Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.Unifsanet.*om.br/revista
Rev. FSA, T*r*s**a, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-1*8, *et. *026
ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/*026.23.9.*
Redes de Mediação do novo Imperi*l*smo no MAT*PI*A: Esta**, Financeiriza**o da Terra e
A*umulação po* Espo*i*ção
Media*ion Networks ** the n*w Imperia*ism *n MATO*I*A: State, *and Financializati*n a*d
Accumulation ** *isposses*ion
Bruno Galis* de Olivei*a
Doutorand* em Políticas Púb*ic*s pela Universi*ade Feder*l d* Piauí
Me**re em Ge*tã* Pública pel* U**versida*e Federal do Piau*
E-*ail: bruno.*aalisa@gmai*.com
Ana Keuly Luz B*zer*a
Doutora em D*sen*ol*imen*o e Meio Am*ie*t* pela Univ*rsi*ade Federal do *iauí
E-mail: ana.bezerra@ufpi.edu.*r
Endereço: Brun* G*l*s* de *live*ra
E**tor-Chefe:
Dr.
Tonn*
K*rley
*e
Alencar
U*iversid**e
*ederal
do Piauí
-
Campus
U*ivers*t*rio
Rodri**e*
Min*stro
Pet*ônio
Porte**a,
Bairro
*ninga,
C*P: 64.049-
55*, Tere*ina/PI, Bra*il.
Artig* receb*do em 26/08/**26. Última
*ersão
Endereç*: Ana *e*ly Luz Bezerra
receb*d* em 09/09/*026. Apr**ado em *0/09/2026.
Universidad*
Feder**
do Piauí
-
Campus
Universi*ário
Min*stro
Petrônio
Portella,
B*irro
I*i*ga,
CEP: 64.0*9-
Avaliad* pel* s*ste*a Triple Revi*w: Desk Review a)
550, Ter*sina/PI, Br*sil.
*e*o Edit*r-Chefe; e b) Double Bli*d Review
(av*li**ão cega *or doi* avali*d*res d* área).
Revisão: Gram*tic*l, Normativa e de *ormatação
B. G. Oli*e**a, A. *. L. Bezerra
*42
RESUMO
O p*ese*te
artigo an*lisa o agro*egócio no MATOPIBA
como
expr*ss*o t*rritorial do
novo
imperiali*mo, bus*and*
apreender as mediações qu* articulam *sta*o, fundo pú*lico,
financeirização da terr*, dependên**a e acumulação por espoliação. *e**do*ogicame**e,
ad*ta-*e **visão nar*ativa, *ualitat*va e interpr*t*tiva, te*sionando categorias da c*í*i*a da
economi* política com
es*u**s *e**ntes sobre Ce*rados, trabalho, co*fl*tos e *erritór*o. Os
resul*ados
in*icam que a fronteira
é viabilizada
por **líticas, crédit*, pesquisa e
infraestrutu*a; *ue a terr* é convert*d* e* ativo financeiro por empresa*, trading* e *undos; e
que trabalha*ores, co*u*idades e natureza suport*m os
*ustos da co*pe*itividade
*groexport*dora. Ao *v*de**iar *u* c**flitos *or t*r**, tra*alh*, á*ua, sa*de e d*reitos soc*a**
decorr*m de um* mesma d**â*ica de acum*lação, o estudo contribui *ara uma formação em
Serviço Social *apaz de apreender a questão *ocial em sua totalidade e de recon*ecer a* bases
materiais de ar*iculação *ntr* lutas *m*ncip*tórias distintas.
Pala**as-c*ave: MATOPI*A. Novo Imperi*lismo. Fundo Público. Questão Agrária. S**viço
Social.
ABSTR*CT
This article anal*zes ag*ibusiness in MATO*IBA
as a territorial expressi*n
of the *ew
i*perialism by examinin* the med*ations
lin*ing the Sta*e, the *ubli* fund, l*nd
financialization, d*pendency, and accum*la*ion by dispos*ession. Methodologi*ally, it adop*s
a
qualitativ* and interpret*ve narrative revie*,
*onfronting c*tegories of c*itical political
eco*o*y with *e*ent studies on the Cer*ado, labor, *onflicts, and terr*tor*. T** findings
indic*te tha* the front*er is en*bled by policies, credi*, re*e*rch, *nd infras*ructure; that lan* is
*onve*ted into a fi*an*ial a*set by co*pa*ies, trading cor**rations, **d funds; and tha*
w*rkers, comm*nit*es, **d nature bear the *o*ts of agro-export competi*iveness. By s*owing
that co*flicts o*er land, lab*r, w*ter, *ealth, *nd social rig*ts ari*e from the same dyna*ics o*
ac*umu*ation, the st*dy cont*ibut*s *o Social Wor* e*uc*t*on gr*unded in t*tality an* to the
r*cognitio* of the material bases c*nnecting d*stinct e*ancipatory struggles.
**ywords: MATO*IBA. New I*perialism. Public Fund. Agrarian Que*tion. Socia* Work.
R**. FS*, Teresina, v. 23, n. *, art. 8, p. 1**-*58, set. *026
www4.*nifsanet.com.br/re*ista
*e*es de Me*i*çã* do n*vo Im*e*ialismo no MATOPIBA: Estado, Fina*ceirização da **rra e Acumulação
*43
1 INTRODU*ÃO
O *resen** a*tigo abord* a relação *ntre agronegóc*o, E*tado e novo imperialismo n*
MAT*PIBA, de*onstrando c*mo essa fro**eira ag*ícola do *errad* se constitui como forma
territ*rial d* *cumulação c*pital*s** *o* r*ízes *r*venie*tes do novo i*per*al**mo. A região,
*ormada por partes do Maranhão, T*ca*ti*s, Piauí e Bahia, costuma apare*er no discur*o
público e
privado co*o *sp*ço d* eficiênci*
e
o*ort*n**ade, contudo, qu*n*o
analisada a
partir *a tradição marxiana * do*
e*tudos c*íti*os sobre e**no*i* política, d*s*ela-se como
territ*rio
*****zido
po* determinações econôm*cas, políticas, sociais e ambientais qu* *e
realizam **n*untame*te. Essa a*ti*ula*ã* *ão
cor*e*ponde a**nas a uma op*ão expositiva,
mas à pr*pria forma ** ap*e*nde* uma fronteira em q*e a expans*o agr*exportador* *epende
da aç*o estatal, re*efine o tra*alh*, ap*o*ri*-se da natureza e **t*nsifica confl*t** por ter*a e
di*eit*s.
