bsidiar a política soci*l p*blica p*ecisa e*tende* a *opulaç** e a demanda co*o agentes *i*os, com ca*acidades e for*as que interagem e vive* *ol*ti*amente em um da** território co*o expre*são *inâmic* de um espaço social. Dados *era*s per*e*tuai* n*o d*o conta dos elem*ntos da vida que compõem e**as *ecessida*es e às *ré-c*ndições exist*ntes p*ra seu e*fre*tame*to que, face à* di*ersidade* re*ionais d* territó*io bra*ile*ro, precisam *er p*rtic*l*rizadas em novos conhecimento*. Nesse aspecto, há que s* des*acar a constru*ão histórica da política p*bl*ca de assistência soc*al, desde sua concep*ão como mérito ind*v*dual, sob a per*pe*tiva das sobr*s, d*stante da con*e*çã* de p*l**ic* social, *aran*idora de direitos, tendo como c*ns*quência o *es*nvolvimento de pol***c** soci*i* compen*at*rias, r*sidu*is, que atende* *pe*as **tu*ções emergen*iais *té *ua efe*ivação como polític* pública, d*ver do Estado e *ireito do cidadão. *orém, mui*os a*ont*cimentos vêm marcando a consolidação *a assistência social enquanto p*líti*a *ública de di*eitos s*ciais, * que n*s fornece u** dimensão da rica cons*rução da polít*ca socia* de direitos, princi*almente com a promulgação da *onstitu*ç*o *ederal Bra*ile*ra em *988, conheci*a como Con*t*tuição Cidadã, mar*o fundamenta* desse *rocesso, porque *econh*ce * a*si*tên**a **cial como polít*ca social que, ju*to com a* polític*s ** saúde e de previdência so*ial, compõem o sistema de *eguri*ad* social brasileira. A partir de então, a assistência social * c*ncebida c*mo P*lít*ca Púb*i*a n* Brasil. *m 1993 foi promulgada a L*i Or*ânic* *e Assistên*ia So*ial - *OAS *ue introduz um *ovo significado à a*s*stência social como políti*a pública de *egurida*e **cial, d*reit* do cidadão e dever d* Esta**, prevend* ** sistema de g*stã* descentral*zado e participati*o, cujo eixo é posto na cria*ão do Conselho Naci*n*l de Assistência Social - C*AS, criado em 200* (MEST*INE*, 2011, p. 2*6). Na construção *ue se verifica na política **b*i*a *e assistênc*a soc***, mere*em desta*ue as ci*co pri*eira* Conf*r*nci*s Na*ionais de Assistência Social, real**adas nos anos de 1995, 1997, **01, 2003 e 2005, que deliberaram, avaliaram e propuseram nova* b*ses *ara sua regulação e regulamen*ação. Contri*uíra* com a "f*rm**ão de co*petênci*s de *est*o, consenso* e a*anços nesta po**tica" (CARVALHO, 2*05, p. 2). Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, ar*. 10, p. 176-19*, mar./abr. 2018 www4.fsane*.com.b*/r***sta M. R. F. Silva, M. I. D. So*za 186 Ap*ovada em *004, pelo C*ns*lho Naci*nal d* Assistência So*ial, a Política Nacional *e Assi*tência *oc*al (*NAS) re*rese*ta o cu*primento das del*berações d* I* Conferência Nacio**l de Assistência Social, realizada em **03. I*corporand* as **mandas da soc*edade b**sileira no que tange à resp*n**bilidade *olítica, a *NAS define * n*vo modelo de gestão e apresenta as dire*rizes para efetivação da *ssis*ência so***l com* direito de cidadania e respo*sabil*dade do Estado. O Conselho Nacional d* Assistência Social a*rovou, em ** de julho de 2005, a Nor*a Operacio*al *ásica de Assistência Social - NOB/SUAS q*e **resenta *s eixos *s**utu*antes para * real*zação do pacto a ser efetivad* entre os *rê* *nt*s fede*ados e as instâncias de artic*lação, pact**çã* deliber*ção, e visando à *mplem*nt*ção conso*i*ação do Si*t*m* e Único de A*sistência Social (SUAS), **lib*rado em 2005 na V Conferê*ci* de Assistê**i* Soc**l, *ator *ele*ante p*r* a consolidação da assi*tência soc*al c*m* política *úbli*a. Entretant*, apenas em * de junho de 2*11 *oi aprovado o projeto de lei *ue insti**i o Sistema Úni*o *e Assistência Social S*AS, como p**ítica - de Estado. *e acordo com o projeto, o país passar* a contar c*m form**o de pres*ação de *ssis*ê**ia social descen*rali*ado * com *estão compa*t*l*ada entre governo f*deral, **t*dos e municípios, com participação de seus respecti*os conselh*s de *ssistência soc*a*, e ai**a, d*s *ntida*es e organizações sociais *úblicas e privadas que prestam *erviç* nessa áre*. V**i*ic*m*s *uitos avanços na políti** púb*ica de *ssistên*ia social, p*rém há u* a long* caminhada par* a efetivação e universal*zação de *cesso *os demandatários *a assistênci* socia*, p*is ain*a se ***cebe que as pol*ticas socia*s "se caract*rizam por sua pouca e*etivida*e e por su* subordinação int*resses econômicos domi*ant*s, revelando a *ncap*cidade de *nt*rf*ri* no perfil de desigualdade p*breza q*e caracter*za socie*ade e a brasi*eira" (COUTO e* al. 2010, p. 32). No caso da as*istência socia*, esse* aspectos s*o mais graves, *or seu *unho *istórico b**eado n* clienteli*mo, apadr*nh**ento, be*emerênc*a, o que aca*ou por caracter**ar a assistência soc**l como não política, sempre reneg*da e c*locada *m segund* plano n* co**unto d*s políticas p*b*ic*s. P**tanto, para compreend*r a *ssistên*ia Socia* é preciso *nalisá-la *ob dois aspectos: como relação histórica d*s classe* *ociais frente à de*ig*aldade soc*al, enqua*to tens*o per*anente entre ca*ita* * trab*lho *, po* meio ** condição do Estado co** mediador desta questã* que, histo*icam**te, na *estão d* *olí*ica pública de assistênci* *ocial defende id*ias *e ig*ald*de, liberdade individual e práticas *ue as contr**iam a partir *as rel**õe* de ***or, de depen*ênc*a, determinadas por *ç*es clientelistas, po**lis*as, di**ancia*as das r*a*s necessidades da populaçã*. *ev. F*A, Teresina, v. 15, n. 2, art. 10, p. 176-196, mar./**r. 2*18 *ww4.fs*net.c*m.*r/r**ista A Pol*ti*a Pú*lica d* As*istência *o*ial no *ercu*so da Travessi* *ocial 187 *onsideran*o a atual co*juntura polí*ica, soc*al e econômica *m q*e se *nsere a política públi*a de assistê**ia social, é nec***ário compreender o* limites * constrangime**os de orde* e*t*u*ural, qu* c*mprome*e* a sua e*etiv*dade. Apesar de tod*s os **forço* e avanços, ain*a permanece um abismo entre os *ireitos garantidos con*ti*ucionalmente e a sua *fetiva a**rmaç**. Na árdua e len*a trajetó*ia r*mo à sua *fetivação co*o po*ític* *e *ireitos, *erm*nece *a Assistência *ocial uma imensa fratura ent*e o a*únci* do dire*to e sua efetiva *ossibili*ade de *everter o c*ráter cumu**ti*o *os ri*cos e poss*b*lid*des q*e permei*m * vida d* seu* usuários (YAZBEK, 2004, p. *6). Contud*, o processo de repro*ução soci*l *ão é independent* *o pr*ces*o de produç*o so*ial, po*s as demandas por *roteção social têm relação int*ínseca com o modo d* inserção do cidadão no modo de produção capitali*ta, at*avés do *rocesso de pr*du*ão produtivo, e o mod* de pro*ução da sociedade de me**ado. A *alta de vínculo* do cidadão ao m*r*ado de t*abalho o coloca em *itu*ção de demandante *or prot*ção social, assegurado pela assist*ncia social e***anto polí*ica *ública, com a*pecto compensatóri*. P** um long* perío** históri*o, suas dem*ndas **ram *tendidas *e m**o focalizado, em que o E*tado, *iante dos conflitos s*ciais, tr*tava a q*est*o social com medidas **ot*tivas, sempre parciais e "voltadas aos grupos de maior força de pre*são, cooptando *ssim reivindicações q*e teriam de *er solucionada* pel* le*islação tra*alhista, omitindo-se com relação ao desemprego, * insuficiência de renda etc" (MESTRI**R, 2011, p. 49). Essa **rma ** at*ndimen*o condicionou a a*si*tênc** so*ial uma dem*nda de in**vídu*s co*s*d*rad*s s*cialm*nt* e*pecíf*cos, que vivenciavam situações es*ecíficas ou *specia*s, com proble*as isolad*s, o que os diferenciava de tod*s o* cidadãos, aque*es c*m ví*c*lo **abalhis*a; j* os que não *ossuía* tal vínc*lo eram estig*atizado* como os "s*m *rabalho", para *s quais se coloc*vam as **ferenças c*mo send* aptos ou inaptos, os capaze* o* i*capaze*: "cabe à Ass*stência Social, com* *ec*nismo *co*ô*ico e político cu*da* daque**s que *pa*enteme*te não exist*m pa** o capital: o trabal*ador parado, o *ue nã* pos**i vínculo fo*mal, o des*m*re*ado, o ind*ge*t*, os dese*dados" (SP*SATI, FA*CÃO; *LEURY a*ud MESTRINER, 2011, p. 50). A grande que*tão * que a cultu*a da p*rs*n*lizaçã* p*r m*rgin*lizar * indivíduo no seu processo de atendimento, opõe-se frontalme*t* à real*zação da *idadania, qu* supõe di*eito à seguridade social, com p**íticas *ública* efetivas d* **o*eção so*ial (MESTRIN*R, 2011, *. 49). Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 15, *. 2, art. 10, p. 176-196, mar./ab*. 2018 www4.*s*net.com.br/revista M. R. F. Sil*a, M. I. D. Souza *88 Po*tanto, a política social d*pend* do m*de*o de regulação econômica, social e polític*, frente a* *ap*l exercido pelo E*tado e*tre os proc*ssos d* a*umulação, distribu*ção e *edistri*uiçã* do c*pital para o tr**alh* fa*e às *esigu*ldad*s s*cia*s e ec*nômicas, "a política so**al refere como dever d* Estad* e dir*ito do cida**o as prov*sõe* q** têm p*ovisão pú*l*c*, *sto é, a*uela* *ue t*ans*tam da responsab*lidade in*ividua* e *rivada *ara * respons*b*lidade soci** e pública" (*P*SA*I, 20*7, p. 437). No Brasil, o alargament* d* re*po*sabil*dade púb*ica *ela provisão soc*al ocorr*u nas dua* últimas déca*as do *éc*lo XX, pressionad* pelos movimentos **cia*s e pelos movimentos sindic*is, ** que a *uta pelo retorno ao Estad* Dem**rático de Direito *esclou- se com a lu*a pela extensã* do acesso a*s dire*tos so**ais de tod*s. Sposati (2007, p. *40), c*nsidera q*e, O e**me d* *olítica de assist*ncia so*ial, *omo de ou*ras po*í*icas so****s, significa tr*tar de um* medi*ç*o estat** na rel*ção de cl*sses em uma sociedade de mercado que tem po* objeti*o co*st**i* novos parâmetros e *l*ances na luta pela efetivação de direitos sociais e ampliação do alcan*e do d*v*r *o Estad* *o* o social. *em-*e à *r*n*e a possibi*idade de fazer avançar, em alguns aspectos, um proc*sso con*t*tuinte ainda inconclus*, mesmo que sua *omp**t*de seja, mui*as v*zes, mais dese** do qu* p*ssibilidade. Tra**-s* d* camp* da dívida social b*asile*ra, face às exc*usõ*s sociai*, onde os *erviços de *ssistê*cia soci*l são importantes, quer para su*rir d*mandas de pro*e**o e rep*odução social, qu*r para a desco*strução/reconstrução da *oci*bilidade cotidi*na d* vá*ias cama*as da população *ob uma nov* re*açã* de iguald*de/*qu*dade de direitos peran*e a s*cied*de e o Es*a*o brasileiro e perante a ét*ca sócio-*ol*tica *u*dada na dignida*e humana. S*gundo a autora, * Cons*ituição Federal de 1*88 inova, ao tra*ar a assistê*cia soc*al como política *ública *e dir*itos, enq*an*o dir*ito do cidadã* * *ever do Esta*o que, j*ntamen*e com a saúd* e com a previdência s*cial *onst**ui a segur*dade *ocial brasileira. Entre*ant*, a eficiên*i* da ass*stê*c*a s*cial e* sua função é comu*e*te referida ao eme*genci*l, ao ato do fazer em tempo *urt*, ou seja, ca*az de a*enizar * grau de sof*imento, ma* não de alc*nçar respons*bilidade em responder a um d*reito de *id*dania a produ*indo, com sua aç*o, resultados mais duradouros. Nesse aspecto, Ava*çar no estabelecimento da *unção pública "assistênc*a social" e instaurá-la no c*mpo do interes*e *úblico como *e **ver do Estado, com resp*nsabili*ades por resulta*o* efe**vos que r*sgu*rdem for*aleçam o cidadão, é u* grande trâns*to * Rev. **A, Te*e*i*a, *. **, n. 2, art. 10, p. 176-**6, mar./a*r. *018 www4.fsane*.com.br/r*vist* A Política *ú*li** d* Assistên*ia Social *o *e*curs* da Tr*ve*sia So*ial 189 *olít**o-so*ial, técnico-cient**i*o e **rídico. Um do* re*ult**os **sse trânsito es*á na conquist* d* um *spaç* pr*gra*ático específi*o, com* polít*c* p*bl*ca, cuja funç*o vá além da prontidão socorr*sta *a atenção even*ual. N* condição de política pública, el* deve r*sponder, *e f*rma racional e program*ti*a, com qualidade e qua*tidade face à* demandas, a determinad*s neces*i*ades sociais, tornan*o-se provedor* d* segu*anças sociais (*POSATI, **07, p. 4*2). P*ra isso, é n*ce*sári* q*e a g*st*o pública estab*l*ça ** forma pa**ici**tiva o planeja*ento com* um* *errame*ta imp*rtant* para a operacionalização de uma política pública regulada, *on*tor*** e subm*tida ao controle so*i** da so*i*d*de, prim*ndo *ela efet*vidade, eficácia e eficiê*c*a *un*o à populaç*o demandante. A inclus** da a*s*stên*ia so*ial na s*gurid*de social significou, cert*m*nte, a am*liaç*o do acesso *os d*rei*os s*ciais e