www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 1, art. 1*, p. 187-202, jan./fev. 2018 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2018.15.1.11 Cartas Para Que Te Quero: um* Experi*ncia de Leitura do Espaço Geográ*i*o na Geogr*fi* Escol** Letters For Wh** I Want: an Exp*rience of Re*ding *h* Geograph*c Space in Sch**l Geo*raphy Leo*ard* Pinto *o* Santos *estre em Geografia p*la *niversidade Fe***al do Rio G*ande do Sul Prof*ssor da re*e estadual d* ensino do Rio Gra*de *o Sul E-mail: leon*rdoufsm@h*tm*il.com Ro**lane Zo*da* Costella Do*t**a em Geog*afia pela Univer*i*ade Feder*l do Rio Gran*e do Sul Professor* da U*iversidade F*der*l d* Rio G*ande do Su* E-m*i*: ro.pauto@t*rra.*om.br Endereço: *eonardo Pinto dos Santos Edito* Científico: Dr. T*n*y *e*le* de Al*nca* *scola Estadual d* E*sino *undamenta* Coronel **c*nte Rodrigues Freire - Ru* Tietê, *ú*ero 276, Ba**r* Iga*a. CEP 924*0-290, Canoa*/*S. Artigo *ecebid* em 24/09/20*7. Últ*ma versão *ecebida *m 16/10/*017. Aprov**o em 17/10/2*17. Endereço: Ro*ela*e *ordan Costella Facu*d*de de Ed*cação d* *niver*idade Federal do Rio A*aliad* *elo sistema Triple Revie*: Desk Rev*ew a) Grande do Sul - Prédio 1*201 - Av. *a*lo Gama, s/n, *elo Edito*-Che*e; * b) Do*ble Blind Rev*ew Bairro Farroupilh*. CEP 90046-*00, P*r*o Aleg*e/RS (avaliação cega p*r dois aval*ad**es da ár*a). Revi*ão: Gra*a*ical, *ormativa e de Form*taç*o L. P. Santos, R. Z. Co*tella 188 RESUMO *s** ar*igo é part* de um trabal*o ma*or desenvol*ido no POSG*A/UFRGS no ano de 2015, dentro d* li*ha *e pesquisa em Ensino de Geogr*fia, co* o ob*etivo de se estudar o Espaç* Mentalmen*e Pr*jetado (EM*). Na parte exposta neste artigo, *amos ênfa** à correspondência trocada en*r* *ua* escolas, **a lo*al*z**a em Porto *legre * outra em *axinal do So*u*no, amba* localizadas no Rio Grand* d* S*l, com o objet*vo de se entende* o **P * d**envolver as p*tencialidades pr*se*tes n* ato da es*rita por p*rte de j*vens estudantes, visando a uma melhor l**tura da palavra * do mundo. Palavras-chave: E*s*no de Geo*rafia. Esp*ç* M*ntalmente Projetado. Educaçã* Básica. C*r*as. ABSTRACT This art*cle is p*r* of a larger work develope* at P*SGEA/UFRGS *n t*e year 2015, *ithin the l*ne of re*e*rc* *n Ge*g*a**y Teach*ng, w*t* *he o*jec*i*e of s*udyi*g the Menta*l* *roject*d Spac* (EMP). In t** p*rt exposed *n this article, we emphasi*e the correspondence exchanged be*ween two schools, one locate* in Porto Alegre and another in Fax*nal do *oturno, both located i* Rio Grand* do S*l, in or*e* to un*erstand the EMP and to d**elo* the potent*alities pres*nt in the act of writing by young studen**, aiming at a better *eading of the word an* the wo*ld. Key words: Geogr*phy Teaching. Mentally Design*d Space. *asi* Education. Letters. Rev. *SA, Tere*ina, v. 15, n. 1, a*t. 11, p. 187-20*, jan./f*v. 201* www4.f*anet.com.br/revista Car*as Para Que Te Quero: *ma *xperiência d* Leitura do Espaço Ge*gráfico na G*ografia Escol*r 189 1 INTRODU*ÃO Em 2014 o governo **asileiro est*pulou uma seq*ência de metas e estra*é*ias de*t*o do âmbito do Plano Na*ional de E*ucação (PNE), tendo v*gên*i* *e dez anos, com o i*tuito *e melhora* a Educa*ão nos municípios e uni*ad*s *a fe*eração. A m*ta número nove qu* tr*ta so*re a alfabet*za*ão e a*fabetis*o f*ncional de jove** e adulto* * a que vale o des*a*ue nesta pe*qui*a, q** parte de uma pesq*i*a de pós- é graduação, nível *estrado (SAN*OS, 2015), desen*olvida n* programa d* pó*-gra*uação *e Geografia d* Unive*sidade Federal do R*o Gra*de *o Su*. Essa meta do *NE, demo*stra *u*, atualmente (*0*5), t*r*amos *2% alfabet*zados, com *eta, até *024, se che*ar aos 100%. O número mais *larmante, e*tretant*, se mostra em relação à t**a de analfab*tismo fu*cional, sendo atualmente (2015), 27%, com *ma meta par* 2024 d* *3,5%. *e acordo com o P*ad/IBGE *** 13 mil*ões de br*sileiros analfab*tos c*m *ais de q*i*ze *nos. * que e*s*s números mostram? Primeiro, que a *ducação brasi**ira se encontra a*nda engatin*and*, mesmo **n*o uma das pr*ncipais e*onomias do mund*, co* riquezas naturais além de *ual*uer ima*inação. Somo* um conjunt* *e difer*ntes pov*s, que a*nda temos uma São Paulo1 de indi*íduos **e não aprese*tam os *í***s *í*imos *a*a comp*eender aqui*o qu* es**o lendo. Ess* situação pode ser comparada a q*em *ia*a para um lugar ao qual não dom*na o idioma e *s caracteres que orie*t*m s*a po*ulação. Des*a f*rma, *a**mos o quanto é c*n*uso ser um iletrado. I*agine um brasileiro *ue *o*ina som*nte * portuguê*, *he*a*do no Vietn* o* Japão, com seus ide*gra*** * *aracte*es que nada significam *o nosso cérebro, dificultando ativida**s que para n** s*o corri*ueiras, c*mo *ega* u* *nibus *u *edir o c**ezinho de f*nal de tarde. Essas inc*ngruência* *az*m *om q*e a autonomia desa*areça, cri*ndo-s* muros invis**eis que nos t*rnam excluí*os do siste*a, nã* no* r*co*hecendo como at**e* passíveis de l*t* * transf*rmaç*o da*uilo qu* acre**t*rmos ser in**sto. Pa**amos cada vez mais a n*s retra*r e *ceitar o q*e os outros, como * capital, no* impõem, deix*n*o o *est*no como a*go in*xorável, alhe** a** nossos *nteresses. 1 Popul*ção es*ima*a para o ano *e 2017 *e *2.1**.920 p*ssoas. Fonte: https://cid*des.*bge.gov.br/bras*l/*p/sa*-
paul*/*anorama. Ac*sso em: ** de no*. *e 2017. Re*. F*A, T*r*sina PI, v. 15, n. 1, art. 11, p. *87-202, jan./fev. 201* *w*4.fsa*et.*om.b*/re*ista
L. P. Sant*s, R. *. Co*tella *90 O ***undo pon*o a destaca* é a c*ncentração de renda que perpassa de Norte a Sul *o nos*o planeta, Sader (2003, p.63-64) af*rma que: Os níveis de vi*a nunca foram tão desi*uais, nun*a destinos tão dif*re**iados s* a*resen*aram pa*a setore* da *u*a*idad*. Excesso* par* u*a min*ria, carência par* a grande maior*a. Vin** por c**t* da p**ulação *u*dial si*uada no hemisfér*o n*rte *on*entr* 85% *a riqueza, enquanto 80% da populaç*o do **m*sfério sul divi*e - *ambém de f**ma desigual - 15% da *iqueza mund*al. A mesma diver**dade qu* "mo*t*u" o po*o brasi*ei*o, *ão exis*e na hora de dividi* os divi**ndos da **quez* que penetr* e* nossos s*los e águas, *evando a p*es*nça de ana*fabetos *unci*n*i* em unive*sidades br*sile*ras, e analfabetos totais por d*versos rinc*es *o no*so B*asil Por c*ncord*rmos *om Freire (1985, p.15), é que pensamos na *r*tica pedagóg*ca com escrita de *artas, **ndo a*to potencial pa*a se *esenv**ver a leitura do mu*do e *ambém d* *alavra. Toda *eitura da p*lavra pressup*e *ma leitura a*ter*o* *o mundo, e *oda leitura da pal*vra implic* a vol*a s*bre * leitura do mu*do, d* *al m*neira que "ler mu*do" e "ler *alav*a" se co*s**tuam um movimento em que não há ruptura, em qu* você vai e *olta. E "le* mund*" e "ler pala*r*", no f*ndo, para m*m, impli*am "*eesc**ver" * mundo. Reesc*ever *om **pas, qu*r *izer, tran*fo*má-lo. A leitura da palavra deve ser inserida na **m*reensão d* t*ansf*rmação do mundo, que *rovoca a leit*ra de*e * dev* *e*eter-nos, sempre, * *ei*ura de nov* *o *un*o. *credita*os q*e *rab*lhar *om a escr*ta em s*la de aula favorece o p*sicionamento *rente a t*mas controve*sos, auxil*a na leit*ra e pro**ção textual den*ro d* diferente* componentes cur*iculares, e m*lhora * *eitura do mundo no qual habitamos e que construímos. A es**ita, c*mo K*erc*er (2013, p.85) traz "é um exercíci* que de*emos praticar - e cobrar - deles", no intu*to d* se *elh*rar *íveis do* considerados an**fabe*** funcio*ais que não co**tr*em estrutur*s mentais ne*essárias para a *lena interpret*ção do que s* enco*tra posto, tend* dificuld*des *ara trabalh*r com a inte*pretação de mun*o que se c*nfi*ura na mídia e em mate*iais es*ol**es, *omo o Li*ro *idático. Por e*sa r*zão é que defendemo* * trabalho pedagógic* da *scrita de cartas dentro *a Geog*afia Esc*la*, buscando uma s*ci*dade letrada que compreenda que *spaço *eog*á*ico é **te que * o*je*o de estudo d* *iência geográfica. Re*. FS*, Teresina, v. 15, n. 1, art. 11, *. 1*7-202, jan./fev. 2018 www4.**a*e*.com.br/rev**ta Car*as Para Que Te Q*er*: uma Expe*iência de L*itur* do Espaço Geográfico na Geografia Escolar 191 A prátic* pe*agóg*ca de e*c*ita de ca*ta* encontra seio em t*ês pila**s principais: Fre*n*t (1973); *idelcoff (199*); e Piaget (19*8), os qu*is se ins*rem em uma perspec*iva *e*te *bjeto com um* p*oposta d* formação reflexiva e *rítica, demonstrando as *os*ibi*id*des que uma *arta adqu*re na *rática pedagógica de *rof*ssores que anseiam * fo*mação de l*it*res-produtores de textos c*ítico*, além de observar nesse material um *lto potencial *a*a c*mpreensão do que *os*ella (2008, *.38) *enominou de Es*aço M**t**mente Projetado (EMP). Espaço *entalmente Pro*etado é um termo