Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.fsanet.com.*r/revista
Rev. FSA, Tere*i*a, *. *7, n. 8, art. 7, p. 149-172, a*o. *02*
ISSN Impresso: 1*06-6356 IS*N Elet*ônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/202*.17.8.7
O U*o de Expressões Pejorativas em R*l*ção a Gêne*o e *exual**ade na Perspec**va de Futuro*
Professore*
The U*e *f Derroga*ory Expressi**s in R*lation to *end*r and S*x*ality i* the Perspective of
F*tu*e Teachers
Luca* ** Souza Ort*lan
Licenciand* em Ciênci*s Biológica* pela Universida*e F*deral do Triâng*lo Mineir*
E-m*il: lucas_**tolan@h*tm*il.com
Danie* S**za Possa*i
Licenciando em *i*ncias Bio*ógicas pela *niversidade Fede*al d* Triângulo Mi*eir*
E-m*il: da*ielpossa*i@g*a*l.com
Vict*r Ga*riel Paes
Lice*ciando em Ciências Biológicas *ela Universida*e *e*e*al *o Tri*ngu** Mineiro
e-mail: vi*t*gpae*@yahoo.com.b*
Luís Gus**v* da Conceição Galego
Dou*or em G*n*tica pela **i*ers*dade Est*dual Pauli**a "Júlio d* Mesqui*a Filho"
Pr*fess*r Associa*o I/Unive*sidad* Federal d* *riângulo *ineiro
E-mail: l*is.g*l*go@uftm.edu.br
Fernan*o *ourenç* Pereir*
*outor *m Imunologia pela Uni*ersid**e de São Paulo
Professor A*junto IV/*niversidade Federal, do T*iângu*o *ineiro
E-m*il: fernan*o.pe*e*ra@u*tm.edu.br
Ende*eço: Lucas de Souza Ort*lan
ICENE/*FTM - *v. *andol*o Borges Jr., 1400,
Univ*rdecidade, *EP: **.064-200, *berab*/MG, Bra*i*.
Ende*eço: Daniel Souza P*ssa*i
ICENE/UFTM - Av. R*ndolfo Borges Jr., *4**,
Un*verdecid*de, CEP: 38.064-*00, U*eraba/MG, Bra*il.
Endereç*: Victor Gabriel Paes
Editor-C*ef*: Dr. *onny Kerley de Alencar
Rodri*ues
Ar*igo *ecebido em 07/04/2020. Últim* versão
rec*bid* em 29/04/20*0. Aprovado em 30/04/2020.
ICENE/U*TM - Av. Rand**fo Borges Jr., 1400,
Avaliado pel* s**te*a Triple **vie*: De*k **view a)
Uni*erdec*dade, CEP: *8.064-200, Ube*a*a/MG, Bra*il.
pelo Editor-Chefe; e b) Do*b*e *lind Review
*ndereço: Luís Gu*t**o *a **nceição Gale*o
(avaliação cega p*r d*is av*liadore* da área).
IC*NE/UFTM - *v. Randolfo Borges Jr., 1400,
Univerdecid**e, CEP: 38.064-200, U*eraba/MG, Brasil.
Revisão: G*a*atical, N*rmativa e
*e *o*matação
Endereço: Fernando Lo*renço Pe*e*ra
ICENE/UFTM - Av. Rand*lfo Bor*e* Jr., 1400,
Univerdecidade, C*P: 38.*64-200, Uber*ba/*G, Brasil.
L. S. *rtolan, D. S. P*ssari, V. *. P*re*, *. G. C. G*l*g*, *. L. Perei*a
15*
R**UMO
*s pa*r*es he*eron*rmativos s*o **evalen*es nas *ocieda**s *ontemporâ*eas, em especial no
contex*o brasileiro. Esses padrões podem a*arretar uma subjugação de o*tros, produzindo
a
propagação de p*econc*itos mascarados em fo*ma de expr*ssõ*s e pia*a* em re*ação a gênero
e sexuali**de. N*sse sentid*, o objetivo de*te trabalho foi sensibilizar futuros
**ofessores,
usando *omo metodologia ofi*inas d*namizadas, realiz*das com os licenciandos dos cu*sos de
c*ênc*as biológicas,
química, *ísica e *atemática *o ICENE/UFT*, nas q*ais f*ram
co*etadas as percepções d*s sujeitos em relaç*o a*
gênero e a sex*alidade a partir de
e*pressões li*guísticas uti*izas em contex*os diversos. Os resu**ados podemos *ndicaram um
p*sicionamento contrá*i* ao uso *e *xpressões
pejorativ*s em qualq*er contexto da
soc*eda*e, **bretudo o escol*r, e que * tratamen*o de con*eitos relativos à dive*si*a*e se*ual
deve o*orrer de forma cu*da*os e n*o estereoti*ad*. Cons*atou-se q*e o* futuros profes**res e
tod** os profission*i* da educaçã* pre*is** de conhecimento* a*erca da educação para
a
se*ualidade,
ta*to durante
su* formaçã* inicial qu*nt* na c*ntinu*da, para que po*sam
ef*tivamente lidar co* as di*cr*min*ções e preco*ceitos *ue ai*d* são
perpetu*d*s c*n*ra
co*portamen*os e atitu*es não h*teronorm*tivas.
Palavras-Chave: S*xualidade. *iadas de *ênero. Formação Inicia* *e Professor*s.
ABSTRA*T
Heteronormative patterns are pre*alent in co*tempo**ry *ocieties, espe*ially i* **e Braz*lian
con*ext. These pattern* can l*a* to subj*g*ti*n a
o*
othe*s,
*roducing the spread of masked
pr*judices in the **rm of expression* and jokes ab*ut g*nder a** s*xuality. In *his sense, *he
objective of
*hi* work
was to sensitize futu*e te*chers, u*ing
as metho*ology dyna**c
works*ops, held *ith th* graduates of the biological sc*ences, **emistry,
phy*ics an*
m***e*a*ics c*u*ses at *CENE / UFTM, in *hic* th* *ubjects' pe*ceptions regarding gender
wer* co*le*ted. and sexuality based on
li*guistic exp*essions used in diffe*e*t c*nte*ts. The
resu*ts *an i*d**ate a position *o*trary to the use of pe*orative expression* in *n* contex* of
s*ciety, esp**ia*l* the school, *n* that the treatmen* of c*****ts rela*ed
to sexual diversity
* us t
occur
in a careful
and not stereoty**d way. It was **u*d that f*ture tea*he*s an* a**
educa*i*n profe**ionals nee* knowledge about sexu*lity educa**on, *o*h du*ing their initial
*nd contin*ing
e*ucation, so t**t they can
ef*ectively de*l with the
d*scr*mi*a*io* and
prejudices **a* are still perp*t**ted aga*nst b*hav*ors and *ttit**e* non-hetero**rmati**.
KEYWORDS: Sexuality. *ender J*ke*. Initial T*acher Training.
*ev. FSA, Tere*ina, v. 17, n. 8, ar*. 7, *. 14*-172, *go. 2020
w*w4.fs*net.com.br/rev**t*
* Uso de E*pressões Pejorat*vas em *ela*ão a Gênero * Sexua*i*ad* *a Per*pectiva de Futuros Pr*fes*ores
151
1 INTR*D*ÇÃO
* soci**ade contem*orâne* *ssum* *omo padr*o *ce*t*vel a heteronormati*idade
(SARAIVA; SA**O*; PERE*RA, *020). * he*eronormati*id*de
*stá as*oci*** com uma
l*nha de pens*men*o que considera as relações de heterossexuali*ade e *eus desdobramentos
no gêner* como normas dentro de *ma sociedade (WARNER,
1*93; ALMEI*A, 2002;
ANDREOLI, 20*1; C**RIERI e* a*., 2013), d* forma q*e um suje*to *u* f*ge
de*ses
padr*es, e*p*essõ*s e
argumentos pr*conceituosos *ão de**ncad**d*s e e**dencia*o* no
coti*iano. De fato, Port* e F*ito*a (2*17) af*rm*m que a naturalização da heteros*exu**i*ade
descarta qu*l*uer diver**dade, estigmatiz*ndo os sujei*os que não se enq**dram ne*sa *o*ma.
Os *adrões *a h*t*ronorm*tividade podem se* reprod**idos no **tidi*no escolar,
*
p*nto de es*es serem co*siderado* o ú*ico compo*tamento "*orma*" e *c*itável (L*URO,
1999; GA*CIA, 2*09). De fato, qualquer comportam*nto que não s*ga * "nor*a
he*erossexu*l", na qu*l pos*uras viris e masculinas apresenta* m*ior valor soc*al do que as
demai* e a
hie**rqui*ação de gênero (h*men*>mulhe**s) é
uma constante.
