www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 6, art. 1*, p. 187-203, nov./dez. 2017
I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298*
http://dx.do*.org/10.*2819/2017.14.6.10
Relacionamentos Interge*aciona*s em Famílias de Crianças com Def*c*ência
Int*rg*nerat**nal Relations**ps in Famili*s with Disab*ed Ch*l*ren
Julia*a Archiza Yam**hiro
*outorado *m Ed*cação *s*ecial p*la Universidade Fed*ra* de São Carlos
Me***a em Terap*a Ocupacional p*la Univer*idade Feder*l de São Carlos
ju*ia*ayamashiro87@g*ail.com
Th*lm* Simões M**sukura
*ou*ora em Saúde *e**al pela U*iversidade de Sã* P*ulo
Profe*sora da Univ*rsidade Federal d* São *arlos
thelma@*fsc*r.b*
Ende*eço: Julia*a A*c*iza Yamas*iro
*ditor Científ*co: Tonny Kerley de Alencar Rodr*gues
Rua Ennes B*e*o, *0, *ar*ue Fe*r, CE*. *3563-
760, São Carl*s - *P - Bra*il.
Artigo r*cebido e* *4/*8/2017. Última
versão
End*reço: T*e*ma Simões **t*uku*a
Univer*idade Fede**l de São C*rlos, Ro*ovia
Wash*ngto* Luiz, km 23*Monjoli*ho135*5-905 - São
C**los, SP - Bra*il.
recebida em *8/09/*0*7. Aprovado em 19/09/20*7.
*valiad* pelo si**ema Tr*ple Review: a) Desk Revi*w
pelo **itor-Chefe; e b) Double Blin* Review
(a*aliação cega por dois ava*iador*s *a área).
Rev*são: Grama*ica*, N*rma*iva e de Forma*ação
J. A. Yamashiro, T. S. M*tsukura
1*8
RE*U*O
Estu*os intergeracionai* contribue* pa** a compr*ensão *os pro*e*sos d* desenvolvimento *
ada*tação familiar, *m famílias de cri*n**s c*m e sem alt*rações no de*env*lvimento.
Ob*etivo: comp*eender a realidade de famíli*s d* cr*anças com deficiência intel*ctual * com
*esenvolvimento
típico, so* a ótica de t*ês g*rações, ac*rca do cotidiano e de práticas
*e
apoio ex**tentes na família. Metodologi*: P**ti*iparam d* *stu*o 3* f**iliares (a*ós, mãe* e
irmãos *ais velhos) d* c*ianças
*om deficiência intelect*a* e *e crianças
c*m
desenvolvime*t* *í*i**, os quais resp*nderam a entrevis*as *emie*trutura*as. Verifi*ou-se
qu* avós de
ambos os grupos representam im**rtante fonte
de
*poio à família. O
relacion*m*nto inte*geracion*l *n*re avós e netos mais velhos apr*sentou-s* c*mo positivo na
vi da
d* ambos, e*b*ra, no caso das famílias
de *ria*ças com def*ci*ncia, tenha *ido
observ*do que a *n*er**ão e*t*e **ós e net*s ma*s **lho* é ac*e*cida *e car*cterístic*s
**pecífi*as des*a reali**d*. Discute-se *obre a contribuição dos r*lacionamentos
intergeracionais *o desenvolvimento
de t odos
*s membros
da família e destacam-se
*speci*icidades em famílias *e criança* com *efici*n*ia.
Pa*avras-Chave: Família. In**rge*acionalid*de. Crianças c*m Deficiência. Mães. Avós.
ABSTRACT
Inte**enerational stud*es contribute to the *nders*anding of the proc*sses of development and
famil* adapta*ion *n families of children *ith or w*thout deve*opmental a*tera*ions. *bject*ve:
To comprehend the re*lity
of
families of *hi*dren with int*llectual and develo*mental
disa*ility from the *erspective of *hree generations, a**ut everyday p*actices and a* existing
support fro* t*e fami*y. *ethodology: The study *ncluded 3* relatives (gradmo*her*, m**hers
and older s*bling*) of childr*n with i*tellectual disabilit*
an* c*ild*en with ty*ical
developmen*, th*t ans*ered semi-st*uc*ured *urveys. R*su*ts: Grandparent* *rom both **oups
represen* a*
important *our*e o* *upport for the fa*i*y. Intergenerational rel*tionships
b*tween grandp*rents an* older gran*ch*ldr*n have * positive eff*ct in t*e lives of both,
alth*ugh f*r f*mil*es with disa*led chi*dren *h* interactio* i* ad*e* by sp*cific cha*acterist*cs
of th*s reality. *he contribution of int*rgenerati*nal rela*ionships in the develo**ents of all
f*mily mem*ers is discussed and the specificit*es of famil*es of d**ab*ed children ar*
highli***ed.
Key-*ords: Fam*ly. Intergenerati*nali*y. *hildre* W*th *isa*ilit*e*. Mother. Grandmother.
Rev. FSA, Tere*ina, v. 14, n. 6, art. 1*, *. 187-203, nov./dez. 20*7
www4.fsane*.com.*r/revi**a
*elacionam*ntos Inte*geracionais em *am*lias de Crianças com Defic*ênc*a
189
1 I*TRODUÇÃO
So* a óptica da **oria si*têmica, a *amíli* pode ser
compreendida como um
g*upo
na**ral, cuja est*utura * e***o*a*a a pa*t*r dos p*drões de int*raç*o e**abelecido* entre seus
membros,
como
um sist*ma *on*tituído por vários níveis de *elações, com*osto por
subsistemas,
*o*o
m*rid*-esposa,
gen*to*es-f*l**s,
irmãos-irmão*
e
*vós-netos
(MINUCHIN; C*LAPINTO; MINUCHIN, et *l. 1*9*,).
