Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 5, art. 10, p. 186-199, *e*./ou*. 2018 ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.10 Ecos do Texto: "O Pêndulo De Fouc*u*t"; Intenci*na*idade * *iscurso Ficio**l Text Echoe*: "Foucault\s P*ndul*m"; *ntencion*lity and Fict**nal D*scourse S*ulo *unha d* S*rpa Bra*dão Doutor em Letras *ni*ersidade Feder** *ernambuc* Professor da Un*versidad* Federal do P*auí E-mail: sauloc*br*ndao@gmail.com T*iago Felí*io *arbosa P**eira Me*tr*do em Letras *e** Univers*dade Federal do P*a*í Graduaç*o em Letras p*la Universidade F*der*l do Piauí Pro*ess*r d* EAD d* UNINOVAF*PI *-m*il: thiagg*fb@g*ail.com Endere*o: Saulo Cunha de Serpa Brandão E*itor-Chefe: Dr. To*n* K*r*ey *e Ale*car **PI/CCHL/CLE/PPGEL. *v. *a Uni*ersidade S/* Rodrigu** I*inga, Teresina, Piauí. 64.0*9.550. B*a*il. Artigo **c*bid* em 29/05/2*18. Última v**são Ende*eço: Thi*go Felíci* Barb*sa Pereir* recebid* em 18/0*/2018. Apro**do em 19/06/*018. UFPI/CCHL/C*E/PP*E*. Av. da Universidade S/* I*inga, Te*esina, P**uí. 64.0*9.550. Brasil. Avaliado *elo si**ema Triple Review: Desk Re*iew a) pel* Editor-Chefe; e b) Double Bl*nd Rev*e* (avaliaçã* cega por d*is a*a*iad*res da área). Re*isão: Gramatical, Norm*tiva e de F*rma*a*ão Eco* do Texto: "O Pêndulo De *oucault"; In*en**onalid*de e Di*curso *i*iona* 187 RESUMO Este te*to t*ata da relação e*tabelecida pela *r**uç*o teórica *e Umberto Ec* e o s*u romance "O p*ndulo de Fo*cault" (1988). Pretendemos, pois, *em*ns*rar aqui, de que forma Eco apli*a os co*cei*os de "real", "discurso ficcio*al", "atos de f*ngi*" e "intenci*nalidade". Para tanto, foram imp*rtantes a* *olaborações teóricas de Wolf*n* *se* (1979), Umb**to E*o (1*8*), *ompagnon (*999) e B*rthes (19*2). Publicado *r*ginalm*nte em italiano no ano de 1*8*, o *ivro conta c*mo três amigos s* e**o*v** na criação de *m "Plano" que govern*ri* a hum*nidade. C*eio de inf*rmaçõe*, ideias e referências sociedades secr**as, o discurso a f*ccional do livro de Umber*o *co tem o e*eito tal q*a* s*a teoria aponta. No decorrer de*te artig* p*ocurar-se-á indicar a* caract*r*sticas da ficção no texto *e Um*erto Eco, be* co*o de que for*a o imaginá*io e o di*c*rs* *icc*o*a* *ossuem *ma i*t**cio*ali*a*e, sej* do au*or, seja do p*ó**io text*. PALAV*AS-CHAV*: *i*curso Ficc*onal. Interpretação. Inte*cionalidade ABSTRACT This text de*ls with the relationship es*ablished by the theoretical work *f Umbe*to Eco and his novel "Fo*cault's Pe*dul*m" (1988). *e *nten* therefore demonstrat* *ere *ow Eco appl*ed the concep*s of "real" "Fictional Discourse," "acts of p**tending" and "inten*ionality." Thus, it was *mport*nt for the theoret*cal contributions of Wolfgan* Iser (19*9), Um*erto Eco (1988), Compagno* (1999) an* Barthes (19*2). Original*y pub*ishe* in Ita*ian in 1988, the book tel*s how three friends *ng*ge in creatin* a "Plan" that would rul* mankind. Ful* of informatio*, ideas, and refe*ences to secret soc**ties, the fict*onal discour*e Umberto Eco's book ha* t*e effe*t *hich such his theory p*ints. In th*s article, we inten* to i*d**ate the fiction *eatur*s in the te*t by Umb*rto Eco, as well as how th* im*g*nar* and ficti*nal discourse ha*e i*tent*onality, be i* by *he au*hor, be it *y t*e text itself. KE* *ORDS: fic**onal discours*. I*terpretat*on. i*te**ionality Rev. FSA, *e*esina PI, v. 15, n. 5, art. 10, p. 186-*99, set./out. 20*8 www4.fsanet.*om.br/rev*sta S. C. S. Bra*dã*, T. F. B. *ereir* 188 1 INTRODU*ÃO Est* trabalho é fruto de *ma pe*qu*sa e*preendida s*bre o ro*ance * P*ndulo de Fou*a*lt, *e *mber*o Eco. Part*ndo dos pr*ssupos*os teóric*s dos conceitos de "disc*rso ficcio*al". "atos d* fingir" e "intencionali**de" buscarem*s aborda* neste artigo a produção teórica sob*e o assunto *e form* *ue *lcance a obra d* escrit** *talia*o Umbert* Eco. Percebe-se que, *o lon*o *a produ*ã* te*ric* de Ec*, h* uma preocupação consciente ace*ca da narrativ* * a essência de um t*xto literár*o. Te* sido a**i* com "Obra Ab*rta" (1962), e* que o autor disc*rr* sobre a intencionalidade *o te*to e as f*rmas de inde*erminação **s obras *ontempo*âneas *, também, com "Interpretação e Sup*rinte**retação" (199*), em que * a***r *p*esen*a *ontri*uição efeti*a so*re * *entido do t*xto e, ainda, a recepção do texto p*lo* le*tores. Partindo disso, buscar*mos esclare*er