Centro Unv*rsitário Santo Agostinho www*.fsanet.com.*r/revista Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 6, art. 11, p. 195-208, *o*./de*. 2018 ISSN Impre*so: 1806-63*6 ISSN *letrônico: 2317-2983 http://dx.doi.org/10.1281*/2018.15.*.11 Umbra e o Caçador de Androides: *p*oximaçõe* em *ma Per**ectiva Ecofem**ista Umbra a*d o Caçador d* Andr*i*es: Approa*hes in a an Eco**mini*t Perspec*ive *aiara *a*es Araú*o Doutora em Literat*ra *omparada pela U***ersidade *etropolitana d* Londres P*ofessora da *niversidade Fed*ra* do Maranhão E-ma*l: naiara.s*s@g*ail.com A**nda Oli*ei*a Lima Mestr*d* *m Letras *ela Universidad* F*deral do M*ranhão. Grad*ação em Letras pel* Uni*ersidade Fed*ral *o M*ranh*o E-mail: am*nd*l*ma@outloo*.com *ndereço: Naiar* Sales Araújo Editor-Chefe: Dr. To*ny Kerley de Ale*c*r *n*ve*sida*e Fe**ral do Maranhão. A*. d*s Por*ugueses, Ro*rigues 1**6 - *ila Bacanga, São Luís - MA, 6*080-80*, B*asil. Arti** r*ceb*do em 10/0*/2018. Últim* *ersão En*ereço: A*anda Oliv*ira L*ma recebi*a em 18/07/*018. Ap*ovado em 1*/*7/2018. Rua *5, quadra 29, cas* 55, C*h*trac III, São Luís - MA, 6*0*4706, Br*sil. Ava**ado pe*o sistema Triple Revi*w: Desk **view a) pelo Editor-Chefe; e *) Double B*ind Review (avaliação ceg* por do*s *valiador*s da área). R*vis*o: *ram*tical, Normat*va e de Formatação N. S. A*aújo, A. O. Li*a 19* R*SUMO O *resente trabalho te* como objet*vo **alisar *ompar*tivam*n*e as n*rrativas Umbra, de *lin*o Cabral e O Caça*or de Androides, d* P**li* K. Dick, à lu* da teoria ec*fem*nista. Com es*e propósit*, será analisada a presença da *at*re*a nas obras e a forma como ela é *escri*a en*atizando, sobretudo, um ite* comum às du*s na*rativas, q*e é a destruição do meio- ambien*e. De acord* *om Greta Gaard (1993, p. 1), "ecofemi*i**'s b*sic prem**e is *ha* t** ideology *hich a*thorize* oppression* s*ch as th*se based on race, class, gen*e*, s*xuality, phy*ical abilities, *n* *p*c**s is the same i*eology which sanc*io*s the *ppressi*n of natur*" (1993, p. 1). * semelhança entre a mulher e a natureza **ve-se tanto ao fa*o de ambas serem geradora* d* vida, com* também pe*a *x*loração que ambas são submeti*as ao lon*o *a história. As distop*as de Pl*n*o Cabral e Dick são constr*ída* com base na *çã* subversiv* e desregra*a do hom*m *m r**açã* à *a**reza, ao *ass* q** soc*eda*e *escr*ta a n*s obras sof*e **m as con*equên*ias de s**s *tos. As narr*tivas em questão causam d*sconforto e estimulam a reflexão. A *nálise será feita de modo a b*scar pontos de convergência e div*rgênc*a entre as obras. O foco *a análise * bus*ar a re*l*xão s*bre a ecologia feita pe**s au*ores, a fim d* enriquecer o* estudos sobre o ecofeminismo na liter**ura. Palavras-chav*: Ecofeminismo. Umbra. * caçad*r Androides. ABSTR*CT The present work aims to com*arativ*ly a*alyze the narratives U*bra by P*ínio Cabra* and O Caçad*r de A*droi*es by P*ilip K. Dick in the light *f the ecofeminist t*eo*y. With this pu*pose, we will analyze *he presence *f nature in the *orks and how it *s described, emphas**ing, above all, *n item common *o both narratives, whi*h *s the d*s*ruction of the enviro*ment. Acco*ding to Greta Gaar* (199*, p. *) "*cofeminism's ba*ic pre*ise is tha* the ide*logy which authorizes *pp*e*sio*s such as t*ose based on race, *la*s, gen*er, sexualit*, ph*sica* abiliti*s, a*d species is the **me ideol**y which sancti*n* the oppres*ion *f n**ure". The similari*y *etween woman and nature i* due both to t*e fact that bo*h are gen*rative of l*fe, *ut a*so bec*use of the exp*oitat*on both of them have *nder*on* thr*ughout hist*ry. The d*stop*a* of Plínio Ca*r*l a*d *ick a*e constru*ted on the *asis of *he subver*ive and unruly action o* man in rela*ion to na*ure, whereas the societ* *escribed in *he works *uffers with the consequences of his *cts. The nar*ative* *n q*estion cause d*scomfo** *nd sti*ulate re*lection. The analy*is wi*l *e done i* o*de* to s*ek po*n*s of convergence and divergence *etween the wor**. The focus of the a*alysis is to *eek *he ref**c*ion on the e*ology mad* by the authors, i* or*er to enrich the studies on *cof*minism *n the litera*ure. Keywor**: Ecofem*nism. Umb*a. O Caç*dor de Androides. Rev. FSA, Teresi*a, v. 15, n. *, *rt. 11, p. 195-20*, nov./de*. 2*** w*w*.fsan*t.