(M*SSE, *996;
CON**L,
1997; KIMME*, 1998; LAMON*, 2000; BUTLER, 20*3; *OLTER,
2004;
H*LE, 2*1*; *ORTO; FEI*OSA, 2017). Uma das ma*eiras dess*s pad*õe* ser*m reforçados
* por **io d* linguagem, e den*minaçõ*s pej*rativ*s
** relação aos sujeitos
não-
heteronormativo* contribu*m para a m*nute*ção desse* p*drõ*s (COSTA, 19*2; DIAS, 2*00;
*OURO, **00; M*URA, 2008; JUN*UEIR*, 20**; PORTO; *E*TOSA, 2017),
*
pr*duzem uma severa autocensura nesses sujeito* *o*a do padrã* (P*RTO; F*ITOSA, 2017).
O cotidi*no escolar to*na-se, *e*se s**t*do, um
espaço de m**ut*nção dos p**r*es
*e*eronorm*tiv*s, *uit*s vez*s reflet*dos no* códigos
verbais e
não
*erbais com os
q*ais
a
com*nidade se com*nica. Os pr*fessore* em form**ão, que em breve o*upa*ão esses es*aços,
devem refle*ir sobre ess*s ques**es. A proposta deste trabalho surge a partir da percepçã* *e
um g*upo *e es*udantes do curso de Licencia*ura
em *iências Biológicas da
Universidad*
Fed*ra* do T*iân*ulo Mine*ro (UFTM, Uberaba, M*) *cerc* ** questã* dos padrões
h**er*normativos * as expressõ*s pejorativas r*lacionadas ao g*nero e à sex*alid*de. Nas
discipl*nas de "Est*do e *esenvolvim*nto de Proj*tos I e II", um grup* de três d*sce*tes, sob
a supervisão *e dois d*ce**es, *ropôs a *ea*ização de ofi*ina* sobre o tema, que for**
ministradas a outro* fu*uros professores, oriun*os das *icencia*ur*s em Ciências B*ol*gicas,
Física, Matemática e Quími*as que *ão o*e*ecid** no "Ins*i*ut* de Ciências **atas e Naturais
e Educ*çã*" (ICENE/UFTM).
Rev. FSA, Ter*s*na PI, v. 17, n. 8, art. 7, p. 149-1**, a*o. *020 www4.f**net.co*.br/revista
L. S. O*to*an, D. S. Pos*ari, V. G. Pire*, L. G. C. G*lego, F. L. Pereira
152
O objetivo dessas oficinas foi sens*bi*izar *s futu*o* profess*re* acerca de
preconc*itos re**cionados aos pad*õ*s não-h*teronormati*os, perpetu*dos po* meio
de
e*pressões pejorat*vas *m *el*ção ao gêner* e *exualid*de. Além disso, foram re*lizadas
análises e refl*xõ*s so*re * perspecti*a desses l*cenc*andos em relação ao te*a, e d*
que
maneira o padrã* he*eronorma*iv* pode interferir na dinâmi*a soci*l dentro da escola e como
discussõe* dessa naturez* p*de* propiciar aos pr*fe*sores em f*rm*ção reflexões *obre **a
**ática docente.
2
REFERENCIA* TEÓRICO
O uso de *xpressões pejorativas relati*as * gênero e * sexualidade no ambiente escola*
é inten*o. Pi*das, rid**ula*izações, *r*ncadei*as, *ogo*, apelidos, i*sinuaç*e*, ex*res*ões
desqualific*ntes e desumani*antes são frequentemente *t*liz*das por *lun*s e, po* vezes, po*
profess*r*s.
Tratamentos
preconceituosos,
*ed*d*s
di*criminatórias,
*fensas,
const*an*i*en*os, a*eaç** e a*ressões f*sic*s ou verbais têm sid* uma constante na rotina
**colar de u* sem-número de p*sso**, *esde mui*o c*do expostas às múlt*plas es*ratégias d*
pod*r e a *eg*mes de c*ntro*e e vigilância (JUN*UEIRA, 2012).
Pode-se re*saltar *ue tai* piadas e expressões d*famatórias não direcionada* somente a
*omossexuais
ou qu* apresentam o*tro* pad*ões *ue não o het**onormativo, de *orma
que
muitas vezes um *ndivíduo h**ero*sexual, a* apresenta* um* postur* ou um co*portamento
que fuja *esse padrão, tam*ém se t*r** al*o de *reco**eito (SOUZA et al., 2*16).
G**oi (2013) acredita que multiplicidade *
de
piadas, nomes joc*sos e gozaçõ*s
possívei*
demonstram a *i*tinção de *oder ** uma he*e*onorm*tividade estabelecida, *m
*o****pont* a tudo aquilo que fu*a a ela. S*gu*do o autor, não é nece*sári* s*r homossexual,
bissexual, *ra*sexual o* tr**est*, mas apenas parecer fugi* dess* r*gra.
A escola é um dos re*ponsá*eis p*incipais pa*a * pr**esso *e de*construções
de
preconceitos e
a disse*inaç*o da igualdad*
entre
*s pessoas. Poré*, *ui*as vezes a
inst*tuição e os prof*ssionais não se mostram pre*arad** para tratarem do assunto
de f*r*a
di*na, rot*neiramente ignorando o* fatos, de f*rma que a diversida** sexual é co*stantemente
ignorada nas
escolas, se*do a heterossexualidade e *eus estereótipos
a
únic* manifestação
sexual p*ssíve*, desqualific*n*o ** *utr*s fo*mas de ex*ressão sexual (JESUS, 2015).
Nesse meio educacional, *s p*econceitos muitas vez*s n*o se revelam diretamente. A
vi**ência n** * *o*ente f*s*ca, m*s principalm**te verbal. *orges e* al. (2011,
* .2 6 )
*onsideram que *ssas manifestações pre*oncei*uo*as:
Rev. FSA, Teresi*a, v. 17, n. 8, a*t. *, p. 149-1*2, ago. 2020 www4.f*anet.com.br/revista
O Uso de Expressõe* Pejo*ativ*s em Re*açã* a Gênero e Se*ualidad* na *erspectiva de Futur*s Professores
153
[...] desvel*m-se ** formas mais *uti*, como *s d* v*o*ênc*a *elada
(simból*ca), ou seja, atr**és de p*ada*, *rincadeira* jocosas o* mesmo
comentár*os e ins*nuaçõ*s de desejo de afastamento d* p**soas reco*hecid*s
como ho*osse*u*is.
Mesmo essas formas sutis p*de* **oduzir consequênci*s psicológicas aos s*j*itos que
*s viven*iam. Mu*t** in*tituiçõ*s de ens*no não sabem l*dar c** *ssas si*uações, permitindo
*ue essas *njúrias se perp*tuem. J*s** (2015) afirma que h* carên*i* na formação doc*nte de
e*tudos que *nglobem as temáti*as como diversidade sexual, *omossexualidade e homofob*a,
de forma que @s d*centes *intam-s* des*reparados par* disc*t*r
esses a*suntos em sala de
aula. *a* situaç*o con*ri*ui com a omissão d*sses temas no espaç* escol*r, acarre*an*o
diversas práticas ho*ofóbica* (agre*s*es físic*s e/ou v*rba*s, exclusões, ameaças si*b*li*as,
entre o*tros) *ontra *s indivíduos que se decla*am *ontrários a* p*drão *eteron*rm*tiv*.
Assim sendo, o silen*iamento e/ou negaç*o da diversida*e sexual na escol* contribui par* o
*naltecimento d*s manifesta*ões *e preconce*tos. D**sa forma, Junqueira (2012, p.*6) afirma
qu*:
[...] a esco** se mo*tra como insti*uição forteme*te empenhada na
reafirmação e na g*rantia do êxito *os processos de heterossexualização
compul**ria * *e incorporação das nor*as ** gêne*o.
Muitas instituições de ensino corroboram para que as piadas acont*ça*. D*ret*res,
funcionár*o* e profess*res *mitem em seus discursos expressõ*s inapropriadas e tendencios*s.
É pre*i*o *ue os docen*es *ejam preparados e f*rmados para **ir corre*a*ente e não i*nore*
*s julgamentos e into*e*âncias, e nem os estimulem. *ssa* "brincadeiras" não podem se*
cons*derada* natura*s. Jesus (2015, p.22) ressalta:
[...] O educador pode, a partir de suas atitudes, ser * primeiro modelo no
*ombate * ho*ofobi*, n** pe*mit*ndo comportamentos discriminat*rios *ntre
os alu*os, s*ja *m *uas falas ou até mesmo em usos *ejo*a*iv*s de n**es, *u
quaisquer o*tros **pos de c*nduta qu* le*em à de*valorização do indiví*u*
*omossexual. Dess* mod*, a
educação *em um papel fundamental p*ra
*
pr*pagação da igualdade, d* question*r a hierarq*ia da heterossexualidade e
pro*over * cidad*nia.
