www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 13, n. 6, art. 1*, p. 203-219, nov./dez. 2016
I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298*
http://dx.do*.org/10.*2819/2016.13.6.12
Algumas Percepções da Cat*goria G*nero Segundo Profissionais do C*n*ro de Aten*ão
*sicos**cial (CAPS)
Some **rceptions o* Gender Cate*ory A*c*rding to P*ofessionals ** Psyc*osocial C*re C*nter
(C*P*)
Alessa*dro Vinicius De Paul*
Do*tor em Administ***ão pela Un*versidade Fede*al de Lavr*s
Mestre em P*icologia Social *el* Universidade F*deral de M*na* Gerais
P**fessor *a U*iversidade *e**ral de Ma*o Grosso
E-mail: av*a*la@yahoo.c*m.br
Christi*ne Batista De Paul* Lob*to
Mestra em A*min*st*ação *ela Unive*si*a*e Federal *e La*ras
E-mail: chri*_batista@yahoo.com.br
Endereço: A*essandro Vinic*u* D* P*ul*
Ende*eço: **partamento de Ps*c*logi*/Instituto *e
Educaç** d* Universidade Federal d* Mato G*o*so
(UFMT - Ca**u* Cui*bá). Aveni*a Fernando **rrêa da
C*sta, nº 2.*67, Cuiabá, *ato G*osso, Bras*l - CEP
Edi*or Cie*tífico: To**y Kerley d* Alencar Rodri*ues
*r*igo recebido em 24/08/*0*6. Últim* versão
**cebid* em 19/09/2016. Aprovado *m 20/09/**16.
78060-900.
Endereço: Chr*stiane B*tista De Paulo Lobato
End*reço: P*o*rama de Pó*-Graduaçã* em
A*m*nis*ração da Univ*rsidade Federal de La*ras DAE-
UF*A, Ca*x* Posta* 3037, Campus da Unive*sidade
Fed*ra* *e Lavra*, Lavra*, Minas *e*ais, B*asil - CEP
37200-000.
*val*ado pelo sistem* Triple Review: De*k **vi*w a)
pelo Ed*tor-Chefe; e b) *oub*e Blind Revi*w
(avaliaçã* cega por dois avaliadores da *re*).
Re*isão: Gramatical, Normativa e *e Form*taç*o.
A. V. Paula, C. B. P. Lobato
204
RE*UMO
O prese*te e*tudo expl*ratório objetivou verificar *e a variáv** gênero feminino é um fator de
a*r**o
d*s condiç**s de *aú*e **s usuária* atend*das no Ce*tro de Atenç*o *sicoss*cial
(CAPS) em uma cidade do *u* d* Minas Gerai*. Abordando a per*e**ã* d** profissiona*s que
trabalham no *AP*,
busc*u-se inve*tigar qua*s são as
*rincipais demandas/queixas
relacion**as à violência d* gênero e o percentual de m*l*eres que *uscaram a*g*m* forma de
tratamento/interven*ão na uni*a*e do CAPS. Buscou-se id*ntific*r *e as variáveis de gênero,
r*ça/e*nia e class* so*ial são per*ebidas pel*s profi*s*on**s do *A*S **mo fato*es q*e **dem
*ese*c*dear/*grav*r os
quadro* d* *aúde da* mulhe*es usuá**a*
dos serviç*s da unidade. A
amostra apr*sentou que há marcantes diferença* quanto às queixas/reclamaç*es dos pacientes
em função do gêne*o. Segu*do percepção dos prof*ssionais *ue a
*rabal*a* no CA*S, as
mulheres tendem a a**ese*tar mais si*tomas depres*ivos estão mais preocupadas com as e
qu**tões familiares, s*us conflitos e seu pa*el soc*al na dinâmica cas*/trabalho/família. Os
homens, po* sua vez, *end*m a se preocupar mais co*
as resp*nsabilida*es
finance*ras/e*trut*rais d* família, com seu papel d* provedor do lar. Out*as *esquisas dev*m
ser desenvolvidas *ara aprofun*ar a compreens*o dos signific*dos dos papéis de ho**ns
e
mulheres *a visão das us*árias dos serviços pr*s*ados p*l* CAPS.
Palavras-chave: G*nero. Cent*o de Atenção Psico*soc*a* (*APS). Condições d* Saúde.
*bstract
T*is expl*ratory study aimed to v*ri*y *f th* variable *ender (female) is a* ag*rava*ing factor
o* th* heal*h of user*
as*isted in the Cen**r for Psy**osocial Care (C*P*)
in a town in
*out*er* *inas Gerais - Braz*l. *ddressing the perceptio* of professi*nals working *n CAPS,
we *ought to in*es*iga*e what *re the main de*ands / c*mplaints related t* gend*r v*ole*ce
and the pe*centag* of wo*e* who sought s*m* fo*m *f tre*tment / int*rvention *n CAPS u*it.
We soug*t to identify whether t*e variable* of gende*, race / ethnicity and soc**l class are
p*rceived *y the CAPS professionals as factors *hat can tri*ger / ex**er*ate the health *taff of
*** women *een in th* unit services. The *ampl* s*owed th*t *he*e ar* mark*d *ifferences in
the complaints / cl*ims of patient* *y gender. Accordi*g to the perc*pti*n of pr**e*sionals
wo*king in CA*S, women tend to h*ve *ore depressive symptoms
a*d ar* more co*cerned
with *amily issu**, confli*ts and so*ial ro*e in the
dynamic home / work famil*. Men, in /
**rn, tend to be *ore co*c***e* w*th th* f*nanci*l / structura* res*on**bilities o* the family,
with its role as home *f t*e p*ovider. Further research sho*ld be develo*ed to deepen
understa*d*ng *f th* meanings o* th* rol*s ** men and women i* t*e perspective of use*s of
services provid*d b* C*PS.
