Centro Unv*rsitário Santo Agostinho
www*.fsanet.com.*r/revista
Rev. FSA, Tere*i*a, *. *5, n. 5, art. 5, p. 88-111, se*./o*t. 2*18
ISSN Impress*: 1806-6356 *SSN El*trônico: 2317-2983
http://dx.doi.org/10.12819/2*18.15.5.5
* Invenção do Pesquisador em Educ*ç*o: Atores, A*to*es e Pr**icas
The Inven**on of the Res*archer in Ed*cati*n: *ctors, Aut*ors and Pract**es
Mi*iam Pires *orr*a de La*e*da
Dout*ra em Educação pela U*iv*rsidade Federa* ** Rio Grand* do Sul
Professo*a da Unive*sidade FEEV*LE
E-mail: miriam.p.*.la*erda@gmail.com
V*ctor Hugo *ed*l Olivei**
Doutor*do *m Educação p*l* *ontifíc*a Universidade C*t*lica do Ri* Grande do Su*
Mestre em Ensino d* Geo*rafia pela Un*ver*id*de Fe*eral do Ri* Gr*n*e do Sul
Pr*fes*or Colégio de A*licação da Universidade Feder*l do Rio Grande d* S*l
*-m*il: *icto*ned**cap@gmail.com
End*r*ço: Mi*iam Pires C*rrêa de L**e*da
Editor-Chefe: Dr. Tonny *erley *e *lencar
ER* *3*, 275* - Vila Nov*, Novo Hambu**o - RS,
Rodr*gues
93*25-075. Bra*il.
En*ereço: Vic*or Hugo N*del Ol*veira
Art**o recebid* em 31/05/2018. Úl*ima
*e*são
PUCRS - Av. Ipirang*, 6*81 - Part*non, Por** Alegr* -
recebida em 20/06/2018. *prova** em 21/06/2018.
RS, 90619-900. B*asil.
Ava*iado pelo sistema Triple *eview: *e*k Review a)
*elo Edito*-Che*e; * b) Do*ble Blind Rev*ew
(avaliação cega por *ois avali*dor*s *a área).
*evisão: Gramatical, N*rmativa e d* Fo**atação
* Inven*ão do P*s*uisa*or em Educação: Ato*es, A*tores e Prática*
89
RESUMO
Esta pe*q**sa *nscreve-s* entre aquel*s qu* tomam em aná*ise a defin*ção do campo de
pesquisa em Ed*ca*ão. *bjetiva-se analisar um conju*to de a*tig*s que versam sobre o tema.
Pa*a atingir t*l pr*pósito, ut*lizou-se uma investigação de c*nho quali**tivo, que fez uso da
pesquisa bi*l**gr*fica e do **oce*im*n** de ficham*nto de *rtigos r*conhecidos *o *mbito
a*adêmico da pesquisa em ed*c*ç*o. Neste proc*sso, levantaram-*e ** p*i**ipais materi*is e
realizou-se a s*le*ão
pa*ticular *eles, de ma*eira a c*egar
aos dez textos apresentados
nos
r**ultados e discu*sões. As informações
qual*t*tivas
qu* emergira* a*ó* fichamento dos o
textos foram *ubmetid*s * análise de conteúdo *e Bardi* (2*09). Dos temas tratados nos *ez
t*xtos anali*ad*s, como corp*s da anális* da pesq*i*a, t**s gr*n*e* *ategor*as e*e**ira*. São
*l*s: o of*cio d* pesquisad*r; **rmatiz*ção da *esquis*; * o *ampo cient*fico da educação. Os
resul*ados apresentam textos que dialog*m entre si, formando uma estr*tura de leitura dos
artigos relac*onado* à pesquisa em educaçã*, direcion*ndo * leito* p*ra a c*nstrução de
metodolog**s at*vas e refle*ivas na pesqu*sa em educação.
Palavras-chave: Pesquis*. *ducação. Campo Cie*tífico.
ABSTRACT
Thi* resea*ch is among those t*at take into consideration th* defini*ion *f the field of research
*n Educa*ion. The obj*ctive is to *naly*e a se* of art*cles that deal with the *heme. To achieve
thi* pu*pose, a qualit*tive research was us*d, which made *se of the bibli*graphical res*arch
and the proced**e of registra*ion of articl*s recognized in the ac*d*mic sc*p* of research in
educat*on. In this *rocess, the main ma*eri*l* *ere collected a*d the p*ivate sel*ction w*s
made, in order to arriv* at *h* ten *exts pres*nted in the resul*s a*d dis*ussions. The
*ua*itat*ve infor*at*on that emerged **ter the t**ts were submit*e* to the cont*nt a*al**is of
Bardin (2009). *f *he topics dealt with in th* ten texts
an*lyzed, as corp*s of the
r*search
ana*ys*s, th*ee maj*r categories *merge*. These
are: the offic* of
th* re*ear*her;
Standar*izatio* of re*e*rch; And the s*i*nt*f*c fie*d
of educa*ion. The re*ults pr*sent text*
that dialogue with eac* other, form*ng a stru*ture for reading
artic**s related to *esearch *n
education, directing the reader to *onstruct a*tive a** re*lexive method*logies ** *ducat*on
resea*ch.
Keywords: Resea*ch. Ed*c*tion. Ci*n*if*c Fi*ld.
Re*. F*A, Teresina PI, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-111, s*t./out. 2018
www4.**anet.com.br/revis*a
M. P. C. Lacerd*, V. H. N. *livei**
9*
1 INTRODUÇ*O
Pesquis*r a educação é pe*qu*sar a vida...
Muito há o que se d*zer *uando o *ssunto é a pe*quisa em ed**ação. Nã* há dúvid*s
de qu* os pesquisadores deste campo, a*ravés ** seus trabal*os, dem*n***a* o *uão a*p*o e
sig*ificativo é *esq*is** em educaçã*. Mas, em algum momento, pode-se que*ti*na*: como
vem se discutindo, acade*icamente, a p*squisa em educação em *e*po* con*emporâneo*?
Pe*qui*a**res como Roman*w*ki e Ens (2006), Gatti (20*7) e Cachapuz (2008) já i*fe*i*am
e afi*mar*m sobre a n**es*i*ade de pens*r, *om especificidad* - mas *****m abert*s
à
interdisciplinari*ade - o campo de pesquisa em educação.
O pr**cipal obje**v* desta p*squisa f*i r*uni* u* *rupo d* a*tigos c**ntíficos
r*lacionados ao tema da *etodologi* *a p*s*uis* em educação/ciênc*as sociai*/ciên*ias
humanas
*, * partir dest* inventário, *laborar di*cus*õe* q*e f*mentem a leitur*
*
i*terpretação d*s **ferido* docu*ent*s em edu*ação.
**r*ebe-se, no re**nte mo**nto em que vive a pesq*isa, que *ui*os materi*is são
publicad*s diariame*te, principa*m*nt* no s*ntido de *ontr*buir com o ava**o
**
invest*gação nos
campos s*praci*ado*, mas também
*omo fo*m*
de **mpri* a métrica
estabeleci*a pe*os campos aval*a*ivo* de di**rentes ins*ituiç**s, seg**ndo dife*e*te* p*drões.
O que se propôs *om esta pesquisa **i, *ntão, *ev*nta* as *rincipais d*sc*ss*es no c*mpo **
*ducação, *ara que se p*des*e construir e organizar uma linha de ideias, as q*ais p*ssam
servir de referência pa*a os estudos no campo.
2 *ETODOLOGIA
Este arti*o result* de uma investigaç*o d* *unho qu*l*tativ*, que fez *so da pes*ui*a
*i*liog*áfica. Sa*e-se *u* "a pes*uisa bibliográf*ca é feita a par*ir do **vant**e*to d*
*eferên*i*s teóri*as já analisadas, * pu*lic*da* por m*io* escritos e eletrônicos, como liv*os,
a**i*os científicos, *á*inas de we* *ites. " (FONSECA, 200*, p. 32). Para est* estudo, adotou-
s* *omo cri*ér*o *ara s*leção d* te*t*s que co*puseram o corpus d* anális*, *queles
**teri*is que, a nos*o *ulgamen*o, são repre*entativo*
da* metodolo*ias de pe*quis* m*i*
frequen*emente uti*izad*s em Educação.
Sabe-se, que exist*m diferente* fo*mas *e es*udar um te*to cie*tífi*o, e uma delas é o
fichamento. Fichar
u* t*xto não é apen*s resumi-lo, nem ap*nas su**inha* ou destacar as
R*v. FS*, Teres**a, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-11*, set./*ut. 2018
**w4.fsanet.co*.br/revista
* Invenção do Pe*q*isador em Ed*caç*o: **ores, Aut*res e Práticas
91
p*incipais i*eias, *am*ouc* apenas disse*tar **bre * assunto. O ato de *ichar u* text* reque*
a**nção contínua durante os diferentes proce*sos que pr*cedem e q*e dão *ontinuid*d* ao
e*tudo, a sab*r:
a) esco*ha * cura**ria *os textos: o p*imei*o e **ndame*t*l ponto co*st*tuiu-se do
processo de
escolha e curadoria dos **x*os. Há uma d*v*rsid*de de materiais dis*oníveis na
ár*a de
e*u*açã*, *o *ue se refere aos **la*ionados a* *e*a d* p*squisa n*ste *a*po.