*essa forma, o e**cador pr*cis* reconhecer su* função como age*te crucial ne*sa luta
*ara assi* *rovidenc*ar medidas
cabíveis *ara f*tu*a* tran*fo*mações no que
diz r*speito
*
*sses *omport**entos. Jesus (201*) pr*põe *ue
*m pri*eir* pas*o é identi*ica* os
argumentos * res*eito da sexual*da*e que permeiam n*ssa cultu*a e então comb*t*-los tendo
em vi*ta o combate à discr*minaç*o e ao preconcei*o. O autor afirma aind* *ue a esc*la é u*
*ev. FSA, Tere*ina P*, v. 17, *. 8, art. 7, *. 149-172, ago. *020
*ww4.*sanet.com.br/revista
*. S. *rto*an, D. *. *ossa*i, V. *. Pir*s, L. G. C. Galeg*, F. L. P*reira
**4
espa*o de sociali*ação d* dive*s**ade sexual e deve ***cret*zar seu co**romisso co*
a
igualdade.
O uso de *xpres*õe* p*jorati*a* *o ambient* escolar a*resenta um *orte caráter
preconceituos* que de*e ser exte**inado *a n*ssa sociedade. "Para *e ser *iado", "*lha que
gayzi*ho", "*nda igual homem", "bi*hinha", "baitola", "sap**ão", "ela se
veste igua* um
homen*inho", "s*nta igual *ocinha" são algu*s exemplos comu** de expressões *esse *i** e
es*ã* r**aci*nad**, *m suma, com qualqu*r forma de existência de **entidade de gên*ro ou de
sexua*idade dif*rente d* heteronorm*tiva (GODOI, 2013). Esses pad*ões heterono**ativos
precisam ser re*ensados, discutidos e res*ign**icados *o ambiente escolar, e *m momento
importante pa*a esse processo *eri* durant* a formação inic*a* *e professor*s.
3 METODOLOGIA
O trab*lho foi desenvolvido
a
partir da realização de tr*s *ficinas sobre o *so
de
express**s *ej*rati**s em relação ao gênero * à s*xualidade oferecidas a li*enci*ndos
dos
cur*os de Ci*n*ias Biológicas, Física, Matemá*ic* e Química do I*EN*/U*TM. Cada of*cina
foi dese**olvid* *o* diferentes
a*ordagens metodológicas, *e*urs*s e ins**umentos
avaliativos, o
que
poss*bil*tou a i*enti*icaçã* *e *ma variedade
de resultados, além
de
apr*x*mar a temá*ica co* a* diversa* a*tidões do* alunos part*cipantes. *pós cada o*icina, os
realizadore* da o****na reali*avam anotaçõ*s em *m d*ário de campo, no qual r*digia* *uas
impressões e reflexões s*bre o que acontecera em ca** uma del*s.
A divu**a*ã* das oficinas *correu a*ravés *e *ar*a*es (Figur* *), que foram
espal*ad*s pelos m*rais do ICENE/UFTM. Os cartaze* for*m conf*c*io*ados com o objeti*o
*e desperta* curiosidade **s leito*es pelo t*** e ao mesmo tem*o **sti**r fu*uros professore*
a p*rticiparem *as oficinas. Um *ódigo QR foi desenvolvido * *ua ades*o *o ca*ta*
possibilitava que os discen*es interessados pudessem reali*a* instanta*eamente in*crições
onlin* através de s** smartphone.
Cer*a de 20 discentes *a U*TM re*lizaram sua inscrição. Dentre *l*s, 15 alunos
participaram efetivament* das of*cinas, sendo el*s: *
*icenciandos d* cu*so de C**n*ias
Bioló*icas, 4 li*enciandos *o curso ** Mat*m*tica, 2 licenc*and*s d* curso de Química e
1
**cenciando do curs* de Física. As insc*ições, além de *ossibi*it*rem o acesso *s inf*rmações
pessoai* do* participantes, permitiu ain*a colet*r, por meio de um questionário avaliativo do
Go*gl* (Fi*ura 2), a opinião dos participantes sobre a te*ática.
Rev. F*A, Teres**a, v. 17, n. 8, art. 7, p. 149-172, ago. 20*0 w*w4.fsanet.com.b*/r*vist*
O U*o de Expre*sões Pe*orativas em R*l*ção a Gêne** e Sex*alidade na *erspectiv* d* Futur*s Pr*fessores
155
Fig*ra 1: Cartaz *e divulgaçã* das *ficinas
Figura 2: Questionário para a ins*riç*o nas oficinas.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 17, n. 8, art. 7, *. 149-172, ag*. 2*20
www4.f*a*et.com.br/*evista
L. S. Ort*lan, D. S. Poss**i, V. G. Pire*, L. *. C. Gal*go, F. L. Pereira
*56
A primeira *ficina f*i "Sensibilizando futuros p*ofessores", e teve c*mo o*je*ivo
a
utilização de r*cursos *ud*ov*su*is para promover a sensibili*a*ão *os licen*iandos presentes
na of*cin* sob*e * temática das *xp*essões p*jorati**s e como e*a* estão inser*das em muitos
discurs** do cotidian* escolar e na so*iedad*
em g*ral. Para essa oficina, real*z*mos
um *
rod* de conversa ap*s a e*posição de um *ídeo p**duz*d* **los i*teg*a*tes d* grupo
(https://youtu.*e/gNb1*NLxbec, acesso em 06/04/2020). Esse vídeo demost*ava s*tu*ções
cotidiana* que aco*tecem c*mum*nt* entre amigos colega* no e
âm*ito escolar, quando as
expressões fazem *arte dos diálogos de inúmeras p*ssoa*, *amufladas em suas falas, passan*o
despercebidas pelo
olhar da sociedade e não ganha*do
notoriedad* quand* col*cada* *m
q*est** as conse*uências d* preconceito no que se refere à diversidade sexual. Vale le*brar
que o víd** evid*nciou que os re*eptores das expressões não neces*ariam**te possuía* uma
o*ienta**o sex*al caracterizada p*la homossexu*lidade, mas sim, por qualquer in***íduo que
fug**se do padrão heteronormat*v*.
Dessa *orma, no v*de*, foram demonstradas sit*ações em que tanto heterossexuai*
como homo*sexu**s escutavam "pia*as" ou
"brincadeiras" sobre gênero * sexualida*e,
simplesmente
por *emostrar uma
po*tu**, atitude ou com*ortamento que distin*uisse *a
het*ronor*atividade. Jovem que não *a* a festa para estudar, é *otulado de "gayzinho".
Mulher qu* se*ta
com as per*as
aber*as, é chamada de "sapat*o", p**s ela deve*ia
"*entar
igua* moça". S*tuações
como essas ilustr*m *om* as rea*õe* das pessoas *ue sofrem dessas
p**voc*ç*es podem va*iar, *ma vez que a r*cepção dela é subjeti*a e i*dividual. Ess* vídeo
*o* um mobilizador de sen*açõ*s nos licenciandos e cataliso* a dis*us*ão da rod* de conversa,
*a
qual todos os *re*ent*s expusera* qu*l *oi su* sensação ao assistir ao víde*, ge*and*
refl*x*es sobr* a temática.
A *egunda of*cina, int*t*lada "Paród**s pejorativas", *oi realizada com o o*jetivo de s*
pro**zir paródias pelos licen*iandos, e**imulando-*s * cr*ar letr*s *om e*pressões pejor*tivas
utilizando como referência son*ra m*sicas já existentes. In***alm*nte, f*i reproduzido o *l*pe
*e
"Indestrutível",
canção
do
cantor
Pabllo
Vitt*r
(*ttps://www.youtube.com/watch?v=*8B72HzTuww *cess* em 0*/04/2020) que retrata
homof*bia, bu*lyin* e agress*o físi*a, mas també* apr**enta *os prim*i*os *e*undos *o cli*e
alg*mas expressões pejora**vas, co*o "*ayzão", "viado" e "*cho que e*sa coca é fan*a". Em
seguid*, foi reproduzida uma paród*a, colet*da d* platafo*ma You*ub*, nomeada "P*ródia 24
horas
p*r
di a -
Alô,
família
trad*cion*l
brasi*eira"
(https://www.y*utube.com/watch?v=p_xzMSAj*ts aces** em 06/*4/20*0), da música "24
hor** por dia", da Ludmilla (https://www.yo*tube.c*m/*atch?v=a-kSUQBKgSM , acess* *m
Rev. FSA, Tere*ina, v. 17, n. 8, art. 7, p. 149-172, ago. 2020 www4.fsanet.*om.br/revis**
O Uso de Expres*õe* *ejorativas em Re*ação a Gênero e *e*ua*id**e n* Pers*ect*va d* Futuro* Prof**sores
157
*6/*4/2*20) para inspir*r o* pre*entes no mome*to da sua posterior compo*ição. Tal par*dia
ex*cutada engl*b*u diver*os temas dentro da *i*ersidade sexual e ev*d*nciou p*ssoas que
*parentem*nte s**era*am *s pr*c**ceitos sofridos c*ntra sua orientaç*o sexual. Dess* forma,
o* licencian**s foram divididos em dois g*upos *ue el*borar*m, cad* um, uma paródia. Após
*l*borarem a let**, cada grupo *pr*sentou a paró*ia p*r* os c**egas.
