www4.fsane*.com.br/revista
Rev. FSA, Teresin*, v. 13, n. 5, art. 3, *. 41-60, set./out. 2016
ISSN *m*r**so: 1806-6356 ISSN E*e*rô*ico: 2317-2983
ht*p://dx.doi.or*/10.128*9/2016.13.5.3
Freedas Crew: Pintando Com um Gr*po de Mu*heres
Freedas Crew: Painting Wit* a *roup of Wo*en
*hayan** Tavares Freit**
Mestrado em *ntropologi* Soci*l *ela Unive*sidade Feder** do Pa*á
Graduaç*o em *erviç* S*cial pe*a Universidade Fede*al *o Pará
E-mail: tha*.**reitas@gm*il.com
Evandro d* Sousa Bon*im
Doutor em *ntropologia Soc*al *ela Universida*e Federal *o R*o de Jane**o
Profe*so* da Universi*a** Federal *o Rio de Janeiro
B*l*ista Fape*p (2015/26464-*)
E-mail: evandrobon*im@h*tmail.com
End*reç*: Th*yann* Tavares F*ei*a*
Endereço: *. Aug*sto Corrêa, 1 - Gu*má, Belém - PA,
Editor Científico: T*nny Kerley de Al*n*a* R*dr*gues
*607*-*10
Artigo recebi*o *m 25/0*/2016. Últim*
versão
E**e*eço: Evandro de Sousa Bon*im
rec*b*da em 20/07/**1*. Apr*vado em 2*/07/2016.
End**eço: Quin*a da Boa *ista, São C*istó*ão - Rio de
J*neiro, RJ - *rasil, *EP: 20940-0**.
Avaliado *elo sistema Tr*ple *e*iew: Desk Review a)
pel* E*itor-Ch*fe; e b) Do**le Bli*d Review
(avaliação ce*a por d**s avaliadores da área).
Rev*são: Gram*tical, Normativa
e de Form*tação
*. T. *reitas, E. S. *onfim
42
R*SUM*
O *res*nte artigo fa* parte da minha pesqui*a de mestr*do e* a*damen*o sobre um coletivo
d* mulheres q*e g**fitam n* Grand* Belém, *h*mado *reedas Crew. O text* tem *omo base
um rela*o etnográfico as*o**ad* a reflexõ*s teóricas s*bre * oficina "Viv*ncia para
M*lheres", ministrada
pela arti*ta *is*al e grafiteira Michelle Cun*a em 20*4,
na *ual
originou a Crew. Reuniu * mulheres (d*s 15 *nscritas), *urante dois meses no Casa-Atel*ê
Sopro, no **irro da Campina em Belém-PA. Des*a**-se * experim**taç*o c*m* *etodolog*a
de pe*quisa,
po*s a autora do *e*to part*cipou da oficina e, por con*e*u*ncia,
tornou-*e
integrante da* F**e*a*. *e observação-*articipação da fu*da*ão e v*vência d* um a
colet*vo
de ar*e feminina apreende
alianças, conflit**, resistências e *ociabilidades existent*s *o
proces*o do graff*t*,
a*render essa arte conjuntamen*e
com out*a* mulheres iniciante* traz
re*l*xões e experiências dife*enc*adas. Para t*l, o *iálogo é tr*çado com Ro* Wagner,
*a*ti**o de *u* t**ria da c*ltu*a **mo "i*ven*ã*", que c*loca *m relação a*t**pólogo
*
nativ*, além da **c*ologia car*al de Wacquant, que procur* desenvolver uma sociologia
a
part*r do corpo.
Palavras-chave: Ar*e Urbana. Graffiti. Experimentaçã*. Freed*s Crew. Mulheres.
ABSTR*CT
This ar*icl* is par* o* my ma*ter\s degree research i* *rog*ess about a *ollective
of *omen
who
graffiti in Belém, called Free**s Crew. The text is b*sed on an ethnograph*c repo*ting
associated w*th theoretical reflections o* the wor*sho* "Women\s experience", adm*nister*d
by visual *nd graffit* arti*t Mic*elle C*nha in 2014, which led to *he Crew. Brought tog*th*r
9 women (of th* 15 enrolled), for two m*nths in the C*sa-Ateliê Sopr*, in the neighbo*hood
of Campina in B**ém-PA. It highl*ghts the expe*imentation as resear*h *ethod*l*gy, because
the author *f the text *ook part in
the wor*sho*
a** consequently b*came m*mber of th*
Freeda*. If the observation-par*ic*p*tio* of the fou*dation and exper*en*ing o* a female art
*ol*ecti*e seizes *ll*ances, conflict*, *esistan**s and sociabil*t* that exist *n th* pr**ess of
graffiti,
l*a*n this art together with o*her beginne*\s women
bring* reflect*ons and uni*ue
*xpe*ience*. To this, the di*logue *s delineated with R*y Wag*er, *rom *is theory of *ulture
*s "inv*n*ion", which pu*s *nt*r*polo*ist and na*ive relat*onship. *esides th* carnal
sociology of Wa*quant, whic* seeks to *evelop a sociology fro* *he body.
Keyw*rds: Urba* Art. Graffiti. Experimentation. Free*as Crew. Wom*n.
Rev. F**, Te*esina, v. 13, n. 5, ar*. 3, p. 41-60, ***./out. 20*6
www4.fs*net.com.br/revista
*reed*s *rew: Pin*a*do *om u* Grup* d* Mulheres
43
1 INTRODUÇÃO
No pres*nte artigo pre**ndo refletir sob*e o meu traba*ho d* campo **e *e encontra
*m andamen*o com as Freedas *re*, mulheres grafiteiras da c*dad* de
Belé*-PA1. Partire*
de um event* *specíf*co - uma of*cina d* graffiti ministrada pela arti*ta plá**ica e grafit*ira
Mi*h***e *u*ha, po*t*riorm*nte desdobr*u na *ri**ão de uma "Cr*w"2de mulheres chamada
Freedas, * qu* de*de então,empreende mações na "*ena"3do graf*iti na Grande Belém.
Ba*e*da *a vi*ência com o* su*eit*s **ssa arte, o graf*i*i é uma intervenção a*tística
visual que u*il*z* como pr*nci*al
"tela"4 o **ro. * p*rtir da exp*r*mentação foi poss*vel
*****car e pe*sar o graffiti como for*a de empoderamento e resistência. Cabe **zer que ess*
*o*figura*ão é apen*s u*a da* p**sívei*, q*e tive a**sso a essa p*r conta da sucessão e
d*
determina**s e*e*tos * aparatos conceit*ais, bem co*o por *e tratar de u** crew só
de
mu*heres que im*rime uma pe*for*an*e *e g*nero (BUTLER, 200*) *i*erenciada, ten*o **
vista q*e o gr*ffi*i é uma a*te pr**o*inantemen** mascu**na.
O
graffitti possu* divers*s d*spositiv*s de comunicaçã* entre arti*tas e "socied*d*
en*olv*nte", atre*ados * sistemas de l**g**gem int*a/extra grupos, pas*íveis * con*litos
e
ali*nças. E*s* de**niçã* é apenas um esboço, poi* não *retendo enges*á-*a, ju*tame**e ao
perceb*r que m**mo en**e as/os ar*i*ta* a *lassificação carre*a múltiplas assi**l*ções *,
qu*ndo *ef*nido, insere-*e e* de*ermin*dos ***textos.