No sécu*o XX, * pirâmide **ár*a *undial sof*e* modificações à me*ida *** **o
apena* os países desenvolvid*s, mas também aqueles em desenvolvimen** passaram
a
**r*sentar *m progre*si*o au*e**o da po*u*ação id**a. De acordo *om a OMS até o ano de
202*, o Brasil se** o s*x*o pa*s do mundo com maio*
número de *doso* (BRASIL, 2005;
**09); contudo, s*be-se que o en*elhecimen*o po*ul*c*on*l não é exclusiv**a*e da realidade
*r**ileira.
* rela*óri* "envelh*cime**o *o século XX*: *elebr**ão e desafio", lançado *or
agên*ia* da ONU em 2*12,
destaca que, p*la primeir* vez na histó*i* mu*dia*, no ano
de
*000
h*via mais pess**s
**m mais d*
60 anos que crianç*s com m*nos *e cinco e qu*, em
205*, a
*op**ação *dosa será ainda maior *ue o* menores de 15 a*o* (FUN*O DE
P**ULAÇÃO DAS *AÇÕES **IDAS, **12).
Apont*-s*, ai*d*, que o envelheciment* está ocorrendo e* *o*as as *eg*ões *o m*ndo.
Assim, di*nt* do* desaf*os e ***enciali*ades do env*lhe*imento populacional, preconizam-se
novas form*s de e*truturação das sociedades, f*rças de trabalho e rel*ções sociais
e
interg*raciona*s (FUNDO DE POPULAÇ*O D** NAÇÕES *N*DAS, 20*2).
Tal re*lidade f*z c*m *u*, por u* período *e te*p* mais
*ongo, haja uma mai*r
convivência *nter**raci**a*, o qu* *mplica *i*etamen*e no desenvolvim*nt* da f*mí*ia e
d*
in*ivíduo (HERÉDIA;
CASARA; CORTELLE*TI, 2**7). *esta direção, pa*a *ntender
o*
*elacionamentos *ntergeraci*nais contempor**eos dev*-se *o*side*ar a div*rs*d*de,
o
con*exto e as experiên*ias fam**iares n* *ual r*lacioname*t* está emb*sado (STELL* et o
al., 201*).
Es*udos sobr* o tema re*elam *s *e*efícios * desafios q*e os r*lacionamentos
intergeracio*ais podem ap*es*nta* aos *iferente* indiv*duos
*o grupo familiar, como por
exemplo, o
*p*io,
ajuda mútu* e influência pos*tiva a**inda *o convívio e int*raç*o
inte**eracional (ARAÚJO *t al., *002).
Con**do, a literat*ra indica u* número recent* e *estrito de e*tud*s **tergera*ionais
em família* de criança* com e *em *lte*ações no dese*vol**men*o e tem
apontado *ara
a
Re*. FSA, T*resin* P*, *. 14, n. 6, art. 10, p. 187-203, nov./dez. 2017
www4.fsanet.*om.br/revi*ta
J. A. Yam*shir*, T. S. Matsuk*r*
190
*ecessida*e de con*in*idad* * apr*fundamento *o tem* em **feren*e* contexto* (HA*TINGS
et al., 2002).
Woodbridge, Buys e Miller (2011), **r*vés de um e*t*do co*parativo realizad* em
uma cidade *ustr*l*ana, **e *bjetivou explo**r c*mo os avós **t*ra*i*m com seu* net*s *om
d*senv*lviment* típic* e com deficiência, ref*etem sobre os v*riados t*pos de papéis
*esempenh*dos por a*ós de cr**nças com defici*nci*
na família *
enfatizam,
ainda *ue tais
papé*s eram ** mesmos para os netos com deficiência e para os netos com **senv*lvi*ent*
típico.
Nessa mesma direção, c*m o obj*tivo de investigar as percepções e c*enç*s d* avó*
em r*lação ao *nvolvimento no c**dado *** netos, o *mpacto da def**iê*cia em suas v*das e o
relac*onamento que ma*tinham com eles, *atz e Kesse* (2002), *través de entr*vistas co* 16
a*ós israelen*es, encontr*ram que a qualid*de e quan*ida*e de interação dos av*s na vid* do
**to *om defi*iê*cia era deter*ina*a pela dinâmica int**geracional estabel*ci*a entre os avós
e os pais d*s neto*. Assim,
as
*ut*ras discutem s*br* a diferença de relacionamentos *ntre
a*ós e *e*os co* *efici*n*ia * depender se ** avós são maternos ou p*te*nos e indicam que,
quan*o *s avós são paternos, o c**t*t* físico co* * neto d*pende princip*lm*nte de su*
relação co* a nor* ou genro (KATZ; KESSEL, 2002).
Já com o objetivo de investiga* se *lgum*s vari*v*is, como a *da*e, o gênero e o fato
d* serem
m**ernos ou paterno*, t*m infl*enciado a
per*epção de av*s acer*a de seu
r*lacionamento com *s ne*o*, o e*tudo realiz*d* por Smor*i et al. (2012), com a parti*ipação
de 373 avós itali*no* (com *da*e entre 53 e *8 anos), rev*lou q*e os avós indicaram em*çõe*
positivas em relaç*o
à* atividad*s c*mpartilhadas com os netos, *ão hav*ndo diferenças
significativas em *elação
ao sexo, * i*ad* e
ao fato de o avô s*r
p*terno ou m*te*no. Além
di s s o,
o* avós **r**cipantes
evidenciaram atr*buir uma
grande *mportância ao seu papel
de
educ*do*, que é des*mpenhado por meio
das atividade* compar*ilh*das com ** net*s
(SMORTI; *S*HIESNE*; FA*NET*, 2012).
