www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 9, *. 180-197, jan./fev. 2017 IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983 *ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2017.14.1.9 Proposta Reflexiva para o En*ino de L*ngua Materna a Partir do Trabalh* C*m Verbos R*fl*xive P**posal for Moth** Language Te*ching from W*rk Wi*h *erbs Tarc*lane Fernand** da Si*va Doutor*do e* Lingu*s*ica pel* Universidade Feder*l d* São Carlos Mest** *m Letras p*la Universidad* Federal d* Piauí Email: *erdsilva2@yahoo.*om.*r Maria Auxilia*ora Ferre*ra *ima Dout**a em Lin*uí*tica e Língu* P**tuguesa *ela Universidad* E*tadual Pa*lista Júlio *e Mesquita Filho P*ofe*sora da Unive*sid*de *eder*l do Piauí *ma*l: *ora.f12@ho*mai*.com Endereço: T*rcilane Fernandes da Silva End*reço: Universid*d* F*d*ra* do Pi*uí, C**tro de Ciências H*m*nas e *etras, Depa*tamento ** L*tras. Campus Universitá*io da I*i*ga 64049-5** - T*res*na, PI - Bra*il Editor C**ntífico: *onny Ke*ley de Ale*car R*drigues A*tigo rec*bido e* 12/10/2016. **tima vers*o recebida em 1*/11/2*1*. Aprovado em 11/11/201*.
E*dereço: *aria Au**liado*a Ferreira Lima Ender*ço: Uni**rsidade Federal do Piauí, *entro de *iências Humanas e Letras, *epart*m*nto de Let*as. Campus *niv*r*itá*io da Ininga 6*049-550 - Teresina, PI - Br*sil Avali*do p*l* siste*a Triple Review: Desk *eview a) pel* Ed**or-Chef*; e b) Dou*le Bli*d *evie* (avaliação cega po* doi* avaliadores da *rea). Revisão: Gram*t**al, *ormativa * de Formataç*o
Ap*io e financi*mento: CAPE* (Coordenação de Aperfeiçoam*nt* de *essoal de Nível Superior).
Pro*osta R*fle*iva para o Ensino de Língua *aterna a Pa*tir *o Trabalh* Com Verbos 181 RESUMO O trabal*o com verb** no ensino de Língua Portugues* t** se *esumido * *içõ*s m*ç**tes que nã* desaf*am o alun*, tampouco o l*v*m a refl*tir sobre sua língua. Resu*e-*e *oda a amplit*de de funcionam*n** d*s **xemas verbai* a atividades que, q*as* semp*e, giram e* torno dos *esmos p*ntos: conjugação, tempo e modo. Fundamen**dos na metodolo*ia apresentada por Antoi*e *ulioli e* sua Teori* d*s *perações Enunciativas, dorav*nte TOE, e*e*plificaremos, por me*o do ver*o "*omar", como é possível trab*lha* verbos em s*la *e aula numa *erspectiv* difere*c*ad*, *ue l*v* o **uno a re*let*r **bre *ua l*n*ua e a *ensa* o seu pensa*. N**sa esfe*a, o pro*essor é **n*idado a red*mensionar sua prática, a e*trapolar os meros exercícios de cl*ssificação e conjugação qu* não contemplam a diversidade e co*plexi*ade da língua em uso. Pa*avras-cha*e: En*ino de *í*gua P*rtuguesa. Lexemas Verb**s. Te*ria das Ope*ações Enunci*tivas. ABSTRACT Working with verbs in P**tuguese Language *eaching has been sum*arize* to dull lessons th*t do not challenge the student, *or lead *im t* reflect on his languag*. It sums *p the entir* operating *ange *f ver*al lex*mes to activities that *lmost always revol*e a*ound the same *oints: conjugation, t*me and mode. B*sed on the meth*dology presen*ed by Antoine Culio** in his Theory *f Enunciativ* Operations hencefor*h *EO, we w*l* exemplify, through th* verb "toma*" how is it possible *o de*l **th verbs in the c*assro*m in a diff*rent pe*spective, which leads t*e s*u*ent *o reflect *n his language an* re*hink *is thinking. *n t*is sp*ere, the t*ac*er is asked to re**ze his pr**tice to go beyo*d *ere classi*ica*io* *xercise and comb*n*tion that does not includ* the diversi*y and complex*ty of the *anguage in *se. *eyw*rds: Po*tuguese Lang*age Te*ching. Verbal Lexem*s. The*ry *f En*nciative Op*ration*. Rev. F*A, *eresina PI, v. *4, *. 1, a*t. *, p. 180-*97, jan./fev. *017 www4.f*anet.co*.br/revist* T. F. Silva, M. A. F. Lima 182 1 I*TRODUÇÃO O* parâmet*os curriculares de lín**a portugues* enfatiz*m repetidas vezes a necessidade de q*e sejam rec*iadas **m s*la de aula situ*ções en***iativ*s outras *ue não as veiculad*s pel* e*paço es*o*ar *or m*io do* e*ercícios extraídos do livro did*tico. Essa post**a se justifica po* ser um dos ob*eti*os do e**i*o de língua *ortugues* levar o aluno a p*si*ionar-se de maneira crític* nas *iferen*es esferas s*ciais. Ao lo**o de seu *onteúdo, *s parâ*etros sugerem esse trabalho e r*força* *ue o ensino d*ve sem*r* **l*a*-se pa*a * atuaç*o do aluno fo*a da *al* *e aula, nos a*bientes em que o discente se fir*a c*mo *ujeito independente, que int*rage, critic* e, sobretudo, reflete s*b*e s*a lí*gua. Não se t*at* de u*a **oposta nova, ma* é *negável que ainda nã* alcançamos esses ob*et*v*s de mod* sat*sfatório. * *re*i*o que se lut* c*ntra toda uma sist*mát*** ** ensino *rraigada em nossas prá*icas que nos leva a ver língua como um ma**al de regra* *u* a devem*s seguir, *ob * pen* d* *starm*s *nfring**do ou detur*ando o sistema. Pensan*o nessas qu**tõ*s, *pre*entaremos, a segui*, uma propo*ta pa*a o trabalho **m verbo em sa*a de aula em q*e, por meio d* aná*is* e *a o*servação desse **x*ma nos usos, se e*i**ncia co*o se e*tru*uram e c*mo se **n*troem os en**ciado* *a língua, e se mostra c*mo os te*mo* se relaci*nam a fim de prod*zir sentid*. Por essa met*d*lo*ia, é *ossível *bser*ar e manipula* *s "**idades *inguísticas de mo*o faze* afl*rar a sua ve*dadei*a * na**reza *ignificativa" (ROMERO, *009, *.122). Essa forma *e *ani*ular * *íngua por m*io de e**rcíc**s de ling*a*em *n*taura uma amplitude *a aprendizagem, n**a *luno *ão *era*en*e classific* o v*rb* em dif*ren*** o instân*ias, mas que*tio*a o papel desse lexema no processo de significa*ão. Is*o faz o aluno ver sentido naqu*lo que ele produz, e o le*a a assumir seu lugar d* partici*ante ativo nesse p*oc**so, perc*b*ndo su* import*nte atua*ão *n*u*nto s*jeito fa*ant*. A*redi*amos que só com um *rabalho em que *e con**mpla **d*s es**s quest*e* podemo* desenvolver a co*pe*ênc*a d*scur*iv* dos discentes, tendo em vista que "*m do* *s*ectos da compet*n*ia discur**va é o sujeito ser *apaz de util*zar a língua de m**o varia*o p*r* prod*zir dif*re*t*s efeit*s de sentido adequ*r o text* * difere**es si*uações e de *n*erlocuç*o oral e esc*ita" (BRASI*, 19*8, p. 23). Rev. F*A, Teresi*a, v. 14, *. 1, *r*. 9, p. 180-19*, jan./fev. 201* www4.*sanet.com.br/revista Proposta *eflexiva pa*a o *nsi*o de *íngua Mat*rna a P*rtir *o Trabalho Com Verbos 183 2 REFEENC*A* TEÓRICO 2.1 A t*oria das operaçõ*s enun**ativ*s e o ensino de lí*gua *ortug**sa O programa de pe*qui*a de Ant**ne Culioli s*rgiu na déc*da de 60 e tomou *o*po através d* pub*i**ção dos l*vros "Pour une ling*istique de *\énon*ia*ion". *estas public*çõe*, *ivi*idas em três vol*mes, o au*or re*niu um* c**etânea dos principais artigos que fundame*tam e expl*cam a pro*osta *etodológ*c* de s*a teoria. A *ropost* ap*esen**da p*r Culioli in*crev*-se **m quad*o *eórico pa*ti*ular, diferenciando-se de outras teorias, dent** o*tros aspe*t*s, pel* abordagem que faz d*s dados e pelo *mpre*o *e fo**a*ismos no trato c** a l*nguagem. A**e*it*m*s não exi*tir *e*tid* fora *a constr*ção do *izer, assim, a linguage* seria, por essê*cia, uma a*ividade de co*strução d* sentido. * TOE apr**enta uma propos*a de *studos em q*e se evidencia co*o se estrutu*am e se **nstroem os enunciados de uma língua, mostrando como os t**mos s* rel*cio*am a fim de produzir sentido. E*se mod*lo formal oferece uma perspectiva t*óri*a g*oba* do f*ncionam*nto da linguagem * *pont* **pectos *mportantes p**a o *ntendiment* operatório *a realidade lin*uística, levand*-nos a refle*ir e a *ompreender nã* só o enunc*ado *nquanto est*utura obse*vável, como tamb*m seu pro*ess* de elaboração e cons*rução. C*li**i e*dossa e*se *ensamento qu*ndo *ssevera: "o que me int**essa são as atividad*s d* cognição, de representa*ão. Eu s*mente ap*ee*do a linguagem *tr*vés de textos dados" (CULIOLI, 1985, *. 3 - Trad*ção *o*sa).1 T**ta-se d* u*a t*oria enunci**iva porque toma como o*je*o de investigação o pr*p*io enunciado, este é es**d*d* não como o: **sulta*o de um ato de li*gu*gem indi*idual, mas c*mo um* organização de formas a partir das quais os mecanismos *nu*ciat*vos po*e* ser anal*sa*os no quadro de um s*stema d* *epresentação fo*m*lizáv*l, como um enca*eamento de *peraç*es do qua* ele é a marca (FRANC*EL; P*I*LA*D, 2011, p. 88). Co* i*so, podem*s dizer que a TOE possu*, dentre outros propósit*s, o *bje*iv* de explica* de que for*a os e*unciados são produzi*os. O *nvestigador terá q*e, a *artir de u* da*o enunciado, observar como *e dá su* estruturação e, por meio dessa obse*vação, simular * c*ns*rução dele a part*r d*s traços n*le *eixados pelo s*jeit* *n**ciador. É, portanto, 1 Ce qui m\i*téresse, ce sont *es activités de cognition, de re*ré*entatio*. Je n\appréhende le langage qu\aut*avers
d*s te*tes don**s. Re*. FSA, Tere*i*a PI, v. 14, *. 1, a*t. 9, p. *80-197, jan./f*v. 2017 w*w*.fs*net.*om.br/revista
T. F. S*lva, M. A. F. Lima 184 *aracterística dessa teor*a, *isp*nsar gr*nde *nfoq*e à teori*ação da l*n*uagem enquanto atividade primo*di*l*ent* relacionada ao *ujeito, não há *es*a *on*epç*o um* *ep*ração ent*e as *ormas de uso da líng*a e os sujeitos que utili**m essas fo*mas; "trata-se nã* de s***itos que *ti*izam formas, mas de f*rmas qu* marcam e co*str*em s*a p*esença, *orma* que traçam a ativi*ade dos sujeitos. A pr*sença d*s suje*tos não tem nada de het*rogênea ou de transcendente *s formas: e*a lhes é inerente" (D* VOGÜÉ; FRANCK*L; PA*LLA*D, 20*1, p. 11). Acred**amos que é some*te pela observação das f*rmas lingu**tic*s, cuja pr*dução resu*ta *m enunc*ados, qu* se pode descrever e e*plicar a ativid*de da l*n**ag*m. As *alav**s não possuem um s*gni**cado estático, este é atualizado a cad* ato enunciativo, as*im, nossa inv*stigação c*nsidera o sen*i*o que advé* das m**cas li*g*ístic*s deixadas pelo sujeito *a *r****eraç*o dos enunciados, is*o é, da lí*gu* em uso. O objetivo lo*al é, p*r*anto, de extrair a invariâ*ci* subjace*te **s em*regos diversos de um mar*ador. *v*dentemente, o estudo d* marca*or em *ua singular*d*de **o é um *bje*ivo da TOE: é a consequência de uma metod*logi* pesquisada, q*e visa *2xplicar os fa**s e* sua complexid*de (GOURNAY, 2006, *. 