Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 5, art. 8, p. 147-168, s*t./*ut. *018 ISSN Impres*o: 1806-635* ISSN E*etrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.12819/*018.15.5.* Pobres Urbanos na Cidade sob o Si*n* da Segreg*çã* Socio**pacial Urban P**rs in the Cit* Under the Si*n of S*c*o-Space Se*regation Lea**ro Go*es Reis Lo*es D*utora*o *m Polít*cas Públicas pela Un*ve*sidade Federal ** *iauí Mest*ado em Desenvol*imento e M*io Ambiente *ela Universidad* Fe*eral do Piauí Ps*cólogo na *re*eitura M**icipal *e T*resina lean*r**rlopes@g*ail.com João Paul* S*les Maced* Doutor em Ps*cologia pela Univ*rsi*ade Federal d* Rio *ra*de do *orte Prof*ss*r *a Univers*dad* Federal do Pia*í jpmacedo@ufpi.edu.br Endereço: *eandro Gomes Re*s *o*e* Ed*tor-C*efe: **. Tonny Kerley de A*e*car R*a Major Man*el Lopes, **1*, Morada do Sol, CEP: Rodrig*es 640*6-*63, Teresi**-P*, Bra*il. Artig* recebido e* *1/06/2018. *ltima v*rsão Ende*eço: J*ão Paulo S*les Mace*o rece*ida em 26/0*/*018. Aprov*do em 27/04/2018. *ven*d* Universidade Feder*l *o Piauí, *ampus M**istro *eis Velloso, Departam*nto de **icologia. Av. Avaliado pel* sistema *riple Review: Desk Review *) São Se*a*tião, 2819, *eis Velos*. CEP: *4*02-0*0, pelo Editor-*hefe; e b) Double Blind R*view Parn*íba, *I, *rasil. (*valiação cega por do*s avaliado*es ** área). Re*isão: G*amati*a*, Norm*tiva e de Formataç*o L. G. *. Lopes, J. P. S. Maced* 148 RESUMO Propo*o* *es*e artigo a*alisar os di*ers*s momentos d* segregaçã* socioespacial na cidade de T*re*in*, apontando para os diversos e*eitos *o mo*o de vida de seus moradores, *specialme*te d*s pobres u*banos. Para tanto, foi realizad* levantam**to na literatura acerca de est*d** qu* retrata**m a u*ba*i**ção da cid*de em s*us diver*os momentos *i*tórico*. Foi constatado que a segr*g*ç*o socioespa*ial atravessou * c**s*r**ão da cidade, d*sde sua fundação, q*an*o foi *ealizad* uma difer*nciaçã* do espaço para ser apropriada de acord* *om a renda. Num se*undo momento, o projeto mo*e*nizador *mplantad* n* c*dade, foi fortalecendo o proce*so em cur*o. *, por fim, a construção *e conju*t*s habitacionais pelo Est*do e *a indução d* Zo*a Leste com* espaço eli*izado t*m *ef**çad* a *e**egação *oci*e**aci*l. Co*s*atou-*e que *s diversas *o**iguraç*es var*avam de **o*do com a par*icularidade de cada cont*xto histórico. E que a localização d*s pobres urbanos em locais c*m baixa densidade de equipamento* e serv*ços coletivos reperc*te na sua f*rma *e habi*a* a cid*de. Palavras-chaves: Cid**e. Se*regação So*ioespacial. P*bres Urbanos. ABSTRACT We propose in th** article to analyz* different periods o* socio-*patial segregati*n in the city of Teresina, point*ng to th* dif*erent effects on the li*estyle* of it resid*nts, especi*lly t* e urb*n poor. *or this purpose, a bibli*graphical researc* wa* carried out i* studies that portra*ed the urban*zation of the c*ty in its diffe*ent historical mom**ts. It was veri*ied that the s*cio-spatial segregat*o* went t*r*ugh the construction *f the city, *ven from its found*tio*, w**n a space differ*ntiat*on was mad* to be ap*ropriated according t* in*o*e. In * second mo*ent, the project o* mo*erni*ation impla*te* in th* city was *tr*ngthening the p**cess in p**gress. And fina*l*, the constr*cti*n o* *ousing estates b* t*e State and th e induction *f the East Zo*e as an elitis* space ha* reinforce* so*io-s*atial *egregation. I* was ob*erved that the diff*rent* co*fig*rations var*ed acco*ding *o *he particul*r*ty *f *ach h*storical *ontext. Be*ides th*t, the loca*ion of the urban poor in *laces with *ow densi*y of equipment and coll**tive servic*s has rep*rcussions on their way of inhabitin* the city. Ke* words: **ty. *ocio-Spatial S*gregat***. Teres*na. Urban *oors. Rev. FSA, Teres*na, v. 1*, n. *, art. 8, p. 1*7-*68, *et./o*t. 201* w*w4.fsanet.com.br/revista Pobres U*banos na Cidad* *ob o Signo da Segr*gação Socio*spa*ial 14* * I*TRODUÇÃO A* desigual*ades sociais in*re*tes às sociedades capital*sta* espaci*lizam-se de m*neira conc**trada n* cidade, d* forma *ue o solo urbano apresentará di*erent** usos e ocupa*ões, ap*o***a*o* de di*t*ntas m*neiras pelo* seu* mo**dores. A loc*lização e o usufruto dos benefí*io* ur*anos variam de acordo com os r*cursos dos i*divíduos ou camada so*i*l a *ue p*rtencem, nu* pr*ces*o **nominado de se*r*gação socioespacia*. Com efeito, as elites *rb*n*s terão *aio* acesso à r**ue*a *ocialment* p*oduzida, possibil*tan** ***hores c*ndições materiais e co*cretas para sua reprodução social, enq**nto os pobr** t*rão as s*tisfaçõ*s d* sua* n**essid*d*s de for** precária. D* acordo com Silva (1989), * simples lo**li*a*ão d*s sujeitos no espa*o urbano é *eter*inante na ex**usão ou incl*são social d* sujeito, se*do c*ns*d*ra*a como uma porta ** a*esso aos servi*o* *rbanos *ue, de*end*ndo pod*rá se **s*ringir. O mo**lo de u**anização brasileir*, que foi *rd*nado pela *ógica do capita*, tem afasta*o os pobres c*d* ve* mai* para as p*rife*ias da cidade ** e**aço com *aixa densidade de *quipa*ent*s e serviço* públi*o*, po**anto, *istantes dos locais d* tra*alho. O espaço u*b*no v*m sen** investiga*o por d**erso* *ampos do *a*er, *e*do como um dos eixos d* análise o proces** d* segr*ga*ão s*ci*espacial. Ta*s e*tu*os apo*tam ***a o desdo*ramento da* rel*ções sociais capitalistas na materialidade d* cida*e, expressas no ambiente físi*o construído, como um i*strumento de poder ut*lizado p*las camadas de ren*a m**s alta p*r* conti*uar a do*inar a pr*du*ã* d* espa*o de acor*o co* s*us in*eresses, e não ape*as separação e*tre a* *lass** n* esp**o urban*. C*mo os in*estimentos públ*co* são *on*entr*do* de acordo com os interesses da el*te, m**a* num espaço segr*g*do signif**a ter acessos dif*renciados à *nfraestrutura **bana e à* po*í*icas *ública*, au*e*tando a* diferenças socia*s (NEGRI, **08). Para **scon*elos (2004), a *r*tica de s*gregação é *ntiga, des*ac*ndo a exis*ência de *m gue*o *u*eu na Rom* do Século X*I, com* exemplo. Mas o conceito de segr*gação, por su* ve*, apa*ece* na década *e 1920, *or me*o dos estudos sociológicos da Esco*a *e Chicago, num* perspectiva da E*ologi* *uman*, na qual ele esta*ia r*lacio**do com aspectos co*o lí*gua, cul**ra e raça. Vie*ra e Melazz* (2003) destacam *u* tais pensad*res *o**reendia* a segregação como *m processo *atur*l d* urb*nização, no qu*l os **div*duos escolheri*m a melh*r opç*o de mo*a* *e acordo com sua liberdade individual. Post*riorment*, autores *e per*pectiva m*r*ist*, a exemplo *e Harve* (19*0), Rev. **A, Te*esina PI, v. 15, *. 