Acerc* do rela*i*na*ent* intergeraciona* entre avós e irm*os de crianças com
deficiê*c*a, um *studo c*nad*nse q*e objeti*ou verif*c*r o processo de envolvimento de a*ós
* i*mão* de crianças com *oenças
crôni*as, *e* co*o as *rát**as *e apoio ex*rci*as no
contexto fami*iar, o qual
contou com a pa**icipação *e
quinze avós d* sei* **mílias
d*
cr*anças com doenças c*rdíaca* congênita*, evi*enc*ou *ue as pe*quis*s direcionadas a e*ta
população têm foc*lizado * inter*ção entre idosos e seu* filhos adultos, ou a interaçã* entre
avó* e netos com algum t*po
de deficiê*cia *u do*nça, *egligenci**do os
demais me*bros
familiares; assim, e*fatizam pa** a im*ortânci* de pesquis*s
q*e també* focali*em
o
Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 6, art. 10, p. 187-*03, nov./*e*. *01*
www*.fsan**.com.br/revista
Re*aci**amentos Intergeracionais em Famíli*s de Crianças com De*iciência
19*
relaciona*ento interge*a*ional ent*e avó* * netos, *r*ãos de *rianças com deficiênci* e *o***
*s que*tões envolvidas ne*te rela*io*amento (RAVINDRAM; R*MPEL, *0*0).
A literatura também apo*ta *ara a nec*ss**ade *e novos estudos interge*acio*a*s,
devido ao important* papel *os av*s nas socied*d*s c**temp*rân*as. Lee e Gardner, ao
analisarem estudos *eali*ados em difer*ntes
p*íses, como Isra**, No*a Zelândia, Pan*má,
Estados Unid*s, dentre outros, enfatizam q*e, ape**r das diferenças culturais e*i*ten*es ser*m
evidentes, as pesquisa* destacam *aracterísticas un**ersais com*artilhadas pelos avós (LEE;
GARDNER, 20*0).
Nessa direção, a identifi*ação e aprofundamento s*bre a intergeracional*dade e *eus
processo* e* d***rso* paí*es e cont*xtos, contribuem
para avanço da compreensão das o
*im*nsões multifatoriais *re*entes nestes relacionament**, revela*** *o*encia*i*ade*,
desafios e po**ibilidad*s de mel*or qual*da*e de vida e recu*sos para intervenções.
N* Brasi*, os *elacionamentos *nterger*c*onais
*ntre avós e neto* têm sido mais
amplamente estudados p*rtir *a a
dé*ada de *980 (*RAÚJO; DIAS, 2*02). Acerc*
da
*ntergeracionalida*e em famílias de crianças *om d**iciência, os *stu*os br*si*e*r*s sã* a*nda
mais rece*tes.
Diante da*
*omple*ida**s e especifi*idades
pr*sentes no cotid*ano das *elaçõ*s
intergeracionais e deman*a* *e apoio de*sas fa*ílias, Ma*suku*a * Yamashiro (2012)
observam a im*or***cia de continuidade *e investigações com *s*a popula*ão sob o *nfoqu*
d* *nt*rgeraci*nalida*e, e apontam pa*a a im***tância *o desenvolvimento *e estudo*
nacionais e int*rnaci*n**s que enfoquem a i*terge*a*ionalidade em f*mílias *e criança* com
desenvolvime*to típico, para que seja poss*vel compor um panorama mais *brangente de
di*erente* realid*des *e relacioname*tos e *a*rões de i*teração.
O objetivo do *s*udo foi *ompr*en*er a realidade de *amílias
de criança* com
de*iciênci* in*electual e com desenvo*vimento *ípic*, s*b a ótica *e três *era*ões, acerca do
cotidian* e *e p*áticas de *poio *xiste*tes na família.
2 METODOLO*IA
* estudo de ab*r*agem *ualita*iv*,
con*ou com a
participaç*o de 36 familiares,
*epresentados *or 12 mães, 12
avós *2 irmãos e
mais *e*hos de crianças/*dolescente* com
*ev. FSA, Tere*ina P*, *. 14, n. 6, art. 10, p. 187-203, nov./de*. 2017
www4.f*anet.c**.br/re*ista
J. A. Yamash*ro, T. S. Matsukur*
192
deficiência intelectual e de *rianças/adoles*entes com desenvolvimento típico, residente* *e
um* *idade do interior do es*ad* *e São *aulo1.
A presente pesquisa foi realizada de acordo com os critérios e*ta*e*eci*os pelo
Consel*o *acional
d* Saú*e (Resolução 466 de 12
de dezembro d* 2012)
acerca
dos
cuidados étic*s
em pe*q*i*as com sere* hu*ano e foi
aprovada p*lo Comitê de **ica em
Pe*q*isa com Ser*s Hum**os da Universidade F*d*ral de São Carlos - UFSCar (C*AE-
0*39.0.135.000-11, Processo núm*ro 23*12.0007*6/2011-2*), a partir do que a coleta
de
dados foi autorizada.
Como critérios de incl*são dos participan*es e par* a c*mposi*ã* *os *rup*s, as mães
deveriam morar com os fil*os; os *rmãos mais *elh*s d*v*riam ter idade entre nove e 17 *nos
* a* av*s dev**ia* residir na me*ma ci**de que o* netos.
