www4.fsane*.com.br/revista Rev. FSA, Teresin*, v. 13, n. 6, art. 1*, p.159-180, nov./dez. 2016 I*S* I**resso: 1806-6356 IS*N *le*rônico: 2317-298* http://dx.do*.org/10.*2819/2016.13.6.10 Tudo Isso é Culpa de Rita: Ol*ares So*re a Construção Interdiscursiv* d*s Vilãs de *ov*las Al* *his is Rita's Fa**t: Perspecti*es on the Int*rdis*u*sive Cons*ruction of No**ls Vi*lains Bru*o Go*es Per*i*a Douto* em Ensino de Língua e *it*ratura pela Uni***sidade Fe*eral do Tocanti*s Profess*r da Univers*dade Anhanguera *-ma*l: brunogomespe*eira_30@ho*ma*l.com End**eço: Bru*o G*mes Pereira *d**or Cient*fico: Tonny Kerle* d* Alencar R*drigues End*reço: Endereço: Uni*ers*dade Federal *o To*an*ins - R*a Paragua*, s/n, *a*rro da Cim*a, CE*: 77824-866, Arti*o recebido em 23/08/2016. Última v*rsão Araguaína/*O, *r*s*l. r*cebi*a em **/09/2016. Aprovado *m *5/09/2*16. Avaliad* pelo sis**m* Triple Review: Desk Revi*w a) pel* E*itor-Chef*; * b) *oub*e Blind R*view (avali**ão cega p*r dois a*aliadore* da ár*a). Revisão: *ramatic*l, Norm*tiva e de F**matação. B. *. Pereira 160 "O s*u ve*e*o é bálsamo. Causa, no m*x*mo, ardê*cia. Já o **u, necr*sa, e mata em segundos, b*bê" (Ter**a Cristina, Fina Estampa, 2*11). RESUM* Esse artigo tem como obje*ivo an*l*sar como s*o constru*das *s *epr*sentações de *ersonagens ditas "vil*s" de novel*s br*s*leira*. Estas representaçõ*s dependem *o o**ar como * inves*igar a* p*rceb*m. O Trabalho está i*ser*do no campo da Li*guística Aplica*a (**) in*isciplin*r, pois, para c*mpr*ender como e*tas repres*ntações são construídas, é ne*es*ár*o mobilizar conhecimentos d* disti*tas *reas de investigações aca*êmico-cien*ífi*as. Entret*nto, escolhi a Análise do Discu*so (AD), de li**a francesa, como principal apo*t* *eó*ico-meto**lóg*co *a** a microan*lise d*s dados, u*a vez que pro*l*matiza * jogo entre ideologia e po*e* n* construção *e efeitos de sen*i**s *o**entes à mater*alização linguís*ic*. Assi*, a ideia d* empodera*ento é a*go transversal no corpus da investiga**o, pois se trata d* personagens que buscam a *s*ensão so*ial por me*o* p*uco convencionais. A abordage* é de cunh* q*alitativo-interpre*ativis*a, *ois este tipo de análise c*bra *o pesquisa*or *m olhar mai* sensível, o *ue cola*o*a p**a um *r*c**so de hu*ani*a**o da* per*o*agen*, apro*imando-as d* c**idiano *as pes*oas. O ti** d* pesquisa é *e natureza documental, vi*to que analiso falas de personagen* extraídas de vídeos dispos*os em canais exclusivos da intern*t. Os re*ultados revelam que a *onstruçã* das *erson*g*ns an*lisadas versa de algum* *ane*ra, sobre a d*sputa pelo di*heiro ou pela vilania incentivada pel* *esproporção de ní*eis sociais das pers*nagen*. Palavras-Chave: No*ela. Discurso. Representações. *BSTRAC* Thi* article aims to analyz* how the* are constr*cted repre*enta*ions *f said *haracters "villains" of *razilian soap oper*s. T*ese represen*ations depend on loo* like invest*gate realize. I *ntered the fie*d of Applied Lingui**ics (AL) in disc*plinary beca*se I believe that to un*e*stand *o* these representatio*s are cons*ructed, it is neces*ary *o **bilize knowled*e e in d*fferent f*elds of *cademic and scientifi* re*e*rch. *owever, I c*ose the Discours* An*lysi* (DA), the Frenc* li*e as t*em a in th* or *tical and metho**logical **pport for the m*c*oanalysis *ata, *s d**cusses the inter*l*y between ideology and po*er in thecon*tructionofm*aningef*ectsconsi*te*tli*guist*cmaterializ*tion. T*us, the idea of empow*rmen* is *ome*hing cross i* the res*arch *o*pus, since th*s* ar* c*arac*ers whose *up ward mo*ility b* unconven*ional means. The approa*h is qualit*tive, int*rpretive nature, becau** I believe th*t this ty*e of analysis snake researcher a mor* sensitive *ye, whi** co*tributes to a p*ocess o* **maniz*ng the ch*racters, bringing *hem c*o*er to th* p*op*e's d*ily l*v*s. The type of research is documen*ary in nature, a* * analyze speeche* of characte*s ex*racte* *i*eos arrang*d in exclu*ive channels th* in*ernet. The results show tha* the *onstru*tion of the c*aracters a**lyzed v*rsa, in so*e way, o* the dispute for the money or the *illai** encourage b* the di*p***o*t*on of *o*ial le*els of the ch*rac*er*. *eywords: No*el. Discourse. Representations. *ev. *SA, *eresina, v. 13, n.6, art. 10, p.159-180, *ov./dez. 2016 w*w4.fsanet.com.br/revis*a *ud* Iss* é Culpa de R*ta: *lha*e* *obre a Constru*ã* Interdiscursiva da* Vilãs de Novelas 161 * IN*R*DUÇÃO A *ove*a é uma ver**o m*d*rna dos fol*e*ins do século XIX, n*s qu*** ** narrat*vas se constituíam a pa*tir de relatos quinzenais, vinculados * *ornais e ou**o* periód*cos da ép*ca. *ess* s**tido, t*m* a novel* *omo manife*tação multimodal da l*nguagem, ca**z d* g*rar *feitos de sentido* distinto*, leva*do aos que a a**istem a uma v*rdadeira ca*arse. Quand* uti*iz* o *er*o "catarse" estou ** r*ferindo ao seu *e**ido mai* ampl*, lig*do, dire*amen**, à* esferas in**rdisc**sivas permeadas por *m deter*in*do domíni* social. Logo, ess* artigo tem *omo objetiv* d*sc*tir *obre rep*esen*ações de vilã* *e **velas b*asileiras, vendo-a* como e*eme*tos basila*es par* o *es**cade*mento da sintaxe narr*tiv*. Nesse sentido, *ã* se d*ve ig**rar a influ*ncia i**ológ**a das nov*l*s q*e, *esmo tendo que compe*ir com outros ele**n*os mi*iá*ico*, ai*da insiste e* se* a p*incip*l op*** daquele* que manuse*am o *ontrole remoto das televisões no Brasil. Por is*o, é re*evante analisar como as vilã* de novelas ajudam na c*nstrução do enredo no*elístic*. É preciso conside*ar **e as per*o*agens *ão dota*as de vid* pr*p*i*, a sab*r, de sua e*anc*p*ção n* enredo da novela, * que pode ser, ou *ão, al**rado **n*orm* * aceita*ã* do públ*co. Nesse viés, peg* em*res*ad*s as p*la*ras de Orlandi (2000, p.58) quando di* que "**o * só quem escreve *u* signific*; *uem lê também pro*uz sentidos". *ste trabalho es** inseri*o n* L*nguí*tica Ap*ic*d* (LA), uma v*z a reflexão sobre *s mecan**mos lin**ísti*os, e não lin*u*sticos, e*ementos ba*tante com*le*os, que dem*nda o con*ecim*n*o *e outras *reas do sab*r hum*no. A LA é uma nova perspectiva d* se fazer ciê*ci* no â*bit* das inves*igaçõ*s soc*ais e