human*s e, *ons*quenteme*te, "intr*du*iu a exigência *e a assistência *ocial, como po**tica, ser capa* de formular com objetividade o conteúdo dos direit** do cidadão em seu raio de açã*, tare*a, a*iás, que ai*da permanece em *onstrução" (S*OSATI, 2009, p. 1*). Enfim, todo esse processo his*órico ve* refo*çar e exigir do Estado a *onsolidação d* *olítica P*bli** de Assistê**ia Social como gara*tidora de di*eito* soci*is, da*do-lhe a real p*s*i*ili*ade *e efetivação e* todo o *erritório *acional e, por *onsequ*ncia o que vem en*aiand* * implantação e implementa**o d* Sistem* Ún*co de A*sistência Social (SUA*). 3.2 Breves reflexões sob*e o C*ntex*o Neoli*eral As mudanças no cenár*o m*n*i*l, a crise capitalista e o reforço que *e ver*f*cam na es*raté*ia neoliberal redef*nem uma *ova hegemonia do capi*a* fi**nceiro n* contexto de c*ise e mundializa**o do capital, onde h* * n*tida preocupação com a esfera econômi*a e polític* em detrimento *o papel social d* Es*ado, em espe*ial nas s*as res*onsabil*d**es j*nto à classe traba*had*ra, que são ating**os pelo desmonte de políti*as p***icas d* c*nho social, e a conse*uente *erda d* direitos sociais. Nesse cenário, a mobilização social vem buscando bar**r as reformas que a*i*gem de form* drástica a clas*e o*erá*ia, *orém os movi*entos soc*ais vêm se*do desmont*dos e *esmo criminali*ados, em especial pela mídia que coloca os in*er*sse* do atual governo c*mo r**olu*ivos para a atu*l sit*ação de crise em *ue se e*contra o país. Sabemos qu* * cris* não é r*cente e mu*to me*os loca*izada; é, na verdade, uma cr**e mund*al, com característi*as hete*ogên*as e com*lexas, mas que tem como especifici*ade ser Rev. FSA, Teresin* PI, v. *5, n. 2, a*t. 10, p. 176-19*, mar./ab*. 2018 www4.fsanet.com.b*/revista M. R. F. Silv*, *. I. D. S***a 190 uma crise do sistema capitalist*, crise de super*rodução e s*pera*umulação de produt*s no cont*xto do mund* g*oba*izad* e com característ*ca* do pro*esso de financeiriza*ão do ca*ital, q*e f*vorec* não somente a cr*s* econô*ica, mas a *olíti*a institucion*l, cultur** e de*tacadamente a social. *esse sentido, há u*a fuga do c**ital *a ativi**de p*odu*iva e comer**al para * esfera f**ancei*a onde "* *onstante *mpliação e so*ializaçã* da pr**ução é acomp*n*a*a da c*da v*z maior apropriaçã* privada do produt* (MONTAÑO; DURIGU*TO, 2011, p.182), o que reflete a contradição fund*n*e do modo de produção ca*i*alista que tem desevolvimento cícli*o, seg*n** Mar*: "e*t*bi*id*de, *nimação crescente, pr*s*er*dade, *uperprodução, craque, estagnação, esta*il*dade, etc" (MARX apud MONTAÑO; DURIGUE*O, 2011, p .1 * * ) Na perspecti** contempor*n*a, tais c*clos confi*ura*-se como: um pe*íodo de e*pans** ou auge e pr*speri*ade; uma f*se de *up*rpro*ução; *m período d* crise e d**ressã*; uma nova fas* de rec*p*ração econômica (MAN*EL *pud MON*AÑO, DU*IGUETO, 2011). A *r*se do sistema cap**al*s*a é deva*ta*o*a, profun*a e persistente, carac*erizada pela de**o*ada ** s*ste*a fina*ceiro i**ernacional, mais precis*mente pela su*er*rodução, que traz consequê*cias para *od* o mundo, em es*ec*al a*ueles e* desen*olvimento que sofrem *e ma*eir* mais co*tund*nte os efei*os e c**sequê*cias da *rise, q*ais s*j*m: queda br*sc* do comé*cio mun*ial, afetando dessa forma a globaliz*ç*o/m**d*aliza*ão do ca*ital; gran*e recessão, caracterizada pela queda do *onsumo e alt*s *a*as d* juros; des*mprego g**eralizado, apresentado em gran*e escala e *a c*ndição de *strutural; graves *en*õ*s s*ciais no cen*ro * *a *eriferia do mun*o capital*sta. Segun*o Mészaros (2011, p.10*). S*b as cond**ões *e crise *strut*ra* d* *apit*l, seus constituintes des**uti*os avançam com força *x*re*a, ativand* o espectro *a *ncontrolabilidade tota* numa fo*ma que faz prever a autodestruição, *anto p*ra este sistema reprodu*i*o so*ial excepciona*, em si, como para a hu*anidade e* geral. O **tor destaca *ue a r*la*ão entre produç*o e consumo deve ser *e*cebid* "em sua estrutura de mane*ra tal que a n*cessária unidad* d* a*bos se to**a insuperav*lmente problemática" (*ÉSZAROS, 2011, *.102) *, com o pa*sar do te*po será ge*ado*a de *l*uma esp*ci* de crise. R*v. FSA, Teresin*, v. 15, *. 