www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 6, art. 1*, p. 204-229, nov./dez. 2017 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2017.14.6.11 Saúde Mental na Infância: o* Seus Ri*cos e Desafios na Contemporanei*a*e Mental H*al*h In Ch**dren: Its Risks **d Challenge* In Contempo*anit* K*tiana Rod*igues dos San**s Gra*uação em P*ico*ogia p*l* Faculd*de Mauricio de Nassa* E-m*il: katyrodrigu***107@gmail.*om Dorinaldo de *reitas Ci*tra Junior D*utorado em Ciênc*as *a Saúde pela Fac*ldade de M*di*ina do AB* *estre e* Ps*cologia pel* U**versida*e de Fortaleza Pr*f*ssor do Ce*tro Univers*tário Maurício de *ass*u E-mail: dorin*ldo*r@g*ail.c*m Ruth Raq*el *o*res Faria* Dou*ora em Biotecn*logia em Recursos Naturais pel* Universidade F*d*r*l *o P*auí P*ofe**ora da Faculdade *e *nsin* Superior d* Piauí E-m**l: *uthraquelsf@gmail.com E*dereç*: K*tiana Rod**g*es d*s Santos *ditor Cien**fico: Ton*y Kerle* de Alenca* Rodr*gues Rua F*ancisco *licér*o 807, CEP 6**11055. For*aleza - CE. Artig* rec*b*do em 07/08/2017. Últim* v*rsão re*ebida e* *5/09/20*7. Aprovado em 16/09/201*. Ender**o: Dorinaldo de Freitas Ci*tra Juni*r Centro Universitário M*uríci* d* Nassau - Av. *valiado p*lo s*s*ema *riple Review: *) Desk Review Aguanamb*, 251 - José B*nif*c*o, CEP 6*040-080, Fortaleza - CE. *ndereço: Ru*h R**uel Soa*es Far*as Sec*e*aria *e Justiça e Direit* Hum*nos, Colônia Agr*cola Major César *e **iv*ira, BR 343, *EP 64000- 000 - *lto*, PI. pelo Edit*r-Chefe; e b) D*uble Blind Review (avaliação *eg* po* dois avaliadores da área). Rev*são: Gr*mat*cal, Normativa e de Formata*ão
Saúde Me*tal *a Infânci*: os Seus Riscos e Desafios na Co*temporan**dade 205 RESUMO Este artigo ap*e**nt* uma inve**iga*ão *o**e a psicop*tolog*a infant*l e a saúde me*t*l na con*emporaneidade, partir do* d*s*embramento* conceituais e c*í**c*s * *ue represent*m a clínica na infâ*ci*, com p*ofissio*ais que tr*balham *a área de saúde mental infantil. O objet**o da pesquisa fo* examinar os possíveis fa*o*es de ris*o biopsic*s*o*iais e condições que envolvem * surgime*t* da psicopatologia n* infânc*a. * metodologia desse estud* con*igura uma p*sq*isa qualit*tiva de nat*reza de*c*it**a e e*p*o**tório, q*e ut * l * * ou e*tre*i*tas s*mies*ruturadas *o* *rofiss*onais *ue trab**h*m diretame*te com a clínica da saúde m*ntal infantil em equipamentos soc*ais e no consultório. Os resu*tados trazem um a análise acerca d*s cara*terísticas sociais n* atualida*e, de*perta*d* uma v*são reflexiva a respei** do s*frimento i*fantil, ao rec*nsiderar o lugar das crianças no seio d* *ua família, e conte*tualizar como as rel*ções c*ntribuem na forma*ão de um mal-estar na criança. Co*sidera*os a*nda que ferramentas di*gnósti*as que poss*bilitem um* iden*ific*ção pr*coce dos problemas de d*senvolvimento psi*oa*etivo na infâ*cia, como IRDI e o AP3, p*dem assegur*r uma base mais *ólida ao cuida*o que envolve as psi**patologias i*fantis. Palav*as-chave: Psicopatolo*i*. Fator*s *e Risco. Doença Mental. *esenvolv*mento Infantil. AB*TRA*T **is article pres*nts an *nvestiga*ion int* children's psychopath*lo*y *nd m*ntal heal*h at contemporar*, fr*m the *onceptual a*d c*inic*l dismem*er* that represent **e childh**d clinic, with p*o*essionals *ork*ng ** the area of infan* m*ntal health. The objectiv* of the resea*ch was to exam*ne the po*ential bio*sy*hos*cial r*sk factors an* condi*ions involving the *merg*nc* of c*ildhood psy*hopath*logy. *h* methodolog* o* th*s *tudy *onfigure* a qualita*ive sur*ey of desc*iptive and explorator* nature tha* utilize* interstructured inte**iews with pr*fession*ls who work directly with the childr*n's mental h*alth c**ni* in social equi*ment an* ** the of*ice. The r*sults bring an ana*ysis *f *he soci*l *ha*act*rist*c* presently, arousing a reflectiv* vision regard**g child sufferin*, while recon*ide*ing th* *l*ce of child*en within *heir family and *on*extualizing as relations*ips *ontrib*ting to the f*rmation of * *nease i* the chil*. We als* consider that diagnostic tool* that e**ble an early *denti*i***i*n *f the *r*blems *f psychoaff*cti*e d**elopment i* childhood, such as IRDI and AP3, c*n e*su*e a more solid basis for the ca*e that invol*es children's psychop*t*ol*gy. K*ywords: Psy*ho*ath*l**y. Risk Factors. *e*tal Illness. Child De*elopment. Rev. FSA, Ter*si*a *I, v. 14, n. 6, *rt. 1*, p. 204-229, n**./de*. 2*17 www4.fsa*e*.com.br/revista K. R. S*nto*, *. *. **ntra Ju*ior, R. R. S. Farias 206 1 INT*ODUÇÃO A infância pode ser descrita co** uma fase qu* *e *nicia n* vida de u* su*eit* d**de seu *a*ciment* *té a adoles*ência. Existem concei*os de infân**a q*e *ofr*ram várias altera*ões e dife*ente* significad** ao longo do t*mpo. Havia am*iguidades *m re*aç*o *o c*nceito do que se**a *er criança em d*f**entes c*rcun*tân*ias, ent*e ela* * i*ocência e a **purez*, *omo se davam suas car*cterís*ic*s e se eram *dquiridas ou in*tas. Além di*so, acredita*a-*e q*e as *rianças *ram s*res moldados, **i* *s adult*s colocavam o pens*mento *ue p*deriam atr*buir a*s *eq**nos s*us modos de pensar, agi* e os *ons costumes d* s*cie*ade n**uela época. *s adul**s da e** medieva* a*ha*a* que crianças eram co*o folhas em branc*, *u* pode*ia* ser *sc*itas de tal m*ne*ra *ue sua *duc***o era for*ada para a v*da a*ulta. Nos séculos XV, XVI e XVII, houve o reconheci*ento *o descobrimento da infância * perceberam que as cri*nças teriam que ter um *odo de ed*cação e cuidados d*fe**ntes ao* q*e eram *ados pa*a os adul*os (*E*W*OD, 20*4; ARIES, 1*78). N* c*ntex*o nacional, podem*s apresentar q*e o ce**rio e* *e*açã* *o direi*o *a crian*a e do adolescent* co*eço* a m*dar e* me*dos da década de noventa com o Est*tut* *a *riança e do Adol*s*ente (ECA) n* *rasil. Foi um pass* importantí*simo para mudar * *ituaçã* em *e*ação * proteç*o d* c*ianças * jovens. É importan*e que to** profis**onal *ue trabalh* n* área da i*fância ten*a conheci*en*o sobre o E*A e seus d*reit*s *d*uiridos, * entenda qu*is sã* os prejuízos de uma infância c*m desenvolv*me*to n*gli*ente. Obse*va-se q*e os f*tores de risco que mais contribuem *a*a o desenvolv*mento da psicopa*ologi* * uma c*iança durante o *eu d*senvo**imento sofrer alg*m ti*o de agr**são física o* psicológi*a; abusos e desc*s*s geralment* cau*a* *feitos n*gativos no curso d* vida do suj*ito (M*IA; *ILL*AMS, 2005). Há vá*ios **ent*s estressores - q*aisque* acon*ecime*t** ou mudanças no ambiente - que acontecem dura*te vida, os *uais pod*m inf*uenciar u* a*to g*au de conf*ito que * in*erfe** nos *adrões norm*is de *id* *o suje*t* nem a famí*ia, *em a sociedade, muitas e vezes, conseguem recon**c*r a import*n*ia de *ma infância tranqu*la sem os acon*ecim*n*os (R**P*LD, 2002). Na visão ** Sp*nk (2001), ex**t* um* s*rie de fa*ore* d* ris*o com* a premat*ridad*, o sofrimento neonata*, a patologia so*ática pr*coce, as separ*ções prec*ces, sepa*ação do* *ais, faleciment* de a*gum membro *mportante da fam*lia para a cr*ança, a **tuação socioeconômica e a situação escolar, entre outr**. O ent*ndi*ent* de risco seria possibilitar * indag*ção de mudanças que vêm acontecendo *as f*rm*s de *ont*ole soci*l, que nos permite **v. FSA, ***esina, v. *4, n. 6, art. 11, p. 20*-*29, *ov./dez. 2017 w*w4.fsanet.co*.br/revista Saúd* Mental na Infân*ia: os Seus R*scos * Desafios na Co*temporan*ida*e 207 falar d* uma evoluç*o da sociedade d*sciplin*r, de *ma forma típica da mo*ernida*e c**ss*ca para * so*iedade de ris*o e u*a forma emergente d* *odernidade que se en*on*ra atrasada. A palavra ri*co sur*iu na pré-*od*rnidade, sendo *ue *odos os acontecimentos citados *nteri*rme*t* eram **amado* d* ev*ntos perigo**s ou fatalidades. Some*te *o século XIV, o termo ri*c* aparece no vocabulár** c*t*lão e depo** nas lí*guas latinas, s*nd* muito us*do para se m*ncio*ar a possibilidade de acontecimentos no futuro. Desta m*ne*ra, po*emos d*z*r que a no*ão *e risco engloba a i*eia de i**efinição que ger*m *onseq*ências tanto *avoráveis, *omo de*favoráv*is. Com