Keyw*rds: *ender. Cen**r f*r *sychosoci*l *are (CAPS). Health Co*dit****.
*ev. FSA, T*resina, v. 13, n. 6, art. 12, p. 20*-219, nov./dez. 2016
www4.fsanet.com.br/revi**a
Algumas P**c*pções d* Categor*a G*ner* S**undo P*o*ission**s do Centro *e Atenção Psicossoci*l (CAPS)
205
1 **TR*D*ÇÃO
* presente estudo e*ploratór*o obj*tivou verif**ar se a variá*el gênero fe*inino é um
f*tor *e a*r*vo *as condições de **ú*e das usuárias *t**didas n* Cent*o de *tenção
*sico**o*ial (CAPS) em **a cida** do sul de Minas Gerai*. Aborda*do
*s percepç*es dos
profissi*nais que tr*balhavam ne*s* un*dad* do CAPS,
b*scou-*e investigar ** s**uintes
*uestões: Quais são *s
prin*ipa*s demandas/*ueixa* r*la**onad*s à violência de gêner* e
o
p*rcentual de mu*h*res *ue bu**aram algum* forma ** trat**ento/int*r*en*ã* na unidade do
CAPS? As *ariáveis de gêne**, r*ça/et*ia * cla*se *ocial são pe*ce*id*s pelo* pro***sionais *o
CAPS como *ato*es que podem desencadear/agravar
os quadros de *aúde
*as mulheres
usuárias dos ser*iços da unidade?
As mul*eres acometidas por d*versos t*pos de violência b*sc** atendi*e*tos ta*bém
no C*PS. Cabe r*ss*l*a* que a* enfocar*os a *i*lênc*a como uma questã* de Saúde Públi*a,
tor**-se de **t*ema **portân*i* analis*r suas diversas f*rm*s de *an*fest*çã*, assim como
os meios
de enfrentá-l*. A Or**n*zação Mundial d* S*úde defin* *iolência como us*
intenciona* da força física/**der, rea* ou *m *meaç*, contra *i p*ó*rio, out*a pessoa, grupo ou
c*munida**, que res**te ou
*enha grand* p*ssibili*ade de resu*tar lesão, *or*e, dano
psi*ológico, *efic*ê*c*a no dese*volviment* e pri*ação (LIMA, 2004).
Numa perspecti*a psicossoc*al, *nco*tra*os o conce*to de v*olên*ia como resultado
da conversão da d*f*rença numa re*ação de desigual*ade, se**o que *as relações de g*ner*,
pauta**s na hegemonia do p*tri*rcado, c**acteriza-se
*or relaçõe* de
poder do tip*
d*minador-dom*nad* q** gera a op*essão do outro (SAF*IOTI, 2004).
N*sse s*nt*do, a *iolência dev* ser **mad* pelo aspecto da *ominaç*o/suj*ição e *ã*
*elo
da transgressão/violação, como é observ*do
no aspe*to juríd*co co*o violaçã* d*s
co*tumes e le*s.
Porta*to,
*ária* *orm*s de violênc*a pod*m
e**ar bas*a*as nas rel*çõ*s
assimétricas
de
poder entre homens e mulher**, s*ndo
possí*e* reag*upá-las sob a
denomi*ação violênc*a de
g*n*ro. R**s*ltamos que
abor**mo* apenas as **r*ep*õ*s dos
pro*iss*o*ais *ue at*avam no C*PS par* levantar os dados aqu* apresentados. *s usuári*s do
CAPS não f*ram abord*das no pr*sente e**udo.
Rev. FSA, Tere*ina *I, v. 13, n. 6, art. *2, p. 203-219, nov./dez. *016
www4.fsa*et.com.**/revista
A. V. Paula, C. B. P. Lobato
206
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.* *reve *ont*xtu*lização dos Centros de Atenç*o Psic*ssocial (CAPS)
No Brasil, a reforma do s*tor *aú*e de*orr*u de inte*sa mobilização s**ial. A***mas
mud*nças ocorrer** de*de a Reforma *anitária as *uais, por fim, leg*lizaram e norma*izaram
a sa*de po* meio do Sistem* Único de S*úde (*US). O Ministé*io da Saúde
*efiniu que
a
Ate*ção Bási*a de*e ser a porta de entra*a prefe*en**al *o SUS, se*do *ma das priori*ade*
para reorganizaçã* *o modelo de saúde, ten*o c*mo foco a Estratégia de S*úde da *amília -
E*F (U*SINE; TRELHA; NU*ES, *010).
Atualmente, as políticas ofi*iais d* saú*e *o Bra**l prec*n*za* a organizaç**
de
Serviços de Saúde M*nt*l substitutivos ao mo*e*o asilar e coerentes c** o* p*incípios
**
Refor*a Psiquiátric*, ta*s como os *entros de A*ençã* Psicossocial - CAPS, as Residências
Terapêuticas, as Ofi*in*s de G*ração *e *enda, ent*e o*tros. A rede de saúd* mental **de ser
constituí*a *or vár*os
dispositi*os assiste*ciais *ue possi*ilitem
a
atenção p*ico*s*ci*l aos
pacien*e* com
tran*tornos mentais, segun*o critérios populacion*is * dem*nd*s dos
munic*pios. Esta *ede p*de contar com ações de *aúd* mental na atenção b*si*a, Centros *e
A*enção Psicossocial (CAPS), s*rviço* residenciais terapêuticos (SRT), le*tos em hospita*s
*er*is, ambulatórios, *tc. *al rede de*e f*ncionar de for*a art**u**da, tendo os CAPS como
serviç*s estratégicos
*a organização de sua porta de en*ra*a e de sua *egulação (BRASIL,
2010).