A esco*ha do **m* permite ob**rvar a **uação estatal na con*ução da *cu*ulação
ca*italista e na pr*dução de po*íticas
seto*i*is. *nge*s (2002) re*orda *ue o Estado em**g*
*traves*ado por antagonis*os soc*ais *elo impera*ivo e
d* p*op**edad* privada, enquanto
Car*oy (1*88) demonstra q*e *s co*cepç**s de Estado *ondic**nam a **rma como *s
*ol*t*cas públicas são ope*acionalizadas e **t*rpre*ad*s. Po*la*tzas (1985), po* su* ve*,
ofere*e um* **terpret*ção essenc*al a* compreender o Estado como a materialização de *ma
re*ação de forças entre classes * frações de classe. Ess* formulação impede ta*to a leit*ra do
Estado como s*je**o neutr* q*anto a
*ua redu*ão a
inst*um*n*o *medi*tamente *oma*d*do
po* uma única fração *o capital. A aut*nomi* *elat**a *iz r**peito à *a*acidad* de organizar,
no i*te*ior *e c*ntra*iç*es
e
disputas, a unidade política
*o bl**o *o
poder as condi*õ*s e
gerais ** reprodução
capi*alista. Atra*és dessas lente*, *rogram*s a*r*cola*, incent*vo*
f*scais, r*dovias, linhas de
c*édito e
**anos te**itor*ais
passam * s*r lidos c*mo formas
i*stitucio*ai* de reorga*ização t*rrit*r*a* que favo*ecem fraçõ*s
esp*cíficas do capital, sem
elimin*r conflitos, *on*ess*es e *esistênc*as no i*teri*r do próprio Estado.
Visões mais rec*n*es sobre o MAT*PIBA confirmam a *onven**ncia *essa leitura.
Sa*tos (*018) re**ita a ideia de uma f*ont*ira agr**ola complet*mente
nova,
*referindo
int*r*retá-la
como *m
re*r**namento *eográfico do agro*egócio dos *spaç*s p*odu*ivos e
antes e*ist**tes *os Cerrados, em r*forço à *inâm*ca cap*t**ista. Jesus e Fabrini (2017),
ao
abordarem os Ce*rados pia*ienses,
d*mons*ram que a m*d*rni*ade técni*a convi*e c*m
a
ba**ári* social, a con*entr*çã* *undiá*i*, os
confli*os *o campo e a superexploração do
trabalho. Ribei** (2*24)
acresc*n*a que *xpansão da commodi*y a
soja opera *or me*o
*a
Re*. *S*, Teresina PI, v. 23, *. *, ar*. 8, p. 141-158, **t. *02*
w*w4.Unifs*net.*o*.br/r*vist*
B. G. Olive*ra, A. K. L. *ezerra
144
grilagem,
d* uso intensivo *e agrotó*icos e da prod*ção de um c*nsenso e* torno d*
*esenvolviment*, no c*minho de um *rocesso de finan*eirização d*
terra. **uza e Silva
(2019) reposicionam o problema para o plano da **pend*nci*, uma *ez
que a formação
de
regiões a*rícol*s competitivas reforça a
posição su*ord*na*a do *ras*l na divi*ão
internaciona* *o tra***ho. Barr*s (2018) situa o **ro*egócio como *rojeto da bu*guesia
agrária * terreno perman*nte da luta *e cla*ses, enquanto S*lva e Araú*o (20*5) demonstra*
que a destr*ição ambiental
*eve ser a*ree*dida no interior das
*ontrad*çõ** do *apital*sm*
dependente e *e su*s repercussões sob** a questão social.
Ess* pr*blemática insere o MATO*IBA no *ampo de p*eo*upações do Ser*iç* Social
não por uma aproximação t*mátic* ext*r*a, mas **rque o *e*ri*ório torna v**íveis mediações
cons*it*tivas da questão soci*l: * concentração da prop**e*a*e, a explor**ão da f*rça de
trabalh*, a d*sputa pe*o fundo púb*ico, a *egradação das condições de reprodução social e
a
organ*za*ão de *ujeit*s *oletivo*. A p*rspectiva de tota*idade d**endida pela ABEP*S (*022)
ex*ge que
essas
d*terminaçõ*s seja* tratada* em suas conexões e *ue a* l*ta* por terra,
tr*b*lho, água, *aúde e proteção socia* sejam compreendidas pa*ti* das *
re*ações que
a*
produzem, *em di*solver as particular*dad*s de cada sujeito.
Em*rg*, portanto, *ma *acuna analítica que este a*tigo b*sca enfrentar, pois, embora a
litera*ura descreva e*s*s e*ementos, ainda é p*ec*so articu*á-l*s
em
uma rede ca*az
de
**p**citar como o MATOPIBA expre*sa as raízes do
n*vo imperialismo. A questão que
o*ie*ta este t*abalho é: por quais mecanismos o a*ronegó*io p*aticad* *o MA*OPIBA
ma*e*ializa *el*çõe* do novo imp*rialis*o? * ob*eti*o geral
é mapear e*sas raízes,
cons*ruindo uma rede de relaçõe* e*tre *ategor*as t*óric*s e mecan*smos emp*r*cos. O núcleo
teórico articula Lê*in (*0*2), Ha*vey
(2014), Chesna*s (2005), Poulan*za* (1*85), *ari*i
(20**), Be*ring (2021) * Sal*ador (2010), em diálog* com autores que investi**m a região,
*e modo a demons*rar ***o
o desen*ol*imento subordinad* à
lógic* agroexpor*ado*a
co*ve*te polí*icas *úblicas fundo púb*ico em condições de f*nancei*izaçã*, dependência e
e
espol*ação.
2 PROCEDIMENTOS METODO*ÓGICOS
A p*squisa adota revi*ão narrativa, *om a*ord*gem *ualitativ* * interpretati*a. Mais
do que inventaria* mecanicam**te o* estudos *isponívei*, o p*ocedim*nto foi *obilizado para
tens*onar categoria* cláss*c** da *rít*ca da **onomia
política *ian** da historiografia e dos
dados recent*s sobre a expansão d* fronteira a*rícola no P*auí, Maranhão, *o*antins e B*hia.
R**. FSA, Te*e*ina, v. 2*, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. 2026 *w*4.****sane*.com.br/revista
Rede* de Medi*çã* do novo Imperialis*o no M*T*PIBA: Estado, Financeiriz*çã* da Terra * Ac**ula*ão
145
Rother (2007) obser*a que *s *evisões narrativas p*rmite* a dis*ussão de tem*s *mp**s e
a
f*rmu*ação de interpretações, enquanto Gree*, John*on e Adams (200*) desta*am a sua
utilid**e p*ra integrar li*eraturas que nã* necessariamente comparti*ham o* *esmos métodos
e/ou objetos.