2, art. 10, p. 176-*96, *ar./abr. 20*8 *ww*.fsanet.com.*r/revista A *o*ítica Pública de Assistê*cia So*ial *o Per*urso da Travessia Soci** 1*1 Segundo ele, A atual *r*se *st*utural do capital af*ta e* profundidade todas as in*t*tuições do Esta*o * os mét*dos organizacionais correspondent*s. Junto* com *ssa crise vem a crise po**t**a e* geral, sob todos os seus **pecto*, e não *omente *ob os *iret*ment* preocupa*os com a legiti*ação ideológica de qualqu*r *istema particular *e Estado. (MÉSZÁROS, 20*1, p.107). D*ante d*ssa q*es*ão surge* te*t*tivas ensa*ad*s *elas lide*a*ç*s das principais economias mu*diais, **ravés de *ntervenções tópi**s *a busca pe** r*cu*eração do sistema capi*al*sta, *om vistas a co*t**l*r a crise e co* * intuit* d* manter o processo de a*umulação capitalist*, se*a p*la produ*ão * mai* cresc*n*emente p*la fi*anceirização do c*pital. Um* da* estratégias *ue *em avan*ado no mun*o, espec*alment* dos *aíses em desenvolvimen*o é a polít*ca de ajuste *eoliberal que ap*esenta, *o** princi*ais caracter***ic*s: m*nima particip*ção *st*tal nos rumos da econo*ia de um país; pouca in*ervenção do go*er*o no mercad* de trabalho; p*lítica de pri*at*zação de empre*as *statai*; *i*re circulação de capi*ais inte*nac*o**is e ênfase na globalização; ab*rtu*a d* economia p*ra a entrada de mult*nacionais; adoção d* medidas contra o prote*ionismo econômico; des*ur*cra*ização do Estado: leis e regr*s econômicas mais simplific*das para facilit** o funcionament* **s atividades econômicas; diminuição *o tamanho do Estado, tornando-o mais efi*iente; posição co*trária aos i*po*tos *ributos exce*sivos; aumento da e pr*dução, como obj**ivo bá*i** para atingir * *e*en**lvimento econômi*o; contra o control* d* pre*os d*s *rodu*os serviços por part* d* Esta*o, o* sej*, a lei da of*rta e demand* e é suficie*te para regular os p*eço*; a base da ec*nomia d*ve ser formad* por e*p*esas privadas; d*fesa *os princípios econômicos d* c*pitalismo. Segund* Soares (2002, p. 23), "é a *artir d*s anos 80 * ***re*udo in**io do* 90 que a *aioria dos p*íses latino-ame*ic*n*s dese*cand*i* e/ou ava*ça nos a*u*tes e na* reforma*". Ne*sa pe*sp*ctiva, ac*escent* como objeti*os do ajuste **o*iber*l: a abertura da *co*o*ia pa*a o ext**ior, com o in*uito de a*me*tar a competi*i*id*d*, libera*izaç*o d*s mercado* ao passo em qu* * E***do ten*a sua par*i***ação na econom*a racionalizad* e a manutenção *obre * contr*le de pr*ços, dentr* o*t*as v*r*ávei* *acroeco*ômi*as. No contexto ** crise dos *nos 80, o Estado brasileiro se encon*rava política e economicament* f*agilizado, especialmen*e p**a falta de rec*r*os (econômicos e políticos) para enfrentar as medidas de ajus*e no período. *e*de então, o pa** vem enf*enta*d* "*m processo circul*r e crôn*co de instab*l*zaç*o macroe*on*mica política: in*tab*l**a*e da * ***. FSA, Teresina P*, v. *5, n. 2, art. 10, p. 176-19*, mar./abr. 2018 www4.*sa*et.com.*r/*evista M. R. F. Silva, *. I. D. Souza 192 m*ed*; *nstabilidade do c*escimento; in*tabilidade n* condução das po*íticas públicas" (*OARES, 2002, p.3*). Tal c*i*e se es*ende e se ag*ava nos anos 2000 e *vança com mais **go* em 20*5. Várias foram as *entativas de reversão * *ontrole *a crise, *orém o p*ocesso de estabilização e *etomada do *re*cimento são múlt*plas * complexas, o que ultrapass* a *im***ão apen*s da p*lítica econômica. N*ss* sentido, bus*o*-se a alternativa da propos*a neolibe*al **nd*c*onada pelo agra*a*en*o *a crise econômica e pelo esgotament* do Estado d*senvolv**entista bra*ile*ro. Des*acand* o processo de transição de*ocráti*a, a* final do governo Sa*ney, perpassando *elo plano de estabilizaç*o e de reforma econômica do go*e*no Collor e, posteri*r*en*e, com F*rnando Henrique Cardoso, *ercebe-se que "os con*o*nos n*o*iberais do pro*esso do "a*uste br*silei*o" *ornam-se mais n*ti*a, *em co*o as suas conseq*ênc*as econômic*s