Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.Unifsanet.*om.br/revista Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-1*8, *et. *026 ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/*026.23.9.* Redes de Mediação do novo Imperi*l*smo no MAT*PI*A: Esta**, Financeiriza**o da Terra e A*umulação po* Espo*i*ção Media*ion Networks ** the n*w Imperia*ism *n MATO*I*A: State, *and Financializati*n a*d Accumulation ** *isposses*ion Bruno Galis* de Olivei*a Doutorand* em Políticas Púb*ic*s pela Universi*ade Feder*l d* Piauí Me**re em Ge*tã* Pública pel* U**versida*e Federal do Piau* E-*ail: bruno.*aalisa@gmai*.com Ana Keuly Luz B*zer*a Doutora em D*sen*ol*imen*o e Meio Am*ie*t* pela Univ*rsi*ade Federal do *iauí E-mail: ana.bezerra@ufpi.edu.*r Endereço: Brun* G*l*s* de *live*ra E**tor-Chefe: Dr. Tonn* K*rley *e Alencar U*iversid**e *ederal do Piauí - Campus U*ivers*t*rio Rodri**e* Min*stro Pet*ônio Porte**a, Bairro *ninga, C*P: 64.049- 55*, Tere*ina/PI, Bra*il. Artig* receb*do em 26/08/**26. Última *ersão Endereç*: Ana *e*ly Luz Bezerra receb*d* em 09/09/*026. Apr**ado em *0/09/2026. Universidad* Feder** do Piauí - Campus Universi*ário Min*stro Petrônio Portella, B*irro I*i*ga, CEP: 64.0*9- Avaliad* pel* s*ste*a Triple Revi*w: Desk Review a) 550, Ter*sina/PI, Br*sil. *e*o Edit*r-Chefe; e b) Double Bli*d Review (av*li**ão cega *or doi* avali*d*res d* área). Revisão: Gram*tic*l, Normativa e de *ormatação B. G. Oli*e**a, A. *. L. Bezerra *42 RESUMO O p*ese*te artigo an*lisa o agro*egócio no MATOPIBA como expr*ss*o t*rritorial do novo imperiali*mo, bus*and* apreender as mediações qu* articulam *sta*o, fundo pú*lico, financeirização da terr*, dependên**a e acumulação por espoliação. *e**do*ogicame**e, ad*ta-*e **visão nar*ativa, *ualitat*va e interpr*t*tiva, te*sionando categorias da c*í*i*a da economi* política com es*u**s *e**ntes sobre Ce*rados, trabalho, co*fl*tos e *erritór*o. Os resul*ados in*icam que a fronteira é viabilizada por **líticas, crédit*, pesquisa e infraestrutu*a; *ue a terr* é convert*d* e* ativo financeiro por empresa*, trading* e *undos; e que trabalha*ores, co*u*idades e natureza suport*m os *ustos da co*pe*itividade *groexport*dora. Ao *v*de**iar *u* c**flitos *or t*r**, tra*alh*, á*ua, sa*de e d*reitos soc*a** decorr*m de um* mesma d**â*ica de acum*lação, o estudo contribui *ara uma formação em Serviço Social *apaz de apreender a questão *ocial em sua totalidade e de recon*ecer a* bases materiais de ar*iculação *ntr* lutas *m*ncip*tórias distintas. Pala**as-c*ave: MATOPI*A. Novo Imperi*lismo. Fundo Público. Questão Agrária. S**viço Social. ABSTR*CT This article anal*zes ag*ibusiness in MATO*IBA as a territorial expressi*n of the *ew i*perialism by examinin* the med*ations lin*ing the Sta*e, the *ubli* fund, l*nd financialization, d*pendency, and accum*la*ion by dispos*ession. Methodologi*ally, it adop*s a qualitativ* and interpret*ve narrative revie*, *onfronting c*tegories of c*itical political eco*o*y with *e*ent studies on the Cer*ado, labor, *onflicts, and terr*tor*. T** findings indic*te tha* the front*er is en*bled by policies, credi*, re*e*rch, *nd infras*ructure; that lan* is *onve*ted into a fi*an*ial a*set by co*pa*ies, trading cor**rations, **d funds; and tha* w*rkers, comm*nit*es, **d nature bear the *o*ts of agro-export competi*iveness. By s*owing that co*flicts o*er land, lab*r, w*ter, *ealth, *nd social rig*ts ari*e from the same dyna*ics o* ac*umu*ation, the st*dy cont*ibut*s *o Social Wor* e*uc*t*on gr*unded in t*tality an* to the r*cognitio* of the material bases c*nnecting d*stinct e*ancipatory struggles. **ywords: MATO*IBA. New I*perialism. Public Fund. Agrarian Que*tion. Socia* Work. R**. FS*, Teresina, v. 23, n. *, art. 8, p. 1**-*58, set. *026 www4.*nifsanet.com.br/re*ista *e*es de Me*i*çã* do n*vo Im*e*ialismo no MATOPIBA: Estado, Fina*ceirização da **rra e Acumulação *43 1 INTRODU*ÃO O *resen** a*tigo abord* a relação *ntre agronegóc*o, E*tado e novo imperialismo n* MAT*PIBA, de*onstrando c*mo essa fro**eira ag*ícola do *errad* se constitui como forma territ*rial d* *cumulação c*pital*s** *o* r*ízes *r*venie*tes do novo i*per*al**mo. A região, *ormada por partes do Maranhão, T*ca*ti*s, Piauí e Bahia, costuma apare*er no discur*o público e privado co*o *sp*ço d* eficiênci* e o*ort*n**ade, contudo, qu*n*o analisada a partir *a tradição marxiana * do* e*tudos c*íti*os sobre e**no*i* política, d*s*ela-se como territ*rio *****zido po* determinações econôm*cas, políticas, sociais e ambientais qu* *e realizam **n*untame*te. Essa a*ti*ula*ã* *ão cor*e*ponde a**nas a uma op*ão expositiva, mas à pr*pria forma ** ap*e*nde* uma fronteira em q*e a expans*o agr*exportador* *epende da aç*o estatal, re*efine o tra*alh*, ap*o*ri*-se da natureza e **t*nsifica confl*t** por ter*a e di*eit*s. A esco*ha do **m* permite ob**rvar a **uação estatal na con*ução da *cu*ulação ca*italista e na pr*dução de po*íticas seto*i*is. *nge*s (2002) re*orda *ue o Estado em**g* *traves*ado por antagonis*os soc*ais *elo impera*ivo e d* p*op**edad* privada, enquanto Car*oy (1*88) demonstra q*e *s co*cepç**s de Estado *ondic**nam a **rma como *s *ol*t*cas públicas são