O d*á*ogo *iblio*ráfico reuniu referênc*as proven*entes da tradição m**xiana e da
e*onomia política crítica, como Engels (*002), Lênin (2012), Carnoy (1988), *oulantzas
(1985), Mandel (1*82), Harvey (2014), Chesnai* (2005), B*hring (2021), Sa*v*d**
(*010)
*
Mar*ni (2000), e *studos específicos
sobre o MATOPIBA, os Cerrados * a q*estão agrária,
especia*me*te Santos (2015;
2018), Jesus e Fa**ini (201*), ***r*s (2018), *o*za e *ilva
(2019), Sou** (2018), Blan*o et al. (2*21), Rufo * Ar*újo Sobrinho (2*23), Ribeiro (2024) e
Silva e *raújo (*02*). O critério centr*l não foi * e*austi*idade, mas a capa*idade desses
trabalhos
de iluminar a* medi*ções *ntre E*tad*, capital fin*nceiro, f*nd*
público,
dependênci*, trabalho, natureza e luta* soc**is no territ*rio.
* anál*se *o* o*gan*z*da em quatro e*xos temático*: *roduç*o es**tal da
front*ira
agríc*la do MATOPIBA; f*nancei*izaçã* da terra e controle corpora*i** na região; *onstr*ção
do "co*sens* d* commodity"; e expressões da es*ol***ão sobre trabalho, na*ureza
e
comunidades. *s*es eixos *ão fora* trata*o*
*om* compart*mentos *stanques, mas *omo
m***ntos de *ma mesma totalidad*, relacio*ados por mecani*mos de
*r**ução,
circulação,
*egiti*a*ão e conflito. O Q*adro 1 s*ntetiza o *ercurso metodoló*ico efetivamente realizad*.
Quadro 1 - Organização metod*lógica da revis*o narra*iva
Eta*a
De*imitação do ob*eto
R*f*rencial *eórico
Leitura temát*c*
Critér*o/ foc* ad*tado
Foco no MATO*IBA como
fronteira *gríco*a e polít*ca
*erritorial
Seleção de *utores d* trad*ç*o
marxia*a e da e*ono*ia política
crítica
Bu*c* de *ecanismo* do no*o
impe*ialismo no MATOPIBA
Mate*ia*s analisado*
E*tudo* sobre C*rr*dos,
*ATOPIBA, agronegóc*o,
questão agrária * questão
ambie*tal
Engels (2002), L*nin (2012),
Poula*t*as (1985), Harvey
(2*14), Chesnais (*005), *arini
(2000), *ehri** (2021) e
Salvador (2010), entr* outros
Pro*ramas, **édit*, logística,
emp*esas, conflito*, trabalho,
natureza e lutas sociai*
Rev. FSA, Teresin* PI, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. 2026
www4.Unifsanet.**m.br/**vista
B. G. Oliveira, A. K. L. B*ze**a
Eta*a
Síntese autoral
Critério/ foco adotado
Construção de rede de relaç*es
*n*re a*tores e mecani*m*s
empíric*s
Fo*te: elaboração própria (2026).
146
Ma*eriais analisados
Quadros, fi*ura e d*á*o*o
interpre*at*vo
3 RESULTADOS E DI*CUSSÃO
3.1 Pr**ução est*t*l da fronte*ra ag**cola do MATOPIBA
O pr*m*iro achado da revisão é
qu* a fr*nteira agrícola do MATOPI*A não *merge
e*pontan*amente, pois ela é
produzida
por decisões políticas e rearranjos inst*tucionais que
torn*m deter*in*das te*r** ap*as c*rculação e expansão do à
capital. J*sus e *abrini (201*)
dem*ns*r*m que a modernização agrícol* gan*o* im*ulso ** Br*sil a partir d* fina*
*a
décad* de 1960, m*di*nte a e*pansão das monocultur*s **ltadas à exporta*ão, o *so intenso
*e máquinas,
fertilizante* e s*me*tes
geneticamente mod*ficadas, a*ém da
vincu*ação
da
agricultura aos setore* indu*triai* e fi*anceiros. A ex**nsão par* os C*rrados, portan*o,
não
pode ser co*preendida
co*o a mera *escober** de uma voc*ção agrícola do
terr*tóri*, ma*
c*mo o r*su*tado de uma políti*a prolo**ada d* conver**o territorial, o *ue *esl*ca * ques*ão
a*rár*a do plano *écn*co-produtivo p*ra o *erreno das rel*çõ*s de classe, da aç*o estatal * da
produção d*s *esigualdades *ue conformam a ques*ão soc*al.
Nesse contex*o, alguns mecanismos **pírico* pode* *er destaca*os. Je*us e *abrin*
(2017) menci*nam * POL*CENTRO, criado em 197*; o *ROD*CER, **icia*o n* déc*da de
1970 e *ost*riorm**te amp*iado; e os rec*rsos
d*stin*d** à
EMBRAPA para
o
d***nvol*imento de **cnicas de c*rreção dos solos e d* adapt*çã* d* produç*o **s Cerrado*.
Santos (20*8) aprofund*
essa análise
ao demonstrar q*e o PRO*ECER,
em su* *egund*
et*pa, iniciada em 1985, *ncor*orou
*reas como o oe*te *a Bahia, Tocantins * Maranhão,
estabel**endo princípios té*nicos e
i*stitu*ionais qu* posteriorment* orientaram a ex**nsão
regional. *anto* (2**5), ao *o*p**ar a *ahi* * * Piauí, acrescent*
o
papel do Programa
Corr**or de Exportaçã* Norte, do Fund* Constitu*ional d* Financiame*to do Nordeste e dos
incen*ivos fiscais **taduais na atração de e*preendedores internaci*nai* * do sul d* Brasil
para os Cerra*os.
Quando tais exemplos *ão aproximados *e Po*lantza* (1985), o Estado em*r** como
conden*ação institucional d* relações de força que reorganiza o território e s*l*ciona
priorida*es sociais. Cr**i*o s*bsid**do, pesquisa agrícola *
co*strução de infraestrutur*s,
esp*cialmente
r*dovias, *ã* distribuem capacidades de ma*ei*a neutra: redu*em *i*cos para
R*v. FSA, Teresin*, *. 23, n. 9, a**. 8, *. 141-158, set. 20*6
www4.Unifsanet.com.br/re*i*ta
R*des de **diação do novo Imperialismo no *ATO*IBA: Es*ado, F*nance**i*ação da Terra e Acumulação
147
grupos e*p*esariais, *celer*m * mercant*l*zação da t*rra e amplia* a integra*ão region*l ao
mercado mundial. E*sa s****ão não si*nifica, contu*o, qu* o E*tado se curve de modo l*near
a** interesses de tradings, fund*s ou empresas internacio**is. A sua *utonom**
r*l*tiva
decorre *recisam*nte da *u*çã*
d* organiz**
a
unidade polít*ca *o bloco
n* poder em uma
formação atrave*sad* por co*t*ad*ções de classe. O E*t*do pode inc*rporar deman**s
subal*ernas, re***ar capitais p*r**cul**es e *roduzir concess*es, *as o faz no in*erior de uma
ma*erialidade instituciona* *ue pres*r*a as *on*ições gerais de reprodução d* capital. Mandel
(1982) ajuda a comp*e*nder esse *ovimento a* explicitar qu*, no capitali**o tardio, o Estad*
amplia as suas fu*çõ*s par* sustentar, de maneira mais est*u*urada, essas condições.