aplicadas. Portanto, trata-se d* u*a postura crí*ica e dialógica p*r natu**za, qu* busca em outras *ont*s expl**ações que podem aj*dar * tornar * *bjeto inves*igado aind* mais complexo (*f. *ABRÍCIO, 200*; MOI*A **PES, 2013*; 2013b; 2006a; 2006b; *EREIRA, 201*; SILV*, 20*4). Ne*se sentido, a A*áli** do D*scurso (AD) de lin*a franc*sa é o *rinci*a* *porte teórico-metodológico para as microa*álises de*envolvi*as na *ltima seç*o *ess* trabalho. *a persp*ct*va da **, con*idera-se a no*ela c*mo **rrame*t* ideológi*o-d*scursiva na medida em que constrói, ou reprodu* *o*tumes rea*s, *e dom*nios linguísticos *lurais. De man*ira m*i* esp**í*ica, as vilãs são **rs*nagens de **a*de *e*taque na *ram* n*vel*stic*, movimen*ando-a *e maneira mais ligeir*, ao mesmo tempo *m que se t*rna elemento *ssencial *ara cost*rá-lo da **atomia ideológ*ca e *ocial da no*ela. Rev. FSA, Teres*na PI, v. 13, n. 6, a*t. 10, p.1**-180, nov./dez. 2016 www4.fsanet.com.br/revista B. G. Pereira 16* * luz d*sso, *ão r*ferências os trabalhos de Fi*rin (20*1a; 2011b; 1996), Orlandi (2000; 1996; 1999) * Mai*gu*nea* (199*). Estes es*udos investigam * *D em d***rsos co*textos enunc**ti*os, nos quais *s efeitos de *entido através *a linguagem são *ermitidos *, com i*so, constroem s*gnificaç*o. Es*ão envolvid*s, nas refer*das investigaç*es, olhar*s so*re ideologia e poder, *sto é, fo*ça* *oe*citiva* ca*azes de satis*aze* as demandas do cont**to em que operam. Para *on*izer com as demandas do p*radig*a emerge*te, *inha metodolo*ia *enta ser aberta para outros ques*ionam*nto*, u*a vez **e, a meu *e*, nã* existem ver**des irrefutáveis, mas *im *lhares específicos q*e *judam a gerar sentido* *i*e*entes (cf. M**IN, 201*). Seguindo esse *ac*ocínio, a*ota-se como *bord*gem de investigação a de natureza qualitativa, uma vez q*e e*ige d* pesqu*s*dor uma s*ns*bilidade maior pa*a compr**nder a construçã* e *s nuan*es das person*gens más da* novel*s. Nessa p*rspectiva, Borton*- Ric*r*o (2*08) reforça o *a*áter int*rpretativista desta *bordagem, ao considerar *st* abo*da*em como uma *edida ant*-posi*ivista. Já o tipo de pes*uis* é de natureza docum*nt*l, uma vez q*e e*te tipo de investigação co*o camp* frutífero para pesquisas em Ciênc*as Sociais e Hu*a*as, *ois capta a alma d* qu*m o produz, *is*o que tomo a doc*ment**ã* *omo uma espécie de material*zação sócios se*iótica, capaz de perpetuar imag*ns * constru*r identidades. A epígrafe desse a*tigo si*tet*za muit* *em o *erfil da* v*lãs glo*ai* nos *ltimos 50 (c*nquent*) a*os. * est*reótipo de meger* ou de pessoa vil *onsegue perpassar por com*l*to a *omposi*ão d* pers*nagem Te*eza Cris*i*a, vivida pela atriz Christiane T*rl*n* na n*vela Fina Estam*a, de Aguinald* Si*v*, em *011, *ran**it*da pela Re*e Gl*bo de Televisão. Na o*asião, Tereza Cristina a**aça Marce*a, outra person*gem ** *aráter d*vi*oso. Entretanto, a vi * ã de Tor*oni, além de *e po*tar *in*cament*, se fi*ma não apenas como *ma mulher ressentid* ou inte*essei*a, mas sim como uma espé*ie de vilã soberana, dando-lhe * pos t o cen*ral no principal p*oduto da emis*ora *ari*ca: a *ovela das 2* (*inte e uma) hora*. Do ponto de vista discur*ivo e ideol**ico, *á uma val*rização da *il* tradic*onal do* folhetins do século *IX, tal como diss* no iní*i* *es*a In*rodu**o. Apesar de estar *ont**cenando com outra personagem de índo*e ruim, Tereza Crist*na ajuda a co*struir a im*gem de vilã tr*d*cional, qu* é con**ruída *i*earme*te, ou seja, não há grandes *u*p****s ou m*danças na montagem *a perso*ag*m, o que gera certa pr*visi*i*idade. A ideia de construi* um * vi l ã nos *es**s mo*des de anos atrás é tenta* resg*t*r, de alguma forma, a lem*rança *feti*a da maior pa*t* da **pula*ão d* país que demonstra sentir falta, dos en*edos *ais Rev. FSA, Te*esina, *. 13, n.6, art. 10, p.15*-*80, *ov./dez. 2016 www*.fsanet.com.br/re*ista Tudo Isso é Culpa de Rit*: Olha**s Sobre a Construção Interdi*c*rsi*a das V*lãs de Novelas 163 simpl*s e de pers*nagens mais linear**, tal como no* anos 1980, em detrimento de uma novela *ontada em um enredo confus*, complexo e, muitas vezes, *em coerência, como temo* visto *a maior parte *a* n***las *esd* o início *os anos 2000. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Relação ent*e n*vela e sociedade Pensa* a s*ciedade é buscar compreende* * jogo de ****u*sos qu* s* cos*uram como uma **ia na form*ção da p*rsonal*da*e humana. Em sua* teorias das associaçõe*, Latou* (20*2; 1999) propõe um o*har da so*i*dade c*mo sistema, orga*izado por diferentes teias que, ao ser*m int*rlig*das, of*rec*m subsídios *ecessár*os *ara que seja possíve* uma relação entre interl*cut**es. As ideias *e La*our s*o i*c*n*iva*o*as, na medida e* que o meio soc**l seja, *e fa**, permeado po* teias dis*ursivas que se c*munica* de man*ira tensiva. Nessa perspect*v*, * esfera pu*ament* linguís*ica n*o *esponde satisfatoriamente *s d***ndas de uma sociedad* moderna. Logo, o extra*i*guístic* é eleme*to bas*l** pa*a a compr*ensão d* comportamen*o hum***. É a part*r desses critérios, *ue se tom* a novela como um *ecurs* s**ântico, estilíst*co e pr*g*ático da esfera *ocial, v*sto que ag*ega relações tens*vas de empoderamento. Blomm*ert (2014) considera que as re*ações sociais s*o pragm*ticas p*r ex*elência. Logo, a* disj*n*ões de po*er tornam-se visíveis, *o *entido *e que * re*ação de causa e co*sequência se mistu*am ao m*io socia*, ex*licitando os subordin*ntes dos *ubor*i*ados. No c*ntext* tel*visivo, a novela é um exe*p*o b*stante re*evan*e que a*esta o que afirmei logo ac*ma. *s personage*s *ão co*struíd*s a *art*r de paradigmas que *s levam, ou não, a cai* nas graças da m*ssa. As vilãs, em es*ecial, são resp*n*áveis pelo dese*cadeamento *as a*ões no enre*o, ao m**mo tempo em qu e colaboram *ara a estru*uraçã* *e um a *egemonia dent*o da trama. Em ou*ras palavras, no decorrer de uma no*ela, as pessoas t*ndem a dar mais atenção às ações das vilãs em de**ime**o dos demais personage*s, p**que, d* alguma maneira, o comportamento amoral da personagem a provoca ou a t*ca *e *ane*ra singular. É n*s*e sentido *ue R*mos (2012) problematiza a relação e*tre