Os *ar*icipa*tes foram divididos em *o** grupos, a saber, Gr*po d* Famílias
d*
Crianças/Adolescentes c*m D*fi*iência Intelectual (GD*) e Grupo de *amílias
de
*rianças/Adolescentes com Dese*volv*mento *ípi*o (GDT). A compos**ão dos gr*pos
*eguiu
critéri*s referentes à i*ade, gênero, cl*sse soc*oeconôm**a das famí*ias participantes,
d*ntre *ut*o*.
Como *ns*rumentos, foram ut*lizado* *otei*os de en**evista semiest*ut*rad*
di*ecio*ado* a ca*a geração (*vós, *ães e netos) que *bor*avam questões *el*cionadas ao dia
* dia dos pa*ticipantes, r*t*na,
atividades
* responsabilidade*; aos re*acionamentos
i*tergeracionais est**elecid*s; aos **pos de ajud* rece*ida * ofert*da aos fami*iar*s; às
*ecessidades de apoi* e *nfo*maç**, dent*e o*tra*.
Os partici*ant*s fora* *ocali*ados por mei* de uma *scol*
p**lica de ensino
fu***ment*l e médio e ** uma escola *ública de ensino es*ecial, *mb*s *ocaliz*d** em uma
cid*de do inte*ior do esta*o de São Paulo.
A amostra de par*icipa*tes foi de**nida p*r c*nveniência, e conto* com o *uxíl*o dos
profiss*on*is das instituiçõ*s. As famílias dos a**nos que respondiam *o critér*o de in*lusão
rec*beram uma carta *onvite. Aquelas **e
aceitaram pa*tici*a* *ora*, e*t**, con*ata*** por
telefone e so*icitadas a indicar o rep**sentante da ter*eira geração *ue respon*eria à e*trevista
(av* ou avô / materno ou paterno). *odas as entre**stas foram realizadas *ela primeira autora
do es*udo, **gistra*as em áudio e ocorrer*m na residência dos part*cipantes, por op*ão d*s
mesmo*.
1 O estado de São *a**o é uma das 27 *nidades federativas *o Brasil. Localizado na região sudeste do país,
pos*u* população supe*ior a 40 milhõ** d* ha*itan**s distribuídos em 645 *id*des. O estado de melhor econ*mia
é *esponsável *or mais *e *0% do PIB do país. A cidade em que o *st*do foi realiz*do *o*aliza-se n* região
centr** do est**o, *om população *proximada de 220 mil habi*a*tes (*RASIL, **14).
Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 6, art. 10, *. 187-*03, nov./*ez. 20*7 www4.**a*et.com.br/revista
Relacionamentos Int*r*eraciona*s em Fa*í*ias de Cr*a*ças com De*iciência
19*
Após a con*irmação p*ra participação das f*míl*** *e crianç*s com deficiê*cia, *s
f*mílias de crianças co* desen**lvimento típico foram local*zadas, buscando o pareame**o
em rel*ção à co**o*i*ão familiar, e*colarid*de, ida*e (*o c*s* dos irmã**) e gênero dos
par*ic*pantes.
A* respostas às entrevistas se*ies*rutur*d*s f*ram analisadas p*r *eio da técn*ca do
Discurs* *o Sujei*o Coleti** (*SC). Tal método *e* *omo **fer*ncia a Teoria das
*ep*esentações *ociais prevê q*e, por meio de um e
único disc**so, a opi*i*o de *ma
*oletividade seja exposta, se*, no entanto, descaracterizar a na*u*eza
quali*ativa de ca*a
depoimento a*alisado e re**ido para compos*ção
desse discur*o
c*leti*o (LEFRÈVE;
LEFÈVRE, 2001; 2005; 20*0).
* RESULTADOS E DISCUSSÃO
Acerca das avó* parti*ipantes do pre*e**e estudo, cinco *el*s eram **t*rnas e uma *ra
pater*a em ambos o* grupos **mil*a*es. A idade das *ert*nc*ntes ao grupo GDI va**ou de 44
a 90 anos, en*uanto a idade daq*elas que pert*nciam a* gr*po GDT vario* de 61 * 74 anos.
Com relaç*o à *cupação das avós, em ambos os g*upos to*as referiram
não possuir
emprego,
com exceção
*e u*a p*rticipante de
cada
grupo. Sobre o grau de ins*rução, no
gr*po GDI h**ve variação entre não poss*ir *studos e ter co*c*uído * en*ino funda*ental,
e*quanto no gru*o *DT esta va**ação *e deu entre *ão possuir *s*udos a *er e*tudado até
o
segu*do ano do en*ino fundame*tal. *obre a situação conjugal, não houve varia*ão e*tre os
grupos pois, tanto no GDI quanto no GDT t*ês avós de*l*raram-se *a*adas, dua* viúvas e uma
s*parada.
Em r**ação às m*e* part*cipantes, hou*e variação qu*nto à ida*e entre 26 e 45 anos
(GDI) e 32 e 5* anos (GDT). Acerca da *itu*çã* conjugal,
não houve d*ferenç*s e*tr*
os
*rupos, pois, em ambos, quatro mã*s *es*dem com o* pais das crianças e dua* dec*ara*a*-se
solteiras.
*ob*e a ocupa*ão das m**s, no grup* G*I quatro dec*araram possuir empre** e duas
refer*ram não possui*, enqua*to
n* grupo GDT cinco declarara* p*ssuir *mpr*go e
um a
referi* não *ossuir.
Quant* ao nív** de e*c***rida*e, no *r*po GD* uma das mães decla*ou não *er
estudado e o grau de instrução das demais v*riou *e t*r cursado até o s*gundo a*o do ens*no
f*nd*mental a ter complet*do o en*ino médio. Já no grupo GDT o nível de instr*ção das mães
Rev. FSA, Teresina PI, *. 14, n. 6, **t. 10, p. 187-203, nov./dez. 2017 www4.fs*net.com.br/revista
J. A. Yamashiro, T. S. Matsukura
194
var*ou de ter cursa*o até o *uar*o ano ** en*ino **ndament*l a ter com*letado o ensino
médio.