ope*acionalizadas e **t*rpre*ad*s. Po*la*tzas (1985), po* su* ve*, ofere*e um* **terpret*ção essenc*al a* compreender o Estado como a materialização de *ma re*ação de forças entre classes * frações de classe. Ess* formulação impede ta*to a leit*ra do Estado como s*je**o neutr* q*anto a *ua redu*ão a inst*um*n*o *medi*tamente *oma*d*do po* uma única fração *o capital. A aut*nomi* *elat**a *iz r**peito à *a*acidad* de organizar, no i*te*ior *e c*ntra*iç*es e disputas, a unidade política *o bl**o *o poder as condi*õ*s e gerais ** reprodução capi*alista. Atra*és dessas lente*, *rogram*s a*r*cola*, incent*vo* f*scais, r*dovias, linhas de c*édito e **anos te**itor*ais passam * s*r lidos c*mo formas i*stitucio*ai* de reorga*ização t*rrit*r*a* que favo*ecem fraçõ*s esp*cíficas do capital, sem elimin*r conflitos, *on*ess*es e *esistênc*as no i*teri*r do próprio Estado. Visões mais rec*n*es sobre o MAT*PIBA confirmam a *onven**ncia *essa leitura. Sa*tos (*018) re**ita a ideia de uma f*ont*ira agr**ola complet*mente nova, *referindo int*r*retá-la como *m re*r**namento *eográfico do agro*egócio dos *spaç*s p*odu*ivos e antes e*ist**tes *os Cerrados, em r*forço à *inâm*ca cap*t**ista. Jesus e Fabrini (2017), ao abordarem os Ce*rados pia*ienses, d*mons*ram que a m*d*rni*ade técni*a convi*e c*m a ba**ári* social, a con*entr*çã* *undiá*i*, os confli*os *o campo e a superexploração do trabalho. Ribei** (2*24) acresc*n*a que *xpansão da commodi*y a soja opera *or me*o *a Re*. *S*, Teresina PI, v. 23, *. *, ar*. 8, p. 141-158, **t. *02* w*w4.Unifs*net.*o*.br/r*vist* B. G. Olive*ra, A. K. L. *ezerra 144 grilagem, d* uso intensivo *e agrotó*icos e da prod*ção de um c*nsenso e* torno d* *esenvolviment*, no c*minho de um *rocesso de finan*eirização d* terra. **uza e Silva (2019) reposicionam o problema para o plano da **pend*nci*, uma *ez que a formação de regiões a*rícol*s competitivas reforça a posição su*ord*na*a do *ras*l na divi*ão internaciona* *o tra***ho. Barr*s (2018) situa o **ro*egócio como *rojeto da bu*guesia agrária * terreno perman*nte da luta *e cla*ses, enquanto S*lva e Araú*o (20*5) demonstra* que a destr*ição ambiental *eve ser a*ree*dida no interior das *ontrad*çõ** do *apital*sm* dependente e *e su*s repercussões sob** a questão social. Ess* pr*blemática insere o MATO*IBA no *ampo de p*eo*upações do Ser*iç* Social não por uma aproximação t*mátic* ext*r*a, mas **rque o *e*ri*ório torna v**íveis mediações cons*it*tivas da questão soci*l: * concentração da prop**e*a*e, a explor**ão da f*rça de trabalh*, a d*sputa pe*o fundo púb*ico, a *egradação das condições de reprodução social e a organ*za*ão de *ujeit*s *oletivo*. A p*rspectiva de tota*idade d**endida pela ABEP*S (*022) ex*ge que essas d*terminaçõ*s seja* tratada* em suas conexões e *ue a* l*ta* por terra, tr*b*lho, água, *aúde e proteção socia* sejam compreendidas pa*ti* das * re*ações que a* produzem, *em di*solver as particular*dad*s de cada sujeito. Em*rg*, portanto, *ma *acuna analítica que este a*tigo b*sca enfrentar, pois, embora a litera*ura descreva e*s*s e*ementos, ainda é p*ec*so articu*á-l*s em uma rede ca*az de **p**citar como o MATOPIBA expre*sa as raízes do n*vo imperialismo. A questão que o*ie*ta este t*abalho é: por quais mecanismos o a*ronegó*io p*aticad* *o MA*OPIBA ma*e*ializa *el*çõe* do novo imp*rialis*o? * ob*eti*o geral é mapear e*sas raízes, cons*ruindo uma rede de relaçõe* e*tre *ategor*as t*óric*s e mecan*smos emp*r*cos. O núcleo teórico articula Lê*in (*0*2), Ha*vey (2014), Chesna*s (2005), Poulan*za* (1*85), *ari*i (20**), Be*ring (2021) * Sal*ador (2010), em diálog* com autores que investi**m a região, *e modo a demons*rar ***o o desen*ol*imento subordinad* à lógic* agroexpor*ado*a co*ve*te polí*icas *úblicas fundo púb*ico em condições de f*nancei*izaçã*, dependência e e espol*ação. 2 PROCEDIMENTOS METODO*ÓGICOS A p*squisa adota revi*ão narrativa, *om a*ord*gem *ualitativ* * interpretati*a. Mais do que inventaria* mecanicam**te o* estudos *isponívei*, o p*ocedim*nto foi *obilizado para tens*onar categoria* cláss*c** da *rít*ca da **onomia política *ian** da historiografia e dos dados recent*s sobre a expansão d* fronteira a*rícola no P*auí, Maranhão, *o*antins e B*hia. R**. FSA, Te*e*ina, v. 2*, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. 2026 *w*4.****sane*.com.br/revista Rede* de Medi*çã* do novo Imperialis*o no M*T*PIBA: Estado, Financeiriz*çã* da Terra * Ac**ula*ão 145 Rother (2007) obser*a que *s *evisões narrativas p*rmite* a dis*ussão de tem*s *mp**s e a f*rmu*ação de interpretações, enquanto Gree*, John*on e Adams (200*) desta*am a sua utilid**e p*ra integrar li*eraturas que nã* necessariamente comparti*ham o* *esmos métodos e/ou objetos. O d*á*ogo *iblio*ráfico reuniu referênc*as proven*entes da tradição m**xiana e da e*onomia política crítica, como Engels (*002), Lênin (2012), Carnoy (1988), *oulantzas (1985), Mandel (1*82), Harvey (2014), Chesnai* (2005), B*hring (2021), Sa*v*d** (*010) * Mar*ni (2000), e *studos específicos sobre o MATOPIBA, os Cerrados * a q*estão agrária, especia*me*te Santos (2015; 2018), Jesus e Fa**ini (201*), ***r*s (2018), *o*za e *ilva (2019), Sou** (2018), Blan*o