e, sobr*t*do, soci*is" (*OA*ES, 2002, p.38-*9). *ssim, b*s*a-*e a li*erda*e do me*cado, *specialmente p*la de*reg*lamenta*ão d* econo*ia, be* com* *s privatiz*ç*es. O que acontece no Bras*l, a exemplo de **tros país*s da Améric* La*ina, é o agravam*n*o das *ond*ções de desigu*ldade soci*l * o cons*que**e su*gimento de novas formas de **breza ou e*c*us*o social, ten*o como pano d* fu*d* * adven*o mac*ço do desempre*o. Dentre as consequências s*ciais do *juste, podemos citar: "maior extens*o po*ulacional; maior c*ncent**ção ** renda; maior heterogeneidade *ocia*; peso urbano-rural; maio*e* e mais nume*osos *en*ros metr*p*litanos; en*re *utra*" (SOAR*S, **02, p. 33) * *utora destaca que "[...] mu*tas *essas consequê*cias são de difícil re*ersão, sobretudo se *antidos a a*ual p*lít*ca ec*nômica e *adrão *e in*erv*nção do Estad* o no s**ial d* car*ter "resid*al" (S**RES, 2002, p.33). Segundo Be*ring e Bosc*ett* (2007), n* paí*, a *en*ativa tardi* de se estab*lecer *m Esta*o de Bem-Estar Social, a*rav*s da Seguridade Social qu* de*eria *ro*ocar mu*anças *rof*nd** na saúde, previdência soci*l e ass*s*ê*cia social, v*-se atropelada pelo *juste neo*iberal, o qu* vai re**etir n* impl*ntação, i*pl*mentaçã* e exec*çã* **ssas, de*tre ou*ras polític*s públicas, tendo em vi*ta que *á se iniciam *ragmentada* e precarizadas, remontadas à p*rsp*ctiva do ajuste f*scal. O país *e encontra *uma situação *conômica, polí*ica e *nstituc*onal instável e fragi*iza*a, que ref*ete um quadro social agravado. Nesse s*ntido, "[...] ajuste neolibe**l o *ev* ser e*tendido não apenas como medidas *e carát*r *xclusivam*nte econômico, mas também c*m* um projeto global para a socieda*e", o q*e lh* trará m*didas e tra*sforma*ões R**. FSA, Teresina, v. 15, n. *, art. 10, p. *76-196, mar./*br. 2018 ww*4.*sa**t.com.br/**vi*ta A P*lítica P*blica de Assistência S*c*al no Pe*curso da Travessia *ocial 193 drásticas, especialm*nt* no âmbito social, sobretudo po*que "o país foi p*go a meio cam*nh* na sua *entativa tardia de montage* de um *sta*o de *em-Estar Soc*al" (SOARES, 2002, p.35). O agravamento d* dívid* públi*a acarr*t* nas d*versas proposta* de r**orm*s no m*is diversos *et*res *a sociedade, dentr* as quais pode*os *estacar as s*gui*tes *reas: educação, saúde, pre*idênc*a socia* e *as *eis trabalhistas. Fato é qu* tem s* b*sca*o, d*sde os a*os 90, * redução com os *astos públicos, mesmo com a **oposi**o d* apara*o de uma Seguridade Social, a partir da Co*stitu*çã* Brasilei*a de 1988, com o *ntuído d* redução *a *nf*aç*o, porém é import*nte des**car que tai* açõe* *êm recaindo semp*e *obre o* *etores mais de*favorecid*s da *ociedad*. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 4.1 Anun*iação do devir Seg*ndo S*ares, "* *ju*te fi**al *em se tornado ca*a vez mais cust*so par* o s*tor públi**, ob*igand*-o * co*tar *astos essenciais e suportar desequilíbr*os patrim*niais *res*entes" (*00*, p. 27-28). Busca-s* o ajuste *iscal e redução de ga*tos por p*rte do Est*do. A *rientaçã* pa*a o corte dos gastos soc*ais do Estado, para ass*m c*nter o déf*cit público e gerar supe*ávit *rimár*o, seg**, na verdade, *s recomendações con*idas n* ajuste estrutural p*op**to pelos or*anismos inte*nacionais, pel** quais as *conomias n*cionais devem adaptar-se às novas con*ições d* economia mundial. É *ess* cenário *ue é preconizada a *eduçã* da interv*nção estat*l *o finan*i*ment* * na operacionalizaç*o *as políticas *ociais. (MONTAÑO; *URI*U*TO, 20*1, p.208). Nesse c*nário, "a assi*tênc*a social é a po*ític* que mai* vem sofrendo para se materializar *o*o *olítica *úbli*a" (*E**ING; *OSC**TTI, 2*07, p.161) e, n* *ue atualmente s* apre*enta, percebe*os a possibilidade em s* constituir o Sistem* Único de As*istê*cia Social desregulamen*ad*, prec*r**ado e fr*gi**za*o diante do desmantel*me*to das polít*cas sociais e direitos *o**ais que ora s* apr*s*ntam no país, denu*ciad*, num pri*eiro mom*nto, pela apr*vação da Propos*a *e **end* C*nsti*ucional 55/*016, *ue re*ere o c*ngelam*n*o com g*s*os *úbli*os. Rev. FSA, Teresina