Todos os irmãos participantes do es*udo eram os pr**ogên*tos da família. *o grupo
GDI, quatro eram meninas e d*is era* *eninos, enq*anto *o grup* *DT, tr*s eram meninas
e trê* eram meninos. * idade dos mesmos variou entre ** * 17 em ambos o* *rupos, e todos
estudam (do se*t* ano do *nsino fu*da*ental ao último ano do en*ino médio).
Com relação às crianças/*dolescen*es co* *eficiência int*lectual (GDI) e
com
desenvolvimen*o típico (GD*), em ambos os
grupos t*ês delas eram me*in** e três eram
men*nos. A idade das mesmas *ariou *e cin*o a 15 a*os.
Acrescenta-se que as c*i*nças/ adolescentes co*
deficiência serão aqui repre*en*adas
por "D", qu*ndo ref*rências às mesmas fo*em **entifica*as *as respost*s dos p*rticipantes.
Ao discorrer*m
*ce*ca das *ar*cterística* e complexidades
d** rel*c*onamentos
*nte*geracionai*, estudos nacionais e i*ter*acionais têm *nfati*a*o os benefícios que ta*s
in*erações trazem aos envolvido* de to*as *s faixas *tárias (HERÉ*IA et al., 2007).
Em *on*ord*ncia com
ta*s c*n*ider*ções da literatura, as avós
pa*ti*ipa*tes
d*
p*esente *studo, fazem *pontamen*os posit*v*s acerca do **po de relacion*mento mantido com
o* netos mais *elh**, como se observa a seguir.
Q*adro 01 - R**acioname*t* en*re avós * n*tos *ais velhos, sob a *tica das avós de
ambos os grupos (GDI e GD*)
DSC *as Avós - GDI
DSC das Avós - ***
"É bo*, tudo *om, eu quero muit* b*m e*e e ele também gosta, toda vida ele teve muito am*r *omigo, tinha medo que se eu mo*resse e ele n*o ia t*r ma*s avó, então é tudo a mimado *ambém * muit* bom. "
"Me do* bem, el* não amola, n*m aq** quas* vem, por*u* el* n*o tem t*mpo. E * muit* bom porque ele não resp**de pra *i*, está sempre m* obedece*do. Então é no*mal assim, é *om, nós dois se dá bem, meu net* é tudo n* min*a vida! "
Fo*te: Ela*or*ção Própr*a
Em concordânc*a com o relato das avós, * disc*rso dos *etos também evi*encia o bom
relacionamen*o manti** entr* as g*rações.
Rev. FSA, Te**sina, v. 14, n. 6, art. 10, p. 187-203, nov./de*. 2017
w*w*.fsanet.com.br/revista
Re**cionamentos *ntergeracionais em Famílias de Crianças c*m Deficiên**a
195
Quadro 02 - *el**ionamento entre *vós e netos mai* v*lh*s, s** a ó*ica d*s ne*os (G*I e
GDT)
D*C dos **mãos - GDI
D*C *os *rmãos - GDT
"É bom, * mu*to b*m, melhor impo*sível, a gente sempre se de* bem. Porque e*a pr a m*m uma segund* m*e. Eu gos*o bastante é dela, d*a*ogo bastante. "
"Eu e min*a *vó a gen*e é muito a*egado ass*m, ela * *ma s*gu*da m*e **a mim, a gente senta * conversa, ela dá mu*ta bronca em m*m també* quando pre**sa, mas ela é uma super avó ta*bém, q*ando * gente *ai lá *u faço ela dar risad*, p*rque é bem dif**il ela rir e*tã* a gente ajuda *la, a* é *om, e* *onver*o bastante com ela e ela conversa *omigo. "
Fonte: E*abora*ã* P*ópria
Além de ca*act**iz*rem o relacionamento mantido co* as avós de maneir* positiva,
obser**-se a
se*uir que os ne*os *ais velhos tam*ém fa*em uso d* adjetivos posit*vo* ao
descrevere* suas **ós.
Q*adro 03 - D*scrição d*s avó* *eal*zada pelos neto* (GDI e GDT)
DSC do* *rmãos - GDI
D*C dos Irmãos - GDT
"Acho que ela é u*a luta*or*, pass*r por tudo o *ue e*a passou, com * problema qu* ela tem e estar sem*re com a c*beça e*gu**a uma pessoa bata*ha**ra. E e* acho que ela é u** avó boa, dá tud* o que você pede, aniver*ário e*a dá dinh*iro, ela só nã* é calma, ma* ela é boa, e*a sempre pro*ura a*ud*r a ge*te quan*o a g**te p*e*is* e ela é bem *uid*dosa com gent* assim, comigo, a com os meus irmãos. Ela é uma *esso* simples, não é muito de querer a* coi***, é humilde, a mi*ha avó uma pessoa super é legal. "
"É uma avó boa, de ferro, tanto que *la me ajudou *essa *ida e *o* se* de idade é uma s*nhora boni*ona, el* * educa*a, tudo, * lega*, quando ela quer ser brava e*a é br*va, mas é a**ela avózona que quand* você *ede as cois*s e*a já fez já. É uma super a*ó, esforçada, b*t al *ador *, por causa que a min*a *vó não para, com todas a* doen*as que ela te*, ela faz camin**da, ela tenta ganhar um dinh**rin*o extra, ela *az u* monte de *oisa, ela aj*da os colegas d*l*, ela é le*al.