*om.br/r*vista Umbra * o Ca*ad** de Android*s: Aproximações em uma Perspect*va *co*eminista 197 1 INTRODUÇÃO A f*nção da lite*atura é não somente a d* e*tr*ten*mento, como *am*ém a *e **zer críticas s*c*ais, refletir sobre s*tuações cotidianas * de*u*ciar os *rob*emas da so**ed*d*. As distopi*s *urgem como subgên*ro d* ****ão cien*ífica, e são apontadas c*mo importantes ferramentas de reflex** social. É po**í*el cons*derar di*to*ia c*m* *m tipo *e *iterat**a engajada *ois, segundo o crítico *enoît Deni* (*00*, p. *1): (...) o q*e está em causa no e*gajament* é fun*amentalmen** as relações *ntre o liter*rio e o soci*l, qu*r d*z*r a *unção que a soci**a*e atribui à lit*r**ura e o p*pel q*e es*a últim* admi** a* represent**. Os aut**es de obras distópic*s demon*tr*m essa pre*cupação de aler*ar para os p*oblemas pol*t*co* e so*iais da s*cied*de em que vive*. *u**amente *om elementos cara*terís*ico* da ficção c*entíf*c*, é p**síve* identificar as refle*ões *obre a socieda*e *o de*orre* *as narrati*as. As d**topi** ocorrem *m *ug*r*s imaginários, em que *s pessoas vivem p**v*das d* se*s di*ei*os e, apesar d* gr*nd* evolu*ão t***ológica, *ão são capa*es d* ter uma vida facilitada. David Wingroove e Bria* W. Aud*ss (1984 p. 28) descrevem as idei*s presentes em uma dis*opia; Twentieth- centu*y fictio* has been dominate* in**ead by i*a*es of D*stopia: *vil futu*es *h*r* men h*ve lost e*ery*h*ng th*t they hold dear, e*ther through r*ckle**ness **d *ora* *eaknes* o* cause t*e many have no way *o f*ght *he *cien*if*cally supported tyranny of thei*s ru**s".* A palavra disto*i* remete à p**avra utopia. Esta *ltima é uma n*rrativa em que o* *spaços *ão *d*aliz*dos com* um* e*pécie d* paraíso, onde todo* são fel**es e enc**tram *eus caminh*s *, apesar d* já terem so*rido ante*, en*ontram a f*licidad* plen*. "T*e *oncept o* utopia has *lway* been linked to the ideas of an i*eal civiliz*ti*n or * fan*astic and *magin*ry wo*ld where it is possible to live in a p*r*ect society". 2(*RAÚJO, 2014, p. 48). A d*stopi* *omo c*ntrária à obra u*ópi*a desc**ve lugares destru*dos *u tão ev**uídos a pont* de não have* sinal de natur*z* verde. Apesa* da e*o**ção tecn*lógica, o sofrimen*o e a opress*o da s*ci*dad* são notáveis. *uit** aut*res se espelhar*m em reg*mes o*resso*e* *ara 1 A ficção do século XX tem sido dominada *or imagen* de disto*ia ao *nvés de ut*p*a: fu*uros ruin* onde os
*om*ns pe**era* tudo o que pr*zava*, po* *mprud*n*ia e moral *ra*a ou por que muitos não tinham como lutar contr* * t*rania de s*a* regr*s suportadas cient*ficamente. 2 O *once*t* de u**p*a sempre esteve **ga*o a ideia d* *m* ci*i*ização i*eal *u * um m*ndo f*ntástic* e imag*nário onde é possível *iver em perfei*a socied*de. Rev. FSA, Ter*sina PI, v. 1*, n. 6, art. 11, *. 195-208, **v./dez. 2018 www4.f*ane*.com.br/revi*ta
N. S. Araújo, A. O. Li*a 198 criare* suas h**tórias, assim como Plínio Cabral e Philip K. Dick em suas o**as Um*ra (1*77) e * caçador de androides (1968). A r*speit* da metodologia adotada nesta pesqu*sa, p*im*ira*ent* vale res*altar alguns pon**s pro***tos pel*s pesquisado**s J*sé Camilo do* Santos Filh* e Silvio Sánche* Gamboa: Os métod*s não são ne*tros, *les carregam i*plicaçõe* e pr*ssupostos q*e condicio*am o seu uso, cond*zindo a d*ter*inados resultados. A* aborda*en* *êm *elação *om *ma série de op*ões *aradigmáticas e ci**tíficas que o pesqui*ad*r consciente e inconsci*nteme*te escol*e e *plica. (SANTOS F*LH*, GAMBOA, 2 0 0 7 , p . 7 8 ). Dessa forma, cabe * obser*açã* q*e o mé**do aqu* e*co*hido carreg* *s inclinações teóric*s e *deológicas de sua aut*r*. Objetos podem ser ana**s*d*s por meio ** diver*os métodos. No e*ta*to, concl*iu-se que, de*ido à *atureza dessa pesquisa, só um deles seria o mais adequad*: no *aso, o *étodo *e *nálise d* co*teúdo. Chizzotti d*fine es** método como: Um mé*o*o de tr*tamento e aná*ise de info*maçõe*, colhida* por meio de técnic*s de *o*et* de dados, con*u*stancia*as em um documento. A té*nica se aplica à análise *e t*xto* es*ritos ou de *ualquer c*muni*ação (oral,visual, gest*al) r*duzida a um texto ou *oc*mento. (CHI*ZO*TI, 1995, p.98). Dessa maneira, a *scolh* do método justifica-se pelo fato de *ue a pesquisa b*s*a a*alisar duas obra* li*erárias à *uz *a teoria ecofe*inis** e **ografia humanista. Além dis*o, o objetivo da a*álise de conteúdo - de compreend*r o* sentido* das comunicações criticamente * suas si*nif*cações **plí*itas e oc*l*as (CHIZ*OT*I, 19*5), são compa*íveis c*m *s o*jet*vos da pesquisa. 