www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 13, n. 5, art. 4, *. 61-79, set./out. 2016
ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983
ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2016.13.5.4
Diplomacia Midiática e Jornal*smo Int*rnacional: As Notícias Globais n* Â*bito da Po*ít*ca
Ext**na
Diplomacy a** Journalism *edia Intern*tion*l: *lobal New* in the Contex* *f For*ign Polic*
Iva* Elize* B*mfim
Pó*-Doutorado na Escola *a I*dústria Criati** *ela Unive*sidade do Vale d* Rio dos Si*os
Doutor em *omunicação e Inf*rm*ção pela Univer*idade Fed*ra* do Rio Gr**de do Su*
E-m*il: ivanbp17@*m**l.com
Kar*a Maria Müller
Do*t*ra em Ciên*ias da Comun*cação pela Univer*ida*e do Vale do Ri* dos *in*s
Pro*essora da *ni*e*sidade Fe*era* do Rio Grande d* Sul
E-mail: kmmuller@ufrgs.br
End*reço: Ivan Elize* B*m*i*
Ed*tor C*ent**ico: Tonny Kerley *e *lenc*r Rodrigue*
Endereç*: *n*ereço: Av. Unisinos, 950, Ba*rro Cr*s*o
Rei - São L**p*ldo, *S.
Artigo *ecebido em **/06/2016. Ú*tima ve*são
receb*da em *7/07/2016. A*rovado e* 18/07/2*16.
Endere**: Karla Mar*a Müller
Ender*ço: U*i*ersidade Federal do *i* Grande *o Sul,
Av**iado p*lo sistema Triple Rev*ew: Des* *eview a)
Faculdade de Bibl*otecono*ia e Comunicação,
pelo Edi*or-Che*e; * b) Double B*ind Revie*
Dep*r*ame*to de Comunic*ção - rua Ramiro Barcel*s,
(avaliaç*o ce*a *or doi* avaliadores da área).
*704 - sala 51*, ba**ro Sant*na, Por*o Aleg*e, *S
Rev*são: Gramatical, No*mat*va e de Formataç*o.
Apoio e financi*m**to: *apes ( Coor*enação de Ap*rfe*çoamento de *essoal de N*vel Superior ).
I. E. Bomfim, K. M. Mül*er
*2
R*SUMO
No presente artigo, real*zamos *ma r*flexão sobre os pressupos*os da diplo*aci* midiátic*
(GILBOA, 2002), conceito do campo *as Relaçõ** Internacionais que busca est*b**ec*r
formas ** uti*iz*ç** da mídia n*ticio*a para a c*nsecução de *n*eresse* pelos Estados. Como
sua es*r*t*ração é rela*ionada à percep*ã* *e *m* *orça das notí*ias distribuídas *lo*alme*te,
traba*hamos que*tões re*ativas ao jornalismo
internacional, a **rtir de autores *omo Aguiar
(2008) e Traquin* (2*00) e polí*ica e visi*i*i*ade midiática com Gomes (2004) e *eber
(200*), e*tre outros. Ao final, a*alisam*s *ossibilidades e limitaç*es d* diplomaci* mi*iática,
exa*inando a di*ulgaçã* d* ac**do n*c*e** entre B*asi*, I** e Tu*qui*, e* 2010.
*alav*as-chave: Di*l**acia Mi*iátic*. Jornal**m* Internaci*nal. Política Externa do B*asil.
Visibilidade Midiática. Pode* Simbólico.
ABSTRACT
In this *rticle, we perform a reflection on *he as s*mptions of media dipl*macy (GILB*A,
20*2), a con*e*t fro* the field of Internati**al R*lations th*t seeks to est*blish ways of using
the news media to ac**eve interests by S*ates. As its structur* is rel*ted to the percept*on of a
force of news distribut*d globa*ly, w* work issues relating t* intern*tional jou*nalism fro*
auth*rs su*h as Ag*iar (2008) and Traquina (2*00) and politics and *ed*a visibility *rom
Gomes (2004) and We*er (2006), amon* others. At the e*d, we analyze th* possibility e sand
**mitations of *edia diploma*y examining the disc l* s*re of t*e *uclear agreement bet*een
Brazi*, Iran and Turkey, in *010.
*e**ords: Media Dipl*macy. I*ternatio*al Jour*alism. Foreign Policy
o* Br*z*l. Me*ia
Visibi*ity. Symbolic Pow*r.
R*v. FSA, *eresina, v. 13, *. 5, a*t. 4, p. 6*-79, set./ou*. 20*6
www4.fsanet.co*.*r/revist*
*iplomacia Mid*á*ica e Jorna*ism* In**rnacional: As Not*c*as Globais no Âmbito da Po*ítica Exter*a
63
1 INTRODU*ÃO
Toman*o por orien*aç*o um* persp*ctiva transd*scipl*nar, este trabalho t*m por
*bj*tiv* apresentar *ma refl*xão
a*e*ca da utiliz*ç*o d*s *ress*postos da *iplomaci*
midiát*ca -
forjad* no campo das Relações I*ternacion*is, mas qu* toma elementos dos
est**os da Comuni*ação - em i*tercruzamento com elementos relat*vos ao jorn*lismo
**te*nacional. A tem*tica é a***isada *o espect*o de investigação *as in*e*ações e*t*e o*
dom*nios *a *ídia e do jornalismo e os
estudos *obre a polític* *xterna brasilei*a
implement*da n* prime**a *écada do sé*ulo XXI1. A* final do texto, r*al*zamos uma análise
da divul*açã* do Trat*do de Teerã, e* 2010, no qua* *rasil, T*rquia e I*ã apre*entaram um
plano de resolução d* quest** nuclear ira*iana.
2 *E***E*C*AL TE*R*CO
2.1 J*rnalismo in*ern*ci**al: estrutu*ando o conhecimento sobre a rea*id*de *undial
O conceito de diploma*ia midiátic* é estruturado sob a hi*ó*es*
de
q*e,
a
partir
d*
su*gim*n**
e fortalecime*t* de uma Era da Informa*ão, o jogo diplomátic*
ac*b*u
modif*cad*, e as negoc**çõ*s *ntre paíse* t*rnaram-se sensíve*s à a*** ** mídia i*ternacional
(GILBOA, 20*2; VALENTE, 2007). Contudo, a importância d* *lanos comu**c*cionai* que
envo*va* a ut*l**ação d* d*scurso* *ublicitár*os, por exemplo, é vista *omo menor e* *el*ç*o
ao *ornalismo intern*cional. Ut*liza*do a mídia in**rmativa pri*ada global, o* Estados
po*eri*m c*n*eg*ir a
efetivação ** s*us interesses, *e**o estes "*ndir*tos" (*omo
a
co*stru**o *e uma image* *ositi**) ou "diretos" (a influên*ia na re*ol*ção de con*litos).