esse concei*o, su*g* a c*ncepção de o*o*ição que *atalidade é e destino, * partir de uma visão de do*in*r o f*tu*o (SPINK, 200*). Segundo R*mire* (2009) a saúde mental na *nfâ*cia não era percebi*a c*mo algo im*or*ante, embora possa causar v*rias c*nsequências negativas no decorre* do desenvolvi*e*to *nfantil, prejudi*an*o a eficác*a p*odutiva e a ins*rção **c**l desses sujeitos, quando se *ornavam adulto*. Para Assis, Avanci e De Oliveira (*00*), vulnera*ilidade a e dependência da infân*ia faze* com *ue os de**rmi*antes so*i*is ocup*m u*a fu*ção crític*, pois po*c*s s*o os *studos que relat*m fragilidades * saúde infantil. Temas rece*t*s co*o desnu*riç*o, pro*lemas pe*inatais *r*ves e baixo peso ao nascer são pos*ív*i* fat*res que justifi*ariam a vulne*ab*l*da*e da *aúd* *en*al infant*l. Po*emos perceber que o *uidado com a saúde menta* *as crianç*s não foi tomad* com* **ioridad*, se*do que os estudos vo*tados p*ra este cam*o fi*ara* de*tinado* ao se* humano no todo. Nos*o ponto de pesquisa n*ste pro*eto ta*bém busca o conhecime*to científico por meio da psi*opatolog*a. Conforme Jasper* (1979) especif*ca, a *sic*pat*logia era r**onhecida como *ma ciência básica que se*via de assi**ênc*a para a p*iquiatria, *a q*al é, por *ua vez, u* estudo aplicado a um* realidade prof*ssion*l * *oc*al c*ncre**, ele é bem óbvio ao *ela**r a relação dos limites da psicopatol*gia, embora o objeto *e estudo sej* o sujeito n* sua totalida*e. *s limites *a ciê**ia psi*o*atoló*ica constituem-se em pre*i*a****e que *unca se deve reduzi* por com*le*o o sujeito a concei*os ps*c*patológicos. O conhecime*to *a psicop*to**gia, *egundo ele, expande-se a t*do fe*ô*eno psíquico que se po*sa apr*nder *m conceitos *e *ig**fica*ão c*nstantes e com possibilidades de comu*icaç*o. Estudar con*eitos *obre infância, **ic*patologia e sa*de mental na con*emporaneidade, visando inv*stig** os desmembramentos conceit*a*s e c*ínico* que representam a clíni*a psicana*ítica, parte do prin**pio de que a *sicanálise se interessou pela crian*a que vive no adulto, questi*nando a subjetividade d*quele que projeta e que *nicia, * pode produzi* u* i***res*e di*erente p*la infância. Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 6, art. 11, p. 204-2*9, n*v./dez. 2017 www4.fsanet.c*m.b*/revista K. R. Santos, D. F. Cintra J**ior, R. R. S. ****a* 208 Qu*n*o fa* uma observaç** acerca da* mudanç*s socia*s n* atualidade, de*perta uma análise refle*iva a r*sp*ito do sofriment* infanti*, a* recon*iderar o lugar d*s crianças no seio da sua família e con*extu*liza* como a* rel*ções contri*uem na fo*ma*ão de um mal-estar na c*iança (HILLESHEIM; DA CRUZ, *008). **mpreender a *ida *as cr*an*a*, o *uga* q*e elas ocupam *as relações f**iliar*s e a **rma de produ*ão subjet*va que marcam a i*fância *esse s*culo norteiam argumentos s*b** o entendi*ento d* que seri* a mel*o* infância, objetivando quest*on** *s concepções de norm*lidade e as dificuld*d*s infant*s. Surgi* a preo*u**çã* de ident*ficar c*mo a sociedad* atua***nte tem *erenciado as manei*as de rec*nhecer os fator*s de ri*c** que podem conter *ondiç*e* genéticas e bio*ógicas *a criança * da sua família, ass*m como alguns fatores que in*luenciam no cotidiano do se* social que, por c*nsegui*te, exer*em i*fluência mass*va ta*t* no ambie*te da criança, quanto n* s*u compo*tame*to *o que se refere ao *eu convívio famili*r. É uma *entativ* de *razer um olhar mais ref*exivo em *elaç*o *o estudo *o mal-e*tar *as crianças para além d*s *ef*nições ps*copa*ológi*as. 2 REFERENCIAL TEÓRICO *.1 A*pectos biop*i*osso*iais e c*nd*cio*antes de saúde ment*l Os grupos famili*res que compõe* a sociedade são c*mpostos de reg*a* estipuladas e s*guidas de ac*rdo *om cada núc*eo fa**liar e com cada um de seus m*mbros rege*tes. Um **ande *esafio para a i*fância é compr*ender essas regras e aprender a li*ar com elas. O com*ortamento de uma criança, na grande maioria, é c**sid**ado anormal durante o p*rí**o da i*fância. Por desconhecimento, ignoram ou não obedecem às regras e às ex*ec*a*iva* impostas no se* m*io, limita*do a* suas relações familiares e socia*s de alguma forma. É bastante de*icado * d*f*cil diagno*ti*ar o que é normal ou a*ormal frent* *s queixa* f*miliares q*e são **vadas aos médicos; po* i*so entende-se importânci* de a *rocurar um profissional q*ando * observ*do algo *e diferente no desenvolvimento da criança (ASSUMPÇÃO JUNIOR, 2006). Os p*oblemas de saúde me*tal na i*fâ*cia po*e* *er*urb*r o funcionamento adaptativo das *rian*as restrin*ind* se* d*senvolvimento social, cogni*ivo, *f*ti*o, com**rt*mental e seu d*senv**viment* na escol* e, f*turam*nte, profissional. Os tr*n**ornos psicopato*ógi*os, na grand* maioria, apresentam-se co* co*or*idades; isso significa *ue, simult*neamente, a *esma criança pode apresentar m*is de *m tran*tor*o ao mesmo tem**, Rev. FSA, T*res*na, v. 14, n. 6, art. 11, *. 204-229, nov./dez. 2*17 www4.fsane*.com.br/r*vista Sa**e Mental n* Infância: os Seus Ris*os e D*sa*i*s na C*nt*mporaneidade 209 *omplic**do se* desenv**vimento e retar*an*o se* pr*gres*o. Em *ua g*ande maio*ia p*dem ser crônic*s e t*m repercussõe* ne*ativas na vida a*ulta e alg*ns dos transt*r*os psicopatol*gicos que só aparec*ram na *ida adulta tive*am sua origem durant* *nfânci*, a rep**duzindo so*rime*tos *ue fic*ram durant* ano* sem *espostas. Por isso a i*p*rtâ*cia ** impl*nt*ção *e programa* par* a prev**ção ou *e intervenç*o, a fim *e pos*i**litar ajuda à cri***a e a s*a família (**MAS, 2011). A c*ência que estuda a r*lação *nt*e * cérebr* e * *omportam*nto human* é a neurops*cologia. Esse campo preciso d* conhe*imento se **senvo*ve* recentemente, apes*r de s*a fun*amentação ci*nt*fica ser resultad* de longos período* *e estudo que vem sen*o desenv*lvido *or várias *écadas. O primor*ial enfoque da n**ropsicologia * o des*n**lvi*e*t* *e um* ciê***a do comportamen*o humano fundamentada n* *uncionamento d* cérebro (COST*, 2004). Ente*de-se, de*sa maneira q*e, somente a partir dos est*dos do desenv**vimento e do funcionam*nto teoricamente normal *o cé**bro, pod*mos compreender pos*íveis alterações cereb*ais que podem ac*rre*ar doen*as, lesões e um de*e**olvimento a*ormal. De acordo com An*unha (1978), os testes neuropsicológicos adaptado* p*ra crianças são *oucos e devem **s*rv*r: a or**nização e desenvolvi*en*o do sistema nervoso o da cr*ança, * variabilid*de dos p*r*metros de desenvolvimento en*re *riança da mes*a i*a*e e a estre*ta ligação en**e o des**v*lvimento fís*co, neurológico, e a emergê*c*a pr*gress**a de funções corticais superio*es. E*istem *arac*eríst**a* e fatores sociais que podem ocasionar *á*ios probl*mas de *a*de que es*ã* presente* antes mesmo *o nascime*to do suje*to. Podemos citar como *xem**** de fator*s determinan*es s*ci*is que influenciam ne*ativa**nte na saúde infantil: a baixa *aixa salarial socioecon**ica fam*liar e o **v*l *recário de es*olarida*e dos p*i*. No *r*sil, por s** um país em desen*ol*imento, e*iste uma fragilidade maior n* red* de ass*s*ên*ia em saúde, fazen*o *om que as no*sas estimati**s sejam *levadas ** *elação à quan*i**de d* *ria*ças que vivem na p*br*za e têm mães *om pouca idade * baixa escolaridade. (ASSIS; **ANCI; OL*V*IRA, *00*). A organização Mundial de saú*e (OMS, 2001) elaborou uma comissão *x*lusiva pa*a analisar * importância d*s determina**es sociais nos p*imeiros anos de v*da. *ão de*atidos os mecanismos que ocas*o*am as iniquidades na saúde durante a in*ância, *ue são definid*s **mo desigualda*es *ntre o* *r*pos popul*cionais *ue perpass*m as inj**tiç*s *esnecessári*s. No*a-s* que existe uma difí**l e complicada tra*a de fatores enca*regados pelo *rescim*nt* e desenvolv*ment* durante a infânc*a, q*e passa pelo período do pré-na*al, Rev. F*A, Teresina PI, v. 14, n. 6, art. 11, p. 204-229, nov./dez. 2017 *ww*.fs*net.com.br/revista K. R. Santos, D. F. Cintra Junio*, R. R. S. Farias *10 peri**tal, pré-escolar e, ainda, a de*en*er de caracter*s*icas *am*liares, es*olares, *omunitários * d* circunst**cia s*ciopolíti*a em que viv* a *rianç* e se*s familiares. Em r*lação aos p*oblemas men*ais *m crianças, aproximadamente 10% a 20% das cr*anç*s no mundo apresentam algum tipo de transtor*o psiquiá*r*co, que é u*a* das prin*ipais causas *e doenças n* *nfância *e*ois d*s cinco anos d* idade (ASSIS; A*ANCI; OLI*EIRA, 2009). Embora se tenha co*hecimento de taxa* de e*io*ogia e tratamento da *sicopa*ol*gi* in*antil ter tido um grande avan*o *os *ltimos a*os no cenário internac*ona*, no B*a*il há falta de *st*dos. Nota-*e que en**e os prob*e*as mais estu*ados referentes a com**rtamento es*ão os emociona*s, os co*por*amentais em relação à agre*s*vidad* e as *ificuldades d* ate*ção (RAMIRES, 2*09). Ass**, Ava*c* * *live*ra (2*0*), em um *studo realizado, c*nstat*ram que condições econômicas precárias e na*cem c*m t*m de pele negro, p*is com n*vel de e*col*ri*ade baixo e famílias *onsti*uídas por madrasta, padrasto ou monopar*ntais, constituem-se fatores qu*, part**ularmente, se mostram ligados à *recária competência social e aos problemas de comp*rtamento das c*iança*. Per*ebem** qu* inv**tigar so*ente cara*terísticas individuais da criança ou da família pouco ex*lica sobre o d**envo*vimento e o com*ortamento de uma criança. Existem *ifere**as bem maio*es qu* emerg** quan*o comparações são r*alizadas nos *rupos de crianças com poucos o* **itos fatore* *e risco nos mais variados c*n*extos *mbienta*s e *ociais em que vivem. Por m*is que essas diferenças sejam per*ebidas em *odas ** classes sociai*, existe uma concentração bem mai*r em famíli*s de baixa renda. (RAM*RES, 2009). O estre*se **dividual e fam*liar de viver em famíl*as com *asta*te des*antagem social, educaci*n*l, econômica e demográ*ica geralmente tem influênci*s n* contexto da *ida, pod*ndo ocasionar diver*os **oblemas n*s c*ianças. Pod*mos ci*ar como exemplo algumas si*u*çõ*s adve*sa*: a mãe que, por *lgum motivo, reduz **spo*i*ilidade de *ar a *uporte emoc*onal à criança, pode pr*dis*or ou ter algu* tipo d* a*ravamento de problem*s na *nfância. Percebe-se que pais co* elev*da *scolari*ade consegu*m reconhecer e *id*r me*hor com as n*ce*s*dade* de seus filhos e, por estarem m*is *rep*rado* p*ra dar u* suporte com *s desafio* que pode* s*rgir e mais **ticulados com *ede social, consegu*m a dar mais *poi* *s crianças (MAIA; WILLIAMS, *005). Rev. F**, Teresina, *. 1*, n. 6, *rt. 11, p. 2*4-*29, n*v./dez. 2017 www4.f*anet.com.br/revista Saúde Mental na Inf*nci*: os Seus Riscos e Desafi** *a Co*temp*raneidade 211 2.* T*an*tornos psiquiátricos na infância O ramo da ps*c*patologia engloba uma gran*e quantidad* de fe*ôme*os humanos especiais lig*dos ao *ue se *aracter*zou hi*toricamen*e co** doen*a menta*. O* fe*ô*enos q*e pod*mos c*tar são: estados mentai* * padrõ*s *omportament*is que se *ostram por v*vências a u*a peculiaridade psicológ*ca, pois * vid* dos doen*es men*ai* possui ca*acterísticas p*óprias, verdadeiras, n*o pod*ndo ape*as chamar de exa*eros do normal e, por vária* relaçõ** comp*exa* com a psicologia, ** que dizem ser normal. O mundo do d*ente m*n*al não é lugar totalment* *ncomum ao mun*o das vivências psicológicas ditas normai* (DALGALARR**DO, 2008). O diagn*st**o psiquiátrico d*rante a infânc*a * be* ma** di*ícil *ue o *o ad*lto, poi* seus **oblemas e*o*io*ais se manifes*am *or i*termédio de c*mportamentos desadapta*os e desvian*es, dif*cilmente sã* r*lacion*dos pela criança a *m *ofrimento no seu int*r*or e no s*u psiquis*o (BIRD; DUA*TE, 20**). Out*o p*nto *u* *ode ser discutido *ão alguns tipos de *titudes que p*dem ser *onsiderad** normais em uma determinad* idad*, mas q*e pode* surg*r algum t i po de prob*e*as de saúde me**al em outro *om*nto durante s*u de*e*vol**mento. *ão sintomas como: dificuldade de *ontrolar os i*pulso*, n*o *onsegue tolera* fru**ra*ões, tem dificuldade em concentr*ção, tem medo e tem *ificuldade na f**a. Até c*rta idade, qu*nd* são pequenas, e*sas c*racter*sticas são norma*s, m*s quando persi*tem c** o pa*sar do te*po podem i*dica* *rob*ema no desenvol*imento (WINNIC**T, 1965). Conf*rme os autores expõem, o diagnó*tico n* in*ânci* é mais crit*rio*o do que nos a*ultos e nos f*lta uma maior aten*ão em pes*uisas *m r**ação às doenças p*iq**átri*as na infância. ** acordo com As*umpção Junior (2006), os *rinci*ais dist*rbios psiqu*átricos n* infância *ão atraso do *esen*ol*imen*o Neuro*sic**oto* (A*NP*), retardo m*nta*, epilepsia, pa*alisia cerebral, dislexia, transtorno do *éfic*t de atenção e hiperatividade (*DAH), ***nstorno do es*ectro autista (TEA), quadros depressivos, comportamento agre*sivo e psico*es. Se*undo * O*S (1*93), os transtor*os psicoló*icos q** podem *parec*r dur*nte o desenvolvimento da c*ianç* ocorrem ** primeira ou na segund* infâ*cia, podend* te* o comprometimento ou * retardo do de*env*lvim*nto das funções qu* s*o interligadas à matu*ação *iológica do *istema nervo** central e à evolução const**te s*m remissõe* e ne* recaída*. Na maioria *os casos as cri*n*as têm p*ej*ízos nas suas f*nçõ*s d* l*ng*agem, habil*dades e es*aç*-vis*ais e c*or*e*ação motora. Geralmente, a existência *es** ret*r*o ou Rev. FSA, Teres*na PI, v. 14, n. *, art. 11, p. *04-229, nov./dez. 2017 www4.fsanet.com.br/revista *. R. Santos, D. F. Cintra J*nior, R. R. S. Farias 21* a deficiên*i*, mes*o *ue não tenha sid*, *m ne*hu* mom*nto, realizad* o di*gnósti**, tende a **m*nuir de acordo com desenvolvimento, podendo haver a c**stância de *éfic*ts o mai* leves na idade *dulta. Seg*nd* Sch**tatsky (2*14), apesa* *e a experiência humana ter mi*hões de anos de evo*ução, sempre estiver*m pr*s*ntes viv*ncias de violências no meio am**e*te que *eria* *atástrof*s nat*rais que assust** * hi*tória d* hu*anida*e, porém se sabe *ue a f**ma mais i*pactante de vi*lên**a no *s*qui*mo humano seriam aqueles acometi*os p*r p*ss*as próx**a*, *e*a no nível indivi*ual seja no nível *o***i*o, *ue tem s*guido h*stória das a civili*ações. Uma cur*os*dade entre a associação da violê*cia com o sofrimento *ndividual e o so*i*l d*s sintomas ps*quicos causados f*ram os anos e* que es*as ligaçõ** foram ocultas * n*o se s*be o *orquê dess* *e*conhecimen*o ou negaçã* uni*e*sa*, que vem da **ciedad* em geral *, em *articular, da *edicina, *siq*iat*ia e psic*nálise a respeito da rele*ância do co*vívio dos suj*it*s com se* meio ambiente *xtern* norma* e p*to*ógico. *.3 Possív**s consid*rações da te*ria psicanalítica Winn*co*iana par* saúde *ental *a in*ância. Per*ebe-*e que a psic*nál*se se *x*and*u ** de*iniç*o ** inf*ncia de um **do *ue a condição da cria*ç*, compree**ida na *ua ati**de como aquela para q*al prevale*e a sexuali*ade que gira em t*rno ** outro. A mãe fálica, num sentindo de nã* di**rença, torna-se e*trutu*al. Por is*o, em cada pes*oa há uma criança, núcleo d* *e*rose infa*til, matéria-p*ima da fantasi* funda*ental que necessita *e manif*s*ar. S* o infantil é a estrutura, * a es*rutu*a é a fala *o out*o em *im, in*antil e consciên*ia se equipara*. Anal*sar a criança-*e*res*ntante do inf*nt*l, nesta ocasião *a sua i**e**retação significa*te, ao oferecer o ob*eto i*emor*al no gozo do outro, o mat*rial *ecalcado sempre estar* pronto a retorna*. P*r esse moti*o, tr*tando-*e de *riança r*al ou cria*ça recalcada, a pro*imidade desta clínica d*ve no* levar a uma busca *esta predisposição *o sentindo d* c*nsegui* afas*ar o que p*de vir *er uma a procu*a sinto*ática po* um encontro que te*á êxi*o com e*tas crianças, qua*do o paciente n** teria outro lugar *e não o de objeto (BERNAR*INO, 2*04). F*eud (1926) declara que os bebês podem sofrer de um desamparo mental s*melhan*e ao desa*p*ro biológico pois, para e*e, o *ebê est* conect*do à de*i*ação da **e e será deste *ínculo qu* r*sultará * vida mental. A s*tuação de desemparo hu**no *oi *inalizada pel* *utor como expr*ssão da *irc*nstânc*a inicial de vulnerabili*ade *o suj*i*o. Rev. *S*, Te*esina, v. 14, n. 6, art. *1, p. 204-229, nov./dez. 2017 www*.