www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 15, n. 1, art. 3, *. 43-64, jan./fev. 2018
ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983
ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2018.15.1.3
"Só Existe Macho e Fêmea, o Resto é *ambiar*a": Analisando Discursos da Campa*h* Fala
Home*
"On*y Ther* *s Male and Fema**, the Rest is Q*ick Fix": A Ana*ysis *f *iscourse* of a Manifest
**nan G*mes de Mou*a
Me*trado *m *dminis*ração pela Universi*ad* do Grande Rio
Gr***ação em Ad*inistração pel* Centro Un*versitário *eraldo Di Biase
E-*ai*: renangmoura@gm*il.com
Rej*ne *revot Na**imento
*ou*ora em Engen*a**a de Prod*ção pela Univers*d*de Federa* do Rio de Jan*iro
Professora da *niv*rsidade do Gr*nde *io
*-mail: *ejanepre*ot@*o*.com.br
End*reç*: Renan Gomes de *oura
Editor Científico: Dr. Tonn* Kerley de Alenc*r
*u* d* La*a, 86 - 9* and** - Lapa - Rio de Janei*o / *J-
Rod*igues
Bras*l - CEP 200**-1*.
Artigo recebido em 25/09/*017. Úl*i*a
versão
E**e*eço: *ejane Pr*vot Nascim**to
receb*da em 19/*0/2017. Apr*vado *m 20/10/201*.
Rua da La*a, 86 - 9º *ndar - Lapa - **o de Janei*o / RJ-
Brasil - CEP *002*-1*
Avaliado pelo siste*a *riple R*view: De** Revie* a)
pelo Editor-Chefe; e b) *ouble **ind Review
(avaliação ceg* por dois *valiadores da área).
Revis*o: Gram*t*cal, Norma*iva e de Fo*mat*ç*o
R. G. *oura, R. P. Nasci*ento
44
RESUMO
Os comp*rtamento* que
*e*os hoj* "pertencentes" a home*s e mulhere* e t**os
como
"*ormai*" foram *o*ialm*nte construídos e "*o âm*ito dos estudos *obre gênero
e
sex*a**da*e, o tema da *asculinida*e
ad*uiriu grand* visibilid*de nas últimas décadas. No
fin*l d* sé*ulo passado, o gênero masculi*o foi t*ans*ormado em
objeto científi*o"
(HEILBORN, *010, *.109). Eevid*ncia-se que existe um ideal de m*sculinid**e, o qual está
associado a diver*o* *om*ortamen**s e c*ra*t**ísticas q*e seri*m repres*ntativas do *o*em
idea* (SOBAL, 2005; CONNELL; MESSE*S*H*IDT, 2013). Est* pesquisa tem po*
o**e*i** compreender *s diferentes posi*io*amen*os discu*sivos man*festad*s por usuários de
redes sociais sobre o **e é ser homem. O mé*odo utilizado no present* a*tigo par* coleta do*
d*d*s consistiu no uso da netnogra*ia.
Palav*a*-chave: Masculinidad*
Hegemô*i*a.
Masculinidades.
Netnog*afi*.
Gênero,
Dom*na*ão masculi*a.
ABSTRACT
*he beha*i*rs **at w* h*v* *oday "be*ong*n*" *o
th* men *n* wome* and r*garded as
"n*r**l" have b*en soc*ally co**t*ucted and "u*der the gender and sexual*ty studies, the
theme of masculinit* has acquired
great visibil*ty in recent
decades. At the end of t*e last
*entury, the male gende* was trans*orm*d into * s*ient*fic
object "(HEILBORN, 20**, p.
10*). Eevidenci*-if there is an *deal of masculinity, which is associat** with the
various
b*haviors and
charact*risti*s that would be rep*esentative of the ideal man (SO*AL, 2005;
*ONN*LL; MESSERSCHMIDT,
2013). *his res*arch aims t* understan* the
d*ffer*nt
dis*ursive positions expr*ssed by users of soc*al *etworks abou* what a man is. The meth*d
used in thi* article for da*a collection c*nsisted in the use o* *etnography.
K*ywords: Hegem*nic Masculinity. Masc*l*nitie*. N*tnography. Gender. Mal* Dominati*n.
Rev. FSA, Teresina, *. 15, n. *, a**. 3, p. 43-64, jan./fev. 2*18
www*.fsanet.co*.br/revi*ta
"Só Existe Macho e Fêm*a, o *e*to é *ambiarra": *nalisando Discu*so* da Ca*panha Fala H*me*
45
1 I*TRODUÇÃ*
No *ia 26 de outubro ** 2016, Nat**a, através de su* f*npage no Fa*ebo*k, c**ou a
o
Manifesto H*m*m em Transição, iniciando *ma ampla con*ersa sobre o t*ma. Este a*otou o
slog*n "F*la H*mem" co* o intuito de p*opor u*a discussão sobre o *ue se* ho*em. O *
Texto que ac*mpanha*a o ví*e* era atrativ* e *á s*p*nha a *xistênci* de mascul*nidade. "*
masculin*dade libertou-se. São mu*tas as mane*ras de se* homem. Chegou a hora de d**cutir,
falar, *ialogar, *escobrir" e então vinha a pergunta: "O q*e é ser home* para v**ê? ".
F*gura 1 - Manifes*o Homem ** *ransi*ão - Image* retirada da fanpa*e da N*t*ra
Os co*p*rt*men*os qu* t*mos hoje "pertencentes" a homens e *ulheres e tido* *omo
"normais" fora* socialment* con*truíd** e, "*o âmbito do* estudos s*bre
gênero
e
sex*al*dade, o tema da masculinida*e ad*uiriu g*ande visibi*idade nas ú**imas dé*adas. No
f*nal do *éculo passado, o gênero masculi*o foi t**nsformado e* objet* c***t*f*co"
(HE*L*ORN, 20*0, p.109), e em um *ont*xt* *egemônico *e masculinidade pode-se dizer
q*e "h*me*s que receberam os benefício* do patriarc*do sem adotar uma
vers*o *or*e
da
*ominação m*sc*lin* p**em ser vistos c*m* aqueles que adotara* uma cumplicidade
ma*cu*i*a" (CONNE*L; ME*SERSCHMI**, 20*3, *. 242). Corrob*r*ndo com a ideia
exp*sta, *****ncia-se *ue existe um ideal de ma*culinidade, o qual está vinculado a div**sos
compor**m*ntos e c*racterí*ti*as q*e **riam r*p*esenta**vas do home* ideal (SOBAL, 2005;
Rev. F*A, Teresina **, v. 1*, n. *, art. *, p. 43-64, jan./fev. 2018 *ww4.fsane*.com.b*/revista
R. G. M**ra, R. P. Nascim*nto
46
CONNE*L; MESSERSC*MID*, 20*3), *or*m Laraia (2007) ev**e*cia que as dife*e**as
comp*rtam*nta*s exist*ntes **t*e os sexos n** são de**rminadas biologica*ente, ma* si*
pela cult*ra. Corbin relat* que "a difer*nça anatômi*a * fi*iol*gica
ent*e hom*m e mulher,
rep**e-**, e
gover*a não apenas a "vida *exual", *as t*dos os comp*nente* d* se*" (*013,
p.*5). Se em um ponto existe *ma m*sculinidade h*g*môn*ca e s**e-se
que
os
c*mport**ento* *asculin*s *ão *o*ialmente construíd*s e estão à
par do s**o *ioló*ic*,
que*ti*na-se: Como é c*mp*ee*dida a *asc***nidade p*la perspec*iva *e homens e quais são
seus reflexos na sociedade?
*pesa* da compreensão cada vez mais *recisa dos mecanismo* da opressão, a divisão
*a humani*ade em homens e mul*er** ainda é *e*almen*e apres*ntada co*o n*t*r*l. O fa*o
de que, a* lon*o *a his*ória, a "natureza" s*mpre foi invoc*da pa** just**i*ar o **der de u*
g*upo sob*e outro não tem, pa*a a *aio*ia *as pe*so*s, dúvidas sobre a validade da div*são **
h*manidade em sex*s. *s pessoas
**e afirmam que a pr*sença da mãe * essencial
para
*
*esenvo*vi*e*to
da *riança *ur*n*e os pri*eiros dezoito mes*s, ou que * *aterni**de
é
a
*aior reali*a*ão da mul*er, estão di*farçando * qu* é cultura*, alegand* que é *a*u*al
(REYNA*D, 2004).