Obviamen*e, a constit*ição da
dipl*m*ci* mid*ática é
o*gani*ada a partir d*
*m *
*aciona*idade própria do c*mpo po*íti*o em relaçã* ao cam*o *a c**unic*ção. A ideia de uso
da "fo*ça" d*s notícias int*r*aci*nais
**ra alcança* objet**os de**nidos cl*r*me*t* em
disputas entre na*ões mostra-se bas**n*e
dep*nd*nte *e u* poder estru*ur*l d* jorna*ism* -
** uma idei* de funcion*lid*de da esfera midiática que seduz as instâncias *olít*cas estatais,
levando-as a con*iderar o material not*cioso divulgado glob*lmente u*a variável a ser
ut*li**da para * c*nsecu*ão de ob*etivos.
1
*m d*s *r*ncip*is temas *e no*s* tese *e doutorado (BOMF*M, 2015).
Rev. FSA, T*resi** PI, v. 1*, *. 5, *rt. 4, *. *1-79, set/*u*. 2016
ww*4.fsanet.com.br/re*is*a
I. E. *om*im, K. M. *ül*er
64
Desta forma, é necessário de*ate* *n*cialmente a con*o*mação da e**rutura do
chamad* jornalismo *nternacional. C**portan*o d*v*rsos *mbitos -
*s n*t*cias
da *ditoria
(nomeada c*mument* *omo "Mun**" ou "In*ernaciona*") a*arcam um* ampla gama
*e
assunto* -, su* caracter*stica di*tint*v* é * percepç*o de uma ord*m geo*ráfica como matriz
para sua or*anização (AG*IA*, 200*), vis*o que as fr*nteir*s do E*tado são reproduzidas ao
estabele*e*mos uma notíc*a como circunscr*ta a es** espa*o.
O ambiente int*rna*ional **o representa a rea*ida*e cotid**na dos indiv*duos - seu
es*aço cognitivo *e
*xistência e
*ert*n**mento. Be*ger e Luckmann
(197*) expõem
que
*
perc*pç*o co*pórea do pres*nte, ** "aqu* e agora", estrutu*a-se com* esfe*a de re*l**ade a
dominante dos homens. Essa é efetivada *ntersubj*tivamen*e, com*ondo, a par*i* de u*
entendim*nto de s*gn*fica**s, o c*nhecimento *o sen*o c**um. Sab*-s* que exist*m o*tras
esferas do real
mas, quando estas são busc**a*, procede-s* à *enta*iva de
traduzir
as
e*periências n*stas *u*ras "**m*nsões" à realida** do *otidiano.
* *a*ti* d* "função" d* jor*a*ism* de or*anizar a *ivênc*a cotidiana, as notíci*s
internacion*is dever*o funcionar n* interpre*ação das *ealida**s tidas como ext*rna*. O
campo2 jo*nalístico, inves*ido de um pap*l part**ular dentro da estrutura social, desenvolveu
legitimi**de so*ial *ara * produção de uma reconstruçã* discu*siva do mundo, baseada
na
fidelidade *ntr* o r*lat* jor*alístic* e os acontecimen**s cot***anos (FR*NCISCATO, 200*).
*iz *iguel (1999) q*e o jornalis*o se configura c*mo um sistema pe*ito3, que ap*esen*a uma
expressi*a autonom*a em *elação aos s*us depende*tes e implica a c*nfiança *ign*ficativa de
sua comp*tência, * a c**di*ilidad* qu* ele ostenta "d*riv* da compreensão (soc**l) de que ele
é uma prát*ca *utorizada a narrar" (BENE*TI, 200*, p. 21). A cre*ib*lidade é uma si*ua*ão
definida de maneira relacion*l e, no c*so d* j*rnal**mo, env*l*e o* polos produ**r/emissor da
informaç*o e * receptor.
A verdade e a *r*dibilidade tanto est**t*r*m o gênero **rnalí*tico quanto sã*
in*tituída* por ele, em u*a rel*ção orgânica. Os procedimentos que asseguramos
efeito* de *erda*e são l*g*timos pa*a o *ornalismo porque *ão base**os sem
estratégi*s
*ue bus*am a confiabi*idade, sob p*na de
r*ptura do *ontrato de
2O
comu*ica*ã*. Ne*hum discurs* e*tá livre *a verdade como efeito, * o jornalismo
conceito d* ca*po p*ra *ourdieu (19*9) é relati*o a um *spaço de práticas esp*cíf*cas, que pode ser
con*id*rado autô*om* e com história própria, def*nindo *roblemas, disputas, referências e i*teresses próp*i*s. É
*nstituído a part*r d* relações *bj*tivas entre ag*ntes * *n**ituições, que determinam su*s interações.
3E*ta confiabilidade divide-se em *rê* momento*: 1) confiança do público em relaçã* à verac*dad* das
inf**maç*es trans*o*madas e* no*íci*; 2) confianç* quanto * j*st*za n* seleção e ordem h*erárquica da
di*posição dos elementos imp*r*ant*s ao rel*to; 3) *onfi*nça quan*o à juste*a *a seleção e hierarquização das
n*tí*i*s di*nte do estoque d* fatos dispon*ve*s *e s* tor*are* *co*teciment*s no*iciosos.
Rev. FSA, Ter*sina, v. 13, n. 5, art. 4, p. 61-79, se*./*ut. 2016 ww*4.fsanet.com.br/*evi***
Diploma*ia *idiática e Jornali*mo Inte*nacional: A* Not*cia* Gl*bais no *mbit* da Política Exter*a
65
não seria difere*te: a ver*ade co*o construção, como cre*ça e como convicção
(BENETTI, 2*08, p. 25).
No c*so da construção d* notícia inte*nac*ona*, que *xibe um car**er pré-mediati*ado
(AGUIAR,
2006), as empre*as depende* *o ma*erial di*ponibiliz*do *elas ag*ncias
d*
notícias, o que incor*e em caracterís*icas c*m* * ho*oge*eida** do noticiário in*ern**ional e
cristalização de discursos e *epresentações sob*e países, pov*s e cultura*. Para Steinbe*g*r
(2007), a co*ertu** inter*a*ional, *m geral, reflete a config*r*ç** ** uma h*erarquia entre os
E*tados, e *s a*ores vistos como me*os im*o*tantes serão mais suscet*ve*s às gene*al**açõ*s
das agências noticios*s das *a*ões hegemônicas, refo*çando *osiç*es etnocênt*i*as. **m as
a*ênc*as sediadas em países com alto poderio *conô*ico e polític*, as not*cias utilizad** po*
companhias do *undo inteiro pr*moverão a existência de naç*es
fo**es ou fracas,
culturalmente r*c*s ou *xótic*s, exitosos ou fracassad*s,
como alg* natural (BOMFIM,
201*).
*esmo que at*em globalmente, as empresas jornalís*icas são também caracteri*adas a
partir de identid*des nacionais. Conform* Valen*e (2007), é falac*o*a * **mpr*ens*o de que
a* agências não
estruturam seu horizonte interpre*at*vo em bases nacionais - h* um* ação
ligada à uma hipotética **finiçã* ** *n*eress* n*cio*al guiando a p**dução not*ciosa. "[]
a*é mesmo
*s d*vagações
da mí*ia de poder global têm ca*áter n*ci*nal.