novela e sociedade, ao pass* que a t*a*a *omo manife*ta*ão cultural e de mas*a, o que é muit* *uestion*v*l para aque*es qu* *e julgam intelectua*s. *ev. FSA, Teresina PI, v. 13, n. 6, a*t. 10, *.159-180, nov./dez. 2016 www4.fs*net.c*m.br/rev*sta B. G. P*reira 164 Nesse sentido, com a intenção de combater o olhar preconceit*oso como muitos est*diosos *ee* a nove*a, **aí*e (20*2) procura mostrar que a novela é, na *erda*e, um espelh* de u*a d*t*rminada classe. Logo, pensar e*te p*o*ut* apen** co*o uma ferrame*ta qu* *omport* diversã* e e*trete*imento é ter, no mínimo, u*a **são ingênua do us * da l*nguagem e d* poder ideológico que per*as*a o* folhetins televisivo*. O autor ai*da chama a a*enção da população acadêmica s*bre a *mport*nci* de se discuti* *apel da n*vel* na o formação s*cial, seja de uma *aneira fantá*tica, co*o ocorre* *m Meu Peda*inho de Chão (2014), de B*nedi*o R*y *arbo*a, s*ja pela realidade *hocant*, *omo f*i em Ver**des Secretas (20*5), d* Wal*yr *arra*co. A*sim, *omo a nove*a co*o instrução li*guí*tica e interdi*cu*siva que merece *tenção es*ecial, visto q*e, *a verdade, se tr*ta de uma mistura de *ingua*ens, tornando-a u* texto multimodal. Lo**, na maio*ia do* *asos, para a*alis*r as *ispar*dades entr* cla*ses *ociais possivelmen*e *ere*as p**as vi*ãs, * per*inente con*ide*ar ess* *istur* de dizeres e *e demo*stra*ã* *ipersemiótica1 , *** vez q*e a lingua**m se manife*ta de diferentes ma*eiras, *er*n*o difer*n**s sentido*. O fato de e*tar expost* na televisão, até então maior *eio de * comunica**o, mesm* co* o advento da intern*t, con*ida o *elespectado* a c*nviver diariamen*e com personagens **e os identificam, me*mo que in*onsci*ntemente. * relação entre n*vela e sociedad*, *a qual venho di*corr*n**, não *s*á **nge *o qu* **zem os estudos fi*osóficos de Bakhtin (199*). *onforme o teóri*o russo, a ling*agem, seja *la em qu* modalidade *or, estabelece uma sintax* entre o que é v**to e o que é praticado em *omínios sociais específ*cos. ** seja, a i*eia marxista de hier*rquização é herança de u*a cultura tradi*ion*l, de gên*se europeia, que *u**a identific*r e defender duas clas*es: os subordinantes e o subordinado. Em se tratand* d*s novelas, as vil*s são respons**e*s p*r iss*. *s ações que praticam q*e d*notam maldade, constituem *ma es*écie de hier*rquia, o*d* a vilã tende a ser a subordinan*e, e *ocinha a subo*di*a*a. Essa art*culação a é vi**a como **a *elação qu e aj*da na construção do enred* n*vel*stico. ** outras palavras, as vilãs serve* com* molas *ropu*soras **r* o estabelecimento de um maniqueísmo q*a*e românti*o, na me*i*a em que o *a* se sobres*ai até certo *o ponto da *rama, uma v*z que, costumeirament*, a mo****a se colo*a na posição d* vit*ri*sa somente ao final da *rama. D**sa forma, investigar o papel d*s 1 O sentido que dou ao ter** hipers*miótic** c*n*izente com o c*nferido *or Moi*a *op*s (*013a), qua**o o
autor explic* qu* a LA pode *er uma ferramenta relevante *ara * pesqu*s*do* que se deparará c*m *nunciados *mbíguos ou qu* *erem, de *lguma fo***, muito sentid*s * *ulg** pel* maneira como são *mp*egados. Rev. F*A, Teresina, v. 13, *.6, art. 10, p.159-180, nov./dez. 201* *ww4.fsa*e*.com.*r/r*vista
Tudo Isso é Culpa de Rit*: Olhares Sobre a Construção Inte*d*scursiva *as Vilãs de *ovelas 165 vil*s nas novela* * uma maneira con*idativa para que *ej* poss*vel viabilizar uma leitura qu* v*rsa sobre a construção maniqueísta da *ovela, *ornando-a um po*c* *revisível. Ent*et*nto, es** p*stura tem *ido bast*nte questi*nada no* *lti*o* 10 (dez) anos. Na *ent*ti*a de resgatar o públ**o das décadas de 19*0 e 1990, quando o b*m sempre venc*a o mal, o* au*ores de nove*as es*ão se esforçando *ar* acompanhar o ritmo da realid*de soci*l, mesmo que, às vezes, essa medida não agrade a po*ul*çã* saudosista da época de ouro das novelas bra*ileiras. As *ramas E* *amília (2014), de Manoel Carl*s; B*bilônia (2015), d* G*lber*o B*aga e João *imenes *raga; e A Regra *o *ogo (2015), d* *oão E*anuel Carn*iro, não for*m *em ace*ta p*la grande massa, j*stamente p*lo enredo co*fus*, pesado e incoerente que se justifica pel* bus*a da realidade tal como ela é. A relação entre n*vela e soc*e*ade ganh* m*is fôleg* quando é anal*sada a real**ade educ*c*onal *as escolas pú*licas do Bras*l, princi*almente nos interiores. A bu*ca pela tão falada *eal*da*e choca a maioria das *essoas, *ei*an*o d* ser algo prazeroso e uma espé*i* de *iversão. *m um país onde a televis*o pa*ece *e* alcance maio* qu* própria *scola, c**o a insti*u*ção ideológ*ca, a novela ganha stat** de educador*, mesmo que inco*scien*eme*te. Lolla, Martinelli e Pasq*i* (2010), e* sua *esquisa, probl*mat*zam essa ques*ão e af**mam *u* ** meio* de c*m*nica*ão, em especial as n*velas, *odem desenvolver diferentes maneiras de ve* a vid*, le*, ouvir, pensar e a*render. *o entan*o, a r*la*ão entre novela e soc*edade *ão ocorre de maneira tranquila, uma vez q*e envolve questões de poder e di*puta **cial. Há profissionais que se ut*lizam da posição que a academia lhe confere, e não con*ebem a novela c*mo alg* pas*ível ** in*est**ação, neg*ndo-lhe, en*ão, legitimidade. Uso o termo "legitimidade" com o mesmo sent*do de Gnerre (1**1), qua*do o autor afir*a que há determinados meios de com*nicaç** que, por ser*m vis*os pel* *rand* maioria como algo i*telectualme*te correto, suas afirmações tê* **levância no **nário científico. Por outr* l*do, há a*ueles qu* ac*editam que as novelas po*em ser como lócus para pesquisas f*utíferas, *ma ve* *ue a novela é, sem *úvida, uma expressão da linguage* que se mate*ializa de diferent*s modalidades. N*ss* *entido, Campos (*013) analisa a novela A*enida *rasi* (2012), d* João Emanoel Carneiro, c*m* um fenômeno de massa. O *utor argumenta que o destaque *ad* à vilã Carmi*ha inte*pretada por Adriana *st**es, colabo*ou *ara que a no*ela se *ornasse uma espécie de vál*u*a d* escap*, po*s, além de div*rtir, trazia à bail* *eba*e* consisten*es s*bre determi*ados problemas socia*s. Na *róxima seção, *iscor*o *m pouco mais sobre a no*ela. *orém, valorizo sua relação ent*e rea*id*de e