Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 5, art. 11, p. 200-219, *e*./ou*. 2018 ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.11 Reflexões Acerca da Violênci* P*aticada p*r A*olesc**tes e a Aplicaç** das Medidas *ocioeducat*vas R*f*ections o* the Violence **acti*ed by Adol*sce*ts and *h* Applic*tion of Socio-Educat*on*l Measures Jusc***ayne Bian*a Tavares de Mor*is Mestra*o em Polític*s Públicas pela U*iv*rsidade Federa* do Piauí G*ad*ação em p**cologi* pe*a Faculdade *n**gral Dif*rencial E-mail: ju*m*raiss@gma*l.com Maria D\*lva Macedo Ferrei*a Do*tora em Servi*o So*ia* pela *niversid*de *e*eral do Pi*uí P*ofessora da Un*versidade Federal do Piauí E-ma*l: mdalvaferrei*a@*o*.c*m.b* Ende*eço: **scislayne Bianc* T*vare* de Morais E*itor-Che**: D*. Tonny Kerley de Alencar *airro *n*nga- Teres**a -*I, CE*: 64.049-55* Rodrigues **asil. Art*go rece*ido em 21/0*/2018. *ltima ver*ão Ender*ço: Mar*a D\Alva Ma**do Ferrei*a recebida em 1*/05/2*1*. Aprovado em 11/05/201*. B*irro In*nga- Ter**ina -PI, *EP: 64.049-550 Brasil. Av*liado **lo sistema Triple Review: *esk Revi*w a) pelo Editor-Chefe; e b) Do*ble Bl*n* Review (av*liação ce*a po* d*is a*aliadores da *rea). Revisão: Gramatic*l, Normati*a e d* F*rmata*ão Reflexões Acerca *a Violênci* Pr**icada p*r Adol*scent*s * a Apl*cação das Medidas *oci*educativas 201 *ESUMO O presente *s**do *bjetiva r*fletir sobr* a in*ervenção do *stado na in*ração juvenil a partir da apl*ca*ão *as medidas socioeducativas. *ara is*o, di*cute-se a violência pratic*da por adol*sce*tes como u*a expressão da questão social * as medida* *ocioeducativas como mecanis*o **ci*penal de **ntr*le *o* *dolescen*es aut*res de at*s infracion*i*. Trata-s* de uma pesquisa qualitat*v* d* tipo biblio*ráfica e de natu*e** e*p**ratória anal*sada pelo método h*st*rico *ialétic*. Propõe-se * analis*r a aplicação das medidas socioeducat**as a partir dos e*xos: " Questão social e viol*n*ia" e " A apl*cabilida*e *a* medidas socioeducativas no c*nário br*s*leiro". O artigo argum*nta que * S*stema Socioeducativo fo* ela*orado por u* pr*jeto de soc*edade marc*do pela *ó*ic* *o ca*i*a* * que per*etu* a **pre*são * a *rimi*aliz*ção da pobr*z*. *s medid*s soci*educat**a* são mecani*mos fragmentados e simpl*stas de enfrentar a problemática d* violência juvenil como uma *xpressão da questão social, reque*endo u*a leitura ampla do fen*meno da vi*lên*ia em s*a *otal*dade. Palavras-chave: At* *nfr*cional. Que*tão Social. Me*idas Socioeducativas ABSTRACT This s**dy aims to reflect *n the intervention o* the St*te in juvenile off*nses from t he application of s*cio-edu*ati*nal measures. For this, t*e viole*ce practic*d by adoles*ents *s dis*ussed *s an expression of the s*cial question and t*e s*cio-educatio*al measures as a soci*penal mecha*ism of control *o the adolesce*t\s authors of infra**ions. It is a qu*litative res*arch of the bibliogra*h*c type *n* exploratory nature a*alyzed fr*m the dialectical *ist*r**al method. It pro*oses t* analyze t*e appli*ation of socio-educati*na* m*asu*es from th* axes: "Social ques*io* and v*olence" and "T*e a*plic*bility o* so*io-educational **asures i* *he Brazilian s*e*ario". The ar*icl* ar**es that the Socio*d*cational System was elab*rated by a pr*ject of socie*y marked *y the logic *f c*pit*l and t*at perpetuat*s the r*pression and the cr*mina*iz*tio* of poverty. S*cio-edu*atio*a* measures ar* f*ag*e*ted a*d simplis*ic mechan*sms to a*dress the *roblem of youth violen*e as an expr*ssion of *he social question, req**ring a broad *eading o* the phenomenon of violence in its en*irety. Keyw*rds: In**ac*ion. Social Iss*e. Corre***onal M*asures R*v. FSA, Teresina PI, v. *5, n. 5, a*t. *1, p. 200-2*9, *et./*ut. 2*18 ww*4.*sanet.com.br/revista J. B. T. Morais, M. *. M. Ferreira 202 * *NTRODUÇÃO A viol*ncia pratic*da p*r adol**c*ntes é uma e*pressão d* questão social *a s*ciedade capitalista e as m*did*s socio*ducativas s*o estratég**s adota*as pelo E*tado e* uma perspectiva política, soci*l e ide**ógica de con*role à *i***n*i*. Nest* e*copo, o *istema Naci*nal *oc**educativo (*INASE) surge como mecanismo de c*nt*ol* ao adolescente que, com a prom*lgação do Es*atuto da Criança e do A*o*es*ent* (ECA), passa a *er *ons*d**ado sujeito de *i*eitos e que possui de*eres. O capitalismo f*rt*l*ce e amp*ia o *iclo da vi**ên*i* estrutura*, p*is seu projeto soc*etá*** * *labora*o pela classe dominant*. Caberá ao Estado adaptar-se às exigênc**s da produç** e *cumula*ão do cap*ta* mar*a** pela m*n*ializa**o, pelo mode*o de acumulação flexí*el e precar**aç*o *o tr*balho, sendo a viol*ncia uma d*s con*equências d* *elação Esta*o- capital-so*iedade, que *fet*rá *i*et*mente os adoles**n*es, sobretudo a*u**es que c*mpre* med*das soc*oedu**t*vas. É preci** desve**r a lógica simplista *e enten*im*nto do ato *iolento pratic*do po r adol*scentes que * c*nc*be a *artir de *ma aç*o imediata e d**t**tiva. As*im, "a violência pra*icada *or a*olescente* dever* s*r a**lisa*a pensando neste fenô*eno *nquanto resul*a*te d* múlt**las manife*taçõe* *ue ex**essam as *e*re*e*tações sociais dos i*divíduos sobre s** r*alid*de *oci*l" (F*RREIRA, 2005, *. 