R*aliz*r, assim, a *urado*ia destes materiais é, *e fato, pinçar o *ue espec*ficamente po*e
tornar-s* interes*ante ao* *esquisadores d* áre* de educaçã*.
Como resultado d*ste movimen*o, fora* *elecionados os seguintes textos:
Quadro 1 - Textos que co**titu*m o c*rpu* de análise
Textos seleciona*os
GAN*, Herbert.Amnesia sociológica: la "noc*mul*ci*n" de *a ci*ncia soc*al normal. Apunte
* *e Inv***igació* del CECYP.Cen**o d* Estudios en *ultura y Pol*tica.
Año X,
2006,
N° *1, Bs. As
MARRADI, A*berto; ARCH*NTI, N*lida; PIOVANI, J*an. El dise*o de
*nvestigaci*n. In:______. Metodo*ogía de las Cien*ias Soci*les. *uenos Aires, Emecé, 20*7
, p. 71-85.
*AV**NI, *ayme. Ca*ac*erísticas do *rob*ema de pesquisa. In:
______. E**stemologia Prática, *ns*no e conhecimento cient*fico. C*xias do
S*l: E*UCS, 2013.
CHARL*T, B*rnard. A pesquisa educacional en*re con*eci*e*tos, p**ítica* e *rá*icas:
especi**cidades e desafios de *ma *rea de saber. Revista B*a*ileira de Educação, v. 1*, *.3*,
j*n./abr. 2006.
**TTI, Be*nardete Angel*na. *mplicaç*es e perspe*tiva* da pesquisa educacional no
Brasil contemporâneo. Cade*no* de Pe*quisa, *.1*3, p. 6581, j*lh*/2001.
PLAISANCE, Ér*c: VERGN**D, Gérard. A pesqui*a *m Educ*ção: Ciência o* Ciências.
I*: ______. As Ciê*cias da E*ucação. São Paulo: L*yol*, 2*01
*OURDIEU, Pie*r*. La práct*ca de la Sociología Re*lexiva (Seminario de Par*s). I*:
BOU*DI*U, Pierre; WA*QUANT, Loï*. Una i*vitación a la
sociolo*ía r*flexiva. Traducció*: Ar*el Dilon. B*en*s Aires: Siglo XXI, 2005
RAMO* ZINCK*, Claudio. Cómo investigan los soció*ogos chilenos *n *os *lbores del siglo
*XI: *aradigma* y h*rramientas de* ofic**. P**sona y Sociedad, XIX (3), 2005, p. 8* 119.
Rev. FSA, Tere*ina PI, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-111, set./out. *01* www4.fsa*et.com.br/revista
M. P. C. Lacerda, V. H. N. *liveir*
92
A*MEIDA, M**ili* Lemos de. *n*lise de *ad*s na *esquisa qu*litati*a:
*es*fio* ao
pensamento cr*ativo. Arxius de *iències Socials, n.31, p.1431*4, *ez. 2*14.
WRIG*TMI*LS, C. A*éndice. S*bre arte*a*ía intelectual. In: La imaginació*
so*i*lóg*ca. Fondo de Cult*ra Económica, *éx*c*, 19*1. pp *06-2**
Or*anização: *s au*ores (2018).
b) leitura *lutuante dos textos: pro**sso já des*rito por Moros*ni (2***, p. 112),
qua*do *rata do tema da cons*rução d* estado do c*nhe*ime*to * as ques*ões e*pecíficas do
camp* científico. Realiza* o
que se *hama d* leitura flutuante do *exto fazer "passar de
é
o
olhos" *obre o mes*o, de maneira a ver s* ele se propõe *u nã* par* a co*posição do **rpus
da pesqui*a.
c) leitura em profundid*de aos text**: fei*a a
leitu*a flutuant* e p*ocedid* a seleç*o
dos textos, passa-se * leitura atenta *os mes*o*. *qu* est* um do*
*ontos cruciais p*ra
o
**tendimento e posterior elaboração d*s materiais de cons*ituição do f*chamento d* pesquisa.
d) el*b*ração do m*pa me**al com *s *rinci*ais ideias do texto: após * l*i**** aten*a
dos textos - e em alg*ns caso* du*ante a leitura - elab*rou-s* o *apa mental com
as
princip*is *deias de*cr**as n* material, de maneira a pr*duzi* r*flexão sobre os escri*os. O
ma*a men*al e sua elab*r*çã* *á for*m de*critos por Buzan (2005), como forma de org*niza*
ideias e, a par*ir des*a organização, **tr*turar conceit*s.
e) escrita do fi*hamento: de posse do mapa men*al
do **xto trabalhado e das
discuss*e* sob*e ele, r*aliza-se a escrita do fic*amento. Pr*curou-se estabelec** a limitaçã*
de, no máximo, duas laudas para cada
tex*o, bem como de que o referido *aterial pudesse
consti*uir-se como core da leit*ra, ou s*ja, que trouxe*s* p*** o le*tor * alma daq*ilo que se
leu.
f) análise de conteúdo dos fichament*s: a* informações qualitat*va* que emergiram
após o fichame**o dos te**** f*ram su*m*tid*s à análise de **nteúdo de *ardin (2*09), num
p*oc*sso dinâmico d* constante confronto
en*re teo*ia * conteúdo que eme*ge a part*r *as
est*atégias seleci*nadas para essa pesquisa, o que origin* nova* conc*pções *,
con*equentemen*e, novos f*co* de interesse.
g) revis*o da escrita: por fim, reali*ou-s* * revisão - nec*ssá*ia - de *ua*q*e* esc*i*a,
no sentido d* corrigir peq**nos eq*ívo**s de
escrita *u conceit*ais, de maneira a *eixar,
a*sim, o t*xto limpo e claro ao leitor.
R*v. **A, Teresin*, v. 15, n. 5, *rt. 5, p. 88-1*1, set./*u*. 2018
www4.fsanet.com.br/revis*a
A ***enção do Pesquisado* em Educação: Atores, A*t*res e Prá*icas
93
*odos o* a**ig*s passar*m pelas *ete etapas de*crit** *nterio*mente. A realização
*estes mo*imentos consti*ui-se o *r**esso de construç*o do fi*h*mento como proc*diment*
científi*o.
3 ANÁLISE E DISCU*SÕES
3.1 Análise dos Textos: m*teriais em educação e suas r*flexões...
Depois *e reali*adas as *tap*s descritas co*o
"a" e "b" *a *etodolo*ia da presente
pesqui*a, *lencar*m-se d*z t*xtos para a reali*ação das etapas pos*erior*s. Os text*s p*ssuem
identidade próp*ia, entre*anto, * q*e se quis *om tal *ele*ão foi apontar certa co*t*ra *obre os
pe*same*tos
ce*trais
estes, apresentand*-se *s resultado* q*e seg*em. Tais *es*lta*os
estão
numerados *e acordo com ordem *stabelecida p*los pesquisador*s formando, des*a *aneira,
um guia p*ra a leitura. *s re*erências d*s tex**s encontram-se nas referê*cias bibli*gráfi**s,
ao f*nal do artigo.
T*xto 1: Amnesia s*ciológica: la "nocumulación" de la c*encia social (GA*S, 2006).
A ciência social - e aqui se inclui a educa**o ne**e grande campo - não é cum*la**va,
co*o é anunciado no texto. Não se repetem resultados já anunciados
por pe*qu*s*dor*s
anteriores. A*g* que parec* óbv*o, em uma perspectiva de que estudo* na área de
humanidades, não são *studo* n* á*ea médica/c*ín*ca, por exemplo, onde *iversos tes**s com
os m*s*os produto* são f**tos para determinar *e*ultados. O que se quer, com a *esq*isa na
área das ciências so*iais *
justam*nte pro*or novas reflexões, mesmo que sobre um tema
semelhante: a escola, por exe*plo.
Parece-nos que o* trabal*os *e pós-g*a**aç*o fo*mam parte de um campo especial
den*ro
do*
trabalhos *e pe*qu*s*: uma dissertação de mestrado *ão n*c*ss*ta,
ob**ga*oriamente, de *raze* *lgo de n*vo; já uma *es* neces*ita, ao menos, ser um tijo*o (**
um cimento) na gra*de p*rede do cam*o de conhecimento a que o t*ab*lh* se propõe. Com a
licença *oética da *etáfora da "*arede do conhecimento" - o que nos *arec* ser be* ver*ade
- justific*-*e a neces*ida*e de um bom leva*tamento biblio*ráfico e cons*rução d* um estad*
*a arte sól*do, para que não se esc*eva m*is *o *esmo.
*m t*ma importante a se* reflet**o é so*re a tem**ralidade de um t*ab*lho (*an*o um
t*xto *ido *u outro pr*duz*do pelo pesqui*ado*). Um texto se tor*a c*ássico tanto pe*a tradiçã*
Rev. FSA, Teres*n* PI, v. 15, n. 5, art. 5, p. *8-111, set./out. 2018 ww*4.fsan*t.com.br/revista
*. P. C. Lacerda, V. H. N. Olive**a
94
do c*mpo d* *onhecimen*o par* o qu*l se
de*ica e, de man*ira *spe*ial, pela sua
atempor*l*dad* do m**mo, na *ed*da e* que se torn* uti*izáve* *or dif*rentes gera*ões de
*esqu*s**ores, muitas
veze* **m que *stes reco**eçam a data *e publicação do tex*o que
t*nd* s*do escr*t* *á 50 anos, r*presenta *ma realida*e tão atual e viva como se tive*se sid*
escrito n** últim*s s*manas.