Não podemos
a*irmar qu* a *ídia c*ncorde com tudo * que vem do governo, mas podemos dizer q*e tod* o
seu *efere*cia* de análise é *e caráte* na*ional" (VALENTE, 2007, p. *6). Isto quer dizer que,
dent*e as
**cisões "obje*iva*" da co*st*t*i*ão d*
r*lato noticio*o, há subjetiv**ente
a
*fet**ação
da visã* etnocênt*ica - um "olhar mun*o" que só * possí*el a partir o
de um
horizonte *s**cífico.
Pe*a nece*sidade d* traz*r *o entendimento do público ac*nt***mentos externos a se*
cotidiano, o jornali*m* interna*ional e*ibe um* l**ic* de recon*extual*zação consta*te. El*
**de ser c*nsiderado uma inst*ncia ped*gógica, apresen*ando a*s**tos antes descon*ecido* e
*elacionando-se * instit*ição da re*lidade internaci*nal para as pessoas (TRAQUIN*, 2000).
As temáticas são, em ger*l, distantes da e*periên*ia dire*a do* indivíduos, o q*e inf*u*ncia na
m*bilização do arcabou*o *as expe*iênc*as
*ividas. O autor co*enta que, se as notíc*as são
*obre uma *aç*o próxima, mais difícil * estabel*cer n*v*s repres*ntaçõ*s e d*scursos sobre o
outro,
p*i *
es*es foram a*sent*dos no *maginário após anos de pr*ce*sos históri*o*. Do
co*trário, *ua*to m*nos informação dis*onível
para o reco*hecimento do o*tro, maior é
a
forç* do jornalismo *a*a instaurar nov*s elementos *nte*pretativo*. A con**xtualização não é
um proc*sso simple*, pois "t**a inf*rmação retira*a de seu contex*o de origem e transportada
Rev. FSA, *eresina PI, v. 13, n. *, art. 4, p. 61-79, set/out. 2016 www4.fsanet.com.br/revi**a
I. E. **mfim, K. M. Müller
66
para o*tr* * susc*tível
de sofrer modificações que podem transformá-la em
desinforma*ão"
(*H*RAU*EAU,
2007, 76). A in*e*ração da i*for*ação internacional às referênci*s do p.
público é dependente da e*trutu*a *i*bólica com*ar*ilhada pelos membr*s do grupo so**al,
indic*n*o uma análi*e rel**iva à cultura - ou seja, *o* sistemas simbólicos. Par* Bou*dieu,
[] os sistemas simbólic*s, com* instru*entos d* conhecimento e de comunicação,
só podem exercer um poder estruturant* porque são estrutu*ados. O p*de* simbó*i**
é u* pod*r de construção da realidade que t*nde a *stabelece* uma *rd*m
*noseológica: o sentido imedi*to d* m*nd* supõ* *qu*lo a
que Durkh*im ch**a o
conf*rmismo l*gi*o, quer *izer, \uma concepção hom*g**ea do tempo, do esp*ço,
d* número, da c*usa,
que torna possível a c*nc*rd*ncia entre as inteligê*cias
(BOUR*IEU, 1989, p.9).
* interessante pensar, aqui, sobr* a que*tão do *orn*lismo intern**ional co*o
in*tância
de pode* simbólico. Para *hompson, pode* simból*co "nasce ** atividad* de o
produção, transm*ssão * re*e*ção d* si*nificados de form*s simbó**cas" (2*05, p. 24). E** só
pode ser exer*id* a pa*ti* de um *api*al s*mbólico q*e se *oma a outros ti*os, c*mo
o
econômico. *s a*ências,
por sere* fundamen*ais prática à
*o *ornalismo int*rnacional, são
inst*tuiçõ*s
que acumulara* expressivo capital **mbólic* - empr**as
como AFP * Reut*rs
s*o as re*ponsáveis *or d*str*buir material em esc*l* mun*ial *, *omo o* me*os i*formativo*
que *eprod**irão a* informaçõe* preci*am co*f**r nos relatos
por ***s exp*stos, acab**
fortalece*do sua posição de "vi*ilant*s". A* c*bo,
o
pod*r **mbólico n*o será alg* visível:
el* é identificado pelos result*dos qu* se obtêm a **rtir d* se* exercer. "As ações si*bóli*as
po*em provocar r*aç*es, liderar respos*as de determinado **or, sugerir caminho* e decisõ*s,
indu*ir a crer e * descrer, apoiar *s negócios do es**do ou sublevar *s mas*a* *m re*o*t*
*ole*iva" (***MPSON, 1998, p. 24).
De*tacamos a importância d* *ornalismo a par*ir da compree*são da com*nicaçã*
como uma med*ação cultural (MARTÍN-BAR*ERO, 2003), que n** pode ser reduzida
à
mec*nicidade
de um processo t*ans**ssão - re*epção de informaçõe*. A mediação
no
jornalism* internacional *ese*volve-s* num contínuo co*t**o entre a rea*idade construída por
*stas notícias e as concepções circulantes sobre *s "*sferas de reali*ade" exterior**, t*do *sso
e* *eio à
experiência hum*na *otidiana. As característi*as na*rativas do j*rnalis*o *ão
utilizadas para o estabele*im*nto do proces*o i*t*rsubjeti*o de signific**ão, em o **p*l
de
mediação *ornece o capital simbóli*o *s em*resas **rnalísticas internacionais, v*sto *ue ela*
não c*iam a m**o* parte dos temas aos quais se dedicam.
Em *u*ro trabal*o (2012), *u*tentamo* q*e a dicoto*ia interno/e*terno que *strutura *
jornalismo internac*ona* * **ntida pe*os
indivíduo* a pa*ti*
da identificação nac*onal, s**do
Rev. FSA, Teresina, v. 13, n. 5, art. *, p. 61-79, set./out. 2016
www4.fs**et.com.b*/revist*
*i*l*macia Midiát*ca e Jorn*lismo *n*er*a*ional: As **tícias Globais *o Â*bito da P*lítica Externa
67
corrobora*o pe*a orde* i*st*tucional da exis*ê*cia do sist*ma de Estados. * *onstru*o estata*
* * estrutura pa*a**gmá**ca d* representação d* po*er político - *orma de poder q*e derivada
atividade de co**denaçã* d*s in*iv*duos e da regulamentação dos *adrões de sua interação
(THOMPSO*, 1*98, p. 22). O co*tato entre *s representaç*es nacionai* * constituído na*
dinâmicas entre *s o*gani*ações estatais, num ambiente d* r*lações
políticas que acabam
engendra*do
dec*sões de aspect*s **onômicos, soci*is * cultu**i*. A esfera p*lítica
n*o
é
imune à i*teraçã* *om o* m*ios de comuni*açã*, e c*mpreende resta rel**ão com a esfera de
v*sibilidade midi*tica é essenc*al para *nv*stigar a atu*ção d*s países na conte*po*aneidade.