3). A* es*atíst*cas ***erentes *o Levantam*nto *acional de Atendimento Socioeducativo sinal*zam q*e a maioria dos jovens autore* de atos infracionais * inseridos no context* socioed*cativo é de negros, *ob**s com ba*x* escol*rizaçã* e advind*s d* r*g*ões v*lneráve*s (BR*S*L, 201*; BRASIL, 2017). Esse* dados são refl*xo da **alid**e *oci** brasil*i*a baliz*da em uma conjunt*ra *oci*l p*rmea*a p*la pobreza, composição econômic* cen**a*a na concentraç*o *e renda, de**gualdade social *ntre as regi*es do país e na di**culdad* no *c*sso a*s direi*os *o*iais. To*na-se fundamental *efleti* *obre o a**lesc*nte autor d* i*fracion*l como um su*eito na hi*tó*ia e cuja b*se das re*açõe* s*c*ais são a* relações s*ciai* de produção regidas sob a égid* do capital. P*ss*-se a *eco*hecer o ob*eto de*te es*udo, no caso, os adolescentes em cump*i*ento de medid*s socioeducativ*s, assi**idos *or tratamento i*sti*ucion** repressivo e puni*ivo * inseri**s em um conte*to permead* de contradiçõ*s (*ERREIRA, 200*; SIL*A, **05; MORAI*, 2017). Neste estudo, *rgumenta-s* sobr* a l*gic* da aplicação *as m**ida* socioeducativ*s e a his*óric* repre*s** praticada pelo Estado diante da violência *ometida p*r jovens. * prec*so Rev. FSA, *e*esi*a, v. 15, n. 5, ar*. 11, p. 200-*19, *et./ou*. *018 *ww4.fsanet.c*m.br/r*vi**a Refl*x*es Acerca *a V*olência Praticada por Adolescentes e a Aplic**ã* das Medid*s *ocio*ducativas 203 ir ao *erne da quest*o soc*a* par* *e*samos na lógica **ci*penal, por **e * tr*t*do o adol*sce*t* que *nfri*ge as nor*as soc*ais. O Estatuto da Cria*ça e do Adolesc*nte ente*de por ato inf*acional a *onduta r*ferida **mo delito ou con*rav*nção penal. * adolescente com *dade inferi*r a 18 a**s é considerado penalmente inimputável e sujeito a leg**laçã* esp*cíf*ca (BRASIL, 1990). Desta forma, ob*etiva-*e discutir as categorias da violênc*a, qu*st*o so*ial * medidas *ocioeducativas, **opon** *ntendê-*as no cenário **pi*alista. Part*-se da pergun*a norteadora: Co*o têm sido delin*ada as inte*venç*es do Estado br*sileiro n* cen*rio capital*sta, no que c*ncerne às estra*égias de *ont*ole da infração prat*cada po* ad**es*entes e *om* vêm sendo imp*eme*tadas as medidas so**oeducativas? O tema a*or*ado nesta pesquisa é com*lexo e *mplo. Nes*e s*ntido, o presen*e e*tudo trata-se de uma pesquisa bib*iográ*ica *e *atur**a expl*r*tó*ia. Constitu*-*e ainda, em uma pesquis* de *bordagem qualitativ*, q*e segundo Minayo (2006) **n*a*enta-se em ** nível *e realidade qu* nã* pode ser *uantifica*o. O pr*cesso crítico de análise dos argumentos teóricos elen*ad*s nes*e estu*o *erá real*za*o a partir do métod* histór**o dialético. Disc*t*-se tem* dessa pesqui*a a partir d* dois e*xos. O pri*eiro eixo o introd*z al*u*as *oncepções r*f*rentes à *ompreensão da violên*ia praticada por adoles*en*es c*mo *ma express*o da quest*o soc*al. O segundo eixo deba*e a a*licabilidade das m*di*as socioe*uc*tivas no cenário brasilei*o, ente*dendo-as como mecanismos simplist*s e reducionis*a* no *nfretamento da v*ol*ncia. O tem* é r*levante, pois p*rmit* * p**blematização sobre a violê*cia praticada p* r adolescentes, como reflexo da* de*igualda*es produzidas pelo sistema capi*alista, *ons*derand* *s as*ectos po*í*icos e s*ci*is q*e permitem *ma comp*e*ns*o co*textualizada da *emática. 2. REFER*NCIAL TEÓRICO 2.1 Questão s*c*al e *iolênc*a na *onte*poranei*ade A vio*ê*cia é um fenômeno complexo, multi*ac*t*do e *ontroverso exi*tente em toda* as *p*ca* e no* dif**en*es tipos d* soc*edade (MARX, 1988). A ap*eensão deste tema reque* * aprofund*mento da reali*ade ***plexa qu* co*sidera o processo d* produç*o e a reprod*ção *oci*l d* violên*ia e s*a manifestação no *enário permeado pel*s contr*diçõe* que, por sua vez, geram a *udança e o movimento na histó*ia. Para o a*rofundamento e Re*. FSA, Teresina *I, v. 1*, n. 5, a*t. 11, *. 200-219, set./**t. 2018 www4.fsa*et.com.br/revista J. B. T. Mor*is, M. D. M. Ferr**ra 2*4 amplia*ão do debat* ac*rca da v*olênci* recorre-se, nesse est*do, às contribui*ões te*r**as *ue e*tend** o tema em uma pers*ect**a crítica. Segundo Engels (1976), a violê*cia tem um papel his*órico impor*ante no sur*imento do cap*t*lismo, mas *cres**nta qu* e*a é um m*io cujo fim o é proveito e*o*ô****; assi*, todos os fenômenos *ondená*ei* como a fome, os baixo* salá*i*s e a servidão reduziriam- *e a *ma palav*a: v**lên*ia. Conforme o autor, o cap*tali*m* é uma espécie de infer*o soci*l ond* trabalhado*e* jo**ns sã* mal *emunerados, vivem sob a égide da discip*ina d*s fábricas, na *ual cl*sse a trabalha**ra *iscriminada e *esprezada, send*, portanto, uma fábrica de é vi*lênc**s. Diante do cenário de explor*ç*o, os *rabal*adores irão reagir de di*erentes f*rmas, entre as quais **tão, o uso in*iscriminado do álcool, o surgimento d*s vícios e a criminalidade *ue, segundo Engels, são fe*ômenos acentuados no c*pital*smo e não pode* s*r ***lic*dos *penas a n*vel individual, ou por palavras do autor, "pela simp*es *raqueza ou falta de ene*gi* dos indivíduos" (ENGELS, 1976, p.**). A revol** ** o*erari*d* vai *xpressar-se a**avés das v*as indi*iduais: * cr*me, a greve, dest*uição das máquinas, o mov*mento *ol*tico em um a cenár*o onde o t*a*alhad*r é comandando p*lo burguês e é disciplinado pela roti*a fab*il. Co*stata-*e, at*avés dos esc*itos de M*rx (*988), Engels (1976) e Sch*nlling (1997), que a violênc*a fo**eceu as cond*çõe* para *ue * m*d* de p*o*ução capital*sta balizass* *ua con*oli**ção e por con*equência, *avorecendo sua *eprodu*ão. Qua*do se pensa na produção e rep*o**ção da vio*ência *a socied*de ca*i*alista, explicada pelos auto*es ***racitados, pensa-se n*la como resultante d* u* cenário *e barbá*ie, mar*a** pe*a luta de *lasses * das relações *xplo***or e exp*orado. É neste conte*to, que a q*estão social su*ge com* r**posta às consequ*ncias *o *apitalismo. Ao p*opor a e*posição c*ítica acerca da qu*stão social, Netto (2001) pont*a que a questão social tem si*o alvo da interv*nção do *stado q*e bu*ca administra* suas *x*ressões * partir de uma interve*ç*o fragm*ntad* e p*rcializada, como *e a questão social p*desse *er trata*a d* forma particular. A que*tão soci*l não * s*mente um *esdob*ame*to das problemáticas s*c*ai* associad*s à oc*rrênc*a em um contexto burguês, e*a e*tá diretame*t* vinc*lada a s*ci*bil*dade gerada pelo co*ando do capital. As *onsequências *o capitalismo in*idem na criaçã* d* um exército de t*abalhadore* que *ão são abso*vido* *elo mercado; contudo, esse *rocesso nã* foi au**máti*o e não pode ser *onsiderado um *rocesso natural, pois todos esses *enômenos têm ca*salidade social. As escolhas da parcela margi**liz**a da população é a submi*sã* *o ass*lariamento, à Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 11, p. 200-219, set./out. 2018 www4.f*an*t.