inte*discurso. Re*. FSA, Teresina P*, v. 1*, n. 6, a*t. 10, p.159-18*, no*./d*z. 201* www4.fsanet.com.br/revista B. G. *er*ira *66 2.2 *n*erface* entre ficçã*, realidad* e interd*s*urso Essa i**erface entre r*alidade e ficção, pr*posta nas n*vel**, é estabelecida a partir d* momento ** que a nove*a *ro*oca no p*b*ico * catarse, tal com* disse na introdução deste artigo. Isso, *or s*a vez, é externado por me** *e ro*pas e *odos de falar qu* s*o r*petidos à exaustão pelas pessoas nas ruas. Ess* i*fluência, no entanto, não de n*tureza ingê*ua, é o* sej*, a ideologia que perpassa *s fenô*enos *e massa s*o, na ve*dade, movim*nto* *eoli*eralis*a* qu* m*biliz*m a so*ieda*e de maneira crescente, ** mais b*i*o grau de esco*aridade * elite intel*ctualizad*. É nesse momento que a barre*ra que d*vid* realida*e e fic*ão *e torna tê*ue e o telespect*dor passa a vivenciar *s dra*as da na*rativa e a convi*er com os personagens com* se foss** memb*os d* família. A televi**o é um aparelho ideológico de gr*nde ex*r*ssão. Por isso, facilitam **tuações como *s explanadas acima. Muitos são os trabalhos *ue problem**izam a televis*o c**o aparelho ideol*gico responsá*e* po* ap**xi*ar re*lid*de e *icção. P*reir* (*015), por ex*m*lo, *nvestiga como * te*evi*ão incentiva * massa a partir da criação *e Xuxa como f*nômen* de populari*a*e e vend*gens. Em sua pesqui*a, * autor analisa repor*a*ens vei*uladas no* principa*s sit** de e*tr*ten*m**to do país, analisa*do como a imagem da *presentador* é repre*entada à lu* *a Linguística Sistêmico F*ncio*al (LS*). Perce*e-se q*e a própria mídia al*m*nta e ostenta * *ítulo de Ra*nh* dos Baixinho*, uma *e* que * *arket*ng está justamente na imagem con*truída na fro*teira *o *u* seria ficção e d* que **ri* realidade. Nesse sentido, tomo a f*cção e a realidad* como princípio* *ociai* interligad*s p*la interdiscu*sivi*ade. Est*, por sua vez, é ente*di*a neste artigo *omo a **sta*ciação e*tre enunc*ador** med*ada pela ideolo*ia, pois consid**o o interdi*curso como elemento relevant* para f*rm*ção d* heterogen*ida*e. Orlandi (19*6) afirma que *unção enunciativ* ocupa a l*gar ce*tr** nas relações int*ra**onai*, na medida em qu* *ão estabelec*das as relações de cau*a e con*equênci*, o que retoma * relação d* subordin*nte e subord*nado, *á d*scut*da na se*ão a**eri*r. * pe*tinente c*nsi*erar que, no mo*ento da interação, as relações discursiv*s mar*am território e, com isso, delim*tam * **paço de alcan*e de determinada comunidade linguística. Assim, considero a *strutura so*ial c*mo al*o *de*logicamente m*rcado, vist* que nã* *ode se *ximir *os as*ectos não linguísticos co*o ger*dores de **ntidos passíveis de i*vest*gação. Benv*ni*te (2006), quando o autor *iz que a socie*ade, *or me*o de interações Re*. F*A, Teresina, v. 13, n.6, art. 1*, p.159-*80, nov./dez. 20*6 www4.fsanet.**m.br/revista Tudo Isso é Cul** de R*ta: Olhares *obr* a Constr*ção Interd*scursiva das V*l*s de Nov*la* 167 discursiv*s co*st*ó* um* natureza d*pla. Logo, a *nt*rdi*cursi*id*d* é, na verdade, uma instanciação constr*íd* *ntr* o* enunciadores no *omento da *nuncia*ão. Nas novelas, essa interdiscursividade é e*idenciada pela int*ração entre a nove*a em si e o pú*l*co q*e * acompanha. Como ** sit*aç*es e*unciativas s*o co*struíd** na cole**v*dade, é muito comum algumas vilãs fugirem de sua propo**a inicial e *usca*em outr*s rumos dentro *o enredo n*ve*íst**o. Tais mu*anças sã* *ncentivadas pela relação in*erdiscursiva ent*e o autor da novela e o *úbl*c* que, por m*io das redes sociais, afirmam s* *o*tou ou *ão do **mo que a pe*sona*em tomara. O exem*** do *ue foi s*li*ntado *cima, cita-se a p*rson**em Encar*ação, vivida pe*a at**z Se*m* Egr*i, na novela, Velho Chico (2016), de Ben*dit* Ru* Ba*bosa. A p**o**, a *roposta da perso*agem era ser a gra*d* **l* d* trama, p*dendo r*nder-lhe o título de *m a das maiore* vi*ãs de novelas globais. Essa prome*sa foi o motivo de dei*ar a personagem *e* in*erpretada pe*a mesma atriz nas t*ês fases dis*intas *a novela. E**retanto, o que s* p*rceb* é um* personage* *u* se resume a r*clamações * viv* p*lo* cantos da **sa, como *e fosse u*a e*pécie de alma *enada, se*do a*ena* uma idos* resmungona. Também coloc* no mesmo ro*, a personagem *or*, interp*etada pela atr*z Dric* Morae*, na *ov*la Imp*rio (2014), ** Aguinal*o Silva. Conh*cido por criar grandes v*lã* da teled*amatu*gia, ta*s co*o Adma, int*rpr*tada por Cá*sia *iss, e* P*rto* d** Mi*agre* (2**1), e N*zaré Tede**o, v*vida por Renata Sorr*h, *m Senhor* *o Dest*no (200*), * autor apostou nas ch*madas tele*isivas, que *ostravam uma Co*a fr** e calculista. Isso gerou ansiedade n* gr**de público, que h* anos e*perava p*r uma grande *ilã. No entanto, Cora não di**e * que veio e *e resumiu em u*a versão moder*a e ins*ssa das beatas típic*s dos an*s *980, *orém sem o mesmo glamour *u fo*tes p*rticipa*ões c*nic*s. Mui*os apostaram que *ora seria uma e*péci* de Perpétua, v*v*da p*la atriz Joan* Fo*n, em Tieta (1989), e*crita **l* *róprio Aguinaldo S*lva em parceria co* Rica*do Li*hares e Ana Maria Moret*sohn. *o entanto, Cora não corr*spondeu ao que o p*b*ico espera*a ao *er as c*ama*as da nov*la. A perso*agem estagnou e nã* cresceu na trama. Resumi*-se a s*r uma mulher frus*rada por não ser, corr*spondida am*r*sament* pelo *omendad*r José *lfredo, inter*retado *elo ator *lexandre Nero. Nes*e sen*ido, to*o a novela como gr*nde leque poli**nico, onde as vozes *ue são orquestradas pe*o aut*r pa*sam a ter vida própria, a partir da intervenção positiva ou negativ* do públ*co que, po* s*a vez, é constituído por u* co*junto d* vozes. A *deia d* p*lifoni* * vozes sociai* é condize*t* com os es*udos bakhtini*nos. Para o filósofo rus**, nã* se *rata da emissã* *ocálica liter*lmente, *as s*m de um c*njunto de discursos que s* ent*elaç*m *omo R*v. *SA, *eresina PI, v. 13, n. *, art. 10, p.159-180, nov./dez. 201* *ww*.fsanet.co*.br/rev*sta *. G. Pereira 168 u*a teia * formam *rup*s lin*uísticos co* há*itos part*cu*ares. Seg*indo ess* racio*íni*, também na pe*spe*tiva *a*xista (cf. BAKHTIN, 1999), as vozes d*s vilãs de novelas mat*ria*izam uma sinta*e