A instituciona*izaçã* do MATOPIBA, a p*r**r de 2015, refor*a e*sa din**i*a. Ribeiro
(*024) regi*tra que a re*ião abr**ge 3*7 *unicípios,
31 *icr*rr*giões
geográficas
*
*proximadamente 7* milhões de hecta*es. Jesus Fabr*ni (2017) *ss*ciam essa de*imit*ção e
ao Decreto n* 8.4*7/2015,
que instituiu o Plano d* Desenv*lvimento Agropecuário
do
MATOPIBA e
um comit* ge*to*
voltado à infraestrutura, à logística à exp*nsão agríc*la. e
Ao a**lisar esse processo como
r*or*enamento
do te*r*tóri* at*avés
do ag*onegóc*o, Santos
(2018) *e*onstra qu* * polí*ica públic* não apenas *c*mpanh* a fr*nteira, mas efeti*amente
a no*eia, organiz* e le*itima, de modo que a categoria território *ass*
a
expressar
um a
relação de poder produzida p*la ação es*a*al perma*e*temente *ensionada pe*os conflit** e
sociai* q*e ela *eorganiza.
3.2 *inanceiriza*ão da ter*a e controle corporativo no *ATOPIBA
Verifica-*e, ai*da, *ue a terra, no MATOPIB*, não ope*a a*en*s c*mo base física da
produção ag*í*ol*, pois ela * convertida em ativo fi*anc*iro, *a*antia de empr*st*mos, rese*va
de va**r e expec*a*iva de renda *utura (Ribeiro, 2024). Ch**nais (2005) of*rece a chave pa*a
comp*een*er esse fenômeno ao discut*r * mundi*liz*ção financeir*, na q*al a valoriza*ão dos
**pit*i* ** auto*omi*a *elat*vamente da produç*o imed*ata e passa a buscar novos espaços
para trans*orma* at*vos em oportuni*ades de *cumula*ão. N*s C*rrados, essa lógica c*mbina
*erras extensas, preços historicamente *ais baixos, vulnerabilidades f*ndiá**as e apoio estatal,
enquanto a ap*rência produtiva do agronegócio oculta uma articu*ação entre fin*nça,
pr*pri*dade **nd*ári*, *olítica* públicas * condições de reprodução social, pois a valorização
patri*onial da terr* *epen*e tanto da infr*estrutura estatal quanto da frag*lidad* *os direito*
terr*toria**.
Rev. F*A, Teresina PI, v. 23, n. 9, *rt. 8, p. 141-158, s*t. 2026
www4.Unifsanet.com.br/re***ta
B. G. Olivei**, A. K. L. Bezerra
148
Ribeiro (20*4) *onfer* maior de*si*ade empírica ao fenômen* ao examinar a
financeirização
da *erra ness* locu*. * autor identifi*a a presença de empresas como Rad*r
Propried*des Agrícolas, vinc*lada à Cosan e a f*nd** da TIAA, Brasil*gro, SLC Agrícola,
Bung* e Inso*o Agr*indus*rial, além da atuação de i*o*iliárias agrícolas e *e outros
mecanismos de valori*aç*o fundiária. *esse ca*po, a terra é
comprada,
*it**arizada,
a*re*dada, secur*tizad*, revendida e incorporada a *s*ra*égias *ue *ão dependem *iretamente
da col**ita. *a*vey (2014) au*ili* a interpret*r esse processo
como a*umu*ação por
espo*iação, *m* vez que a incorporaçã* de b*ns comuns ao circuito do
capit*l exi*e
p*ivatiza*ão, deslocam*nto de direito*, nã* rar*mente de co*un*d*des v*lneráveis, e
a
criação de novo* me*cad*s.
A an*l*se de Sa*tos (2015) dia*oga com Ri*eiro (202*) a* destacar q** os Cerrados da
*ahia e do Piauí fora* integrado* a fl**os
controlados por corpo*ações mu**inaciona*s
*in*uladas *o *gro*egócio. Santos (2*18) explicita que MATOPIBA se tornou um *os o
*rincipais alvos de cob*** do a*rone*ócio globaliza*o, *ar*ado por processos associativos do
capital fi*a*ceiro em busca de lucro, sob p*trocínio da*
açõe* est*tais. O diálogo entre
os
au*ores d*nota *ue finan*eiriz*ção não sub*tit** a pro*ução ag*í*ol*, m*s a reo*gani*a. A a
s*ja continua sendo plan**da, col*i*a e exportada; *ontudo, o *ontrole da t*rra e da cir*ulação
passa a obedecer a u*a racio*ali*ade fina*ceiri*ad*.
Lênin (201*) é importante ne*se ponto porque a sua t*oria *o imper*alismo enfatiz* a
concentração monopoli*ta, a fus** entr* o ca*ital bancário e o **dustrial, a exportação de
capit*is e a p*r*ilha econômica
do mundo **la burguesia. *
MATOPIBA não reproduz
mecanicamente o cen*rio do iníc** do
século XX, co*tu** atualiza a quest*o
leninista ao
*x*or *
co**en*raçã* do c*ntr*le nas c*deia* *lobais de *n*um*s, financiamen*o,
a*maz*namento e com*rcialização. A contribui*ão de Harvey (*014) co*siste em dem*n*trar
qu* a coerção territo*i*l e a lógica da financ*i*ização *ermanece* centrais *o imp**ial*sm*
con*e**orâneo. A fronteir*
agrícola, portant*, não é uma peri*eria at*asada da ac**ulação,
mas um avançado lab*rató*io de *aptur* da te*ra e da natureza em p*o* do capital, ra**o pela
qual * fi*anceirizaçã* des*r*ta n**te sub*tem somente se completa quando r*lacionada
à
a*ropri*ç*o *o fundo público, * exp**ra*ão do trabalho e aos conflitos te*ritoriais exami*ados
a seguir.
3.3 **nstru*ão do "consen*o d* commodity"
A te*ceir* frente *e discussões se d*br*ça sobre a prod*ção d* *egi*imidade*. O
agroneg*cio n** ava*ça apenas por me*o da economia, m** também atr*vés de narrativas.
Rev. FSA, Tere*ina, v. 2*, n. 9, *rt. 8, p. *41-158, set. 2*26 w*w4.Unifsane*.com.br/revis*a
Redes de Mediaçã* do novo I*peria*is** no MATOPIBA: Esta*o, F**ance*rização da Ter** e Acumulação
*49
Ribeiro (2024), em diá*ogo co* Svampa (2*13), interpre*a a soja a
p*rtir da ch*ve
do
"consen*o da c*mm*dity", *xpress*o qu*
*esi*n* a n*turaliza*ão d*s exportaçõe*
primárias
como o único caminho para o des*nvol*imento. No sul do Piauí, segundo *ibe*** (2024), as
prome*sas de crescimento do PIB, geração de empregos, modernização * integração
*ompe*itiv* c*nv*vem, em realida*e, com desma*ament*, *ueima*as, con*amin*ção da água e
do solo, grilag*m e am*aças
às c**unidades rurais, indí*enas * quilombol*s, a*ém
de
pequenos produt*res.
