www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 7, *. 149-165, jan./fev. 2017
IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983
*ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2017.14.1.7
Imperialismo, Discurso e Ide*logia n*s Livros Didáticos de História
I*p*rialism, D*sc*urse a** Ideology in Hi**ory Textboo*s
Talita de O*ivei*a
*outora em *etras pela Po**ifíc*a Univers*dad* do Rio *e *aneiro
*rofessora do Centro *ed*ral de Educação ***nológica *elso Suckow da F*nseca
E-ma*l: talitaoli@*otmail.com/talit*ol*veira@cefet-rj.b*
Bruno Ser*io *carpa Mo**eiro Gu*de*
Mestre em Re*a**es Étnic*-Raciais pelo Cen*r* Federal d* Educação Te*nológica Celso Su*kow *a Fonseca
Pro*ess*r d* Secr*taria Mun*ci*a* de Educaç*o do *io de Janeiro
E-*ail: bscarpaguedes@yahoo.com.br
*ndereço: Talita *e *l*v*ir*
Ende*eço: **FET/RJ - Av. Maracan*, 2*9, Mar*canã,
CEP: 20.*71-110, Ri* *e *aneiro/RJ, Brasil.
Endere*o: Brun* S*rgio Scar** M*nte*ro Guede*
Endereço: E**ola Muni*ipal Mo*te Castel* - Rua
O*seley, Coe*ho Neto, C*P: 21.53*-170, Rio de
**neiro/RJ, B*asil.
Editor Ci*ntí*i*o: Tonny Kerley de Ale*c*r Rodri*ues
Art**o rece*ido em 12/10/2016. Últim* versã*
*ecebida em 06/11/2016. Apro*ado em 07/*1/2016.
Avaliado pelo sist*ma Tri*l* Review: a) D*sk Review
*elo *d*tor-*hefe; e b) Doubl* Blind Review
(avaliaç*o cega por *ois *v*liado*es da área).
Revisão: Gr*matical, No*ma**va e de F*rmata*ão
T. Ol*v*ira, B. *. S. M. Guedes
150
RESU*O
O p*esente trabalh* pauta-se na análi*e ** re*resentaç*o do discurs* ide*lógico nos l*vros
didát*cos, focalizando o volume II d* co*eç*o "História: o longo século XIX". *ossas *nál*ses
visam contribuir para *ma reflexã* do i*strument* simbólico de ideiologias e de *oder que o
**vro didático possui em nossa s*c**da*e. Entend**os I*eo*o**a segundo *hauí (1*80),
como u* sistema de n*r*as, valo*es e comportamentos que
c*n*u*em os pensam*ntos e
ações dos *e**r*s ** uma sociedad*. A partir da consta*aç*o de q*e os disc*rsos prod*zidos
n*s livros didáticos silenciam vozes e h**tórias, assim co*o forjam outras e aclamam *o*cas,
apon*aremos pa*a * "c*idado" na prática docente para *idar com * d*sconstrução do disc*rso
ide*l*gico de poder, ainda perma*ent* nos materi*is *idáticos.
P*lavras-cha*e: Ideol*g*a. L**ro D*d*t**o. Discu*so.
A*S**ACT
*his *a*er ai*s at a*alysing th* r**resent*tion o* the ide**o*ical disco*rse present in
textbooks, *ocusing on the volume II
of the coll*ction "História: o longo sécu*o XIX". Our
analyses intend to contr*bute f*r a reflexion on the sy*bolic ins*rum*nt
of i*e*logi*s and
power of textbook* *n ou* society. Id*ology is cons*dered as presented in Chauí (1980), as a
sy**em of norms, values *nd behaviours that c*nduct *he thoughts and ac*ions of a society\s
members. Bas*d on the *ckn*wledgment that the dis*ourses *roduced in *extbooks s*lenc*, as
we*l forg* other and celebrate fe*, voices and stories, *e w*ll discuss th* "attention" that the
t*aching prac*ice must have i*
order to decon*truct the ideologi**l discourse o* power, still
p*esent in textbooks.
Ke*w*rds: Id*o*ogy. Textbook. Discour*e.
Rev. FSA, T*resina, v. 14, n. 1, art. 7, *. 149-*6*, *an./fev. 2017
www4.*sanet.*om.br/revi*ta
Impe*ialismo, Discurso e Ide*lo*i* nos *ivros Did*ticos de Históri*
15*
1 INT*ODUÇÃO
O pre*en*e tra*alho con*id*rará o período d**ominado **r "Imperialism*" e *ua
abordag*m
no *iv** didático de Hist*r*a, produzido pelo departa*ento de Hist*ria
da
Univer*idade Fe*eral Flumi*en*e (VA*NFAS, e* al. 2012) e util*zado n* rede Estadual do Ri*
de Ja*ei*o, no *eríodo
entr* 2012 e 2*14. Es*e*ificamente, * m*te*i*lida*e discurs*va que
ser* discut*da aqui se *efere ao 2º volume da co*eção "Histó*ia o long* século XIX" (tema
Imperi**ismo, página* 302 a 307).
*ara a análise dos textos e imagens pr*sentes no m*teria* *el*cionado, nos
de*ruçare*** na per*pectiva *a Análise do Discu*so (AD) *e *inha fr*n*es*, pri*rita*e*te de
Maingueneau (2008) que nos es*larece sobre a **nalidade especí*ica que orie*ta a *nális* *o
*iscurso:
"(...) é d* aprender * discurso como e*tr*cruzamento de um texto e de *m lu*ar
soci*l, dizer que s*u objeto nã* * nem a or*anizaçã* textu*l nem a situação de
comunicação, *as aqu**o que nos une *travé* d* ** d*s*osit*v* de enu*ciação
espe*ífi*o
q** provém do
v*rbal e do institucional... pensar *s l*ga*es
independentemente das pa*avras que au*orizam (redução socio*ó*ic*), ou p*nsar
as
pal*vr*s in*e**ndentemente d*s *ugares dos quais ela* são parte beneficiá*ia*
(r*dução l*ngu*stica) iss* *er*a *icar aquém *a* exigências que fu*dam * ****ise do
d*scurso (MAINGUENEAU, 20*8, p.148).
Para fomentar a discussão, busca**mos tratar ** c*nceito *e Ideolo*ia, *bse*v**o em
(CH*U*, 1980), pa** que possam*s realizar a contextu*lização do* *is*u*sos *roduzidos na
obra *eleciona*a. Den*re
os concei**s de ideolog*a apresenta*os pela aut*ra, e*bo*a*em*s
nossas observ**õ*s sobre aquele* o**undos d* pers*ect*va marx*stai*.