narrativa, na qual a const*uç*o hierárquica é const*uída a partir da art*culação entre as v*z*s da própria p*rs*nagem, do públ*co *ue a assiste e *o *ut*r qu* a **cr*ve. A int*nção *ão é fazer uma revisão teórica *xa*stiva sob*e o *onceito de voz e pol***n** nos e*t*dos bak*ti*ianos. *ara m*iores inform**õe*, co**ul*ar os trabalh*s de B*ai* (2014; 2*05), Orlandi (2005), Tezz* (2005), Beze*ra (2014), Machad* (2014), Miotello (201*), Santos, C*str* e Pe*eira (2015), Stella (2014), só para citar alg*ns. Do ponto de vista semântico, re*ação *n*re a a tríade *icção/r*alida*e/int*rdiscurso **mbém contribui para a *roblematizaç*o que ten*o delinear neste tr*balho. Sem desconsiderar a es*era prag*á*i*a, a semânti*a cu*tura* permite uma *ersão ant*c*rtesiana, uma vez q*e a construçã* de sen*idos passa a ser *ista d* ac*r*o c*m o m**e**al cultural dis*onível (cf. ILARI, *001). Ess* visão ju*t**ica a criação de vilãs amb*guas, com o caráter e as aç*es del*ne*das ao longo da novela. Isso, muitas vezes, é mostrada explor*n*o o humor, e* det*ime*to de u*a *in*uagem p*sada de novelas, normalm*nte, *os ho**rios das 21* e das *3h. C*mo e*emplo, cito a vi*ã Helem, vivida pela *t*iz Taís Araújo, na novela Cob*as e Lagarto* (2006), de J*ã* *manue* Carn*iro. 3. METODOLOGIA 3.* Crit**ios para ***ação dos dad*s Es*a pesquisa é *e abordagem qualit*tiva, uma vez que tomo a int*rpretabilidade co*o *ma possibilidade pertin*nte ao desenvol*imen*o de *m olhar *ais sensível no *ratamento dos dados. Trivi**s (*9*7) *ropõe a pesq*isa q***itat*va como s*bsídio *apaz d* sint*tiza* q*est*es s*ciais, culturais e linguísticos ac**ca do objeto pesquisado. N**se sentido, analisar a construção interdiscursiva de pers*n*gen* vilãs da teledramaturgia bra*ileira é con*idar * leito* a f**er uma r*leitura *e se* pró*rio cotidi*no, *artindo do pri**ípio da influên*ia que a mídia televisiva exerce *unto à pop*lação em massa. O tipo de *esqu*s* * *ocumental, pois ana*iso víde*s extraí*os do site *ou*ube que a*rese*tam grande núme*o de visualizações. Além *isso, é *ma ferr*me*ta *eleva*te pa*a a tra*scrição da fala d*s personag*n* analisadas para a e**rita. Rev. FSA, Teresina, v. 13, n.6, art. 10, p.15*-*80, n*v./dez. 2016 w*w4.**anet.com.br/re*ista Tu** Isso é Culpa de Rita: Olhare* S**re a Const*ução Inte*discursiv* d*s Vilãs de Novelas 169 Assim, tomo a pesq*isa documental como uma p*ssib*lidade c***ente *ara analisá-lo do corpus uma v*z que, d* acordo com Sá-Silva et al, a visão de do*umentação contribui *ara um ol**r social do pesquisa*or, ao compr*en*er o documento não como um simples arte*a**, mas tamb*m por en*e**ê-la *omo uma rep*esen*ação sociossemiótica de um d*termina*o m**o e *ontex*o social. No quadro abaixo, ele*co as vilãs * *er*m analis*das na seção an*lític* do *orpus, ind*c*ndo a nove*a *a *ual faz par*e do enredo, seguido pel* *ink *ue facilita o rastreame*to *o vídeo de o**e * fal* *o* extr*ída. *uadro *1 - *elação de personagens * links de ac*sso *E*SONAGEM N*VELA *INK Maria de *átima Val* Tudo https://w*w.y*utube.com/watch?v=KQgKWmLzx*I Odete R**tman Vale Tudo *t*ps://www.youtube.com/watc*?v=KQgKWm**xNI Branca Letí*ia Por Amor https://www.youtube.com/wa*ch?v=fWPju*89xtk **a Falcão *elíssi*a htt*s://**w.youtube.com/wat*h?v=KQ*KWm*zxN* Marta Págin*s *a *ida https://www.youtu*e.com/w**c*?v=KQgKWmLzxNI Flora A Favorita https://www.youtube.co*/watch?v=A6C*LMY*Ctg Fonte: Autor*a *róp**a A* v*lãs el*ncadas no quadro acima são *s mesmas personagens que anali*o na se*ão seguin*e. **a*a-s* d* u* esquema que facilita ao **ito* o aces*o ao cont*xto de inte*discur*o maio*, no qual as açõe* são semiotizadas. O crité*io para s*leção *o corpus se encont*a no fato de as *alas a*a*isada* sin***izarem melhor *uestões de r*lação de po*er e construção inte*discurs*vas do es*ereótipo de vilãs *m novelas brasileiras. N* pró*ima seção, apr*sent* a análise *o c*rp*s. 4. *ESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 V*lãs da t*linha: cons*rução de *entidos a pa*tir de olhar*s interdiscursivos A i*tenção dessa se*ão é m*strar como *ais personag*ns são *onst*uídas a par**r da id*ia de repre*entação *a A*. *esse se*tido, bus*o uma teor*a que possa capt** o social na material**ação do texto, sem, necessariamen*e, foc*r somen*e na esfe*a grama*ic**, o que n*o impedi de us*-l* em *as** de necessidade para a *is*ussão do* diferen*es efeito* de sentid*s que causam. Rev. FSA, Teresina PI, v. 13, n. 6, art. 1*, p.159-180, **v./dez. 2016 www4.fsa*et.*om.br/revis*a B. G. Pere*ra 170 O* frag*entos estão ass*m di**ribu*dos: *) fa*a da p**sonagem vilã; ii) nome d* *ersonagem; iii) nome da n*vela; e iv) a*o em q** a nov*la foi t**nsm*tida. O Fragmento 01 é uma fa** da personagem Ma*ia d* Fát*ma, v*vida pela atriz Glória Pires, em 1988, *a novela Va** Tudo, de Gilb*rto Br**a, A*ui***do Silva e L*ono* Bassères. No contex*o *a fala, a vilã briga co* * mãe *aque*, *ivida *ela atr*z *egina Duarte. Maria de Fátim* *ene*a textualmente sua origem humilde ** hu*il*ar, de m*neir* p*ng**te, sua mãe. * no*ela *oi com*rc*alizada m*n*ialme*te, se*do, até hoje, um d** maiores s*cessos da t*ledramatu*gia do Brasil. *RAGMEN*O 01 "Eu odeio es*e n*me. J* me basta ter que assina* esse nome de **bre em talão de ***que. Você não sabe de *ada! Se vo*ê soubesse de a**uma coisa, *o*ê *ã* teria c*e*ado a es*a *dade s* com a *ua pra andar" (Maria *e Fá**ma, em V*le Tudo, 1988). A *ala da personagem inicia-se pe*a sua insatisfação com s*u p*óprio nome, o que seri*, segundo **a, "nom* *e pobre". Nesse *omento, Ma*ia d* Fátima *orna-se, nitid*men*e, um e**m*lo de dis*ari*ade d* níveis sociai*, uma vez que reconhece no próp*io n*me re*quício* de sua trajetór*a humilde. *esse s*ntido, Van D*jk (1996) afi**ar, *u* a lin*uagem est* d*ret*ment* associa*a *s prop*ied*des cognitivas do suje*to. Em out*as palavras, do pont * de vista d*s*ursivo e psicoli**uís*ico, * fala da vil* rev*la tra*mas que certamen*e guardam em sua mente. Assim, Mar*a de Fátima faz uso *a ignorância, prepotência e arrogância para exte*nar a* sensaç*es imagético-*in*stésicas que seu no*e as fe* contrair. Por ser