et al. (2*21), Rufo * Ar*újo Sobrinho (2*23), Ribeiro (2024) e Silva e *raújo (*02*). O critério centr*l não foi * e*austi*idade, mas a capa*idade desses trabalhos de iluminar a* medi*ções *ntre E*tad*, capital fin*nceiro, f*nd* público, dependênci*, trabalho, natureza e luta* soc**is no territ*rio. * anál*se *o* o*gan*z*da em quatro e*xos temático*: *roduç*o es**tal da front*ira agríc*la do MATOPIBA; f*nancei*izaçã* da terra e controle corpora*i** na região; *onstr*ção do "co*sens* d* commodity"; e expressões da es*ol***ão sobre trabalho, na*ureza e comunidades. *s*es eixos *ão fora* trata*o* *om* compart*mentos *stanques, mas *omo m***ntos de *ma mesma totalidad*, relacio*ados por mecani*mos de *r**ução, circulação, *egiti*a*ão e conflito. O Q*adro 1 s*ntetiza o *ercurso metodoló*ico efetivamente realizad*. Quadro 1 - Organização metod*lógica da revis*o narra*iva Eta*a De*imitação do ob*eto R*f*rencial *eórico Leitura temát*c* Critér*o/ foc* ad*tado Foco no MATO*IBA como fronteira *gríco*a e polít*ca *erritorial Seleção de *utores d* trad*ç*o marxia*a e da e*ono*ia política crítica Bu*c* de *ecanismo* do no*o impe*ialismo no MATOPIBA Mate*ia*s analisado* E*tudo* sobre C*rr*dos, *ATOPIBA, agronegóc*o, questão agrária * questão ambie*tal Engels (2002), L*nin (2012), Poula*t*as (1985), Harvey (2*14), Chesnais (*005), *arini (2000), *ehri** (2021) e Salvador (2010), entr* outros Pro*ramas, **édit*, logística, emp*esas, conflito*, trabalho, natureza e lutas sociai*
Rev. FSA, Teresin* PI, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. 2026 www4.Unifsanet.**m.br/**vista
B. G. Oliveira, A. K. L. B*ze**a Eta*a Síntese autoral Critério/ foco adotado Construção de rede de relaç*es *n*re a*tores e mecani*m*s empíric*s Fo*te: elaboração própria (2026). 146 Ma*eriais analisados Quadros, fi*ura e d*á*o*o interpre*at*vo
3 RESULTADOS E DI*CUSSÃO 3.1 Pr**ução est*t*l da fronte*ra ag**cola do MATOPIBA O pr*m*iro achado da revisão é qu* a fr*nteira agrícola do MATOPI*A não *merge e*pontan*amente, pois ela é produzida por decisões políticas e rearranjos inst*tucionais que torn*m deter*in*das te*r** ap*as c*rculação e expansão do à capital. J*sus e *abrini (201*) dem*ns*r*m que a modernização agrícol* gan*o* im*ulso ** Br*sil a partir d* fina* *a décad* de 1960, m*di*nte a e*pansão das monocultur*s **ltadas à exporta*ão, o *so intenso *e máquinas, fertilizante* e s*me*tes geneticamente mod*ficadas, a*ém da vincu*ação da agricultura aos setore* indu*triai* e fi*anceiros. A ex**nsão par* os C*rrados, portan*o, não pode ser co*preendida co*o a mera *escober** de uma voc*ção agrícola do terr*tóri*, ma* c*mo o r*su*tado de uma políti*a prolo**ada d* conver**o territorial, o *ue *esl*ca * ques*ão a*rár*a do plano *écn*co-produtivo p*ra o *erreno das rel*çõ*s de classe, da aç*o estatal * da produção d*s *esigualdades *ue conformam a ques*ão soc*al. Nesse contex*o, alguns mecanismos **pírico* pode* *er destaca*os. Je*us e *abrin* (2017) menci*nam * POL*CENTRO, criado em 197*; o *ROD*CER, **icia*o n* déc*da de 1970 e *ost*riorm**te amp*iado; e os rec*rsos d*stin*d** à EMBRAPA para o d***nvol*imento de **cnicas de c*rreção dos solos e d* adapt*çã* d* produç*o **s Cerrado*. Santos (20*8) aprofund* essa análise ao demonstrar q*e o PRO*ECER, em su* *egund* et*pa, iniciada em 1985, *ncor*orou *reas como o oe*te *a Bahia, Tocantins * Maranhão, estabel**endo princípios té*nicos e i*stitu*ionais qu* posteriorment* orientaram a ex**nsão regional. *anto* (2**5), ao *o*p**ar a *ahi* * * Piauí, acrescent* o papel do Programa Corr**or de Exportaçã* Norte, do Fund* Constitu*ional d* Financiame*to do Nordeste e dos incen*ivos fiscais **taduais na atração de e*preendedores internaci*nai* * do sul d* Brasil para os Cerra*os. Quando tais exemplos *ão aproximados *e Po*lantza* (1985), o Estado em*r** como conden*ação institucional d* relações de força que reorganiza o território e s*l*ciona priorida*es sociais. Cr**i*o s*bsid**do, pesquisa agrícola * co*strução de infraestrutur*s, esp*cialmente r*dovias, *ã* distribuem capacidades de ma*ei*a neutra: redu*em *i*cos para R*v. FSA, Teresin*, *. 23, n. 9, a**. 8, *. 141-158, set. 20*6 www4.Unifsanet.com.br/re*i*ta
R*des de **diação do novo Imperialismo no *ATO*IBA: Es*ado, F*nance**i*ação da Terra e Acumulação 147 grupos e*p*esariais, *celer*m * mercant*l*zação da t*rra e amplia* a integra*ão region*l ao mercado mundial. E*sa s****ão não si*nifica, contu*o, qu* o E*tado se curve de modo l*near a** interesses de tradings, fund*s ou empresas internacio**is. A sua *utonom** r*l*tiva decorre *recisam*nte da *u*çã* d* organiz** a unidade polít*ca *o bloco n* poder em uma formação atrave*sad* por co*t*ad*ções de classe. O E*t*do pode inc*rporar deman**s subal*ernas, re***ar capitais p*r**cul**es e *roduzir concess*es, *as o faz no in*erior de uma ma*erialidade instituciona* *ue pres*r*a as *on*ições gerais de reprodução d* capital. Mandel (1982) ajuda a comp*e*nder esse *ovimento a* explicitar qu*, no capitali**o tardio, o Estad* amplia as suas fu*çõ*s par* sustentar, de maneira mais est*u*urada, essas condições. A instituciona*izaçã* do MATOPIBA, a p*r**r de 2015, refor*a e*sa din**i*a. Ribeiro (*024) regi*tra que a re*ião abr**ge 3*7 *unicípios, 31 *icr*rr*giões geográficas * *proximadamente 7* milhões de hecta*es. Jesus Fabr*ni (2017) *ss*ciam essa de*imit*ção e ao Decreto n* 8.4*7/2015, que instituiu o Plano d* Desenv*lvimento Agropecuário do MATOPIBA e um comit* ge*to* voltado à infraestrutura, à logística à exp*nsão agríc*la. e Ao a**lisar esse processo como r*or*enamento do te*r*tóri* at*avés do ag*onegóc*o, Santos (2018) *e*onstra qu* * polí*ica públic* não apenas *c*mpanh* a fr*nteira, mas efeti*amente a no*eia, organiz* e le*itima, de modo que a categoria território *ass* a expressar um a relação de poder produzida p*la ação es*a*al perma*e*temente *ensionada pe*os conflit** e sociai* q*e ela *eorganiza. 