A *erceira oficina, foi denominada *e "Balões prec*nceit*o*o*", e teve como prin*ipa*
*bj*tivo mimetizar nos licenciando* o
papel daqueles
*ue sofrem o prec**ceito. *ara isto,
bal*es (*exigas) cheios *e ar r*cebera*, em seu interior, p*pé*s com situaçõe* que r**rat*vam
prec*nceitos e *ompo**ame*tos em relação a *uem sofre prov**ações em re*ação ao gênero
ou à sexualidad*. As sit*aç*es fo*am as segui*tes:
*OU HOMOSSEX*AL - ME DÊ UM AP*LIDO PEJORATIVO E *IQUE LON*E DE MI*
SO* *ETEROSSEXUAL - ME *Ê U* *PELI*O PEJORATIVO, M** SEJA MEU AMIG*
SOU PRECONCEITUOSO E *REPOT*NTE - TENH* MEDO
SOU PRE*URSOR DE D*SCURSOS P*JORATIVOS - M* CONS*IE*TIZE
*U VISTO *OUP** "INA*E*UA*AS" PARA O M*U GÊ*ERO - ME DÊ UM AP*LIDO
PEJORATIVO
EU NÃO TENHO UMA POSTURA *E ACO*DO COM O "PADRÃO" PARA O MEU GÊNER* -
ME D* ** APELIDO PEJO*ATIVO
MINHA VOZ É DIFERENTE DO "PADRÃO" PARA O MEU GÊNERO - ME DÊ U* APELIDO
PEJ*RATI*O
SOU *O*OS*EXUAL - ME IGNOR*
SOU TRANSE*UAL - ME ** UM APE*IDO PE*ORAT*VO PELAS MINHAS COSTAS
EU N*O TEN*O UM COMP**TAMENTO DE ACORDO COM * "PADR*O" PARA O MEU
*ÊN*RO - ME DÊ UM APELIDO PEJ*RATIVO
SOU HO*OSS*XUAL - *AÇA PIADAS
Cada pe*s*a escolheu um número c*rres*ondente a um *alão, e em segu**a o
estourou. O papel
com a si**açã* foi aderid* à te*ta do par*icipante, d* forma que ele n*o
*onsegu*a s*ber qual era, ma* os d*ma*s *ic*nciandos, s*m. Dessa fo*ma, * ind*víduo *ue
*s*ourara o balão era categorizado em um *ru** de i*e*tidade de gênero *u sexuali*ade e os
*emais deveriam agir como a situação solicit*va. Por exemplo, o pap*l "Homossexual"
Rev. *SA, Teresin* P*, v. 17, *. 8, *rt. 7, p. 149-172, ago. **20 w*w4.*san*t.com.br/revis*a
L. S. *rtolan, *. *. Possar*, *. G. *ires, L. G. C. Galego, F. L. Pereira
158
deveria ser tratado pe**s demais co*egas *om "piad*s". Quando todos *stavam co* as
*itu**ões em su*s testas, **iciamos a dinâmica. Ambos int*ragiram uns com os *utros por um
tempo
de *pro*i*adament* 5 minutos. Quando alguém se
apr**i*ava de *m ind**íduo
deve*ia tr*tá-lo de acordo c** * qu* estava *ot*lado e* sua testa. Assi*, cada ** recebeu
*m tratamento d*fer**te e *ô*e se *olocar no lugar das
pessoas alvo
d*ssa* pr*vo*ações
n*
*i * *
d*a. Porém,
os partic*pantes não sabia* o ***q*ê *e escut*r aquil*, até que
descobriss*m a personali*ad* que lhes fora atribuída. Após a di*âmica, uma roda de con*ersa
foi organi*a*a p*ra que as situ*ções fossem discu*idas, bem com* as sen*ações viv**ciadas
pelos l*c*ncia*dos *as situaçõ** d* provocação.
* análise do* dad*s *oi
*ealizada * *artir d*s inform*çõ*s coletadas n* questio*ári*
onl*ne aplic*do nas inscrições das ofi*inas, nas re*lexões regis*ra*as no di*rio de campo, na*
paród*as ela*or*da* na ofi*ina 2 e na* *bservaç*es das atitu*es e discursos dos licen*ia*dos
part*cipan*es das *fic*nas.
4 RESU*TAD*S E DISCUSS*O
Os *ujei*o*-par*i**pa*tes d*s **ici*as
corres**nd*ram a 70% de
mulheres e *0% *e
homens, **m pred*mínio ** heterossexuais (67%), e*quanto os d*mais (33%) se
i*entificaram co*o ho**ssexuais (20%) ou bissexuais (13%). A média *a i**de dos
particip*ntes f*i 23 anos, *endo que o ma*s novo tinha 18 anos, e o mai* *e*ho, 45 anos. *o
geral, os par*icipantes rel*taram *unca terem sofrido n*nhum pr*c*nce*to relacionado à sua
ori*nta*ão se*ual.
As ex*ress*es p*jora*ivas do cotidian* mais citadas p*los l*cenciandos f*r*m "bi*ha",
"viadinho", "m*lh*rzinha",
"gay", "boio*a" e "sap**ã*". *ntendemos que as ex*ressões
pejorati*as em *elaç*o a gênero e sexualidad* se pr*pagam
nas mais
variada* formas
e
atingem *s *ais
divers*s in*ivídu*s, po*ém, anali*ando tais *ermos preconceit*osos
apresentados pelo *rupo *e licenciandos e* que pautamos nossa p*squisa, perc*b*mos que *o
amb*ente soc*al em q*e eles estão
i*serido*, essas "br*ncadeiras" são dir*cion*das, em *ua
maioria, para p*ssoas do gêner* *asculino.
A social*zação masculina é cara*teri*ada *or situações nas quais o homem deve evitar
comportamentos e padrõ*s heter*normati*o* atribuídos a mulheres, p*ra *er cons*derado *m
home* (B*TLER,
20**; PERROT, 2007; V*RGAS; CARV*L*O,
2011). O f*minino se
torn* até o polo de rejeição c**tr*l, o *nimigo interi** que deve ser co*batido *ob p*na de se*
considerado uma mulher s*r (ma*) trat*d* como *a* (WE*ZER-LANG, 2001). Em *ista e
Rev. FSA, Teresina, v. 1*, *. 8, a*t. 7, p. 149-17*, ago. 20*0 ww*4.fsanet.com.br/*evist*
O Uso de *xpr*ssõe* Pejorativa* em *elação a G*ne*o e Sexua*idade na *erspe*tiv* de Futuros P*ofe*sore*
1*9
disso, é frequente que os indiv*duos
do
gênero mascul*no p*opaguem e,
ao me*mo tempo,
sejam receptores
*o p*econceito e alvo de zo*barias com
mais int*nsidade, pois estã*
i*seridos em um *ei*
que impõe com* de*e ser
o compor*a*en*o de *m "**me* de
verd*de", e q*em foge desses padrões é o alvo.
*al *ator é adv*nd* de um contexto hist***c*-*ultu*a* em que n*ss* socie*ade
s*
desenvolveu, **
qu*l a **lt*ra do machism* perp*tu*-se até *oje com grande magni*ude. E
em me*o a essa social*zação masculina, h* uma luta *ons*ant* em seguir os
padrões
heteronormativo*, para que esses sujeitos do sexo m*scul*n* não sejam af*tados
p*las
ex*ress*es pejorat**as e pelas chacotas, co*o apontado por *enzer-La*g (2001, p. 465), que
conc*ui
"[...] é necessário sempre se dis*inguir d*s *r*cos, das fem*azi*has, d*s "veados", ou
s*ja, daquel*s *ue podem ser consi*erados como n*o-home*s".