de que forma o discu*s* fi*cio*al e os aspe*to* "fic*ã*" * "atos de fingir" *n*ontram-se dentro do r*mance O Pêndulo de Fo*ca*l*. Para a a*áli*e dessa na**at*v* hermética * l*biríntica de Umbe*to E**, ** *uas pró*rias teorias foram imp*rtantes, bem como as contribuições de I**r, (1979), Comp**n*n (1999), B*rthes (19*2) e *ind* M**hel Fo*c*ult (199*). *sse trabal*o leva em consideraçã*, ainda, o con**it* d* int*ncionalidade do t*xto basea*o nos *studos de W. K. **msatt e M.C. Be*rdsley (1954), *ue defende* o te*to *o*o u*a esfera onde há **a *ntenção, uma pr*v**ação do *utor, "*esí*nio ou P*ano n* *e*te do autor. * *ntenç** tem afinidades óbvi*s com a a*it*de do auto* quanto à sua obr*, o modo como *entia, o que o *e* es*rev*r", defend*m Wim*att e Beardsl** (1**4, p. 641). P*rtanto, no livro O P*ndulo *e Fo*cault, tran*forma*o *qu* *m obj*to de leitura e anális*, pro*urar-se-á a pres*n*a de*sas c**acterísti*as, com* *ambé* *os trech*s *ue *u*damentam o uso do con*eito de ficção. Te**o *m vis*a q*e o a*to* faz uso de in*me*os *atos h*stó***os para s*rvir de pan* de f*ndo ao "Plano" dos personagens, torna-se necessár*o det*rminar onde começa a ficção e *ual linha separa-a da r*alidade. Pois, transit*ndo entr* a ficção e a crític* li**rária, a *b*a de Um*erto Ec* encontr* um *i*l*go la*ente ent*e ob*a *e art* e uma abordagem t*órica sobre el*. Não p**miti**o *ue o* *ersona*e*s da sua *arrativa sejam m*ro* suj*it*s tra*sm*ssores do saber enciclopédico d* seu **i*dor, os três pers*n*gens prin**pais, Belbo, Casau*on, e Diotall*vi permeiam a ci**cia, a hi*tó*i*, a lit*ratura * ci*n*ias ocu*tas em suas vidas. L*go, o sab** teóric*, *efle*ido na vida *o* persona*ens, também *nsere na o*ra, *omo um tod*, um Rev. FS*, Tere*i*a, *. 15, n. 5, art. *0, p. 186-199, s*t./out. *018 www4.fsanet.com.br/revista *cos do Texto: "* Pê*dul* De F*ucault"; In*encio*alid*de e Discurso Ficional 189 caráter *u* vai além da in*erpretação e da s*perin**rpre*ação, cujos conc*ito* foram **aborados pelo pró*rio *mberto **o na referid* obra homôn*ma. I. UMA INTERP*E*AÇÃO DE "O PÊN*ULO *E **UCAULT" E *UA RELAÇÃO COM A RE*LIDADE "Foi *ntão *ue *i o P*ndulo". Assim c*meç* * lab*ríntico romanc* O Pêndu*o de F*ucaul* (1**8), criado por Umberto Eco (1932-2016). Os dois pr*meiros ve*bos que i*icia* definiti*a*ent* a narraçã* do livr* ("fo*" e "vi") e**ão n* passado e re*etem * id**a de qu* a *emória de *as*ubon, personagem narrador, está preenchida po* *m* certeza, u*a *ez qu* o verbo no pretérit* perfeito ind*ca um *a*o ce**o, *corrido e concr**iz*do. A certe**, a*iá*, é *lgo que p*rme*a * iti*erár*o dos per*onage*s que, quando não estão *m busca de solu*ionar os *istérios, est*o envolto* deles. O l*vro é um **s mais conhecid*s ro*ances do es*ritor italiano e *onta a histó*ia de c**o três redatores da editora Garamond, cansados das inúm**as le*tur*s e r*leituras de escritos origin*is que *hegavam até eles, resolvem criar um "P*ano" *ar* rev*lar *s domíni*s do mundo lidera** por g***os secr*tos de oculti**as. *essa forma, U*berto Eco im*rime no romance *m saber enciclo*édico, dese*volv* um emaranhado *e acontec*men*os históric*s e fictíci*s, de modo que amb*s se mesc*am e *e imiscuem na vida co*idiana *e t**s e*itores: *as*ubon, o narrad*r pr*tagonista, Jacopo B**bo e Diotallevi empr*en*em um "Plano" como se fosse *ma teo*ia e tent*m, a *odo modo funda*en*ar o imaginário que eles insiste* em ass*mir *o*o ver**de. Est*u*ur*do em dez par**s, que fazem referênci* às *ez sephiroth1 da Caba*a, *ada parte funciona ta**é* c*mo um cicl*. *om rel*ção à Cabala, el* é u* element* muito impo*tant* para o estudo dos signos na semiótica e, sobretudo, para o *iv*o aqu* anali*a*o, um a vez *ue * história dele gir* em torn*, *ambém, de socieda*e* secre*as, comunidad*s e ciência* ocult*s. Os capí*ulos do livro são a* fas*s *a á*vore da vida *a *abala. Po*ém, é começando de cima *ara baixo que Umberto Ec* op*a po* co*tar a histó*ia. Partin*o da s*phiroth mais elevada (*ete*) e ligada à manifest*çã* divina, Ec* co*clui o livro com a sephirot* Malku*, ligada à matéria, como se houvesse d* início ao fim d* r*ma*ce um esfacelame*to *aquilo qu* fo* definido, imag*nado * *r**do pelos personagens. Concl*i-se, 1 As dez seph*roth da Cabala são: Keter, Hokmah, *in*h, Hesed, G*burah, Tiferet, Nezah, Hod, Jesod e M*lkut.
