www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 6, art. 9, *. 165-186, nov./dez. 2017 IS*N *m**esso: 1806-6356 ISS* E*et*ônico: 2317-2983 *ttp://dx.doi.*rg/10.1*819/2017.14.6.9 O Trabalho Pedagógico do Ens*no da Pr*dução de Texto: Um olhar sobre as M*d*ficações *he *edago**cal Work of Tea**ing of the Te*t Productio*: A Loo* A*out the Mo*ifications S**vio P*ofirio da *ilv* Mestr* e* Linguí*tica e Ensino pela Un*ve*sidade Federal ** *araíba Pr*fessor na Facul*ade de Ciê*cias Humana* e Sociais de Igar*ss* E-mail: profirio.*ilvio@bol.*om.*r Josete **rinho d* Lu*ena Doutora *m **nguísti*a pela Universid*d* Federal d* Ceará Profe*sora da Universid*de F*deral da Para*ba E-*ai*: jose*emarinho.*fp*@g*ail.com En*ere*o: Silvio Profi*io da Silva Editor Científico: T*nny Kerley de Al*n*a* R*dr*gues *ua G**çalo Leitão, n. º 16* - U* 4 - Ibu*a - Recife - Pe*nambuco - **. C*P: 51300-110 Artigo receb*do em 0*/0*/2017. Últi** v*rsã* recebid* em 20/09/201*. *provado *m 21/09/2*17. Endere*o: Jos*te Marinh* de Lucen* Centr* de Ciênci** Humanas, L*tras e Artes - CC*LA. A*a*iado pelo sistema Tr*p*e Revie*: Desk Re**ew a) Un*versidade Federal da *araíb* - *astelo Branco, João pelo E*itor-Che*e; e b) Double Blind Review P*ssoa - P*, 5*033-455 (av*liação ce*a po* d*is a*aliadores da *rea). Revisão: Gramatic*l, Normati*a e d* F*rmata*ão S. P. Silva, J. M. Lucena *66 RESUMO E*te **abalho *em com* objet*v* gera* refletir acerca d*s mo*ificações no tr*balho pedagógic* d* *ns*no da prod*ção de texto. *omo *bjetivos es*ecíficos, p*etendemos: (I) conhecer tratam*nt* da*o ao eixo produção de texto na *oleçã* Por*uguês Linguagens o - Ensino *édio (2013); (I*) con*ecer o enf*que dado à diversidade textua* presente **s livros didáticos que compõe* e**a c*leção. Pa** rea*iz*ç** desses ob*etivo*, recorre*os aos s ubs í *i *s da pes*uisa documental, bem como * r*v*são de liter*tura e à análise *o* *i*r** didáticos em *uestão. Os resulta*os *emon*tram que * trabalho *edagóg*co do ensino da produção de texto no Bra**l passou por um d*ástico processo de molda*e*, contemp*ando um no*o *i*s de ensino cujo foco está na po*enciali*a*ão da formação de pro*utores *e *exto autônomos e profici*nte*. Desses suj*it*s, é requeri*a a habilid*de de ut*l*za* * pro*u*ã* *e texto (*scr*t* * ora*) nas *o*inas *otid*anas. Sobre * C**eção Po*tuguê* Lingua**n* - Ensino Méd*o (2013), ela abrange a produ*ão de texto escrito e oral, recorren*o aos subsídios dos gêneros *iscursivos procedentes de difer*ntes e*feras sociocomunica*ivas (lite*ári*s e não *i*erár*os, bem como escritos e m**tim*dais). O trat*mento conced*do aos gêneros discursivos contempla * *eflexão acerca do *eu funcionamento, ab*rdand* as suas caracterí*ticas constitutivas, o que con*ribui, p*ra a *ormação de usuários co*petent*s da língua * de produto*es de *exto *rofic*entes. Palavras-chave: P*odução de Texto. Tra*al*o Pedagógico. *odificações. ABSTRA*T This work h*s as general ob*ective to refl*ct on the modificat**ns in the peda*ogical work o* teaching text produc*i*n. As sp*c*fic objectives, we int*nd to: (I) kno* the treatment giv*n to *h* *ext production *xis in *he Portug*ese Col*ection Languages - Midd*e T*a*hin* (2013); (II) kn*w the focus given *o t*e tex*ual diversi*y p*esen* in the di*at*c books that com**se this c**lection. For im*l*mentation *f th*se **jectives, we reso*t*d to the subsidies of docu*entary rese*rch, as well as *iteratu*e review an* to *he a*alysi* of the didati* books *n question. The resu*ts de*on*tra*e that the pe*agogic*l wor* o* teaching te*t *ro*u*tion *n Brazil p*ssed for a *rastic *rocess of *olding, contemplating * new teachi*g bias wh*se focus is in the poten**alization o* the form*tion of autonomous and proficient t*xt produce*s. Of th**e s*bjects, is requ*red the ***lity t* use the p*oduction of text (w*itte* a*d oral) i* t*e d*ily *outi*e*. About the Portuguese Collectio* Languages - Mid**e Teaching (2013), s*e includes t*e te*t prod**t*on of writt*n and oral, *sing the subsid*es *f discursive genres from d*ffe*ent soc*ocommunica*ion sphere* (*iterar* and non-l*terar* as well as written and multimod*l). The t**atment gran*ed to t*e ***c*r*ive g*n*es con*emplates th* ref*ec**on on its op*ration, approaching their cons*it*en* characteristics, what contr*butes, for th* formation of compete*t *se*s of *he languag* an* pro*i**ent text produ*e*s. Keywords: Text Prod*ction. Pedagogical W*rk. *o*ificat*ons. *ev. FSA, Ter**in*, v. *4, n. 6, art. 9, p. 1*5-*86, nov./dez. 2017 www*.fsa***.**m.br/rev*sta O Trabalho Pedagóg*co do Ensino da Produção de Texto: Um olh** sobre as Mo**f*cações *67 1 INTR*DU*ÃO O *o**exto d* E*ame Nac**nal do Ensi*o Médio - ENEM tem susci*ado a efeti**çã* d* um v*sto contingente d* trabalho* acad*micos a resp**to do tratam*nto dado à pr*dução de te*to n* âm*i*o d* Ensino Médio. Es**s *rabalhos retê*-s*, *m sua gr*nde m*ior*a, à diss*rtaç** a*gumentati**. Entre**nto, produção textua* não se l*mi*a às sequê*cias tipológic*s, a saber, na*ração, descr*ç*o e *iss*rtação. P*lo co*trário, produ**r **xtos re*ete a um amplo cont*ngent* de g*neros disc*rsivo* p*ov**ient*s de diversas esferas *oci*comunicativa*, b*m co*o à es**ita e à oral*dade. D**nte d**se quadr*, p*od*z*r textos remete às mo*alidades linguí**i*as es*ri*a e o*al, *nglobando d*st*nt*s gêne*os d***ursivos. * com esse ol*ar q*e objetivamos refletir a respeito das modific*ções *o trabalho pedagógico do ens*no da produção de text*. De acordo com Santos (2*07), a déca*a de 1980 é inquest*on**elment* m*rcada *or post*lados qu* re*o*t*xtua*izam os o*jet*s *e ens*no, bem como os pro*edimentos ped*gógi**s e me**d*log**s de ens*n*, o que tr*nscende o âmbito *eó*ico. *ar* a aut*ra, *ais postulados representam a ef*rve**ê*cia de novas ten*ê*cias para**gmáticas. Entre t*is tendênci*s, está uma noção ** língua *om* a*ivid*de cont*nd*n*emente *ocial, cujo foco es*á na int**locuçã* *om os *emais suje*t*s compon*ntes das tr*mas cotid*an*s. Essa nov* roupage* de en*i*o *merge do* postulado* soci*interacionistas e discursiv*s da linguag*m. E*tre *sse* postulad*s, está * Ling*ística de Texto ou Linguística Tex*u*l. No bojo das d*scussões traçad*s por e**a abo*dagem teórica d* Lin*uísti** de Texto, a escrita *ons*ste em u** atividade i*terativa c*nalizada nos p*o*ósitos comu*ica*i**s dos suj*itos diante das di*tintas sit*açõe* co*uni*ativas de uso, * que **bil*za práticas tex*uais, di*curs*vas e c*g**tivas, extrapolando, assim, o âmbito gramati*al (MARCUS*HI, 2010). N* fina* dos anos 9*, o* Par*metros Cu*ricula*es *acio**is d* Língua Port*gues* - PC** (BRASI*, 1*97; BRASIL, *99*) materializam a perspectiva dos gêneros do di**u*so como ob*e*os de *nsino, primando pel* abordagem do* cont*ú*os a **r*ir dos eixos did**ic*s de ensin*, * s*be*, l*itura, pr*duç*o *e te*to es*rito, pro*ução d* texto oral e análise l*nguística. Par* tal, os gê*eros adquire* a condiçã* de supor*e didát**o, com a finalida*e de *fetivar a p*rspectiva da ref*exão e do uso. *odo es** leque de referenciais teóricos tem deflagrado um ampl* *onti*gen*e de *odificações no trabalho ped*gógic* do ensino de língua materna, bem como *o en*in* da l*itu*a e da pro*ução de texto. Ess* *ovo t***amento *ado ao eixo pr**uç*o de texto ve*, inquestion*velmente, sendo *ncorporado aos *ivros didá*icos *e língua. Rev. FS*, Teresina *I, v. 1*, n. 6, art. 9, p. 165-*86, nov./dez. 2*17 www4.fsanet.c*m.br/revi*ta S. *. Silva, J. M. Lucena 168 E*te trab*lh* *em *omo obj*ti*o refletir ac*rca *as modificações no **abalho pedagógico d* en*ino da produção de texto. *ecorr*nte diss*, bu*camos: (I) conhec*r o *ratamento dado ao eixo produção *e text* na C*l*ção P**tuguê* L*ng*agens - Ensin* *édio (2013); (II) conhecer * en*oque dado diversidad* t*xtual presente nos li**o* d*dáticos q** à comp*em essa coleçã*. 