utilizado pela *eo*ia que co*preende a forma ou a maneira como * aluno, s*jei*o da aná**se, p*de enxer*a* um espa*o q*e es*á em sua men*e, no seu *m*gé*ico, *or meio de ações e *oordenações de *ções diante de conceitos q*e *omp*eendem *m es*aço a*sente co*cretame*t*, mas presente em sua capacidade d* pr*j*tar. *o mesmo esteio, S*ntos (2017, p.41), *en*a*do *obr* o Es**ço *entalmen*e Pr*jetado complement*: O Espaço Geográfico que **nsamos é a*uele que se faz *e fo*** relacio*al, *elineado a partir d* difere*tes escala* e su*eit*s q*e de for*a con*unta o constrói a p*rtir de ações que eng*ndram o* aspec*os visíveis e invisív*is que formam este espaço. Nos*a acepção * que ele pode ser co*preendido pe*o su*eit* que *esmo não o e**erenciando co*cretamente, o concebe de *orma conce**ual, *he dando *entido e va*or. *ensand* o EMP e n* escrita de cartas en*re sujeitos em d*feren*e* *ea*ida*es é q** delineamos a nos*a pr**ica voltada para a Geografia Escolar *qui exposta, fruto d* um trabalho *aior (SANTO*, 2015) que busc*u *ompreend*r com* *e dá a a*r*ensão *este Espaço Mentalment* P*o****do po* parte de jovens est*dantes. * RE*ERENCIAL TEÓRICO 2.* Traç*n*o Andanças: a prática peda*óg*ca das ca*ta* * Geo*rafia é uma ciência que n*sce a*t*s mesmo de que homens e *ulher*s def*nirem o que é *i*nc**, seus *abe*es essenciais surgem de uma necessida*e de c*nhecer o ambi*nte, um *aber necessár** pa*a a nossa própr*a sobrevivênci* enquanto espécie. Rev. FSA, Te*esin* *I, v. 15, n. 1, art. 11, p. 187-202, jan./fev. *0*8 ww*4.fsan*t.com.br/revista L. P. Santo*, R. Z. Costel*a 192 Com o passar do* *éculos, as s*ciedades se estruturaram, passando d* nômades a sedentários - sed*ntários até demais -, a Geo*rafia se tornou ciênci* e os mé*odos present*s *e*** ciê*cia *e divers*ficaram. De um espaço absoluto, chegamos a um espaç* re*acional e, a partir daí, n*m a *eografia, nem seu ensino fora* *s mesmo*. ***t*o do pr*c*sso *e seu ensino, o **rpo docen*e neces*ita enc*nt*ar meios para o *esenvolvimento de uma l*itura *om*etente do Espaço *ue se tor*o* nosso *bjeto de estudo. *m uma sociedade de relações contradi*ória* que a*abam p*r de*inir a fisio*omia do E*pa*o Geográfico, o profe*sor necessita encontrar *eio* *ara que essa* con*radi*õe* s*j*m ac*l*idas e enfren*adas, no intui** de con*tru** uma socieda*e mais jus*a e dialógica. A i*possib*lidad* de uma leitura competente d* q** se encont*a nave*ando por *ste E*p*ço Geográfico que habitamos *ca** *or gerar ignorância * falta de conhecimen*o, * que traz *omo con*equên*i* * ad*são, em ve* de refl*xão, gritos, em *ez de ***logo; po*tanto, urge encontr*r meios p*ra se melhorar e*sa lei*u** da palavra e do mu*do. No n*s*o caso, pensamos, * partir *a escrita *e cartas, criar um a*biente de correspondência *ntre estudantes de duas ins*ituições escol*res loc*lizada* no e*tado do Rio Gra*de do *u*, uma na ca*ital (Porto Alegre) e ou*r* no inte*ior d* es*ado (Faxinal do So*urno). Partimos da in*errog*ção, como *ro*essores: como posso ens*nar Espa*os Ge*g*áficos q*e não s*o da *ivência deste meu alun*, m*s q*e permane*e no n*sso cu*rículo? Conforme o Guia de *iv*os Didático* d* Ensi*o Funda*en*al: A*os Finais Geografi* 2017: A Geografia, e* sua essência, f*la do não-eu. Do out*o. Do outro muni*í*io que não o meu. D* outro Estad* que *ão meu. De ou*ro pa** o que não o meu. De outro con*inente que *ão o me*. *e out*a religião, etn*a, geração, clas*e social, dentre outras dimensões, *ue não a minha (BR*SIL, 2016, p.12). Dessa forma é da nossa incumbênci*, *omo **ofessores de Geografi*, en**ntra* formas de se falar desse não-eu, deste município, Estado, país, continen*e q*e *ão o *eu, de uma relig*ã*, etnia, ger*ção, *lasse social que não a minha. Como f*zê-lo? Em nosso caminho, os prime*ros pa*s*s *ara se ente*de* o pensamento do nos*o alunado, se **icerçou *m *raduzir o t*xto v**o que é nosso Espaço G*o*ráfico para o papel, e troc*r es*es textos, estas cartas esc*itas, *om as es*olas pa*ticipantes da pesquisa. Instituições escolares que se centraram com* parte fundamental *a pesqu*sa, *ma vez *u*, *re*isá*amos pensar em espaços destoante* e ter *m público c*m vi*ên*i*s muito distintas. Rev. FSA, Ter*sin*, v. *5, n. *, art. 1*, *. 18*-202, jan./fev. 20*8 www*.