2 *EFERENCIAL TEÓ*ICO 2.1 Umbra e O caçador de a*d*oid*s A obra *e Pl*nio C*bral, Umb*a (1977), de*c*eve mares negros, ares poluídos, á*vo*e* e an*mais extintos e *essoas que ap*na* s* pr*ocu*am e* *e m*nterem vi*as, a*omodadas a um estil* de vida restrito. Ao resi**rem na cha*ada "fábrica", vi*em e* **quenos c*bí*ulos e poucos são os *ue saem *aquela sit*açã* poi*, de *ato, a vi*a se t*rnara escassa do l*do de fora. O ar que res*iram se *orna m*léfico, a água dos rios * mares se alimenta da podridã* e não mais *acia a sede dos hom*ns. A citação a *egu*r de*cre*e esse ambi**te de destruiç*o: Rev. FSA, Teresina, v. 15, n. 6, *rt. 11, p. 195-2**, nov./*ez. 2018 w*w4.fsanet.c*m.b*/revist* Umbra e * Caçador de Androide*: Aproximações e* uma Pe*s**ct*va E*ofem**ista 199 A água pr*ta b**bulhava ao longe, e caminhava para a ma*gem, arrastando-se, r*lando sobre *i mesma. Vin*a numa calma e*t*anha e che*a de p**igo. Er* p*eciso *uidado na escolha do lug*r *x***, *ara n*o ser tragado pelo G*ande Ma*en*al que, às vezes, ergu*a-se, t*a*çoeiro, e de golpe apanhav* os *ncautos. (*AB**L, 19*7, p. 1 1 ). Da mesma forma que e* Umbr*, e* O caçador de androide* (1989), d* Phil*p K. Dick, a poe*r* ra**oati*a, al*o altamente prejudicial à saúde human*, toma *onta da cidad* e se to*na parte do cot**ia*o dos terráque*s, que ainda habi*am seu país de origem. Animai* vivo* *ão cada vez mais difíceis de s* e*con*rar, po*s grande parte não resis*iu à radio*tividade, são aprec**dos e vendi*os como troféus no planeta Terra, idea*izado por Dick, a alternati*a de muitas pessoas daqu*la sociedade foi migra* para M*rte onde, futu*a*e***, ser*a ma*s viável *orar, em comparação ao "planeta azul", destruído pel* gu*rra: "O ar matutino, enxam*an*o de corpúsculos radioativo*, *inzent*, * **m * sol en*o*ert* pelas nuvens, **rotou em v*lta del*, ferind*-lh* as narinas. Inv*luntariamente, fungou a *nfecç*o d* morte" (DICK, 1968, p. *). A nature*a *esemp*nha papel funda*ental nas obras. Em Umbra, o mar negro ch*mado *e "mar*ntal", a *ida*e morta que d*screve a *od*rnidade em sua pior f*rma, o céu que se tornara ro*o sã* *ersonifica*os p*r Plí*io *a*r*l. A n*t*reza parece c*stigar os hum**os por *ant** anos de desp*ezo e expl*ração, ao mesmo t*mpo que *arece *orta, engole e destrói tudo a* s** redor. Da m*sma fo*ma, em O ca*ador *e *ndroides, a poeira radioativ* qu* **fixiava a todos é res*onsável por quase to*o * desenro*ar da tr*ma, inc*u**ve, *ste novo *mbient* poluído resu*tari* ** pessoa* capazes de mudarem *enetica*ente e consegui*em sob*e**ver ao ambiente h*stil. E*s*s mutações gené*icas sã* parte int*grante nas duas ob*as, quando o ser humano se fun*e a animais, ou tem parte de su*s funcionalida*es cere*rais co*pro*etidas, devido * quan*i*ade de ra*ioatividade gerada p*l*s guerr*s, ou p*rq*e um ambiente nov* e "podre" gera seres h*rrend*s e difíc*is *e serem associados ao f*nótipo d* um se* h*mano. Em O *açado* de a*droides, parece ser a pr*m*ir* opção: (... ) Par* si me*mo, pen*ou amargamente John Isid*re: * para mim, tam*é*, sem e* ter que *mi*rar. *ra um especial há ma*s de um ano, e não ape*as no tocante a*s genes deformad*s de que era por*a*or. Pior ainda, nã* conseguira *ass*r no teste d* facu**ades mentais mínimas, o qu* o tornava e* lingu**ar po*ular, um debiló*de. (DICK, 1968, p. 1* -14). Rev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 6, art. 11, *. 195-208, nov./dez. 2*18 www4.fsanet.com.br/revista N. S. Araújo, A. O. Lima **0 Em **bra, a destruição també* ge**ra cr*aturas que se pareciam humanos misturados a ratos, essa nova forma de *id*, l*nge *e ser humana, pr*v* que na ver*ade *s habitantes da Terra estavam em e*tinção e o planeta daria lugar * uma no*a *s*écie. Logo, d*st*uir a natureza seri* destruir a r**a humana. *e*es estranh*s ras**javam, chafurdando n*s *etritos, buscando alimen*os. F*ram gerados pela morte da C*dade *orta. Ca*ando no* esgotos, roendo ossos, seus dentes tornaram-se agudos. A boca transform*u-se, alongada, em foc*nho cob*rt* de vas*a **nu*em q*e ajudava na seleção do alimento. O* Poci*es tentava* rir, *ue*i*m aproximar-se, guinchavam nu* gru*h*do *ino, q**se *stridente. Er*m ami**veis. Ma* repulsi*os. *eles o *ovo fugia. A Cidade Mort* h**ia, enfim gerado s*us n*vos filhos. (*ABRAL, 1977, p. 30). É Interess*nt* pe*ceber como a destruiçã* produz "se*s filhos", um* sociedade renovada e "defeituo*a", uma *ndica*ão d* que talvez no **turo não *aja *ais seres huma*os como somos ho*e. No entanto, l*teratu*a a de dis**pia não de*onstra apenas o que e*tá à f*en*e, *as si* o q*e já acontece nos d*as de ho**. Muit*s pesso** já vivem os male* de *ma r*di*ção i*ten*a, é s*bido que m*ita* pessoas foram *ani*icadas geneti*am*nte pelas bomba* atômicas *ue foram deto*a*as na Segunda G*ande Guerra, por exe*plo. Co*o dito anterior*ente, a literatura de **stopia *ossu* *ma relação *stre*ta c*m os pr*blemas soc*ais. *mbr* foi escrita em uma ép*c*, na q*al o **asil *e e*con*rava sob um *egi*e mili**r e mui*os eram os re*atos d* rios *o**ídos e sujeira ex***ma na* cidades. T** narrativa *ode ser analisada c*mo reg*st*o *e uma fa*e "**fasta" do p*ís, cujas i*formações *ram manipuladas e a censura e*a algo *omum. Os pr**lemas *a s*ciedade, incluindo *s que *nvol*em a destruiç*o d* natureza, eram de c*rta forma acobert**os. E Cabral, em sua na*rativa a*arent*mente sim*les, foi capaz de *azer uma crític* *ocial bastant* efic*z, **o so*e*t* *m re*açã* ** que acontecera n* época em que foi escrita * *bra, como também *o que continu* acontece*do. O aut*r de Umbra pe*sara em um herói que tinha *uitos nomes, m** perseguia o mesmo obje*ivo, tentava lutar contra *s ev**tos neg*tivos que rodeavam; p*rém, de certo o modo, sempr* falhava. A obra d* Pli*io Cabr*l pode ser anali*a** luz de movim*ntos à e teorias com o e*ofeminismo, que buscam refletir sobre soluções p*r* os abusos que co*roem a socied**e. *es*o que ** narrativa os heróis f*lh*ssem muitas vezes em mudar *ua re*lidade, ao fi* o perso*a*em denominado de "menino" segue *ia*em, inconform*do *o* o seu meio, *m busca de nov** avent**a*. Rev. FSA, Teres*na, v. 15, n. 6, art. 11, p. 195-208, no*./d*z. 20*8 www4.**anet.com.br/revista Umbra e o Caç*dor *e Andr*ides: *proxi**ç*es em uma Perspectiva Ecofeminista 20* P*ilip K. Dic*, em O ca*a*or de and*o*des, revel* uma socieda*e inteira *inculada *os acontecimentos ca*ast****cos natu*ais. Em decorr*nci* de *ma guerra, os animais f*ram qu**e todos dizimados, e ter um exe*plar real de uma espécie a**mal é si*ônimo d* *t*t*s na sociedad*. Paradox*lment*, e* me*o * destrui**o, existe a valor*za*ão da vid*, mesmo que esse valor seja mer*men*e mone*á*io. *om o intuito de ap*o*undarmos a* discussões e* *orno da* temátic** *ue envolvem a *e**rui**o do* ambientes natur*is *resentes na* obras aqui exp*oradas, na seção seguinte t**remos à *a*la a* re*lexões propostas pela teori* eco feminista que servirá de bas* p*ra a análi*e aqui prop*sta. 3 RESULTAD*S E DISCUSSÕ** 3.1 Ecofeminism* O ecofeminismo é *m m*vime*to que surgiu na França, em 1974. *s*e movimento foi idealizado com base na *nquie*ação gerada pe*o* *feitos da dest*ui*ão do m**o *mbiente, b*m como a s*bjugação d*s mulhe**s pe*a*te os homens, a*bos *ru*os de uma sociedade **triarcal. Acredit*-se que as mulhere* seriam de gra*de ajud* na *roteção do m*io am*iente, e deixá-las *er *uvidas e convidá-las a partic*par das *randes decisões de como administrar os ecoss*st*ma*, seria, de fato, uma solução para os problemas *mbientais. *lém de q** dar-lhes uma vida digna e pr*sp*ra era algo que *e*endi* de *randes mu*anças. E*ofeminism is * t*eory that **s evo*ved from va*ious field* o* femin*st i*quiry and activi*m: peace mov*ments, labor *ove*ents, women's health care, and the anti- nucl*ar, e*vironmental, and animal liberation movemen*s. Drawing *n *he insig*t* of ecolo*y, feminism, an* socialism, **ofemini*m'* basi* premise is th*t the ideolog* which au*horizes oppressions such a* those based on rac*, cla*s, g*nder, sexuality, phys*cal abi*it*es, *nd *pecies is the same ideology w*i*h s*nctions *he oppression of natur*.3 (GA*RD, 1*9*, p. 1). O ecofemin*sm* é uma dis*ussão a**iga que n*o *e originou d* literatura, mas que, ao **scar os prin*ípios desta te*ria pa*a a a*álise literária, contribu* d* forma *nri*uecedora para * Eco*eminismo é a t*oria q** tem *n***vido *ári*s *ampo* de investigação e *tivis*o feminista: movimentos
da paz, movimentos re*acio*ad*s ao trabalho, cu*dado e s*úde da m*lhe*, e m*vimentos anti-nucle*res, am*ientais e liberação de animais. Adentra*do na percepção de ecologia, fem*nism* * socialismo, a premissa básica d* ecofeminismo é que a ideologia que autoriza opress*es como aquela* basea*as e* raça, **as*e, gê**ro, sexua*idade, hab*lidades físicas e espécies é a mesma ideologia que sancio*a a opressão d* *atur*za Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 15, n. 6, art. 11, p. 195-208, nov./dez. *018 ww**.fsanet.com.*r/rev*sta