Os licenciand*s acre*it*m, *in*a, qu* *b**dar questões so*re sexualidade * gênero *o
âmbito *s**lar traz uma maior consci*ntização sobre o tema, in*trume*ta*izando os futuros
professores para agir
diante das situa*õ*s preconc*itu*sas. *ara el*s, *ui*os caso*
são
provenientes
do amb*ent*
esco**r, sendo ass*m, dis*uti* ess* problemática *oderia reduzir
o
nú*e*o de agressores e sujeitos p*opagadores *esses pr*c**ceito*. De fa*o, é na escola que se
o*serv** casos
ca** *ez mais freq*ent*s na mídia,
si*uações
de preconce*to que geram
comportamen*os discriminatóri*s *iante das mais diversas d*ferenças (BORGE* et al., *011).
*uando q*estionados se p*esenciaram algum preconc**t* s*x*al com uso de *alav***
pejo*ativas n* univer*idade, * maio* part* d*s
pa*tic*pantes das oficinas disseram
te r
p**senciado e
que suas sensa**es ao testemunharem foram de incômodo, irritação e alguns
r*l*tar*m até que intervieram, pois se s*ntiram empá*icos *om que* es**va sofr*ndo tal a*o,
po*s en*endem que t*is *iscriminaçõe* *odem acarretar *uitas consequências
n a vi da
das
*essoas af*tadas.
Nesse sentido, Go*oi (20*3, *. **) ressalta que "[...] ser ob*eto de ri*adas
alh*ias const*tu* frequen*emen*e uma fonte de do*es e
sofrimentos psíqui*os, já
q*e viola*
ex*ec*ativa* exis*encia*s de reconhecime*to coletiv* d* dignidade pessoal".
**rtanto, é plausível dizer que
os senti**nto* e as reaçõe* do* *lvos de preco*ceito
c** uso de expressões pejorat*v** sejam dis*repantes, *ois as impl*c*ções variam de sujeito
para sujeito, e m*smo em alta ou baixa escal*, é not*rio que m***as de*as acarretam sérios
danos ao* indiv*duos-alvo das provocações.
A questão *o posicionamento dos *icencia**os, enquanto profess*res diante *as
*ituações de provocação, dividiu as opi*i**s: parte d*les sen*e **e ai*da não poss*em
fo*mação teórica e prática de sa*a de aula *ar* *od*r inte*vir em um assunto delicado co*o
este; outr** ac*editam s* sentirem segu*os par* po*er combat*r *al ato, poi* e* s*a formação
*ev. FSA, Teresina PI, v. 17, n. *, *rt. 7, *. 149-172, ago. 2020 www4.fsa*et.*om.br/revis**
L. *. Ort**a*, D. S. Po*sar*, V. G. Pir*s, *. G. C. Galego, F. L. Pereira
16*
procuram p*rti*i*ar de pale*tras, *ficinas e at* mesmo rod*s de convers*s q*e podem ser úteis
para sua co*scienti**ção e para cons*g*irem tratar o tema com m*is preci**o de uma e
maneir* mais adequada.
As oficinas realiza*as neste t*abalh* *ontempl*m um asp*cto i*p**tante do
preconc*ito e*
rel*ção *o gênero e à s*x*a*idade na escola: a ut*lizaç** d* expressões
pejorativas. A primeira oficina permit*u que os ins*rit*s pudessem comp*e*nde* * te*a
*borda*o através do vídeo executa*o, no qual foram ilustradas dive*sas si*uações do *o**d*an*
e* q*e expressões pejorativ** são *tiliz*das. Algu*as dessas i*pressõ*s (I) são *ranscritas a
s*guir:
I1: "A sensação ao ver c*nas de di*crimi*ação e preconceit* é de extrema
i*digna*ã*, pois é *ame***vel saber que a*itudes como *stas
ainda *ão muito presentes e*
nosso co*idiano, e *em que haja nenhum *ipo de punição ao
agress*r, ou *ualquer tipo *e
con*cientiza*ão *ar* al*erar essa realidade. \\
I2: "É tri*te e ao m*smo tempo r*voltant*, pois se para*mos para ana*isar situações
como es*a ocorrem diari*ment* e muitas ve*es as pessoas *ão per*ebem * impacto qu* *sso
po*e ocorrer n* vida das *ít**as\\
É not*vel que o *reconcei*o referente a gê**ro ou sexualidade ai**a é muito praticado
no meio escol*r ou a*adêmic*, é cometi*o impun*me**e devi*o à falta de co*h*ci*en**, ou
até mesmo pela ação
*a h*teronor*ativida*e imposta *elo senso *omum. Nesse sentido,
Souza (2016, p.112) conclu* que:
"Uma d** instituições em q*e t*rna-se bast*nte visí*el a div*rsid*de é justamente *
esc**a ond* pre*om*na a p**ralidade de gêneros e **entidades sexuais, em g*ande
part* das v**es, ce*ceadas
**los *uros e amarras,
que tentam e**uadrar todos/as
n*m pa*rão *oci*l arbitrário que limita e oprime o di*eito de ser * *xpressar, de
*orma s**ur* e d***crática, as *ife*enças."
A ofensa é pra*i*ada por uma pessoa qu* *e se*te ma**r, seja *isicam*n*e ou
socialmente, gerando gr**des *mpactos na vida dos oprimidos, pois **ev*le*em nes*es ca*o* a
a**rmação de *od*r e v*ntade * qu*lquer cus*o *e humi*har o *róximo (GRILLO; **NTOS,
2015).
*ev. FSA, Tere*ina, v. 17, n. 8, a*t. 7, p. 149-172, ag*. 2020
ww*4.fsanet.com.br/*ev*sta
* Uso de Expressões Pejo*ativas em Re**ção a Gênero e S***alidade na Perspec*iva de Fu*uros Professo**s
161
Tais *m*r*s*ões exp*i*em o des*o*forto *os li*enciandos com a fa*ta d* *uniçã* do
agressor. D* mesmo modo que pessoas se sent*m incomodadas, existem a*ue*as que são
empáticas *os agred**os, co**orme pode ser *otado nas *mpr*ssões a *eguir:
I3: "Fiqu*i tr*ste, p**s *sta real*dad* faz c*m que muitas pe*soas sofram, muitas vezes
em s*lên*io, po*endo ac*rretar em conse*uências d*ástic*s e até o sui*ídio. \\
I4: "Um s**ti*e*to de *ulpa por u*a* exp*essõ*s da soci*d*de atu*l se* saber como
pode machuc*r e ferir *ma pessoa, muitas ve*es por bri*c*deira as pessoas **aba* fer*ndo
os sent*men*os de p*ssoas que carreg*m um peso muito grande nas costa* como faculdade,
tr*balho e a própria família, devemos pensar no que fa*amos.\\
*5: "Após a *nálise do víd*o p*rcebe-se o quanto al*umas \b*incadeiras\ de mal
gost*, *uins * desagradáveis *uiam um signif*c*tivo de*conforto com o pró*imo *ausando
péssimos *entime*tos com as pessoas que a escuta. \\
I6: "Eu *enti vergonh* * *rustraçã* tan*o por assist*r e ver que há pessoas *a**osas,
qu*nto pr**encialm*nte. As pes*oas t** que *er consci*nc** que não somos iguais, t*mos
g*stos distintos e isso *os torna *nicos e *spe*iais. \\
Existem leis qu* *om*atem tais atrocidades, como a Lei 18.185, de 6 de novembro de
2015,
que *nstituiu o Pro*rama de Combate à intim*dação Sist*mática (bullyin*). Est*
pr*grama conta *om uma equipe que capacita os docentes e equipe* pedagógicas para lidarem
com todo* *s desrespeito* *ome**do* com as v*timas do heteron*rm*tism*. * in*uito desta
*ção é tor**r o mu*do u* l*g*r me*ho*, sem
di*cr*m*nação * preconceitos, tentando
conscien*izar todas a* pessoa* que um dia fo*am ou serã* submetidas a um ambiente div*rs*
(SILVA; BORGES, 2*18). O *ela*o * se**ir sinte*iz* uma perce*ção
bem *finada a *sta
perspect*va:
I7: "A gr*nde maio*i* das expressõ*s mostradas no v*deo sã* *requentem*nte
uti*izadas e muitas vezes com m*i*a *atural*dade. Sexu*lidade e gênero que **r m*ito te*po
*o* um tabu, hoje, vem t*ma*do esp**o. Pri*ci*alment* enquanto ma*s jo**ns, as pessoas
tend*m a brincar e n*o sen*ir i**ômodo nenhu*. Com pass*r *o t*mpo, com u* po*c* o
Rev. FS*, Teresin* PI, v. 17, n. *, art. *, p. 149-17*, ago. 2020 www4.fsanet.com.br/revist*
L. S. O*tolan, D. S. Po*sari, *. G. P*r*s, L. G. C. Ga*e*o, F. *. Pere*ra
162
*ais de conhecimento, presenciar isso começa a causar certo d*s*onfor*o e muita*
vezes
repul*ante. Ent*etanto, para aqueles que sofre* *s danos, *númera* vezes, são m***r*s.
