www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 12, n. 4, art. 1*, p. 158-178, jul./ago. 2015 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2015.12.4.10 Modos De Descrição Na Impr*nsa Pop*lar Da Alemanha E Do Brasil: Categ*r*as Para An*li*e Das M**eiras De Descr**er Descript*on Modes In P*pula* N*wspapers *f Germany And **azil: *ategorie* For *nalys*s *f The Wa*s To Describe Polian* Co*li Costa Arante* **utorado e* Estudos Linguí*ticos pel* Universida*e Federal de Mina* Ge*ais Professora *a Univers*da*e Federa* *e Minas *er*is Email: pol*a**coeli@ya*oo.com.br Endereç*: P*liana Coe*i Costa Aran*es Endereço insti*uci*nal: Institut* de L*tr*s - UER* Rua São Fr*nc*s*o Xavier, 5*4 (11*.Andar) Rio de Ja*eiro/RJ. Editora-chefe: Dra. Marle*e Araújo de Carv*l*o/*a*ul*ade S*nto **ostinho Artigo r*c*bido *m 04/05/2015. *ltima ve**ã* recebida em 26/05/2015. Ap*ovado *m *7/05/2015. A**l*ado *elo sist*ma Triple R**iew: a) Des* Review *ela Edito*a-Che*e; e b) Doubl* Blind Re*iew (av*liação ce** por dois a*aliadores da á*ea). R*v*são: Gramatical, Norm*t*va e de F*rmataç** Modos *e Descrição na impren*a popu**r da Alemanha e do Brasil 1*9 RESUMO * presente artigo pretend* anali*a* como a imp*ensa auto*eno*i*ada *opular inser*da em dois universos s*ciocultu*ais *i*ergen*es, o alemão e o brasil*iro, descre*em **onteci*entos * fatos *o*icia*os. A partir do refe*enc*al teórico da an*lise do discurso *e **rt*nte franc*sa, partindo-*e da *etodologia *e análise d*s modos de organização do dis*ur*o d*scritivo, é que buscamos cons*ruir o *erc*rso metodológico em que as *nálises da* dua* mídias em *uestão serão baseadas. Os obje*os de anál**e foram constituídos de amost*a* *e j*rnais cu**s ti*ag*n* *ão as mais *xpres*ivas nos *ois países e* q*estão, a *aber: "Super Notícia" (repre*e*t*nte escolhi*o do jornal popu*a* *r*s**eiro) e "BILD Ze*tung" (representan*e d* Boul*vardzei*ung alemã*). Os proc*dimentos de descrição são processos l**guístico-discu*sivos importantes para a *d*ntifica*ão dos val*r*s * das formas argumentativas pr*sentes e *c*ssíveis na material*dade li*g*ística. Assim, as atividad*s de *escrição e *rg*mentação e*contram-se*m camad*s *ed**ent*r*s **e se com*nic*m, **ian*o um *o*o tex*ual q*e pode nos f*r**cer pis*as sob*e possí**i* efeitos de *entido construídos e ima*ens de leitor projetadas. Palavras-*have: Análise do discurso. Mí*ias populares. Modos de organizaç*o do di*curso. ABSTRACT This p*per aims t* ana*yze ho* t*e pop*lar media in two diverg**t so*io-cultura* realities(Ge*man and Brazilian) describes the event* *nd facts reported *y the descriptive wa* prese*t in their discour*e. The analysis will be done thr*ugh the *ual*tative theory of "Modos *e Organ*zação do Di*curso" (Mode* of Di*cour*e Orga*ization) and the object *of analysis will co*si*t of samples o* news papers, whose da*ly publicat*ons are the mos* significant i* the two countries c**cerned, namel*: "Super Notíci*" (representative of po*u*ar Bra*i*ian newspaper) and "BIL* Zeitung" (G*rman representat*ve B*u**vard zeitung). Th* follo*ing descr*ption o* linguistic-discursiv* pr*c*sse* is import*nt for the identi*ic*tion *f values and *or*s of a*gumenta*io* that the interl**utor wan** to communicat*. T*us, the acti*iti*s o* *escription and a*g*mentation are closely li*ked and prov*de hypothese* on the id*ological c*nt*nt o* the co*veyed messag*s. Keyw*rds: Discourse anal*sis. P*pu*ar m*dia. Speech m*des of o*gani*a*ion. Rev. FSA, T*r*si*a, *. 12, n. 4, *rt. 10, p. 158-*78, jul./ago. *015 www*.fsanet.co*.br/revista P. C. C. Arantes *60 1 INTROD*ÇÃO Gost*ríamos de salientar qu* *onsiderar o* modos de *rganização do discurso separadame*te de outro* modos **ce*sita e deveria *er prob***atiza*o, pois se*arar essa categor*a dos *e*ais mod*s *e o*gan*zaçã* p*de desencadear uma série de ques*ionamentos e p**blemas que devem *er levantad*s, em *speci**, o *ue se refer* à dificul*ade de separar o* el*mentos da descrição das fo*mas *e enunc*ar.O modo de o*ganização **scriti*o enfren*aria, p*rtanto, três desafios determin*ntes p**a sua classi*icaçã*. O ***m*i*o del*s *eria a *ndefinição *e fr*nt**ras claras *ntre o que seria narrar e descre*er, *oi* esses dois modos de organiza*ão do discur*o estão muito ligados * m*it*s ve*es são cons*it*ído* o* *onstituem-se m*t*amente. O segundo des*fio seria a frequent* co*f*são exi*ten*e entre fi**li*a*e de um text* e *eu modo de organiz*ção. *, ****lmente, * terceiro desafio diz r*speito às marcas linguísticas recorr**tes em um te**o *s quais *oderiam *ev*r o a*a**sta à c*a*sificá-** como perte*cente a determinado m*do de organ**aç*o. *end* assim, determinad*s critéri*s de a*álise, tais c**o a utilizaç*o de certas c*tegorias g*ama*ic*i*, te*poralidade a do* *e*bos, a natureza *e**ntica d* agen*e de *m a ação, *ão po**r*am por si só **termi**r uma ordem discursi*a e, tamp*uc*, caracter*zar um texto, uma *ez que não p*demos desco*s*de*ar o *aráter f*ndam*ntal da situa**o ** comuni*ação dialógica do* enunc*ado* e da compre*nsão r*s*on**va en*re os interlocutores. * nes*e sentido que s* f*z de*ejáv** que as clas*ifica**es, se**m elas de *ê*er*, m*do ou situação, não de*am ser considera**s *ateg*ri*s es*an*ues, dado que *s f*on*eiras *ue a* **finem sã* bastante f*uid*s e podem exigir uma maior quantidade de variáv*is pa*a que outros fatores, igualme*te importantes, façam *arte das análises, inc*usive a p*esença do próprio *es**isador, *u* na mai*ria das *ezes é oc*lt*d*, f*to co*siderad* por *a*htin: "(...) * entendedor (incl*sive o pesquis*dor) s* *orna **r*ici**nte do d*á*ogo ain*a que seja em um ní*el *spe*ia* ( em fu*çã* da tendência da interpretação e *a pe**u*sa)" (BAKHTIN, 2011, *. 3*2). Tendo em **sta os problemas *e análise su*racitados, Char**deau (20*8, p. *1*) defi*e o modo *e o*g*nizaçã* descritivo em opo*ição a o**ros mod**, sobr*tudo ao m od* n*rrativo. *ssim, a desc*ição seri* es*ática, for* do tempo * da su*e*s*o dos aco*tecimento*; o rel*to, por sua vez, seria dinâmico, i*scrito no te*po, *esc*eve*do a suces*ão das *ções.