"As relações entre a* mídias, *olítica e sociedade estão na
esfera da comple*en*ar*dade,
sendo que a política detém o poder de de*erminar a v*da dos s**eitos e da sociedade e faz i*to
*tuando no limi*e *as pa*xõ*s e de sua p*tencia*idade subver*i*a" (WEBER, 19**, p. 82).
N*sse sentid*, afirma Gom*s *ue os a*ent*s políticos prec*sam estar e* cena (visíve*s
ao *úblico) para poderem
existir. "A política e* cen* é justamente a
política que chega
ao
público, *bjeto das *r*ticas qu* c*amamos d* política mid*ática" (GOME*, *004, p 115). *
p*ocur* por visibili*ade pelos int*grantes *a esfera política é decisiv* para a mobilizaçã* da
o*in*ão pública, fator que, *as demo*ra*ia* li*erais, é de alta relevância. As*i*,
te*do em
con*ideração que tratamos *as r*laç*e* políticas en*re *aíses em *ua inte**ção com a *n*tância
jorn*lística internacion**, passamos à o*servação do co*ceito *e vi*ibilidade.
2.2 A busca por vi*i*ilida*e pe*os Estados
As m*dan*as trazidas p*lo des**vol*i***to do* mei*s *e com*nicação na Idade
M*derna *cabou por modificar as formas de interação e*tre o* se*es humanos. Esta *ituaçã*
"implic* uma *om*lexa reordenação da* carac*erísticas espaciais e temporais da vid* social.
Novas formas de intercâ*bio s**ial foram criadas que não parti*ham da interação face a face"
(THOMPSON, 2002, p. 63). A inve*ção da imprens*, com a d*fus*o dos **vr*s pe** a Europa
*o século X*, o fortalecimento dos periódicos
nos séculos XVII e XVIII * descoberta a
**
poss*bilidade de tr*nsmissão de informações por vias *letro**gnéticas n* sécu*o XIX
p**nunc*aram a explosão das *edes de comun*cação nos séculos XX e XXI, modi***ando
a
reali**de humana.
Esta nova config*r*ção te*e como um* de *uas consequências a "tra*sformação
do que poderíamos cham*r de publi*idad* *, estreitamente *igada
a
ela, a transformação das
m*neiras com* as pessoas e os acon*ecimentos são
t*rn**os visíveis
ao* outros"
(THOMPSON, 2002, *. 64). Se a*tes e*a muit* possível que a maioria d*s *ndivíduos nunca
Rev. F*A, Teresina PI, v. 13, n. 5, art. 4, p. 61-79, *et/*ut. 2016 www4.*sanet.c*m.br/revista
I. E. Bomfi*, K. M. **ller
68
vi*se * figura de s*us gov*rnantes - pois a visibilida*e *xi*ia a co-*re*ença -, a comun*cação
midiática a**bou *o* forçar mud*r es*a disposiçã*. Os governantes e as in*tit*ições passar*m
a inv*s*ir na construção de au*o-im*gens que poderiam ser difundi*as,to*na*do as ati*idades
polí*icas visíveis * ca*a ve* mais pesso*s, l*c*liza*as em lugares mais distantes. * ev*luç*o
das *e*nologi*s de comunic*ção ocasi*nou a ins*a*ração de um* *ublicidade me*iada.
Concomitante*ente ao des*nvo**imento dos meios de comun*cação na **ropa está *
p*oc*sso de c*n*tit*ição dos Estado* nacionais. "O poder se tornou mais visív*l
e o*
processos
de tomada de ***isã*, mais *úblicos" (THOMPS*N, *99*, p. 113). Esta
visibilidade
não é total, e nem é de in*e*esse dos detentores do pode* que seja: há s*mpre
*orm*s de conservação de zonas *pacas, *pesa* do alto n*vel de *nterligaç*o en**e apo*ítica e *
m*di*. P*ra def*nir v*sibi*idade, Weber diz que est* *e rela*i*na à "formação *e imagen* e de
represe*tações do d*mínio visual objetivo e do '*omínio *mat*rial' das *epres*nt*ções
ment*is" (2006, p. 126). Na n*cessidade midiática *e "exi*tir" - par*icipar da esfer*
de
visibilidade
pública *idiáti**, cons*ruí*a a partir dos mei** de comunicação-, as ações
políti*as dos *s*ados
deverão ser tornad** públicas, agi*do sobre a compreensão que
os
indivíduos tê* da realida**. Gomes (2008) diz
*ue * *sfera de visibil*dade disponib*l*za *o
p**li*o uma *spé*ie d*
"quadro *o mun**" a partir d* m*te*iais informat*vo*, cul*urais,
artíst*cos, publicitários e de en*reteniment*. É cria*o um complex* d* mensag*ns, dependente
da i*s*ância de recepção pa*a *azer se*tido.
Mens*gens não s*o fat** nat*ra*s e i*d**erentes às condiç*es de recepção, ou s*ja,
elas exist*m apena* à medida qu* *ecebem a colaboração inte*pret*tiva
*e suje*tos
e*píricos (leitores, a*d*ência, espect**ores), à medi*a q*e são executa*as, n*
s*nti** music*l do termo, por intérpretes reais. *ensagens exi*tem ap*n*s *ara
intérprete* de m**sa*ens e apenas à mediada que eles sã* capazes de reali*ar uma
operação ** compr*ensão: recep*ão * interpretaçã* (GOME*, 2008, p. 1*5-146).
O autor sust*nt* que o intérpre*e con**gue *ecodifi*ar as mens*gens **rqu*, neste
processo, *ciona "moldura* * horizonte*" de recepção que já possui em po*ição a*ál*ga a d*
Martin-Bar*ero (*003). Esses el*mentos são r*lativos à sua cult*ra, siste*a simb*li**
estruturante e e*tr**urad* (BOURDIEU, 1989).
* *usca por visi*ilidade se dá pela con*truçã* de uma im*gem pública, *endo tent*da
a produ*ão de uma ima*em po*it*va em *elação * opi**ão p*b*ic*. A imagem p*bli*a é uma
forma d* configuração do capital simbólico de
um* orga*ização (neste caso, os Estados). A
*nst***ia emissora
n*o consegue produzir
essa representação: esta é um processo, n* qual
a
image* irá e*igir *a
"*ut*a ponta" a instâ*cia recept*ra. As a**es de i*stitu*ções * sujeitos
Rev. FSA, Teresina, *. 13, n. 5, *rt. 4, p. 61-7*, *et./out. 2016
www4.fsane*.com.b*/revista
Di*lo*acia Midiática e Jorn*lismo Intern*cio*al: As *otícias Globais n* Â*bito da Política Exte*na
69
*úblicos (com* informação,
p**paganda e
eventos) intenci**am a *epercussã* a pa*tir
da
in*eração com *s instâncias m*d*áticas. *a
c*mbinação, a míd*a é f*nd*m*nt*l como
medi*dora mas, a *xe*plo *a
inst*nc*a *missora, também não consegue impor
ao *úb**co
u*a *magem preestabe*ecida.