Dito *sso, c*nsidera-se relevante teoriza* e discutir c*nc*ito*
a re*peito das *árias
*anif*stações da masculinidade, suas múl*i*las formas de
*iolências, bem co*o suas
**fere*tes formas de se *sta* no mun**, além
de "represent*r o q*e é ser h**em, que o
é
vio*ência e a po*sibilidade de *e*acionar ess*s co*c**tos, leva*do em conta a persi*tência de
v*lhas *or*as d* construção s*mbó**ca d*s gêneros e tamb*m a emer*ênci* de nov*s
**nfigurações, com valores da "alta modernida*e" (SANTOS, 2*10, p.123). D*ante *o
exposto *s*a pe*quisa pro*õe-se co*pr*ende*
*s di*erentes
pos*cion*me**os dis*u*sivos
man*fe*tados por usuários de redes sociais sobre o qu* * s*r homem e q*a*s os s*us reflexos
na soci*dade.
2 REFERE*CIAL *E*RIC*
*.1 *ênero e Masculi**da*e
Grande p**t* da* s*ciedade* pos*u*m re*atos *ulturai* de gên*ro, mas nem todas têm o
c*nceito de masc*linidad* muito bem def*nido. Em se* uso mode*no, o ter** assume que o
com*ort*mento
de um* pessoa resulta d*
tipo de pess*a que é, ** seja,
uma pessoa não
masculina se comportaria de maneir* *ifer*nte: *er p*cífica, em vez de violenta, con*iliad*ra
Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-64, *an./f*v. 2*18 w*w4.f*anet.com.*r/revista
"Só Exis** Mach* * *êmea, o R*sto é Gambiar**": An*lisando Dis*ursos da Cam*anha Fala Homem
*7
em vez de domin*dora, dific*lmen*e capaz de joga* futebol,
d*sin*eressada na *onquista
s*xual, e
assim por *iante (CO*NEL*, 2005). Nesse sentido, H*ywood e *ac ** Gh*ill
(200*) re*atam que, soci*log*camente, os homens
e**ão numa
posição priv*le*iada. Novos
quadros têm e*ergid* de supos*çõ*s do senso comu* do *roblema sobre gênero. O segundo
m*vimen*o fe*i*ista **s déca*a* de *960 e 1970 fo**eceu um vocabulário s*ci*l que incluiu:
polític* s*xual, patriarcado e di**s*o *exual do t**balho. *ais recenteme*te, *s escrit*res de
gays * lésb*cas, o ativismo da AIDS e a influência da teoria queer tor*ar*m pop*lar um*
l*nguagem
*m
t*rno
da
regulação
s*xual,
em**egando
noções
de
*o*ofobi*,
heterossexu*lidade com*ulsór*a, matriz *eterossexual e id*nti*a*es *ransgênero.
*e*undo Con*ell (2005), o gênero é a pr*tica social que constan*em*nte *e r*fere aos
co*pos e o que *s cor*os fazem,
não é a prátic* soc*al reduzida ao corp*. De *ato,
o
redu*io*ismo apresenta o inverso e*ato da *ituação real. O
gênero
existe
preci*amente
na
medi*a *m q*e a biologia não d*te*mina o soc*al. *le marca um daq*eles **n**s de transição
em que o proce*so histórico su*stitui a evolução biológica co*o f*rma de mu*ança. O gênero
é um escândalo, um ul*raje, do
*ont* de vist* *o es*enciali*m*. Os soci*bi*log*s estão
con*tantem*n*e t*nta*do aboli-lo, prova*do que os arranj*s sociais humanos são um re*l*xo
d*s imper*tiv*s evo*utivos. C*rrobora*d* com a ideia anterior, Butler (2015) *el*t*,
qu e
*
gênero é cultur*lmente const*uí*o, *ão *end* um r**ul*ado do sex*
bio*ógico e tão pouco
é
u*a construção definitiv* *omo é sexo. *endo assim, pod*-se c***reender *
qu* o gênero
são as cara*teríst*cas e signi*ica*os c*lt*rais as*umid*s por
um corpo sexu*do (BUTLER,
2915). Para S*ott (199*, p.86) "o n*cleo da definição rep*usa igualmente
numa conexão
*ntegral e*tre
duas proposiç*es: (1) o gênero é *m el*men*o co*stitutivo
** relações soci*is
baseadas nas diferen*as percebi**s en*re os sex*s e (2) o gêner* é u*a forma *rimári* de dar
significado à* relações de pod*r". Ness* s**ti*o, co*pree**e-se que falar de g*ner* *erpassa
pelas relações sociais, sexu*is, abarcando ainda *elações soc*ais, instit*cionais e pol*t*cas.
Conne*l (200*) *elata *u*, em vez *e tentar definir a mascu*i*i**** como *m objeto
(um tipo de c*ráter n*tu*al, uma média compor*amen*a*, uma norma), precisamos nos
*on*entrar
n*s p**ces*os
e nos relacionamento*, atra*é* dos quais homens e mul*eres
c*nduz*m suas vidas *n*cr**as no *êne*o. A masculinidade, na medida em que o ter*o pod*
ser
brevemen*e defi*ido é, simultan**me*te, um
lugar nas *elações de gêne*o, nas práticas
pelas quais h*mens * *ulheres engajam esse lugar n*
g*ner* e os ef*itos dessas práticas na
*xperiênc*a corporal, na perso**lidade
e na
*ultura (CONNELL, 2005). Dito isso,
compre*nde-se que as práticas que s* relacionam com essa est*utura, geradas à medida *ue as
p*ssoas e os gru*o* l***m co* sua* situaçõ*s históricas, não consistem em atos isolados, aos
R*v. F*A, Teresina PI, v. 15, n. 1, art. *, p. 4*-64, jan./fev. 2018 www4.fsanet.co*.*r/revis**
*. *. M*ura, R. P. *a*cim*nto
48
quais a* *ções são c*nfigur*das em u*id*des maiores. E, q*ando falamos de masculi*idade *
fe*inilidade estam*s nomean*o *onfig*rações das prát*cas
de gênero. Butler (2015, p.194)
relata *ue es*as at*ações *ão e*tendidas co*o atos "pe*fo*mativos, no sentido d* que
a
essência ou identid*de q**, por
outro la*o, pr*tend*m e*p*e*sar *ã* fabricações
*anufaturada* *usten*ada* *or signos co*póreos e o*tros meios disc*rsivos". *ito is*o, o e
corpo é
um dos meios ao qu*l * *ênero se m*nifes*a,
isso in*lui a* m*sculinidades
feminilidade*. Se*** assim, a próxima seçã* visa explanar o conc*i*o de masc*linida*e
hege*ô**ca *asculin*dades. S*mpson (2004) af*rma q** * gênero *, portanto, visto com* e
uma prá*ica social, e mas*ulini*a**, como uma configu*ação d*s*a prática.
2.2 Mas*ulinid*de Hegemô*ica X Masculinida*es
A libertação masculina e*ige que os homens se liberte* dos estereótip*s do pap*l
sexua* que *imitam sua cap*cida*e *e ser hum*no. Os estereótipos do* p*péis se*uais *iz*m
que os homens de*em ser dominantes. A*cança* e promul*ar *m papel dominante
nas
r*lações c*m os o*t*os é muit*s veze* tom*do como um indicador de *u*es*o. "Sucesso" *ara
u* homem *uitas vezes envolve infl*ên*ia sobre a vi*a *e out*as pess*as. *as o *ucesso na
obtenção *e posições de domi*ação e influên*ia não é necessar*amente aberto * t*do homem,
uma vez *ue o domínio * rel*tivo e, port*nto, e**asso por definição. Na ver*ade, nem tod*s
os ho**ns co*seguem alcanç*r as posições d* dominação que os estereótipos do *apel sexual,
ide*lmente,
exigem. Os estereótipos tendem a ident**ica* *sses homens como fraca*so*
*aior*s ou menores e, em casos extremos, os homens que não dominam são objeto d* pi*d*s,
de*prezo e simpat*a *e esposas, *are* e sociedade em geral (SAWYER, 2004).
C*nsiderando que outras divisõ*s da hu*a*i*ade podem t*r m*is ou menos clareza,
*tilidade ou **lidade, n*n*uma outra f*rmul**ão é tão ubíqua; está i*b*ída
com
tanta
convicção e*oci*nal, ou é subscrita com um
co*prom*sso sis*emátic* e energético de uma
sociedade e desenvolvimento como a atribuição de *êneros E suas carac*erísti*as *resum*d**
(RE*NIS*H; ROSENBLUM; SANDERS, 1987). Nesse co*text* destaca-se * mas*ul*n*dade
hegemônica.