*ntendemos, no entanto, que muitas ve*e* há elementos *ue determinam a d*namic**ade d*s descrições, co*str*ída pe** modo verbal, por ex*mpl*. Rev. FSA, **resina, v. 12, n. *, art. 10, p. 158-*78, jul./ago. 2015 *w*4.fsanet.com.*r/re*i**a Modos d* Descrição na impr*nsa popula* da Al*ma*ha e *o Brasil 161 O *odo **scr*tivo dependeri*, segund* o teó*ico an*e**ormente citado, de três componentes autôno*os e indis*ociávei* para *ua identi*i*açã*, são eles: n*mear, lo*al*zar- s**uar * qualificar. *ais c*mp**entes *ã* analisad*s e* procedimentos de configuração da descrição, **e*ar de tamb*m *erem *tilizados de forma *ivre e não arb*trár*a.*ivr* *e*o fato de não per**ti* a limitaç** p*r u*a *ógica in*ern*, c*mo f*zem o* outros m*dos, e n*o arbitrária pelo fat* de toda e qualq*er descr*ção estar rel*cionada c*m os outr*s modos ** organização. (CH*RAU*EAU 2008, p. 1*7) Os componentes *upracitado* susci**m procedimentos de caráter discursivo, linguístico. Po**mos o*gan*zá-l*s com base em Charaudeau (2008) *a segu*nte forma: QUADRO 1 - Procedimentos di*cur*iv*s e l*ngu*sticos d*s componentes de**riti*** Compon*ntes Procedi**nt*s discursiv*s Procedime*tos linguístic*s Nomear Identi*icação gen*rica, *dentificação *specífic*, car*cterização *dentifica*ória, recenseam*nto, info*maç*o a respeito da ident*dade de *m s** De*ominaç*o, i*determinaçã*, atu*lização (ou Concret**ação), dependência, De*ig*ação, quantificação, enu*eraçã*, Localiz*r I*entificação p*ec*sa ou imprecisa dos lugares e da é*oca Qu*lif*c*r Fin**idade *e *ef*nir, finalid**e de explicar, finalid*de *e incitar, finalidade *e *ontar, Acumulação de d**a*h*s e de prec**ões de * i p o factual so*re *aneiras *e ser e faze*; util*zação da analogia (implícita ou explícita) Fonte: CHARAU*EA*, 2008. *
A util*z*ção dess*s c*mponentes pelo Su*eito Co**nicante (SC) pode p*o*uzir c*rto número de *feitos, den*re os q*ais se en*ontram: efeito de s*ber, *f*it*s de realida*e * ficção, R*v. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, a*t. 10, p. 158-178, jul./ago. 2015 *ww*.fsa*et.*om.br/revis*a
P. C. C. Aran*es 16* efeito de confidênci* e ef*ito de gênero. Porém, *ai* efeitos s*o c*nsiderados apenas possív*is, poi* a instância de recepção pode perce*ê-los ou não. Som*n*e p*deríamos afirma*, a p*rtir da pr*po*ta de Charaude*u, que * *n**ância de produção, ou seja, o S*, apresentaria e* sua enunciação intenções para *om * formula*ão daqueles efeitos através das *scolha* pro*edimen**is d* compone*t*s descr*ti*os. T*ndo em vist* tal per*p*ct*va m*is ou menos simét*ica da linguage*, baseada na decodificação *e *nte*cional*dad*s e on*e o ato de *omunica*ã* se constrói externamente ao ato *e p*o*uçã* de sentido, gost*ríamos de con*ra*o* es*a ar*ume**aç*o àquela, q*e ac*editamos mais fiel * realidade da construçã* *ialógica *e sentido, dese*vol***a por Bak*ti*. De acordo com Bakth*n, os enu*ciados não *ode* ser *nt*ndidos *e for*, pois a compreensã* deles e das relações *ialógi*as est*belecidas entre eles *, inevitavelmente, dialógica. *lém disso, *m diferentes époc*s e sob difere*tes *onc*pçõ*s de mundo, t** compreensão r*sponsiva idealmente ve*dadeira ad**ire *entidos * expressõe* id*ológic*s concr*tas e diversas. O auto* nunca pode deix*r plen*m**te * si m*smo e **da a sua obra feit* de d**curso à mercê plena e definitiva dos d*stinatários prese*tes ou próxi*os (porque a*é os descende*t*s mais pró*imos **dem eq*i*ocar-s*), e sempre pressupõe (com m*i*r ** **nor c*nsciência) alguma i*stânci* su*erior de compreens*o res*o*siva que possa deslocar-s* em *iferent*s s**tid*s (BAKHTIN, 2011, p. 333). Mesm* que o* f*tores e variáveis aci*a expo*tos i*terfiram na *o*pr**nsão *esp*nsiva de enunciados, é possível dizer a*go so*re a quem os en*nciad*s se destinam, p**s "t*do enunciado t*m sempre um dest*natário (de índole variada, g*aus v**iados de proximidade, de conc*e*ude, *e comp*eensibilidade, etc.), cuja *ompreens*o responsiva do aut** da obra de d*scurso procura e antecipa" (BAKHTIN, 20*1, p. 333). Nesse sentido, acred*tamos que poderíamos, a p*rtir da análise dos enu*ciado*, construir pr*j*ç*** de d*sti*atários *ara os enunciados analisados. A partir das propos*as *e Vladimir Propp (1970) e *a c*ncepção de texto como cena es**tacula*, * **m*ótica *e*env*lveu seu mode** de organi*ação na*rativa, * es*uema narrativ* canônico. Charaudeau (20*8) não t*ab*lha com base em to*as as cat*g*rias e *ercursos semió*icos, ele pretende apresentar noções *elat*vas a* fenôm*no d* narrativid*de, que ne*es*itam de exame quanto * seu valor operatório. O qu* é po* *sse teórico *ret*ndid* se*i* c*loc*r *m evidência o* componentes * *roced*men**s presentes *o modo de o*ganização narr*tivo, cu*a comb*nação possibilite uma Rev. F*A, **resina, v. 1*, n. 4, art. *0, p. 158-17*, jul./a*o. *015 www4.fsanet.com.br/revist* Mo*** de Descrição na impr*nsa popular da Alema*h* e do Bras*l 163 me*hor co*p**en*ão das mú*tiplas *ignificaçõe* de um ***to part*cular, incluindo os *omponen*es discursivos *ue não *s**riam no foco de an*lise s*m*ótica. Segundo C*araude*u (2008), o di*curso construído *elo modo de organização des*ritivo mantém-se integralm*nte, ao contrári* do disc*rso Nar*ati*o, apresentand*-se em *o*s níveis: *ma estrutura lógica s*b*acente * mani*es*ação e uma estrut*ra semantizada. Ess* discu*so segue *s r*gras do princípio de fe*hamento * da ló*i*a sintát*ca que *erm*te operações de reduçã* o* de *mplifica*ão em *orno d* estrutura lógica da narr*ti*a (CHARAUDEA*, 2*08, p. 1*7). A orga*iz*ção *a lógica narrativa * baseada em: actant*s, processos e s*quências. Os acta*tes desempenh*m *apéis relacion*dos à ação da *ual *ependem; os *roce**os oferecem orientação f*ncional às *ções e, **r últ*mo, as sequênci*s integram pro*essos e actantes numa finalidade *arrativa segun*o certos princípios de organização. Os actant** são **ganizados, por sua vez, d* ac**do co* os papéis narrativos, hierarquização (sob o ponto de vista de sua natu*ez* o* de s*a importância *a *rama narr*tiv* da história) e qualificações. Os pr*cessos são unidades de ação qu* se cor*e*a*ionam com