2 R*FERENCI*L TEÓRICO 2.* O Ens*no da Produção de Texto no Brasil: quais as modificações? *e a*ordo *om Mar*u*chi (2010), *té * final da década de *0, nas un**ades de ensino br*s*leira*, o trabalho pe*agógico do *nsino *e língua *aterna concedeu p*ior*d*de * escrita cor*e*a, coloca*do em evidência as pre*crições da gramática no*ma*iva, *em *omo as prát*cas ortog*áfic*s. Com isso, nas unidade* esc*lares brasileiras, *s p*áticas no*ma*ivas ancoradas na análise * na cla*sificação de termos presentes nas *struturas fra*a*s f*ziam-se presente* de *aneira co*si*erável. A análi*e de t**m** morfológicos e sintáticos * algo que define * trabalho pedagógico da época. P*ra * autor su*racitada, o trabalho pedagógico *stava i*tri*secame**e at*elado à a*á*ise e à c*as*ifi*ação morfo*sintát*c*, re*orr*ndo, para tanto, as *alavras dispos*as em construções frasais (*e*a-se *rases) d*sco*text*alizada*. Dizendo *e *utra forma, frases soltas e isola*as. *e*se t*abalho pedagóg*co que coloca*a e* n*to*ied*de a **cr*ta corret*, faz*a-se presente ainda * constante leitura de te**os advind*s do campo lite*ári*. **is leitu*as *avam-se simplesmen*e com a i*tenção de p*omo*er a *mi*ação de *rase* sacralizadas pel* gramática. Por outro *ado, por *m vast* quantitativo de déca*as, o trabalho pedagógico do e*sino da pr*dução de texto col*cou em notori*dad* prá*ica* de imitaçã* *e arquitetura* textuais anteriorment* elaborada*. *ra, p*oduzir u* texto cons*st*a em sim*lesmen*e repetir e/ou reprod*zir aspectos li*guíst*c** (gr*mat*cais, **aseológicos, lex*cai* *tc.) e composicionais (elementos advin*os da organização e*trutural da* tipologia* descritivas, *i*sertativ*s e na**ativa*), c*mo esc*arece Luna (2012). Nessa pe*s*e****a, no e*sino da produção de *exto, a r*pe*ição e a reprodução *anha*a* grande protuberância. Ma*cu*chi (2010) *fe**a um* bem-sucedida análise ac*rca d* t*anscurso histórico d* traba*ho pe*agógico do e*s*no ** prod*ção *e texto nas unidades de ensino brasile*ras. P*ra a Rev. FSA, Te*esina, *. 14, n. 6, art. 9, p. 165-**6, n*v./dez. 2017 www4.*sanet.com.br/rev*sta O Trabalho Pedagógico d* Ensi** da Produção de Texto: Um olhar *o*re a* Modif*cações 169 autora, o trab*lho pedag*gico relativo a ess* *ixo de ensi*o é dividido em três momentos distint*s. Cada um desses momentos t*rá um enfoque diferenci*do. O primeiro momento c*mpree*de as cinco pr*m*i*** déc*das *o século *X. No Brasil, o trabalho pedagógico do ensino da esc*it* teve tratamentos dife*en*iados no campo educacional e **s mater**** d*dátic*s. *arc*schi (2010) dem**stra que, a*é o fina* da déca*a d* 50, o trabalho p*dagógico concedeu prio*idade * co*posição livre e/o* composi*ã* à vist* de uma gravura, c*mposição à vista de trechos narrativ*s" e co*posi*ão à vi*ta d* cartas. Mas, a*inal, a qu* is*o se refere? A composi*ão livre e/ou composição à *ist* *e uma gravur*, de t*echo* na*r*t*vos *u *artas consis*ia no ato de tr**alhar *eda**gicamente a *rodução e*crita, recorren*o a prát*cas de *mitação e reprodução de con*t**ções text*ais (le*a-se text*s) pos*a* anteriormente. O trabalho pe*ag***co do ensino da escri*a colocou em notorie*a*e a const*nte imi*ação e *e**od*ção de mo*elos te*tuais. Esses m*delo* **am prov*nientes das Antolo*ias e/ou C*estomatias. Dia*te des*e* *odelos, o aluno de*eria e*c*ever um texto qu* estive*se de acor*o com as prescriçõ*s gramaticais, como postula *arcuschi (2010). Na ótica de Sa*tos (2007), por um v*sto qua*titati*o de *écadas, o traba*ho pe*a*ógico do *nsino de língua mater*a *steve a*sent*do *o padrão linguís*ico descrito nas gr*mátic*s normat*va*. Nessa ótica, o ensino de *íngua co*cede* p*imazia à* norma* do b*m falar e do bem escreve*, q*e e*tava dire*amen*e vinc*lado aos textos da o esfer* li*erária. Este* d*tinh*m um pad*ão *ing*ístico sacralizad* pela tradição. Dia*te do lastro da* normas do bem fal*r e do bem escre*e*, o trabalho peda*ógico do ens*no d* escrita es*ava v**culado ao emprego e à usab*lidade das *ormas **amat*cais. Em outras *alavras, o trab*lho com a escrita nas unidades de e*sino concedia p*imazia à apresentação e à memorização de norm**. Raz**ni (2000 apud MARCUSCHI, *01*) *fetu* uma bem-realizada abordagem das práticas de ensino da escrita desse *ri*e*ro m*mento, especif*c*ndo quais *xem*lares de textos eram utilizados n*s respectivas modalidades ed*cativ*s. *a *rimeira se*ie *rimária (atual 2º an*), eram coloca**s em noto*i*dade práti*as qu* *inha como foco a imit*ç*o e a reescrita de trechos *ext*ais curtos. Para isso, eram u*iliz*dos car*as, desc*ições e narrações de curta extensão. A partir da segunda serie primári* até quarta série (at*al a 3º e *º a*os, res*e**iv*men*e), eram colocadas em evidência prá*icas *ue primava* pel* re*a*ão livre. O ensino da produção *scr*t* co*cedi* *ri*azia à reprod*ção d* *alavra* correta* do *onto d* vista gramatical, bem c*m* *e trechos textua*s ad*indos dos c*ássicos literários. Cont*do, * fo*o do ensino da escrita n* época não *ecaia apen*s sobre a imitação e reprodução *e pal*vras e *ras*s corretas gr**aticalm*nte. *avia, ainda, out*o viés que Rev. FS*, Teresina PI, v. *4, n. 6, art. *, p. 165-186, **v./dez. 2017 *ww4.fsanet.com.br/rev*sta S. *. Si*v*, J. M. Lu*en* 170 primava pela e*colha d* *alav*as bela*, *obres e virtuos*s. M*rcu*ch* (2010) *ina*iza *ue tanto a* prá*icas de leitur*, com* as de escrita d*va* subsídios para * abordage* de ensinamen*o* morais, tendo c*mo foco o comportam*nto hu*ano. Em outras pa*avras, os textos lido* * escrit*s pel** alunos dav*m sub*ídi*s para *ua formaçã* mor*l. A r*ferida autora postu*a *ue, a* ela**rar u*a d*da o*ra didátic*, os a*tores ** época *elecionava* temas *ue tr*z**m ensinamentos a***ente* à conduta **ral humana. *ra, os temas veicula*os pel*s t*x*os traz*a* * tona qual*dades e vi*tudes que d*veriam ser adotados pelos al*nos. Al*ejava-se, p**tanto, *ue *s práticas de leitu*a e es*rita *osse "capaz de *on*uzir o jovem para a *irtude ou, ao contr**io, de desviá-lo para * erro" (p. 69). *iante *a produçã* escrita, o docen*e veria como se d** a "aprendizage*" dess* a**no, o* m*l**r, co*o es** *eproduziu os pre*eitos morais difundido* *elo campo escol*r. O fato é que, n*ssa época, * trabal*o pedagógic* focava na imitação e na re*scrita de tex**s clássicos. Caberia, ne*se sentido, ao aluno simpl*sme**e repro*uzir e atentar, em esp*cial, para os aspectos gr*maticais, o que