*sanet.c*m.br/revi*ta *artas *ara Que Te Quero: uma Exp*r**ncia de Leitura d* Esp*ço Geográf*co na Geografia Escolar 1*3 D*st* forma, construiu-se o re*orte da pe*quisa entr* Faxinal do Soturno e Porto Aleg*e, ten*o uma e*col* localizada n* *eio rura* de u* pequeno munic*pio do Rio Grand* do Sul, com alu*os vind*s, em sua m**oria, de fa*ília de produtores r*rais, * ou*r*, uma i*st*tuição educacion*l local**ada n* capita* *os gaúchos, freq*en*ada *or *ma cl*sse *édi* alta, com a*to p*der de consumo * uma *ivência predo*in*ntemente urban*. Portanto, *uas realidad*s *estoantes, no o*jetivo de se compre*nder c*mo essas crianç*s apreendem realida**s que pa*a ela* * ausente, ma* que e*as p*ojeta* mentalmen*e, co*cei*uando esses espaços *t* ent*o de**onhe*id*s de *orma exper*nci*da. Ass**, nos al*cerçarmos n* práti*a da c*r**spondência inte***cola*, que se apo** no ideário *e Freinet (1973, p.71) q*e a con*id*r* o "elo ló*i** entre os m*ios difer*ntes que se *nterpenetram e se exprimem". A* carta*, hoje, são q**se que *bj*tos de museu, poucos *ão ai*da os *ujeitos que s* av*nturam na escrita, *omo faziam nossos **is e avós; mesmo assi*, torna- se *viden*e sua pote*cialidade no ca*po educacional, **ja na melhora d* escr*t*, *eja *a*a * *stu*o do ***aço Geográfico. U* ponto preponderante pa** a nossa pesquis* era a escolha *e uma form* de comu*icação. No ca*o, essa escolha pautada na* experiência* *xpostas por Freinet (19*3) e Nidelcoff (1993), se cent*ou n* *rópria *scrita de cartas que *oram trocadas entre as i*stituições edu*aci*nais pa*ceiras. Troca es*a **e se deu por m*os do professor-pesqu*sador, que levou as cartas de uma escola até a outra *n*regou, em e mãos, p*ra os alunos, n** a*te* que h**vesse uma lida atenta *o m*terial produzido e uma sel*ção d* um determin*do núme*o *e cartas. Essa seleção se torno* ne*essária pelo *úm*r* desigual *e estudantes. **r term** v*nte e duas car*as vindas de Porto Alegre * s*men*e sete **ucandos em Faxinal do Soturno, a *ele*ão se t*rnou *ecess**i* para não inviabilizar o trabalho, um a v*z *ue alguma* carta* r*petiam p*r*e das info*mações exis*entes, ach*mos melho* realizar uma breve tr*age*, ** *nde sele*ionamos as oi*o ca*ta* que continham mais in*ormaç**s da organização espacial de *orto Alegre. Das cartas vi**as de Fa*inal do **t*r*o, acabamos ut*lizando *odas a* s*te, *u* foram di**didas entre os g*up*s da esco*a de Porto Alegre. Depois que t*dos *s estu*a*te* leram suas carta* d*ntro dos se*s grupos, inte**gimos, c*locando ** *uadro as info*m**ões **ove*ientes de todas a* ca*tas. Essa açã* foi realizada *as duas instituições, uma c**versa c*m * gru*o m*ior, destacando o que mais lhe* chamava atenção, e como os jovens *a*iam trazi*o as Rev. FSA, *eresina PI, v. 15, *. 1, art. 11, p. 187-**2, jan./fev. 2018 ww*4.fsanet.com.br/re*is*a L. P. S*ntos, R. Z. Costella 194 informaç*e* de seus municípios nas cartas, destaca*do tud* o que havia sid* f**ado pelos leit*re* no qua**o *ara conhe*imento d* toda a turm*. As corr**pon*ê*cias se mostr*m um *ei* de abertura para a c**unicação entre al*nos e entre eles e * professor, po*sibili*an*o ao profess*r, por *xemplo, compreen*er * apreensão do mundo da crianç*, pois co*unicar envolve certo entendimento do mundo e, *ad* um "*omo ser pensante, comunicante, transformad*r, criador, r*alizad** de sonhos, capaz de ter raiv* po*que capaz de am*r" (*REIR*, 20*1, p.42), é cap*z també* de compreend*r *m mundo, me**o que *ste entend*mento seja *e *m "mund* com* fábula" (SANTOS, 20*0, p.09). A esco*ha por uma pr*tic* como a escrita de uma carta, em vez de uma si*ple* troca de e-mail entre os estudantes, deu- se ent*e outros m*t*vos, por q*e*ermos te* acesso total * este ato de **municaç*o. *ambé* foi intuito n*sso proporci*nar algo *ovo a estes estudantes (o ato *a escrita e o ato do *ece*im*nto/leitura de uma co*respon*ên*ia) *es*o que essa novidade seja advi*d* de *m objeto *e "museu" como é uma carta *scr*ta à *ã*. Consideramo* qu* a comuni*ação pe**anente é *e*essária den*ro do ambiente escola*, *or professo*es e alunos não *erem a*ess* direto às experiências e s*b*res un* dos *utros, o que lev*, mui*as vezes, a que *odos t**em a* s*** inte*pre*a*ões p*ssoais como sendo *atura*mente compartilhadas pelos outros sujeito*. Com i*so, * por meio de atos *omunic*cionai* (com* a e*crita de cartas) que