3.2 *inanceiriza*ão da ter*a e controle corporativo no *ATOPIBA Verifica-*e, ai*da, *ue a terra, no MATOPIB*, não ope*a a*en*s c*mo base física da produção ag*í*ol*, pois ela * convertida em ativo fi*anc*iro, *a*antia de empr*st*mos, rese*va de va**r e expec*a*iva de renda *utura (Ribeiro, 2024). Ch**nais (2005) of*rece a chave pa*a comp*een*er esse fenômeno ao discut*r * mundi*liz*ção financeir*, na q*al a valoriza*ão dos **pit*i* ** auto*omi*a *elat*vamente da produç*o imed*ata e passa a buscar novos espaços para trans*orma* at*vos em oportuni*ades de *cumula*ão. N*s C*rrados, essa lógica c*mbina *erras extensas, preços historicamente *ais baixos, vulnerabilidades f*ndiá**as e apoio estatal, enquanto a ap*rência produtiva do agronegócio oculta uma articu*ação entre fin*nça, pr*pri*dade **nd*ári*, *olítica* públicas * condições de reprodução social, pois a valorização patri*onial da terr* *epen*e tanto da infr*estrutura estatal quanto da frag*lidad* *os direito* terr*toria**. Rev. F*A, Teresina PI, v. 23, n. 9, *rt. 8, p. 141-158, s*t. 2026 www4.Unifsanet.com.br/re***ta B. G. Olivei**, A. K. L. Bezerra 148 Ribeiro (20*4) *onfer* maior de*si*ade empírica ao fenômen* ao examinar a financeirização da *erra ness* locu*. * autor identifi*a a presença de empresas como Rad*r Propried*des Agrícolas, vinc*lada à Cosan e a f*nd** da TIAA, Brasil*gro, SLC Agrícola, Bung* e Inso*o Agr*indus*rial, além da atuação de i*o*iliárias agrícolas e *e outros mecanismos de valori*aç*o fundiária. *esse ca*po, a terra é comprada, *it**arizada, a*re*dada, secur*tizad*, revendida e incorporada a *s*ra*égias *ue *ão dependem *iretamente da col**ita. *a*vey (2014) au*ili* a interpret*r esse processo como a*umu*ação por espo*iação, *m* vez que a incorporaçã* de b*ns comuns ao circuito do capit*l exi*e p*ivatiza*ão, deslocam*nto de direito*, nã* rar*mente de co*un*d*des v*lneráveis, e a criação de novo* me*cad*s. A an*l*se de Sa*tos (2015) dia*oga com Ri*eiro (202*) a* destacar q** os Cerrados da *ahia e do Piauí fora* integrado* a fl**os controlados por corpo*ações mu**inaciona*s *in*uladas *o *gro*egócio. Santos (2*18) explicita que MATOPIBA se tornou um *os o *rincipais alvos de cob*** do a*rone*ócio globaliza*o, *ar*ado por processos associativos do capital fi*a*ceiro em busca de lucro, sob p*trocínio da* açõe* est*tais. O diálogo entre os au*ores d*nota *ue finan*eiriz*ção não sub*tit** a pro*ução ag*í*ol*, m*s a reo*gani*a. A a s*ja continua sendo plan**da, col*i*a e exportada; *ontudo, o *ontrole da t*rra e da cir*ulação passa a obedecer a u*a racio*ali*ade fina*ceiri*ad*. Lênin (201*) é importante ne*se ponto porque a sua t*oria *o imper*alismo enfatiz* a concentração monopoli*ta, a fus** entr* o ca*ital bancário e o **dustrial, a exportação de capit*is e a p*r*ilha econômica do mundo **la burguesia. * MATOPIBA não reproduz mecanicamente o cen*rio do iníc** do século XX, co*tu** atualiza a quest*o leninista ao *x*or * co**en*raçã* do c*ntr*le nas c*deia* *lobais de *n*um*s, financiamen*o, a*maz*namento e com*rcialização. A contribui*ão de Harvey (*014) co*siste em dem*n*trar qu* a coerção territo*i*l e a lógica da financ*i*ização *ermanece* centrais *o imp**ial*sm* con*e**orâneo. A fronteir* agrícola, portant*, não é uma peri*eria at*asada da ac**ulação, mas um avançado lab*rató*io de *aptur* da te*ra e da natureza em p*o* do capital, ra**o pela qual * fi*anceirizaçã* des*r*ta n**te sub*tem somente se completa quando r*lacionada à a*ropri*ç*o *o fundo público, * exp**ra*ão do trabalho e aos conflitos te*ritoriais exami*ados a seguir. 3.3 **nstru*ão do "consen*o d* commodity" A te*ceir* frente *e discussões se d*br*ça sobre a prod*ção d* *egi*imidade*. O agroneg*cio n** ava*ça apenas por me*o da economia, m** também atr*vés de narrativas. Rev. FSA, Tere*ina, v. 2*, n. 9, *rt. 8, p. *41-158, set. 2*26 w*w4.Unifsane*.com.br/revis*a Redes de Mediaçã* do novo I*peria*is** no MATOPIBA: Esta*o, F**ance*rização da Ter** e Acumulação *49 Ribeiro (2024), em diá*ogo co* Svampa (2*13), interpre*a a soja a p*rtir da ch*ve do "consen*o da c*mm*dity", *xpress*o qu* *esi*n* a n*turaliza*ão d*s exportaçõe* primárias como o único caminho para o des*nvol*imento. No sul do Piauí, segundo *ibe*** (2024), as prome*sas de crescimento do PIB, geração de empregos, modernização * integração *ompe*itiv* c*nv*vem, em realida*e, com desma*ament*, *ueima*as, con*amin*ção da água e do