www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 14, n. 1, art. 1*, p. 245-264, jan./fev. 2017 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2017.14.1.12 A Experiência do Espaço No*deste P*dro II: Reconhecimento, Usufruto * V*lorizaçã* do *atrim**io Cultural Th* *xperience o* Espaço Nord*ste P*d*o II: Recog*ition, Enjoym**t and *alorizat*on o* the Cu*t*ral Her*tage Douglas Brandã* de *elo Mestrado em ***e, Patrimô*io e Museologia *ela Unive*sidade Fede*al do Piauí Gradu*çã* em Geografia pe*a Univers*da*e Estadu** do Piau* Em*il: douglasb*@o**look.com *vanilda Teixeir* d* Amaral Me*trado em Art*, Patrimônio e Muse*log*a pela Univer*ida*e F*dera* do Piauí G*ad*a*ão em Bach*rel*do Em Ciências *ociais pela Universidade Fede*al do Piauí Prof*s*o*a *a S*cret*ria ** Educação do Esta*o *o Pia*í Email: iva*ildaama**l@*utlook.com Rita de Cássi* Moura *a*valho Dou**r*do e* Belas Ar*es pela Fac**dade de B*las Art*s pela Uni*ersi*ade de Lis*oa Email: *assia.*oura@gmai*.*om Endere*o: Douglas Bran*ão d* M*lo Editor Científic*: T*nny Ker*ey de Al**car Ro*rigues Endereço: Rua D, *orada ** Universidade nº116, Parn*íba PI. CE*: 64200-200. Artigo recebid* em 13/1*/2*16. Última *ersão End*reç*: I*ani*da Teixeira d* Amaral recebida em 06/*1/2016. Apr*vad* e* 07/11/2*16. Endereço: Rua irmã* Pereira, 90*/Ce**ro - Pedr* II PI C*P: 6425*-0*0. End*reço: Rita de Cássi* Mou*a Carvalho Ende*eço: University o* L**bo*, Faculdad* de Belas Art*s. La*go da Academ*a Nacional *e Belas Artes Coração de Jesu*12*90*8 - lisboa, - Portugal. Avaliado p*lo sis*ema *riple Review: Desk Review a) *elo Editor-*hef*; e b) Double *lind Review (avaliação cega po* dois aval**dores da área). Revisão: Gramati*a*, *or*ativa e d* *orm*ta*ã*
*. B. Melo, I. T. A*aral, R. *. M. Carval*o 246 RESUMO * p*esente *rtigo apresenta as vivên*i*s *o Espaço Nor*este Pedro II - Pi*u* *o*o **lítica de inc*ntivo ao reconhec*me*to, us*fruto e v*lorizaçã* do patr*mônio. Sua criação foi possível atravé* *e acordo de parc*ria firmado entre instit*i*ões e com*nidade. Fu*c*o*ou regularmente de 2009 a 2014, *tuando n*s *ertentes: social, cul*ural e d* n*gócios. Nesse período man*eve *ma program*çã* com evento* culturais, *ções so*i*is **ra p*p*l**ão do mu*icí*i*, *est*can*o-*e as o*icin*s de formaç*o **tístic*, de edu*ação pa**i*onial e fór*ns de educação ambiental * patrimonial. A vivência profissio*al dos autores possibilito*, através da interlocução com comu*itári*s, pesquisadores, educ*dores e ar*ist*s, assi* c*mo a u*ilização da pesquisa d**ume*tal, observ*ção particip*nte, entrevistas e vídeos institucion**s, mensurar result*dos que justificam a *mport*ncia desse empree*dimento para a cidade. Propõe-s* divulg*r co*o um equipamento cultu*al assu*e papel pre*onderante *o pro*esso *e perc*pção do patrimônio e da* intervenções cult*ra*s que dialoga* com as ciências soci*is, educação *atrimonial e a* políticas púb*icas. Palavras chav**: Patrimônio. A*te. Equipamen*o Cultural. Política P*b*ica. AB*T*ACT This article pres*nts the ex*eriences in Espaç* Nor*e**e Pedro II - Piauí *s ince*tive poli*y recog*ition, enjoyment and va*or*z*tio* of the her*tage. Its creatio* wa* made *ossible thr*ug* the p*rtnersh*p a*reement signed **tween in**itutions and t*e *ommunity. W*rke* re**larly from 2009 t* 2*14 focusing on the aspect*: social, cult*ral and busin*ss. In thi* period kep* a s*hed*le wit* cultural eve*ts, soc*al activities for p*pula*io* of t*e city, highl*ghting *he ar*i*tic trainin* w*rk*h*ps, he*itage edu*ation and *nviron*ental and *atrimonial education *orums. The p*ofessio*al experience of the au**ors made it p*ssible, t*rough dialogue with the community, r*searchers, *ducat**s a*d artists, as we*l as the *** of doc*mentary *esearch, particip*nt ob*e*vation, *n*er*iew* and i*s*itutional videos, measuring res*lts that justi** the importance o* this projec* for *he cit*. *r*poses to di*close how * cultural equip*en* assumes importance in the *roc*ss of pe*ception of h*ritage and **ltural *nterven*ions t*at dialogue with the social sci*nces, e**cation and p*blic p*l***. K*y*ords: *e*itage. *rt. Cultural *qui*me**. Public Pol*cy. Rev. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 12, *. 24*-26*, jan./fev. 2017 www4.fsanet.com.b*/revista A Ex*eriência do Espaço No*d*st* Ped*o II 247 1 IN*RO*UÇÃ* A **racterização *o *spaço Nordeste, como *endo um instrumento *e p*l*tica pú*lic* de incent**o à *r*dução cult*r*l considerando o p*tri***** como al*cerce desse processo, i*stiga-nos a avaliar os sentidos e signi**cados de su* *t*ação no *unicípi* de *edr* I* - *I. Aval*a* o alcan** de seus obj*tivos diagnosticar, o* até mesmo d**in*a* os e *aminhos da mudanç* que favor*çam a *ualidade e a **mocratizaç*o do acesso a *anifestaç*es a*tí*t*ca*, foram objetivo* *o*teadores dest* a**igo. Alg*mas e*per*ências *onst**u*m-se excele**es opo**unidades para discu*são e re*le*ão sobre t*máticas especí*icas, revis*tar conceit*s *ir*tri*es, além d* atua*izar o debate * *c**ca de di*erentes concepçõ*s sobr* pat*imônio. Par*iu-se d* c*mp**ensã* de que o patrimônio é, p*r na*ureza, dinâmic*, u* pro*esso ** constante *voluç**. É o re**ltado, ma*e*ia* e *material, da ativida*e criadora contí**a * conj*nt* do h*me* e da naturez* (FO*SE*A, 2009; *ARI**, *013). O hom*m comparti*ha c*m seus iguais e com o meio ambiente o seu patrimô*io pr*vado e coletivo, seja ele uma p*opriedade, uma paisag*m, memórias, tradições * saberes, *eja a fauna, a flora, *el**o, cacho*i*as e mi*érios, p*r exempl*. Es*e *a*rimô*io trans*iti*o *e ger*ção em é geração o *ue, segundo Var*ne (20**, p.27), "s**n*fic* *ue seus *e*deiros *evem administrá- *o: c*nse*va* no se*ti*o físico do termo não é suficient*. É pr**i*o fazê-lo viver, p*o*uzir, tran**ormar-se, para per*anecer útil". *s mudanças prov**adas pe*o a*e*so a n*vas tec*ol*g*as e ser*iços têm trazido d*safios **ra gest** do a p*trimônio c*l*ural em s*u sentido m*is amplo. N*s ú*timas déc*das, orga*izaç*e* e *esquisa*ores vêm te*tand* estabelecer objetivos para u* a gestão bem-*uc*did*, dev*do à ampli*ção do *once*to dos bens considerados patrimôn*o. *lguns requis*tos como, identif*cação, **oteç*o, conservação, a*res*ntaçã* * transmissão às fu*ura* geraçõ** tornaram-se, *ada vez mai*, complexos, em r*z*o das mudanç*s co*t**porânea*. Baseado nesses pr*ncípios, o p*esen*e a*tig* visa registr*r as **per*ências vivenci*das no E*paço *ordes*e **dro II e propõe o início de uma memória colet*va sobre o* process*s e re*ultados a*c*nça*os, como um *xercíc*o d* refl**ão s*bre uma inte*venç*o d* *econh*c*mento das *de*tidades culturais locais. Ele surgiu a partir ** c*nvênio de *a*ceri* firmado entre o Ban*o do Nordeste - *NB, In*t*tut* *o*deste Cidadani* *NE*, a Loja - Maç**i*a n.