16 - Tradução nossa). Assim, por *eio d**sa observação diferenciada, *r*pom*s um re*ensar acerca do trabalh* com verbo *m sala de aula, em um t**balho que p*rta da observação do funcionamento d*ssa categoria, para, por mei* desse funcionamento, co*preender seu processo *erado* de sentidos. S*b*m** *ue, a *rin*ípio, não *á na TOE um viés teórico voltado diretamente ao en*in*, porém, como pesquisado*es *a área, entendemos serem as me**dologi** **l*olian*s *ert*nentes a esse **ntexto, po*endo, de*de que d*vi*amente adapta*as, se tornar relevantes *ara o e*si*o de língua portu*uesa. É co*s*nsual *ue no contexto e*colar pouco se acompanha o processo d* elab*raçã*, amadu*eci*ento e organ*zação do *en*amento do aluno. Nest* ambiente, a linguagem é mu*tas **zes relegad* a se*undo *la*o, *a*end*, q*ase sempre, um *nteresse vol**do ape*as p**a o produto (r*sultados), *m detrimento do *rocess*. Como r*sultado disso, temos um ensi*o **gessado e *escon*extuali*ado e* q*e o trabalho com a linguagem é *ub***tuído pelo ensino de *íngua, uma língua pur*s*a e forma*, distan*e de su*s **al*dades de *sos. 2 L\o*jectif local *st al*** d\extra*re l\invariance sou*-jacente *ux emplois dive*s d\un m*r**eur.
Evidemment, l\*tude d* m*rqueur dans sa s*ngular*té n\est pa* un objectif de la T*E : c\est la conséquence d\une m*thodologie fouillée, qui vi*e à expliquer le* faits d*ns leur *omp*exité. Rev. FSA, T*resi*a, *. 14, n. 1, art. *, p. 180-197, jan./fev. 2017 w*w*.fsanet.*om.br/*ev*sta
Proposta Ref*exiva para o Ensino *e Líng*a Matern* a P*rtir do Trabalho Com Ve*bos 185 O *oco d* e*sino, hoj*, está n* rep*tição de uma metalingu*g*m p*eviament* defi*ida pe*o material didático util*za*o nas aulas. D*s*a for*a, consi*er*mos *ue o aprendizado da *íngua materna pod* ser mais relev*nte se os próprio* aprendizes fo*e* responsáveis p*la construç*o do *eu conheci*ento (**ZENDE; WAMSER, 2013, p. 2-3). Pro*omos uma ab*rdage* *ifer*nciada em que o *luno é estimul*do ao exercício intelectual, cria*do autonomia pa*a construir seu conhecimento. Essa autonomia ** apr**dizagem pode ser dada a* di**ente *or meio de um processo que Culioli denomina de atividade epilinguís*ic*. T*l pr*cesso, nas pala*r*s do própr*o au*or, é "uma atividade metalinguísti*a não consciente de todo sujei*o e que *e *i*tingue, por*an*o, da atividade meta*inguística **liberad*" (C*LIOLI, 1999, *. 74 Tr**ução nossa).3 Trata-se * e *m raciocínio pré-asserta*o, an*erior à enunciação. De acor*o com *ulioli, *ara apr*ender a atividade de linguagem passamos por esse raciocínio que, embo*a não esteja no níve* do dizí*el, *em com* s** ap*een*ido por meio da língua (CULIOLI, 200*). É uma *tividade s*len*io*a *ue pode ser atrelada à manipu*açã* d* li*guag** e a* estímulo do e*ercí**o intel*ctual. Qu*nt* mais o *rofessor estimular o a*u** a manipular sua l*ngu*gem, mais es*ará trabalhando com a ati*id*de *piliguística. Temos, as*im, a propo*ta de uma ab*rdagem dialógica (o aluno dialo*a com * outro * con*igo mesmo), na q**l, de um la*o, el* é o sujeito pri*cipal e tem auto*omia para exp*essar e *esenvol**r sua cria*ividade no processo *e apr*nd*z*gem, e, *e o*tro, o professor é c*nvidad* * apli*ar tais **todologias e re*st*utu*ar *eu tr*bal*o no *ontexto d* ens*no de língua ma*ern*. De acordo com P*ad* et al., "as ativida*es epilin*uísticas nas *r*ticas didátic*s envolvem o refazi*ento, a *eescrita, a re-el*boração e instiga o e**cando a *xerc** a autocorr*ção" (P*ADO; *RADO; N*KAMOTO, 201*, p. 01). *nfa*iza-se, com isso, a impo*t*nci* de u* *nsin* qu* lev* em conta as *tiv*dades **scurs*vas do aluno, *ue o le*e a ma*i**lar os enunciado* ** sua l*ngua de fo**a mais ou me*os consciente, faze*do uma *nt*r*alação *n**e o empíri*o e o forma*. Essas mani*ulações de enunciados, como p*ática *plicada a* *nsino, *is*m a um exercício de r*flex*o sob*e a linguagem *ue *ão se restringe às *corrências lingu**ticas regulares, e q*e vai alé* da exp*sição dos *odelos no nível *a língua. A inten**o é trabalhar c*m a pr*l**era*ã* d* *nun*iad** *bservando a natu*eza estável deformável ** linguagem e sua* possíveis mo*ulações e*unciat*vas e e discu*sivas (ONOFRE; BARROS, 2014, *. 221). 3 Épi-ling**stique, il designe l\act*vité métalinguistique n*n-co**ciente *e tout sujet et se dis*ingue donc
de l\activité *étalinguistiq*e dé*ibérée. *ev. FSA, Teresina *I, *. *4, n. 1, art. 9, p. 18*-197, jan./fev. 2017 www4.f*anet.com.br/revista