a* discr*pâncias podem surgir e as tensões entre *s diferentes interpretações d*s suj**tos passam a se transformar em o*ortunidades de reflexão e aprendizagem para o doce*te e pelos próp*ios co*ega*. C om o **m c*loc**o por Gua*eschi (201*, p.130) "o que arrisco propor é que o ser humano se constrói e se *onstitui ao s**r de s* mesmo, isto é, a p*rtir do momento em que começa a se r*lacio**r, a dialoga*, a se c*munic**, a est*belecer vínculos". N*s palavras de *iaget (1993, p.58), "nós chamamos eg***ntrismo a in**ferenciação do ponto de vi*t* própr*o e dos ou*ro*, ou da atividade própria * das transformações do objeto". Del*al (2002, p.4*) comp**menta ao coloca* que "a criança pode não expressar *uas preocu*ações devido ao seu *gocentrismo in*el**tual, pois imag*na que as pessoas em to*no del* comp*rtilh*m seu ponto de vista e, ass*m, *ão precisa dar explic*ções ou fazer perguntas". No mom*nt* em que saímo* do noss* egocentrismo e pass*mo* * perceber * po*to de vista *o próx*mo, percebemos as contradi*õ*s q*e são a *ss*ncia do Espa*o Geográfico que h**ita*o* e, somente a *art*r deste pont* é que poderemos nos ve* com* agentes Rev. F*A, Tere*i*a, v. 15, n. 1, art. 11, p. 187-202, *an./f*v. 2018 www4.fsanet.com.br/revis*a Car*as *ara Que T* Quero: uma Ex*eriência de Le*tu*a do *spaço Geog*áf*c* na Ge*grafia Escolar 195 transfor*ad*res *o mes*o, *os dese*volvendo a p*rtir do di*logo e da* c*ntradiçõe* *ue não devem se* contornadas, mas ac*lhidas e en*ren**das para que, de forma cole*iva, poss**os pensar *s*a s*ciedad* h*man* tão diversa. Ao u*ar a imaginação e servir-se da emoção, os *ove*s descreveram seu mund* **tid*ano, o *ue forneceu as i*f*rm*ções iniciais, inclusive o mundo simbólico, di*p*nibilizando ao pesquisado* o fio condut*r par* que *e abra um canal de comunic*ção e i*form*ção que n*s faci*itou alcan*ar o **jeti*o propo*t*. Co*s*deram*s o at* de es*rever por parte destes **tudan*e*, um mero eleme*to de aná*ise sobre o d*senvolvim*nto cognitivo de certa rea*idade r*pre*entada p*r ele, p*ns*ndo que "a c*ild's spontaneo*s remark is, of course, m*re va*uable t*an all the quest*oning in the world" (PIAGET, *997, p.11). **m o ca*inh*r nessa fase da pe**uisa, clarificou-se que o cotidi*no exi*t* vivo na fala de nossos al**os, frases, pal*vras, desenhos, gestos, olhares, tudo são modo* peculiare* *e dizer, ou melh*r, c**tar o mundo e trad*zir a vida que c*r*un*a p** to*os nó*. Nes*e po*to conc*rdam** com Nidel*o*f (1*85, p.60): "valoriz*-lh*s su* linguagem pr*pria, suas atitudes, suas e*pressões e s*us ges*os, enquanto *i*tintos *aqueles aos quais * p*ofessor está acostu*a*o - mas ig*almente v*lidos". Aos *duca**os p*ss*rem * s** instigados, ou mes*o, desequilibrado* a produzirem *uas pró*rias carta*, *ogo, a dialogarem criticam*nte c*m sua* própr*as re*lidades socioespa*i*is, eles se tra**figuram co*o s*res ativos de*te p*o*ess* *e cons*rução do conhecimento, atores e a*tores de/em se* espaç*. C*n*endo nas letras *ese**ad*s por eles nas folhas de papel um i*inerário eficaz *ara compreende*, *té mes*o a escala de *al*res atribuída* pelo *ujeito *os diferentes lu*ar*s do município *o qua* *esi*em, contr*buindo co* "a tar**a pr*ncipal da educa*ão intelectua* *arece, pois, *ada vez mais, de formar o a pensa*ento n*o a *e enr*quecer a me*óri*" e (PIAGET, 199*, p.15). Pensand* na construção do c*nhecime*to com* pr**esso, na forma com* se **nceb* a formação do p**samento do su*eito, é que trilhamos a*ravés *e uma Geo*rafia que se*a mais do q*e mera ilu*tração da re*lida*e, p*nsan*o nessa *iên**a co*o *ns*rumento d* hum*nização dos s*jeitos nas suas vidas. Torna-se imprescin*ível *ara que isso deixe de ser algo a*str***, ou mero discu*so estéril, que exista a transposição do conteúdo pelo conte*do, essa reor*aniz*ção n*c*ss*ria é ou pelo me*os deveria *er, o ce**e de qu*lquer *eta e*tipulada pelos atores pre*ente* no proce**o educativo, como afir*a Cos*ella (2008, p.