Par* Gomes (2*04), o processo de construção da imagem públic* - para ele, sinônimo
d* reputação - depend* de uma "polí*i*a de *m*gem", engendrand* *rês *ta*as: a) * criação
de es*ímu*os para * *pareci**n*o na
esfera de visibilidade pública; b) a
ação como
acon**cimento jo*nalí*tico; c) o *esultado da di*âmica ent*e a *mag** pretend*da e a ima**m
resultante do
processo de m*diação. Ou seja, não *e constitui como mer* pub*i*ização
d*
organização, mas
como abordag**
e* diver*as fr**tes do pro*esso *omunicacional. *
**ve*timent* na *riaçã* é complexo, não *unci**ando de f*rma linear.
São *sta**lec*d*s di*âmicas entre as imagens desejada* pel* in*ti*uição e ** i**g*ns
percebidas pe*o
público (aferid*s *** m*i* de pesq*isas de *pinião), e o resultad* desta
intera*ão *erá a
imagem
pública. A procura po* uma identidade comp*rta a criação
de
*e*re*entações sob*e como se quer ser r*conhecido e *ifere*ciado
de o**ros: é necessár*o
*trai* o ol*ar do públi** e *eduzi-lo, par* que este co*str*a, * pa*tir de seu* *ubsídi*s
simból*co*,
um a
imagem ma*s próxim* o po*sív*l
da idea*izada pela instituição. A
*articipaç*o da mídia no p*oc*sso é in*ontrolável, e a *entat*va de i*st*ur*ção de *ma
reput**ão favor*vel é depend*nte de intrincadas oper*çõ*s que env*lvem o* discu*sos
*nformati*os e *ersuasivo*.
Sen*o rel*t*va a* o**ar, * imag*m **bli*a possui
u* *le*ento de espetáculo,
c*n*
montada, **e será *tiliz**o na intenção de comu*icar ideol*gias. É esse*cial expor
posi*ion**entos ao mesmo tempo em que em que se b*sc* *tuar sobre as co*sciên*ias, para
*er percebid* como identificado aos an**i*s da audiê*cia. "A imagem f*rmada sobre as *ções
p*líticas é resultado *o repas*e * cir*ulação permanentes de o*ini*es e i*formaçõ*s, pas*íve*s
de j*lgamentos expec*ativas" e
(WEBER, *999, p. *3). A metáfora d* b*sca *or corações
e
*en*es ajuda a enten*er a di**m**a: é conquistando a e*oção e a razão dos i*diví*uos q*e o
poder será exercido. *endo *dentificado como legí*imo partir de jul*a*entos que n*o a
e*xerga* sua *rbitrar*edade,
ele *lcança seu
potenc*al. O "mostrar" é tão necess*rio p*ra
exercer o pode* quanto o "esconder", in*icando a rel*ç*o entre *isib*lidade e *pacid*de.
A partir do *omplex* univers* midiático são vei*ulad*s mens*gens que terão im*acto
na consti**ição do conhecime*to das instituições pe*os in*iví*uos (mesmo que a interpretação
seja uma configuração
particular), e, *uanto m*is próxi*a* aos valores das própria*
co*panhia* midiát*cas, ma*s *stas ap**sentarão cum*licidade *e*te relac*onamento.
Rev. F*A, Teresina PI, v. 13, n. 5, art. *, *. 61-*9, s*t/out. 2016 www4.**anet.com.br/rev*sta
I. E. B*mfi*, K. M. Müll*r
70
Ao contrário, quanto m*is d*stan*e* dos i*t*re*ses destas empr*sas, maior
o
questionamen** po* parte des*as às i*eol*gias represen*adas p*la orga*iza*ão. Na *inâmica
ent*e o *spaço de v*si*ilidade *ontrola*a (a pro*aga*da) e o espaço *e vi*ibil*d*de
conquistada (as notícias), ret*mamos o conceito
de vi*ibi*idade para ver *ue esta "será
expressa por e*tr*tégias e mecanismos c*nstitutivos da ima*em pública e pelas *i*nificações
c*lt*rais e sociai*. A m*diação
pelos *i*no* pos*i**li*a suste*ta a r*lação social, pois é e
o
process* de *epresent*çã* que permite a comun***ç** entr* a* pessoa*" (WE*ER, 200*, p.
131).
*elacionando * *ro*es** de *ediação simb*lica * ex*loraç*o do conceito de
dipl*macia mid*ática, nos repo*tamos à afirmação *o jornal*smo *nte*nacional como forma de
conhecimento d* realidade
global. Para "explicar * mund*", a *redibilida*e
do rel*to
jor*alís*ico
possui **lor fundamental, e ess* elemento, para *eber (200*), é encontrado na
jun*ão entre
as visibilidades co*trolada * c*n*uistada. Pe*san*o nas
*elações ent*e países
a
*a*tir do noticiário *nternaciona*, é prec*so
que as ações e*tatai* se*a* vi*tas, **s **e,
juntamente, se*a formada
a cred*bilida*e. Exempl*f**ando: uma nação considera*a
antidemocrática pela *piniã* pú*lica mundial não
teria "autoridade moral" para a
cobrar
cla*e*a em proce*sos *lei*orais * o*tr*s, perde*do, desta forma, força den*ro d* sist**a
internac*onal.
*ssi*, tan*o quanto ser um *stado importante, p*r *xemplo, é preciso parecer
im*ortante no a*biente d* r**acion*ment* com outros - process* rela**onado à e***sição da
org*niz*ção estatal *a esfera de visibil*dade midiática. Observan*o a tentativa de con*t*ução
de imagem pública fa*orável pelos Es*ados, *nve*tigamo* o conceito de di*lomacia midiática.
A títul* *e *b*e*vação, reali*amos *** brev* análise *a divul*ação d* acor*o nuc*e*r en*re
B*asil, Irã e Turquia em 2010, a partir d** questões levantadas.
3 RE**LTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Diplomacia midiática: o jornalismo *o*o va*iável no jogo diplomático
Pel* necessidad* de co*struç*o d* *ma imag*m públic* pos*tiv*, os process*s
p*líticos conte**orâneos são vis*os como imbricados às práticas m*diáticas *, como destaca
Gomes (200*), espe*i***ente
às conformaçõ*s do
disc*rso jorn*lístico (e*bo*a não
uni*amen*e). Como analisam*s temas referentes
às or*aniza*ões est*ta*s, q*e inte*agem *m
um es*aço diferente da *olítica
na*i*nal - o que influenci* *anto na percepção dos embates
Rev. FSA, **res*na, v. 13, n. 5, ar*. 4, p. **-79, set./out. 201*
www4.fs**et.com.br/revista
Diplomac*a **diática e *ornalism* Internaci*n*l: As Notícias Globais no Âmbito da Polí*ica Externa
71
políticos (*ão há *ma busca *** vant*gem eleitoral, por exemplo), qu*nto
na *efinição de
qual âmbito jornalísti*o estamos tratando (o j*rnalism* *nternacional)-, procu*amos enten*er
* dinâmica da busca de reputação pelo Es*a** face à in*tância *o**alí*tica inter*acio*al.