A* praticar, j*nta*ente com
as alunas da oficina, percebemos, pois e* maio*ia
somos aprendizes, que quan*o o "dar-receber-retrib*ir" (MAUSS, 2003) é rompid*, o circui*o
de trocas é suspe*so. ** mesmo m*d*, no mom*nto em q*e estas t*oc*s *ã* resp*itadas, c*ia-
s* u*a rel*ção de parcerias * pactos entre a*/os ar**stas ** r*a.
O m**o é o pri*c*pal art*fato de expressã* pa*a es*a a*te, e u*a c*tegoria nativa
é
esclarecedora *ara **t*: a "tela". O muro a é
"t*l*", o quadro d**sa expressão
art*stica por
ex*elência. Lá pode**s ver pa*ce*i*s, sau*ações ("s*lv*"5), *ixas
e d*elos
entre
grafit*iras(os) * *eus par** e/ou p*xadores. Ta*b*m é cenár*o de protes*os e manif*st*ções
1
Mes*rado em a*dame*t* p*lo Progr*ma de Pós-Gr*duaç*o em Antropologia da UFPA, área *e concentra*ão
*ntr*pol*gia Socia*, na lin*a de p*squisa Gênero e Sexualidade. Pesqu*s* orientada pe*o Dr. Fabiano de So*za
Gon**jo.
2
C*ew significa um *rup* forma** por vários grafit*iro*(as) que a**inam um nome *m comum, faz*m reuniões e
se *r*anizam cole*iva*e**e.
3
Cena é * que configura a pa*sagem, as re*es de *el*çõe* do graffiti, o* sej*, * con*unto de crews e
g*afitei*os(as) *tivos *u* *ormam o contínuo artístico.
4
5
Tela é o supor*e onde a ar*e é reali*ada o* pode ser o *u*al j* pronto.
Sa*ve é uma *om*nage* * um o*tro grafite*ro(a) o* cr** atrav*s *a referên*ia *e seus nomes no graffiti
realizado.
Rev. FSA, Ter**i*a PI, v. 13, n. 5, *r*. 3, p. 41-*0, set/out. 2016 www4.f*anet.com.br/re*ista
*. T. *rei**s, *. S. Bonfim
44
cont** o E*tado, o mac**s*o (n* c*so de alg*mas *e*ina* part*cipante* da ofi*ina) e outros
tipos de v*olências.
Send* assim, co*o falei anter*ormente, o *rtigo te*á como b**e principal um r*lat*
etnográfi*o sobre a criação *e um grupo de *ulher** no
graffiti, partir de uma oficina a
oferecida pela arti**a Mic*ell* Cun*a. No entanto, o foco da escrita *erá a e*perimentação
como recurso de aprox*maç*o e *esq*isa *a "cena" do *raffitie do proc**so
ar***tico de
*ulheres apre**iz*s dessa arte, *os quais for*m possíveis apr*ender os confli*os, as alian*as,
as *esistências e *ociabili*ade* existentes *esse fazer *rtístico.
A idei* é mais ou *eno* a seguinte: se a etnog*afia é o *st**o o*jetivo * a
s*bjetivação d* dif*rença (LÉVI-STRAUSS, **03), e podemos dizer qu* o g*affiti e o ato de
grafita* estão *nserido* em *m circuito de r*fe*enciais comuns, modos de produçã* artís*ico* e
*ocia**lidad*s, *u s*ja, uma cultu**, no sentido dado por Ro* Wa*ner (2012), por que, então,
*ã* experimentar? Princi**l*e*te levand*-*e o
em c*nta
que o graff*ti *ue estou *studando
e*tá em *m contexto favorável para a minha experimentação, ou se*a, u*a gra*iteir* e *rtista
v*su*l que resolveu ens*nar par* *utras meninas co*o *rafit*r, o que facili*ou
conside*avelm*nte a min*a inserção e práti*a de*s* ar*e, levando-se *m *onsider*ção a minha
condição d* mulher e interessada na *xp*ess*o v*sual.
Desta*o que a ofi*ina e *eus desdobramentos t*m si*o um campo primordi*l, p*is
trouxe * po*sibilidade de participar *e toda* as atividades como integrante, dan*o-me acesso a
in*o*ma*ões e percepções *if*rentes pa*a a*guém que pesqu*sari* *p**as de forma
"tradicional". Afi*al, todo um grupo *e técnicas no sentido de (MAUSS, 2*03, *.401)
e
adq*irido através da experimentaçã*, técnic*s
es*as que t**nsi*am entre *á*ios con*ex*os,
d*sde o graff*ti
oriu*d* da *ult*ra
hip hop americ*na, até suas atua*izações em contextos
lati*o* ame*icanos * out*os (CA*POS, 2007; *ILVA, 200*; M*GRO, 2002). Nessa guinada
teórica, c*rp* - n* cas*, o meu - é instrume*to e técnica d* pe*q*is* (WAC*UAN*, *
20*2). Portant*, pro*urarei explorar a d*finição de Lévi-Strauss (**03) de que,
n*
antropologia *oci**, * observa*or * da mesma natureza d* observ*do. E que, mui*o pa*eci*o
c*m o
que W*cqua*t (2002, p.78) disse pa*a o boxe,
no graffiti t*mbém: "[a]
a*reens*o
indígena é, aqui, a con*ição indispensável de conhe*imento ad*quado do objeto".
Re*. FSA, Teresina, *. 13, n. *, art. *, p. 41-*0, set./out. 20**
www4.fsanet.co*.br/revista
Freedas Crew: *intando Co* *m Gr*po de Mul*eres
45
2 VI*ÊN*IA PARA *ULHERE*: OFICINA DE GRAFFITI * AS FREEDAS CREW
*proxi*a**me*te à* 14h d* *ia 21 de outubro d* 201*, *ichelle Cunha anunciou
em uma rede so*ial digital a segui*te
proposta: "*ou começar * oferecer aul*s
*e graça
de
*intu** na rua *ó *ara mu*heres
que querem aprend*r * g****tar. B*sta trazer seu mate*ial
e
aj*da* a descolar o muro. Qu*m pil*a?". *sse foi o primeiro chamad*
pa*a a reali*aç**
de
u*a oficina de graffiti pa*a mul*e*es realizadas na casa-*teliê *opro *a artista, e q*e *tr**u o
in*ere*se de muitas pessoas que acompanhavam *ua pá*ina digital.
A*ós ess* postagem, a pro**st* da oficina foi *e estruturando * ganhou o nome
de
"Vivência pa*a mul**res - introdução ao graffiti e *u*ras *ormas *e intervenção urbana".
Mi*helle
cri*u um evento virtual * *presentou *om mais detalhes
como
seria, cobrou um*
taxa de inscrição de
valor *imbólico para a
compra d* parte do
material nece*sário *ara
o
andamen*o *a* **ici*as, c*mo: tinta * base d`água, rolinhos, papéis, compensados, pincéis *
ca*etas coloridas. O único *at*rial solicitado para as poss**eis par****p*ntes f*i *ma l*ta de
spray a p**tir do seg*ndo enc*ntro.