*sa*et.com.br/r*vista *aúd* Mental na Infâ*cia: os *eus Ris*os e *esaf*os na Contem*or*neidade 2*3 A *ondição *e abando*o do su*eit* foi notada p*r Fr*ud co*o *ma forma de expressão da condiç*o inicial de vulnerab*lid*de do homem em c*rrelação ao mundo, é demons*ra*o em relação à circuns*ância da prematuri*ade do i ndi ví duo. E*t* condição do s*je*to inicial mo*tr* nitidamente * e*pa*o qu* o**pa * cuidad* na fo*mação física e psíquica do suj*it*. Dependem*s d* forma como iremos s** *p**sent*d*s ao mun*o e *ecebi*o por *le nos primei**s i*st**te* de vida, o que t*rna a *or*a de cu*dado uma condição de *apacidad* para aquisiçã* do desenvolvimen*o da subj*tiv*dad* (FREUD, 1926). Nos seus escritos, Winnicot* (2007) descreve que há um complexo *nten*i*ento em rela*ão à sub*etivi*ade i*fantil, no q** se refere ao sofrimen*o na infância: s* realmen*e é influenciado a p*rtir de uma ideia relacional *a crianç* c*m * mundo ao se* red*r, poi* em relação a* sofrer ne* s*mpre é produto do m*io e tampouco *ode se *onsiderar um de*ampar*. O a*b*en*e nã* *e**rmina uma crian*a, e não se pode ig*orar a c*pacidad* c**flitiva do ser humano; uma *riança que sofre não pod* ser id*nt*ficada como doente, pois os distúrbios durante o seu desen*o*vimento e*oci*nal *iverg*m *a d*ença me*tal que pode ser origina*a de *ma an**malidade n* cére*ro o* de a*gumas funcion*lidades físicas. Wi*n*cott (2000) sugere que as doen*as mentais s*jam clas*i**cadas *omo d*enças do cérebro co* doen** mental a ***sequente, do*nça* do corpo, afe*ando atitudes ment*is, e doenças mentais prop*iamente ditas, isto *, d*enças que não dependem de *oença do cérebr* ou de *utr* doença *ísica. A frase pr*ferida por Winnicott (2000, *. *2*), "q*a*do apenas sã*, somo* **cidi*amente p*bres" re*lete o *uest*onam*n*o de *ue s*r saudável é pouco para qualificar * *ida, deixando bem claro qu* * sua teoria fica longe da perspectiva de livrar os sujeitos *a *oen*a mental ou imaturidade. Winni*ott se diz co* bast*nte in*er**se na re*lidade p*íqu*ca i*terna do su*ei*o e, só assim, pod* *er possível ent*nder de que realmente a criança p*ecisa par* ser saudável. Na teoria *inni*o***na, as crianças, de al*uma form*, teriam a *apacidad*, qu* consist* nela*, de restabeleci*ento da saúde de suas con*ições *undame*ta*s d* sua pr*pria *ivênc*a, por meio da sua t*ndência in*t* ao amadurecimento * *o uso que se faz na sua capacidade de im**ina* (WINNICOTT, *00*). * noção do que s*ria nor**lidade ultrapassaria o es*u** do que ser*a a concep*ão psicana*í*ica tradicional, na proporção que se of*rece uma ênfase à condiçã* de sa*de no tem** *ue a e*pressão de força de vida, marc*da pel* ligação de interdependência entre * ambiente e o sujeito. "N*sta ling**gem, normalidade sig*ifica tant* a s*úde mental do indivíduo como da socied*d*, * a maturi*ade com*l**a do *ndivíduo n*o é po*sível no ambiente social ima*uro ou do*nt* (*in*icott, *007, p. 80) ". O sujeito faz parte do *eio social, **r i*so sofre *nfluências do *eio, nã* po*endo ter s*a *ev. FSA, Ter*s*n* PI, v. 14, n. 6, ar*. 11, p. 204-229, nov./dez. 2017 **w4.f*anet.com.br/revista K. R. Sa*to*, D. F. Cintra J**i*r, R. R. *. *a*ias 2*4 ma*urida*e *ompleta por ter contat* com divers*s or*a*ismos que *ofre* de algum dis*úrbio psi*analítico, s*ve*o ou não. A saúde não é, a essa al*ura, mera **sência de sint*m*tologia. A normalidade *eve ser d**inida a partir d* uma base bem mais ampla, que leve em c*nta os con*litos **senciai*; incons*ient*s ** mais das vezes, qu* pert*nce* a sa*de e que sign*f*c*m simplesmente que * crian** e*tá viva e cheia de vida (WINNICOTT, 2000, P. 418). A sentenç* Winnicoti*na a *espeito de saúd* e *oen**, co*s*quent*mente atravessa as suas co*preensões quanto à normalidad* e à pat*logia, det*r**n*nd* u*a *osição na teoria com rel**ão a*s estu*os refer*ntes ao des*nvolvi*ento e*ocional. Segun*o Winnicott (2000), a saúde m*ntal de u*a cria*ça é proporcional * sua capacida*e dos p*o*essos *e am***recimento no a*biente. A pri*cipal tend*ncia básica de uma cr*ança é co*seguir n*turalmente alcan*ar seu processo de matur*dad* com saúde (FRA*ÇA, 20*4). O desenv*lv*me*to *fetivo de uma criança tem in*cio na o*igem de sua *ida, não p*deríamos de*xar de lado o *ue acontece durante os *rimeiros dias d* sua e*istência, m*ses e até mesm* os pri*eiro* anos. Quand* *ebate*os problem*s de adul*os, **r exemp*o, que pod*m ser asso*iados ao casame**o, podemos perceber v**ias questões relacionadas ao pe*íodo *osteri*r do seu d*senvol*im**to. No e*tanto, se estu*á*se*os **alquer sujeito, encon*ra*emos tan*o passad*, como o seu *resente, p*dendo ser da criança ou mesmo do o adulto. As *moções e ** pensamentos que p*de* apropriad*mente se* nomead*s de s*xuais surgem em *ma i**de im*tur*, mu*to an**s do que era aceito pel* *ilosofia dos nossos an*epassado*. Ente**e-se, a*sim que * *ela*ão humana está evidente de**e o princípio (WIN*ICO*T, 20*3). Se*undo Winnicott (2013), não é necessári* que os pais **nham essa pr*ocupa**o d* sa*** tudo o que a*ont*ce e o que se passa na *a*eça de seus filhos qu**do c*ianç**, e tamb*m não é p*e*iso e nem fará falta que ente**am d* tudo referente à anatomia e fisiol**ia *ar* que po*sam p*o*or**onar uma b*a s*úde *ísica *os *eus peque*o*. O que o *utor *firma ser impr**cindível * que os pais *ercebam e r*conheçam a im*ortânc*a do amor que de*em *ire*ionar aos seus filhos. A*redita-se qu* *rá para um mal c***nho o bebê que a mãe t*ate como *m conjunto de r**lexos con*i*i*n*dos, e fe*x*s anatô*i*os e de *isio*ogia, por mais que o *aça **itas v*zes com as mel*ores das intenções. Certament* esse bebê será bem nutri*o, c*nseguirá alcançar u*a excele**e saú** física e ter u* desenvol*ime*to físi*o normal, poré*, se a *ãe, po* *l*um motiv* não *oube* ver no seu filh* que acabou de nascer, um ser hu*ano, *xist*rá pouc*s chances de que * saúde men*al se t*rne fundam*ntada com R**. FS*, T*resi*a, v. 14, n. 6, ar*. 1*, p. 20*-229, n*v./dez. 201* w*w4.fsa*et.c*m.br/revista Saúde Ment*l na Infâ*cia: os Seus Riscos e *esafios n* C*ntemporaneidad* *15 u*a so*idez e post*rio*mente * criança em sua vi*a possa desenvolver uma person*lidade estável e r*ca, capaz de adaptar-se ao mundo. Entretanto, Winnic*tt no* traz no *esmo texto qu* nã* se deve determinar *ue tod*s os bebês que tiveram u** dedi*ada mãe, que fora* bem alimentad*s * assist*dos estejam obrig*tor*amente designado* a desen*olver uma excelente saúde mental. E*bora as exper***cias inic*ais *e uma crianç* sejam boas, tudo que i*á **r adqui*ido te* *e ser for*alecido c*m dec**rer *o tempo. Nã* se **de concluir que os beb*s que *oram o criados em algu*a instit*ição, ou *or u*a mãe sem muita imagi**çã*, ou que esteja assustada nesse novo papel que está exercendo, e por *lgum motivo nã* consegue seguir seu pr*prio disce*nimento estão f*dad*s a *ma clínica d* saúde mental. As questões não têm essa simplici*ade, é bem mais complexo. 