T. F. Silva, M. A. F. Lima 186 Com essa m*d*lação dos nívei* da língua, est**e*os *o int**so vai e vem entre os pr*nc*pios de invariância e os pr*cess*s variantes *a lingu*g*m. Por se tratar de uma metodolo*ia *ocada no dese*vo*v*mento das *abilidades d* *luno, é **p*rtante que o p*ofessor trabalhe com oco*r*nci*s ling**sticas presentes nos textos (or*is o* escri*os) qu* estes **u*os produzem, abrindo mão dos textos pro*t*s, escolhi*os pre*i*mente pa*a *m trabalh* cristaliza*o com a lín*ua. Há muit* complexidade e abran*ênc** **r trás do* fenômenos da *ing*ag*m, e as dúvidas que os al*nos tê* *cerca desse funcionamento n*m sempre são sanadas medi**te a sim*les apr**e*t*ção de gênero* discurs*vos es*a*il*z*dos. Reaf**mamos que, para q*e s* trabalh* com a metodologia proposta p*la T*E, "é pre*i*o c*nsiderar as oper*ç*es de lingu*gem veiculad** a cada e*unciaçã*. **rá apenas a ót*c* *nun**ati*a que, ao consider*r o *rabalho do s*jeito, permiti*á que se olhe para o léxico s**pre con*e*tua*iz*damente, considerando as rel*ções linguísticas no uso" (JORENT*, 2*10, p. 32). A re*ação entre * empírico e o fo*mal nos estu**s da linguagem, t*l como propõe a TO*, aj*da o p*ofessor a desvincular-se da id*i* do aluno ideal, que produz e aprende con*orme o *sperado, e que é *v**iado pelo prof*ss*r sob p**n*ípios de p*larizaç*es "certo", "er*ado". Def**dem*s * adoção de uma *eto*ol*gia de ensino que se **ndamenta no proce*so gerador da lin*uagem, em prol *e um tra*al*o que leve o a*uno a *lhar para essa at*vi*ade, a operar com os processos *inguís*icos. Nesse sentido, o aluno é provocado a "pensa* o s*u p*nsar" (REZENDE, 2008). "Trata-se, portanto, de uma a*ividade ge*adora d* *inguagem que se pretende v*r t*abalhada no en*i*o, o qu* im*lica assu*ir uma d*nâmica refle*i*a de lingu**em, di*erentemen*e das práti*a* presc*iti*as e descritivas *ue predomi*am nas ativi*ade* didáticas" (ONOFRE; ROMERO, 2013, p. 551). 2.2 Um r*dim*nsionamento dos conceitos de verbo e poliss*mia Nas tr*d*cionais *b*rdagens *ramaticais, o *enômeno da **lissemi* é *ostr*do como um pro*esso estátic*, uma cara*terística intrínseca da na*ureza significan*e da *ín*uaque vai distribui*do sobr* ca*a v*cá*ulo seus sentidos próprios, i*e*en*es e está*icos. Essa concepção pa*te d* ide*a *e que existe p*ra *ada pala*ra um va**r princi*a* e primeiro d* qual os outros são res**tantes. Na TO* esse conceito * refor*ula*o, aprendemos, por meio da ob*e*vação *o Re*. FSA, Teresina, v. *4, n. 1, *rt. 9, p. 180-197, j*n./fev. 2**7 ww*4.***net.c*m.br/*e*ista *roposta Reflexiv* para o *nsino de Língua Materna a Partir do Trabalho *om Ve*bo* 187 funcioname*to da lí*gua, que *s un*da*es não comportam um c*nteúd* semântico estável, nada é dado, tudo é con*truído. O instável é, aqui, primei*o, e a e**abilização só se estabelece po* meio das interações da palavra com o meio textual qu* a cerca, essas i*teraç*es r*vela**o, s*gun** hipótes* que suste*ta a teoria, princípios regulares. À noção de polissemia se *ubstitui a de **riaç*es reguladas n* seio das interações" (FRANCKEL, 201*, p. 5 1 ). Se**ndo essa de*iniç*o, não h* *omo d*terminar o sentido *as unidades s* estas estiverem desvinculad** *e uma constr**ão textual, posto que é no en*n*iado e *elo enun*ia*o que esses sentidos ser*o construídos. Estudamos a poliss*mia consi*eran** que não existe s*ntido base ou sentido puro, pré-in*talado em u*a palavra. Ao analis*r uma ocorrênci* li**uística, o que d*vemos ter em mente é qu* esta d*ve se* defin*da não por um sentido que *h* é inerente, mas pelo pa*el que ela desempenha no cotex*o4 *nvestigado, *u seja, p*la identidade de sen*id* *ue dado é l*ca*mente à pal*vra no *nunciado. Deve-se, portanto, *b*er*ar as r*la*ões existen*es as e implicaçõe* *e se*t*do que a dis*osi*ão das palav*as causa na construçã*. Ass*m, para nós, os s*ntido* s*o diversos e só podem s*r ap*eendidos nas construções lin*uíst*ca*, e não na p*lavra solta, *em articulaçã* co* o en*nciado. O se*ti*o *ão é e*terior à língua, ele aparece s*mp*e en*asta*o *as pala*ras. A palavr* desestab*lizada s* e*contrará e**abilidade e re*ousará sobre algum *entido fix* qua**o inserida em um enunciad*, isto é, qu**do é engen*r*da *m algum *o*ext*, essa estabiliz*ção é dada apenas localmente, o que impl*ca d*zer que não podemos atr***ir u* sent*do único e fixo a *a*ti* da observação de um único cotexto, pois os sent*d*s são suscetíveis a alteraç*es conforme *e alt*re o *nunciado em que o vocábul* está i*seri*o. Consid*rando *s lexemas v*rba**, enfa*izamos *u* há *e*tes, se*tido* loca*s que se desestabiliza* * cada n*v* situação enu*ciativa. *ejamos o cas* do verbo to*ar nos seguintes exemplos: (* 1 ) Tomei *m fo*a (0 2 ) Tome* água (0 * ) To*ei corage* 4 O termo "cotext*" aqui utilizado desig*a o me*o imedi*to do vocábulo;a *alavra situada nos limit*s