*2): R*v. FSA, Teresina PI, v. 15, n. *, art. 11, p. 187-20*, jan./*ev. 20*8 www4.fsanet.com.b*/r*vista L. P. Santos, R. Z. Cos*ella *96 O profess*r, ao transfor**r outros lugares em lugare*, *rec*sa apresen*ar d*is press*postos fun*amentais: um de*e* é conhe*er * conteúdo da Ge*gra*ia, *o*in*ndo sua ess*ncia e ten*o c*are*a da su* va*i*ade; um outro, é a capacidade em transfo*ma* *sse *o*teúdo em conheci*ento no pe*sament* dos alunos. Para realizarmos esse arranjo do* "outros lugares em l*gares" é que nós apo*amos na cor*e*pon*ê*cia interescol**, um f*o c*ndu*or que perpas*a po* uma des**ição do **p*ço vivenciado e o próprio modo de vida destes jovens, e**ão, foi-se in*tiga*do a que *stes descreve*sem como s* di*ert**, o que faz*m no fina* *e semana, como se locomovem at* a escola e pela cid*de, o que mais e menos g*sta* e* seus mun*cípios, qual o maior atrativo n* *s*ola, co*o são ** ruas e ave*idas *o ambiente com q** *ra*am suas *el*ções. T*mbém dialogam*s no c**inho de d*scrição de com* ser** o me*o *ura*, quais as maiores dificuldades no *ue t*ng* a e*uipame**o* *r*anos, quais deste* equipamentos sã* u***i*a*os por e*es e por *uas famílias. Essa e*trutura mont*da *or nós pesquisadores no quadro d*s salas de aula não se *ontorna como al*o *im*ntado, imóvel, *as sim, um norte par* termos cart*s com o *onhecime**o cotidiano do *u*eito, *spe*ançosos de **a*sformar em s*ber geográ*ico. *e*do *larifica**, desde o *nício ao* jo*ens escritor*s, que ele* pod*ria* registr*r os pontos que considera*sem primor*iais de sua vi*ên*ia quan*o do enfrentam*nto di*rio co* o E*pa*o Geog*áfico, se* *ecessar*amente segu*r essa estrutura conceb*da *elos pro*essor*s- pesq*isa*ores que e*tav*m diante de*es n* mome*t*. Mai* u** ve*, nos a*p**amo* em Nidelc**f (1*93, p.67) para desobstr*i* qualque* *escon*iança **bre a importância de *e abrir esp*ço às vozes *e nossos alunos, *ue, e* *ma página de papel fazem pulsar a vid* re** que passa ser se*tida c*m mais fo*ça do que em a *uitas aulas dadas por nós **o*essores. A *orrespondên*ia escolar é um* exper*ência riquíssima. Al*m do seu *a*or s*b o ponto de vista do dese*vol*imen*o da ling*agem *scr*ta (pr*picia a oportuni*ade de dizer al*o a al*uém, o que não é *u*to f*equente na es*ol*), tem um grande va*or do p**t* *e vista da informaç*o e da possibilida*e de l*gar-s* afetivamente a pessoa *e out*os lugares. Onde perman*ce a conversa, diá*o*o, liberdad* de e*press*o, pa*sa-se a te* vida, pers*stem geograficid*des, existe um ponto de pa*tida *e chegada para a c*nstrução do e conhec*mento. Rev. FS*, T*resina, *. 15, n. 1, *rt. 11, p. 18*-202, ja*./fev. 2018 www4.*sanet.c*m.br/revi*ta Cartas Para Que *e Que*o: uma E*periência de Lei*ura do Espaço G**gráfico na Geogra*ia Escolar 197 Com essa *ráti*a pe*samos nesse ir da transformação de espaços "sem sentido" para os edu*andos, a* lócus de *m *onteúdo que deve ser mod*fi*ado em u* saber s*gnifi*a*ivo. Na a**lise posteri*r da forma *e *oncepçã* destes lugare* descritos nas cartas é **e c*ns*guimos - pelo me**s acreditamos *isso - de *omp*eender *s nuances de se trabalhar *om o *spaç* a*sent* n* pr*cesso de ensino-*prendizagem, superando o **va*eio inócu* recor*ent* nos processos *e apre*dizage* da e*ucaç*o tradicion*l. M*ito mais d* qu* saber lo*alizar o* conce*tua*izar "os aflu*nte* da ma*g*m esquerda do rio Amazonas" ou sa*er que a capital da Aus*rál*a é Camberra e n*o Sidney, é saber "apreender * te*po no seu movimento" (SA*TOS, 2012, p.84), compre*nder que "dentro de *m *empo existem *em*os" (p.22), "ver" as r*la*ões existent*s *o e*paç* a**m d* nível d*s per*epções, é perceber o ausente al* po*to. Sokolo*sk* (2012, p.25) exemplifi**, *t**izan*o * objeto *eo*étric* conh*cido como cub*, *m p*uc* *a v*são que temos *obre *st* espaç* ausente posto nos li*ros didát*cos de Geograf*a e/ou nas listas de *onteúdo* cur*icu*ares. Considere o modo pelo qual perceb*mos um objeto material, tal como u* cubo. *e*os o cubo des*e um âng*lo, des*e uma *erspectiv*. *ão podemos ver o cubo d* todos os lados *e uma vez. * essencial para a ex*eriência de um cubo que a perc*pção sej* p*r*ial, com ape*as u*a par*e do objeto s*ndo diret*m*nte dada a cada mom*nto. Contudo, n*o é o ca*o de que somente *xperi*nc*a*os *s la**s **e são visíveis d*sde nosso ponto *e vista *resente. *o** vemos aqueles lados, tamb*m intencionamos, cointe*ciona*os, *s lados que estão escondidos. Vemos mais do que o olho alcan*a. *s lados pr*sen*eme*te vis*v*is *stão en*olvidos por um halo de la*os p*tenc**lmente vis*veis, *as r*alm*nte ausentes. E*tes outros lados sã* d*dos, mas dados precisamente *omo ausente*. Eles tam*é* *ão par*e do q*e experienciamos. E*te