solo, grilag*m e am*aças às c**unidades rurais, indí*enas * quilombol*s, a*ém de pequenos produt*res. Esse pont* per*ite d*álogo direto entr* R*beiro (2024), Behring (20*1) e Sa*vador (2010). O *undo público **o constitui simples rubri** orç*mentária: e*e co*centra p*rcela do va*or socialment* p*oduzid* e é *travessado pe*a di*pu*a *nt*e o financi*mento da r*pr*duç*o da fo*ça *e *rabalho o atendimento às condições g*ra** de a*u*ulação. No MATOPI*A, e crédit* subsid*ado, incentivos fiscais, pesquisa pública e i*fraestrutura logí*tica socializam c*stos e risc*s *o co*p*exo agroexport**or. A*si*, o co*senso da comm*dit* ganha m**eriali**d* quando recursos que poderiam ampliar saúde, previdê**ia, assistê*cia s*cial e d*mais direitos *ão direci*na*os à **mpetiti*idade pr**ada. Trata-se de uma punção do f*ndo público que co*verte parte do traba*ho s*c*al em sup*rte à valorização do grande ca**t*l, ao me*mo te**o em que na*ural*za esse desloca***to *omo int*re*se ger*l. Souza e Silva (*019), p** sua vez, d*slocam essa di*cus**o pa*a * teo*ia da dependência, ao argumentare* que * ex*an*ão do ag**n**ó*io globalizado n* MATOPIBA reafir*a * **s*ç*o subor*inada d* Brasil na divisão i*ternacional *o t*abalho. Sob essa ótica, a região fu*ciona como espaço es*ecializado na p*o*uç*o de commodit*es agrícolas volt*das ao merca*o exte*no, o que ap**funda a sua vul*e*abil*dad* diante do c**i*al. Marini (20*0) torna ess* int*r*re*ação mais **uda ao d*monstra* qu* a dependênci* não deco*re d * um s*mples at*aso, mas de um sistema espe*ífico de in*egração ao ca*it*lismo m*ndial, sustent*do pel* trans*er*nc*a de va*or e pela **perexpl*ração da for*a de trabalho. A competit*vi*ade da so*a bras*leira * do M*TOPIBA, vi*ta s*b esse pris*a, re*ulta *ã* ape*a* *a m*dern*z**ão t*cnica, mas ** te*ras mais baratas, dir*i*os mais f**geis, s*bsídi** públicos significa*ivos e cust*s socioamb*entais transfe*ido* * sociedade. Blanco et al. (2021) reforça* a a**lise dessa dinâ*ica ao *aracter*zarem o MATO*IBA como a última frontei** a*rícola do *rasil em meio * intensificaç*o de co*flitos sociais, ambi*ntais e *c*nôm*cos. Barros (2018), ao situa* o ag*oneg*cio como *roje*o da *urgu*sia agrária, demo*stra que a hege*onia *o setor se pro*u* em u* campo perman*nt* de luta de class*s. O con**n**, portanto, não signi*ica ausência de co*flit*, mas a *entativa de universal*zar i*teresses particulare* e de desqualific*r *s resistên*ias *u e os c*nfr*ntam. O Re*. FSA, Teres*na PI, v. 23, n. 9, art. 8, p. 1*1-158, set. 2026 www4.Unifs*net.c*m.br/revista B. G. Ol*veira, A. K. L. Bezerra 15* diálogo ent*e *arros (2*18), So*za e Silv* (2019) e *ibeiro (2024) p*rmite c*mpreend*r o consenso da com*odit* como m*diação ideológi*a da dependênc** no MATOPIBA: ele ap*esenta a exportação pr*mári* com* vocação nacional, ao tempo em que oculta a subordinação do Brasil n* mundo e * apropri*ç*o classista do fundo púb*ic*. 3.4 Trab*lho, nat*reza e *o*unidad** como zonas de *spoliaçã* O* achados *emonstram tam*ém que o agronegócio de**oc* os *eus custos par* *rabalhadores, *omunid*des, *aturez* e Estado. Rufo e Araújo Sob*inh* (2023), *o *nali*a*em * mercado de trab*lho nos Cerrados piauien**s, i*entifica* preca*iza*ão, seletivida*e e int*gração *esi*ual d* população à *in*mica prod*ti*a. Embora * expansã* do agr*neg*cio tenha am*lia*o pos*o* formais e informais, os citados *utores observam que o* tra*alhadores pia*ienses tendem a ocupar fun*õe* menos especializada*, enquanto os postos *e maior qualifica*ã* remuneração *ão *reenchidos p*r t*abalhadores *e *ut*as r*g**es. * supost* e mod*rnização técnica do agronegó*io, *ortanto, n*o p*oduz inclusão homo***e*, *ois d*f*rencia * se*ecion*, e ess*s desigualda**s l*bo**is *ão podem ser a*arta*as *os con*litos fundiários, da *egradaçã* ambiental e da* restrições aos di*eitos so*iai*, uma *ez que constituem expressões articul*das da questão social (SILVA; ARAÚ*O, 202*). R*fo e Araújo S*brinho (*023) re*istr*m que, entre **12 e 2020, foram identi*icados nove co*flitos e*volvendo trabalho *scravo nessa região piauien*e, com 170 *r*b*lhadores c*tad*s em d*núncias e po*teriorme*t* resgatados por op*rações de fis*aliza*ão. Essas ocorrê*cias a*ar*c*ra* em m**i**pios como Barre*ras do Piauí, Bom *esus, Mo*te Alegr* d* *iauí, Baixa Grande do Ribe*ro Alvorada e do Gurguei*, vincu*ad*s a fazendas e atividades relacionadas à soja, ao milho, ao a*r*z, à pecuár*a e à *ber*ura de *r*as. *idos à l*z de Marini (2000) e Souza (2*18), e*ses c**os exigem u*a dis*inç*o: tr*balho escravo *ontemporâneo não é *i*ônimo de superexploração, e*bora possa c*nstitui* u** de sua* expr*ssões extremas. A su*erex**oração d***gna um mecan*smo *strutural d* capitalismo depen*ente, pelo qual a força de t*abalho é remunerad* a*aixo de seu valor, submeti*a à intensifica*ão ou * amp*iação d* jornada para co*pensar a transferência de **l*r *o *xterior. No c*mpo, p***anto, *la não co*stitui *traso *ré-ca*ital*s*a, ma* eng*enagem articulada a tecnologias m**ernas e cadeias globais, c**az de sustentar a rentabilidade e a competitividade do agr*n*góc*o financeirizado. Jesus e Fabr*ni (2017), por s*u tur*o, anal*sa* *spolia*ão a terr*tor*al a *artir dos c*so* de Baixa Grand* *o Ribeiro, Bom Je*us e Uruçuí. Os autores demonstra* que o avan*o dos grandes empreend*ment*s ** *poia em crédito púb*ico, gril*gem e vio*ência con*ra *s Rev. FSA, *eres*na, v. 23, n. 9, art. 8, p. 1*1-158, set. 2026 www4.Unifs*net.co*.br/revi*ta *ed*s de Me*iaçã* do nov* Imperialismo no *ATOPIBA: Es*a*o, Financeirização ** Terra e Acumulação 151 povos dos Cerr**os. T*mbém desta*am * *cupação das c*apadas * * pressão sobre veredas, mat*s * *acias hid*ográfica*. Esse mecan*s*o apoia a leitura de Harvey (2014), poi s a a*umulação por espoliação *ão en*olve ape*** as te*ras formalmente apropriada*, mas ta*bém os caminhos, modos de vida e forma* comunitárias de uso d* territó**o. Ribeiro (2024) aprof*nda essa an*li*e ao associar o monocultivo da soja ao u* o **tenso de *grotóx*c**. Em s*a leitura, o *onse*so ameaça a reprodução socia* de comun*da**s t*adici*nais e transforma os conflit*s socioamb**nt*is em cus*os invisibili*ados p*la *groexpor*a*ão. Silva e *r*ú*o (2025) perm*tem compreender que a d**tru*ção ambiental integra a* co*tradições ** p*odu**o * repr*duç*o soci*l, *tingindo simultaneam*nte saúde, t*aba*h*, água, alim*ntaç*o e modos de v*da, enquan*o Jesus e Fab*in* (2017, p. 94), ao utilizarem a exp*essão "ba**árie e moderni*a*e", captam a convivência *ntre pro**tividade e conf*itos. Essas populações, contudo, não *parecem a*enas c**o vítima*, pois tr*balh*d**es rurais, campon*ses, p*vos *ndí*enas, comuni*a*e* quilombolas e trad*ciona** c*nstituem sujeitos de lutas por terra, trabalho, saúd*, água e natu*eza, *ujas pautas não *e *orn** un*t*rias p*r mera aproximação políti*a, mas porque enfrentam, em posiç*es dis*intas, os m*s**s *ec*n*s*os que concentram a terr*, *epr*ciam a *orça de t*abalho, apr*priam-s* dos be*s comuns deslo*am recursos públicos par* a acumul*ção pr*vada. É e nesse sent*do material, e *ão com* j*stapo*içã* **strata de agen*as, que a unid*de das luta* emancipatórias pod* ser comp*eendida (*BEPSS, 2022). 3.5 Rede *nalítico-interpretati*a da* relações A re*isão *arrativa *ea*iz*da *ermite afirmar que as raíze* do novo *mperialis*o no MATO*IBA podem se* representa*as por meio de uma rede d* mediações, ente*dida *ão como som* de fatores is*lados, *as co*o expressã* *e uma t*talidade c*ntradit*ri*. * Estado *ria cond*ções mate*iais e normativ**, enquanto o capital f**anceiro transforma a terra em at*vo. Tr*dings e *undos co*trolam *ta**s da ci*culação do ca*i*al, *o p**so que o fundo público *oc*aliza ri*cos e cus*os da expa*são. A comm*dity da s oj a organiza um consenso ideológ*co em tor** desses processos. *o f*nal, trabal*adores, c*munida*es e n*tureza suporta* os c**tos d* esp*li*ção i**rínseca à competitiv**ade regional e produze* resistên*ias q** tens*onam a o**em t*rritorial. A Figura 1 repre**nta essa articul*ção *omo *apa *nalítico, no qual autores e mecanism*s aparecem **nectados po* relaç**s d* pr***ção, coerçã*, leg*timação, conflito e *p*opriação no MATOPIB*. *ev. F*A, Ter**ina PI, *. 23, n. 9, ar*. 8, *. 141-158, set. 2026 www4.Unifsa**t.co*.br/revista B. G. Oliveira, A. K. L. Bezerra **2 F*gu*a 1 - Red* de re*a*õe*: *aízes do n*vo *mpe*ialis*o n* agronegó*i* do MAT*PIBA *onte: elaboraç** própria (2*26). Quadro 2 - *utores, cat*gorias, mecan*smos e e*emplos mobili*ad*s. Ex*mplos no Autores Categ*ria mobiliz**a Mecanismo ob***vado Organização d*s MATOPI*A Crédito, pesq**sa,
Poulan*z*s (*9*5); Mande* (1*82); Carn*y (*988); Be*ring (*021); Salvador (2010) *êni* (*012); Ha*vey (2014); Ches*ais (2005) Santos (2015; 2018); Jesu* e Fabrini (2017); Estado, po*ít*cas públicas e fundo *úblico I**eria**smo, financei*ização e e*pol*ação Fr*nteira, confl*to e *ondi**e* de acumu*açã* e dis*uta pelo valor *ocialmente produzido Conce*tra*ão, fi*anceir*zação, apropria*ão territ*rial e *aptura de r*nda Reorde**me*t* terr*torial, gr*l*gem, *stra*as, plano* t*rrito*iai*, FNE, PRODECER e incenti*os fisca*s Tradings, fundos, R*dar, Brasi*A*ro, SLC Agrícola, B**ge e *alo*ização fun*iár*a Baix* Grande do Ribeir*, Bom Jesus, Uruçuí, chapadas,
eg o a * it vi n
Barros (2018); *ibeiro consenso da commodity hdoedmsenniv,olle*miem*aoçãeo *eredas, agrot*xi*os e (2024) Marini (200*); Souza (*018); Souza e Silva (2019); R**o e Ar*újo Sobrinho (20*3) Dependência * s*perexp*oração conflitos *ubo*dinação ao mercad* mundia*, transferência de valor e precariz*ção seletiva ** *rabalho c*mun*dades ameaç*das Regiões agrícol*s **mpetit*vas, tr**alho esc*avo e inse*ção d* *ão d* obra loca* em **stos menos
ABEPSS (202*); Barr*s (2018); Silva e Araújo (2*25) Quest*o socia*, tot*lidade e sujeitos co**ti*os Articulação entre exploração, expropriação, políticas socia*s e resistênci* especializados Confl*tos e lutas *or terra, trabal*o, ág*a, s*úde, direito* e modos de vida
Fonte: elaboração própria (2026). R*v. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-158, s**. 2026 www4.Unif**net.**m.b*/revist*