3 MATERIAIS * *ÉTODOS Foram r**liz**as *ntrevi*tas com profissi*na*s que **ua* na área de s*úde ment** infa*til. *s*a * uma *es*uisa q*al*t*tiva e*ploratória que incentivou os que*tionados a p*nsarem *bertamente *obre o tem*, objeto ou conceito, apontand* os *eus pontos de v* s t a *ubj*t*vo* *ue podem *ti*gir inter*sses nã* explíci*os ou mesmo co*sciente*, de forma *a*ural. Segundo *inayo (2004), este *étodo **jetiva est*mular o* pensamentos e os entendim*n*o* sobre a *atureza g*ral de uma questão, a**in*o espa*o p*r* um melhor entend*me*to. É um* *esqu*sa *e manei*a indutiva, e* que * *esquisador aplic* conceitos e i*eias * par**r de modelos *ncontra*o* no* dados, ao *nv*s *e colet*r inform*ções pa*a co*firmar * veracidade das teorias, hipótese* e mo*elos pré-co*cebi*os. *a*a essa p*s*ui*a, rea*izamo* cinco (5) entrevistas com profissionais que tiveram e têm viv*n*ias na *rea de sa*de mental in*antil co* anos de experiências. As entre**stas ac*ntecer*m nos locai* **d* os prof*ssionais ci*ados a*ima atuam nas r*des de cui*ado de saúde mental da *idade de F*r*aleza. São profissionais *ue trabalh*m com *línica específica em psi*opat*log*as * doenças mentais com crianças. Realizamos *m roteir* *e e*trevista de cará*er sem*estrutura*a, com p*r*untas relacionada* à tem*tica em q*estã* e qu* foram gravada* *m me*o d*git*l, e dep*is te*tu*lme*te tr*nscritas. No momento q** foi realizada a entre*ista, o*tras *erguntas p**eriam su*gir, *o* * intu*to de apro*u*d** eleme*tos d** rel*tos *os entrevistado*; houve fle*ibilid*d* em rela*ão à *rdem das *e*guntas que e**m realiza*a*, nã* nec*ssariamente Rev. FSA, Teresin* P*, v. 1*, n. 6, *rt. 11, p. *04-229, no*./dez. *017 www4.fsanet.c*m.br/revi*ta K. R. San*os, D. F. Cintra J*nior, *. R. S. *arias 216 obedec*ndo à numeração ap**sen*ada no roteiro, mas conforme *s s**time*tos e os conteúdos que sur*iam **rante a entrevist*. Foi explicado ao *articipante q*e, a qualque* momen*o, ele p**eria desi*tir da pesquisa *u co*tinuar, se*do-l** ent**gue um termo de con*entime*to l*vre escl*recid* p*ra assi**** confirmando e*tar cien*e dos *b*etivos ** pesqu*sa (o mode*o do termo consta em anexo). A pesquisa respe*tou as c*ndi*õe* *t*cas em relação reso*u*ão 466/16 do Conselho Nacional de Saúde e foi submetida ao Comitê de Étic* e enc*n*r*-se em fa** d* tramita*ão. *am*é* f*i utilizad* um roteiro de perguntas adaptado do descrito por *umas (20*1) * respeito da temática, ma*erial que con*ta n* *n*xo. Na sequê*cia, *laboramos a a**lise *e *onteúdo que, segu**o *a*din (1*77), pode ser estabe*ecida *omo um conjun*o de *écnicas, *or meto*ologias si*temáti*as e obje*ivas de descrições dos conteú*os da* mensagens e i*d**adore* que permitam a de*ução de saber*s relativos às condições *e pr*duções. Para util*zar * mé*odo é ess*ncial a criação *e categor*as *ela*ionadas a* ob*et* de pesquisa com palavr*s ou *rase* que mai* s* repetem. As hipóteses lógi*as ou inf*rê*cias *u* serão alcançad*s a partir *as categorias *erão *esponsáveis pela id*ntificação da* questões im*ortant*s contidas no con*eúdo da *náli*e. Na anál*se *os da*os, partiu de u** *eitura psic*nalít*ca a res*eito da saú*e mental com criança* e des*nvol**mento das *uas a*etividades. Para este fe*to, t*mbém foi r*a*izada *ma r*v*sã* bibli*gráfica a respei*o *a temática, que tev* como o*jetivo analisar a liter*tur* existent* refer*nte à in*ância, fato*es de risc* no desenv*lvimento inf*ntil, as possíveis psicopat*logias n* in*ância e a saúd* mental infant*l. A pesquisa bibliográfica foi pautada na liter*tura nacional, sendo uma fo*te de consulta o banco de d*dos Scielo, Portal de Peri*dicos Capes, BV*-P*i, Google Aca*ê**co e banco de disserta*ões UFRJ, *NB e USP. Os descri*o*es u**lizados *om m*ior freq*ência foram psicop*tologia, infâ*ci*, fat**es d* r*s*o, ***quiatria, doe**a ment*l * desenvolvime*to infa*til. B*a parte da l*t*ra**r* pesquisa*a está com*o*t* em ar*igos *ie*tífic*s, capít*los d* *ivr*s e dissertações d* *e*tr**o. A pesquisa *on*ide** os **ntos mais relev*ntes no diagn*s*ic* da do*nç* men*al infantil e os *onto* que ai*d* p*ec*sam ser desb*avados no que tange à análise *os f*tores de risco, *em co*o do diagnóstico precoce da psic*patol*gia na in*ân*ia. 4 RESULTADOS E DISCU*SÕ*S Os discursos que se*ão apresenta*os foram produzidos co* base na* e*periências que os en*revistados t*v*ram a* longo das suas *rática* *omo p*ic*logo resp*it* dos c*i*ado* a R*v. FSA, Teresina, v. *4, *. 6, a**. 11, p. 204-2**, nov./**z. 2017 www4.fsa*et.com.br/*ev**ta Saúd* Menta* na Inf*ncia: os Seus Riscos e Desafios na Contemporaneidade 217 com * in*ânc**, *ferec*ndo ou possibilita*d* *ondi*õ*s *ue pode* ger*r um bem-e*tar e contribuir para um m*l*o* de*elvolvime*to infantil em difere**es a*p*ctos. *s des*rições *as prá*icas dos profissionais de*e*volvid*s no a*biente das *uas *lín*cas *erão aqui rev*la*as c*m base, tão *omente, *os *elatos e nas pe*cepções dos ent*evistados. Os **icólogos ent*evistados têm experiências e formações em Saúde da **mília, especialidade em res*dênc*a p*diátrica, *ormações psica*alíticas, ên*ases em atend*mentos com psicóticos, espec*alizaçã* em sa*de mental, pós em psicol*gia hospitala*, * alguns sã* mem**os das esco**s Freudianas e Laca*inas. Este es*udo a*rese*ta a a*álise da pesq*i*a *om o* res*ltados classf*cados *m tópicos d*correntes de *ategor*as e pretende re*ponde* *os objetivos propostos na **sq*isa. Foi *on*uzido *elo roteiro de entrev*stas semiestruturado q*e es*á no a*êndice *. Para aplicação do método, *oi *e*e*sário criar categorias que se relac*onam *o* os objet*s de p*squisa com palavras-*haves q*e mais se repetem e ind*z*r o **e elas re*resentam, obj*tivando, assim, à a**lise de conteúdo q** é * técnica que vamos utilizar para anali*ar os dados. * quadro abaixo *lustra as categ*ri*s. Tabela 1 - C*tegoria* de aná*ise
Cate*o**as I*TERFERÊNCIAS NO D*SEN*OLVIMENTO INFA**IL O ADOECIMENTO PSÍQUICO *A IN***CIA AS *S*COSES E AS NEUROSES *A INFÂ*CIA O D*AGNÓSTICO NA INFÂNCIA INTERVENÇÕES PRECOCES Palavras-chaves Confli**s, família e psicos*o*iais. Funçã* materna e const*tu*ção *sí*uica. Psicos*, constitu*ção do suj*ito e psíqu*ca. In*ância e demanda *ntervenção a tempo e identificar
Fonte: Ela*or*do p*lo autor. 4.1 Interf*rên**as n* desenvolvime*to in*antil Durante a* entre*istas realizadas com os **ofis*ionai* que atuam *a áre* de saúd* mental infantil, um assu**o bast*nte pertinente são o* fatore* psic*ssocia* que podem ser associados aos prob*emas de saúde mental na *nfâ*cia, q*e vai dos ma*s trat*s ao nível Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 14, n. 6, art. 1*, *. 204-***, nov./dez. 2017 www4.fsanet.com.br/revist*
K. R. Santos, D. F. Ci*tra Junior, *. R. S. Fa*ias 218 socioeconô*ico da fa*ília, entre *u*ras *azõe* que podem ter inte*fe*ência* no desenvolvimento i*fantil *ue ser*o d*scuti*os abaixo: Cada v*z *ais a g*nte reco*hece q*e as doenças ps*copatol**ica* como um todo, seja ela q*al for, são multif*toriais, n** exis*e uma ca**a ún*ca p*ra o desenv**viment* e de uma m**eira m*is esp**ífica pod*m existir fat*res psico*soci**s, no caso sem *n*e*ferê*cia* diretas no desenvo*vimento da doença * no seu aparecim*nto que podem surgir como um gatilho para uma *a*ologia e principalmen*e *o seu desenvolvimento. (Entrevistado *). De ac*r** com *s*i*, Av*nc* e O*iveira (2009), crianças *a*ci*as em *amílias com desigualdades socioecon*mi*as, até mesmo em relação às gerações *nterior**, propendem a i**ciar suas v*d*s com o q*e chamamos *e pl*taforma de s*úde, e ess* fenô**no social m*ltidi*ensiona* tem v*ri*ções *e aco*do com os si*temas so**ais, po*íticos econ*micos * c*lturais. Eu não consi*o n*mear um* causa, *orque assim a *e*te se depara com f**íl*a* estrut*ra*a* (detesto *sse termo), mas de uma co*cepção bem redu**d* tip* *a* e mã* sem gr*ndes co**litos, por exemplo, e ali a *riança conse*ui* desenvolver um problema s*ja ele qua* fo* e ainda famí*ia* bem *omplic*das, co*flitos importantes e * cri*nça *onsegu*u des*nvolver al*uma p**ologi*. (Entrev*stado *). Pode*o* perceber *an*o com os *rofiss*onais entrevistados, quanto com os a*t*re* *a *itera*ura pes*uisada qu*, para o surgimento da doença mental, não d*pende de uma *a*s*, pod* ser multi*atorial, **e pode acometer da classe socia* em que ele *iv* a cultura, * escolaridade dos *ai* e *s a*ressões viv*da*, *n*re outros. É um as*unto bast*nte compl*cado nomear um fato* q*e vai da c**diç*o socia* que à c*ia*ç* * ofer*cida aos conflitos famil**res *em como uma questão d*l*ca*a que depe*de de cada c*s* e condição psíquica do su*eito qu* está se estruturando. Inegavelmen*e a gen*e sabe também que famíli*s *ue t*veram maiores c*nflitos em vários *spectos a*abam pr**iciando não *ó o de*en*olvimento da do*nça, mas também exit*m *ivers*s fatores, e os conflitos *amiliares, p*r exemplo, de cert* f*r*a contri**em para o des*nvolvimento e o iníci* do quadro e ta*bém *ara o pr*prio ado*cimento q*e po*e ac*r*etar em *lg* mais séri* na vida adult* do s*jeito. (Entre*is*ado 4). Con*o*me *umas (2011) c*nsiderou, e *n*lisando as falas dos entr*vista*os, p*demo* perceber que os proble**s *e saúde mental na inf*n*ia *od*m repercutir na vida *dul*a, pois engloba todo o proc*s*o de desenvolvi*e*to inf*ntil. Os transtornos psicopatológic*s podem *are*er com comorbidades, ma** d* *m t*anstorno na mesma cria**a, e alg*ns po*em surg*r só n* vida *dult*, consider*ndo que a sua or*gem pode ter sido na infânc*a, *esenvolvendo sofr*mentos que ficaram a*os sem e*tendi*ento * se* respost*. Re*. F*A, Teresina, *. 