5, art. *, p. 1**-168, se*./o*t. 2018 www*.fs*net.com.br/revista L. G. R. Lopes, J. P. S. Macedo 150 "des**t*ralizara*" a *uest*o inserindo-a como u* produto de re*açõe* s*cia** c*ntraditórias, c**o e*eito é um a**s*o d*f*renciad* à ci*a*e e a*s ben*fícios u*banos. * REFERENCIAL TEÓRICO *e acordo com Ca*los (2013), *egregação so*ioespaci*l é um a ex*ressão ** contradição da *rod*ção do espa*o urbano na socie*ade capital*sta. Nu* *ontexto em que o valor de troca se impõe sobre o valor de u** da ci*ade, *s su*eitos que nela habitam se apr*priar*o de forma diferente do espaço urban*. O me*ca*o im*bil*ário é um *gente important* *esse ***cesso, n* medida em que **fe*encia e hier*rquiza luga*es, delimitando *ormas de acesso *o espaço ur*ano d* acordo com a re*da. Não se t*ata, *ontudo, de um* mera quest*o espacial, uma v*z que ela *pre*enta desdobramento* em outr*s a**ec*os refe*en*es à vida na ci*ade. *agani, Alves e Corde**o (2015) ressaltam que * se*regação socioespacial *romov* um aumen*o d* distâncias, en*ar*cimentos do custo de vida para os *orado*es, o*e*ação **s cofr*s *úb*icos para a c**strução de equipamen*os * serviços públicos e a*é *stigma sobre a popula**o. *o*rêa (2013), p** sua ve*, destaca aspec*os *ubjetiv*s que o aces*o dif*renciado aos recursos da vida promove em termos de expe*ta*iva e *ábito* d* vida, ou s*ja, *ma reprodução soc*al tamb** diferenciada. Ap*s*r de Br*sil não apres*ntar forma* de seg*egação n*s moldes american*s, o V*s*on*elos (2004) af*r*a que a tr*nsição do trabalho es*ravo para o assalariado, *ua*do o* se*hores deix*m de se res*onsa*ilizar pela habitaçã*, pro*ocou alterações na* lo*alizaçõe* de *oradias dos recém liberto*. Com as *imitações do Estado em assistir al*umas das neces*i*ad*s desse continge*te *opulacio*al, *s trabalhador*s irã* *o**truir suas casas onde é poss*vel, a partir de s*us parcos recursos ocupando, pr*nc*palment*, cortiços nas áreas centrais, ou l*teamen*os p*pulare* *oca*izado em *r*as peri*ér*cas * precárias. *oltand*-n*s p*ra a *ealidade que ser* objeto desta in*estigação, que é a da cidade *e *ere*ina, obs*rva-*e que *ários es*udos já f*r*m realizados, enfocando aspecto* da *r*duç*o do espaço urba*o da capital p*au*e*se. *ess*s in**st*gações qu* tiv*ram como foco de aná*ise a segregação socioe**acial, o re*orte temporal *em s** *ase na dé*ad* de 1960 com a implan*ação de *randes con*unt*s ha*it*cionai* por u* lado, como destaca* trabalhos como o de F*çanha (1*98), Lim* (2003, 2010), Monte (2017), N*scimento e Monte (2009) e Sousa (*015). Por ou*ro lado, houve pesq*isas mostran*o a s*gre*açã* a partir da **odução de um es*aço voltado para as elit*s como o sur**men*o da Zona *este, com se*s p*ocesso* de Rev. F*A, Teresina, v. 15, n. 5, art. *, p. 147-168, set./out. *018 ww*4.**an*t.co*.br/re**sta Pobres Urban*s na **dade sob o Signo da Segregação Socioe*pacial 151 vertica*ização e con*trução de c*ndomínios ho*i*ontais fe*hado* (*BREU, 1*8*; CARVA*HO; FAÇANHA, 2015; COSTA; VI*I*A; ****A, 201*; SILVA, LOPES; MONTEI*O, 2015; V*AN*, 2005). No entanto, est*dos d* c*mpo historiográfico apr*se*tam elem*nt** imp*rtantes para pensar o fe*ômen* d* segregação socioesp*cial, m*smo q*e não tenham *b*rd**o dir*tam*nte a questão (BRAZ; SILVA, 2012; FONTINEL*S, 201*; NASCIMENTO, 2*15; VIL*ENA, 2016). Tais e**ud*s apontam para *ma diferenciaç*o socioespacial pelo qual s*riam **calizados grupos sociais di*t*nto* por me*o de critério de renda ou *lasse soc*al. Mostram também u* *irecionam*nto de investimentos estatais volta*os para uma parcela da popu*ação. Dessa forma propom*s refletir sobre a segr*gação *ocioespacia* e* T***sin* não *omo um fe*ômeno surgido na segunda metade do século XX, mas c*ja *istória remete à própr*a f*ndação da cidade. Com efeito, o **e se tem ****r*ado at*a*men*e seriam atua**zações ou *ovas ex*ressõe*, em *ecorrência da* mudanças sofridas pelo* conte*to* sócios históric*s. Por seu *u*no, as t*ansformações n* cidade modificam a própria experiên*ia ur*ana d*s suje*tos *ue nela habi*am, apont*nd* para uma estreita re*ação entre produção do es*aço * *a subjetivi*ade. * part*r d* c*d*de v*v*da e apropria*a são produzi**s dist*nto* *odos de conc*ber e sent*r a própria cida*e, com ou*ros mo*os de vida, padrões de sociab*l**ade, repre*entaç*es e emoç*es (NO*U*IRA, 2009). Dessa forma, a existê*ci* ** espaços desiguais p*ssibilita condiçõe* p*ra difer*ntes mo*os de v*v** a c*dade. Nes*e senti*o, este artigo *iscu** * lógica *egregacionista de *ma cidad* que busca circu*screv*r ** pobres em determ*nados *s*aços da cidade, c*m desdo*ramentos *os seus modos de vi*a daí decorrente. Para tanto, *oi realizada uma pesquisa b*bliográfica re*ativa à *idade d* Ter*sina, em divers*s cam*o* discipl*nares, tais como Geogr*f*a, Histó*ia, Se*vi*o Social e Urbani*mo, visando compree*dê-lo n* sua comp*ex*dade. Essa pesquisa bus*ou capta* elem*n*os acerc* da con*tru*ão do espaço urbano da c*p*ta* do Piauí, d*vidi*o em tr*s eixos de análise, cada qu*l c*m um período *i*tóri*o espec*fi*o e f*rças sociais disti*tas que atuaram na *onformação da *egregação socio*spacial de Ter*s*na, apontando su*s implicaçõ*s pa*a os pobres *rban**. Este artigo está dividid* em três blo*os de d**cuss*o A primeira pa*te remete para * própria fundação da cidade em 185*. Para concretiz*r a transferência de capital de Oeiras para Te**sin*, * espaço urbano da cidad* pl**ejad* e desejada foi repartido, ficando uma parte valorizada socialmente *es*i*ada *ara as pessoas *u* apoiaram * pro*eto do jovem presidente da provín*ia do Piauí, na época. Dessa form* pode-s* d*z*r que, antes *es*o de ser Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 15, n. 5, **t. 8, p. 147-1*8, *et./out. 2018 *ww4.f**net.com.br/revista L. G. *. L*pes, J. P. S. Macedo 152 constr*ída, *eresina já havia separado *s mel*ores te*renos, o* estariam mais próximos ao núcleo central e administrativo da cidade, *ara a parte da popul*ção que *in*am bas*a**e r*cur*os: os ricos fazendeiros e grandes *ropr*etários. De*ree*de-*e, *ortanto, que aos pobres urban*s co*b* fi*ar su** re*idências em l*cais **is dist*ntes do c*nt*o urba*o. Outro aspecto que res*a**a a segregação so*ioe*pacial da c*dade foi a instauração do *ro*et* modernizador, que excl*iu os pobr*s urbanos d*s áreas centrais ou considerad*s nob*es. No d*sej* de