"Esquecer" as p*squi*as e p*blicações an*er*ores? Não nos parec* um artifício que s*
*eva
recorrer, ao esc*ever nos*as pes*uisas. A co*strução do esta*o do conhecimen**
da
pesquisa a s*r rea*i**da n*o *p**as p*eco***a conhecer o que j* fora publicado sobre o t**a
específico de *esquisa, como *ambém ent*nder e m*lhor delimi*ar o que se vai pesquisar, p*ra
a construç** do problema da pesquis*.
Neste sentido, cria-se uma *emó**a colet*va sobre diferentes *emas, construída pelas
p*squisas. Aqui su*ge u* alerta: * produtividade *i**tífica e pro*issional requerida h*je pela
academia em geral e, principalmente, como m*t*dos avaliativo* meritocráti**s. *ue *m
pes**isador deve publicar *eu* resultados de pesquisa, is*o nos *arece óbvio! * que est*a*ha
é a grande quantidade
reque*id* como meio ava*ia*i*o de perma*ência/acesso/**oluçã* *e
*esquisadore*/professores em seus empr*g*s, pr*grama*
*e pós-graduação, afiliações de
p*squ*sa. Vem *e obs*rvand*, *e* sombra de dúvidas, que muitas pesquisa* q*e não estã* em
um e*t*do de mad*r*z mínima c*meçam a ser p*blicadas *nicament* para cumprir protoco*os
n****icos e mé*ricos, e pouco *e re*le*e sobre a qualidade de*tes tr**alhos. O que não
queremos, e já s*bemos, é que as pesquisas e**rem nes*e rol.
De **n*i*a prática, a di*cussão d* texto *e*mi*a *om o ques**onamento: "dever*a s*
fazer al*o"? Sim, sem dúvidas. O inicial, já *e fa*: discu*i* es*as ideias e, a part*r *elas, pensa*
em propostas ** soluçã* ou conti***dade para o te*a **s pe**uis*s em educação. Cri*r b*ses
de dados,
*omo apontado, é *ma sugestão inicial impor**nte par* e*ita* o r*petitivismo
acadêmico e, alé* de tudo, facilitar a busca por dad*s *os pesqui*adores.
Tex*o 2: El diseño de *a investiga**ón. (MARRADI, 2007).
*ecisão. Esta, prov*ve*ment*, trata-se da palavra central do *e*to referido acima. Há
que
se
tomar
decis*es
imp*rtantes
quand*
d*
*esenho
de
um
pr*je*o
de
pe**u*sa/invest*gação. Al*umas carac*erísti**s es*e*íficas
do des*nho *e u*a investigação
col**am-se à frente do pe*quisador e há que *e pensar, refl*tir e in*er*gir com este* elem*ntos
fundamenta*s.
R*v. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-*11, set./o*t. 2018 www4.fsanet.com.br/revista
A Invenção do *es*ui*ador em Educação: Atores, Autores e Práticas
*5
Uma citaç*o impor**nte a ser trazida do texto é: "*ão * possível uma a*i*idad* de
*nvestiga*ão não d*senhada" (p. 73), o* s*ja, é preci** elab*rar o desen*o da pesqui*a, * aqui
s* ent*nde justamente o *esenho não *omo uma obra *rtí*tica exclusivamente, mas no sentido
de ha*er u* planejamento exequível para a pesquisa com* um todo e, t*m*ém, para c*d*
etapa, re*peitando as p*rticulari**des de ca*a *ma.
As *ategorias de *esenho estru*urado e d*senho emergente ilustram e*te processo: o
prim*iro *on*igura-se no desenho d* antemã*, no *ue *e p*epara e organiza anteriorme*t* à
p*squisa e* si. O segundo, do que surg* no d*cor*e* da pesquisa, h*ja *ista que, *o passo **
que s e
es*á *m campo1, sit*ações novas, novos con**itos, novas
i*eias podem sur*ir e, co*
ela*, novas possibilidades par* p*squis*. É di*er: a pesquisa é *rep*rada anterio*mente, **s
nã* f*** fech*da n*l* mesm*.
Algumas das
prime*ras e
i*portantes
decisões a serem tomadas pelo pes*uisa*or:
*onstrução do ob*eto, del*mitaçã* do p*ob*ema, seleção e anális*. Neste *entido é importante
aclarar que tais es*olhas dependem do problema que *e cri* *ara a pesquisa - a discussão do
te*to elucidará melhor esta temática, já que trata espe*ificamente do *roble*a de *esqu**a e
*uas **rticula*idades.
Nã* há dúvidas de que a operacionalização do problema de pesq*isa, ou seja, qu* *s
fun*amentos e prát*cas metodológicas estão vincula*os ao t**a, ao proble*a, bem *omo ao
**senh* da pesquisa como um *odo. Para isto, * conceituação de um problema d* **squisa e a
co**trução do marco teórico da *e*quisa *ão dois e*em*ntos
de cunho técnico qu* vão
do
nível mais abstrato ao mais
*oncreto d* uma p**quisa, formando
*arte
da operacionalização
do tr*balho.
As et*pas de uma pesquisa, *ue já são conhec*da* *elos pesquisa*ores, mas sempre
cabe s*rem tr*zida* à tona: * tema
da pesquisa, o probl*m* de pesquisa, os objeti*os,
a
metodologia, a bibliograf*a... f*rmam parte m*is do qu* uma simples rituali*ad* *u regras
p*át*cas a serem *eguid*s.
Algumas reflexões impor*a*te* do tex*o s*o:
a) as escolh*s que são feitas pa** uma *e*hor organi*açã* do projeto e *xecução da pesquisa:
d*vem *er alinhadas *ntre a* e*apas do projeto de pes*uis* (entre si) e, ao mesmo tempo, estar
*e aco*do *om a temá*ica geral do *exto;
1
Aqui se c*lo*a o s*ntido de ca*po *a *esqu*sa não unicamente os trabalh*s o* inc*rsõe* e* campo, m*s todo
o trab*lho de art*fice da p*s*uisa como u* *odo: leituras, c*nversas, eventos, au*as, entrevi*tas, **critas, etc.
Rev. FSA, Teresi*a PI, v. 15, n. *, *rt. 5, p. 88-11*, s*t./o*t. 2018 w*w*.fsa*et.com.br/revist*
M. P. C. Lacerda, V. H. N. Oliveira
96
b) a context*ali*ação da pesquisa: a pesq***a de*e est*r de acordo com o *e*a e*colhido (o
que parece lógico, mas muitas vezes n*o * é para um número consideráv*l de pesquis*dore*,
com* sabemos pela empiria);
c) o s*cesso *a rea*ização d* pesqu*sa está dir*tam**te re*aciona*o *om * (b*m) dese*ho da
*esqu*sa, ou seja, com o bom plan**ament* - e *ua consequen*e execuç*o.
Não se tem i*eia aqui, co* estes três pontos conclui*tes, em r*cei*ar os sab*res e
f*ze*es na pesq*isa. O que se quer * poder resumir, de mane*ra di*eta e pr*tica, algumas da*
pistas para melhor elabo*ação da **trut*ra e *os textos de pesq**sas.
Texto 3: Características do *roble*a *e pesquisa (PAVIANI, 2013).
**taciência, se*undo a definição do autor, é quando a própria *iência se t**na objeto
de in*es**gação. Neste sent*do, converge-se
*a*a u* ti** de *etac*ênc*a da* ciênci*s em
e**cação, uma *e* qu* nos debruçamo* ao *stu*o da pesquisa *m educação em si, com suas
c*racterísti*as par*iculares e l*s*ros epi*temológicos próp*i*s.
Ao longo do texto, po*e-*e obser*ar um dese*volvimen*o de i**ias * co*cei*o*
*nvolvendo o surgi*ento, a relevância * a importânci* da estr*tura de um p**blema
de
pesquisa. Sabe-se q*e a pe*quis* é a art* de el*borar um bom recort* n* problema
de
i**estigação. *am*nhando nesta *ire*ã*, há q** se con*ordar com o autor quando afirma q*e
"quanto mais *e conh*c* a*go, mais se tem co*diç**s d* perceber lacunas ou problemas", i*to
é, o conhecimen*o não se esvazia ** si mes*o.
Quanto mai* co*hecedores som*s de u*
assunt*, mais dúvidas sur*em *cerca do que já *abem** - e ni*to se faz * ciência: s*ber m**s
so*re o que já se sab* muito.
Delimit** bem
um prob*ema de pesquisa é uma arte que, q*ando b*m-f*ita, j* pode
inici*r a p*oporcionar *ossíveis so*uções para um prob*ema. Não s* quest*on* *obre algo que
não *e s**e, ou s*ja, é preciso en**nder um assun*o e, partindo-se deste p*essup*sto, reco*tá-lo
a ponto *e criar um *roblema n*o antes vist* sobr* o t*ma - aq*i se ins*re, i**alm*n*e, u*a
das cara*ter*sticas de um t*abalho de doutoramento, por excelência.