Para Gilboa (2002), Nye (2004) e *alente (2*07), ** Re*ações *nternacionais, por
tempo dem*is, tentara* "*gn*rar" o imp*cto da mídia no *spaço *e c*ntato ent*e *s Estados
(* a*b*ente inter*acional). Por ser oriund* *a Ci*ncia Política, o domínio *as *I usualmen**
t*ato* *e*átic*s so*iais e *u*turais como de menor im*ortância. M*s o d*s*nvolvime*to de
*ovas perspe*tivas
de p*squisa,
queb*an*o o monopólio das escolas re*lista e l**eralista,
perm*t*u que saberes de outras *iscipli**s fossem sendo i*corporados às possibilidades
ana*íticas. O c*nceit* *e soft po*er, ou "po*er br*n**"(NYE, 2004) - que sust*nta q*e, al*m
do *ard power (po*e* c*ercitivo, ou "poder d*ro"), os E**a*os devem se concentrar
na
utilização da influência *or meio da e*por*ação de valores * p*rti* *e p*o*utos c*lturais - é
dos principais e*emplos dessa transformação.
Tr*dicio*almente, a *i**o*ac*a *e*inida como fechada (visi**lid*de pri*ada),
real*zada longe
*a opini*o públ*ca correspond*ria a uma
necessidade
de s*gredo pa*a as
de*isões em âmbito in*ernacional. P*ra Val*n*e (2007), *uto*** como Raymond A*one Hans
Mor*enthau obs*rvaram que a opinião *ública n*o seria u*a boa conselheira *as decisões em
política *xte*na, dado às "pai*ões" q*e elas des*er*am*. Tr*balhando em silêncio e fora *os
ol ho*
do
público, * diploma*ia seria mai* efetiva5. De *ualquer forma, é cresce*te
a
concepção d* que o *ogo diplom*tico
está mud*ndo, um* cons*quênciada
**portâ*cia
cresce*te dos pr*ce**os midi*ticos pa*a a políti*a internaciona*.
*onforme Gilboa (2002), * *iplomacia midiática é uma respo*ta à n*va dina*icidade
*razida *el* *ra da I*formação. Car*c*er*za-** por ser um canal de con*at* e conven*imento
e*tre os Est*dos e os ou*ros atores do ambiente global (organizaçõ*s não-gov**namentais
e
mesmo *mp*esas que op*ram em es*ala mun*ial, t*is como conglom*rad** midi*tic*s).
D*plom**ia midiática se refer* *o uso da mídia por líder*s para exp*essa* *nter*sse
em n**oci*ções, para construir confi**ça e para mobiliz*r ap*io p*bli*o para
acordos. A diplomacia midiáti*a é persegu**a a partir de *árias **ti*as * **ividades
m*diá*icas especiais, inc*u*ndo conferências de **pre*sa, en**evist*s e
"vaza*e*tos", visitas de chefes-de-Est**o a m*diadores em países
rivais e
4
Estas **ix*es *e rela*iona* à *on**ituição d*s i*ent*dades *ac*onais, tra*a*hadas *or te*ricos como Cas**lls
(1999) e *all (1999) a p*rtir da con*ormação de di*cursos *ue tentam unif*ca* rep*esentações culturais *entro da
i5d**a de "grande fam***a nacional", referen*e a uma an*estralidade g**pal que, se*u*d* o* autore*, é *lusóri*.
C*tamos *qui o *hamado "mito do Ita*ara**", que ve*sa que os prof*ssionais da diplomacia brasi*eira se
encontram insul*do*, e têm uma margem de ma*obra sup**ior a **tras áreas do *xecutivo (*LIV*IRA, 200*).
Rev. FSA, Teres*na P*, v. 13, n. *, *r*. 4, p. 61-79, s*t/ou*. 2016 *ww4.fsanet.com.*r/revista
I. E. Bomfim, K. M. Müller
*2
es*etac*lares e*entos midiátic*s organiz*dos pa*a paviment*r uma nova e**
(GI*B*A, 200*, p. 741).
Em me*o * div*lgaç*o da imag*m *e um pa*s, in*enciona-se dimensiona* seus val*res,
constituindo e*tendimen*o* positivos sobre **a cu*tur*. A prática d*plo*ática *poiada nos
proce*sos midiáticos pode ser tomada *omo tentativa de d*ferenciação identitária no ambiente
internaci*nal, c*iando u*a estratégia *e i*serção, e se disting*e de ou*ras formas "abertas",
tai* *omo a *iplomacia públ*ca
e a diplomac*a
*ultura*, por
objetivar, tam*ém, e*eitos
considerad*s diret*s.
A "nova diplomacia" que
foi desenvo*vida durante * **culo XX
ve* sen*o
caracteri*ada por
dois compone*t** princi*ais: ex**sição da*
negociaç*es pa**
a
mí*ia e conve*sa* *iretas entre líderes *e car*os altos. Talvez, mais d* que qual*uer
out*o fe*ômeno, encontros de c**ul* entre líderes protagonistas procurando uma
abertura para a res*lução de confl*tos e possivelmente re*onciliaçõ*s
de
relações
ai*da m*is *uradouras v*vidamente
demonstram estes dois componentes ().
*ventos midiáticos dramáticos, ao f**al, representa* * mel**r d* diplom*cia
midiática (GI*BO*, 2002, *. *42)
*alente e Sa*toro (200*) *efen*em q*e *s *çõe* de *iplom*ci* m*diáti*a buscam o
espaço da mídia noticio*a, em virtude *a propa*anda - espaço *e visibil*dade controlada, diz
Weber (20*6) - t*oricamente nã* ate*tar * c*ed**ilidade *es*jada. "A pri*cipal c*racterí*tica
hoje das *stratég*as bem su*e*idas de diplo*acia midiática * ouso i**lícito e in*ireto, p*rém
de grande
efeito, da míd*a *l*bal pri*ada. Comun*cação e
propaganda **ic*ais pe*de*a* ao
longo
do tempo *re*ibili**de e p*ne*ração, e, *ortanto, efi*áci*" (*ALENTE, SANTORO,
20*5, p. 11-12). Entra*do na *aut* *as agências * partir
d*
e*qu*drament*s p*s*tivos, a*
ações
di*lomáti*as p*derão a*xiliar na constituição de uma ima*em p*blica inte*naci*na*
f*voráve*. E* qu*stõe* pontu*is, as atividades de diplomacia midiática poderiam ter, junt* à
*nfluê*cia sobr* constituiç*o dos ima*inários, resultados "diretos" o**ervado* ao fina* de um
encon*** d* cúpula *ntre chefes-*e-Esta*o, por exemplo. G*lboa (2002), *itando Dayan e Katz
(19*2), sustent* q*e entre
os efeitos de even*os midiáti*os
na *iplomacia estariam
a
ban*liza*ão d* pa*el dos embaixadores, a quebra de impasses p*ra criaç** de *lima favorável
à *onduç*o de negoci*ções e * i*stituição de situa*ão pr*pícia ao *echa*ent* de tratados. A
a**lis* do *ven*o real*zado *ar* o an*ncio *o Tratado de Teerã, aco**o mediado por Brasil e
*urqui* para * resolução ** questão *ucl*a* *rani*na, divulg*d* e* *6 de ma*o de 2**0,
po*erá *er válida para um* melhor co*preens*o.