implantar **a cidade *rba*izada, moderna * bonita aos olho* dos transeun*es não f*ram poup**os esforç*s para afastar as cas*s com *ob*r*ura d* pa*ha da paisagem urb*na, muit* *omo n* Nordes** deste período. A*ém *iss*, ap*esen*ou-s* uma *articula*ida*e da estratégi* uti*izada pela eli*e t*resinense de ex*luir os po*res urbanos d* s*u espaço de con*ivência, reduzindo *s rela*ões sociais ent*e classes distintas: ** incênd*os cr**inosos. Tal *ráti*a ma*cou o i*aginário d* sua *opu*ação, especialmente *a*uel*s ma** afet*do* por *la. Por fim, d*sta*a-se a c**tradi*ão de um proc*sso em *urso *a **ntemporaneidad*. ** mesm* tempo em q** a cidade cr*sce com a verticali*ação o* co* a *onstru*ã* *e condomí*io horizo*tais fecha*os, voltados para as elites ur*anas, s*o constru**os con*un*os habitacionais d* inte*esse *ocial em área* co* pouco valor para o *apital. Dito de out * * forma, são construí*os espaç*s dife*enciados *oltados para ca*adas sociais di**intas, a despei*o de l*g**laç*e* v**ent*s qu* **rantem a função s*cial da terra. Tais difer**ças, por seu turn*, apresentam-s* como desi*ualdad*s, ampliando * questão social. A dispers*o dos pobres u**anos em áreas cada vez m*is periféricas é acompan*ada ** concen*ração de investimen*os públicos e privados e* áreas voltadas *ara * apropr*ação das elites. *s**m, a partir da *erspectiva do espaço *rbano, pode ser questionado o mito da igualdade de *p*rtunidades den*ro das socied**e* ca*ital**tas. 3 RESULTADOS E DIS*US*ÕES 3.1 Teresina: uma cidade *riad* sob o signo d* exclus*o *eresina foi a primeira cidade *ra*ileira plane*ad* e *onstruíd* para abrigar * *oder p**í*ico-administ*ativo de uma capital, ante*e*end* às exp**iências nacionalmente conhec*das *e Belo *oriz*nte e B**s*lia, pois foi realizada ainda no períod* I*perial, ma*s prec*s*mente em *8*2 (CARVALH*; FAÇANHA, 201*). Ela foi ed*ficada so* o imaginário e promes*a de ****lização * dinamização *a ec*no*ia provincial, tendo c*mo eix* * Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 8, p. *47-168, set./out. 2018 www4.fs**et.com.b*/revist* *o*r*s Urbanos na C*dade sob * Signo *a *eg*e*ação Soc**espacial 153 na*eg*ção do Ri* Parnaíba e construção de obr*s pú*licas. *p*es*ntava-se, portant*, c*mo uma estr*tégia para a p**ítica e *esenvol***ento do Piauí, *u** eco**mia *stava estagnada (*IL*ENA, 2016). Des*a forma, Teresi*a foi planejada e construí** sob o si*n* da c*pi*alidade que deveria dispor d* edifícios adequados para o func*o*amento da *áquina púb*ica e abrigar s*us moradore*: *esde aqueles qu* já moravam na Vil* do *oti c*mo os funcionários públicos e *u*s famílias que viriam de Oeiras, primei*a capi*al da provínci* d* *iauí, localiza*a n* sul do **t*do (BRAZ; SI*VA, 2012). A *iscussão p*ra tran**eri* a *apital do Pia*í in*ci*-se no final do sécul* *VIII ,havendo sido *ndicados alguma* outras cidad*s do est*do *omo alterna*ivas. * proposta do Antô*io *araiva, presidente da Provín*ia na ép*ca, de mudança para Teresina, encontrou uma bar*ei*a. O *stado só financiaria a construção da igrej* matriz, não *avendo **cursos para a construção d*s p*édios público* n*cess*ri*s para com*or a adm*nistração da *r*víncia. Pa** asse*urar a conc*etização d* t*ansfe*ênc*a, Saraiva buscou *ecursos ju*tos aos gran*es p*oprietários da região da Vila do Poti, par* que *udessem investir no projeto, alterando assi*, o plano ur*a*o da cida*e. * distrib*ição espacia* de Teresin* *oi, deste *o*o, con*retizada por *eio de bargan*a políti*a no momento da edificação d* Igreja Matriz, a pa*tir *a q*al a cidade seria con*truída *a f*rm* de *abuleiro de xadrez. Nesta opo*t*ni*ade foi a*pliado um quarteirão à *rea *m to*n* da praça cent*al, *m espaço *onside**do privi*e*iado, para qu* os quarteirões próxi**s à igreja e a* centro admini*trati*o fi*assem ocupados por quem ap*i*va o pr*jet* de Antônio Sar*iva *e transferên*ia de c**ita* d* **iras *ara *e*esin* (VILHENA, 2016). Brás * Silva (*012) destaca que a praça Marechal Deodoro da F*nsec* se *iferencia do mo*elo por*uguês, c*mo u*a f*rma de atender as par*icula*idades locais. Ao invés de quadrada, a pra*a apresenta-se retangularment* e com **ior dimensão, equivalendo três * quarteirões da malha urbana. Tratava-se de uma alter*ção do próprio *araiv*, pre*endo * *on*tru**o das "gra*des casas" *estes espaços. Os setenta primeiros quarteirões constru*dos foram ced**os pa*a o mesmo de núm*ro de famílias para a construção d* morad**s unifamil*ar, on*e pode**am se* cultivadas planta* frutíferas e *ridos animais. De acordo com as ***avras da aut**a: Seu discurso[Presidente *a*aiva] e*idencia *m j*go de interesses e uma es*ratégia inteligente. Tendo em vis*a que a Pra*a Deo**ro seria a área m*is importante de Teresina, porqu* ao seu redo* se concentrariam o* poderes locais, * pr**idente da prov*ncia deduzia que um nú*ero ma*or de *uarte*rões ao redor da praça si*n*ficava mais notáveis *nstalados na principal área d* ci*ade, o que agr*daria a*s Rev. FSA, Teresina PI, *. 15, *. *, art. 8, p. 147-*68, *et./out. 2018 *ww4.fs*net.com.br/revista L. G. R. Lope*, J. *. S. M*cedo 1*4 p*oeminentes *a Vila do Poti, os qu**s cu*t*aram as des*esa* da transfer*ncia da capital, além d* arr*gimentar mai* pesso*s *nteressadas em inves*ir n* região para facilitar o proce*so de *on*olidaçã* da nova capi*al. (BRAZ; SILVA, 2*12 *.227). *essa forma, *er*e*e-se q*e o próprio planejamento da c*da*e de *eres*n* ocorre* sob o signo d* segregaç*o, cujo pr*n*ipal objet**o era assegura* a transferência da *apital. Emb*ra n** seja possível afirmar a e*istênci* *e um proje*o *la*amente *e*ine*do a partir da fr*gmentação desigual da cidade, pode-se a*irm*r que a instauração des** *aci*nali*ade urbana, típi*a *as *ociedades capitalistas, promoveu a segregaç*o *ocioespacial como um de seu* desdobrame*tos. E, *omo *e verá a seguir, não foram r*aliza*os es*orços no *entid* de equacio*á-la. **lo co*trário, * p*od*ç*o do so*o urb*no te*esinense tendeu a ampl**r a for*a *esigual de ap*opriaçã* da cidade. Ex*ste outro a*pecto que merece destaque *esta di*cus*ão. Apesa* de não *oc*lizar sob*e os processos d* segregação socioesp*cial *o momen*o de sua fundaçã*, a literatura analisada a*enas ta**enci* a qu*stão, ao abordar s**re a localização de espaços des*inado* e* áreas privilegiadas pa** os grandes fa*endeiros da época. É interessante destacar *ue a locali**ção dos pobres *ão * *equer problemat*zada nas pesqu*s*s a*al**ad*s, de f*rma *ue u* aprofu*dame**o nesta qu*s*ão *oderia indica* me*iaç*es interessa*tes para compreender os m*dos de viver * senti* Teresina no* s*us prim*rdios sob a ótica d*s *lasses populares e t*a*alhado*a. Nota-se, p*rtanto, qu* os po**es u*ba*os s*o **visibilizados do* discursos acadêm*cos relativo* a esse p*ríodo. 