o*tr*s ações, motivadas p*r uma intenc**nalidad* e, *ransforma*os em **nção narrativa. A fun*ã* narrativa pode gerar ben*fíc*o ou prejuízo. Também são ob*erva*as a hie*arquiz*ção, que diz respeito à ordem com que as funções narrativas estão dispo*tas, a qualificação *e um pro*es*o, e ou s*j*, * gr*u de *emantização que se pode atribuir * um pr*cesso. É nec*ssá*io, *i*da, que a narrativa obedeça a a*gun* p*in*ípio* *e o*ganização, os *uais **riam, de *cordo co* Ch*raude*u (2008, p. 166): princípio d* c**rência, princípi* de i*tencional*dade, princípio de encade*me*to * princípio de localiza*ão. Assim, a *artir de um *rocesso de encenação da lógica *arra*iva qu* pre*creva tais pr**cípios, t*rem*s a configuraç*onarrativa. Tal *onfiguração *eva em c*nta espe**ficidade* semânticas que vêm p*eenc*er *s *rqué*ip*s da trama narrati*a para c**vert*-la em um* *istória contad*, qu* ser* se*pre s*ngu*ar (C*ARAUDEAU, *008, *. 176). Dessa form* pod*mos descrever, *on*orme Charaudea*, quais ser*am os procedi*e*tos que estari*m ligados aos princ*pios d* intencionalid*de, de organização, de **cadeam*nto e ** localizaç*o. Os p*oce*iment*s ligados à *oti*açã* intencional são res*o*sáv*is p** atri*ui* ao a*ente de uma *equ*ncia n**rativ* uma intençã* de agi* (agen*e **luntário) ou, ao co***ário, *ma ausênc** de intençã* (agente não voluntá*io), sen*o q*e, *este ca*o, **te agente *oderia ag*r em função *e uma influência (manipulaçã*) de out*o Rev. FSA, T**esina, *. 12, *. 4, art. 10, p. 158-178, jul./*go. 20*5 www*.fsanet.com.br/*ev*sta P. C. C. Arantes 16* agente que poderá **r humano (manipulaç*o humana) *u não h*mano (mani*ulação sobrena*ural). Os procedi**ntos ligados a* prin*í**o de *n*a**ame*to e***o ligados à crono*ogia, pois se relacionam ** agir sobre a ord*m e as relaçõe* de causal*dade da* sequências *ntre si. Quando há um encad*amento das se**ências apresentado de *orma contínua, essas se su*ede* *e modo p*ogressivo (cronolog*a em progressão) ou de mod* invertido (cron*log*a em inv*rsão). Quando, por*m, * *ncadeament* das sequências apres*ntado de maneira é descontínua, a sucessão das seq*ê*cias pode ser in*errompida po* *m* de*criç** (em expectativa) ou pel* de*envolvimento de outra sér*e de s*quências (em *lternâ*c*a). Procedimentos ligados à loc*li*ação espaço-t*mp*r*l depende* do princípio ** local**a*ão e constitu*m a situação no tempo (pass*d*, pre*ente) e * *ocalização no espaço (fechado/a*ert* e desl*came*to/fix**ã*). Fiorin (2003) institui, baseado em Benve*i*te (1970), de*ermin*d*s tempos *e*bais que s*riam os resp*nsáveis p*r determi*ar a enunciação parti* da t****e ego-hic-*unc. a Assim, po*ere*os *bter categorias que n*s auxi**arão a precisar os atos alocu*ivos, delocutivos e elocu**vos, des*ritos p** C*a*audeau (2007). B*nvenist* (1974) e*t*be*e*e que o te**o linguístico p*ss*i uma car*cterística peculiar, que ser*a es*ar lig*d* ao *xercício da fala, *m* vez que est*belece como c**tro o pr*sente da ***tância da fal*. N* *ome**o em *ue um falante tom* a p*lavra, insta*ra um agora, mom*nto da enunciação, assim es** agora é *e*nve*ta*o a cada vez que o enunciador e*uncia, é a cada ato de fala um tempo *o*o, ainda nã* vivido. A te*poralidade li*guística ma**a, desse modo, as r*lações de sucess*vi*ade e*tre os eventos representados *o *exto e ordena a progressão no sentido e* que es*abelece, quais *e**am, anteriores, *on*omita**e* e posteri*res. Base*do nisso, Fi*rin (200*) *sta*e*ece a existên*ia d* tr*s momentos signifi**tivos para a deter*inação do tempo l*nguístico, se*iam ele*: ME - *omento da en*ncia*ão MR - momento de r*fe*ência (presente, passado e fut*ro) MA - mo*ento do acontecimento (concomitante, anterio* e p*st*rior a cada um dos momentos de referência) As*im, conclui-*e que o t**po seria uma categoria lin*uí*tica responsá*e* por e*ta*elecer se *m acont*cimento é con*o*itante, an**rior *u posterio* a cada um do* m*mento* de r*ferência estabe*ecidos com *eferência a* mom*nto da enunciação (FIORIN, 2003, p. 167). Rev. FS*, Ter*sina, v. 12, n. 4, art. 10, p. 158-178, jul./ago. 2015 www4.fs*net.com.br/*e*ista Mod*s *e Descri*ão na imprens* popular da **emanha e *o *rasi* 165 Com relaç*o ao espaço, os *bjetos s*riam localizados, assim com* o tempo, a partir da*uel* qu* enuncia. Portanto, ai*da de ac*rd* co* Fi*rin, o espaço linguístico não *e*ia * espaço f*sico organizado a part*r da* cat*g*rias geométr*ca*, mas sim a*uele, ex**esso atr*v*s dos demons*rativos ou advérbios ** lugar, onde a *ena enunciati*a se de*enr*la. Através das descrições *m *rades *os c*mponentes lin*uís*icos encontr*dos no **rpu* d***a pes*uis*, p*dere*os obter dados imp*rtant*s que nos auxiliarão a buscar possíveis resp*stas *ar* nossa pergunta *e parti*a. Por is*o, ac*ed*tamos que os Modos de *rgani*ação do Discurso, bem como categorias da *emiótica, nos fornecerão categ*rias **teressantes para que tal análi*e seja factível. 2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADO* A análise do Mo*o de Or*ani*ação ** Di*cur** Descrit*vo também *ontribuiu para o esboço preliminar da(s) imagem(s) de leitor*s dos jornais ** ques*ão. Vale ressal*ar que a descrição está também suj*ita a i**erpretaçõ*s sub*etiva* *eali*adas a partir da dec*são do sujeit* descritor e da imagem que ele f** *e seu destin**ário. A análise da descriçã* n*s manc*etes dos *or*ais BILD e SUPER foi base*da na seguinte grade: GRADE 1 - Modo d* Organiza*ão De**ritivo Manchet*s Identificações Q u al . Local. Qua*t. Fonte: Ela*orada pelo autor. No*a-se que a grade a*im* *ontém os proce*imentos de configura*ão da d*scri*ão apr*sentados por Charadeau (*0*8), são eles: O component* nomear, que faz com que um "ser se*a", s*scitando pr*cedime*tos de identificaçã* O c**ponente q*al*ficar, que f*z com q*e um "ser seja alguma coisa" - a*r*vé* de sua* qu*lidades e co*portamentos-, susc**and* p*ocediment*s de *onstrução o* a objetiva, ora subjet*va d* mundo O compo*ente l*c*lizar, que faz com que u* "ser *steja", suscitando procedimen*os de *on*trução o*jetiva do mu*do O elemento "q*an*ifi*ações" pres*nt* e* noss* grade foi acrescentado, embo*a e*tiv*sse p*e*ente na *ategoria "no*ear", de aco*do com Ch*r*udeau, pare**u-nos interess*nte, uma vez que o uso *e quantifi*ado**s, sobretudo os impreciso*, pode Rev. **A, Teresin*, v. *2, n. *, art. 10, p. *5*-178, *ul./ago. 2015 www4.