extre**ment* ambiciosa, Mari* de Fátima rene*a *ua orig*m humilde e se torn* a pe*sonificação do al*inismo *ocial, o que gera hierarquia mencio*ada na seção a ***erior. Out*o po*to importan*e é o uso da primeira p*s**a do sin*ular (e*). * opção po* esse elem*nto l**guí*tico deno*a u** posição de superiori*ade e* relação à outra perso*agem com *uem con*rac*na. Nesse momento, há u** re*resentação de superioridade da vilã, de maneira a entendê-la como *entro da cena. P*r isso, a figura da vilã g*nha maior d*staque, uma vez q*e a p*im*ira pessoa m*terializa interdiscursos capazes de estabel*cer uma sintaxe narrativa que gira ** torno do maniq**ísm*, *o m*smo tem*o em que ressalta * at*mpor**id*de da novel* (cf. FIORI*, *011a; *011*; 1*9*). No f*ag*ento a*ai*o, *á uma f*la da personagem Odete Roitman, in*erpretada p*la atri* Beatriz Seg*ll, em 1988, *a mesma novela do fragmento a*im*. Odete Roitman *end*u à R*v. *SA, **resina, v. *3, n.*, art. 10, p.15*-180, nov./*ez. 2016 w*w4.fsanet.com.*r/revist* Tudo Iss* é *ulpa de Rita: O*hares Sobre a Co*struç** Interdisc*rsiva d*s Vilãs de Novelas 171 Beat*i* S*gall o T*oféu Impr*nsa de Melhor Atriz, ** 19*9, além *e s*r *onsiderada a mai*r v*lã de n**elas *ra*ileira* de todos os t*mpo*. *o contexto da fala, * vilã está sen*ada à *esa, **m vários con*idados. O *m*ie*te era lu*uo*o, *e bom go*to e requ*ntado. O*ete *hegara * pouco de Paris e, ao se deparar com a *eal*dade brasi*eira, *ão *c*nomiza *o* in*ulto* ao paí*. Os convidados que almoçaram com Odete se mostraram visivel*e*te con*trangid*s diante das *ortes pa*avras da vilã, sendo debochada *, *o mesmo *empo, rí*pida. FRAGM***O *2 "Eu tam*ém acho [o Bra*il] lin*o, meu amor, mas s* em cartão *ostal. Essa terra aqui *ão tem jei*o *ão. Esse povo não vai pra fr*nte. As pess*as aq*i não trabalham. Só se fala *m cri*e, de*de *ue eu me conheço por gente, só se fala em cris* nesse pa**. É u* povo preguiçoso. *ó se fa*a em crise, m*s isso *q*i é uma mistura de ra*as qu* não deu c*rto, é *sso *ue é o Brasil" (Od**e Ro*tm*n. Va*e Tudo, *988). A *al* da v*lã é i*iciada por um enuncia** que denota deboche, ou *eja, o f*to de *er irônica ** atribui * Ode*e **a car*cterísti*a *u**a e, ao m*smo t**po, u* car*ter destemperad*. Ao dizer d*s cartõ*s *ostais, * per*onagem c*i*ica visivel**nte as con*i*õe* tur*sticas do Brasil. Do ponto de v*s*a d* se*ântic*, Odete su*ere *ue não se deve con*iar nos c*rtões po*tais, pois cos*umam *en*ir (cf. ILARI, 2001). A* mesmo tempo, també* * pos*ível encontrar no cartão po*ta* * idei* de distanciamento entre *ras** e vilã em o a questã*. Logo, nesse senti*o, cabe a expres*ão popular "*uanto *ais lo**e, melhor". O*tro ponto relev*nte *os dados é * ref**ênc** que Odete faz à cri*e econô*ica *ue o Bras*l vivi* n* época. Q**** 28 (vinte e oito) *nos depo*s, é po*s*vel per**ber a a*emporal*dade no discurso da personagem. Entretant*, não ent*are* ne**e *eandro, pois o foco a*u* reside na construção de imagem superior da vilã em questão, consideran*o sua *o*t*ra e art**u*ação int*rd*sc*r*i*a. Odete sen*a-se na cabeceira da mesa. Do ponto de vista da AD iss* é basta*t* pertinente, visto que su*ere superior*dad* *m *elação aos *utr*s personagen*. *s ofe*s*s de Odete ao Bras** e* n*nhum *omento foram retr*cadas, * que comprova * oni*otência *a vilã q*e se mostra *eement*mente co*tra a cultura brasileira. Ao fa*ar qu* o Brasil é "uma *i**ura de *aças que não deu c*rto", Odete abr* espaço para várias inter*ret*ções. A primeira d*las * o p*econcei*o por parte das v*zes margi*al*zad*s que não s* so*re*saem ao jogo polifônic* que *e tra*a (cf. BEZ*R*A, e 2014). Nesse momento, há um* espécie *e m*nólo*o, *ois vilã se expr*ssa de a ma*eira Rev. FSA, Te*esin* PI, v. 13, n. 6, art. 10, p.159-1*0, nov./dez. 2016 w*w4.fsanet.co*.br/revi*ta B. G. Pereira 172 *ebocha*a, mas *em a apro*aç*o dos *emais que pre***em se calar. O *ilênc*o, nesse *aso, também *era efeitos de senti*os. Ao *ptar **r não fala*em, os *emais personagens colo*am- s* na postur* d* vítim*, ou d* s*je*to ass*jeitado (cf. ORLAN*I, *999; 1996), que aceit*m, sem q*estionar, as palavras da *ilã. *m síntese, *á na fa*a de Ode*e uma críti*a ferrenh* à diversi*ade racial br*sileira, colocando-a como su*erior, um* es*écie de "raça a*iana", como dize* os estudos hitlicistas. O fragmento abaixo foi e*traído da novela Por Amor (1*97), de Manoel Carlos. Trata-*e da fala da vilã Branca Le*ícia de Barros *o*a, interpret*d* *ela atriz Susana Viei*a. Na époc*, a personagem de V*e*ra f** muito be* ace*ta pelo p*blico que esperava, *iariamente, p*r s*as m** açõ*s. *o *o***xto da situaç** da fal*, B*anca hostiliz* Milena, *erso*agem vivid* p*r C**o*ina Ferra*, durante o *a*é *a man*ã de u*a s*gunda-*eira. A v*lã mo**ra-s* insatisfeita com * *i*ha, **a vez que ela *er*a le**do **guns amigos par* passar o fim d* s*ma*a em s*a c*sa. C*mo a relação ent*e as d*as já e*t*v* ru*m, a cena cheg* ao fim com Branca tentando ma*ar M*lena com uma fa*a. FRA*MENTO 03 "Eu não tô nem aí pras suas *ronia*. Que, aliá*, ne* são ironias, porque iro*ia* pressupõem alguém i*teligente po* trás delas, o que não é o s*u caso, p*r*ue se você tivesse al*uma coisa den*r* da su* cabeça, você nã* estari* *ogan*o s*a vida pel* ja*ela, s*m *stu*ar, *em trabalhar, se* v*aj**... ou seja, u** vid* *nútil" (Branca L*tícia, Po* Am**, 1997). A f*la aci*a é agr*ssiva do início ao fim. Do ponto de vista do discurso, há o abuso *a h*era***ia por *arte de Branca. A sua *r**duti*i*i*ade é in*íci* de que a v*lã não gosta de ser contra*i*d*, no *ue muito fa* lembrar o tradiciona**smo *a*ilia*, onde *s pais m*ndam e *s filhos obedecem sem recl*m*r. Nesse *enti*o, a fala de B*anc* soa *omo *m recurso de l*gi*ima*ão e ordem, *olocan*o-a *omo foco do des*nvolvimento cê*ico. Quando eu **go sobre a leg*timação da voz de Branca, estou condizente com Gnerr* (*991) ao afirmar que algo legi*imad* di*icilment* contestado. Ass*m, trata-se de *ma é hierarqu*a familiar, também muito seme*hante ao *arxi*mo de Bakhtin (1999), na qu*l é possível no**r condiçõ*s de **usa e conse**ência, o que resulta *m um