O adjetivo "h*gem*n*co", *eriv**o d* Gramsci, surg* como ** sério
p*oblema t*ór*co, uma *ez que o termo implica c*n**ante luta pela po*içã* de
prepond*rância. Se é fato que ainda *xi*te *ma forma hegemônica de
*asculini*ade, trata-s* de refletirmos a respeito da qu*stão: *ormas *ist*ntas
de mascu**nidade, a* se c*ntraporem à pr*dominante, busc*m ocupar tal
p*sição h*gemônic* *u, será que * que pretendem é, sobr*tudo,
*ec*n*ecim*nt* como uma forma tam*ém legí**ma e p*ssível ** experienciar
R*v. F*A, Te*es*na, v. 1*, n. 1, a*t. 3, p. *3-64, jan./fe*. 201*
www4.fsanet.co*.br/r*vista
"Só Exist* Ma*ho e Fêmea, o Rest* é Gambiar*a": Analisando *i*cursos da Camp*nha Fala Homem
49
a m*sculi*idade? Pretende*os, ao recuperar o sen**do orig*nal d* *egemonia,
r*flet*r de *orma c*ítica sobr* as i*pli*ações de tal apropri*ç*o te*ric* *os
es*ud*s so*re masculi*ida*es (FIA**O, 2005).
*videncia-se *ue a ma*culi*i**de hegemônica in***pora
*ma estrat**ia "atualme*te
aceita". Quando as *ondiç*es *a*a a defe*a ** patriarc*do mudam, a* bases para * domínio de
uma masculinidad* espec*fica são c**roída*. No*os grupos podem des*fiar *ntig*s soluções e
c*ns*ruir uma nova hege*onia. O domínio de q**lquer grupo de home*s pode se* desaf*ado
por mu*heres. A hegemon*a, então, é uma rel**ão historicam*nte m*v**. Seu *l*x* * ref*uxo *
** elemento-chave d* imagem da masculinidad* (*ONNELL, 2005). Bou*dieu (2014) rel*ta
que os s*res hum*nos, homens e *ulheres, são forçados a ap*ender e incor**rar, "sob a forma
de esque*as inconscientes de perc*pçã* * apreci*ção, as estruturas hi*tóricas da ordem
mascul*na" (p.17). Nesse sen*ido *ompree*de-se que as pess*a* *ão inserida* de
forma
inconscient*, em
um sistema
dominado por características masc*l*nas, o qual propa*a
a
divisão en**e
*om*ns e m**heres
através de cate*or*as singulares a cada um. O au*or
ev*dencia aind*, que "a fo*ç* da ordem masculina se evidenc*a n* fato de que el* di*p*nsa
justi*icação" (2014, p.**)
No que **n*e às caracter*sticas masculinas, Bourd*e* (201*) desta** que algumas
características e *tiv*dades *ão as*ociad** a* masculino a partir do momento que se op*e* ao
que é fe*inino *o*o por exe*p*o "alto/bai*o, em cima/ emb*ixo,
na fre*te/atrás,
d*reita/esquerda, reto/c*rvo, ****/úmido, du*o/mole (...)" (p.20). Com*let*nd* a ideia
anterior, Moli*ier e W**zer-Lang (2009) relatam que, atr*lado à masculinidade enc**tra-se a
*irilid**e, *e*mo esse que po*sui dupl* senti*o; * pr*m*iro seri* *quele referent* ao* atribut*s
sociais vinculados ao que s*r ho*em mas*u*in*, como por exemplo * f*rça, corage*,
é
e
capacidad* *e comba*er, violê***a e acima de tu*o ** pri**lég*os concedidos aq*el*s que
domina* sujeitos que n*o são e nem podem ser consid**ados co*o *iri*, ta*s como crianças e
seres femin*nos. Partindo do mesmo ponto de vi*t*, Nolasco e*idencia qu* "a representaç*o
social dos **mens é constitu*da a partir do sex*"-, ag*essi*idade, determinação, exercíci* d*
posse e do poder" (1995, p.15).
Do outro ponto *e vist* a virilidade é *s**ciada ao poder *tr*buído * *e*ualidade
*o
homem, o* seja, a form* erétil * *ene*r*nte da sexual*dad* ma*culina. Como relata **auvoir,
(1970) quand* o homem é intitul*do de macho e, c*nseque*te*ente, a ele sã* asso*iadas
caracterí*ti*as de animalidade, torna-se mo*ivo de o*gulho, enquanto ser fêmea, na boca dos
homens, se*ia *m i*sulto a quem é considerado como feminino. A a*tora relat* ainda q** "o
Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 1, *rt. *, p. 43-64, jan./fev. 2*1* www4.*sa*et.com.br/r*vista
R. *. Moura, R. P. Nasc*m*nto
50
ter** "fême*" é pejorati*o, não porqu* e*raíze * mul*er na Natureza, ma* porque a co*fina
em seu s*xo" (B*AUVOIR, 1970, p,25).
Completando as ideias an*eri*res, Bourdieu evidencia a importância do pap*l sexual
d*
h*mem como *m *eio de do*inação, e rela*a que "se a re**ção sexu*l *e mos*ra como
uma re*ação social d* dominaç*o, é porque ela está construí*a através do princ*pio *e d*visão
fundamental e*tre o ma*cu*in*, at*vo, e o feminino, passivo, e porq*e *st* princíp*o cria,
organiza, expres*a e d*rig* o *esse" (2014, p.31). *vi*encia-se, *inda, qu* * que é ser *o*em
e como sê-l* na o
contemporaneida**, busca artic*lar a concepçã* de mas*uli*idade com
o
envolvimento m*s*ulino *om a *iolência, a pat*rni*ade e o reconh*cimen** no t*a***ho, en*re
o*t*as te*áticas (NOLASCO, 19*5).
Ness* contexto, torna-se relevante ressaltar que a *exua*id*de está vincula*a ao pod*r,
e
ness* sen*id*, para homem heteross*xual, f*minizá-lo através de deboches a respeit* o
de
sua virilidade, ou dizer que * mesm* * homossexual torna-se uma humil*ação (BOURDIEU,
2014). A opressão posiciona as masculi*idades homoss*xuais *a ba*e de u** hi*rar**ia de
gên*ro entre o* homens. A homossexualidade, na ideologia patriarcal, é o re*ositório de t**o
o qu* simbolicamen*e, expulso é,
da masculinidade hege*ônica,
** itens vão d*sde g*sto o
f**tidi*so na decoração da c*sa até o praze* analítico receptivo. Assim, do ***to de vista d*
*asculinidade hegemônica, * h*mosse*ualidad* é f*cilmente assimilada à f*minilidade. E,
portanto - na opinião *e alguns t*óric** gays -
a ferocida*e dos ataques
homofóbicos
(CONNE*L, 2005). Corr*borando com a ideia *nterior, Coelho * Ca**oto relatam qu* "esse
padrão de mascul*nidad* hege*ônica *ue representa a estrutu*a *e poder das relações s*xuais
desqualifica os compor*am*ntos mascul*nos que *ão se ajustam seus pr*nc**ios, a
ocul*an*o
um proces*o de lu*a contínuo que envolve "mob*l*za*ão, mar*in*lização" (200*, p.17).
Embora se tenh* * ide*a *ue existe u*a Ma*culinidade *egemônica, não devemo*
esq*ecer que qual*uer ma*c*linidade, e configura*ão d* prática, é simultaneamente
po*icio*ad* em vária* estruturas
*e relacioname*to, *ue p*dem estar s*gu*n*o
dif*rentes
trajetórias históri*as. *ssi*, a mas*u*inidad*, a feminilid*de, estão s*mpre e
su*e*tas uma a
co**radição inter*a e a uma ruptura his*órica (CONN*LL, 2**5). Dito isso, não se deve ate*
em um
úni** modelo de *a*cu*inidad*, m*s si* masculinidade*. Segundo Connel (2005)
reconhecer mais d* um t*po de masculinidade é a***as o *rime*ro passo, tendo e* v*st* que
se deve examinar as relações entre
os dive*s*s sujeitos tidos
como mascu*inos. Além di*so,
te*-se q*e desempacotar os meios d* class* raça *o examin*r as re*ações de gê*ero *
*pera*do dent*o
*os *o*ceito* de ma*culi*idade. Um foco nas relaç**s de gê*e*o entre
os
hom*ns é nece*sário para m*nter análi*e dinâmica, para evitar não *econhe*ime*to de
a
o
R*v. FSA, T*re*ina, v. 15, n. 1, *rt. 3, p. 43-64, jan./fe*. 2018
www4.fsanet.com.b*/revi*ta
"Só Ex*ste Macho e Fême*, o Resto é Gambiarra": Anali*ando Di**urso* da C*mpanha Fala Home*
*1
múltiplas masculinidades qu* se des*o*onam em uma tipologia de **ráter. A mascu*inidade
hegemônica não é um tipo de caráter *ixo, pois a m**culinidade qu* oc**a uma posição
heg*mônica em um pa*r*o g*né**co *e rel*çõe* de g*nero é s*mpre **sição con*e*tá*el
(CONNELL, 200*).