Esse pont* per*ite d*álogo direto entr* R*beiro (2024), Behring (20*1) e Sa*vador
(2010). O *undo público **o constitui simples rubri** orç*mentária: e*e co*centra p*rcela do
va*or socialment* p*oduzid* e é *travessado pe*a di*pu*a *nt*e o financi*mento da r*pr*duç*o
da fo*ça *e *rabalho o atendimento às condições g*ra** de a*u*ulação. No MATOPI*A, e
crédit* subsid*ado, incentivos fiscais, pesquisa pública e i*fraestrutura logí*tica socializam
c*stos e risc*s *o
co*p*exo agroexport**or. A*si*, o co*senso da comm*dit*
ganha
m**eriali**d* quando recursos que poderiam ampliar saúde, previdê**ia, assistê*cia s*cial
e
d*mais direitos *ão direci*na*os à **mpetiti*idade pr**ada. Trata-se de uma punção do f*ndo
público que co*verte parte do traba*ho s*c*al em sup*rte à valorização do grande ca**t*l, ao
me*mo te**o em que na*ural*za esse desloca***to *omo int*re*se ger*l.
Souza e Silva (*019), p** sua vez, d*slocam essa di*cus**o pa*a * teo*ia
da
dependência, ao argumentare* que * ex*an*ão do
ag**n**ó*io globalizado n* MATOPIBA
reafir*a * **s*ç*o subor*inada d* Brasil na divisão i*ternacional *o t*abalho. Sob essa ótica,
a região fu*ciona como espaço es*ecializado na p*o*uç*o de commodit*es agrícolas volt*das
ao merca*o exte*no, o que
ap**funda a sua vul*e*abil*dad* diante do c**i*al. Marini
(20*0)
torna ess* int*r*re*ação mais **uda ao d*monstra*
qu* a dependênci* não deco*re
d * um
s*mples at*aso, mas de um sistema espe*ífico de
in*egração ao ca*it*lismo m*ndial,
sustent*do pel* trans*er*nc*a de va*or e pela **perexpl*ração da for*a
de trabalho. A
competit*vi*ade da so*a bras*leira * do M*TOPIBA, vi*ta s*b esse pris*a, re*ulta *ã* ape*a*
*a m*dern*z**ão t*cnica, mas ** te*ras mais baratas, dir*i*os mais f**geis, s*bsídi** públicos
significa*ivos e cust*s socioamb*entais transfe*ido* * sociedade.
Blanco et al. (2021) reforça* a a**lise dessa dinâ*ica ao *aracter*zarem o
MATO*IBA como a última frontei** a*rícola do *rasil em meio * intensificaç*o de co*flitos
sociais, ambi*ntais e *c*nôm*cos. Barros (2018), ao situa* o ag*oneg*cio como *roje*o
da
*urgu*sia agrária, demo*stra que a hege*onia *o setor se pro*u* em u* campo perman*nt*
de luta de class*s. O con**n**, portanto, não signi*ica ausência de co*flit*, mas a *entativa de
universal*zar i*teresses particulare* e de desqualific*r *s resistên*ias
*u e
os c*nfr*ntam. O
Re*. FSA, Teres*na PI, v. 23, n. 9, art. 8, p. 1*1-158, set. 2026
www4.Unifs*net.c*m.br/revista
B. G. Ol*veira, A. K. L. Bezerra
15*
diálogo ent*e *arros (2*18), So*za e Silv* (2019) e *ibeiro (2024) p*rmite c*mpreend*r
o
consenso da com*odit* como m*diação ideológi*a da
dependênc** no MATOPIBA: ele
ap*esenta a
exportação
pr*mári* com* vocação nacional, ao tempo em que oculta
a
subordinação do Brasil n* mundo e * apropri*ç*o classista do fundo púb*ic*.
3.4 Trab*lho, nat*reza e *o*unidad** como zonas de *spoliaçã*
O* achados *emonstram tam*ém que o agronegócio de**oc* os *eus custos par*
*rabalhadores, *omunid*des, *aturez* e Estado. Rufo e Araújo Sob*inh* (2023), *o *nali*a*em
* mercado
de trab*lho nos Cerrados piauien**s,
i*entifica* preca*iza*ão, seletivida*e
e
int*gração *esi*ual d* população à *in*mica prod*ti*a. Embora * expansã* do agr*neg*cio
tenha am*lia*o pos*o* formais e informais, os citados *utores observam que o* tra*alhadores
pia*ienses tendem a ocupar fun*õe* menos
especializada*, enquanto os postos *e maior
qualifica*ã* remuneração *ão *reenchidos p*r t*abalhadores *e *ut*as r*g**es. * supost* e
mod*rnização técnica do agronegó*io, *ortanto, n*o p*oduz inclusão homo***e*, *ois
d*f*rencia * se*ecion*, e ess*s desigualda**s l*bo**is
*ão
podem ser a*arta*as *os con*litos
fundiários, da *egradaçã*
ambiental
e da* restrições aos di*eitos so*iai*, uma *ez que
constituem expressões articul*das da questão social (SILVA; ARAÚ*O, 202*).
R*fo e Araújo S*brinho (*023) re*istr*m que, entre **12 e 2020, foram identi*icados
nove co*flitos e*volvendo trabalho *scravo
nessa região piauien*e, com 170
*r*b*lhadores
c*tad*s em d*núncias
e po*teriorme*t* resgatados
por
op*rações de fis*aliza*ão. Essas
ocorrê*cias a*ar*c*ra* em m**i**pios como Barre*ras do Piauí, Bom *esus, Mo*te Alegr* d*
*iauí, Baixa Grande do Ribe*ro Alvorada e
do Gurguei*, vincu*ad*s a fazendas e atividades
relacionadas à soja, ao milho, ao a*r*z, à pecuár*a e à *ber*ura de *r*as. *idos à l*z de Marini
(2000) e Souza (2*18), e*ses c**os exigem u*a dis*inç*o: tr*balho escravo *ontemporâneo
não é *i*ônimo de superexploração, e*bora possa c*nstitui* u** de sua*
expr*ssões
extremas. A su*erex**oração d***gna um mecan*smo *strutural
d* capitalismo
depen*ente,
pelo qual a força de t*abalho é remunerad* a*aixo de seu valor, submeti*a à intensifica*ão ou
* amp*iação d* jornada
para co*pensar a transferência
de **l*r *o *xterior. No c*mpo,
p***anto, *la não co*stitui *traso *ré-ca*ital*s*a, ma* eng*enagem articulada a tecnologias
m**ernas e cadeias globais, c**az de sustentar a rentabilidade e a competitividade do
agr*n*góc*o financeirizado.