PI, v. *5, n. 2, art. 10, p. 176-*96, mar./abr. *018 ww*4.fsa*et.com.br/re*ista M. R. F. *il**, *. I. D. Souza 19* Inst*tui * N*vo Regime F*s**l no âmbito dos *rça*entos Fiscal e da *eguridade Social da União, que vigo*ará por 20 ***rc*cios finan*eiros, *xistindo limit** individu*lizados *ar* as despe*as pr*má*i*s de ca** um dos tr*s Pode*e*, do Minis*éri* Público da Un*ão * da Defensori* P*b*ica da União; sendo que cada um do* lim*tes *q*ivalerá: I - para o ex*rcício de 20*7, à despe*a primária pag* n* e*erc*cio *e *0*6, incluídos os restos a *agar p**o* e *emais ***rações *ue afetam o resu**ado primár**, co**i*ida em 7,2% e II - para *s exercí**os posteri**es, ao valor do *imite re*erente ao exercício imedia*a*ente anter*or, corrigid* pela v*riação *o *ndice *acion*l de Pr*ços ao Consumid*r Amplo - *PCA. Dete*m*n* que não se **c*uem *a *a** de c**culo e nos limites **tab*lecid*s: I - transfer*nc*as c*ns**tucionais; II - créd*tos extraor*inári*s III - despesas não recorrentes d* Justi** Eleit*ral *om a realiza*ão *e eleições; e IV - despesas com *umento de capital de em*resa* est*tais *ão d*pendente*. (BRASIL, 201*). Tal proposiçã* af*tará de forma preocupante a P*lític* Pú*lica de Assistência *ocial, tendo em vista que a*é 20*5, ano em q*e o Sistema Ún**o de Assistência Socia* *ompleto* 10 ano* de execu*ão *o país, ape**r de todas as difi*ulda**s enfrentadas nesse *eríodo, há que se des*acar os indi***tíveis avanços con*u*stados no â*bito desta polí*ica no *nfrentament* das expressões da *ue*tão *ocial; porém m*ito há q** ser feito, muito precisa ser melhorado e ef*tivado, so*re**do na universalizaç*o do acesso *ela po*ulaç*o demandat*ria po* esta *olítica. No entanto, o momento a*ual *o* faz apre*nsivos, pois poderemos enfr*ntar um retroc*sso social, ta*vez se* preced*nt** *istóricos, onde serão afetados especialm*nte os *ais *obres, *endo e* vista que a c*asse trabalhadora será a mais atingida *iante do *ue se *nuncia, de*t**ando para o agravame*to das desig*aldades soc*ai* * co* ela t**to* probl*mas que poder*o ocorre* e se manif*star. Po*ém não há como estima* precisa*e*te as conseq*ênc*a* do atual ajuste fiscal, t**ves*ido de desmon*e d* p*líticas públicas, desregu*ament*ção do trabalho e **nsequente *erdas de d*reit*s socia*s. Enfim, ao sinali*ar tais questões, percebemos que a Polí**ca Púb*ica de Assistê*cia Social vem p**s*ndo por grandes desafios para a conso*idaç*o do Sistema Úni*o d* As*is*ência Socia*, em espec*al ** contexto atual, em qu* *e a*r*sent*m propostas governamentais *u* sina*izam o *esmonte e d*smante*am*nto das po*íticas sociais brasile*ras. *omentos de incerteza, apreensã* e *edo, porém há que se r*flet*r qu*i* con*equências reais e efeti*as *oder*mos vi*er dia*te d* qu* se anu**i*, e bu*car enfrentar o de*man*elamento a *artir *o que t*m se apresentando no segundo semest*e de 2*16 e, **bretud*, quais as conse*uências d* que e*tá por vir ou devi*. Rev. *SA, Teresina, v. 15, *. *, art. 10, p. 176-1*6, mar./abr. *018 www4.fsanet.com.br/revista A Polí**ca Pública de Assi*tência So*ial no Percurso da Tra*es*ia Social *95 REFE*ÊNCI** BEHRING, E. R. B*SCHET*I, I. Política So*ia*: f**damen*os e *istória. B*b**oteca Básic* ** Serviço *ocial. v.2. 3* ed. São Paulo: Cortez, 2007. BRASIL. Constituição (19*8). Constituição da República Fe**rat*va *o Brasil. Bras*lia, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. *92 p. _______. Lei nº 12.435 de 6 de julho *e 2011. Alterar le* nº 8.742 de 7 de dezembro de 1993 e dispõe s*bre a org*nizaç*o da assis*ê**i* social. D*sp*níve* em: <www.*lanal*o.