3.2 Pr**eto modernizador e moradi* popu*ar Ne*ta seç*o ser* abordado o process* d* segregação s**ioespacia* ac*ntecido em Te*esi*a, *m de**rrênc*a da implantação do projeto mode*nizador que, d* forma *u*o*itária e trucul*nta **io* estratégias para eliminar os po*res urbanos das á*eas centrais da **dade. T*is proposta* ti*ham como objet*vo tr*nsform*r as característ*ca* coloniais e ru*ais d* *ere*ina, com s*nais urba*os, tí**cos *as metrópoles e*ropeias, tal co** ocorreu em *ão Paulo, Recife e Rio de Janeir*, por ex*mp*o. Os s*nais de mod*rni*ação da cida*e surgiram p*ulatinamente na p*imeira m*tade d* sé**lo XX, mudando sua *ai**gem u*bana, expressa ** arquitetura *e seus prédios ou na ch*gada d*s transp*rtes coleti*os. Neste m*mento, for*m realizada* inte*ve*ções *rbanas *a Av**ida *r*i S*rafim, con*ide*ada como "aven*da dos sonhos", na forma de calçamento e arb*riza*ão. Além disso, foi criada uma le*isl***o instituind* a obrigatoriedade de edificação Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. *, p. 147-168, set./*ut. 20*8 www*.f*an*t.com.br/revist* Pobres Urb*nos na **dade s*b o Sig*o da S*gregação Socioespacial 1*5 de c*sas de do** pavimentos com a poss*bili*ade de remo*ão *as casas com cobertur* de palhas, com*ns n* cida*e. Com Base na ideia *e *rogresso e moderniza*ão, su*giram discu*sos de que ess* *ipo de cobertura das casas **rap*lhariam o p*oce*so em mar*ha, pois pre*udicavam o tra*a*o das ru*s, a* mesmo tempo em *ue d*ix*v*m a* edificaçõ*s mais fei*s. N*ste *ontex*o e*i*tiram incêndios criminosos nas casa* co* *alh*s, *uja autoria perm*neceu um m*stério *ara a Justiça (NASCIMENTO, 2015). Negri (2008) cha*a atenção para os pr*cessos de embelez*mento das c*d*des * o*ultamento da po**eza *co*rid* no Brasil a pa*tir *o final ** século **X, *or meio da legalização do mercado imobiliário ou imp**ntação de p*ojet*s de pai*agismo e sanea*ento ambi*nt*l. Ao **ordar o c*ráter se**egador que o projeto moderni*ador introduz ao e*cluir o pobre, o feio o *tra*a*o, Nascim*nto Neto (2015, p.160) destaca a po**u*a auto*itár** e do Estad* em de*orrência do seu ***et*vo de oc*lt*r a pob*eza do convívi* "burg**s", como um *mportante ind*tor **sse *r*ces*o. O Código de Postura do Município *e Te*es*na *e 1939, f**u** c*mo um exemplo des*e processo, ao est*b***c*r *ue as "ca*as popu*ares" deviam ser con*truídas na ár*a s*burbana da cidade, ou seja, em loca*s onde não são oferta*os quaisquer ti*o* de *erviços. Dess* forma, o próprio có*igo demarca *ma sep*ração no e**aço urbano da c*d*de co* o ob*etivo de af**t*r os pobres d* seu centro (*ASC*M*NT*, 2015). Os in**ndios d*s casas d* pa*has, por sua ve*, não surg*ram *est* época, po*s registros deles aind* na primeir* década de sua *un*ação. No *ntanto, eles fi*aram m*is fre*ue*te* na déc*da de 193*, *endo o áp*ce na década *e 1940. Incialmente, os mo*ad*res fora* respo*sabil*zad*s por um at* de n*gligência. *m de*orrê*c*a da *n**ns*dade * a**uma* caracter**ti*as, a polícia passou a *d*itir a or**em cri*inosa **s incêndios. Apesar d* alguns mor*dores pobr*s terem sido pre*os n**ca foi desvendado a autoria intelec*ua* *os incêndios cr*minos*s, havend* suspeitas d* autoridades e políticos **f*uentes da *poca (NASCIME*TO, 2015). Depree*de-se d*í o olhar criminaliz*dor do E*t*do e* relação à pobreza que ao *ulp*r ini*ialment*, os po*res *elos *ncêndios em suas *róprias casas, *esmo *ue isto impli*a*se p*rda da moradi*. De *cordo com Nasci*ento (2**5) ** incêndios crimino*os têm uma relação *om a i*plan*ação do projeto modern*zado* e de embelezamento da c*pital, cujo efeit* f*i reforçar * pro*esso d* seg*egação n* cidade. Es*e autor ressalta: C*ntudo tem-se a convicção *e que *s incêndios tive*am papel relevante n* processo de *i*peza da* área* mais pró*imas a* centro, pois o*rigara* os Rev. FS*, Teresina PI, v. 15, n. 5, *rt. 8, p. *47-168, *et./out. 2018 www4.f*anet.com.br/rev**ta L. G. R. Lopes, J. P. S. Ma*edo 156 proprietários *e cas* de p*lha, e que não podiam cobri-las de telha, a se afastarem daquela área o* então i* embora d* c*dade. Atitudes como essa* te*minara* auxili*ndo os *o*eres pú**icos com a idé*a de \embel*z*mento ur*ano (NASCIMENT*, 2015, p.331). O processo de **de*ni*ação marcou, ta**ém, os moradore* das cas*s de *aipa na *egunda metade do século X*, mai* part*c*larm*n*e d*rante a década d* 1970. Monte (2017) afirma qu* *e b*scou cons*ruir u*a no*a feição urban*stica * cidade, *esm* que i *so represen*as*e extirpa* os *endigos *ue circu*avam n*s pr*ncipais rua* e pr*ças, c*m* também as casas de taipas, confo*me foi denunciado nos *orn*is da época, poi* eram consideradas como um *mp*cilho na implantação *o projeto moderniz*dor e de embelezam*n*o da capital. P*ob*ematiza, aind*, a i*tervenção do *o*er *úbl*c* *a n*rmatiz*ção e *isciplinamento do espaço urb*no, *ue foi ocu*ad* de forma irregular ***a* *amad*s *ais pob*es *a popu*ação. *e por um lado p**cu*ou-** em *otar a cidade *e apa*el*os urb*nos modernos e impla*tação de u* sistema viári* para facilitar o t*áfego, po* out*o la*o, buscou afastar os pobres para as peri*erias, pois suas práticas e vivên*ias e*a* considerad*s indes*jadas *ela e*ite local, d**xando marcas profund*s nos moradore* remanej*dos. Algumas favela* foram erguidas nas áreas con*iderada* n*b*es de Teres*na, c*usan*o insatisfa*ão nas eli*e* que procuravam os *eios de comun*cação *ocais para cobr*r inte*ve*ç*o d* pod** p**lico. Neste cont*xto, foi realiza*a uma es*écie de "h*g**nização social" pela Pref*itura de Teresina, por me*o de um* op*ração denominada de Projeto João de Barro, com o objetivo d* c*dastrar f*míl*as q*e mora*a* de *orma ir*egular ou precária e faz*r o d*sloc**ento para o*tras *rea* da c*dade. Apesar do *iscurso de proteçã* e *ssistência, era nítido o int*resse do Est*do de aca*a* *om as f*vela*, tidas como obstácu*o do d**envolvi***to, abrindo c*min*o para valor*zação e especulaçã* imobiliária. Esta interv*nção de organizaçã* s*cial e espacial da cidade *romoveu a segre*ação, *epa*ando pe*soas (SOUSA, 2015). *or esse aspecto, Lima (2003) r**s*l*a * particular*dade ** *ma fa*ela loca*izada n* Zona L*ste