Jesus e Fabr*ni (2017), por s*u tur*o, anal*sa* *spolia*ão a
terr*tor*al a *artir dos
c*so* de Baixa Grand* *o Ribeiro, Bom Je*us e Uruçuí. Os autores demonstra* que o avan*o
dos grandes empreend*ment*s ** *poia em crédito púb*ico, gril*gem e vio*ência con*ra
*s
Rev. FSA, *eres*na, v. 23, n. 9, art. 8, p. 1*1-158, set. 2026 www4.Unifs*net.co*.br/revi*ta
*ed*s de Me*iaçã* do nov* Imperialismo no *ATOPIBA: Es*a*o, Financeirização ** Terra e Acumulação
151
povos dos Cerr**os. T*mbém desta*am * *cupação das c*apadas * * pressão sobre veredas,
mat*s * *acias hid*ográfica*. Esse mecan*s*o apoia a leitura de Harvey (2014),
poi s
a
a*umulação
por
espoliação *ão en*olve
ape*** as te*ras formalmente apropriada*, mas
ta*bém os caminhos, modos de vida e forma* comunitárias de uso d* territó**o.
Ribeiro (2024) aprof*nda essa an*li*e
ao associar o monocultivo da soja ao
u* o
**tenso de *grotóx*c**. Em s*a leitura, o *onse*so ameaça a
reprodução socia* de
comun*da**s t*adici*nais e transforma os conflit*s socioamb**nt*is em cus*os invisibili*ados
p*la *groexpor*a*ão. Silva e *r*ú*o (2025) perm*tem compreender que a d**tru*ção ambiental
integra a* co*tradições ** p*odu**o * repr*duç*o soci*l, *tingindo simultaneam*nte saúde,
t*aba*h*, água, alim*ntaç*o e modos de
v*da, enquan*o Jesus e Fab*in* (2017, p. 94), ao
utilizarem a exp*essão "ba**árie e moderni*a*e", captam a convivência *ntre pro**tividade e
conf*itos. Essas populações, contudo, não *parecem a*enas c**o vítima*, pois tr*balh*d**es
rurais, campon*ses, p*vos *ndí*enas, comuni*a*e* quilombolas e trad*ciona** c*nstituem
sujeitos de lutas por
terra, trabalho, saúd*, água e natu*eza, *ujas pautas não *e *orn**
un*t*rias p*r mera aproximação políti*a, mas porque enfrentam, em posiç*es
dis*intas, os
m*s**s *ec*n*s*os que concentram a terr*, *epr*ciam a *orça de t*abalho, apr*priam-s* dos
be*s comuns deslo*am recursos públicos par* a acumul*ção pr*vada. É e
nesse sent*do
material, e *ão com* j*stapo*içã* **strata de agen*as, que a unid*de das luta* emancipatórias
pod* ser comp*eendida (*BEPSS, 2022).
3.5 Rede *nalítico-interpretati*a da* relações
A re*isão *arrativa *ea*iz*da *ermite afirmar que as raíze* do novo *mperialis*o no
MATO*IBA podem se* representa*as por meio de uma rede d* mediações, ente*dida *ão
como som* de fatores is*lados, *as co*o
expressã* *e uma t*talidade c*ntradit*ri*. *
Estado *ria cond*ções mate*iais e normativ**, enquanto o capital f**anceiro transforma a terra
em at*vo. Tr*dings e *undos co*trolam *ta**s da ci*culação do ca*i*al, *o p**so que o fundo
público *oc*aliza ri*cos e
cus*os da expa*são. A comm*dity
da s oj a
organiza um consenso
ideológ*co em tor** desses processos. *o f*nal, trabal*adores, c*munida*es e n*tureza
suporta*
os c**tos
d* esp*li*ção i**rínseca à competitiv**ade regional e produze*
resistên*ias
q** tens*onam a o**em t*rritorial. A Figura 1 repre**nta essa articul*ção *omo
*apa *nalítico, no qual autores e mecanism*s aparecem **nectados po* relaç**s d* pr***ção,
coerçã*, leg*timação, conflito e *p*opriação no MATOPIB*.
*ev. F*A, Ter**ina PI, *. 23, n. 9, ar*. 8, *. 141-158, set. 2026
www4.Unifsa**t.co*.br/revista
B. G. Oliveira, A. K. L. Bezerra
**2
F*gu*a 1 - Red* de re*a*õe*: *aízes do n*vo *mpe*ialis*o n* agronegó*i* do
MAT*PIBA
*onte: elaboraç** própria (2*26).
Quadro 2 - *utores, cat*gorias, mecan*smos e e*emplos mobili*ad*s.
Ex*mplos no
Autores
Categ*ria mobiliz**a Mecanismo ob***vado
Organização d*s
MATOPI*A
Crédito, pesq**sa,
Poulan*z*s (*9*5);
Mande* (1*82); Carn*y
(*988); Be*ring (*021);
Salvador (2010)
*êni* (*012); Ha*vey
(2014); Ches*ais
(2005)
Santos (2015; 2018);
Jesu* e Fabrini (2017);
Estado, po*ít*cas
públicas e fundo
*úblico
I**eria**smo,
financei*ização e
e*pol*ação
Fr*nteira, confl*to e
*ondi**e* de
acumu*açã* e dis*uta
pelo valor *ocialmente
produzido
Conce*tra*ão,
fi*anceir*zação,
apropria*ão territ*rial e
*aptura de r*nda
Reorde**me*t*
terr*torial, gr*l*gem,
*stra*as, plano*
t*rrito*iai*, FNE,
PRODECER e
incenti*os fisca*s
Tradings, fundos,
R*dar, Brasi*A*ro, SLC
Agrícola, B**ge e
*alo*ização fun*iár*a
Baix* Grande do
Ribeir*, Bom Jesus,
Uruçuí, chapadas,
Barros (2018); *ibeiro consenso da commodity hdoedmsenniv,olle*miem*aoçãeo
*eredas, agrot*xi*os e
(2024)
Marini (200*); Souza
(*018); Souza e Silva
(2019); R**o e Ar*újo
Sobrinho (20*3)
Dependência *
s*perexp*oração
conflitos
*ubo*dinação ao
mercad* mundia*,
transferência de valor e
precariz*ção seletiva **
*rabalho
c*mun*dades
ameaç*das
Regiões agrícol*s
**mpetit*vas, tr**alho
esc*avo e inse*ção d*
*ão d* obra loca* em
**stos menos
ABEPSS (202*);
Barr*s (2018); Silva e
Araújo (2*25)
Quest*o socia*,
tot*lidade e sujeitos
co**ti*os
Articulação entre
exploração,
expropriação, políticas
socia*s e resistênci*
especializados
Confl*tos e lutas *or
terra, trabal*o, ág*a,
s*úde, direito* e modos
de vida
Fonte: elaboração própria (2026).