A o*ic*na teve um gran*e número de interessada*, mas só *or*m ofertadas 15 va*as
que ra*i*ament* foram preenchi*as, inclusive criando-se, uma lista de e*pera, *aso h*uvess*
des*stências. A p*imeira a*la *correu no dia 31 de ou*ubro e finalizou no dia 28 *e no**mbro
de 2014, *ota*izan*o
q*a*r* enc*n*ros. Como prim*iro contato c** as apr*ndi**s, Michelle
s*geriu uma *reve apresenta*ão de ca*a alun* expondo seus interesses pa*a **m a oficin*. As
gar*tas apre*enta*a* diversas expectativas. Este*, po* **emplo, conta que tinh* proximidade
com o gr*f*iti por m*io de se* compa*h**ro
*ue já gra*itava
h* anos, mas
que
e*a, por **
*ongo te*po, só o acompanhava *as inter*enções e que hav*a
cheg*d* * momento dela
apr*nder t*m*ém. Outras dizia* se inte*essarem p*la arte urbana e, co*o tinham habilidades
com o d*senho, encontraram na ofici*a a grande oport*nidade *e prati*ar. N* momento
da
apr*sent*ç*o expus o *eu objetivo como
poss*v*l pesqu*sado*a - p*is estava em meio
*o
processo seletiv* de mes*rado - int*re*sada no graffiti reali*ado por m*lher*s, *untamen*e
com a *inh* curiosidade em aprend*r *qu*le tipo de *nter*enção *rbana.
Os ensinamentos in*ci*is incluíra* u*a int*odução *o v*cab*lário básico da art* de
rua ("bomb", "tag", "cap", "*olê"6...) e uma das p*incipais regras *e convivência *u* é a
de
6
Bomb é a as*inatura do a*tis*a que são fe*tas c** letras grossas e bem unid*s umas as ou*ras ou **rson*gens.
São feito* sem autorizaç*o e por isto são de rápida execução. *ag é a assinatur* da(o) grafiteira(o) geralmente é
um pseudônimo. C** é um* *spécie de "bico" acoplad* na **tinh* de spray para que a tinta seja expelida.
Existem diversos modelos que *lt*r*m a e*pessura do ris*o. *olê é a bus*a de *uro para intervenção que pode
ser *m local autorizado ou não.
Rev. F*A, Tere*i*a *I, v. 13, n. 5, art. *, p. 4*-60, set/out. 2016 www4.*sanet.com.br/**vista
T. T. *r*itas, E. S. Bon*im
46
**o atropelar7 o
traba*h* de outra(o) artista. Alguns *xer*ícios de desenho foram rea*izad*s
com ti*ta "PVA" a *ase d"água, spray,
canetinhas hidrocor e lápis de cor. Em outro dia de
ofic*na ela se
concentro* em ensi*ar *omo de*e**ol*er s*a própria "tag" e a afirmação
de
iden*idad* na rua. Nest* apr*nd*z*do, Michelle incentivou a con*tru*ã* de *ssin**ur*s
com
letras d*fere**iadas e * criação *e u* nome o* pseudônimo que poderi* s** usado na rua. E,
no f*m de*te dia, util*zando um compensado forr*do *om *m papel pardo e canetõe* (uma
espéc*e de caneti*ha, porém com a ponta grossa, muit* util*zada p*ra s*ltar "tags" em
q**lquer su*erf*cie discretam*nte) na mão foram *eitas divers*s
"tags", a*gumas
co*
*stampas, o*tras com sombreamen*o, noç*es *e *rofu*di*ade, geralmente co*struin** letr*s
gorda*, *ntrelaçadas e m*lt*col*ri*as. Co*o no *xem*lo a segui*:
Fig*ra 1 - Exercício *obr* "tags" e "bombs", na *ot* estou esboçand* algumas l*tras
estiliz*d*s.
Autoria da fo*o: Michelle Cunha.
No *ercei*o dia, os exercíc*os detiveram-se na ut**ização * tint* "*VA" para col*rir
o* pap*is A4, p*steriorme*te, f*zer *ortes aleatórios e d* d*ver*os t**anho* e c*res. *stes
foram *ola*os em p**el bra*co, construi*do for*as, se*e*, *aisagens, deixan** *ivre *
imaginaç**. A ministra*te da oficina incen*ivava * no*s* criati*i**de, partin*o da persp*ctiva
que a*uela colagem poderia estar e* um mur*, por meio d* *istur* de *ores e de formas
geo*étri*as. Já *o quarto enco*tr* houve
um a a ul a
uti*izando spray. Mich**le solicitou que
le*ássemos *apelã*, spray e es*ilete. O objetiv* era que cada alu** elaborasse um "*tenc*l" **
for*a *e**jad* e qu*, ** final da tarde, fi*éssemos nosso primeiro "**lê" Sairíamos pe*o
bairro da Ca*pina atrá* de um mu*o, preferenc*almente de uma proprieda*e abandonada,
**ra deixarmos nossas pr*meiras intervenções.
7
At*ope**/ passar *or cima/ queimar/ cobr*r - Realizar um graffiti s*bre a intervenç*o (gr*ffiti, p*xação) de
outra(o)*r**sta ou crew.
R*v. FSA, Teresina, v. 13, n. 5, a*t. 3, p. 41-60, set./out. 2016 www4.fsanet.com.br/revista
Fr*e*as Crew: Pintand* Com um Grupo d* *u*he*es
47
**gura 2 - Personagens fe*to* com colagens de papéis col*rido* e geométric*s.
Autor*a *a foto: Michelle Cunha.
Na Rua Fe*re*ra Cantão hav*a o *u*o de um pré*io abandonad* *om mui**s
*raffitis, "pix*s", imagens feitas a "stenci*", m*s al*uns es**ços livres nos quais deixamos
n*ssa* prime*ras m*rcas n* *i*ade. Neste dia em especial éramos sete m*n*nas: Walqu*ria,
Mi*h*lle, Este*, C*mila, Kari*a, Luana e eu. A* meninas d*monstrar*m segurança,
principa*men** **rque
est*vamos sob a or*ent*çã* e companhia
de Michel*e que e** a mais
experiente e escolheu * local de intervenção. Rel**brando *om algu**s *e*as (via rede so*ial
digi*al) sob*e * qu* s*ntiram n**uela primeira e*pe*iência n*s ruas e já praticando o "vanda*",
pud* verif*c*r
o *uanto o evento fo* m*rcante par* cada
uma; cada **al traz*ndo sua
p***pectiva.
Luan*, a* *ome**ar o *ue sentiu, disse q*e f*cou content* ao ter nos enco*trado.
Naquele dia ela não h**ia part*c*pad* da *ficina, mas combinou que tent*ria nos achar pelas
ruas mesmo se* s*ber qual s*ria o muro. Q*ando nos encon*rou ficou mu**o feliz e ao mesm*
tempo desconcer*ad* por n*o ter preparado nada ("stencil" o* t*r levado material), mas se
animou ao ser i*centi*ada pelo grupo *a** escrever algo *o m*ro: "Vai! **g*! Manda uma
*rase!", "por*ue sempre q*e vou fa**r al*o *om material a*sim *ue *ão é meu, fico cheia d*
*edo de \ai, estou des*erdiçando, não se* fazer isso, es*ou estr*ga*do\ sabe? Mas e* enfr*ntei
isso, porque *oc*s me incentivaram".
Rev. FSA, Ter*sina PI, *. 13, n. 5, art. 3, p. 41-60, set/out. 2016
www4.fsanet.com.br/*ev*st*
T. T. Freitas, E. S. Bonfim
48
Figura 3 - Luana mostr*ndo "ousadi*" ao deix** sua marca no muro escaland* a
p*rede atrás de e*p*ços l*vr*s para a su* frase.
A*toria da foto: *i*helle Cun**.