Ec* usa-*s para c**tar * históri* e* analep*e, d* mes*a forma que *onduz a *i*tó*ia d* forma cíclica e r*ferenciando à h*rmética cabala. Rev. FSA, Ter*s*na P*, v. 15, n. 5, a*t. 10, *. 186-1*9, set./out. *018 www4.*s*net.com.br/revista
S. C. S. Brandão, T. F. *. Pe*e*ra 1*0 então, que Eco c*nta a históri* pa*t*nd* daq*ilo **e é *manado di*ina*ente para se conclu*r com o declínio da matér**. O romance *nicia no ponto *m qu* **saubon s* en*ontra observando, p*r meio d* um periscó*io, o *ênd*lo *e Fouca*lt, lo*alizado no Conser*atoire de Paris. A seg*ir, o per*onage* inicia uma série de de*crições acerca do número PI, d*scrições *eométricas, refle*ões sobre a im*bil*dad* do p*ndulo, info**ações cosmoló*icas e outras referênci*s aos Templ**ios. * sapiênc*a do person*ge* que lev* o nome i*spirado no erudito c*ássico Isaac Ca*aubon *m**es*ion* o lei**r e insere-o num em*ran**do de informações que, levando-o a faze* parte de um "Plano", le*a-o também ru*o a um conta*o com teorias. *m *eitor des*visa**, talve*, c*egue a *ensar que as inúmeras ci*a*õ**, **ígra*es, personagens his*óricos * li*ros mencionados se*am cr*a*ões do escritor italiano * nã* cheque a* in**rma*ões fim de verificá-las. O *erme*i*mo predomina a em boa p*rte da *arra*iva, fazendo *o* qu* * leit*r, ta*bém crie o próprio "Ambulafia" (computad*r do p*rsonagem Bel*o, onde *stão informaç**s e *equenos relat*s de sua vida) e de*e faça uso a fim de facilitar * comp**ensão do romance. A começar pe*o *ítu*o, cujo *ome despertou em muitos *eitores a *igação com o filóso** Michel Fou*ault, o próprio Eco aponta seu desapon*amento com os leitores sag*zes: [...] eu sabia desde o come*o que alguém poderia te* farej*do uma alusão * M*c*** Fou*aul*: meu pers*nagem é obcecado por analogias e Foucault escrev* so*re o paradigma da simil*ri*ade. Enquanto autor empírico, **o fique* ***t*nte co* a *oss*bilidade de u** tal ligaç*o. (Eco, 20*5, p. 98). As *nf*rmações que ch*gam até o leitor não cess*m. Livr*s a*tigos levantam a *uriosid*d* do rec*ptor. Em certo mo*ento da narrativa, Casaubon menciona * livr* "Mund*s Symb*lic*s", de Picinel*i, por exe*pl*, e leva o leitor a acha* que de fato aquilo são ref*rên**as bibliogr*fic*s dos *er*o*a*ens, *u*ndo na verdad* o livro é real * *e enco*tra **clusive dis*onível na *eb. O próprio Eco *rata de *epara* o que é História do que é ficç*o, **r meio de e*plica*ões medi*das p*l*s personagens ou ainda por me*o d** *númeras epígrafes q*e iniciam cada capít*l*. Porém, el* entreg* ao lei*o* * po*sibilid*de de pa*tuar com a fic*ão. Pa** *le, o mun*o da literatura é "un*verso no *ual é possível f*zer te*t** para estabelece* se o le*t*r tem o sentido d* realid*de ou é pre*a de suas próprias *lucinações" (ECO, 2003, p. 15): Rev. *SA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 10, p. 18*-199, set./out. 2018 *ww4.fsa*et.com.b*/rev*sta Ecos do Tex*o: "O Pê*d*lo De Fou*ault"; Intencionalida*e * Discur*o Fic*on*l 191 Num texto na*rativo, o leitor é ob*igado * optar o t*mp* todo. Na verdade, essa ob*igação d* opta* e*iste até *esmo n* nív*l da frase individual - p*l* me*os sempre *ue es*a cont*m um verbo transitivo. Qua*do * pessoa que f*l* está *restes * co*clu*r uma frase, nós como *eitores ou ouvint*s fazemos uma a*osta (embora inco*scientemente): *r*vemos sua escol*a ou nos perg*nta*os qual ser* sua e**olha (pelo menos no caso de *rases de im*acto [...] (E**, 2001, *.12). Nestas opçõ*s, o leitor tamb*m é tendenciado, uma vez que os pers*nagens transit*m pela dubiedade, incredulidade e imaginação. "** fiz**a da incredulidade um p*in**pio c*entífico" (ECO, 2016, p. 382) confessa Casaubon ao iniciar suas dúvidas na*ui*o *ue h*uvera aprendi*o *om seus me*tre*. Ele, ao ser interrogado sobre o seu *eculiar interesse nas narrat*vas de *e*b* que estão n* se* Abulafia, responde *o amigo que "a* *arrativ*s *ão fatos do *magi**rio coletivo". (ECO, 201*, p. *18). O porquê de narrar, entã*, ser*a para os personagens de O P*ndul* de Fouc*ult, a pr*sença do imaginário da mente das pessoas. Na cidade de ***, cujo nome é omiti*o e nunca revelado p*r Belbo *m s*us fil*n**e d* Amb*lafia, possui histórias de tios, ba*da de *úsicas e pa*xõe* fa*i*iares que são, de certo modo, hi*tór*a* re*is, ma* *ue *azem parte da *nive**alidad*. O própri* au*or num* espécie de pós-escrito *s**arece um equívoc* oco*rido com pe*sonagens de O Pêndulo de F*uc*ul*: Após a publicação de me* segundo r*mance, O Pên*ulo de Foucault, um amigo de infâ*cia, q*e não v*jo h* anos escreve*-*e o segui*te: "C*ro Umberto, não *e lembro de ter l*e contado a hi*tória p*tética d* *eus tios, m*s acho que foi uma gra*de in*is*r*ção d* su* parte usá-la em seu *omance". **m, em m*u livro **nto alguns epis*di*s re*ac*onad* com *m "ti* Carlo" e um* "tia *atarina", que vê* a se* os tios do prot*go*ista, Jacopo Bel*o, e que de f*to existiram *a *ida real: com al*umas alterações co*to uma *istória de minh* infância que envolv* *m tio e u*a tia. **spondi a me* amig* diz*ndo qu* tio Carlo e *ia C*tar*na eram parentes meu*, n*o de*e, e q**, port*nt*, eu d*tinha o cop*rig*t. Meu a**go ped*u desculpas: *icou t*o env*l**do com a história *** julg*u reconhe**r alguns in*identes ligados a s*us tio*. (EC*, 2*01, p. 15). P*r**be-se, entã*, que o cará*er de simil*ridade entre o discurso ficc*onal e *eitor o mo**lo ide*li*ado por Eco possui u*a con*retu*e. Eco aborda i*so *anto em sua obra te*rica quanto na fic**o. Para ele "qualquer *istória *ue est*jam conta*do, contam també* a nossa, e por iss* *ós os lemos e os *mamo*. " (E**, 200*, p.*0-**). Os t*xto* **o tomados de subj*tividade, seja do autor, s**a do leitor. As li*ações às quai* Eco se ref*re são q*ase impossí*eis de serem abolidas, uma *ez que a subje**vidade do leitor é plur*lizada e o risco de tencio*ar o **xto, o tí*ulo de uma obra ou o en*edo é, também, uma coopera*ão do leitor com * aut*r. A rela*ão de um texto co* a **da do leitor *ende a se aproximar ta*to quanto mais semelhante for. Rev. FSA, Teresina PI, *. 1*, n. 5, art. 10, p. 186-19*, set./out. 2018 w**4.*sa*et.co*.*r/revista S. C. S. Brandão, *. F. B. *ereira 192 Porém, já o filós*fo Mi*hel Foucaul* vê uma d*v*rgência entre esses destinos *ru*ados pela fic*ão. * s*a defesa p*rte do pressu**sto qu* * r*alidade é dis*ociada da ficção. Aplicad* à *eor*a de Fo**ault, as "palavras" seriam a teori* ou o "*lano" c*iado *elos e**t*res Belbo, Casaubon e Diotallevi. Já as "c*i*as" seriam * concr*t*de de sua* v*das cotid*anas. Permit*ndo essa a*similaçã*, Foucault afirma que: A* coi*** * as palav*as vão separa*-se. O *lh* será destinado a ver e *oment* * ver; o ouvido somente a ouvir. O *iscurso terá realmente p** tarefa *izer o q** é, *a* não será nada *ais que o *ue ele *i*. Im*n*a reorga**zação da cultur* de *ue a idad* clássica foi a primeira etap*, a ma*s impo*t*nt* talvez, posto ser *l* a responsá*el pela nova d**posiçã* na qual e***mos ainda pre*o* - *ost* *er e*a que nos separa d* um* cultura ond* a significaçã* dos signos não existia, por **r absor*i*a na *ob*rania do Semelhante; mas onde *eu ser enigmático, monótono, obst*n*do, primit*vo, cintila*a numa dispers*o infinita (F**CAULT, 175 1999, p.*3). Essa separação *a q*al fa* alusão Foucault representa u*a *rise da representação, onde a linguage*, enqua*to processo ar*í**ico, continuar* a s*r uma b**e *ara o text* ficcion*l, mas a ques*ão da re**ese*t*ção deixa de s*r o f*co *ara dar lugar às dif**enças e identidad*s. Porém, para Fouc*ult, há ainda u*a relaç*o d* linguagem c*m o Su*eito, que determi*ad* pela linguagem é por ela infl*enciad*, já que há uma intenção desta sobre aquele. Junt* a i*so *ne-se, também, a intencionalidade do autor, cu*a abordage* aprese**a-se a seguir. II. A INTENCION*LI*ADE NO ROMANCE *E *MBER*O E*O A tese de *ue há no *exto uma inte*ç*o do autor ** do te*to ficcion*l tornou-se, *o* o temp*, uma *iscussão acadêm*ca que tem d*spertado mu*to q*estionamento. Compagnon, argumenta que e*ist* no texto um caráter intencional e isso não se *ode negar, *o*s quem co*s*rói um te*to é um ser hum*no; logo, há i**lícita o* e*plic*tamente uma i*tenção de que* produz o *exto literário. Para o pensa*or belga, o único pr*ble*a s*ria a intepretação e *omo a le*tu*a s*rá *ecebida: O fato de considerar *u* as *iversas *artes de um texto (verso*, fra*es e*c.) *onstituem um *od* pressup*e que o t**to repre*e*te uma ação i*tencional. Interpret** uma obra sup*e que ela respo*da a um* int*nção, seja o produto de uma i*s*ância *uma*a. Não se deduza *ue e*tejamos limi*ados a **ocu*a* **tenç*es n* o*ra, ma* que o sentido do te*to est*ja ligado à intenção do autor, ou mesmo que o se*tido *o