d* Tere*i*a po*s, ao *esmo tempo em que ela desfruta dos b**efícios da urbanização (i**raestrutura, equipamentos e serviços coletivos), em decorr*n*ia d* proximidade com as moradias d* elevado pad*ão ec*nômic*, so**e com as *iferenç*s cu*tur*is e socioe*on*micas. A simple* *roximidade não *arante a integração, poi s pode vi * acompanh*da de preconceito e est*gma. A*i**, *sta condição pecul*ar aumen*a a incer*eza e inse*ur*nça quan*o à pe*manência no loc*l, temendo remanejament*s a qua*quer mo*en*o. T*ata-se, *orta*to, de u*a segregação mai* sutil, mas n*o *enos perversa, pois * *ato de morar numa área com fortes inte**sse* imobiliár*os **põe os morado*es à esp**ulação urbana. Rev. FSA, Tere*i**, v. 15, n. 5, art. *, p. 147-168, s*t./out. 2018 w*w*.fsanet.com.br/revista Pobres Urbanos n* Cidade sob o Signo da Segr*gaçã* Socioes***ial 1*7 Quando a terra estiver supe*valor*zada serão mais visados para uma pol*tica de remoção do que *queles q** já moram em áreas afa*tadas, tal c*mo *conteceu em outros momentos na histór*a ** cidade. A *egunda *e**de d* década de 1*70, po* sua vez, foi marcada por forte *etração *os **ve*timen*os federais, reduzindo recur*os para as o**as *e infrae*trutura e embe*ezame*to *a cidade. F*i *riorizad* a *o*strução de *oradias por meio da con**ruç*o de grandes conjuntos h*bi*acionais. E** n*táv** o *umen*o do *esemp*e*o, empobrecimento da po*ulação e a q*ant*d*de signif*cati*a de favelas *ue surgia* nos diverso* ba*rros da cidade (MONTE, 2017). A s*guir ser* *profundada a d*s*ussão sobre os efeitos *a implem**tação de conjun*os habitacionais populares e do pr*cesso mai* recen** de verti*alizaç*o na p*o**ção do espaço urb*no te*esi*ens*. 3.3 Dupla lóg*c* s*gregacionista na s*grega**o *o espaço urbano de Teresina A produção do espaço urb*no é realiz*da p*r meio da atuaçã* d* div**so* a*entes *ociais que se utilizam de e*tratégias variadas, podendo ha*er con*litos de i*t**e*se* e*t*e si, como entre os promot**es i*obili*rios e os *rupos soci*is excl*ídos, p*r exemplo (CORR*A, 2002). Apesar de possuíre* lógicas *istin*as de intervenção, *les podem atu*r em co*f*rmida*e na ***cretização de *m mesmo proc*sso. A segui* será apresentado a a*uação do *stado, de *m lado e dos promot*res imobiliário e propr*etá*ios fundiári*s de o*tro, na pro*uç*o d* se*regação socioespacial em T*resina. *a década de *950 o Bra*il vivencia*a um ideário *esenvolvimentista em *ível Federal, re*liza*do volumos*s investimen*os na a*ertu*a de rodovi** e inst*lação dos m*ios de co*un**ação, na *erspect*va da inte*ração nacional. **sas mudanças no cená**o regional e federal repercutir*m no P*auí, atr*vés da ex*ansão d* re** de ser*iços e das exi*ê*ci*s e* *elação à modernizaçã* da *urocrac*a estata* (LIMA, 2010). * partir da *écada de 1960, verifica-se em Teresina um in*enso flu** migratório vindo *e o*tros munic*pios do P*auí e de *stad*s vizinhos, em de*orr**cia d*s pr*bl*mas v**enciados no campo dos **vestimentos governam*ntais em i*frae**rutu*a nas ci**des, * amplificando a questão ur**na. A migração aco*tec*ria *uan*o o sujeito não visualiza mais uma sa*da no campo **vido às difí*eis co**iç*es ** *obrevivên*ia e /*u a possibilidade d* m*dar de vida, pelo que o **ban* lhe a**esent* como op*ã*, seja em relação ao trabalho, **col*rização ou benefícios urbanos (LIM*, *00*). Re*. FSA, Te*esin* P*, v. 1*, *. 5, art. 8, p. 14*-16*, set./*ut. 201* ww*4.fsanet.c*m.*r/revi*ta L. G. *. Lopes, J. P. S. Mace** 158 Nos an*s 1970, Tere*ina recebe* diversos inv*stimen*os nacionais c*m o *bje*ivo de implementar o mo*elo de desen**lvimento vige*** durante a ditadura *ivil-mil*tar. O crescime**o econômi*o *m*u*sionou * i*planta*ã* de inf*aest*utura e a criação d* sím**los mo*ernizadores *o pode r público expresso em re*ormas de seus prédios. Ta*s i*tervenções ganhara* destaqu* *a míd** local, expond* a capital *omo *m lugar *colhedor e de *por*unid**e*, atraind* sig*ific*tivo continge*te de pessoas, de forma que, na d*cad* segu*nte, cer*a de 43% de sua pop*lação era *rigin*ria de outr*s cidades (M**TE, *0*7) Des*a forma, a c*n*igu*ação *rbana de *e*esina *udo*, de maneira heterogêne* na cidad*. Os investimentos e* infraest*u*ura e urbanizaçã* *e ba*rro* favelas nã* che*aram e *os grandes conti*gentes populacionais que, em su* maioria, via aprof*ndar a pobreza e condições de vida precárias a que *stav*m subme*idos. Lima (200*) de*taca que a expansão *a capi*al foi marcada pela exc**são e *egregação das p*pulações pobr*s, *ois não *eguiu um critério *e or*anização do espaç*. Na busc* por inserirem-se na cidade com parc*s recursos, e o* **grantes f*ram *onstruindo *eus barracos em terr*n** ocioso* na pro**midade d* região ce*tral ** man*ira irreg*la*, *e forma que os pobres f*ram r*sponsáveis pelo proc*sso de ex*ansão e*pac*al da cidade (MONTE, 20**). A c*ndição de precariedade a que estavam submetidos, é enfatizada po* Nascimento Ne*o (2015), quando afirma qu*, na maioria *as vezes, os espa*os o*up*dos não apre*entavam estrutura adequada, ao mesmo tempo em q*e o poder público não mostrava inte**sse em investi*, *elo **to *e local*zarem ali moradi*s p*pula**s. D*ante da seg*egação u**ana e *esi*u*l*ade *oc*al viv*nc*a*a nas m*dias e grandes cidades brasileir*s, a moradia t*rnou-se *rincipal re*vindicaç*o dos movimentos sociais urb*no*. As condições d* vid* da c*a*se **abalhad*ra * ausência *e uma po*ítica ha*itacional pa*a além de *ções loc*l*zadas e imedi*tistas ampliar*m a que**ão, aumenta*do as oc*pações do solo urbano (RODR*G*E*; LIMA, 20*7). Lima (200*) destaca que o surgi**nt* de vil*s e *a*elas não está rel*ci*nado a**nas à *ue*tão da i*tensificaç*o da* *igrações, mas tamb*m como o aumen*o do d*sem**ego e do pode* aquisit*v* da *opulaçã*. As *c*pações, *ortanto, *ão estr*tég*as de in*erção na cidade e da afirmação do d*rei*o à habitaç*o. No e*ta*t*, elas nã* s*o r*aliz*das em *ualquer espaço da cidade, alojando-se em áreas alagadiças ou *e *opogr*fia não a*equada para *oradia. P*r sua vez, as intervenções esta**is têm c*ntribu*do para o ac***a*ento do* conflitos u*banos * aumento das de*igualdad*s e pobreza urbanas, po*s estão ma*s *inculados ao atendiment* do mercado *o que *os interesses sociais. Nã* era r*ali*ad* o enfrentamento da questão fundiária, amp*iando a e**ec*lação imobiliár*a e seg*egação soc*oespa*i*l, cuja maior Rev. FSA, *eres*na, v. 15, n. 5, *rt. 8, p. *47-1*8, set./out. 2018 w**4.fs*ne*.com.