e*ide*ciaria * escrita corret*. M**cuschi (2010) *ostula que a produção *scrita se dava, partir da seleção de palavras e ter*o* corretos, a nobr*s e virtuosos. **i* te*mos e**m provenientes da esc*it* e do dizer dos autores lite*ário*. Os alunos de*eriam, n*s*a perspectiva, simplesmente r*pr*duzir os belo* e c*r*etos term*s, utilizando-** em seu **x*o. Podemos inf*rir, desse modo, que as prát*c*s de *nsino ** escrita aconteciam, a partir de *rát*cas me*anic*stas. N* *i*ão de Koch e Elias (2010), essa roupagem de *n*ino estav* ancor*d* em uma co*c*pção de es*rita como fo*o no escri*or. Dessa ó*ica, a escrita é tida co*o um ****ento que *otencializa * ext*ri*rização da represent*ção me**al do autor. O autor produz uma *epresentação mental, ext**ioriza*do-a, por **n*e*uinte, no pape*. O leitor *stará, *o*ta*t*, incumbi** de identificar * pe*ceber a r*presentação mental (da mesma *orm* como e*a *oi *laborada pelo au*o*). A escrita é, *ntão, um eleme**o que fa*ulta a ex***ssão do pensa*e**o do **tor. *egundo Luna (2012), *es*a época, a esc*ita era tida ta*bém como um dom. Sob o norte d**sa pers*e*tiv*, a e*crita consistia em uma habil*dade linguísticas inata. Ora, o su*e*to traz co*sigo conhe*imentos lingu*geiros inte**orizados e inat*s, os quais contri*ue* de fo*ma substancial, para a exterio*i*ação/ materialização do texto. A escrit* assum*, então, um a pers*e**iva internali*ta, *onsis**n*o em uma ma*ca e/ ou tr*ço individ*al de ca** suj*i*o. Ainda com ba*e ne*sa *erspectiva teóric*, *avia a crença de qu* o discente poder*a escrever um *exto co* bo*s argumento*. Entr*tanto, para tal, er* ne*essário acesso, bem como o a im*tação/ r*produção do padrão linguístico dos autores d* re*om* do campo literário. Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 6, a*t. 9, p. 165-186, *ov./dez. 2**7 www4.fsanet.com.br/revist* O T*abalho Pedagó*i*o do E*si*o da Produ*ão de Te*to: Um olhar so*r* as Modifi**ções *71 No dizer *e Marcusch* (2*10), nos *nos *e 1 960 e 1970, o cam*o educacio*al brasilei*o é m*rcado pela deflagração de um amplo conti*gen*e de modificações no trabalho pedagógico do *nsino de l*n*ua mater*a *, consegu*ntemente, no e*sino da pro**ção escr*t*. A aut*ra traz à tona * Lei de Diretr*zes e Bas*s (doravante LDB) de 1971. Tal l*i faz com o ensino d* lín*ua *aterna adote nomenc*atura C*mu*ic*çã* e Expressão", passando a a colo*a* em *elevo os *ermos da comunicação - e*iss*r, re*e*tor, mensagem *tc. -, * que, por c*nsegui**e, erradi*o* a primazia c*ncedida à gramática n**mativa. Ness* contexto, os te*tos da *sfe*a literária perderam sua p*i*azia n* cam*o educacional. *sso *stá em concor*ância, **nfo*m* **ntua* Buz*n (*007), S*lva e Luna (2013) e Si*va (201*). Tendo como pano de fundo esse contexto parad*gmát*co, * trabalho pedag*gico do *nsino d* esc*it* colocou em notoried*de os e*ementos da comunicação. Silva & Luna (2013) * Silva (2017), mostram que as ativi*ades **dáticas de leitura colocavam e* relevo práticas que tinham como foco a identificaç*o dos elemento*: emiss*r, re*epto* * me*sag** etc. Tal s*tuação ta*bém foi aplicada ao ensino da escrita. Sobre isso, Marcusch* (2010) defende **e o fo*o do trabalho p*dagógico, nessa época, era justame*te per**ber se o alu*o com*reend** os el*mentos emissor e re*eptor. As prod*ções escritas dos alunos dava* **bsídios par* *al. Marcuschi (2010) aponta q*e, *essa é*oca, as se*uê*cias tipológicas - descr*ção, dissertação e narração - adqui*iram o sta*us de **neros predomin*ntes nas rotinas educacionais. D*zendo de ou*ro modo, a essas tipo*ogias textuais, *ra **da uma grande p*otuberância tanto no *nsino *a lei*ura, co*o no ensino da produção e*c*ita. O ensino da escrit* passa a adotar algumas nomenc*at*ras, a saber, r*dação c*iativa e redação liv*e. O **to é que o e*si*o dessa hab*lidad* linguística ainda conced*a *ri*azia à *mi*ação e à rees*rita de modelos te**uai* t*açados ant*rio*mente. Acerc* disso, Marcuschi (2010) *ina*iza que o ensi*o da es*r*ta concedia priorida*e à i*itação e à reprodução de forma*os te*tu*is. Isto é, *avia uma arq*itetura e um fo*ma*o te*tual já con*tr*í*o pre*iamente. E, escrever um texto o* fa*er u*a red*ç*o (como e*a denominad* nessa épo*a) requer*a *eproduzir **ses formatos t*xtuais sempre que f*sse produz*r um* *eterminada tipologia te*tual (des**ição, diss*r*aç*o e narr*ç*o). Ca*eria, portanto, a* aluno reescrever e reproduzir esses f*rma*os textuais já cristal***dos. *aso e*se modelo padrã* n*o f*sse reproduzido pelos alunos, a compreensão d* t*xto estaria comprometida. C*m isso, ao esc*ever *m de*erminado texto, o aluno de*eria s*guir* a risca a* famos*s técnicas *e re**ção. P*ra Sant*s (*00*), a *scola, *ob es*a per*pectiva de ensino, tinh* *omo in*u*bência estim*lar a cap*cidade de cr*ação de ide*as, exteriorizando-as nos f*rmatos *as t*pologia* Rev. FS*, Te*esina PI, v. *4, n. 6, art. 9, p. 165-18*, nov./dez. 2017 www4.fsan*t.com.*r/revis*a S. P. Silva, J. M. Luc*na 172 textuais e sob as pr*coniza**es gr*mat*cais. A escola via**lizava o acesso do alunado aos f*rmato* t*xtuais e aos padrões lin**ísticos a ser*m imitados. Os alunos, por sua vez, tinham por m*ta memoriz** as estruturas *s e**mentos organiza*ionais desses *o*ma*os **xt*ais, e *mit*ndo-*s em sua* prod**ões. Segun*o *un* (2012), tais prát*ca* con*ideram a escr*ta como uma técnica. Sob o n*rte dessa pe*spect*va, a escrita *s*ume a co*dição de habilida*e *inguística advinda *a *eprodu*ão e da con*tante rep*tiçã*. *ra, e*cr*ver *m **xto consiste em um *étodo pautado no a*o de seguir co*struto* textuais (m**elos) prévios. Nesse contex*o, as s*quên*ias ti*ológ*cas ganhavam um gra*d* relevo no cam** educacion*l. A *scrita era, aq*i, al*a*a à c**egori* de habilidade linguística inst*umental. Isso, *ois, pa*a *s*rever um texto, o *lun* *ev*ria simplesmente memorizar e re*etir os moldes co*posicionais e e**rutur*is das tipol*gi*s textuais. Na ó*ica d* Koch e E*ias (2010), essa prá*ic* de ensino esta*a cal**da e* uma conc*pção de es*rita **mo f*co na língua. Nes*a ótica, a escri** é tida como *m elemento diretamente atrel*do às c*nv*nçõe* gramatica*s le*icais. Em out*as palavras, *screver um e texto *equeria *o auto* o e**rego de normas e r*gr** da gr*mática normat**a, assim como o *mprego de termos eloq*entes * rebusca*os. Diante de*se quadro, * escrita e*a algo que re*ueri* um *roce*so de ap*opr**ção *o *is*ema lingu*sti*o e, sobretudo, *as suas regras. O fato é que as práticas ped*gógi*as mencionadas, até então alça* a es***ta à condição *e algo artificial. Com isso, o trabalho pedagógico do ensino d* produção es*rita *imit*u-*e à *mitação do pad*ão linguís*ico, be* *omo do *ormat* estr*tural. Em outras palavras, e*crev*r um text* *onsistia em atentar e, *cima *e tudo, demo*st*ar/evidenciar o padrã* culto da líng*a, ma*s esp*cificamente, aspe*t*s gramaticais, fraseo*ógic*s, lexicais e *inguageiros **picos da modalidade forma* *a lí*gua. Em outr* mom*nto, escr*ver um text* consistia em a*e*tar par* fo*mato e para os e*eme*to* e*tr*turais, rep*oduzindo-*s n* pro*ução e*cr*t*. No dizer de Marcuschi (2010), desde os an*s 8*, * tra*a*ho pedagógico do *nsino de l*ngua ma*erna tem passado por um processo de transmut*ção. Tal processo é a*arretado pela pro*alação dos *o*tul*d*s linguísticos **cio*nt*rac*onistas, bem c*mo d*s postu**dos sob** o* gêneros textuais. Esse contexto paradigmático inst**ou a efetiv*ção d* uma con*epção de escri*a como prá*ic* de i**eração/i*terlocu**o. Para supracitada autora, ag*ra, o aluno produz t*xto, a em vez de fazer r*daç*e*. Escreve* e/ou fazer redações consistia ** u*a prát*ca me**nica calc*da na *mitação de arqu***tu*as e for*at*s text*ais já constru*dos, a**im como n* reprodução de *lem**tos *í*ico* da organização estrutural das se*uên*ia* ti*ológic** e ** r*escrita de marca* Rev. FSA, Teresina, *. 