*, a *refeitu*a Mu*i*ipa* de Pe*ro II e a F*ndaçã* Cultural Grande Pedr* II/Ponto de Cul*ura Educ*rte. Rev. FSA, Te*esina PI, v. *4, n. 1, art. 1*, p. 245-26*, *an./fev. 2017 www4.*san*t.com.br/rev*sta D. B. Melo, I. T. Ama*al, R. C. M. Carva*ho 248 * *spaço Nordeste é um programa institucional coordenad* *elo B*nco *o No*deste, que conta com parceria* estra*égicas, visando à administração des*nvo*vi*ent* e de *tividad*s socioculturai* * de ne***ios, a fi* de atender, pr**ri*ariamente à* comunidade* dos municípios *as áreas abrang*das pelo pr*jeto. *om isso, espera*a-se a redu*ão d*s índices de *xclusão so*ial, cultural e a*pliação *a co*ertura bancária na R*gião No*de**e. I*augura*o e* Pedro II, no di* 11 d* junho de 2009, como p**jeto piloto, a implan*aç*o nesta cidade foi estra*égica, *ois o mun*cí*io possuía pot*nc*alidades que possibilitaram es*e proc*sso, *o*o ONG* *ue rea*i*av*m atividade* *fins, diversidade cul*ur*l e deficiência na red* b*ncária. Em comum acord* *s*a*elecido e**res os *ntes citados a*im*, as ações *ram destin*das à* comunidades em geral do município de Pedro II (PI), com ênf*se *m edu*andos * e*ucadore*, lí*eres comunitário*, artist* * turistas. Vê-se qu* a *ature*a da interven*ão tem regr*s e val*res próp*ios que comungam e *e re*a*io*am com os pre*e*tos do di*eito à cultura e dos no*os agentes do patrimôni* e p*lít*ca* públicas, a*unciados *or No*ueira: É um processo em *ue i*dígenas, negros, cul*ur*s tradici*na*s e diversas associações a*igos d*s museus, ONGs e mais recentemente o* chamados "pont*s *e c*ltura" e "pontos de *em*ria" têm co*tr*buído notadam*nte p**a * *mpliação do campo do patrim*nio cultural, se*a como objeto de estudo, seja com* po*sibilid*de de intervenção e/ou reconheci*ento da* ide*tidade* *ult*rais (NOG*E*RA, 2011, *.38*). O Es*aço foi um e*uipame*t* cu*tur*l1 com de recurso* e subsídios téc*icos que estimularam, junt*m*nte *om outr*s eq*ipam*ntos e po*íticas d* i*centivo à cultura, o apareciment* de *e*soa*, grupos e artist*s que realiza*am *t*vi*ade* cul**ra*s diversa*, as q*ais promoveram o in*entivo à prática cultur** de usufru*o do patrimôni*, com* ** compone*te *alioso de educação *ara o fo*talecimen*o da *den*id*de. Func*onou *egularmente de 20*9 até 2014, tendo apre*entado *ma int*ressante dinâmica co* a comunidade pedro-segunden*e. Ali, ocor*eram lançamentos *e livros, fóru*s, se*iná*ios, *xposições **tísticas, apre*entações teatrais de gr*pos piauie**es, s*ows musi*ais de arti*ta* locais, *xibiçõ*s semanais de filmes *dultos e infant*s e rea*i**çã* de "o*icin** de arte e identid*de", m**iadas por mestres e detentores de sab*res e fazeres da cul*ura local, 1 S*b o aspecto *a macrodinâm*c* cultural, *or eq**pamen*o *ultur*l entendem-se tanto edif*c*ç*** *esti*adas a
práticas cul*urais (t*at*os, cinemas, bibliot*cas, c*n*ros de cultura, filmoteca*, mu*eus) quan*o g**pos *e produtores culturais *brig*d*s ou não, fisicamente, n*ma edi*icaç*o ou institu*ç*o (o**uest*as s*nfônicas, corais, corpos de baile, compa*hias *stáveis, etc.). N*ma dim*nsão mais rest**ta, *quipamentos c*lturais são tod*s os aparelhos ou objetos qu* torn** operacional um espaço cultu*a* (ref*etore*, projetores, molduras, li*ros, pintu*as, filmes, etc.) (COELH*, *004, p.165). Re*. FSA, Teresina, v. 14, n. 1, art. 12, p. 245-264, jan./*ev. 2017 www4.fsanet.com.br/r*vista
A Experiência do E*paço Nordeste Pedro II *49 ten*o sido releva*t* o ***olv*men*o da popu*ação nas oficinas de arte santeira, tecelagem, cer*mi*a artesanal, xilogravu*a, a*tesanato com fibras desidra**das, art** **s*ais, ar*e*ana*o orgânico, de**nho com gr*fite, en*re outr*s. T*das essas açõe* foram ofertadas gratui*ament* e o*jetivaram repro*ução e o f*r*aleci*ento de a sabere*, ofícios e formas de expressões repre*enta*ivas *a cult*ra l*cal, assim co*o uma pro*oc*ção para a salvaguar*a ativa do patrimônio. A va*ied**e de manifes*açõ*s cul*ur*i* q*e sa*r*m da marginal*dade e ganhar** visib*lid**e foram emba*ados pela* várias dimensõ*s nas qu*is os b*ns culturais - materiais, ima*e**ais - foram *e inte*rando à r*alid*d* através dos eventos. As exper*ên***s e exemplos citados *ostram que é possíve* s*ir da teo*ia e ir p*ra a pr*t**a, o* vice e ve*sa. Cons*iente ou não d* ampl***de das d*mensões da ação, o qu* se fez fo* um exercício de *alvag*a**a, uma ação educat*va pat*i*onial, no sentid* prátic* informal *e um equipamento c*ltural que e organizava eve*tos e espaços, para que as man*festações e tra*ições a*ontece*sem * se reproduzis*em. A o*o*tunidad* de as pessoas convive*e* com esp*ços c*lt*rais e obras de ar*e, conscientes de qu* esses *ugares m*te*ializam um direito dos *idadãos, * um de*a*io na atu*lidad*. As r*flexões expostas nest* a*ti*o são fund*ment*das em *xperiências de aprendiz*ge* com vivênci*s *ócio-*rofiss*on*is e *omunitárias e são a*resentadas como m*canismos de re*resentação da me*ória coletiva * d* identidade cul*ural de uma p*pul*ção. Foi um l*gar c**az de produzir informaçõ*s viabiliz*doras ** nova* ações; assim se*do, não possuiu *m fim em si mesmo, mas constituiu-se *m um meio para va*orizar diversidade a local. Com este artigo, al**ja-s* *ontribuir para o debat* em **rno d*s relações entre patrimônio, arte, equipamento cultural e políticas *úb*i*as. O *exto foi const*u*do com bas* na e*periência prática imediata e med*ado pela interlocução cultur*l, dial*g*c* e dialogal *om * lugar. Apresenta fa*os, é analíti**, simples * d*scursivo, m*s não **tá acabado. Trata-se d* i*tervenção de um equipame*to s*ciocultural para reconhe*imen*o das id*ntidad*s culturais locais e serve de embasamento à pesquisa e a projetos futu*os, a exemplo das boa* prátic*s d* produ*ã* *ul*ura* em parcerias mediadas pela arte e *dent*dade. 2 REFE*ENC*AL *E*RICO A noção moderna de patri*ôni* a*re*enta-* *om* mecanismo de *epre**ntação *a memóri* co*etiva *e um povo. Vê-se que na evo*u**o do conceito, a pa*tir *e um proces*o Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. *, ar*. 12, *. 