Al*eid* (1996) relata q*e a masculinidade hegemô*ica pode ser *ista c*mo uma
ordem *e *ênero e*pecífica produzi* p*lo patriarcado que d*f*ne a inf*rioridad* do femini*o e
da* *asc*li*ida*e* *ubordinadas. Send* assim, a próxima se*ão objetiva e*idenci*r o papel
so**al do homem na sociedade e s*a rel*ção c*m a dom*naçã* masculina.
2.3 O Pape* S*cial Do Homem ** Um Context* Hi*tórico e A Dom*naç*o *asc**ina
Da *ntiguidade até os dias atuais, a t*refa dos home*s tem s*d* c*ntrolar a sexua*ida**
fe*inina. Por isso, é necessário dome*ticar a mulher, in*ulcando nela qu* *eu ide*l é formar
um* fa*ília, com sua ho*ra pr*servad*, com sua atenção v*lt*da para o lar; e o *omem **mo
c*efe e man*enedor do *ar, pe**enc* às ruas, onde bus*a o sustento, en**anto sua mu*her está
guardada e presa ao la* (grifo *os*o). Fou*ault relat* com* os corpos to*nam-se dócei* através
do poder d*sciplin*r. A dis*ip**na fabrica novos *nd**íduo*; essa é a técnic* *specífica de *m
poder que toma os ind*víduo*, ao mesmo *empo, objeto* e instrum*ntos de se* exercício, e
*efor*a q*e "o su*esso do *ode* *isc*p*in*r se deve s*m dú*ida ao uso de i*strumentos
simples: o olhar hierárquico, * sanç*o normalizadora e sua combina*ão c** *rocedimento*
específicos, o exame (FOUCAULT, 2007, p. 143).
Louro (2004) evidenci* ainda que na* esco*as re*i*io*as as madres oc*pavam posi*ão
sup**ior, po*ém nas *scol*s públicas os homens detin*am es*e poder, o **e evidencia como
os pa*éis s*ciais fora* pr*duzidos consequente*ente, são repr*duz*dos. A*sim quais os e,
suje*t*s assumem seus lugare* que s*o determina*os culturalm**te nos processos históric**,
hom*ns nas posi*ões *e comand* e as mulher*s executando e *u*prindo *ua* ordens. Essas
c*rac*er*s*ic*s são notór*as no deco*re* da h*stóri* e m*s*ram o homem em
posição
hierárquica de *om**io s*b*e a mulher. Alguns *vanços sã*
notado*, mas
foram necessárias
preciso muitas trans*ormações nas práti*as sociais, nas rep*esentaçõe* p*ra q*e *s mulheres
foss** vis*as *e ou*ra forma na so*ied*de bras**eira;
"ho**n* e mulheres constroem
de
formas próprias e
diversas s**s identida*es - mu*tas vez*s
em discordân*ia às prop*si*ões
**ciais de *eus temp**" (LOURO, 2008, p.478).
Essas imagen*, que são mantidas d*sde o século XIX, estã* enr*i*adas na
r*presentação da cultura tradi**o*al, à qu*l "as p**ticas e as *orma* se reproduzem a* **ng*
Rev. FSA, *er*sina P*, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-*4, jan./**v. 2018 ww*4.fsanet.com.br/*evi**a
R. G. *o*ra, R. *. Nascimento
52
das gerações na atm*sfe*a l*nt*mente d**e**i*icada dos costum*s. As tradições se *e***t*a*
em gran*e parte *ediante a transmis*ão oral" (THOMP*ON, *998
p.19), Dentro desse
contexto, pe*cebe-se que, dentre os *apéis sociais a*s*ci*dos ao homem, a *rópria legislaçã*
o coloca com* uma fi*ura super**r ao feminino, c*m* most*a Co*bin (2013, p.2*) *o *elatar
que "s*gundo Códi*o Ci*i* (ar*. 213), o mari**
deve pr*teção à s*a m*lher; ele prec*sa,
assim, *vit*r de*xá-la pad*cer no abandono e na misér*a".
Nolasco e*clarece que "H*me*, mascul*no e pai são qua*ifica*ões qu* de*in*m um
mo*o de inse**ão do suj*ito na cultu*a da qual ele faz parte [...] ju*ta* definem *m padr*o de
co*por*amento a s*r se*uido pelos *ome*s" (199*,
p.*6). O a*t** re*salt* a**da q*e, no
iníci* *os *nos 90, os homens pass*r*m a se reu**r para *iscut** o que é ser homem e com* o
sê-lo na co*temporane*dade, buscando a*tic**ar a concepção de masculinidade com
*
en**lvimento mascu*ino co* a violên*ia, a paterni*ade e o reconhecimento no **a*alho, entr*
outras temát*cas (NOLASCO, 19*5). Dito *sso o autor destaca q*e a pate*n*dad* é um "ideal
de masculinid*de p*esen*e no patr*arca*o [qu*] empo*rece o campo de po*sibilidades d*
sati*fação emocio*a* que *ode ser exper*me*tado por um home*" (NOLAS**, 1**7, p. 25).
Bourdieu (2014), *alienta também qu* a mas*ulin*dade é tida como uma car*cter*stica
nobre pela socie*ade, ao afirmar qu*r "*ealmente, n*o se*ia exa*ero *omparar
*
masculin*dade
a uma nobreza" (*.75), sendo essa nobreza
um *efle*o da dominação
ma*culina que permite
o *undo ser hie*a*quizad* sexu*lmente, f*zendo *om
que os
priv*légios *ados aos *omens sejam visto* como *atura*s. Nesse sentido B*rnini relata,
t**bém, que "quem nasce *om o sexo masculino é ch*mado * rep*esentar aquela identidade
majoritária de homem que seu corpo dev*ria enc*rnar não *o* opção autônoma, mas por u*
"pr*vilégi*" que não *epend* d*le" (2011, *.*9).
Segundo Bou*dieu (2014) * d*minação *asculina deve *er vista como uma violê**ia *
ne*se
contexto, po**mos ressaltar * violên*ia d*
gênero, * Kaufman (1987)
afirma
qu e
e*sa
v*olên*i* é vol*a*a c*ntra as mulhere*, contra outros homens e co**ra *i mesmo (o
h*mem
qu* pra*ica) Para Barke* (2008), a *rticul*ção
*esse* elementos e*tr*tura as di*po*ições
ma*culinas *ara a
v*olê*cia, operand*, ass*m, em u* g*ande contexto social no
qual se
*nscrevem, como por exe*plo * divisão de cla*se e orientação sexual.
Rev. *SA, *eresina, v. 15, n. 1, art. 3, p. 4*-64, jan./fev. 2018
www4.*sanet.com.br/revis*a
"*ó Existe Mach* e F*mea, o Resto é G*mb*arra": Analisa*d* Di*cur*o* *a C*mpanha *ala H*mem
53
3 PERCURSO METODOLÓGIC*
O m*todo util*za*o no presente artig*
**r* *
prod*ç*o do cor*us *a
ppes*uisa
*onsistiu no u** da *et**gr*fia. Consider*-se
qu* es*e
méto*o é
"um vasto campo
de
p*squisa em *dministração * a netnografia jun*o com a AD*C
sã* uma *otente ferramenta
para nos
auxiliar n*sta tarefa" (ADADE; BARROS, 2014, p.13). *e aco*d* com Kozinet*
(2014, p.7*) "pode-s* cons*derar que a* *nterações mediadas p*r computador o*erecem n*vas
oportunidades *istintas para liberar compo*tamento* n*o *ão facilme*te p*opor*ionados por
*nteraçõe* f*ce a face". Neste art*go foram esta*eleci*os seis
passos p*ra rea*iz*r
*
ne*nog**f** que consistem e* realizar o "plan*jament*
do estud*, e**rada, coleta de dados,
inte*pretação, garantia de pa*rões é*ic*s e representação da pesquisa" (KOZINETS, 2014,
p.62). Para anál*s* dos dados *til*zou-*e a Aná*i*e d* Discur*o Mediada por Computado*
-
ADM*. Ress**ta-se que "A A*MC ap*ese*ta a* seguintes pre*issas: (1) o discurso e*i*e
recorrência de padrões; (2) H*
no discurso *scolhas *o **issor * (3) os d*scursos são
influe*ciad** e
acomod**-*e aos recurs*s e r*strições te*nológicas
dos sist*mas
de
comunicação que os *ediam" (ADADE; BARROS, *0*4, p.09).