Este* (Bisteka), re*embrando, d*s*e que f*cou *ervosa principa*mente porq*e o muro
não e*a au*orizado. Pensou na possibilidade "de algu*m ma*dar a gente parar" (Ester, 2015,
relato digital). O* transeun*e* que ali c*r*ulavam d*monstraram o *eu espanto ** se depar*r
*om um *rupo
de menin*s intervindo *m uma par*de em plena
luz do dia. Muitos,
*o
passarem de carr*, gri*av*m: "deixem de pixar, sua* pixado*as!!" .
*á a *ar*na (Ka), por exemplo, comentou qu* s*a v*ntade fo* de "chegar no local e
faz*r" (Ka*ina, *0*5, relato digi*al), *ão se sen*iu nerv**a em inte*v*r em um lugar *úblico e,
de certa form*, *uma parede n*o autorizada, "e* achav* que *eria sempre tranquilo, eu s*n*i
muit* tra*quilidade, eu q*eri* interagir co* tudo!", c**clu*u.
***a con*ers* f*i rea*izada alguns mese* depoi* pela internet, a partir de mensagens
individ*ais e *ão *ive acesso as se*sações *e todas *obr* aq*ele momento mas, ao es*ar com
*las percebi o quanto estavam atentas ao *luxo de pessoas, à divisão de esp*ço na **rede,
à
utilização de materiais (*e acordo com o que aprenderam nas aulas), na interação *ntre elas ao
se *judar*m co* o "ste**il". *oré*, *as que co*versei, fo* possível trazer perspectivas
diferentes sobre aquela o*asião aborda**m pon*os importante*, como o apoio que Luana e
recebeu da* outra* *eninas, mes*o que *ão ten** part*cipado da aula de "st*ncil" e não ten*a
levado material para usar; o m*** de Ester com * *ossibilidade de sermos in*e*rompi*as
a
qual*ue* momento, e a coragem
de Ka*ina em
estar tranquila, mesmo send* uma ocasi*o
nov* *ara muitas meni*as que ali estavam presentes.
Aqu*le primeir* "rolê" foi uma experi*ncia específic*, po* *er sido feita e* grupo.
Foi uma ação pla*ejada * tinh* o intu*to de mostrar essa roupa*e* do graffiti que é
o
Rev. *SA, Teresina, v. 13, n. 5, art. 3, p. 41-60, s*t./o*t. 2016 www4.f*anet.co*.br/revista
Freedas C*ew: **ntando Co* um *rupo de Mul*eres
4*
chamado "vandal" e o "rolê". Par* m*ni*as ini*ia*tes, a ativid*de mostrou-se bast**te
d*s*fiadora. Co*fes*o
que para mi* foi um momento muito t*ans*ressor, ampli*ndo no*a*
possibilidades de es*ar n* rua e interagir com ela. Naquel* cená*io *rbano de*xamos de faz*r
parte da mass* de *ess*as
em movim*nt* e *os co*ocamos como protagonistas n*qu*le
c*nári* q*e era a r*a, na qual est*vamos int*rferind* a*tisticame**e no seu aspect* visual.
A oficina pr*via um "muti*ão" c**o atividade de fechament* dos ensi**mentos. Em
*o*ve*sas, no d*c*rre* de uma das aulas *a oficina, Michelle retomou a questão d* "mut*rão",
falando que existi* **a
ch*nce d* ele ser realiza*o
*a e*cola em que Walquíria lecionava
como profess*r* de artes. A integrante ficou *esponsável *m neg*cia*
com o colégio, pois a
ação s*ria em *arce*ia com os *lunos *omo ativid*de e**racu*ricula*.
P*ss*d*s algu*s dia*, Walq*íria trouxe o retorno d* *olégi*, o *ual se compro*eteu
em r*alizar a pre*aração do m*ro que seria executado pel*s aluno* na v*spera. Os *rofes*or*s
se junta*am para
oferece* uma feijoada no almoç*. Foi d*cidido *ue teríamos mai* um
encontro para planeja* o paine*. *oi es*olh*do um tema em comu* *ara os desenhos. Para o
encontro *a vésp*r* do evento ela pediu que f**éssemos esbo*os de ilustrações voltadas para
rostos fem*ninos, nem t**as as meninas c*ns**uiram comparece* a
este planeja*e*to *o
a**li*, mas f*ram *omu*icadas *irtu**mente das *e*is*es para aquele *ia.
*o di*
06 de dezembr* de 2014 ocorreu o "mutirão" *m parceria c*m
uma e*cola
públic*, l*caliza*a no bairro do CDP. O* a*unos
juntamente com * p*ofesso*a
de Artes
*assaram a "*VA" no **ro u*il*zan*o **versas cores, divi*idas em blocos de p*rede. Isso faz
*arte do *reparo pré**o do muro, considerando ser *e pra*e no g*affit* que a "*ela" já esteja
com al*u*a camada de ti**a antes do p*oc*sso da pintur* com *p*ay. M**helle *reparou um
flyer convocando gra*iteiras(os) a p*rtici*a*e* da ação coletiv*. Ess* *rt*culação com
a
"cena" local foi impo*tante para a real*zação do evento.
**v. FSA, T*resina PI, v. 1*, n. 5, *rt. 3, p. 41-60, set/o*t. 201*
www4.fs*net.com.br/revist*
T. T. *reitas, E. S. Bonf*m
50
F**ura * - Muro do c*légio com *lgum** int*rvenções. Nesta *oto podemos ve**ficar
como *s alunos fizeram a base dividi*a em bl*co* de co*es variada*.
Aut*ria da foto: T*ayanne Frei*as
Karina e eu fomo* as prime*ras pa*ti**pantes da oficin* a c**gar n* local. Marcamo*
*e ir juntas po* não sabermos direito * ender*ço da esc*la. Ao chegar*os lá, Walq*íria esta*a
no colégio * algu*s g*afit*iros já *ema**ava* s*us *spaços no *uro. *s(as) alunos(as) *ue se
encontravam no colégio
colaborava* para *rganizar o local, enquanto um d*s fu***onários
capi*ava a borda do muro.
De inicio, ficamos sem saber por onde começ*r, porque o ev*nto s*ria o *o*so
*rimeiro "mutir*o", o
que impl*cava u* *uro le*aliza*o, os o*tros artistas no
evento; al*m
dis*o estarí**os expondo nosso apre*diza*o juntamen*e c*m grafiteiros experi*ntes na arte
d* rua.
*guar*amos as demais men*n*s chegarem e principa*ment* a Michelle, m*s
soubemos at**vés de uma ligação que ela d**ora*ia, então re*olv*mos dema*car o muro.
P*rcebemos que a *a*ede do c*lé*io localizada *a ru*
pr*n*ip*l do bairro (*ua esta qu*
pa*sam *s prin*ip*i* linhas de ônibus seria atingido pelo *ol * *anh* i*teira) já havia mu*tas
marca*ões e gr*ffitis iniciados. Resolvemos, então, marcar u* pedaço na rua paral*la, a qual
estaria a *ntrada pri*c*pal *o *olégio. É bom res**lta* qu* gra*itar em um mur* que *em alta
**sibili**d* pela grande circulação
de pessoas ou do fluxo de
auto**veis e tran*port*s
públi*os é o local de p*eferênci* da *aio**a.
Pegamo* um pedaç* *onsideravelmente grande pa*a o grupo da oficin*, suficiente
para per*ona*e*s de gran*e porte. Com um esboço do desenh* *m *ãos, in*ciam** o graffit*.