H* que s* destacar, sem dúvidas, os três p*nto* **opostos
pelo *utor quando
da
formulação de um problema científico: (a) ser um*
pergunta ci*ntíf*ca; (b) s*r *la*o
e
objetivo; (c) p*ssuir viab*lidad* *eóric* e meto*ológ*ca. Neste sentido,
entende-s*, entã*,
o
que já f**a anunciado nestes es*rito*, uma vez que *al
*ecorte - preciso - de um p*oblema
cient*fic* base*do nestas premiss*s *ndica para possíveis *stra*égias da bus*a de uma (ou mai*
*ev. FSA, Teresina, v. 15, n. 5, art. 5, *. *8-11*, set./out. 201* www*.fsanet.c*m.br/revist*
A Invenção do P*s*uisado* em *ducação: Atore*, Aut*re* e *rá*icas
97
de u*a) solução, *ev*ndo-*os a pe*sa* s*bre os pressupostos metodológicos d* um*
*nve*t*gação científic*.
Sobre a te*ática d*s "hipóteses", há que se aclarar que nem sempre p*squisas da área
de h*manidades - e
espec*ficamente *m *duc*ç*o - vão requerê-la* *s me*ma*
par*
o
desenrolar *omp*eto de u** invest**a*ão, já que "o uso das hipóteses depende da natureza do
pr**lema, das te*rias * dos pro*edimentos de c*da projet* de *esq**sa" (p. 35), ou *eja, não
e**aria um trabalho impedido de *lencar hipóteses *ara sua construção. O *ue s* s*gere é qu*
não se amarre neste gatilho me**d*lógic*, o que **de, por vez*s, cer*ear o desenvolv***nt*
de um pr*je*o de pe*quisa, com suas *ique**s e detal*es próprios.
O q*e fi** da l*i*ura, *nterpretação e apropriação dest* tex*o? O *ro*lema de **s**i*a
constitui-se
de *arte elementar e *e***a*, b*m como d* um eixo *e extrema importân*ia
do
projeto *e p*squisa - tanto para a construção d* projeto da pesquisa, *as também para f*t*ra*
pesquisas a s*rem realizadas pe*os pesquisa*ores/a*unos.
Por f**, é importante r*s*alta* das *articular**a*es de um prob*ema de pesq*isa * d*
su* construç**. O respe*to às ind*vi*ualidades de *ada part* é et*pa d* um proje*o de
pesquisa, assim como o *ntrelaçam*nto entre tod*s e*as é o qu* forma um proje*o com c*areza
*e l*it*ra, obj*tividad* *as pontu*ções e múlti*las possibilidades de r*so*uções; en*retan*o, ao
es*olh*r um camin*o me*odológico *ste, *em dú*i*a, di*e**on*rá a i*v**tig*ção para u*
*on*exto apropriado.
Tex*o *: A pesqui** educa*ional **tre conhecimentos, p*líticas e p*áticas. (CHA*LOT,
2006).
Quais s*o as **onteiras da pesquisa em educação? So*os **squisadores em *ducaç*o
ou s obr *
educação? Sã* perguntas básicas que se **l*cam na lei*ura do texto
d* Charlot
(2006), u* texto *tual e que faz todo se*tido pa*a *s pe*quisadores na área de ed*caç*o. o
Um *onto ini*ial n* dis*ussã* do texto se refer* ao um tema espa*ial d*s faculdades *e
*duc*ção: este espa*o é *olocado como po*to de e**o**ro dos interessado* na área de ensino.
N*ste s*ntid*, podemos perceber clar*ment* através das salas de au*a de qualquer fac*l*ade
de educ*ção, *o que a *ons*itui pel*s alunos d*s mais variados cu*sos.
Na graduação, além da* alun*s da pedagogia - aq*i utilizamos o
termo
*o
gênero
fem*n*no, apen*s par* dar ênfa*e ao ce*ário dos curs*s de
ped*gogia, em*ora sabedores de
q*e exi*tem ho*ens neste curso - a*unos de difere**es licenciaturas. *a pós-graduação, as
facu*dade* de e*ucação se enchem com alunos de outros cursos, inclusive, o que as tor*am,
Rev. F*A, Teresi*a *I, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-111, set./o*t. 2*18 www4.*sanet.c*m.br/re*i*ta
M. P. C. L**erda, V. H. N. Oliv*ira
98
dec*a*adament*, espaços de mul*i-cursos, porém, com uma i**iv*du*lidade: todos p**quisam
algo na *rea de e*uca*ão.
Aqui *abe uma crítica aos dias d* hoj*: é nec*s*ário *u* ou*ras áreas do con*ecimento
(engenharia,
med**in*,
arquitet*ra,
po r
*xem*lo)
ditem
conce*tos
e
a*licaçõ*s
ep*stem*lógicas à ár*a d* educação? *ar*ce-nos qu* existem *ixos e*tru*urantes que *mba*am
as *e*rias em educação que dizem resp*ito a esta área. Há que s* esc*arecer, igualm*nte, que o
diálogo
entre as á*ea*
do
conhecimento é imp*rtante e fundament*l, principalmente
*a
*ontemporane*da*e,
na
qual se pr*co*iza a interdi*c*pl*nar*d**e; e*tretan*o, mes*o
com
todos os apontamentos ef*tu*dos pelo a*to*, entende-se que a áre* ** e**caçã* e * pesqui*a
e* educa*ão po*suem sua espe**fi*id**e e, *ssim, deveria *er va*or*zada e *espeitada.
Existem m*itos disc*rsos que rodei*m a área de educaçã*, como apo*tad* no t*xto
analisado. O interessante refleti* aqui que, é
tanto nas áreas acadêm*cas/d* p*squisa, quan*o
nas ár*as de d*cênc*a/escola bá**ca, percebe-se
uma mult*plicidade
dos *iscurso*. É dizer:
nos espaços
*nde se faz educação se encont*am os mai* v*r*ados perfi* de
p*ofis*ionais os
qu*is
vivem e *r*duzem os mais vari*dos discurso*
sobre *eu trabalho, sob*e sua p*sq*i*a
(q*and* *á), **bre militância (*uando realiza), s*bre sua* visões d* e**cação e seu papel na
socie*ade.
Em meio a estes discu*sos do* pr*fissionais da área, há que se pensar - de maneira
macro no que *e *uer com ed*caç*o. De*ta for*a, *on*ordamo* -
com autor, o
quando
apont* uma *ríad* *os saberes * faze*es d* edu*ação: humaniza*ão, socialização
e
"c*l*uração". Ora, o trabalho do pro*essor, sob es*a ótica, n*o * *imple*ment* ensinar, mas
sim faz*r alg* *ara que o ***no aprenda. O *ue t*mos é uma inv*rsão de papéis e val*res do
que, historicament*, se fez em educação.
S* h* necessidade ou não da cri*ção de uma disci*lina *spe*ífica "e*ucação", um dos
te*as trabalhados no texto, nã* *a*e * u* único pesqu*sado* **spon*er. O que s* perceb*ria
aq*i são *s mov*m*nto* que * própria pesquisa
em educação vem r**lizando ao longo
do
tempo, **m suas particularidades, como já destacados anteriorment*. N*o no* parece que
modismos invadem a *rea de pesqu*sa em *ducaç*o e **iam cic*os de int*res*es d*stintos. O
q*e n*s parece aqui é **e a escola e a aca*emia mudam - em alguns aspectos - ao *ongo do
te*po, e aí se
encontram as m*danç*s, ** *inhas e os ciclos
do* interes*es da pes*uisa em
ed*ca*ão.
Por fi*, dest*cam-se as três gr*ndes formas de atividad*s as qu*is, junt*s, f*rm*m a
cat*gori* educa*ão: alunos, profes*ores e polí*i*as. Uma escola apena* *ssim o será se
estas
Rev. FSA, Teresina, v. **, n. 5, a*t. 5, p. 88-111, s*t./o**. 2018 www4.fsa*et.com.b*/*evista
A Invenção do Pesqu*s**or em Educ*ção: Atore*, Autores e P*á*icas
99
três formas se fizerem present*s e atuantes, pois educaçã* vai m*ito além ** *m pré*io físico.
Educação é ação, é fa*er, é mo*imento.
Texto 5: Implicações e perspe*tivas da pesquisa edu*acional ** Brasil contemporân*o.
(GATTI, 200*).
Pe*sar a pesquisa educacional do país de i*p**tantes a*tores e *e**ado*es da
educa*ão, co*o Paulo Freire, por exemplo, nã* se trata
*e t**ef* simpl*s. Não se espanta
o
leitor, igua*mente, ao de**ob*ir que os *rimeiros gran*es
eix*s d* pesquisa *m *ducação
n*
B*a*il foram: um *nfoque psicopedagógi**, pro*essos de ensino e medida* de *prendizag**,
u*a ve* *u* tais *ema* são ba*e *ara a área da educação (e*sino-apren*iza*e*), bem como
a* que p*se os mesmos *rotarem d* maneira
org*ni*a, quando da criação de linha*
de
pesqu**a de pós-gradua*ã* na área de educação no B*asil. Obv**mente que outro* temas
foram surgindo e complement*ndo o camp* da pes**isa. A cri*ção de g*upos *e **abalho,
organiza*ões, i*sti*uiç*es específi*a* p*ra tal fim também co*robor**a* neste processo
de
ampliação do que se pesquisa em ed*cação.