As ações de *aúde me*tal *evem se* *rga*izadas a *a*tir da c*ns*itu*ção de núcl*os de
at*n*ão *nte*ral na saúde da fa*ília. Estas equi*es deverão dar suporte téc*i*o (su*ervisã*,
ate*dime*to
em
con*unto e at*n*imento específico, além de parti*ip*r *as i*iciativas de
ca*acitação) às e*ui*e* re*pon*áve** pe*o desenvo*vim*nto de ações básica* de saúde para a
populaçã*: *SF e ACS (BR*SIL, 2010).
O prim*iro ***tro de At*nç*o Psicossocial (CAP*) do Bras*l foi inaug*rad* em
m*rç* de
1987 *m São *aulo (SP), no
context*
político da redemoc*atizaç*o do Pa*s e
nas
lutas pela revi*ão de marcos conceituais. Den*re
tais ma*cos conceituais e*tão
novas for*as
d* ate*ção * de financi**ento das ações *e saúde mental que se for*aleceram a **rti* do final
*a década de *98* na Amér*ca Lati*a e no Brasil (NASCIME*TO; GALVANESE, 20*9).
O obj*t**o
d*s Ce*tros
** Atenção Psicoss*cia* (*APS) é oferecer atendimento
à
populaç*o, realizar o acompa*hamento clí*ico e a rein*erção social *o* usuários *elo a**sso
ao *r*balho, *azer, exercício dos dire*t*s ****s e fo*talecimento dos la*os fami*ia*es
e
Rev. FSA, Teresin*, v. 13, n. *, a*t. 12, p. 203-219, nov./dez. 2016 w*w4.*sanet.co*.br/**vis*a
Algumas Percepções da *ateg*r*a Gênero Segundo Prof*ssion*is do *entro de Ate*ç*o P**coss*cia* (CAPS)
207
comunitários. Os CAPS são serv*ços d* saúde munici*ais, ab*rtos, comunitá**os
*ue
oferecem at*ndimento diári*. É o núcleo de uma nova clínic*, prod**ora de autonomia,
que
convida * u*uár*o à res*onsabilização e ao prot*gonismo e* toda a trajetória d* *eu
tratame*to (BRASIL, 2010).
Os Centros de Atenção P*icossocial (CAPS), entre tod*s os dispositivos de ate*ção à
saúde mental, têm v*lor es*ratégico par* a *e***ma P*iqu*átrica B*asileira. Com a criação
desses centros, possibili*a-s* a organização de uma re*e s*bstitutiva ao Hospital Psiq**átrico
** **í*. Estes *e*viç*s devem ser su**titutivo* e não co*plemen*ar*s ao hospital p*iquiátrico.
(BRASIL, 2010).
*s CAPS *od*m ser
de tipo I, II, I*I, Álcool * D*ogas (C*PS Ad) e Infanto-j*venil
(CAPSi) de acordo com
parâmetros *opul*cion*is e at*ndi*ento à reali*ade loca*, pa*a
a
implantação dest*s serviços. As três modali*ade* *e serviços c*mpr*m a me*ma *u*ç*o no
*t*ndimento púb*ico em saúde m**tal, de*end* *e constitui* em serviç* ambulatorial d*
atençã* diári*. Deverão estar capacitados *a**
realizar *riori*ariamen*e ate*d*mento de o
pacientes com tran*to***s mentais graves e pe*sistentes em sua áre* t*rritori*l, em reg*me de
t*a**me*to inten*ivo, sem*-intensivo e n*o int***ivo (AND*EOLI et al.,
2004;
NASC*MENTO; GA*VANESE, 2009).
Os p*ojeto*
d**ses
serviços, mui*as vez*s, *ltrapassam a pr*pria es*rutura fí*ica, em
busca da red* de suporte social, potencia*izadora de suas ações, preoc*pando-se com o su*eito
e a *ingula*ida*e, sua história, *ua cu*t*ra e sua v*da cotidiana (BRASIL, 2*1*).
Visto q*e os C*PS *tuam como "a porta *e entrada da rede de *ssist*ncia em s*úd*
mental na sua área de at*ação" (BRA*IL, 20*0), * present* estud* exp*oratório objetivou
id*n*if*car as pot*ncia*s corr*lações entre os
quadros d* ad*ecimento me*t*l das *ulhere*
qu* bus*am por esse serviço * as relações de gên*ro nas quais es*ão envolvidas.
2.2 *ensando gêner* c*mo categoria de *nálise dos f*nôm*nos sociai*
A dis**ssão acerca dos estudos s*bre as rela*ões de **nero *iverge,
princi*almente,
em fun*ão da evolução do próprio conceit* de gênero, sofre*do influências da época e do
contexto da forma**o de **da perspectiva (CAPPEL*E, 2**6). Par* Thompson (1987 citado
por SARDENBERG; COSTA,
1994), "a consciência de gên*ro *u*ge
d* mesma forma em
*e*pos e luga*es d*ferentes, mas nunca exatamente da *esma forma".
O conceito
de gêner* é
uma c*n*t*ução teóri*a, r*lativamente recen*e, que busca
a**nder
à ne*e*sidade de d*fere**iar
as característi*a* sexuais dos seres humano* -
Rev. *SA, Teresina PI, v. 13, n. 6, art. 12, *. 203-2*9, nov./de*. 2016
ww*4.fsanet.com.br/revista
A. V. Paula, C. B. P. Lobato
208
biologicamente estabe*ecidas - de seus múlt*plos de*em*enhos *o**ai* - tra*uzido em papéis
sociais e expecta*ivas *e comporta*ent*s t*d*s como masculinos e feminino* (SCO*T,
*99*). A cat**or*a gênero, para *cott (**95), pode *er
enten*id* como a *rganização social
da d*f**ença sexual, send* uma *orma de con*trução social que uma dad* cu*tu*a estabelece
para regu*ar as rela*ões entre h*mens e mulheres (masculino e fem*nino).