1*, *. *, a*t. *, p. 165-18*, nov./dez. *017 www4.fsanet.com.*r/revista O Tr*ba*ho Pedagógico do Ensino da Produ*ão de Texto: Um olhar s*bre as Modifica*õ*s 1*3 linguístic*s dos autores. Isso *mplica conc*ituar *ais texto* *o status de art*f*ciai*. A pr*dução de te**o, *or sua vez, ca*rega consi*o tr*ç*s q*e remetem * *nteraç*o e/ou int*rl*cução. No dize* de Koch e *lia* (201*), essa prá*ica de ensino da escrita e*tá calcada *m uma concepç*o d* escrit* como foco na in*eraçã*. Nessa *ti*a, a *scrit* alcança * *atamar d* produção de *exto, sendo tida como uma *rá*ica inte*locut*va ass*nta*a no empre*o de *onhecimen*os e *aber*s *ife*e**ia*os, as*i* *omo *o emprego ** di*tintas estratégias *i*cursiva* * cogni*ivas. M**cuschi (2010) aponta o *ato de que, a *artir dos p*stulados lingu*sti**s propalados nos anos 80, o trabalho p*da**gico do ensino d* escri*a (agora, p*odução de te*to) vai colocar em relevo p**t*cas que ab*rdem essa com*etência lingu*stica, *ecorrendo a um dado c*ntexto, * s* o é, à *ituacionalidade. O fato * que *ssa p*stura di*átic* não *ai se *aterializar de i*ediato no camp* educ*cional. Isso v*i *con*ecer, a partir *o f*nal dos anos 90. N*ssa dé**d*, * publicação dos Par*metros Curricula*es Na*iona*s - PCNs (BRASIL, 1997; BRAS*L, 199*) enseja uma guinada no t*abalho pedagógi*o *o ensino da *scr*ta. Lun* (201*) aborda o* contribu*os teóricos da pub*icação dos PCNs de Língu* Port*guesa, no sentido *e ensejar modificaç*es no trabal*o *edagóg*co do *nsino da *roduç*o de texto. Ess* docume*to ofici*l está ancorado no* post*lados *e bakhtinianos. T*ndo como pano d* *undo esse context* paradigmático, a escri*a é ti*a co*o uma competência linguística concebida como prática de interlo*ução. A e*crita é t*d* como ato de interlocuçã* (qu*m escre*e, escre*e para *l*uém vis**do produzir u* determin*d* efeito e * faz conforme a *magem que possui de seu **pe* so*ial, do papel so**al do interloc*tor e da* esf*ras de p*odução e circulação do te*to) e *dota-*e * sequ*n*ia *idática como me*odologia de ensino da pro**çã* textual (L*NA, 201*, p. 2). S*gundo Marcusc*i (2010), *os dias *e ho*e, a es*rita é conce*id* como uma p*át*ca inter*ocutiva *ntre a*tor, *exto e leito*. Tal *roce*s* é viabilizado mediante o respa*do dos gêneros discur*ivo* marcados por p*áticas sociohistóricas. D*an*e disso, desponta a pri*eira proposta para * trabalho pedagóg*c* do ensino da p*od*ção de texto. E* ou*ras palavras, *s *rá*ica* p**ag*gicas r*lati*as essa habilidade linguísti*a d*vem acont*ce*, partir a a dos gêner** *i**ursi*o* propal*do* nas di*tint*s esferas soc**co*un**at*vas. Na ótica d* auto*a, e* vez de *rimar pela produção *e sequênc*as tipológica* (descrição, disser*ação e na*raç*o), o t*abalho pedagógico do ensino da produç*o de texto deve focar na produção *e gên*r*s discursiv*s prese*tes na* prát*cas corriq**iras do dia a dia. Rev. FS*, Teresina PI, v. 1*, n. 6, art. 9, p. *65-186, nov./dez. 2017 w*w4.fsanet.com.br/revista S. P. Si*va, J. M. Luc*n* 1*4 A escola t*m, po*tant*, a incumbênc*a de viabi*i*ar o contato do alu*o com os múlti*los e d*versificados g*neros *is*u*si*os p**s**tes nas rotinas *otidianas. Sant*s, Mendo*ça e Cava*c**te (2007) postulam que o tra*alho com gêneros discur*ivos d*ve *ontemplar suas características constitutivas, a saber, o *o*teúdo tem*tic* (ou t*ma), a co*p*si*ão e o es*ilo verbal. Essas especi*ici*ades * *articular*dade* dos *êne*os discursivo* devem ser abordada* t*nto nas atividades de leitu*a e compreen*ão de tex*o, **m como *as at*vidades de produçã* de te**o (escrit* * *ral), com a fin*lid*de de foment*r a apropriação do a*unado em torno das caract*rísticas dos gêner*s. *arcuschi (2010) aprofunda * debate metodol*gico *cer*a das pa*ticularidades * das especificidades dos g**e*o* d*scursivos q*e dev** *er tr*balhada* pedago*icame*te at*elad*s * pro*uçã* de texto. Na visão da autora, as condi**es de produção dos gênero* *iscursivo devem ser abordadas de forma vinculada produçã* à *ext*al. As condições de produção re*erem-se ao pr*pósi*o comu*ic**ivo do g*nero, o lo*al d* div*lgação, o su*or*e (como esse tex** será materiali*ado, como, por exemplo, em um recurs* impresso, *igital etc.), o produtor/e*unci*d** (*utor), o leitor, as mar*as de for*alidade* e informa*id*des do gê*ero. T*das essas carac*erísticas constitutiv*s deve* ser ret*at*da* no tra*alho *edagó*ico do ensino da p*odução de t*x*o. Para Marcuschi (20**) e Luna (2012), o trabalho pedagógico do e**ino *a produção *e t**to dever ser r*alizad* *m etapas: as etapas da produ*ã* *extual. Sã* elas: o pla*ejamento t*x*ual, a contextualização, a organização, * revisão, a reformulação e * refa*ção. Ora, a* **oduz*r um determinado texto, o alun* simpl*smente não reproduz um formato text*al já construído ante*. Mas qual * *apel do docente dian*e dessa nov* pe*spectiva de ensino da produção de text*? O* *eferenc*ais teó*i**s de *arcuschi (2*10) su*citam que o docente deve faze* uso de di*er**fi*ados p*ocedimentos didáticos com f*ns a viabil**ar * compree*são e a reflexã* do alu*o a*erca do fu*c*onamento * o*g*nização do* gêneros textuais. Ao tr**alh*r a produção de texto lig*da * um dado gên**o *o di**u*so, o d*cen*e deve *r*icular a idade do aluna*o com o gêne*o di*c*rsivo e as *uas e*pecificida*es a serem *rabalhadas; *sp*cificar os objetivos da pro*ução e o l**tor presumido; *n*tigar exteriorização *os conhe**mentos a e saber*s prévios do alunado acerca do gêne*o textual * da tem**ica traz*da por e*te. Ma*, e* *special, o docent* deve *sti*ula* a reflexão d*s *i*centes atinentes à* estra**g*as textual- discursivas e recursos linguísticos a s*rem postos *ura*te o ato da produ*ã* tex**al. *i*nte do* aspectos aqui postos, perc*bemos que o trabalho pedagógic* do ens*no da prod*ç** d* te*t* m*rcado por um passadiço é **tre *rátic*s mecani*istas e int*rlocut*vas. Re*. FSA, Teresina, v. *4, n. 6, art. 9, p. 165-186, nov./dez. 2*17 www4.f*anet.c*m.br/revista O Trab*lho Pedagógi*o do En*i*o da Pr*duç** *e Texto: Um olha* sobre as Mod*ficações 1*5 Ou seja, o ensino des*a habili*ade ling*ística vem de uma t*adição marcada pela sup*ema*ia do conteúd* e da r*produção *e m*de*os *extuais (sequências tipoló*icas), pa*sando para *ma nova t*ndência mar*ada pela var*edade textual (gêneros *iscursivos) e po* prát*cas de prod*ção textual c*lcada* em di*ersas etap** (plane*amento, ela*oração, r*vi**o, refor*ulação, r*facção et*.). 