A desp*ito dessa pe*spect*va empática,
al*uns licen*iandos não considera*
a
utiliza*ã* das expressões pejorati*as uma agre*são a* sujeito. Um deles afirma, p*r exe*plo:
*8: "A*esar de saber que acontece muito, não obser*o ou pres**ci* o uso dessas
expr*ssões *o meu cotid*ano, pe*o *enos não com uma fre*uênc*a percep*ível *ara *im.
Com conside**ção * is*o, nã* senti *mpat*a o* nen*uma p*oximidade com realid**e a
exposta. "
É compreen*ível q*e haj* uma divers**ade em re*açã* à* *pini*es sobre a* e*p**ssões
*ejor**iva* e ao *reconceito, mas a *aioria de*as visa * i*ualdad* e ao *em-estar *e*al,
notando -s* *ma certa c*n*ci*nci* sobre o tema.
A segunda oficin*, p*r s*a
v*z, poss*bilitou * pro*ução de paródias *ntegran*o as
expr*ssões pejora*ivas *m s*a composição. Uti*izamos o método de **ród*a para essa oficina
pois os j*go* *juda* a criar um entusiasmo sob*e co**eúdo a ser trabalh*do, a fim o
de
consi*erar os intere*ses e as mot*vaçõe* dos ed**andos em e*pressar-se, agir * int*ragir nas
*tiv**ade* *údicas realizada* (CHAGUR*, 200*; BARCELO*;
JACOB*C*I,
2011;
A****O, 2018). As paród*as reali*adas *a *ficina **ram tr*nscrita* abaixo, possibilitando a
discussão e obse*vação d* com* os **u*os integraram o tem* n*ssa atividade e quais foram as
expressões
mais decorrentes utilizada*. A pri*e*r*,
basead* *a *úsica "Do*a M*ri*",
d*
T*iago Brava (*ttps://www.youtube.com/watch?v=qaPDDTLkB2U , acesso e* 06/04/20*0)
* a
segunda,
"Vai
Malandra",
d*
Anitta
e
cola*ora**r*s
(https://www.*out*be.com/watch?v=**hptB*_-V*, acesso em 06/04/20**):
P*r*dia g*upo 1:
Me desculpa v*r aqui *esse jeito
Di*ere*te do tra* seu con*eito
De cam*sa larg*, o que mul*er não faz
Caminhoneira, sapat*o, me d*z o que mais¿
Eu *a**ém ten*o os meus direito*
Ser diferent* não é um defeito
E o que mui*os f*lam, todo mundo fa*
Rev. *SA, *eresina, *. 17, n. 8, art. 7, p. 149-1*2, ago. 2020 *ww*.fsa*et.com.br/r*vi*ta
* Uso de Expressões Pejo*ati*as em *elação * G*nero e Sexualidade na Pers*ectiva d* Fu*uros *r*fessores
Mas ho*e eu não vo* aceitar levar *m não *ra casa
Dona Maria
De*xa eu namorar a *ua filha
Ser *ésbica *ão é putaria
Homo*óbico n*o ent*a no céu
D*na *aria
*eixa eu namor** * sua filha
De*xa de l*do essa *ua homofob*a
Homofobia não é um b*m pap*l
Par**ia grupo 2:
*ai bi*hinha, an an
Ê tá louca, tu d*ndo *sse bumbu*
T* pedin*o, an *n
*e m* olhar *u vou te descer mi*h* mão
Cê aguenta, an a*
Com tr*s murros com certeza vai *ro c*ão
Bicha. B*itola, *iado
Se *u te pego te *rrebento
*e começar *e engraçar co*igo é
Taca, taca, taca, taca
163
*uando ap*ic*mos atividad*s lúdicas em sa*a temos que ter a consciência de que não
há possib*lidade de dar receitas, uma *ez que a atividade propos*a estará envolvida com
mú*tiplos fatore* s*ciais, os qua*s **ão variar de acordo co* o grupo (C*AGURI, 2006;
BARCE*O*; JAC**UCCI, 201*; ARA*ÃO, 2018).
A *aródia é um exercíc*o interessan*e p*ra d**ons*r*r, *e***sentar e apli**r os
co*t*údos teóricos, *onstit*indo-*e em uma for*a *ri**i*a e crític* de encara* o *p*endi*ado
d* fo*ma prá*ica (XAV*ER, 20**). As d*as
paródias parti**m *ar*
*ercepções d*fe*ent**,
ob**rvamos que o gru*o 1 utilizou a* e*pr*ssõe* pe*ora*ivas com o intui*o de c*nscie*t*z*çã*
em relação à *omossexualidade, também
par* mos*rar
que ainda e*iste *m estereótipo
construído em vol*a do se*o femini*o, c*mo o jeito de ser, de se ve*ti* e em como a sociedade
*ossui essa vi*ão heteronormativa. O s*gundo g*u*o, abordando também o
*ema da
homoss*x*alid*de, utiliza em s*a paród**, expr*ss*es coloca*as *ara e*i*enc*ar * agressão ao
Rev. *S*, Te**sina PI, v. **, n. 8, a**. 7, p. 149-172, ago. 2*20 www4.f*an**.com.br/r*vista
*. S. Orto*an, D. S. Possari, V. G. Pires, L. G. C. Galego, F. L. Pereira
164
homossexual: \\*e m* olh** *u vou t* descer minha mão\\ \\co* t**s mur*o* c*m certe*a va*
pro chão\\, *lém de
expressões pejora*i*a* re*acionadas *o gênero e à sexualida**
com*
\\b*chin*a\\, \\bai*ola\\, \\via*o\\ que t*mbém são um tipo de agressã*, e *inda co*umen*e
são usada* em n*sso *oti*iano, sem a vis*o d* com* isso pode *nfluen*ia* na vida de pess*as
que
sofrem so*re tais
ações. ** agredidos ge*almente expressam vergonha
e culpa
simplesmente p** "serem", e são frequentemente *ensu*ad*s e contro*ados, e há uma
per*pectiva de q*e a sexualida*e do outro é uma questão indiv*dual, e a d*mens*o social
e
política da q*estão é ignora** (LOURO, 200*).
O fe**meno do pre**nceito e discrimin*ção contra h*moss*xuai*,
biss*xuais
e
trans*ê*e*os (a*nda *ue
essa seja um* nomen*latura ain*a sem amplo ac*rdo, uti*izada aqui
como *nglob**te para
travestis e
transe**ai*) aconte*e e* diver*os locais da vida em
so*iedade, no trabalho, na fa*íli*, nas i*stitui*ões de ensino, no acesso a s*rv*ç*s *úblicos ou
privados (GODOI, 2013). A cri*ção d*
e*paços pa*a deb*ter sobre isso, intro*uzir es*a
discussão no ambien*e *e e**ino, mesm* que de uma for*a mais dinamizad* * prática, como
no ca** d* utilização das paródias, é dar um passo *ara supera* esse preconce*to:
"[...] ao longo da ex*st*ncia do ser *umano, a p*ática *e associ*r **alq*er disciplina à
mú*ica *empre foi basta**e utilizada e demonstrou m*ita* **tenci*l*dades como fator
au*iliar
*o apre*dizado, podendo ainda despertar e desenvolver nos alunos
sensibilida**s mais aguçadas na *b*ervação de *uestões própri*s à *isc*pl*na alvo,
além *e melhora* a qualida*e do ensino * apre*dizado, uma vez q*e estimula e motiva
professores e alunos. (ME*O; A*SIS, *013, p.4.)".
Os futuros d*cen**s
de*em saber integ*ar me*odologias
ativ*s e div*rsificadas de
ensino pa** que h*ja eng*jamento p*r par*e dos es*udantes nas questões qu* *reten*em ser
abordadas, no c*so dest* trab*lho o pr*conceito em relação à diversidad* sexual e ao gênero.
Essa* met*dolo*ias podem e*timul*r o
pensamento crític* e o ato reflexivo, * *ue s***ifica
desenvolver a
capacidade de ob*ervação, análi*e, crítica, a*tono*ia de pensar e de ide*is,
ampli*r os horizo*t*s, to*nar-s* agente ativo nas
t*an*forma*ões da
sociedade, busc*r
inter*gir co* a r*alida*e. (MARIA, 2009)
A te*c*ira of*cina pos*ibili*ou que os parti*ipantes **des*em experienciar
o
pre*onceito de forma *ireta e in**nsa, c*locand*-*e no *uga* das milhõe* *e vítim*s que
cot**ianam*nte so**em com as a*ressões real*zadas por *eio d** expressões *e*o*ativ*s, al*m
de revelar a esses *icenciandos uma s*til amostra de s*nsações que tais receptores do
preconceito *i*enciam, levando-os a ima*i*ar
as possíveis consequências
que os *tos
d*s**imi*a*ó*io* - ad*in*os principalmente no *m*it* esco*ar - podem desencadear.