* R*FERENCIAL **ÓRICO
*.* Nosso objeto de pesq*isa (nos*os *lhares)
A i*agem aqui anali*ada retrat* o período co*h*ci*o co*o "Imperi*lism*" que,
invariav**m**te, é rel*tado nas narraçõe* histó*ica* como o proc*sso de *x*an**o dos *aíses
industrializa*os e* busca de merca*o* con*umid**es, matéria*-prima* * novo* *erritór*o*,
pr*n*ipalmente durante a* últimas décadas
** s*culo *IX, *os c*nt*nentes Afri*an*
e
A*iátic*.
Rev. ***, Teresin* PI, v. 14, n. 1, ar*. 7, p. 1*9-165, jan./fev. 2017
www4.fsanet.com.br/revista
T. Ol*veir*, B. S. S. M. Guedes
152
Figura 1 - Imag*m do Marrocos, no norte *a África, que simboliz* a França *ferecendo a
civil*za**o aos ha*i*antes
*itogra*ia publi*ad* e* 1* de no*embro de *911.
*n*es de *artirmos para a a*álise propria*ente **ta da **a*em e **alizar*o*
a
conte*tualização com o *sb*ço t*ór*co da *D, f*z-se necessário explicitar os mo*ivo* *u* nos
conduziram * e*colher um* *nica imagem para *ue pudéssem*s realizar a nos** apreci*çã*.
N*sse s*ntido, e*te*d*mos que *s caminhos para a l*itura d* *m texto ** imag*m possam se*
m*ltiplos, *as justifi*amos noss*s e*colhas co* base nas *onde*a*õ*s de Pech*ux (1988): "a
an*lise *o discurso não pretende se ins*ituir como e*pe*ial*sta *a interpr*tação, *omin*ndo o
sentido dos textos; apenas pre*e*de construir *rocedimentos qu* expon**m o ol*ar-leitor
a
níve*s op*cos à a**o estratégica de u* suj*ito" (PEC**UX, 1988, p. 42).
A*ém disso, es*larecer as cau*a* para a escol*a de*s* *ecorte-t*mporal, dentre tan*os
outros n* cole*ão *idá*ica aqui inve*tig**a, pe*mitirá a "confis*ão" de no*sas
i*tenci*n**idades e perspectivas para o desenvolvime*to do trab*lho. Inic*alme*te, o tema "O
*m*eri*lismo
ata*a o mund*", co*form*
*esc*ito na coleç*o ana*is**a perm*t*rá que
pos*am*s colocar em evidência duas concepções ou vis**s *e mundo: a e*r*cênt*ica e a do
"outro". Mais
*diante, discu*sare*o* sob** o *onceito de "outr*". *um *egundo mo**n*o,
c*a*ou-nos at*nçã* a *til*zaçã* de uma im*gem de *m jornal francês, "Le Pe*it", para
enunci*r signif*cados de uma d*terminad* narraçã* histór**a no livro didát*co a*alisado.
Sa*emos, historicam*nte, que a Fra*ça faz** parte dos países que realizaram a expansão
Rev. FSA, Tere**na, v. 1*, n. 1, a*t. 7, p. *49-165, jan./fev. 2017 www4.fsane*.com.br/*evista
Imperialismo, Discurso e Ide*log*a n*s Li*ros *idático* de História
153
c**ital***a rumo a* continente a**ic*no. O terceir* momento, não *ão menos import*nte que os
anter*ores, condu*ir-no* a questionar o *exto vinc*lad* à imagem do j*rnal Petit. *iz o texto:
"Image* do Marro*os, n* norte da África, que s*mboliz* a F**nç* oferec*nd* a civilizaçã*
aos *abitantes. Litogra**a publicada em 19 de n*ve*bro de 1911" (VAINFAS et al., *012,
p.3*5).
3 RESUL*AD*S E DISCUSSÃO
P*ra *ratarmos dos enunciados produz*dos pe*a im*g*m e o t**to vin*u*ad*s no livro
di**tico, trazemos, para em*as*mento de nossos olhar*s, * concepção de Maingue**a* (2*08)
que, par* *ossa p*rspectiva de a*ál*se, nos pa*eceu mais d*dáti*a e elucidativa. Do ponto de
vista analisado pelo teóric* fr*ncês, *odemo* d*stacar q*e
"o *iscurso é concebi*o como r**ação de um texto; d*t* de out*a forma, texto +
*ontexto = di*curso (...) *la [a AD] pe*mite, com efeito di*tin*u*r a *tividade
di*c*rsiva na*
sua múltiplas dimens*es e sua única manifesta*ão *erb*l, e*crita ou
or*l" (MAINGUE*EAU, 2*08, p.138).
Nesse sentido, *a AD, * contexto de onde se *is*ursa faz t*da * diferença para que
possam*s comp*eender o que o enunciador está busc*ndo produzir c*m * se*
discurso.
Portan*o, a* trazer a i*ag*m de um jornal f*ancê* *a** retratar o período narrado *omo
"Imperialis*o", ao nosso entendimento, abre-se *sp*ço para u*a determinada cultura realizar
* inserç*o de *m momen** his*órico es*e*ífico, a*é p*rqu*, no decorre* do text* a*al*sad*,
não se abre espaç* para outras voz*s narrarem suas concepçõe*, s*as v*rsões d* his*ória.
*ara trat*rmos da q*e*tão ideológica presente no cont*xt* r*ssa*tado e analisad* aqui,
buscamo* em *a*x e *nge*s (19**) a
j*stificat*va p*ra a compreensão da *egemonia
do
discurso et**cêntrico, *inda permanen*e na ***iedade e *st*ndido ao livro didá*ico.
"As i*eias da cla*se d*min*nt* são, em c*da ép*ca, as ideias domin*ntes, isto é,
a
classe q*e a forç* mater*al dominante da socie*ade. (...) Na medida em que é
dominam *omo class* e determinam todo * âmbito de uma *poc* his*óri*a,
é
evident* *ue o façam em to*a a sua extensão e, conseq*entemente, **tre *utras
co*sas, domine* ta*bém com* pensad*res, como produtores *e ideias" (MARX;
EN*ELS, 19*5, *.*4).