2.1 Livros didát**os de Língua Portugu**a: Como eram? Como são hoje? Como fic*m as a*ividad*s de prod*ção de t*xt*? *uzen (2*07) retrata as *o*ve*sõ** na organização estru*ur*l dos man*ais didá*icos de Lí*gua Portu*uesa. No dizer do autor, nos dias atuais, os li*ros didá**cos trazem consig* um* múltipla e *iversif*cada se*eção *extual (leia-se g*ner** disc*rsi*os). *or ou**o lado, algumas déca**s, tal situação não acon*ecia. Por m*ito t**po, as *ntolog**s e/o* crestomatias foram utili**das como materia* did*tic*. Est*s davam primazia à linguagem literá*ia, trazend* *onsigo uma m*ltipl**id*de ** *onstrutos *ext*ais (leia-se textos) p*o*enientes do campo li**rár*o. Nes** conte*to para*i*mático, os poemas e os textos **fan*o-juvenis ganhavam uma intensa pre**nd*râ*cia. Em *lgun* c*so*, *m versos o* em *ros*, bem co*o c*mpletos o* f*agmen*ados. * fato é que os gê**ros da esf*ra literár*os tinham u*a grande supr*macia n* organização e*tr*tur*l interna dos materiai* didáticos d* *poca. Nos anos 7* * *0, tem início um proc*sso de pr*liferação de t**tos dos li*r*s *i*áticos *e *íngua P*r*ugues*. Ness* época, os livros di*áti**s já se *aziam presen*es nas unidades de ensino bras*leiras. Estes traziam co*si*o não apenas textos a*vindos d* *sfer* *iterária. No d*zer de Bez*rra (*001) e Bu*en (2007), os pos*ula*os da **o*ia da com*nic*ção e *a informação i*stigaram modificações na se*eçã* text*al dos l*vros didáticos. *s modific*ções, p*rém, não se r*stringem a**na* a*s man*ais didát*c*s, ma* abra*gem o ens*n* desse *omp*nente curricular como *m todo. Os *eferidos autores e*idenciam *u* o trabalho pedag**ico *o en*ino de Líng*a Po*tugue*a, amparado nas Le*s 5.672 e 5.692 (ambas de 1971), adoto* a nomenclatura "Co*unicação e Expressão em Língua Portuguesa". O trab*lho p*dagógi*o do ensino de*se *omponente curricu*ar pas*ou, então, a colocar em re**vo os *lementos da com*nicação e as fu*ç*es da li*guagem, recorrend*, par* tanto, a textos mat*rializ*dos por intermédio da linguagem ve*bal e não-verb**. *ev. FSA, Ter*sin* PI, v. 14, n. 6, art. *, p. 165-186, nov./dez. 2017 *w**.fsanet.*om.br/r**ista S. P. S*lva, J. M. Luc*na 17* *ess* contexto, *s g**eros discursivos ima*étic*s e visuais passaram a *ompor a s*leção t*xtu*l presente nos mater**is *idáticos de Língua Portuguesa, mais especificamente, nos livros *idáticos. São e*emplos de gêneros disc*rsivos que *lustram tal sit*açã*: as *harges, as hi*tórias em quadrinhos, as tirinhas etc. O fato é qu*, a partir dessa década, a seleção tex**al presente no* *ivr** di*áticos *esse componente *ur*icul** tr*nscende o c*mpo lite**rio, n* med*d* e* que *ba*ca out*os *e*istro* textuais. Em outras palavras, embo*a ainda esta*do pres*ntes na estr*turação o*ganizacional dos livros did*ti*os de Língua Po*tug*esa, *s *ex**s literá*io* perdem su* proemi*ência. Ho*e, porém, a sele*ão textu*l materi*l*zada nos livr*s e nas gramátic*s esco**res é bem ma*s ampla. *tualmente, não apenas os li*r*s *idátic*s, como tam*ém as gramáticas tr**em *onsig* a m*l*iplicidade de gê*er*s disc**sivo* pr*palado* nas tramas c*tid**nas. Para Bezerra (2*01) e Buzen (200*), a amp*iaç** e a expansão *a seleçã* t*xt*al na est*ut*r*ção int*rna dos l*vros di*áti*os são p*ovenientes dos postulados das te*ria* do texto e d* disc*rs*, b*m como d*s *eo*ias d* letra*ento. No dizer de Santos, Mendonça & Cavalcante (2007), "com as disc*s*ões so*re o ensi*o de língua a *artir de *eados dos anos 80 do século XX, o **xto pas*ou a ser * objeto de e***n* nas sal*s de aula". Nes*a pers*ectiva, nos ano* 80, os post*lados da Linguística *a Enuncia*ã* facultam a promoção de no*os paradig*as at*nentes ao trabalho pedag*gico *o en*in* de Língua Portuguesa. Entre tais paradigm*s, podemo* *en*ionar, aqui, o fato *e o tex*o assumir a *atego*i* de objeto de ensino. *obre *al quest*o, Buz*n (20*7) suscita que a **rsp*ct*va d* texto *omo o*je*o de *nsin* instigou modificaçõ** no trabalho pedagógi*o, bem c*mo no* materiais **dáticos. *ra, a *e**ção t*xtual a se* t*a**lhada *as ro**nas *duc*cionais deve est*r atrelad* às prát*c*s do dia * dia. *iante de*s* perspectiv*, * trabalho *e*ag*gic* do ensino de Língua Portugue*a *, so*re*udo, os *ateriai* did*ticos passaram a *ispor de *extos au*ênticos, em de*rime*to *e textos artific*ais. Isso, por sua ve*, *xpa*diu de forma considerável s*le**o tex*ual a e temática presente *os l**ros didáticos. Sil*a e Luna (2013) e Sil*a (2017) postula* que os mais *ecent*s livr** didático* materializam u* amp*o conting*nte ** gên**os discursivos (es*ritos e *ult*modais). A*ém dis*o, *razem c****go atividades *idática*, que r*c*rrem ao* *ubsíd*os didát*cos dos gêneros orais. Tais atividades did*ticas o*jet*va* *i*bilizar a reflexão *o *luno a respeito do funcionamento dos gêneros discursivos. Para tal, ess*s ati*i*a*es colo**m *m notori*da*e a* c*r*cterístic*s constitutivas dos gêneros discursivos (plano t*mático, *l*no composicional e plan* estilístico). *ev. F**, T*resina, v. 14, *. 6, ar*. 9, p. 165-186, nov./**z. 201* w*w4.fsanet.com.br/r**i*t* O Tra*alho Pedagógico d* Ensin* da Produção d* Tex*o: Um olha* sobre a* Modificaç*es 177 S*bre essa *uestão, Santos, Mendonça e Cava*cant* (2007) esclare*e* *ue as a*ividades didáti*as presentes *esses manuais didáticos *ece*tes primam por um *rab*lh*, envolve*do as particula*idades e a* es*eci*icidades *e c*da *ênero, o que viabiliza s*u pr*pósi*o de fac*l*ar a reflexão dos alunos ac*rca do fu*ci*name*t* discursivo dos *êneros di*cursivos. Silv* e Lun* (2013) postulam ainda *ue não só traba*ho pedagógi*o o do en*ino de Língua Por*uguesa, *omo t*mbém os l*vr*s did*ticos desse c***onente curr*cular *assam a *ar destaqu* aos eixos de ensino d* líng*a por**guesa. Nes*a con*ectura, a organização in*ern* desses ma*e*iais d*dát*c*s p*ssa a c*locar em relevo a*t*culação/junção en*re tai* a eixos. Acerca dos eixos *enc*onados an*erior*ente, Su*ssuna (2006, *. 30) esclar*ce seus ob*etivos de ens*no. LEITURA deve permitir ao *luno con*tr*ir os caminho* pelos quais el* atribui sentido ao dizer do outro. PRODUÇÃO DE TE*TOS ESCRITOS deve levar o a*uno a expressar sua visão *e mundo. LINGUAGEM ORAL de*e dar margem a q*e * aluno parti*i**, enquanto cidadão, do d*bate soc*al. ANÁLISE LINGU*S*ICA **ve contr*bui* para que * aluno, refletindo s*bre a língua, b*sq*e co**tru* e*p*i***ões cada vez m**s e sis*e*áticas e artic*ladas s*bre s*u funciona*e*to. **s* perspect*va vai ao e*c*n*ro de *anto*, Al*uquer*ue e Men*onça (**07). T*is autoras efetua* *m* be*-*ucedida aná*is* ace**a d* *orma como os eix*s didáticos d* e*si*o de l*ng*a sã* trabalhados no* mais *ecent*s *i*ro* didáticos. M*smo que nosso foco seja a abor*age* do eixo produç*o de t*xto, é preciso mencionar os demai* eixos. *sso, por q*e a* mais recentes propost*s c*rriculares do ensin* desse compon*nte curricular postul*m a abor*a*em de tais eixos de ma*eira articul*d*. Tal a*ticulação dev* estar p**sent* no *rabalho p*da*ógic*, b*m co*o e *os materiais di*á*ic**, como é o c**o do* *ivros escolar*s. O prime*ro **xo abor*ado po* (SANTO*; ALBUQUERQUE; MENDONÇA, 2007) diz respeito à leitura. Sobre ess* ei*o, as ***oras p*stulam que, nos mais *e**ntes *i*r*s didát*cos *e Língua *ortuguesa, ele aparece al*c*r*ad* na perspec*iva da variedade text**l, be* c*mo na *rima*ia conc*dida a*s textos de caráter autênt*c* e real. E* virt*de da persp*cti*a do *etr*mento, as prop*st*s cu*riculare* passam * co*ocar em evidên*ia os gêneros do *iscurso, prec**izando sua ab*rdagem não só no trabalho pedagógico, mas também nos **teriais didáticos. Com isso, *s ati*id*des de lei*ura e compreens*o de texto pr*sentes nos li*ros escolares acontecem, a pa*tir dos g*nero* discursivos. O foco dis*o é facultar o c**tato com a *ult**licidade d* *êneros presentes n*s práticas c*tidi*nas, a*sim c*mo a compreen*ã* d*s Re*. FSA, *eresina PI, v. 14, *. 