Util*zamos
giz de cer* **ra *azermo*
o r*scunh* na parede, é de t*mpo e* *empo,
con*eríamos a ilus*raç** de c*r*a di*tância, para assim,
visualizar as p*ssí*ei* im*erfeiç**s,
**r*uras e falta de si*etrias no desenh*. A*** o *s*oço no m*ro util*zamos a "PVA" para
a
Re*. FSA, Teresina, *. 13, *. 5, art. 3, p. 41-60, set./out. 2016 www4.fsa*et.com.br/revista
Fre*das Crew: Pintan*o *om *m Grupo de Mul*eres
51
base dos ro*tos. Só assim, *erceb*mos como a* *ersonagens se *g*gant*vam, * preenchim**t*
das ilustra*ões traz um* ide*a *a d*mensão de **mo vai f*car o tra*al*o.
Com o decorr*r do temp*, out*os g*afiteir*s, alunos, professores e as *eninas do
g*upo foram che*an*o. Camil* foi a terceira *enina * chega* e l*go *nicio* a
base do **u
"person*gem"8 (ver fig*ra 5). Michelle chegou alg*ma* horas de*ois. Qu*ndo vi*
os
d*senhos, se *ssu*tou com o ta*anh*, mas g*s*ou m*i** da *nici*t**a de *ermos com**ad*
sem ela por perto. Nes*a *casião m**tramo* auton**ia e "sagacidade" (term* muito usad*
por pratic*ntes do graffit* na c**ade para elogiar
atitudes corajosa*, in**itas, de risco
-
al*umas v*zes - como
*intar em lug*res mais altos, por exempl*), *a* no nosso c*so foi princi*almente pela
g*andio*idade do primeiro gr*ffiti.
A*t*s de *erminarmos o graffiti f*mos *onvi*adas par* almo*arm*s no i*terior do
colégi*. A feijoada foi *eita * servida por a*g*ns p*ofessores e f*i o
*omento para
con*ersar**s ** pouco, já que na
pint*ra nos falamos
som*nte p*ra tr*ca de
alguns
materiais,
*edid*s de empréstimo
da únic* escada disponív*l *
outros ass*nto* que fi*ara*
restrit*s ao grafi*ar.
Figura 5 - Imagem *ontada por Michelle Cun*a com * intuito de apres*ntar o painel
realiz*do pelas alu*a* da ofic*na.
Au*oria das *otos: M*chelle Cunha.
*
Person*gem/pers*na - Ilustração des*nvol*ida pe*a(o) grafiteira(o) e *ue contem cara**erísticas (técnic*, traço,
cores, estética...) q*e são *sso*iadas ao estilo de seu autor.
Rev. FSA, Teresina PI, v. 13, n. 5, art. 3, p. 41-60, se*/out. 201*
www4.fsa*e*.com.br/revista
T. T. Freita*, E. S. *onfim
5*
Foi int*ressa*t* perceb** os olhares de *urpresa d*s *rafitei*os ali present*s , ao ver
meninas organi**nd* e p*rticipando de ** "mutirão" de gra*fiti. Pe*ceb*a-se, cla*amente, que
a maioria dos a*i pr*sent*s *ram g*a*it*iros e não estav*m acostumados em ver tant** me*inas
graf*tando *unt*s. Mesmo sabend* da exi*tência *a of*cina *, que ali, esta*ia* presente*
ju*tamente *om a Mich*lle.
Ap*ove*to para infe*ir q*e a aç*o *oi bem aceita pelo colégio, por t*r havido uma
articula*ão e*tre professor*s, alunos e artistas de rua q*e, a* se mobilizarem em pro* de um
mesmo objetiv*, se envolveram e va*o*izaram a ação *om*arecendo ao e*en*o. Ainda no
mur*, e*qu*nto *i**li*ava min*a "per*onagem", alguns alunos passava* co*templand*,
re*istrando com seus c***l**es. Ou*i *omentá*io*
do tip*: "agor* sim, isso é que * *sc*la!",
"** al*uém "pixar" ess* muro *u v*u atrá*". Então, podemos perce*er que env*lver os alunos
* aproximar a arte e, *unto
com *la, a *alo*ização do que é feito, porque este "mutir*o",
da
maneira como foi organizado, *nclu*n*o-os
(não só
na *ase
do m*ro, mas *m esp*ços para
ta**ém se
expressarem atr*vés da pintura *om spray* cedidos pela própr*a professora de
artes) fez com *ue eles t*m*é* se sentiss*m pa*te do *rocesso e au*ores dos r*s*ltados.
Sendo assi*, o colégio gan*a outr* valor para os al*nos.
Es*e e*e*to *oi i**o**ante também par* o grupo de menin*s por te* sido uma
*p**tunidade de
interação co* os outros artistas, por t*r sido *m "m*tirão" planejado
por
mulheres, além de ter sido uma experiê*c*a diferen*e no *raf*iti - co*o * ta*anho do *uro, o
fato de ser liberad* e ac*ito p**as pessoas *ue da *sco*a us*fruem. Todas es*as questões
intens*f*caram a vontade de pintarmo* juntas e o pr*ximo pas*o **i dado *ogo e* seguida: a
criação d* "crew".
* "*utirão d* **affiti por s*nho*
de paz e amor", *ue acabei de descre*er, foi o
estopim para indi*ar a necessidade
da *r*ação de
um grupo. Não que is*o já não fosse
pr*vist*, mas * pintar *ompartilhado, a *arceria no processo criat**o *o *r*ffiti, a mobi*izaç**
*e cad* integra*te para *
efeti*ação *o mur* f*i de*erm*nante para a concretização das
Fre**as Crew. Em uma entrevista, **alizada posteriormente a esta ocasião, Karina (Ka)
consider* o *raf*iti e o ato de grafitar uma ativ*dade de grup*, pois *iz que *
"gr**fiti er* fazer pa*te d* um g*upo que faz *ra*fiti,...primeiro, **a mim graffitti *ra
pintar na rua né!?Antes de conhe*er todo es*e mundo do graffitti. Gr*ffit*i *** pintar
na rua, pinta* com
spra*, saber co*o funcion* o s*ray e usa* os ou*ros elementos
c*mo: rolinho, pva e tal...Pra m*m isso *ra graf*it*, de*ois gr*ffit* era fa*er parte de
um gru*o que, tipo,... A*o*es, uma classe artís**ca... A classe dos atores, são feitas só
po* *ess*as que atua*, ai ** imaginei ass*m: o graf**ti deve ser a mesma
coisa!"(Ka*i** - Ka, 17 de fe*ereiro de *016).
Rev. FSA, *e*esina, v. 13, n. 5, art. 3, p. 41-60, set./out. 2016 www*.fsanet.com.br/revista
Fre*das C*ew: Pinta*** Com u* Grupo de Mulheres
53
Por mais *ue a in*egrante perceba no decorrer de suas *eflexões que o graffi*i vai
m ui * *
além de simplesment*
pertencer * um *rupo de grafiteiras(os), verifico que o a*o **
integra* uma cre* e, **nse*uentement*, faze* parte da cena como uma catego*ia maior,
*os**a i*porta*te e integra as múltiplas car*cterístic** do *ue é graf*iti9.