14, *. 6, *rt. 11, p. 204-*2*, n*v./dez. 2017 www4.fsanet.com.br/re*ista S**de Menta* na Infância: os Seu* *i*cos e Desa**o* na *ontemporaneidade 219 *.2 O *doe*imento psíqu*c* *a *nfância Nes** tópico *x*loramos a questão da e*truturação psíquica *a i*fâ*cia, em qu* é d*mos*rada a *m*ortânci* de ou*ro sujeito que exe*ça a funç*o m*terna, que não *ec*ssaria*ente a mãe, *as algu*m que po*sa e*ercê-la e colaborar para *ue não haj* um desampar* afeitvo e de cuid*dos que *m* *riança *recisa para s***ev*ve*, e que, se houver *ma f*lh* nesse momento pode in*luenciar na constit*ição psíquica. *ba*xo seguem a*guns relatos *as entrevist*s e *s discurssões. *a p*icanál**e *ada sujeito vai se est*uturar d* uma *o**a, e essas estruturações psíqu*cas * fí*icas têm a v*r com a relação com a *ultura, com o outro n*s aspectos psíquicos - j* estou entrando na psic*ná*ise - * esse desamparo precisa de a*guém em frente a isso. Quem faz *sso são os nossos **idadores: mãe, pa*, **alquer pessoa que cumpra esse desejo. * é esse desejo da outra pessoa que vai in*luenciar na noss* construção *sí*uic* que deixa mar*as na gente, e o olhar, t*car, sentir tud* *sso va* f**er com que o su**i*o s* *struture. (Entrevi*tado 2). A psicanáli*e *em u*a im*o*tânc*a bastante signific*t*va no *es*nvo*vimento i*fantil, que s* pode perce*er quando há um desa*par*, que é a falt* de um cu*dador que est*ja à f*e*te da criança pa*a dar-*he um suporte não somente na* f*nções vitais, mas t*mbém no afeto. Quan*o há ess* falta de ****o m*terno, ** um tr*peço, um* falha na sua *onstituição ps*qu*c* que po*e pre*u*icar a c*pacida*e *e organ*zação. Fr*ud (*926) t*mb*m nos apr*senta q*e a existênc*a do outro é i**o*tant* não apenas par* as*e*urar *s funç**s vitais co*o fome e s*de, *as para a form*ç*o d* v*da afet*va. O s*nt*r o cheiro *aterno e o aca**n** *e quem *uida pos*i***ita, além de con*entamento das f*nções de assis*ênci*, prese*vação e *uidados f*n*a*ent*i*, a uma **trutura*ão s*bjetiva com am** próprio e *fastado de experiências aflitiva*. Há algo que acontece nesse perí*d* da constituição que a ge*te **la de um trope*o, *em algum impasse nesse desenvolvimento que vai fazer com qu*, em vez de ele *e *dentificar * *e adequ*r à cu*t**a, ele fique alheio, *erando *ara a psican*l*se a *lienaçã* fr*nte à realidade o* uma *e**e*são, *** * a superação de*s* lei para essa cul*ura ou regras soc*ai*, ou a ge*t* se torna um neuró*ico e aí nesse *mp**se entre a psicose *lgo que não fo* (Entrevistad* 3). Segundo Winni*ot (2013), gradativ*mente, a psica*ális* f*i dese*volvida de *odo a abranger até *s crianças mui** no*as, de *ois anos e meio de *dade. O autor também nos **lata que * avanço *ais imp*rtante para a psicanálise * o desenvol*im*nto do trabalho d* anal*sador que sucedeu no estud* d* pa***ntes ps*cóti*os. Rev. FSA, Teresina *I, v. *4, n. 6, art. 11, p. 2*4-*29, nov./dez. 2017 www4.fsanet.*om.br/revi*ta *. *. Sa*t*s, D. F. Cintra Juni*r, *. R. S. *a*ias 220 4.3 As psicoses e as neuroses n* infância N* recorte ** entrevista *bai*o fora* relat*das questões das psicoses * neuros*s n* infância, o que pode *ontribuir para o *urgimento dessas manife*tações psíquicas e o papel da *u*ção materna e parte*a *ar* a cons*uição do sujeito e estrur*ção da linguagem e a* d*rcus*õ*s dos autores s*bres ess*as ques*ões. Eu *r*balhei com cri*nç*s *rave*, crianças que ma*ife*tavam a psic*se infa*t*l e vi cr*an*as *a neurose c*m *ificu*d*d*s, ou e*tão c*iança* que a*nda não tinham d*cidi*o qu* podem es*ar n* indec*são n*o es**va posto, o c*m*nho de um lugar. Com três a*os, quatro ano* * que com o t*abalho ana*ít*co eu suponho q*e *lgum*s cr*anças puderam *ntrar na es*r*tura d* lin**age* como neurótico. Para entra* *omo neuró*i*o, é *reciso que h*ja dois mome*to*: a**enaçã* e sep*ração. É precis* se alienar ao campo do outro *ara depo*s se separar, mesmo trazendo marca* nes*a alienação e entã* o que o**rre ** psicose e que não há separação * suje*to fica retido no desej* q*e a gente po*e sup*r d* outro ma*e*no, não nece*sa*iame*te a m*e **nero o **tro que maternou que *az a *unção materna, c*rto dia pode romper a p*icose pela primeir* vez e/ou a ru*tura *ode *ir de*ois. (Entr*vista*o 5). O *ese*volvimento d* um su**ito s* aco*tece conf*rme * *ua relação com a sua pos*ção estrut*ral. *ara qu* iss* a*on*eça à crianç*, depende de *utro q*e seja *ustentado por uma lin*uag*m que lhe nutrirá de desej*s q*e pod*m c*nduzir *s suas *ema*da* *ue propiciarão o seu desen*olvim*n*o *ue pode ser q*em lhe maternou. Par* a psicaná*ise, o bebê q*e ingr**sa no c*mpo d* linguag*m, d* cultura, *u melh*r, p*** se huma*izar, p*ecisa se est*belecer através do pr*cesso *e reconheci*ento que se r*verteria a uma estrutura do su*eit* (ADELINO, 2010; PET*I 2008). A imp*rtância qu* exista outro *ara que esse su*eito *e estrut*re na linguagem foi ba*tan*e relata*a pelos entrevistados e, como já vimos, *or alguns autores tam**m a *mp*rtân*ia de quem materna e de como isso s* estrut*r*u para o suj*ito. Jerusalinsky. A (1996), no* r*lata que, para acontecer, esta est*utu*a de*e estar *inimament* alicer*ada p**o ato da linguagem, *em que h*ver uma po*ição do su*e*to **ente do **je*o fal*nte e ent*o a ocorrerá a determin*ç*o da fro*teira desse lugar i*diferenciado que é o real. Na inf*nc*a a psicose não está totalment* definida, ou se*a, uma classi*ic*ção qu* Jerusalinsky é nos traz com* inde*idi*a, co*o uma forma t*pica das psicoses na infância, dif*rente *os adu*tos em q*e *ão há *sicose indecidi*a. Is** par*ce se* uma constit*iç*o qu* é característica *a infância. En*ão *em pessoas, e*ist*m su*eitos que já na infância * psico*e se mos*r*, se *oloca, se rompe. É muito ruim. *uant* m*is c*do, *ior por*ue el* perde a oportu*idade de estudar devidame**e, apar**e a *oz, os t*rmentos, as ideias. Então esse sujeitinh* é o tem*o m*is ou meno* 9, 10 anos se co*stitui c*mo sujei*o *u n*o, R*v. FSA, Teresina, v. *4, n. 6, art. **, p. 204-229, no*./dez. 2**7 www4.fsanet.com.*r/*evist* *aúde Mental na *nfância: os *eus *iscos e D*safios na Contemporaneidade 2*1 um sujeito neuró*ico o* não, a* *em * rupt**a. N*o é que a psicose *á não estivess* lá, mas * ge*te supõe q** ne*sa seg*n*a i*fân*ia isso se dá ou neurótico ou psicótico ou p*rta o nome *o pai o* não *orta e *e p*rta o nome do p*i ou neur*tico ou perverso e nã* porta o n*me do pai a*tis*a ou psicó*ic* e se podem levar vinte e *rinta anos sem surtar. (*nt*evistado *). Sabemos que a constitui*ão do *ujeit* psiq**camente le*a certo tempo, mas não *aberm*s o quanto, e não há um m*do ** saber, até p*rque o tempo s*licitado é mai* *a ordem l*gica do que *ronológica. Jerusalinsky. A (1997), fala *obre a s*ncronia da estrutu*açã* psíquic* que é a forma como s* class*fica o dis*urso com ob*e*ivo de m*r*ar um* *eterminada criança *a *ua função de s*jeito, e isso oco*re d* f*rma s*ncrônica1, se*ia necessár*o um t*mpo diacrôni*o2 a f*m de que *s efeitos significantes para que a *s*r*tura se c*nsol*d* p**a ad*uir** sua c*mpreensã* *ingular. Quando *ão ho*ver vínculos *ntre sincrônico e diac*ônico para inscriçã* da criança *a pos*ção do sujeito que fala, al*o d* erra*o, **o funci*na * *s c*nsequências costuma* se* sérias. Para *elhor definição da neu*o** infantil, Wi*nic*t* (2007) afirma que s* mani*esta de *m confli*o inconscie*te que retrata a *i*a **sti*t*va da *riança. O po*to d* part*da pri*cipal é * f*se em q*e * su*eito *á os seus primeiros pas*os. Nesse perío*o, o contex*o fami*iar t*m uma grand* importâ*ci*, **s se houver *alha* nos *u*dados com a* c**anças pode des*nca*dear doenças psi*uiátricas mais sérias do que a neur*se. Como po***os *erceber pe*os pro*issionais entr**istados e *om a lite*at*ra apres*ntad*, é i*p*rtant* * função p*terna * m*terna pa*a a c*nstituição p*íq*ica do sujeit*. A *c*rrência de falhas em qualquer u*a de*sas *u*ções, entretanto p*de ser preju*icial pa*a a formação do *u*e*to. J*rus*l*n*ky (1997) nos mostra tamb*m que, q**n*o * crian** * pequen* e psicótica, a su* *imitação d* *im**l*zação pode ser or*ginada n* *orclusão3, **rcial ou tota* da funçã* paterna que pode designar a *s*cose. E pode*os concluir, *onfor*e a fala *o *ntrev*stado, *ue se o *urto psicótico *ier dep*is da inf*n*i*, é melhor p**a *sse *u*e**o, um* *ez que pode já ter s**o es*rutur*do e consiga *ev*r um* vi** melhor quando for *dulto. 1 2 É o q*e ocor*e, existe ou se apresenta precisa*ente a* *esmo t*mpo. *elativo ao e*tu*o ou à compreensão de um fato *u de um conjunto de fato* em su* evo*ução *o te*po.