*sanet.com.br/revista P. C. C. Arantes 166 pe*mit*r a produção de efeitos ***cur*ivos *e subjetividad*, d*do *ste relevante no que tange à construção de ima*e*s de leitores dos jornais. 2.1*rocediment*s de i*ent*ficação Os procedimento* de ide*tifi*ação con*istem *m fazer exi*tir ** sere* no mund*, n*me*n*o-os. As*im, os *eres *odem ser nomeados por n**es com*n* que os indivi*ualizam * os fazem per*encer, ao me*mo tempo, a uma classe - ident*ficaçã* gen*rica -, mas *odem i*ua*mente ser *omeados, em sua u*icidade, por nomes que *hes s*o própr*os - identificaç*o específica. Desse modo, c*assifi**mos o* pro*edimentos de ide**ificação como genéricos ou esp*cífic*s, * que nos permite recolhe* *ados interes*antes para a análise do leitor- Destinatári* do mesmo, já **e identificaç*es **néricas poderia* levá-lo, por exe*p*o, a *ec**he*er-se *o fa*o no*iciado: "*cide**es matam q*a*ro *essoas em rodo*ia* min*iras" (SUPER, 11/*0/08). Poderíamos afirmar q*e tal ato de c*munic*ção circuns*r*veria a *inalidade de info*m*r a que a instância de *r*dução s* propõe. No *ntanto, se*undo **edi*to (*007), *r**smitir um saber a q*em não o possui é ap*nas uma parte *a final*dade do dis**rso da informação jornalí*tica. *ssim, *s cont*nuaç*es ou os encadeamen*o* discursivos **ocados pel* se*mento também *esc*e*em i**erpre*ações e solicitam competências *e seus leitor*s, o que *o* a*xilia na constr*ção ** im*gem destes leitores. Assim, o segm*nto não informa a*enas um fato, ele **nde a q*alificar o m*sm*, pragmaticame*te: cu*dado! As *odovias mineira* es*ão perigosas! A *dent**ica*ão genér*ca das vít*mas (q**tro *essoas) e das rod*vias (rodovias **neiras) aci*nam ao mesmo tempo as leis de pr*ximid*de *eogr*fica (o que e*tá m*is perto do l*itor e o impl*ca mais) e psicosso*ial (o que *mplic* ma** os seus afetos e n*ce**idad*s). Competência* *eferenciais *ambém são requisitad*s ao le*tor, dada* as referênc*as anafór*cas que al*uns títulos *azem *om* o seg*inte:"Ag*ess** do m*t*ô s* apresent* par* a 1 polícia" (BI*D, 11/10/08). Segundo Emediato (1996), quando o o*jeto *e referência apresenta-se de f*rma ***érica, leva o l*itor a construir inferências no interior de algum universo *e referênci*, asso*iand* u* se* já conhecido a *ma classe d* seres. ** títul* acima, *mbor* o SN Agressor do metrô não e*teja *efinido (**ualizado pelo artigo *efin*do), trata-se *e u*a prática corrente em *osso jornali*mo (a *tual*zação zero, sem art*g*), mas a 1 U-Bahn-Schläger *tell* sich" Rev. FSA, *eresina, v. 12, n. *, *rt. 10, p. 158-178, jul./ago. 2015 w**4.fs*net.com.br/r*vis*a Modos d* Descrição *a imprensa pop*l*r da Ale*an*a e do Brasil 16* con*tr*ç*o s*licita do l*itor o con*ec*men*o prév*o d* a*ente agressor. Além disso, parece refo*ça* * con*t*ução de uma class* genérica (* agress*r de metrô). Novamente o leitor é implicado e le*ado a questionar a p*ópria segurança (o *etrô de que * l*ito* é *suário; o agress** que *ta*a po* ali). No entant*, há o*tros ob**tos ide**i*icados também genericamente, mas que atribuem um ref**ente concr*to ou *ndivid*al na realidad*, e não pode* se* ass**iados a u*a classe. * * que ocorre, por exemplo, com a m*nchete abaixo, enc*ntrada no Super: "Empr*sár*o *o \bibi, bi*i e bibi\ é preso novamente bêba**" (S*PER, 07/*0/08). T**ta-se, aqui, *e ide*tificar genéri** *xe*plar (um *nd*víduo, *xemplo de empr*sári*) *ue busca *cionar a memór*a do **ito* s*bre *omportamento anterior desse mes*o in*iv*du*, já publ**a** e* edição anterior. *al nominalizaçã* p***u*, p*rtanto, *feito a*afórico. Notamos qu* a recorrênci* de *ominalizações é consideravelm*nte maior no jornal a*emão BILD, e tais *o*in*lizações, seg*ndo Emediato (1996), *ossuem, em ge*al, val*r 2 anafór**o, como é o caso d* m*nche*e a s*guir: "KSK fo** d* Afeganistã*" (BILD, 07/10/0*). Aqu*, o *ei*or precis* *ão só re*onhecer * re*erente de KSK, *omo tamb*m o s*nti*o de "do Af*ganistão" (do país ou do con*lito). Com re*ação às ident*fi*ações e*pecíficas, est*s são f*itas a*ra*és *e um no*e própri* *nserido *o contexto d* enunciado e na situação *om*nicativ*, uma ve* que o p*pel *o conheci*ent* enciclopé*ico *o lei*o* rev*l*-*e d* fund*m**tal *mportânc** pa*a a produção dos efei*o* context**is que *tuam s**re determinada iden*ificação. (E*EDIATO, 199*). As análises de i*ent**icações específicas podem ser exem*li**cadas abaixo: "Ri*ster 3 *onfessa *ue errou" (BIL*, 06/10/08); "Giovana Antonell*: *t*iz de \três *rmãs\ vive o me*hor momento de *ua car*eira (SUPER, 08/10/08). De*se modo, *s *den*ificações específicas *ode* indi*ar difer*nças *ast*nte s*gnificativas en*re os jornais e* ques*ão, uma vez que *u*er f*z o uso de iden*if*cações o especí*icas s**p** que noticia um fato *o mundo das celebr*dade*. Assi*, em todas as edições é tr*zida *stampada na capa a foto *e uma mulher famo*a *estindo tr*jes *ensua*s e, a*ompanha*do esta fi*ura, há uma manchet* que identifica mulher e *raz a*gum conteúdo a re*acionado ao univers* da beleza ou *a *ama. As d*mais *dentifi*ações *specíficas e*contra*as dizem *espeito ao univer*o da p*lític*, do futebol ou ent*o localizam re**ões. As 2 KSK raus au* Afghanistan"
KSK - Komma*do Sp*zia*Kräfte - . É uma unidade de operações especiais do Exército alemão 3 "R*ester r*umt Fehl*r *in"
Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. *, ar*. 10, p. 158-*78, jul./a*o. 2015 *w*4.fsane*.*om.br/revista