Alguns di*s depo*s d* realizaç*o *o "mutirão", *i*h*lle sugeri* a criação de uma
"crew". A e**olh* do nome ocorreu no dia 09 *o m*smo mês. Fom** i*cen**v*das a *ens*r
em vá*i*s nomes e, assim, votar no *ue mais rep*ese*t*sse o grup* e sua* pretensões
*o
graffit*. Surgiram no*es *omo "Crew das Créus", "Pupilas C*ew", "Vem ti**ora Crew", mas
nã* t*veram o voto da maioria. * sugestã* *scolhida pelo g*upo foi o "Freedas Crew". Esse
nome foi *ensado pa*a simb**izar res*stênci*, supe*a**o e a liberdade de *ulhe*es a*tis*as. É
um a
espé*i* d* anglicismo, com a ju*ção da **l*vra free com o primeiro
nome de Frida
Kahlo, a qual se t*rnou nossa *rin*ipal inspiraçã*1*.
Gos**ri* d* refor*ar mais uma vez que as
minha* contribuições para com o
grupo
*oram a*torizada* e **c*nt*v*d*s pelas próprias
menina*, *ue n*o só me *iam
como
*esquisado*a mas, pr*ncipa*mente, como int*grante e, por este motivo, e*peravam *ue eu
s*masse, de alguma, fo*ma para
o cres*iment* d* grupo, *eja *** momentos de aç*es
artístic*s, seja
dand* opiniões diversas, i*clusive *m alguns *asos de conflitos (*omum em
qualquer meio so*ial) (*AÉZ, 2013).
É imp*rtan*e salient*r, t*mb*m, q*e as Freedas não é a primeira "*rew" de m*ninas
na ci*ade, pois *esde 2007
ex*ste outro
gr*po (totalizando
quatro *ntegrantes) cha*ado
"R*tinhas Cre*" que foi criad* pelas *rafi*eiras Marc**y Feli* (Cely é form*da em Art*s
V**uais pe*a UFPA) ju*tamente c*m Érika Pimente* (*ika).
Portanto, desde a **iação do nome o grupo passou a se o*gani*ar enqu*nto cole*ivo,
rea*iz**do açõ*s e participa*d* do* pr**essos criativos em co*ju*to. Logo, a *ágina da *rew
e um gr*po
virtua* foram criados
na internet
pois, dessa form*, os "muros" **deriam ser
divulg*do* em a articu*ação com *s integ*ante*.
Das quinze meni*as i**crit*s na *fi*ina s**ente nove delas parti**param das aulas e
desta*, todas con*ribu**am pa*a a form**ão d* "crew", exceto uma. Sendo assi*, *s Freedas
inicia*men*e er*m: Ca*ila, Ester (Bisteka), Isabella (Bel), Kari*a (Ka), Luana (L*), *ichelle
Cun*a (Mic), T**ya*ne (***it) e Walquí*ia (K*ka). Atualmente o col*t*vo tem sete
integran**s, Wa*quír**
saiu d* crew, Mi*h*lle Cunha se distanciou tor**ndo-*e a principal
9
Devo ressaltar que a **te*ra*te não *ê com* r*gr* * ato de per*en*er a *rews, t*nd* em vista q*e * graff*ti
t1*mbém é pratica** por artis*as indepen*entes. 0
Par* ter acesso a u* texto s*bre a criação d* "cr*w", co*sultar Freitas (2015).
Re*. FSA, Teresin* *I, v. 13, n. 5, art. 3, p. 4*-**, set/out. 2016 www4.fs*net.com.b*/revista
T. T. Fre**as, E. S. Bonf*m
*4
*a*ceira d* g*upo e a J*h *oi con*idad* para compor as Fre*das. **vo res*altar que nem *odas
as meninas da "crew" se reco*hecem como feministas, s*nd* assim, o grupo prefer* ser
reco**ecid* *omo um grupo f*minino de *raf*iti, poi* desta forma n*o se *iole**a
*
diversi*ade *e vis*es de mundo pre*ente na "crew".
Desde sua formaç*o mu*tas s*tuaçõe* ocorreram, cons*ituindo a *istór*a do grupo,
c*mo: os "salve*" *nt*e "*rews" *u entre gr*f*tei*as(os), *asos de m*r*s apag*dos *or seus
proprietários, * rejeiçã* de personagens, uma *ituação d* "a*ropelo", abordage* *oli*ial *m
"rolês", con*lit*s no pr*prio grupo, entra*a e saída de integrantes e tudo o *ue a formação de
um *oletivo de graffiti comumente está vulnerável a *assa*.
Se olha*mos para a teo*ia *ociológica, o confl*to sem*re esteve presente, tan**
teor*camente, quanto *os objetos de a*á*ises em *iversas sociedad*s, se*a ele positivado c*mo
na te*ria de Simmel (1983) ou Leach (1996), sej* ele negativo, ***o nas teor*as e*truturais-
f*ncionalistas de inf*u**cia dur*heimi**a (o confl*to como an*mia). N* *raf*iti não é m*it*
*iferente. Além dos des*fios *nfrentados durante a* ações na *ua exis*em t*mbém as internas
ao g**po, *omo as situações de conflito. Tais situações são muito comuns em o*ganizações
co*etivas e com as Freedas *ão foi dife*ente. Os conflit*s ao *eu *er reestrut*raram, tanto o
grupo em sua maioria foram confli*os positivados, no sentido dado por **mmel (1983), como
** ele**nt* comum à *inâmica da vida s*ci*l.
3 MÉ**DO
*.1 Experime*tação no **affi*i: pr*p*s*a me*od*lógic*
A e*p*sição *esses dados etnográficos, nesse a*tigo, aponta* alguma* reflexões
s*bre a meto*ologia
adotada,
que não é
comu* "ob*ervação-parti*ipa*te", e *i* um*
*xperime*ta*ão que bus*a ter um *lhar "de p*rto e de dentr*":
capaz de *preende* o* padrões de co*portamento, não *e indi**duos atomi*ados,
ma* dos múltiplos, variados e h*t*r*gêneos *onjuntos *e atores sociais cu** vi*a
coti*ia*a *ranscorre na pai*ag*m da ci**de e d*pe*de de se*s equipamen*os
(M**NANI,2002, p.17).
A
exp*rimentação s*rgiu *omo **ssibilidad* de maior *n*er*ção com a* gr*f*teiras.
*oi uma ch*nce de m* apr*ximar d*s técnicas utilizadas no graffit*, poi* possuo sim*atia *el*
p*ntura, d*s*nh* e a ar*e de ma*eira geral. Sabia, de antemão,
que haveria dificuldades em
Rev. *S*, Teres*na, v. 13, n. 5, *rt. 3, p. 41-60, se*./out. 2016
*ww4.fsanet.com.br/revista
Free**s Crew: P*ntando *om um Grupo ** *u*heres
5*
relação a es*a form* de pesquisar, m*s em nenhu* momento foi previsto, *or mim,
a
di*e*são de tais dificuldades *ois, quando *u as i*aginava, ficavam restrit*s às n*ces*id*des
de "distanciamento" em relação às inter*ocutora* * de *uas ações para, as*im, con*eguir
prob*emati*a* os acontecimentos.