t*xto seja a inten*ão do au*or. [...] Assi*, a pr*su*ção da intencionali*ade pe*manece no princípio dos estudos literá*ios (COMPAGNON, 1999, p. 95-96). Rev. FS*, Tere**na, v. 15, n. 5, art. 10, p. 186-199, set./out. 2*18 www4.fsanet.com.br/revista Ecos do Texto: "O Pêndulo *e Foucault"; Int*ncion*lid*de e D**cu*so F**ional 19* Partindo *essa consideração e comparando, pode-se compreender como * intenção do a**or es*á inserida nas *inhas da ficção. O próprio Eco, em su* obra I**erpretaçã* e sup*rinte**reta*ão (2005, p. 93), categor*za três tipos *e intenção: "Entre a intenção in***ssível do au**r e a intenção discutível d* l*itor e*tá a inte*çã* transparente do texto, q*e invalida uma interpretação ins*stentáve*". Eco t**z para a intençã* do texto esse adjetivo "transpar*ncia", que ob*etiva e abarca um te*to sem ambiguid*de*, *nde ele possa s*r conciso e claro para *s seus *ipos *e leit*res. Os três editores da G*r*mond do romance de Eco * ainda o Sr. Garamond intentam c*ia* o "Plano" e pub*icar o t*xto justamente para *on**r ao mundo * qu* eles defen*em. O pr*jeto de contar a história d*s *et*is, na v*sã* deles, tem a i*tenção, portanto, d* *scl*r*cer, de torn*r pú*lico e revel*r (O livro faria parte d* uma *oleção de pub*icaçõ*s *enominada "Ísis Revel*da") p*r meio de imagens como os metai* esti*er*m presen*es na histór*a da humanidad*. O p*ópr*o editor da *ol*ç*o ord*na que os pesquisadores do li*ro *ncl*am mu*t* Cabala * computador *a históri*. O objeti*o *ra, portant*, *ontar como a hu*anidade foi engana*a e como o oc*lti**o da Cabala esteve presen*e. Os pers**agens tra*s*or*am a ess* i*eia *e forma fixa num* verdade de forma que todos acreditem. O *ers*nagem Sr. Garamond, ao pr***r a e*crit*ra do livro conv*n*e C*saubon de que "A editoria é uma arte, não uma ciên*i*. [...]. Mas é que a pesquisa implica, *omo direi, um *erto *spí*ito espartano. De outra fo*ma, não *ica m*recedor* de cré*ito. (ECO, 201*, p. 27*). *ão, po*tanto, o* " p*od*t*s da in*ençã* huma*a, da qual se referiu Com**gnon (O*.c*t. p. 96). O leitor *usca na o*ra uma inten*ão quando, n* verdade, ela também está ne*e própr*o, no *utor e ta*bém no *di*or de um te*to. Tendo em cons*deração o conceito de *imsa*t e Bear*sley (1954, p. 641), d* que a intenção é "aquilo qu* se pret**deu", a *nal*gia com o romance ** Eco pode ser feita da seguinte m*neira: *e *s personagens estabele**ram um "Plano" c*mo sátira de um jogo de conspiração que omit* informaçõ** da humanidade, * pr**ensão dos autore* seria então in*e*ti*ar * *sc*arec*r a H*stó*ia, tão l*go po**am também *o*re*acionar com as *ua* des*obertas. Em um *exto teórico, Umberto Eco *efende que o *exto n*o está disso*i*do de um* referência meta t*x*ual, pois não se separ*m. *ogo, há u*a finalid*de em toda *bra: [...] u* *ext*, qu* é um *e**nismo concebido c*m a finalidade de f*zer com que su*jam int*rpretaçõe*, *s vezes brota de um territó*io ma*máti*o que n*da te* - ou ainda não tem - a ve* c*m a literatur*. (*co, 2005, 100-*01). *ev. FSA, Teresi*a PI, *. 1*, n. 5, a**. 10, p. 18*-199, set./out. 2018 www4.fsanet.com.b*/revista S. C. S. B*andão, *. F. *. P*reira 194 A liga*ão e**re * intenção do autor (intentio auct*ris), a intenção da *bra (intentio op**is) e a i*tenção do le*to* (intentio lect*ris) d* à inten*ionalidade uma c*nj*ntura, onde ess* tria**ula*ão é vali*ada por me*o da i**erp*etação constru*da pelo leitor. "* *exto é um ob*eto que a interpretação, const*ói no d*co*rer d* esforço ci*cul*r de validar-*e com base no *ue acaba sendo seu *esultad*" (ECO, 20*3, p. **-76). A epígrafe do l*vr* *raz u* aviso ao leito*, *omo que alert*ndo para o perigo de sa*er das (*n)verdad*s ocultas. Ao *esmo temp* que alert*, pede que o le*tor i*da*ue: "Pe*scruta* o li**o, co*c*nt*ai-vos naq*ela *ntenção que f*agmentamos e dispersamos por várias de s*as pa*tes, mas o que ocultamos num lug*r ma***estamos em ou*ro, de modo ser apreendido a pelo vosso entendimento. " (ECO, 2016, *. 