3 Conce*to dado por *acques Lacan p*ra *esignar um mecanismo especí*ico da *si*ose, através do qual s* produz a rejeição de um si*nif*cante fu*damental par* *ora do universo simból**o do suje*to. Qua*do essa r*je*ção se pro**z, o significante * fora**uído e designa aquil* que perdeu seu efei*o por não ter ***o registrado no tem*o *erto. Rev. FS*, Teresina PI, v. 14, *. 6, art. 1*, p. 204-229, nov./d*z. 2017 www4.fsanet.*om.*r/re*ista
K. R. Santo*, D. F. Cint** Junior, R. R. S. Farias 222 4.4 O diagnóstico na i*fância Du*an** a análise abaixo foi *bordado a r*speit* do di*gnóstico n* infân*ia e s*as particularidades em relaç*o a c*í*ica com c*ianças, pois geralmente os p*is já chegam co* diagnóstico* pront*s e a imp*rt***ia da escuta daquela família que chega com * deman*a qu*, por vá*ias ve*es, é dos fami*aires por não saberem lidar com as situa*ões da in*ânci*. Primeiro *u* *a clínica os pais che*am com a quei*a, raramente *qu**a q*eixa * *ec*ssari*mente o que o p*i está di*endo que s*o certo*, muitas vezes eles ta*bém vão p*r* o médico e o m*dic* d*z uma coisa que é você não **m co*o acreditar q*e a*u*lo é real. O diagnóstico na i*fânci* você ta lidando c** as criança* e tem a vis*o dos *ais às v*zes você atende a *riança e naquele atendimento pouco se **serva * demanda da cri*nça. A demanda na **i*r parte das vezes é dos pais, da escola, d* que s* exige do que se e*pe*am. *s p*is exigem qu* as crian*as ** nasçam velhas, pois e**s j* n*scem *om toda expectativa que os pa*s *eram *a cria*ça, aí muita* das vez*s q*ando isso *ai dos trilhos dentro de *ma c*ncepção de uma proposta de uma i*e*a que os pais criara* eles *e de*e*per*m. Então na maioria das ve*es * dema*da é do* pais e *a pr*pr*a esco** t*mbé*. (Entrevistado 1). Co*for*e Petri (200*), na clí*ica co* crianças, o diagnóstico é delicado, p*is nã* é fá**l para o *sicólogo suge*ir um cami*ho a s*guir. A psicopato*ogi* psicanalítica ** criança apr*senta em *eral os casos de autismo, psicose, deb**idade, perversão e *eurose. Po*ém um diagnóstico esp*cí*ico é comp*icado d* ser r**lizar, já que * basta*te frequente q*e e*s** quadr*s nã* se manife*t** de uma manei** *ura na cl*nica com o* pequenos. A infância corresponde ao tempo de con*tituição do sujeito e implica d**eta*en*e na constant* probabilidade de reordenamentos estrut*rantes, podendo trazer prob*emas específico* para a definição de quadros diagnóstic*s. Confor*e Jeru*alinsky. J (*0**), o *ratamen*o c*m beb*s ou cr*anças *e*uen*s não é i*teressante que se inic*e pelo simp*e* acontecimento que *s pa*s solicite* um diagnó*tico e u* tratame*to. O pequen* pacient* só *ev* i*ic*ar um trat*mento qua*do o s*n*oma pro*uzi* algu* tipo de ob**áculo pa*a a sua con*tituição psíquica enquanto suj*ito. Quando o *ofri*ento em q*estão é próprio dos pai* e n* * do bebê, * prec*so real*zar um trabalh* cautelos* de desdob*amento da de*anda, pois se fo* re*lizado um tr*tament* em um beb* *ess* circuns*ânc*a irá expor o peq*en* a te* que ***a**ar um sin*om* que muitas vezes não lhe *er*ence. Por is*o é bastante relevante n* clínica c*m crianças e*cutar a história da família des*a *r*a**a para compreender o cont*xto, e n* maioria da* vezes os profi*siona*s não f*cam *a his*ória do sujeito e *im numa suposta doença, a escuta é essencial. Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 6, *r*. 1*, p. 204-229, n*v./dez. 2017 www4.fs*net.com.*r/*evi*ta Saúde Men*al na Infância: os *eus Riscos e Desafi*s n* *o*tem*ora*eidad* 223 Não dá para defini* um ún*co motivo assim qual é *aior *ifi*uldade para os d*agn*st*cos é assim depende tem que ter um cui*a*o muito grande no d*ag*óst*co p*rque isso va* ter uma *onsequ*ncia para * vid* *a c*iança qu* se tor*a *ss* diagnóst**o a c**ança passa a respon**r e se colocar dia*t* desse diagnóstico e mui*as das ve*e* esse diagnós**co em ve* d* serv*r p*r* um tra*a*ento ele serve de um* forma *ara est**matizar o sujeito * muit*s vezes a gra*de dificuldad* é o *ue *e faz com esse d*agnóstic*. E geralmente os *ais *ó lev** qu***o al*o es*á i*comod*do a ele*, p*r e*e*plo, quando a c*iança é muito danada na visão d*les já t*m TDA*, mas se elas pa*sam o *ia *o t*blet o* t* por **itas v*zes i*so n*o in*omoda. (*ntrevistad* 5). O compromisso da ps*c*nálise é com aqu**e sujeito, na *ua total indiv*d*alidade e não com um mo*elo classifi*atório. *ercebe-se que, do ponto de vista p*icana*íti*o, o di*gnóstico não está m*ncionando em um saber *xterno, mas sim a v*rdade que tr*z * suj*ito. Ocor*e qu* a maioria d*s casos como t*ou*e os relatos das entrevistas à dem*nd* é dos p**s ou da escola e a c*iança já pass*u po* vários prof*ssiona** e já vem com alguns *iagnósticos, por i*so a *lí*ic* ** infância é bastante delicada, pois *em se*pre é *quela de*a*da que seus fam*lia*es r*lata*. D* aco*d* **m Adelino (2*10), é dura*te *scuta com o sujei*o **e o trabalh* do a psic*lo*o consiste em compreende* a demanda e fazer com *ue o i*diví**o se impl*que *om a sua quei*a. A*ém disso, tem de s* ater ao mov***nto do indivídu*, ao seu diag*óstico, p** iss* a função do psicó**go no *ome*t* das pr****ras entrevistas seria a de perceber *lgo sob*e a es*r*tura clín*ca do paciente. Je*usalin*ky. A (1997) nos mostra que, no período da infân*i*, * s*jeito está se*do fabri*ado, o **e torna *ncert* qualquer tipo de **nfirma*ã*, d* estrutura*ão precoce como *etermin*da e irre*ersível. Como *á hav*am*s abordado no tópi** ante*io*, ele ressal*a sobre as psi*oses n* infância qu* ele propõe como não decididas. 4.5 Intervenções pre**ce* O nosso último tópico s*rá sobr* a interven*ã* precoce p*ra o desenvolvi*en*o *nfa*til. Re*saltamos um pouc* so*re o *escaso da saúd* mental na infância e c**entamos s*bre um gru*o de pesqu**adores que d*senvolvem *m prot*colo de inter*enção e uma ava*iação para melhorar o diagnós*ico a te**o de se inte*vir. Fazer *ma *ntervenção a tempo primeiro, iden*ificand* *ue h* algo *e impasse ali, que *ão *ai bem q*e per*ebe e os pais, *s professo*es, os avós, o pediatra. (Entr*vistado 3). * estimulação p**coce aparece* co*o especialidade clínica há mais de 30 an*s. No decorrer desse perío*o vem apo*tand* os efeitos do seu traba*ho no camp* da i*tervenção d* Rev. FSA, T*resi*a *I, v. 14, n. 6, art. 1*, p. 204-229, nov./dez. *017 www4.fsanet.*o*.