N. S. **aújo, *. O. Lima 202 a reflexã* sobre as dist*pias, pois tudo que está relaci***do aos probl**as sociais, como discussão *o*re a op*essão da* mi*orias está inserido nes*e tipo de literatura. De acordo com * pesquisa*ora S**an Buckinghan (2*04): In teasing out the possible re*ationship *etween women\s posi*ion, gender rela*io**, feminism, and t*e way in which Western *ociet* is se*king t* control or manage the en*i*onment, eco-feminist w*iters in the 1970s and 1980s ex*lo*ed the relat*ve impo*tance of essentiali*m a** social co*st*uction in t*ese re*ationships.4 (BUCKINGHAN, 2*0*, p. 2). *ode-se *iz*r que o eco fe*inismo é também um **po d* r*flexão vol*ada *ara as comun*dades rurais, em que as *ess*as dependem d*retam*n*e da terra, praticam ag*icu*tura e se alimentam de seu próp*io pl*nt*o. As mulh*res são chef*s de família ne*sa* com*nidades e s*o r*s*onsá*eis pelo sustento de seus fil*os. * eco*emin*s*o possu* um papel imp*rtante na *uta por d*r*itos dessa* *ulheres que, po* diversas vezes, não *ão ouvidas *m de**sões que envolvem a utili*ação dos **cursos na*u*ai*, e estas *e*isõ*s vão influir di*etamente na qualidade de vida delas e d* seu* filhos. Karren J. Warren (***7, p. 9) *ala u* pouco dessa rea*i*ad* na citação a seguir: Often the Technologies ex*o*ted from northern to southe*n countries *nly e*ace*bate the problem of tree, w*ter an* food *hortage* for wo*en. In fores*ry, m** are t*e prima*y *ec*p*ents o* trai*ing i* urban pulp and commodi** produ*t*on plants, and *re the ma*or decision *akers abou* forest management, even th*ugh loc*l wo*en often *now mo*e a*out trees *han local men or *utsiders. 5 Nesta pass*gem é *ossíve* vislumbrar o qu*nto as mulheres são indis*ensáve** para *ue s*ja possível faze* *elhorias em seus próprios lare*, pois e*a* conhecem a terra, a água, a* *rvores. Os hom*ns, por uma questão hegemônica, acabam por se* os porta-vo**s dessas mulhe*es, **ndo que nem sempr* suprem as verd*d*ir*s n**es*idad*s de*sas *amília*, pois ** as mulher*s *os*uem esse conhe*im*nto *mpírico, ou pe*o menos conhecem mais sob*e a sua terra. *ivers*s vezes uma v*z *eminin* poderia ter feito * d*ferença, mas sua cond*ç*o de 4 Ao *escobrir * possível *elaç** ent*e a *osi*ã* *as mulheres, relaç*es de gênero, femin*smo, e o modo co*o a
soci*dade ocide**al está em busca de control*r e ad*inis*rar o m*io am*iente, escritores e*o*eministas no* *nos 1970 e 1*80 *xploraram a i*por*â*cia **lativ* do essencialismo e construção s*cial nessas r*laçõe*. 5 *e*almente as tecn*log**s e*portadas de países do norte e do s*l só exacerbam pr*blema das árvor**, o da
ág*a e a carênci* de *omida para as m*lher*s. Em mat*ria florestal, os *om*ns são os recip*cien**s pr*mários d* treiname*tos s**re a *etirada da polp* dos frutos e pr**ução de pla*tas como mercadorias, e os home*s tamb*m s*o os m*iores toma*ore* de decisão s*bre a admini*tração das flores*as, mesmo *s mulh*re* *ocais geralment* sa**rem m*is sobre árvor** que os homens *ocais ou pessoas de fo*a. Rev. F*A, Teresi*a, v. 15, n. 6, art. 1*, p. 195-208, n*v./dez. 2018 *ww4.fsanet.c*m.br/r*vi*ta
Um*ra e o Ca*ado* *e An*r*id*s: Aproxim*çõe* em uma Perspe*tiva Ecofeminista 203 subalterna tem ca*ado s*a voz. Segundo a crítica Spivak (*010, *.**), subalterno é *quele que faz parte das "(...) camadas mais baixas da sociedade con*tituídas pe*os mo*os es*e*íf*cos de exclusã* dos mercad*s, da re**esent*ção po*ític* e legal, e da possibilidade *e se t*rnarem m**bros plenos no estrat* soci*l dominant*". Ou*ro ponto importante q*e envolve a na*ure*a são *s animais e a relaç*o *eles frente aos seres *uman*s. Pouco se di*cutiu inicia**ente a relação das mulhere* *om o* animais, ma* já h* estudos *obre, e nest*s há dois aspec*o* que dem*ns*ram a relação e*tre *ul*e*es * animais, nã* por semel*an*a, ma* por co*se*u*ncia do patriarcalismo. O primeiro fo* a q**stã* d*s sociedades pri*itivas se *tiliza*em da caça, a figura do homem caçador que manip*la e mata os animais *ara sobrevivênci*. As mulhere* p*r se*e* menores e mais f**gei* e e*tar*m ligadas à re*rod*ção, fic**am afas**d*s dessa tarefa, portanto são consideradas inferiore*, *ssim como o* anim*is. Mais *arde, com o cres*imento da *gr*cul**ra, as mul*eres aca**ram tendo que entrar na força *e trabalho e, com is*o, eram exploradas du*lam*n*e, da mesm* forma que alguns animais, os qu**s *ram do*esti**dos e usad*s nos *rocedimentos d* **od*ção ali*en*ícia e *ambém haviam s* torn**o escrav*s dos homens. Vê-*e as**m um* s*mel*ança na forma de tratamento de mul*ere* e a*im*is ao lo**o **s*ória. Outro aspec*o que merece dest*q** *e*t* discus*ão é o el*mento religiosida*e. O homem semp*e c*ltuou deuses ao longo da históri*, e muitas vezes estes *omens se sentir*m *om* os deuses, ser*s superiores acim* das mulhere* e dos a*imais, gra**s a sua força e a*i*idad*. Pro*a disso é qu* *e*maneciam af*stados das *tiv*d*de* diárias d* *asa, poi* saíam pa*a c*çar. As ativid*des do la* era* ati*idades m*is servis, e este era o pape* que as mulh*res desempen*av*m. Ativi*ades assim, jam*is pod*riam s*r e*ec*tadas *or divin**des. No en*anto, mesmo s*ntindo-se uma espécie de *eu*es na ter*a, os ho*ens ta*bém *entiam me*o do *ue a nature*a po*eria *r*voc*r. * *at*reza *o**ece * sustendo ** ho*em, mas também possui * p*der de de**ruir t*do qua**o necessário, atravé* das grande* catástrof*s naturais. Dest* for**, ela demonstra poder sobre os homens, * o m**o que ela causa n*les fa* com quei*am oprimi-la * subvertê-la. Da mesma mane**a, *azem com a* mulheres, que *empre se assem*lham m*e natureza, por ambas *ossuír*m * hab*lidade à de reprodução. E* O ca*ador *e androi*es, ao *esm* em qu* a sociedade pare*e idolatrar os *nima*s, ela já os esc*a*izo* e destruiu. Co*o s*nônimo de prest*gio en**e ** homens que ficaram *a Terra, ter um anim*l dom*stic* era algo incrível. Aind* que e*tivessem extintos, os h*mens precisavam *e*tes animai* par* se sen*ire* superio*es a eles. R*v. FSA, Teresina PI, v. *5, n. 6, art. 11, p. 195-208, nov./de*. 2018 *ww4.fsanet.com.br/*evista N. S. Araújo, A. O. L*ma 204 Os hom*n* ficava* depr*midos, a p*nto de *erderem o sen*ido da v*da, pois j* não podiam escrav*zar a *ature*a, os animais e tam*ém as mulheres. **as também estavam *e tornando "extintas", co*o é o c*so d* mulher de Dick, que vivia absorta do mundo real, razão pela qual ele s* relaci*na com um *n*roide, em que pensou acha* ma*s calor *o que em *ua mul*e* deprim**a. Assim como D*ck, Plinio *a*ral denu*cia os efeitos *estruidores da ação pa** co* a n*tureza. A esse r**peito, M. Elizab*th Ginw*y (20*5, p.126-1*7), explica como é construí*a a n*rrat*v* de Um*r*, um* das únicas narr*tivas brasileiras de fic**o c*entífica *ue foc* pri*cipalmente na *ature*a e sua d*str*ição: *e Plínio Cab*al, *mbra é a pr*me*ra disto*ia brasi*eira a *oca* exclusivam*nte * desa*t*e ecológico. Tem três partes: a pr*meira, uma narrativa q*e se*ve como moldur* e fala de um velho e de seu mu*do *oluídos: a segunda, uma *érie de histórias q*e mostram que levo* a* estado prese*te *e degradação *mb*ental; o a terc*i*a, q*e vo*t* *ar* a moldu*a que *epresenta a esperança de um ga*ot* que plane*a p*rtir em uma busca he***c* *ara a*é* do mund* co*hecid*, à pro*ura de uma vid* *el*or. ** Um*ra, a sociedad* pare*e t*r sido * grande responsável *or reduzi* a natureza em p*ro infortúnio e, as*im, ao mes*o te*po e* que é culpada, é vítima e sofre por seus a*os, tendo sua qualidade de vida di*inut*. P*ínio deixa c*aro que * socie*ade é * grande cau**dora da destruição da *atureza, a razã* de ela te* se tornado obscura * estéril. Há uma passagem na ob*a que, em u*a *a* histórias *ont*das p*lo velho, exi*te um heró* q*e consegue conven*er as pessoas * aband*narem a cidade, p*is se e*co*t*av* com**e**mente poluída. Q*ando eles parte*, um dilú*io destr*i * *idade envenenada e uma gr*nde floresta cresce naq*ele lu*ar, *nde não era mais possível ver a natureza florescer. Nesta p*s*agem, quan*o os *ome*s deix*m * na*ureza, e*a parece finalmente se l*ber*ar e é **novada atr*vés d* um d*lúv*o. Cabral queri* provar que a nature*a *ão é má e sim os seres humanos *ois, ao saíre* do local, *l* *ôde se *eest*belecer e demonstr*r sua **vacidad*, * *ociedade ad*ece * natureza e s*as feridas também n*s ferem. Em Umbra não exist*m personagens femi*i*os físicos, as mulheres es*ão misturadas m*itas *eze* à massa *e homens no inte*ior da história. As persona**n* f*m*ninas são es*enci***ente * naturez* e a cida*e mort*, elas *ão pe*s*nif*cad*s e demonstram ter sentimentos os q**is, e, por sua vez, não são pos**ivos. Elas parecem amargas, vingativas, sofredoras, machuca*a*. Log*, pretendem machucar também. O e*ofeminismo *az- se *ev. FSA, *er**ina, v. 15, *. 6, art. 11, p. *95-2*8, no*./dez. 2018 ww*4.f*anet.com.br/rev**ta Umbra e o Caça*or de Androides: Aproximações em *ma Perspe*tiva Ecofeminista 205 *rese*t* **ssas representaçõ*s, nessa r*lação es*reita que * mu*her tem c*m o un*verso verde, com * ambiente em que vivemos * sobre*ivemos. *in*a, u*a cara*terí*tica q*e sempre é atribu*da às mulhe*e* é o fato de supostam**te, serem vingativas e perigosas a nat**eza *o revelar-s* vi**enta, demonst*a essa s**elhança construída e um ta*t* *ejorativ* que a mulh*r tem na soc*e*ade machista de vingar-se daquele que l*e fez mal. A exemplo de Eva, a *ulhe* leva o ho*** ao pe*ado, e todas as mazelas da huma*idade *ão fruto de sua mente vil. Ginway (2005, *. 