*om.b*/revista Refle*õ*s Acerca d* Vio*ência Praticada por Adolescente* e a Aplicação das Medidas Soci*educa*i*a* 205 mendic*nc*a, ladroagem e as nov*s formas de s**sistênc*a *xistentes *iant* *e uma realidade marc*d* pela pobreza (SANTOS, 2012). *ett* (2005), argumenta que o desen*olvi*ento ca*italis*a produzirá a questão social relacionada à associação do capital, tra*alho e exploração, e *s expre*sõ*s da qu*s**o s*cia*, relacionadas aos desdobramento* soci*políticos. * aut*r c*n*ra suas discussões a partir d* aná*i*e d* capi**li*mo, especific*ment* *os proc*ssos de a*um*lação * produção. Neste cenári* m**cado por ciclos, e *nde * questão so*ial surge associada a uma *rd*m v*gente quem domina é a bu*guesia, cu*os interes*es são os lucros do capital. Aind* no qu* se ref*re à *onstituição ** questão *oci*l, Iamamotto (20*1) discute esse t*ma a partir da *ategor*a trabal**, ao pontua* q ue o processo de acu*ulaç*o a*p*iada *o c*pital viabiliza-s* seguin** a lóg*ca de um **plo movimento, n* qu*l o a*me*to do *api*al r*vela uma a*pli*ção da classe c*pit*lista e da clas*e t*abalhadora. A bu*ca po r pro*utividade, qu* é *roduto dessa a*pliação, alterará o *alor n* arranjo técnic* do trabalho e no valo* *o capit*l. Con**rme Iamamo*to (20*1, p.1*), "a ques*ão social é *ndi*soc*ável das configuraç*e* ass*mid** pelo *ra*alh* e encontra-*e ne*essar**mente *ituada em um* arena *e dis*u**s de processos so***tári*s". A questã* *ocial, port*nto, é parte constit*inte d*s r*l*ções so*i**árias no c*nário cap*talista. Pa*tindo-se do princípio que cap*talis*o é contín**, e que t*mb*m ganha novas o form*s com * evol*ção do tempo, a *is*ussão de Montaño e *uriguetto (2010), pr**õe novas reflexões *cerca do* ciclo* do capita*ismo e de como o E*tado intervém d**nte das mudanç*s soc*e**ria* p*i**ipa*men**, *a sociabilidade *elacionada ao trabalho. **gundo os autore*, no regime de a*umulação *ordist*-keyneisian*, instaurado na segunda cr*se do pós-guer**, além do capitalista, o p*óprio Estado subsidiará * red**ão nos c*stos da força de trab*lho, ao intervir a partir *as políticas so*iai* e nos sa*ários indireto*, a**liando a mai* valia. O objetivo dess* estratégia do Estado garantir a taxa é de lucros a* a*pliar a produçã* e o consumo em **s*a. C*ntud*, * crise de superproduç*o a*plia a desocupação e a subo*upaç*o. A partir de *973, o ca*i*alismo adquire novos contorn*s; s*ndo essa uma f*se *a*cada, nota*amente, pela c**se e po* *x*ansão, do mode*o de acumulação flexível, *a*act*rizad* *ela hegemonia do capital finan*eir* no esc*po da *rise e **n*ialização do capital. Todo o contexto e*p*sto provo*a repe*c*ssões na *u*a de class*s impactos, e* e relação * ampliaçã* do desemprego e o aume*to d** **pregos p*ecarizados (M*NTA*O; D*RIGUETTO, 2010). Rev. FSA, *eresi** PI, v. 15, n. 5, art. 11, p. 200-219, set./ou*. 2018 www4.fsanet.com.br/re**sta J. B. T. *orais, M. *. *. F*r*eira 206 A cri*e do capi*alism* n*o i*c*de somen** na questão soci*l, m*s em uma c*ise estrutural do próprio ca*ita*, media*t* su* infinita expans*o *o tempo que *grega valore* *estrut*vos, sem c***iderar as esf*r** soc**tai* (MÉSZÁROS, 2011). O p*ns*mento expos*o por Montaño e *uriguetto (2010) e Mészáros (**11) conv*r*em n* me*ida que concordam no ponto de *ue o capitalismo está em crise, ge*a*do inúmer*s consequê*cias, principa*mente para o **abalhador form*l, informal e aque*es *ue co*põem o exército de reserva. Dia*t* do exposto, constata-se que, desconside*ar a qu*stão social as*o**ada a conjuntu*a n* qual s* *i*biliza o a*o infrac*onal prati*ado pel* *dol*s*ente, implica *a in*iv*dualização da prob**mática e ausência *a análise crític* quanto ao pap*l do Est*do *a garantia a *feti*ação dos direito* e d* Proteção Social. Ianni (2002), m*nciona *ue tem sido crescente o questionamento diant* do* jo*os de forças políticas e econômicos também *erem consi*erados **a fábrica de violências, de*ta *orma, a violênc*a *dqui*e c*ntornos v*síveis * invisíveis. O *e*ômeno da v**lênc*a na contem*oraneidad* s* manif*sta *e novas formas, ex*mplo, menci*na-se: o seque*tro, * o narcotráfico, violência instituciona*iza*a, a violência urbana, o terrorismo, assim como *utras for*a* que nece*s*tam ser d*svendadas e e*tudadas. Ne**e sentid*, a *esig*aldade é elem*nto que forne*e as base* do fortalecimento da violê*cia urbana. Essa de*igu*ld*de e a segregação urb*na dete*mi*am *on*extos marcados pelo desempr*g*, pr*carizaç*o do trabalho, salários *aix*s e d*f*ciências na r*de *ducacio*al (SANT**, 2002). Con*i*erando a vio*ência no Brasil, Adorn* (*002) discute *ue a sociedade *rasil*ira, *gressa do regime autoritá*i*, vem co*hec*ndo as seguint*s te*dências: o cre*cimen** de c*i**, *as zo*as u*b*nas a*sociado ao aument* de del*tos contra patrimônio e homicídios o doloso*; fort*le*imento do crime *rganiz*do liga*o ao *rá*ico internacional d* droga*, as graves violações de direitos humano* que comprometem a ordem democr*tica; * * aumento de conflitos entre as p*ssoas, os quais convergem para desfechos fatais. O au*or supracitad* disco*re q*e a tr**iç*o cr**inológi*a brasile*ra esteve eminentemente voltada a conter a criminalidad* praticada po* *ítim*s de um modelo e*onômico fundamentado na injusti*a soci**. Embora ess* rela*ão aut**átic* tenha resultado in*onsistente n* medida em que, por um lado, ainda *** a maior part* *os "delinqüentes" penaliza*o* perte*cessem à* cl*sses subalternizadas, e*idenciou-se que não havia a associ*ção major*tári* *essas classes c*m a criminalidade por outro, conc*uiu-se que "o *, problema não resid*a na pobreza, por*m n* *riminalizaçã* dos pobres" (ADORNO, 200*, p. 25). Re*. FSA, T*resin*, v. 15, n. 5, art. 11, p. 200-219, set./*u*. 