Ao pe*sar
*a dificuldade d* c*iaç**
de *a*egori*s teóricas mais consisten*es, que
pudessem ir além da utili*ação d* categori*s ** u*il*z*d*s por outras áreas do con**cim*nto,
pe*cebe-se q*e há, nitida*ente, um *alto q*alitativo par* a pesquisa em educação, vi*to que
ca*egori*s próprias de anál*se poderiam a*arcar *e*hor a
d*nsi***e e complexida*e das a
quest*es educaci*nais em si. Este fato n*o repele, *bviamen*e, a utilização de c*tegorias
de
outras área* do s*ber. Bem sabem*s que *xistem ár*as *ai* pr*ximas da educação: filosofi*,
sociol*gia, psicol*gia, polí*ica, entre ou*ras. A questã* não é utilizar-se de con*eitos próprios
*e out*os, mas sim c*iar uma ident*dade p*ópri* para a área ** educa*ão em si.
No t*cante ao *em* *a pergu*ta de pes*uisa e do f*to de esta não se* *e grande
densidade, c**o coloca a autora, há que se destac*r do i*ediati*mo em res*onder p*rg**tas
qu* solucionem - d* m*ne*ra **ase imediata - os probl*ma* atuais d* realida*e educaci*nal.
Neste *entido, na sequência, já é apontado que o mes*o proble** pode ser encontra*o
e* diferente* países, a*ém do Br*sil. O *ue fica
claro é q*e o p**fess*r-pe*qu*sado*, *u
o
"professor que pesq**sa" 2, tem ânsia em resolv*r tais sit*açõe* *m uma *ocieda** na q*al a
2
Parte-se do princípio **e a profissão doc*nte *equ*r es*ar em constante pesquisa para o apri*oramento
p**agógico. O qu* quer s* *ef*ri* **ui é ao prof*sso* que, para além de sua* f*nções docentes, real**a a p*squi**
de cun*o acadê*i*o (mestrado, doutorado, por ex**plo).
*ev. FSA, Teresina PI, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-11*, *et./*ut. *018 ww*4.fsa*e*.co*.*r/revista
*. P. C. *ace*da, V. H. N. *li*eira
100
e*e*gênci* da so*ução para seus **oblemas s*ja rápida e *mediata, qu*ndo bem sabem*s que
os *roblemas da ed*ca*ão n*cessitam de amadureci*ento para qu* *ossam ser reso***dos e,
em tempos muit* atuais, n*o sejam resolv**os via Med*d* P*o*isória, *e* amplo d*b*te
e
co*sult* a quem, de fato, ente*de d* *ducaç*o: os professo*es.
Há que se destacar, por fim, a r*levância do impacto soc*al *a pesquisa em educaç*o.
Ao pens** que a **ucação (e suas *udanças) i*pli*a diret*mente na soci*dad*, não h* *u*to
que di*cut*r. O gr*nde tensionam*nto seria então: que a mudança *e qu*r que * educaç*o
realize na soc*edade? Ou a*nda: qu* educação p*ra qual soc**da*e?
*este *entido, o t*x*o é f*nali*ado com a *h*mada:
"H* um p*pel social para
a
consi*tência m*todológica?" (p. 55). Res*onder-se-i*: S*m! Mesmo sabendo-s* *ue h*
pes*uisas que i*ter*ssem a *eterminados gru*os e possuem baixo rigor metodo*ógico, busca-
se o en*endimento de
que a rigorosidade no método dá a aut*rida*e que pe*quisa busca
r*co*hecer. Há que se prev*r, com s*riedade, um rigor metod**ógic* que alcance as e*truturas
soci*i* com
as q*ais a educação
lid*. Há q*e se constituir um* estrut*ra de
pesquisa em
educação que prec*nize o discer***ento do ri*or a*adêmico, dad*s as diversas realid*d** nas
qua*s se re**iza a pes*uisa em ed*caçã*.
*ext* 6: A pesqui*a e* *ducação: ciência ou ci*ncia*. (PLAISANCE, 2001).
O ques*ionamen*o inici*l já *oloca
o interlocuto* *m
a*itude de expectativa pela
continuidade do texto, uma vez que prop*e a discussão a*erca de se a pesquisa em *ducação
tr*tar-se de
"ciênci*"
ou
"c*ên*ias".3 Isto po*to, há que se destacar da necessidade do
entendi*ento da composição do campo "pesqui** em
educação". Pa** ist*,
*á q*e s e
rec*nhecer a diversi*ad* das a**rd*gens cient*ficas do **mpo d* edu*a*ã*:
m ui * o s * pode
p*sq*i*ar em e*ucação, tornando-a um
grande campo *e pesquisa c*m as sua* subáreas
e
d*visões ne*essárias para que uma pesqui*a p*ssa se enquadr*r em *omo *m* pe**uisa na o*
so*re educaç*o.
Acred*ta-se que * educação pos*ui uma un*cidade, m*s*o
em se tratan*o de um
terreno m*ltipl* *
diverso. Ta* unicid*de - que ajuda na formação
do *b*e*o de est*do
-
encont*a-se justamente na p**ri*iscip*in*r*dade interna do c*mp*. Ou sej*, *m um p*im*iro
mom*nto pode
par*cer **go ambíguo ou até m*smo contradi*ório, *as a **ucação enco*tra
3
Tal *i*cu*são é amp*am*n*e traba*hada no t*xto de C*arl*t (2006), q*ando aborda a discussão do que ser*a o
o*jeto de pes*uisa *a á*e* de educ*ç*o.
R*v. FSA, *eresi*a, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-111, set./out. 2018
www4.fsanet.com.br/revista
A I*v*nção d* Pesquis*dor em Educa*ão: Atore*, Autores e Práticas
101
seu obj**o de est*do just*mente na co***s*ção múl*ipla de suas *mplas *ubáreas de pes*uisa
e atu*ção.
Há pesquisas
que s* dedicam a *e*as de gestão escolar, dado* quantitat*vos d*
aprovação (avaliações de *arga *sca*a), s*ciologia da educação, relação professor-a*uno,
prát**as *edagógicas... a lis*a é con*ideravelm*nte gr*n*e. O que se destaca, ne*te se*tido, é a
h*tero*ene*dade das pesqu**as e* ed*caç*o, fato *ue to*na * cam*o ric* e consideravelmente
**l um os o.
No que se refer* ao tem* da pr*dução univ**sitária *e te*e* *e dou*oramento, *á *u*
*e dest*car o **co d* ref*rência
dos traba*hos avali*dos: a pr*t*ca soci*l, em *articul*r
*edagógica. E* *m amplo es*e*tr*, as p*squisas em educação dizem so*r* a s*ci*dade. H* a
velha m*xim*: "a escola produz a *ociedad* ou a soci*dade produz a *scol*?". An*lise-se
bem: escol*, a
em certo ponto, é f**mad* como
uma micro-sociedade, re*le** de su*eitos,
hierarquia, espaço *eog**fico, normatizaçõ*s, etc. Por outra po*ta, é na escola q*e as relaçõ*s
soci*is são **rmadas4 e* sua gama de açõe*, rea*ões e cons*quê**ias. **o há como dissocia*
escola * soc*edade, ne*ta rel*ç*o amalg****a pelos "metais" *a escola*izaç*o, * proces**
educa*ional oc*rre em sua igual plenitude.
Não é o pesquisa*or quem *eci*e o
**m*nho da escola/educa*ã* para os próximos
anos. Todavia, é o pesquisador que abre portas para nova* leit*r*s *e escol* * d* educaçã*, de
*co*d* c*m suas pesq*isas. Neste sentido, o conjunto de pesquisadores e* educaç*o *ossui
responsabilidad*s inerentes a* pro**s*o de pesqui*a em *ducação e esc**ariz*ç*o. O fazer da
pesqu**a *m *duca*ão, sem dúvidas, est* diret*mente vincul*do a* fazer pe*agógic* de sala
de a*la: seja *ela rela*ão social ou pedagógica quene*e se d*.
Analisa-se, po* f**, a busc* do ideal da ciênc*a educaciona*: seja transpor
barreiras
*mpo*tas por ela mesma *u pe*a s*ciedade *u, ainda, a criaçã* de uma cul*ur*, na q*al
a
educa*ão *on*iga manter-se íntegra, n*ces*ária * à marge* d*ste ou daquele governo. Que *
educaçã* e a *ua pe*q*isa tenham a lib*rdade de i* e vir pelos cam*nhos *a sociedade, em
const*nte transform*ção!
4
Afinal, *á matrí*ulas de alunos co* meses d* idad* em escol*s e *rech*s e tais vivên***s se dão até o* 17 ano*,
para qu*m a conclui *m idade regular.
Rev. F*A, Ter*sina **, v. 15, n. 5, art. *, p. 88-1*1, set./out. 2018
www4.fsane*.com.*r/revista
*. P. *. Lacer*a, V. H. *. O*iv*ira
10*
Texto 7: La prácti*a *e la Sociología Re*lexiv*. (BOURDIEU, 2005).