subordi*ante (*ranc*) e sub*rdinado (Mile*a). *o *ham*r a f*lha de inútil, d*scurs*vamente, Br*nca a conside*a limit*da psicologica*ente e, ** maneira pejorativa, insis** na *deia de *ue * filha *ão serve para nada. Rev. *SA, Teresina, v. 13, n.6, art. 10, *.159-*80, no*./dez. 201* www4.fsanet.com.br/revist* Tu*o *s*o é Culpa de Rita: Olhares Sobre a Cons*ruçã* I*terdisc*rsiv* das Vilãs de Novelas *73 Entr*tanto, não posso coloc*r *il**a na cond*ção de sujeit* assujeitado, vis** que reage aos insu**o* da mãe, contrariando-a. Nesse momento, há *ma espécie *e quebra na sin*axe narrativa, v*st* que as açõe* da vilã n*o se co*cretiza*a* *e ma*eira satisfatóri*. Des*a forma, Milena q**bra um paradigma e a sintax* nar***iva é r*c*nstruída conforme *s inte*ações *nterdiscursivas. No desenvolver da cena, há uma quebra na lógica hierár**ica, o que evidenci* a *emanda pel* poder, no qual o m*is *ort* sa*ria vitorio*o (cf. BLOMM*ERT, 2014). O *ragmento a*aixo *oi retirado de u*a fala da personagem Bia Falcão, vivida por F*rn*nda *ontenegro, na nove*a Be**ssi*a (2005), de Sílvi* de Ab*eu. Na época, a vil* foi ac*amada pelo público, mesm* *omet*ndo vá*ias más aç*es. Pr*va diss*, foram as manifestações **s rede* sociais e nas ruas pa*a que a p*rson*gem vol*asse à novela, uma vez que teria mor*ido em um acidente de ca*ro. N* cont*xto situac*onal d* cena, Bia Falcão humil*a Vitória, person**em d* **áudia Abreu, ao descobrirem que eram m*e e filha. A cena *irou em tor*o des*e fato que exigiu da* atrizes *orte carga *r*mát*ca. En*retanto, Bia não de*on*tra ne*hum sentimento de afe*o e as pa*avras *or*m dita* de maneira géli*a. *RAGME*TO 04 "Voc* é uma p*aga! Você é um ho*ror que e**rou *a minha vida! Eu não qui* você quando você *asceu, eu n** quer* você ag**a, eu *ão v*u querer vo** nunca n* minha vi**" (Bia Fa*cão, Be**ssima, 200*). O primeiro de*alhe a ser *onsi**rado é o uso d* p*o*ome d* tra*amento "você". No cont*xto da fala, tal ele*ento linguísti*o funciona como uma espécie de recurso que di*t*ncia Bia de Vitória. Log*, a *aterialização da repulsa é ocasiona*a por *s** dis*a*c*am*nt*, na *edida em que os fatos v*o *en*o rev*lados. Ao deixar de usar o pronome "você", B*a p*ssa a usar o pronome "eu", causando out*os efeit** de sentidos. N**se caso, a pr*m*ira pes*oa do singu*ar c*loca a vilã c*mo aquel* figu** prepotent* que nã* aceita a *ilha * nã* sent* prob*ema algum e* explici**r isso. *esse sentid*, temos *o*amente ideia marxis*a a *e hiera*quia, o* seja, é Bia o ce*t*o da cena, pois cab* * el* a*eitar o* nã* a *ilha. Do p*nto de vista discursi*o, isso parece se* *m* dis**r*ão s*mânti*a, uma ve* *ue, pelo fato de Vitória n*o saber que er* fi*ha de Bia, não a coloca neces*ariament* na *ondição de v*ti*a da *ituaçã*. Rev. FS*, Teresina PI, v. 13, n. 6, art. *0, p.1*9-18*, nov./dez. *016 w*w4.fsanet.c*m.br/r**ista B. *. Pereir* 174 Vi*ória, *o *ntanto, me*mo *m silên*io, dá-se * chorar, o que a coloca em posição infe*i*r a **a, *ue mes*o sendo *ambém uma *ulher, age friamente, sem nenhum resquíc*o de sentime*t*l*smo. *ssim, Vitó*ia coloc*-*e na condição de mulher submiss* à vilã, a qu*l, p*r sua vez, s*bressai-se como um* vi*o*io*a. No âmbito d* AD, **i*os são os trabal*os que inv*stigam o p*pel da mulher em dif*r*ntes dom**ios *ociais. *omo ex*mp*i**caçã*, cita a pesquisa de Reis e B**to (2*12), que problematiza*a* a q*estão fem*nina em cam*a*has publicitárias. Na oca*ião, as p*squisadoras quiseram saber como a *igura *eminina é exposta a uma s*c*eda*e machista e neo*iberalista. Desta *esquisa, r*sultou **tro trabalh* que a*ro*unda ainda mais *ssa questão. Como nã* é *sse me* foco nesta abordagem, pa*a maiores in*ormações, consul*a* o *rabalho* *e Reis, Brito * Pereira (2013). O fragme*to abaixo foi *xtr*ído da f*la da per*onagem Ma*ta, i*ter*r*tada pe*a a*riz Lilia *abral, em 2006, *a no*ela Páginas *a V*da, de Man*e* Ca*los. Depois *e mais de dé*a*as de carreira, Marta foi a *erson*gem *ue ma*s valorizou e explorou ** p*tencialidades cêni*a* de *ab*al. Na época, sua atuaç*o na *ovela das 21h rendeu-lhe u*a *ndicação ao Emm* I*terna*ional, na categoria Melhor Atriz. Embo*a a atri* não *enha levado para casa a **t**ue*a do Emmy, em compensaçã* *o Bras*l arr*matou t*dos o* prêm*os, a s*ber o Trof*u Imprensa de M*lhor Atriz de 2006. No conte*t* de situação da cena, *arta discute com Ale*, person*gem de *arco* Ca*uso, seu m*ri*o *a trama. Mar*a r*c*ama que fi*h*, q*e neste contexto da história j* a havi* *alecido, *astou todo seu din**i*o ao menti* *u* es*ava estudando no exter*or. *lex *ão se mostra c*n**z*nte com os in**ltos de *a*ta e não rejeita um res*arcimento que alguém *he *fe*ecera. A c*na *ira *m torn* d* discuss*o ent*e o casal, no entant* é em Mart* qu* o foco se most*a m*is evid*nte. FRAGM*NTO 05 "I*iota! Va*os a*abar com essa palhaçada! *e dá o cheq*e! Vai, Alex, me *á o cheque! Que man*har mem*r** da filh* coisa nenhum*. **e m*mó*ia? E que filha e*a es*a? T*o pura, que engravidou *á fora e consumiu o di*heiro do meu tr*ba*ho" (Marta, Pá*inas da Vida, 2*06). A frase já s* in*cia em tom de ag*es*ividad*. * t*rmo "idiota" costura a f*la da per*ona*e* *ue se mostra o centro da cena. O s*gni*ic*do da expre*são ora analisada é *esenvolvida em tod* a fala de Marta, que most*a- se debochada e, ao mesm* te*po, R*v. FSA, Teresina, v. 13, n.6, art. 10, p.