*s trab*lho* dedicados a i**estigar *êne*o têm contribu*do para o entend*mento
de
uma d*mensão *mportan** das relaç*es sociais e suas var*açõe* ao *o*go da *is*ória
(STEARNS, 2007). *ortant*, *alar *m gêner* * uma
forma de enf*ti*ar o *ar*ter s*cia*
e
hi*tórico, da* con*epções basead*s na* percepções da* di*erenças sexuai* (SOUZA; MEL*;
OLIVEIRA, 200*).
A *iferenciação *ntre os conceitos d* gêner* e sexo é essenci*l nos estudos sobre a*
*elaçõe* de gê**ro. Para
as a*orda*ens *nicia*s sobre gên*ro, c*nsi*eravam-se as
caracte*í*tic*s bi**ógic*s d* cad* sexo como r*spo*sávei* *ela de*igualdade e*tre ho*ens e
*u**eres (IZQUIERDO, 1***; SOUZ*; MELO; OLIV**RA, 2008). A oc*rrência da
diferen*iação *nt*e *exo e gê*e** uma manei*a de disti*guir as lim*tações e capacidades é
impli*adas p*las carac**rísti*as *exuais,
pelos padrõ*s de i*enti*ade, modelos, p*si*ões
e
estereótipo* moldados pelas ca**cterísticas
socia*s, psíqui*as e hi*tóricas (I*QUIERDO,
1994).
O s*xo é a diferença **ológica e anat*mica *n**e ho*e*s * *ulh*res, ***uanto gênero
rec*nhece aspectos psicoló**cos, sociais e cu*turais const*tutivos d* identi*ade masculi*a
e
feminina (CAPPELLE, 200*; FONSECA, 2010). **gundo Sohiet (1997), gêne*o o termo é
utilizado, desd* a dé**da de 19*0, para teorizar a que*tão da diferença sexual, *ndicando uma
re*eiç*o ao det*rminismo bioló*i** (sexo ou dife*ença sexual). Sohiet (19*7) complementa
sublinhando o aspecto relacional *n*re homens e mulh*res, segundo o
**a* nã* pode **ver
nenhuma compreen*ão *e qualquer um dos dois, em um *stud* que os consi*ere tot*l*ente
em separado.
Silva (2004, p. 1*8) e*tende "gênero *om* u*a relação *ntre sujeito* *istor**a*ente
determi*ados, e não apenas como um c*n*eit* descr**ivo que designa
o masculino e
o
f*min*no". Par* Scot* (1995), t** c*ncepção implica uma nova
história, esc*i*a com o
des*nvolv*m*nto do gê*e*o como cat*goria de aná*ise, desco*struindo *eu conceito fixo
de
op*siç** **nária en*re masculino * fem*ni*o, e como uma rejeição a* deter**nismo biológico.
Os papéis de *ênero são definidos como ** conjun*o de exp**t*t*vas em relaçã* aos
comp*rtame*t*s s*c*ais
que s *
*speram das pess*as *e determ*nado sexo (MARODIN,
1997). Para M*ad (1*88), é a c*l*ur* que constrói o gê*e*o, simboliz*ndo as ativid**es como
*ev. FSA, Te***ina, v. 13, n. 6, art. *2, *. *03-2**, nov./*ez. 2016 www4.fsan*t.c*m.br/revista
*lgumas Percep*ões da Categoria Gênero Se**ndo Pro*i*sio*ai* do Centro de Atenção Psicoss*cial (CAPS)
209
masculinas ou femi*i*as, ou seja, *s diferenç*s sexuais são s*cialmente c**struídas. Louro
(*007) ressalta a im*or*ânci* de entendermos o dinâmico pro*e*so envolvido na formação das
identida*es soc*ais, incluindo * i**ntidade de gên*ro:
*econh**e*-se numa id*ntidade *upõe, pois, r*sponde* *fir*a*ivamente a um*
int*rp*lação e estabelece* *m sentido de perte*cimento a um grup* social de
ref*rência. *ad* há de simple* ou de *stável nisso tud*, po*s essas múltiplas
identidad*s podem *obrar, ao
mesmo tempo, lealdades distintas, div*rg*nt*s ou até
contraditórias. Somos sujeitos de m*itas ident*dades. E**as múltiplas identidades
*oc*ais podem ser, t*m*ém,
pr*vi*oriament*
atraen*es e, depois, no* p*recerem
d**cart*veis; elas p*dem ser, ent*o, *ejeit*das * abandonadas. Som*s sujeitos *e
identidad*s tr*nsitórias e contingentes. Portanto, as id*nti*ades sexuais e de gênero
(como todas as identi*ades soci*i*) têm o car*t*r fragme*tado, instáve*, histórico *
*lural [...] (LO*R*, 2007, *. 12).
Para Sarde*berg e Costa (1*94), a cons*iência de gênero é a forma co*o as
experiências *omu*s s*o tratadas em termos *ultura*s: e*ca*na*as em tradições, sistemas de
v*l*re*, ideias e *ormas institucionais. *omo *xem*l*, afirmam que m*lh*res em co*dições
**ciais,
ec*n*micas e cult*rais percebem de form** distintas s*a
situação
de
d*minaç*o/su*ordinação.
Gênero é uma cat*g*ria re*aci*nal e hierarqu*zad* que define pa*éis e r**açõ*s
***ialm*nte *o*stru*das entre homens e *ulher*s, relações estas marcadas pelas diferenças *e
pod*r e*tre homens e mul*eres vi*entes a*ual*en*e em nossa sociedade (*AFFIO*I, 2004).