O corpus da pesquisa *oi produzido no *ês de *ove*bro de 2*16, para o qual fo*am
extraídos diversos dis**r*o*
d* homens que s* posi***nara* no manif*sto "Hom*m em
Tr*nsiç*o", rea*i*ado *ela *mpresa Natura. Embora os discursos ** torno da publicação
na
re** social tenham sido públicos e está acessível a qualquer pe*s*a, op*ou-se por usar
pseudônimos par* dificultar
* iden*ifica*ão **ssoal d*queles, c*jos
*s te*tos foram
s*le*ionamos como f**te de dados para * pesquisa.
A postagem possuía mai* de três mi* comentários até o mês q*e o co*p** *a pesquisa
foi prod*zido. A se*eção dos *ragmento* di*cursivo* part*u
das categoria* de análise
estipuladas *a
pres*nte pes*ui*a, s*ndo el*s: mas*ulini*ade hegemônica, m*sculinida*e*
e
dominação mascul**a, pois Bauer Aarts (2008) relatam que a p**duç*o do corpus *ev* *
emergir das c*tegori** estipuladas a fim de desve*a* *m fenômen* desconhe*ido. Não for*m
*scolhidos mais fragmentos discursiv*s, pois os demais começara* a rep*oduzir i***a a
ce*tro de todos os outros, chegan*o, assi* a saturação. A saturação
ocorre quan*o o
pesquisador,
em um l*pso temp**al, consegue compree*der a lógic* in*erna dos sujeitos
objetos de estudo (MI*A**, 2006), haj* vista q*e * *ncl*são de novo* frag*entos de fala
não acrescenta *ovos ele*en**s à *esqui*a (BAUER; AARTS, 2008).
Rev. FSA, Ter*sina PI, v. 15, *. *, ar*. 3, p. 43-64, j*n./fev. 2018
www4.*sanet.*om.*r/revista
*. G. *oura, R. P. Na*c*m*nto
54
Atra*és dos fragmentos disc**siv*s não foi possível ident*fi*ar nos disc**s*s
se**c*onad*s a s*xuali*a*e de cada um dos sujeito*, uma vez que *s me*m*s apenas s*
posi*ionaram fre*te ao mani*esto sem abo*da* questões referentes à próp*ia sexua**dade.
4 ANÁLISE * D*SCUSSÕES
Nesse capitu*o será ap**sentado o corpu* da pesquisa bem como sua análise. Di*o isso
o a a*álise ** corpus f*i separ*da po* á**as temáticas. A pr*meir*, vis* dem*nstrar
a
exi*t*n*ia da masculinidad* hegem**i*a e sua relação com a virilidade. Em seguida, abarca-
se * tema refer*nte *s masculinidad*s. *ost**io*m*nte, ab*rda-se o tema proposto,
evid*nciado que o "ser homem"
possui al*umas r*ízes na do*i**ç*o m*s*u*ina; e, por
último, discorr*-*e so*re tem*tica ass*ciada aos s*jeitos *ays.
4.1 *ema: A presença *a masculinidade hegemôn*ca na con*empor*neidade
Neste tem*, buscou-se ver*ficar *e *a cont*mpo***eidade ainda s*
pode falar
e*
masculini*ade hegemônica. Ness* sentido, *bservou-*e
que o discurso de *iversos sujeitos
revel*m qu*,
para ser home*, é nec*ssário te* tr*ço* qu* são tipos da masculinidade
*egemôn*ca. Nesse te*a serão, p*imeirament*, destacadas *s características soc*ais
da
masculin*dade *egemônica *, em seguida, a s*a rela*ão co* a virilida**.
Achei *ssa propag*nda ou se* lá * *ue é, tot*lmente
e*rada no se*tido
ideológic*. *omem é sinônimo de fo**a, honra, bravura e virilidade des*e os
p*imórdi*s da huma*idade. F*ra* *omens *iris e guerre*r*s q*e c**struíram
a sociedade
*eg*ra e conf*rtável, n* primeiro
*umor de gu*rra vocês vão
lembrar que precisam de home*s a moda a**iga pra defendere* se*s lares e
se*timento*
frágei*. #orgu*hodesermacho (A*ILS**,2016, *rif*
do*
auto**s).
Homem, pra mim, é aquel* *ara q tem no máximo um pe*fume! E que *oi a
n**orad* ou a esp**a qu* deu, a uns dois anos atrás, q a**da está na e
metad*. Usa *abo*ete *nti-bacter, sem perfume, com o qual lav* dos cabelo*
*os pés. Sim, xa*pu (ou s**mp*o, c*** queiram), nó* os H*mens, também
rarame*t* usamos. Homem usa ant*-*ran*pira**e sem p*rfume. Q*a*do
houver uma ocasião muito **pec*al, o Homem
usa perfume aquele a
o
q
pa**ei*a d*u pra e*e. Per*u*e e**e,
que não t*m c*eir* doce, e *ue
*bviament* é *m emad*irad*. (FAIZARTES, 201*).
*o fragmen*o discursi*o de Anilso*, é possível pe*ceber q*e a masculinid*de *stá
*ortemente enraizada e* caracterís**cas que foram a***ciadas ao homem em t*do o deco*rer
Rev. FSA, Ter**ina, v. 15, n. 1, *r*. 3, *. 4*-64, jan./f*v. *018 www*.f*anet.c*m.br/r*vista
"Só Existe Ma*ho e **mea, o R*sto é Gambiar*a": Analisando Discursos da Cam*anha Fala Homem
55
da his*ór*a
como por exemplo a f*rça, a vir**idad* * sua agressiv*dade. Para *nil*on,
a
pro*aganda, que di*ia q*e a ma**u*inidade *e li*erto*, corrobora com *ma ideologia errada
do que é s*r ho*em, po*s algum*s característi*as eviden*iadas *o vídeo não *epresenta* *e
f*t* o que * "ser homem". *o*tud*, no fr*gmento d* A*ilson, * pos*ível perceber, ainda,
a
e*istênci* de masculinidades, *orem a soc*e*ade, para se mante* "*rot*gid*", necessita *o
ho*em com *aracterísticas *egemônicas, levando a crer que t*do aquele que está * margem
dessas características não serve para
co*stru*r, ou seq*er defender s*ci*dade. Por fim, a
perce*e-se qu* estar dentro dos padrõ** do qu* é ser "macho"
torn*-se motivo de or*u*ho
pera*te uma sociedade q*e ab*rca as masculinid*des. Já n* fragmento discursivo de Marcello,
*ercebe-se que * **sculinid*de é *posta à femi*ilidade, e tudo que é t*d* *omo fem*nino p**a
socied*de
deve se* reje**ado *elo homem, *om* *or exemplo não ter com*orta*entos
atrelados à vai*ade, e mes*o quand* tiv*r algum respingo de v**da*e deve-se utilizar
cosméticos sem
cheiros ou com cheiros fortes c*mo
os perfumes *madeirados. Tais
fragm*ntos corro*oram com as idei*s de *ea*voir (1970), on*e o termo macho e
as
características animalesc*s no homem são motivo de orgulho; de M**inier e Welzer-**ng
(2**9), d* Connel* e Messerschmidt (*01*), ao re**ta*em a existê*cia de ma**ulin*dad*
h*g*môn*ca, * das id*ia* d* Bourd*eu (2014), cujo é possível correlaci*nar as carac*erísti*as
da mascul*nidade he*emônica com os traços da domi*aç*o masculina.