au**nte, ao pe***stir nos cur*ícu*os, precisa s*r refletido por nós *ducadores. A ponto que, ao n*s depararmos com um *e*erminado conteúdo exist*nte no livro did*tico, *or e*emplo, e*tamos nos depar*ndo com uma única faceta de** (u* ú*i*o ângulo, um d*term***do ol*ar), sendo *ue exis*e por t*ás do *isív*l *ma m*sce*ânea de relações que podemos inten**onar, indo além do que esta**s vendo. Parte deste ponto a necessidade da abstração para o *a*po e*ucacional, seja na Geografia, s*ja em qualqu*r áre* do con*ec**ento. Ao *ensar no *MP, e *o pe*sar na prát*ca *e correspondê**ia, pensamos em n*s transformar em protagonistas *o process* de construção do conhe*imen*o * ** espaço geográfico, *sso seri* um probl*ma? Acredi*am*s que não. *ev. FS*, Teresina PI, v. 15, *. 1, art. 11, p. 187-202, jan./fev. 2*18 www*.fsanet.*om.*r/r*vista *. P. San*os, R. Z. C*stella 198 O teor *magético é *m*ortante em distint** fatores de nossa vida como espécie hu**na. C*mo bem ques*io** Bachelard (20*8, p.18): "co** prever sem imaginar"? Podem*s **zer que a a*toria nos *ssusta. Cre*c*mos em um mundo onde não estamos habitu*dos a ser arquitetos de no*sa pr*pria his***ia e, a* possibilitarmos isso aos no*sos co*aboradores de pesquisa, conseguimo* potencializar que "be*ezas" che**ssem até nossas mãos *e professo*es-*esquisadores que somos. Vale destacar *u* *stes jov*ns não e*t** aco*tumados a e*crev*r, a serem autores de suas próp*ias hist*ri**, pe*o meno* não no meio analógico. Mesmo a*ocados no s**to *u sétimo *no, observa-se, e* ambas *s i*stituiçõ*s *e ensino, a*g*m*s dificuld*des latentes de escrit* *xpr*ssão, até mesmo com erros * qu* se relevam **s *oss** o*hos, m*s na*a que e*t*ague o poder de express*o contido n*sse *n*trumento *etod*lógico. Assi*, além de se* um modal par* co*hecer o aluno, esta atividad* se mostr* *ficaz para o pr*p*io desenvolvimento da *scrita e **organização do *ensamento necessário para coloca* nas linha* algo c**rente co* o que qu*rem c*m**icar uns aos outr*s. Com* bem *raz *reire (2012, p.*2) "* c*municação e a inter*omuni**ç*o envolvem a compreensão do mundo", por isso a necessi*ade de se tr*bal*ar com uma dessa* f*rma* *e c*m*nicaç*o humana que é a escrita. Seg*em dois trechos desta passagem *o "Espa*o Geográf*c*" *o *ap*l: "*q*i tem ruas amplas asfalt**as, c*mo tam*ém tem ru*s mais estr*itas co* paral*lepípedos, mas *s mais comuns são as aveni*as asfal*adas c*m duas ou três pist*s para cada "mã*", norma*m*nte te* can***ro no meio", "não t*m muitos cam*os, lavoura* e fazendas, o meio rur*l é peque*o tem alg*mas árvores em um c*mpo grande e umas casas. N*o me *embro direit* como * porque só *ui *ma *ez * passei apenas pela "frente"" (t*echo de *ma carta de *ma aluna *e Porto Aleg*e). "As ruas são *e terra e outras de pedr*s. O nosso meio ru*al é c*eio de camp*s, lavouras, an*mais á*vore* e várias ou**as coi*as, e o meio u*bano tem *ár**s casas, *ancos, pr*ças e supe*mercados". "O meio **ral é muito legal, por**e divertido de manhã cedo é acord*r com * canto d*s pássar*s". "Eu ach* um **ximo m*ra aqui, não te* v*ol*nc**, não tem muito movimen*o e *enho óti*os amigo*". "Aqui não t*m muito mo*imento, as ruas não têm muito trânsito, são p*ucos hab**antes aqui, o único *ug*r moviment*do de Fax*nal é a a*enid* Vicente Pigato *ue é ** lado *a pr*ça" (*rech* *e cartas dos alunos de **xinal do Soturno). Em um q*adro comp*rati**, perc*bemos e* *ort* Alegre um olhar de espaços **vimentados, com a*eni*as l*rga* e por onde transita diariamente um c*nsideráve* *úmero Rev. FS*, Teres**a, v. *5, n. *, **t. 11, p. 187-20*, jan./*ev. 2018 www4.fsanet.*o*.br/revista Cartas Pa** Que *e Que**: uma Ex*eriênc*a *e Leitura do Espaço Geográf**o na *eografia Escolar 199 de sujeitos p**a s*us *fazer*s diá*i*s. T**-se uma vis*o d* uma *ensid*de *emográfi*a *aior d*ntro *o urbano, contr**iamente a* rural que é *ormado por *m quadro comp*sto de p*ucas pessoas e *rv*res, * rural é quase que uma pr*jeção de um e**aço vazio, um me** *evaneio para esses *ujeitos. * rural parece s** um espaço *p*c*, v*zio par* n*s urban*s. *á em Fa*inal *o Soturno, observa*os u* *ugar t*anquilo que e*capa do cotidiano de nós pesqu*sadores e dos estudante* da *apital. Sendo que, o mo*imento s* *once**ra em determi*ado ponto *a ci*ade, enq*anto os