6, art. 9, *. 165-186, nov./*ez. 2017 www4.f*anet.co*.br/revista S. P. Si*va, J. M. L**ena 178 suas particularid**es * especi*ic*dades. *s livros didáticos tr*zem, portanto, atividade* de l*itur* que foc*m nas características co*st*t*t*vas de cada gênero discursivo, a sabe*, plan* t*mático, p*ano c*mposicional e plano *stilís*ico, como suscitam San*o*, Me**onça e Ca*alcante (2007) * Silva (2017). O segu**o eixo abordado po* *a*tos, Albuquerque e Mendonça (2007) diz re*peito à esc*ita e/ou produç*o textual. É nece*sá*io sinaliz*rmos que * termo *rodução *e **xto *lude tanto à escri*a, qu*nto à oralidade. ** outras palavras, esse term* faz ***ção à p*o*ução de textos escr*tos e o*ais. Ne*te trabalho, focamos na produção de textos escritos. Sobre o tratamento ** produção textual *o* livros did*ticos de Língua *or*ugu*sa, *s autoras po*tulam que * abordage* desse eixo *ambé* aparece calcad* na perspectiva da variedade textual, recor*en*o, as*im, aos subsídios d*s gê**ros *o discurso. Ass*m com* no eixo anterio*, o foco, *qui, também recai para os **nero* que ad*êm das tra*as co*idiana*. Sobre a produção de text** escri*os nos livros didáti*os de Lí*gua P*rtugue*a, Santos, Albuquerque e Mendonça (2*07) postulam qu e s ua abo*dag*m dev* acontecer, * parti* da situacionalidade. *m outras palavra*, *ma p***ução de texto não ocorre do acaso. Pelo *ontrário, há um* finalidad* e/ou u* propósito, que estã* vincula*os a uma sit*a*ão c*muni*ativa de uso e/ou si*ua*ão de c*municação. A situação *m que se *á prod*çã* a de te*to é um requisit* p*ra sua *bordage* tanto *as práticas pe*agógica*, *omo *os livros didáticos. A* referidas autor*s postula* *inda * articu**ção *ntr* as competê**ias da l*itura e d* *scrit*. Os mai* *ecentes l*vros didátic*s de Língu* Port**uesa trazem *o*s*go ab*rda*em de compreensão d* produção textual *e maneira atrel*da. É e preciso sinalizar que essas habilidad*s *inguísticas não são co*t*apostas uma a outra. Pelo contrário, am*as sã* c**ple*e*t*re* As *ut*ras supracitadas des*a*am *ambé* o fato de que, nos mais recentes livros d*dá*icos, a abordagem do eixo produção d* texto op**tuniza a refl**ão atinent* à* condiç*es de produ*ão d* gênero, a sab*r, finali*ade c**unicativa (*bjeti*o), enunci*dor (a*to*), coen*ncia*or (interlo*utor), loc** de pub*icação, supo*te etc. *i*nte disso, é preciso q*e t*l abord*gem dê *onta de fazer *o* que o leitor e o pr**ut*r *onsiga* re*l*tir sobr* o gênero discursivo, o *ue abarca a refl**ã* ace**a *as s*as esp*cifici**des e particularidades. *a ótica das re*er*das autoras, as atividades *e produçã* de *exto presen*es *os l*vros di*ático* devem acontecer, a par*ir d* eta*as (o pla*ejam*nto, organi*ação, * *roduç*o, a a rev*são, a r*facç*o, * circulaç*o e*c.), assim *omo dev*m mencionar as orientações atinent*s * ca** e*apa da *roduçã* do texto. T*is atividades devem, então, facultar não *ó a promoção *a *e*. FSA, *eresina, v. *4, n. 6, art. 9, *. *65-186, nov./dez. 2017 www4.fsanet.c*m.br/revis*a O *rabalho P*dagógico do Ensin* da *r*du*ão de Texto: U* ol**r *obre as Modific*ções 179 a*tonomia d* aluno face a escrit*, m*s também * *efl*xão ace*ca do f*nc*o**ment* discursivo dos gêneros. O **tim* eixo didático abord*d* po* Santos, Al*uquerque e *e*donça (2007) di z respeito à *nálise *inguística. Acerca desse eixo, as au*oras p*stulam que os mais recen*e* liv*os didáticos de *íngua portuguesa *êm adquir*do essa **va perspect*va de *ra*amento dado aos *sos da língua. A anál*s* lingu*stica consiste reflexã* atinente à m*ltiplicidade de *e*u*sos ling**sticos empr*gados no ato de compre*nder e produz*r te*tos, o qu* remete n*o somente * dim*nsã* f*asal, ma* ta*bém à dime*são discursi*a e p*agmática. Me*do*ça (2006) a*p*ia * discussão, *razendo a d*f*nição de análise linguís*ica co*o se*do um* prática de reflexão ca**a*a no sistema linguís*i*o, b*m c*mo nas múltiplas e di*ers*ficadas formas de utiliz*r * língua. Não se tr*t* da abo*dagem de elementos morfológicos e si*tático* por *i só. Mas, sim, de trabalha* *o* *om*nclaturas gramaticai*, *oloca*do em *auta a r*flex*o ace*ca da *ua função *a construção t*xtual. No dizer da referida *u*ora, "o termo Análise *inguística surgiu p*ra deno*inar u*a nov* pe*spectiv* de *e*lexão sobr* o s*s*ema lingu*s*i*o e sobre os usos da língua, com v*stas a* *ratamen*o escolar de fenôm**o* gramatic**s, *ex*uais e discursivos" (p. 20*). Ne*sa c*njectura, a an*l**e *inguística **anscen*e * ato de colocar em rele*o palavras e frases so*ta*/is*ladas, be* co*o a p*imazi* d*da à anál*se/cl*ssificação de ter*os prese*te* na organizaç*o e*trutur*l frasal. N* anális* linguí*tic*, o foco é "a reflexão consc*ente sobr* fenômenos g*amaticais e text*al- disc*r**vos que *erpassam os u*** li*gu*sticos" (p. 204). Di*tan*ia*do-se da prática de aná*ise e de classificaç*o de elementos *dv*ndos de con*truções fras*is, Santos, Alb*qu*rque e Mendonç* (20*7) postu**m *ue a aplicação da anál*se lingu*sti*a **m propósito de facultar a prom*ção *e p*áticas de l*itura e produção te*tual. Mas como isso s* dá? O primeiro ponto que *s referidas autoras me*ci*nam * que a tão postulada reflexã* no tocante à multiplicidade *e usos da língua a**ntece mediante ***textos situados. Isso, em vez de primar *elo isolamento de palavras e termos pr*venientes de est*uturas fras*is (*eia-*e frases). A par*ir desses contextos *ituados, ocorr** outra* r**lexões que ab**c*m a **mensão discursiv* e pragmática como, *o* exe*plo: * i*enti*icação de marcas/tra*o* de fo*ma*ida*e e inform*lidade em gê*eros discu*sivos e situações d* com*nicação; os *feitos *e sentidos fa*ulta*o* pelo uso de sina*s de p*ntuação, isto é, a percepção d* m*dificação/mudanç* no sentido de uma c*nstruç*o frasal ** **ce *a util**ação *e sinai* de pontuaçã*; a extinção de um *en*i*o ambí*uo em *u*ção do u*o da ace*t*ação gr*fica; a re*le*ão to*an*e à funçã* de algu*as classes m*rfológicas * *i*táti*as na construç*o t*x*ual (o* seja, q**l o papel de *ais elem*nt*s na construç*o *is*u*siva de *m Rev. *SA, *eresina P*, v. 14, n. 6, art. 9, p. 1**-1**, *ov./dez. *017 www4.