2018 www4.fsanet.com.b*/revista Reflexões Acerca da V*ol*ncia Pratic*da por A*olescentes e a Aplic*çã* *as Medida* So*ioeducati*as 207 *s relações sociais e os pad*õ*s s*cietá*io* impostos pe*a socialização ba**zad* n* capital sã*, por*anto, perpas*adas por relações de d*mín*o que utiliza* difer*n*es formas de controle *oci*l. A criminalização da questão *ocia* se *nsere co*o uma expres*iva forma de co*tr*le n* realidade *ra*i*eira. *ssa crítica permite vislumb*ar * int*nsid*d* deste p*ocesso que, a*ém de atua* concret*m*nte s obr e o* *ujeitos, por me*o do uso da violênci*, age ideolo*ica**nte através da criminali*ação de s** cotidian* (I*NN*, 1992). No *u* con*erne à questão d* jovem que pratica violência, a situaçã* é ai*da mais agravante na Am***ca L*tina * no Brasil, pois a* m*io*es vítimas, e os que mais praticam atos violent*s *ão jovens. Segundo Santos (20*2), a violênci* pode *er c*nsiderada um mecanismo d* sobre*ivên*ia para j*vens, s*ndo uma est*até**a de r*produç*o *e s*t*res ex*luíd*s das *tividades educativas * *abora*s. *erreira (2005) *firma qu* o ato violen*o deve ser c*mpreendido a partir da aná*ise da t*tal*dade e da *ealid*de *lobaliza*a e dinâmica. A au*ora argumenta que, ent*nder * ato inf*acional pratic*do pelo adolescente requ*r uma le**ura c*íti*a da realidade e a **entificação dos fatores que co*tribu*m *ara que a violência se to**e uma express*o da questão social, pois "os atos praticados *xpressam a* *anifestações *e i**ivíduos e/ou grup*s sociais em ge*a*, nã* se**o p*ssív*l vi*ual*zar em q*e con**ções esta* a*õe* estão sendo pr*ti*ada*" (FERREIRA, 200*, p.6). A maioria dos adolesce*tes, autores *e atos *nfracionai*, e*contra*-se em condições de *o*reza, é do sexo mascul*n*, tem bai*a escolar*dade e com*te cr**es c*mo *oub*s * *orte ilegal de dro*as. Em estatística *nstituciona* realiz*da por anál**e comparativa pelo Minist*rio P*blic* da Uni*o, no q*e se refere ao perfi* d*s adolescent** infratore* en*re os anos de 2*07 e *0*8, ap**cado a *m universo de 750 adolescentes, i*entificou-se *ue 50% d*s *d*lescentes esta*am n* *ai*a etária entre 16 e 17 anos, sendo q*e 80 % na faixa etár*a de 14 a 17 anos. O* *tos in*racionais m*is *raticados for*m: rou*o, lesão *orporal, porte e u* o d* drogas, (BRASIL, *008). A **nte*e de Indi*adores So*iais, **vul*ada em 2015 pelo *nstituto Bras**eiro de Geo*rafia e Estatística (IBGE), cons*ata qu*, en*re os *ovens de 15 * 17 a*os de idade a *requência e*colar acresceu de *1,8% para 8*,3%, send* qu*, *ntre 2004 e 2014 h*uv* *ncli*ação de 32,2% par* *0,0%. No grupo do* jovens de 15 a 29 anos d* idade *ue não es*udavam ou tr*balhavam, *estacam-s* as seguinte* cara*te*ísti*as em 20*4: ma**ria, * (4*,6%), r*sidia nas *egi*es Nordeste o* Norte; a porcentagem alta de mulheres (69,2%) * pret*s ou pardos, (62,9%), eram maioria; ti*ham ***xa escolarid*de, (8,7 anos de estudo, em média), sendo que 29,9% não tinham o ensino *undamental *ompl*to; 58,*% d*s m*lheres Rev. FSA, *eresina PI, *. 15, n. 5, a**. 11, p. 20*-219, se*./out. 2*18 www4.fsanet.com.br/revis*a J. B. T. *orais, M. D. *. *erreira 208 nesta cat*gori* tinham, ao m*no*, 1 filho nascido vivo (I*GE, 2015). Enqua*to e*ses a*pectos da realida*e *ocial brasileira não *orem *roblematiz*dos, as interv**ções voltadas ao adolesce**e em *onflito co* a le* continu*rão pautad*s em uma lógica *e*mentad*. Qu*ndo se trata do *erf*l d* a*ol*scente que *omete ato *nf*aci*nal, é f*nd*m*ntal refletir sobre o lugar e espaço s*ci** no q*a* ele está inserid*. No que tan*e o cená*io da adolescência brasileira, parte-se do pr*ssuposto de que tod*s os jovens deveri*m ter acess* a*s se*s *ireitos sociai*. *em-s* o E*tad* que assume a n*ces*idade d* *aranti* *e *roteção Integral aos direitos da criança e do adoles**nte no cená*io de*ocráti*o, mas não é ques*ionado qu*nd* não **mpre seu* deveres, **pliando o quadro de violênci* estrutural respo*sável pelo ciclo da v*olê*c*a. "Essa co*tradição é reflexo de como a so**e*ade, hi*tori**mente, con*ebeu * ato infraciona* **at*u as e po*ít*cas pú*licas de atend*ment* * criança * ao adolescent*, pro**tan*o *os a*olescentes infratores a sua próp*ia c*nt*ad*ção" (DIA*, *0**, p. *82). A repressão ao* pobres ocorrerá *t***é* d* cárcer* e das po*íticas assistenci*listas que, se*un*o Netto (2010), se materializarão a*ravés das políticas *ociais voltada* a* co*bate à pobrez*. Essa perspectiva *stigmatiza*te atr*bui aos in**víduos a respo*s*bili*ade *or suas dif**u*dades e ause*ta a visão d* tot*l*da*e que conc**e a prod*ção das d*si*ualdades com* resulta*te d*s co*tradiçõ*s do cenário capitalista *ue promove * luta de class*s. 3. *ETODOL*GIA Trata-se de *ma pes*uisa b*bl*og*áfica *e nature** explora*ória que, seg*ndo Lakatos e Marconi (20*6), o*jetiva e*clare*er, des*nvo*ver e modi*ica* conceitos * ide*as pr*p*rci*n**do *o pes*u**ado* maior fam**ia*idade com o problema *o*sideran**, també*, os mai* *ariados aspectos do *ato estuda*o. Constitu*-se, ainda, uma pes*uis* *e abordagem qualitativa que, segund* Mi**yo (2006), fundame*ta-se e* um nível *e realidade *ue não pode ser quantific**o. *u seja, tra*alha com univ*rso de o signif*cados, *otivos, aspirações, c*enças, v*l*res * atitudes, corresponden*o ao *spaç* mais pro*undo *as r*laçõ*s, dos processos d*s fenômenos. e C*nfor*e a autora, o ob*e*o de *studo na pesq*is* qualitativa po*sui um* *o**ciência histórica, *ujo sujeito possu* uma i*enti*ade, e cujo material