5). Se Eco quis *visa* o lei*o* do *ue estava por v*r, o leitor j* dever** apree*der aí * sua i*tentio auctoris. O entendi*ento *empre de**rá partir do leitor qu*, inda*ando o text*, en*ontrará nele as respo*tas. Com isso, U*ber*o Eco *nsere um novo elem*n*o na intencionalidad* do te*to. Haverá ne*e, então, um cic** constante que transpassa * *igu*a do leitor-*ext*-autor. Fa*endo uma an*logia com o rom*n*e aqui a*al*sado, vemos que *elb* in*e*ci*na, junto co* Casaubon * Di*tal*evi, in*er*r *lementos da Cabala na nova publicaçã*. Os **rso*a*ens, assim como o a*tor do rom*nce, pre*cupam- se em verificar se a interpretação se a*equa ao texto, quand* este é abordado co*o um todo co*r*nte * c*eso pois, confor** lem*ra *ser (*979, p. 962-963), "a *nte*cional**ade do t**t* não se manifesta na consciência do autor, mas sim na de**mposição d*s cam*os de re*erência do tex*o". É, pois, na* ma*gen* * dentro d* texto qu* *e manifesta a intenção textu*l. É sobretudo nela *ue se expressa a fina*ida*e *o autor. E*o apela para a competência do l**t*r no se*tido ** lidar com * ling*agem como um tes***o s*cial, o q*e i*plica*ia em observar *ão ap**as uma de*erminada líng*a en**ant* c*nju*to de regras gramaticais, mas tamb*m to*a a *nc*clopéd** q** a* relações daquel* língua implemen*a***, o* s*ja, as co*vençõe* culturais que uma l*ngua produzi* e a *rópria história das interpreta*ões anteriores de mu*tos textos, comp*e*nd*ndo o texto qu* o leitor está lend*. (ECO: 2003, p.80). *m O Pên*ulo de Fou**ult os três per*o*agen* pri*cipais est** f*equentemen*e envoltos *e id*i*s e *nformaçõ** encicl*pédicas *ce*ca de socieda*es secre*as e *utr*s reuniõ*s ocultas de homens sábio*. A essa veri*icação e busc* pe*a verda*e, os personage*s se en*ontra* co* in*erpre*ações de **xtos, ori*inais ou ped*ços de escritos que os le*am * criar si*ais, an*grama* e im*ginar sím*olo*. O leitor do *oma*ce de *c* sab* q** há *m Rev. *S*, *ere*ina, v. 15, n. 5, **t. 1*, p. 186-199, set./out. 2018 *w*4.fsanet.**m.br/re*ista E**s do Texto: "O Pêndulo D* Foucault"; I*tencional*dade e Discurso *ici**al 195 excesso de informações, mas a i*te**ão autoral é mot*var o l*itor par* que ele poss* manusear e filtrá-las de m**o * compreen*er o texto e o s*u enredo. Assim, *co tom* muito cuidado com as *nforma*õ*s hi*tórias, tratando sempre *e re*eren*iá-las e i*dica* ond* come*a e onde termina a *icção. Os perso*agen* editores, por *x*mpl*, estão sempre *ra*sitando na pesq*isa e n* *u**a pela escritura do "*lano". Os livros e ob*as us*das p*los personagens do rom*nce, c*mo já foi dito, costumam *er usadas como em*a*amento par* sua* ideia*. III. * Ato de Fi*gir e o Dis*urso Ficcional de*tro do Romance "O Pêndulo *e Fou*ault" Entre a tría*e ficção-real-imagin*rio, propost* p*r Iser (1*79, pa*sim), os tr*s pers*nagens princ*pais da *bra O Pên*ulo de Foucault pe*mane*e no im*ginário, criando *m "Plano" e dele e**raindo informaçõ*s baseadas nas leitura* que a*bos *aziam. O predomínio da ficção sobre a realidade que o trio criou lev*rá a que*tioname*t*s acerca dela. A imaginaç*o d* "Plano" l*va Casa*bon, lo*o *o iníci* *o dele, a se que*tionar so*r* a valora*ão da realidad* nesta criação: Tão simp**s, s* ti*esse havido um **ano. Mas havia, j* que nós * inv*ntaría*os, muito tempo depois? É po*sív*l que * r*alid*d* nã* apenas supere a *icção, mas também a preced*, *u, a*tes, corra * sua fr*nte *ara reparar os *anos q*e a ficç*o cr*ará? (E*o, 2016, p. 185). O *il*sofo Iser (*97*, p. 958) rep*te const*nteme*te q*e o "ato de fin*ir é, *orta*t*, uma transgressão de limites". Ca*aubon, o personagem de *co, c*nfessa também *árias vezes no romance que * fi*ção está imbrincada d* fingimento. Em O Pên*ulo de Foucault o p*o*agonista nar*ad*r também reco*he*e que o fingim*n*o i*vad* o "**" de *al form* que p*ssa a se tornar parte de si, conc*te*ando as at*tu*es reais com as de fi***o * *cred*t*ndo naq*il* que se *nven*a: Quando perm**am*s o* *es*ltados de nos*as fa*ta*ias pe*sávamos, e com r azão , e*tar proce*endo por meio d* associações indé*itas, cur*os-c*rcu*tos extraordinários, nos quais nos env*rgonharíamos de fazer fé se no-lo* tive*s*m imputado. É *ue nos c*nfort*va o e*tendiment* *té então tácito, como i*põe a etiqueta *a ironia *e que estávamos par*diando a lógica alheia. Mas na* longas p*u*a* em que cada *m de *ós ac*mulava prov*s para as r*u*iões coletivas, e c*m a consciênc*a tran*uila de acumula* peças *ar* u*a p*ród** d* *osaico, nosso cé*ebro ia se acost*mando a *ssociar, *s**ciar, associar uma coisa q*alquer a quaisquer outr*s cois*s, e *ara fazê-lo automaticamente devia adquirir hábitos. Crei* q*e não haja *ife*enç*, a part*r *e u* certo m*mento, entre habituar-se * fin*ir qu* *e crê e habi*uar-s* a cr*r. (EC*, 2016, p. 491). Rev. F*A, Teresina PI, v. 15, n. 5, *r*. 