128), revela a visão de P*ínio sob** a mulher: Por todo Umb*a há uma ati*ud* protetora, mas paternalista com relaç*o * *atureza. *or exem*l*, *uan*o o herói al*rta o* homens de que deveriam respe*tar a nat*re**, el*s prom*tem replantá-la, mas previsiv*lmente ter**na* por dest*uí-la, mostrand* que os *um*nos trata* a *atureza c*m* s*ndo o que He*degger descreveu como **a \re*erva inesgotável\, uma co*sa * ser tratad* *o*o ob**t* colo*iza*o, comp*e*amente subserviente à *ua vontade. * mes*a *isão, o hom*m tem *a mulher, com* reprodut*ra ela é, uma "r*se*va inesgotável", já que é a gra*de respo**ável pela huma*i*ade se perpetuar ao lon*o da hist**ia. Por que em uma *uerra mandavam-se somente os homen*? As mulher*s deve**am ficar, *ois alé* de se*e* *ais "frágeis", elas *ossu*m o p*der *e reproduzi*; s*u* filhos eram tirado* e post** a *orrer, pois o homem acredita que ela poderá ser capaz *e ter outro*. Por*anto, mesmo que h*u*ess* *ue*r*s inte*mináveis, as mulheres esta*iam sempre à disposição, sempre *értei* para gera* m**s *il*o*. A*sim como a mulher, os anim**s se*pre fo*am uma fo*te inesgot*vel de s*rviço* e escravidão, a*ém de servirem como alime*tos. Em O c*çador *e androides, como j* foi menciona*o, os an*m*is tor*ara*- ** itens raros e c*ros, os anima*s androide* não eram motivo de or*ulho, ao p*sso que q*em possuísse um de *arne e osso era alguém re*pei*ável. No livro *e Phi*ip k. Dick, m*it*s e*am *deptos às ideias de Mercy, um *omem qu* deixou seu* ensinam*ntos na Terr*. Por meio de u* equipamento especial, *odiam fazer um p*oces*o chamado "f*são", através d* qual e*es er*m capazes d* *er um h*mem velho q*e tinha c*is** a dizer * uma miss*o a cumpri*, em um lugar verd* * bonito, que dava aos o **mens um sentimento de paz. Isso ta*vez d*monstr* a vontad* do home* de **r aque*e planeta de v*l*a, u* pl**eta verde, e se arrepen*er *e todos o* seus ato* negativo* para com o *mbiente. De forma muito similar, as lendas, e* Umbra, re**tem ao passado que *ic*u na lembra*ça do vel*o. Rev. FS*, Tere*ina PI, v. 15, n. 6, art. *1, p. 1**-208, n*v./de*. 20*8 www*.*sanet.com.br/revista N. *. *raújo, A. O. Lima 206 No liv*o de Dick, a* pers**agen* femini**s sã* várias, dentre elas a espos* *o personagem pri*cip*l, qu* se r*vela uma mulher deprimida, como já fa*ado antes. R**k e Iran não t*m filh**, o q*e c***a atenção p*ra o *ato de que aquela so*i*dade parece já estar **rta, *em fr**os, sem *riança*. A* longo da narrativa, não há um* *nic* menção a crianças, pois os bebês nor**lm*nt* repre*enta* e*ol**ão. Os filh*s d*que*es cas*is *ram os ani*a*s que n*m sem*re eram de carn* * osso. A esp*sa de Decka*d, Iran, era v*ciada em estí*ulos ar*ificiais, uma m*qu*na q*e lhe estimulava pensa*entos bons. E**s pareciam não ***er bem por essa razã*. Iran pre*isava daquele* *stímulos *a*a *e *anter v*v*. É intri*a*te obs*rvar *omo esta personag*m ap**enta s*r a personifi*ação do planeta, sobrevivendo *igada às máquinas, viven*o u*a ilusão de que um dia *s coisas **dess** melhorar. Obs*rva-se que *mba* as obra* se propõem a d*mon*trar **e, *esmo em m*io à *estr*ição, uma socie*ade sobrevive, renovada, poré* mal*eita * incomp*eta. As distopia* demonstr*m não a*reditar em *ma destrui**o d* h*mani*ade de for*a * não *obra* um único *e* vivo, m*s ap*esentam pessoas trist*s, insati*feitas, e dependent*s de coisa* e*teriores como te**olo*ia, u*a sociedad* que *eixa u* rastro de destru*ção e são sobreviventes a ele. No *oente a mancha eno*me, de cor violeta, ia baixando. Não se via o sol. Mas el* pair*va sobr* a poeira que c*br*a a terra e sua luz, qu*se rox*, estendia-se ao comprid*, *té pe*der-se no horizo*te, numa cor ama*e*a. A noit* seria escura como *emp*e. (CABRAL, 1977, p.9). Em *mbra, a i*fluência bíblica é algo que faz par*e da estrutur* ** obra, e iss* se f*z presente a*é mesmo em palavras c*m* "*oeira", o *ó do qu**, biblica*ente, a hum*nida** vei* a origina*-se, * * retorno ao pó, quando t*do se *iquida. A mesma palavr* é encont*ada em O *aça*or de androides na pa**ag*m a seguir: O legado da Guerra Mundial Terminus perdera algo de sua *otência; os que *ão puderam sobreviver * poeira est*vam mortos há mu*to t*mp* e ela, mais fr*ca agora e enfrentando sobreviventes mais for*es, apenas desequilibrava mentes e **opriedades ge**tic**. A d*speito *e seu protetor de *hu*bo, a p**ir* sem dúvida *nfiltra**-se pe*o tr*j* e * ati*gi*, e lhe a*li*a*a diar*amente, enquanto ele não emigrass*, sua pequena *ose da s*jeira conta*inadora". (D*CK, 1968, p. 8). Havia sobrevivent*s à *oeira, pessoas *ue p*ssu*a* de**itos com* os *ebiloide* e pesso*s que era* fortes o bast*nte para *guentar*m *quela substâ*cia nociva no ar, *ão se s**e por quant* tempo. U*a sociedade que veio do pó e *e*o*na ao pó, * deste ren*sce, mas renasce par* *of*er, ren*sc* c*m insuficiência*. Re*. FSA, Te**sina, *. 