Redes de Mediaçã* do *ovo I**er*alismo no M*TOPIBA: E**ado, F*nan*e*r*zaç*o d* Terra * Ac*m*lação *53 A Figura 1 e o Quadro 2 não descre*em uma cadei* linear *em uma conve*gência se* fissuras, mas uma totalidade *on*raditória, na q*al a* med*a*õe* *e condic*on*m sem perd*r a sua e*pecific*dade: o Estado, *ompreen*ido com P*u*antzas (1985) c*mo condensação *ateri** de uma rela*ão de fo*ças, não se reduz a executor *a*s*vo das t*adings ou *o capital financei**, um* vez qu* a s*a *utonomia relati*a l*e perm**e org*ni*ar inte*esses confl*tan**s das frações do bl*co no poder e a*rese*tá-l** sob a forma u*iversal *o *es*nvolvim*nt* r*gional, *o mesmo t*mpo em q*e in*orpora *emandas subalternas e regula cap*tai* particula*es se* ro*p*r com as *o*di*ões g*rais d* reprodução capitalista. Nesse movimento, crédito, pesquisa, *l*nejam*nto terr*torial e inf*aestrut*ra deixam de figurar como inst**mentos *eutros, *ois reduze* **s*os priv*dos, acelera* a circ*lação das comm*dities e e*evam a renda fundiári*, enquanto * f*ndo público, entendido co* Behring (20*1) e Sa*vador (2010) como parcela d* valo* soc*al*ente produzido e objeto da luta de classes, *ocializ* *s c*stos da expansão *groex*ortadora e *ompri*e *s possibilidades d* fina*ciament* dos d*rei*os sociais. A fi**nce*ri*açã* da ter*a, por *ua *ez, n*o con*titui uma etapa separ**a da produção agrícol*, mas um* raci*nalidade q** a reorga*iza *o* * prim*zia da ren*a * d* *alori*ação **tri*oni*l, articulando a m*ndializa*ão fina*c*ira de C*esn*is (2005) à *c*mulação por **poliação *e *ar*ey (2*14), pois a conversão da terra e* a*iv* de*ende t*nto da in*rae*trutura que ampl*a sua ren*abilida*e quanto da fr*gili*aç*o de direitos ter*itoriais, da aprop**açã* de bens comuns e do deslocam*nt* *e for*as coletivas de reproduç*o so**al. Grilagem, conta*inação, desmatam*nto e violênci* deixam, nes*a chav*, de apa**cer como e*eitos acidenta*s de *m modelo p*odu**vo e**ciente e passam a s*r compr*end*dos como *ondiç*e* histor****ente produzid*s de sua v*lori*a*ão, enqu**to a su*erexplo*ação, na acepção de Marini (2000), atravessa o *ircuit* com* me**n*smo da dependência, *o*binando produtividade técnica avançada, violação do valor da força de *raba*h* e *ransfe**n*ia de cus*os *oc*a*s * ambientai* para trabalhadores, comunidades e natureza, sem q*e cada o*o*rência de precarização *u trabalho es*rav* *o*temporâne* sej* tomada isola**ment* c*mo sinônimo da ca**g*r*a. O ga*ho analítico da re*e resi*e, portanto, em *emo*strar qu* exprop*iação terr*torial, *recariz*ção do trabalho, degradação am*ient*l e restrição *e **reito* sociais não form*m uma coleção *e efeitos laterais, mas mo*ent*s diferenciados *o me*mo *rocesso *e produção e apr*priação d* va*or. É *esse pont* qu* o o*jeto se vincula de mane*ra s*bsta*tiva à f*r*ação em Serviço Social, poi* as deman*as *or re*d*, saúde, trabalho, *erra, água * Rev. FSA, Teresi*a PI, v. *3, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. *026 www4.Unifs*net.com.br/re*ista B. G. *liveira, A. K. L. Beze*ra 154 p*oteç*o social *he*am às *olíticas e in***tuições de f*rma fr*gmenta*a, embora se*am produzidas por re*açõe* comu** entre Est*do, ca*ital e território; apree*dê-l*s em persp*c*iva de *ota*i*ad* signi*ica reconstruir *s*as mediações e rec*nhece* que unidade das lutas a e*anc*patórias *ão res*lta de u*a soma abst*ata de pau*as, mas das *ases materia*s que aproximam trabalhado*es rurai*, ca*poneses, povo* indígenas, com*nidades quilombolas e tradicionais no enfrent*mento a mecanismos articu*ados de exploração, expro*riação e captura do fundo *úblico (ABEPSS, *0*2; BARROS, 201*; S**VA; ARAÚJO, 2025). 4 CONCL*SÃO O art*go buscou mapear *s *aíz** do novo i*per*alismo i*bricadas no agrone*ócio pratica*o n* MAT**IBA, *t*a*é* ** reconstitui**o de um* r*de de relações *ntre Es*ado, f*ndo públic*, c*pi**l, *rabalho, n*tureza e c*m*n*dade*. Esse *bj*tivo g*ral foi *lcan**do p*r meio de uma revis** n*rr**iva qualita*iv* e in**rp**tativa, que vinc*lou categori*s *eó*icas *ni*ial*ente abstratas *os me*anism*s *m*ír*cos concret*s presentes na fronteira agr*col*. A rede constru*da de*onstrou que a totalidade não cor*espon*e à justa*os*ção de temas, mas à apree*sã* das mediações que ar*iculam depen*ência, financeirizaçã*, questã* a*rária, questão ambie*tal e express*e* da qu*stão social. Os *rincip**s ach*do* demonstr*m q*e os m*c*nis*os *statais são con*t*tu**vos dess* *roc**so, como o POLOC*NTRO, o PR*DE**R, a EMBR*PA, o FN*, decre*os, planos territoriais e infraestruturas logísticas. Lido* à l*z de ***lantz*s (1985), esses mecani*m** expr*s*a* relaçõ*s de *orça con*ensadas no interior do Es*a*o, *uj* autonomia *elativa não elimina a **a fu*ç*o est*atég*ca na or*aniza*ão das condições gerais de *e*roduçã* do ca*ital. Em aná*ise *ond*zid* por Mandel (19*2), e*sa e*genharia *evela a *mp*iação das funç*es estatais no c*pitalismo ta**io. Pela leitu*a de Santos (2015; 2018), esses fatores deixam de aparec** como políticas neutras de d*senv*lv*mento e se *evelam como reo*denamento g*ográfico do t*rritório conduzido pelo agr*negócio. *lém d*sso, a financeirização *a terra fornec* * substrat* con**mporâneo d**se imperialismo. Em*resas como R*dar, B*asil*gro, S*C Agrícola e B*n*e, *o la*o de *undos vincula*os ao c*pital inte*nacional, ind*cam que * controle terri*orial **trapassa as fronteiras na**on*is. A ter*a o*upa o p*pel de ativo financei*o, tornando-se objeto de e*pec*laçã* e captu*a de renda. Nesse ponto, Che*na*s (*0*5), Harvey (2014) e Ribeiro (2024) demonst*am qu* a *undiali*ação *inanceira encontra *os Cerr*dos uma fronteira ren*i*ta, **quanto a *oja Rev. FSA, Te*esina, v. 23, n. 9, art. 8, *. *41-158, set. 2026 www*.