*esde 20*8, o I*ã entrou *m *hoque com as **amadas po*ê*ci*s mu*diais (em
especial os EUA) por p*l*mi*as *obre s*u progra*a de
*eração de energi*. A nação p*rsa,
Rev. F*A, Teresina, v. 1*, n. 5, ar*. 4, p. *1-79, set./out. 2016
w*w4.fsanet.com.br/re**sta
*iplomacia Midiática e Jorn*li**o Int*rnacional: As Notícias Gl*bai* *o Âmbito da Políti*a Externa
73
que s*freu sanções p*r não aceit*r a ing*rênci* *ompleta d* Organização da* Naç*es Unidas
*obr* *ua e**rutura de tecnolo*ia nucl*ar, p*etendia *ealiz*r *nrique****nto de urânio a *ma
capac*dade *ã* aceita **la ONU. *s setore* diplomáticos iranianos iniciaram um diá*ogo com
*ras*l e **r*uia para o término d*s *ensões, que foi decidido com a possibilidade de troca de
material atômi*o do p*í* p*r combu**í*el enriq*ec*do *x*e*namente em *erritório turco.
Foi efetivada intensa tentativ* de divu*g*ção do acontecimento, e o*
meses de
nego*iaç**s, *evadas a ca*o pe*o corpo diplo**tico *o* três países, resu**a*a* em um *im de
semana
de exp*sição
*e encontros o*ici*is entre *s líder*s das naçõe*, numa es*ratégia *ara
dar visibilidade ao tema. A* vári*s reuniões re*l**adas e* Teerã, capital do *rã, com
a
prese*ça da imprensa internaci*nal, *esultaram em not*cia* e a*álises q*e correram o mun*o,
colocan*o
e*
evi*ência a in*er*çã* entre personagens com* o ex-*resi*ente br*s*leiro Luiz
Inácio Lula da
S*lva, o pri*ei*o-min*s*ro turco Recep T*yyip e o pr*sidente irani*no
Ma*moud Ahmadinejad. A m*ntagem da cena *ngloba, entr* outras *ções, momentos de
*iscuss*o ent*e os líde*es (*mage* 1) que servem, b***camente, à ex*osiçã* imagét*ca
para
pro*oção do "evento" - como a* nego*iaçõ** foram tra*adas *o longo dos meses anteri*res,
*uito pouc* o* nada é *eal*e*te *ratad* quando os mandat*r*os se reúnem abert*mente.
*magem 1 - encontro entre L*la e *hmadinej*d6
6
VE*A, porta*. Irã, Brasil * Turquia c*egaram a a*ordo sobre to*ca de combustível nuclear, d*z minist*o t*rco.
[http://veja.*bril.com.br/not*cia/mundo/ira-brasil-turquia-chegaram-acordo-tr*ca-combustivel-nuclear-di*-
ministro-turco]. Acessado *m 15/01/2015.
Rev. FSA, Teresi*a PI, v. 13, n. 5, art. 4, *. 6*-79, set/out. 20*6 **w4.fsanet.com.br/revis*a
I. E. Bomf*m, K. M. Müller
74
Bus*a*do u**lizar os *ais *ásicos c*itérios de noticia*ilidade, como * re*evâ**ia d*s
*n*o***dos no aconte**mento (*O*F, 2008), no momen*o do anú*cio o*icial do ac*r*o a*
*e*resentaç*es diplom*t*c*s dim*nuír*m a *resen*a em cen* de se** fun*ionários que, apes**
d* pr**entes às dis*us*ões (*,
*om **rteza, responsá*eis
pelo arra*j* po*ític*
da* dec*sões),
tornaram-s* secu*dário*. L*l*, Ta*yip e Ahmadi*ejad representam suas naçõe*, e
a
v*sibilidade da* açõe* dos Estados passa, de forma
decis*va, pel* sua expo*iç*o à esfera
midiática no*ic*osa.
Como sustenta Gi*boa (2002) acer*a da dramaticidade com* elemen*o *e grande valor
no pre*ente context*, a *ivul*ação do acerto *oi real**ada a* fi*al da noit* de *omin*o
(*6/05), *es*ltando em image*s *e
l**eres pol**ico* *ibrantes, ergu*ndo os br*ço*
*m
comem*ração (*magem *). Seja ele calculado ou espontâneo, o esforço exposto pelos ro*to*
can***os vis* alcançar uma audiê*c** que s*j* c*ptada p*la r*present*ção de um genuíno
debate e* t*r*o d* uma causa.
I*agem 2 - celebração no a**nci* d* acor*o7
Ju*to à mon*agem d* cena, é essencial consider*r *s metas *e cad* país e, no ca*o do
*ras*l, há *nteresse his*ór*co, r*forçado c*ntempo*an*amente, de afir*ar-se
como nova
p*tência,
cujo p**er, ao invés de *ilitar, é caracterizado por posições universalist**
e
7
VEJA, portal. Brasil e Turq*ia nã* pa*ticiparã* de negociações *om Irã
[http://v*ja.abril.com.b*/noticia/mundo/brasil-e-turqu*a-nao-par*icip*rao-de-negociacoes-com-*ra].
Acessado em **/01/2016.
Re*. FSA, **resina, v. 13, *. *, art. 4, p. 61-79, set./out. 2*16 www4.fsan*t.com.*r/rev*sta
D*plomacia Mid*á*i*a e J*rna*ismo Internac*onal: A* Notícias G*obais no Âmbi*o da Pol*tica Externa
75
*ultil**erais, encampadas pela aut**ro*oção co*o f*rça in*ermediária entre os p*íses -
desenvolvidos e os *m
de*envo*viment* (NASCIMENTO PLUM, 2011). Àqu*le *o*e*to,
grande parte da articulação exte*na br*s*leira pa*sava *ela coordenação de p*sições *m
comum dos países
em
d*s*nv**vimento, *omo pôde ser v*sto com a institu**ão de grupos
como o **0, *ue atuou no âmbito da Organização Mund*al do Comér*io, a partir de 2*03, na
instituiç*o d* organizaç*es como a *nasul (*nião das *a**es S*l-Americanas), em 20*8, e
n*
estabelecimen** de parcerias como o Fórum d* Diá***o IBAS (*e*nindo Índia, Brasil
*
Áfric* do Sul), *m 2003, e os BRICS (conjunto formado por Brasil, Rússia, Índia, China
e
Áfric* *o Sul) a partir de 20*9, *omo susten*am autores como (*ER*O, 20*8; V*GEVANI,
2010; *EPALUNI, 2*07).