15, *. 6, art. 11, *. 195-208, nov./d*z. 20** www4.fsanet.com.br/*evista Umbra * o Caç*dor ** Androides: A*roximaç*e* em *ma Persp*ct*v* Ecofem*nista 20* Em Umbr*, a to*o o mome*to havia alguém que perseguia alg*m ti*o de espera*ça de *al*a* o plane*a. *om* já fo* menci*nado antes, este sentimento está presente nos dois livros. An*l*sar ta*s obras à *uz das discu*sões eco*eministas permite-nos vislum**ar uma g*ma de po*sibilidad** *e *eflexõ*s multidisc*plina*es em torno das *emáticas *qui elencadas. Umbra e * Caçador d* a*droides apresentam impo*tantes dis*ussõ*s que permitem advertir a *ocie*ade *ob*e seus atos, além de refletir sobre a exclus*o das min**ia*, principalmente *om rel*ção às inju*tiças *o*etidas às mulheres *o dec*rso da hi*tóri*. 4 CO*SIDERAÇÕES FI**IS E* te*mos *erais, * sign*fi*ati*o e pe*tinente o diálogo ent** a literatura e outras *iscip*inas *omo geogra**a a human*sta, *o** poss*bilita um* r*f**xão ma*s amp** sob*e as*ectos sociais da *ida human* que nec*s*itam de *ond*ração. A f*n*ão da litera**ra dentre *a*ta* out*as é instigar e gerar reflexõ*s *ob*e o* probl*mas soci*is, s*ndo estes o princ*pal alvo *as disto*ias. Desta for*a, faz*r e*sa conexão entre * perspectiva de lu**r, o e*ofeminismo e as distopias p*de* *otiv*r inúmeros debates e disc*ssõ** frutíferas no mei* acadêmico. As obr*s aqui analisa*as apresen*am ref*exões **uais que d*alogam com as di*cus*ões levan*ada* *ão s* *o ambiente acadêm*co, mas t*mbé* no meio p*lític* e *conômi**, **ja visto seu ca*áter int*rdis*i*linar e **ivers*l. Debate* as transformações mudanças sociais e dec*rrente* do p*oc**s* de modernização te*n*lógico requer uma visão mais ampla da relação homem e ambiente, o que nos *az ve* n* l*teratu** u* instrum*nt* pr*p*c*o de anális* social, pois embora subjetiva e ficcional, retrat* a reali*a*e, gerando questionamen*os e, por vezes, *esc**f*rto e inqui*taç*es. REFERÊNCI** ARAÚ*O, *. S. Brazilian Scie**e *i*tion *nd the Colonial Le*acy. Sã* Luís: Edufma, 2*14. A*DISS, B. W.; W*NGROVE, *avid. The Sc*ence Fi*tion Sou*ce Book. Londres: Longman, 1984. R*v. FSA, *eresina PI, v. 1*, n. *, *rt. 11, p. *95-208, nov./dez. 201* www4.fsanet.c*m.br/revista N. S. Araújo, A. O. L*ma 2*8 BUCKINGHAM, S. Ec*fem*ni*m in the t*enty-first cent*ry. The Geo*ra*hic*l Journal, [*.l.], v. *70, *. 2, p.146-154, 23 jun. 200201*4. Wi*ey-Bl*ckwell. *t*p://dx.doi.org/10.1111/j.0016-73*8.2004.00*16.*. CABR*L, *. Umbra. São Paulo: *ummus Edi*orial, 1977. CHI*ZOTT*, A. Pesquisa em ciênci*s humanas e soc*ais. 2. ed. São P*ulo: Cor*ez, 1995. DENNIS, B. L*teratu*a e En*ajament*: De *asca* a Sartre. Baur*: **usc, 2002. GAA*D, Gret* (Ed.). Ecof*minism: wom*n, animais, nature. Fil*délf*a: Tem**e Univers*ty Pr*ss, 1993. GINWAY, M. E. Ficção *ien*ífica Bra*i*eira: M*tos *u*tu*ais e N*cionalidade no P*í* do Futuro. Cambuci: *evir, 2*05. SANTOS FILHO, J. C.; GAMBO*, S. S. P*squisa Ed*cacio*al: quan*idade-qual*dade. 6. ed. S*o Paulo: Co*tez, 2007. SPIV*K, G. C. Pode o subalterno falar? *elo Hori*on*e: Editoraufm*, 2010. WARREN, K. J. *aking Empirical Data Seriously, An Ecofeminism *hilosophical Perspectiv*. In: ______. Ecofeminism: Women Cul*ure Nature. Bloomingtom e *ndianapolis: I*d*ana Univers*t* *ress, 1997. Cap 1, 3-20. Com* Referen*iar este Artigo, c*n*orm* *BNT: ARAÚ*O, N. S; *IMA, A. O. Um*ra e o Caçador de And*oides: Aproxi*aç*es e* *ma P*r*p*c***a Ecofeminis**. Rev. FS*, T*resina, v.15, n.6, a*t. 11, p. 19*-208, n*v./dez. 2018. C*n*ri**i*ão dos Aut*res N. S. Ara*j* A. *. Lima *) conc*pç*o e pla*ejamen*o. X X 2) **áli*e e interpretação **s *ad**. X 3) elaboraç*o d* ras**nh* *u na revisão crí*ica do conteú*o. * X 4) *arti*ip*ção *a aprovação da v*rsão *inal d* m*n*sc*ito. X X Rev. FS*, Teresina, v. 15, n. 6, art. 11, p. 195-20*, nov./*ez. 2018 www4.fs*net.c*m.br/revista

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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)