Desta forma, o conceito de gênero s*rge como instrumental teórico, *ara d** respaldo
científico e, sobretu*o, acadêmico aos estudos feministas sobre as condiç*es das mulhere* nas
so*ied*des m**er*as (P**ROSA, 200*). Após a seg*nda metade da década de 70, após
a
separação dos termos sexo * gênero ser
fi**ada n*s comunidades *e antropólogos, é que
a
diferença s*xual p**sou a ter gr*nde i*portâ**ia an*lítica nas pesquis*s (TEDESCHI, 20*5).
Sardenberg e Costa (1994) prop*** um recorte n* *onsciência do gênero, agre*a*do a
co*sciênci* de *lasse dentro do gênero. E* se tratando de mulheres, além do co*heciment*
das e**ecificidades d* biologia feminina, há que se conh*cer e
compr*ender
as
especific*dades da condiç*o d* *ulher no espaç* social considerado. N*o apen*s atr*vés
da
*lasse social pode-se det*r*inara posição
do indi*íduo na sociedade; as especifi*id*des
da
própr*a biolo*ia, por expressarem u*a c**dição
de d*si*ualdade no *spaço *ocial, acabam
também deter*i*an*o o "lug*r s*cial" de cada *m. Outros recortes **alí*i*os podem fa*ili*ar
a compree*são dos fenômenos soc*ais *, dentre eles, o *rópri*
p*ocesso saúde-doença, t*is
c*mo a raça/etnia e o gênero (FONSE*A, 199*).
Re*. FSA, Tere*ina PI, v. 13, n. 6, *rt. 12, p. 203-219, n*v./d*z. 20*6
www4.fsan*t.c*m.*r/rev*sta
A. V. Paula, C. B. P. Lobato
210
So*ie* (199*) vai m*i* além, pr*pondo a rees*rita (cien*ífica) da *i*tória (das
m**heres), articul*ndo gênero, classe e *aça/etnia, c*mpo**o esta nova história com a *ala dos
o**imidos, os *i*os *a organ*z*ção *esigual do pode*:
Definir a submissão imposta às mulher*s co*o uma violência simból*** aju*a
a
co*preender como a *e*aç*o de dominação - que é uma relação histórica, cul*u*al e
linguisticamente cons*ruída - é semp*e afi*mad* como uma diferença de ord*m
natu*al, ra*ical, irr*dutív*l, universa* (SOH**T, 199*, p. 09).
Seg*n*o C*t*ey e Jo*es (20*2 cit*dos por MUNIZ, 2008), a vio**ncia s*m*ólica é
repre*entada p*los regimes *nvisíveis *ue subjugam e atormentam a* pessoa* de f*rma muit*
mais p*de*osa que a f*rça brutal, pois *ua pressão é silencio*a e co*stante. *ichaud (1989),
afi*ma que há violência quand*, numa si**ação *e in*eração, um ou
vári** atores agem de
maneira direta o* indir*t*, maciça ou esparsa, causa**o
danos uma ou *árias pessoas em a
graus variáveis, seja em s*a integrid**e física, seja e* su* *ntegridade mora*, em suas posses
*u *m s*as **rt*cipa*ões *imb*licas e *ultu**is.
Diante *o *xp*sto, percebe-se *om* é im*ortante comp*eender as diversas forma* de
violênci* que im*actam
na saú*e *as mulh*res que buscam os s*r*iços públicos de saú*e,
*ncluin*o o CAPS. De*ta forma, t*rna-s* *xtr*ma*ent* i**ortante estudar a* percepções dos
pr*fissionais q*e traba*ham nas uni**des do CAPS. As formas como t*is pr*fiss*onais
*erce*em as demandas/quei*a* relacionada* * violência *e g*nero, enfrent*da p*l*s mu**eres
e *omo podem impactar no serviço qu* prestam aos u*uário*.
3 *R*CEDIMENTOS MET*DOL**IC*S
3.1 Procedimentos para coleta e *nálise de dados
A *ase de coleta de **dos
oc*rreu entre n*ve*bro e dezembro *e 201*. Uma vez
*btida a autoriza*ão *ara a realizaç*o da p**qui*a junto à *iretoria *o Cen**o de *tenção
Psicoss*cial (CAPS), fora* *dotados os *eguintes procedimentos: obse*vação *ar*icip*nte da
roti*a do* trabalhado*es do CAPS e r*alização das
entr*vistas c*m os qu*to**e sujeitos
selec*on**os pa*a constituir a **ostra do estu*o.
Após o fornecimento *e info*mações/e*clarecimen*os sobre o* objetivo* da pesquisa,
*em co*o o*ient*ções ac*rca ** car*t*r v*luntário *e pa*ticipação no *studo, deu-se início à
realização individ*al da* entrevistas de
acordo com a di*pon***lidade de cad* um. Cada
entrevista foi realizada na sala de reuniões e teve d*ração de, apr*xima*amen*e, *0 m*nutos.
Rev. FSA, T*resina, v. 13, *. 6, art. 1*, *. 203-21*, nov./de*. 2016 *ww4.fsanet.com.br/revista
A*guma* Percepç**s da Categoria Gênero *egun*o Profissi*na*s do Centro de Atenção *sicossocial (*APS)
*11
To*as as entrevistas *o*am anotadas pelos pes*uisa*ores com a de*ida autoriza**o dos
participantes e, post**ior*ente, trans*rit*s para a r*alização d* análise dos da*o*.
O métod*
de *nálise que mel*or s* en*u*dr*u na pesqui*a foi a
aná*is*
de c*nteúd*
(BA*D*N,
1995), dessa forma o material coletad* pô** ser
*n*lisado dentro do* objetivo*
deste e*tudo. Buscando compreender os discursos dos *rabalhadores, util*zou-se a análise po*
categoria* q*e fo* d*vidida em três f**es: 1) *ré-*nál*se; 2) exploraç*o do *ateria*
*u
codif**a*ão e, por fim, 3) tratamento, inferência e interpretação **s resultad*s. A
ca*egoriz*ção possibili*ou a organ*za*ão d** element*s coleta**s semelhantes entre si,
permi*indo a atribuição *e sentido e a interpr*taç*o *ualitat*va dos discursos.