245-264, jan./fev. 2017 www*.fsanet.co*.br/revista *. B. Melo, I. T. Amaral, R. C. M. Carvalho 25* crít*co soc*al e *olítico, ress**ta e dest*ca a *imensão sócio *ducativa. Assim, *atrimônio, me*ória e p*vo estão **ma inter-r*lação orgânica, na qu*l a ed*ca*ã* patr*mo*ial é o principal f*o condu**r. A pa*tir do m**ento em que o pov* pa*sa a *br*nger *ári*s ma*rizes étn*cas * culturais e fo*mam *s populações c*m s*us processos cu*turais de *onstrução do* l*gares e territ*rios através de seu* saber*s e fazeres iden*ificadores, a repres**tativi*ade d**ses sujeit*s his*óri*os pre*isa ser amp*iad* e tr*balhada (GONÇALVES, 2*0*). A pe*spe**iva d* um* res*ignificaç*o do *oncei** de pat*imônio, agor* não ma*s res*l**nte de um olhar ho***enei*ador, mas d* *luralidad* cultural e étnica d*s suje*to* d*s terri*ó**os. Esse ol*ar recent* se traduz n* concepção de educação patri*onial *omo ativi**de res*on*ável pela conscien*izaç*o do p*vo acerca da i*po*tância de seus ben* culturais. A parti* *essa conscientiza*ão - proce*so pel* qual a cul*ura é trabalhad* como fator iden**tário, como bem *etal*a **ulo* (2*1*), *s vá*ios ***os de museus; casa* e pontos de cultura e de m**ória; espaços cu*turais; progr*mas e polí*icas cu*turais, assi* como demais equipamento* culturais es**cíficos passam a assum*r o papel de construtores *os e**aços da *emória local e nacio*al, cada vez mais próximo *as várias dimen*ões *m que os *ens culturais - m*t**iais, imater*ais e naturais - são apr*sentados como Hugues de Varine (2013) nos esclarec* q*anto às diferen*es formas e fu**õ*s q*e o te**o possa assumir em seu *ro*esso de evolução e aos ensi*amen*os que a próp*ia dinâ*i*a da comunidade oferece. Halbw*ch* (1990), no livro "* Me*ó*ia Coleti*a" reflete que ** objet** m*teriais, com o* quais estamos em contato *i*ria*ente, n** oferecem uma imagem de permanê*cia * estab*lida*e que n** t*az um "equilíbrio mental" (1990, p.91). Esse e*t*ndimento *õe o pa*r*mônio cu*t*ral numa p*sição estra*égica e es*encial pa*a a estabilidade da no* s a h****idade. Po*lot (2012) cont*ibu* co* o pensamento, ao afirm*r que o **trimônio, que se tornou símbo*o de elo social, está hoje e* *oda par*e, da mob**i*a*ão dos corpos *olítico* à inst*t*iç*o *ultural. **sse modo, o patri*ôn*o reperc*te em todas as dimensões soci*is, t*rnand*-s* um *lemento decisiv* n* desenvolv*mento local. J* *e sabe q*e a ident***de cultural a*t**ede * *emó*ia social e que es*a, p*r sua vez sof*e domínio ideo*ógico dos grupos a quem é at**buída a *u*ção *e c*nstrução da história oficia*. "As imagens habituais do mundo ex*e*ior são in*eparáveis, *o nos s o eu" (HALB*ACHS, 1990, p.9*), * refletem o que n*s distingue, cara*te*izan*o nossa cultura e nossos gosto* a*arentes. Por outro lado, Desvallées e Ma*resse (*013, p.76) nos ale*t** sobre o potenc*al *deoló**c* que o patr*mônio po*e assumir, "q*e trans**e ao *a*po moral o léx*co j*rí*ico-econômico, apar**e como suspeita, e p*de ser analisada *omo parte daq*ilo que *ar* e Engels cha*aram *e ideologia, isto *, um *ubproduto do contexto socio*conômi*o destinado a servir a interesses particular*s." N* jo*o da história das populações ou da humanida*e, todas as c*tegori** se apresentam multifacet*da* e demandam ref*e*ões q*an*o necessá*io se fa* entender as p*l*ticas cul**rais *ue são dest*nadas às co*u*idade*. Com * patrimônio não é *iferente. Q*ais os limit*s do *atrimônio? Gonçalves (2007) desenvolve um* ref*exão suscitada pela percepção de um progres*ivo e inin*e*rupto in*l*cioname*to dessa cate*oria, Rev. FS*, *eresina, *. 1*, n. 1, ar*. 12, p. 245-264, ja*./fev. 2017 www4.*sanet.co*.br/revista A Experiência do *spaço Nordeste Pe*ro I* 25* sobretudo depois de *ua ilim*ta*a e*pa*são semântica expressa pela *o*ão *e patrim*nios intangíveis. O aut*r, na *erd*d*, questiona a g*an*e dificu*dade de ** estabel*c*r um conceit* claro do que seja patr**ônio cultur*l, bem como deli*itar s*a ex*ensão e dimensão de nossas *r*ticas *m re*ação aos patri*ôni*s culturais. A *oção d* "*imi*e*" **azid* por *o*çalv*s identifica risc*s, tais *omo o de trivializarmos o potencial descrit*vo e a*al*tico; riscos pro*riamen*e polít*cos *a f*rça dessa categoria, *omo in*trumento de luta pelo reconhecimento p*blico de grupos e de indivíduos. * cate**ria "patrimônio" assume contorn*s semânticos específicos na modernidade no e conte*to contemporâ*eo. Nas *nál*ses d** mo*ern** discurs*s sobre o p*trimônio cultural, a ênfase tem sido posta no seu caráter "c*nstruído" ou "i**enta*o". Não depende, e*clusivamente, de uma atividade co*scien** e delibera*a de i*divíd**s ou g*upos. Os objetos que *ompõem um pat*imônio precisam encontrar "re***nância" junt* * seu público (GONÇALVES, 200*). C*m essa *ilataçã* e e*pansão da noção de patri*ônio, e mais especificamente, de pa*rimônio i*ater**l, no Brasil, com a *onstituição de 1988, e pelo mundo, *lastrada p*incipalmente pela* diretrizes e aç*es ** UNESCO, o desej* das pessoas e institu*ções p*lo re*onhec*mento das identidades c*l*urais e preservação d* patrimônio ganham força e mat*ri*lizam-se em p*ojetos *e intervenção. Foi as*im **m Espaço N*rd*ste Pedro I*. A o cit*ção de Nogueira é pertinen*e * co*textu*li*a a formataç*o do lugar. O que é im**rta*t* ressaltar * que *ivemos hoje *ma espécie de "rotiniz*ção" *o patrimônio *ultur*l *m escala mundial. A pas*age* da ideia de "monumento históri*o art*st*co" para u*a noção de pa*rimônio assen*ad* nos "*ens cultur*is *e *atur*za imaterial" colocou, no camp* do *atr*môni*, a*entes s*ciais outro* que não os *special*s*as que domi**ram as prática* de preservação. A in*erface com *s te**ticas transversais, como *s políti**s da diver*i*ad* cultur*l * dos *ireitos cultur*is potencializou um diálogo mais sist*mát*co com os movimentos ét***os- c*ltur*is em suas difer*n*es *ormas de apropriação do patrimônio (NOGUEIRA, *0*1, p.384). O Espaço Nordeste, em c*njunto com o* parc*iro*, focalizou um a cultura re*ional *rivi*egiando *rátic*s e narrati*as c**trad*s na con*t*uç*o *a iden*idad* loca*. Abreu e Chagas (2009) obs**vam qu*, é *o meio constr*ído a par*ir da relaçã* entre memó*ia e patrimônio que se esta*elece o *uga* de alter*dade d*s g*andes nar*ativas naciona*s. Contrário a isso, a ex*biçã* do Patr*mônio Cultural *ocal é um convite aos suje*tos a as**mire* sua* práticas cultur**s, caracterizados pelo exercíc*o do di*e*to à voz, à memória à const**uição e do pat*imônio cultural. O patrimônio histórico po*sui um pape* *ropedêutico c*mo **gura representa*iva da própria *i*tó*ia. **le *stá r*fle*ida * tomada *e con**iência da* d*me*sões estética*, ec*nôm*cas e sociais (*HOAY, 1999). Ora, a memória es*á ligada a fa*os e a l*gares que sã* c*nstruí*os e transmitidos *e *eração em geração. To*a*do empr*stadas as *alavras d* Rev. F**, Ter*si*a PI, *. 1*, *. 