Rev. FSA, Teresina, *. 17, *. 8, art. 7, p. 149-172, ago. 2020 www4.fsanet.*om.br/rev**ta
O Uso de Exp**ssões Pejo*a*ivas em *elação a Gê*ero * Sexualidad* na Persp*ctiv* *e Futuros P*ofess*res
165
A *inâm*ca *os ba*ões d*sencadeou, *m um prim**ro mom*nto, o "riso" do*
parti*i*antes, causado sobre*ud* pelo es*ranha*ento ao receb*r*m tantas injúria* * ex*r*ssões
d* ba*x* calão qu*ndo se deparavam
com
o* outros partici**n*es n* *e*tat*va de d*scobri*
*ual seria sua personali*ade na dinâmi*a. P*rém, assim que perceberam a *agnitude *o q*e
estavam es*ut*ndo * relaci*naram *ssa experiência com o* div*rso*
precon*eito* existente*
cont** indiv*duos
qu* fogem *os pa*r*es hetero*or*ativos, *m clima
*e seriedade foi
invadindo o
ambient*. A*ós * *e*mino d* dinâmi*a, quando o* licenciandos foram
questionados sobr* suas sensaç*e*
a* esc*tarem
as e*pressõe* *ejorativas, os participantes
s*ntiram-se *fe*didos, con*trangidos e oprim*do* c*m o *ue ouviram. E*es **l*taram que não
go*tariam
de *scutar ta*s expressões se rea*m*nte poss**sse* tal per*onali*ad*,
c**port*mento ou gênero em questã*.
*oi p*rceptível que o impa*t* da *inâmica n*ssas pesso*s *oi de grande
expressivid*de. Noto*-se uma certa tensão e comoção, quand* inici*da a roda de conversa da
o*i*ina. *m participante, *ue foi sorteado co* a situaçã* de "Sou h**ossexual - me *xclu*",
re*atou sentir um g*ande desespero nos *o*cos mi*utos da atividade, pois q*ando os dema*s
integrantes da *i*â*ica se de**ravam com el*, o ignoravam. Esse proc*sso de exclus*o
é
u*a das di*ensões d* homofobi*.
A ho*ofo*i* na esco*a g*ra
grande *mpacto na vid* de q*em sofre ess* ti*o de
viol*n*ia * essa se man*festa nos s*n*imentos, na dignidade, no s*cesso *u fr*cass* escolar,
tornando o ind**í*uo excluído
do círcu*o *oc*al
*scolar e o fazendo po*
vez*s até mudar de
escola e até *e*mo abandonar os *s*udos. (P*RUCCHI; CORRÊA, 2013). Madureira
e
Branc* (2007) re*sal*am que a escola, em conju**o **m o*tras instituições soc**is, pod* cria*
e refor*ar pr*conc*itos * Garcia (20*9) revela que os *omoafetivos experiencia* d*rante sua
trajetór*a na escola violênci* e discr*minaç*o na f*rm* de preco*ce*t*s flagrant*s e *u*is, este
úl * i * o
*nclusivo pelo corpo docente, c*nstit**ndo
o que *unqueira
(2009) cha**u
*e
pedagog** d* in*ulto.
O preconceito por *ar*e da *ociedade con*r* *s *omoafetivo* *rovoca-*h*s um grande
sofriment* psíquico, pois estes v*m e* um *onflito *nt*e os *eus se*t*mentos e *esej*s e os
valores norm*s impost*s p*la sociedade *o q*e diz re*peito à se*ualida*e. Tal so*rim*nto e
não está no fato de s*r homoafe*ivo, mas sim p*las consequênci*s que o p*e**nceito *raz para
a vi d*
**ss*s p*ssoas no medo d* ser *ej*itado pela família pe*a sociedade em geral.
*
e
Observa-se qu* es*e sofrimen*o psicológic* é causado pel* pr*conceito e pel* re*eição a **e *
submetido o homoafet*vo nos se*s me*o* *ociais. (HONORATO, 2009)
Rev. FSA, T*res*na *I, v. 17, n. 8, art. *, p. 149-172, ago. 2020 ww*4.fsanet.com.br/revi*ta
L. S. Ortolan, D. S. Possar*, V. G. Pires, L. G. C. Galego, F. L. P*re*ra
1*6
Compreendemos que cada in*ivíduo reage às expressões p*jorativas de uma **neira,
os danos s** *mprevisíveis e atingem todos que fog*m da heteronormatividade. Porém, em
rel*ção aos/às jovens *ão-heteross*xu*is, h* indícios de
p*ssíveis efeitos em s*a saúde, no
toca**e
às co*s**uências das d**e*en**s formas de violên*ia (da injúria à agr*s*ão f*sic*)
s*frid*s no período escolar. (*E*UCCH*; CO*RÊA, *013)
Os pro*essores dev*m se sentir *lenamente prepara*os p*ra intervi* e media* tais
situaçõ*s, e es*a* questões relat*vas à *exualidade humana sejam di*c*tidas desde a form*ção
inicial e apri*oradas *o longo d* ***re*ra e na* *orma*ões con*inuadas em e*ercício. Os
curs*s d* f*rmaçã* inic*a* precis*riam re*e* seus
pr*jetos pe*ag*gico* e o
*urrícul*, assim
c*mo a formaçã* continuada ** s*rviç*, de forma que a e*uc*ç*o da s*xuali**de fosse
ab*rdada de *or*a mais efetiv*, c*m a *n*erção d* disc*pl*nas relac*onadas à sexu**i***e, por
e*emplo. O o*j***vo
seria prepa*ar os futuros ed*cadores para a*uar d* forma *ntenci*nal
e
emba*a*a *as s*t*açõe* *ue envol*am a*ões de educaçã* *ara a sexu*lidade (MAIA;
RIBEIRO, 2011; LEÃO et al, *013).
O trabalho de formação inic*a* dos professores será ex*to** caso
ele tamb*m
*eja
desenvolvido a posteriori, ou seja, com base nas dificuld*des enfrent*d*s no cotidia** da sala
*e aul* d**ais espaços da esc*la, nem s*mpre e
clara*/p*rce*tíveis p*ra *les. Para tanto,
é
i*por*a**e *omp** **m as propostas "*r*estabelecidas", q*e utilizam estra*ég*as hom*g*neas
e que são vol*adas à formaç*o
e* *assa, e centrar as e*tratégias co* base na escut* dos
professore*. É fundamental sa*er o que os pro*esso*e* pensa* sobre a
edu*ação, sobre as
expr*ssões de sexua**da*e que *correm cotidian*mente na escola e sobre * *odo como *idam
co* essas e*pressões (GESSER et al., 2012).
*s professo*es, *esmo os preparad*s par* atuarem e intermediarem s*t*aç***
discri*inat*rias na sala de aula * no *mbiente esc*l*r propriamente dito, podem
*ofrer uma
*pr**sã* p*r parte das inst*t*iç*e* escolares, diretores, coordenadore* e até mesmo *os pais,
q** podem proib*-los *e abor*ar tem*s relacionados à sexualid*de na sa*a d* aula ou
interrompa* seus conteúdos p*ra qualquer explicação q*e fuja do
tema, deixando
"brinc*d*iras" discriminató*i*s p*ssare* despercebidas:
O excesso *e responsabilidad*s *xpõe *m* possível razã* para que *rincad*irinh*s *
alguns enfren*am*n*os em *ala de aula acab*m po* ser tolerad*s e/ou ig*o*ados, po*s o
*em*o que se lev* d*scuti*d* u*a bri*cade*rinha *ode s*r o tempo necess*rio p*ra
v*ncer o co*teú*o. (BORG*S et a*., 201*, *.33)
Rev. FSA, T*r*sina, v. 17, n. 8, art. 7, p. 149-172, *go. 2020
www4.f**net.com.br/*evista
O Us* de *xpressões Pej*r*tiva* em R*lação a Gênero * Sexualida*e *a Pers*ect**a de *uturos Professores
167
Al** disso, mui*o* pr*fessores sã* precursore* de *a** discu*sos p*jorativos em
r*lação a gênero e sexualidad*, e utiliz*m de tais recursos para se mostrar*m br*ncalhões e/ou
cati*arem a **enç** dos alunos. As piadas, gozações * o esc*rnio estão presentes c*m*
metodolog*a ped*gó*ica, por p*o*issionais *ue *reci*am do *i** e da co**dia para entreter
se*s di*centes, uma vez q*e manutenção da disci*lina em sala de aula *ão tem mais *uste*to
s* acon*ece nece*saria*ent* pel*s vias da repr*ssão * *o aut*rit*rismo (GOD*I, 20**).