A *ers*ecti** de Marx e Engels (1*65) p**mite-nos um maior entendimento sobre *
perpetuação do dis*urso hegemô*ico, num det*rminado espa*o/*empo, prof*rido
**r um a
c*a*se ou g*upo de pessoas, independ*n*e****e dos *eios utilizados pa*a legit*ma*ão
deste
Rev. FSA, Ter*sina *I, *. 14, n. 1, art. 7, p. 149-165, jan./fev. *01* www4.fsa*et.**m.br/*evista
T. Oliveira, B. S. S. M. G*edes
*5*
discurso. Aqui, a análi*e reca* sobr* o discurso h*g*mô**co pr*sen*e nos livros didáticos,
especificamen*e no d* História, a pa*tir da *oleção
"Histór**: o l*ngo século XIX". *o
verificarmos * concepção de Ideologia mar*ista, **e consiste na produção de reg*a*
e
co*dutas * serem
aceitas pelos out*os membro* da sociedade, resga**mos a inter*retação
de
Chauí
(1980),
que nos esclare*e
que a Ideologia cria uma v*são ilusória da realida*e,
induzindo os outros i*divíd*os desta mesm* s*c***ade * val*rizar, se*tir e criar, conforme
preceitos disseminados pel* cl*sse dominante. Na conce*çã* da filósofa:
"A ideologia é um c**junto l****o, *istem*t*co e *oerente de re**esentaçõ*s (ideia*
e valor*s) e *e normas e regr*s (de conduta) que indicam * presc*ev*m aos membros
da s*ciedade * q*e deve* pensar e como de*em pensar, o que
devem valorizar,
o
que d*vem s*ntir * como d*vem *entir, o que d*vem faze* e c*mo devem fazer. Ela
é,
p*rtanto, um
corpo explicat*vo, n**mativo, regu*ado*,
cuja *un*ã* é *ar a*s
*embros de uma *ociedade
div**ida e c*ass** uma explica*ão racion*l para as
difere*ças soc*ais, po*íticas e culturais, sem jama*s **ribuir ta*s dife*enças à d*visã*
d* sociedade e classes a partir *as ***isões na esfera da pr*dução. Pelo contrári*, a
*unção da *deolog*a é de a*a**r a* diferen*as como *e classes for*ecer *** e
membr*s da sociedade o sen*imento d* sociedade soci*l, enco*t**ndo certos
refer*nciai* i*entificadores *e todos * para todo*, como, por exemplo,
a
*umanidade, a Liberdade, a Igu*ldade, a
Nação, ou o Estado" (CHA*I, 1980 p.
113-114).
I*evitav*lmente, *o tr*tarmos do conc*ito d* I*eologia, *emetemo-nos ao concei*o *e
etnoc*ntri*mo. *esse sentido, ao o*servarmos a notíci* de um j*rnal fra*cê* como detentor
do saber *li produ*ido (n* l*vro didá*ico ut*liz*do numa instituição de *n*in*),
temos
a
na*raçã* histó*ica
de um dado momento tem*or*l sendo
mono*o*izad* por uma *er*pec*iva
de visão de mund*. Ao tratarmos do co*ceito antropo*ógico de etnocen*rismo, verific*m*s em
Rocha
(1984) u* esclarecim*nto *e como é rea*izad* * construção do "outro", a par*ir da
visão *e mund*
*e que* o enxerga
(o eu). N*ssa visão de
mu*do etnocêntrica, são
reconhecida* e valorizadas s*mente as suas perspectivas e concepções. Conf**me a**nta
Rocha (1984):
"Etnocen*ri**o é um* visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como
centro de tudo * to*o* os o*tros são pensa*o* e sentido* atr*vés dos nossos valores,
nossos mod*los, nossas definições do que é * exist*n*i*. No plano in*el*ctual, pode
ser vist* como a dific**dade
de p*n*armos a
dif*renç*; *o plano
afetivo, como
*e*timentos de
estranheza, m*do, h*stilidade, etc. Perguntar s*bre o *ue
é
etn*centri*mo é,
pois, indagar sobre um fenômeno onde se misturam tanto
elementos i*telectuais e racio*ais qua*to *lemen*o* *mo*ion*is e afetivos"
(ROCHA, 1984, p.5).
Na tent*tiva *e contextu*liz*r o* c*nceitos aqui apresentados - d* Ide*l*gi* e
etn**en*rismo -, partir*mos p**a a anál*se discu*si*a da im*gem apresentada no iní*i* *este
Rev. FSA, Tere*ina, *. 14, n. 1, art. 7, p. *49-165, jan./fev. 2017 www4.fs*ne*.co*.br/revista
Imperialis*o, Discurs* e Ideologi* nos Livros Didáticos de Histór*a
155
*rabal*o, pa*a discutirmo* * permanê*cia *o discurso heg*mônico nos livr*s didáticos. D*ntre
as *eis pági**s destina*as à explicitação do *omen*o h*s*óric* de*ominado Imperial*smo,
a
im**em se*eciona**
está situada na *ua*ta p*gi*a do c*pít*lo d* livro did*tic*, ocupando,
apro*ima*amente, 70% da
re*er*da página. Ao rep*esentar o *ncontro
entr* d*as culturas,
a
e*ropeia
e
a
africana,
*
image*
demonstra
e/ou
c*nstrói
a
imagem
do
co**nizado*/conq**stador
num* posi*ão p*ivile*iada em rel*ção *os "o*tros", forjando uma
si*u*ção *e so**dari*da*e co*
os demais i*div*duos
a** repre*entados. A si*uação *e
sol*d**iedade é corrobo***a com * frase vin**lada à imag*m: "simboliza a Franç* ofere*en*o
* civili*a**o aos habi*antes".
Dia*te do expos*o, verificamos um tendencion*smo be* marcante **
expos*çã*
do
acontecimento h*stór*co. Po* qual motivo s* es*olheu a notícia pu*licada no jornal f**ncês Le
Petit para r*present*r o
per*odo histó*ico denominado *e Imperialismo **
livro didátic*?
Bast* r**ord*r*o* *ue a *ran** *oi uma das nações *mperialistas envolvid** diretamente co*
o
processo
de *onquista * domina*ão dos
paíse* africanos. Assim, nossas i*quietações s*
*guçam ainda mais, para b*scar uma compreensão da r*laç** estabe*ecida pelos
autores
*o
livro didático entre o *ornal francês e * per*odo his*órico em questã*.