1, art. 12, p. 245-264, ja*./fev. 2017 www4.fsan*t.com.br/revis*a D. B. Mel*, I. T. Amaral, R. *. *. Carvalho 252 Halbwachs, "qu*ndo u* grup* é inse*ido n*ma parte do espaço, e*e *ransforma à s** imagem, mas *o m*smo tempo, dob*a-se * a*apt*-*e a coi*as materiais que resistem a ele" (A*ud ROSSI, 2001,*.198), vi*t* q*e, de acordo com o *uto*, * fu*ção fundamental da memória soci*l, enquanto passa*o coletivo part**hado, é *stabelecer *aç*s de filiação e*tre o* indiví*uos que fazem par*e d* um dado grupo e *ompa**ilh*m um pass*do comum. Q*anto * *ons*rução da histór*a desse passad*, * pacífico, p*rém complexo, recorrer-se à mem*ria so*ia* sem p*ender-se às *mpo*ições domin*doras. A memó*ia coletiva, enten*ida como * relaç*o d* *oletividade com * lu**r e co* a ideia dele, é c**struída conf*rme as pessoas vão viv*ncian*o o seu co*idiano e tom*ndo consc*ência del*. O tecido urb*no, po* ex*mplo, *az part* da i**nti*a*e c*ltural de *eus *abitantes, Ch*ay (1999,p.159) ao se referir à cidade e monum*ntos *rgumenta que "ao longo dos sécu*os e *** civilizaçõe*, sem que aquelas que a edificavam tivessem essa intenção ou d*sso estives*em co*scie*t*s, a *idade represe*tou o papel *emori** de mon*mento." *o mes*o modo, a memória coletiva e*tá re*resenta** nos fatos urbanos e pa*sagí*ticos. Essa *el*ção percebe-se insepa*ável, pois res*lta *a med*ação que compõe a c*n*trução do aparato soc*al e, c*nsequentem*nte, do imagin**io popular. Possivelmente **a nã* existiria *em o*tra. A mem*ria se apro*eita dos eleme*t*s da pró*ri* vida humana, co*pos*a p*r *ig*ras simból*cas e físi*as *s qu*is são *ne*a*os valores. Esses valores são transmi*id** de u*a *eração para outr*, que mais u*a vez se *tiliza da memória, dos fatos, dos monumentos e *a paisagem, para rec*iarem e ressignif*carem seu p*t*imô*i*. Todavia, a trans**ssã* in*erg*racional da h*ran*a cultu**l, há que **n*iderar a dinâmica contemporânea do processo social, **ando de vár*as li*guagen* e mecanismos d* interloc*çõ*s qu* *ediatiz*m essa tr**smissão como cultura viva e t*ansformadora, a fi* de que seus herdeiro* pos*a* adminis*rar esse patrimônio, como nos r**o*enda V*rine (**13). Acredi*a-se q*e intervenções, ***o a *o equip*me*to sóc*ocultural aqu* apre**ntado de*empenham pape* imp**tan*e *o re*onhecimento das identidades cul*ura*s e *em*cratiz**ã* *a *emória social e c*letiva, tanto das *o***i*a*es meno*es como *os grandes agrupam*ntos humanos. *ri*eiro porque receptividade é esp*ntânea e imediata; a s*gundo porque, qu*n*o p*ovocadas, as p*ssoas participam *a construçã* do equ*pamento c**tural, como suj*i*os at*vos *o processo ** m*mória e do se* lugar de re*res*n*aç*o. A nature** dinâmi*a do patr*mô*io, aqui ressa*tada, com* pro*ess* em const*nte evolução, torna impre*cindível a *remissa defe*di*a por Va*ine (2013) de que *ocied*de a te* a f*nç*o de cr*ar e sust**tar meca*ismos, para q*e o patrimônio viva, prod*za * transfo*me-se, p*ra per*ane*er útil. Re*. FSA, *eresina, v. 1*, n. 1, a*t. 12, p. *4*-264, *a*./*ev. *017 w*w*.*san*t.com.br/re**st* A Experiência do Esp*ç* Nordest* *edro I* 253 3 M**ODOLOGIA Quanto à di*eção e méto*o, optou-se p*r uma abordagem *ual**ativa e quantitativa; para realizaç*o d** objetivos prop*stos u*ou-se pro*edimentos e*ploratórios como levant**e*to biblio*ráfico e entr*vistas semi-es*rutur*das. Quanto aos proce*imento*, u*ili*ou-se pesquisa bibliogr*fic*, docu*ental e p*rtic*pan*e, Por*ue, de acordo com G*l (2009, p.41), "esta* pesq*isas têm como *b*eti*o principal o *pr*moramento de id*ias ou * *e**oberta de intuiçõe*", seu planejamento * bast*nte f*exível, o que proporcio*a ao i*vestigador a possibil*dade de consider*ç*es dos mais *ari*dos as*ect*s relati*os ao fato *studado, e era just*mente o que se buscava. Ne*ta pe*spectiva, imbuíd* pela vontade de conh*cer dentro d* u* contex*o his*órico, op*ou-se p*la abordagem *ualita*iva. Essa *bordagem interpr*ta os *atos b*seados em método* associados às **ências sociais. Te*xeira (2009, p.137) explic* que "o *esq*isador procura reduzir a distância entre teoria e os dados, entre o *ontext* e a ação, u*a*do a lógica da análise fe*om*nológi*a, isto é, *a comp*e*nsão do* *enômenos pel* sua descr*ç*o e inter*retação." Parti*-se da identificação da* *ot*nc*alidades prod**ivas geradas c*m pela i*pla*tação d* Espaço Nordeste Pedro II, *om b*se na *v*liaç*o *e u* conjunto de inf*rmações de arquivos em do**me*tos e prod*zidos *ela *rogramação cu*tural *ensal d* Esp*ço, be* como result*nt* de levant*me*tos dire*os reali*ados j*nto *iferentes a*tis*as, a p*s*oas frequentadoras e pelos res*onsáveis pelo gerenc*ame*to do órgão na á*ea de cultura, social e de ne*óc*os. Com as informações *rocessadas, proced*u-se a uma análise p*r*enorizada so*re *uas consistê*ci* delas, no sent*d* de *val*a* *e q*e modo e*tes d*dos se associam e explicam as v*ca*ões e as fo*ma* como estas foram se*** e**lora*a* e coloc*da* em ben*fíci* da população **dr*ss**un*ense. A progra*ação *ul*ural d* Espaço Nordeste era *em dinâmi*a, permitindo u*a gama de eventos d*versifi*ado* em v*rias áreas de expressões artísticas e *anifestações culturais. Eram ap*esen*a*ões musicai*, teatra*s, de li*erat*ra, cinema, d**ça, exposição de artes *isuais, oficin*s de form*ção artística entr* outros espetáculos que sema*almente *o*p*seram a ati*ida*e cul*ural. Esse fa*o proporc*o*ou uma análise bem *mpla baseada *m uma v*riável de infor*ações *ue *e*le*em d**e**os aspectos cul*urais, econômic*s e soci*is. Rev. FS*, T**esina PI, v. 14, n. 1, art. 12, p. 245-*64, jan./fev. 2017 www4.fsan*t.com.b*/re*ista D. B. Melo, I. T. Amaral, R. C. M. Carvalho 254 4 RESULTADOS E DISC*S*ÃO A breve, *oré*, int*nsa ex*s*ên*ia do Es*aço Nordeste Pedro II tr*nsc*nde o **delo de pro*eto p*lot*. Est* presente nas h*stórias dos que tri*h*ram o "Espaço", como era carinh*samente cha*ado, marc*n** suas t*ajet*rias de vida. Fica cl*ro no* *epoimen*** de jovens e a*tis*as colhidos *or ocasião dos rela*órios utilizados como fo*te primária desta p*s*uisa. A fala de José Carlos* expressa bem es*a ide*a: O E*paço No*deste Pedro II f*i muito importante na minh* *i*a, *o* momentos im*orta***s de e*colha pr*fissio*al. Adq*iri u* ofíc*o, *pre*di f*zer amigos e estudar em grupo. Posso **zer que devo muito ao Espa**. Com ele aprendi que o grupo facilita a vida e os sentimentos. (*8 *nos). *tento aos fatos e falas de arti*tas e estudi*sos, c*lhido* pa** a produ*ão de um v*deo/*ela*ório sobre * im*lantação e rep**sentação do Esp*ço Nordeste intitulado "Espaço N*rdeste Pe*ro II: ações e conceitos" (*012) p*d*-** constatar que ele c*ntribui* efetiva*ente para * de*envolvi*ento *conômico, cultu*al e social de Pedro II, no *eríod* de 2009 * 20*4. J*sé Mar*a Sar*iva (Ca*tor) expressa que: * Espaço tra* o*ortunidades, possi**lita condições de o artista expressa* *eu s*ntimento, s*a c**tura, a valori*ação cu**ural que fica para trás, ent*o **ui é oport*nidade, eu *onsidero i*s* porque foi partir daqui que se resgato* os e a "Irmãos Saraiva". O que *az co* que um em***endi*ento cultural exista concre*ament* não são as estruturas físicas; as cul*uras singulares subv*rtem a or**m mundial dos espaço* padrões, el*s r*presentam a alma dos lugares. As falas r*s**ltam que, *uando u* E**aço *ultural se *stab*lece em um determinado lugar * porque a* es**ut*ras de *ustentação são reais e viabi*izam sua ex**tê*cia. Com o *spaço Nordest* foi as*im, *edro II po*s*ía potenc*a*i*ades que po*sibilitaram o process* *e su* implantação, a aceitaçã* da* pessoas, ON** p*rce**a* que r*ali*avam a*i*idades afins e, o que é ma*s represen*ati*o, *ma visíve* e ric* diversidad* cultural. *ogo, tornou-s* um *ugar único, como destaca Gil*iê Memór** (Artista Visua*): É *m lugar único, exatamen*e por ess* *alorização da c*ltura nordestina, ou seja, do artist* da terra. E* enten** que deve *xistir, *elo m*t**o de os artistas q*e se a*res*nta* aqui ou que e*p*e* aqui em outro lugar *ão ter**m *ssa oportunidade, 2 José Carlos entrou no Espaço atr*ído pelas O*ici*as de Arte - Ident*d*de; c** cr*a*ivida*e desenvolveu uma técnica *e escultura com pet, cola, papel m*chê e s*rragem de *a**i*a; f*i *r*quentador assíduo das a**vid*des cu*turais; a*uno do pros*eguir e *or fim *inistrou uma O*icina de Escultura com Se*ragemde *adeir* e papel reciclado. *ev. FSA, Teresi*a, v. 14, n. *, a*t. 12, p. 2*5-26*, **n./fev. 2017 www4.*sanet.com.br/*evista A Ex*eriência do Espaço N*rdeste P*dro II 25* no meu caso por exe*plo, eu nunca tinha feito *ma e*posição, porq*e não *xistia um *oc*l a*eq*ado ou que as pessoas se inte*essem p*r este tipo *e cultur*. Em um contex*o regional s*a importância é perceb*da na evidência *a cul*ura nordes*ina. A globali*ação c*loca-*e agressiv**ente c*mo uma rupt*ra com a c*lt**a e iden*idade lo*ais. A estr*turação de luga**s que contradigam ta* *roposta reforça a importância d* expe*iência* autenti*as e o fo*ta**cimen*o de identida*e* co*un*. * cantor José Maria Sar*iv* se faz po*ta voz de*sa realid*de: Veja só, *ocê ter um local onde você pode se expressa* na quest** cultural, seus val*re* culturais, *ue tem de *ais imp*rtan*e nessa cidade q*e é a **ltur*, Ped*o I* é um c**eiro de artista, então ** avalio como de suma imp*rtância a *onti**idad* desse E**aço *orque deixando de existir **se Espaço, qual ou*ro l*cal *m Pe*ro II vamos ter para estar expressan*o nossa cul**ra? Nossa art*? Tudo d* *om? *ua***s coisas bo*s já *conteceram? (...)Eu cost*m* dizer que Pedro II ag**a te* uma c**a de cu*tura e a *a*a do artista pedrossegunde**e é a*ui. Outro ponto que deve ser levado e* *on*id*ração * a con*e*çã* *o Espaço c*mo *m lu*ar de a*ol*imento, qu* o*erece *port*nidade para as **ssoas se i*tegrarem, c*nhecerem s*a própria cul*ura. Ess* formato se mos*ro* efi*iente porque ofereceu *ondições re**s de percepção ***tural do que a pesso* é, em term*s culturais, ou **ja, a ident*d*d* l*cal tra*s*arece n*m* progr*maçã* em que elas se reco*hec**. Atrav*s da exibição *e filmes, espetáculos, música, l*teratura, ao conviver co* o E*paço, além da identif*cação, en**ntre* *utros estilo* e olhares *obr* a ident*dade cultura*. Iss* fica **a*o nas pal*vra* de Ad*odata dos Anjo* (Antropóloga): A cultura é muit* den*ro da *lma da g*nte, agora preci*a a gente p*rcebe* isso. Eu pen*o que espaç** co*o * Espa*o Nordest* e*e aj*da a g*nte a olh*r *ais pa*a ge*te, por que a gente só olh* pra gent* quando percebe o di*erente [...]. A q*e*tão cultural em P**ro I*, não * uma cultur* úni*a é uma *iversidade cult*ral que é uma riqueza que tem que *er explorada mais * mais. Como ressoam as falas, as atividades de inclu*ão so*ial e cu*tural desenv*lv*das no Espaço Norde*te est*mularam a manifestaçã* *e nov*s artistas que v*viam no anonim*t* ou agua*davam uma oportun*dad* de se expressarem. *essalt*-se ainda a dimensão da educação inf*rmal assumid* * *esenvolv*da n*s atividade* que facilitavam o ac*s** às tecn*logia* *ásicas, c*pacitaçõ*s, ofi**nas * execução *e a**vidades culturais, cr*ando *m público crítico que *aloriza*a, incen*iva*a e apoiava a manifes**çã* artística em suas diversas diretrizes. Rev. FSA, Teresina PI, v. 14, n. 1, *rt. 12, p. 245-264, j*n./fev. 2017 www4.fsanet.c*m.br/revist* D. B. Melo, I. T. Amara*, R. C. M. *ar*alho 256 Alé* de primar pela diversidade cultural nordesti*a, que se configura como uma alterna**va, para a popul**ão, p**a o* padrõe* homogeneizador*s d* cult**a d* massa tão p*esentes ** soci*dad* a*u*l. Re*pe*tando *st*s *alore*, com um cuidado na qualidade da pro*ução dos eve*tos que *ram realiza*os na prog*amação cultural, a equipe ges*or* do Espaço, comp*sta *or t*ê* as**ssores e *oi* produtor*s cultu*ais, esti*ulava a profi*sionali*ação dos *r*istas e artes*os com o objetiv* de pot**cializar a *roduçã* e fortalecer o gosto do púb*i*o *or belo* eventos, e*petáculos e exposi**es, *grega*do *a*or cultural e eco*ôm*co ao q** era a*re*entado *elos artist*s. Fa*-*os lembrar Paulo F*eire apontan*o a cu*tur* *iva como "o qu*dro de t o*a *rá*ica patr*mo*i*l, de tod* process* de dese*vol*imento *ultural e de desenvolvimento glo*al" (V*RINE, 2013, p.*52). Pa*a d*f*nir uma "*u*tu*a viv*" os equ*pamentos culturais necessitam estar vivos. Dentro dessa ló*i*a, o con*eito de p*trimônio so*re alter*ção à medida que se integra ao d**envolv*mento t*rritorial, ***o *oi fris*do anterior*ente. "O *atrimônio ima*erial est* no coração da vida cul*ural e do d*s*nvolvimento comunitári*" (ibidem) A pr*fiss*onalização da produção c*ltur*l im*õe-*e como um novo jeito de produzir cultura co* respeit* * di*nidade, ter consc*ência *esse proce*so é fu*d*mental para produt*res e *rtistas *esen*olv*rem seus traba**os s*st*nta*elmen*e. Nes*e s*nti*o, o Es*aço Nordeste Pedro II **alizava oficinas de e*abora*ão de *rojetos qu* *apacita*am o* a**ista* a captare* r*c**sos pa*a aqu**içã* de e*uipamentos mode*nos e exec*ção de p*o*etos cu*tur*is nas co*u*idades rura** urbanas. N* s*gu*do a*o de funcionamento, em 2011, os *r*is*as * locai* aprovar*m ci*co projetos no ed*tal de mi*ro proje*os Mais Cultu*a3. Um *nv*stimento de mais *u menos R$ 35.000,00 g**and* atividades remuneradas. Em *01* *ais d*is resultados positivos, * par**r das oficinas e ed*tais promovidos * divulgados pe*o Espaço No*deste *oram a**ovados do*s projetos no Pr*gra*a BNB de Cu*tur**. Ess** resultados obtid*s refor*am, o*jetivam*nte, a h*p*tese da ****rtância que te*e esse Es*aço n* p*odução **ltura* do munic*pio. 3 Parte do conjunto de Ações desenvolv*das pel* Fun*rt*/*i*istério da Cultura, * "M*is Cultura Microprojetos mais cultura" é voltado -