*onte: Elaboraç*o Pr*pr*a
*ev. *SA, Teresin* PI, v. 14, n. 6, a*t. 1*, p. 18*-203, no*./de*. 2*17
www4.fsanet.com.br/revista
J. A. Yamas*ir*, *. S. Ma*s*kura
196
Estudos *ue aborda*
a perce*ção de crianças e adolescentes acerca da vel*ice
destacam que es*es possuem uma vis*o positiva, *m*ora, *i*da que em menor f**quê*ci*,
tam*ém exista uma *erc*pção ne**tiva (GV**D, *t al. 2012;).
Assim, embora os participantes do presente e**udo tenham *alad* acerca *a velhice a
par*ir da desc*iç*o de **us própr*os avós, o **e é consideravelmente difer*nte
de tecer
consi*erações acerca da ve*hic* d* modo ger*l, os resultados reforçam os ac**d*s
apre*enta**s por Gvoz* e Dal*aroza (2012) e apo** * hi*ótese q*e a* crian*as e os
adolesc*ntes **rticipa*tes tenham evi*enc**do
u*a *isã* positiva da velhice, também,
pelo
f*to d* co*vi*erem co* *u** a*ós, assim como pro*erido pelo estud* d* **c*e*i, Pavar*ni e
Via*a (2012),
o qual aponto* que crianças
*ue *onvivem com os avós possuem
um a
p*rcepção otimista so*re a velhice.
O re*a*o d*s irmãos mais *elhos participan*es do presen*e
estu*o evidenc**
a
contribuiçã* d*s avó* em s*as vidas à m**i*a que expõe o *uanto as av*s co*p*ee*dem as
nec**sidade* e situaç*es *ivenciadas p*r eles.
At*avé* dos *SCs, pode-*e observar que as avós tam*ém oferece*
apoio emocio*al
*os neto*. Discorrendo s*bre o
a*sunto, *av*nd*an e Re*pel (2010) **latam qu*
avós de
cria*ças com deficiência ten*em * oferece*, além d* outro* tip*s de ajuda, *upo*te emocion*l
ao* irmã*s *est*s **ia*ças, à *e**da q*e percebe* *ue, *evido
às demandas ex*r*s gerada*
*ela cr*ança c** deficiência,
os pais *ão consegu*m atender
à* necessidades
d* ate**ão
também dos irmãos destas criança* (RA**NDRAM; REMPEL, 20*0).
Cont*do, compr*ende-se que o *uporte emocional proven**n*e dos avós *os netos não
s*ja exclusivid*de de f*mílias de crianças c*m defic*ê*cia, *as também se faça presen*e em
*utro* grupos f*mili*res, *omo n* caso das família* de crianças co* dese*volvimento t*p*co
o*servados nes*e e*tudo, onde a poss*bilid**e ** relacionamentos e*tre avós e netos se*a
via*iliz*da pela proximidade ge*gráf*ca e outras variáveis.
A*nda sob esta pers*e*tiva, os irm*os m*is vel*os p*rticipa*tes do pre*ente estudo, ao
rel*tarem sobre os tipos de a*uda r*cebida das avós, c*tam a ajuda financei*a, a ajuda com *s
*arefas *scol*res, com o *ransp*rte e com cuid*dos qua*do estão *oentes. Porém, tant* no
gr*po dos *rmãos de criança* com deficiênc** intelectual, quan*o no dos irmãos de crian*as
co*
des*nvolvimento típico, o carinho, a
atenção, o afeto, as conversas
sobre *oisas q*e
gostam * o* conselhos recebidos pe*as *vós, est*o entre *s tipo* d* ajuda m**s citados.
No c*so das
fam*l*as
de cri*nças com defic*ência, de
acordo com o re**to
*os
*articipantes ** presente estu*o, obser*a-se *ue a int*ração entre avós e netos m*is v*lhos *
a*resc*d* de *aracterística* específicas desta reali**de.
*ev. FSA, Ter*sina, v. *4, n. 6, *rt. 10, p. 187-203, n*v./dez. 2*17 www4.*san*t.com.*r/revista
Re*ac*onamento* In*ergerac*onais em *amíli*s de *rianças com *efi*iênc*a
*97
No estudo de Woodbridge, Buys * Miller (2011) os avós re*ata* que, embora
o
re*acionamento com o neto com *ef*ciência não fosse com* eles haviam
anteci*ado,
acreditavam f*r*emente não ha*er *iferença em c*mo *les interagi*m *om *s ne*o* *om *
sem def*ciên*ia. No
entanto,
embora demonstr*ss*m extrema *on*ciência sobre as
ne***s**ades *e *eus out*os *etos (i*mão c*m desenvolvi**nt* tí**co), *ambém enfati*aram *
im*ortân*ia e
desafio de asseg*rar que es*es não fossem n*gligenciados, poi* admitia* ser
*ifí*il ignorar a atenção especial que o net* com
deficiência requeria (WOODB*IDGE;
*U*S; MILLER, 201*).
Acerca *o que a*ós e n*tos fazem j**tos, de
acordo com o rel*to das
avós
par*icipant*s, as atividades mai* citadas foram conversar, bri*car, acon*e*h*r, passear j*nto*,
dent*e outras. Obs*rvou-se qu* n*o houve diferença* entre as ativ*dades *ealizadas por a*ós e
ne*os *e *mb*s os **u**s. Tais práticas *ão semelhantes *s apont*das
pela *i**ratura como
compartilha*as entre avós e netos com *esenv*lv*mento típico (DIAS; SILVA, 2003).