Re*aci*nad* à *as**linidad* he*emônica, p*de-se pe*ceber su* forte relaçã* com a
vir*lidade,
n*s *lementos dis*ursivos seguir: "*er mac** mesmo é hon*a o que t*m no a
meio das
pernas pra um *o* e*tended*r basta" (Ja*k Maria, 2016). Já outr* *ra*mento *á
e*i*encia que ser hom*m é "*er
os "c**hões *ox*"!" (Regina*do Junior, 20*6,
gr**o dos
autores). Em am*os os fragmen*os é p*ssí**l perceber q*e a viril*d*de *stá atre*ad* a* poder
d* reprodu*ão do ho*em, a* poder q*e o falo exerce de penetrar. Sendo a*sim, *er homem é
s*nôni*o d* s*r homem *e*er*ssex*al, cap*z de reproduzir. Através do discurso de Jack,
nota-se que, para s*r *omem d*ve-se val*rizar o falo, *ostrand* o poder do mesmo, e aquele
que nã* * valori*a, pode s*r consider*** u* não
ent*ndedor, ou um "*ão hom*m". Esses
fragme*tos corro*oram com os
pensament*s dos segu*n*es autores Nolasco (1995), C*nnell
(2005), * Moli*ier e Welzer-Lang (2009), aos *uais *efe*de* que o corpo é um dos meios
pelo qual o gênero *e manife**a.
R*v. FSA, Teresina PI, *. 15, n. 1, a*t. 3, p. 43-64, ja*./fev. 20*8
*ww4.fsanet.com.br/re*ista
*. G. Moura, R. *. Nasc*men*o
56
4.2 Tema: Alé* *o ho*iz*nte: *s masc*lini*ad*s
Ne*ta se*ão temática procurou-** verificar que, além da *ascul*nida*e hegemôni**,
existem *s ma*c**inid*des. Dito i*s*, s**ão evi*enci**os a*ui o* discursos que no* remetem à
*xistên*i* de dive*sas *ormas de *e* homem. O prim**ro fragme*t* se*eci*nado relata
que
"Ser homem é po*e* ex*re*sar su* sexuali*ade *em medo ou repres*rias ori*ndas da
i*norância. Tud* isso, *eg*do a liberdade, é o *ue nos faz homens" (J**o Ta*eu, 2016).
Ele pode tanto fazer-*e e* *eu tr*balho como desdobrar-se e* cui**dos com
sua casa;
el* já não se veste
co*o um colegial a*olescente, *nifor*izado
**mo a matil*a, mas cria seu pr*pri* estilo, um *onc**to, u** marca de seu
modo d* viver. S*u go*to para p*rfume* n*o é algo ****e e impositivo *ais,
mas a*go ag*a*ável e m**eável *e acordo *om a situação de cada momento de
seu dia. Ele *rocura *rod*to* *s*ecíficos para seu t*p* de pele, cuida de sua
alimentação, de seu corpo e de sua saúde mental. Seu jo*o ago*a *ã* é caçar
**a *arceira *ex*al, *a* d*spertá-la
p*ra outros significados através destes
seus novo* sinais. *l* não cozinha somente, mas *ntende
da imp*rtâ**i* do
ato greg*rio *e uma refeiçã* *a con*t*ução
de
b o as d e
um* *e*e*ção n*
construção
de boa* relaç*es, já não é mai* um r*tual par* o abate, *as
uma
cele*ração e* torno da *ida. Ele pensa em família, mas nã* se aç*da, ele
a
plane*a ** modo n*o somente de pres*rvar-se, mas ta*bém as suas gerações
futu*as. E*te homem corre ri*cos...*sp*cialmen*e por não obedec*r ao ritua*
so*ial
*omum
de se* me*o, e*pecialmente por não
en*end*r a pa*ceira q*e
*onfusa com seu alto grau de *volução,
*ão * cons*g*e acompanhar,
pe*sando-o id*alista
demais, *ensí*el demais, delicado e *uidadoso
dema*s...andrógino *emais p*ra os padrões
pat*rnalis*as e m*chistas *os
*uais *uitas das mul***es ainda são "*ducad*s". Este h*mem, ainda q*e feliz
com sua evolu*ão e c*ndiç**,
se recent* do ún*co mal
que não soube se
pr*teg*r: o machis*o...* por nã* sab*r *ue *á há mu*to tempo, este mac*i*mo
havia mudado de *ugar (J*NATHA, 2016).
Ser homem é te* sua *ignidade *reser*ada pel* Estado. É po*er ter ace*so à
saúde, *ducação, laze*, trabalho, cultura e comunic*ção de qu*li*ade, pois de
ou*ra forma sempr* seremos sub-homens. É poder se expressar com libe*dade
e respeitar os outros. *oder se vestir bem, usar um *om perfume, ter um bom
cort* de cabelo e se s*n*ir bem com is*o. * *ntender a mulher e tê-l* sempre
c*mo igualmente di*n*, res**itá-la e c*ope*ar para s*u bem nessa socieda*e
preconceit*os* e su**ese*v*l*i** (*ODRIGO, 2016).
A**avés d*s *ragmentos dis*ursivo* evid*nciados to*n*-se **s*ível comp*eender qu*,
p*r*lelo * Masc*li*idade *egemôn*ca, há ** mas*ulinidades. No dis**r*o d* *oão percebe-*e
q*e pa** se* *omem é necessár*o ser livre e s* l*be*tar d*s p*drõ*s hegemônicos
d*
masc*linid*d*, p*ra *sso é necess*rio enfrentá-la. Já no fragmen*o de *onatha, perceb*-se qu*
a masculinidade é construída so*ialme*te, sendo *ss*m constroem-se masculi*id*des
de
acordo com a vi*ência de cada *ndivíduo. Nesse contex*o, há uma *r*nde oposição
à
mascu*inidade hege*ô*ica, p*is nas masculi*idades **nstr*çã* da identi*ad* masc*l*na a
*ev. *SA, Teresina, v. 15, *. 1, *rt. *, *. 43-64, jan./**v. 20** www4.fsanet.co*.br/revis*a
"S* *xiste M*cho e F*mea, o R*sto é Gambiarra": Analisando Discursos da Campanha Fala Home*
57
*ode ** *onsti*uir também de
eleme*t** soci*i* t*dos com*
per*encente* ao universo
feminino, com* a *a*da*e e os cuida*os com o lar. Nesse frag**nto *i*curs*vo, as
*asculi*idade* podem não ser compreendid*s *or dive*sos s*jeitos que, *or q*est*es s*ciais
ideali*am * "Ser *omem" base*do na ma*cu*inidade hegem*nica. Nesse mesm* raciocínio, o
**scurso de Rod*igo, evidencia que todos os homens, de certo modo, poss**m traços
da
masculinidade h*gemô*ic*, porém, por *erem todos indi*iduais, pode* ser consider*dos sub-
homens, pois cada um ac*escenta *leme*tos diversificados à c*nstrução da su* *asculini*ade.
**ravés dos f**gmentos discursiv*s
pode-se per*eber *ue os *iscu*sos vão de enc*n*r* aos
*ens*mentos de Conn*ll (200*), Fialho (200*) e Coelho e Car*oto (200*), para os quais qu*
exist* *m padrão de masculinidade **ge*ônica e *ue *epres*nta uma estrutura de p*der das
relações sexuai* que *esqu*lifica* os comportamentos mascu*in*s *u* não se ajustam a essa
masculinidade *egem*n*ca, ocult*ndo-s* assim em um processo *e luta c*ntínua que envolve
"mo*i*iz**ão, e marg*nalização.
4.3 *ema: Ser machista **mo fonte da mascul**i*ade e da dominação masculina
Neste
tem*, destacou-s* como o "ser home*" está ancorada n* ma*culinidad*
hegemôn*ca
e vi*culado à *o**naç*o masculina, onde d*ver*os fragmentos d**cursivos
culpabilizam o f*min***o como *m* prática "anti-mascu*inida*e", e o ma*hismo como
a
representação fidedigna do que é ser homem, ou ainda, qual o p**el do homem na soci*d*de.
Em meio a *oda essa discus*ão *ue v*jo *qui...Sei que h*mem tem q s*r
honrado! *achista SI*! Pq ma*hismo não é ser b*baca e maltratar uma
mulher....Ser homem machi*ta * vir*l é ser protetor, sa*er d**er n*o na hora
certa, *poia* a família tradi*ional * os bons costumes! Ser fri* * desa*egado *
mostrar o *eu re*l valor *m as suas atitudes! Ter um* *oa
fam*lia e
envelhecer des*rutand* do se* trabal*o ao lado de uma mulher honrada e nã*
de uma vagabunda aprov*ita*ora e *cima de tud* honra* e respeitar a Deus!
O re*to é só balela! Hom**s sã* **ferentes de mulheres... Homens
feminis*os. So sinto pen* de vez, pois *nfel*zmente não sabem se*em homen*
(GABRIEL SO*R*S, 20*6).