*. C. C. Arante* 1*8 identi*icações espec*ficas vinculam-se a uni**rs*s r*ferenciais (po**tica, esportes) *u a cont*xto* espaci*is (Ribeirão das Neves, Con*age*). Assi*, e*igem *o *ei*or o reconhecim*nto desses contextos e un**er*os refere*ciais. *s un*versos refere*ciais *tivado* pel*s ide*tificações *sp*cíficas n* jo*nal BILD *oram os s*guint*s: po*ítico, espor*ivo, *elig*o*o, econômico, fenômenos da natur*za e mundo das celebri*ade*. Tabulando os d*dos obtidos na análise do M*do *escritivo, obtivemos * seguinte resultad*: TABELA 1 - Cálculo p*r*entual de ide*ti*icações gené*ic*s e específic*s *nc*ntr*d** no *ornal B*LD Id*ntificações genéricas Ident*fi*ações esp*cí*icas 5 3 ,4 % 4 5 ,4 % Fonte: E***o**do pe*o *utor. To*al *e manc*etes = *8 TABELA 2 - Cál**lo *er**nt*al de identif*caçõ*s g*néric*s e específicas enco*tradas no *ornal SUPER Id*ntificações gené*icas Ide*tif*caç*es específicas 6 4 ,8 % 3 5 ,1 % Fonte: Elaborad* pelo autor. Total de manchetes = 37 *bser*a-*e que o jorna* BILD ap*esent* tend*ncia ao equ**íbrio entre as identi*icações anali*adas, já q*e a diferença perce*tual entre elas foi de 8%. No ent*nto, o jor*a* S*PER esboça *ma p*efer*ncia maior p*las ident*f*cações genéricas, *presentando *ma dif*rença aproxima*a de qu*se *0% *nt*e as **e**ificações acim* citadas. A parti* da anál*se quali*a**va dos dados, pode-se perce*er que as manchetes do SU*ER tra*em *dentificações genéricas que buscariam produzir efeito* q*e não pert*nce* som*nte à e*f*ra *e inten*ão informativa, uma vez q*e o e*eito ** anonimato * ao me*mo t*mpo *e categorizaç*o dos seres em class*s *uscam criar um traço de comp*rtamento ge*eraliza*o ** tais c*asse*, ou então fazer prod*zir e**itos de i***tificação e*tre * leitor e a cl*sse que está em foco. *utro tipo de identificaç*o promovido pelo jo*n*l pode ser reconhecido na *eguinte manche*e:"Mul*ere* são vít*mas de homens em *ais dois crimes passionai*" (*U*E*, 0*/10/08). A ausên*ia de ***ntif*cação es*ecífic* das du*s cla*ses d* a*tan*es, m*lheres e homens, implica mais forte**nte o leitor, pois, em sua le**ura, poderia seguir a direção da generalização em que seria *a*oáv*l deduzir que outras mulheres *oderiam Rev. *SA, Te*esina, *. 12, *. *, art. 10, p. *58-178, ju*./ago. *015 *ww4.fsanet.*om.*r/revista Modo* *e Descrição na i*prensa popular da Alemanha e do B*asil 169 t*mbém ser vítimas de hom*ns em *r***s passionais. Isso e*uivale a *firmar q*e as ident*fi*ações ge*éric*s, pelo seu efeit* potencial de generaliz*ção, vã* além do *at* pa*a torn*-lo um *xempl* de um problema de *ociedade. A*s*m, o leitor é convida** a se localizar no centro da experiênc** exe*plar. Segun*o E**diato (1996), ta* tipo de **entificação teria como ef*i** a general*zação de s*us referen*e*, produzindo assim grande efeito de cap*ação, seja ele por implica* cert* coletiv* **cial *orrespondente, seja por gene*aliza* ou tornar ambíguo seu referente. Den*ro da categoria de ide*tificaç**s genéricas, podemos *itar um dad* in*eressante que muito contribui para a c*m**ração en*re os do*s **rna*s em questã*: as no*inalizações ou atos de refer*ncia, com* no**ia *earle (*981), uma vez que tais atos pare*em ser mais **co*rentes n* jornal BILD. No *aso da *eg*inte nomi*a*ização:"Au*e*t* de salário * abocanhado" (BILD, 09/10/0*). * exp*essão "aumento de salári*" ap*rece como u** i*ent**i*ação, *omo *ato oc*r*ido. Assim, tal expressã* é veículo d* uma *e*erência d*da ao *eitor como f*to consum*do em um aspe*to *esultativo. 2.2 Procediment*s de qual**icação O uso de*t* categoria de Charaude*u (2008) au**lia nossa análi*e ao identificar visões objetivas *u subjeti*as ins**idas no c*nteúdo *emân*i** da manchete que p*dem d*sen*ade*r certo núme*o *e *feitos possíveis n* momen** e* que a enunciação se atualiza para o leitor. A qualifi*ação const*tui-*e o segundo tópi*o *e ca**go*i*s a ser*m analisadas na grade 1 - Mod* de Organização Descritivo - e é o*ienta*a pela ide*t**i*aç*o *e *rocedimentos que atuam ** qua*ifica*ão de age*tes ou não-a*entes d*s manc*etes. Tanto o jo*nal SUPER quanto o BILD ap*esentar*m reco*rências signific*tivas de qual*ficaç*e*, como d*mon***a o resultado a *eguir: TABEL* 3 - Cálculo p*rcentual de qualifi*ações su*jetivas *ncontradas nos jo*nais BILD e SUPER Jornal *ILD - *otal de manch*tes = 8* Jornal SU*ER - *ot*l d* manchetes = 37 Qualificaçõe* subjet*vas: 18,1 % Qua*ificaçõ*s subjetiva*: 13,5 % Fonte: El*borado pelo autor. Faz-s* interessante r*ssal*ar que as qu*lificações f*itas p*lo jo*nal SUPER s**, em sua *aioria, qua*ificaçõ*s d* *er: o uso *e expres*ões quali*icativas (\linda\, \**lhor\, "com 4 "Lohnzuwac** aufgefressen"
Rev. FSA, Teresina, v. *2, n. 4, a*t. 10, p. 15*-178, jul./a*o. 2015 w*w4.**anet.c*m.br/revista
P. *. C. *ra*te* *70 tudo", "é só alegria") ex*li*ita a apr*ciação d* enunciad*r jornalí*tico e a imagem que ele constrói para si do d*stinatá**o como um leitor ap*ec*ativo. Por s*a vez, as q*alific*ções *o BILD revelam-s* mai* *iver*ifi*ad*s, apr**entando- se como quali**cações do ser, do fazer e *e estados *e coi**s. Faz-*e inter**san*e ressaltar que a escolha d** verbos também é u* pro*edi*ent* de qualificação importante para a g*ração de se**ido qualifi*ativo. **gu*s e***tos subjet*vos, *em como intenções p*d*m ser extraídos da es**lha *os ve**os ou p*rticíp*o* nas manchetes, uma vez que el** ser*em muitas vezes para qualificar ne**ti*a o* posit*vame*t* as **ões dos at*re* env*lvido*, co*o podemos *b*ervar *m: "Koc* ataca SPD" (BILD, **/10/08). Verb*s como "atac*r" (verbos de *titude) denot*m um jul*amento de valo*, um* açã* interpretativa da ins*ância de pro**ção na ação de r***tar, em geral, ações l*cutória* como atitudes (**scurso re*a*a*o *arrati*i*ado): "Rie*t*r conf*ssa q*e errou" (BILD, 06/10/0*)* Rie**er dis*e que errou. O v*rbo "confessar" também inscrev* um julgamento de valor, n* me*ida em que, se o sujeit* confess**, isto **de significa* que ele es*ava * escond*r algo que não *uer*a adm**i*, mas do qu*l es*ava c*ente. Observa-s* que a manchete hipotética lo*o ab*ixo d* manche*e real inscreve*ia outra i*terpr*tação, mais *bjetiva do **to. *m* vez q*e dizer qu* e*rou *ode s*gnifica* q*e ele r*con*eceu o erro e não hesito* em pronu*ciar que errou. Já na *anchete a*i*a, confessar que e**ou i*scr*ve um carát*r su*jetiv* (de atitude) à manc*ete na medida em que a instância *e produção relata *anto o fato do erro, como seu reconhecimento anter*or ao *ronunc*amento, por aq*el* que confessou, como *e este *stivesse querendo esc**der