*r/revi*ta Po*re* Urb*nos n* Cidade sob o Signo da S**regação Socioespaci*l 159 c*nseq*ência é sen**da pela p*pul*ç** pobr*. As ações d* p*d** públi*o são **nce*tra*as em determinad*s áreas, at*ndendo *o* intere*ses *o capita* i*obiliário e **s classes *é*ia * alt*, em detrimento da maioria da p*p*la*ão. *s trab*lhadore* com *nserção precári* e instáv*l no merc*do formal de t*abal*o e *gora do mercado h*bitacional, procu**m as *eriferias com baixo acesso *os **nefí*ios de urbanização como e*tra**gia de sobrevivên*ia na cidade (LIMA, *007). Lima (2010) a*irma que a i*plant*ção de **rios conj*ntos habitacio*ais *m Teresin* oco**eu d* *orma dispersa nas *rês zon*s qu* existia *té ent*o, *ois não ****a sido realiza*a de acor*o com *r*térios ** organ*zação es*acial. A questão habitacional neste conte*to é inf*uen*ia** p*la dinâmica de apro*r*ação/expropriação do solo urbano. De acordo com as palavras da autora, A l*gica *o *r*cesso d* *p*opriaçã* pr*du*i*, d* um lado áre*s vazias, sujeitas à intensa especulação imobili*ria e, de *u*ro, áreas densamente ocu*adas, desprov*das **s *erviços ur*ano*, revelando um* *istr*b*ição desigual do* *e*e*ício*, situação que se re*roduz *otidianamen*e (...) Es*e conjun*o de fat*res obrigo* muitas *amílias * se deslocarem para outras reg*ões d* cidade, a cons*i**írem f*velas em áreas ce*trais e urban*zadas ou a habitarem luga*es d*stantes da rede d* ser*iç*s urbano* (LIMA, 2010, p.144). E*pindola, C*rn*iro * Façanha (2*17) *ef*rçam esta argumentaçã*, afi*mand* que Ter*s*na adotou, desde a década de *970, um mo*el* de po*í*ica pública que *onstrói p*quenas moradi*s vol*ados para população *e baixa-renda e* áreas dista*tes e di*persas. Com efeit*, o perím*tro u*bano da c*pi*al é b*stante exten** *om signific*tivos *spaços *ntraurban*s vazios, ao mesmo tem*o em q*e os m**s pobres m*ram e* áreas conectada de form* pre*ária com o *ú*leo da *ida*e. *ss* model*, por sua vez, promo*e *roblemas de infra*strut*ra nas periferias, devid* ao a*to custo d*s serv*ços urb*nos, e outro* como viol*ncia e seg*egação. Uma po*ítica eficaz de regulariza*ão fundi*ri* e de ocupação *os vazios urba*os promoveria melhor qualidade de vida aos cida*ãos como melhor aproveita*ento do valor de uso do sol* urbano. Neste sentido, Mon*e (2017) ressalt* c*mo a forma qu* a **plantação de uma polí*ica públ*ca de habitação é *a*az d* *nerar os *ofr*s públic*s na provisão de inf*aestrutura e *qu*pam**tos *ú*l*c**. *ita, como exem**o, a con*t*ução do bairro "*arque P*auí" q*e, na época, d*s*av* * k* do períme*ro urbano, *e*x*ndo n*sse e*tr* espaç* alguns *azio* *rba*os. Tal processo, re**r*ut** também no co*id*ano **s f**ílias que gasta*am mais tempo * d*nh*iro p*ra *e de*locar no interi*r da c*dade, d*s*o*am*nto, este, qua*e sempre realizados Rev. FSA, T*res*na PI, v. 15, n. 5, art. *, p. 147-*68, set./out. 2018 www4.fsanet.com.br/*evist* L. G. R. Lope*, J. P. *. Macedo 160 por meios de *ra*sportes públicos in*uficientes p*ra atender à demanda do *airro e *d*acências. Ainda disc*tindo a lógic* d* segr*gação realiza*a pelo E**ado p*r m*io de gran*es *onju*t*s ha*it*cionais, destac*-s* at**l bairro "**rce* *rcoverde", cons*ruído co* o o **jetivo *e afas*ar os p*bres que moravam debaixo da ponte, como também aqueles que oc*pa*am a* **eas co*sideradas "nobres", n*m **ntex*o *e *orte es*ecu*ação imo*iliária. A primeira etapa *o *o*ju*to seguiu s*m a preocupação de con**ruç*o *e esp*ços v*ltados *ara ed*cação, saúde, segurança, laz*r * conviv*ncia *e seus mora*ore*. Pon*uar*m, também que a*es*r de *s casas po*suírem *an*eiro, não podia* usar por falta d* água. Alguns m**adores acaba*am se mudando para outras localidades da cidade (SOU**, 2015). As críticas endereçad*s aos *on*untos hab*tacionais não e*am novidade* para a época. D*sde o final da década de 1960 h*via estu*os in*icando que eles não est*vam em consonâ**ias com as *eai* *ecessidad** dos moradores. Havi* reclamaçõe*, por e*empl*, no qu* tange ao tama*h* d* áre*, poi* prejudicava a *entil*ção e arbor*zação, como ta*bém a po*sibilidade de a*ivida** produtiva no quintal dos t**re*os. Ress*lt*-se que * maioria dos moradore* era proveniente da zona *ura* e man*inha es*e hábito arraigado em sua *ot*n*. O*tro problema, por fim, eram as constan*es or*e*s de desp*jo, um* vez que os mutuários *inham d*ficuldade de pagamen*o (*ON**, 2017). Com *feito, perceb*-se a desconsider**ão das necessidad** d*s moradores na implementação da polít*ca habitac*onal. Busca-se s*nar o déficit ha*it*cional ape*as com cr*tério* quantit*t**os, r*lativos ao número *e un*dades habitaci**ais a serem construídas. No *nta***, aspec*o* como historicidad* dos su*eitos, *ondições propícias para um desenvolvimento humano adequados, satisf**ão das necessidad*s *essoais e s*ciais, são fator*s q*e po*en*ializariam * própria e*icácia e e*iciência d*sta p*lítica, desde qu* levada em consideração. Nascimento e Monte (*00*) apo*tam para aspectos *ubj**ivo* decorrentes d* desl*camento forçad*, como a* memórias dos moradores ** rela*ão à su* antiga ca*a. Rel*ta situ*ções que, mesmo muito tem** depoi*, eles relembram com f*rte sen*imen*o da ant*ga moradia já demolida, mesmo ela s*ndo precária, demonstr*ndo *m elo *fetivo e id*ntida*e nas lembranças narr*das. Com a mudança, **gum** *as referências dos sujeitos eram sim*lesmente deix*das para tr*s. A pr*dução do espaço urb*no ocorr* de maneira *o*tra*itór*a pois, ao mesmo tem*o e* que er* destinado espaço par* os pobr*s urba*os, *ram re*lizados invest*m*ntos, n* Rev. FSA, T*resin*, v. 15, n. 5, art. 8, p. 14*-168, set./o**. 