3.2 Instrumen**s
*tiliz*u-se n**te estudo *ma ab*rdagem qualita***a q*e permi*iu *ncorp*rar as
questõe* dos s**nificad*s e das intenci*nal**ade* d*s su*eitos como condições inerentes a*s
at*s, à* re*ações e ** e**r*turas sociais (MI*AYO, 2004).
Na prime*r* **s* d* estudo, *ealizo*-se a
observação par*icipante (MIN*YO *t al.,
1994) da instituição com a int*nção de observar e re*istrar dados re*e*en*es à rotina e a*
comportamento do* trabalhado*es em t*dos os set**es do Centro de *t*nção *sic*ssocial
(CA**), o *ue permitiu *bter infor*açõ*s *ob*e a dinâmi** de func*onament* da *nstituição.
N* segunda *tap*,
uti*izou-se u* roteiro de entrevista se*iestrutur*da, desenvolv*do
*specif*camente para o *resen*e estu*o, c*nt*ndo qu*stões ab**tas e fec*adas, aborda*do
os
elementos que busc*va* investi*ar as p*ssíve*s re*ações ent*e o p*rfil dos ca*os a*endi*o* no
C*P* * as *egui*t** var*áveis: gên**o, r*ça/etnia e classe soc*o*conômic*, *em com* fator**
referentes
às condi*ões sociod*mográfica*, relações inter*ess**is, qualidade de vida e saúde
dos trab*lh**ores do CAPS.
3.3 P*rtici*antes
Pa*ticiparam d* presente estudo explora**r*o quatorz* sujeitos (dez *ulheres e quat*o
home*s) sendo que todos apr*sentav*m *ínc*lo profissional com o Ce*tro *e Ate*ção
Psic*ssoc*al (C*PS). Os *ritérios estabe*ecidos para a i*clus*o dos partici*a*tes *a amostra
for*m: e*tarem registra*os no C**S; **sponibilidade par* participação do e*tudo * pert*ncer
a diferentes carg*s/nív*is hierárquicos na ins*ituição, visando * o*tenção de r*lat*s de
Re*. FSA, *eresina *I, v. 13, n. 6, ar*. 12, p. 203-219, nov./dez. *016 www4.fsanet.com.br/re*ista
*. V. Paula, C. B. P. Lobat*
212
múltiplos profi*sionais/nív*i* da inst*tuiç*o estuda*a. Os da*os sociodemo*ráfico* estão
de*critos na Tabela 1, *e aco*do com *rofissão, escola*idade e sexo.
A i**de dos participan*es variou entre 25 e 45 a*os. Em *ela*ão à escolaridade, 72%
dos funcionários concluíram o ensino superi*r compl*to; 14% pos*u*m o ensino fundamental
c*mp*eto e 14% *nsino m*dio co*p*eto. Ao r**lizarmos o le*antament* s*bre o sex* dos
participa*tes, constatou-se que 71% ** am*st*a foi composta **r mulheres e os *emais 2*%
por *omens.
4
*ESULTADOS E DISCUSSÕES
A* cat*gori*s *aça/e*n*a e *ível socioecon*mico não apresentaram da**s r*levantes *a
anál*se d* amostra. Const*tou-se *penas q*e, po* ser u* serviço púb*ic* (gratuito), * ma*oria
dos *aciente* que pr*cur*m Centro de A*enç*o Psi*o*social (CAPS) pertencem a classe* o
socioeconômicas me*os f*vorecidas.
Rev. *SA, Teresina, v. 13, n. 6, art. 12, p. 2*3-2*9, nov./dez. 2016 www4.fsa*et.com.br/revista
Al*umas Percepções d* C*tegoria Gêne*o S*gundo Profis*io*ais do Centro *e *te*ção *s**os*ocial (C*PS)
21*
"Infelizmente trabalhamos co* us*ários de S*S, o *ue pressupõe, na
mai***a **s vez*s, *suário* de *aixa r*nda c*m pouco acess* * be*s e
**rv*ços de qualid*de" (P 2).
*mb*ra o CA*S seja destinado a at*nder paci*ntes de
qualqu*r classe social (ap*s
o
devid* dia*nós*ico para tratamento), os entrevistados *firmaram que isto dificilmente *corr*,
p*is, na maiori* dos cas*s, as pe*soas *e classe so**oeconômica mais abas*ada acabam
cus*eando tr*tamentos privados. *e acordo com os participante* do estud*, i*s* ocorre por*ue
e*es se*tem-se enver*onhados e *e*confortáveis em r*lação à convi*ência *om os "pacientes
*e níve* so*i*ec*nôm**o **ferior" (grande m*ioria dos pacie*tes no C*PS na atu*l**ade).
A maioria dos
partici*antes do estudo afirmou *ue as m*lh*res procuram mais
o
serviço oferecido pelo CAPS, apenas
do*s *articipa*tes *ndi*aram q*e * pr*cura pe*os
serviços era aproxim*dam*nte i**al entre mu*here* e ho*ens. *lguns estudos (*QUINO,
2006; FONSECA, *0*8) já indicaram que as mulher*s buscam mai* os servi*o* *e saúd*.
"Perc*bo que a demanda
dos *omen*, *ara fica* ** serviço em
a*end*mento, é meno*, porém, quando esse e*tra para o serviço,
o
proce*so de tratamento é m*i* complexo e prolongado em *elação
ao
da mul*er [...]" (P 1*).