*s***t.com.br/revist* S. P. Silva, J. M. Luce*a 180 dado text*) etc. T*do iss* tem sid* empregad* n*s *ais *e*ente* *ivros di*áti*os de Língua Po**uguesa. Em *ermos de conclusão, destacamos o fa*o de, nos dias de hoje, a organizaç*o *nterna dos livros didát*co* *e Língua Port*g*esa em foco estar calcada na articulação/integração dos eix*s de ensino d* l*ngua portug**sa. O que *acul*a * *rticulação da abo*dagem d*s competênc*a* lin*uística* da *eitura e da escri*a. Is*o **g*ifi** **zer que as ativ*d*des didáticas de *ompreensão text*al * produ*ã* de texto, em tais m*nuais, são apr*se**adas de maneira ar*iculadas. Mas *omo isso é rea*izado? Os livros *idáticos desse c*mponente cur*icul*r *ão org*nizados, a p*rtir de capítulos *u unidades. Cad* *m t*az co*sigo um gênero di*cursivo, visto que a per**ectiva q*e subja* a esses *ecentes manuais a da diver*idade/vari*da*e é textual. Nos ca*ítul*s e/ou unidades, ocorre a abo*d*ge* **órica s*bre e*se gênero discursi*o, o *ue abrange/e*g*oba suas características *onstitut*va* (*on*e*do temático, com*o*iç*o * estilo), assim como suas condições de *rodução e c*rculaçã* (*ropósito co*uni*ativo, *nunci*dor, coenunciador, suporte *tc.). Após *ss*, aparecem as ativid*des didáticas co* foco na leitura e compree*são de textos, na produção tex*u*l (escrita e oral) e na *n*li*e ling*ística. É necessário dize* que as atividades d*d*tica* a*resentadas em *ada capí*ulo/uni*ade es*ã* diretamente v*nc*l*das a* gênero discurs*vo e* relevo naqu*le capí*u*o. Isso a*ar*et* o processo *e *propr*a*ã* das e*peci*icida*es e p*rticularidade* de ca*a gê*ero, por p*rte *os alu*os. No *ue t**ge às ativi*a*es didáticas de produçã* textual, em te**os conclu*ivos, ressa*ta*os o fato de ela* s*rem c*lca*as na contextu*lização. Ou *e*a, cont*xto* *omu*icativos situados e/ou sit**ções reai* d* co*unicação. Ap*recem, ainda, * ex*l**itaçã* e ori*ntações conce*nentes a cada etapa/momento *a realiz*ção de tais atividades. Dito de out*o mo*o, as atividades sã* calca**s no **anejamento, na produção, na rev*são, n* refacção e na circulaç*o. *m cada uma d*ssas *ta*as, apare*e* as devidas *ri*ntaç*es de *o** efeti**-las, como dizem Santo*, Alb*querque e Mendo*ça (2007). É preciso sina*izar que as ativida*es didátic*s em t*rno *essa *abilida*e ling*íst*ca n*o primam apen*s pel* *to de *nst*gar esses *lun** a produzir texto, mas ta*bém focam n* ato *e facu*tar * r*fl*xão acerca d* funcionam*nto di*cursi*o dos gêneros discurs*vos *razidos pelo livro didát*co. *oncl*ím*s, aqui, q*e os li*ros *id**icos, em sua grande maioria, *imple*m*n*e não só expa*dem consideravelm*nte a quan*idade e a di*ersid**e dos g*nero* discurs*vo* present*s em su* or***ização *ntern*, como também *ptam por tratamentos *ue aba*cam prática* de reflexão *cerca do funcionamento discu*siv*, das especificid*des e das Re*. FSA, Teresi*a, v. 14, n. 6, art. 9, p. *65-186, nov./dez. 2*17 ww*4.fsanet.*om.br/revista O Trabal*o Pe*agógico *o Ensino da Produção de Texto: Um olhar *obre as Modificações **1 p*rt*cula*idades dos gêneros. Tais prática* dão-se a *a*tir das ati*idades de leitura e de escr*t* (ou também, Produção de Texto). 3 MET*DOL*GIA * referi*o trabalho *stá cal*ado n* *mbito da pesquisa *ocumen*al, tendo c*mo corpus *e *ná**se três **vr*s did*ticos qu* compõem a Coleção Port*g*ês Ling*agens - Ensino Médio (*013). A escolha dessa coleção res*de *o fato de esses manuais estare* sendo utiliza*os atualmen*e n*s esco*as da rede estadual de ensin*, no es*ado *e Pe*nambuco - PE. P*ra a realização deste trabalho, ut*lizam*s como *rocedi*e*to me*odológico: a Revi*ão d* *ite*atur*. Tal procedi*en*o ab*rca o processo de a*ropriação de *po*tes teórico* ati*ent*s à temática abordada em *m dado *rabalh*. O* re*erenciais teóricos advin*os da *e*qui*a b*bliogr*fica *arão subsídio* não só para a construção do **rco te**ic* (ou tam*ém fundamentação teórica), como também p*ra div*rs*s outras p*rtes do refer*do traba*ho, tais c*m*: in*ro*ução, análise e d*scriçã* *os resulta*os et*. *ara a realização *a* análi**s, utilizamos c*mo critéri*s de *nálise: (I) *oncepção de linguagem subjace*te; (II) Tratamento d*do ao *ixo p**du*ão de **xt*; (III) Enfoque dad* à diversidade *extua*. A p*rtir dess** cr*tério*, e*et*amo* as análises que alavancaram os dados desc*itos no tó*ico a s*gui*. 4 RESU*TA*OS E DISCUSSÃ* Os resul*ados demonstram que *mbos os l*vros didá*ico* da Coleçã* Po*tuguês Linguagens - Ens*no Médio (2013) estão al*ce*çados na c*ncepção de linguagem in*erat*va, def*agra**o uma noção *e língua como ativid*de soc*al, bem como uma estru*ur**ão organiz*cional ancor*da na concaten**ão dos ei*os de ensin* da leitura, produção de texto, oralida*e e anál*se linguística. No q*e co*cerne a e*ses eixos de ensin*, os liv*os didáti*os que comp*e* a Coleç*o *ortu**ês Linguagens - Ensin* M*dio (2013) mate*ializam ativid*des *u* evid*nciam um a noç*o de leitura *omo c*nstrução/pro*ução *e senti*o, assim como uma noção de produção d* t*x*o (escrit* e ora*) c*m* *roc*sso **tera*ivo. Quant* * perspectiva da *náli*e linguístic*, as atividades dissemi*adas nos três livros *idáticos r*cebe* dois tratamentos. Por um l*do, *á ati*i**des foc*da* *os *ecursos linguístico* e e*pressivos m*terializados em disti*t** gêneros dis*urs*v*s, bem como nos efe*tos d* sentid* ensejad*s pelos comp*nentes gramati*a*s. **r Re*. F*A, Ter*sina PI, v. 14, *. 6, ar*. 9, p. 16*-186, no*./dez. 201* w*w4.fsa*e*.co*.br/re*ista S. P. Silva, J. M. Lucena *82 outro lado, h* atividad*s foca*as na *era anális* e classi*ic***o gramatic*l, mes*o qu* r*spaldadas *o* *êneros do disc*rso. *s livros deflagr*m escassas oportunidades, em prol d* concreti***ão *a abordage* de ati*idades voltada* * promover * reflexã* ac*rca dos u*os da *ín*u*. Sobre * *ratamen*o dado *o *ixo prod*ção *e texto, desta*am*s o fato de os t*ê* l*vros didáticos componentes da *ole*ão P*r*uguês Linguagens - *nsino Médio (*013) pote*cializar uma n*ç*o *e pr*duç*o *e *exto como processo int*rativ*/*n*e*locut***, englob*ndo tanto a escr**a, quanto a o**li**d*. Ou seja, a produçã* de texto **crito e ora*. * abordagem do *ixo prod*ção de texto é, nesta coleção, *u*sidiada po* diferencia*os gên*ros do d*s*urso. E*tes sã* perte*centes a distin*as esfe*as comun*c*t*vas. É nece**á*io r*s*a**arm** que os gêneros esc**tos *ossue* um espaço be* ma*s am*lo **e os gêneros orais. *stes possue* um esp*ço minoritário. Ainda no tocante *o trat**ento d*do a* eixo produç*o d* texto, destacamos o fato de e*sa coleção deflagrar u*a abo*dag*m anc*rad* na juntur* entre as at*vidades de lei*ur* e escrita, bem como uma aborda*em pau*ad* nas etapas da produç*o de texto. Cada capítulo d*sti*ado ao ei*o produção de **xto (seja escrito ou ora*) * iniciad* pela a *eção tra*al*ando o gên**o. Essa seção traz * tona **a atividade de leitu*a subsidiada pelo g*nero a ser pr***zido posteriormen*e. *essas ativ*dades de leitur*, são ab*rdadas as car*cterísticas cons*it*tiv*s do gênero em *estaqu*, *ocando no propósito comunicativo, no cont*údo temát*co, ** composição no estil* verbal, e co*o escl*rece* (SANTOS; MEN*ONÇA; C*VALC*NTE, 2007). A seção trabalhando o *êne*o *em por ob*etivo familiarizar o aluno *om as caracter*sticas do gên*ro, par* que ess* su***to possa produzi-lo posteriormente. Após i*so, vem * seç*o trab*lhand* o