doenu**iado *o qu*l se insere.Esset**mo difere, portanto, da concepçã* de "con*e*to" que remete a uma dimen**o mais abrang*nte que excede o enunciado. Rev. FSA, Teresina *I, v. 14, n. 1, art. *, *. 180-197, jan./fev. *01* *ww4.fsanet.com.br/*evista
T. F. Silv*, M. *. F. L*ma **8 (0 * ) Tome* o lu*ar P*r mais q*e del**itássemo* d*ve*sas acepções p*ss*vei* para esse ver*o, seria difícil prever to*as as possib*lidad*s semântica* a*vindas *os cotextos em que *s*e pode ser utilizado, *u*ca pode*íamos dar *onta dess* ampl**ude *om * mer* e**osição de exemplo*, como listam os liv*os e os dicion*rios; é n* análise do **unciado, no desenrolar dos *sos q*e os s*ntido* vão s* mostrando, se estab*l*zando localm**te e se dese*ta*ilizando a ca*a no*o *so. A **da nov* cotextualização, o sentido é atu*lizado, porta*to, afi*m*m*s que não há uma s*dim**ta*ão de sentido em que se possa clas*ificá-lo. A adoção *essa postura di**te do s*ntido das pa*av*as na língua é i*port*nte par* o ensino, uma vez q*e l*va o professor, *ue po* *ua v*z leva o a*uno, a expa*dir s** ref*exão, partindo d*s usos para, ass**, compreend*r a dinâmica de funcionamento *a líng*a. E*a ali* ao estudo d*s ve*bos um repen*ar acerca de*se processo gerad*r, mostra*do com* es**s se articulam no *ei* *extu*l a fim de produ**r a significa*ão. Isso resulta num en*ino qu* extrapo*a os meros ex*rcícios d* conjugaç*o que não lev*m o al*no *bser*ar a lín*ua e* * seu *e*do*ramento n*s si*uações comun*cacionais. Em síntese, podemos afirmar qu* ente*demos o sentido como "produto d* mat***alidade verb*l, i.e. das relações que a unidade lexical entretém com os enunc*ados nos qua*s se i*sere * a*ud* a construir" (RO*ERO; TRAUZZ*LA, 201*, *. 240). As*im, o se*tido *arca o término do processo *e sig*ificaçã*, *endo a polissemia, nes*e jog* de atuação, "* so*a institucionalizad* desses valor*s co*text*ais sempre instan*â*eos, aptos a se enrique*er e a *esaparecer, *em permanênc**, sem valor constante" (BENVE**STE, *006, p. 232). Ap*sar *e não def*ndermos a i*eia da estabil*d*de semâ*ti*a, postulamos a *xis*ên*i* da *stabiliza*ão do sent*do. "* est*biliz*çã* d* sentido sustenta que a identidade se*ân**ca d* u*idade lexical de*e ser busc*da no pr*prio desenrolar do processo significativo, *a interação verifi*ada entre a unidad* e seu(s) cont*x*o(s)" (R*M*RO; TRAUZZOLA, 20**, p. 24*). Is*o no* permite ente*der * unidad* *inguís**c* como eminentemente variável e deformável, que tem su* *unção espe*ífic* determ*nada apenas po* meio do en*nc*ado, **to é, das i*teraçõe* *otextuais das quais partici*a. Esse modo de refl*tir e atuar perante a *íng*a *ossibil*ta um trabalho dinâmico em que, **t*e o pro*esso ** construç*o e de*construção de e***ci*dos, se p*oc*ra com*reender o func*onam**to da lin*uagem. Infeliz*ent* * ens*n* na d*sciplina de Português e obviamen*e o t*ab*lh* com ver**s **n*a é pautado sob a é*ide de uma gramát*c* **d*c*, que não *ev. FSA, T*resina, v. 14, n. 1, art. 9, p. *80-197, jan./fev. *01* www4.fsanet.com.br/revista Propo*ta Reflexiva para o E*sino de Língua M*t*rn* a Partir do Tr*balho Com Verbos 1*9 considera * funci*namento d* *íngua.Todo o co*h*cime*to t*ansmitido ** a*uno é pautad* na "identif*caç*o *e c*asses gra**ticais *reviame*te *ixadas, defin*ções mor*oss*ntá*icas inq*estionáveis, distinções *as quais lé*ico, morfolog*a, s*ntaxe e *emântica pouc* ou nad* dialo*am *nt*e si" (RO*ERO; VÓVI*, *011, p. 79). D* acordo com T*avaglia, no ensino da edu*aç*o básica, * estud* do ver*o é "p*edominan*eme*te teórico * vol*ado q*a*e ex*l**iv*ment* p**a as *ormas (fle**o, i*entificação e denom*n*ção), pois * *rabal*o com a **gnificação é raro. O e*sino predo*inantemen*e teórico sobre *erb* *ão tem sido feito o de modo a ensinar a *en**r" (TRAVAGLIA, 200*, p. 160). R*fletind* sobre essa r*alidade, propomos um redi**n*ionament* no trabalho c*m lexemas verb*is, num* atuação em que se dei*a de lad* a* con*epções cristalizadas d* gra*átic* em seus o*sole*os m*todo* de conjugação, se * adota um ensin* que l*vao aluno a re*l*tir, * olhar para o v*rb* em seu funciona*ento d**â**co,em seu processo d* formação de senti*o no s*io do *nunciado, nas particul*rida*es das ocorrências obs*rvadas no proces*o *omunicaci*nal. * RESUL*ADO* E DISCUS*ÕES 3.1 Ref*exões para o ensin* de língua Trabalhar com *erbo *ob a perspectiva *a Teoria das Operaçõ*s Enunciati*a* implic* desp*r-se da id*ia, amp*amente difun*ida, de "c*racteri*ação fundamentad* em um* categ*ria cognitiva su*ostamente pré-**tabelecida, ou em c*nsiderações cognitiv*s que *ão t*nham em conta a observação das formas linguísticas" (DE VOGÜÉ, 2011, p. *77). Dess* modo, não "*a*emos, a priori, o que é uma c*us*, um ato o* um esta*o e rej*i*amos co**iderar esta o* aquela ca*e*oria de v*rbos como expr*ssão destas ou de outra* *at*go*ias definidas ** modo independ*nte" (DE V*GÜÉ, *011, p. 27*). Essas configurações são *xpr*ssas * p*rceb*d*s s*mente no plano d* dizível, naquilo que é con**ru*do pelas f*rmas l*ngu*sticas. Assim, o* texto* e enunc*ado* anal*sados em sal* de *ula repre*en*arão os d*dos em su* varia*ão i*trínseca, o e*pír*co de *u* o docente dispõe para explorar, *ensurar e explicar o f*nci*namento dos le*emas verbais. É bem mais pro*íc*o para o trabalho do do*ente apresentar pa*a análise e reflex*o *o aluno texto* e e*unciados pro*uz*dos por ele em *e* di* a di*. P**gu*tas com*: qual *eria o papel do verbo na constr*çã* de signif*ca*ão desse enunciado?