para a realização de p*ojet*s *u*turais ** b*ixo cust*. A m*ss*o *o *rograma é f*mentar e incentivar artistas, produtores, grupos, *xpress*e* e projetos artísticos e *ulturais na r*giã* *o *emiárido n*rde*tino. Um inves**ment* d* ordem de R$ 13,5 mil**e* f*i rea*izado no semiárid* brasi*eiro. O projet* foi *xecutad* em parc*ria da Fund*ção Nac*onal de A*tes (Funarte), do Banco do Nordes*e (BNB) * das secretar*a* *e Cult*ra dos onze estad*s que integra* a região do semiárido - Par*íba, *lagoas, Ceará, Pia*í, Ba*ia, *io Grand* do Norte, Sergip*, Maranhão, *er*amb*co, Minas G*ra*s e *spírito Santo. 4O Progr*ma d* Cult*ra Banc* d* Nordeste criado pelo Banc* do Norde*te *m 200*, c*m o objetivo de d*mocratiz*r o acesso aos r*curs*s destinados ao patr*cínio de ações *ulturais, de*envolv*das em benefício *a Regiã* Nord*ste, nort* de *inas *erais e norte ** *spírito San*o. O Pro*rama es*á pautado n* ampliação e na democ*atiz*ção d** oportuni*ades *e criação, circulação e f*uiç*o dos bens *u*turai*, bem *o*o n* promo*ão, proteção e tra*s*issão da diversid*de cul*ural. Rev. FSA, Teresina, v. 1*, n. 1, a*t. 12, p. 245-2*4, jan./f*v. 2017 w*w4.fsanet.c*m.br/revis*a
A Experi*ncia do Espaç* Nordeste Pedro II 257 O aces*o aos edi*ai* de incentivo* de produção e d*vulgação possibilitou a aquisição de instrume*tos para bandas de músicas, *ontagem de pequenos espe*áculos, realização de ofi*inas, publicaç*e* literárias, *q**sição de materiais di*ersos pa*a produção artís*i*a, re**ização d* peq*enos fes*ivais, produção de C*s de músicas, r*al*zaç** de d*c*m*n***ios até a prod**ão em d*v*rsas mídias di*itais, e*tre o*tras manif*s*aç**s. *udo isso r*vela um un*v*r*o de b*leza, *en*ibili*ade e de *rand* *ual*dade cultural, sob **r*os **pectos. Difí*il *ens**ar **ravés de dados o *rau de abrang*n*ia * de in*lu*nci* que as ações cit*das p*dem al*a*ç*r. N*sse sentido, *onforme depoimento de artis*as l*cais o Espaço v*io pr*encher uma necessidade do munic*pio de *er um lug*r q*e ligasse produção ao p*bl*co e que valorizasse * produção dos *rtistas. Gilsiê5 é enfá*ico ao d*z*r que: A palavra certa * se revelaram. *e*ro II * uma região que *ossui m**tos a*ti*tas, pesso*s i*teli*e*tes. *go*a o que acontece, *ã* ex**tia um lo**l pa** as pessoas se r*velarem, *u d* *erta fo*ma mos*rarem *ue elas sabiam fazer "aquilo". (...) Não é que com o Espaço Nordeste as *es*oas *** começ*r a desenhar ou pint*r, * *ue eu *c*o * que a pe*soa *asce com *m dom especial, e que antes *ã* t*ve*am oportun*dade de mostrar e agor* * mud*n*a que *ouve * a possi*ilida*e de mostrar. Podemos infer*r *esta af*rmat*va que o Esp*ço c*ntr*bui* efetiva e sub*et*vam*nte atrav*s de sua* aç*es para a manif*stação de artis*as e a valoriz**ão do patrimô*io. Esta intermediação feita entre Espaço Nordeste, **tista e comunidade estabel*cia a *ro*oção pela *proximação ent*e indivíduo*, cultura e art*, ou seja, provocava uma ação co*tínua de *onst*tuir um público que val*rize a produçã* *ultural e*tim**ando, por su* *ez, as práticas artí*ticas e cult*rais *xist*ntes *o local. Práti*a* d*ver*as q*e constituem o* const*tuirão a id*ntidade cult*ral do m*nicípio, fortal*cendo **das as dimensões sociais s**ci*adas no *em* da pes*uisa, contribuindo pa*a o desenvolvimento hum*no, s*cial * econôm*co. Nota-se, a partir desses *on*e*t*s, que universalizam a noção de cultu*a e id*n*idade cu*tura* que a manifestação d*sses el*mentos torna-se impre*c*nd**el para s*a reprodução, *esgate, preserva**o e difusão. A Progr**a*ão Cultural do Espaço Nordeste Pedro I* era pautad* nesses elemen*os trazidos em p*og*amas cultu*ais, são e*es: a) Ar*es Visua*s: **pos*ções de telas, foto*raf*as, esculturas, o**etos simbólicos, peças ant*gas *) *) *) com de*t*que para as express*es cul*urais *ordestinas. As exposições de artes visuais tinham uma duração média de **ês meses. Ato Compa*t*: espetácul*s de teatro, de da*ça, *irc* et*. destinado a* público i*fanto-juv*nil e adult*. Cult*ra Musical: com e*petáculos ao vivo de música vocal em todos o* gê*ero* musicais. Imagem e* Mov**ent*: mostra de film*s nac*onais e estrang*iros, c*m espaços para debate.
5 I**orma*ão ver*al - depoim*nto d* artist* plástico Gilsiê Memóri*
*ev. FSA, *eresina PI, v. 14, n. 1, art. *2, p. 245-2*4, jan./*ev. 2017 *ww4.fsanet.com.br/revista
D. B. Melo, I. *. Amaral, R. C. M. Carvalho 25* e) Li*erat*ra em Revis*a: lanç*mentos, divulgação, sa*aus e comentário* *spe***lizado na área sobre a obra de autores *iversos. f) Trad*ção Cultur*l: rea*ização de eventos c*lturais *iversos qu* v*sav*m inc*ntivar a formação *rt*stica * fortalecimento da cu*tura no*desti*a. A*ém des*es programas cu*t*rais, o*tras açõ*s eram *estinadas ao p*blico de **ixa *enda como, oficinas re*lizadas partir d*s aptidõe* *rtís*icas e a**esa*ais *dentifica**s a no ló*us, cujo o**etivo *ra o ap**morament* de tais objet*s com o int*ito d* *dquirir val*r *e *erca*o, tr*ta-se do projeto Art*-Identidade que at*ava realizando *ficinas de formação artísticas. Esperava-se *o* essas oficinas a conte*p*ação de três vertentes propostas pel* Inst*t**o No*d*s*e C*da*an*a: geração de renda com *i*ad*nia, f*rmação de um ambiente de aprendizagem * a c*pacitação de lideranças com o obje*ivo de fo**alecer a iden**dade das co*u*idades *ssistidas *elo *rojeto. O lev*ntament* feit* *as agendas *ultur*is desde *009 m*st*ou nú*eros *uriosos co* relação ** poten*ial trazido *ela im*l*ntação do Espaço Nor*es*e Pedro *I. Obse*vou-se que nes*e *eríodo seis band** de *ú*ica ou g*up*s *izeram s*u primeiro show no Esp*ço Nordeste. Ao l**g* dos **n*o an*s, três *rupos d* *eatro estrearam sua pri*eira peça no E*pa*o Nordeste Pedro II. Cinco a*tores lan*ar*m seus livro* no *rog*ama Lit*ratur* em Revista, alguns con*egu*ndo *omerci*liza* um número c*nsid**ável d* exempl*res. O P*ogra*a *magem em M*vi*ento re*ebeu do*s filmes que foram lançados na progr*m*çã* *u*tural. *m grupo *radicion*l de humor e música foi reativado após re*eber um conv*t* d* equ*pe de prod*ção do Es**ço Nordeste e se apresentou no P*ograma Tr*di*ão Cultur*l. Todas as exposiç*es *e*li*adas pela pr*gr**a*ão foram inédit*s a popula*ão que tiv*ram contato com obr*s *e artist** de r*nome in*ernac*on*l **e exp*seram suas obras pela pri**ira *ez na cidade. A partir *a *nt*rpretaçã* dos dados, e*t*nde-se que o trabalho apre*entado *elo Espaço Nordeste contribuiu pa*a o for*alecimento das manifes*a*ões *ulturais exist*ntes em Pedro II. De *009 a 2014, *7 (cinqu**ta e sete) ofi*inas *e f*rmação artísti*a foram realizadas *o *rogra*a Arte-Identidade, 38 (tri*ta e oito) peç*s de teatro no pro*r*m* Artes Cê**cas, 31 (trint* e uma) exposições de ar*istas locais * até *e outro* estados, *91 (trezen*os e *ove*t* e uma) ex*bi*ões de fil*es, 48 (quarent* e oi*o) shows de mú*ic*s, 48 (quar*n*a e *i t o) evento* na área de l*t*ratura 21 (vinte e uma) apre*entaç*es n* prog*ama Tradição e Cultura*. * n*mero de público part*c*pa*te *os eventos em 2011 fo* d e 4 .* 8 8 , j á n o ano de 2012 foi de 6.*2* pessoas que ass*s*iram a*s eventos realizados na programação *ultura*. Tev*-se um crescimento de pú**i** de *ais de 50% em um curto esp**o de te*po. Re*. FSA, Ter*sina, *. 14, n. 1, *rt. 12, *. 