Contudo, o estudo realizado p*r *atsukura *ama*hir* (2012), a*o*to* que em e
*amílias de crianças com *efi*iênc** física, as a*ós e o* irm*os d*stas crianças *ompartilham,
além d*s *tividades usuais entre avó* e
netos, tamb*m ativid*d** de cui*ado d* criança
deficient*. Poré* *al achad* **o foi encont*ado *elo present* estudo. Assim, tem-se
*
hipótese que essas ativi*ades de cuidado com*a*tilhadas entre avós e net*s possam ser mai*
freq*ent*s nas fa*ílias de crianç*s com deficiência física,
q** d*m*n*am ações ond* os
es***ços f*sicos sã* mais pe*ceptí*eis e *oncr*t*s. Es*udo* futuros, verificando
especificid**es de deficiências, deman**s e práticas
conjuntas intergeracionais devem
contribui* p*ra o *onhecimento sobre variáveis *resentes ne*te pr*cesso.
*es** sentid*, ainda qu* não *enh*m sido enco*tr*dos discursos **lativos ao
comp*rtilhamento de atividades de cu*dado do ne*o com deficiência
com a* avós * i***o e
mais
velho, as avó* do prese*te estud* citaram a *ju*a que o ne*o mai* velho confere
à
*amília ao cuidar do irmã* com de*iciênc*a. D*nt*e essa* ativ*dades, *estacaram que ol*ar o
irmão e *u*cá-lo e levá-lo para a **cola é o que mais ajuda suas mães, enqua**o en*iná-lo e
cui*ar **le é o que mais *juda a c**ança.
Sobre o relacionamen*o **tre avós e *rianças c*m deficiên*i* intelectual, sob a ótica
dos netos mais *elhos (irmãos
das criança* com d*ficiênc**), * rela*ionamento mantido
é
bom, como *e obse*va a seguir.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 6, *rt. 10, p. 187-203, nov./dez. 2*17
www4.f**net.com.br/revista
J. A. *amashiro, T. *. Ma*sukura
198
Quadro 4 - Relacionamento en*r* *vós e net*s com de*i**ênc*a sob a ótic* dos n*tos mais
velhos (GDI)
DSC dos Ir*ãos - GDI
"É *om **mb*m, ela s*mpre se dá bem. E ela gosta mais *o D. do que to** mu*do, então * o
melhor possí*el. Eu a*ho *ue ela dá m*i* atenção p*a *l*, por ele pre*isar, do que pra mim.
Ela t** um c*rinho
pelo D., desde peque*in*nho é assim, **a *emp** p*ocur* aju*ar
ele
*a*bém. "
Fonte: Elaboração P*ópria
Ao re*ata*e* sobre o re*acio*amento de su*s avós com *eus irmãos c*m d*ficiência,
observa-se que os *etos tam**m
fazem menção * e*es mesmos, enquanto enf*tizam pa**
a
atenção extra *ecebida pelo irmão.
Sobre o assunto, * literatu*a tem a**ntado qu* os avós *e cri*n**s com deficiênci*
muit*s ve*es e*contram dif*c*l*ades em conciliar a* deman**s *xtras
provenientes do
cuidado da criança e a necess*dade de ate*ção *e seus irmãos (GA*D*ER; e* *l, 1*9*;). Os
res*ltados do presente estudo *eforçam tais apontamentos.
Ace*ca dos *ipos de aj*d* *u* as *v*s *onferem às famílias, ver**ico*-se, a pa*tir da
fa*a
das mães p*rticip*ntes, o
*mportante pap*l que tal apoio represent* para
os d*feren*es
membros da famí*ia, como se obs*rva a s*g*ir.
Qua*ro 5 - ***nião das mães a*erca da ajud* que presta* às suas famílias
(GDI * GDT)
DSC d*s Mães - GD*
DSC das Mães - GDT
"Aj*da, sempre quando eu prec*so q*e ela fique co* o D. ou *om o mais n*vo, *la *em*re fica. Às vezes o D. vai lá, ela *á banho *ele, cuida d*le, faz o q*e pode, o que n*o pode fazer. *ntão está sempre ajuda*do. Até porque eu *raba*ho, então qu*ndo eu não est*u, ela é *eu vi*ia, ela fica ** cima d*ssas crian*as pra ba*xo * *ra cima, *uidando *os meus fi*hos."
"Ela ajuda as**m, com dinheiro, també* *l ha as crianças, cuida dos meus f i * hos , d* banho, f *z o almoç*, quanta* ve**s eu le*o lá, ela cuida. *n*ão *em**e que eu precisei, ela s*mp*e tá ali p*a me ajud*r, quando e* fiquei do*nte também, sabe assim? Aí eu fiquei com ela, e*a me ajud**, deu a maior força. E*fi*, me ajuda em *odos os s*ntidos, * muit* prestativa, é a m*lho* *o mun*o! "
Fo*te: *labo**ção Própria
A partir d* *elato das mães, observa-*e que part*cipa**o da t*rceira **raç*o a
na
família as coloca, mui**s vezes, como prin*ipa*s cu*dad*ras ou co-responsáveis pelos netos.
R*v. FSA, Teres**a, v. 14, n. 6, art. 1*, p. 187-2**, no*./de*. **17 www4.fsa*et.c*m.br/revista
Relaci*n*mentos Intergeraci**ais *m Fam**ias de *riança* c*m Deficiência
199
Nessa mes** dir*ção o estudo realizado por Ravindr** e R*mp*l com a*ós de *r*an**s com
doen*as *ard*acas c*ng*nitas, apo*t*u que a *erce*ra geração ass**e
periódi*a e,
frequen*emente, as r*sponsabilid*des pat*rnas com os
cui*ad*s da *otina diária e com as
ne*essidades d* *rincar e diver*** dos irmãos destas c*ianças, u*a vez que os pai* *ncontram-
*e *r*q*enteme*t* ocupad*s *om os c*idad*s do filho doente, o *ue
o* *mposs*bilita
de
ate*der as necessidades do filho m*is velho (RAVINDRAN; REMP*L, 2*10).