a *erdade, mas foi p*essionado a co*f*ssá-la. C*nfessar é admitir * cul*a. 2.3 Procedimento* de loca*ização A terceira categoria que fi*ura em nossa a***ise do M.O.D. *esc*itivo é a de l*calização. Localiza*/s**uar é de*ermin** o lugar q*e um ser - ou *m est**o de *oisas - ocu*a n* *spaço e no tempo, o que a*aba p*r configurar um recor*e mais ob*etivo d* mun*o, onde o us o de determ**ad*s categorias de língua tem por efeito fornecer ao relato um enqua*re espaço-temp*ral, lidando, desta form*, com precis*o, o a detalhe a id*nti*ic*ção e dos lug*res e do tempo de determinado relato. A utilizaç*o desse elemento na construção das **nchetes acaba **r ge**r \e*eitos d* realidade\ sobre *la*, uma v** qu* os dados in*ormados **enti*ica* m*l*or o *co*tecim*nt* e, *essa f*rma, legitimam a veracidade do fat* noticiado. N*sse cas*, podemos con*igurar a R*v. FSA, Teresina, v. 12, n. 4, art. 10, p. 1*8-1*8, jul./ago. 2015 w*w4.f*ane*.c*m.b*/*evista M*do* de Descri*ão na im*rensa po*ular da Alema*ha e do Br*sil 171 i*s*ância de prod*ção como testem*nha do **to, concord*ndo com *haraudeau (2007), uma vez que *e*e*penha o *apel de \po*tadora de fatos ver**sí*eis\, na *ed*d* em que seu relato *pa*enta c**ter o *bj*tivo de *izer o que vi* e o q** ouviu. Nesse senti*o, a categoria *e loc*liz**ão tende a pr*var a \aut*n*ic*dade\ ou a \*er*s*imilha*ça\ dos fa*os noti*iad*s. A \aute*ticidade\ caracteriza-se pela pos*ibi*idade de at*star * pr*p*ia exis*ê*ci* dos s*res do *undo, que conta também com a presença das imagens para a ident*f*cação *os mesmo*. A \verossimi*hança\ ca*acteriza-se pela possibilida** de se re*onstit*ir analogi***e*te, quan*o o mundo não *stá pr*sente e os acon*ecimento* já ocorreram, a existê*cia possí*e* de um fato. (CHARAUDEAU, 200*). Tal valida*ão au*ilia a construção de um re*l de s*pos*çã*, de ordem alética, sendo a verdade algo da or*em do pos**ve*. Ao analisarmos t*l cate*oria nas ma*chete*, c*nsideramos que tan*o a lo*alizaçã* espa*ial *uanto a tempor** est*ri*m in*luída*, mas o*se*vam*s uma *corrência mais frequ**te de localizações es*aciai* e est*s aparecer** em maior *rau *o **rnal *UPER. Há no*o*i**ente u*a gra**e pr*ocu*ação no jornal SU*ER em dest*car os l*c*is, send* ess*s repres*n*ados em sua m**oria pelo* b*ir*os d* região metropolitana de Bel* H*ri*on*e/MG. A s*guir des*aca*emos os resultad*s auferi*os pela a*álise da cate*oria \*oc*lização\ na grade *escritiva. TABELA * - *esu*tados da análise da categor*a d* \*ocal*zação\ BILD - total de manch*tes = ** SUPER- total de man*hetes = 37 Total de *ocalizações: 2* % Total de lo*aliza*ões: 72,* % *onte: Elab*rado pelo autor. *bse*va-se que o *esu**ado **contrado é bastan*e signi*ica*ivo na an*lise d* a*bos os j****is, que nos leva * pensar q*e o co*p*nente \l**aliza*\ poderia *onfigurar-se como o dado relevante a ser co*sidera*o pe*o l**t*r do jornal SUPER, fu*c*onando como uma espécie de identificação do leitor com o espaço onde al*o est* s*n*o notic**d*, uma vez q*e o* lo*a*s * bairros e/o* cidades apresentados são pertencentes a regiõe* perifé*i*as de Belo Horizonte, con*iderados com* a Gr**d* BH, suposta*ent* bairros e/ou c**ades *o* onde os leitores ** j*r*al te*iam maior identif*cação *u implicação, *ais *omo: Ribe*rão das *eves, Ibiri*é, Conta*em, Betim, *arlos Prates, Novo Cruzeiro. Es*a reg*laridade na l*c**izaçã* espacial relaci*nada a certos *emas coloca em evidência *ma f*guração da instâ*cia *e r*cepção (f*gura de destina*ário) pela *ns*ânc*a de produ*ão *o d*scurso vinculada à lei *e pr*ximi*ade loc*l *u geográfica. Rev. FSA, Teres*na, v. 12, n. 4, *rt. *0, p. 15*-1*8, jul./ago. 2015 ww*4.fsanet.c*m.br/revista P. C. *. Aran*es 172 Com relação a l*calizações te*ritoriais, o *ILD, emb*ra seja um jornal *e ediçã* loca*, assim co*o o *UPER, *ão apresento* **nhuma ocorr*ncia d* manche*es que, como * SUPER, diziam respei*o a ba*rros ** localida*es pr*ximas da região de sua co*ert*ra. Assim, p*d*mos es*oça* u* pe*fil de *eitor bastante d*f*rente entre os doi* jorna*s, uma vez que o leitor de S*PER *arece int*ressa*-se mais *elos acont*cimentos *ue lhe est*o mais próxim*s no espaço, que lhes parece a*ingir ma*s d*retamente e n*o se configura *omo alguém interessado em política externa, com* é o caso das manchetes de BI*D que noticiam conflitos *nternacionais. No entant*, cabe lembrar q*e * fato de a Ale*a**a ter se envolvido mil*tarment* no Plano de Paz pa*a * Afe**nistão p*der*a ser um f*tor pelo qual os lei*ores, princip*lm*nte ** da r*g*ã* d* **üringen - onde **rte do *o*tigente milit*r encon*ra-se *stacionad* n* re**ã* afegã -, dem*nstraria* i*t*ress*, por l*es *tingi* direta*ente. **is u*a vez, torna-se rele**n*e e**udos futuro* qu* inv**ti**em a Recepção em *ampo a fim de p*o*ur*r for*ec*r da*os mais próximo* à rea*idade *u* c*rc*nscreve os m*ios sociais. Esse imaginário *a pe*tinência loca* repr*senta uma das leis de proximidad* jorna*ística: l*i d* proximidade a geográf*ca (* que está mais próxim* geograficam*nte do leitor tem mais r*levânc*a). *ota-se, assim, que essa *ei (de proximi*a*e geo*ráfica) parece *er mais **tens* pa*a o leitor *le*ão do *I*D qu* pa*a o leitor brasi*e*ro ** SUPER. Ou**o fa**r também deve s*r consid*ra**: o envol*iment* diret* da Alemanha, no caso do conflito com o Afeganistão, bem como a s*tu*ção ***al em q*e Europa se encontr* n* *nião * E*r*peia, im*lic*ndo, assi*, que os acontecimentos se *o*n*m "t*ansfronte*ras", afetando a todos o* *emb*o*, indi*crim*nadame*te. Há t*mbém um fator que deve ser l*v*do em co*side*ação nesta *nál*se d* car*cterização d*s l*ito*es pelas i*stânci*s d* produção, que é * diferença em re*ação à locali**ção do Brasil * da Alemanha que poderia ser um fator de interferênc** a influenciar a pertinênci* da no*íc*a nestes d*is polos divers*mente situa*os. Considera*os que o fato noticiado apres*ntado no *orna* representa o que a inst*ncia de produç** consider* com* *elevante p**a seu leitor-ideal e * a partir des*as co*figu*açõe* que acredita*o* s*r po*sív*l desenhar uma *magem *e leitor-id*al dos jornai*, uma vez *ue a escolha dos *onteú**s e o tratamento da informa**o e*tão rel*ci*nados *om a identidade dos le*tores (BALLE, 1980), e que si*tem* midi*tico é d*finido por Michel Mathie* (19*8) * c*mo sendo um conjunto de práticas que *pera *o *istema s*cial * produz, portanto, pro*utos ad*ptados ao meio ambien*e. *o S**ER, tal es*ratégia de ca*tação demonstra-** mais explorada, co** p*demos observar na manchete seguir: a "Po*ícia apree*de 52 kg de crac* escondidos em b*lõ*s de Rev. FSA, *eresina, *. 