245-264, ja*./fev. 2017 www4.f*anet.com.br/revista A Exper*ê*cia do Espaço Norde*te Pedro II 259 Em cin*o anos d* exist*ncia *on*reta, o Es*aç* N*rdeste Ped*o I*, r*alizou 63* e*e*tos. Pode-se perceber o potenci*l prod**ivo gera*o pela implantaçã* *o *spaço Nor**s*e: e*tímulo na carreira art*st*ca e *riativa, prod*ç** d* eventos, pro**ssiona*i*ação do artista, forma*ão de plateia, inclusã* so*io*ultural * de*env*lvime*t* de polít*cas c*lturais. Salienta- *e o aspec*o c*iador do Espa*o N*rdeste, *ue nos mov*u a prod*zir o pr*sen*e texto, ressaltando a di*âmica de f*ncionament* e o ganho sociocu*tural g*r**o com su* implantação ** *el*çã* ao desenvolvi*ent* lo*al. A experiência most*ou que as pessoas têm *ome de cultura * qu* a educação *atrimonial u* fio condutor *o p*ocesso social. * mu*ança é d* *t*tude com relação ao co*sumo cul*ura*, o**etiva e subjetivamente, foi re*pos*a i*ediata. O re*onhecimento da cor*elação entre cultu*a e desenvolvimento de*iva da percepção de que *s a*ivi*ades culturais não se posic*onam exclusivamente no valo* do patrimônio ta**ível ou intangí***. Trata-se, também, de atividades portad*ras de futuro e cada vez mais autossust*ntáveis. Segundo *eitão, a econ*mi* da c*ltura se asso*ia, rapidamente, ao us* de novos mater**is, às n*v** tecnologias ** i*fo**ação e telecomuni*ação, às novas tend*n*ias *a pr*d*ção e *istribuição de bens, *o*stit*in*o um *ercado am*lo e inesgot*vel. Leitão *ponta a economia da *ult*ra como "um n*vo fron* de desenvolv*ment*, p*r sua grande cap*cida*e de geração de renda e empre*o, *or seu impacto na f*rmação do capital *umano e *o desenv****me*to de n**as te*nologi*s, e seus efei*os sociais posi*iv*s" (*EITÃO, *007, p.*). O *apel de*empenh*d* pela di*ensão cu*tu*al do *sp*ço Norde*te Pedr* II foi de apr*sentar ao pú**i*o uma *rogramação cu*tu*a* cons*ante, c** qualidade *elevant*, in*vadora e cria*i*a c*m * objeti*o de f*rm*r público * platéia por m**o ** *vento* diverso*. A***nívea informa *ue "a valorizaçã* da cultura pop*lar p*ra as c*lturas *opulares *s*á *nse*i*a no i**ginário *oci*l que, por sua ve*, *ão resgat*dos nas representações sociais e q*e, por conseguinte relacionado* à *dentidade cultural"(AUR*NÍ**A, 2007,p.4). A dim*n*ão social deu suporte à dimensão cultural interagindo com h*rmonia e com*l*mentando a m**iação p*la ar*e. **tre as atividades *esenvo*vidas é impo*t*nte *essalta* as *rincipais ações, * fim *e **e *e co****a o processo de *n*ervenção do Espa*o na íntegra. Segu* um* breve *e*crição das ativi*ades desenvo*vi**s na área social. O E*paço de leitu*a da Sala de Le*tura Tamboril f*i palco de muitas *agias. Contav* com u*a *ala eq*ipada e amb*entada para estim*lar e facilita* * le*tura *e crianças e jove*s. Um acervo de 2.545 exem**ares, sen*o 1.947 l*vros pa*a jovens e adultos 598 infa*to- e juveni*, 40* revistas, dentre *las 2*0 com temas infantis. Instr*m*nt* **ito imp*rtan*e para o incentivo à *ei*ura e escrit*, a *aior parte do acervo foi ad*uirido vi* Po**o d* C*ltura Rev. FSA, Te*e*in* P*, v. 14, n. 1, art. 12, p. 245-264, jan./fev. 2017 www*.fsanet.com.*r/revist* *. B. Melo, I. T. Ama*al, R. *. M. Carv*lho 26* Educarte, a outra através d* doação, *co*dos e convênio com o *inistério do Mei* Ambiente (Programa Sala V*rde). A Movimentação era diári* c*m frequentadores a*s*du*s e eve*tuais, visitantes e colab*radores. Possuía em *o*no de *5* pessoas cadas*radas co*o locad*res de *i*ros, revistas e *er*ó*icos. *mportante dize* que *ra único lug*r o de le*t*ra do gê*er* no *unicípio. A *a*a de In*l*s*o Dig*tal, c*orden*da pe*a Fundação Cult*ral G*and* Pedro II, *tra*és do P*nto d* Cul**ra Educart* - e*ucação patrimonial, cul*ura e arte, era ** espaço qu* disponibi*iz*va, para toda co*u*idad*, o ac*sso público e g*atuito à In*e*net e a *nfo**áti*a, evidenciando tais recur**s como fer*a*en*as pedagógi*as e sociocu*tu*a** impre*cind*veis para aqui*ição de novos conceitos, com*lementa* aos demais trabalhos desenvolvi*os n*s instituições ed*cacio**is p**jetos sócioeducativos locai*. A for*a de e acesso atendeu ao* a*unos de o Pr*jeto *ro*seguir e *l*nos de esco*as *úbli*as, un*v**sidad* * comunitários que fa*iam *esquisas e busc*vam informações. O pro*eto Arte-identidad*, através da* Ofic*nas *rtís*icas par* geraç*o de *end* com cidadani* real**ou 57 *fic*nas duran*e ci**o anos de atuação do Esp*ço. 95% delas *ora* minis*rad*s *or *rtesãos loc*is resguar*ando a *radiç*o associada à inovaçã* e ag*egando novos valores aos *ro*utos *ri*dos. Com * apoio *a as*es**ria social6, a metodologia *tiliz*d* n*s oficinas f*i da Educação Biocê*trica, com * intuito de *elhor** e esti*ular * desempe*ho *a facili*adora, *em ***o dos pa*ticip*ntes. Entre o* oficineiros estavam *equen*s e microemp*eendedores *ue acessavam o crédito da Sala *e Ne*ócios para incre*entar suas *roduções. H*uve caso de pa*ticipante de o*icin* que apre*deu o ofício, acessou o *icr*crédito * montou seu próprio negócio através d* linha de Crediamigo. O **oj*to *ross*guir foi outra atividade social *e grand* i*portância, *ois buscava intervir na si*u*ção da juventude do meio rural e p*rif*ric* dos cen*ros urbano* que, ao c*nclu** o Ensino Médio, alé* de atua* como alte*nativa qu* a*pl**va as ch**ce* de in*resso no *nsino Superior, o proje*o *bjetiv*va contribuir para * formação intelectual, profiss*on*l e humana do público atendido. * proposta peda*ógica consi*ti* na for*ação de grupos de estudo ent*e os p*rti*ipa*tes do proje*o que se reuniam durante a semana. A* aulas *resen*iais ac*n*ecia* aos sábados para *ial**ar s*bre o* conteúdos e *sc*are*er dúvidas, bem com* realizar 6 As*es*oria social - * ass*sso* social é o profissional *espon*ável pe*a *ro*ramação das atividades de*envo*v*das *o E*paço No*dest*, em
especial os *rojetos sociais e educaci**ais. Es** pr*fissi*nal é responsável pela elaboração e exe*ução d*s p*ogramas s*ciais, median*e a promo*ão da par*i*ip*çã* consciente dos *ndivíd**s em grupos. *vani**a Amaral exercia * f*nção n** cinco anos de p*squisa. Rev. *SA, T*resina, v. *4, n. 1, art. 12, p. 245-264, jan./fev. 2017 w*w4.fsanet.com.br/re*ista