* prin*ípio ten*ei ma*ter *istância de si**açõ*s d*
con*lito q*e me f*ze*sem *xpor
*lguma opinião a respe**o, mas isso ficou
cada
v*z mais *ifíc*l, quando os **bates se
*orn*r** mais *ecorrent*s *, c**seque*teme**e, o g*upo *assou a me exigir *osiciona*entos
a *e*peito. A*ina*, eu també* p*rtencia ao c**etivo e os *r*bl*mas *ue o afetavam deveriam
me afe*a* ta*bé*. Porém, *omo vim d* uma *ormação11 que to*nava o at* de pesqu*sar um
tanto o*todo*o (c*m aquelas exigên*ias já conhecidas ** aca*emia, como o distanciamento,
*sc**ta im*essoal, imparcialidade), f*i ao **mpo exploratório *heia de cautelas * fantasmas
teó*ico-metodo*ógico*, que vã*
*e dissipa*do
na medida em q*e au*enta o meu *ont**o,
ta**o com o graffiti, qu*nto com * ant*opologi*.
Logo n* a*resent**** da oficina, ide*tifique*-me co*o *studan** de pós-*raduaçã* e
que estava ali também para realizar
uma p*squisa. *onc*uí **e *sta seria uma forma *e
*proximação honesta e ética a ser feita. Com
essa transparência, diante d*s min*a*
i*terloc**o*as é poss*ve* co*i*a* sobre
duas *onsequências: uma, seria me ver como
um a
forasteir* ou "espi*" (Z*NOBI, 2010), uma pessoa alh*ia aos aconte*ime**o*, sem ao meno*
ser *econhecida p**o gru*o
*omo integrante a **g*n*a, rec*iria sobre a minha *ceita*ão e;
como inte*ran*e ao proc*sso de c*iação e int*rvençã* nas ruas, *lém de me verem como uma
oportu*idad* de documenta*ã* *as açõ*s desenvolvidas *elo
grupo. Com* adentrei
à
experimentaç*o po* meio de uma ofici*a, on*e a* demais p*rticipantes
ta*bém eram
a*re*diz*s, de uma ce*ta *or*a todas iríamos
expere*cia* (WAGN*R, 2012) a "*u*tura" do
graffiti de maneir* iniciát*ca, *ue me *o*ocou no mesmo gr*u de apren*izagem.Eis o
qu*
a
seg*nda consequência me *arece mais ade*uada ao trab*lho de c*mpo.
Segundo Mich*lle Cun*a, a ex*eriênci* qu* me pr*pus a vivenci** *roporciona
*ercep*ões pos*íveis some*te para quem está mer*ulha*o na c**posição d* acon*ecimentos
do graffiti. E*a co*parou com *s *esqui*as r*a*iz*das no* cursos de Artes, e* q*e
o
pesquisador, ge*almen*e, utiliza a sua própria v*vên*ia materi*l de pe*quisa. D*ante disso, *e
eu fosse * campo com *utra propost* de aproximação talvez não f*sse legi*im*da perante
o
g*upo, mas isso um* inferência, tendo em vista que é
existem inúmera* pesquisas sobre o
graffit* sem que haja a necessidad* da experimentação por pa*te do pesquisa*o*a(or), porém
11
*r**uação em Serviço Soci*l.
Rev. FSA, *eresina PI, v. 13, n. 5, *r*. 3, p. 4*-*0, set/out. *016
*ww4.fsan*t.com.br/revista
T. T. F*eitas, E. S. Bonf*m
5*
dev* *dmi*i* q*e * **nvivência es** sendo *m
*iferencial
qu* amplio* a cap*ura de outr*s
*er**p*ões.
Certa *ez, em plen* m*n*fest*ção p*pu*ar em u*a praça
*istó**ca n* centro de
Belém, Mi**e*le, ** me apresent*r p*ra d**s g**fiteiros, disse *ue eu fazia pa*t* da* Free*as
*rew * que estava real*zand* uma pe*q*i*a s*bre graffit* entre mulheres; comentou tam*ém
s*bre eu estar tã* envo*vida com o graffiti
que mesmo que*endo m* afastar *o g*upo - até
para conseguir *en*rar algumas perspec*ivas e apreen*ões -, não havia consegui*o e dois *i*s
depois lá estava no*amente pinta*d* com a* meninas do col*tivo. En**tizo* em *ua fala
o
q*an*o o gr*f*iti * um *ício e é capaz de *r*ns**rmar a vi** de q**m o pratica, pos*ibilita*do
**vas ami*ades, n*vas ex*eriências e a vontade de cada vez mais melhorar e praticá-lo.
É *nt*res***te per*eber na experiênci* c** a cre* a* m*danças *o ol*ar
quand*,
sem mais receios, deixei-m* l*v*r p*los
fluxos *o campo, pois o que ante*
*ão e*a *isto
-
*omo s* houves*e um "da*tonismo" -, passou a ser perce*i*o, traze*do no*os element*s. Um
*xem*lo s*o os
próprios
*ra*fit*s que pass*ram a re*el*r muito mais do
*ue uma simples
i*tervenção ar**stica, pois el*s comunicam através da linguagem circunscrita por **mbolos
e
códigos que só quem *em um* re*ação estr*ita, ou pelo meno* alguma rela*ão, com essa re*e
de sociabilidade, é capaz de *ompreen*er, ou *er afetado por aquilo.
A*ém disso, a comp**
de materi*l e o **rendizado
** novas técnicas tor*am-se
um a
obs*ssão. *usca-*e fre*uentemente t*r *a*eri*l em *ãos para a qual*uer mo*ento utili*á-lo,
caso haja *m convi*e ou um
possível
"*ainel" ** "crew". Portanto, o
graffiti s* *nt*elaça
à
*id* de que* o pratica, um exemplo c*aro desse encontro é o re*ato *e uma *rafite*ra, que diz
carregar em sua
*ol*a *m *pray pequeno de alta pressão e, ao vol*ar pa*a *asa,
apro*eita
*
oportunidade que a m*drugad* lhe proporciona, deix*n*o p**os em seu *rajeto.
O ades*ramento do ver12, **ndo em vista que o s**p*es observar a cidade cedeu
espaço a um o*har de caça,
*retendendo en*ontrar um possí*el *uro para in*ervençã*
artís*ica. Essa *s**cie *e re-educação do ol*ar e *a percepção da p**sagem deixou-me
em
situaçã* de p***uisa "m*l*i-sited" (MARCUS, 1994), *ois o s*mples *rafegar cotidiano pela
cidade torna-se um trabalho de campo: a observaç** dos muros, dos "stic*e*s" espalhad*s em
ônibus e pla*as, * per*ep*ão de um novo "*tropelo" e *ua respos*a, o grafite*ro qu* tem mais
interv*nções pela cidade e etc.
Somados a isso, tanto * gr*ffi*i
quanto a pixação *oss**m po*er de transfor*ar o
t*ajetos antes ma* obser*ados
e passam a interagi* *om os *ranse*ntes, bem c*mo se
*2
Nesse *onto é salutar os ensina**ntos d* Franz Boas (2004a, 200*b) a resp*ito d* relaçã* entre percepção,
aspectos exteri*res e culturais.
Rev. FSA, *ere*ina, v. *3, n. 5, art. 3, p. 4*-60, set./*ut. 2016
www4.fsanet.co*.br/revista
Freed** Cre*: **ntando Com um Grupo de Mulheres
57
apr*priam do espaç* público e, m*itas *ezes, do privado tam*ém. O muro *orna-se mei* d*
com*nica*ão, nem que seja par* tr*nsmit*r protestos e receber *evolta* e acus*çõ*s
de
va*dalismo. O graff*t*, por se*
conside*ada ar*e, atrai olhare* de conte**laç*o admiração, e
mas, aind* assim, era enquad*ado, até po**os an*s atrás, **mo c*ime, *untamente **m
a
pixa*ão. Somen** com Le* 12.408 ** 25 de Maio *e 2011 houve a *escrimin*liza**o do
graffit* s*m*nte e* cas*s de intervenção au*orizada, seja em pr*dios privados o* públicos.