V**ificamos a e*istência de duas situ*ções preocupantes na exposição
do
aconteciment* h*stórico aqui in*estigado. Ini**a*me*te, re**te-se à representação *os *aíses
europeus em solo afr*cano. *omo própria *magem i*u*tra, a
tem-se a presença do europ*u,
r*presentado p*lo *n*ivíduo br*nco na imagem, **m vest**e*tas admiráve*s,
postura ereta,
altiva em *e*açã* aos de**is ali presentes, com certo ar de "*alv*dor", pr*ncip*lment* *e*os
raios de
luz que envolve sua
cabeça,
r*s*altados p*r uma e*p*essão de *o*dade
que t *m a
forma ao s*u rosto e s* efetiva p*lo gesto de solidarie*ade
**
**ixar cai*, propositalm*nte,
*nú*eros objetos luminos*s de to* *ourado em solo africano - marr*quino, nesta ocasião.
Em co**rapart*da, o "out**" - o* o* outros repre*entados *a imag*m - *us*a *ranspar**er um
olhar de ad*ir*ção e
res*eito
ao indivíduo que simbol*za c*viliz*ç*o e*ropeia, sendo a
de*t*cada neste* "outros" uma po**ção de s*baltern***de e de vulner*b**ida**, esp*cialmente
pela m*ne*ra como se en*ontram vestid*s (não
tão bem vestidos quan** o europ*u) * por
*st*rem agachados, sentados
e cur*ados, sinalizando o reconhecime*t* da grande*a
e
superio*idade da cultu*a europeia s**re as demais.
Ora, * imagem que salta *os *osso* olhos e nos permite a construç*o * interpretação
de um fato histórico at*avés
d* representati*i**de de
uma image* ci*cula (o* *i*culou) nos
*mbiente*
escolares *ara apr**ima*a*ente
400.000,0* mil *do*escentes e jovens,
c**forme
nos mostra o* dados obtidos no *NLDiii de 201*. Por mai* av*nços que pos*uamo* hoje em
Rev. FSA, Te*es*na PI, v. 14, n. 1, art. 7, p. 149-165, jan./f*v. 2017 w*w4.fsanet.com.br/revista
T. Oliveira, B. S. S. M. Guede*
15*
re*ação à multiplicidade dos veículos de comu*icação e in*ormaçã* (*ecursos midiáticos,
sites,
*lo*s, noticiários, *e*ista*, en*re outros), *inda as*im o livro did*t*co possui ** valo*
simbólico *onferido a* c*ráter
*e ve*dade na narração *os
acontec*mentos hist*ric*s.
Caminhando nesta perspectiva, retorna*os o *ontato com o Rocha (1984) com o intuito de
corro*orar a pos*ç*o ocupad* p*lo livro *idático atua*mente em no**a socied*d*, assi* como
da sua fu*ção como veíc*lo de inf*rmação:
"Os livros didáticos, *m função mesmo do s*u de*ti*o e de sua natureza, ca*regam
u* va*or *e a*toridade, ocupam um lugar de s*p*st*s donos d* verdade. Sua
informaçã* obt*m es*e *alor de verda*e, p*lo simpl*s fato d* *ue quem s*b* seu
conteúd* passa nas provas... as in**rmações nel*s contidas aca*em se f*xan*o no
fundo da memória de tod*s *ós. Com *la s* fixam também i*age*s extremamen*e
etno**ntr*c**." (*OCHA, *984, *. 8)
*inda *entrando nossos o*hares *obre o contexto das instituições de ensino, n*o
pod*mo* desconsiderar * função *o sujei*o - o p*of*ssor - que está na posi*ão de i*terlocutor
do saber produzido nos livr*s didáticos e de representante *o dis**rso e do saber que será
apresent*do aos alunos. Conforme apontado até aqui, sabemos qu*, de uma maneira *eral, o
*ivr* didá**co *ode **itir for*ar, silenc*ar ou simplesmente permitir a determinados grupos
espec*ficos a
conta**m e na*rarem suas his*órias. Este posicionamento prese*te nos **vros
didát*cos é *erifi**do pe*a educadora Ana Cél*a Silva (2005) c*mo um alerta, pois "o
professor p*** vir a ser um m**iador inconsciente dos es*e*eótip*s, se for f*rm*do com uma
visão acrític* das instituições (...)
que
não
contemp*a outras f*rmas ** ação e reflexão"
(*ILVA,
2005, p. 24). que fica bem O
evide*ciado ness* valor simbólico at*ibuído ao livro
*id**ico e, conseque*temente, nas informaç*es vin*ulad*s e dis*eminadas pelo mesmo é
a
l*g*timidade a ele confer*da, muitas vezes como verdade i*co*testável. Na* relaçõ*s
socializadas na es*ol* *ntre o liv*o d*dático, pro*essor * aluno, Maingueneau (1989) ap*n*a
q*e:
"Logo, *m s*jeito a anun*iar presume uma es**cie *e "*itual soci*l da *inguagem",
im*lícito, partilhado pe*os i*terlocutore*. Em uma *n*tituição escolar, por *xem*lo,
qualquer enunciação produ*ida p*r u* profess*r é colocada *m um contrato q*e l*e
cr*dita o luga* de *e*ento* do saber: O contrato de fala qu* li*a ao *luno *ã* lhe
per*ite ser "não p*ssuidor d* saber": el* é *ntecipada**nte legitimad*"
(MAINGUENEAU, 1989, p. *0).
Ao nosso e*ten**mento sobre produção de m*terial a
**dático e e*p*ci*icamen*e *o
ob*eto de análise a*resentado neste trabalho, fica explíc*ta a *mpossibilidade de que ***es
m*teri*is não sejam car*e*ad*s de conceitos, juízos e
pont os
de vista. Nossas *n*uietações,
Rev. FSA, Teresina, *. 14, n. 1, art. 7, p. 1*9-165, *an./f*v. 2017
www4.fsanet.com.br/r*vista
*mper*alismo, D*scurs* e Ideologi* nos **vros *idátic*s *e H*s*ória
1*7
ent*etan*o, recaem sobre as ações **aliza*a* para a escolh* de deter*inada persp*ctiva oper*r
como detentora e
constru*ora do d*scu*so produ*ido no *iv*o didátic* - o de História, ne*sa
ocasião.
Quando nos *efer*mos à pr*sença do discur*o ideológico nos livros d*dático*
*
trou*emo* a AD para embasar **ssas afirmações, isso se deu na t*ntati*a *e compreender os
sentid** produzidos p*r um objeto simbólico - imagem e texto vincul*dos ao livr* *idático de
His*ór**, realizando asse*ções sobre um d*t*rm*na** fa*o his*óri*o, o I*perial*smo -, c**a
linguag*m, *a m*ior parte das v*ze*, ali *presentada n*o é transparente, conform*
apontado
po* Orlan*i (2000). Nessa *e*specti*a, AD
vem ao encontr* d* esclarecer, dentro d*
n*s s a
aná*ise, a prod*ção de sen*idos **opo*ci*nad*s **la relação gerada
*ntre Ideologia
e
l*nguagem, perm*tindo-n*s, ao menos, c**ocar em discussão a perman*ncia
*a vis*o
euro*êntr*ca na narração dos f*t*s históricos **esentes no* li*ros didático*, apo*t*ndo **ra os
m*canismos que contribuem para pe*petuação e le*itima*ã* d* tal discurso.