12, n. 4, a*t. 10, p. 158-*7*, *ul./a*o. 2015 www4.fsanet.*om.b*/revista Modos d* *escrição na imprensa popu*ar d* **emanh* e *o Brasil 173 festa" (S*PER, 10/*0/08). Ne*se exemplo, fica evidente a dramatização proveniente do espaço em que a **oga foi localizad*, a*roveitada *elo jornal e pas*ív*l de *es*ncadear emo*ões nos le*tores, atr*vés do riso *u mes*o do medo, uma vez *ue os balões de festa são sinônimos de festi*id*de, a*egria, e que sua uti*iza**o pa*a fim criminos* o ret*rou de seu local *omum d* interpretação, levando * *m est*anham*nto. A part*r des*e exemp*o podemos avaliar quais **mpetê*cias foram solicita*as aos l*itor*s para q*e pudessem validar o contrato de c*municação. Nesse senti*o, pa*ece s*r mais exig*do do l*itor do SUPER que ele s*ja dotado de \comp**ênc** *raxeológica ou situacional\, a fim de r*conhecer e val*dar lugare* da si*uação e seus esquem*s de ação, *o passo que * e*igê*cia d* BILD pautou-se na \c*mp*tênci* axiológica\ como pré-r*quisit* de um a *al*dação, *ado que o leitor *e*eria s*r levado * recon*ecer e validar *aberes d* *ren*a. 2.4 Procedimentos de *uantificação En*endemos q** a gra*e 1, que b**ca a*ali*ar as manch**es de ac*rdo com o *.*.D. desc*itivo, * *ornecedo*a de informaç*es que con*ribu** com o proces*o *e *dent*fic*ção da manchete pel* sujeito-leitor. Es*a última catego*ia, a da quantificação, exige que o leitor seja *a*az de identificar o obj*t* a partir da enunciação da manchete. Es*e pro*e**o de *d*n*if*ca*ão *ode estar diretament* l*ga*o à ob*etividade, uma vez que, ao fornecer info*ma*ões detalhadas acerca do fato, pret*nde-se nã* *eixar lacuna* *ara a dúvid* o* ambigu*dade. Ao qua*tif*car, o jornal *usca tam*ém ex**essar uma c*edibi*idade a s*u res*ei*o, bem *omo a *egitimaçã* do que es** sendo *oticiado. E d*monst*a *ambém que o leitor se *nt*ressa p*la inf*rmação mais d*t*lhada, o que o auxi**a n* c*nstruç*o i*a*ética do* fatos, seja porque a in*tância de produ**o *ão a**e*ita *ue ele *eja cap** de imaginar o que se noti*ia, seja para p*od*zir emoções. A ocorrência d* quantifi*aç*es pode ser d*mo*str*da atra*és da s*guinte tabela: TABELA * - Res*lta*os da an*lise *a categori* de "qu**tific*ção" BIL*- total *e man*h*tes: 88 SUP*R- t*tal de m*nchete*: 37 quantificações = 12, 5 % quantificaç*e* = 37,* % *o*te: Ela*orado p*lo autor.
A *artir dos dados acima, observa-se uma oco*rência quas* 4 *e*es m*ior de qua*tificaç**s no jornal SUPER do que no BILD. A* quantifi*aç*es do SUPE*, em sua Rev. FSA, Tere*in*, v. *2, n. *, art. 10, p. 158-1*8, j**./a*o. 2015 www4.fsan*t.com.br/re*ista
P. C. C. A*antes 174 maioria, b*s*am descr**er e *uantif*car as *çõ*s ** viol*ncia que nas manchetes se **con*ram expostas, como po*e*os *bservar a *eguir: "EXEC*T*DO AO LADO DA NAMORADA: Com*rciant* é assassinado com oito tiros quand* conve*sava dentro do carro na p*r*a da *asa da jovem, em C*ntagem" (SUPER, 09/10/*8). A quanti*icação **ita a partir *a des*ri*ão da quantidad* de tiros disparado* c*ntra a *ítima é identificada co*o uma visada *e captação com vi*t*s * dramati**dade do fato *m questão. Dessa forma, *usca-se ating*r um *aior nú*ero de co*sumidore* da i*for*a*ão dram*ti*ada, até po*que o jornal n*o po*sui a modali*ad* de assin*n*es, *e modo que a *apa acaba p*r *azer o marketing do jorna* com vi*tas * capt*ção de seus leitores po**n*iais. Sendo assim, qua*t* ma*or *or o número de leitor*s a a*ingir, principalmente qu*n*o estes não são c*t*vos a p*iori, menos os meios para atingi-los de*endem d* uma *titude racionalizant*. (*H**AU*EAU, 2007) Segundo Chara**eau (20*7), as m*dias, em *ua vi*ada d* info*mação, con*rontam-se perm*nentemente com um problem* q*e diz respeito à \cre*ibilidade\, pelo fato *e basea*em sua *egit*mi*ade no qu* el* d*screve com* fa*e* crer que o *u* é *ito é verdadeiro. Assim, as mídi*s enco**ram-se en*ajadas num jogo da **r*ade, que co**i*ti*ia em corresponder aos *if*ren*es imaginári*s **c*ais que as qu**tionam. *h*ista Berger (1997, p. 91) c*racteriza a realidad* pr*du*ida pela *íd*a co*o dota*a *a estrut*ra do *ênero ficcional, j*stament* pe*a produção qu* in*lui a cr*ação de pe*sonage*s e um ti*o de *ontrato com o leitor. No e*tanto, a mí*ia deve se de*vencilhar da fic*ão, uma v*z **e a info*mação é produ***a p*ra *er verossímil * crí*el. "*ela verossimilhança * que a informação com*õe campo de cre*ib*lidade e de *erdade o que h*bilita a mídi* ao *xercício de su* fu*ção de \e**o*itor do real". Desse mod*, dizer o e*ato * d** a impressão de controlar o mun*o no *ns*ante em que *le surge, "e nada nem n*nguém poderia se op*r a essa verdade captur*da no momento em que sai *a f*nte; *is porque as mídias estão se*pre em busca da transmissão d*reta" (CHARAUDEAU, **07, p. 90). A quantif***ção, portanto, pode apresentar-se com i*tenções bastante diferentes com vist*s a captar seus le*tores, o que n*s r*met* à formação de *ma imagem de leitor d* jornal SUPER, m**s susc*t**el às estraté**a* de **ptação adotadas p*la instância de pr*d*ção. *sso *ã* acon*ece com tanta frequê*c*a no j*rn*l BI*D. O SUPER p*rece desenv*lver uma im*gem de leitor que po*e se* mobilizad* pela af*tividade que * manc*e*e transmite, o qu* dese*cadearia o interesse e a pai*ã* pela informação q*e lhe é transmitid*. Rev. FSA, *eresina, *. **, *. 