R*v. FSA, Teresina, v. 23, n. 9, art. 8, p. 141-158, s**. 2026 www4.Unif**net.**m.b*/revist*
Redes de Mediaçã* do *ovo I**er*alismo no M*TOPIBA: E**ado, F*nan*e*r*zaç*o d* Terra * Ac*m*lação
*53
A Figura 1 e o Quadro 2 não descre*em uma cadei* linear *em uma conve*gência se*
fissuras, mas uma totalidade *on*raditória, na q*al a* med*a*õe* *e condic*on*m sem perd*r a
sua e*pecific*dade: o Estado,
*ompreen*ido
com P*u*antzas (1985) c*mo condensação
*ateri** de uma rela*ão de fo*ças, não se reduz a executor *a*s*vo das t*adings ou *o capital
financei**, um* vez qu* a s*a *utonomia relati*a l*e perm**e org*ni*ar inte*esses confl*tan**s
das frações do bl*co
no poder e a*rese*tá-l** sob a forma
u*iversal *o *es*nvolvim*nt*
r*gional, *o mesmo t*mpo
em q*e in*orpora *emandas subalternas e regula cap*tai*
particula*es se* ro*p*r com as *o*di*ões g*rais d* reprodução capitalista. Nesse movimento,
crédito, pesquisa, *l*nejam*nto
terr*torial e inf*aestrut*ra deixam de figurar
como
inst**mentos *eutros, *ois reduze* **s*os priv*dos, acelera* a circ*lação das comm*dities e
e*evam a renda fundiári*, enquanto * f*ndo público, entendido
co* Behring (20*1)
e
Sa*vador (2010) como parcela d* valo* soc*al*ente produzido e objeto da luta de classes,
*ocializ*
*s c*stos da expansão *groex*ortadora e *ompri*e *s possibilidades d*
fina*ciament* dos d*rei*os sociais.
A fi**nce*ri*açã* da ter*a, por *ua *ez, n*o con*titui uma etapa separ**a da produção
agrícol*, mas um* raci*nalidade q** a reorga*iza *o* * prim*zia da ren*a * d* *alori*ação
**tri*oni*l,
articulando a m*ndializa*ão fina*c*ira
de C*esn*is (2005) à *c*mulação por
**poliação *e *ar*ey (2*14), pois a conversão da terra e*
a*iv* de*ende t*nto
da
in*rae*trutura
que ampl*a sua ren*abilida*e
quanto da fr*gili*aç*o de direitos ter*itoriais,
da
aprop**açã*
de bens comuns e do
deslocam*nt* *e for*as coletivas de reproduç*o so**al.
Grilagem, conta*inação, desmatam*nto
e
violênci* deixam, nes*a
chav*, de apa**cer
como
e*eitos acidenta*s
de *m modelo
p*odu**vo e**ciente e passam a s*r
compr*end*dos
como
*ondiç*e* histor****ente produzid*s de sua v*lori*a*ão, enqu**to a su*erexplo*ação, na
acepção de Marini (2000), atravessa o *ircuit* com* me**n*smo da dependência, *o*binando
produtividade técnica avançada, violação
do valor da força de *raba*h* e
*ransfe**n*ia
de
cus*os *oc*a*s * ambientai* para
trabalhadores, comunidades e natureza, sem q*e
cada
o*o*rência de precarização *u trabalho es*rav* *o*temporâne* sej* tomada isola**ment*
c*mo sinônimo da ca**g*r*a.
O ga*ho analítico da re*e resi*e, portanto, em *emo*strar qu* exprop*iação terr*torial,
*recariz*ção do trabalho, degradação am*ient*l e restrição *e **reito* sociais não form*m
uma coleção *e efeitos laterais, mas mo*ent*s diferenciados *o me*mo *rocesso *e produção
e apr*priação d*
va*or. É *esse
pont* qu* o o*jeto se vincula de mane*ra s*bsta*tiva
à
f*r*ação em Serviço Social,
poi* as deman*as *or
re*d*, saúde, trabalho, *erra, água
*
Rev. FSA, Teresi*a PI, v. *3, n. 9, art. 8, p. 141-158, set. *026
www4.Unifs*net.com.br/re*ista
B. G. *liveira, A. K. L. Beze*ra
154
p*oteç*o social
*he*am às *olíticas e in***tuições de f*rma fr*gmenta*a, embora se*am
produzidas por re*açõe* comu** entre Est*do, ca*ital e território; apree*dê-l*s em persp*c*iva
de *ota*i*ad* signi*ica reconstruir *s*as mediações e rec*nhece* que unidade das lutas a
e*anc*patórias *ão res*lta de u*a soma abst*ata de pau*as, mas
das *ases materia*s que
aproximam trabalhado*es rurai*, ca*poneses, povo* indígenas, com*nidades quilombolas
e
tradicionais
no enfrent*mento a mecanismos articu*ados de exploração, expro*riação
e
captura do fundo *úblico (ABEPSS, *0*2; BARROS, 201*; S**VA; ARAÚJO, 2025).
4 CONCL*SÃO
O art*go buscou mapear *s *aíz** do novo i*per*alismo i*bricadas no agrone*ócio
pratica*o
n* MAT**IBA, *t*a*é* ** reconstitui**o de um* r*de de relações *ntre Es*ado,
f*ndo públic*, c*pi**l, *rabalho, n*tureza e c*m*n*dade*. Esse *bj*tivo g*ral foi *lcan**do
p*r meio de uma revis** n*rr**iva qualita*iv* e in**rp**tativa, que vinc*lou categori*s *eó*icas
*ni*ial*ente abstratas *os me*anism*s *m*ír*cos concret*s presentes na fronteira agr*col*. A
rede constru*da de*onstrou que a totalidade não cor*espon*e à justa*os*ção de temas, mas à
apree*sã* das mediações que ar*iculam depen*ência, financeirizaçã*, questã* a*rária, questão
ambie*tal e express*e* da qu*stão social.
Os *rincip**s ach*do* demonstr*m q*e os m*c*nis*os *statais são con*t*tu**vos dess*
*roc**so, como o POLOC*NTRO, o PR*DE**R, a EMBR*PA, o FN*, decre*os, planos
territoriais e infraestruturas logísticas. Lido* à l*z de ***lantz*s (1985),
esses mecani*m**
expr*s*a* relaçõ*s de *orça con*ensadas no interior do Es*a*o, *uj* autonomia *elativa não
elimina a **a fu*ç*o est*atég*ca na or*aniza*ão das condições gerais de *e*roduçã*
do
ca*ital. Em aná*ise *ond*zid* por Mandel (19*2), e*sa e*genharia *evela a *mp*iação das
funç*es estatais no c*pitalismo ta**io. Pela leitu*a de Santos (2015; 2018), esses fatores
deixam de aparec** como políticas neutras de d*senv*lv*mento e se *evelam como
reo*denamento g*ográfico do t*rritório conduzido pelo agr*negócio.