É inadmissível que qua*quer profi*sio*al da e*uca*ã* pr*pague as exp*essões
e
"pi*das" pa*a as cr*anças, adolescentes e *ove*s. Seu papel como o próprio *om* suge*e
é
*ducar, e *ão for*ar m*is **dadãos intolerantes com a* difer*n*a*. Muitas veze*, as
instituições de *nsino e os *rofission*is da e**cação *ão po*suem con*ec*mento qu* tais
q*es***s, segun*o os Pa*âmetros Cur*iculares Nacionais, d*vem se* abordadas s*mpre
que
nec*ssário no âmbito escolar:
Com r*laç*o aos Parâmetros *urricular*s Nacionai* (PCNs) - que indi*am que
questõe* de gê*ero e sex*alidade devem ser tra*ada* de forma *ransversal -, estes são,
de maneira gera*, conhecidos superfic**lm*nt* pela *scola. Nossas informantes são
un*nimes q*a*do falam da *ecessidade de uma formaçã* e*pecífica e continuada a
esse res*eit*, a fi* de inst*umentaliz*r essa d*retr**. Destacamos ainda *ue, para *lém
do con*ecimento *a* di**trizes **re*enta*as nos PC*s no item intitulado or*e*tação
s*xual, é necessário p*rceber como, também neste docum*nt*
oficial, a diversidade
sexual * abordada de fo*ma sutil. (BOR*ES *t al., 20*1, p.34)
Finalizando, se presen*iass*m al*uma *titude de pr*conceito fora de sala de aula, a
mai*r part* dos en*olvido* c*m as o*icinas descreve*am q** int*rvir*am na ação do *gr*sso*,
buscando a consci*ntização. Por*m p*rte deles re*ato* que *alvez não iria interfer*r, por
e*emplo, p*l* fa*o de a sociedade ser muito a*ress*v*, e qu* a i*terven*ão po*eria acarreta*
em uma discussão ou até mes** briga. **s o*tros c*mentaram que sua reação dependeria da
s*tuaçã* e d* contexto *m questão. Em m*io a tais *rgument*s, * po*sí*el refletir
que
*ombate* *titudes pr*conc**tuosas na prátic* é *ma tar**a árdua, e muita* vezes peri*osa. *
um proce*so que acontece a longo prazo, e s*o derivados de mud*nças *ue de**m s*
inte**if*car na educação
*ásica e prosse*uir no *es*nvolvime**o d*s indi*í*uo*. Em
v* s t a
disso, os educadores têm papel fundame*tal na for*ação d*sse* cidad*os * são chave
ess*ncial pa*a fazer a diferença e *ermitir *ue futura*ent* nossa soc*ed*de seja menos
agressiv* e mais pacífica com as *if*renças.
No *rasil, além de serem raro* os pr*grama* de ed**ação sexua* nas escolas, há
um
ref*rço à p*odução de masculini*ad** e feminili*ades
não-tran*gressivas dos **tálogos
*dentitári*s
reconhecidos socialmente, pressup*ndo a he*erossexualidade c*mo n*rma,
a
Rev. *SA, Teresina PI, v. 17, *. 8, art. 7, *. 149-172, ag*. 2020
www4.f*a*et.com.b*/r*vist*
*. S. Ortolan, D. S. Possari, *. G. *ires, L. G. C. Gale*o, F. L. Pereira
168
*ont* d* tudo *quilo que est*ver fora del* ser t*atado como de*vian*e. Ou sej*, até mesmo os
programas de
educação *e*u*l
na esco*a rep*o*u**m o p*oce**o da h*teronorm**ividade.
Assim s*ndo, a*olescentes s*o quase sempre margina*izados em sala de aul*. Por
esse
m o* i vo,
a* escolas são vistas com
fr*qu*ncia
*o** locais *ns**ur*s para pessoas com
ess*s
c*racterísti*as (LOURO, 2000; MOURA; EMÉ*I**, 2011). Por
ess* mot*v*, permitir que
fut*ros
p*ofesso*es sinta* o preconcei*o é fundamental *a*a **spe*t*r nel*s empatia p*los
*ndiv*duos d*scrimi*a*izado*, e *on*egui*te, capacitar professo*es que não perm*tam que ta*s
atos * excl*sões ocorr*m no
ambi*nt* **colar. Os pr*fess*res *e*em estar
pr*p**ados para
atua*em a*ivamente na busc* de um ambiente igualitário e que re*peite as d***re*ças.
5 CONSI*ERAÇÕ*S FINAIS
A sensi**lização d*s futuro* pr*fessore* que
p*rt*c*param **s oficin*s e col*t* de
expre*sõe* pejorativas *m r*lação a gêner* e *e*ualidade por meio de oficinas q*e pe*mit*m
*prendizagens ati*as e momento* coletiv*s de reflexão p*d*m *er u*a al*e*n*tiva
para
a
formação in*cial e **n*i*uada d* **ofesso*es no que tange à **ucação par* * se**a*idade.
Percebemo* que o gru** de licenci**dos do ICENE/U*TM possu*m um maior
esclarecimento s*b*e o grande t*ma diversid*de sex*al, ou se*a, *odos
o* parti*ipant*s
respeitam as
d*ferenç*s e busca* e* s*a formaçã* *o*nar*m-*e **ofi**ionais íntegros e **e
pe*siste* em aniquila* os *rec*nc**tos e os atos discr*minatórios *ecorr*ntes
de tal
diversidade. Constat*mos ta**ém que *s ex*ressões mai* de*otadas entre eles foram:
"bic*a", "viado" e "boiola", e que sã* dest*nad*s em s*a ma*oria para *ndivíduos *o gênero
mascu*in*.
Por meio das oficinas, podemo* inten*if*car as reflexões a re*peito do tema e abrir os
ol*os d*s partic*pantes em rel**ão às expressões pejor**ivas, uma *ez que *sses pre*on*eitos
pas**m tão despercebi*os qu**do estão disfarçado* em meio às piadas, "br*ncadeiras"
e
***ações. Foi possível *e*ostrar, tam*ém, os impactos q*e tais *ções ofensiv*s podem gerar
em um *ri*eir* momento nas
v*timas, e **steriormente
na sociedade, afetando
prin*ipalment* o â**ito escolar.
Constat*mos que os u*os das *xpre*sões de bai*o calã* estã* intimamente
relacionados co* os p*d*ões hete*onormativos, impostos por n*ssa
sociedade * derivada de
u* conte*to
hist*ri**-*ultural em que os comportamentos machist*s prev*lec*m até o* dias
a*uais. Sendo a*sim, não necessariamente atingem os hom*ssexuai*, mas t*dos os ind*v**uos
que possuem comp*rtamentos, p*sturas e açõ*s q** se *ifer** do* padrõ*s heterossex*ais.
Rev. F*A, Teresin*, v. 17, n. 8, a*t. 7, p. 149-172, ago. 2020 w*w4.fsane*.c*m.br/revista
* Uso *e *xpressões Pejorativas ** Rel*ção a Gênero e *ex*a*idade na Perspectiva de Fu*uros P*ofessores
169
É p**ceptível, t*mbém, que a*ós o d*senvol*imento desse est*do, a formação dos
futuros professores **ecisa *er repensada n* que diz respeit* * d*versidade sexual e
propagação
de pre*once*tos, além de capa*it*r p*of*ssionais qu* saibam i*te**ir
quando se
deparar** co* a *ntol*rância
e brincadeiras impró*r*as no *ue se r*fere a gêne*o
e
sexu*li*ade. É indi*pensável também uma for*açã* específica com professores já
*m
*xercício, diretore* e coo*den*d*res, *ssim como qualquer prof*ss*onal *a área *a educ*ção.
*st* posto, **p*ram*s que o presente ar*igo *jude na sen*ibili*ação d* outros
profissionais na área da edu*ação, *lém ** contri*uir para que a l*ngo prazo *ais e*pressões
pejora*iva* sejam erradica**s do ambient* escolar, *efletindo assim em toda sociedade.
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E*pressões P*jorativas em R*lação a Gên*ro * Sex*ali*ade na P*rspec*iva de Fut*ros Professores.
*ev. FSA, *eresina, v.17, n. 8, art. 7, p. 149-172, **o. 2020.
Contribuição *os *utores
L. S. Ort*la*
D. S. Possari
V. G. Pire*
*. G. C. Gale*o
F. L. Per*ira
*) conc**ção e pla*e*amento.
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2) anál*s* e i*terpretação do* dados.
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3) elaboração do *as*u*ho ou na revisão crít*ca do conteúdo.
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4) partici*açã* na a*r*va*ão da v*rsão final do m*nuscri*o.
*
X
Re*. FSA, T*r*si**, v. 17, n. 8, ar*. 7, p. 1*9-172, *go. 2020
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