outro* per*anec** n* tranqui*ida*e que *ermite ao meno* atento ouvido à escuta do bel* can*ar do* pássar*s. Os temários tr*nsito, lix* e viol*ncia emerg*m como pont** ce*t*ais n*s corresp*n*ênc*as de *orto Ale*r* e Faxi*al d* Soturno, mas seriam est*s os prob*emas centrais para *stes jove*s? *ão nos parece enq**nto *esq*isadores i*ser*dos ne*sas duas realida*es que estes temas sejam tão pro*minentes nas mesm*s realidades. O que nos resta? Vamos à pesquisa! Com d*scri*ões com* estas é que se *es*culta o mundo const*tuído *elos olhos destes jove**, - o que *orrobora de for*a imensurável *a*a concr*tude de nossos ans*ios *entro da pesquisa - *ubjeti*idades construídas a partir das pr*prias intera***s destes c*m os *bjetos que e*tão postos por aí, com* a**oga um d*s basi**res de no*sa pesqui*a, "o po**o es*encial de *os** teoria é o de que o conh*cime*to resulta da interaç*o entre s*jeito e *bje*o que são mais ricas d* *ue *quilo que os objetos podem fornecer por eles" (PIAGET, 1995, p.87). 3 CON*IDERAÇÕES NÃO *ÃO FINAIS As correspon*ências se m*stram um belo in*tru*en*o para ser ap*icado em diferentes faixas etárias e níveis so*ioeconômico-culturais. Elas auxil**m na identific**ão d* *es*nvolvi*ento cognitivo d*s a*unos **mo *ma represe*tação do **ndo p*óxi*o *, t*mbé*, le*am a co*he*e* não só *uas informações sobre os lugares, *as também se* imagin*rio sociocu*tural. Igu*lmente se tem confirmado a es*ol*a pelo recorte *spa*ial *a *es**isa que s* co*figuram c*mo espa*os desto*ntes, amparan*o assim p*ra a conc*e*ude de nossos *bjetivos. Como F*einet (**73, p.104) col*ca "apro*eito para sublinhar que nã* é *e*essári* ter um cor*espondente muito l**ge; *ntere*sa, *o*retudo, que o meio *m q*e vive **ja di*er*nte". Rev. *SA, Teresina *I, v. 1*, *. 1, art. 11, p. 187-202, ja*./fev. 2018 www4.*sane*.com.**/revista L. P. S*ntos, R. Z. C*s*el*a 200 Est*s c*r*as ofer*am dados *os doce*tes *obre si*uações de vida, pensamentos, medos, *nse*os, sonhos. P*r mei* da* l*tras e a*r*vé* de um *imple* lápis na mão e uma folha de papel, em atividade individual ou c*l*tiva, l*va à eros*o do diálogo *ilencio*o que permeia nosso meio educa**onal, tr*nsform*ndo-se em um "*** d* rabisc*s" que nos apr*xima d* espaço vivenc*ado, do esp*ço concreto em que est* jovem tra*a *uas relações diárias. Se o* sujeitos s*o úni*os, com caminhos de vida e d* apre*diz*ge* distintos, os lugares também não são homog*neos, bem **mo *antos (2012, p.91-92) *raz: "se * espaço não *ignif*c* a mesma coisa para t*dos, t*atá-lo co*o se e*e fo*se dotado de um* *epr*se*taç*o comu* sign*fi*ari* uma e*pécie de violência co**ra o indivíduo". Nesse p*nto é q*e pen*amos ganha* * nosso tr*bal*o, **nsid*rar sujei*o *u **paços *omo a**o im*vel, *stanque é o camin*o a percor*er para * m*rte da G*ogr*fia como *i*ncia, ao os en**ndermos c*m* "se*es" d*nâmicos e complexos em const*n*e m*vi*ento, e* um const*nte *rocesso, já se jus*ificari*m nossos *nseios com es*e tra*al*o. Além disso, a pos*ibilidade de se ex**ess*r a partir da escrita, pode le*ar * *ma me*hora no processo de escri*a in**rpretação, que vai *lém do ato de dese*har as letras e *onhecidas, * perpa*sar po* *m process* de reflexão e en*end*mento de f*nôm**os e **tuações antes de s* tornar*m gr*fite e pa*el. Des*a *orma, a G****afia pode/deve *uxiliar *a err*d*cação d* *nalfa*etismo f*ncional, pois não vemos como pensar em uma s*ciedad* mai* ig**l*tária, se os nos s os s*j*itos alunos não compreendem minimamente o Espaço Geográfico que é fru*o de t*n*a* divers**a*es que co*xi*te*, à* v*zes de form* harmônica, às vezes de forma conflituosa. Então, lá*is na mã* e...*ção! REFERÊNCIAIS BACHE*ARD, G. A poétic* do e**a*o. Tradução *ntô*io de Pádua Da**si. 2. e*. S*o Paulo: Martins F**t*s, *008. B*ASIL. Ministério d* Educa*ão. PNLD 2017: g*ogr*fia - Ensi*o funda*ental anos *inais/M*nistéri* da Educação - Secretária de Edu*ação *ásica - SEB - Fun*o **ciona* de Desenvolvime*to da Educaçã*. Brasília, DF: Ministério d* Edu*ação, Secretaria *e Ed*ca*ão Básic*, 2016. COSTELLA, R. *. O signifi*ad* da c*nstrução *o c*nh*cimento geográfico ge*ado *or vi*ências * p*r representações espacia*s. 2008. 20* f. T*se (Do*t*rado em Geograf*a) - Univers*dade Federal d* Rio G*ande do Sul, Porto Ale*re, 2008. 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