** *i**a, o qu* m* autori*a o *so des*es co*plementos e o **e m* de**ut*riza o us o daq*eles?*ão *rucia*s e devem sempre nort*ar o traba*ho com verbos e* sala de aula. Rev. FS*, Teresin* PI, v. *4, n. 1, *rt. 9, p. 180-197, jan./fev. 2017 www4.fsanet.co*.br/revista T. F. Silva, M. A. F. Lima 190 U*arem*s, * fim de ilust*ar esse *xercí*io de *eflexão, en**ciados com o verbo tom*r que foi escol*ido por n*s por seu amplo uso e* situações formais e informa*s da líng*a. (* 5 ) *omei um não. (* 6 ) To*ei um* multa. (0 7 ) Tom*i uma adve*t*ncia. (0 8 ) Tomei um su*to! Observamo* que na* construções mo*trada* o v*r*o a*sin**a **a situação enun*iativa em que o s*jeito f*i surpre*n**do por algo. O uso do verbo d*limita um aconteciment* que, po* nã* ser esperado, assusta, surpreende. A natureza do sentido de *o*ar nessas *ons*ruç*es é ev*d*nc*ada qua*do temos enunciados do t*po t*mei u* *eijo, que ap*sar d* não *onf*gurar express*o recorrente e comu* n* uso, pode ser empregada para *etratar um s*jeito qu* f** surpr*endi*o por um ato inesper*do.Se ** conside** * uso dessa ex*res*ão nesse cen*rio, ela passa a ser p*rfeitamente possível e a*eitável na língua. V*j*mos. (0 9 ) Tomei um beijo do pa*dal, que dor! 5 Por *utro *ado, *e consi*eramos que uma e*pressão do tipo tomei um si* *ã* é *s*al na língua, *mbor* **cebe* um "sim" co*o respo*ta pos*a, em a*guma* s*tua*ões, *epresentar algo inesperado, pensa**s que nessa relação o verb* *arca,na grande maioria dos casos, uma surpresa negativa, não *e*eja*a pelo sujeito, o sujeito é, ness* jogo de atua*ão, um "*" pacie*te ** ação ve*bal prat*cad* ou d*sencadead* po* um "Y". Os enuncia**s abaixo mostra* bem essa relação X Y: (1 0 ) Tomei um ch*que. (1 1 ) Tom*i um murro. (1 2 ) Tomei uma r*stei*a. * **emplo utilizado co*o título *e um víde* postado n* yo*tube. No v*deo, u* rapaz, ao limpar *m
pardal sujo de cola, é su*preen*ido por *ma *ic*da do p*ssar* em sua *oca. Disponível e*: <https://www.y*u*ube.com/watch?v=V3fw**-IpJU>. Acesso em: 15 set. 2015. Rev. FSA, Tere**na, v. *4, n. 1, art. 9, p. 1*0-1**, jan./fev. 2017 w*w4.fsan**.com.br/revista
Proposta Re*l**iva para o *nsino de L*ngua Mater*a * Partir do Trabalho Com Verbos 191 Cons*deremos ainda outras rel*ções * outros e***tos d* sentido assumido por esse ve*bo nos *sos: (1 3 ) Tomei sol. (1 4 ) Tomei chuva. (1 5 ) Tom*i banho. Imaginando os *enários ** que tais enunciados *odem ser pr*fe*idos, percebemos que sempre que dizemo* t**ei sol,to*ei chuv* o* *ome* banho, temo* a rep*esentação de um sujeito que r*cebe sob*e s** pe*e a inc*dência dos raios ou os respin*os da água d* *hu*a ou do ch*veiro, isto é, há *m envo*vi*ento, um co*t*to da pele *u* é *olhada por *m líquido (a água) ouque é **sna*a pelo sol. Para que enten*am*s melhor o p**c*sso ** c*nstr*ção *e sent*d* em torno desses enunci*dos, contra*omo-*o* com exemp*os qu* não são util*zados na l*ngua: (1 6 ) Fui a* so* e tomei calor*. (1 7 ) Saí para for* e tomei n**e*.6 A partir dos *x*mplos acima, lançamos a* pergunt**: porque não usam*s construções como as elencadas em *6 e 17? O que *e desa**oriza di*er tome* calo* e **mei neve? Respond*mos a *ssa* per*untas mostr*n*o * funcionamento do v*rbo em**e*ado. Em
exemplos anteriores o verbo tomar convocou a *xistência *e um *ujeito X, alvo de *l*o ex**rn* q*e o ati*ge: tomei sol, tomei chuva, to*ei banho, tomei uma chuveirada, e*c. Conf*rme ressa*t**o*, qu*n*o *izemos tomei sol, temos i**tau*ada a c*na enunc*ativa de um *ujeito *ue rec*be sobre seu co*po raios solares, porém, ao *izer tom*i calo*, fugimos desse pad*ão de funcion*mento *m* vez qu* cal** *ão é o que incid* diretament* sobre o suj*ito, não configura al*o extern* que atin*e alguém, o calor é, n* verdade, a resposta que o *orp* dá à recepção *o sol: *omei sol e, *om* co*se*uência, senti calor. Algo sem*lhante *corre quan*o contra*omos as expr*ssões tomei *huva e tomei neve. A chuv* é representada *ela á*ua que molh*, que envolve o *ujeit*. Quan*o alguém to** chuva, *ecebe dire*amente e*sa **bstânc*a sobre s*u corpo, um* vez que este é mo**ado, lavado pela água. **m a neve, no entanto, não acontece a *esma *oisa, a n*tureza d* estado *ól**o da ne*e não permite *u* ha*a u* *ontato com a pele, por i*so *izemos t*mei uma 6 *s asteris*os foram u*ilizados para demarcar expressões não us*ais na lí**ua.