**/revi*ta K. R. Santos, D. F. Cintra Junior, *. R. S. Fa*ias 224 *esenvolv*me*to infant*l. O surgimento s* dá com várias outras áreas *ue se f*z*m necessári*s *ara o t*aba*ho *om bebês (JER*SALINSKY. J, 2002). *istoricamente, os s*rvi*os públic*s para *s pequ*nos com trans*ornos men*ai* du*ante * seu dese*volv*mento na *n**ncia quase n*o existira* ou eram *nadequado. Acr*dita-se que isso ocorreu po* conta dos poucos r*cursos que vão pa*a a área da saúde e **nda s*o direcionados para combater *s causa* de mo*tal*dade e a desnu*rição. Atualme*t*, apesar *os po*cos estudos, já se enc*ntra* evidênc*as su*icien*es q*e n*s mo*tram uma mo*bidad* considerável vinda do* prob*em*s emocionai*, co**ortame*tais, de **icoses e retardo mental in*antil (KUPFER, M. C; *ERUSALINSKY. A; WANDERLE*.D, e* al, *003). Exi**em dois protocolos de avaliaç*o cr*ados por psicanalistas que * o grupo Jerusa**nsky *ue é IRDI Ind**adore* c*ínicos de risco para o desen**lvimento infantil e o AP3, Avaliação p**cológica dos trê* anos que são protocolos *ue os pediat**s ***em usar nas consultas para iden*if*ca* qu* é um check*ist mai* ou me*o* só que eles não b*scam o que faltam eles bu*cam o que tem que mo*i*ica a pe*spect*** onde qualquer pessoa p*de m*dificar isso *or*u* a gent* lida com crianças *e eu t*n*o três crian**s que age d* tal *o*m* e ou*ras criança* que age *iferente vou começar ver **e aq*e*as cri*nças não estã* bem ou não est* acontece*do e/esta acontecend* de forma *uit* len*a *sse de*envo*vimento psíq*ico um* vez identificando buscan*o intervenção porqu* a gente ver muito a esp*ra **so nã* v*i passar isso é com a idade né as compa*açõe* ao *nvés de *usca* um posi*ionamento, po*s a**ilo que você **ha que é besteira uma vez buscando inte*vir e **tervir clinicament* ap*stando nesse psiquismo investi*do niss*. (Entrevis*ado 4 ). P*d*mos refletir sobre o descaso com a saúde mental na *nfância que já discuti**s a*terio*m*nte. Po* não serem visíveis *lgu*as manifestações patológicas, * pode* público a**ba *ão *ando mui*a imp*rtância, sendo que **guns dess*s transt*rnos *o*em tra*er estrag*s s*gnificativos aos nossos pequenos. Durante a entrevista, foi *encionado que existem d*is protocolos de avaliç*o pa*a *n*erven*ão a tempo que seri*m indicadores *lín*cos *e risco para o des*nvolvimento *nf**til (IRDI) e Aval*ação Psican*líti*a ao* trê* an*s (*P3). A p*rtir *a teoria psicanal*tic*, pesqu*sad**es *niversitários br*sil*iros d*senvolveram IRDI que * é *m protocolo *om 3* indicado*es que pod*m ser ú*eis para *pon*ar a po*s*bilidade de surgim*nto de distú***os ps*quicos (KUPFER; JERUS**IN*KY; WANDER*E* et al., 2003). * que *rientou ess* pesqu*sa é que o p*in**pio da saúde *ental se c**sti**i nos p*imeiros anos *e *ida e são *incula*os com as r**ações afetivas, corporais e *i*bólicas que se *sta*elecem entre * *e*ê e a mãe, ou *u*m faz a função materna. As ativi*ades básicas que co*põe a vida do bebê em seu* **i*eiros meses, tais c*mo dorm**, mamar, acordar, ol*ar ou defe*a* não depe*dem **m*nte *o orgâ*i*o, *as dos seus cuidadore* e suas marcas Rev. FS*, T*resi*a, *. 14, n. 6, art. 11, p. 204-229, nov./dez. 2017 *ww4.*sanet.com.br/revist* S**de Mental *a Infânc*a: os Seus Ris*os e *e*af*os na Contempor*neid*de 225 simb**icas *fetuadas po* eles. Por isso a impo*tância de in*est*g*r o desenvol*imento *a criança *e **do articula*o com su* con*ti*ui*ã* psíqu*c*. Se houver falhas no *rocesso da constituição e da sua *ubjetividade pode ocasio*ar transtorn*s psíquico* no desenvolvi*ento infan*il. *e ac*rdo *om Bern*rdino (*008), as cri*nças que apresen*am sin*is de risco no IRDI precisar** ser encaminhadas pa*a o *ratamento ps*co*erápico, poi s j á se **de aval*ar a pre*enç* de al**m tipo de *o*riment* para bebê e *a*a e*sa pesquisa é a a*sência o de indicadores que *ug*r* um risco para o desen*olvimento do bebê, p*demos ent*nde* que *u*nd* os IRD*S estão presen*es, serã* i*dic*dore* d* de**nvolvim*nto* e, qua*do ausent*s, serão *n*icadores de *isco para * desenv*lviment*. Como foi m**ciona** ante*iorme**e, também tem*s o AP* que, da mesma forma, foi *roduzido pelo mesmo *r*po de pes*uis*dores do IRDI, refere-se a um roteiro a ser a**icado por psicanalistas com *s pais e com a cria*ça, *epois da r**lizaçã* da en**evi*ta, o psic*na*ista d*v* elaborar um par*cer e deve a*sinalar cas* perce*a uma *ventual pres*n*a de si**omas clínicos. S* for const*tad*, é po*sív*l reconhece* que a cri**ça est* *pres*ntando dific*ldades d* d**envolvimen*o e p*d*rá ter p*oble*as d* o*dem p*íquica, *e *e*uena relevância ou m*is *ntensa, e que a existên*ia de risco* pa*a * cons*ituição subjetiva e que ind*ca pro*lemas mais es*rutura*s que p*de evoluir em di*eção a psicopa**logias se*ias na inf*ncia. 5 CONCLUSÃ* O* r**ul*ados observados p*r i**erméd*o de*sa pesqu**a *e*pertam para a n*cessidade *e se refletir a respeito d* doença *ental na infância, fazendo considerações sobre qual l*gar a c*iança ocupa n* seio da dua f**í*ia * n* soc**dade e* **e ela se co*stitue. È importante qu* se quest*o** mal estar qu* *n*u*tia a vid* d** o p*quenos. Foram inv*stigados *o*r* diversos enfoq*es den*ro do *iés psicana*itico, o lugar das crianças e o va*or da* relaçõe* entre pais * filhos nas su*s familias na atu*lid**e que apontam para a *eces*id*de de ponde*ar o* efeitos produ**dos no processo da subjeti*aç*o. *á prejuízos na *ua **pa*idade de se favorec*r *m relação aos avan*os sociais e *c*nômico* que resultam em maiores problemas de saúde ao l*ngo da vida, do *ual co*sti*uem pa*te dos problemas em rel*ç*o aos **m*ortamento* e às *quisições de competênc*as sociais. Se as vivências de um a cria*ça houver u*a e*ti*u*a*ão q*alific*da * se ela for *ui*ada *o ambiente soci*l em que vive, podendo ser tanto no seu c*nvívio como Rev. FSA, Ter*sina *I, v. 1*, n. *, art. 11, p. 2*4-229, no*./*ez. 2017 www*.fsanet.com.br/*evista K. R. *antos, D. F. Cintra J*nior, R. R. S. Faria* 226 *m g*upos *ocia*s, isso af*t*rá * maneira do seu *es*nv*lv*me***. For*m apontados *s f*to*es de riscos q*e *odem vir a con*rib*ir para o surgimento *e uma psicopatologia na infância. O fato de não *e estar da*do muita importância à saúde mental na infância * bas*ant* delicado, pois **itas *as *ondiçõe* *econheci*as co*o f*t*res de risco podem demost*ar amea*as *ar* a s*úde menta* *o futuro de u*a criança * pode vir acarr*tar um aumento na demanda *e *ten*imentos psicológi*os e psiquiátricos para adul*os. Faz-se necessário que profissionais da s*úde qu* t*abalham com *r*ança voltem o seu olhar para os problemas de saúde mental *a infância, bu*c*ndo, incl*sive, est*d** e se aperfeiç*ar p*ra a prevenção d*s psicopatol*gi*s ainda na infância. C*n*or** foi discutido na análise de dad*s, já exist*m os *ois p**tocolos *e a*al*a*ão o (IRDI) indicadores clín***s de ri*co para o des*nvolvimento infantil e o (**3) Avaliação psic*lóg*ca dos 3 anos. Há i*port*ncia de os esp*c*alistas buscarem saber *ais sobr* o que *stá send* estudado * pesquisado. Há també* a necessidad* de mais invest*mentos *ara estudos ac*rca das práti*as de in*ervenção precoce. Ao *azer a análise *as e*trevistas, perceb*mos que cada cas* *línico qu* os *rof*ssionais acompan*aram apresen*a uma especificidade, e *u* é i*egável *ue a exp*ri*ncia da in*ância tem uma *mp*rtância significativa * * papel dos **i* *u de quem faz essa fu*çã* para *ma constitu*ç*o psí**ica s**dável, a for*a *o*o * c*iança foi **alentad* de c**o ela receb** esse af*to contrib*i para a s*a form*ção e a im*ortância de obser*ar a de*anda dess* fam***a *obre essa criança de como e*a irá li*ar com a* cobran*as desses out*os. Durante a pesquisa pe*cebemos a impor*ânci* de * profissional que trabalh* c*m saúd* mental n* infância sa*e* da* u* diagnóst**o ap*opriado, realiz*r *m encaminhamento, se necess**io, que p*ss*bilite um a*ompanh*mento adequa*o, co*versa* *om ess* famíli* que já chega com diagn*sticos prontos, poi* *s*o impl*car* ** vida de uma cr*anç* que po*e *e*ar esse *u*osto diagnó*tico para t*da a sua vi**. REF*RÊN*IAS ADELI*O, C. M. Dia**óstico na infâ*cia: *lguma *onclu*ão possível? *sic*logia Revi*ta. Revi*ta da Faculdade de C*ênci*s Huma*as e da Saúde. *SSN 141*-40*3, v. 1*, n. 1, 2010. ANTUN*A E. L. Investig*ção neuro*sicológica na i*fânci*. Bo**tim de Psicol*gia da Soci*dade de *sicologia de São Paulo. 1987; 37(87): 80-1*2. ARIÈS, P. A Hi**ória **cia* d* criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, *9*8. Rev. 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