pro*uzid* essencialmente é qual*tativo, vinculad* a*s interess*s e v*sões d* mun*o histor*camente c*nstruídos. Rev. FSA, *eresina, v. 15, n. 5, art. 11, p. 20*-219, s*t./out. 2018 www4.fs*net.com.br/revista Re*lexões Acer*a *a Violê*cia P*aticada *or Ado*escentes e a A*licaçã* das Medi*as Socioeducativ*s 209 *iscor*er sobre a temáti*a da violência **mo expressão soci*l e as medidas socioedu*ativ*s en*uanto mecanismo de controle aos adolescentes autores de atos inf*aciona*s signif*c* adentrar em uma realida*e p*lêmica, *ujo deb*te tem *i*o peren* * inconclusiv*. Assim, o pe*c*rso meto*ológico desta *esquisa considera a es**ci*ic*dade da Pesqui** Social que pre*oniza o *bje*o deste *studo como histórico, dot*do d* cons*i*ncia *i*tó*ica, reconhecen*o os aspectos ideológico* * as *isões de m*ndo do*ina*tes nas concep*ões te*ricas a*ota*as ne*te estudo. Es*a a*álise qua*it*tiva con*idera o s*jeito *e es*udo " gente, em *m de*ermi*a*o lugar ou grupo social com suas *renças, valores e sign*fic*dos" (MINAYO,200*, p. 20). O processo crítico de a*ál*se dos dados elencado* neste estudo será r*alizado a partir d* m*todo históri*o d*alético. O mét*do *aracteriza-s* p*lo *ovi*e**o d* pensam*nto a*ravés da materialidade histó*ic* da vida do* ho*ens em sociedade, is** *, t**ta-se *e *escobr*r a* leis f*ndam*ntais que def**em * fo**a o*ganizativa d*s hom*ns *urant* a história da humani*ade (IANNI, *982). 4. RESULTAD*S E DISCUSSÃO 4.1 A a*licabil*dad* das *edidas socioeducativas no cenário br*sileiro Os adolescentes brasil*iros *o*am historic*mente a*sisti*os po* tratament* *nstitucional repres*ivo e punitivo, *rincipa*mente aqueles que c*metem atos infracionais. Nes*a esfera, *s *e*idas socio*duc*tiva*, nesta pesqu*sa, são con*i*eradas mecanismo* fragmentado* e simp*istas de lidar c*m a que*tã* s*ci*l, as **a** implicam recon*ecer que o probl*ma não e*tá no ado*e**ente que comete o ato infr*cional ou na sua família, *as nas *ró*rias decisões do Estado que, em um cenário capitalista, não *u*pre o que p*eco*iza* as lei*, o* se*a, não ef*tiva os direitos sociai* con*titu**onalmente *esgu*rda*os e *ue devem obrig*toriamente, ser efe*i*ados. Nesta esfera, a legisla*ão brasilei*a voltad* p**a as cr*ança* e adolescentes, tev*, ao lo**o do temp*, **mpromisso c*m as *deologias d*minantes e o projet* de sociedade de um Estado *epressor e autorit*r*o. A implementação das pol*ticas públicas *e ate*ção * crianç* e ao adolescent* no panorama de Proteção So**a* b*a*ileiro fora* marc***s pel* assiste*cialis*o e pel* repr*ssão *s*ata*. Em g*ral, as políticas públicas foram de**neadas em um cenário circ**scrito pelas desigualdades sociais decorrentes do modo d* p*odu*ão Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 5, ar*. 11, p. 200-219, s*t./out. *018 ww*4.f**net.com.*r/revist* J. B. T. *ora*s, M. D. M. Ferre*ra *10 capitalist*, * pela presença d* segmentos conservadores que im*ediam pro*ressos expressivos na *aran*i* **s direitos sociais. *a esfera *a efetiv*ção dos di*ei*os da cri*nça e *o adolescente, S* (2007) menciona três pers*ectiv*s dos si*te*as *urídi*os vo*tadas *o adolescente qu* comete inf*a*ão, sendo essas: A Dou**ina do Direito Penal, a Doutrina da Sit**ção *rregular e * Do**rina de Prote*ão Inte**al. A Doutrina Penal do Meno* é **a perspec*iva reduc*onista, bal*z*da no direito penal que focaliza sua in*ervenção no cometimento *o ato *nfracio***, não h*vendo nenhum tipo de proteçã* à infâ*cia e adolescência. A Doutrina de Sit*ação Irregular, preco*izada no **digo de Menores e da D*utrina de S*tu*ção Irregular, entende o ato infracion*l **quanto e*tado de *r**sgr*ssão socia* pass*vel de recuperação através d*s interv*nç**s d*s inst*tuições voltadas aos adoles*entes que i**ri*gem as no*mas sociais. A D*utrin* de *roteção I*t*gral resp*l*a * corpo jurí*ico do Estatuto da Cria**a e d* Adolescente, pressupõe * cr*ança e o ado**s*ent* *o*o suj*ito *e dire*t*s e deveres. As duas prim*iras persp*cti*a* expostas *ocal*zam a compre*nsão do at* infraciona* pr*ticado pelo adolescente a p*rtir de u** prerrogativa *n*ividualista, na qual re*ponsabi**dade do ato a é ex*lusivamente do produtor do delito. *a Doutrin* de Pro**ção Inte*ral rec*nhec*-s* * adolescente com* suje*to i*ser*do em uma con*u*t*ra sociopolítica, n* qual o **o *nfracional é alvitre do meio (SÁ, 2007). A concepção de m*nor, no perí*do d* 1927 a 1979, que v*g*ra d* *ou*r*na Men*rista, situa o trato da ques*ão social dos adolescentes em u*a pers*ectiva hi*t**i*a. A* c*i*nças e adolescentes em s**uaç*o de ab*ndono fo*am alvo de p*eocupa*ão das *ategorias pro*issionais e do Estado, pri*cipalme*te dev*do ao grande conti*gente de cria*ças na* r*as no i*íci* ** século XX no Br*sil. As autor*dades conc*biam os "menores" como *arginai* em poten*ial por viverem na* ruas e em ambientes que, p*ra a *ociedade, não *ram c*nsonante* as *eg*as *ociais. A partir do fim dos an*s 20 e in*cio da déca*a de 1930, *averá a ampl*ação das ins*ituições corpos técni*os responsávei* pela *epressão. A *xemplo, pode-s* menci*nar e * surgiment* *os ins*itutos de a*olhimen*o a* *hamado "*enor aba*donado", cr*ados através do **digo de Menores com o **jetivo de criminalizar criança *obre * em situ*ção de a a*andono. * in**ito de*ses locais er* r*cu*er**, disciplinar, higieni*ar, * trato da *opulaçã* infanto-j*venil e fr*gilizar a instituição familiar, ao manter * vigilân**a sobre as família* po*res que pod*riam per*er a gua*da do* filhos para o Es*ado. * *ódig* de M*no*es de**tou o primeiro avanço ** resguardo legal dos di*eitos dos *ntit**ados "*enores", **rsa*do sobre a questão do menor **andonado, presum*ndo *rot*ção *ev. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 11, p. 200-219, *et./out. 2018 **w4.fsanet.co*.br/rev**ta *ef***ões Acerca *a Vi*lência Praticada p*r *dolescentes e a Apli**ção *as Me**das So*ioeduc*t*vas 211 aos menores que não p**suí*m casa, alimentos e saúde, devido à fa**a d* pr*visão *os pa*s; *ue **am vítima* de *aus *ratos, *bu*o de autor*d*de e ex*lora*ão por parte do* *ais, surge *inda a Libe*dade Vigia*a (BRASIL, 1927). *odavia, * código era cen*ra*o em *ma perspectiva puni t i *a e criminal**ada da pobreza, ** *edida em que não con*idera a c*njuntura soci** em que ess* f*m*l*a está i*s*rida. Po*e-*e afir*ar qu* essa expressão da *ues**o soci*l fora tratad* a partir de uma perspectiva de *igilância e punição. A Do*tr*na de Situação Irreg*lar vers* *obre * *ssistência, p*oteção e v*gil*ncia a m*nores até 18 a*os q*e se e**o*tram em S*tua*ão Ir*egular, e em cas* expresso na lei, quando se tra*a de *umpr*mento d* medida de carát*r prevent*vo apl*ca-se entre *8 aos 21 ano*. * me*o*, em si*uação irr*g*lar, *ra aq*ele cons*d*rado v*tim* de omissão e falta dos p*is, aquel*s, cujos pais eram im*ossibili*a*os de prover-lhes; ** que *e en*ontravam e* amb*entes *ontrários às reg*as da sociedade, os que possuíam *esvio de conduta e *s autores de atos infracionais (BRASIL, 1979). Neste *onte*to, surg*ram as primei*as *nstituições respo*sávei* pela Assistência e Pro**ção a* Menor criadas p*lo poder públi*o, *lém da d*sposição das medi*as d* assistência e pro*eção ao *enor. O Código de Menores e a Doutrin* de Situação I***gular rep*ese*taram signi*icativos marcos na l*g**lação v*ltada * *rianças * adolesce*tes, t**avi*, foram dur*me**e criticadas, como por *xemp*o, pelas próprias term*nologia* utiliz*das *ue designavam o adol**ce*te, como: "vadios", " menores" e "internados\. Silva (2010) discorre que a Dou*rina Menorist* já surge defasada e não *epresenta*a os interesses *os o*ga*ismos nacio*ais, internacionais, da sociedade e dos movimen*os sociais. Esses segmentos fizera* *uas críticas a** cód**os *enoris*as: a primeira, rel*ci*nada * *er*inologia p*econcei**osa" m*nor", *u* e*a as*oc*ada a c*nd*ç*o de po*reza e a situação irregular, e a seg*nda, refere-s* ao fato *e qualquer a*olescent* sob suspeita poder ser apree*di*o, sem acesso à d*fes*. A Do*t*in* *enorist* du*ou por lon*os anos *em ser qu*stionada. Sil*a (2005) at*ibui o "si*ê*cio" aos inter*sses políticos * econô**cos dos pol*ticos q*e estavam no poder durante *s*e *eríodo. * Doutrina *enorista foi super**a n* ano de *99* e * proteção às cria*ça* e adol**cent*s a*quire n* vos contorn*s co* * promulgação do Es*atuto da Cria*ça e d* Ado**scente na dé*ada de 19*0, *en*o este re*ul*a*te da lu*a dos mov*mentos *oci*is. "O sil*ncio só foi quebrado em 1990, em raz*o do* objetivos *ins d* Có*i*o e de Me*o*es *e 197* e de se* paradigma da situação irregular terem sido superados" (SILV*, 2*05, p.35). * Estatut* da Criança e *o Adoles*ente surge no cenário mundial ** fortal*ciment* das políti*** p*blicas *oltadas às c*iança* e adolescente* balizada* em duas tendências: e a *rimeira t*n*ência foi a criação das re*omendaçõe* e nor*ativas por parte dos orga*ismo* Rev. *SA, *eresina PI, v. 15, n. 5, art. 11, p. 200-219, set./out. 201* www4.fsa**t.c*m.br/revista J. B. T. M*rais, M. *. M. Ferreira *12 int*r*acionais, entre os q*ais e*tavam: As *egra* de B*ijing, as Recom**daç*es *20, o* princ*pios *e R*adh *ara p*evenção da violência **venil e as Regras de Ha*ana. Es*as le*s, recomend**ões e nor*ati*a* *nter*acionais *u*g**am nas *écad** de 1*80 e *990, e se dirigira* ao govern* e a just*ç* especi*liz*da. A segu*d* tendência q** surge na d*c*da *e 19*0 recai na pressão da socieda*e *nd*st*ial pa*a revert*r as *olíticas libera*s voltad*s aos ado*escentes em u* cená*io *e ampliação do co*etimento de atos i**rac*onais no mundo. Surge à justi*a e**ecia*izada para jovens, precon*zan** os programas de ap*io comunitário d* caráter preve*tivo (ADORN*; BORDI*I; LIMA,**99). As publ*cações de Silva (*010) *reconiza* a pe**pec**va crítica da form*lação d* Est*tuto da C*iança *o *dolesc****. A autora traz, c*mo eleme*tos p*r* a discu**ão, as e *esconti*uidades e continuidades do ECA. Assim, os es*udos es*ari*m m**s *ocalizados na pers*e*tiva do ECA como rompimento de paradigma, na perspectiva que versa sobr* o fat* d* o *CA ter e**m*ntos nor*ea*or*s *e*dados das l*gislações anteriores a sua promulgação. O contex*o histó*i*o internacional de elab*ração da refe*ida **g*slação foi *arc*do pelas inúm**as mu*a*ças que, sendo ins**i*a* pelo *urgimento da glob*lizaç*o, entre as qua*s es*avam: as m*danças *a relação c*pital t*abalho, m*danças no padrão fordista de p*oduç*o, avanço do si*t**a de ac*mulação flexíve*, reestrutura*ão produtiva, desemprego, * juv*ntude que contes*ava *s p*drões so*iais da época a p*rtir da in*ub*rdi*ação ao Es*ad*. As *onsequências desse ce*ári* fora* o xenof*b*smo, intolerância zero, int*nsifica*ão *as mi*r*ções, aumento da *obreza o a*arecimento da* e nov*s expressões da ques*ão social (SILV*, 2005). O ECA fo* uma con*uista tardia na l*ta pelo* dire*tos soci*is * infâ*cia e à adoles***cia, e reflet* a vitó*ia dos m*vimentos s*ciais. Foi uma garant*a leg*slat**a elabora*a em m*io ao fortalecimento do *eol*beralism*, a*nda no *ove*n* do *resid*nte Fernando Col*o* de Mello e tem, como *novaç*o, a criação do Sistema de *ara*tias de Di*eitos * a possi*ilidade da *articipa*ão popula* a partir da cr*ação dos Conselhos Tutelar*s e Conse*ho* Municipais d* Criança e do Ad*lescente. O Estatuto sistematiza os direitos da* crianças e dos adolescent*s, norteando a lei a partir *as políticas sociais dir*cionadas a que*t*es específi*a* (*ILVA, 2005). Quanto ao tr*to do ado*escente que come*e *to i**raciona*, tem-*e a aplic*ção das medidas soc*oeducativas, *ed*das **sas *e*e*h***es às mencion**as no C*d*go 1979 que era* centra*izad*s no poder d* E*ta**. O* seja, tem-s* o trato do *d*l*scen*e que *om*te ato *nfraci*nal e* *ma p*rspectiva vigila**e. *s m**idas socioe*uc*tiv** nã* *ossuem um Rev. FS*, Teresina, v. 15, *. 