Contudo, apesar da *resença **rcan** das avós do pr*sente est*do n* famíli*, as
mesmas ref*rem *ue go**a*iam de sa*er a*nda m*is sobre a vida *os netos, obtendo maiores
inf*rma*ões a*erca do *esenvolviment* deles, com* se obs*rva a segui*.
Quadro 6 - Ne**ss*d*de da* avós sobr* m*ior*s inf*rmações * r*speit* dos *etos (GDI e
GDT)
DSC das Av*s - GDI
DSC *as Avós - GDT
"Ah eu pre*eria ter m*i* informação, de co** cui*ar d*le princip*lme*te (net* com deficiência), *orque eu não sei se eu estou cuid*ndo direito, porqu* o pouco que eu ajudo eu não sei se eu to conseguindo, *ntão *ra bom s* a gente tives*e m*is informação. Gost*ria ta*bém de saber se é uma gen**ica, s* é de família."
"Eu g*staria de sabe* q*e estud* que eles tão fazen*o ag*ra, eu gostaria de s*ber tud* que s e passa com eles, eu sei que a saú*e deles també* **o é grande *ois*, porque de ve* em quando, sempre tão *o **dico, en*ão eu g**taria de *aber sim. "
F*nte: E**bor*ção Própr*a
E**ora as avós de ambos os *rupo* tenham relatado o des*jo por re*eberem *aio*es
informações a res**it* dos netos, fica
evidente que o tipo de
informação seja de
natureza
*istinta. Assim, *ponta-se a necessidade *os program*s
de saúde educa*ão d*re*ionarem e
at*nção não somente à criança, mas a todos os membro* da família,
para que haja uma
compre**são maior acer** das **ma*das e
ne*essidades de cad* um, *em co**
de
*islumbrar * estimul** maio*es o*o*t*nid*de* de int*ra*ã* e
troc*s intergeracionais além
daquela* estabeleci*as com a *riança com d*ficiênci*.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Cons*de*a-se que o prese*te e*tud* r*sp**deu aos o*je*ivos prop*stos, ao *profund*r
o conhecime*to acerc*
do relac*o*amento inter*eracional pres*nte em **mílias de c*ianças
*ev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 6, ar*. 1*, p. *87-203, n*v./dez. 2017
*ww4.fsanet.com.br/re**st*
J. A. Yam*sh*r*, T. S. Matsukura
200
*om *efici**cia e *e c*ianças *om desenvol*ime**o
típico, bem como a* ampliar
a
com*reen*ão d** diferenças * semelha*ç*s
d*sses rel*ci*n*mentos * das troc*s de
apo*o
es*abelec*das, frente às demandas, rotina e co*idi*no familia*.
Dest*ca-*e, *inda, qu*, e*bo*a o
au*ílio m*nistrado pelas avós pelos filhos mais e
velhos, de ambos os gr*p*s, tenh* sido con*iderado em s*tuações *specíficas, de natureza
disti**a, tais p*áticas *xercidas r***e*entam i*portante fo*te
de a*oio às mães de c*ianças
co* deficiência e também *e criança* c*m desenvolvimento típic*, visto que, t*nto a *erceira
quanto a primeir* gera*ão a*xi*iam no cuidado da criança mais nova, assim c*mo em out**s
a*ividades do dia a *ia des*as família*.
Além d*s*o, visto que o relaci*name*to inter*erac*ona* verificado en**e
a v*s e
*eto*
apres*ntou *ar*cte*ísti*as positivas
e benefí**os
para ambas as geraç*es, se r*ssal*a
a
necessi**de da pro*oçã* d* *rogr*mas inter*e*a**onais *os di**ren*es m*ios e serviços
cu*turais, de *aúde e e*u*ação.
Ob*erv*-se ainda, *u* o estudo apr**enta limi*a*õe* no q*e se refere ao número
de
parti*i*an*es *nvolv*dos, além * het*rogeneidade das *amílias *rasilei*as e, devido ao *ato d*
to*as as famílias pa*ticipantes do pre**nte *studo residirem em uma únic* ci**de do *nterior
do estado de São P*ulo, **asil. Aponta-se, ass*m,
para necessida*e de a
novos est*dos
interg*racio*ais qu* *ocalizem *
opinião das trê* ger*ções, e pos*am s** rea**zados em
diferent*s regiõ*s, a f*m de pros*eguir * a*rofund** ** compreensão d* realida*e de f*m*lias e
a **terge*acional*dade em diferentes contextos e culturas.
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Como Referenciar este Artigo, *o*forme ABNT:
YAMASHIRO, J. *; M*TSUKURA,
T. S. Relacionamentos Interge*acio*a** em F*m*l*as *e
C*ia*ças com Deficiência. R*v. *SA, *eres*na, v.14, n.6, art.10, p. 187-203, nov./dez. 2017.
Rev. *SA, *eresina, v. 14, n. 6, art. 10, p. 187-203, nov./de*. 2017
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Relac*o*amento* Intergera*ion*is em Famíli*s de Cria*ças c** Deficiênc*a
203
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*. A. Yam*shiro
T. S. Ma*sukura
1) **ncepç*o e planejam*nto.
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3) ela*oração do ras*u*ho ou na revisão c**ti*a *o conte*do.
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*ev. F*A, Tere*ina PI, v. **, n. 6, art. 10, p. 187-203, nov./dez. *017
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