*ov.b*/ccivil_*3/_Ato2011-2014/.../Lei/L124*5.htm>. COUTO, *. R. *t al. O Sistema Único *e As*istência S*cial no Br*sil: uma *ealidad* em movimen*o. São Pau*o: C*rt*z, *01*. DALLAGO, C. *. T. Estado e *olít*c*s Socia*s no *rasi*: formas hi**óricas d* enfrenta*ento a pobreza. In: III Jornada Int*rnacional d* Polí*icas Púb*icas, 3, 2007. São Luís. Ana*s... S** Luís: UF*A, 200*. DRAIBE. *. M. Uma nova Inst*tucional*dade das P*líticas Soc*ais? Reflexões * pr*pósito da ex*eriênc*a latino-**eri*ana rece*te d* reformas dos pr*gr*mas *oci***. S** Paulo em *er*pectiva-Revista da Fund*çã* SEADE, vol. 1*, n. 4, 1997. FIGUEIREDO, A. M. As *olíticas * o planejame*to do desenvolvimento regiona*. I*: C*S**, J. da S.; NIJKAMP, P. (Org.) Compên*io de E*onomia Reg*onal: Teoria, Te*ática* e Polí*ica*. V. 1 Co*mbra: Principia, 2*09. LEAL, R. G. Perspectivas Hermenêuticas dos Direitos Humanos e Fun*a*e*tais no Br*sil. Porto Alegre: *ivrari* d* Adv*gado, 2000. ME*TRINER, M. L. O Estad* entre a Filantropi* e a **s*stê*cia *ocial. * ed. São Paulo. Cortez, 20*1. MÉS*ÁROS, I. Para além do cap*tal: r*mo a *ma teoria da tra*siç*o. S*o Paulo: Bomtempo, 2011. MONTAÑO, C; DURI*U*TTO, M. L. Estado, Clas*e M*vim*nto *ocial. Bibli*teca e B*sica do *erviço So*ial. *.*. 2ª. *d. São Pau*o: Cort*z, *01*. PEREIRA, P. *. *. Dis**ssões conceituais **bre política soc*a* como política pública e *ireito d* c*dadania. In: BO**HETTI, I. *o*ític* So*i*l no Ca*i*alismo: tendências *ontem*orânea*. *ão Paulo: Cortez, 20*8. _______. Nec*ssidades Hu*anas: subsídio* à c*ít*ca dos mínimos *ociais. 5ª. *d. São Paulo: Cort*z, 20*8. _______. Pol**ic* **cia*: tem*s e *uestõ*s. 2ª ed. S*o *au*o: *ortez, 2009. Re*. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 2, art. 10, p. 1*6-196, ma*./abr. 2*18 www4.fsane*.com.b*/re*is*a M. R. F. S*l*a, M. I. *. *ouza 1*6 SOA*ES, L. *. Aju*te Neo*iberal e des*juste Social na Amér*c* Latina. Petrópo**s, RJ: Vozes. 20*1. _______. Os Custos Soc*a*s do Ajuste Neolibera* na América La*ina. 2ª. e*. São Paulo, Cortez, 2002. SOUZA, C. Po*ítica* Púb*icas: *ma revisão da liter*tura. Sociologias, Por*o Alegre, v.8, n. 16, p.2*-44. jul./dez. 20*6. *POS*TI, A. Assi*tên*ia Social: d* Ação Individ*al * Direito Social. Perspectivas na C*ns*ituiç**, Revista Brasile*ra de Direito *ons*itucional, S*o Paulo, *. *0, p. 435-458, 2007. _______. Mod*lo brasileiro de p*ote*ão *oc*** não contributiva: concepções fund*ntes - *once*ção e ges*ã* da proteção so*ial *ão c*ntri*u*iva *o ***sil. Brasíl*a: Minist*ri* do Desenvolvime*t* *ocial e Com*ate à Fom*, Un*sco, 2009. TEIXEIRA. E. C. O Pap*l das Políticas Públ*cas n* Dese**olvimen*o Lo*al e na Trans*or*ação da Realida*e. Disponív** *m: <http://www.fit.br/*ome/link/te*to/ polit**as_p*blicas.pdf>. Acess**o em: 0* de a*o*to de 2***. *AZBEK, M. C. Classes Subalternas e Assi*tência *ocia*. 7. *d. São Paul*: Cortez, 2009. _______. Esta*o, Polít*cas Sociais e Implementação do SUAS. In: RAI*H**I*, R. (IEE). (Org.). SUAS: *onfigur*ndo o* *ixos de *udanç*. 1.ed. p. 79-136. Brasí**a: Prol E*i*o*a e Gráfica *tda, 2008. _______. As ambi*uidades *a Assist*ncia Social B*asil*ir* após 10 anos de LOA*. *evis*a S*rviço Soci*l e Sociedade, *ão Pau*o, v.25, n.77, p. 11-*9, 2004. Como Referenciar este Artigo, conforme ABNT: **LV*, M. R. F; SOUZA, M. I. D. A Polític* Públic* de Assistê*c*a Social n* Percurso da Tra*es*i* Soc*al. Rev. *SA, Teresina, v. 15, n. *, ar*. 10, p. *76-196, mar./abr. 2*18. Contribuição dos A**ores M. R. F. S*lva M. I. D. So*za 1) conce**ão e planeja*ento. X X 2) an*lise e *nterpretaçã* dos dados. X X 3) e*aboração do rascunho ou na rev*são crí**ca do conte*do. X X 4) par*ic*pação na aprovação da versão fina* do manus**ito. * X Rev. *SA, Teresina, v. 15, n. *, ar*. 10, p. 176-*96, ma*./abr. 2018 www*.fsanet.com.*r/revista

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Ficheiro:Cc-by-nc-nd icon.svg

Atribuição (BY): Os licenciados têm o direito de copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, conquanto que deem créditos devidos ao autor ou licenciador, na maneira especificada por estes.
Não Comercial (NC): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar a obra e fazer trabalhos derivados dela, desde que sejam para fins não-comerciais
Sem Derivações (ND): Os licenciados podem copiar, distribuir, exibir e executar apenas cópias exatas da obra, não podendo criar derivações da mesma.

 


ISSN 1806-6356 (Impresso) e 2317-2983 (Eletrônico)