5, *rt. *1, p. 20*-21*, set./*ut. 2018 www4.fsa*et.co*.br/rev*s*a *ef*exões Acerc* da Violência Praticada por A*ole*centes e a Apli*ação *as Medidas Socioeducativas 213 *aráte* inovado*, ap*sar de propor a perspec*iv* pedagógica quando h* cometimento *e ato infracional, elas *inda sã* r*spaldadas em leis cr*adas com foco *a *uniç*o. Entende-se po* medida* *ocio*du*ativas, as *re*ista* n* art. *12 *a Lei no 8.069, de 1* d* j u* *o de 1990 (**tat**o da Criança do *dolesce*te), ** quais t*m por o*jetiv*s: e responsabilizar os adolescentes que cometem ato infrac*on*l, re***var a c*nduta infracional * p**tir d* e*e*ivação *os l*mites pr*vistos na lei e integraçã* s*c*al *o adolesce*te, a partir da garanti* *os s*u* dire*tos i*dividu*is e so*iais (BRASIL, 2012). Segundo o *s*atuto d* Cria*ça e do Adol*sce*te, a*ós d* verificada a *rá*ica *e ato infr*cional, * au*oridade compe*ente, no caso o ju*z da infância, **ós a análise d* capacidade do adolescente em cumprir a medida das o**rrências do fato e da seried*de da *nf*ação pode*á aplicar ao ado*escente as s*guintes medi*as: advertência ou obrigação *e repara* o dan*; prestação de serviços * comunidade (PS*); *iberdade *ssi**ida (LA); inse**ão em regime de semi*iberdade e i*tern*ção e* esta*elecimento e*u*a*ion*l. No *no de 2012 é cri*do o Si*tema Nacio*al Socioeduc*tivo (SI*ASE). A lei nº 1 2 .5 9 * , d e 18 d* *aneiro de 2012 estabelece * *is*ema Nac*on*l de At*ndimento Socioeduca*ivo e regulamenta a exec*ção *as me*idas so*ioeducativas voltadas a*s a*o*e*centes que cometem ato infracional. *ste é *m *rdename*to ju*ídico que envolve a i*plemen*ação de medidas socio*d*ca**vas, em ní*el municipal, *stadual e federa*, * partir de planos, e * *e*envolvimento de políticas públicas v*ltada aos a*olescentes en*re 12 e 18 anos e, e*ce*cionalmen*e, aos 21 a*os. A Po*ítica Na*i**al d* Atendimento Soci*edu*ativo e o Sistem* *acional Socioeducativo t*ata*-** de est*a*égias estatais pau*adas n* manej* dessa problemática social, com intuito de conhecer perfil desses adol**centes e traçar es*r*tégias par* o seu o o acompan*am*nto. * SI*ASE preconi*a a revers*o da tendê*cia cresce*te de *nternação dos a*olescentes e, ao mesmo tempo, condena o trata*en*o ho*til e arbitrário, q*e é e**abe*ecido a este se*ment*. O recente levan*ament* anual do SINASE referen** ao an* de 201* sinaliza *ue, no *no de 20*4, houve um total de 24.628 **olesc*ntes cumprindo medi*a socio*duca*iva de i*ternação e 67.356 adolescentes em *umprimento de medida s*cio*duca*iva em meio *berto (*RASIL, 2017). Observa-se, * partir da compar**ão d** *ados, o aumento exponencial dos númer*s de adolescen*es que cump*em me*idas socioeducati*as (BRASI*, 2014). Quand* s* tra*a do p*rfil do adolescen*e q*e come*e ato infracional, é fu*dament*l refl*ti* sobre * lugar e espaço s*c*al em q*e o mesmo *stá in*erido. No que ta*ge o cená**o da *dolescência brasile*ra, parte-se do pre*suposto d* *ue to*os deve**am t*r ac*sso à Rev. FS*, *eresin* PI, v. 15, n. 5, **t. 11, p. 2*0-219, s**./out. 2018 w*w4.fsanet.com.*r/revista *. B. T. Mo**is, M. D. M. Ferre*r* 2*4 ali*ent*ção, saúde, educação, *limentação, ter pr*teção em seu des*nvolvimento físico, mental e psicossocial. T*m-*e o Estado que assume a n*c*ssidade da garantia de direitos no ce*ário *e**crá*i*o, *as *ão * qu*stionado quando não c*m*re *eus d*veres, ampliando o quadro de violência *st*utural responsável pelo ciclo da v*olência. "**sa contradiç** é reflexo d* c*mo a soc*edade, hist*ric*mente, conce*eu o ato i*frac**nal e trato* as pol*ticas pú*lica* de *tend*ment* à criança e *o adoles**nte, pr*jetando nos *doles*e*tes infratores a sua *ró*ria con*radiç*o" (DIAS, 2007, p. 1*2). *uditoria realiz**a p*l* Tribun*l d* C*ntas da U*ião (TCU) apontou inúme*os desafios par* * e*eti** i*ple*entaç*o do SIN**E, entre os quais destaca*-se: a necessid*de *e fiscalização e monitora*ento dos p*og*amas de exec*çã* Soc*oeduca*ivo; a a*pliação de Varas, Prom*tor*as e *efenso*ias P*blicas esp*cial**adas; o *stabel*cimen*o de u*a *ede de int*ra*ão entr* os dive*sos entes da Federação (União, Estado*, D*st**t* Feder*l e Muni*ípios); ent*e os Poderes (Executivo, Judiciário e Leg*slativo) e o M*n*s*éri* Público; o *onhecim**to da realidade do sistema soci*educativ* e d* doutrina *a proteção Integr*l p*r *ar*e dos atores *o s**t*ma (BRASIL, 2006). O* avanços l*gais volt*dos à infância e ado*e*cência n* *ras*l ocorr*m em um *on*e**o de r*estruturação produtiva * *res*ente redução dos orç*m*nt*s voltado* para as pol*t*cas da criança e do adoles*ente (SI*VA, 2005). O contingenciamento das ve*bas e o* cortes dos programas so*i*is, c*ja execução é re*guardada constit*cionalme*te, tem a**tado os Sist*mas d* Sa*de, Educação, Ass*stência Social, ass*m *omo as *olíticas voltadas a soc*oeducação. O *INASE é custeado *o* r*cursos d* *eguridade S*cial, além dos orçamen*os provenien*es d* União, E*tado, Dis*rito Fede*al e *uni*í*ios (BRA*IL, *012). O cená*io de cerceam*nto *os recursos *ol*ados par* S*gu*idade Soci*l brasilei*a *eflete nas condições das *nidad*s de *nter*ação e semiliberdade p**a *dolescentes. Assim, o *e*at*ri* elaborado pelo Cons*lho *acional do Ministério Pú*l*co, ano de 2013, co*f*rma qu*, no Brasil existem 321 unidades de int*rnação *rov*sória e definitiva, sen** a **io* concentração nas regi**s Sude*te e N*rdeste. *s est*dos d* Cear*, Paraíba P*rnambuco, e apr*sentam as maiores taxas de *u*erlotação. No Sudes*e, a lotação está em 11*% nas uni*ades d* aten*im*nto. No qu*si*o *alubridad*, ma*s *a metade d*s *n*dades de internação situadas *o Cent**-Oeste, No*deste e Norte, fora* *a*as como in**l*br*s, assim consideradas s*m h*gie*e e conservaç*o, **m *luminação e **ntilaç*o. *erificou-se, nas inspe*ões das unidades de in*er*aç*o que não *av*am s*las de *u*as equip*das, i*uminadas e adequa*as, com su*or*e de bibliote*a. N*o há nas *nidades d* intern*ção a at*nçã* devida à Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 5, art. *1, p. 200-219, se*./out. 2018 www4.fsa*et.com.b*/r**ista Re*lexões Acerc* ** Vi*lê*cia Praticada *or A*ol*scentes e a Aplicação *as Medidas Socioedu*ativas 215 dis*on*bilização *e espaços par* a prática de e*po*tes, cultura e l*ze* precon**a*os nas diretrizes do S*NASE (CNM*, 201*). N**ta perspectiva, as instituiçõ*s cr*ad*s com o intu*to de garantir os di*eitos de crianças e *dolescentes ainda rep*oduzem a lógica repres*iv* ins*aurada pelo Código de Menor*s. Essas instituições são loc*is que produzem v**lência antes e d***nte o processo de institucionalizaç*o, não podendo ser considerado um mecan*smo de emancipaç*o social que *up*re a* históricas p*áticas de controle p*omovidas pelo **tado. 5. *O**IDERAÇÕES FI**I* Di**utir a violência c*mo expressão da qu*s*ão s*cia* n* cená*io brasileiro, impli*a *uest*on*r o s*stema leg*lista volta*o à respons*bilização jurídic* de u* perfil esp*cífico *a população b*asil*i*a, no caso, os adol*scen*es pobres, negros advindos d* r*giões com e acentu*das desigualdade* sociai*. Assim, es** **sq*isa pr**ende *nstiga* no leitor o q*estionamento e* to*n* de que* é o ad*l*scente *ue tem s*d* o públi*o alvo do *te*dime*to *ocioedu*ativo e *ara quem têm *ido direcio**d*s as p*líticas de ate*di*e*to so*ioedu**tivo. A comp*eensão d*ss* temática em s*a *ot*l*dade, re*uer o *ue*tionando *m torno da lóg**a ***plist* de opera*i***lização das po*íticas sociais *oltadas a essa *arce*a espe*ífica d* populaçã*, c*j*s de*d*bram**tos acab*m po* contribuir pa** produção * reprodução da violência, assim com* para criminalização da juvent*d* pobre. Questiona-se o pap*l d* *stado na regu*a*ão da pobreza quando se utiliza de aparelhos de controle e es*igmatiza um* p*rcela da pop**ação po*enci*l**nte perigosa. Desv*la-se, ai*da, a violênc*a *rat*cada por *do*escentes na real*dad* b**s*lei**, **tegoria essa q*e *em sendo assisti*a por tratamento *ns*ituci*n*l repressivo e sa*cionatório, p*in**palmente aqueles *ue cometem at*s infraciona*s. As políticas p*blicas voltadas * crianças e ad*lesc*n*es for*m inicialm*nte elaboradas po* um Estado repr**so* da in*ância pobre e que *reconizava a " recupera**o" desse p*blico e* instit*ições "ressocializadoras". *econhecia-*e a *iolência como at* de do*inação, associado ao rompi*e*to *** regras *ocia*s; contudo não se dis*ut*a o tema, pens*n*o que aqueles jovens punid*s desde o B*as** co*o*ial foram alvo d* c*nt*o*e repressivo das elites dominantes, *em como for*m as maio**s vítimas de *iol*ção de *ireit*s. O Estatuto da Criança e do *dolesc*nt* surge como uma lei q*e visa garantir a *roteção de Crianças e Ado*escentes, incluindo aqueles *u* cometeram ato infr*c*on*l. Rev. F*A, Teresina PI, v. 15, n. 5, art. 11, *. 200-219, set./out. 2018 *w*4.fsa*e*.com.br/revista *. B. T. Morai*, M. D. M. Fer*eira 2*6 *ontudo, apesar *as *n*mera* contribuições *ess* legislação, *s polít*c*s públi*as *ol*adas ao púb*i*o infa*t*-j*veni* aind* apres*ntam *esquícios da le*isla*ão m*norista * não *em gar*ntid*, na p**tica, a efet*v*ção dos direitos sociai* desses sujei**s. Neste es*opo, as medi*as *ocioeducativ*s *ão re*pos*as fornecidas *elo Estado *e*liber*l à s**ied*de regida pela lógica dos d**eitos. A es*e* ad*lescentes s*o exigidos o *um*r**entos *e dev*res, ao tempo qu* o Estado não cumpre seus dev*res. Nest* perspectiva, a infração juvenil c*mo e*pressão da questã* socia* *ão p**e ser problematizada sem cons*dera* o contexto do capitali*m* avançado, m*rcad* mu*dializa*ã*, consumism*, gl*bali*ação * m**anças **s padrões sociais. As *edi*as socioeducat*vas não foram criadas *m um modelo de socie*ade revolu*ioná*io, m*s sim, *m um mode*o de so*ied*de, n* qual prevale*em os **tere*ses *ominante*. É pr**iso refletir até que po*to o ECA rea*men*e romp*u co* a *óg*ca da despro*eção, até qu* ponto *le gar*nte Proteção Social, q*and* ele é regido no modelo soc*oj*rídi*o d* contro*e do Es*ado *ob** as relações sociais e, aind*, anali*a* d* forma críti*a o funcionamento d* sistema s*cioeducat*vo bra**leiro. *fina*, as medid*s s*cioeduc*tivas *ar***em a pro*eção i*tegral de ad*lescentes? A perspect*va ped*gógica prop*sta pelo ECA *em sido operacionalizada? Por *im, e*se constructo te*rico é rele*ante, pensa*do-se o cenári* socioeducati*o que *em sendo *onstantemente quest*ona*o em deba*e acerca da redução da maioridade pen*l, bem como o fato de os a**le*ce*tes, a*esar da garantia à prioridade na* políti*a* públicas, n*o terem tido seus direitos *s*egurados na realidade brasilei*a. Ac*esc*nta-se q*e as proble*atizaç*es do* *ixos temáticos ne*sa pesq*isa, não se *sgotam e n*c*ss**am de ma**r a*rofu*damento * discussão em estudos a *e*em real*zados posteriorme*te. REFERÊNCIAS ADORNO, S. 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FSA, Teres*na, v. 15, n. 5, *rt. 11, p. 200-219, set./out. 2018 www4.fsane*.*om.br/revista Refl*xões Acer*a da Violência Pratic*da *or Adoles*entes e * Apli**ção das Medi*as Soc*oeducativas 2*9 C*n**ibuiç*o do* Autores J. *. T. **rais M. D. M. Fer***ra 1) conc*pção e pla*ejamento. X X 2) análise e interpretação dos dados. * X 3) elaboração do rascunho ou na **vis*o c*ítica do cont*údo. X X 4) participação na aprovação da vers*o final do manuscrito. X X Rev. *SA, Teresina PI, v. 1*, n. 5, art. 11, p. 200-219, set./out. 2018 www4.fsane*.com.br/re*ista

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