*n*fsanet.com.br/revista Redes de Mediaçã* do novo Imp*rialismo no MA*OPIBA: Estado, Fi*an*eirização *a Terra e *cumul*ção 155 o*g**iza * aparência desenv*lvi*entista desse p**cesso. Essa racionalidade *ão s *** t i t ui * p*odução, mas subordi*a o uso *o terr*tório às expectativas de valorização financeira. O artigo também evid**ciou que o consens* d* commodity *onstitui a cond*çã* ide*ló*ica da expan*ão das raí*es do novo *mperialis*o no t*rritório. Ribei*o (2024) e Svampa (2013) demonstram como essa pe*sp*cti*a opera para invis*bil**ar g*ilagem, uso de a*rotó*icos, desmatame*to e vi*lência contra comunida**s. Beh*ing (20*1) e Salvad*r (201*) permit*m acrescentar que esse c**senso * materialmente sust*ntado p*la di*puta do *undo público, quando crédito, ince*tivos, pesquisa logíst*ca c*nali*am valor so*ialme*te e produzido para a c*mpetitividade d* *ran** *apital, em detrimento da ampliação de *ireitos. Ao mes*o tempo, Sou*a e Si*va (2019), Marini (2000) * Souza (20*8) permitem *o*pre*nder *ue a dependência p*rm*nece n* centro do problema, um* vez que * integ*aç*o do MA*OPIBA ao mercad* m*ndial *e apoia n* trans*erência de val*r e na sup**exp*oração da força de tra*alho. O trabalho e*cravo con**mpor*neo, nes** qua*ro, n*o é um resíd** exteri*r à moder**zação, *as uma **pressão e*trema das rel*ções que s*sten**m a rentabil*d*d* de um* fro*teira tecnicament* avançada. É import*nte sublinhar q*e a presente análise não nega a importância d* a*ricultura, da técnica e/*u *o planejamento estatal, mas recoloca * ques*ã* *olí*i*a *un*am*nt*l: esse desenvolvimen*o *er*e a qu*m, é controlado por quem quem paga a cont* do* impactos e sociais e ambientais? Um* polític* *ública democ**tica para o *A*OPIBA e*ige maior j*sti*a social, pro*eção dos *irei**s territor*ais fo*talecim*nto d*s s*jeit*s col*tivos que e *roduzem **sistê*cias, e essa c*nexão *o*fere ao debate relev*nc*a para o *erviç* Social porqu* a *recarização do t**ba*h*, as amea*as * s*úde, a per*a de território e a res*rição da proteç** s*cia* *ã* con*titue* proble**s externos entre si, mas f*rmas pelas qu*is * expansão agroexportador* incide so*re * produção e a *ep*odu*ão da vi*a. Sem u*a inversão estrutura*, os C*rra*os cont*nuar*o a se afirm*r com* *errit*rio exe*plar d* novo *m*erialism*, on*e a mode*nizaçã* produtiva está intimamente relaci*n*da **m * espol*ação, a d*pendênci* e existência de poderes desiguais, em de*rimento de m*d*s *e vi*a não a heg*mônicos. **sim, para avançar sobre a rede an*lítica re*on*truída ne*te estudo, pesquis*s f*t*ra* devem se deb*uç** s*bre investigaç*es empíri*as e terri*oriais mais aprofu*d*das. Suge**-se o *xame da* micro*in*m**as de *inanceirização da terra **s Ce*rados, rastreando es*r*tu*as corpor*tivas espe*í*icas, fluxos do fundo públ*co e os s*us efeitos sobre comunidades e nat*reza, b*m como a realização de es*u*os c*ncentrados nas *esistências coti*ianas de t*abalha**res, povos e c*muni*ad*s tradicionais, *e modo a equilibrar * c*ítica *ev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 9, *rt. 8, p. 141-158, *et. 2026 www4.Unif*a*e*.com.br/re**sta B. G. Olive*ra, A. K. L. Bezerra 156 mac*oestrutural *om a* lutas p*líticas *oncretas *elo *err*t*rio. Ess* ap*ofundame*to também per*iti*á examinar c*mo *s resist*n*ia* se articul*m na prátic*, r*velando em que medida a de*esa da *err* e da á*ua, a proteção da saúde, o **m*ate ao trabalho escr*v* e a *is*uta pelo fundo públi*o se *onstituem como resposta* a *ormas combinad*s *e expl*ração e expropriação. Ao reconstruir *ssas me*iaç*es, a produção de conhec**e**o e* Serviço Social pode co**ribui* para *ma form*ção q*e não *ragm*nte as exp*essões da ques*ão social e que reconheça, n*s *utas concretas dos *ujeitos, as possibil*dades e *s limi*es de *ua *nidade e*an*i*atória. REF*RÊ*C*AS ASSOCI*Ç*O *RASILEIRA DE ENSINO E PESQUIS* EM SER**ÇO SOCIA* (ABEPSS). Documento ** G*P Questão **r*ri*, Urbana e Ambiental: GT D*cu*ent*, biênio 2020-2*2*. *r*sília, DF: ABE**S, 2022. D*s*onível em: https://www.ab*pss.org.br/arquivos/an*xo*/do*umento-g*pq*uas*-pre_co*o*uio- 2022*2051*55587875510.pdf. A*esso em: 2* ju*. 2026. BARROS, I*en* Felipe. * agronegó*io e a at*ação da *urg*esia agrária: considera*ões da lut* de classes n* campo. Serviço So*ial & Soc*e**de, São P*ulo, n. 131, p. 175-***, ja*./ab*. 2018. Disponív*l em: *tt*s://doi.org/10.1590/0101-6*28.136. Acesso em: 26 ju*. 2026. BEHRING, E*ai*e Rossetti. *undo público, *alor e políti*a s*cial. 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Contribuição *os Autores B. G. O*iveira A. K. L. B*ze*ra 1) co*cepção e planejamento. X X 2) a*ális* e in*erp*etação dos d*dos. X X 3) elaboração do rascunho ou *a revi*ão crí*ica do c*n*eúdo. * X 4) participação *a ap**vaç*o da v*rsão final d* ma*usc*ito. X X Rev. FSA, Tere*ina, v. 23, n. 9, art. *, p. 1*1-158, set. 202* www*.Uni*sanet.com.br/revista

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