De f*rma mai* genérica, as mul*eres já têm uma cultura/háb**o *e *u*dar da saúde. *á
os h***ns ai*da veem c*mo frag*lidad* demo*stra* q*e es*ão d*entes ou que necessitam de
auxílio. ** sistema hegemônico de fu**ionamento da masculinidade, buscar ajuda pode
"demonstrar *r*que*a". Já as mulheres partilham exp*riências pe*soai* de for*a m**s efeti*a,
devido * for*a co*o
ocorre su* so*ialização (NOL**CO, 1993). Tal real*dade pode ser
confirmada nos rel*tos dos pa*ticipantes do estudo:
"P*rceb* d***rença quanto à comu*icação; m*lheres f*lam mais d* si *
de suas d*ficu*dades" (P 1).
"O homem *ão procura muito o servi*o de nu*rição, p*is * au*ento d*
peso *ara el*s não é uma coisa m*ito import*n*e. Se procuram
é
devi** a uma perda de peso
considerável de al**ma p*tologia. Já *s
m**heres têm uma *reocup**ão maior e procuram mais o s*r**ço
de
nutr*ção devid* à importân*i*
que dão ao corpo e sua manutenção" a
(P 8).
Re*. FSA, Teresina PI, v. 13, n. 6, art. *2, p. 20*-219, nov./d**. *016
w*w4.fsanet.com.br/revista
A. V. Pa*la, C. B. P. *obato
214
Também foi possível perce*er nos relatos dos pro*issiona** que atuam no CAPS
alg*mas conseq*ên*ias à saúde da mulher, atribuídas aos mú*t**los papé*s desem*e**ado*
por elas na *ocie*ade atual:
"A maior queixa [das m*lheres] é *ua**o à *uncio*alidade das mesmas
nas ativi*ades
domés**ca*
e labora*ivas. Também se *ueixa* de
*elaciona*e*to com a fa*í*i*,
que muitas *ezes não aceitam e nem
c**pre*ndem a dança das mesmas [...] a* mu*heres quei**m *ais **
r*laçã* à fa*ília, p*e*cupam-se com os filhos e * marido" (P 14).
"*ntr* a* mulheres *erce*e-se o alto ní*el de prob*ematização *o q*e
tange aos vários papéis so*iais das **lheres e dific*l*ade de lidar com
esta di*âmica. In**dência maior em *amílias de formação
atípica" (P
2).
"Cul*ural, mulh*res es**o sobrec*rregad*s com *a**, filhos, serviço
e*c. gra*de q*eix*
que
percebo *a *a*a das mulheres como *m todo,
**r*ndo assim crises de ansiedade, chegando a ter crises *epressiva*"
(P 9).
"A *ulher tem mais d*f*ren** po*q*e tem s*us afazeres em casa, filhos
[*a] escola" (P 13).
Como visto, embora n*m todo* os profis*i**a*s d* C*P* estabeleçam diretamen** o
ne*o caus*l entre a* especific*dades d*s dife*enças de gêner* e as consequências na saú*e das
mul*eres, é *ossível perceber
*lguns
indica*ivos d*s*a prov*vel ***ação ao mencio*arem a
sobre*arga de tra*alho doméstico expe*imentad* pelas us*árias do serviço C*PS.
Ao indagarmos se exis*e al*uma diferenç* nas d*mandas/qu*ix*s t*az*das por homens
e mulheres,
qu*se todo* os
partici*antes in*icaram que o* homens, em ge*al,
procuram os
serviço* do CAPS com mais *ueix*s de alcool*smo e uso de ou*ras dr*gas. A*nda refere**e às
de*andas/quei*as dos ho*en*, *á refer*ncias ao* casos de d*semprego (ou fal** dele),
colocando em ev**ência o "papel do provedor" atribu*do ao*
homens (*RINDADE;
*ASCIME*TO; **ANORD*LI-NASCIMENT*, 2*06).
"*s h**ens já se queixam mais *m r*lação ao *rabalho, *o sentime*to
de util*dade e o seu papel de gestor da família" (P 14).
R*v. FSA, Ter**ina, v. 13, n. 6, art. 12, p. 2*3-2*9, nov./dez. 20*6 www4.fs*net.com.*r/rev*sta
Algumas Per*epç**s da C*teg*ri* Gêne** Segundo Profissiona** do Centro de Atenção Ps*cossocia* (CAPS)
**5
"Os h*mens se
**eix*m mais da questão socioeco**mica e
as
mulhere* sob*e a q*est*o sentimental" (P 6).
As mulheres queixa*-se de desân**o, baixa auto*stima, **pr*ss**, "*uestões
fi*anc*iras, sexuais, aband*n*" (P 7), solidão (especial**nte,*epar**ão con*ugal) e q*e*xas
relativas aos conflito* *ami*iares
provenientes da "falta de car**ho *m c*sa com *eus
f*m*li**es" (P 13).As
p*in*ipa*s dema*da*/queixas d*s *ulher*s
pod*m
ser ilustrad** pelos
dep*imentos se*uintes, not*-se também a co*paraçã* entre as deman*as *e mu*heres
e
homens:
"Ao longo
*os anos obse**ei nos
atendim***os
uma demanda/quei*a
relaci*nada a sintoma* *epressiv*s *n*r*
as mulh*r*s. Sinto*a*
ansio*os ta*bém são comuns. [...] hom*ns t**dem a
t*azer questõe*
mais relacionadas ao estress* do trabalho, às cobrança* e d*ficuldades
de relac*onament*. *nvol**mento com álc*ol" (P 10).
"Na m*ior*a das ve*es, a ansiedad* e a d*pres**o *ão os [sin*oma*] que
m*is aparecem, po*s, com eles, há um aumento ponde*al c*nsid*rável,
o *ue faz com que as *ulheres t*nham u*a baixa est*ma. Nas
mulh**es, *o*o dit*
anterior*e*te, a*sied*de e depr*s*ão, e no*
hom*ns alguma patologia co*o diabet*s e hipertensão etc." (* 8).