3.1 *ext** e s*ntidos: o professor e a articulaç*o
dos saberes pro*uzidos pelo liv**
didát*co
Precisam*s c*nsiderar a pro*ução *e senti*os do texto na rel*çã* discursiva
es*abel**ida *ntre enu*ciador e
c*-enun**ado*. Nessa linha de r*ciocino,
é
de s u* *
importânc*a o posicionamento realizado *ntre l*ng*agem * enunciado* na o*ganização
e*trutural do *exto, no qual a inte*pelação *iscur*iv* *e incumbirá da pr*du**o de e*eitos e/ou
sent**os da mensage*.
"O discurso, espaço da l*nguag*m em uso, é "*ndereçado" p*r um locut*r a um
inte*locutor, apr*sent*nd* um to* avalia*ivo * *eme*e*do * uma compr*ens*o
responsiva *tiva, segundo o gênero no qual se insere e m*dian*e a mobilização da
materialid*de t***ual" (SOBRAL, 20*0, p.10).
Com base em Rocha (2014), percebemos a importância
da ling*agem como um*
mane*ra de *g*r s*bre o mundo. E é
e*sa ação da l*nguag**
que se *rticu*a por *eio do
discurso que nos int*ress* nesse mo**nto, visando articula* o dis*urso apres*nt*do
no livro
didático d* nossa pesqui*a e o *osic*onamento do profe*s*r diante dos conteúdo*
apre*entados
nes*e
mesmo livro. **corremos a Rocha
(2014) para **uci*ar a função
*a
pa*avra e su*s implicaç*es:
Rev. FSA, Tere*i*a PI, v. 14, *. 1, a*t. 7, p. 149-165, jan./*ev. 2*17
*w*4.f*anet.com.br/*evista
T. O*iv*ira, *. S. S. M. Gu*de*
1*8
"A palavra desempenha um papel de reg*la**o/co*s*rução do vasto le*ue de
rela*ões que
*e estabelecem entre os homens: relações de do*inação, de
enfrenta*ento, de definição *e identida*e*, de p*o*ução de diferen**s mo*os *e
su*jetivação" (RO*HA, 2*14, p.623).
**lvez, ao **s*o entendimento, seria reducionismo ou determinismo **por que a
im*gem u*ilizad* no livro didát*co possa d*mo*str** e/ou rein*erpreta* * que de fato
aconteceu no perí*do denominado de I*perialismo. Claro qu* ess* r*present*ção de mundo,
conforme apontad* *m *utra o*ortu**dade, reme*e à pe*spectiva de det***in*das naç*es *m
gara*tir seus privi*égio* * estabel*cer seus "ponto* de v**ta s*b*e a h*stória", ou, quem sabe,
determiná-las * fei*ão *e s*as inte**i**a*idades. Para tal s*tuação em que são *t***e*s*dos os
c*nceito*
de
dominação, ideol*gias e intenç*es *a produção dos textos, recorremo*
a
Foucault (2001) para *ratar dessas re*a*õe*, definidas pe*o autor como relaç*es de poder.
"Q*ando f*la-se de po**r, as pessoas pe*s*m ime*iat*mente a uma **t*utura
polít*ca, um gover*o, um* c*as*e social d**inante, * mestre f*en*e ao escravo, e*c.
Eu quer* diz*r qu*, nas rela*ões humanas, qualquer que *ejam - que tr*te de
comunic*r v*rbalme*te, como fazemo-*o agor*, ou que *ra*e-s* de rel*ções
amo**sas, inst*tucionais o* econômicas -, o poder cont*nu* present*: eu que*o dize*
a
re*ação na qu*l um *uer tentar *e di*igir * c*ndu*a ** ou*ro, es*a* *ão, p*r
consegu**te, *elações que pode-se e*c*ntrar em **verso* nívei*, *ob diferentes
forma*" (FOUCAULT, 2*01, p. 1538).
O p*nto que nos prop*mos **ançar recairia sobre a questão da re*re**ntação e/ou
inte*vençã* da lingu*gem
discuti*a por Rocha (2014). O que nos c**m* atenção é *ue os a
enunci*dos produzido* no rec*rte de pesquisa anal*sado - te*t* e im*gem -
possuem muito
mais a *unç*o de i*tervenç*o ou m*nip*laçã* dos acontecimen*os históricos *arra*os, do que
prop*i*men*e de represen*aç*o do mesmo. Const*tamos **e, **r intermédio de est*uturas
condicion*ntes - *scol*a do jornal para recons*ruçã* do acontecimento hist*rico;
imagem
util*z*da; texto te*den*ioso "o*ere*endo a ci*ilização" -,
*uscou-se nitidame*te reconduzir
e/ou
deslo*ar o s*ntido das ações e*preendidas pelas na*ões imperia*i*tas naq*ele
p*ríodo
ci*ado. Mo*ificaram-se o* "reais" m*tivos pa*a tal realização o* acon*ecime*to e instituíram-
*e novos contor**s nas relações est*belecidas entre as dis*inta* naç*es - europeia e a africana
- ao entrarem em contato.
Acreditamos que pe*passa n* atuação
*o
*rofessor a possibilida*e d* descon*truir
e*tereó*i*os e/ou f**jamentos sob*e
os acont*c*mentos h*stóricos narr*dos nos livros
didátic**. Su* at*ação como medi**or e condutor d* proces*o de *roduçã* do conhecimento
Rev. FSA, T*res*na, v. 1*, n. *, art. 7, *. 1*9-1*5, jan./fev. 2017 ww*4.fsanet.com.br/revista
Im**ri*lismo, Dis*urso e *deo*ogia nos Livro* Didát*cos de H*stó*ia
15*
compreende*ia *riar subs*di*s, para qu* os aluno* pudes*em o*servar de ma*eir* crít*c*
os
fatos ali apresentados.
Dian*e dos sentidos produz*dos *elo texto, busc*mos em Sobral (2010) embasam*nt*
para podermos situar * que entendemos por *exto, e as possívei* p*tencialidad*s q*e poderão
ser *es*nvolvidas a p*r*ir *o me*m*.