A procu*a pela visi*ilid*de é empreendid* em ações como a exposição do encontro de
Lul* co* Ali *hamenei (Imagem 3), s*pre**-aia*olá iraniano - r*pres*ntando a tentat*va de
d*álogo do mandatário com * *la ma*s "assu*tadora" ao *enso *omum da *ídia ocidental, da
admin**traçã* persa. A ideia é const*uir a im*gem d* um líde* de relevância global, o que é
vincu*ado à afirmação do Esta*o br*sile*ro no mesmo *atama*. Obviamente, do lado ir*niano,
há a intenç** de m***rar tanto a disposição de dialogar co*o o mundo - e, nest* caso, o
mund* alte*nativo às grandes p*tências *epresenta*o *or L*la e o *rasil -
quanto expo*
a
f*rça de *ua estrutura polític*-religi*sa, ten*o e* vista *ue, ademais
da
pr*s*nça fi*al de
Kha*enei, a *eunião é "obser*ada" pelo **tra*o do aiatolá Khomeini, *íder da Revoluçã*
Iraniana ** 1979 *ue inst**rou * atu*l regime.
Im**em 3 - enc*ntro ent** Lula e *hamen**8
8
R7, port*l. Lula encont*a Ahmadin*jad e **amenei em me*o * e*pect*tiv* por acordo
nuclear[*ttp://noticias.r7.co*/internacional/*oticias/lula-encontra-ahmadinejad-e-khamen*i-*o-ira-
20100516.html]. Ace*s*do em 16/01/2016.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 13, *. 5, art. *, p. **-79, s*t/*u*. 20*6 w*w4.*sanet.com.br/revista
I. *. B*mf*m, K. M. M*ller
76
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conce*to *e diplomacia midiática foi desenv*lvido a p**tir do intere**e de
formul*d*res de p*lítica ext*rna *e compreend*r e, espec*alme**e, utilizar * impac*o
das
not*cias *e a*canc* glob*l. Como a tor*ente de p**sibil*dades abert*s pelo* f*uxos noticiosos
mun*ia*s poder*a ser m*bilizada par* a* relações entre a* *aç*e*? Como
es*as *o*eriam
pa*sar a ser vistas e, prin*ipalmente, atua* *m *ela**o *o es*aço de *isibil**ade midiática?
É evident* a busca por um* fu*cionalidade dos meios not*ciosos pa*a o *mbito das RI,
*um* exp*sição d* racio*alidade do campo polí*ico *m re*ação ao *ampo *a comunica*ão, e
o* *aíses *uscam p*esenç* posi*i*a nos mate*ia*s jorna*ístico* de empresas privadas que, por
serem e*c*ra**s
*omo "in*ormaçã* independ*nte", seriam mais confiáveis aos
ol hos do
*úblico. Mesm* a *o*cep*ão de "obje*ivos dir**os" na utilização da mídia infor*ativa par* a
r*solução d* questões diplomá*ic*s
*vi*encia a perc*pç** d* força do poder s*mbólico
d*s
notícia*. No entanto, a
busca d* p*esença n* *spa*o de vis*bilid*de
*o**uist*da
parece não
delegar mui** imp*rtância à visibilid*d* pr*gramada, d* grande rel*v*ncia para a ação sobre
os i*aginár*os.
O destaque facultado ao jornali*mo int*rnacional é compreensí*e* se p*nsarmos neste
c*mo uma instância p*dagógica. *orém, a c**stituição d* repu*aç*o global não pas*a apenas
pelo discu*s* infor*ativo. Baseada na exposi*ão a partir d* noticiário glob*l, * v*sibilid**e da
institu*ção estatal torna-se, s*bremaneira, d*pen*ente
da* formas p*las quais * paí* ser*
e*quadra*o p*las empre*as jornalíst*cas, *icando mais
*xp*sto a dis*u*so* contextua*izantes
ad*i*istrados dentro de uma ra*ional*dad* guia*a pelas estruturas eco**m*co-políticas,
das
qua*s *az*m p*rte essas companhia*. Sen*o conhecida pelo materia*
d*stribuído pela*
a*ência*, e
não
havendo
outras referências no i*aginár*o do *úblico
que auxiliem na
**m**ee*são das informações, um*
*ação, q*e rep*esenta *osiç*es id*ológ*cas disti*tas
das
consid*radas corretas pela mídia *o*nalística (como
não *efender os preceito* libera*s
demo*ráti*os), *oderá se* pu*l*cizada com* um *á*ia. Relaci*n*n*o esta questão à atuação
brasi*eira n* *aso cita*o anteriormente, a **s*a por visi**l*da*e pode resultar negati*am*nte
*a imprensa, co* n**í*ias represe**ando Lu*a * o país como aliados de *m regime autoritário
* br*ta* (BOMFIM, 2*15).
* con*idera*ã* de "resul*ados *iretos de efeitos *ntermed*ár*os" é represen*at*va
da
id*ia de info*mação j*rnalís*ica *omo constituinte da est*uturação *e realidade:
*
intermediário e* questã* é **ferent* ao simbólico; * **re*o, c*ncernente ao j*go p*lí*ico.
Pela primazia del*gada ao que é de diret* a informação j*rn*lística é s*stentada com* mais
Rev. FSA, T*re*ina, v. 13, n. 5, art. 4, *. 61-*9, set./ou*. *0*6 www4.fsanet.com.br/re*ista
Dip*oma*i* *idiática e Jornalismo Intern*cio*al: *s Notícias *lobais no Âmbito da *olítica Externa
77
*elevante do que a publi*itária, por exemplo - fat*r d*sta*ado contumazmente pela afi*mação
da credibilidade que o *ornalismo possu* *m relação ao cor** *ocial. Na disputa por corações
e mente*, a diplomacia midiática parece ter sua* estratégias vol*adas para al*an*ar a *egunda
opção, *mbora pretenda atin*ir, como conseq**ncia, t*m**m a primeira.
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www4.fsanet.com.br/*evista
Diplomacia Mi**át*ca * Jorn*lismo Internacional: As Notícia* Globai* n* Âmbito da P*lítica Externa
79
Como Ref*r*nciar este Artigo, conforme ABNT:
*OMF*M, I. E.; *ÜLLER, K. *. Diplomaci* Midiát*ca e J**nalismo Internac*onal: As *otícias
G*obais no Â*b*to ** Políti** Ex*erna. *ev. FSA, Te*esina, v.13, n.5, art.4, p. 61-79, *e*./out. 201*.
Contribuição dos A*tores
I. E. Bomfim
K. M. Müller
1) conc*pç*o e planejamento.
X
2) análise e i*terpretação d*s dados.
X
X
3) e*ab*ração *o rascunho ou na revisão crí*ica d* con*eúd*.
X
X
4) partici*ação na aprovação da versão final *o manu*crito.
*
X
Rev. FS*, T*resi*a PI, v. 13, n. 5, art. 4, p. 6*-79, s**/out. *016
w*w4.fsanet.co*.br/*evi*ta
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