"As mulhe*e* estão mais volta**s (su*s qu*ixas) para q*est*es
rel*tivas à realizaç*o pessoal, familiar e trabalho. Q*anto aos homens,
as *ueixas são relacionadas
às
dificuldades de rela*iona*ento,
co*ranças socia*s, r*sponsabilidades, t*abalh* e dificuldades
de
ajus**ment* às situações co*idianas" (P 10).
"Na *i*ha opin*ão, as diferenças s*o po*cas, na maioria, por *arte do*
homens
(álcool, droga). Das mulheres d*pressão, falt* ** emprego,
s*par*ção conjuga*" (P 5).
Silveira (2000), ao f*z** alguma* consi**rações s*bre a ques*ão do* "*erv*s", apontou
*ar* * construção social da *elaç*o entre o "nervosismo" e * "feminin*". Muito e*bor*
o
\nervoso\ seja comum * *om*ns e mulheres, "nos homens essa correlação parece não ter tanta
Rev. *SA, Teresina PI, *. 13, n. 6, art. 12, p. 203-219, nov./*ez. 2016 www*.fsanet.com.br/re*ist*
A. V. *aula, C. B. P. Lob*to
216
evidência, já que eles, com frequência, são *ervosos, mas não sofrem dos nervos"
(S**VEIRA, 2000, p. 54).
** cas* *as *ulhere*, elas teriam a afe*çã* dos n**vo* como uma pe*da de con**ole
s*bre *i *e*mas, *au*ada en*re *u*ros fa*ores por "problemas relacionados *os ciclos
fe*ininos (*enstruação, *estação, p*erpério, menopausa), fraqueza *on*titucional (qu* nem
*emp*e *e l**aria a fa*or*s heredit*rios, se*ia uma es*écie de quali*ade indi*idual, in*t* mas
não
herda*a, que inclui tan*o a fra**eza orgâni*a quant* a afetiva ou moral, como a da*
p*s*oas fra*as, que não *odem ver o sofrimen** al*eio, as *nj*s*iças, sem adoecer *am*ém)",
alé* *e cau*as *ransce*dentais ou
r*lig**sas,
fraqueza mora* e, finalmente, *alta *e
ho**m
(de relaçõe* sexuais)" (*I*VE*RA, 2000, p. *4).
É *o*sível p*rceber, p*rtanto, *ma e*treita *elação entre o nervosismo e os atr*but*s
culturai* e/ou b*ol*g*cos rec*n*ec*dame*te tid*s como femininos, o que reforça os
estereótipos de gênero ain*a *resen*es na nos*a sociedade.
*
CONSIDE*AÇÕES FINAIS
Considerando as **rcepçõ*s dos pr*fissionai* **e *tuam na *nidade do Ce*tro de
*tenção Psicos*ocial (CAP*) investigada,
existem
*iferença* m*rcantes quanto às
queixa*/reclamaçõ*s dos
*suários/usuárias,
revela*do
nu*nce* re*acionadas ao gênero.
Segundo os relatos da *ossa pes**is*, os usuários do CA*S pert*ncentes ao *exo ma*c*lino
tendem a se pre*cupa* mais com *s res*ons*bilidades fin**cei*as/*str*turai* da fa*íl*a e c*m
seu *apel de provedor da fa**lia.
As usuárias, por su* vez, te*dem a *presentar **ior índi*e de *i**omas *epressiv*s *
e**ão mai* preo**pad*s co* as questões fami*iares, seu* confli*o* pessoa*s e s*u papel s*c*al
na dinâmi** casa/trab*l*o/f*míl*a. As mulheres também se queix*m *ai* de *esâni*o, baixa
a*toe*tima, solidão (esp*cialmen*e em cons*quência
de al*um ep*só*io de separação
c*njugal) e queixas r**ati*as aos diversos conflitos i*tr**amil*ares que administram.
O pr*sen** estudo
permitiu-n*s observar que as *ormas como os p*ofissiona*s do
CA*S perc**em as dema*das/queixas de q*em b*sca atend*men** pod** impactar no servi*o
que
pr*sta* aos usuá*ios. Ne*s* sentid*, * **
extrema relev*ncia que * form*ç*o técni**
desse* profiss*onais contemple as questões teórico-prát*cas de g*ner* co** t*mática
obrigatóri*
p*ra abordar de forma mais
abrangente e eficiente os desafios profissio*ais
e*p*r*mentad** c*tidiana*en*e.
R*v. *S*, Teresina, v. *3, n. 6, art. 12, p. 203-219, nov./dez. 2016
www4.fsanet.com.br/r*vista
A*g*mas Percepções da Categ*ria Gênero Se*und* *r*fissionai* do C*ntro de Atenç** Psic*s*ocial (CAPS)
217
Ou**a* p*squi*as devem ser desen*olvid*s para aprofu*dar * compree*são dos
*ignificad*s dos pa*éis de gê*ero vivenciados por homens e m*lher*s na visão
dos
*s**rios/u*uárias dos servi*os prestados *elo CAPS. Essa visão
compl*men*ar sobre
a
catego*ia d* an*lise
gên*ro - na
perspecti*a dos usuá*io*/usu*rias dos s*rv*ço* - permitiria
uma compre*nsã* comp*ementa* d* tema aqui abordado.
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no*./dez. 201*.
Contr*bu*ç** dos A*tores
A. V. Paula
C. B. P. Lobato
*) *onc*pção e planejamento.
*
X
*) an*lise e int*rpretação *o* dados.
X
X
3) elaboração do r*scunho *u na revisão crítica do conteúdo.
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*) parti*ipação na aprovação da v*r*ão f*nal do manuscri*o.
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Rev. FSA, Teresi*a PI, v. 13, n. 6, *rt. 12, p. 2**-219, nov./dez. 2*16
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