Atr*vés do fragmento d*sc*rsivo *nterior, fica evident* a relaç*o entr* ma*culin*dade
e o papel da *a*ernid*de quand* o suje*to, através de s*a fala, mo**ra q*e o papel do homem é
cui*ar da família bem *omo a rela**o ent*e mascu**nid*de e *rabalho,
po** na fala *esse
suj**to "ter *m trab**ho" é uma ca*acterística *undament*l da m**culinidade, *o*e*do mu*to
b*m se relacionar
com * paternidade/famí*ia pois,
estar em*regado, pode significar
estabilidade finan*e*ra para aqueles que est*o *obre sua égide, garantindo assim que n*o ten*a
**lha*o *n*ua*to "*om*m". Esse fato já foi evid*n*ia*o por *olasco (1995), ao afirmar que
Rev. FSA, Tere*in* PI, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-64, jan./fev. 2018 www*.fsanet.c**.br/revista
R. G. **ura, R. P. Nasc*m*nto
58
v*nculado à m*scu*inidade, est*o a pater*idad* * o trabalho. *orém, o *ujeito a*orta *ut*as
ca*acte*ísticas as*ociadas * *ascul*nidade, como *or exe*p*o
constituir uma fam*li*
tradic*onal, o* seja, formada *o* homem, mulher e fi**o (s). *s*e discu*so *c*ba por fe*ir, ou
até mesmo desqua*ificar homens q** n*o ad**e* ess* "filos*fia" par* *uas vidas,
ou seja,
esse po*icionamento *ca*a violentando os outros ho*ens, como d*st*ca-se Kaufma* (19*7).
A M*sculin*dade n*nca foi tão perseguid* com* hoj*. Atitud*s más*ulas são
re*rimi**s e tax*das de m*sógin*s. O gu*i *ate a mão n* pe*to dize*do:
"SOU H*MEM!" e a mãe já reclama: "Deixe de seu mac*i*mo...". * *u* se
"lib*rtou" ho*e em dia te* nada de viril e não me representa (RICARD*
LIMA, 2016).
Se* l* v*u... É b*m e difíci* ao mesmo **mpo...o lado bom É viver pra servir *
proteger * sa*gue do teu *angue sem se impor*ar *o* is*o, é passar
se*ur**ç* aos mais frágei*. O lado rui* de ser hom*m é esse ódio propag*d*
pelo fem**ism*. Tudo é m*chism*, to*o* *ão es*upradores e opressores...
A**ar s*m camisa ofende, assu*t*s d* homem ofe*de, tudo ofe*d*, mas acho
incoerente ser t*chado d* machista, se a base de minha educaçã* veio d* uma
mulher, tanto em casa *o*o na *scola (FELIPE SO*ZA, 2016).
Nos fragme*tos discu*sivos p**cebeu-se que * "ser h*me*"
está enraizado *a
declaração de prá*i*as mac*istas, e que o feminismo é *ma ameaça ao *ue "é ser homem",
poi* b*s*a a equid**e entre os gê*eros e o respeito, colo*ando assim em *heq*e a figu*a do
home*, heteross*xua* e co* t*aços
da *as*ulinidad* hegemônica. E *ual*uer
homem qu*
ab*rque ide*a*
do *ovimento f*minista sã* d*gnos de pena e não são
cons*derad*s ho*ens.
C*m o fragmento discursi** d* Felipe, percebe-se ai*d* qu* o f*minismo, por ser um
mo*ime*to que luta pela equidade,
*r*paga ódio ao que * "s*r home*". Nesse contexto,
ressalta-se, ainda, que * femini*o ai*da é
visto como algo frá**l * *ue *erece ser protegido
pe** homem. *sses *ragmen*os mo*tram *ue, pa*a ser home*, tem que ser aut*ritário,
orgulhar-se da sua *i*ilidade e do seu pod*r de dominação.
Outro* discur*os mos*ram a*nd* esse cen*ri*
d* dominação *as*u*ina "Quand* s*
r*move um homem de sua posição, é o *omeço ** fim" (Dani*l Neiva, 2016). "Mulhe**s,
*uerem um h**e* de *erdade? Aceite o seu mac*o, m*chi*ta ou machão. R*s**i*e ele
e
procu** mudar, o* m*smo ensinar tudo
que e*e não sabe, principalm*nt* te *espeita*"
(Ro*ald* Costa). "*e* homem é n*o ter *ireitos, ser sempr* visto co*o m*lherengo,
est*pr*dor e op*essor de m*lheres!" (*areio A*sei, *016). Através desses disc*rsos,
é
pos*ível perceb*r que os mesmos es*ão alin*a**s aos pe*samentos de M***er*ch*idt (2013)
e Bour*ieu (*01*), no que se refere à domi*ação masculina, cujo* autores evide*ci*m que são
os *omens os que m*is propagam
o*
va*ores da domina*ão *asculi** e *aturalizam os
Rev. FSA, *eresina, *. 15, n. *, a**. 3, p. 43-64, jan./fev. 2018
www4.fsane*.com.*r/r*vista
"Só Ex*ste Macho e Fêmea, o R*sto é Gambiarra": Ana*isando Discursos da Ca*panha Fala Homem
59
val*re* que *ela emergem.
Em outro fragme*to discursivo é possível com*reender que ser h**em é estar acima
** *udo e de todos, e é uma classe especial e *ominante, que dita as regras como mostr*
o
fragmento a seg*ir "Homem é ho*em, *ess*as são pessoa*... É diferente se é que v*
entende... Orgul** máxim* d* *er macho... Um ma**o *e v**dade está acima
do *em e
do
mal..." (Elton Ol*v*ira *ia,
2*1*). Atra*és do fragmento disc*r*ivo a*te*ior *
possível
*erceber que * sujeito co*sidera que ser home* het*rossexual * ser sob*rano, pois rel*ta qu*
o "*acho" está acima *o bem * do mal, o que pode levar a comp*e*nder que o ser "mach*" é
ser deus ou até me*mo a pró*ria just***, *u s*ja, est**do el* no topo *e qualquer s*stema
hierárqu*co, *e*do ess* uma m*n*festaç*o do
pod*r, *ialoga*do com Fo*ca*lt (20*7) a*
evidenc*ar que a *ierarquiza*ão é uma form* *e *oder, *orroborando, t*mb*m, *om os
*ensam**tos de Scot* (1995) ao r*la*ar que o gêner* é *ma *o*ma prim*ria d* da* signific*do
às relaçõe* *e ***er.
4.4 T*ma: Ser ga* n** * ser homem
Impõ*-se, aqui, faz nece*sário relatar *ue es*a seçã* aprese*ta questõ*s *u* não *o*am
de**eladas p*la l*teratura, send* *ssa a gran*e contribuição desse trabalho. Sen*o assim, nesta
seção buscou-se di*c*tir o discurso entre o qu* é s** homem frente *o *ujeito gay. Em suma
os fragmentos discursivos mostram que se* gay não é ser *o*em. O primeir* *ragmen*o rel*t*
*ue estão
acabando *om a mas*ulinidade, "E*s* mun*o está ac*ba*do com a verdadei*a
ma*c**i*ida**,
**ixando o mundo *a*" (Jefferson Vasco*celos, 2016). Atrav*s d* discu*s*
de Jefferson, com*reende-se que * ma**ulinidade hegemô*ica está acab*ndo, e a ausênc*a
dessa masculi*idade torna a soc*edade gay. Log* mesm* q*e os ga*s, muitas ve*es,
representem um* figura mascul**a, e*es nã* são considerado* como homens.
Outro frag**nto evid*ncia qu* para se* homem é preciso se atrair s*xualmente *or
*ulheres "Ser home* em pr*meiro lugar é ser macho ist* é *os*** de mulh*r em s*gundo e
terceiro qu*rt* quinto vem t*r *aráter não ser
arrogante r*speitar a *pi**ão *o* outros"
Haroldo *a*al*a*te (2016), "Homem não gosta
de homem, gay g*sta de home*"
(Enilton
**cedo, 2016). At*avé* desse* fragm*ntos compreende-se mais um* vez que *om*ns que se
sentem atr*ídos por homens n*o
podem ser considerados "*achos",
pois é a relação
hetero*s*xual e sua compulsã* p*r s* relac*onar com mulheres que
def*ne
quão "MACHO"
ele é e, *t*elad* a *alavra macho, a* mulhere* mostra*-se com* v*rdadeiras pre*as * s*rem
R*v. FSA, Teresina P*, v. 15, *. 1, art. 3, p. 43-64, *an./fev. 2*1* www4.fs*ne*.co*.br/revista
*. G. *oura, R. *. N*s*imen*o
60
a*atida*, cons*derando que na f*la do *uje*to, mulhe*es d*vem oc*par d*ver**s graus
pri*r*tários na vida de um home*.