201* www4.fsanet.com.br/rev*sta Pobres Urban*s na Cidad* *ob o S*gno da S**reg*ção *ocioespac**l 161 se*tido de v**oriza* uma de**rminada r*gião da cidad* voltada p*ra as **asses média* e *l*a, a sa*er: a *ona Leste. De acordo *om Bueno e Lima (201*), a produção espa*ial urbana de Teresina foi marcada pelo reco*t* de renda, de forma que aq*e*es com maior poder aquisitivo foram s* apro*r**ndo *o *o*o c*m m*lh*r infraestrutura e eq*i*am*nto i*plantado que, inicialmente, estava loc*li*ada na região central. A segregação *ocioesp**ial na Zona Le**e de Teresi*a *ão ocor*eu apenas e* fun*ão dos inves*imentos *o mer**do imobili*rio, ma* com a int*rfer*nc*a do E*tado *a implanta*ão de inf**estru*ura, atraind* comér*i* e diversos serviços *ar* região. *erceb*-se, portanto, u*a *ontinuidade na l**ic* s*gregac*on*s*a da atua*ão do Estado e setor pr*vado, instaurad* *e*de a **n*açã* da cid*de. Até a **cada de 1960 a parte Lest* da cidade era *cu*ada por chácaras, voltadas *ara ativi*ad*s de lazer do* ma*s ab*stados * ocupa*as por alguns morador*s de *orm* irregu*ar. A s*gregação r*side**ial el*tista q*e ocor*eu ne*t* espaço te*ia *ido imp*lsiona*a pela construção da ponte que liga e*t* re**ã* ao cen*ro da ci*ade e pela *usca de amenidade, como um microclima ma*s agradável. *i*d* na d*cada de 19*0, a popul**ão mais abastada começou a se de*locar par* lá *om objeti*o de construir cas*s e*p*ço*as e longe o d* co**e*tionamento urb*no. Com o te*po, foram a*raindo amigos e par*n*es dos pr**rie*ários. N*m segu*do *o**nto, o* grandes proprietários c**eça*am a lotear seus terr*n*s a *rticular *mplantaçã* d* infraestrutura do poder *úblico, *ato que não tardou a acontecer, cons*deran*o serem pessoas com dest*q*e na *ida pública e po*ítica da cidade. Co* efeito, pa*sou a at**ir pessoas d* cent*o d* cidade e migran*es com recorte de re*d*, tendo *m vista o elevado valor d*s terrenos (A*REU, 1983; FAÇANHA, *9*8; *ONTE, 201*). *as discussõ*s em torno dos agentes *ociais que pr*duz*m o espa*o urbano, *orrêa (200*) afi*ma q*e *m áreas *em *ocalizad*s e com amenid*des *ísicas, os pr*pr*etários *e*de* a atuar com* promotore* i*obiliários. Buscam, dessa *orma, a*pli*r a re*da da terra mediante in**e*ento na infraestrut*r*, co*o t*mbém pela transform*ção *as áreas rurais em urbana*. J* os proprietári*s *e poss* de terrenos mal localizados tendem a *ealiza* lot*amentos populares com **e**ri* infraestrutura, muito **bora p*esen*a poste*ior a *o Est*do po*sa valori*á-los, inclusiv* os terrenos adjacentes, ta* c*mo aconteceu com a r*gião do atual "Grande *irceu", d*scuti*o ant*ri*rmente. A* re*l*zar uma com*ar*ç*o entre as *o*a* de Teresina, Rodrigues e Velos* (2016) a**rmam que * Zona Leste teve um **r*ter difer**c*ad* em relação às demais. No *ue *iz r*speito à habi*a**o, * principal a**nte tra*s*ormador do espaço urb*no foi o promotor imob*li*ri*, ao invés *o E*tad*. Esta á*e* foi volt*da pa*a um público mais e*itizado. *ev. *SA, Teresina P*, v. 1*, n. 5, art. 8, *. 147-168, se*./out. 201* www4.fs*net.*om.br/revista L. G. R. Lopes, J. *. S. Macedo 1*2 Percebe-se *ssim, as lógicas d*stinta* q** atuam n* produção da s***eg*çã* socioespacia*: enq*an*o o Estado atuou na con*trução de conjuntos *abitacionais *ol*ados para a *opulação de m*nor renda em á*ea* periféricas, e* ou*ra dire**o *iabilizou maior inve*timento *m ár*a* *alorizadas, ou com o objetivo d* tor*ar-*e, visando a*pliar ainda mais a r*nda da terra, para li*re ação do setor privad*. Contudo, ambos atuam na *ep*odu*ão da sociedade capitalist* como um todo. Ao não se utiliza* dos vazios urban** existentes na c***de, o Estado valoriza os terrenos com a *mplantação dos conjuntos habitacion*is sua e infraest*utura. A inte*ve*ção *o capital, ao a*mentar o preço da ter*a, afasta os pob**s urba*o* *ada vez mais d**s*s e**aços. Costa et al. (20*6) destacam o papel *o *rom*tor *m*bili*rio privado na trans*o*maçã* do *spa*o urbano n* medida em qu* reproduz s*u próprio capital. T*l in*ervenção, n* entant*, promove uma h*moge*e*zação do espaço, *o mes*o tempo que uma exclusão soc*a* e econômica, em dec*rrência da valori*ação di*erencia* ** *sp*ço da c**ade. O* empree*dimentos ve*ticais, por exem*lo, *x*luem a*uele* q*e não po*suem re*d* para mo*ar neste* es*aços *on*iderado* valori*ados e privi*egiados dev**o *o aum*nto do preço do *ol*, d* form* que os **bres urban*s ali res*de*tes terão que *r*cu*a* outro l*cal d* mo*adia. Vian* (2005) ressalt* * c***radiç*o desse p*o***so, ao afirmar q*e o modelo de urb*nização da Zon* Lest* foi ac*mpanha*o da ampli*ç*o *e pr*c*ssos ** faveliz*ção, *omo fenômenos **rrelatos. * verticalização, símbolo da modern*dade, foi intensificada na Zona *e*te de Teresina a partir d* dé**da de 1990 pel* a*uação dos promotores imobiliários, num contexto de estabil*dade econôm*c* e extinção d* *anco Na*iona* d* *abitação, adensam*nto pop*lacional e o *v*nço *ecnológ*co. *oi levado em cons*der*ç** o *ato ** **e se tratava de *m* área valorizada *conômica e socia*me*te, ass*c*ada à infraestru*ura, seguranç*, pr**aganda e condição *e status soci*l, além da desc*ncentração de a*ividades, até ent*o restrita ao *entr* d* cidad* (CARVALHO; F*ÇANHA, 2015). No enta*to, teria ocorr**o s*m pla*ejamento adequa*o, de forma que têm sido c**stantes *s alaga*entos d*s avenidas, no período chuv*so, em decor*ên*ia da impermeabi*izaç*o do solo (SILVA; ASSIS; OLIVE*R*, 20**). *utras f*rmas *e uso e ocupação do s*lo *rbano que tê* s*do implementadas pelos pr*motores i*ob**iá*i*s são os condomí*i*s h*r*zontais. Para sua difusão, são aciona*os os atrib*tos de se**rança, bem-es*ar e *tatus *ocial *elo marketing publicitár*o. Tais c*ns*ruções vêm sendo ap*opriadas pelas c*asses média e alta, provoc*ndo modificações nas estrut*r*s socioespaciais d* c*da*e a par*ir dos anos 2000. No entant*, os condomínios hor*z*ntai* t*m Rev. FSA, Teres*na, v. 15, n. 5, *rt. 8, p. 14*-168, se*./o*t. 2018 www4.fsa*et.*o*.br/re*ista Pobres Urb*nos *a Cidade sob * Signo d* S*gregaç*o S*ci*espacial 1*3 *ido cr*t*c*dos p*r pro*overe* auto*segregação, pri*atiz*ção *e áreas p*bli*as, hom*gene*zaç** social, aba*d*no dos espaços público e*c. (BUENO; LIMA, 2**5; SILVA, et *l., 2015). É imp*rt*nte destacar, t*m*ém, so*re a *iminuição nas *elações so*i*is ent*e os **fer*ntes contidas neste proce**o. Castro (2*1*) ch*ma atenção p*ra esse fenô*en* q**ndo af*rma q*e a designação *e espaço e acesso aos recurs*s de form* diferenciada promove uma separa*ão, a* ponto de excluir p*ssoas ** mes** espaço civil. Os moradores de c*ndom*nios horizontais sati*f*zem boa par*e de s*as *ecessid*d*s pessoais * so*iais *ntre *e**oas de **a mesma camada socia*. É co*um existirem ár*as de lazer e pequenos *omércios privativ*s para os mo*ador*s. Ev*tam, a*sim, cont*to com *s po*res *rbanos morad*res d* *esma *ida*e. No que ta*ge à **gregação, é possível po*tuar a impo*tân*ia da r*nda *a *or*a de apropri*ção do espa*o urba*o e a co*tradição envolvida n*ste *rocesso. Aqueles que poss*em *ecur*os *êm a pos*ibili*ade *e e**olher onde morar podendo, i*clusi*e, *p*ar por separ*r-se em relação aos d*mais. Poss*em meios pa*a supe**r dist*ncia*, ou ter ac*ss*s aos equ*pamen*os ***anos, de *orma a *atisfazer s*as necessidades sem c*mprom*ter sua repr*dução socia*. Já aos pobres urbanos, a segreg*ção * induzida por for*as econômi*as e apoio d* Estado, cujo ô*us interfere n*s con*ições co*cretas de sua existên*ia. A*bos os pr*cessos acima citados deslocam os pob*es urbanos, afastando-** ca*a v*z mai* das áreas providas de melhor inf*aestru*u*a das cidad*s. No entanto, isto não signi*i*a afirmar que não exista resistê*cia. * com*m visua*izar nas ci*ades br*sile**as a existência de *equena* casas nas *reas elit*z*da*, *nclusi** co* mate*ial prec*rio, com o objetivo de as*e*urar ma*or proximidade com *s serviços urbanos, desde forne*im*nto de água e energia elétrica *té melhor aces*o aos serviç*s d* saúde * educacional. Quando não pos*uem o *ítu*o de *ropriedade, *ornam-se alvos fáceis da Justiça, n* esper* da ind*nizaçã* p*ra po*e r reconstruir s*a vi** em o*tro e*paço da cida*e. C*so p*ssuam o título, pod*m receber pro*os*as para a ven*a de *eu i*óvel, cujo preço nem semp*e é com*atível *o* o v*lor que a moradia possa ter *ara o *u*eit*. 