Rev. FSA, Teresin* PI, *. 14, n. 1, art. 9, p. *80-197, ja*./fev. 201* www4.*sanet.com.br/rev*sta
*. *. Silv*, M. A. F. *im* 192 c**va, mas não dizemos tom** uma neve. Nessa relação, * sujeito p*ecis* *eceb*r diret**ent* sobre si a substância em qu**tão, isto é, precis* ser *nvo*vid* pelo fenômeno, ver a aparência do seu *orpo ou da s** pele ser alt*rada: d* *nx*ta * **lhada, de in*act* a tisnada. Nos casos *m *ue não há essa relaçã*, * uso *o ver** tomar *e faz in*o*um ou não usual no português. **nsi*erando ainda outros funcionament**, de*ta*amos a *roxi*i*ad* *ue o verbo *om*r te* com a i*ei* de deglut*r, *ngeri*. Ness* configuração **mântica t*mos várias *ossibilid*des, dentre as *uais, de*tacamos: (1 8 ) Tom*i c*á. (1 9 ) *omei café. (2 0 ) Tomei água. (* 1 ) Tomei um ca**o. Nos exemplos ***racitados, é eviden*e a relaç*o do verbo com o **ntido "ing*s*ã* d* alimen*o* líquid*s", *orém, n*o pod*mos dizer que só ut*liz**os tom*r numa associ*ção com alimentos dessa natur*za, vejamos: (2 2 ) Não gosto d* ja*tar, à noite, prefiro t*mar um la**he. A e**ressão "tomar *m lanche", e* 22, n*o marca *ecessariame*te a *nges**o *e um alim*nto *íqui*o. Podemos incl*ir perfeitamente nesse lanc*e um *andu*che, um c*chorro quente, e *inda assi* afirm*r: "tomei um l*nche". Envol**s n*s*a lin*a de racio*í*io n*s per*untamos: *o* que, en*ão, n*o posso dizer "tomei uma *anta"?Par* responder essa a in*agação, pa*t*mos inicialment* *a id*ia d* que quando *fir*amos "n*o gosto de jantar, * noite, prefiro tomar um lanche" é *omo se tivéssemos *azendo uma divisão em que colocamos, de um lado, o qu* seri*m as ref*ições diária* ma*s completas, que são *omume*te preparadas para ser** cons*midas no almoço * na janta, e, de ou*r* lado, re*eições que não env*lve* o cardápio e a vari*dade de *limentos típicos do almoço e da jan*a, é o caso do ca** *a manhã e d* um l*nche que pod* substituir um janta*, p** exempl*. Assim, **sso dize* tomar caf* da ma**ã, to*ar um lanc*e, p**a caracterizar essa r*feiç*o que exclui os alimen*os típic*s de um a*moç* e de uma janta conven**on*is, mas não posso dizer *tomar um almoço ou ainda, *tomar uma janta, par* caracterizar *ssas duas refeições do *ia. Explora*os esses enunci*dos, *od*mos dizer qu* o verbo manifestou as seguintes relações com o *ujeito ou com os termos com os quais ** relacionou: Re*. *SA, T**es*na, v. 14, n. *, art. 9, p. 180-197, jan./*ev. *017 w**4.f*anet.com.br/*evista P**post* Ref*e*i*a pa*a o *nsino *e L*n*ua Mat*rna a Partir do Trabalho Com Verbo* 193 Dado o ve*bo toma*, temos: I. Um su*eito X que * surpreendido por uma ação ex*er*a. II. Um sujeito * que *ece*e *ob** si uma su*st*ncia Y que *ltera s*u aspect* inicial. III. U* aliment* qualque* q*e, dissociado *o quadro de refe*ções t**icas do alm*ço e da j*nta, compõe as refeições de *m *n*ivíduo. *o observa* enunciados em que o **rb* tomar *pa*e*e, pudemos perceb*r o *ue per**te ou *el*mita o s*u uso, isto é, "o *ue f** com que determina*os empregos s*jam m*nos **eitáveis do *ue outro*" (R*ME*O; TRAUZZ*LA, *0*4, p. 241), e *ssim, con*eguimo* ant*ver a na*ureza constitutiva desse vocábu*o em *ariados co*text*s e*u*ciativ*s. *or *xemp*o, dize* "tomei um susto" é mais aceitável que dizer "tomei um medo"; afirm*r "*omamo* refeiçã*" é mais usual *ue a "toma*os comida", quando o a sentido pr**endido * o de ing*rir alimen***; s*o essas *anipulaçõe* e para *rasagens que n*s levam a a*tever determinados u*os ou inad*q*ações dos lexemas e é dess* modo que o a*uno c*nstruirá suas hipóteses * refl*tir* so*re a língua em seu funcionamento. Percebem*s que não ** es*aticidade no fun*ionam*nto desse v*cábul*, n*o é possível encaix*-lo em *ategori*s fix*s, po*s será apenas n* *lan* do *izí*el e na* cons*ru*ões *ingu*sticas que essas cara**erísticas irão se mos*rar. As*im, po* mais que to**r apareç* com*m**te ex*ressando *m* a**o, como *os en**cia*os a*aixo: (2 3 ) A juíza to*ou o depoi*ento do *é*. (2 4 ) Carl* tom*u o brinq*e*o de seu irmã*. (* 5 ) Tomamos *o*as *nte* à noite.