Corroborand* *om os frag*entos disc*rs*vos anteriore*, P*vel r*lat* que "Ser Homem
é *er homem. Se *o*ê é hom*m nã* *ode *er outra coisa, é questão bi**ógica. Não *e *od*
ser um gato, u*a zebra, nem u* ve*e**l. E ist* vale *os gêneros do H*mem. Tem gente que
quer inven*ar, mas
o q*e existe é macho e fêmea. O resto é ga*bia*ra" (Pavel
Chemov,20*6). Quan** Pav** discursa sobre que ser homem s*nôni*o de ser é
hétero
e
expõe *s *emais suje*tos c*mo "*ambiarr*" e*e os
coloca *om* sere* cont*a**tório* * com
uma masculinida*e du*idosa, ou como su*eitos que estão fora d*s normas estabelec*das pelo
pa*riar*ado *a fig*ra do que * ser ho*em.
E, *aso *ays se afirme* e se i**ntif*que* como home*s sã* *idos como uma
"mancha" na *igura
do ho*em, p*is não * pos*í*el
*er homem e ga*; o indivídu* deve
e*colhe* como se identificar, s*r ho*em e ser gay são conceitos *po*tos c*mo *ostram *s
frag*ent*s d**cursivos a seguir "Ou você é
*omem o* g*y *ara de quere *errar com
os
homens" (*nilton Ma*edo 2016), "Va* toma v**gonha *a car*
o t anga
f*ou*a ...se gost* de
gay *rr*** um pra v*cê! Gay * uma coisa ho*em e outra" (Cristiano M*negot*o, 2016).
O disc*rso e a ideia *e que "ser homem" é ser heterosse*ual * viril é tão prese*te, que
acab* evidencia*do fortes tra*os da dominaçã* masc*lina, ace*tos e propagados por a*gum*s
mulher*s como é o caso de Thais, produziu o disc*rso. Os fragmentos dis**rs*vo*
apre*entados nesta seção estão dialo*ando co* a* ideias de C*nnell (2005), ao evidenciar
q*e, *o ponto de vista da masculinidad* heg*môn*ca ser g*y (homossex*al masc*lino) **de
ser sinônimo de *eminil*dade e, ass*m, ser
alvo *e *ta**es homo**bi*os qu*, na o
verd*de,
nos leva a questiona* s* os ataq*es são contra homos*exuais ou contra ser feminino.
5 *ON*IDERAÇÕES FINAIS
Retomamos a*ui pergunta qu* a
deu origem *
es*e arti*o o e
objetivo final. A
pergun*a fei*a fo*: Com* é compreend*da a masculinidade pelo olhar mas*ulino * quais *ão
seus *e*lexo* na sociedade? Já o *bje**vo f*nal c*nsistiu em c*mp*een*er os
diferentes
p*sicionament*s d*scursivos m*nif*sta*os por
usuários de redes *ociai* sobre o
*u* é s * r
homem, e quais os seus refl*xos n* s*cie*ad*. De form* rápi*a, através da co*preensão dos
diversos dis**rsos r**er*ntes a* que é "ser homem", pode-se responder à pergu*ta pro*os*a da
segui*te maneira: Os *ragment*s discur*i*os *os*ram que a mascul*nidade, ** ponto de vi*ta
de **mens cisgêneros * s*a comp**ensão
do que é "s*r homem", est* vin*ulada
a
R*v. FSA, Teresina, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-64, *an./fev. 2018
www4.fs*net.c*m.br/r**is*a
"Só E**st* Macho e Fêmea, o R*sto é Gambiarr*": Anali*an*o Discurs** da *ampan*a *al* Hom*m
61
características da masculinidade he*emônica c*mo for*a, ag*essiv*da*e e traços ani*alescos,
*endo os verdadeiros "*achos al*as" da soci*dad*. Alguns ho*en* ainda compreendem que
*á diversas formas de s* "co*struir co*o homem" na sociedade, o qu* refl*te uma *ocie**de
liberta*ora. Contudo, a maiori* dos fr*gmentos discursivo*, ba**ados na mas*ulinidade
he*emônica, refle**m prátic*s da domina*ão masculina, comumente propagadas n* socied*de.
Na contemporane*dad*, não é pos*ível dizer que a ma*culin*dade se li*ertou, tend* e*
vista q*e * pesq**sa revela que ser hom*m *inda está enr*izado em um mode*o he*e*ônic*
de masculini*ade,
filho da *omin*ção masculin*. Send* assim, s*r homem sinônimo é
de
"macho alfa" com *a*a*terísti*as an*m*l**cas, *ais **mo a f*rça e a vio**ncia. Através do*
frag*entos discur*ivos, percebeu-se, també*, que, para ser conside*ado homem "d* verd*de"
é preciso ser viril e do*in*dor. N* q** tange à *ir**id*de todos aqueles
que n*o s*o
heterosse*uais não são considera*o* "*omem", mas sim *m ou*r* gênero, como o cas* dos
g*ys e hom*ns trans. *ercebeu-se q*e a exclusão des*e* s**eit*s *omo s*res mascul*nos *eve-
s* ao fat* de que a*g*ns hom*n* co*side*am que os eles "mancham" a *igura masculi*a e que
jam*is pod*m rep*esentar um *omem más*ul* * *iril, ou sej*, aque*e qu* s* encaixa no*
p**rões hegemôni*os d* que é "ser homem"; se*do assim, são apenas gambiarras, com*
é
evidenc***o e* um dos disc*rsos.
J* no que se refere *
*ominação *asculin*, pe*cebeu-se *ue di*er*o* discu**os
prega*am a su*m*ssão fem*nin* ao poder do ho*em, *o qual o machi*m* f*i exaltado como
estabelecedor *a or*em n* s*ciedade e todos de*eriam aceit*r, alguns *inda apontara* q*e *
fem*nis*o * u* movimento que
estrago* a soci**a*e, * propa*** o ódio a* machismo.
Compr**nde-se, assi*, *ue ** u*a inversão de val*res, e o ma**ismo, que é u* *istema de
opr*ssão, ten*a culpar o feminismo, que def*n*e a equidad*, pela supost* "opres*ão" ao qu*
"é *er hom*m". Ress*lta-se *inda, que, nesse c*ntexto, * mulher é *i*t* como a "fêm**" q*e é
f*á*i* * pre**sa da proteção do
"m**ho a*fa", e qu* deve respei*ar * mac*is**,
pois ele é
o
contra*o de proteçã* para o* mais "frágeis".
Por fim, percebeu qu* gays "s** homen* que *ão são homen*", co*siderando
que
grande s home*s heterossexuais não c*nsid*ram * gay c*mo h*mem, mesmo *ue esse ass*m
se
identifiq*e. N*sse sentindo, pode-se percebe* que, de*tr*
as diversas faces da *ominação
masculina, tais *omo * machism* e o patriarca**, há também a masculinid**e hegemô*ica.
Po*e-se
dize*
qu*, frente ao **nceito de mascul*nida**s, a masculinidade he*emônica seria
uma d*s faces cont***orâneas desse sist*m* de dominaç*o. Contata-se, por*anto q*e falta
muito *ara a masculinida*e l*ber*ar-se
e
preval*cer o co**eito de masculinidades; sendo
assim,
parec* prevalec*r a**da na sociedade some*te machos, c*mo mot*vos d*
orgulho;
Re*. FSA, Te*esin* PI, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-64, jan./fev. 201*
www*.f*anet.com.*r/revista
R. G. Moura, R. P. Nascim*nto
62
fêmeas c*mo seres conf*nados *o seu se*o, e ** *ambiarras, sujeitos que não são
t i dos
"erra*os" per*nte * mascu*inida*e hegemônic*.
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Contribuição d*s Autor**
R. G. Moura
R. P. *asciment*
1) c*ncepção e planejamento.
X
X
2) análi*e e inter**eta*ão do* dados.
X
X
3) elabor*çã* do rasc*nho o* na revisão c*ítica do co*teúdo.
X
X
4) participação n* aprovaçã* da versão fina* *o manuscrito.
*
X
R*v. FSA, Teresina, v. 15, n. 1, art. 3, p. 43-64, jan./fev. 2*18
www4.fsanet.com.br/revi*ta
Apontamentos

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