gênero. Ess* seção traz à tona o processo de produção, * partir d*s eta*as da prod*ç** de texto (planejamen*o do texto, pr*dução, revis*o e **es*rita). ** ca*a uma d*ssas etapas, a*arecem o*ientaçõe* e passo*, cujo foco é conduzir * aluno à c*n*retização d* pro*u*ão do gênero, conforme po**ula* Santos, Albuq*er*u* e Mendonça (2007). Além disso, *esse e*xo, aparecem suge**ões de soci*lização e *ivul*ação do *ênero produzido, *em como sugestão de projetos. No que tan** ao enf*que dado à dive*sidade textual, **s*acamos o fato de os três livros didáti*os co*stituintes da s*pr*ci*ad* coleção est*rem resp*ld**os na variedade de gê**ro* d*scur*ivos. Os três livros didático* o*ortu*izam a*ividades d* leitur*, pr*dução de t*xto (escrito e oral) e anál*se l*nguística alicerçadas nas esp*c*ficidades e nas par*icul*rid*d*s (le*a-se características co*st*tuti*as), com* susci*am S*nt*s, Mend**ç* e Ca*alcante (2007). Rev. F*A, Te*esina, v. 14, n. *, art. 9, p. *65-186, *ov./dez. 2017 www4.fsanet.com.br/revist* O Tra*alh* *edagóg*co do Ensino da *rodução d* Text*: Um olhar sobre as *odi*icações 183 Em s* *ratando do e*xo produ*ão de texto, o enfoque dado à variedad* *extual segue o mes*o direcio*amento concedido aos *em*is eixos. A*udimos, *esse **nto, ao fato d* as ati*idades didáti*as *a**riali*ada* em cada um *e**es eixos est***m sempre *oltadas a *iabilizar a efetivação da reflexão dos alunos e* torno das características con**itu*iv*s de cada gêne*o discursivo (finalidade comunicativa, co*teúdo temático, forma compo*icional e estilo *erbal). Ou seja, a abordagem dessas caract*rística* const*tutivas e* c**a *m dos eix*s d* ensi*o tem p*r obje*i*o vi*biliza* a promoção da apropria*ão dos alun*s *ace os gêneros disc*rsi*os, o que est* diretame*te vinc*lado à pe*spectiva d* letrame*to. *ia*t* da* análises *ealizada*, pode*o* aponta* que * Cole*ão Portug**s Lingua*ens - Ensin* Médio (2013) está em consonância c*m as mais rec*ntes *rientaç*es por distintos docum*nt** oficia*s - Par*metros *urriculares N*cionais - P*Ns (BRASIL, *997; BRASIL, 1*98) e Orientaçõ*s C*rriculares *aciona*s para o E**ino *édio (BRA*IL, 2*06), no tocante à a*or*age* do e*** p**dução de *ex*o. A supracitada coleção *on*empla a pro*ução de texto escrito e o*al, recorr*ndo aos subs*dios dos gêneros discursivos p*o*e*e**es de diferentes esferas *ocioc*municativ*s. Em vez de foca* na abo*dagem *e at*vida*es de produção de *exto escrito, os livros didáticos componentes dessa coleção prim*m *e*a abordag*m de atividades c*naliza*a* na p*odução de te*to oral. Mesmo cie*te de que o quantita*iv* *e *êne*os o*ais po*eria ser maior, a refer*da co*eção contempla os gên*ros p*oce*entes dessa mod*lid*de *inguística, focando nas formalidad*s * informalidades d* or*lid*de. A *eleção/vari*dade te*tual pr*sente nes*a co**çã* engloba *ênero* l*te*ários e nã* *ite**rios, bem como gêner** escritos multim*d*is. O tratamento concedi*o contem*l* a e reflexão a**rca do s*u *unci*na*e*to, abo*d*ndo as suas caracte*ístic*s const**utivas, o que contr*bui, v*ementement*, para a formaçã* de *su*rios competen*es da líng*a e de produtore* de t*xto p**fi***nte*. 5 CO*SI*ERAÇÕ*S FINAI* E* te*m*s de consider*ções finais, ressaltamos que o *rabalh* peda*ógico do ensi*o da p*od*çã* de tex*o *o Br**il pas*ou po* um d*ást*co pro*esso de mold*gem, contemplando um *o*o viés de ensino, **jo foco está *a potencializ*ç*o da formação de produ*ores de texto *utônom*s e proficientes. Desses sujeit*s, é req*eri*a a ha*ilidade de fazer us* da produção de texto (e*crito e oral) nas t*amas cotidi*n*s. Re*. FSA, Tere*ina *I, v. 14, n. 6, art. *, p. 165-186, nov./d*z. 2*17 www4.fsanet.com.br/revista S. P. Si*va, *. M. Luce** 184 Da didática p*escritiva à d*aló*ica. Da imita*ão de el**entos típicos dos *ormatos textuais *ons*gr*do* * *utonomia na produção escrita. Essa *sser*ão re*lete as m*d*ficações no ob*eto *e en*ino d* p*odu*ã* ** texto. Ness* perspec*iv*, o trabalho pedag*g**o concerne*te ao ens*no *a produção de texto camin*ou da proeminência d*da à r*prod**ão de for*ato* textuais e a*eq*ação textual à n*rma para um* * *tividade socia* situada e, e* especia*, *nte*locutiva. A parti* *essa *ova *e*spect***, * trabalho pedagógico do ensino da pr*dução p*esen*e *as unidad*s escolares bras*leiras, *em como o tratamento dado a esse eixo nos ma*e**a*s didáticos (l*vros esc*lare*) *ofreu m*dific*ções significat**as, o que *e*l*te a adesão *os paradigmas s*ciointe*acionis*as da linguag*m. Sob*e a *oleção Português **ngua*en* - Ensino Méd*o (2013), ressal*amos o *ato de os trê* livros didáticos componentes dessa coleção mate**al*zarem atividades de pr*dução d* texto (escr*t* e oral) res*aldadas pelos g*ne*o* do d*scurs*, bem como ativida*es *oca*as na apropria*ão das suas caracterí**icas cons*itutivas * das suas c**dições de pr*dução. Ambo* os liv*os estão calc*dos na perspec*iva da diversidade textual, di*semina**o gêneros d*scursivo* ad*indos de distintas esferas socio*omunica**vas. *ais g*neros aparecem n*s d*stinta* seçõ*s constitui*tes da arqu*tetura estrutural desse* livros. Di*endo de outro m**o, os gêneros d*sc*rsivos não aparecem em uma seção especí*ica, mas, sim, em todas as seç*es desse* livr*s, respaldando as ativi*ades atin*nte* aos eixos di*áticos d* ensi*o (*eitura, prod*ção de texto esc*ito, produção de *e*** oral * análise linguística). Em amba* as se*ões, são *xplorada* as *aracterí*ticas constitu*ivas e as condições de prod*ção do* g*neros do dis*u*so, obj*tiv*nd* fomentar a a*ropriação, pelo *lunado, do funciona*ent* dos gêner*s. Na se*ão des*inada à produ*ão de text* (es*ri*o e or*l), as ativ*dade* seguem o *i**cionamento *cima menci*nado. Ou *eja, as ativida*es de produção de texto gir*m em torno dos gêne*os do discurso, de*lagrando questõ** que r*metem a distintos aspectos al*sivos à* suas *ara*terísticas c*nstitutivas e *s *uas con*içõe* de produção. Esse tra*amen*o está di*etam*nte vi*cul*do * per*pectiva do *etram*nto, cujo cerne está na p*omoç*o d*s usos da lei*ur* * da escr*ta, em pr** das demandas cotidianas. R*FERÊNCIAS ALBU*UERQUE, E. B. C. Apropriaçõe* de *ro*ostas o**ciais de ensino por professor*s: o c*so do Recife. Tese de Doutora*o - Programa de P**-Grad*ação em Educ**ão - Uni*e*sidade Federal de Minas Ger**s - UFMG, 2002. Disponível em: http://www.bib**otecadigital.uf*g.br/dspace/bitstream/ha*dle/1843/IOM**J***3/document o1.pdf?sequence=1. Ace*so *m: 1* ma*. 2017. Rev. F*A, Teres*na, v. 1*, n. *, art. 9, p. 165-186, no*./dez. 2017 www4.fsanet.com.*r/revista O Trabal*o *edagóg*co do E***no da Produção de Texto: *m ol*ar sobre as Mo*if*c*ções 1*5 BRASIL, Secretar*a de E*u*ação Básica. **nguagens, *ódi*o* e *uas *ecnologias. *ecreta*ia de Educação Básica. - Bra**lia: *i*istér*o da Educação, *006. Disponív*l em: http://p*rtal.mec.gov.br/seb/ar*uivos/pd*/boo*_vol*m*_01_int*rnet.*df. Acesso em: 3* abr. 20*7. BRASIL. Secretaria de Edu*ação Fundamental. Pa*âmetros Curriculare* Na**onai* d* Língua Portuguesa. Secretaria de Ed*caçã* Fu*dament*l - Bra*ília: ME*/SEF, 1998. _____. 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