4, a*t. 10, p. 1**-178, j*l./ago. 20*5 www4.fsane*.com.br/revista M*do* d* Descr*ção n* i*prensa *opular *a *lemanh* e do Bras*l 1*5 Par* Ch*raudeau, * instân*ia midiátic* interessad* *m *atis*azer tal princ*pi* d* emoç*o deve **oceder a um* encenaç*o s*til do discur*o *e i*f*rmação, *asea*do-*e, ao mesmo *empo, nos apel** e***ionai* que prev*l***m em cada comun*dade sociocult*ral e no conhec*ment* dos un*versos *e crenças *u* n*las *i*cula*, *á que as e*oçõ*s são "um inefáv** aleatóri*". As crenças são socializadas e resu*tam da regulação coletiva das t*o*as. Tal regulação, por um l*do, **guiria os mov*m*ntos da afetividade e, paralelamente, as representações que *tribuem val*r*s às conduta* * às reaç*es em*c**nais. 3 CONSIDERAÇ*ES FINA*S A escolha p*r *nal*sarmos d*is *ornais populare* per*e**e*tes * ***s realidades s*c*oculturais e geo*raficamente div*rs*s moti*o*-se, principalmen*e, em virtude d* pr**onceito existent* em relação a t*is mídias que, *lheias a este fa*o, se encontram na *tualidade em *mpre*s*onant* expansão e *êm conquistando, a *ada dia, mais le**or*s int*ressados nesse t*po de jornal que, de form* *imples e *intéti*a, apres*nta os fatos relativos aos *contecime*to*. A ênfase dada nos *orna*s populares analisados nã* i*ci** *obre o c*ráte* duvidoso e nem abar*am *onstruções *a*tasiosas ou apelativas em *elação à v*ol**ci*. N*ssa análise tem*t*ca *o* capaz, de certa forma, de desconstrui* o estereót*po comum**te aplicado *o jo*nalis*o popu*ar, bem como apresentou dif*renças *m r*lação à construção *e imagens de leit*res nos dois países. Com re*ação aos dados produzidos a p*r*ir da análise do M.O.D. *e*cr*tivo, p*demos também comparar o u*o das identificaçõ*s *enér*c*s e específica*, retoman*o as tab*las 1 e *, a*teriormente a*re*e*tada*. Observa-se que o *orn*l BILD apres*nta ten*ê*cia ao e*ui*íb*io entre as *d*ntifi*a*õ*s ana*isad*s, já qu* a dif*rença percentu*l ent*e el*s foi de 8%. *o en*anto, o *orna* SUP** esboça uma *r*ferência maior pelas id*ntificações **néricas, a*resentand* um* diferença apr*x*mada *e qu*se 30% entre as i*entificaç*e* acima *ita**s. Im*ortante dado é gerado com r**ação às an*l*se* do SUPER, uma *ez que o BILD *pr*s**ta uma *endê*cia ao equilíb*io, pois, a partir da análise q*alitati*a dos dados, pode-se perceber que as *anc*etes do SUPER traz*m iden**fic**ões genéricas que buscariam p*oduz*r efeitos que não perte*c*m somente à *sfer* da *ntenção *n*ormativa, u*a v*z que * efei*o ** anoni**to, e ao mesmo tempo de *ate*orização dos se*es em classes, buscam c*iar um traço Rev. FSA, *eresina, v. 1*, n. 4, ar*. 10, p. *58-17*, jul./ago. 2*15 www*.fsa*et.c*m.br/revista P. *. C. Ara**es 17* de c*mportame*to g**eralizado de tais clas*es, ou então *aze* produ*ir e*e*to* de identifi*ação entre * leito* e a cla*se que está em foco. As q*ali*icações apresentaram-se, *um*rica*en*e, próxi*as: 18,1% *e qu*li**cações subjetivas no BILD *ontra *3,*% n* SUPER. No ent*nto, o SUPER apresen*ou suas qu*lificaçõe* apena* *estri*as ao* comentá*io* a respei*o da mu*he* ** capa, ao *asso q*e o BILD não f*z tal restrição, utili*ando a *ualificaçã* em temática* variadas. Esse dado revela hav*r um* delimitação de e*pressão su*jetiva no S*PER. Ou seja, a a*reciação não p*de ac*ntecer e* ambientes reservado* à no*ícia, fic* limitado ao tema mulher-objeto, que ap*rece em todas as capas. **si*, a i*stân*ia de produção tende a imaginar q*e leito* o *nteressad* pela foto das atrizes acei*a * subjetivismo concernente a ess* tem*. Os p*ocedim*ntos de loc*lizaçã* e qua**ificação foram os *ue prod*ziram dad*s mais div*r*en**s entre ** jo*nais *m questã*, retomando-se os dados a*r*sentad*s nas tabelas 4 e 5. Ob*erva-se que a preocupação em loc*li*ar o fato noticiado é muito mai* recorrente no *UPER, o que in*ic* uma im*gem de leitor que está preoc*pado *m sa*er o*de os fatos e*tão acontecendo.E, como as manchet*s em qu* a loca*ização *e *ez pr*sente circunscr*via*, *m su* maio*ia, notícias *el*cio*adas à violência, a *ocalização t*rn*-se importan*e pa*a o l*itor se identificar com * risco * perigo *u* co*re circulando nessas regi*es, qu* s*o a r*gi*o metro*olit*na e a capital. D*ferentemente do BILD, não h**ve loc**iz*ções q*e remetessem a identificações tão dire*as qua*to *ouve no SU*ER. É claro que *al diver*ência po*e *er *xp*icada devido ao *aixo ín**ce de violê*cia q** a Alemanha apres*n*a se co**arada ao Brasi*. Assim, as lo*ali*ações qu* apareceram no BILD implicaram *ma cobertura regi*nal m*ior, q** ab*ange* *od* o território na*ional e até mes*o inte*na*ional. Mes** de*consi*e*an*o a b*ixa ocorrência de localização, um perfil d*ferente d* leito* pod* ser tr*ça*o com relação *o leitor *o SUPER, pois aqueles *arecem m*is intere*sad*s em notíc*as *e ordem mais global, den*tando o caráter de lei*or*s-cidadão*. Ao passo que os leitores *o SUP*R se li*itar**m a notícia* com relevância loca*, denot*ndo uma preocupação *e o**em mais dir*ta com relaçã* a uma possível **lnerabi*idade a que *e encontrariam expostos, remetendo, a*sim, ao c*ráter individual d*sse *ujeito-l*itor. Para finaliz*r a int*rpretaçã* dos dados r*v*lados p*l* M.O.D. d**critivo, exporemos a *a*egoria da qua*tificação. Ao qu*nti*i*ar, o j*rnal busca ta*bém express*r uma *redibilidad* a seu *espeit*, bem como a legitimação do que está s*n*o *oticiad*. E dem*n*t** tam*ém q** o lei*or se inte**ssa pela inform*ção m*is detalhada, * que o auxilia Rev. FSA, Te*esina, v. 12, n. 4, art. 10, p. 1*8-178, jul./ag*. 2015 *ww4.fsanet.com.br/revista *od*s de D*s**ição na *mp**ns* popular da Alemanha e *o B*asil 177 na c*nstrução imagética do* f**os, seja porq*e a i*s*ância de produçã* não a*redita *ue ele se*a capaz de im*ginar o que se no*i*i*, *eja *a*a pro*uzir emoçõ*s. A p*rtir *a tabu*ação e a*á*ises q*a*it*tiva* dos dados, observa-se um* ocorrência qu*se 4 vezes *aior d* quan*ificações *o SUPER d* qu* ** BILD. As qua*tifi*açõ*s *o SUPER, em s*a **ioria, buscam d*scr*ver e quantifica* as ações de violência expostas pel*s manchet**. *ss*m, a instânc*a de pr*dução projeta u** imagem de *eitor qu* po*eria est*r vin*ul*d* ao int**esse pel* descr*ç*o minuci*sa d* determinado* fa*os e atos enun*i*d*s. REFERÊNCIAS AMARAL, M. F. Jornal*smo *opu*a*. São Paulo: Context*, 2006. AMOSSY, *. Argumen*ation dans le d*s*o*rs. P*ris: *. C*l*, 2006. ARANTES, P. C. C. 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