"*es*e senti*o, def*no o texto como um objeto mater*al *ue une a li*gu*gem e
formas de orga***a**o de e*u*ciados *os *ermos *a açã* de um sujeito **tu*do, **
se*a, o texto só fa* sent*do *o ser t*mado como discurso, c*mo uma man*festação
verb*l de alguém em um da*o contex*o cu*as m*rcas estão no próprio texto (!), mas
que rem*te ao gênero a partir
do qual o dis*urso * m*bilizou" (SOB*AL, 2010,
*.12).
Amo*sy (20*5), ao tratar **s influências propor*ionadas pelas *nteraçõ*s
conversacionais
*esenvolvidas
por
Kerbrat-Or*cchioni
(*9*0),
*lucida
que
*s
co*port*mentos de
en*nciador e *o-*nunciador, quando *mbos estão pr*sente* fisicamente,
pe*mitir* ao *n*nc*ado* *n**uenciar o co-enu*ciador de manei*a condi*ente às s*a* *iretrizes.
Dessa maneira, *ercebemos o quanto é imp*rtant*, na *ormação
da consciência
crítica dos
alunos, o exercício, po* p*rte do pro*ess*r, na *romoç*o *e a*ões que *ossibilitem o discente
*eal*zar a **terpretaç*o dos
*ato* que
*he são apresen*ados,
questionando, *e*pre que
possível, as informa*ões, as fonte* e os enun*i**ores d*ste d*scurso.
Essas ações, *ob no**a perspe***va, caminhar*am p*ra a constru*ão de espaços
dialó*icos - entre professor e al*no -, permitindo que i*t*r-relações sejam
criadas *ntre
ambos, poss*bili*and* a
produ*ão do conhecime*to e a formação do pensamen** c*í*i*o
perante as
*nfor***ões q*e preten*em mani*ular
e/*u
pri*ileg*a* det*rmi*ada visão
de
mundo. Para tanto, Kerbr**-Orecchioni (1990) realiza * *eguinte observação:
"Falar é trocar, é mudar trocando": "ao long* d* uma *roca comunicativa qualquer,
o* diferentes *arti*ipant*s,
q**
passam*s a chama* \int*rac*antes\, exer*em *ns
sobre os out**s uma rede de inf*uências mútuas" (ORECCHIONI, 1990, *.17).
Maingu*neau (2001) discorre sob*e o co*c***o de ethosiv, ao trat*r dos tex*os narra*os
ou escr*to*. Na sua co*cepç*o,
o enunciador e*contra-se atrelado ao di*curso *e forma
*mp*íc*ta ou v*síve* os dis*ursos são permea*os de inter*s*es diversos sociai*, *essoais,
e
-
institucionais, políticos, **tre *utros - pron*nc**dos por um suj*ito - int**cionalmente ou não
-, denomi*a**s nessa re*ação de fi*dor, ressal*a*do que "o ethos está crucialmente ligad* ao
ato de enunciação, mas n*o se p*de ignor** *ue o p*blico constrói também repre*entaç*es do
ethos do enunciador antes mesm* que ele fale" (MAINGUEN*AU, 2001, p.**).
Rev. FSA, Teresina PI, v. *4, n. 1, art. 7, p. 1*9-1*5, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.br/revist*
T. **iveira, B. *. S. M. Gued*s
**0
"(...) o t*xto escrit* poss*i, mesmo quando o denega, um tom *ue dá aut*ri**de *o
que é *ito. Esse tom permite ao leito* construir **a r*present*ção do corpo do
*nunci*do* (e não,
evid*n*emente, do *o*p* do autor ef*tivo). A
leitura faz, entã*,
*mer*ir uma
instância subjet*va *ue desempe**a * pap** d* fiad*r do *ue é di*o"
(*AINGUENEAU, 2001, p.98).
No*amente vol*amo* n*ssos olha*es à p*ática socia* realizad* pelo profes*or *o seu
campo de atuação: a esco*a. Quando **ouxemos a noçã*
d* fiador conforme Maing*eneau
(20**) estamos intere*sados na figura desse sujeito que a*ua como in*ermed**rio de um* ação
e/o* rela*ã* *ue envolvem outr*s suj*ito* pre*entes ou não *o *i*curso. Todavia veri*icamo*
* p*ofessor,
ou pretensamente o idealizamos, como um pro*issional e*vol*ido e estimulad*
c*m o s** ca*p* de atu*ção, seja pedagogicamente, *o ato de ensinar, e cientificame*te,
bus*ando
aper*e**o*me*t* e *ovos conhecimentos na s** res*ectiv* área. Sen*o nessa
con*iguraç*o expl*citada, almeja*os que, mesmo que os livros *idático* sejam *arregados de
ideo*ogias que pri*ilegi*m *lguma* his***ias e silencia* outras, poss* haver um
de*locamento de sentid*s propor*ionado p*lo professor, numa *erspectiva emancipató*ia
e
*ngajada que s* apro*ime ao máx*mo *as *on*unturas produzidas e/ou viv*nciada*
pelas
soci*dades no *eu tempo.
Par* ilustrar a m*dança de sentidos que a*irmamos existi* na pr*dução dos t*xtos dos
livr*s didá*icos * que perman**em pre*entes nas r*ferenci*çõ** histór*cas, busc*mos em
Aqu*no (1982) o que nos **arentou um esclarec**ento sobre o fato ocorrido, a repr*sent*ção
do i*periali*mo e sua* ju**ifica*ivas. Segundo *q*in* (19**),
"Para justificar a pol*ti*a imperi*lista e c*lonialis*a apresen*avam-se razões
filantrópicas e
humanitár*as. As "naç**s adiantadas" tinh*m u*a "missão
ci*ilizado*a" a cump*ir: li*rar as "nações at*asa**s" do c*nib*li*mo e d** sacrifícios
humanos, **nvertê-las ao cristian*smo, propo*cion**-lhes *ospita** e es*olas para
melhorar as cond**ões de vida. Igual*ent* rec*rre*-se à justificativa da
"superioridad* racial...for**laram mitos *ustif**ad*re* ** submissão *os p*vos
africanos, asiá*i*os e latino-american**...o co*onia**smo se *ez semp*e *ela
violência, inclusive mi**tar, *ara quebrar a resistência das popu**çõ*s a*rican*s
e
as*á*ic**" (AQUINO, 19*2, p. *12-2*3).