Diferentemente do que acreditam m*i*os simpatizantes, o gra*f*ti e a pixação
possuem uma linha limít*ofe m*i** tên*e *m
*ue *mb*s s* encontram constante*e*te. *
pixa*ão é transgressora, não pede autorizaç*o; j* o graffiti, em sua maioria é autoriz*do, mas
ex**tem
ocasiões **e eles se to*n*m ilega*s, assim com* a pi*ação. Muitos *ratican*es
do
**affiti acr*ditam *ue uma ar*e só é *er*adei*amen*e graffiti
*uando su* *rátic* não
é
autori*ada, ma* e*sas conceituações
n*o p*ssuem u* conse*so, nem
entre o* p*óprios
grafitei**s, n*m *elos te*ri*o* que estu*am essa temática. A não *utorização tor** c*ime*
*r*vis*os em l*i.
Figur* * - Graffiti sem autorizaç*o.
Foto de auto*ia: *hayanne Freitas.
Para a "cen*
"há um esfo*ço *m equalizar *ra*fit* e pixaç*o, no se*tido em que
ambos
pode* ser *rim*naliza*os. Ge*almente
nã* há ri**lidad*, a não se* que a r*gra
d*
"a*ropelo" se*a q*ebrada.*ercebe-*e uma tentativa de respeitar o espaç* d* ca** u*.
A vivê*cia com * grupo de m*lheres também me trouxe
algumas recome*dações
impo*t*n*es p*ra a convi*ência in**a/extra grupos. Uma
delas é elimi*ar de algu*a f*rma
o
pens*mento dicotômico, *ri*c*pa*mente no que *e r**e*e ao graffiti e p*xação. Amb*s são
entr*laçados em comunic*ç*es compl**as n*o visív*l ao "ol*o d*s**eina*o", tendenciar entre
Rev. FS*, *ere*ina PI, v. 13, n. 5, art. 3, p. 41-*0, *et/*ut. 2016 ww*4.fsanet.co*.b*/revista
T. T. Freitas, E. S. Bon*im
58
um *u outro. É preciso buscar a compreen*ão de q*e há um fluxo contínuo en*r*
ess*s
doi s
eixos,por*anto, são indissoc*áveis. A ou*ra ques**o é que relaç*o, a
se*a c*nflituosa ou nã*,
precisa de um movim*n*o de of*rta e retribuição, aplic*ndo-se nos ca*os dos "atropelos", *o*
"s*lves", da t**ca de "sticke*s" e de "scketchbooks".
Di*nte de todos e*ses *contec*mentos
d*staco
que *til*zar *x*eriemn*aç*o como a
me*odologia tro*xe o*ortunidade* de *entir o q*e, *e f*to, acontec* antes e dur*n*e o ato de
grafitar. Muitos *etalh*s a q*e tiv* acesso e vivenciei só f**a* possíveis de serem v*r*fi*ad*s
por eu estar inseri*a no *rocesso que ,se fosse util*z*da outra técnic*, c*mo a ob*ervação, por
exemplo, não apareceria a *ão ser q*e a p*squisadora estivesse **o**an*ando as artistas 24h
po* *ia ou p*deri* surgir *as
en*revi*tas, m*s somente *e a situação fo*se cogitada
pelo
entrevis*a*or como é o
caso deli*ado da compra de mate*ial (e es*a é som*nte u*a
d*s
questõ*s q*e *ão surgem e* um* p*squisa di*t*n*iada).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A *elaçã* *o antrop*logo com o campo
co**n*ca uma con**r*çã* e
um a
desconstrução da* pr*mis*as levadas pe*o **s*uisador, ou s**a, o camp* d*ta os caminhos,
pois di*icilmente a teoria le*ad* ao *ampo é co*pl*tad* com a e*p*ria, caso *ão ha*a
maleabilidade e*tre a pes*ui*a e o referenc*al *eórico. *uscando e*sa flex*bilida*e te*rica,
busquei descrever *ssa exper*ência viven*iada no meu campo *xplora*ó**o, tendo *m vista
que a i***a d* ex*erimentação, q*and* fo* proposta (ainda no pro*eto de mestrado), não t*nha
um delinea*en*o exato de s*a feitura e a r*sposta veio d* pe*quisa com essa* ar*istas. E**s *
seus fazeres me ofere*eram alg*mas *o**denadas. De outra forma, sob a lu* de C*if*ord
Geertz (*004), pude ver que gra*de parte daquilo qu* o antropólogo é, result* de sua
experiência de c*mp*.
A ex*erimentação não foi escolh*da como simples ferramenta d* acesso
a
informa**es ou uma forma d* **venção de campo. A vivência foi oferec*da pelo campo e foi
aceita, não para aden*rar simplesment* em segredos * co*fli*os, e sim, junto *om as meninas
me into*icar com o chei** do spr*y, **r as unhas
cob**t*s p** cores (que não saem
*acilmente), ter mús*u*os t*ava*o* e ded*s sem força após uma s*q*ênci* de *ovi*entos
rep*titivos, ter * pele cada v*z mais bronzeada po* cau*a da exposi*ão ao so* nos muros sem
*ombr*s, *m outras palavr*s, par* ter aproximações com sensa*õ*s que em uma entrev*sta eu
não consegu*ria. O fa*er junto, ** **nt*ra, no p**neja*ento do "*ainel", na com*ra
de
material, t*az *m *ompos*o de c*m*nicaçõ*s que va* a*ém do ve*bal, cons*ró* afet*s.
R*v. FSA, Ter*sina, v. 1*, n. 5, art. 3, p. 41-6*, set./out. 2016 **w*.fsan*t.com.br/revist*
Fr*e*as Cr*w: Pint**do Com um Gr*po de Mul*er*s
59
Cabe ress*l*ar, *u* não est*u def*nd*ndo a excl*sividade da e**e***entaç*o como
mé*o** *ara a pesquisa *om o graffiti, ma* a defendo por a*redi*ar exi*tir div*rsas mane*r*s
*e se *l*ança* *ssa dinâ*ica *resente neste **mpo.
Se o gr*ffiti é um composto de atividades a*tísticas, elementos de comunic*ç*o,
performance, substrat*s"i**ológicos", téc*i*as, estilos compartilhados entre diversificados
sujeitos, *nfim uma "cul*u*a" no sentido ** Wagner (*012), p*r **e não experienciá-*a desta
*orma?
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Como Refere*ciar *ste Arti*o, conforme ABNT:
FREIT*S, T. T; *ONFIM, E. S. *reedas Crew: Pintando Com um Grupo de M*lheres. Rev. FSA,
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Contribuição do* Autore*
T. *. Freitas
E. S. *onfim
1) concepção e planej*m*nto.
X
2) análise e interpretação d*s da*os.
X
*) elabor*ção do rasc*nho ou n* revi**o crítica do conte*do.
X
X
4) p*rticipaç*o na aprov*ç*o d* *ersão f**al *o man*scrito.
X
*
Rev. FSA, Teresina, v. 13, n. 5, *r*. 3, p. 41-60, *et./out. 2016
www4.fsa*et.com.br/revista
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ISSN 1806-6356 (Print) and 2317-2983 (Electronic)