*lém d*sso, a financeirização *a
terra fornec* * substrat* con**mporâneo d**se
imperialismo. Em*resas como R*dar, B*asil*gro, S*C Agrícola e B*n*e, *o la*o de *undos
vincula*os ao c*pital inte*nacional, ind*cam que * controle terri*orial **trapassa as fronteiras
na**on*is. A ter*a o*upa o p*pel de ativo financei*o, tornando-se objeto
de e*pec*laçã*
e
captu*a de renda. Nesse ponto, Che*na*s (*0*5), Harvey (2014) e Ribeiro (2024) demonst*am
qu* a *undiali*ação *inanceira encontra *os Cerr*dos uma fronteira ren*i*ta, **quanto a *oja
Rev. FSA, Te*esina, v. 23, n. 9, art. 8, *. *41-158, set. 2026
www*.*n*fsanet.com.br/revista
Redes de Mediaçã* do novo Imp*rialismo no MA*OPIBA: Estado, Fi*an*eirização *a Terra e *cumul*ção
155
o*g**iza * aparência desenv*lvi*entista desse p**cesso. Essa racionalidade *ão
s *** t i t ui *
p*odução, mas subordi*a o uso *o terr*tório às expectativas de valorização financeira.
O artigo também evid**ciou que o consens* d* commodity *onstitui a cond*çã*
ide*ló*ica da expan*ão das raí*es do novo *mperialis*o no t*rritório. Ribei*o (2024)
e
Svampa (2013) demonstram como essa pe*sp*cti*a opera para invis*bil**ar g*ilagem, uso de
a*rotó*icos, desmatame*to e vi*lência contra comunida**s. Beh*ing (20*1) e Salvad*r
(201*) permit*m acrescentar que esse c**senso * materialmente sust*ntado p*la di*puta
do
*undo público, quando crédito, ince*tivos, pesquisa logíst*ca c*nali*am valor so*ialme*te e
produzido para a c*mpetitividade d* *ran** *apital, em detrimento da ampliação de *ireitos.
Ao mes*o
tempo, Sou*a e Si*va (2019), Marini (2000) * Souza (20*8) permitem
*o*pre*nder *ue a dependência p*rm*nece n* centro do problema, um* vez que * integ*aç*o
do MA*OPIBA ao mercad* m*ndial *e apoia n* trans*erência de val*r e na sup**exp*oração
da força de tra*alho. O trabalho e*cravo con**mpor*neo, nes** qua*ro, n*o é um resíd**
exteri*r à moder**zação, *as uma **pressão e*trema
das rel*ções que s*sten**m
a
rentabil*d*d* de um* fro*teira tecnicament* avançada.
É import*nte sublinhar q*e a presente análise não
nega a importância d* a*ricultura,
da
técnica
e/*u *o planejamento estatal, mas recoloca * ques*ã* *olí*i*a *un*am*nt*l: esse
desenvolvimen*o *er*e a qu*m, é
controlado por quem quem paga a cont* do* impactos e
sociais e
ambientais? Um* polític* *ública democ**tica para o *A*OPIBA e*ige maior
j*sti*a social, pro*eção dos *irei**s territor*ais fo*talecim*nto d*s s*jeit*s col*tivos que e
*roduzem **sistê*cias, e essa c*nexão *o*fere
ao debate relev*nc*a para o *erviç* Social
porqu* a *recarização do t**ba*h*, as amea*as * s*úde, a
per*a de território e
a
res*rição
da
proteç** s*cia* *ã* con*titue* proble**s externos entre si, mas f*rmas pelas qu*is
*
expansão agroexportador* incide so*re * produção e a *ep*odu*ão da vi*a. Sem u*a inversão
estrutura*, os C*rra*os cont*nuar*o a se afirm*r com* *errit*rio exe*plar d* novo
*m*erialism*, on*e a mode*nizaçã* produtiva está intimamente relaci*n*da **m * espol*ação,
a d*pendênci* e existência de poderes desiguais, em de*rimento de m*d*s *e vi*a não a
heg*mônicos.
**sim, para avançar sobre a rede an*lítica re*on*truída ne*te estudo, pesquis*s f*t*ra*
devem se deb*uç** s*bre investigaç*es empíri*as e terri*oriais mais aprofu*d*das. Suge**-se o
*xame da* micro*in*m**as de *inanceirização
da terra **s Ce*rados, rastreando
es*r*tu*as
corpor*tivas espe*í*icas, fluxos do fundo públ*co e os s*us efeitos sobre comunidades
e
nat*reza, b*m como a realização de es*u*os c*ncentrados nas *esistências
coti*ianas
de
t*abalha**res, povos e c*muni*ad*s tradicionais, *e modo a equilibrar * c*ítica
*ev. FSA, Teresina PI, v. 23, n. 9, *rt. 8, p. 141-158, *et. 2026 www4.Unif*a*e*.com.br/re**sta
B. G. Olive*ra, A. K. L. Bezerra
156
mac*oestrutural *om a* lutas p*líticas *oncretas *elo *err*t*rio. Ess* ap*ofundame*to também
per*iti*á examinar c*mo *s resist*n*ia* se articul*m na prátic*, r*velando em que medida a
de*esa da *err* e da á*ua, a proteção da saúde, o **m*ate ao trabalho escr*v* e a *is*uta pelo
fundo públi*o se *onstituem como resposta* a *ormas combinad*s *e expl*ração
e
expropriação. Ao reconstruir *ssas me*iaç*es, a produção de conhec**e**o e* Serviço Social
pode co**ribui* para *ma form*ção q*e não *ragm*nte as exp*essões da ques*ão social e que
reconheça, n*s *utas concretas dos *ujeitos, as possibil*dades e *s limi*es de *ua *nidade
e*an*i*atória.
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em:
https://nuso.org/arti*ulo/con*e*so-de-los-co*modities-y-lenguajes-de-va*o*acion-en-america-
latina/. Acesso e*: 05 j*l. 20*6.
Como R*ferenciar *ste Art*go, co**orme ABNT:
OLIVEIR*, B. G; BEZE*RA, A. K. L. Red*s de Media*ã* do **vo Impe**al*smo n* MATOPIB*:
Estado, Financeirizaç*o *a Terra * Acumulação por Esp*liação. Rev. FSA, Teresina, v. 23, n. 8, a*t.
7, *. 141-158, set. 2026.
Contribuição *os Autores
B. G. O*iveira
A. K. L. B*ze*ra
1) co*cepção e planejamento.
X
X
2) a*ális* e in*erp*etação dos d*dos.
X
X
3) elaboração do rascunho ou *a revi*ão crí*ica do c*n*eúdo.
*
X
4) participação *a ap**vaç*o da v*rsão final d* ma*usc*ito.
X
X
Rev. FSA, Tere*ina, v. 23, n. 9, art. *, p. 1*1-158, set. 202*
www*.Uni*sanet.com.br/revista
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