Parece ou*adi* escrever *arafr*seando *ourdieu5, i*portante *utor de tã* vasta e
magní*ica obra. De imediato, há que s* destaca* so*re a necessár*a fala de que a a*resentação
de uma pesquisa se trata de um discur*o no qual o pesquisador se e*põe e
corre riscos, na
medi*a em
que pode ser arguido p*r avaliadores * n*o construir *a**ocínios fundamentai*
para a el*boração imediat* d* sua **sposta. T*l fa*o é funda*ental para o
entend*mento das
múl*ip*as p**sib*l*d*d** *e atuação do p**quisa*o* quando da divu*gação d* seu t*abalho de
p*s*ui**, j* que "o Homo *cademicu* g*s*a do a*abad*" (p. 7*).
Ensin*r um ofí*io de**rmi*a uma pedagogia qu* *ã* é, d* *orma alguma, * qu*
com**na **m ensino de sabe*es. Sociedade* s*m e*crit* ou *orm*tização do sabe* poss*em
sab*r*s *ig*ntescos. Nes*e sentido, pode-se afirmar que *s sa*eres emanam do *otid*ano, da
vida, das práticas e vivênc*as. A pe*quisa nã* tr*ta de uma atitude isola*a, m*s está inserida,
port*nto, em um espa*o social.
Há, sem dúvida, u*a preoc*p*ção com o objeto de pe*quisa, quando *e *ensa *o
direcioname*to de to** uma m*vi*entação m*to*ológ*c* e de *m f*co
de análise em
*e*er**nado cam** do c**hecimento. A pe*quisa, en*ão, **o se rev*ste de *m rigo*ismo, mas
sim de prever rigorosidade da pesquisa/ciência.
Qua*do *e pr***e a dis*ussão da pesquisa s*c**lógi*a, *ã* se apre*ent* a pesqui*a na
área da sociologia pu*a *m *i, m*s sim das op*ões da etnografia e da **sto*i*ação *os ob*etos
de *studo, *or exemplo. A reflexão, sobr* a* etapas *a pes*uisa é apre*ent*da c*mo p*nto
fundamen*al, *as o *esquisad*r també* de*e se dar conta d* sua condição pa*a a realizaçã*
*a pesquisa: cl*sse,
gênero, estruturas pessoais em geral. Isto posto, **estiona-se ainda
de
como ser*a pos*ív*l um dista*ciamento do pes*uisador em r*lação ao obje*o, dando conta
destas
condiçõ*s pré-exi*tent*s? A tarefa seria negoci*r com esta orde* *ue já está *ost*,
*em como ter * *uidado de não vir a n*gar uma orde* exis*ente.
*ode-s* referir,
nest*
c*m*nho *a pe*quisa em educa*ão, que *s investig*ções
trabalh*r-se-iam *om problemas
so*iais (d* *ducação), que podem ser faci**en*e
ident*fi*ados p*la mídia, ou até mesmo n*s mais diversos cotidia*os d*cent*s, nas ci*ades, na
vida social. Na ver*ad*, o *u* se preconiza é que estes problemas p*dem s*r *rabalha*os na
*
Pierre Bourdieu, sem *úvidas, * um dos mais important*s *en**dores qu* marcaram o sé*ulo XX, com vasta
o**a produzida e uma c**s*rução filosófico-acadêmica da teoria *o construt*vismo estrutu*alista, além de v*ri*s
escritos *elacion*dos ao *ampo da E*u**ção (*ascimento: 1930. Fa*eci*ento: 2002).
Rev. FS*, *eresina, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-111, *et./o**. *018 ww*4.*sanet.com.br/revist*
A Inve*ção do *esquisador em Educação: Atores, Autores e Práticas
103
pesquisa; no enta**o, tal problema dev* p*ssar por um* conversão para *ue *e to*ne *m
problema s*ciológic* e, então, po*er ser disc*tido *cademicamente.
*om a complexidade da realidade social, não s* po*e im*ginar utilizar-se *pen** de
u* enfoque de pes*uisa, *eja ele quantit*tivo o* qualitativo. É nos posto* *ue o m*ndo é t*o
complex* e, dad* esta
co*plexidade, necessita-se **arcar *odas as possibilida*es/opçõ*s
met*dológi*as disponíveis para a construção *e uma pesquisa.
Por fim, h* que *e des*acar a atua*idade *a obra de Bourdieu tan*o no que se refere **
que***es de cunho acadêmico6, quanto no que s* refere às ques*ões de cunh* soci*lógico7.
Vive-se em t*mpos nos *uais o prod*t*vis*o des*nfreado e a burocr*ti*ação t*m tomado
conta dos cor*edores * das pr*ti*as nos *mbientes unive*s*tário*. Oxalá is*o mude!
*exto 8: Cómo inv*stigan l** soc*ólogos chilenos em lo* albores del sigl* XXI.
(RAMOS
**NCKE, *005).
A ar** de p*squ*sar sobre a **squisa *ientífi** const*tui po* *i só impor*ante parte do
*rocesso d* inve**igação, no qu*l *á *e pod* com*ilar, verificar, est*dar e conceituar s*bre o
que já está *endo
pesquisado ou, ainda, para
onde s e
dirige * p*squisa científica
de
d*t*rminado campo. Neste sentido, a
constr*ção d* "e**ado *o *o*he*im*nt*" de uma
pesquisa ou mes*o *o a*dame*to das pesquisas em um campo do conheci*en*o ajuda
o
pesquisador na tarefa da d*limitaç** de áreas de es**do, na criaç*o *e categ*rias de pes*uis*
e no direcio*amento g*ral d* *uas ações m*todol*gicas.
Ao *ensa* "co*o pes*uisa" *eterminad* grupo de **squis*dores, se est* elabo*a*do
importante mapea*en*o dos tr*balho* produzidos p*l*s pares e, desta fo**a, c*n*truind* um
*ú*ero cons*derável de questiona*entos para os pr**i*os t**b*lho*. A estr*tura do **xto
estudado compreend*: introdução, m*rc* teórico, estado
do conheci*ento, meto*ol*gia,
resulta*os * dis*ussões. *al est*utura - básica element*r pa*a um *rabalh* cien*ífico e
-
pos*ibil**a ao le*tor dar-*e cont* da es*r*tura de pe*qu*sa - mais *omplex* - estabelecida por
detrás das
pouco m*i* de **n*e pági*as de um *rtigo cie*tífico, por exemplo. Quando este
exercíc*o é feito, pod*-s* c*mpr*ender que *ma pesqu**a tem um tamanho considerável e *ue
6
O refe*id* autor tra*ou em sua obra das q*es*õ*s p*óprias da ci*nc** e *o campo científ*co, alarga*do
discus*ões sobre a prática *o *esquisa**r e a *elevân*ia soc*al *a **squi*a, por exemplo.
7 Obviament* *ue a *rodução de Bourdieu *e*tr* do campo a*adêmico es*á *ntrinsecamente ligada a *m cunho
*ocial de raiz forte, entretanto há q*e dest*car a produção na área de *o*iol*gia, de maneira g*ral.
Rev. FSA, Teresi*a PI, v. 15, n. 5, *rt. 5, p. 88-**1, set./out. 201* www4.*sa*et.com.br/revist*
M. P. C. Lacerda, V. H. N. Oli*e*ra
104
*s produtos - artigos - são p*quenos espa*os para demonstr*r *u*tos outr** tantos resu*tados
encontrados.
Um *ópico import*nte, *ue mere*e destaq*e para pes*uis*dor*s * o da cri*çã* de
catego*ias de pesqui*a. Pa*a além de cum*ri* a rigosi*a*e - e
*or vezes a t*adição -
aca*ê*ica, a criação de categori*s de pe*qui*a ou c*tegorias de análise po**i*ilita
a
confecção de *m* es*ru*ura de conceitos que *lim*ntam e dão base à pesquisa: *o*ma um eixo
estru*u*ante q*e norteia8 o processo
de investigaçã*. A
criaç*o de *ategorias pode estar
p**s**te, *esta forma, em diferent** parte* de um* pesqui*a, por *xemp*o: (a) co*strução d*
estado da arte *a pesquisa: é necessário cr*a* categorias para a s*leção do corpus da an*lise e
a*gumas *ateg*ri*s, provav*lm*n*e, brotarão *a a*á*ise dos te*t*s * pesquisas
encontrados;
(b) elab*ração ** marco
te*rico: ao organizar **t* elemento ** p*sq*isa, a criação de
catego*ia* se a*resenta como *o**a *undamental **ra esta*e*ecer coerência coesã* na e
escrita desta seç*o d* um* investi*aç*o; e (c) *nális* d*s dados: a*ui pr*vavelmente, a part*
que mais *e u*ilize da cria*ão *e categ*rias, mas n*ste pon*o, categ*ria* de análise, ou seja, a
cria*ão de clas*es que emerg*m como organizaç*o dos re*u**ados de *oda uma aplic***o
m*to*ológica da pes*uis*.
Po* fim, considera-se como *nteressante a conce*ção do pesquis*do* como artíf*ce. O
artífice * o trabalhado*-ar*esão que produ* al*um arte**t* manual. O pesquisador, *a solidã*9
da *e**uisa, produz - manualmente10 - o p*oce*so *e investig*ção. É evidente que t*l
trabalho requer t*mpo, atenção e dedicaçã* redobrados e o cuidado
*ar* que * produto não
caia no senso
co*um, nem em equívocos vistos no *ampo de pesquisa **
educação
na
atu***dade.