10, p. 186-199, set./out. 2018 www4.*sanet.com.br/*evista S. *. S. **andão, *. F. B. Pe*eira 196 O ato de fin*ir, de **iar e inv***ar invade o e* cri*dor de forma *ue ambos se mesclam * associam tanto, que um ent*ndimento indébito *e *orna credo. A história cri*da dentro do tex*o fic*ion*l de Umb*rto Eco está per*eada de fingimento, imagin**i* e *n*enção, tal co*o "a vi** - * sua e *a humani*ade - com* a arte, * à fal*a de a*t*, a ar*e co*o mentira" (ECO, 2016, p. 555). Essa fala de **saubon reflete o caráter ** invenção da literatura. Sua vontade (e de seus outros amigos *d*tor*s) está em convencer de que há al*o que precis* ser r*velad*, ai**a que se*a fruto d* ima*iná*io dos pers*na*ens, a permanên**a da imaginação *aterializa-se no final do livro, q*ando se re*liza uma cerimônia no m*smo p*n** *e início da históri* do roman*e. Dentro *esse imag*ná*io da est*utur* da narrativa, há *ma imitação que permane*e cont*ngente, *om* ob*ervou *arth*s (1972, *. 61). Ele constatou *ue a função *a *arrativa, em sua pro**ndidade, dá ao discurso o papel de espe**o, um* vez que a li*er**ura, como arte, *oncebe * *inguagem como um dos seus i*s**umentos p*ra exprim*r uma ideia, *m* teoria. (Op. cit., p. 24). A linguagem é determi*ante para os personagens *o rom*nce de Ec* **e, ao l*r os escritos originais deli*itam r*sultados e deles concluem equívoco* que vão originar todo * emaranh**o de confusões de sab*res intele*tu*is, no qual os personagens se envolvem e *c**am culmi*ando em *m* *om u* fingiment* que s* torna cada vez mais real no fi* do livro. * is**, To*orov c*nceitua que a palavra fingid*, criada cul**na *um fingi*ento. "Daí resul*a o pro*un*o parente*c* da narrat*v* c*m palavra f*ngida. Esbarra-se sempr* * na m*ntira, enquanto se está n* na*rativa" (TOD**O*, 200*, *. 1*1). No e*sai* "Os ato* d* fingir ou o que é fictíc*o no texto f*cci*n*l", Iser (197*, p. 969) *ponta que "É c*racterís*ico da liter*tu*a, em sentido lato, que se dá a c*nhecer c**o ficcional, a p*r*ir de um repertório de s*gnos, ass** assinalando qu* é literatura e algo diverso da real*dade". Sua v*são de **ferênci* com rea*idad* d* *m padrão mimétic* ao te*to l*ter*rio, uma espé*i* d* fingimento ou "atos *e fing**" q*e selecionam combinam com e a transgressão de limit*s.2 Sobre is*o, há *ma passagem cur*o*a já **as* n* final *o romance aqui analisado, é *ue se revela o temor de Casaubon * a frus*ração do "P*a**". L*a, a *o*p*nheira de Casaubon, é uma **s pe*sonag*ns mais r*cionais ob*etivam*nte de*lara que o "Plan*" e poderá ser um grande emb*ste e que *ostra *m princípio basil*r do texto lit*rário: * 2 *SER. Os *tos ** *ingir ou o que é *ictício no t*xto ficcio*al, p. 958
Rev. FSA, Teres*na, v. 15, n. 5, *rt. 10, p. 18*-199, set./out. 2018 ww*4.fsanet.com.br/revista
E*os d* Texto: "O Pêndu*o De F*ucault"; In*en*io*al*dade e Discurso Ficional 19* fingim*nto. "Vocês f*ngiram o *empo todo. O m*l de se fingi* é que todos nos acredit*m. [...] O inverossími* é a co*sa mais par*cida com o mil*gre" (EC*, 2016, *. 566). Com rel**ão ao a*o de fingir, *ser (1979, *. 98*) *dentif*ca que se*do reconh*cíveis no texto **ccional, eles se cara**erizam por: Darem lugar a determi*adas *onfigu*ações, di*tinguí*ei* *ntre s*: a seleção, na c*n*ig*ra**o da intencionalidad*, a c*mbinaçã*, na confi*uração do *elaciona*ento, e o autodesnudamento, na configuraçã* do por en**e parênteses. A cer*ez* de que na li*eratura * tudo fá*ula é *eforçada com pa*avr** dos p*ópr*os *dito**s personagens. No capí**lo 105, quando Casaubon *ê os filen*me do **mput*dor de B**bo, t*ês questionamentos surge* * respeito da narr*tiv*dad* e a n*cessidade de ter um vínculo com o ima*inário. O pr**eiro, já colo*ado ac**a, r*fe**-*e à arte com* men*ira. O segundo quest*o*amento, surge na escr**ura *o rel**o de Be*bo, enco*t*ado e lido por Casaubon: "Para **e es*rever romances? Reescreva a Histór**. A H*st*ria qu* depo*s *e t**nsforma." (E*O, 2*16, p. *54). Com *ss* Eco insin*a *ue ent*e a ar*e e História há **a diferen*a que tradu*ida, torna-a* peculiares. E*quanto *sta pode ser re*or*ula*a, aquela não sofre alte*ações, logo s**ia melhor aos e***ores de "O Plano" cria*o no roma*ce, enveredar p**os caminh*s *a *i*tória. T*o *ogo a re*l*xão ch*ga at* o leitor, percebem*s qu* * que os *ersonagens f*zeram não foi uma escrita de ro*ance, mas da História. Os p*rs*nagens intentavam r*velar os **stér**s que supunha* perpetua* pel*s sécul*s e contá-los p*r me*o de l**r*s ao mund*. Sen*o ass*m, eles estaria* transformando a História. O t*rce*ro qu*stiona*ento de Eco, dito *ela escri*a do pe*sonagem Be*bo, está ain** no *e*mo fi*ename: Inv*n*ar, i*vent*r desord*n*damen*e, se* se preocupar com o nexo, *e modo a n*o conseguir fazer m*is o resum*. [...]