Dian*e d* exposto p*r *quino (*982),
e* referência ao **sso objet* de análise,
*ercebemos *s mudanças da* justif*cativas apres*nt*das *elos autores para refe*enciar as
aç**s e relações es***elecidas pelas naç*es envol*idas no aconte**mento his*ó*i*o
*enomin*d* Imperi*l*smo. Is*o nos *ermite compreend*r qu* *s rela*ões de poder p*oduzidas
e estabelecidas atr*vés da disseminação de c*nc*itos ideológicos nu* materia* *e pes**isa,
texto, liv*o didátic*, ent*e outro*, podem reafir*ar
c*ncei**s *ré-estab*lec*dos o*,
Rev. FSA, Teresi*a, v. 14, n. 1, art. 7, p. 149-165, jan./fev. 2*17
w*w4.fs*net.com.*r/revista
Imper*alismo, Di*curso * Ideologia *os Livros D**át*c*s de H*stória
16*
d*pen*endo *e suas
in*l*naçõe* abo*dagens, desestabilizá-*o. Cunha (2*08) nos permite e
uma *aior comp*e*nsão sobre esse p**ces*o de *onstrução *e co*hecim*nto, onde existem
*uitas informações distintas e *ozes de variados l*gares. Para a autora,
"Os autores colocam o contrast* e a mi*tura de *ozes, de visõe* de *undo e de
perspecti*as de u*a mesma realidade, no ce**ro do *studo da lingua*em e do
diálogo. *o *ontato *e duas enunciaçõe*, de d*is sujeitos enunc*ando, co*stroem-se
índices,
indícios que ref*rem ao status ***io-ideoló*ico *a linguagem" (*UNHA,
2008, p.136).
Essa d*s**tabili*ação, q** vai desd* o confron*o das **nte* e perpass* a p**formance
do professo* fren*e ao objeto de estudo e *os aluno*, é que po*sib*lita, em nossa perspe**iv*,
a busca para a formação do pensamento critico do educando: "em outr*s palavras, o di*curso
citado é compree*dido como f*nômeno dialógi*o po* me*o do qual os s*jeitos desconstroem o
discurso
alheio e const*oem o próprio para se posicionar em **lação a um cont**do o*
*em*tica" (CU*HA, 2008, p.131).
Ness* se*tido, * *ro*esso de con*trução d* *onhe*ime*t* e*tre *ro*essor, *iv*o
*idáti*o e aluno estará sujeito
a interpr*tações e que*tionam*ntos realiz*dos pelos *o-
enunciadores dos enunciad*s p*oduzidos dess* rel*ção. *s*as **terpret*çõ*s compree*dem o
mo*o como en*ergam e se pos*cionam s*cialmen*e, *oliticament* e culturalment* peran** os
enuncia*os. Ness* mesma linha de raciocínio, *u*c*mos em M*inguenea* (2001) o conceito
de e**nc*ação a*si*é*rica
para embasa* no*sos ap**tame*to* sobre a* interpreta*ões **s
enunciados. Send* assim,
"todo at* de en*nci**ão é fundame*talment* a*si*étrico: a *es*o* que int*rpreta o
*nuncia*o re*onstró* seu sentido a partir de indicaçõe* pre*entes no en*ncia*o
p*o*uzido, m*s *ad* gara*te que * que ela constrói coincida com as representações
do enuncia*o*. Compr*ender um *nunciador...é *obiliza* saberes muito diversos,
fazer **pótese*, racioc*nar, constr***d* um cont*xto que não é *m dado
*reestabeleci*o e estáve*." (MAINGUENEAU, 2001, p.21).
*ercebemo* q*e os sentidos dos textos e *nunciados *star*o sujeitos ou não a novas
c*nfig*raç*es *stabelecidas pelo olhar do co-enunciador. *ivemos o **id*do em não afirmar
*ue os e*unciados s*rão ne*e*sariamente reconf*gura*os pelo o*har d* co-e*unciador - aqui
** nos*a a*áli*e, o alu*o -, por*ue *omp*eend*mos a complexidade qu* *nvolve a produção
do c*nheci*ento *, além disso, * *ducando *ão e*t**ia is*nto de inf*u*n**as ao r*dime**ion*r
a i*terpretação dos *contecim*ntos na*r*dos nos *ivr*s didáti*o*. As influênc**s citadas *ã*
de*de a *ercepção do professor sobre * c*nc*pç*o de ed*cação e d* sua *espectiva atuaç*o em
sala *e aula, po*endo conduzi* alun* à f*rmação de uma con*ciência crítica d**nte *
dos
Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. *, ar*. *, p. 149-*65, jan./fev. 2017 www4.fsane*.com.**/revista
T. Oliveir*, B. S. S. M. Guedes
162
t*mas
abordados,
*u simplesm*nte tr*nsfor**ndo-o em me*o receptor de in*orm*ções
cont*das **s li**os e/ou materiais d*dático*. A fo*mação só*io-his*ó*ica do a**** como sujeito
(f*mília, ex*eriê*c*as e pos**ão pol*tico-soc*al) também
estaria neste "jogo", mas, diante da
*ossa im*oss*bi**d*de em compreender a*
n*ances das
influências proporcionadas pelas
situações de interação e *onví*i* p*oduzid** p*las rela*õe* hu*a*a*, também
não
*oderíamos afirmar que estas seriam decisivas, ma*, claro, a*r*ditamos que as possibil*dades
de esta* inf**ê*cias
agire* sob*e esse sujeit*
*ejam *e*is. Retomando os e**u*o* de Cu*ha
(2008), numa inter*retaç*o do pensamen*o ba*htinian*, os "atra*essamento*" a que es*amos
suj*itos na relação dialógica com * outr* nos moldam ou *ã* *omo in*ivíduos, depende*do
de como rea*imos no contato com esse d*scu*so. Nas palavras d* Bak*ti* (2003):
"Eu v*vo em um mundo de *alavras d* ou*ro. E *oda a minh* vi*a é *ma orientação
nesse mu*do; é *eaçã* às pala*r*s do outro (uma reação infin*tamente
*iv*rsif*c*da), a começar pel* assimila*ão delas (no pro*esso *e domínio inicial do
*iscurso) e term*nando na ass*milaçã* das riquezas da c*ltura h*mana (*xpressa* em
*alav*as ou em outro* **teriais sem*ótico*)" (BAKHTI*, 2003, p. 379).