8
Nortear: dar direção, sentido, ru*o. Há vezes que preferimos utilizar o ve*bo "sulear" - não exi*tente na lín*ua
*ort*guesa gramat*cal, mas totalmente c*rregado de um s**tido g*o**lítico, no sen**d* de **o estar adequado a*
modelo de referên*i* no m*ndo (*o*te: de*envolvimento, rumo, s*n*ido; s*l: s*bde*envolvim*nto, atraso).
9 *esmo que se*a com o apoio e guia d* um o*ientador, o *rabalh* de pesquisa a*rese*t*-se como algo sol*tári*,
uma vez que, em grande parte d*s *omentos, o que se ap*esenta é apenas o p*squisa*or e sua p****is*.
10 Mes** que a* interv*nções digit*is estejam cada *ez *a*s pres*ntes *o *rabalh* de pesq*i*a, apres*nta-se o
t*rm* "manu*lm*nte", no se*tido de *esignar que * pesquisado* * o *rtes*o da própria pe*qu*s*.
Rev. F*A, Tere**na, v. 15, n. 5, ar*. 5, p. 88-111, *et./*ut. 2018 www4.f*a*et.*o*.br/revi*ta
A I*ve*ção do Pes*uisador em Ed**a***: Atore*, Autores * P***icas
105
Texto *: Análise de dado* na pesquisa qu*lita*iva: de*afios a* pensamen*o *r*ati*o.
(*LMEI**, 2014).
Cer*a fe*ta um jovem pes**isador do *ampo da educação fez a seguinte ref*exão: qual
seria a melhor forma d* c*letar e, posteriormente, *na**sar dados de u*a *esquisa envolvendo
sujeitos-alunos? Se fosse ao início da tr*jetória em p*s*uisa, possiv**mente a* anál*s**
quantitativas
se*iam exe*radas, alega*d*-se q*e as mesm*s p*uco contribuiri*m
pa*a
**s*uss*** *ais profundas. *m *utro momento, exa*tar-se-iam as anál*se* quali*a*ivas,
pelo
mesmo m*tivo. Atualme*te,
**de-se dizer que amb*s as formas de *nálise são
co*plementares e, a*licando-se a velh* máxima: "nem ta*to ao *é*, nem ta*to ao infer*o", o
bom senso e a rea*idade do que se **sq*isa s*o palavras de ord*m.
Ao pensar qualitativ**ente os d*dos de u*a pesqu*sa, faz-se necessário, sem dú*idas,
enten*er *s conexões entre *s dad*s da investigação e o probl*m* de ***quisa p*ra, as*im,
verificar os lim*te* e possibili*a*es de análise para tal feit*.
Neste sen*id*, *á q*e *e recordar da im*o*tâ*c*a de construir um projeto de pesquis*,
o qual este*a rigoro**mente estru*ura*o, ou se*a, que p*ssua estrutura e conteúdo *ompatí*ei*
com o que se
busca co*hecer e
que siga a* normas/padrões exigidos *ela academia. Assim
sendo, a el*b*ração do projeto de *e*qu*sa con*titui-se de habilidade fu*dante para a anális*
q*alit*t*va dos dados de *nálise.
A*alisar * discu*s* ou a narrativa, *or *x*mplo, *equer atenção e*pec*al para algu*s
ponto* q*e podem
*or*ar-*e frágeis, s* n*o obse*v*d*s cui*ados*mente: (*) há qu*
se
entender o di*curs* con*extuali*ado *m seu t*mpo e *spa**; (b) há
que se p*r*eber
o
interlocutor em s*us aspectos s**iocultur*is; (c) há que s* de*inir uma linha *e *náli*e ún*ca e
precisa; (d) h* que se cons*r*ir e bu*car **drõ*s de discurso; e por fim (e) há q** se verifi*a*
al*ernâncias d*screpância* da* f**as. Obv*amen*e que o elencad* são pistas para análise e
in*cial do d*scurso ou das narrativas, por exem*lo. O *ue fica claro desd* o iníc** é
qu * *s
pistas apontadas são pontos *e con*ato entre o pesquisado* e *eu materia* de an*li*e.
Um pont* i*portante a* qu*l ser*a int*r**sante **rnecer especial ate*ção, *o que
se
refere à *nálise qualitativa d*s dados da pesquisa * o olhar. A ob*erva*ão, a *escr*ção,
a
con*empla*ão, a *arr*tiva da obser*ação **o pre*ios*s instrum*nto* *ara análise dos dados
q*alitativo*, pri*cipal*ent* q*an*o se tratam d* pesquisas *o âmbi*o das c*ências humanas e
Rev. F*A, Te*esina PI, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-11*, se*./out. 2*18
*ww4.fsa*et.com.*r/re*is**
M. P. C. Lacerda, V. H. N. Oliveira
1*6
soci*i*. N*ste sentido, * Sociologia do Coti*iano11 fo*nece excel*ntes o**ões pa*a o ex*rcício
d* ob*ervação * do olh*r. A ***a cotid*ana é
u* terreno ond* se vive a experiência
*ntrop*lógica
do
ol*ar, de uma vad*agem do olhar
que, só com sensib*lid*de teórica,
conse*ue captar o *ue se ocult* no que é visív*l.
Por fim, outra *uest*o import*nte, quando se fala da a*áli*e dos dad*s qualitativos,
poderia ser a questão
*o silêncio. Em muitos c**os *s p*squi*adores se deparam
com
o
silêncio *e seus e*t*evistados. *
escuta do silêncio
coloca * d*safio de o saber interpretar.
Hoj* exi*tem *ofisti*ados pacot*s de sof*ware ** apoio à análise qu*litati*a, porém es*arram
num *m*as** quando **o c*amad*s a inter*retar o silêncio, pois s*o *ncapaz*s de descobrir o
sig*ificado que soa
no silêncio de q*al*uer palavra. Portanto,
escutar * silêncio e sab*r
interpret*-lo *ambém * tarefa do pesquisador do co*idia*o e d* bom *esquisador *ue procura
realizar análises em p*ofund*dade d* seus ac*a*os de *esquisa.
Texto 10: *obr* *rte*anía *ntelectual. (*RI*HT M*LLS, 1961).
Fazer ciê*cia é pratica*
um *fício. Não há *úvi*as q*e a
afirmação anterior t*ata da
*ais pur* r*al*dade, quando o pesquisador *e enc*n*ra c*m f*zer diá*io e c*tidiano o
da
pe*quisa, seja a
pesquisa em qu** campo
**r. M*is int*riormente, no campo das ciências
humana* e soci*is, * pesquisa * um ofício - mes*o não com*artilha*d* do* sí*bolos
clássico* da ciên**a, como os la*orat**ios e tubos de ens*i*, por ex**plo - pois o pesq*isador
rea*iza *iferent*s estratégias para lograr êxit* em seu trabalho: pe*quis* bibl**gr*fica,
**tr*vistas, questio*ários, observa*ões, me*gu*hos etnog**fi*os, etc.
*e*te *ami*ho da pesquisa, o artesão-pesquisador vai, i*ualmente, *onsti*uin*o-se
en*ua*to artífice. E * por isso *ue a vida do pesquisa*or, em mui*os casos, é * que *á base
par* ge*ar mote de suas pesquis*s. Certa feita, em uma au*a d* metodolo*ia da pesquisa, o
uma prof*ssor* afirm*u: "nós **squisamos, *uitas vezes, aquilo
q*e nós s *m os , ou
aquilo
que nós *ão **mos ou aind* aquilo que
nó* gostaríamos d*
*er sido". H* que se
conc*rdar
que, de alguma forma, mesmo que da f*rma mai* longínqua possíve*, a pe*quisa at*avessa o
pesquisa*or em a*gum momen*o de sua vid*.
O *ue form* p*rte d* *rtesanato intelect*a*? Em uma socied*de acadêmica re*let* d*
parâ*etros de prod*tividade el*ncad*s pelas agênc*as de *omento * pesquisa, o cenário pelo
11 Dos auto*e* q*e se dedi*am
ao *e*a ** Soc*olo**a do C*tidiano, a**i se destaca Jos* Mach*do Pais, e sua
p*incipal obra sobre o te*a: Sociologia da Vida *uotidiana. *efer*ncia: PAIS, José. Machado. So*io*ogia *a
**da Quot*di**a: T*orias, Métodos e Estud*s d* Caso. Lisboa: *mprensa de Ciências So*i**s, 2002.
Rev. FS*, Ter*s*na, v. 15, n. 5, art. 5, p. 88-*11, se*./out. 201* www4.fsa*et.com.br/rev*sta
A Invenção d* P*s**isa*o* em Ed*cação: Ator*s, Au*ores * Práti*as
107
q*a* a perg*n*a p*de se* respondida é um tanto d*solador. A prod*ção inter*ináve* de ar*igos
e capí*ulos de l*vr*,
**r exemplo, é *arte *nte*r*nte do arte*a**to intelectua*?
Tan*encialmente sim. *as parece
que a construção da pesqu*sa e da ide***da*e
do
pesqui*ador v*i para muito alé* *a quantif*cação re*ue*ida
nos r*lató*io* d* produ**vidade
a*adêmi*a. *ealizar *ma o*ra de arte req*er *empo,
discipl*n*,
o*ganização, persistência,
resil*ênc*a, ét*c*, etc. Para a pesquis* não é difere*te, visto *ue a construçã* d* m*sma
*
tar*f* á*dua, porém prazerosa pa*a quem, ** f*t*, gosta ** *ue faz.