Essa característica *ã* é f*xa*a a pri*ri, ela é a*ena* local, instância *ue se faz * se desfa* a cada ato com*nica*iv*. Ocorrências com*: (2 6 ) Toma! Bem feito! M**tra* que, nessa atuação, o sujeito *a a**o ver*al não é tipicamente agen*ivo, **m passivo, tampouc* estamos diante d* um verbo de açã*, estamos si* diant* de um v**ábulo Rev. *SA, Teresina PI, v. *4, n. 1, *rt. 9, p. 180-1*7, ja*./*ev. 2**7 www4.fsanet.com.b*/revist*
T. F. S*lva, M. A. F. L*ma 194 *u*, assim c*** *odos os outros *a língua, *stá e* p*eno fun**oname*to, tendo, *ortanto, seu sentido construído e descons*ruído a *ada *ov* *n*nciado. Evidenteme*t* o verbo tomar tem muitas outras possibilidades de sentidos não explic*tada* a*u*, muitos **t*os exemp*os *e c*m* s* abstrair a *atureza funcional desse lexema partir das obser*ações d* u*o poderiam ser dados, por*m, os que aqui i*ust**m*s a servem p*ra m*strar como po**mos t*a*alhar com essa ca**g*r*a foc*ndo, inicialmente, *uas co*struções de s*nti*o para, po*terior*ente, anali*armos o*tros fat*res como aspecto, modalidade, t*mpo, e*c. Propomos qu* s* *arta d* sentido para, pos*eriormente, l*var o aluno a compreender *utr*s aspectos inere*tes * es*a catego*ia. Conforme já a*irmamos a*te*ior*ente, é imp*ss*ve* um ensino efetivo de Lí*gua *ortu*uesa po* m*io da mera exposição de con*eitos e c*as*ific*ç*es; as frases e co*struções *razidas nos ex*rcíc*os dos livros didáti*os não dão cont* da dinamici*ade do f*ncionamento lin*uístic*, são n*toriame*te *imit*das e não leva* * *luno a const*uir se* conhec*mento por m*io de observações em*íric*s, ref**xões e inf*rênc*as. Ensinar ao aluno que v*rbo * a palavra *u* i ndi c * açã*, e*ta*o, muda*ça de estado fenô*e*os da natureza em n*da e o a*udará a raciocinar e a re*let*r sobre o s*ntido, *s usos e *plicabili*ades dess*s lexemas *m nossos text*s (falados e escritos). A utili*ação do v*rb* tomarem noss*s exemplos tev* apenas o intuito didático de explicitar ocorrê*cias comuns em nossas inte*ações comunicacionais, o*viamente, essa reflexão n*o se limita ape*a* ao uso desse *e**o, mas se estende ao tra*alho em s*la de aula com os v*r*os e* *eral. Nos*a pr*posta pa*te de uma base const*utivista em q*e o *lun* * age*t*-c*n***utor do seu co**ecime*t* sobre a língua, *ma líng*a que *le conhece * d*mi** b*m, e que, por*anto, tem a *a*a*idad* de re*le*ir, obs*rvar, in*erir * *ira* conclusões palpá**i* de **u funcionam*nt* emp**ic*. * CONCLUSÃO Conf*rme aludido n* t*xt* de Ro*er* e Tr*uzzola (2014), o ex*rcíc*o de ob*e*v*çã* que parte do *uncionamento permite-nos ch*gar *o dinamismo op*rató*io de cada lexema verbal e ajuda-n*s a com*reender *om* o verbo se relaciona co* os *ermos que convoca pa*a se enunciar. *om esse raciocínio, con*eguimo* v*r de modo bastante di*eto as determ*n*ções *specíficas da *ategor** verb*l, a* cenas enu*ci*tiva* e* que *la *e prefigura, bem *o*o s** dinamis** de f**cionamento na *íngua. Ne*se **ercíci*, o próp*io alu*o manipula os enunciados usados por ele e chega às suas própr*as *onc***ões ac*rca do fenômeno est*d**o, Rev. *S*, T*resina, *. 14, n. *, art. 9, p. 18*-197, jan./fev. 2017 www4.fsan*t.*o*.br/*evista Pro*osta Reflexiva para o **sin* d* Líng*a Mat*rna a Pa*tir do *rabalho Com Verbos 195 com*r*endend* não s*mente as es*abi*iza*ões *emânticas de *ad* voc*bulo, como *ambém s*u p*ocesso gerado* de sentido. Vale *essaltar, ain**, que não tivem*s a preocupação de manipular ocorrências tidas com* *ramaticalmente corretas, n*ssa p*eo*upação ce*trou-se em refle*ir sobre enu*ciados com re*orrências nos usos, destacan*o as dife*ente* possibilidades de sen*idos que estes **resentam *onf**me se varia * *otexto em que estão *nseridos. Ac*edit*mos s*r inf*utífero o tra*a*h* que *imp*esmente leva o *luno a *lassifica* o tempo, o modo * a conju*ação de um verbo.* preci** que o discente compreenda * *ro*esso ge*ad*r de se*tido dessa categoria, *ue reflita, construa e de*con*trua, *ue proc*re antever situações e us*s a *i* d* chegar às invariâncias e particula*idad*s *e funcio*amen*o de cada lexema. Ness* proces*o,o aluno é alçado à con*i*ão ** co-partí*ipe, de falant* ativo que integr* *ssas construções ** m*dida em que observa, manipula e identif*ca os limit*s de atuação e d* sentido das pal*vr*s na língua. *EFERÊNC*AS BEN*ENISTE, E. *r**lem*s de linguística g*ral *I. In:______. A forma e o se**ido na linguagem. 2. ed. Campi*as, S*: **ntes E*i*ores, 2006. BRASIL. Se*retar*a da Ed*cação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portug**sa. Brasília: MEC/SE*, 1*98. CULIOLI, *. Notes du semina*re *e D.E.*. 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