O* nossos apontamento* pres*ntes **é aqui tiv*ram s*us olhares sobre como po*erá *e
process*r *ma açã* por *a*te *o prof*ssor em buscar me*a*ismos através de s*u dese*penho,
como profissiona* crí*ico e enga*ado co* o proce*so de const*ução do co*heciment*, que não
privi*egie "esta" ou "aquela" perspec*iva hist*ri*gráfica. Ness* sentido, não te*á tanta
relevância o conteúdo exposto no materi*l didático utilizado em sa*a de aula, mas a maneira
com* atua o professor na relaç*o de intermedi*r*o
no process* d* *nsino-aprendizagem,
t*ntando, e* parceria com o al*n*, a bu**a pela fo*maç*o da cons*iência crítica dos
*iscentes, dia*te *as n**raç*e* a*r***ntadas nos li**os did*t*cos -
em nossa an*lise, os
*e
His*ória -, espec*f*ca**n*e sobre o p*ríodo den*m*n*do de *mper*al*smo.
4 C*NSIDER*ÇÕES **NAI*, ATÉ ENTÃO...
Reserva**s *st* *spaço na ten*at*va d* *sc**recer as propos*as e diretriz*s
*pr*sent*da* nes*e trabalho. Noss*s obj*tivos *e*t*ar*m-se, na tenta*iva de demonstrar que,
apesar *os m*ltiplos avanç*s sur*idos no campo da História,
da pesq*isa e d* Educaçã*,
ai*da permanecem present*s n*s narrações dos
acon*ecimentos hi*tóricos a perspectiva
*e
visão *e *undo das classes dom*nantes na int*r*reta*ão destes fato*. Sendo a**im, o c*nc*ito
de Ide*lo*ia ap*e*ent*do * definido aqui a*u*
co** um siste** - con**zido pelas cla*ses
domi*an**s - que or*enta e *efine *s valores e condutas a serem assimilados pela sociedade.
Rev. *SA, *ere***a, v. 14, n. *, art. 7, p. 149-165, jan./fe*. 2**7 www*.f*a*et.com.b*/rev*sta
Impe*ialismo, Discurso e Ideol*g*a *os *ivros Didá*icos de História
163
S* *art*r*os da *resu*ção de q*e os di*cursos são permeados de in*e*cional*dade*,
esta não fo* uma *itu*ção *iferente na e*ab*raç*o deste tr*balho. D*sd* a escolha
do te*a,
recorte/tempo*al,
objeto de p**quisa utiliz*do,
passando pelos referenciais teóricos da AD
aqui **resentados para embasamen*o
das
*os*as concep*ões, e chegando a*é as nossas
e*periências, v*vências e visões de mundo, acr*ditamos *ue os *atores mencionados se*am
condiciona**es fundam*nta** e decisivo* *ara a compreensão d*s caminhos p*rcor*idos *
obje*ivos alcança*o* a*é en*ão.
C*ntudo, esclare*emos q*e a intençã* neste trabal*o foi de *presentar noss* olhar
**bre a permanência
do
discu**o i*eológi*o n* livro
*idático de História, n*m primeiro
momento, e, pos*eri*rmen*e, disco*remos sobre os sentidos p*od*z*d*s nos textos presentes
nos livros
di*átic*s * na perfo*manc* do professor no dese*volvim*nto e articulação des*e*
sa**res. Sabe*os que são pos*íveis novas abor**gens e novas inter**e*ações, inclusive do
objeto de pesquisa *ue foi anal*sado por nós, e
q*e outros pesqui*ad*res
podem d*vergir e
*prese*tar resu*t**os c*ntraditórios dos *enc*onados até
aqui. **rtanto, as reticências
apr*sen***as ao f*n*l de nossas conside*ações *emons*ram não encerrar este assunto por aqui,
mas sinalizam nossa intenção de **ntribuir para a ex*a*são da disc*ssão iniciada n*st*
tra*al*o.
REFERÊNCI*S
AMOSSY, R. *a noção re*órica de et*os à a*álise do discur*o In: Imagens de si no
discurso. São Paulo: Cont*xt*, 200*.
AQUINO, R. S. L. Histór*a da* *oci*dades moderna* às so*iedades atuais. *io de J*neiro,
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BAK*TIN, M. E*tética da *riaç*o Verba*; introdução e tradução d* *usso P*ulo Bezerra;
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Notas
i
i*
i*i
*ós n*s apropri*remos da **ncepção marxista de Ideologia *ara reali*ar *ste traba*ho, realizando a
re*re*e*ta*ão de Ideolo*ia (** m*iúsculo) para a c*ncepção m*rxista e i*eologia (em minúscu*o) *ara as
de**is q*e atrav*ssam n*ss* t**to.
So* a perspectiva de que a cla**e do*inante tenha seus in*e*es*es garant*dos na esfe*a *olítica, busca-se evitar
o *mbate e*tre as distintas classes sociais, o*erece*do uma explicação para a* d*fer*nças socioecon*micas.
Plano Nacio*al do Livr* Didáti**. Maiores inf*rmaç*es *m:
http://portal.me*.gov.br/index.php?Ite*i*=668id=*2391option=com_content*iew=article
*v
O ethos é fundam*n*a*mente um **ocesso inte*ativo de influência s*bre o outro; é u*a no*ão
fund*mentalm*nte híbri*a (só*io-d*s*ursiva), *m c*mportame*to socialmen*e av*liado, que nã* po*e ser
apr*e*di*o fora de um* situação d* c*municação precisa, integ*ada el* mes*a num* determinada conjuntu**
s*cio-histórica. Ver ma*s *m "A *ro*ósito do ethos" In: Eth*s di*cursivo. São Paulo: Contex*o, *008.
Rev. FSA, Tere*i*a, v. 14, n. *, art. 7, p. 149-165, jan./fev. 2017
www4.fsanet.*om.br/re*ist*
Imperialismo, Discurs* * I**ol*gia nos Livros Didátic** de His*ória
*65
Como *efer*ncia* este *rtigo, con*orme ABNT:
OLIV*IRA, T; GUEDES, B. S. S. M. Imperial*s*o, Discurso e Ideolo*ia nos Livros Didáti*os de
Hi*tória. *ev. FS*, Te*esina, v.1*, n.1, *r*.7, p. 149-165, j*n./f*v. *017.
Contr*b*i*ão dos Autores
T. Oliveira
B. S. S. M. *uedes
*) *oncepçã* e planejamento.
X
X
*) *n*lise e int**p*et*ção dos dados.
X
X
3) elabo*aç*o do *ascunho ou na *e**s*o crítica do **nteúdo.
*
X
*) participação na apro*ação da versão final d* ma*us*rito.
X
X
R*v. F*A, Te*esina *I, *. 14, n. 1, art. *, p. 149-*65, jan./fev. 2017
www*.fsanet.c*m.b*/revista
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