* Expe**ên*ia do **pa*o Nordeste Pedr* II 261 ativida*es ped*gó*icas (exib**ão *e film*s, *ír*ulo* de cultura, etc.). Para lecionar, buscava- se fo*mar uma eq*ipe co* pro*essor*s d* própria regi*o, os quai* conheciam melhor as *uestões *elevante* e a d*nâmica da *om*nidade, materializand* a proposta de integra* es*e projeto * outras ações sociais ex*sten*es. O pr*jeto **nha como re*erência a construçã* colet*va do conhecimento, r*la**onando os a*suntos da vi d* cotidiana a su**etivida*e e às inter*ções interpessoais e sociais dos par*icipan*es. Contrária à afir*açã* indaga-s*: e se a existência d* um esp*ço não est*mular a pro*u*ão cult*r*l? A re**osta é simples. É melh*r *er um lugar pa*a apresentação * não *e* apre*entação, do qu* ter a ânsia n*s art*stas pela apr*sent*ção e nã* ter lugar. "A economia pode de certa m*n*i*a redime*sion*r * c**tur*, a te**ênci* é que a cul**ra se torne um at*ativ* para novos em*reendimentos, que com i*so, novas oportunida*es e profis*ões e *pareçam" (AURENÍVEA, 2007, p.*4). O *spaç* N**deste P*dr* *I c*iou e recriou perspec*iv*s futuras. Ta*vez nunca saibamos ao c*r** até onde se e*ten*e *ua influência. Fa*o con*irmado *elos rel*tos é que sua *istória tem res*o*â**ias *a* traj*tórias de t*dos *s que *judar*m a cons*r*í-lo ou *o* lá *rans*tavam e vice-versa. 5 CON*IDERAÇÕES FIN*IS A const*ução d*sigu*l e contrad*tória do *un** *tual permi*e que *s lu*a*es se apres*n**m como portado*es d* intenções que, às *ezes, não são ditados pelos próprio* lugares. A***lm*nte, ações i*tençõ*s e se fundem ent** tempo da o *lobaliz*çã* e o tempo *ento *xi*t*nte no* *ugares d*sprez*d*s onde es*e fe*ômeno não aco*te*e tão intensa*e*t*. São exemplos de lugares singul*res *om r*t*na diferente, repr*sentando pr*cessos s*cio- culturais *n*a*zad*s em *m* h*stória tradicional e p*rticu**r, *u* prefe*** desenr*izar e diluir as **entidades **ca**, a*erindo a um model* homogen**zador. Assi* *oi com o Espaç* Nordest*: transcendeu o modelo para d*a*ogar com o l*gar. Um espaç* que co*vidava, * a*tista *rgani*ava e d*vulgava o event*, além de *poiar in*c*a*ivas comu**t*ria*, t*a**lha* *m parceria e equip**, pla*ejar c*letivament*. A m*tod*lo**a e princípios que *sou fez com q*e dese*volvesse um papel muito importa*te na t**nsfor*açã* do lugar. Ess* co*texto estimula a apropriaç*o do gosto pelo patrimô*io ex*ste*te, pe*as m*nifestaç*es artísti*as e pelo que fo* ap*esentado à população. Como ex*mplo é *it*do o grupo de Reisado *a comunidade Cipó, Zona Ru*al d* Pedro II. *á 150 anos o gr**o realiza apresentaçõ** nas comu*idade*, passand* a t*adição do **isado de uma gera*ão pa** outra. Rev. FSA, Teresi*a PI, v. 14, n. 1, art. 12, p. 24*-264, jan./fev. 2*** www4.fsanet.com.br/r*v*sta D. B. Melo, *. T. Amaral, R. C. M. Car*alho 2*2 Os resultad*s alcançados no qu* di* res*eito às ações *esenvo**idas pela Instituição, visando ao alcance *e seus obj*ti**s estratégicos e, por *onseguint*, de sua *issã*, são consid*rados *ons p*la apreciação e opinião popul*r, ma*t*nedores * gestores. Ofereceu, mês a mês, *ma programaçã* sociocultur*l e de n*gócios *e a***ssima qualidade, honrando todos os compro*issos *ont*almen*e e env*lvendo a com*nidade em todos os eventos realizados, f*rtalece*do, ca*a vez mais, * c**tribuição popular d* forma efeti*a para a valo*iz**ão *a cul**ra *ocal e* um espaço que *hes acol*eu e promo*eu. A com*nicação do Espaço No*deste co* o*tras instit*içõ*s * projetos sociais exist**tes *m Pedro II foi *ac*l*tada pela mediação da cult*ra. Vis*o que a proposta t**ha como obj*tivo ofer*cer o*ortuni*ade de negócios, f*rmação cultural e entretenimento com **alida*e. Embora o equi*amento tenha su**r*do as expectativas, protagonizado ev*ntos * projetos, ofere*en*o o*or*unidades e p*ovocand* aç**s efetivas para os co**ni*á*ios p*la valorização da educação, a *u*tura * a arte, *omo meio de *roduçã* de *ida e cida*ania ativa o projeto, enq*ant* política pública, não alcançou *u*tentabilidade pre*ista. *u se*a, *o fi*dar o período de validad* do *cord* de Coo*eraçã* ent*e a* insti**i*ões *arceiras, mesmo co* tod* sucesso, o E*paço f*chou p*r questões de ordem financeiras. As a*ticu*açõ** e o diál*go entre insti*uições pa*ceir*s e a sociedade ci*il p*ssivelmente, nã* *avoreceram *articip*ção ativa e democrática de represen**ntes de a grupos e i*stituiçõ*s sociais locais sufi*ie*tes para q*e o dese*o da c**unidade pre*alece*se. Ressaltand*, a p*o**sta er* sus*entável e *n**ressante. Su***ntável, p*rque dava *m suporte humano e logístico para várias outras *tividades sociais e, interessa**e, po*qu* se auto energ*za com o frescor da juventude, do conhecime*to gerado, pela mediação art*stica, cultural e *atrimonial. Este artigo, além de servir c*mo instr*mento *e aprimor*m**t* do olhar *ar* o des*mpenh* insti*u*ion*l, pode s*r uma importante ferra*enta para o *c*mpanhamento de um p*oje*o feito em p*rceria, al*m de mos*rar a mac*odinâmica *o Espaço *or*es*e *ed*o II em uma *strutura *rgan*z*cional *ese*penh*da enquan** equipam*nto socio*ultural. Revela, ainda, o alcance o* a dimensão d* uma i*portant* política pública patr*mo**al, fort*leci*a por la*os afetivos de *ooperaçã* e contrap*rtida socia*. Rev. FSA, Teresi*a, v. *4, n. 1, art. 12, p. 2*5-264, ja*./fev. 2017 **w4.f*anet.com.*r/re*ista A Experiên*ia *o Es*aço ***d**te Pedro *I 2*3 REFERÊNCIAS ABREU, R; CH*GA*, M. Memória e *atrimônio: ensaios cont*mporâneo*. 2ª edição - Ri* de Janeiro: Lamparina, 2009. AURE*Í*E*, R. * *mportância da valorizaç*o da cu*tura popul*r para o desenv*lvime*to loc*l. Sa*vado*: Faculdade de Com*nicação/UFBa. 2007. CHOAY, F. Alegorias do Patrimônio. Edições 70, LDA: L*s*o* - Portugal, *999. COELHO, T. Dici*nário c*í*ico *e política c*ltural. São Paulo: *luminuras: 1997 DES*AL**E*, A; MA*RES*E, F. Con*eitos-chave de Museol*gia; t*adução e comentários *runo *rul*n Soares e Maríl*a Xa*ie* Cury. São Paulo: Comitê Brasileiro do *o*selho Internacio*al *e Mu*eus: *inacoteca d* Estado *e São Pa*lo: Secret*ria ** Es*ado da Cu*tura, 2*1*. FO*SECA, M. C. L. "P**rim**io cultural: por uma **ordagem integra*a (*onsiderações sobre mat*rialida*e * imaterialid**e na prá*i*a da p*es*r*ação)". I*: C*derno de Estudos do *EP. COP*DOC/IPH**-RJ, 2007. (pp. 69-73) GIL, *. C. Com* elaborar pr*jetos de pesqu*sa. *º e*ição - São Paulo: *tlas, 2009. *ONÇALVES, J. R. S. 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A* Raíz*s do F**uro: O pat*imô*io a serviço *o d*senvolvimento *ocal. Porto ***gre: Medianiz, 20*3. Rev. FSA, Te*esina PI, *. *4, n. 1, *rt. 12, p. 245-264, jan./**v. 201* www*.f*anet.c**.**/revista D. B. Melo, I. T. Amaral, R. C. M. Carval*o 264 Co*o Ref*r*nciar est* Artigo, conforme *BNT: MEL*, D. B; AMARAL, I. T; CARVALHO, R. C. M. A Experiência do *s**ç* Nordeste Ped*o II: Reco*heci**nto, Usu*ruto e *alorização do Pa**imônio *u*t*ral. Rev. FSA, *eresina, v.14, n.1, a*t.12, p. 245-*64, jan./fe*. 2017. Contrib*ição *os *utores D. B. Melo I. T. A**ral R. *. M. C*rvalho 1) co*cepção e plan*jamen*o. X X 2) anális* e interpretação dos dados. X X 3) elaboração do rascu**o o* na revisão crítica do c*nteúdo. * X X 4) partic*p*ção na apr*vação da versão *in*l *o ma*uscri*o. X X X
Rev. FSA, Tere*in*, v. 14, *. 1, art. 12, p. 245-26*, jan./fev. 2017 www4.fsan**.com.br/rev*sta

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