. d*pois crer no Inex**imí*el. N*o é esta a E v*rda*eira l*itura da Torah? A v*rdade é o anagrama de um anagram*. Anagrams = ars magn*. (ECO, 2016, p. 555). Logo após a leitura desses question*ment*s sobre * invenção de u* "Pl*no" arquitetado pel*s três *ditores, o seu (in)sucess* *eva o* personagens a u* encontro com a *e*lidade. *á que o encontro co* a te*ria que ambos cria*am foi a*s poucos sendo refutada por pessoa* ao seu redor, l***ndo cada u* a um *ncontro com *quilo que é concreto. "*e**o, enfer*o de ta**os encon*ros não re*liza**s, se*tia que ag*ra **rcava um encontro rea*. [...] O med* obrigava-o a ser coraj*so. Inven*ando, ha*ia c*iado o princípio de r**li*ade." (ECO, 2016, p. 556). Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 5, art. 10, p. 186-199, set./out. 2*18 www4.fsanet.*om.br/revista S. C. S. Brand*o, T. F. B. Perei*a 198 No final da *arr*ti*a, a proximid*de do encontro de Casaubon com a realidade daqu*lo que eles ajudaram a inventar se a**oxima. Aos text** ele **ef*re reco*rer, restando-lhe, *oi*, regi**ra* em forma de *ivro tud* *quil* que *l* v*veu *om *s seus *mi*o*. A sua v*ntade era de escrever tudo, mas por *eceio não es*reve tu*o para que nã* cogitem a *ipótese de ele ter escrito um* no*a teoria. "Que te*ha e*cri*o *u n**, não faz a *if*rença. Pro*uraria* sempre u* outro sentid*, até mesm* no meu si*ê*cio" (ECO, Op. Cit. *.668). A revelação *he che** de forma si*encios*, enquanto a noite fica cada *e* m*is escu*a e bela. RE*ERÊNCIAS BARTHES, R. **tr*dução * an*l*se estrutural da *ar*ativa. **: BART*ES, *oland e* al . Análise e*tru**ral da narrativa. 2* ed. Trad. Maria *élia *arb**a Pinto. Petr*polis: Vo*e*, 19*2. p. 19-60. C*MP*G*ON, A. O de*ônio da t*oria: li*era*ura e se*so comum. Trad. Cleonice Paes Barre*o Mo*rão. Belo Ho*izon*e: U*M* (Humani*a*), 19*9. ECO, *. O pênd*lo de Foucault. Trad. Ivo Barroso. 16ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2*1* ECO, U. S*is passe*os pelos bos*ues da fi*ção. Trad. Hildegard Feist. 5ª re**p. São Pa*lo: Comp*nhia das Le***s, *001. ECO, *. Sobre algum*s funç*es da literatu*a. In ECO, Um*erto. Sobre a literatu*a. 2ª ed. Rio *e *aneiro: Record, 2003. ECO, U. I*terpretaç*o e su*erinterpretação. Trad. MF. *ª ed. S*o Pa*lo: *artins Fontes, 2005. FOUCAULT, M. As palavras * as coisa*: *ma *rqueologia das c*ência* humanas. Co*. Tópic*s. *rad. Salma Tannus Mu*hail, *ª ed., São P*ulo: M*rti*s Fontes, 1999. I**R, W. O* at*s de *ingir *u o qu* é f*ctí*io no *exto ficcional. Trad. H**dru Krieger Olinto e L*iz Cos*a Lim*. In: LIMA, Lui* *osta. Teo*ia d* L**erat*ra em suas *o*t**. Rio de *anei**: Civ*liz*ção Brasileira, 2*02. V. 2. p. 955-*87. TODO*O*, T. As est*utu*as narra*i*as. 4ª ed. Trad. **yla Perro*e *oi*és. S*o Paulo: Perspectiva, 2006. Rev. *S*, Te*es*na, v. 15, *. 5, art. 10, p. *86-1*9, set./out. 2018 www*.fsanet.c*m.br/revi*ta Ecos do Tex*o: "O Pê*du*o De Foucault"; Int*ncionalidade e Di**urs* Ficional 199 WIMSATT, W. K.; BEA*DS**Y, M. C. A *alácia intencional. Trad. *uiz* *obo. In: LIMA, Luiz Co*ta. Teoria da lite*atura em suas f*ntes. Rio de *aneir*: Civil**ação Bras*leira, 2002. V. 2. p. 6*9-65*. Como Refe*enc**r es** Artigo, conforme A*NT: BRAN*ÃO, S. *. S; PEREIR*, T. F. B. Ec*s *o Texto: "* ***dulo De Foucau*t"; Intenc*onal*d*de e Dis**rso Fi*ional. Re*. FSA, Teresina, v.15, n.5, art. 10, p. 186-199, set./out. 2*18. Cont*ibu*çã* *o* Autores S. C. S. Brandã* T. *. B. Pereira 1) concepção e planejamento. X X 2) análise e interpretação dos d*dos. X * 3) *l*boraçã* *o *ascunho *u n* re*i*ã* crítica do *onteúdo. X X 4) participação na aprovação da versão *inal do *a*uscrito. X X Rev. FSA, Teres*na PI, v. 15, n. 5, ar*. 10, p. **6-*99, set./out. 2*18 w*w4.fsanet.com.**/revi*t*

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