P*ra além da empir** do cotidia**, a p**q*isa e a arte de rea*izá-la ne**ssitam
de
d**erminada cre*ibilida*e a
qual fornece os apoios de *o*fiança do q*e se produz,
p*incip*lmente *m
*ermos *e resu*tados. *ortanto, o pesqu*sador p*ssui o de*e* é*ico
de
emb**a* sua* c*n**usõ** em
dados científi**s es*uadri*hados atrav*s d* sua* fo**es
de
pesquisa gar*ntindo, assi*, a busc* pela constituição da ciência e d* seu ca**o de pe*qui*a
cada vez ma*s p*urais e éticos.
Empregar de m*neira correta o tempo n* pesq*isa, *gual*ent* constitu*-se
de
impor*ante passo par* a b*a construção do "artesão da pe*quisa". *es*e sentido, a elaboraç*o
de
um
cronograma exequí*el e *lexível - *uando necess**io - item indispensável **ra é
a
rea*izaçã* das etap*s d* pesquisa **ntro
do período d* temp* *ecessário para seu
d*senvolvimento.
Out*o ponto impo***nte, quando se trata *a *edação do t*xto de pesquisa * ter cl*ro:
para quem s* está escrevendo, d* qu* for*a se está escr*vendo, d* *ual posição se escreve e
para qual posição *e dirige a *sc**ta. Estes pontos são f*ndamentai* para a *scol*a, por
exemp*o, dos t*rmos * serem escritos na redação fin*l da *e*quisa, po* exemplo.
Por fim, há que se des*acar que uma pe*quisa difici*mente *ncerra*-se-* ** si mesma.
Nota-se que, em muitos casos, as cons*deraç*es f*nais o* concl*sões de trab*lhos acadêmicos
de qualquer nível (trab*lhos de c*nclu*ão de curs*, d**sertações de mestra*o, teses
de
do*torado, arti*os **bl*cado* *m r*vista*, textos em ana*s de cong*essos, etc.) *brem o p*nto
de vi s t a do
leito*
para out*a* indagações *ão
p*n*adas quando do início da **nst*tuição
do
tra*al*o. *u seja, o trabalho científi*o
que s* estabelece a
par**r de
uma per*unta,
dese*volv*-se,
conc*ui-se e, ao mesmo te*po, deixa o leitor com
vontade de aprend**
e
busc*r mais sobre o a*sunto: aí está um* *o*ma interessante de fazer ciência.
Rev. *SA, Te*esina PI, v. 15, n. 5, a*t. 5, *. 88-*11, *et./out. 2018
w*w4.fsane*.co*.*r/revista
M. P. C. Lacerd*, *. H. N. *l*veir*
108
3.2 Categorias analítica*: o *ue em*rgiu d* fichament* dos tex*os
*oncluída * etapa de fichamento dos *ext*s fez-se necessário categoriza* o* achados.
Para tanto *tili*ou-s* a *nál*se de conteúdo, conforme *ns*na Ba*din
(20*9). Dos t*mas
*ra*ados n** d*z te*tos analisados, co*o co*pus da anál*se da p*esent* pesquisa, três grandes
categorias e*ergi*am. S** elas: (a) o *ficio do pesqu*sador; (b) a n*rmat*zação da pesquis*; e
(c) o *ampo científic* *a educação.
a) * ofício d* pesquisador: está claro que a identi**de do pesquisador *e constit*i no
decorrer do traba*ho
*e pesquis*. Com
um p*ofes**r acontece a *esma c*isa. Não se pode
*fi*m** que
no *xat* momento e* q** barrete é im***to o
sobr* a cabeça d* um formando
acontece uma espécie de mágica e a pr*fissão está constituída. Obvia**nte *ue *o item legal
i*to ocorre, uma vez que se configurou a diplo*ação. Ocorre que, em se tratan*o das questões
de *dentidade, estas se constroem e se forma* na práti*a, dura*te o exerc*c** d*s ativid*de*
de
pe*quisa, *o caso, *u*tan*o
acert*s, erros, tentativas his*órias prof*s*ionais. Quando, e
ent*o, es*aria forma*a a identi*ade do p*squisad*r? Ao conclu*r seus es*ud*s
d*
d*ut*ramento? E*tende-se q*e se t*a*a de
pro*ess* em mo*imento, ou **ja, justa*ente no
co*idiano que tal identidade de con*titui, se ref*rça e *e comple*enta.
b) Da normatização *a p**quisa: a*ui
há *ois sub*tens
a serem es*ecialmen*e
destaca*os. O primeir* diz respeito à* no*mas e regras *o proce*so
de
pes**isa, *u seja,
da
*igo*osidade acadêm*ca
*ue
d*ve s***i* * pesquis*do*. Tal atitude garante mai*
do
*ue
apenas a *onfiabilidade
nos resu*tados da
p*squisa, mas c*nserva a tradição acadêmica
-
me*m* q*e **ta possa ser alterada ao l*ngo do *empo - e tamb*m garante a seg*rança *e o
que *oi p*squi*ado conter uma ló*ica de todo o processo. O segundo ponto diz respeito à
normatização * à *u*ntificaç*o da produtivida*e do pes*u*sad*r. Não é novid*de - e já fora
igual*ente destacada no t*xt* - *u* as e*igê*cias p*las quais passam os in*esti*adores nos
mais difer*ntes *spa*os de pesquisa n* Bra*il * em outras tantas diferentes partes *o *undo,
impõem, muita* ve*es u*a ló*ica produti*ista qu* acaba p*r comprom*ter * *ua*idade do *ue
é pr*d*zi*o e, tantas **tra* *ezes, uma replicaçã* *ouco modificada *o *ue já foi
apresentado. Há *ue encon*r*r outros méto**s de ava*i*ção d* pr*d*tivid*d* que preconizem
a qu*lidad* em detr**ento da quantidad* na pe*quisa.
c) Do ca*po científico *sp*cí*ico da educaçã*: a partir d*s discussões es*abe*ecid**,
pa***e-no*
que * es*ecifi*idade
e*i*te*o*ógica do camp* da educação deve ser defendid*
pelos p*ópri*s pesquisado*es do *am*o, m*smo os *r*pri** sendo *e dif*ren*es á*eas, co*o
igualment* já
explicitado no de*o*rer do texto. Qua**o se aborda a *emática do cam*o
*e
Rev. FSA, Teresina, v. 15, *. 5, art. 5, p. 88-111, *et./out. 2*18
www4.fsanet.com.br/revista
A I*vençã* do P*squi*ador em Educação: At*res, Autores e Prática*
109
pesquisa em/n*
educação há *u* se e*tender s*b qu*is
conceit*s e circunstâ*ci*s tais
pesquisadores trabalham: o*se*vação ** escolas, análise *urricular,
en*rev*sta com
prof*ssores, **stores, estudante*, etc. Há uma demanda *spe*íf*ca ** *ampo a qual,
igualmente, reforça tal *dent*dade.
* CONSIDE*A*ÕES FINAIS
4.1 p*r ma*s es*rito* d* pes*u***...
Apesar de s* tratar d* um *ecorte da totali*a** dos textos *ue evide*ci*m quão
amplo é pesquisar o *ampo da educação, poi* toma*os em **nsidera*ão a*enas dez des*es, *s
análises reve*am que os au***es, ao colocarem *m pauta sua* vivênci** com* pesquisadores,
a**iram *ria* a*
condi**** de
possibilidade que possam vir a fa*orecer * alar*a*ento dos
h*rizontes no que t*nge à pe*quisa em educação.
É preciso refletir que, p*r* *s *esquisadore* em forma*ão, fa**am-lhes * exper*ência
e, ao alarga* * (re) conh*c*m*nto das viv*ncias (suas e dos *olegas), p*dem tran*formar-se.
Pod*m rev*si*ar o planejamento ** suas *nv*stigações, * diálogo ince*sante *ntre teoria
*
prática, reconstruindo e ressignificando os sabe**s.
E*pera-se que as discussõ*s estab*lecidas ao *o*go da pesq*isa, bem como as
c*te*o*ias *ue
eme*giram nas anális*s p*ssa* contribuir co* o debate que já vem
sen**
realizad* pelos est*diosos ac**ca da invest*gação em ed*cação, *arantindo a
c*rteza de
que
ta* tarefa venha colaborar para n* constr**ão de um cam*o científ*co *om suas características
própria*, seus mét**os d* pesq*isa, cujos princí*io* de func*onam*nto sejam do*inados por
*eus participantes.
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Como *eferenciar es*e Ar*igo, *onforme ABNT:
LAC*RDA, M. P; OLIVEI*A, V. *. *. A Invenção do P*squisador e* Educ*ção: *tor*s, A*t*res e
*ráti*as. Rev. FSA, Teresin*, v.15, *.5, art. 5, *. 88-1**, se*./out. 2018.
Contribu*ção *os Aut*res
M. P. C. Lacerda
V. H. N. Ol*v*ira
1) concep*ão e *lanejame*to.
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2) aná*ise e i*terpret*ção *os dad*s.
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3) elaboração do ra*cunho ou na r***são c*ítica do conteúdo.
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*) *ar*icipação *a *provação *a ve*são final do *anusc*ito.
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Rev. *SA, **resina PI, v. 1*, n. 5, art. 5, p. 8*-*11, s**./out. 20*8
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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)