*59-180, nov./dez. 2016 www4.fsane*.com.br/revista Tu** Isso é Culpa de R***: Olhares Sobre a Construção Interdis*ursiva das Vilãs de Novelas 175 rancor*sa no que se refer* ao comporta*en*o da *ilha Fernand*, interpretada pela a*riz Renata Vas**ncelo*. A **eia de que o di**e*ro **solve tudo é a gran*e célula da fala or* a*ali*ada. *o *ceit*r o cheque, Marta ajud* a *onst*ui* uma *magem de s* mesma como s*jeito que n*o está disposto a co*tin*ar vivendo *a manei*a como estava. * comp*r*amento da vilã i*ustr* o papel de uma sociedade neo*i*eralista que vê no *inheiro seu princ*pal mot*vo para c****nu*r vive**o. Nes*e senti*o, a fala ora a*alisada parece *at*r*aliza* um "ca*i*al simb*lico", co*f*rme as p*lavras d* Bo*rdie* (19*9). Para o a*tor, o po*er simbólic* está nas mão* *a*uele *ue, de alguma ma*ei*a, *e enc*ntra e* *ma escala h*erárqui*a s*perior em com*a*aç*o * outras *esso*s. N* caso da ce*a analisada, a **e** * que ta* poder si*b***co é conferido *penas aquele em *ue tem no dinhe*ro um* espéc*e de sol*ção para s*u* p*obl*m*s. Out** ponto re*eva*te é maneira de**chada com* Marta se refere à memória da a filha, *á falecida. O fato de visto a filh* v*ltando grávida para cas*, de**ertou na vilã *m* ira demasiada. É necessário esclarecer que a mágoa de Marta n*o reside pro*r*amente no fa** de Fern*nda t*r **gravidado, mas sim *o fato d* que isso, de a*g*ma f*rma, impe*iu *ue o dinheiro que *art* i**e*tiu ** **lha fosse apro*e*tado nos estudos, *onforme a vilã ac*ed*tava. L*g*, a ira da personag*m de Cabral es*á n* *inheiro "perdido" e *ão, propriame*te, na gravide* da filha. Logo, a t*ia interdiscurs*va que se dese*volv* n* cena é *arcada pel* contribuição que * dinheiro como **je*o de d*sejo, uma vez que é *le que desperta as mald**as de Mar*a, const*uindo, a *artir disso, uma sintaxe di*cursiva nã* co*vencional. Do pon*o de v*sta enunciativo, a ação da v*l* re***senta b*a par*e de uma sociedade q*e e*contra no di*h*iro uma espécie de trampol*m para a fe*ic**ad*. A*sim, personagen* c*mo * s* e se misturam à realidade do país, o qu* os tornam m*is human**ados. Utiliz* o te*mo "hum*nizad*" não no sentido de tornar-se *ma pess*a h*mana, mas sim pelo fa*o de deixar claro *ue a construção ideológi*a da vilã se mistura com a real*d*de de milhões de pes*o*s, c*iando-*e na interface entre ficç*o e realidade. O frag*e*to ab*i*o foi extraído *a fala da *ilã Flo*a, inte*p*etada magistr*lm*n*e pel* atriz Patrícia *ila*, na novela A F*vorita (*0*8), de Joã* Em*no*l Carneiro. *a *poca, P*l*r *anho* vári*s prêm*os co*o Melhor Atriz, a *aber, * Tro*éu Impre*sa e * Trofé* Inte*net. **ra os críti*o* de televisão, este foi o m*lhor trabalh* *a atriz em *ovelas. O co*te*to de situação *m *ue a f*la f*i retirada é um* reproduçã* f*el dos *ilm** de t*rror norte-americanos. Flo** está vest*d* de *ranco, o que l*mbra uma esp*ci* d* *orta R*v. FSA, *eresina PI, v. 13, *. 6, art. 10, p.159-180, nov./dez. 2016 *ww4.fsan*t.com.br/revista B. G. Pereira 176 viv*, e su*a de sangue. Isso, po* sua ve*, *ssu**a Gonçalo, personagem de Mauro *endo*ça, uma vez que Flora sug*r* ter matado *ua es*os* Irene, vi*i*a pela atri* Gl*ria M*neze*. E* *ma esp**ie de casarão dos ano* 195*, a vilã desperta * pavor de Gonçalo, que n*o resiste e morre ví*ima de um at*que c*rdí*co. FR*GMENTO 0* "Eh... Gen*e ve*ha é *m perigo! Morr* por q**lque* coi*inha" (Flor*, A Fa**rita, 2008). A fala de Flor* é do início *o fi*, deboc*ada. * i*te*jeição "Eh", em *om reticen*e, suge*e uma e*pécie de lamentação p*r pa*te da vilã, sendo que, na ver*ad* trat*-se *e uma ir*nia. De*sa f*rm*, *ssa construção é um recurs* estil*s*i*o na medida e* que a enunciação ev*dencia qu* o comporta*ento d* *erson*gem é *ustamen*e o *ontrári* do que *ar***u ser a p*incíp*o. Retoma-se, c*m isso, a ideia de ambig*idade (*f. BENVENIST*, 2006), como re*urso semântico, visto que acon*ece *onscientemente. *ogo, a enunc*ação serve *omo uma espéc*e de pano de fun*o que, *os pouco*, costura a anatomia de *ma v*lã cláss*ca, que muito lembra os tempos áureos d* teledramaturgia no B**si*. A c*nstr*ção "gente velha é um perigo", do pon*o de vis*a *deológico-*iscursivo, revela uma vilã *x*remamente preconceituosa no qu* se r*fer* às pess*as com faix* etária *aior **e a sua. Ao mesmo tem*o, há a co*strução d* uma sinta*e *is**rsiva q** re*oma à *deia de i*onia e, com isso, há uma te*t*tiva de *riação metadiscur*iva, o que facilita a legibilida*e e*unciativa (cf, ORLANDI, 1999; 200*). Já a construçã* "morre por qu*lq*er coi*inha" resgata, novamente, a id*ia de *ron*a pr*sente no iní*io da fala da vilã. Na verdade, de man*ira im*lícit*, Flora r*c*nhec* que sua atitude é *mpl**ent* anta*ônica no enr*do *ove*ístico, o que torna *ma personage* fr*a, a calculis*a, ma*, ao m*smo tempo perspicaz. Iss* é típi*o da cri*ç*o d* personagens esféricos e c*mple*o*, mui*o u*ilizad*s em n*velas desde o i*ício dos anos 2000. 5 CONSID**AÇÕES **NA*S Não r*stam dúvidas que as novelas representa* ou ao m*no*, tentam re*resentar, o co*texto re*l da soci*d*de *m q*e ora opera. Ness* sentid*, * linha dema*cató**a entre realidad* e *icção **rna-se cada vez *ais tênue. R*v. FS*, Teresin*, v. 13, n.6, art. 10, p.159-180, nov./dez. 201* www4.fsanet.com.br/*evis*a Tud* *ss* é Cul** de *ita: Olhares Sob*e a Construção *nterd*sc*rsiva das **lã* de Nov*l*s 1*7 No *ue se refere à construção ideológica das v*lãs telev*sivas, *oi p*ssíve* pe*ceber a repro*ução de p*rsonagens amorais q*e encont*am em dife*ent*s motivos * ra*ão para sua personalid*de forte e discursiva*en*e envolve*te, visto que toda a força *ênic* conce*tra-s* *as ações qu* tais personagens de*envol*em na linha sintagmá*ic* *o enredo. Ne*se sentido, a m*stura de vozes ** criação *as vilãs é r*sultado de um conjunto de discursos q*e se man*festam de maneira i*ter*ependen*e, ou seja, são inter*iscur*os na medi*a em que é po*s*vel per*e*er a l**ação entre o que é vis*o *a ficção da no*ela e na vida rea* e co*i*iana. *ste trabalho * pertinente *os es*udos da lingu*gem, u*a vez qu* as novelas também são manifestaçõ*s *i*guístic*s em s*a* d**ers*s mo**lida*es. Nesse s**tido, a construç*o das *magens de per*onagens vilãs nos conv*da a repensar o alto g*au de influ*ncia *ocial que as tramas novel*st*cas d*s**volvem *o c**id*ano das pessoas, as qua*s t*ndem a repro*uzir modismos lançado* j**tamente pel* lin*u*gem multimodal d*s nov*las, dad* o grande *eor de influ*ncia da televis*o *o** apa*e*ho id*ológico. RE*ERÊ*CIAS *TAÍDE, *. Teleno*e*a: Um ol*a* so*re a p*odução acadêmica. Revi*ta Novos Olhar*s, v. 1, nº 10, 2*02. BAK*TIN, M. *arxismo e F*losofia *a L***uagem. São P*ulo/S*: HUC*T*C, 2006. BENV*N**TE, E. 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Rev. F*A, Teresina, v. 13, n.6, **t. 10, p.15*-1*0, *ov./dez. 2016 *ww4.fsanet.com.b*/revista

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