4 C*NSIDER*ÇÕES *INAIS Numa soc*edade capitalista o espaç* *rbano * *ma *ercad*ria produzida sob o ditame do capital, de *orma q*e o* valores d* troca se sobr*ssaem em *etrimen*o *o s*u v*lor de uso. Dessa *orma, pr**ução, circu*ação, **oca e consumo do s*l* urban* *ai a ocorrer de*tro da Rev. F*A, Te*esina PI, *. 15, n. 5, art. 8, p. 147-168, set./out. 2018 w*w4.fsanet.com.br/re*ista *. G. R. Lo**s, J. *. S. Mac**o 1*4 lógica de (re)pr*dução da socie*ade ca*it*lista com* *m t*do. A si*u*çã* não *oi diferente em Teresina, capital do Piauí. *esde sua f*ndaçã*, as á*eas ma*s v*lorizadas, de *cordo co* o contexto da época, f*ram dest*nadas às e*ite* locais. Ne*se *rimeiro momento, por se *ratar de uma pequena c*da*e, inclusi*e em dimensões espaciai*, a seg*egaçã* não t**ha sido sen*ida de forma intensa *elos m*radores. Tratava-se, a*iá*, *e um contex*o, em que os sím*olos da modern**ação e ur*anização d*moraram a se materializar também par* a elite, *ais como serviços d* aba*tecimen*o de água e ilumina*ão púb*ica, dada a *recarieda*e *ocioec*n*mica ** nascente capital pi*u*ense. À medida *ue o desenvolvi*ent* u*bano *ai tomando lu*ar, a distânc*a ent*e ricos e pobr*s se a*plia, au*entando em várias dimensões da vid* u*b*na, seja e* rela*ã* à **nda *u st**us, co*o também e**acialmente. Ass*m, vão *endo criadas *árias estratégias com * objetivo de demarca* cada vez ma*s ess* distinção, localizando o* su*eito* n* *spaço u*ba**, de *cordo com a classe ou g*up* social do qu*l participa. A riqueza s*c**lmente prod*zid* v*i sendo concentr*da em *etermi*ados esp*ço da cidade, *e forma que a loc*l*z**ão d*s *enef*cios urban*s nã* se ap*esent* de mane*r* unifo*m* no *spaç* urbano. Com efeito, este* espaços vão se*do valori*ados, f*zend* com que boa *arte da p*pu***ão não tenh* cond*çõe* d* acessar de*e**inados terren*s pe*a via do mercado. S* a pressão econômica não suficient* para afas*** os *obres urba*os é da* áreas privileg**das, as eli*es lança* mã* de outra* estr*té*i*s. Algu**s ocorre* dentr* d* legalid*de d* Estado, elabo*an*o leis que lhe* f*v*recem; outras podem ocorrer à re*eli*, com* f*i o caso dos incênd*os que, passa*os mais d* setenta anos, p*r*a*ece* um m*s*é*io ainda. Ressalta-se qu* o Esta** n*o * neutr*, **ndo per*eado pelas corr**ações de fo**as **i*tentes na socied*de. Dessa **rma, sua int**venção tende * reprodu*ir as contradições oriunda* d* própria so*iedade que, n* caso d* Teresi*a, *apita* do Pia*í, ocor*em desde sua fun*ação. As*im, as pol*t*c*s habitac**n*is p*o*o**das **ão promover a excl**ão e *egreg*ção socioes*ac*al, p*es**tes na sociedade c*pitalista, n*o para *eduzir as desigualdades sociai* exist**tes. Po* fim, * partir dest* ca*o particular, é importante d*stacar como a cidade va* circ*nsc*even*o o p*bre urban* em determi*adas áreas de c*da*es, independentemente das co*diçõe* co*cretas que garantam *ignidade ao cidadão, tend* em v*sta apen*s o aumento da **lorização do solo urba**. Um desse* efeit*s perver*os * a diminui**o da vitalidade n*s rel**ões sociais pública*, comuns nas áreas ce*trais. Este e***aquecimento do con*a*o entre Rev. *SA, Teresina, v. 15, *. 5, art. 8, *. 147-168, set./ou*. 2018 www4.fsanet.c*m.b*/rev*sta Pobres Ur*anos na **dade sob o Signo da Segregação Socioespac*al 165 dif*re**es amplia cada vez ma*s o distanc*ament* simb*lico e subj*tivo e*tre e*es. Outro aspecto que merece de*taq*e *ão as dif*renças nas condições concr*tas e materiai* para a reprod*ção da *xistên*ia ** *idade, com desdobramento para o desenvolv*mento *uma*o. Um ac*sso pr*cário à saúd*, educação, infraestrutura urbana, entre *utros, re*trin*e as possi*i**dades de satisfação *as necessid*des básicas *a p**ul*ção e **ns*quent*mente, do plen* desenvo*vimento d* sujeit* e da cidadania. É prec*so, porta*t*, criar estra*égi*s *ue reduzam as desiguald**es, n*o somente em t*rm*s *conômicos e sociais, mas ta*bém re*acionados à dime**ão espacia*. REFERÊNC*AS AB*EU, I. G. O c*escimento da Zon* Leste de Teresina: um caso de segregaçã*? *isser*ação de mestra*o em Geografia, U**v*rsidade Federal do Rio de Janeiro, Rio *e Jan*iro, RJ, Brasil. 19*3. A*ON*O, A. *s Políticas *úblicas *st**uais de Habitação de **te*e*se So*ial em Teresina: a atuação da A*H. *n: Afo*so, A & Ve*oso, S (Orgs). H*bitaçã* de *nteresse *ocial em Teresina: algum*s re*lexões. Teresina: EDUFPI. 2012. BR*Z * SILVA, A. M. N. 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As casas de p*u-a-pique com cobertura d* palha foram construçõe* bas*a*t* utili*adas no período, in*ependentemen*e da *las*e social, com o obj*tivo de ameni*ar * *lima da casa. Af*nso (2012) res*alta *ue o *ato *e T*r*sina *ncon*rar-se numa região *onh*cida c*mo M**a d* Cocais, com predom*nio *e palm*iras de carnaúba e bab*ç* tem influen*iad* na tipolo*ia arquit*tônic* destas m*rad*as. Com* R*ferenciar este Art*go, conforme ***T: LOP*S, L. G. R; MACEDO, J. P. S. Pobr** Ur*anos na Ci*a*e sob o Sig*o da *egregação S*cioes*acial. Rev. *SA, **resina, v.15, n.*, art. 8, p. 147-**8, se*./*ut. 201*. Contribuiçã* d*s Autore* L. G. R. Lop*s J . P. S . Mace** 1) concepção e planejamento. * X *) análise e inte*pre*ação dos dado*. * X *) elaboraç*o *o rascunho ou na revisão críti*a do conteúdo. X X 4) pa*ticipação na aprovaçã* ** v*rsão final do manu*crito. X * *ev. FSA, Teresina, v. *5, n. 5, art. 8, p. *4*-168, set./o*t. 20** w*w4.f*anet.c*m.*r/*evista

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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)